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Gramados Urbanos: A Surpreendente Diversidade de Espécies Encontrada No Campus Do Vale Da Ufrgs (RS, Brasil) E Suas Potencialidades

O documento caracteriza a vegetação de gramados no Campus do Vale da UFRGS em Porto Alegre, RS. Foram encontradas 101 espécies de plantas distribuídas em 25 famílias, sendo que 69 também ocorrem nos campos nativos da região. As famílias com maior riqueza de espécies foram Poaceae e Asteraceae. A alta proporção de espécies exóticas revela a influência antrópica nestes ambientes. Uma mudança no manejo poderia promover maior diversidade nativa.

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Gramados Urbanos: A Surpreendente Diversidade de Espécies Encontrada No Campus Do Vale Da Ufrgs (RS, Brasil) E Suas Potencialidades

O documento caracteriza a vegetação de gramados no Campus do Vale da UFRGS em Porto Alegre, RS. Foram encontradas 101 espécies de plantas distribuídas em 25 famílias, sendo que 69 também ocorrem nos campos nativos da região. As famílias com maior riqueza de espécies foram Poaceae e Asteraceae. A alta proporção de espécies exóticas revela a influência antrópica nestes ambientes. Uma mudança no manejo poderia promover maior diversidade nativa.

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Oecologia Australis

28(1):17–30, 2024
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GRAMADOS URBANOS: A SURPREENDENTE DIVERSIDADE DE ESPÉCIES


ENCONTRADA NO CAMPUS DO VALE DA UFRGS (RS, BRASIL) E SUAS
POTENCIALIDADES

Mateus Henrique Schenkel1*, Ana Boeira Porto1 & Gerhard Ernst Overbeck1
1
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Biociências, Departamento de Botânica, Laboratório de
Estudos em Vegetação Campestre, Av. Bento Gonçalves, 9500, prédio 43433, CEP 91501-970, Porto Alegre, RS, Brasil.

E-mails: [email protected] (*corresponding author); [email protected]; gerhard.overbeck@


ufrgs.br

Resumo: Em ambientes urbanos é encontrada uma flora chamada de ruderal, composta por plantas
exóticas e nativas, que geralmente é pouco estudada e considerada em termos de importância para
a conservação da biodiversidade e qualidade ambiental das cidades. O objetivo deste trabalho foi
caracterizar a vegetação de gramados do Campus do Vale da UFRGS, e discutir sobre potenciais usos
desses espaços pela comunidade acadêmica. Foi realizado um levantamento qualiquantitativo da
vegetação em cinco gramados, com cinco parcelas de 1 m 2 em cada. As plantas encontradas foram
identificadas e classificadas quanto a sua origem (se nativa ou exótica) e forma de vida. A lista obtida nos
levantamentos foi comparada com a lista de espécies da flora dos morros graníticos de Porto Alegre para
avaliar até que ponto os gramados abrigam espécies típicas da vegetação nativa campestre da região.
Para entender a influência dos parâmetros estruturais (cobertura e altura) na composição florística
foi utilizada uma análise de redundância (RDA). Foram encontradas 101 espécies distribuídas em 25
famílias botânicas; destas, 69 também ocorrem nos campos dos morros de Porto Alegre. As famílias com
maior riqueza de espécies foram Poaceae e Asteraceae, já as com maior cobertura relativa foram Poaceae
e Apiaceae. As formas de vida touceira e terófita foram predominantes, com alta participação de espécies
rosetadas e rizomatosas, indicativas do regime de roçadas frequentes atualmente empregado no manejo
dessas áreas. Na RDA, foi constatado uma diferenciação de um dos locais que possui uma vegetação mais
alta, com maior proporção de espécies entouceiradas. A alta proporção de espécies exóticas, incluindo
invasoras e terófitas também revela a ruderalização desses ambientes. Uma mudança no manejo como
a diminuição na frequência das roçadas poderia contribuir para uma maior diversidade nativa nesses
espaços, possibilitando um melhor uso em atividades de ensino, divulgação, extensão e valorização da
biodiversidade nativa.

Palavras-chave: diversidade de plantas nativas; ecologia urbana; roçadas; vegetação ruderal; vegetação
urbana.

