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Ética e Deontologia na Medicina Moderna

O documento discute os conceitos de ética, deontologia e bioética na medicina, incluindo a história da ética médica desde as culturas primitivas até a era moderna. Aborda tópicos como o paternalismo hipocrático, o juramento hipocrático e o desenvolvimento do consentimento informado.

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Ética e Deontologia na Medicina Moderna

O documento discute os conceitos de ética, deontologia e bioética na medicina, incluindo a história da ética médica desde as culturas primitivas até a era moderna. Aborda tópicos como o paternalismo hipocrático, o juramento hipocrático e o desenvolvimento do consentimento informado.

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ÉTICA (Ethos: hábito/morada)

Þ Ocupa-se dos costumes, da moral e dos deveres do Homem


Þ O que é bom para o indivíduo e para a sociedade
Þ Conceito universal, aplicável a todas as actividades do Homem
Þ Importante na Medicina
o Bem-estar
o Saúde do ser Humano
o Luta contra a doença

Ética Médica:

São as práticas, atitudes e comportamentos que visam:

Þ Preservação da dignidade Humana


Þ Respeitos pelos direitos fundamentais do Homem

Num contexto de responsabilidade profissional.

Exige:
Þ Respeito pela autonomia do paciente
Þ Espírito de tolerância, prudência e humildade
Þ Humanização da relação médico-doente

DEONTOLOGIA (conjunto de deveres ou regras de conduta)

Deontologia Médica: conjunto de deveres inerentes ao exercício e conduta profissional na


área da saúde. A sua base orientadora, a todos os níveis de actuação, é o CÓDIGO DEONTOLÓGICO
DA ORDEM DOS MÉDICOS.

Assim, o médico deve:


Þ Pautar a sua actividade pelos princípios éticos
Þ Respeitar a vida Humana e salvaguardar a sua dignidade

DIREITO MÉDICO (preceitos legais que regem e codificam o exercício da Medicina)


o Normas da constituição da República Portuguesa
o Código Penal
o Código Civil
Difere da deontologia na medida em que esta decorre da ética, enquanto que o “acto criador
do direito” são as leis.

BIOÉTICA (Plano interdisciplinar de reflexo no âmbito das ciências da vida)


Abrange múltiplas áreas como a biologia, física, sociologia, etc.
Até meados do século XX
Þ Deontologia profissional:

1
o Garantir o bom exercício profissional através da pureza dos princípios éticos e
sua regulamentação.
Þ Ética de inspiração hipocrática

Conhecimento Progresso

Bem
Valor absoluto
inquestionável

A nova bioética foi condicionada por:


Þ Abusos na experimentação em seres humanos
Þ Novas tecnologias
Þ Insuficiência das referências éticas tradicionais

Conhecimento Progresso

Aceite caso a
Subordinado às
preservação do ser
finalidades
Humano seja o
Humanas
único referencial

O seu objectivo é planear as atitudes que a Humanidade deve tomar ao interferir com:

Þ Nascer
Þ Morrer
Þ Qualidade de vida
Þ Interdependência dos seres vivos
Þ Sobrevivência do Homem no nosso planeta

É imprescindível para

Þ Preservarmos a nossa identidade


Þ Não cedermos face a novos poderes
Þ Cuidarmos do nosso destino

2
HISTÓRIA DA ÉTICA MÉDICA

CULTURAS PRIMITIVAS

Þ Fase mítica da Medicina


o Após a Idade da Pedra
o Conhecimentos empíricos e crenças
o Sacerdotes/Médicos: intermediários entre a divindade e a doença
Þ Enfermidade Externas
o Feridas e traumatismos (cirúrgicas)
Þ Enfermidades Internas
o Possessão por espíritos malignos (bruxas)
o Castigo por pecados (sacerdotes)

Saúde Doença

Graça Desgraça

FILOSOFIA NATURALISTA

Þ Doença
o Como estado contra-natura
o Extravasa o âmbito religioso
o Entregue ao cuidado de cirurgiões

Saúde Doença

Ordem Desordem

ESCOLA MÉDICA DE CÓS

Þ Medicina libertada da magia


Þ Causas e manifestações das doenças
o Fenómenos naturais
o Sujeitos a leis
Þ Profissão médica tinha um código de conduta

3
MEDICINA HIPOCRÁTICA (séc. IV a.C.)

Inserida em circunstâncias sociais próprias da época. O Mundo ordenado “ajustado à


Natureza”

Þ PRINCÍPIOS
o Observação desarmada
o Medicina de cabeceira (espaço próprio)
o Anamnese e exame físico (exame disciplinado de sinais e sintomas)
o Olhar, falar, ouvir, palpar (manifestação de interesse)
o Captar a confiança do doente

Anamnese Diagnóstico Prognóstico


Abordagem
•Descrever o •Conhecer o •Predizer o
da doença passado presente futuro

Þ FUNDAMENTOS
o PRINCÍPIO HIPOCRÁTICO
§ Ajudar
§ Pelo menos não causar doença

o TRIÂNGULO HIPOCRÁTICO
§ A arte consta de três elementos:

o PATERNALISMO HIPOCRÁTICO
§ O médico é servidor do doente
§ É preciso o doente ofereça resistência à doença juntamente com o
médico
§ Relação médico doente vertical (“pai e filho”, o médico manda e o
doente obedece)

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Þ JURAMENTO HIPOCRÁTICO
o Veneração do Mestre
o “Conservarei imaculada a minha vida e a minha arte”
o “A ninguém darei remédio mortal”
o “Não darei a nenhuma mulher substância abortiva”
o Obrigação de guardar segredo
o “Não farei uso de bisturi nem mesmo com os que sofrem de mal de pedra,
deixarei esta prática aos que a realizam” (dicotomia Medicina/Cirurgia)

IDADE MÉDIA

Þ MARGINALIZAÇÃO DA CIRURGIA
o Integrada nos ofícios servis, como a agricultura, guerra, caça, etc.
Þ MEDICINA
o Perda de excelência
o Exaltação do paternalismo
§ Fossilização do Hipocratismo
Þ CONCEITOS ÉTICOS
o Etiqueta
o Burocratizam-se em:
o Códigos Deontológicos baseados nos paradigmas do Direito Romano:
§ Viver honestamente (deveres para consigo mesmo)
§ Não causar danos a ninguém (deveres para com os doentes)
§ Dar a cada um o que lhe é devido (deveres para com os colegas e para
com a sociedade)

UNIVERSIDADES MEDIEVAIS

Þ Influências incontornáveis
o Escolas maiores (pendor sacerdotal)
o Escolas menores

