A utilização da acupuntura em medicina veterinária
CURSO
DE
TIRO
COM
ARCO
12
1 INTRODUÇÃO
O tiro com arco é um esporte que possui como princípios a estabilidade e a
repetição de movimentos para obtenção de um tiro consistente, isso quer dizer que
todo o movimento de preparação e execução deve ser repetido a cada tiro. Nesse
contexto, a Federation Internationale e Tir A L’arc, (FITA, 2002, p. 6) diz que “o
arqueiro deve repetir sua execução completa do tiro, inclusive gestos que são feitos
e implementados pelo arqueiro para se preparar e realizar os seus tiros”. Quando
ocorre essa consistência na habilidade, ou seja, o atleta consegue repetir o mesmo
padrão do movimento, ele poderá atingir um alto nível de rendimento, uma vez que
irá agrupar as flechas e consequentemente aumentar o seu escore final. O
agrupamento das fechas significa que o local de impacto no alvo foi em uma região
pequena, ou seja, as flechas estarão muito próximas umas das outras. Esse
agrupamento reproduz o resultado da consistência da habilidade, independente do
local do alvo que ele ocorreu. Para então se obter um bom resultado de pontuação
se faz necessária a regulagem do equipamento, mais precisamente a regulagem da
mira, que proporcionará ao atleta atingir as flechas no centro do alvo. Partindo da
premissa que a repetição do movimento leva ao agrupamento das flechas, se torna
importante um olhar mais voltado para a habilidade e não só para a pontuação, que
normalmente é o único parâmetro analisado. Pode-se então dizer que a repetição do
padrão de movimento se constitui como elemento fundamental para a obtenção de
bons resultados.
Encontra-se na literatura vários instrumentos que se propuseram a avaliar o padrão
de movimento nas mais diversas modalidades esportivas. Meira jr. (2003) criou uma
lista para o padrão de movimento do saque no voleibol, Madureira (2008) elaborou
um instrumento para avaliação do nado “Crawl” e Gomes et. al. (2009) propõe uma
lista de checagem para análise qualitativa do padrão de movimento do Golpe de
Judô Tai Otoshi. A criação de uma lista de padrão de movimento mostra a
importância da execução da técnica para aquela modalidade esportiva para qual foi
desenvolvida. Assim como nos esportes já citados, no tiro com arco, o padrão de
movimento se faz importante para um bom resultado, portanto um instrumento capaz
13
de avaliar este aspecto se torna fundamental para o acompanhamento do
desenvolvimento de um atleta.
1.1 Justificativa
A eficiência do tiro do atleta sempre foi medida através da pontuação obtida no alvo,
mas não foi encontrado um critério bem definido capaz de avaliar o padrão de
movimento do tiro. Para realizar pesquisas acerca do padrão de movimento, é
necessário definir as fases do tiro e atribuir importâncias a elas. Dessa forma, faz-se
necessário a elaboração de um instrumento capaz de avaliar essa habilidade
motora. A lista de checagem tem essa finalidade, uma vez que a partir de uma
listagem de padrões de movimentos é possível tornar avaliações qualitativas em
quantitativas e assim obter uma pontuação para uma habilidade através do
somatório das pontuações dos itens relativos ao padrão realizado (MEIRA JUNIOR,
2003). A lista contendo as características do padrão de movimento permite avaliar o
aprendizado da técnica de um arqueiro ao longo do tempo, quando utilizada em
situações de ensino-aprendizagem, e ainda podendo ser utilizado como uma
ferramenta de pesquisa.
1.2 Objetivo
O objetivo do presente estudo é construir um instrumento de avaliação capaz de
analisar os fatores relevantes à execução do tiro do esporte tiro com arco.
14
2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Histórico e descrição do Tiro com Arco
O início da utilização do arco não tem uma data precisa. Pinturas rupestres
encontradas em cavernas, dentre outros achados arqueológicos, sugerem sua
utilização desde a Idade da Pedra Lascada, cerca de 20.000 aC. No entanto, os
antigos egípcios foram os primeiros a adotarem o arco e a flecha com fins de caça e
guerras há pelo menos 5.000 anos (FITA, 2010). Foram encontrados na tumba de
Tutankhamon, faraó do antigo Egito, arcos e flechas juntos aos seus pertences.
Registros apontam que ele utilizava suas bengalas para atirar flechas (MOISSE,
2010). Os mongóis também fizeram história com o arco e flecha. Eles trouxeram
terror em seu tempo, com a sua cavalaria armada com arco e flechas, sendo essas
últimas incendiárias. Em 1200 aC, os hititas e assírios tornaram-se adversários
temíveis no campo de batalha por atirarem com seus arcos em cima de bigas.
Segundo o Comitê Olímpico Internacional, COI, eles faziam arcos com o tendão,
chifre, madeira e também desenvolveram uma nova forma re-curvada. Isso fez com
que os seus arcos, mais curtos e mais poderosos, fossem mais fáceis de segurar
para um arqueiro montado sob o cavalo.
Em 1545, foi escrito o primeiro livro sobre o ensino da arte do arqueirismo chamado
“TOXOPHILUS” cujo autor, Robert Ascham, era instrutor da Rainha Elizabeth I. Os
antigos reis ingleses baixaram éditos1, obrigando a todos os jovens ingleses a terem
arcos e um número obrigatório de flechas sempre a mão criando uma espécie de
milícia nacional armada, contra as invasões dos vikings e normandos (CASTRO,
1977).
Com a descoberta da pólvora, o arco, antes empregado como arma de guerra, caça
e pesca, passou a ser utilizado por nobres como lazer, na realização de disputas de
1
Édito é uma ordem de autoridade superior ou judicial que se divulga através de anúncios ditos
editais, afixados em locais públicos ou publicados nos meios de comunicação de massa (AURÉLIO,
2008).
15
habilidades, tirando-os dos campos de batalha e transformando-os em esporte. No
entanto, existem algumas utilizações recentes do arco como arma bélica. Na Guerra
do Vietnã, os vietnamitas desenvolveram um arco para o uso em florestas, dando
origem ao arco composto atual (FMAF, Federação Mineira de Arco e Flecha). Em
dezembro de 2007, em kapuno Valley, no Kenya, por falta de armamento, o arco e
flecha foi utilizado no campo de batalha (AFP, 2008), alguns registros deste evento
estão no anexo 1.
O Tiro com Arco teve sua primeira aparição nos Jogos Olímpicos no ano de 1900,
tendo participação também nos anos de 1904, 1908 e 1920. Ficou ausente por 52
anos, devido à discrepância das regras praticadas nos mais diversos países. O seu
retorno aos jogos se deu no ano de 1972, em Munique, com a aceitação das regras
da FITA.
A grande utilização do arco por diferentes povos levou uma grande variedade deste.
Cada povo, com a sua cultura e com um determinado tipo de material disponível,
desenvolveu um diferente tipo de arco. Existem, atualmente, vários modelos, entre
eles estão o arco mongol, os arcos japoneses usado no Kyudo e outras artes
marciais, os arcos longos chamados de Longbow, os arcos compostos, muito
utilizados em caça, e, por fim, o recurvo, arco utilizado em olimpíadas (CASTRO,
1977; FITA, 2010; WIKIPEDIA, 2010).
O arco recurvo, muitas vezes chamado de arco olímpico é composto basicamente
por um par de lâminas, o punho e a corda, podendo ser acrescentado alguns
acessórios a ele como mira, rest, clicker, estabilizador, entre outros (CASTRO,
1977).
Assim como existem diferentes arcos, existem também diferentes técnicas de
execução do tiro. Técnica, segundo Greco e Benda (1998), é definida como o meio
mais econômico e eficaz para se atingir um determinado objetivo. A técnica é
definida por Grosser e Neumaier (1982, p.11) em dois aspectos. Primeiro como
“modelo ideal de um movimento relativo a uma disciplina desportiva”, podendo ele
ser descrito com base em “conhecimentos científicos atuais e nas experiências
práticas, verbalmente, de forma gráfica, de forma matemática, anatômico-funcional e
16
outras”. E segundo como “método para realizar a ação motriz ótima por parte do
desportista. Weineck (1989, p.) entende técnica esportiva como ”os processos
desenvolvidos, geralmente pela prática, para resolver mais racional e
economicamente um problema motor determinado”. A técnica atualmente utilizada
no arco recurvo em competições não tem muita variação de um arqueiro para o
outro. O padrão utilizado neste estudo foi o ensinado nas escolhinhas de tiro com
arco e se assemelha muito ao atual padrão dos arqueiros olímpicos.
