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Diversidade Cultural em Moçambique: Implicações

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UNIVERSIDADE ABERTA ISCED

Faculdade de Ciências de Educação


Curso de Licenciatura em Ensino de Português

Implicações da diversidade cultural em Moçambique

Disciplina: Antropologia Cultural de Moçambique


2º Ano Bloco II

Elisa Honwana: 21220631

Maputo, Maio de 2023


UNIVERSIDADE ABERTA ISCED
Faculdade de Ciências de Educação
Curso de Licenciatura em Ensino de Português

Implicações da diversidade cultural em Moçambique

Trabalho de Campo a ser submetido na


Coordenação do Curso de Licenciatura
em Ensino de Português da UnISCED.
Tutor: Prof. Doutor António Domingos
Braço

Elisa Honwana: 21220631

Maputo, Maio de 2023


Índice

1.Introdução.....................................................................................................................................4
1.1Objectivos...............................................................................................................................4
1.2.Metodologia de pesquisa.......................................................................................................4
2. Conceito básico de antropologia..................................................................................................5
3. Áreas de estudo da diversidade cultural......................................................................................6
3.1.A universidade da cultura......................................................................................................8
3.2.A linguagem...........................................................................................................................8
3.3.Características da diversidade cultural..................................................................................8
4. Diversidade cultural em Moçambique.........................................................................................9
5. Implicações da diversidade cultural em Moçambique...............................................................10
5.1.Educação..............................................................................................................................11
Conclusão......................................................................................................................................12
Referências bibliográficas.............................................................................................................13
1.Introdução
Diversidade cultural é um aspecto muito importante e é preciso que seja compreendida melhor
para que se possa perceber essas formas de vida e das manifestações de dadas culturas. O
trabalho tem como foco apresentar as implicações da diversidade cultural em Moçambique,
sendo descrito os seguintes conceitos básicos da Antropologia Cultural de Moçambique, áreas de
estudo da diversidade cultural, a universidade da cultura, a linguagem, as características da
diversidade cultural, diversidade cultural em Moçambique, as implicações da diversidade
cultural em Moçambique, língua, educação e os campos de estudo da diversidade.

1.1Objectivos
Objectivo geral

 Compreender as implicações da diversidade cultural em Moçambique.

Os objectivos específicos

 Identificar as áreas de estudo da diversidade cultural,


 Caracterizar a diversidade cultural de Moçambique,
 Descrever os campos de estudo de diversidade cultural em Moçambique

1.2.Metodologia de pesquisa
Para a materialização deste trabalho de pesquisa foram usados, essencialmente a revisão e a
pesquisa documental, isto é, os livros e os manuais de diferentes autores e busca de
informações na internet. Os autores das referidas obras estão devidamente citados dentro do
trabalho e também na bibliografia final. Segundo Mutimucuio (2008.p 29), a pesquisa
bibliográfica “procura explicar um problema a partir de referências teóricas publicadas em
documentos (desenvolvida a partir de material já elaborado).

4
2. Conceito básico de antropologia
A diversidade segundo Takahashi (2006, p.3), é a característica básica de formas de vida e das
manifestações de cultura na terra. Ela pode ser biológica ou cultural. De acordo com o autor
citado, há três tipos de diversidade cultural: genética, linguística e cultural propriamente dita. A
diversidade cultural genética refere-se, de acordo com o mesmo autor, “às variações e
similaridades genéticas entre as pessoas”. A diversidade cultural linguística aponta para a
existência de “diferentes linguagens e sua distribuição em regiões”; a diversidade de culturas é o
“complexo de indivíduos e comportamentos dentro de um contexto histórico comum”.

O tema da diversidade, de acordo com Sacristán (2002, p. 14-15), deve ser encarado com
naturalidade pela escola visto que, para o autor: A diversidade, assim como a desigualdade, são
manifestações normais dos seres humanos, dos fatos sociais, das culturas e das respostas dos
indivíduos frente à educação nas salas de aula. A diversidade poderá aparecer mais ou menos
acentuada, mas é tão normal quanto a própria vida, e devemos acostumar-nos a viver com ela e a
trabalhar a partir dela.

A diversidade aparecer naturalmente na vida social e nas condições educacionais. O tema da


diversidade é posto em evidência visto que os alunos sendo agrupados de acordo com os seus
desempenhos vêm à tona a questão das diferenças entre os alunos.