URBAN LAWNS: THE AMAZING DIVERSITY OF SPECIES FOUND AT CAMPUS DO VALE, UFRGS (RS,
BRAZIL) AND ITS POTENTIALITIES: The flora of urban environments has a ruderal character and may
contain exotic and native plants species. This flora tends to be little studied and even less considered in
terms of biodiversity conservation and environmental quality of cities. The objective of this study was
to characterize the vegetation of urban lawns located at Campus do Vale (UFRGS), in Porto Alegre, RS,
Brazil, to evaluate the potential uses of these spaces by the academic community. We conducted quali-
quantitative vegetation sampling in 1 m 2 plots in five different areas of lawns, with five plots per area.
18 | Fitodiversidade dos Gramados do Campus do Vale da UFRGS

The plants found were identified and classified according to their origin (native or alien species) and life
forms. To determine the participation of typical native grassland species in the lawns, we compared our
species list to an available species list for grasslands in the granitic hills of Porto Alegre. To understand the
influence of structural vegetation parameters (cover and vegetation height) on the floristic composition, a
redundancy analysis (RDA) was used. 101 species distributed in 25 families were found, 69 of these can be
found in the grasslands in the granitic hills of Porto Alegre. The families with the highest species richness
were Poaceae and Asteraceae, and the families with the highest relative cover were Poaceae and Apiaceae.
Tussock and therophyte life forms were predominant, but the high proportion of rosette and prostrate
plants is indicative of the regime of frequent mowing. In the RDA, one site with higher vegetation was
separated from the other sites. The high proportion of exotic species, including some invasive ones, and
therophytes reveals the ruderalization of these environments. Decreasing the mowing frequency would
probably lead to a plant community with greater similarity with native grasslands, thus allowing better
use of the lawns for teaching native biodiversity.

Keywords: native plant diversity; urban ecology; ruderal vegetation; mowing; urban vegetation.

INTRODUÇÃO urbano (e.g., Dresseno & Overbeck 2013, Rolim &


Overbeck 2023, Rolim et al. 2014).
No contexto urbano, os serviços ecossistêmicos A cidade de Porto Alegre, capital do RS, é um
(i.e., contribuições da natureza para as pessoas; município onde as áreas urbanizadas estão em
Díaz et al. 2018) promovidos pela vegetação são contato com grandes áreas de vegetação nativa que
essenciais à qualidade de vida da população. ocupam cerca de 25% da área total deste município.
Entre os diversos benefícios dos ambientes Grande parte desta vegetação nativa ocorre nos 44
verdes na cidade, podemos citar a melhoria do morros graníticos (Hasenack & Setubal 2011), onde
microclima, o aumento da permeabilidade do solo, a vegetação campestre é composta por 757 espécies
a estabilização do solo pelas raízes das plantas, de plantas (Setubal et al. 2011), correspondendo
a atenuação da poluição, além de melhorias na a cerca de um terço do número de espécies da
saúde mental da população (Londe & Mendes flora campestre do bioma Pampa no RS. Dessa
2014, Panasolo et al. 2019). Frequentemente a forma, os relictos campestres dos Morros de Porto
vegetação herbácea desses ambientes, exceto Alegre podem ser considerados um hotspot de
espécies exóticas introduzidas e consagradas no biodiversidade no estado (Overbeck et al. 2011).
paisagismo, é negligenciada, mesmo que exista Nesses ambientes há uma tendência de expansão
um potencial para conservação de elementos de florestal, favorecida pelas condições climáticas,
formações campestres em praças e parques dentro sobre as áreas de vegetação campestre. Como
de zonas urbanas (Porto et al. 2021). Algumas esses campos não estão mais sujeitos a pastejo, é o
espécies da comunidade herbácea são capazes de distúrbio do fogo que impede a expansão florestal
sobreviver a condições adversas (e.g. escassez de e permite a conservação da diversidade florística
nutrientes no solo, sombreamento, déficit hídrico, campestre (Overbeck et al. 2011). Pouco se sabe
poluição, distúrbios), sendo geralmente chamadas até que ponto as espécies nativas dos morros
de ruderais (Marcondes 2002). Essas espécies se conseguem também se manter nos ambientes
estabelecem em vãos de calçadas, beiras de muros mais antropizados situados em proximidade
e estradas, meios-fios e gramados, podendo ser com ecossistemas naturais, como, por exemplo,
representantes da flora local ou ter origem exótica, o Campus do Vale da Universidade Federal do Rio
até mesmo apresentando caráter invasor (Neto Grande do Sul (UFRGS) onde existem, entre os
2016). No estado do Rio Grande do Sul (doravante prédios, muitas áreas de gramado, geralmente sob
RS, extremo sul do Brasil) alguns trabalhos regime de roçadas frequentes.
abordaram a vegetação ruderal (e.g., Carneiro & Os espaços ao ar livre com vegetação, como
Irgang 2005, Schneider & Irgang 2005), entretanto os gramados do Campus do Vale da UFRGS,
poucos avaliaram a vegetação campestre nativa proporcionam benefícios ecossistêmicos para a
inserida na comunidade herbácea do contexto população, assim como também possuem um

