Gramados Urbanos: A Surpreendente Diversidade de Espécies Encontrada No Campus Do Vale Da Ufrgs (RS, Brasil) E Suas Potencialidades
Gramados Urbanos: A Surpreendente Diversidade de Espécies Encontrada No Campus Do Vale Da Ufrgs (RS, Brasil) E Suas Potencialidades
28(1):17–30, 2024
http://doi.org/10.4257/oeco.2024.2801.02
Mateus Henrique Schenkel1*, Ana Boeira Porto1 & Gerhard Ernst Overbeck1
1
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Biociências, Departamento de Botânica, Laboratório de
Estudos em Vegetação Campestre, Av. Bento Gonçalves, 9500, prédio 43433, CEP 91501-970, Porto Alegre, RS, Brasil.
Resumo: Em ambientes urbanos é encontrada uma flora chamada de ruderal, composta por plantas
exóticas e nativas, que geralmente é pouco estudada e considerada em termos de importância para
a conservação da biodiversidade e qualidade ambiental das cidades. O objetivo deste trabalho foi
caracterizar a vegetação de gramados do Campus do Vale da UFRGS, e discutir sobre potenciais usos
desses espaços pela comunidade acadêmica. Foi realizado um levantamento qualiquantitativo da
vegetação em cinco gramados, com cinco parcelas de 1 m 2 em cada. As plantas encontradas foram
identificadas e classificadas quanto a sua origem (se nativa ou exótica) e forma de vida. A lista obtida nos
levantamentos foi comparada com a lista de espécies da flora dos morros graníticos de Porto Alegre para
avaliar até que ponto os gramados abrigam espécies típicas da vegetação nativa campestre da região.
Para entender a influência dos parâmetros estruturais (cobertura e altura) na composição florística
foi utilizada uma análise de redundância (RDA). Foram encontradas 101 espécies distribuídas em 25
famílias botânicas; destas, 69 também ocorrem nos campos dos morros de Porto Alegre. As famílias com
maior riqueza de espécies foram Poaceae e Asteraceae, já as com maior cobertura relativa foram Poaceae
e Apiaceae. As formas de vida touceira e terófita foram predominantes, com alta participação de espécies
rosetadas e rizomatosas, indicativas do regime de roçadas frequentes atualmente empregado no manejo
dessas áreas. Na RDA, foi constatado uma diferenciação de um dos locais que possui uma vegetação mais
alta, com maior proporção de espécies entouceiradas. A alta proporção de espécies exóticas, incluindo
invasoras e terófitas também revela a ruderalização desses ambientes. Uma mudança no manejo como
a diminuição na frequência das roçadas poderia contribuir para uma maior diversidade nativa nesses
espaços, possibilitando um melhor uso em atividades de ensino, divulgação, extensão e valorização da
biodiversidade nativa.
Palavras-chave: diversidade de plantas nativas; ecologia urbana; roçadas; vegetação ruderal; vegetação
urbana.
URBAN LAWNS: THE AMAZING DIVERSITY OF SPECIES FOUND AT CAMPUS DO VALE, UFRGS (RS,
BRAZIL) AND ITS POTENTIALITIES: The flora of urban environments has a ruderal character and may
contain exotic and native plants species. This flora tends to be little studied and even less considered in
terms of biodiversity conservation and environmental quality of cities. The objective of this study was
to characterize the vegetation of urban lawns located at Campus do Vale (UFRGS), in Porto Alegre, RS,
Brazil, to evaluate the potential uses of these spaces by the academic community. We conducted quali-
quantitative vegetation sampling in 1 m 2 plots in five different areas of lawns, with five plots per area.
18 | Fitodiversidade dos Gramados do Campus do Vale da UFRGS
The plants found were identified and classified according to their origin (native or alien species) and life
forms. To determine the participation of typical native grassland species in the lawns, we compared our
species list to an available species list for grasslands in the granitic hills of Porto Alegre. To understand the
influence of structural vegetation parameters (cover and vegetation height) on the floristic composition, a
redundancy analysis (RDA) was used. 101 species distributed in 25 families were found, 69 of these can be
found in the grasslands in the granitic hills of Porto Alegre. The families with the highest species richness
were Poaceae and Asteraceae, and the families with the highest relative cover were Poaceae and Apiaceae.
Tussock and therophyte life forms were predominant, but the high proportion of rosette and prostrate
plants is indicative of the regime of frequent mowing. In the RDA, one site with higher vegetation was
separated from the other sites. The high proportion of exotic species, including some invasive ones, and
therophytes reveals the ruderalization of these environments. Decreasing the mowing frequency would
probably lead to a plant community with greater similarity with native grasslands, thus allowing better
use of the lawns for teaching native biodiversity.