SÉCULO XIX

Þ MEDICINA
o Tecnociência
o Associada a outras tecnologias (biológicas, científicas, físicas)
o Forte impacto social

Þ ÉTICA
o Repercussão para a relação médico-doente
o Conflitos de interesse que não podem ser geridos dentro da classe médica
o Participação de:
§ Especialistas de outras áreas (biólogos, economistas, políticos, etc.)
§ Sociedade

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CONSENTIMENTO LIVRE E INFORMADO

Þ PRINCÍPIOS HIPOCRÁTICOS
o Princípio da beneficência (bem dos enfermos)
o Paternalismo Médico
o Regime de confiança

No século XX:

Causa Consequência
•Melhoria das condições sociais •Alteração da relação médico-doente
•Evolução cultural •Destaca-se o princípio da autonomia e
•Facilidades de acesso à informação do respeito da vontade do indivíduo
•Mais fácil acesso ao acto médico, em oposição ao paternalismo médico
exames de diagnóstico e atitudes e ao princípio de beneficência
terapêuticas •Consentimento do doente

CONSENTIMENTO: juízo feito em liberdade, sobre assunto ou matéria conhecida, tendo


implícitos a verdade e o esclarecimento.

Estas condições só podem ser reunidas com base numa boa relação médico-doente. No
entanto, tal é por vezes difícil devido a dificuldades:

Þ Doente
o Reconhecer “o seu médico”
o Aceder aos actos médicos
Þ Médico
o Falta de tempo / excessivo número de doentes
o Receio de cometer erros ou ser acusado de negligência (Medicina Defensiva)

Para que exista consentimento informado ou consentimento – participação

Þ Doente tem de reconhecer no médico o princípio da beneficência


Þ Médico tem de respeitar o princípio da autonomia do doente

O consentimento é uma inclusão obrigatória, uma exigência jurídica que se estende a todas as
áreas. O médico deve procurar esclarecer o doente, a família ou quem legalmente o
representa, acerca dos métodos de diagnóstico ou terapêutica que pretende aplicar. O doente
conhecer informações pessoais de saúde não é sinónimo de acesso ao seu processo clínico.

Para efeitos de direito penal não é necessário qualquer documento.

É um documento necessário ao doente queixoso para efeitos de prova.

Há o risco deste documento se tornar uma rotina no processo administrativo.

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DIVISÃO CLASSIFICATIVA DOS CONSENTIMENTOS

Þ CONSENTIMENTO PRESUMIDO
o O doente é que procura o médico (pressuposto de confiança)

Þ CONSENTIMENTO EXPRESSO
o Documento escrito assinado pelo doente
o Protecção legal
o Obrigatório em:
§ Ensaios clínicos
§ Interrupção médica da gravidez
§ Procriação medicamente assistida
§ Colheita e transplante de órgãos, tecidos e células de origem humana

Þ CONSENTIMENTO IMPLÍCITO
o Numa emergência médica (não há nenhum dos anteriores, no entanto a
intervenção médica é mandatória)
o Éticamente aceitável desde que não exista conhecimento prévio que o doente
recusaria.

O consentimento exige assim capacidade de:

Þ Apreender e compreender informação


Þ Analisar e ponderar essa mesma informação
Þ Decidir

No entanto, muitos doentes encontram-se privados destas capacidades, como seja o caso de
crianças, inconscientes, senis, débeis mentais, psicóticos, drogados, etc.

Nestes casos devem ser ponderados os três vectores:

Þ Autonomia do doente (existe para lá da capacidade de expressão naquele momento)


Þ Beneficência do profissional de saúde
Þ Subsidiariedade dos familiares e/ou eventuais representantes legais

A RECUSA DE TRATAMENTO

Þ Consequência do processo de obtenção do consentimento


Þ Doente capaz/competente sob o ponto de vista jurídico para tomar tal decisão
Þ Médico tem de informar
o Consequências da recusa
o Benefícios e inconvenientes do tratamento
Þ Médico pode exigir que esta recusa seja formulada por escrito e testemunhada

7
Þ Quanto a menores de idade:
o Pais não podem nem devem recusar tratamento numa situação de risco grave
o Caso isto aconteça há possibilidade de suspensão temporária da autoridade

Þ Quanto a testemunhas de Jeová:


o Em situações de extrema urgência prevalece o dever de agir decorrente do
princípio de beneficência.

Þ Casos de perigo para a vida:


o Recusa só pode ser feita pelo próprio, pessoal, expressa ou livremente

Þ Não é possível recusar tratamento se:


o Se tratar de uma doença de elevada contagiosidade, com risco de originar
epidemias.

SEGREDO MÉDICO (“tudo o que se ouça ou veja e não seja preciso que se divulgue”)

Dever do médico e direito do doente à confidencialidade. NÃO É ABSOLUTO.

Segundo o código deontológico da ordem dos médicos:

Þ Abrange todos os factos que tenham chegado ao conhecimento do médico.


Þ Existe quer o serviço solicitado tenha sido ou não prestado
Þ Abrange todos os doentes
Þ É proibido o médico enviar doentes a entidades não vinculadas com segredo médico, a
menos que o doente tenha consentimento expresso

É obrigado a médicos, enfermeiros, técnicos de saúde, auxiliares, estudantes de medicina e


enfermagem.

FICHA CLÍNICA

Þ Obrigatoriedade de guardar segredo das informações que constam no processo


individual
Þ Exames complementares de diagnóstico e terapêutica poderão ser fornecidos caso o
doente os solicite (podem ser cópias)
Þ Ética e legalmente os doentes têm o direito de conhecer a sua ficha clínica
o Legalmente: ficha é um objecto propriedade do médico ou instituição
o Éticamente: a informação nela contida pertence ao doente
Þ Salvo regulamentação em contrário, o médico ou instituição guardam as fichas
originais, terão de fornecer cópia ao doente contra requisição escrita por parte do
mesmo
Þ O direito de acesso à informação é exercido por intermédio do médico
Þ A comunicação de dados de saúde é feita por intermédio de médicos se o doente o
solicitar

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DISCUSSÃO / PUBLICAÇÃO DE CASOS CLÍNICOS

Þ O médico pode servir-se das suas observações clínicas para as suas publicações, desde
que não seja possível a identificação do doente.
Þ É de condenar:
o Ter como objectivo a exibição pessoal e a promoção profissional
o Publicação de fotos identificativas do doente
o Discussão em público dos casos clínicos
Þ A comunicação entre médicos deve ter reservas e limites, sendo reduzida “ao que é
necessário, pertinente e não excessivo”
Þ O doente:
o Deve participar na partilha ou dar o seu consentimento
o Deve ter conhecimento que o seu caso vai ser discutido ou publicado