Alcançar a técnica ideal do tiro no arco e flecha é o objetivo da maioria dos
praticantes do esporte. O manual para iniciantes proposto pela FITA (2002) diz que
a repetição do mesmo gesto técnico leva ao desempenho desejado. Com isso,
pode-se dizer que a técnica no tiro com arco se faz importante no desempenho final
do atleta. Para se alcançar esse modelo ideal se faz necessário o aprendizado dos
movimentos específicos da habilidade a ser desenvolvida, sendo que este
aprendizado passa por diferentes etapas, cada uma com características distintas.
2.2 Estágios de aprendizagem
O objetivo nos estudos em Aprendizagem Motora é investigar o processo de
aquisição de habilidade, bem como os fatores que interferem nesse processo, por
isso se faz necessário primeiramente definir aprendizagem e habilidade. O processo
de aprendizagem foi definido por Magill (2000, p. 136) como uma “alteração na
capacidade da pessoa em desempenhar uma habilidade, que deve ser inferida como
uma melhoria relativamente permanente no desempenho devido a prática ou a
experiência”. Manoel (1999) traz a aprendizagem como o “processo em que uma
dada habilidade motora é adquirida com auxílio de prática sistemática, informações
externas sobre a habilidade (instrução) e sobre a própria execução (feedback
extrínseco, intrínseco ou aumentado)”. Schmidt e Wrisberg (2001, p. 26) definem
aprendizagem como “mudanças em processos internos que determinam a
capacidade de um indivíduo para produzir uma tarefa motora”. Sendo que “o nível de
aprendizagem motora de um indivíduo aumenta com a prática e é frequentemente
inferido pela observação de níveis relativamente estáveis da performance motora da
17
pessoa". Já a habilidade pode ser definida como “ato ou tarefa que requer
movimento, que é intencional e aprendido a fim de ser executado corretamente”
(GRECO; BENDA, 1999). A habilidade motora tem sido classificada de diferentes
formas. Podem ser definidas como habilidades motoras finas ou grossas, sendo
distinguidas pelas dimensões dos grupos musculares envolvidos na realização de
uma ação. Classificadas também pelo diferentes seqüenciamentos realizados na
habilidade, ou seja, possui um movimento com início e final bem definidos ou realiza
uma sequência de movimentos diferentes, ou ainda são realizados movimentos
repetitivos. Essas habilidades são classificadas como discreta, seriada e contínua,
respectivamente. As habilidades motoras podem ainda ser classificadas como
fechada ou aberta, quanto o que se é levado em consideração é a estabilidade do
ambiente. O arco e flecha é classificado como uma habilidade motora fechada, pelo
fato do ambiente não ser alterado enquanto a pessoa executa a habilidade e
discreta por possuir o início e o final do movimento bem definidos (MAGILL, 2000)
A aprendizagem de qualquer habilidade motora parece passar por diferentes etapas
que costumam apresentar características diferentes. Alguns modelos foram
propostos por diferentes autores.
Fitts e Posner (1967), segundo descrito por Magill (2000) propuseram o modelo
clássico em que aprendizagem acontece em três fases. A primeira fase, conhecida
como estágio cognitivo, é marcada por um grande número de erros, um
desempenho altamente variável, mostrando a falta de consistência de uma tentativa
para a outra e a falta de consciência do que se deve fazer para melhorar, não
sabendo exatamente o que está correto ou incorreto durante as execuções. Nesta
fase, o aprendiz se concentra mais nos problemas de natureza cognitiva como
preocupar-se em soltar a corda na largada ou posicionar a flecha no alvo para fazer
a mira. A segunda fase, conhecido como fase associativa, é caracterizada por menor
número de erros e erros menos grosseiros. Durante esta fase, “as pessoas adquirem
a capacidade de detectar e de identificar alguns de seus próprios erros de
desempenho”. Os aspectos cognitivos são modificados pelo fato do indivíduo ter
aprendido a associar certas pistas ambientais com o movimento necessário para
atingir a meta, como quando o arqueiro, ao ver que as flechas estão subindo demais
no alvo percebe que, na ancoragem, a sua mão não está encostada no maxilar.
18
Nesta fase, o aprendiz comete um menor número de erros sendo esses menos
grosseiros, uma vez que ele adquiriu os fundamentos básicos da habilidade. Magill
chama estes fundamentos também de mecânicos da habilidade, ou seja, a idéia do
movimento associada a capacidade de percepção do erro, porém ainda
necessitando de um aperfeiçoamento. Fitts e Posner chamam esse aperfeiçoamento
da fase de refinamento, em que a pessoa se torna mais consistente de uma tentativa
para a outra por se concentrar mais no desempenho bem sucedido da habilidade.
(MAGILL, 2000, p.150). Por fim, a fase três, chamada de fase autônoma,
caracterizada pela baixa variabilidade do desempenho, e uma boa consistência
entre tentativas. Nessa fase, o sujeito consegue realizar a habilidade sem muita
demanda de atenção, podendo realizar até outra tarefa ao mesmo tempo de
execução da habilidade. Os indivíduos nesta fase conseguem detectar os próprios
erros e ainda corrigi-los de forma eficiente através de alguns ajustes como o tempo
de execução de um determinado movimento. No arco e flecha esse ajuste pode
acontecer durante um tiro quando se é realizado um movimento acessório depois de
uma largada errada para corrigi-la e colocar a flecha de volta no seu vôo ideal. Fitts
e Posner (1967) expõem a possibilidade de que nem todas as pessoas chegam a
este estágio no aprendizado de uma habilidade pela exigência de muita prática e
experiência, que pode levar vários anos. Este modelo apresentado possui um
continuum no tempo de prática, como mostrado na figura 1, não existindo mudanças
bruscas nas trocas de estágio, dificultando a identificação exata do estágio de
aprendizagem que o indivíduo de encontra.
FIGURA 1 -Os estágios da aprendizagem do modelo de Fitts e Posner, apresentados num continuum
temporal
FONTE: adaptado de MAGILL, 2000, p.151
19
Outros teóricos apresentaram posteriormente outros modelos de aprendizagem.
Adam (1971) propõe o primeiro como estágio verbal-motor e o segundo como
estágio motor. Gentile (1972) apresenta o modelo com o estágio de aquisição da
idéia do movimento seguido pelo do estágio de fixação e diversificação. Newell
(1985), citado por Magill (2000) propõe o estágio de coordenação que se refere à
aquisição do padrão e o estágio de controle que se refere à adaptação do padrão
conforme a necessidade. De uma forma geral, no estágio inicial de aprendizagem o
indivíduo apresenta imprecisão, lentidão, falta de confiança, indecisão,
inconsistência e aparência rígida na realização da atividade motora. “Mesmo quando
fazem alguma coisa correta, os iniciantes não têm certeza do que fazem (SCHMIDT,
WRISBERG, 2001).
No modelo de Gentile (1972), diferentes do modelo de Fitts e Posner, a habilidade
motora se processa em dois estágios, sendo que eles são apresentados do ponto de
vista da meta do aprendiz. O primeiro estágio possui a meta de ”captar a idéia do
movimento”, ou seja, o que o sujeito precisa fazer para atingir a meta da habilidade,
envolvendo o padrão de movimento adequado. No tiro com arco, por exemplo o foco
do aprendiz no primeiro estágio seria coordenar os braços e regular a força para se
puxar a corda do arco. Ainda neste primeiro estágio também se faz necessária
aprender a perceber quais as características ambientais afetam ou não a produção
do movimento utilizado para executar a habilidade, chamadas pelo autor de
condições reguladoras e não-reguladoras. Essas condições podem ser
caracterizadas no tiro com arco como a potência e o tamanho do arco sendo
condições reguladoras e a cor do punho do arco sendo uma condição não
reguladora. (MAGILL, 2000).