Keywords: native plant diversity; urban ecology; ruderal vegetation; mowing; urban vegetation.
potencial de uso como laboratórios vivos, ao ser encontrados solos mais profundos (Moura
permitir que comunidade acadêmica vivencie as 2011). A temperatura média anual é de 19,5 °C e a
suas práticas de sustentabilidade (Pantaleão & precipitação média é de 1309 mm, com chuvas bem
Cortese 2022). Para a população urbana, ambientes distribuídas durante o ano (Andrade et al. 2011).
assim podem ser uma das poucas possibilidades Sua área é de aproximadamente 1000 hectares,
de contato com a natureza, logo, atividades sendo 600 hectares pertencentes à UFRGS. Dentre
didáticas nesse tipo de ambiente podem favorecer os morros de Porto Alegre, o Morro Santana
a construção de um pensamento sistêmico, pois possui quase dois terços ocupados por florestas
observar os organismos vivos (plantas, animais que fazem parte das florestas da Mata Atlântica e
e fungos) diante dos olhos pode contribuir para pouco mais de um terço por vegetação campestre,
a concepção de ambiente, suas inter-relações e a representando assim um dos mais importantes
(re)integração humano-natureza (Morin 2000). remanescentes naturais da região (Mohr & Porto
Todavia, para utilizar desses ambientes em 1998). As áreas de campo nativo do Morro Santana
atividades didáticas é necessário um planejamento encontram-se no topo e na face norte do morro,
prévio pelos docentes, considerando as perspectivas enquanto as florestas concentram-se na face sul
das e dos discentes, bem como os temas a serem das encostas (Overbeck et al. 2006, Rambo 1994).
trabalhados (Queiroz et al. 2011). Neste sentido, O nosso estudo foi realizado no Campus do Vale,
a caracterização desses ambientes através de na área construída onde há uma diversidade de
levantamentos florísticos, por exemplo, pode ser ambientes verdes, em parte planejada, em parte
um facilitador para a utilização destes espaços e o natural. Não há informações sobre as condições de
desenvolvimento de atividades educacionais. solo que devem ser impactadas pelo uso antrópico.
Nessa perspectiva, nossos objetivos foram
caracterizar, através de um levantamento
qualiquantitativo, a comunidade vegetal dos
gramados do Campus do Vale da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul e comparar a sua
composição f lorística com a encontrada nos
campos dos morros graníticos de Porto Alegre. Com
isso, esperamos contribuir para o despertar acerca
do potencial dos gramados do Campus do Vale no
contexto da conservação e valorização das espécies
campestres nativas, bem como fornecer bases para
uma consideração dessas áreas verdes até então
pouco consideradas para atividades de ensino.
Figura 2. Algumas espécies encontradas nos levantamentos em áreas de gramado no Campus do Vale da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul em Porto Alegre, RS: A - Bothriochloa laguroides (DC.) Herter;
B - Briza minor L.; C - Paspalum notatum Flüggé; D - Setaria parviflora (Poir.) Kerguélen; E - Stylosanthes
leiocarpa Vogel; F - Desmodium incanum (Sw.) DC.; G - Lysimachia arvensis (L.) U. Manns & Anderb.; H
- Eryngium elegans Cham. & Schltdl.; I - Conyza primulifolia (Lam.) Cuatrec. & Lourteig; J - Chevreulia
sarmentosa (Pers.) Blake; K - Aspilia montevidensis (Spreng.) Kuntze; L - Hypochaeris radicata L.; M e N -
Elephantopus mollis Kunth. Imagens: Mateus Henrique Schenkel.
Figure 2. Some species found in vegetation sampling of lawns at the Campus do Vale of the Universidade
Federal do Rio Grande do Suk in Porto Alegre, RS: A - Bothriochloa laguroides (DC.) Herter; B - Briza minor
L.; C - Paspalum notatum Flüggé; D - Setaria parviflora (Poir.) Kerguélen; E - Stylosanthes leiocarpa Vogel;
F - Desmodium incanum (Sw.) DC.; G - Lysimachia arvensis (L.) U. Manns & Anderb.; H - Eryngium elegans
Cham. & Schltdl.; I - Conyza primulifolia (Lam.) Cuatrec. & Lourteig; J - Chevreulia sarmentosa (Pers.)
Blake; K - Aspilia montevidensis (Spreng.) Kuntze; L - Hypochaeris radicata L.; M and N - Elephantopus
mollis Kunth. Images: Mateus Henrique Schenkel.
Tabela 1. Valores médios de parâmetros de cobertura do solo e da vegetação e riqueza de espécies e formas
de vida dos cinco locais de gramado amostrados no Campus do Vale da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul, Porto Alegre, RS.
Table 1. Mean values of soil cover and vegetation parameters and species and life forms richness of the five
lawns sampled at the Campus do Vale of the Federal University of Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.
Tabela 2. Parâmetros fitossociológicos das principais espécies, considerando as cinco que apresentaram
maiores valores de IVI, em cinco locais de gramado amostrados no Campus do Vale da Universidade
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS. FA = Frequência absoluta, FR = Frequência relativa, CA =
Cobertura absoluta, CR = Cobertura relativa, IVI = Índice de valor de importância.
Table 2. Phytosociological parameters of the main species, considering the five that presented the highest IVI
values, in five lawns sampled at the Campus do Vale of the Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto
Alegre, RS.