REVELAÇÃO DO SEGREDO PROFISSIONAL

Apenas caso:

Þ IMPOSTA POR LEI


o Médico como testemunha ou perito em tribunal, não poderá prestar
depoimentos sobre matéria de segredo profissional
o Quando o médico alega segredo profissional é necessária uma declaração da
ordem dos médicos a atestar a natureza inviolável do segredo

Þ AUTORIZADA PELO INTERESSADO ESCLARECIDO


o Consentimento do doente
o Quando necessária à defesa da dignidade do médico ou do doente, com prévia
consulta do presidente da ordem
o Quando se presume ou fica explícito o consentimento: atestado médico e
relatório clínico

Þ PEDIDO PELOS REPRESENTANTES LEGAIS


o Dados não devem ser transmitidos pois além da sua transmissão ser inútil, a
dignidade do doente assim o impõe
o Podem ser partilhados se esses dados, desconhecidos da família, forem
importantes para que, em conjunto com o médico, se procurem as melhores
soluções
o Família pode solicitar ao médico explicação da situação clínica em moldes que
podem colidir com os direitos do doente à confidencialidade

Þ POR “JUSTA CAUSA”


o Medidas de defesa sanitária, indispensáveis à salvaguarda da vida e da saúde
de outras pessoas
o Situação de justa causa em que não pode ser considerada a quebra de
confidencialidade em termos éticos, deontológicos e até legais

9
o Diálogo e esforço de convencimento para que seja o doente a partilhar o
segredo

Quem, sem consentimento, revelar segredo alheio é punido com pena de prisão até 1 ano ou
com pena de multa até 240 dias. Este procedimento criminal depende de queixa ou
participação.

Não haverá que considerar segredo quando é o doente quem o leva aos tribunais.

A confidencialidade dos doentes pode ser posta em risco por:

Þ Telemedicina
Þ Comunicação social

Por vezes o médico encontra-se num dilema entre o dever básico de guardar sigilo e a
obrigação de falar.

PERÍCIAS MÉDICO-LEGAIS

Poderão ser realizadas, por indicação do instituto médico-legal, em serviço de saúde. O


Instituto Nacional de Medicina Legal pode solicitar as informações e elementos necessários
aos desempenho das suas funções, no âmbito de processo judiciais em curso.

Þ PERÍCIAS URGENTES
o Um perito em serviço de escala em cada delegação e gabinete médico-legal
o Só se aplica a gabinetes que disponham de peritos no quadro do instituto em
número suficiente para assegurar o período de prevenção

Þ DENÚNCIA DE CRIMES
o Delegações e gabinetes médico-legais podem receber denúncias de crimes,
devendo remetê-las, o mais rapidamente possível ao Ministério Público
o Sempre que necessário, estas delegações e gabinetes podem praticar actos
cautelares necessários e urgentes para assegurar os meios de prova,
procedendo ao exame, colheita, preservação de vestígios, sem prejuízo das
competências legais da autoridade policial à qual competir a investigação.

Þ RESPONSABILIDADE
o Médicos e outros técnicos gozam da autonomia e são responsáveis pelas
perícias, relatórios e pareceres por si efectuados
o Peritos são obrigados a respeitar as normas, modelos e metodologias periciais,
bem como as recomendações decorrentes da supervisão técnico-científica dos
serviços.

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Þ OBRIGATORIEDADE DE SUJEIÇÃO A EXAMES
o Ninguém pode excluir-se a ser submetido a qualquer exame médico-legal
quando este se mostrar necessário ao inquérito ou à instrução de qualquer
processo, e desde que ordenado pela autoridade judiciária competente nos
termos da lei.

DENÚNCIA DE CRIMES

Existem três tipos legais de crimes:

Þ CRIMES PÚBLICOS
o Basta notícia do crime para o Ministério Público exercer acção penal,
independentemente da vontade do ofendido
o A notícia pode chegar ao Ministério Público através da denúncia de: polícia
criminal, vítima, Instituto Nacional de Medicina Legal ou serviços de saúde
o A denúncia destes crimes é obrigatória a entidades policiais e a funcionários
da administração pública
o São eles:
§ Violência doméstica (cônjuge, ex-cônjuge, progenitor)
§ Maus tratos (pessoa menor, indefesa, à guarda ou a trabalhar para
este)
§ Crimes sexuais contra menores (coacção sexual, violação, abuso sexual
de pessoa incapaz de resistência ou internada)

Þ CRIMES SEMI-PÚBLICOS
o O ofendido tem de apresentar queixa
o São eles:
§ Actos sexuais com adolescentes (dos 14 aos 16 anos) com abuso da
inexperiência
§ Crimes sexuais contra maiores (violação, coacção, abuso de pessoa
incapaz de resistência e importunação sexual)
o Quando um destes tipos de crime resulta em suicídio ou morte da vítima,
passa a ser considerado como crime público.

Þ CRIMES PARTICULARES
o É necessário um processo de:
§ Queixa da vítima
§ Com constituição de assistente
§ Para que haja acusação particular

O Ministério Público e os tribunais necessitam de ajuda na toma de decisões e execução das


mesmas. Para tal, recorrem a serviços prisionais e de reinserção social para a execução e, para
a ajuda na decisão, aos órgãos policiais criminais (OPC’s) e aos serviços médico-legais. Estes

11
últimos apoiam esta decisão através da apreciação de factos que requeiram especiais
conhecimentos médicos e biológicos. Assim, os serviços médico-legais intervêm:

Þ Mediante despacho da autoridade judiciária competente


Þ Mediante solicitação dos órgãos de polícia criminal
Þ Recepção de denúncias de crimes
Þ Procedimentos em crimes públicos (receber a denúncia e transmiti-la de imediato ao
Ministério Público)
Þ Em crimes sexuais cometidos contra menores:
o Examinar o menor
o Receber a denúncia e transmiti-la ou efectuar uma denúncia, sempre
acompanhada de relatório pericial.
o Comunicar de imediato à Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ)
da respectiva área de residência.
Þ Em caso de suspeita:
o De que o examinado é vítima de crime público não identificado no processo,
tal suspeita deve constar no relatório pericial ou constituir documento de
denúncia, os quais devem ser enviados imediatamente ao Ministério Público.
o De que outra pessoa do agregado familiar do examinado é vítima de crime
público, a suspeita deve ser transmitida de imediato ao Ministério Público sob
forma de denúncia.
Þ Intervenção dos peritos do Instituto Nacional de Medicina Legal nos casos de prática
de actos cautelares necessários e urgentes para assegurar os meios de prova
Þ Casos urgentes:
o Princípio da recepção imediata
o Realização de actos urgentes
§ Preservar ou documentar os vestígios e outros sinais de prática de
crime
§ Melhor interesse da vítima, com evitamento da vitimação secundária
(por exemplo quando esta está muitas horas à espera)
Þ Consentimento do examinando ou representantes legais
o Livre
o Esclarecido
Þ Em casos de violência doméstica (consentimento: ver slide)