No segundo estágio, a meta é fixação/ diversificação, em que o sujeito precisa,
primeiramente, desenvolver a capacidade de adaptar o padrão de movimento a
qualquer situação. Posteriormente, ele precisa aumentar a sua consistência em
atingir a meta e “aprender a desempenhar a habilidade com economia de esforço”
(MAGILL, 2000, p. 152). A fixação e diversificação são especificas para habilidades
motoras fechadas e abertas respectivamente. Na habilidade fechada, o aprendiz
precisa refinar o padrão de movimento por isso o aprendiz vivencia situações
semelhantes ao da prática da habilidade. Já na habilidade aberta, o aprendiz
20
necessita se adaptar ao ambiente, para isso são se permite que aconteçam
variações naturais das características da habilidade.
Schmidt e Wrisberg (2001) listam no Quadro 1, descrito abaixo, algumas das
características de performance dos indivíduos, em diferentes estágios do processo
de aprendizagem da habilidade.
QUADRO 1
Representação teórica das características de performances motoras associadas
Características de performance motora associada
Aprendizagem Inicial Aprendizagem Final
Aparência rígida Automático
Impreciso Preciso
Inconsistente Consistente
Lento, interrompido Fluente
Tímido Confiante
Indeciso Decidido
Inflexível Adaptável
Ineficiente Eficiente
Muitos erros Reconhece erros
Fonte: adaptado de Schmidt, 2000, p.27
Para se determinar em que estágio um aprendiz está, ou para saber como está o
seu desenvolvimento ou mesmo para inferir se houve ou não aprendizagem é
necessário a utilização de algum tipo de instrumento que possa avaliar o que se
quer medir. Para isso existem deferentes medidas capazes de realizar esse essas
avaliações.
2.3 Medidas e curvas de performance (desempenho)
Ao se ensinar uma habilidade presupõe-se que o indivíduo irá aprendê-la, mas para
determinar se ele aprendeu ou não, é importante fazer uma avaliação da
aprendizagem. A forma de se inferir a aprendizagem é a partir do comportamento
observado (MAGILL, 2000). O conceito de aprendizagem motora está ligado ao
21
conceito de desempenho motor, sendo eles complementares. Desempenho motor é
caracterizado por Magill (2000) como a “execução de uma habilidade em um
determinado instante, em uma determina situação” que se pode ser observada. A
aprendizagem pode ser inferida através das características do desempenho e não
pode ser observada diretamente, sendo definida então por Magill (2000, p.136)
como: “uma alteração na capacidade da pessoa em desempenhar uma habilidade,
que deve ser inferida como uma melhoria relativamente permanente no
desempenho, devido à prática ou à experiência”.
À medida que acontece a aprendizagem de habilidades são observadas quatro
características no desempenho. São eles: o aperfeiçoamento do desempenho, uma
vez que a performance da habilidade estará melhor com o tempo de prática; a
consistência do desempenho que significa que a variação no nível de desempenho
diminui, ou seja, os resultados tornam-se parecidos, como por exemplo no arco e
flecha o arqueiro começa a agrupar melhor as flechas; a persistência que mostra
que quanto mais se melhora o desempenho, por mais tempo aquela pessoa
consegue manter aquele último desempenho demonstrado, firmando o conceito de
aprendizagem como mudança relativamente permanente; e a adaptação seria a
capacidade do aprendiz a manter um determinado desempenho dentro de variações
sejam de ambiente, tarefa ou mesmo do próprio indivíduo (MAGILL, 2000). Com a
evolução da aprendizagem, o indivíduo costuma melhorar sua capacidade de
realizar a habilidade com sucesso.
Uma das formas de se avaliar a aprendizagem motora em pesquisa consiste em
registrar os níveis de uma medida de desempenho durante o período em que uma
pessoa pratica uma habilidade e posteriormente em testes que possibilitam verificar
a aprendizagem (LAGE, 2002). Esse desempenho, normalmente é representado
graficamente. O gráfico ilustrando o desempenho é composto pela medida de
desempenho (eixo X) em um determinado período de tempo dado em minutos ou
segundos, durante uma tentativa, uma série de tentativas, um dia, entre outros (eixo
y).
Do início ao final da prática, o indivíduo apresenta uma das quatro tendências gerais
representadas nas curvas de desempenhos, na figura 2 abaixo. A curva A
22
representa uma curva linear que indica o aumento sistemático do desempenho ao
longo do tempo. A curva B representa uma curva negativamente acelerada que
indica que ocorre uma grande melhora do desempenho no inicio da prática e
menores aperfeiçoamentos posteriormente. A curva C é denominada curva
positivamente acelerada, sendo representada como o inverso da curva B. Ela
representa uma ligeira melhora do desempenho no início da prática e um
aperfeiçoamento significativo posteriormente. Por fim, a curva D representa uma
combinação das outras três curvas apresentadas e é conhecida como curva em S
ou ogiva (MAGILL, 2000).
FIGURA 2 - Quatro tipos gerais de curvas de desempenho
FONTE: MAGILL, 2000, p.139
Todas as curvas de desempenho têm sua representação no eixo vertical (eixo Y) os
níveis das medidas de desempenho, e no eixo horizontal (eixo X), o intervalo de
tempo no qual o desempenho é medido.
O período de tempo em que o desempenho acima pode ser mensurado durante a
prática é chamado de fase de aquisição, porém o desempenho não é mensurado
apenas na fase de aquisição. Após a fase de aquisição, depois de um determinado
tempo, que pode variar entre minutos, horas, dias e até semanas, são aplicados os
testes de retenção e transferência.
O teste de retenção tem como finalidade “avaliar o grau de pertinência ou
persistência do nível de desempenho atingido durante a prática, depois de certo
período sem a prática” (MAGILL, 2000), ou seja, saber o quanto do que foi ensinado
23
foi retido. O teste consiste em fazer com que o indivíduo realize uma tarefa que já
tenha praticado, após um período sem prática.
O teste de transferência tem como objetivo verificar a capacidade do indivíduo de
transferir o que foi praticado para outras habilidades. Os testes envolvem uma
situação nova, “de forma que a pessoa precise se adaptar a habilidade que está
praticando às características dessa nova situação” (MAGILL, 2000, p.142)
A avaliação para verificar aprendizagem normalmente é feita comparando a
diferença entre o nível de desempenho do último bloco da fase de aquisição e os
blocos dos testes, caso haja melhora significativa nessa comparação poderá aferir a
aprendizagem. Porém, esse tipo de avaliação não consegui responder a todas as
questões inerentes à aprendizagem, para isso se faz necessário outros tipos de
medidas.
As medidas de desenvolvimento da aprendizagem do sujeito têm que atender a
necessidade de cada habilidade e do objetivo desta. Schmidt e Wrisberg (2001)
colocam duas categorias de medidas de performance: medida de resultado e
medida de processo.
A medida de resultado indica algum aspecto sobre o resultado da execução da
habilidade que inclui medidas de tempo, distância, precisão e consistência. No arco
e flecha a medida seria o escore alcançado ao atirar um determinado número de
flechas. No atletismo, por exemplo, utiliza-se a medida de tempo para provas de
corrida, medidas de distância pra determinar o qual longe foi arremessado ou
lançado algo ou o próprio atleta. Já no tiro com arco utiliza-se a medida de precisão
pra saber o quão próximo ao alvo foi uma flecha e medida de consistência para
sabermos o percentual de séries de flechas que se acerta o alvo. A medida de
processo indica algum aspecto sobre a qualidade das ações, ou seja, a respeito do
padrão de movimento. Na ginástica artística a forma de avaliação e pontuação de
um atleta é dada pelo padrão perfeição de um determinado padrão de movimento e
ainda a dificuldade da execução do próprio. Alguns instrumentos são utilizados para
essa medida, como por exemplo a eletromiografia (EMG), que registra as atividades
elétricas de um músculo ou um grupo de músculos. Em situações normais de
24
aprendizagem não é possível a utilização de equipamentos sofisticados para a
mensuração da qualidade do movimento. Assim, os instrumentos mais utilizados
para as avaliações são os que avaliam a forma de movimento, ou seja, o padrão
desse movimento. Esses instrumentos usualmente são os chamados Check list ou
listas de checagem utilizadas nas mais diversas áreas do movimento, tanto para
avaliação do padrão quanto para fins de pesquisa.