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Schenkel et al. | 19

potencial de uso como laboratórios vivos, ao ser encontrados solos mais profundos (Moura
permitir que comunidade acadêmica vivencie as 2011). A temperatura média anual é de 19,5 °C e a
suas práticas de sustentabilidade (Pantaleão & precipitação média é de 1309 mm, com chuvas bem
Cortese 2022). Para a população urbana, ambientes distribuídas durante o ano (Andrade et al. 2011).
assim podem ser uma das poucas possibilidades Sua área é de aproximadamente 1000 hectares,
de contato com a natureza, logo, atividades sendo 600 hectares pertencentes à UFRGS. Dentre
didáticas nesse tipo de ambiente podem favorecer os morros de Porto Alegre, o Morro Santana
a construção de um pensamento sistêmico, pois possui quase dois terços ocupados por florestas
observar os organismos vivos (plantas, animais que fazem parte das florestas da Mata Atlântica e
e fungos) diante dos olhos pode contribuir para pouco mais de um terço por vegetação campestre,
a concepção de ambiente, suas inter-relações e a representando assim um dos mais importantes
(re)integração humano-natureza (Morin 2000). remanescentes naturais da região (Mohr & Porto
Todavia, para utilizar desses ambientes em 1998). As áreas de campo nativo do Morro Santana
atividades didáticas é necessário um planejamento encontram-se no topo e na face norte do morro,
prévio pelos docentes, considerando as perspectivas enquanto as florestas concentram-se na face sul
das e dos discentes, bem como os temas a serem das encostas (Overbeck et al. 2006, Rambo 1994).
trabalhados (Queiroz et al. 2011). Neste sentido, O nosso estudo foi realizado no Campus do Vale,
a caracterização desses ambientes através de na área construída onde há uma diversidade de
levantamentos florísticos, por exemplo, pode ser ambientes verdes, em parte planejada, em parte
um facilitador para a utilização destes espaços e o natural. Não há informações sobre as condições de
desenvolvimento de atividades educacionais. solo que devem ser impactadas pelo uso antrópico.
Nessa perspectiva, nossos objetivos foram
caracterizar, através de um levantamento
qualiquantitativo, a comunidade vegetal dos
gramados do Campus do Vale da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul e comparar a sua
composição f lorística com a encontrada nos
campos dos morros graníticos de Porto Alegre. Com
isso, esperamos contribuir para o despertar acerca
do potencial dos gramados do Campus do Vale no
contexto da conservação e valorização das espécies
campestres nativas, bem como fornecer bases para
uma consideração dessas áreas verdes até então
pouco consideradas para atividades de ensino.

Figura 1. Localização do Campus do Vale da


MATERIAL E MÉTODOS UFRGS (A) considerando o contexto paisagístico
do município de Porto Alegre: delimitação (em
branco) do Campus do Vale adjacente ao Morro
Área de estudo Santana, à esquerda na imagem (B); localização
dos cinco exemplares de gramados amostrados
O Campus do Vale da UFRGS está inserido (C), sendo em (D) a situação deles no momento
na face sul do Morro Santana (29°47’40.00”S do levantamento da vegetação. Em (B) destaque
e 51°09’14.00”O), tendo sua área construída especial para os remanescentes de campos nativos
circundada por vegetação f loresta l, com em verde claro.
remanescentes de campo nativo (Figura 1). O Figure 1. Location of the UFRGS Campus do Vale
Morro Santana possui cerca de 311 metros de (A) considering the landscape context of the city of
altitude, sendo assim o ponto de maior altitude do Porto Alegre: delimitation (in white) of the Campus
do Vale adjacent to Morro Santana, on the left in the
município de Porto Alegre (Mohr & Porto 1998). Nas
image (B); location of the five specimens of sampled
partes mais altas há uma predominância de solos lawns (C), with (D) their situation at the time of the
rasos e uma grande incidência de afloramentos vegetation sampling. In (B) special emphasis on the
rochosos, já nas partes mais baixas podem remnants of native grasslands in light green.