Os serviços de saúde e respectivos profissionais têm o seu papel na:

Þ Realização de exames clínicos de urgência e documentação das lesões


Þ Eventual realização de exames de recolha de vestígios ou produtos biológicos. Deve
ser feita em articulação com o Instituto Nacional de Medicina Legal.
Þ Denúncia de crime

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ORDEM DOS MÉDICOS

CARACTERÍSTICAS

Þ Democrática
o Vida Interna
§ Eleição e destituição de dirigentes
§ Livre discussão de todas as questões
o Organização
§ Plenário dos conselhos regionais
§ Conselho Nacional Executivo (CNE)

Þ Independência de:
o Estado
o Formações políticas
o Instituições religiosas
o Outras organizações

Þ Carácter Descentralizador
o Órgãos Nacionais
o Órgãos Regionais
o Órgãos Distritais

Þ Organigrama
o Órgãos de competência genérica
§ Nacional (presidente, plenário dos conselhos regionais, CNE e conselho
fiscal nacional)
§ Regional (assembleia regional, conselho regional e conselho fiscal
regional)
§ Distrital (assembleia e conselho distrital)
o Órgãos de competência disciplinar
§ Conselho Nacional de Disciplina
§ Conselho Disciplinar Regional
o Órgãos Consultivos
§ Conselho Nacional de Ética e Deontologia Médica
§ Conselho Nacional de Ensino e Educação Médica
§ Conselho Nacional do Serviço Nacional de Saúde
§ Conselho Nacional do Exercício Técnico da Medicina
§ Conselho Nacional da Segurança Social dos Médicos
§ Colégio de Especialidades

OBJECTIVOS

Þ Qualificação médica
Þ Defesa dos profissionais
Þ Respeito pelo direito à saúde

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Þ Humanização da Medicina
Þ Regulação disciplinar

PODER

Þ Poder Legal
o Por delegação do Estado:
§ Estatuto da Ordem dos Médicos
§ Código Deontológico
§ Estatuto Disciplinar
Þ Poder Moral
o Perante a actuação dos médicos em geral
o Perante a actuação específica da Ordem

CÓDIGO DEONTOLÓGICO

Ver aula T7

ENSAIOS CLÍNICOS

PRINCÍPIOS ÉTICOS DA INVESTIGAÇÃO CLÍNICA

O principal objectivo da investigação é o de melhorar os cuidados médicos em benefício dos


doentes que no futuro venham a sofrer da doença em estudo. No entanto, os MÉTODOS usados
para tal podem levantar problemas de índole ética. Assim o médico deve reger-se por alguns
princípios específicos:

Þ O doente não deve ser usado como meio para alcançar um fim, salvo se houver
potencial benefício para o mesmo.
Þ Não permitir que algo de mal aconteça ao doente, devendo para tal serem
ponderados os benefícios e os riscos. (ex. drogas anti-neoplásicas)
Þ Não iludir ou enganar o doente
o Pedir consentimento informado
o Seguir a legislação nacional e internacional (evitam que o doente seja
enganado)
o Seguir os regulamentos institucionais
Þ Os interesses individuais dos doentes sobrepõem-se a quaisquer outros

DECLARAÇÃO DE HELSÍNQUIA DA ASSOCIAÇÃO MÉDICA MUNDIAL DE 1964

Define os princípios básicos da investigação médica. São 16:

14
Þ É dever do médico proteger a vida, a saúde, a privacidade e a dignidade do indivíduo
Þ A investigação com Humanos deve recorrer às regras da ciência
Þ Os modelos e as características de um procedimento experimental devem ser
formulados num protocolo experimental e posteriormente aprovado pela comissão de
ética independente
Þ O protocolo deve ter sempre em conta considerações éticas e indicar a sua
concordância com os princípios enunciados
Þ A investigação médica com seres humanos deve ser conduzida exclusivamente por
pessoas com qualificação científica e sob a supervisão de pessoal médico competente.
A responsabilidade é sempre do médico
Þ Os riscos e benefícios devem ser sempre avaliados
Þ Só devem ser desenvolvidos projectos em que os riscos possam ser ultrapassados. Se
os riscos forem superiores aos benefícios, a investigação deve ser suspensa.
Þ A investigação só se justifica quando há forte presunção de benefícios.
Þ Os participantes devem ser voluntários e estarem informados
Þ A integridade dos indivíduos deve ser sempre salvaguardada, bem como o respeito
pela privacidade e confidencialidade
Þ Os participantes devem ser informados dos objectivos, métodos, fontes de
financiamento, conflitos de interesse, benefícios e riscos. Deve ser obtido
consentimento informado por escrito. Deve assegurar-se que o individuo pode
abandonar o estudo a qualquer momento, sem represálias.
Þ Consentimento deve ser obtido de forma livre e informada. De preferência não se
devem incluir crianças ou incapazes nos projectos
Þ Os autores e editores têm obrigações éticas na publicação dos resultados
Þ Os médicos podem associar a investigação com os cuidados de saúde desde que haja
benefício em termos profilácticos, de diagnóstico ou tratamento
Þ Os benefícios, riscos e eficácia de um novo método devem ser testados contra os
melhores existentes, podendo recorrer-se a placebo
Þ Na conclusão do estudo deve ser garantido a qualquer doente participante a
possibilidade de acesso ao que provou ser melhor

ENSAIOS CLÍNICOS

Trata-se de qualquer investigação conduzida em seres humanos destinada a descobrir ou


verificar os efeitos clínicos ou farmacológicos de medicamentos experimentais, ou identificar
efeitos indesejáveis, ou apurar a segurança ou eficácia do medicamento experimental.

Þ Good Clinical Practice (GCP)


o Normas segundo as quais os ensaios clínicos são planeados, implementados e
relatados, por forma a haver uma garantia de credibilidade e para que os
direitos, integridade e confidencialidade dos participantes estejam
salvaguardados.

