Prova Objetiva: Auxiliar de Classe Aramari
Prova Objetiva: Auxiliar de Classe Aramari
NÍVEL MÉDIO
INSTRUÇÕES:
- Este caderno de questões contém trinta (30) questões objetivas, com cinco (5) alternativas
cada uma indicadas por A, B, C, D e E, confira-as.
- Para cada questão objetiva existe apenas uma alternativa correta.
- Não será permitida qualquer espécie de consulta.
- É terminantemente proibido o uso de calculadoras, relógios digitais, aparelhos sonoros,
celulares e similares.
- No preenchimento do Cartão Resposta, use caneta de tinta azul ou preta.
- Ao receber do Fiscal o caderno de provas e o cartão de resposta, verifique se ambos estão
de acordo com os seus dados e a Função para a qual se inscreveu. Qualquer erro, informar
imediatamente ao Fiscal. Em caso de erro e a não informação, o Candidato será o único
responsável.
ATENÇÃO:
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PROVA OBJETIVA Prefeitura Municipal de Aramari – Ba.
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PROVA OBJETIVA Prefeitura Municipal de Aramari – Ba.
rede e, entre os sorrisos dos passageiros e o sinal do Andava pesadamente pela alameda central, entre
condutor, o bonde deu a nova arrancada de partida. os coqueiros. Não havia ninguém no Jardim.
Poucos instantes depois já não a olhavam mais. O Depositou os embrulhos na terra, sentou-se no banco
bonde se sacudia nos trilhos e o cego mascando goma de um atalho e ali ficou muito tempo.
ficara atrás para sempre. Mas o mal estava feito. A vastidão parecia acalmá-la, o silêncio regulava
A rede de tricô era áspera entre os dedos, não sua respiração. Ela adormecia dentro de si.
íntima como quando a tricotara. A rede perdera o De longe via a aléia onde a tarde era clara e
sentido e estar num bonde era um fio partido; não redonda. Mas a penumbra dos ramos cobria o atalho.
sabia o que fazer com as compras no colo. E como Ao seu redor havia ruídos serenos, cheiro de
uma estranha música, o mundo recomeçava ao redor. árvores, pequenas surpresas entre os cipós. Todo o
O mal estava feito. Por quê? Teria esquecido de que Jardim triturado pelos instantes já mais apressados
havia cegos? A piedade a sufocava, Ana respirava da tarde. De onde vinha o meio sonho pelo qual
pesadamente. Mesmo as coisas que existiam antes do estava rodeada? Como por um zunido de abelhas e
acontecimento estavam agora de sobreaviso, tinham aves. Tudo era estranho, suave demais, grande
um ar mais hostil, perecível… O mundo se tornara de demais.
novo um mal-estar. Vários anos ruíam, as gemas Um movimento leve e íntimo a sobressaltou —
amarelas escorriam. Expulsa de seus próprios dias, voltou-se rápida. Nada parecia se ter movido. Mas na
parecia-lhe que as pessoas da rua eram periclitantes, aléia central estava imóvel um poderoso gato. Seus
que se mantinham por um mínimo equilíbrio à tona pêlos eram macios. Em novo andar silencioso,
da escuridão — e por um momento a falta de sentido desapareceu.
deixava-as tão livres que elas não sabiam para onde Inquieta, olhou em torno. Os ramos se
ir. Perceber uma ausência de lei foi tão súbito que Ana balançavam, as sombras vacilavam no chão. Um
se agarrou ao banco da frente, como se pudesse cair pardal ciscava na terra. E de repente, com mal-estar,
do bonde, como se as coisas pudessem ser revertidas pareceu-lhe ter caído numa emboscada. Fazia-se no
com a mesma calma com que não o eram. Jardim um trabalho secreto do qual ela começava a
O que chamava de crise viera afinal. E sua marca se aperceber.
era o prazer intenso com que olhava agora as coisas, Nas árvores as frutas eram pretas, doces como
sofrendo espantada. O calor se tornara mais abafado, mel. Havia no chão caroços secos cheios de
tudo tinha ganho uma força e vozes mais altas. Na circunvoluções, como pequenos cérebros
Rua Voluntários da Pátria parecia prestes a rebentar apodrecidos. O banco estava manchado de sucos
uma revolução, as grades dos esgotos estavam roxos. Com suavidade intensa rumorejavam as
secas, o ar empoeirado. Um cego mascando chicles águas. No tronco da árvore pregavam-se as luxuosas
mergulhara o mundo em escura sofreguidão. Em cada patas de uma aranha. A crueza do mundo era
pessoa forte havia a ausência de piedade pelo cego e tranquila. O assassinato era profundo. E a morte não
as pessoas assustavam-na com o vigor que era o que pensávamos.
possuíam. Junto dela havia uma senhora de azul, com Ao mesmo tempo que imaginário — era um mundo
um rosto. Desviou o olhar, depressa. Na calçada, uma de se comer com os dentes, um mundo de volumosas
mulher deu um empurrão no filho! Dois namorados dálias e tulipas. Os troncos eram percorridos por
entrelaçavam os dedos sorrindo… E o cego? Ana caíra parasitas folhudas, o abraço era macio, colado. Como
numa bondade extremamente dolorosa. a repulsa que precedesse uma entrega — era
Ela apaziguara tão bem a vida, cuidara tanto para fascinante, a mulher tinha nojo, e era fascinante.