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20 | Fitodiversidade dos Gramados do Campus do Vale da UFRGS

Levantamento florístico aos gramados do Campus, nós utilizamos o


diagrama de Venn. Para isso, utilizamos a lista de
Nós selecionamos cinco áreas distribuídas no espécies da flora campestre dos morros graníticos
Campus (Figura 1) onde a vegetação estava a pelo (Setubal et al. 2011). As atualizações nomenclaturais
menos duas semanas sem manejo de roçada. seguiram o site Flora e Funga do Brasil (2023).
Em cada área foi realizado um levantamento Todas as análises foram realizadas no ambiente
qualiquantitativo da vegetação em cinco parcelas R (2022) utilizando os pacotes dplyr (Wikcham et
de 1 m 2 dispostas ao acaso, com distância mínima al. 2023), ggplot (Wickham 2016), ggvenn (Yan
de 1,5 m entre parcelas. Os levantamentos foram 2023) e vegan (Oksanen et al. 2022).
realizados nos meses de novembro de 2022 a
janeiro de 2023. Nós utilizamos a escala decimal
RESULTADOS
de Londo (1976) para quantificar a cobertura
das espécies, porcentagem de solo exposto, Nós encontramos 101 espécies distribuídas em
biomassa morta e rochas, seguindo os métodos 25 famílias botânicas (Figura 2; lista completa
apresentados em Andrade et al. (2019b). A altura na Tabela 1 do Material suplementar), sendo as
da vegetação foi medida através de uma média famílias Poaceae e Asteraceae as que apresentaram
obtida a partir da medição de cinco pontos dentro maior riqueza, com 28 (27,7%) e 21 (20,8%) espécies,
de cada parcela. Sempre que possível as plantas respectivamente. Foi observada uma média de 19
foram identificadas em campo, todas aquelas espécies por parcela, sendo que a parcela com
desconhecidas ou de identificação duvidosa maior riqueza apresentou 32 espécies e a parcela
foram coletadas para posterior identificação com com menor apresentou 13 espécies (Tabela 1).
base em literatura especializada. As espécies Desmodium incanum (Sw.) DC.,
Posteriormente, categorizamos as espécies Briza minor L., Eryngium elegans Cham. &
quanto às formas de vida conforme proposto por Schltdl., Paspalum notatum Flüggé e Hydrocotyle
Ferreira et al. (2020). Utilizamos o Flora & Funga exigua (Urb.) Malme apresentaram as maiores
do Brasil (2023) para classificar as espécies quanto frequências relativas, enquanto E. elegans,
à origem (nativa ou naturalizada). Quando uma Paspalum plicatulum Michx., Hypochaeris radicata
espécie foi considerada naturalizada, foi conferida L. e P. notatum Flüggé foram as espécies com
a sua presença na portaria SEMA n° 79 (Rio Grande as maiores coberturas relativas. E. elegans, P.
do Sul, 2013) que lista as espécies invasoras para o notatum e P. plicatulum foram as espécies com
estado do RS. maiores valores de importância (Tabela 2).
Nós encontramos 19 espécies exóticas
Análise de dados
naturalizadas na região (18,8% do número total de
Objetivando descrever a composição vegetal dos espécies), entre elas, três espécies cujos cultivares
gramados do Campus do Vale nós calculamos os são amplamente utilizadas como plantas
valores de cobertura absoluta (CA) e relativa (CR), forrageiras (e.g., Medicago lupulina L., Medicago
frequência absoluta (FA) e relativa (FR) e Índice de polymorpha L. e Lolium multiflorum Lam.) e duas
valor de Importância (IVI) para cada espécie. Para consideradas exóticas invasoras para o Estado
a descrição da comunidade vegetal, utilizamos do RS: Cynodon dactylon (L.) Pers. e Urochloa
a análise de redundância (RDA), a partir de uma decumbens (Stapf) R.D.Webster.
matriz de composição com as formas de vida Ocorreram dez diferentes formas de vida
para analisar a relação dos preditores (biomassa (Figura 4), incluindo uma espécie de árvore, em
morta, solo exposto e altura da vegetação) e a forma de plântula (Tabela S1). A touceira foi a
composição florística dos gramados. Para avaliar forma de vida com maior número de espécies,
a colinearidade entre preditores, nós verificamos o apresentando 25 espécies (24,8%) seguida por
fator de inflação de variáveis (vif). Nós avaliamos terófita com 19 espécies (18,8%). Em relação a
a significância das variáveis através da seleção cobertura relativa, as formas predominantes
passo-a-passo (ordistep). foram rosetadas com 26,6%, seguidas por touceira,
Para comparar a composição vegetal campestre com 25% e estolonífera com 17,1% (Tabela 3).
dos morros graníticos de Porto Alegre em relação