15
o Nasceu nos Estados Unidos da América como guidelines. No entanto, à medida
que foram sendo implementadas, começaram a haver divergências entre as
GCP’s americanas, europeias e japonesas. Assim, em 1996 vários
representantes aprovaram a ICH GCP, reconhecidas universalmente. Estas
garantem:
§ A protecção dos indivíduos integrados nos ensaios clínicos
§ Que os estudos são fundamentados em princípios científicos
correctos, bem desenhados e avaliados
§ Que os procedimentos são garantidos e documentados
o As componentes da ICH GCP são:
§ Protecção das pessoas sujeitas aos ensaios clínicos e consulta às
comissões de ética
§ Responsabilidades
§ Tratamento de dados
§ Estatística
§ Controlo de qualidade
§ Anexos

Þ Consentimento Informado
o Revelação (forma como o médico informa o doente)
o Capacidade (forma como o doente entende a informação, avalia e comunica a
sua escolha)
o Consentimento voluntário (doente escolhe livremente sem qualquer coacção)

Um doente participativo bem informado contribui significativamente para melhores resultados


e para uma boa aderência ao tratamento.

Num ensaio de investigação o consentimento deve ainda ser mais rigoroso e formal,
abrangendo:

o Tipo de investigação
o Riscos e benefícios
o Carácter não provado da investigação
o As alternativas à não participação
o A liberdade de não participar ou abandonar o ensaio clínico sem constrangimentos e
com garantia de cuidados médicos

Assim, estes documentos tendem a ser criticados por serem:

o Muito extensos
o De leitura e interpretação difíceis para grande parte dos doentes
o Pouco informativos e mais preocupados com aspectos legais
o Escritos em linguagem muito técnica
o Não adaptados culturalmente a determinados grupos

16
Þ Legislação Portuguesa (Lei 46/2004 de 19 de Agosto)
o Artigo 6º - Condições mínimas de protecção dos participantes
§ Entrevista prévia com o investigador para explicar os objectivos,
benefícios e riscos.
§ Informação do direito de abandono a qualquer momento
§ Assegurar a integridade moral e física e o direito à privacidade
§ Obtenção de consentimento livre
§ Seguro
§ Designação de contacto para informações mais detalhadas
§ Participante pode revogar, a todo o tempo, o consentimento livre
§ A revogação não carece de forma especial
o Artigo 18º - Competências da comissão de ética para a investigação clínica
§ Definir requisitos materiais e humanos que as Comissões de Ética para
a Saúde (CES) devem reunir
§ Emitir pareceres sobre os ensaios clínicos
§ Receber e validar o pedido de parecer apresentado pelo promotor
§ Acompanhar a actividade das CES
§ Relatório anual

TIPOS DE ENSAIOS CLÍNICOS

Þ FASE I – medicamento testado em humanos pela primeira vez


o Determinar a tolerância (dose máxima tolerável, toxicidade limitativa)
o Farmacologia (biodisponibilidade, depuração plasmática, biotransformação)
o Efeito terapêutico

Þ FASE II
o Efeito terapêutico, ou seja, eficácia
o Relação dose / resposta
o Efeitos não terapêuticos

Þ FASE III
o Eficácia terapêutica (comparativamente ao tratamento standart)
o Efeitos não terapêuticos (efeitos tóxicos toleráveis)
Þ FASE IV – medicamento já aprovado e comercializado
o Eficácia terapêutica
§ Integração do tratamento médico no tratamento inicial em conjunto
com a cirurgia e/ou radioterapia
o Comparar com o protocolo terapêutico standart
o Efeitos não terapêuticos
§ Monitorizar efeitos tóxicos a longo prazo

17
Consentimento informado para as diferentes fases dos ensaios clínicos em ONCOLOGIA:

Þ FASE I - motivação de participação


o Benefício terapêutico (normalmente menos de 5%)
o Melhoria dos sintomas
o Influência do médico
o Pressão familiar
o Possibilidade de cura
o Melhores cuidados médicos
o Contributo para a investigação

Þ FASE II
o Maiores expectativas de benefícios
o Maior toxicidade
§ Droga administrada na dose máxima
§ Não há escalonamento como na primeira fase
o Caso os primeiros 14 doentes consecutivos não responderem o tratamento é
suspenso

Þ FASE III
o Necessária a randomização
o Fronteira entre a investigação clínica e o tratamento é muito pouco nítida
o Controvérsia no termo “confiança equivalente”
§ O investigador deve estar genuinamente convencido dos méritos dos
diferentes tratamentos propostos
o Para participação nesta fase:
§ Comunidade médica tem de estar consciente da “confiança
equivalente”
§ Médico investigador não tem preferências
§ Doente consciente da incerteza

FARMACÊUTICA
Os responsáveis pela realização do estudo são:

Þ PROMOTOR
o Responsável pela concepção, realização, gestão ou financiamento do ensaio
clínico (ex. empresa farmacêutica)
Þ MONITOR
o Profissional, designado pelo promotor, para acompanhar o ensaio clínico,
mantendo este último informado sobre a evolução do mesmo.
Þ INVESTIGADOR
o Responsável pela realização do ensaio clínico, está no centro deste.

As competências do promotor são:


Þ Apresentar o pedido de parecer

18
Þ Requerer autorização ao INFARMED
Þ Celebrar o contracto financeiro com o centro de ensaio, no qual devem constar:
o Custos directos (remuneração do investigador e restante equipa)
o Custos indirectos (exames complementares de diagnóstico, internamentos,
despesas e prejuízos dos participantes)
o Prazos de pagamento

Þ Propor um investigador
Þ Estabelecer e manter um sistema de vigilância e segurança do ensaio clínico
Þ Notificar a conclusão do ensaio clínico

ENSAIOS CLÍNICOS EM PORTUGAL


Há dificuldade em recrutar voluntários. A maioria dos ensaios clínicos realizados no nosso país
são de fase III. Sendo 45% destes efectuados sobre medicamentos biológicos. As áreas de
investigação mais comuns são: antineoplásicos, imunomoduladores, sistema nervoso central,
anti-infecciosos, sistema cardiovascular, sistema respiratório e sistema genital.
Antes do ensaio:

Þ Elaboração do pedido ao INFARMED (autorização)


Þ Elaboração do pedido à CEIC (parecer favorável)
Þ Obtenção de consentimento informado
Þ Obtenção de garantias de colaboração
Þ Seguro obrigatório
Þ Desenvolvimento de protocolos (documento que expõe as razões, objectivos e
métodos do ensaio clínico)
Þ Brochura de investigador
Þ Centros de ensaio clínico, investigador e equipa
Þ Selecção de participantes

Durante o ensaio:

Þ Monitorização
Þ Opção de cessação
Þ Informação
Þ Tratamento de dados
Þ Prescrições terapêuticas
Após o ensaio:

Þ Apresentação, publicação ou divulgação dos resultados


Þ Acompanhamento do paciente

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O promotor e o investigador respondem, solidária e independentemente, pelos danos
patrimoniais ou não patrimoniais sofridos pelos participantes, imputáveis ao ensaio.
O seguro é obrigatório, sendo um requisito de acessibilidade ao ensaio clínico e
representando uma garantia de indeminização à vítima, bem como de protecção do promotor
e do médico.