Ainda são insipientes os estudos que propõem a elaboração e validação de listas de
checagem do padrão de movimento, foram encontradas muito poucas referências
que buscaram este objetivo. Porém os estudos que avaliam o padrão de movimento
são importantes para a avaliação do que é feito, e não somente do resultado
daquele padrão. Todos os estudos apresentados possuem um mesmo molde de
construção e validação de instrumentos e o mesmo foco de estudo, o padrão de
movimento.
Na ciência da reabilitação, foram encontrados os estudos “Validade e confiabilidade
intra e inter-examinadores da Escala Observacional de Marcha para crianças com
paralisia cerebral espástica” (ARAÚJO; KIRKWOOD; FIGUEIREDO, 2009) no qual
foi proposta uma Escala Observacional de Marcha (EOM) para caracterizar a
marcha de crianças com paralisia cerebral espástica e o trabalho “Avaliação da
coordenação e destreza motora - ACOORDEM: etapas de criação e perspectivas de
validação” em que o objetivo é validar um teste para detecção de transtorno da
coordenação motora em crianças (MAGALHÃES; NASCIMENTO; REZENDE, 2004).
O primeiro estudo constrói o instrumento que tem como objetivo “inferir, por meio da
observação, desordens da marcha e documentar o progresso do paciente durante
intervenção terapêutica” (GAGE, 2004, apud ARAÚJO; KIRKWOOD; FIGUEIREDO,
2009) e para isso eles estabeleceram seis itens referência às articulações do
tornozelo/pé, cinco aos joelhos, oito ao quadril e cinco à pelve, totalizando 24 itens.
Foram filmadas 23 sujeitos, utilizado 5 câmeras. Os dados foram submetidos à
apreciação de quatro fisioterapeutas experientes. Para a validação foi estabelecia
concordância entre dados cinemáticos, obtidos por sistema de análise de
movimentos, e os itens da EOM avaliados pelos examinadores por meio de vídeos.
Para a confiabilidade intra-examinadores cada examinador realizou uma segunda
avaliação duas semanas após a primeira, procedimento chamado teste e re-teste
25
(THOMAS; NELSON, 2002) Para a confiabilidade inter-examinadores foi
estabelecida concordância entre os resultados dos quatro examinadores. Para
determinar as correlações o estudo utilizou o índice de Kappa ponderado. O
segundo estudo citado elaborou um teste descritivo que tem como objetivo
documentar o desenvolvimento motor de crianças de 4 a 8 anos, o seu conteúdo foi
composto por uma revisão de testes já existentes, seleção e agrupamento dos itens
de acordo com critérios estabelecidos no estudo e adaptados a população brasileira.
A avaliação foi feita por dois grupos de avaliadores, o grupo chamado experts
avaliou os aspectos técnicos da lista, e o grupo chamado clínico avaliou a
aplicabilidade do teste. O teste foi considerado válido, porém não foi testada a sua
confiabilidade.
Foi encontrado também um trabalho que valida uma bateria de testes de Atividades
da Vida Diária (ADV) para idosos fisicamente independentes (ANDREOTTI; OKUMA,
1999). Para o teste foram selecionadas as AVD a partir da descrição das ações
cotidianas mais freqüentes dos sujeitos participantes durante um período de uma
semana. A partir disso os testes foram criados ou adaptados de testes já existentes.
Foram 26 itens distribuídos de forma diferente em quatro classificações de
atividades. A validade do teste foi determinada pela avaliação de especialista em
Geriatria e Educação Física, com análise dos dados por porcentagem e freqüência.
A objetividade foi determinada pela aplicação simultânea do teste por dois
avaliadores. E a fidedignidade foi realizada pelo procedimento teste e re-teste, com
um intervalo de três dias entre avaliações. Para determinação da objetividade e da
fidedignidade foram feitas estimativas de p, através do método de ANOVA, como
sugerido por Safrit & Wood (1989).
No voleibol foram avaliados os diferentes saques (MEIRA JUNIOR, 2003). A lista
construída para o trabalho “Validação de uma lista de checagem para análise
qualitativa do saque do voleibol” foi desenvolvida a partir das descrições do
movimento encontras na literatura especializada e então dividido o movimento em
quatro fases. Seis sujeitos foram filmados para a coleta de dados. Seis experts
participaram da avaliação do conteúdo da lista e cinco avaliaram a consistência e a
reprodutibilidade. A validade do conteúdo foi medida pela aplicação de um
questionário para avaliação da clareza da descrição da lista, da pertinência técnica
26
do conteúdo e a aplicabilidade da lista como instrumento de pesquisa. A
consistência e a reprodutibilidade foram estipuladas pela correlação intra-classe (R).
A pontuação da lista foi feita de forma que se avaliava se a fase do movimento era
ruim, regular ou boa, com 1, 2 e 3 pontos, respectivamente. A pontuação obtida em
cada fase foi ainda multiplicada pelo peso de cada fase. Para obtenção da
pontuação total, foram feitos os somatórios de todas as fases. A lista foi considerada
válida pelos resultados obtidos.
O estudo “Validação de um instrumento para avaliação qualitativa do nado ”Crawl”
propõe um lista que avalia aspectos atuais da técnica, especificidade de estilos e a
variação na magnitude e significado do erro (MADUREIRA et al. 2008). Os dados
foram coletados através de filmagem aquática feita por duas câmeras. Sete crianças
participaram da coleta, assim como cinco especialistas na modalidade que
realizaram as avaliações do instrumento. O conteúdo da lista foi selecionado a partir
do estudo da literatura especializada. A lista contém 61 itens divididos em 12
categorias cada uma com o seu respectivo peso e alguns itens com a questão
lateralidade também avaliada. Assim como Meira Junior (2003), a validade do
conteúdo também foi realizada pela avaliação do questionário quanto à clareza,
pertinência e aplicabilidade da lista. Para garantir a confiabilidade e a consistência
do instrumento foi utilizado o Coeficiente de Correlação Intra-classe (CCI). Foram
realizadas correlações intra e inter-avaliadores. A pontuação final se dá pelo
somatório das pontuações de cada categoria. Esse instrumento foi considerado
valido pelos resultados positivos encontrados nas correlações.
Uma luta foi avaliada no estudo “Validação de uma lista de checagem para análise
qualitativa do padrão de movimento do golpe de judô Tai otoshi” (GOMES et al.
2009). Neste estudo, duas listas foram criadas, uma para execução da configuração
global do golpe, e outra específica para o kuzushi (desequilíbrio) do golpe. A
primeira foi subdividida em duas fases e teve sua pontuação como 1 (um) ponto
avaliado como uma execução ruim, 2 (dois) pontos regular, 3 (três) pontos bom e 4
(quatro) pontos uma execução ótima. A segunda lista foi dividida também em dois
itens, porém a forma de pontuação foi diferente, 1 (um) ponto para a ocorrência do
padrão descrito e 0 (zero) para não ocorrência. Para a validação de ambas as listas,
o conteúdo das mesmas foram submetidos a apreciação de 10 experts em Judô que
27
a consideraram válidas. Para a fidedignidade e consistência foram feitas as
correlações intra (teste e re-teste) e inter-avaliadores, utilizando uma análise de
variância (ANOVA) com medidas repetidas. Os resultados mostram que a lista é
reprodutível e confiável.
Todos os estudos apresentados utilizaram avaliadores especialistas para as análises
das respectivas listas. Os experts de uma determinada modalidade são capazes de
observar diretamente ou em videoteipe os movimentos de aprendizes e podem fazer
julgamentos sobre a qualidade desses movimentos. Para assegurar a validade das
medidas de processo, os experts primeiro devem identificar os componentes do
movimento de aprendizes que mais refletem precisamente o desempenho
(SCHMIDT, 2001, P. 204).
No presente trabalho, o padrão de movimento avaliado foi o do esporte tiro com
arco. O método adotado para construção da lista foi baseado nos estudos citado e
na especificidade do esporte.
28
3 MÉTODO
A construção da lista de checagem passa por quatro etapas. Elaboração da lista,
avaliação do conteúdo para validação, filmagens e determinação de confiabilidade e
objetividade (ANDREOTTI; OKUMA, 1999, GOMES et al. 2009, MADUREIRA et al.