que esta não explodisse. Mantinha tudo em serena As árvores estavam carregadas, o mundo era tão
compreensão, separava uma pessoa das outras, as rico que apodrecia. Quando Ana pensou que havia
roupas eram claramente feitas para serem usadas e crianças e homens grandes com fome, a náusea
podia-se escolher pelo jornal o filme da noite – tudo subiu-lhe à garganta, como se ela estivesse grávida
feito de modo a que um dia se seguisse ao outro. E e abandonada. A moral do Jardim era outra. Agora
um cego mascando goma despedaçava tudo isso. E que o cego a guiara até ele, estremecia nos primeiros
através da piedade aparecia a Ana uma vida cheia de passos de um mundo faiscante, sombrio, onde
náusea doce, até a boca. vitórias-régias boiavam monstruosas. As pequenas
Só então percebeu que há muito passara do seu flores espalhadas na relva não lhe pareciam amarelas
ponto de descida. Na fraqueza em que estava, tudo a ou rosadas, mas cor de mau ouro e escarlates. A
atingia com um susto; desceu do bonde com pernas decomposição era profunda, perfumada… Mas todas
débeis, olhou em torno de si, segurando a rede suja as pesadas coisas, ela via com a cabeça rodeada por
de ovo. Por um momento não conseguia orientar-se. um enxame de insetos enviados pela vida mais fina
Parecia ter saltado no meio da noite. do mundo. A brisa se insinuava entre as flores. Ana
Era uma rua comprida, com muros altos, mais adivinhava que sentia o seu cheiro adocicado…
amarelos. Seu coração batia de medo, ela procurava O Jardim era tão bonito que ela teve medo do Inferno.
inutilmente reconhecer os arredores, enquanto a vida Era quase noite agora e tudo parecia cheio,
que descobrira continuava a pulsar e um vento mais pesado, um esquilo voou na sombra. Sob os pés a
morno e mais misterioso rodeava-lhe o rosto. Ficou terra estava fofa, Ana aspirava-a com delícia. Era
parada olhando o muro. Enfim pôde localizar-se. fascinante, e ela sentia nojo.
Andando um pouco mais ao longo de uma sebe, Mas quando se lembrou das crianças, diante das
atravessou os portões do Jardim Botânico. quais se tornara culpada, ergueu-se com uma
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exclamação de dor. Agarrou o embrulho, avançou no seu coração as águas mais profundas? Mas era
pelo atalho obscuro, atingiu a alameda. Quase corria uma piedade de leão.
— e via o Jardim em torno de si, com sua Humilhada, sabia que o cego preferiria um amor
impersonalidade soberba. Sacudiu os portões mais pobre. E, estremecendo, também sabia por quê.
fechados, sacudia-os segurando a madeira áspera. O A vida do Jardim Botânico chamava-a como um
vigia apareceu espantado de não a ter visto. lobisomem é chamado pelo luar. Oh! mas ela amava
Enquanto não chegou à porta do edifício, parecia o cego! pensou com os olhos molhados. No entanto
à beira de um desastre. Correu com a rede até o não era com este sentimento que se iria a uma igreja.
elevador, sua alma batia-lhe no peito — o que Estou com medo, disse sozinha na sala. Levantou-se
sucedia? A piedade pelo cego era tão violenta como e foi para a cozinha ajudar a empregada a preparar o
uma ânsia, mas o mundo lhe parecia seu, sujo, jantar.
perecível, seu. Abriu a porta de casa. A sala era Mas a vida arrepiava-a, como um frio. Ouvia o sino
grande, quadrada, as maçanetas brilhavam limpas, da escola, longe e constante. O pequeno horror da
os vidros da janela brilhavam, a lâmpada brilhava — poeira ligando em fios a parte inferior do fogão, onde
que nova terra era essa? E por um instante a vida descobriu a pequena aranha. Carregando a jarra para
sadia que levara até agora pareceu-lhe um modo mudar a água – havia o horror da flor se entregando
moralmente louco de viver. O menino que se lânguida e asquerosa às suas mãos. O mesmo
aproximou correndo era um ser de pernas compridas trabalho secreto se fazia ali na cozinha. Perto da lata
e rosto igual ao seu, que corria e a abraçava. Apertou- de lixo, esmagou com o pé a formiga. O pequeno
o com força, com espanto. Protegia-se tremula. assassinato da formiga. O mínimo corpo tremia. As
Porque a vida era periclitante. Ela amava o mundo, gotas d’água caíam na água parada do tanque. Os
amava o que fora criado — amava com nojo. Do besouros de verão. O horror dos besouros
mesmo modo como sempre fora fascinada pelas inexpressivos. Ao redor havia uma vida silenciosa,
ostras, com aquele vago sentimento de asco que a lenta, insistente. Horror, horror. Andava de um lado
aproximação da verdade lhe provocava, avisando-a. para outro na cozinha, cortando os bifes, mexendo o
Abraçou o filho, quase a ponto de machucá-lo. Como creme. Em torno da cabeça, em ronda, em torno da
se soubesse de um mal — o cego ou o belo Jardim luz, os mosquitos de uma noite cálida. Uma noite em
Botânico? — agarrava-se a ele, a quem queria acima que a piedade era tão crua como o amor ruim. Entre
de tudo. Fora atingida pelo demônio da fé. A vida é os dois seios escorria o suor. A fé a quebrantava, o
horrível, disse-lhe baixo, faminta. O que faria se calor do forno ardia nos seus olhos.