Espécie FA FR CA CR IVI
Eryngium elegans Cham. & Schltdl 18,00 0,04 14,08 0,16 0,10
Hydrocotyle exigua (Urb.) Malme 16,00 0,03 1,76 0,02 0,03
Hypochaeris radicata L. 6,00 0,01 6,04 0,07 0,04
Dichondra sericea Sw 12,00 0,03 4,28 0,05 0,04
Desmodium incanum (Sw.) DC. 23,00 0,05 3,84 0,04 0,05
Briza minor L. 18,00 0,05 2,48 0,03 0,03
Paspalum notatum Flüggé 18,00 0,04 5,36 0,06 0,06
Paspalum plicatulum Michx. 12,00 0,03 7,60 0,16 0,06
O diagrama de Venn (Figura 3) mostrou que das significância das variáveis, somente a biomassa
101 espécies encontradas nos levantamentos do morta apresentou valor significativo (p = 0,004).
Campus do Vale, 69 também ocorrem nos campos Considerando que analisamos somente três
dos morros graníticos de Porto Alegre. Além destas, variáveis ambientais, optamos por apresentar
ainda existem 14 espécies que são nativas, porém todas as variáveis (Figura 4). A partir da RDA
não estão listadas na lista da flora campestre dos podemos perceber agrupamentos definidos entre as
morros graníticos (e.g. Stenotaphrum secundatum parcelas pertencentes a cada grupo (ou seja, área de
(Walter) Kuntze, Aphanes parodii (I.M.Johnst.) gramado). Os grupos (1), (2), (3) e (4) foram os mais
Rothm, Piriqueta taubatensis (Urb.) Arbo, ver relacionados entre si, enquanto o grupo (5) foi mais
Tabela S1 do material suplementar). influenciado pela altura da vegetação e cobertura
Nós não encontramos colinearidade entre as da biomassa morta. Os grupos (1) e (5) foram mais
variáveis utilizadas na RDA (vif <2). Em relação a caracterizados por espécies entouceiradas.
Figura 3. Diagrama de Venn resultante da composição de espécies encontradas em cinco locais de gramado
amostrados no Campus do Vale da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS juntamente
com as constantes na lista para os campos dos morros graníticos de Porto Alegre (Setubal et al. 2011).
Figure 3. Venn diagram resulting from the composition of species found in five lawns sampled at the Campus
do Vale of the Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS together with those listed for the
fields of the granitic hills of Porto Alegre (Setubal et al. 2011).
Figura 4. Análise de redundância (RDA) ilustrando a relação dos cinco locais amostrados com as variáveis
ambientais a partir de uma matriz de classificação de formas de vida para as espécies encontradas no
levantamento. R² ajustado = 0,2017.
Figure 4. Redundancy analysis (RDA) illustrating the relationship of the five sampled sites with the environmental
variables from a life form classification matrix for the species found in the survey. Adjusted R² = 0.2017.
Tabela 3. Cobertura relativa das formas de em número de espécies no Pampa (Andrade et al.
vida encontradas nos cinco locais de gramado 2023), também aparece em terceiro lugar em nosso
amostrados no Campus do Vale da Universidade estudo, porém com uma riqueza de espécies bem
Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS.
menor (7 espécies), quando comparada a Poaceae
Table 3. Relative coverage of life forms found in e Asteraceae. Considerando a cobertura relativa, a
the five lawns sampled at the Campus do Vale of ordem de famílias mais importantes se modifica,
the Federal University of Rio Grande do Sul, Porto
sendo que Poaceae, Apiaceae e Asteraceae
Alegre, RS.
apresentaram os maiores valores com 40%, 19%
e 13% respectivamente. A alta cobertura por
Forma de vida Cobertura relativa (%)
gramíneas é uma característica típica da vegetação
Geófita bulbosa 1,6 campestre como evidenciado em um estudo
abrangente na região dos Campos Sulinos, onde as
Rizomatosa 8,6 gramíneas cobriram 64,6% da vegetação, seguidas
Erva lignificada 8,8 por Asteraceae com 10,2% e Cyperaceae com 6.4%
(Menezes et al. 2022). A alta importância da família
Árvore 0,05 Apiaceae encontrada nos gramados do Campus do
Estolonífera 17,1 Vale se deve a grande participação de E. elegans
na cobertura de várias parcelas, provavelmente
Terófita 8,5 associada com o constante distúrbio de roçada dos
Rosetada 26,6 gramados. Ainda sobre a diversidade taxonômica
encontrada, foram registrados representantes dos
Decumbente 3,5 gêneros Paspalum (Poaceae), Eryngium (Apiaceae),
Cyperus (Cyperaceae), Sisyrinchium (Iridaceae),
Erva 0,2
Polygala (Polygalaceae) e Oxalis (Oxalidaceae) que
Touceira 25,0 possuem a maior riqueza de espécies dentro de suas
respectivas famílias no Pampa (Andrade et al. 2023).
