Sulfato Ferroso
APRESENTAÇÕES
Comprimido de 40 mg de Fe++.
Solução oral 25 mg de Fe++/mL.
INDICAÇÕES
Profilaxia em estados de deficiência de ferro (em situações de aumento da demanda, como gravidez,
lactação, fases de crescimento rápido, recém-nascidos com baixo peso e lactentes alimentados com fórmulas
lácteas).
Tratamento de anemia ferropriva (conseqüente a sangramentos agudos ou crônicos em hipermenorréia,
metrorragia, hematúria, hemoglobinúria, hemossiderose, hemoptise, epistaxes recorrentes, traumatismos e
sangramento secundário a esofagite de refluxo, úlcera péptica, gastrite, neoplasias e parasitoses).
Tratamento de anemia ferropriva (devida à má-absorção que ocorre em doença celíaca, gastrectomia,
anemia perniciosa com atrofia gástrica, doença inflamatória crônica e, menos freqüentemente, por déficit
dietético).
CONTRA-INDICAÇÕES
Hemossiderose, hemocromatose, hemoglobinopatias.
Anemias não associadas à deficiência de ferro.
Pacientes submetidos a repetidas transfusões sangüíneas.
Ferroterapia parenteral.
Hipersensibilidade ao ferro.
Sobrecarga de ferro no organismo.
Porfiria cutânea tardia.
PRECAUÇÕES
Não deve ser administrado por mais de seis meses.
Cautela em pacientes com úlcera péptica, enterite regional, colite ulcerativa, estreitamento intestinal,
divertiIculose.
Redução da função hepática, insuficiência renal crônica, doença de Hodgkin, artrite reumatóide e
alcoolismo são condições que levam a acúmulo de ferro.
Sulfato ferroso pode causar resultados falso-negativos em testes com glicose oxidase.
Monitorizar concentrações plasmáticas de ferritina e ferro para reconhecer e prevenir a hemossiderose.
Sobredosagem de ferro em crianças é mais comum do que em adultos, usualmente acidental e podendo
causar efeitos tóxicos.
Idosos podem requerer doses orais maiores de ferro para corrigir anemia.
ESQUEMAS DE ADMINISTRAÇÃO
ADULTOS PROFILAXIA EM SITUAÇÕES QUE PODEM OCASIONAR DEFICIÊNCIA DE FERRO (EXCETO GRAVIDEZ)
200 mg (equivalente a 40 mg de ferro elementar), uma ou duas vezes ao dia.
Suplementação de ferro na gravidez
25 mg/dia são eficazes na prevenção da deficiência de ferro em 80-90% das gestantes.
Tratamento de anemia ferropriva
180 mg/dia de ferro elementar, por via oral, divididos em 3 a 4 tomadas diárias.
Após serem atingidos os níveis normais de hemoglobina, o tratamento deve ser continuado por mais 3
meses para repor o estoque de ferro do organismo.
Tratamento de anemia ferropriva (em pacientes em uso de eritropoietina e submetidos a hemodiálise)
Iniciar com dose oral de pelo menos 200 mg de ferro elementar por dia, divididos em duas ou três doses.
Se não forem atingidos níveis de saturação de transferrina (pelo menos 20%) e valores apropriados de
ferritina sérica (pelo menos 100 nanogramas/mL), hemoglobina (11 a 12 g/dL) e hematócrito (33 a 36%),
recomenda-se administração de ferro intravenoso.
ADOLESCENTES
Suplementação de ferro na gravidez
25 mg/dia são eficazes na prevenção da deficiência de ferro em 80-90% das gestantes.
Tratamento de anemia ferropriva
50-60 mg de ferro elementar, por via oral, 1-2 vezes por semana, durante 12 semanas.
CRIANÇAS
Profilaxia em situações que podem ocasionar deficiência de ferro
Maiores de 5 anos: 2 mg/kg/dia de ferro elementar (máximo de 30 mg), por via oral.
Menores de 5 anos: 30 mg/dia de ferro elementar, por via oral.
Prematuros: dose inicial, 2 mg/kg/dia de ferro elementar (máximo de 15 mg), por via oral, divididos em 1-3
doses. Após, 1 mg/kg/dia.
Lactentes: 1-2 mg/kg/dia de ferro elementar (máximo de 15 mg), por via oral, divididos em 1-3 doses.
Tratamento de anemia ferropriva
Prematuros: 2-4 mg/kg/dia de ferro elementar (máximo de 15 mg), por via oral, divididos em 3 doses.
Lactentes e crianças: 3-6 mg/kg/dia de ferro elementar, por via oral, divididos em 1-3 doses.
A suplementação de ferro também pode ser requerida para produzir resposta ótima à eritropoietina em
crianças deficientes de ferro com insuficiência renal crônica ou em crianças prematuras.