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Figura 2. Algumas espécies encontradas nos levantamentos em áreas de gramado no Campus do Vale da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul em Porto Alegre, RS: A - Bothriochloa laguroides (DC.) Herter;
B - Briza minor L.; C - Paspalum notatum Flüggé; D - Setaria parviflora (Poir.) Kerguélen; E - Stylosanthes
leiocarpa Vogel; F - Desmodium incanum (Sw.) DC.; G - Lysimachia arvensis (L.) U. Manns & Anderb.; H
- Eryngium elegans Cham. & Schltdl.; I - Conyza primulifolia (Lam.) Cuatrec. & Lourteig; J - Chevreulia
sarmentosa (Pers.) Blake; K - Aspilia montevidensis (Spreng.) Kuntze; L - Hypochaeris radicata L.; M e N -
Elephantopus mollis Kunth. Imagens: Mateus Henrique Schenkel.
Figure 2. Some species found in vegetation sampling of lawns at the Campus do Vale of the Universidade
Federal do Rio Grande do Suk in Porto Alegre, RS: A - Bothriochloa laguroides (DC.) Herter; B - Briza minor
L.; C - Paspalum notatum Flüggé; D - Setaria parviflora (Poir.) Kerguélen; E - Stylosanthes leiocarpa Vogel;
F - Desmodium incanum (Sw.) DC.; G - Lysimachia arvensis (L.) U. Manns & Anderb.; H - Eryngium elegans
Cham. & Schltdl.; I - Conyza primulifolia (Lam.) Cuatrec. & Lourteig; J - Chevreulia sarmentosa (Pers.)
Blake; K - Aspilia montevidensis (Spreng.) Kuntze; L - Hypochaeris radicata L.; M and N - Elephantopus
mollis Kunth. Images: Mateus Henrique Schenkel.

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Tabela 1. Valores médios de parâmetros de cobertura do solo e da vegetação e riqueza de espécies e formas
de vida dos cinco locais de gramado amostrados no Campus do Vale da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul, Porto Alegre, RS.
Table 1. Mean values of soil cover and vegetation parameters and species and life forms richness of the five
lawns sampled at the Campus do Vale of the Federal University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.

Altura média Cobertura Biomassa Solo


Riqueza de Riqueza de
Local da vegetação Vegetal morta descoberto
espécies formas de vida
(cm) (%) (%) (%)

1 12,6 91,0 5,8 2,8 47 9


2 6,4 83,9 3,9 12,2 47 9
3 5,7 90,2 7,2 2,6 45 8
4 8,4 96,0 0,6 3,0 31 10
5 23,0 61,0 24,0 15,0 30 7

Tabela 2. Parâmetros fitossociológicos das principais espécies, considerando as cinco que apresentaram
maiores valores de IVI, em cinco locais de gramado amostrados no Campus do Vale da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS. FA = Frequência absoluta, FR = Frequência relativa, CA =
Cobertura absoluta, CR = Cobertura relativa, IVI = Índice de valor de importância.
Table 2. Phytosociological parameters of the main species, considering the five that presented the highest IVI
values, in five lawns sampled at the Campus do Vale of the Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, RS.

Espécie FA FR CA CR IVI
Eryngium elegans Cham. & Schltdl 18,00 0,04 14,08 0,16 0,10
Hydrocotyle exigua (Urb.) Malme 16,00 0,03 1,76 0,02 0,03
Hypochaeris radicata L. 6,00 0,01 6,04 0,07 0,04
Dichondra sericea Sw 12,00 0,03 4,28 0,05 0,04
Desmodium incanum (Sw.) DC. 23,00 0,05 3,84 0,04 0,05
Briza minor L. 18,00 0,05 2,48 0,03 0,03
Paspalum notatum Flüggé 18,00 0,04 5,36 0,06 0,06
Paspalum plicatulum Michx. 12,00 0,03 7,60 0,16 0,06

O diagrama de Venn (Figura 3) mostrou que das significância das variáveis, somente a biomassa
101 espécies encontradas nos levantamentos do morta apresentou valor significativo (p = 0,004).
Campus do Vale, 69 também ocorrem nos campos Considerando que analisamos somente três
dos morros graníticos de Porto Alegre. Além destas, variáveis ambientais, optamos por apresentar
ainda existem 14 espécies que são nativas, porém todas as variáveis (Figura 4). A partir da RDA
não estão listadas na lista da flora campestre dos podemos perceber agrupamentos definidos entre as
morros graníticos (e.g. Stenotaphrum secundatum parcelas pertencentes a cada grupo (ou seja, área de
(Walter) Kuntze, Aphanes parodii (I.M.Johnst.) gramado). Os grupos (1), (2), (3) e (4) foram os mais
Rothm, Piriqueta taubatensis (Urb.) Arbo, ver relacionados entre si, enquanto o grupo (5) foi mais
Tabela S1 do material suplementar). influenciado pela altura da vegetação e cobertura
Nós não encontramos colinearidade entre as da biomassa morta. Os grupos (1) e (5) foram mais
variáveis utilizadas na RDA (vif <2). Em relação a caracterizados por espécies entouceiradas.