Considerando as espécies com maiores índices
fitossociológicos, podemos observar as gramíneas
DISCUSSÃO
P. notatum e P. plicatulum e a leguminosa prostrada
Nossos levantamentos quantitativos nos cinco D. incanum que possuem ampla distribuição no RS.
diferentes locais de gramado do Campus do Vale Por outro lado, B. minor é uma espécie anual nativa
registraram o predomínio de espécies nativas da Europa e que se adaptou às condições do sul do
frequentes nos Campos Sulinos e também dos Brasil (Boldrini, Longhi-Wagner & Boechat 2005,
morros de Porto Alegre. Também encontramos que Nabinger & Dall’agnol 2019). Destas espécies, apenas
aproximadamente um quinto do número total de H. radicata não consta na listagem de espécies dos
espécies foram representadas por espécies exóticas, campos dos morros. Essa espécie é tipicamente
bem como espécies não encontradas nos morros ruderal, nativa da Europa, e espontânea em áreas
da região. Embora cinco locais de amostragem antropizadas, onde pode formar densos maciços
certamente não representem todos os tipos de que trazem um típico colorido aos gramados devido
gramados do Campus, nossos dados demonstraram ao amarelo de suas inflorescências (Kinup et al.
diferenças na composição de espécies encontradas e 2008, Lorenzi 2008).
na estrutura da vegetação, de forma geral indicando Analisando a diversidade de formas de vida
uma alta riqueza de espécies. das espécies encontradas, nós constatamos que a
As famílias mais importantes, em termos de porcentagem de terófitas (i.e., espécies anuais que
riqueza, foram Poaceae (28 espécies) e Asteraceae dependem da propagação por sementes), foi muito
(21 espécies), assim como são para os campos superior ao número encontrado em outros estudos
nativos dos Morros de Porto Alegre e para os em campos nativos (Overbeck et al. 2015, Ferreira
ambientes campestres no RS de forma geral et al. 2020). Overbeck et al. (2005), em um estudo
(Setubal & Boldrini 2011, Boldrini 2010). Seguindo no Morro Santana, registraram apenas duas
esse padrão, a família Fabaceae, que é a terceira espécies de terófitas. Os autores atribuem esse
baixo número de espécies anuais ao fato de que pelo fato de que o local sofra um manejo menos
em um clima subtropical, sem estação fria e com intensivo, já que possui uma grande inclinação,
chuvas bem distribuídas ao longo do ano, ciclos de o que dificulta o manejo da vegetação. Dessa
vida anuais não são vantajosos. Em nosso estudo, forma, plantas que formam touceiras maiores,
a maior parte das terófitas foram encontradas nas como Andropogon lateralis Nees, são favorecidas
parcelas onde a altura da vegetação era menor sobre plantas rizomatosas e estoloníferas de
(locais 1, 2, 3 e 4), ou seja, onde, provavelmente, forma semelhante ao que ocorre em ambientes
as roçadas eram mais frequentes. Isso corrobora campestres com baixa intensidade de manejo
com o observado por Ferreira et al. (2020), onde (Boldrini & Eggers, 1996).
a exclusão de pastejo promoveu efeito negativo A proporção de espécies exóticas naturalizadas
na diversidade de geófitas e terófitas devido ao encontrada foi de 18,8%, percentual alto quando
aumento da biomassa de espécies cespitosas comparado aos 5% encontrado por Andrade et al.
que acabam por não permitir o estabelecimento (2019a) para os Campos Sulinos em geral, e aos
de espécies terófitas (anuais). No caso dos 3,1% de um relicto campestre nativo em ambiente
gramados do Campus do Vale, são as roçadas urbano encontrado por Dresseno & Overbeck
frequentes que provavelmente estão promovendo (2013). Já quando comparado a estudos da vegetação
o estabelecimento dessas espécies e a manutenção ruderal para o RS, se torna semelhante aos 22,3%
das suas populações devido à abertura de nichos encontrados por Carneiro & Irgang (2005) em um
na comunidade, de forma que a alta importância trabalho na localidade de Vila de Santo Amaro no
de terófitas pode ser indicativo de um estado município de General Câmara (RS, Brasil; Figura
mais ruderal da vegetação (Grime 1979). De forma 5). Essa alta proporção é um indicativo de que
semelhante, as roçadas aumentam a proporção apesar de possuir diversas espécies nativas, as
de espécies rosetadas, como é o caso do Eryngium áreas de gramado são ruderalizadas. Atividades
elegans ou de outras espécies, como Elephantopus humanas permitem a superação de barreiras
mollis Kunth. ou Hypochaeris sp. onde a própria fitogeográficas das espécies, as introduzindo em
estrutura da planta, com folhas próximas ao solo, novos locais acidentalmente ou intencionalmente,
as protege da perda de biomassa. além de permitirem o seu estabelecimento ao
Apesar de não avaliado neste trabalho, não criar oportunidades de nicho, através do plantio
podemos descartar a influência de características direto, por exemplo (Ricotta et al. 2009). Como
físico-químicas do solo nos diferentes pontos de consequência, em áreas urbanas ou sob forte
amostragem na composição florística encontrada. influência antrópica costumam ocorrer um maior
No entanto, a influência do regime de distúrbios número de espécies exóticas podendo estas áreas
em ambientes campestres é bem documentada constituírem reservatórios e fontes de propágulos
(e.g. Ferreira et al. 2020) e possui uma base teórica de espécies exóticas (Rolim et al. 2015, Zalba &
consolidada (e.g. Grime 1979), de forma que os Ziller 2007).