2008, MEIRA JUNIOR, 2003). Primeiramente foi elaborada uma lista e submetida a
avaliação dos experts, foram realizadas algumas ponderações relevantes
principalmente a estruturação da lista, sendo que o conteúdo em si não foi alterado,
apenas a sua formatação. Essa lista foi também submetida a avaliação de
consistência e reprodutibilidade. Nesta avaliação foram detectados alguns detalhes
da coleta de dados que poderiam ter interferido no resultado, então se fez
necessário reestruturar a lista e refazer todo o procedimento. Serão apresentados os
métodos de ambas as listas e posteriormente discutidas as modificações e os
resultados que elas levaram.
3.1. Método da primeira versão da lista de checagem
3.1.1 Sujeitos
Oito arqueiros foram utilizados como modelos para a filmagem de seus tiros. Os
indivíduos participantes do estudo eram todos integrantes iniciantes da escolinha da
Federação Mineira de Arco e Flecha (FMAF), Foi considerado iniciante aquele
arqueiro que ainda não participou de um round FITA completo. O round FITA se
constitui como uma competição realizada nas distâncias oficiais 90, 70, 50 e 30
metros para as categorias masculinas e 70, 60, 50 e 30 para as categorias
femininas, sendo que 90, 70 e 60 metros são chamadas distâncias longas e 50 e 30
metros são chamas distâncias curtas. A amostra tem idade entre 18 e 61 anos, de
ambos os sexos, com um tempo de prática que varia entre dois meses e três anos.
Os voluntários apenas participaram após a assinatura do termo de consentimento
livre e esclarecido.
29
Para a validação do conteúdo participaram oito especialistas da modalidade. Para
seleção dos avaliadores foi aplicado um questionário que continha questões que
englobavam atividades relacionadas à prática e ao ensino do tiro com arco
(apêndice 3). Quatro desses avaliadores participaram da determinação das
correlações inter e intra-avaliadores. O quadro abaixo contém as experiências dos
avaliadores relacionadas ao esporte tiro com arco.
QUADRO 2
Experiência dos avaliadores do conteúdo da lista (os 8 avaliadores) e da consistência e
reprodutibilidade da lista (avaliadores de 1 a 4)
Avaliador Experiência
1 Graduação em Educação Física, professor das categorias de
base e treinador da equipe mineira da Federação Mineira de Arco
e Flecha, FMAF, participa a cinco anos da iniciação do
treinamento de arqueiros.
2 Diretor técnico e atleta da seleção brasileira de tiro com arco,
participa a 10 anos da iniciação e do treinamento de arqueiros.
3 Diretor técnico, participa a 20 anos da iniciação e do treinamento
de arqueiros.
4 Vice presidente da FMAF, fisioterapeuta da seleção brasileira
paraolímpica de tiro com arco.
5 Graduado em educação física, técnico de esportes para
deficientes, participa a 5 anos da iniciação e do treinamento de
arqueiros .
6 Graduado e pós graduado em educação física, participa a 6 anos
da iniciação e do treinamento de arqueiros
7 Diretor técnico, secretário da CBTARCO (Confederação Brasileira
de Tiro com Arco), participa a 9 anos da iniciação e treinamento
de arqueiros
8 Técnico da seleção brasileira paraolímpica de tiro com arco,
participa a 5 anos da iniciação e treinamento de arqueiros
30
3.1.2 Instrumento
Para a coleta de dados foram utilizados como instrumentos uma filmadora mini DV
Sony DCR- HC62, um arco recurvo de madeira, com o tamanho de 70 polegadas da
marca Ragim, e potência aproximada de 24 libras, cinco flechas de alumínio da
marca Velox, um anteparo de sisal e câmara de ar de caminhão posicionado a 30
metros de distância da linha de tiro com um alvo oficial da FITA utilizado oficialmente
a 60 e 70 metros de distância da linha de tiro na categoria feminina e 70 e 90 metros
na categoria masculina. O alvo possui as dimensões de 122 cm de diâmetro, com
cinco cores (amarela, vermelha, azul, preta e branca respectivamente) e com 10
regiões de pontuação que vai de 10 a 1 (um) contando do centro até a extremidade,
sendo que cada cor contem duas pontuações e a zona de cada pontuação possui
6,1cm como mostrado na figura 3 abaixo.
FIGURA 3 – Representação do alvo utilizado na coleta, com as suas dimensões e pontuações
Os instrumentos foram dispostos no local da coleta, campo de tiro da Federação
Mineira de Arco e Flecha, da forma com que está ilustrado na figura 4 abaixo.
31
FIGURA 4 – Representação do ambiente de coleta da 1ª versão da lista
Todos os arqueiros utilizaram o mesmo equipamento, ou seja, utilizaram o mesmo
arco e as mesmas flechas.
3.1.3 Procedimentos
O experimento foi dividido em quatro etapas: elaboração da lista, avaliação do
conteúdo para validação, filmagens e determinação de confiabilidade e objetividade.
Para elaboração de uma lista é necessário selecionar o conteúdo de maneira que
ela possua uma forma simples, objetiva e completa (SANCHEZ, 1997 citado por
MADUREIRA 2008). Para isso, foram utilizadas referências especializadas que
possibilitaram uma melhor compreensão do que é o posicionamento e a execução
32
do tiro. A lista foi construída a partir de pontos importantes retirados em literatura
especializada (apêndice 4) dividiu a habilidade em cinco etapas: 1) posição inicial, 2)
puxada, 3) ancoragem, 4) mira e 5) largada.
A posição inicial consiste no posicionamento perpendicular do tronco em relação ao
alvo, os pés devem estar paralelos à linha de tiro ou o pé a frente da linha pode
estar a aproximadamente 45°. O arco será empunhado na vertical com a mão não
dominante, cotovelo totalmente estendido e escapula referente à mão que empunha
o arco deve estar deprimida. A puxada deve acontecer de forma em que o dedo
indicador esteja acima do ponto de apoio da flecha (nock) e os dedos anelar e médio
logo abaixo. Deve-se também realizar uma leve tensão na corda para ajuste do
posicionamento, chamado pré-puxada e, logo em seguida, deve-se levantar o braço
de forma que a flecha fique paralela ao chão e a mira colocada no alvo e por fim
deverá puxar a corda até o ponto de ancoragem. A ancoragem bem feita tem como
posicionamento o contato de toda extensão do dedo indicador na mandíbula do
arqueiro, a posição da mão deve ser neutra, ou seja, não haver nem pronação nem
supinação. A corda deve tocar levemente a ponta do nariz, os lábios e o queixo; a
corda deve ser levada ao rosto e não o rosto deve ser levado a corda. A mira deve
ser feita com o olho correspondente à mão que puxa a corda; a corda deve estar
alinhada com o punho, tangenciando a mira; a cabeça não deve se mexer para
ajustar a mira e sim o arco. E por fim a largada deve acontecer de modo que a mão
não pode sair do rosto no momento da largada, ela deve descrever uma trajetória
linear no pescoço até chegar à nuca e nenhuma parte do corpo pode se movimentar
bruscamente até a flecha atingir o alvo.
O conteúdo da lista teve a apreciação dos oito avaliadores especialistas em Tiro
com Arco (quadro 2). A lista contém as cinco etapas necessárias para a execução
de um tiro e a cada etapa atribuíram-se notas de um a sete sendo: 1) ruim; 3)
regular; 5) bom; 7) ótimo, de acordo com a quantidade de erros realizados durante
cada etapa. A nota final do tiro é composta pelo somatório das notas em cada fase.
Deste modo, a nota mínima é cinco e a máxima é 35. Após leitura e análise do
instrumento, cada avaliador respondeu questões relacionadas à clareza da
descrição do conteúdo da lista de checagem, à pertinência técnica do conteúdo e à
33
aplicabilidade da lista como instrumento de avaliação, com um espaço destinado a
comentários a respeito do conteúdo da lista (Apêndice 6).
A captação das imagens foi realizada em um espaço destinado a prática do tiro. O
sujeito foi posicionado a uma distância de 4,25 metros da filmadora e a 30 metros do
alvo. Após o comando “filmando” o sujeito estava autorizado a iniciar a execução do
tiro. Cada um dos oitos indivíduos realizou 10 tiros, sendo eles divididos em dois
blocos de 5. O seu tiro foi filmado e sua pontuação anotada em uma planilha
(Apêndice 9) que continha os alvos, o que possibilitou uma melhor referência do
resultado.