Segundo Cuche (2002, p.143-44) as culturas nascem de relações sociais que são sempre relações
desiguais. Desde o início, existe então uma hierarquia de fato entre as culturas que resulta da
hierarquia social. Pensar que não há hierarquia entre as culturas seria supor que as culturas
existem independentemente uma das outras, sem relação umas com as outras, o que não
corresponde à realidade.
O significado mais simples desse termo que cultura abrange todas as realizações materiais e os
aspectos espirituais de um povo, ou seja, cultura é tudo aquilo produzido pela humanidade, seja
no plano concreto ou no plano imaterial, desde artefactos e objectos ate ideais e crenças, é todo
complexo de conhecimentos e toda habilidade humana empregada socialmente. Alem disso, é
também todo comportamento aprendido, de modo independente da questão biológico.

5
3. Áreas de estudo da diversidade cultural
Os estudos sobre a diversidade cultural podem ser enquadrados no âmbito dos estudos culturais e
pós-coloniais. No entanto, autores como Costa (2006, p. 1-3) consideram que os estudos pós-
coloniais e os estudos culturais, nos quais se integram os relacionados com a diversidade
cultural, multiculturalismo, interculturalidade e a transculturalidade, não podem ser considerados
uma matriz teórica, mas apenas uma variedade de contribuições que aparecem como “uma
referência epistemológica crítica às concepções dominantes da modernidade”. A questão do
reconhecimento das diferenças torna-se o foco principal da Didáctica Multicultural que se baseia
em princípios da Educação Multicultural. Tal educação defende o respeito à diversidade na
escola e a necessidade do reconhecimento de direitos iguais para todos.

Para Candau (2006, p. 2), as reflexões sobre as relações entre a diversidade cultural e o
quotidiano escolar são um tema de suma importância na educação de forma a que se possa tornar
a escola verdadeiramente democrática. De acordo com Gadotti (2006, p. 1), a educação
multicultural supõe a existência de uma pedagogia dos direitos humanos, do respeito pelo outro,
pelo ambiente, etc. Para o autor antes mencionado, a educação multicultural tem duas
características principais:

 Pode aparecer como uma abordagem que surge para defender a igualdade de
oportunidades educacionais e de equidade (justiça) e luta contra todos os tipos de
discriminação e preconceito (racial, étnico, sexual, religioso, linguístico, etc.);
 Pode surgir também como uma abordagem curricular, introduzindo mudanças concretas
no currículo que permitam romper a hegemonia de um único tipo de conhecimento, de
cultura e de língua. O ensino bilingue e a introdução do currículo local em Moçambique,
é um bom exemplo dessa abordagem curricular da educação multicultural nas escolas.

Apesar da educação multicultural aparecer para resolver vários problemas, conforme Gadotti
(2006, p. 3), ela contém algumas ambiguidades. Por exemplo, estimula, contraditoriamente,
“o desprezo pelo diferente, o racismo, o autocentrismo”. (GADOTTI, 2006, p. 3). Por essa
razão, a educação multicultural é polémica, existindo tantas vantagens como desvantagens e
muitos problemas na sua implementação.

6
Para Gadotti (2006, p. 3), a educação multicultural pode causar o separatismo entre grupos e
causar conflitos que podem favorecer a segregação. A diferença pode se transformar em
exclusão. Paralelamente ao termo "multiculturalismo", tem sido usado também o termo
“interculturalidade”. Jordan (1996, apud CANDAU 2006, p. 2), considera que os termos
“multicultural e intercultural” é muitas vezes usado como sinónimos.

O termo “multicultural” é mais usado na bibliografia inglesa e o termo “intercultural” na


bibliografia francesa. O modelo multicutural inglês refere-se aos direitos humanos e o
modelo do interculturalismo refere-se à interacção entre as várias culturas, reconhece o
direito à diversidade e luta contra a discriminação e desigualdade social, defendendo
“relações dialógicas e igualitárias” entre pessoas de diferentes grupos. (CANDAU, 2006).