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Figura 3. Diagrama de Venn resultante da composição de espécies encontradas em cinco locais de gramado
amostrados no Campus do Vale da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS juntamente
com as constantes na lista para os campos dos morros graníticos de Porto Alegre (Setubal et al. 2011).
Figure 3. Venn diagram resulting from the composition of species found in five lawns sampled at the Campus
do Vale of the Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS together with those listed for the
fields of the granitic hills of Porto Alegre (Setubal et al. 2011).

Figura 4. Análise de redundância (RDA) ilustrando a relação dos cinco locais amostrados com as variáveis
ambientais a partir de uma matriz de classificação de formas de vida para as espécies encontradas no
levantamento. R² ajustado = 0,2017.
Figure 4. Redundancy analysis (RDA) illustrating the relationship of the five sampled sites with the environmental
variables from a life form classification matrix for the species found in the survey. Adjusted R² = 0.2017.

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24 | Fitodiversidade dos Gramados do Campus do Vale da UFRGS

Tabela 3. Cobertura relativa das formas de em número de espécies no Pampa (Andrade et al.
vida encontradas nos cinco locais de gramado 2023), também aparece em terceiro lugar em nosso
amostrados no Campus do Vale da Universidade estudo, porém com uma riqueza de espécies bem
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.
menor (7 espécies), quando comparada a Poaceae
Table 3. Relative coverage of life forms found in e Asteraceae. Considerando a cobertura relativa, a
the five lawns sampled at the Campus do Vale of ordem de famílias mais importantes se modifica,
the Federal University of Rio Grande do Sul, Porto
sendo que Poaceae, Apiaceae e Asteraceae
Alegre, RS.
apresentaram os maiores valores com 40%, 19%
e 13% respectivamente. A alta cobertura por
Forma de vida Cobertura relativa (%)
gramíneas é uma característica típica da vegetação
Geófita bulbosa 1,6 campestre como evidenciado em um estudo
abrangente na região dos Campos Sulinos, onde as
Rizomatosa 8,6 gramíneas cobriram 64,6% da vegetação, seguidas
Erva lignificada 8,8 por Asteraceae com 10,2% e Cyperaceae com 6.4%
(Menezes et al. 2022). A alta importância da família
Árvore 0,05 Apiaceae encontrada nos gramados do Campus do
Estolonífera 17,1 Vale se deve a grande participação de E. elegans
na cobertura de várias parcelas, provavelmente
Terófita 8,5 associada com o constante distúrbio de roçada dos
Rosetada 26,6 gramados. Ainda sobre a diversidade taxonômica
encontrada, foram registrados representantes dos
Decumbente 3,5 gêneros Paspalum (Poaceae), Eryngium (Apiaceae),
Cyperus (Cyperaceae), Sisyrinchium (Iridaceae),
Erva 0,2
Polygala (Polygalaceae) e Oxalis (Oxalidaceae) que
Touceira 25,0 possuem a maior riqueza de espécies dentro de suas
respectivas famílias no Pampa (Andrade et al. 2023).
Considerando as espécies com maiores índices
fitossociológicos, podemos observar as gramíneas
DISCUSSÃO
P. notatum e P. plicatulum e a leguminosa prostrada
Nossos levantamentos quantitativos nos cinco D. incanum que possuem ampla distribuição no RS.
diferentes locais de gramado do Campus do Vale Por outro lado, B. minor é uma espécie anual nativa
registraram o predomínio de espécies nativas da Europa e que se adaptou às condições do sul do
frequentes nos Campos Sulinos e também dos Brasil (Boldrini, Longhi-Wagner & Boechat 2005,
morros de Porto Alegre. Também encontramos que Nabinger & Dall’agnol 2019). Destas espécies, apenas
aproximadamente um quinto do número total de H. radicata não consta na listagem de espécies dos
espécies foram representadas por espécies exóticas, campos dos morros. Essa espécie é tipicamente
bem como espécies não encontradas nos morros ruderal, nativa da Europa, e espontânea em áreas
da região. Embora cinco locais de amostragem antropizadas, onde pode formar densos maciços
certamente não representem todos os tipos de que trazem um típico colorido aos gramados devido
gramados do Campus, nossos dados demonstraram ao amarelo de suas inflorescências (Kinup et al.
diferenças na composição de espécies encontradas e 2008, Lorenzi 2008).
na estrutura da vegetação, de forma geral indicando Analisando a diversidade de formas de vida
uma alta riqueza de espécies. das espécies encontradas, nós constatamos que a
As famílias mais importantes, em termos de porcentagem de terófitas (i.e., espécies anuais que
riqueza, foram Poaceae (28 espécies) e Asteraceae dependem da propagação por sementes), foi muito
(21 espécies), assim como são para os campos superior ao número encontrado em outros estudos
nativos dos Morros de Porto Alegre e para os em campos nativos (Overbeck et al. 2015, Ferreira
ambientes campestres no RS de forma geral et al. 2020). Overbeck et al. (2005), em um estudo
(Setubal & Boldrini 2011, Boldrini 2010). Seguindo no Morro Santana, registraram apenas duas
esse padrão, a família Fabaceae, que é a terceira espécies de terófitas. Os autores atribuem esse