Para a edição do vídeo gravado foram utilizados os programas Premiere Pro 2.0 e
Adobe Encore DVD. Foi entregue para cada avaliador um kit para avaliação
contendo um DVD com as filmagens editadas, as planilhas para a anotação das
pontuações e a lista de checagem. Os avaliadores analisaram os 80 tiros por duas
vezes, com um intervalo de uma semana entre as avaliações, procedimento
denominado de teste e re-teste (SANCHEZ, 1997, THOMAS; NELSON, 2007). Eles
tiveram a total liberdade de utilizar os recursos de vídeo bem como voltar o tiro,
passar para frente, velocidade lenta ou pausa, para uma avaliação mais precisa de
cada tiro.
Para a determinação de confiabilidade foi utilizado coeficiente de correlação intra-
avaliadores derivado do coeficiente de correlação intra-classe (THOMAS; NELSON,
2007).
3.2. Método da segunda versão da lista de checagem
3.2.1 Sujeitos
Oito arqueiros foram utilizados como modelos para a filmagem de seus tiros. A
amostra foi composta por arqueiros de diferentes níveis de proficiência no tiro. Os
34
níveis foram definidos como iniciante, intermediário e avançado. Foi considerado
iniciante aquele arqueiro que ainda não participou de um Round FITA completo e
atira com arco escola ou tenha acabado de iniciar a prática com o arco competição,
mas não tenha mais de um ano de prática. Já o intermediário foi definido como
aquele arqueiro que atira com um arco de competição, é capaz de realizar pelo
menos meio Round FITA, distâncias curtas, participa de competições em nível
nacional há menos de dois anos e não atira há mais de três anos. Arco escola é
aquele arco feito todo de madeira e que não possui as especificações padrões e
arco competição é aquele que possui todo o padrão universal do arco, ou seja, está
dentro das normas de fabricação mundial que possibilita montar o arco com peças
de qualquer marca ou modelo, porque todos os seus encaixes são universais. Por
fim, foi considerado arqueiro de nível avançado, aquele que participa de
competições a nível nacional ha mais de um ano e pratica o esporte
ininterruptamente ha mais de três anos. A amostra teve idade entre 19 e 70 anos, de
ambos os sexos, com um tempo de prática que varia entre dois meses e 13 anos.
Os voluntários apenas participaram após a assinatura do termo de consentimento
livre e esclarecido. A amostra foi composta por três iniciantes, dois intermediários e
três avançados.
Para a validação do conteúdo participaram seis especialistas da modalidade. Para
seleção dos avaliadores foi aplicado um questionário que continha questões que
englobavam atividades relacionadas à prática e ao ensino do tiro com arco
(Apêndice 3). Os três primeiro desses avaliadores participaram da determinação das
correlações inter e intra-avaliadores para determinar a reprodutibilidade e
consistência do instrumento. Os avaliadores são os mesmo da primeira versão,
porém sem a participação dos avaliadores 4 e 5, que foram excluídos por não
cumprirem o prazo estabelecido.
3.2.2 Instrumento
Para definir o conteúdo de um instrumento de avaliação é importante abranger os
pontos principais da habilidade a ser descrita, dividi-los de forma clara, lógica e
35
simples em etapas (SANCHEZ, 1997, citado por MADUREIRA, 2008). Após a
elaboração do instrumento é importante checar a sua aplicabilidade através de
testes que permitam validar o conteúdo. Esses testes medem a representatividade
do conjunto de itens do teste e garantem a fidedignidade a partir do grau em que se
espera que os resultados obtidos no teste sejam consistentes ou reprodutivos e a
objetividade por meio do grau de consistência nos resultados (MEIRA JUNIOR,
2003).
Para a coleta de dados foram utilizados como instrumentos duas filmadoras, uma
mini DV Sony DCR- HC62 e uma câmera digital Sony DSC – W110, um anteparo de
sisal e câmara de ar de caminhão posicionado a 30 metros de distância da linha de
tiro com um alvo oficial da FITA com dimensões de 122 cm de diâmetro, já utilizados
na coleta da primeira versão da lista de checagem.
Os instrumentos foram dispostos no local da coleta, campo de tiro da Federação
Mineira de Arco e Flecha da forma com que está ilustrado na figura 5 abaixo. Cada
arqueiro utilizou o seu próprio equipamento que já estava previamente regulado para
as características pessoais de cada um e para a distância.
36
FIGURA 5 – Representação do ambiente de coleta da 2ª versão da lista
3.2.3 Procedimentos:
O experimento foi dividido em quatro etapas: elaboração da lista, avaliação do
conteúdo para validação, filmagens e determinação de confiabilidade e objetividade.
A lista foi construída a partir de pontos importantes retirados em literatura
especializada (apêndice 5) dividiu a habilidade em cinco etapas: 1) posição inicial, 2)
puxada, 3) ancoragem, 4) mira e 5) largada.
Na descrição das posições são utilizadas algumas nomenclaturas específicas. Mão
do arco se refere à mão que empunha o arco e a mão da corda se refere a mão que
puxa a corda. A posição inicial consiste no posicionamento perpendicular do tronco
em relação ao alvo, os pés separados a uma distância equivalente a largura dos
ombros, o arco empunhado na vertical com a mão do arco, cotovelo totalmente
estendido, a escapula referente a mão que segura o arco deve estar em depressão
e a mão do arco deve estar relaxada e com o polegar apontando para o alvo. A
37
puxada deve acontecer de forma em que o dedo indicador esteja acima do ponto de
apoio da flecha (nock) e os dedos anelar e médio, abaixo. Deve-se também realizar
uma leve tensão na corda para ajuste do posicionamento, chamado pré-puxada, a
aproximadamente 45º. Logo em seguida deve-se levantar o braço de forma que a
flecha fique paralela ao chão ou aproximadamente 20º para cima ou para baixo, o
cotovelo da mão da corda deve ser a continuação da flecha e por fim puxar a corda
até o ponto de ancoragem. A ancoragem bem feita tem como posicionamento o
contato de toda extensão do dedo indicador na mandíbula do arqueiro, a corda deve
tocar levemente a ponta do nariz, os lábios e o queixo, devendo ser levada ao rosto
e não o rosto levado a corda. O polegar deve estar para dentro da mão e a ponta do
cotovelo deve estar em linha com a flecha ou levemente mais alta. A mira deve ser
feita com o olho correspondente a mão da corda e a cabeça deve permanecer
imóvel da posição inicial até o final do movimento. E por fim a largada deve
acontecer de modo que a mão não perca o contato com o rosto, descrevendo uma
trajetória linear no pescoço até chegar à nuca, não permitir nenhum movimento
brusco até a flecha atingir o alvo
O conteúdo da lista teve a apreciação dos seis avaliadores especialistas em Tiro
com Arco (quadro 2). A lista contém as cinco etapas necessárias para a execução
de um tiro e a cada etapa atribuíram-se nota um, para quando o elemento descrito
não for executado e dois para quando o padrão descrito for executado. A pontuação
final do tiro é composta pela soma das notas em cada fase. A nota mínima do
padrão são 25 pontos e a máxima são 50 pontos. Após leitura e análise do
instrumento, cada avaliador respondeu questões relacionadas à clareza da
descrição do conteúdo da lista de checagem, à pertinência técnica do conteúdo e à
aplicabilidade da lista como instrumento de avaliação, com também um espaço
destinado a comentários a respeito do conteúdo da lista.
A captação das imagens foi realizada em um espaço destinado a prática do tiro. O
sujeito foi posicionado a uma distância aproximada de 3 metros da câmera 1, de 3
metros da câmera 2 e 30 metros do alvo como é mostrado na figura 2. Após o
comando filmando, que foi dado pelo pesquisador responsável pela câmera 1, o
pesquisador iniciou a gravação e autorizou o sujeito a iniciar a execução dos tiros.
Este procedimento garantiu a sincronização das duas câmeras, o que proporciona a
38
fidedignidade do vídeo em relação à situação real filmada. A câmera 1 proporcionou
suporte a avaliação da posição inicial, ancoragem e largada e a câmera 2
possibilitou o avaliador visualizar a mira, a puxada, a largada e parte dos elementos
da ancoragem. Cada um dos oito indivíduos realizaram cinco tiros consecutivos, o
seu tiro foi filmado e sua pontuação anotada em uma planilha, vide apêndice 9.