ASPECTOS FARMACOCINÉTICOS CLINICAMENTE RELEVANTES
Sais ferrosos são melhor absorvidos do que sais férricos.
O ferro é irregularmente e incompletamente absorvido no trato gastrintestinal; a secreção ácida do
estômago auxilia a absorção; a porcentagem de absorção é afetada por forma do sal, quantidade
administrada, esquema de administração, tamanho do estoque de ferro do organismo e estado de defi-
ciência de ferro (a absorção chega a 25%).
Apesar de as preparações de ferro serem mais bem absorvidas no estômago vazio, podem ser
administradas após as refeições para reduzir efeitos adversos gastrintestinais.
Estimuladores da absorção de ferro não-heme presentes na dieta são: carnes e outros tecidos animais
(proteínas contendo cisteína) e ácido ascórbico (vitamina C).
Inibidores da absorção de ferro não-heme presentes na dieta são: ácido fítico (grãos não refinados e soja),
polifenóis (chá, café, cacau, vinho tinto), cálcio, fósforo e certas proteínas (de soja, albumina de ovo e
caseína).
A ingestão de ferro à noite aumenta sua absorção.
Absorção oral de ferro é pobre em pacientes em diálise peritoneal contínua.
Latência: resposta hematológica aparece em 2 semanas, aumentando a produção de hemoglobina em
torno de 2 g/dL nas primeiras 3 semanas de tratamento.
Tempo para o pico de concentração plasmática (via oral): 2 horas.
O ferro é estocado como ferritina ou hemossiderina, primariamente em hepatócitos e no sistema retículo
endotelial, com algum armazenamento no músculo.
Meia-vida: 6 horas.
Apenas quantidade muito pequena de ferro é excretada; a conservação do ferro corporal e a falta de um
mecanismo excretor para o excesso de ferro são as causas para a sobrecarga corporal do mineral quando
há dose excessiva na terapia ou repetidas transfusões sangüíneas.
EFEITOS ADVERSOS
Constipação (principalmente em idosos), fezes escuras, náusea (freqüente).
Diarréia, dor epigástrica, irritação gastrintestinal, pirose.
Hemossiderose (em terapia prolongada ou administração excessiva).
Soluções orais podem causar manchas nos dentes.
Nota: Se ocorrerem efeitos adversos, estes podem ser diminuídos por meio de redução da dose,
substituição por outro sal de ferro com menor conteúdo de ferro elementar, aumento gradual da dose
diária e administração do medicamento com alimento.
INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS
Ferro reduz efeitos de: zinco, micofenolato de mofetila, levodopa, metildopa,fluorquinolonas,
penicilamina, doxiciclina, minociclina e tetraciclina.
Uso concomitante de omeprazol e ferro pode reduzir a biodisponibilidade do ferro não-heme.
Uso concomitante de levotiroxina e ferro pode resultar em hipotiroidismo.
A ingestão concomitante de derivados do leite, assim como de sais de cálcio e de magnésio, diminui a
biodisponibilidade do ferro.
Ácido ascórbico aumenta a absorção de ferro.
Antiácidos e alimentos que contêm ácido fítico diminuem a absorção de ferro.
ORIENTAÇÕES AOS PACIENTES
Estimular a adoção na dieta de carne vermelha magra, frango, peru e peixe.
Reforçar cuidados em situações de hemocromatose, hemossiderose, hemoglobinopatias, outras condições
anêmicas, repetidas transfusões sangüíneas, úlcera péptica, colite ulcerativa, entre outros.
Orientar para ingerir o sulfato ferroso com estômago vazio, 1 hora antes ou 2 horas depois das refeições
para aumentar a absorção do ferro.
Orientar para a preferência da ingestão após as refeições se houver necessidade de reduzir efeitos
adversos gastrintestinais.
Orientar para ingerir com 250 mL de água ou suco de fruta ou com 120 mL para crianças.
Ensinar que as preparações líquidas contendo sais de ferro devem ser bem diluídas em água e, se possível,
tomadas através de um canudinho para prevenir manchas nos dentes.
Alertar que o sulfato ferroso não deve ser administrado por mais de 6 meses.
Alertar para notificar se surgirem efeitos tóxicos ou suspeita de envenenamento.
Alertar sobre a possível ocorrência de escurecimento das fezes.
ASPECTOS FARMACÊUTICOS
Solução oral e comprimido: manter à temperatura ambiente, de 15 a 30 ºC, em um recipiente bem
fechado. Não congelar a solução.
Incompatibilidades: dopamina, ácido fólico (formação de precipitado), morfina, fentolamina, plicamicina,
polimixina B, prometazina (os íons de ferro aceleram a degradação de prometazina) e tiamina.
Fonte: Formulário terapêutico nacional 2008: Rename 2006 / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência,
Tecnologia e Insumos Estratégicos, Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. – Brasília :
Ministério da Saúde, 2008.
Caroline Batista Franco Ribeiro