resultados podem ser interpretados com base do Apesar da ocorrência de espécies exóticas
regime de distúrbios ou, em outras palavras, do manejo. e do caráter mais ruderal da vegetação,
O que se observou nesse estudo, de forma geral, evidenciado pela alta porcentagem de terófitas
é que nos ambientes onde a vegetação apresenta e de outras plantas adaptadas ao regime de
menor altura e, provavelmente, há uma maior roçadas frequentes, como as plantas rosetadas, os
frequência de roçadas, há uma seleção de espécies gramados amostrados neste estudo apresentaram
de plantas com formas de vida rizomatosas, grande riqueza de espécies nativas e que também
estoloníferas e rosetadas, semelhante ao que ocorrem nos ambientes campestres nativos
ocorre em áreas de campo pastejadas. Porém, dos morros de Porto Alegre. Pela perspectiva
diferentemente do pastejo que cria gradientes da conservação ecológica e da sustentabilidade
de diversidade através da seleção de plantas ambiental, seria recomendável modificar o regime
pelos animais, as roçadas não são seletivas e têm de manejo, reduzindo a quantidade de roçadas.
efeito uniforme sobre a vegetação (Bakker 1989, Tal mudança poderia resultar em uma redução
Ferreira et al. 2020). A diferenciação do ambiente de espécies ruderais e exóticas e no aumento de
5, evidenciada pela RDA (Figura 3), pode-se dar espécies típicas dos morros de Porto Alegre, além
Figura 5. Gráfico comparativo da proporção entre espécies nativas e exóticas para diferentes estudos de
vegetação campestre ruderal e nativa no estado do Rio Grande do Sul, sendo no eixo y os artigos A =
Andrade et al. (2019), B = Dresseno & Overbeck (2013), C = Schneider (2005), D = Carneiro & Irgang (2005),
E = Gramados Campus do Vale (este estudo).
Figure 5. Comparative graph of the proportion between native and exotic species for different studies of ruderal
and native grassland vegetation in the state of Rio Grande do Sul, with articles A = Andrade et al. (2019), B =
Dresseno & Overbeck (2013), C = Schneider (2005), D = Carneiro & Irgang (2005); E = Gramados Campus do
Vale (this study).
de reduzir os custos associados ao combustível dos em sala de aula, além de permitir que discentes
equipamentos e horas de trabalho. conheçam a diversidade do local onde vivem.
Muitas vezes ambientes campestres são O nosso estudo evidencia um elevado potencial
vistos como menos importantes em comparação dos gramados do Campus do Vale para contribuir,
com outros tipos de ecossistemas por parte da quando sob manejo adequado, para a conservação
sociedade, meios de comunicação, autoridades e da biodiversidade no meio urbano, bem como
tomadores de decisão (Porto et al. 2021), problema para a realização de atividades didáticas sobre os
denominado ‘biome awareness disparity’ (Silveira ecossistemas nativos e a sua biodiversidade. No
et al. 2021). Ao encontro disto, em um estudo sobre entanto, no caso dos gramados, é necessária a
a percepção do Pampa por estudantes do ensino readequação do regime de roçadas, para o aumento
médio, Zakrzevski et al. (2020) apontaram que a da manifestação de espécies típicas e nativas
maioria dos estudantes tem um conhecimento dos campos dos morros de Porto Alegre, assim
inexpressivo sobre a biodiversidade e que isso facilitando o ensino e a divulgação sobre a flora dos
se deve a uma abordagem restrita por parte das Campos Sulinos e contribuindo para o despertar da
escolas e da sociedade. Como solução, Castro et al. consciência campestre da comunidade acadêmica
(2021) ressalta a importância de saídas de campo, do Campus do Vale e da população de Porto Alegre.
que contribuem na construção de conceitos vistos Essas atividades podem ser realizadas no âmbito
dos próprios cursos de graduação da UFRGS, como B. B., Leal-Zanchet, A. M., Loebmann, D.,
por exemplo, em aulas práticas de Botânica ou de Lucas, D. B., Lucas, E. M., Luza, A. L., Machado,
outras disciplinas, ou ainda em eventos de extensão, I. F., Madalozzo, B., Maestri, R., Malabarba, L.
ou seja, no ensino não-formal. R., Maneyro, R., Marinho, M. A. T., Marques,
R., Marta, K. D. S., Martins, D. D. S., Martins, G.
REFERÊNCIAS D. S., Martins, T. R., Mello, A. S. D., Mello, R. L.,
Mendonça Junior, M. D. S., Morais, A. B. B. D.,
Andrade, B. O., Medeiros, P. S. C., Hasenack, H., Moreira, F. F. F., Moreira, L. F. B., Moura, L. D.
Philipp, R. P., & Silva, L. L. 2011. Tipos de solos, A., Nervo, M. H., Ott, R., Paludo, P., Passaglia,
fatores climáticos e influência dos morros no L. M. P., Périco, E., Petzhold, E. S., Pires, M. M.,
crescimento urbano de Porto Alegre. In: R. Poppe, J. L., Quintela, F. M., Raguse-Quadros,
Setubal, I. Boldrini, & P. Ferreira (Eds.), Campos M., Pereira, M. J. R., Renner, S., Ribeiro, F. B.,
dos Morros de Porto Alegre. pp. 39–46. Porto Ribeiro, J. R. I., Rodrigues, E. N. L., Rodrigues, P.