FIM DE VIDA
Ética médica em medicina intensiva:
Þ Curar: algumas vezes
Þ Aliviar: muitas vezes
Þ Confortar: sempre

Princípio éticos orientadores:


Þ Prestação de cuidados médicos de qualidade e senso comum
Þ Tratamento com tudo O QUE DEVE SER FEITO e NÃO COM O QUE PODE SER FEITO
Þ Doente tem direito a:
o Receber os tratamentos apropriados
o Obter informação correcta e adequada
o Aceitar ou recusar os tratamentos

Objectivos da intervenção médica nas Unidades de Cuidados Intensivos:

Þ Manter uma vida com significado


Þ Aliviar o sofrimento
Þ Evitar danos para o doente
Þ Recuperar o estado de saúde
O objectivo final será a recuperação total do doente de modo a proporcionar-lhe a
participação plena na sociedade.

FUTILIDADE TERAPÊUTICA
Þ Devem evitar-se os cuidados médicos excessivos e desajustados, cujo único fim seja
prolongar o momento da morte
Þ Os conceitos religiosos, sociais, éticos, educacionais e económicos têm evoluído
devido à informação:
o Conceito de morte (coração vs. funcionamento cardíaco)
o Diagnóstico de morte cerebral (manutenção para dádiva de órgãos)

Þ Evolução das tecnologias que prolongam a vida (ventilação artificial)

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Þ Terminologia utilizada com:
o Sensibilidade (descontinuamento dos cuidados vs. tratamento intensivo,
futilidade vs. tratamento não apropriado)
o Precisão (eutanásia vs. distanásia)
o Carga emocional (autonomia e paternalismo)
Þ Equivalência de valor
o Não prescrição (withhold) tem o mesmo significado do ponto de vista ético
que a suspensão da terapêutica (withdraw)

Þ Decisão tomada pelo:


o Próprio, sob a forma de testamento escrito ou verbal entre doente e médico
que habitualmente o trata
o Representante legal, baseado no conhecimento prévio daquilo que pensava o
doente e no que considera ser o melhor para ele
Þ Hipócrates e o conceito do futilidade:
o Recusava tratar aqueles que eram tomados pela doença pois em tais casos a
medicina não tinha poder
o No entanto, à que aliviar a dor e a violência da doença

Þ Conceito no tempo
o Inicialmente a impotência e pobreza da medicina eram incapazes de alterar o
curso da doença
o Hoje em dia, a intervenção agressiva e tecnologicamente avançada, não é
sinónimo de sucesso terapêutico.

Þ Efeito vs. Benefício


o A finalidade de um gesto terapêutico não é surtir efeito, mas sim trazer
benefício ao doente nomeadamente no que toca a prognóstico, conforto e
bem-estar

Þ Qualidade de vida pós RCP


o Valor dos conceitos para o próprio, para a equipa de saúde e para os familiares

Þ Gestão de recursos e justiça social


o Dificuldade das definições
o Juízo subjectivo de quem tem de decidir quando a autonomia do doente entra
em conflito com a justiça social
o Prolongamento desnecessário e doloroso da terapêutica

PROCRIAÇÃO MEDICAMENTE ASSISTIDA


Infertilidade é a ausência de gravidez após um ano de relações sexuais regulares e sem uso de
contracepção primária ou secundária.
A prevalência deste problema é difícil de estabelecer, quer seja pelas variações regionais e
pelos diferentes métodos de avaliação ou pelas diferentes definições. Em Portugal estima-se
que seja cerca de 15%

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Quanto à etiologia:

Þ 30% factores femininos


o 35% problemas de ovulação
o 35% obstrução tubárica
o 20% endometriose
Þ 30% factores masculinos

Þ 30% factores masculinos e femininos

A terapêutica pode ser:

Þ Médica (indução da ovulação, correcção de distúrbios hormonais, antibioterapia)


Þ Cirúrgica (laparoscópica, histeroscópica ou convencional)
Þ Procriação Medicamente Assistida (inseminação artificial (IA), fertilização in vitro
(FIV), injecção intracitoplasmática de espermatozóides (ICSI), transferência de
embriões, gametas ou zigotos (GIFT ou ZIFT), diagnóstico pré-implantatório (DGPI)
entre outros)
Ver imagens da aula

LEGISLAÇÃO
Þ Admissibilidade
o Método subsidiário e não alternativo de procriação, com a excepção de
doença grave ou risco de transmissão de doença genética
o Pessoas casada ou que vivam juntas à mais de 2 anos

Þ Destinatários do diagnóstico pré-implantatório


o Pessoas provenientes de famílias com alterações que causem morte precoce
o Risco elevado de transmissão à descendência

Þ FINALIDADES PROIBIDAS do diagnóstico pré-implantatório


o Melhorar as qualidades não médicas do feto, como por exemplo o sexo, salvo
haja patologia ligada ao sexo ou necessidade de selecção de grupos HLA
compatíveis
o Em doenças multifactoriais nas quais o valor preditivo do teste seja baixo

Þ A procriação medicamente assistida é PROIBIDA:


o Com fins de clonagem reprodutiva
o Com fins de criação de quimeras ou híbridos

Podem recorrer-se às dádivas de gametas ou embriões, quando os beneficiários não o podem


fazer, não podendo os dadores ser considerados progenitores da criança.
A inseminação com sémen de dador é apenas efectuada quando a do marido ou companheiro
não é possível, não sendo lícito a inseminação com sémen de um falecido.