seguisse o chamado do cego? Iria sozinha… Havia Depois o marido veio, vieram os irmãos e suas
lugares pobres e ricos que precisavam dela. Ela mulheres, vieram os filhos dos irmãos.
precisava deles… Tenho medo, disse. Sentia as Jantaram com as janelas todas abertas, no nono
costelas delicadas da criança entre os braços, ouviu o andar. Um avião estremecia, ameaçando no calor do
seu choro assustado. Mamãe, chamou o menino. céu. Apesar de ter usado poucos ovos, o jantar estava
Afastou-o, olhou aquele rosto, seu coração crispou- bom. Também suas crianças ficaram acordadas,
se. Não deixe mamãe te esquecer, disse-lhe. A brincando no tapete com as outras. Era verão, seria
criança mal sentiu o abraço se afrouxar, escapou e inútil obrigá-las a dormir. Ana estava um pouco pálida
correu até a porta do quarto, de onde olhou-a mais e ria suavemente com os outros. Depois do jantar,
segura. Era o pior olhar que jamais recebera. Q enfim, a primeira brisa mais fresca entrou pelas
sangue subiu-lhe ao rosto, esquentando-o. janelas. Eles rodeavam a mesa, a família. Cansados
Deixou-se cair numa cadeira com os dedos ainda do dia, felizes em não discordar, tão dispostos a não
presos na rede. De que tinha vergonha? ver defeitos. Riam-se de tudo, com o coração bom e
Não havia como fugir. Os dias que ela forjara humano. As crianças cresciam admiravelmente em
haviam-se rompido na crosta e a água escapava. torno deles. E como a uma borboleta, Ana prendeu o
Estava diante da ostra. E não havia como não olhá- instante entre os dedos antes que ele nunca mais
la. De que tinha vergonha? É que já não era mais fosse seu.
piedade, não era só piedade: seu coração se enchera Depois, quando todos foram embora e as crianças
com a pior vontade de viver. já estavam deitadas, ela era uma mulher bruta que
Já não sabia se estava do lado do cego ou das olhava pela janela. A cidade estava adormecida e
espessas plantas. O homem pouco a pouco se quente. O que o cego desencadeara caberia nos seus
distanciara e em tortura ela parecia ter passado para dias? Quantos anos levaria até envelhecer de novo?
o lados que lhe haviam ferido os olhos. O Jardim Qualquer movimento seu e pisaria numa das
Botânico, tranquilo e alto, lhe revelava. Com horror crianças. Mas com uma maldade de amante, parecia
descobria que pertencia à parte forte do mundo — e aceitar que da flor saísse o mosquito, que as vitórias-
que nome se deveria dar a sua misericórdia violenta? régias boiassem no escuro do lago. O cego pendia
Seria obrigada a beijar um leproso, pois nunca seria entre os frutos do Jardim Botânico.
apenas sua irmã. Um cego me levou ao pior de mim Se fora um estouro do fogão, o fogo já teria
mesma, pensou espantada. Sentia-se banida porque pegado em toda a casa! pensou correndo para a
nenhum pobre beberia água nas suas mãos ardentes. cozinha e deparando com o seu marido diante do café
Ah! era mais fácil ser um santo que uma pessoa! Por derramado.
Deus, pois não fora verdadeira a piedade que sondara — O que foi?! gritou vibrando toda.
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A) Verbo – advérbio – adjetivo – advérbio – adjetivo. Na oração “Ela apaziguara tão bem a vida,” a
B) Adjetivo – adjetivo – verbo – verbo – adjetivo. palavra destacada pode ser substituída sem alteração
C) Verbo – adjetivo – adjetivo – verbo – adjetivo de sentido por:
D) Verbo – adjetivo – adjetivo – advérbio – adjetivo.
E) Adjetivo – advérbio – adjetivo – advérbio – A) Tranquilizara, pacificara
adjetivo. B) Acirrara, agravara
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A) 55
B) 65
C) 49
D) 42
E) 32
QUESTÃO 14
A) 4 e 2
B) 2 e 4 QUESTÃO 16
C) 1 e 4
D) 4 e 4 Qual o nome do Ministro da Saúde que iniciou o
E) 2 e 2 Governo De Jair Messias Bolsonaro?
A) Nelson Teich.
QUESTÃO 13 B) Marcelo Castro.
C) Eduardo Pazuello.
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