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baixo número de espécies anuais ao fato de que pelo fato de que o local sofra um manejo menos
em um clima subtropical, sem estação fria e com intensivo, já que possui uma grande inclinação,
chuvas bem distribuídas ao longo do ano, ciclos de o que dificulta o manejo da vegetação. Dessa
vida anuais não são vantajosos. Em nosso estudo, forma, plantas que formam touceiras maiores,
a maior parte das terófitas foram encontradas nas como Andropogon lateralis Nees, são favorecidas
parcelas onde a altura da vegetação era menor sobre plantas rizomatosas e estoloníferas de
(locais 1, 2, 3 e 4), ou seja, onde, provavelmente, forma semelhante ao que ocorre em ambientes
as roçadas eram mais frequentes. Isso corrobora campestres com baixa intensidade de manejo
com o observado por Ferreira et al. (2020), onde (Boldrini & Eggers, 1996).
a exclusão de pastejo promoveu efeito negativo A proporção de espécies exóticas naturalizadas
na diversidade de geófitas e terófitas devido ao encontrada foi de 18,8%, percentual alto quando
aumento da biomassa de espécies cespitosas comparado aos 5% encontrado por Andrade et al.
que acabam por não permitir o estabelecimento (2019a) para os Campos Sulinos em geral, e aos
de espécies terófitas (anuais). No caso dos 3,1% de um relicto campestre nativo em ambiente
gramados do Campus do Vale, são as roçadas urbano encontrado por Dresseno & Overbeck
frequentes que provavelmente estão promovendo (2013). Já quando comparado a estudos da vegetação
o estabelecimento dessas espécies e a manutenção ruderal para o RS, se torna semelhante aos 22,3%
das suas populações devido à abertura de nichos encontrados por Carneiro & Irgang (2005) em um
na comunidade, de forma que a alta importância trabalho na localidade de Vila de Santo Amaro no
de terófitas pode ser indicativo de um estado município de General Câmara (RS, Brasil; Figura
mais ruderal da vegetação (Grime 1979). De forma 5). Essa alta proporção é um indicativo de que
semelhante, as roçadas aumentam a proporção apesar de possuir diversas espécies nativas, as
de espécies rosetadas, como é o caso do Eryngium áreas de gramado são ruderalizadas. Atividades
elegans ou de outras espécies, como Elephantopus humanas permitem a superação de barreiras
mollis Kunth. ou Hypochaeris sp. onde a própria fitogeográficas das espécies, as introduzindo em
estrutura da planta, com folhas próximas ao solo, novos locais acidentalmente ou intencionalmente,
as protege da perda de biomassa. além de permitirem o seu estabelecimento ao
Apesar de não avaliado neste trabalho, não criar oportunidades de nicho, através do plantio
podemos descartar a influência de características direto, por exemplo (Ricotta et al. 2009). Como
físico-químicas do solo nos diferentes pontos de consequência, em áreas urbanas ou sob forte
amostragem na composição florística encontrada. influência antrópica costumam ocorrer um maior
No entanto, a influência do regime de distúrbios número de espécies exóticas podendo estas áreas
em ambientes campestres é bem documentada constituírem reservatórios e fontes de propágulos
(e.g. Ferreira et al. 2020) e possui uma base teórica de espécies exóticas (Rolim et al. 2015, Zalba &
consolidada (e.g. Grime 1979), de forma que os Ziller 2007).
resultados podem ser interpretados com base do Apesar da ocorrência de espécies exóticas
regime de distúrbios ou, em outras palavras, do manejo. e do caráter mais ruderal da vegetação,
O que se observou nesse estudo, de forma geral, evidenciado pela alta porcentagem de terófitas
é que nos ambientes onde a vegetação apresenta e de outras plantas adaptadas ao regime de
menor altura e, provavelmente, há uma maior roçadas frequentes, como as plantas rosetadas, os
frequência de roçadas, há uma seleção de espécies gramados amostrados neste estudo apresentaram
de plantas com formas de vida rizomatosas, grande riqueza de espécies nativas e que também
estoloníferas e rosetadas, semelhante ao que ocorrem nos ambientes campestres nativos
ocorre em áreas de campo pastejadas. Porém, dos morros de Porto Alegre. Pela perspectiva
diferentemente do pastejo que cria gradientes da conservação ecológica e da sustentabilidade
de diversidade através da seleção de plantas ambiental, seria recomendável modificar o regime
pelos animais, as roçadas não são seletivas e têm de manejo, reduzindo a quantidade de roçadas.
efeito uniforme sobre a vegetação (Bakker 1989, Tal mudança poderia resultar em uma redução
Ferreira et al. 2020). A diferenciação do ambiente de espécies ruderais e exóticas e no aumento de
5, evidenciada pela RDA (Figura 3), pode-se dar espécies típicas dos morros de Porto Alegre, além