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Quem recorrer à dádiva de gametas pode obter informação genética, mas nunca informação
sobre a identidade do dador. Os centros que recolhem as doações de material genético não
lhes podem atribuir um valor monetário, sendo PROIBIDA a compra de óvulos, sémen ou
embriões.
A maternidade de substituição é PROIBIDA, sendo a mulher que suporta a criança, para todos
os efeitos legais, a mãe desta.
A criação de embriões por técnicas de procriação medicamente assistida com finalidade de
investigação é PROIBIDA, sendo apenas lícita a investigação de um embrião com objectivo de
prevenção, diagnóstico ou terapêutico, para aperfeiçoar as técnicas ou para constituir bancos
de células estaminais com vista a criação de programas de transplantação.
Dessa investigação deverá resultar benefício para a humanidade e esta estará sempre sujeita a
apreciação pelo Conselho Nacional de Procriação Medicamente Assistida.
Os embriões a utilizar na investigação serão os criopreservados, os excedentários caso não
exista nenhum projecto parental, aqueles cujo estado não permita a transferência ou a
criopreservação com fins de procriação, portadores de anomalia genética grave ou aqueles
obtidos sem recurso à fecundação por espermatozóide.

RESPONSABILIDADE DISCIPLINAR DOS MÉDICOS


TIPOS

Þ Hieraquia contractual
Þ Hierarquia Administrativa
Þ Coorporativa

PILARES / TRAVES MESTRAS

Þ Poder disciplinar
Þ Infecção disciplinar
o O médico, por acção ou omissão, viola os deveres decorrentes da Ordem dos
Médicos e/ou do código deontológico
Þ Sanção disciplinar
o Consequência da infracção
o Adequada à finalidadeda responsabilidade disciplinar
o Adequada à gravidade do comportamento

Þ Procedimento disciplinar

PRESCRIÇÃO

Þ O direito de instaurar procedimento disciplinar prescreve em 3 anos


Þ Este prazo pode ser alargado caso a infracção constitua um ilícito penal, sendo idêntico
ao processo crime, se este for superior

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PRINCÍPIOS

Þ Culpa
Þ Tipicidade Relativa
DEVERES
Þ Leis gerais
Þ Código Deontológico
Þ Estatuto da Ordem dos Médicos
o Cumprir o estatuto
o Cumprir as normas deontológicas
o Guardar segredo profissional
Þ Estatuto Disciplinar dos Médicos

CÓDIGO DEONTOLÓGICO
Þ Disposições Gerais
o O médico é técnica e deontologicamente independente e responsável pelos
seus actos, não podendo ser orientado, nestes aspectos, por estranhos à
profissão médica
o Pode haver hierarquias institucionais, mas, nenhum médico pode ser
constrangido a praticar actos médicos contra a sua vontade
o O médico deve exercer a sua profissão com o maior respeito pelo direito à
protecção da saúde das pessoas e comunidades
o O médico não deve considerar o exercício da medicina como uma actividade
orientada para fins lucrativos, sem prejuízo do direito a uma justa
remuneração
o São condenáveis todas as práticas não justificadas pelo interesse do doente
o O médico deve ter comportamento público e profissional adequado à
dignidade da sua profissão

Þ O Médico ao Serviço do Doente


o O médico obriga-se à prestação dos melhores cuidados ao seu alcance,
agindo sempre com correcção e delicadeza, no intuito de promover ou
restituir a saúde, conservar a vida e a sua qualidade, no pleno respeito pela
dignidade do ser humano.
o O médico deve exercer a sua profissão em condições que não prejudiquem a
qualidade dos seus serviços, e comunicando à Ordem dos Médicos quando tal
não acontece
o O médico tem o direito de recusar a prática do acto da sua profissão, quando
tal prática entra em conflito com a sua consciência, ofendendo os seus
princípios.
o O exercício da objecção de consciência deverá ser comunicado à Ordem, em
documento registado
o Não pode haver objecção em caso urgente com perigo de vida ou grave dano
para a saúde e não haja outro médico disponível

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o O médico deve respeitar a pessoa do doente (sexo, idade, convicções)
o O doente tem o direito de escolher livremente o médico, e o médico deve
respeitar a decisão de escolha
o O segredo médico é essencial para a relação médico-doente
o Por solicitação livre, o médico deve atestar os estados de saúde ou doença
mas não pode emitir atestados de complacência
Þ O Médico ao Serviço da Comunidade
o É dever indeclinável do médico comunicar à Ordem, de forma rigorosa,
objectiva e confidencial, as atitudes fraudulentas ou de incompetência grave
no exercício da medicina de que tenha conhecimento, aceitando depor nos
processos que em consequência venham a ser instaurados
Þ Relação dos Médicos com Terceiros
o A liberdade de escolha pelo médico dos meios de diagnóstico e tratamento,
não pode ser limitada por disposição estatutária, contractual ou
regulamentar, podendo haver, contudo, controlo médico hierarquizado do
acto médico, ou a existência de orientações, normas e protocolos
respeitantes à utilização de meios de diagnóstico e tratamento.
o A relação entre médicos e colaboradores não médicos deve apresentar uma
conduta de perfeita cooperação, de mútuo respeito e confiança
o O médico deve assumir a responsabilidade dos actos praticados pelos
auxiliares desde que ajam no cumprimento das suas directivas.
o O médico não pode encobrir, ainda que indirectamente, qualquer forma de
exercício ilegal da Medicina

ESTATUTO DISCIPLINAR DOS MÉDICOS

Þ Penas Disciplinares
o Advertência: Infracções leves
o Censura: Infracções graves que não correspondem a pena de suspensão e
expulsão
o Suspensão até 5 anos:
§ Por desobediência a determinações da Ordem dos Médicos
§ Por violação de quaisquer deveres consagrados em lei ou código
deontológico e que visem a protecção da vida, do bem-estar ou
dignidade das pessoas
o Expulsão:
§ Infracção disciplinar que também constitua crime punível com pena
de prisão superior a 3 anos
§ Quando se verifique incompetência profissional notória, com perigo
para a saúde dos pacientes ou da comunidade
§ Quando ocorra encobrimento ou participação na violação de direitos
da personalidade dos doentes

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Þ Penas Acessórias
o Perda de Honorários
§ Devolução dos honorários já recebidos ou perda do direito de os
receber.
§ Apenas aplicável cumulativamente à pena de suspensão até 5 anos
o Publicidade da Pena
§ Publicação em órgãos de comunicação social da pena aplicada

Þ Actos Qualificados Como Graves


o Encobrimento do exercício ilegal da medicina, punido com pena de suspensão
nunca inferior a 2 anos
o Publicidade garantistica ou enganosa
o Assédio Sexual

Þ Circunstâncias Agravantes Especiais


o Quaisquer actos que visem a obtenção de lucros indevidos à custa dos doentes
o Actos que importunem prejuízo considerável para terceiros
o Reincidência (nova infracção cometida antes de decorrido 1 ano sobre a data
em que tiver findado o cumprimento da pena imposta por virtude da infracção
anterior)

Þ Graduação das Penas


o Em função da culpa, tendo em conta as circunstâncias do acaso, os
antecedentes profissionais e disciplinares e as consequências da infracção.