Fleuri (2006, p. 5) apresenta as seguintes diferenças entre a educação multicultural e a


intercultural: em relação às intencionalidades, a perspectiva multicultural considera a
diversidade como um facto a ser tomado em consideração na educação. A perspectiva
intercultural pretende promover a relação entre pessoas de culturas diferentes; no que
concerne à prática educativa, a perspectiva multicultural usa as culturas diferentes como
objectos de estudo; a perspectiva intercultural considera as relações entre culturas diferentes
e consideram que a interacção entre elas produz confrontos entre visões diferentes do mundo;
- relativamente ao sujeito da relação a educação intercultural desenvolve-se como relação
entre pessoas de culturas diferentes.

Tylor (1975), a cultura é aquela toda complexa que inclui conhecimentos, crenças, arte,
moral, lei, costumes e toda a serie de capacidade e hábitos que o Homem adquire em tanto
que membro de uma sociedade dada.

Diversidade cultural, são os vários aspectos que representam particularmente as diferentes


culturas, como a linguagem, as tradições, a culinária, a religião, os costumes , o modelo de
organização familiar , a politica , entre outras características próprias de um grupo de seres
humanos que habitam numa determinada região .

A diversidade cultural é um conceito criado para compreender os processos de diferenciação


entre várias culturas que existem ao redor do mundo. As múltiplas culturas formam a

7
chamada identidade cultural dos indivíduos ou de uma sociedade; uma “ marca “ que
personaliza e diferencia os membros de determinado lugar do restante da população mundial.

A diversidade significa pluralidade, variedade e diferenciação, conceito que é considero o


oposto total da heterogeneidade. Actualmente, devido ao processo de colonização e
miscigenação cultural entre a maioria das nações do planeta, quase todos os países possuem a
sua diversidade cultural.

3.1.A universidade da cultura


Entre a diversidade de cultura é possível achar alguns traços comuns. Neste ponto a
antropologia não só estuda as diferenças como também o que nos faz a todos seres humanos
iguais. Quanto esses traços culturais existem em todas ou em quase todas sociedades
denominam-se universais culturais são aqueles que distinguem os humanos das outras
espécies: a unidade psíquica dos humanos, pois todos humanos têm a mesma capacidade para
a cultura.

3.2.A linguagem
A linguagem é uma parte integrante da cultura , com a linguagem podemos viver em grupos
sociais como a família e compartilhar alimentos; isogamia e o tabu de incesto, regra que
proíbe as relações sexuais e casamentos entre parentes próximos.

3.3.Características da diversidade cultural


A diversidade cultural é variedade de culturas, diferentes formas de organização social, política e
religiosa. A diversidade é a característica básicas de forma de vida e das manifestações de cultura
na terra. Ela pode ser biológica ou cultural.

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4. Diversidade cultural em Moçambique
A sociedade moçambicana é multilingue, pluri-étnica, multi-racial e socialmente estratificada.
Existem em Moçambique várias formas de organização social, cultural, política e religiosa; há
várias crenças, línguas, costumes, tradições e várias formas de educação. A principal
característica do património cultural moçambicano é a sua diversidade. As manifestações e
expressões culturais são ricas e plurais, sobretudo as ligadas às camadas “populares”.

Existem em Moçambique várias formas de organização social, cultural, política e religiosa; há


várias crenças, línguas, costumes, tradições e várias formas de educação. A principal
característica do património cultural moçambicano é a sua diversidade. As manifestações e
expressões culturais são ricas e plurais, sobretudo as ligadas às camadas “populares”.

A língua oficial em Moçambique é a língua portuguesa, mas ela é uma língua minoritária que foi
escolhida para oficial por razões políticas relacionadas com a unidade nacional e com o fato de
não haver à altura da Independência nenhuma língua que estivesse suficientemente
“modernizada” para ser capaz de veicular a Ciência, a Tecnologia e ser capaz de servir de língua
franca em todo o território nacional.

A língua oficial em Moçambique é a língua portuguesa, mas ela é uma língua minoritária que foi
escolhida para oficial por razões políticas relacionadas com a unidade nacional e com o fato de
não haver à altura da Independência nenhuma língua que estivesse suficientemente
“modernizada” para ser capaz de veicular a Ciência, a Tecnologia e ser capaz de servir de língua
franca em todo o território nacional.

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5. Implicações da diversidade cultural em Moçambique
Muitas comunidades linguísticas encontram-se actualmente dispersas por diferentes regiões
nacionais como consequência das migrações, da expansão da guerra dos 16 anos (guerra civil)
dos deslocamentos refugiados e da mobilidade profissional. À medida que aumenta a variedade
dos vínculos entre língua e lugar, os esquemas de comunicação apresentam uma variedade
crescente caracterizada por mudanças de códigos, pelo plurilinguístico. Aquisição de diferentes
capacidades de compreensão e expressão em idiomas e dialectos distintos, por além disso como
traçam distintivo.