Para a edição do vídeo gravado foram utilizados os programas Premiere Pro 2.0 e
Adobe Encore DVD. Foi entregue para cada avaliador um kit para avaliação
contendo um DVD com as filmagens editadas, as planilhas para a anotação das
pontuações e a lista de checagem. Os avaliadores analisaram os mesmo 40 tiros por
duas vezes, com um intervalo de uma semana entre as avaliações, procedimento
denominado de teste e re-teste (SANCHEZ, 1997, THOMAS; NELSON, 2007). Eles
tiveram a total liberdade de utilização dos recursos de vídeo bem como voltar o tiro,
passar para frente, velocidade lenta ou pausa, para uma avaliação mais precisa de
cada tiro.
Para a determinação de confiabilidade foi utilizado o coeficiente de correlação intra-
avaliadores derivado do coeficiente de correlação intra-classe (THOMAS; NELSON,
2007)
3.3 Análise Estatística
O tratamento dos dados foi realizado pelo programa computacional Excel (Microsoft
Office 2003). Foi utilizado o Coeficiente de correlação de Pearson (ρ) para medir a
correlação entre as variáveis. Considerando um nível de significância de p < 0,05.
Valores de ρ acima de 0,70 indica uma forte correlação, entre 0,30 e 0,7 as
correlações são consideradas moderadas e entre 0 e 0,30 a correlação é
considerada fraca.
39
4 RESULTADOS
4.1 Validação do conteúdo da lista
4.1.1 Primeira versão da lista
Os resultados referentes à opinião dos especialistas quanto ao conteúdo da lista de
checagem estão apresentados nas TABELAS 1, 2 e 3. Como pode ser visto, três
avaliadores consideraram a lista “muito fácil de entender” (37,5%), quatro
consideraram “fácil de entender” (50%) e um considerou “difícil de entender”
(12,5%). Quanto à pertinência, três avaliadores consideraram “muito adequado” o
conteúdo (37,5%) e cinco consideraram a lista “adequada” (62,5%). E com relação a
aplicabilidade da lista, um considerou “muito viável” (12,5%), seis consideraram
“viável” (75%) e um considerou “pouco viável” (12,5%).
TABELA 1
Frequência relativa à opinião dos avaliadores em relação à clareza de descrição do conteúdo da lista
(n =8)
Classificação N Frequência (%)
Muito fácil de entender 3 37,5
Fácil de entender 4 50
Difícil de entender 1 12,5
Muito difícil de entender - -
TABELA 2
Frequência relativa à opinião dos avaliadores em relação à pertinência técnica do conteúdo da lista (n
=8)
Classificação N Frequência (%)
Muito adequado 3 37,5
Adequado 5 62,5
Pouco adequado - -
Inadequado - -
40
TABELA 3
Frequência relativa à opinião dos avaliadores em relação à aplicabilidade da lista como instrumento
de pesquisa (n =8)
Classificação N Frequência (%)
Muito viável 1 12,5
Viável 6 75
Pouco viável 1 12,5
Inviável 0 -
4.1.2 Segunda versão da lista
Os resultados referentes à opinião dos especialistas quanto ao conteúdo da lista de
checagem estão apresentados nas TABELAS 4, 5 e 6. Como pode ser visto, o
conteúdo da lista foi considerado “muito fácil de entender” por um avaliador (16,7%)
e “fácil de entender” pelos outros cinco avaliadores (83,3%). Quanto à pertinência,
três avaliadores consideraram “muito adequado” o conteúdo (50%) e três
consideraram a lista “adequada” (50%). E com relação à aplicabilidade da lista, três
consideraram “muito viável” (50%) e três consideraram “viável” (50%).
TABELA 4
Frequência relativa à opinião dos avaliadores em relação à clareza de descrição do conteúdo da lista
(n =6)
Classificação N Frequência (%)
Muito fácil de entender 1 16,7
Fácil de entender 5 83,3
Difícil de entender - -
Muito difícil de entender - -
41
TABELA 5
Frequência relativa à opinião dos avaliadores em relação à pertinência técnica do conteúdo da lista (n
=6)
Classificação N Frequência (%)
Muito adequado 3 50
Adequado 3 50
Pouco adequado - -
Inadequado - -
TABELA 6
Frequência relativa à opinião dos avaliadores em relação à aplicabilidade da lista como instrumento
de pesquisa (n =6)
Classificação N Frequência (%)
Muito viável 3 50
Viável 3 50
Pouco viável - -
Inviável - -
4.2 Confiabilidade e objetividade – correlações intra avaliador
Na tabela 7, está representado o coeficiente de correlação intra-classe (CCI) dos 3
avaliadores, ou seja a correlação da primeira para a segunda avaliação,
procedimento chamado teste e re-teste (THOMAS; NELSON, 2007). Como pode ser
visto, o CCI do avaliador 1 esteve entre 0,95 e 1. Sendo que 0,95 foi o valor
encontrado no item cinco, nos demais itens foram encontrados um CCI de 1. O CCI
do avaliador 2 ficou entre 0,43 e 0,85 e o do avaliador 3 ficou entre 0,06 e 0,59.
42
TABELA 7
Correlação intra-avaliador para cada um dos itens da lista de checagem
Item Intra A1 Intra A2 Intra A3
1 1 0,79 0,35
2 1 0,85 0,52
3 1 0,65 0,08
4 1 0,86 0,59
5 0,95 0,43 0,06
O item 5 foi o item em que apresentou a mais baixa correlação intra-avalidores para
todos os três avaliadores, seguido pelo item três.
4.3 Correlação – pontuação lista/ pontuação alvo
A partir da avaliação do padrão de movimento com a utilização da lista, é possível
encontrar uma pontuação referente a aquele padrão realizado. A pontuação máxima
na lista que pode ser obtida é de 50 pontos, uma vez que são 25 itens, distribuídos
em 5 etapas. A pontuação máxima em cada item é de 2 pontos quando o item é
observado no padrão, totalizando então 50 pontos. A execução de cada padrão
gerou também um escore no alvo, este escore varia entre zero (quando a flecha não
tem o impacto no alvo) e 10, como descrito na figura 3. A pontuação foi anotada e
correlacionada à pontuação adquirida na listagem. A relação dessas duas variáveis
é apresentada na tabela 8. A correlação foi feita e foi encontrada uma baixa
correlação entre as variáveis. A correlação entre as pontuações foi igual a 0,028 e a
correlação entre as médias das pontuações de cada arqueiro foi de 0,046 como
mostrada na tabela 9.
43
TABELA 8
Resultados da avaliação do avaliador 1 relacionados com a pontuação feita no alvo
ATLETA 1 ATLETA 5
Tiro Pontuação lista Pontuação alvo Tiro Pontuação lista Pontuação alvo
1 45 9 1 48 7
2 45 6 2 48 8
3 45 4 3 48 9
4 45 4 4 48 7
5 45 4 5 48 9
MÉDIA 45 5,4 MÉDIA 48 8
ATLETA 2 ATLETA 6
Tiro Pontuação lista Pontuação alvo Tiro Pontuação lista Pontuação alvo
1 41 10 1 49 7
2 41 9 2 49 8
3 41 8 3 49 9
4 41 7 4 49 5
5 41 6 5 49 10
MÉDIA 41 8 MÉDIA 49 7,8
ATLETA 3 ATLETA 7
Tiro Pontuação lista Pontuação alvo Tiro Pontuação lista Pontuação alvo
1 44 5 1 40 8
2 44 7 2 40 9
3 44 1 3 40 9
4 44 6 4 40 9
5 44 6 5 40 8
MÉDIA 44 5 MÉDIA 40 8,6
ATLETA 4 ATLETA 8
Tiro Pontuação lista Pontuação alvo Tiro Pontuação lista Pontuação alvo
1 41 10 1 39 0
2 41 8 2 39 0
3 41 9 3 39 8
4 41 8 4 39 8
5 41 9 5 39 9
MÉDIA 41 8,8 MÈDIA 39 5
TABELA 9
Correlações da pontuação da lista com a pontuação do alvo
CORRELAÇÃO
Pontuação lista/ pontuação alvo 0,028
Media das pontuações 0,046
44
5 DISCUSSÃO
O presente estudo teve como objetivo construir uma lista de checagem para a
habilidade tiro do esporte tiro com arco. A lista foi elaborada e submetida à
apreciação de oito avaliadores experts que fizeram ponderações relevantes a cerca
de seu conteúdo, principalmente sobre o padrão descrito. As modificações foram
realizadas, a lista foi submetida à nova avaliação. Analisando os resultados obtidos
pôde ser inferido que a lista teve clareza satisfatória (37,5% muito fácil de entender,
50% fácil de entender, 12,5% difícil de entender), uma boa pertinência técnica
(37,5% muito adequado e 62,5% adequada) e a aplicabilidade também satisfatória
(12,5% muito viável, 75% viável e 12,5% pouco viável).