Alegre: Igré Associação Sócio-Ambientalista. E. S., Romanowski, H. P., Ruschel, T. P., Saccol,
Andrade, B. O., Bonilha, C. L., Overbeck, G. E., S. D. S. A., Savaris, M., Silveira, F. S., Schmitz,
Vélez‐Martin, E., Rolim, R. G., Bordignon, S. A. H. J., Siegloch, A. E., Siewert, R. R., Silva Filho,
L., Schneider, A. A., Vogel Ely, C., Lucas, D. B., P. J. S. D., Soares, A. G., Somavilla, A., Sperotto,
Garcia, É. N., Dos Santos, E. D., Torchelsen, F. P., Spies, M. R., Tirelli, F. P., Tozetti, A. M.,
P., Vieira, M. S., Silva Filho, P. J. S., Ferreira, P. Verrastro, L., Vogel Ely, C., Da Silva, Â. Z., Zank,
M. A., Trevisan, R., Hollas, R., Campestrini, S., C., Zefa, E., & Overbeck, G. E. 2023. 12,500+ and
Pillar, V. D., & Boldrini, I. I. 2019. Classification counting: biodiversity of the Brazilian Pampa.
of South Brazilian grasslands: Implications Frontiers of Biogeography, 15(2). DOI: 10.21425/
for conservation. Applied Vegetation Science, F5FBG59288
22(1), 168–184. DOI: 10.1111/avsc.12413 Bakker, J.P. 1989. Nature management by grazing
Andrade, B. O., Boldrini, I. I., Cadenazzi, M., and cutting. Dordrecht: Kluwer Academic
Pillar, V. D., & Overbeck, G. E. 2019. Grassland Publishers: p. 400.
vegetation sampling - a practical guide for Boldrini, I. I., Ferreira, P. M. A., Andrade, B. O.,
sampling and data analysis. Acta Botanica Schneider, A. A., Setubal, R. B., Trevisan, R., &
Brasilica, 33(4), 786–795. DOI: 10.1590/0102- Freitas, E. M. 2010. Bioma Pampa diversidade
33062019abb0160 florística e fisionômica. Porto Alegre: Editora
Andrade, B. O., Dröse, W., Aguiar, C. A. D., Aires, Pallotti: p. 64.
E. T., Alvares, D. J., Barbieri, R. L., Carvalho, C. Boldrini, I. I., Longhi-Wagner, H. M., & Boechat, S.
J. B. D., Bartz, M., Becker, F. G., Bencke, G. A., C. 2008. Morfologia e taxonomia de gramíneas
Beneduzi, A., Silva, J. B., Blochtein, B., Boldrini, sulrio-grandenses. 2nd ed. Porto Alegre:
I. I., Boll, P. K., Bordin, J., Silveira, R. M. B. D., Editora da UFRGS: p. 87.
Martins, M. B., Bosenbecker, C., Braccini, J., Boldrini, I. I., & Eggers, L. 1996. Vegetação
Braun, B., Brito, R., Brown, G. G., Büneker, H. campestre do sul do Brasil: dinâmica de
M., Buzatto, C. R., Cavalleri, A., Cechin, S. Z., espécies à exclusão do gado. Acta Botanica
Colombo, P., Constantino, R., Costa, C. F. D., Brasilica, 10(1), 37–50. DOI: 10.1590/S0102-
Dalzochio, M. S., Oliveira, M. G. D., Dias, R. 33061996000100004
A., Santos, L. A. D., Duarte, A. D. F., Duarte, J. Carneiro, A. M., & Irgang, B. E. 2005. Origem e
L. P., Durigon, J., Da Silva, M. E., Ferreira, P. P. distribuição geográfica das espécies ruderais da
A., Ferreira, T., Ferrer, J., Ferro, V. G., Fontana, Vila de Santo Amaro, General Câmara, Rio Grande
C. S., Freire, M. D., Freitas, T. R. O., Galiano, do Sul. Iheringia, Série Botânica., 60(2), 175–188.
D., Garcia, M., Dos Santos, T. G., Gomes, L. R. Castro, L. R. B., Gracioli, C. R., Carvalho, A. V.
P., Gonzatti, F., Gottschalk, M. S., Graciolli, G., de, Dinardi, A. J., & Pessano, E. F. C. 2021.
Granada, C. E., Grings, M., Guimarães, P. S., Percepções de licenciandos em Ciências da
Heydrich, I., Iop, S., Jarenkow, J. A., Jungbluth, natureza sobre o Bioma. South American
P., Käffer, M. I., Kaminski, L. A., Kenne, D. C., Journal of Basic Education, Technical and
Kirst, F. D., Krolow, T. K., Krüger, R. F., Kubiak, Technological, 8(2), 731–750.
Díaz, S., Pascual, U., Stenseke, M., Martín-López, Marcondes, I. 2002. A influência da Urbanização
B., Watson, R. T., Molnár, Z., Hill, R., Chan, na distribuição da vegetação na cidade
K. M. A., Baste, I. A., Brauman, K. A., Polasky, de Curitiba – Paraná. Master thesis. Pós-
S., Church, A., Lonsdale, M., Larigauderie, Graduação em Engenharia Florestal, Setor de
A., Leadley, P. W., Van Oudenhoven, A. P. Ciências Agrárias da Universidade Federal do
E., Van Der Plaat, F., Schröter, M., Lavorel, Paraná. p. 90.