CUIDADOS PALIATIVOS

DOR CRÓNICA

RELAÇÃO MÉDICO-DOENTE

INÍCIO DE VIDA (Pergunta de Exame)

Þ Segundo a igreja católica, ocorre no momento em que o oócito é fecundado


Þ Segundo a filosofia, não basta existir para ser pessoa humana, há que ter consciência
de si.
Þ Segundo os direitos do feto declarados pela AMADE/UNESCO, a criança é uma vida
humana iniciada no código genético e continuada na vida intra-uterina

Pré Embrião Embrião Feto


14 Dias 8 Semanas

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Þ Segundo o CNCEV o embrião é uma pessoa em todos os sentidos

DOAÇÃO DE GAMETAS (Pergunta de Exame)


A dádiva de células e tecidos é:

Þ Voluntária, altruísta e solidária, não podendo haver, em circunstância alguma, lugar a


qualquer compensação económica ou remuneração…
Þ No entanto, pode ser atribuida uma compensação estritamente limitada ao
reembolso das despesas efectuadas ou dos prejuízos imediatamente resultantes da
dádiva
o Compensação máxima para a doação de esperma: cerca de 40€
o Compensação máxima para a doação de ovócitos: cerca de 600€

SELECÇÃO DE EMBRIÕES
Þ Éticamente Aceitável
o Prevenir doenças genéticas graves e incuráveis que poderiam levar à morte
precoce
o Evita técnicas muito invasivas como o diagnóstico pré-natal e o aborto de fetos
inviáveis

Þ Éticamente Reprovável
o Escolher o sexo do embrião (a menos que a doença esteja ligada ao sexo)
o Escolher características do embrião
o Conduz à eliminação de embriões excedentários;
o Utilizada em doenças com tratamento viável e pouco graves.
EMBRIÕES EXCEDENTÁRIOS (Pergunta de Exame)

Þ Inseminação artificial:
o Introdução de sémen por GIFT
o Sem originar embriões excedentários
Þ Fertilização in vitro
o Fecundação fora do corpo, introdução do pré-embrião por ZIFT
o Origina embriões excedentários

EXPERIMENTAÇÃO EM EMBRIÕES

Þ Na Europa, apenas é permitida em Espanha e no Reino Unido, e apenas em embriões


até ao 14º dia com base no conceito de que até então não existe individualização do
embrião (até então todas as células são pluripotentes e podem dar origem a gémeos –
pré-embrião).
Þ Em Portugal é permitida mediante deliberação do Conselho de Ética para a
Procriação Medicamente Assistida, com as restrições já referidas.

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INTERRUPÇÃO VOLUNTÁRIA DA GRAVIDEZ

Þ A nova alínea e) do n.º 1 do artigo 142.º do Código Penal:


o É lícita a interrupção da gravidez até às 10 semanas a todas as mulheres
grávidas que o solicitem, desde que realizado em estabelecimento de saúde
oficial ou oficialmente reconhecido.
o Outras alíneas prevêem a interrupção voluntária da gravidez sem penalização
nos casos de perigo para a saúde da grávida, malformações fetais ou
violações

PROCESSO CLÍNICO E BIOBANCOS


Þ A informação de saúde ou genética é propriedade da pessoa, sendo as unidades do
sistema de saúde os depositários dessa informação.
Þ Todo o doente tem direito ao acesso a essa informação a menos que tal informação
seja prejudicial ao doente ou contiver informações de terceiros.
o No sector privado o acesso é indirecto (com a mediação do médico)
o No sector público o acesso é directo sob forma de requerimento
Biobanco é diferente de base de dados genéticos, embora ambos possam ter fins clínicos ou
criminais
A criação tem de ser submetida à Comissão Nacional de Preotecção de Dados
É necessário um consentimento para a colheita e outro para a investigação
….

RESPONSABILIDADE CIVIL

Þ Objectivação da responsabilidade médica, tanto do profissional e da instituição


pública ou privada.
Þ Com o objectivo de ressarcir o lesado pelos danos patrimoniais e não patrimoniais.
Com efeito preventivo e sancionatório.
Þ Assim, deve existir um seguro de responsabilidade civil
o Os profissionais de saúde em regime liberal devem ser titulares de seguro
contra os riscos decorrentes do exercício das suas funções.
Þ A sua sanção é a indeminização
HÁ DOIS TIPOS:

Þ EXTRACONTRATUAL, DELITUAL OU AQUILIANA


o É aplicada aos hospitais públicos e julgada em tribunais administrativos
o Incumbe ao devedor (médico) provar que a falta de cumprimento ou o
cumprimento defeituoso da obrigação não procede de culpa sua.
o Prescreve findos três anos ou tem período de prescrição igual ao do crime
Þ CONTRATUAL
o É aplicada aos hospitais privados e julgada em tribunais comuns

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o É ao lesado que incumbe provar a culpa do autor da lesão, salvo havendo
presunção legal de culpa.
o Prescreve findos 20 anos
Situações em que não existe contracto: urgências e contrato nulo (ensaios clínicos, abortos)
PRESSUPOSTOS:

Þ Facto Voluntário
o Facto humano objectivamente controlável pela vontade
Þ Ilícito
Þ Dano
Þ Nexo de causalidade
o O facto deve ter sido a causa adequada do dano
Þ Culpa
o Negligência:
§ Inconsciente
§ Consciente
Þ Dolo
o Eventual
o Necessário
o Directo

HOSPITAIS PÚBLICOS

Þ Danos causados por actos ilícitos com culpa leve, perante o lesado responde
exclusivamente o Hospital
Þ Danos causados por actos ilícitos e culposos (com dolo ou culpa grave), perante o
lesado responde solidariamente o Hospital e o médico

RESPONSABILIDADE PENAL
Þ Penas principais são a multa ou a prisão
Þ Tipos legais de crime:
o Homicídio por negligência
o Ofensas à integridade física por negligência
o Intervenções médico-cirúrgicas arbitrárias
o Eutanásia
o Auxílio ao suicídio
o Aborto
o Violação de segredo profissional
o Recusa de médico
o Atestado falso
GENOMA HUMANO

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CADÁVERES EM INVESTIGAÇÃO

FIM DE VIDA

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