Com esses resultados a pesquisa avançou para a etapa seguinte. A coleta de dados
foi realizada e os vídeos, depois de editados, foram passados para os quatro
avaliadores escolhidos para que então eles pudessem realizar a avaliação do
padrão com a utilização da lista. Este procedimento foi utilizado para determinação
da consistência e da aplicabilidade do instrumento. Estes avaliadores realizaram
todo o procedimento, e quando os resultados foram entregues todos fizeram
algumas observações que antes, apenas fazendo uma leitura da lista, não foram
possíveis de serem percebidas.
Os experts tiveram outra visão do conteúdo da lista quando aplicaram o instrumento
e por este motivo as sugestões apareceram após a primeira utilização da lista para
analisar o padrão de movimento. Tiveram duas categorias diferentes de sugestões,
uma acerca do conteúdo da lista e a outra com relação ao formato de coleta. As
ponderações mais importantes sobre o conteúdo da lista foram: a forma de
estruturação da lista que dificultou a realização de uma avaliação do padrão de
forma mais precisa e consciente; modificações que poderiam ser realizadas na
escrita da descrição de determinados posicionamentos do padrão de movimento; a
adição de alguns pontos que poderiam ser também importantes para o padrão; a
remoção de itens que não seriam possíveis de identificar em uma avaliação visual e
a definição de para quais sujeitos seria relevante à avaliação. Com relação à coleta,
parte dos avaliadores sugeriram que o arqueiro utilizasse o próprio equipamento .
45
Eles identificaram nos vídeos que vários dos arqueiros tiveram dificuldade de se
adaptar a um diferente equipamento daquele que costumam praticar. Outro
problema encontrado foi o fato da filmagem ter sido realizada de apenas um ângulo,
o que limitou a avaliação. Sugeriram então a utilização de pelo menos duas câmeras
posicionadas de diferentes ângulos para assim poderem avaliar de forma mais
precisa cada detalhe das fases do tiro. Para tentar solucionar todos os problemas da
lista, até então escrita, o formato foi modificado e as sugestões atendidas.
A lista, agora reformulada, foi submetida a uma nova avaliação dos mesmos
avaliadores da primeira versão. Nesta fase da pesquisa, dois dos avaliadores não
retornaram a avaliação, sendo assim, esses dados foram considerados como
perdidos.
Segundo os dados apresentados, todas as três características importantes para a
validação de uma lista tiveram respostas positivas. Como pôde ser visto nas tabelas
4, 5 e 6, assume-se que a lista é valida, pois obteve uma clareza satisfatória (16,7%
muito fácil de entender e 83,3% fácil de entender), uma boa pertinência técnica (50%
muito adequado e 50% adequada) e a aplicabilidade também satisfatória (50% muito
viável e 50% viável).
Com esses resultados, a pesquisa concluiu o seu objetivo de construção de uma
lista de checagem garantindo um conteúdo claro, com uma boa pertinência técnica e
uma aplicabilidade viável.
Para além do objetivo do estudo, a pesquisa seguiu no intuito de validar o
instrumento de forma objetiva, clara e confiável. Para isso, foi iniciado o
procedimento de validação do instrumento. Um instrumento é valido quando o seu
conteúdo é avaliado positivamente por experts, e o instrumento testado para que os
resultados garantam a confiabilidade e objetividade.
O estudo realizou a primeira fase desta avaliação e obteve resultados positivos. Foi
passado então para a fase seguinte de validação. Nesta fase também foram
consideradas todas as observações que os avaliadores fizeram quando entregaram
os resultados da primeira versão da lista. Todos os problemas foram solucionados. A
46
filmagem aconteceu com a utilização de duas câmeras que gravaram de forma
sincronizada cada tiro, o posicionamento delas também foi sugerido pelos
avaliadores (vide figura 5), cada arqueiro utilizou o seu próprio equipamento. Foram
também reduzidos os números de disparos de cada arqueiro, uma vez que os
experts julgaram não necessário 10 tiros para se avaliar o padrão do atleta.
Na primeira avaliação da lista foram utilizados como amostra apenas iniciantes. A
utilização de arqueiros intermediários e avançados nesta segunda etapa da
avaliação foi assumida por entender que ao utilizar níveis de rendimentos distintos,
um bom instrumento de avaliação poderia melhor identificar diferenças nos padrões.
Para determinação da confiabilidade e objetividade do instrumento é necessário que
haja inicialmente uma correlação intra-avaliadores para depois se realizar uma
correlação inter avaliadores (ANDREOTTI; OKUMA, 1999, ARAÚJO; KIRKWOOD;
FIGUEIREDO, 2009, GOMES et al 2009, MADUREIRA et al 2008, MEIRA JR, 2003).
Como foi mostrado na tabela 7, o único avaliador que obteve uma correlação
satisfatória em todos os itens foi o avaliador 1. Pelo fato dos demais avaliadores não
terem apresentado correlação satisfatória não se justifica fazer uma correlação inter
avaliadores. Mesmo podendo haver alguma correlação satisfatória, não houve
consistência nas avaliações. Por ter encontrado uma correlação satisfatória apenas
nos resultados do avaliador 1, todos os outros dados foram desconsiderados e
apenas utilizados os deste avaliador.
Analisando as correlações intra-avaliadores, pode-se perceber que o item 5 obteve
uma correlação baixa. O item 5 representa o movimento de largada da corda. Essa
baixa correlação pode ter acontecido pelo fato do movimento não necessitar de tal
nível de detalhamento descrito na lista ou então, a filmagem realizada não permitiu a
visualização perfeita do movimento.
Foi realizada também uma correlação entre a pontuação atribuída pela lista e a
pontuação obtida no alvo através de tiro. A correlação encontrada foi 0,028,
considerada muito baixa.
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A lista tem o objetivo de avaliar o padrão de movimento da habilidade e ser capaz de
detectar o nível de proficiência do atleta, já a pontuação obtida no alvo é o
resultados de diferentes fatores como a mira, as condições do tempo, as condições
psicológicas do atleta e ainda o padrão de execução da habilidade. A lista apenas
contempla o último fator citado, por esse motivo não seria possível encontrar
correlação entre a lista e pontuação no alvo. Um mesmo atleta, quando avaliado em
situações normais de treino, ou em competição, ou ainda, como foi o caso do
estudo, quando se é filmado a execução da habilidade, apresenta diferenças em sua
pontuação e, em níveis extremos, apresentar grandes variações em seu padrão de
movimento.
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6 CONCLUSÃO
Objetivo do presente estudo foi construir um instrumento de avaliação capaz de
analisar os fatores relevantes à execução do tiro do esporte tiro com arco.
Analisando os resultados obtidos, o instrumento proposto no presente estudo foi
validado por ter apresentado clareza satisfatória (16,7% muito fácil de entender e
83,3% fácil de entender), uma boa pertinência técnica (50% muito adequado e 50%
adequada) e a aplicabilidade também satisfatória (50% muito viável e 50% viável).
Os resultados obtidos da avaliação da filmagem realizada podem não ter obtido
dados satisfatórios por alguns procedimentos não terem sido tomados. Não houve
um treinamento dos avaliadores para a utilização da lista como um instrumento de
avaliação do padrão de movimento, o que pode ter sido um dos motivos principais
para a não obtenção de resultados consistentes.
A correlação entre as pontuações obtidas e a pontuação no alvo não são possíveis
de serem realizadas pelo fato da lista não abranger todos os elementos que
interferem no resultado da execução da habilidade.
Uma continuidade possível para o presente estudo seria testar o instrumento com
uma amostra significativa de sujeitos.