S., Aumeeruddy-Thomas, Y., Bukvareva, E., Menezes, L. S., Ely, C. V., Lucas, D. B., Minervini-
Davies, K., Demissew, S., Erpul, G., Failler, P., Silva, G. H., Vélez-Martin, E., Hasenack,
Guerra, C. A., Hewitt, C. L., Keune, H., Lindley, H., Trevisan, R., Boldrini, I. I., Pillar, V.
S., & Shirayama, Y. 2018. Assessing nature’s D., & Overbeck, G. E. 2022. Reference
contributions to people. Science, 359(6373), values and drivers of diversity for South
270–272. DOI: 10.1126/science.aap8826 Brazilian grassland plant communities.
Dresseno, A. L. P., & Overbeck, G. E. 2013. Structure and Anais Da Academia Brasileira de Ciências,
composition of a grassland relict within an urban 94(1), e20201079. DOI: 10.1590/0001-
matrix: potential and challenges for conservation. 3765202220201079
Iheringia, Série Botânica., 68(1), 59–71. Mohr, F. V., & Porto, M. L. 1998. Morro Santana:
Ferreira, P. M. A., Andrade, B. O., Podgaiski, L. o verde luxuriante nas encostas íngremes. In:
R., Dias, A. C., Pillar, V. D., Overbeck, G. E., R. Menegat, M. L. Porto, C. C. Carraro, & L. A.
Mendonça, M. D. S., & Boldrini, I. I. 2020. D. Fernandes (Eds.), Atlas ambiental de Porto
Long-term ecological research in southern Alegre. pp.81–82. Porto Alegre: Editora da
Brazil grasslands: Effects of grazing exclusion Universidade, UFRGS.
and deferred grazing on plant and arthropod Morin, Edgar. 2000. A cabeça bem-feita - repensar
communities. PLOS ONE, 15(1), e0227706. DOI: a reforma reformar o pensamento. 27th ed.
10.1371/journal.pone.0227706 Brasil: Bertrand: p. 128.
Flora e Funga do Brasil. 2023. Jardim Botânico do Moura, N.S.V. 2011. Geomorfologia: as formas
Rio de Janeiro. Retrieved on April 05th, 2023, de relevo dos morros de Porto Alegre. In: R.
from: http://floradobrasil.jbrj.gov.br/ Setubal, I. Boldrini, & P. Ferreira (Eds.), Campos
Grime, J. P. 2006. Plant Strategies, Vegetation dos Morros de Porto Alegre. pp. 33–38. Porto
Processes, and Ecosystem Properties. New Alegre: Igré Associação Sócio-Ambientalista.
Jersey: John Wiley & Sons: p. 466. Nabinger, C. & Dall’Agnol, M. 2019. Guia para
Hasenack, H., & Setubal, R. B. 2011. Distribuição e reconhecimento de espécies dos Campos
estado de conservação atual dos campos. In: R. Sulinos. Brasília: IBAMA: p. 132.
Setubal, I. Boldrini, & P. Ferreira (Eds.), Campos Neto, M. J., Maluf, A. C. D., & Boscaine, T. F. 2016.
dos Morros de Porto Alegre. pp. 89–93. Porto Plantas ruderais com potencial para uso
Alegre: Igré Associação Sócio-Ambientalista. alimentício. Cadernos de Agroecologia, 11(2).
Kinupp, V. F., & Lorenzi, H. 2014. Plantas Neto, M. J., Otsubo, H. C. B., & Cassiolato, A. M.
Alimentícias Não Convencionais (PANC) R. 2010. Plantas Ruderais. Campo Grande, MS:
no Brasil: Guia de identificação, aspectos Editora UFMS: p. 364.
nutricionais e receitas ilustradas. São Paulo: Oksanen, J., Simpson, G., Blanchet, F., Kindt, R.,
Instituto Plantarum de Estudos da Flora: p. 768. Legendre, P., Minchin, P., O’Hara, R., Solymos, P.,
Londo, G. 1976. The decimal scale for releves of Stevens, M., Szoecs, E., Wagner, H., Barbour, M.,
permanent quadrats. Vegetatio, 33, 61–64. Bedward, M., Bolker, B., Borcard, D., Carvalho,
Londe, P. R., & Mendes, P. C. 2014. A influência G., Chirico, M., De Caceres, M., Durand, S.,
das áreas verdes na qualidade de vida urbana. Evangelista, H., FitzJohn, R., Friendly, M.,
Hygeia - Revista Brasileira de Geografia Médica Furneaux, B., Hannigan, G., Hill, M., Lahti, L.,
e da Saúde, 10(18), 264–272. DOI: 10.14393/ McGlinn, D., Ouellette, M., Ribeiro Cunha, E.,
Hygeia1026487 Smith, T., Stier, A., Ter Braak, C., & Weedon, J.
Lorenzi, H. 2008. Plantas daninhas do Brasil: 2022. vegan: Community Ecology Package. R
terrestres, aquáticas, parasitas e tóxicas. 4th package version 2.6-4. Retrieved from https://
ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum: p. 676. CRAN.R-project.org/package=vegan.
Overbeck, G. E., Müller, S. C., Pillar, V. D., & Pfadenhauer, Ricotta, C., La Sorte, F. A., Pyšek, P., Rapson, G.