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Figura 5. Gráfico comparativo da proporção entre espécies nativas e exóticas para diferentes estudos de
vegetação campestre ruderal e nativa no estado do Rio Grande do Sul, sendo no eixo y os artigos A =
Andrade et al. (2019), B = Dresseno & Overbeck (2013), C = Schneider (2005), D = Carneiro & Irgang (2005),
E = Gramados Campus do Vale (este estudo).
Figure 5. Comparative graph of the proportion between native and exotic species for different studies of ruderal
and native grassland vegetation in the state of Rio Grande do Sul, with articles A = Andrade et al. (2019), B =
Dresseno & Overbeck (2013), C = Schneider (2005), D = Carneiro & Irgang (2005); E = Gramados Campus do
Vale (this study).

de reduzir os custos associados ao combustível dos em sala de aula, além de permitir que discentes
equipamentos e horas de trabalho. conheçam a diversidade do local onde vivem.
Muitas vezes ambientes campestres são O nosso estudo evidencia um elevado potencial
vistos como menos importantes em comparação dos gramados do Campus do Vale para contribuir,
com outros tipos de ecossistemas por parte da quando sob manejo adequado, para a conservação
sociedade, meios de comunicação, autoridades e da biodiversidade no meio urbano, bem como
tomadores de decisão (Porto et al. 2021), problema para a realização de atividades didáticas sobre os
denominado ‘biome awareness disparity’ (Silveira ecossistemas nativos e a sua biodiversidade. No
et al. 2021). Ao encontro disto, em um estudo sobre entanto, no caso dos gramados, é necessária a
a percepção do Pampa por estudantes do ensino readequação do regime de roçadas, para o aumento
médio, Zakrzevski et al. (2020) apontaram que a da manifestação de espécies típicas e nativas
maioria dos estudantes tem um conhecimento dos campos dos morros de Porto Alegre, assim
inexpressivo sobre a biodiversidade e que isso facilitando o ensino e a divulgação sobre a flora dos
se deve a uma abordagem restrita por parte das Campos Sulinos e contribuindo para o despertar da
escolas e da sociedade. Como solução, Castro et al. consciência campestre da comunidade acadêmica
(2021) ressalta a importância de saídas de campo, do Campus do Vale e da população de Porto Alegre.
que contribuem na construção de conceitos vistos Essas atividades podem ser realizadas no âmbito

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Schenkel et al. | 27

dos próprios cursos de graduação da UFRGS, como B. B., Leal-Zanchet, A. M., Loebmann, D.,
por exemplo, em aulas práticas de Botânica ou de Lucas, D. B., Lucas, E. M., Luza, A. L., Machado,
outras disciplinas, ou ainda em eventos de extensão, I. F., Madalozzo, B., Maestri, R., Malabarba, L.
ou seja, no ensino não-formal. R., Maneyro, R., Marinho, M. A. T., Marques,
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Submitted: 28 April 2023


Accepted: 2 August 2023
Published online: 11 September 2023
Associate Editor: Bianca Ott Andrade

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