J. 2005. Fine-Scale Post-Fire Dynamics in Southern L., Celesti-Grapow, L., & Thompson, K. 2009.
Brazilian Subtropical Grassland. Journal of Phyloecology of urban alien floras. Journal of
Vegetation Science, 16(6), 655–664. Ecology, 97(6), 1243–1251. DOI: 10.1111/j.1365-
Overbeck, G. E., Müller, S. C., Pillar, V. D., & 2745.2009.01548.x
Pfadenhauer, J. 2006. Floristic composition, Rio Grande do Sul. 2013. Portaria Sema nº
environmental variation and species 79. Reconhece a lista de espécies exóticas
distribution patterns in burned grassland invasoras do estado do Rio Grande do
in southern Brazil. Brazilian Journal of Sul. Retrieved on April 05th, 2023, from
Biology, 66(4), 1073–1090. DOI: 10.1590/S1519- h t t p s : // w w w . s e m a . r s . g o v. b r / u p l o a d /
69842006000600015 arquivos/201612/23180118-portaria-sema-79-
Overbeck, G. E., Müller, S. C., Pillar, V. D., & de-013-especies-exoticasinvasoras-rs.pdf
Setubal, R. B. 2011. Propostas de manejo e Rolim, R. G., & Overbeck, G. E. 2023. Vegetação
conservação para os campos. In: R. Setubal, campestre nativa do bioma Pampa -
I. Boldrini, & P. Ferreira (Eds.), Campos dos caracterização de fragmento e conservação
Morros de Porto Alegre. pp. 95–98. Porto pelo uso. Iheringia, Série Botânica, 78.
Alegre: Igré Associação Sócio-Ambientalista. DOI:10.21826/2446-82312023v78e2023014.
Panasolo, A., Galvão, F., Higachi, H. Y., Oliveira, Rolim, R. G., Setubal, R. B., Casagrande, A.,
E. B. D., Campos, F., & Wroblewski, C. A. 2019. Rivas, M. I. E., Nardin, J. A. D., Proença, M. L.,
Percepção dos serviços ecossistêmicos de áreas Sandri, S. M., Bonilha, C. L., & Boldrini, I. I.
verdes urbanas de Curitiba/PR. BIOFIX Scientific 2014. Composição e estrutura de vegetação
Journal, 4(1), 70. DOI: 10.5380/biofix.v4i1.64451 campestre em áreas com orientação norte e sul
Pantaleão, C. C., & Cortese, T. T. P. 2022. Campus no Jardim Botânico de Porto Alegre, RS, Brasil.
universitário como laboratório vivo para Iheringia, Série Botânica., 69(2), 433–449.
Sustentabilidade: uma análise bibliométrica. Rolim, R. G., de Ferreira, P. M. A., Schneider, A. A.,
Sustentabilidade: Diálogos Interdisciplinares, & Overbeck, G. E. 2015. How much do we know
3, 1–13. DOI: 10.24220/2675-7885v3e2022a6948 about distribution and ecology of naturalized
Pillar, V. D. P. & Lange, O. (Eds.) 2015. Os campos and invasive alien plant species? A case study
do Sul. Porto Alegre: Rede Campos Sulinos- from subtropical southern Brazil. Biological
UFRGS: p. 192. Invasions, 17(5), 1497–1518. DOI:10.1007/
Porto, A. B., Rolim, R. G., Silveira, F. F. da, Overbeck, s10530-014-0811-1
G. E., & Salatino, A. 2021. Consciência Campestre: Schneider, A. A., & Irgang, B. E. 2005. Florística e
um chamado para o (re)conhecimento aos fitossociologia de vegetação viária no município
campos. Bio Diverso, 1(1), 164–188. de Não-Me-Toque, Rio Grande do Sul, Brasil.
Queiroz, R., Teixiera, H., Veloso, A., Terán, A., & Iheringia, Série Botânica., 60(1), 49–62.
Queiroz, A. G. de. 2017. A caracterização dos Setubal, R. B., Boldrini I. I. & Ferreria, P. M. A
espaços não formais de educação científica (Eds.). 2011. Campos dos morros de Porto
para o ensino de ciências. Revista Areté - Revista Alegre. Porto Alegre: Igré - Associação Sócio-
Amazônica de Ensino de Ciências, 4(7), 12–23. Ambientalista: p. 256.
R Core Team. 2022. R: A language and environment Setubal, R. B & Boldrini, I. I. 2011. A flora campestre
for statistical computing. R Foundation dos morros. In: R. Setubal, I. Boldrini, & P.
for Statistical Computing, Vienna, Austria. Ferreira (Eds.), Campos dos Morros de Porto
Retrieved from https://www.R-project.org/. Alegre. pp. 59–63. Porto Alegre: Igré Associação
R Core team 2020. R: A Language and Environment Sócio-Ambientalista.
for Statistical Computing. Retrieved from Silveira, F. A. O., Ordóñez-Parra, C. A., Moura, L.
https://www.R-project.org/. C., Schmidt, I. B., Andersen, A. N., Bond, W.,
Rambo, B. 1994. A fisionomia do Rio Grande do Buisson, E., Durigan, G., Fidelis, A., Oliveira,
Sul: ensaio da monografia atual. 3rd ed. São R. S., Parr, C., Rowland, L., Veldman, J. W.,
Leopoldo: UNISINOS: p. 456. & Pennington, R. T. 2022. Biome Awareness
Disparity is BAD for tropical ecosystem