Desigualdade social, pois temos de reconhecer que as diferenças culturais são, muitas vezes,
socialmente marcadas. Diferentes classes sociais podem exibir traços culturais distintos
dependentes da sua situação sócio-económica. A origem regional, étnica e racial, muitas vezes,
pode estar associada à condição de classe social, por exemplo, é raro encontrar em Moçambique
um mendigo de raça branca ou indiana. Por exemplo, os indivíduos analfabetos do meio rural
possuem uma cultura africana mais ancestral e são mais pobres do que os alfabetizados do meio
urbano que possuem valores culturais de carácter mais universal.

Discriminação de raça, etnia, género, idade, língua, culturas. Determinados grupos culturais
como, as mulheres, os idosos, os habitantes das zonas rurais estão mais marcados pela pobreza
do que os outros grupos que se encaixam melhor no modelo hegemónico. Existem desigualdades
de oportunidades para as crianças e jovens das zonas rurais. Eles estão em desvantagem em
relação à alfabetização e à progressão escolar porque há falta de escolas, porque as escolas estão
distantes das zonas residenciais, porque a escola não consegue ser suficientemente significativa
para as necessidades da sua vida. As crianças ingressam na escola, mas a exclusão de tais
crianças realiza-se “por dentro”, pois o direito ao acesso não garante automaticamente o sucesso
escolar.

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5.1.Educação
As políticas educacionais têm uma repercussão decisiva no florescimento ou no declínio da
diversidade cultural e devem promover a educação pela e para a diversidade. Assim se garante o
direito à educação, ao mesmo tempo em que se reconhece a diversidade das necessidades dos
educandos (especialmente daqueles que pertencem a grupos minoritários, indígenas ou nómadas)
e a variedade dos métodos e conteúdos conexos. Em sociedades multiculturais cada vez mais
complexas, a educação deve auxiliar-nos a adquirir as competências interculturais que nos
permitam conviver com as nossas diferenças culturais e não apesar delas. Os quatro princípios de
uma educação de qualidade definidos em Moçambique sobre Educação rumo há diversidade
cultural são: Aprender a ser, Aprender a conhecer, Aprender a fazer e Aprender a viver em
conjunto.

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Conclusão
Conclui-se que a diversidade cultural é a característica básica de formas de vida e das
manifestações de cultura na terra. Podendo também ser biológico ou cultural. Assim como
existem três tipos de diversidade cultural: genética, linguística e cultural.

As diversidades culturais genéticas são às variações e similaridade genéticas entre as pessoas. a


diversidade cultural linguística olha-se para a existência de diferentes linguagens e sua
distribuição em regiões, a diversidade de culturas é o complexo de indivíduos e comportamentos
dentro de um complexo histórico comum. A universidade cultural da neste caso antropologia não
só estuda as diferenças como também o que nos faz a todos os seres humanos iguais. Quando
estes traços culturais existem em todas ou em quase todas sociedades denominam-se universais
culturais aqueles que distinguem os humanos das outras espécies: a unidade psíquica dos
humanos, pois todos humanos têm a mesma capacidade para a cultura sendo a linguagem é a
característica da diversidade cultural.

A diversidade cultural preocupa os educadores moçambicanos visto que na mesma sala temos
alunos de géneros diferentes que pertencem a grupos linguísticos, étnicos e religiosos diferentes,
com concepções, saberes, temporalidades e especialidades diferenciadas. A diversidade obriga-
nos a reflectir sobre formas didácticas diferenciadas porque nem todos os alunos conseguem se
adaptar aos padrões didácticos monoculturas e hegemónicos.

12
Referências bibliográficas
TAKAHASHI, Tadao. Diversidade cultural e direito à comunição. Disponível em: . Acesso em:
jul. 2006.

CUCHE, D. A noção de cultura nas ciências sociais. Tradução de Viviane Ribeiro. 2.


ed. Bauru: EDUSC, 2002.

DIAS, Hildizina. As desigualdades sociolinguísticas e o fracasso escolar: em direcção a uma


prática linguístico-escolar libertadora. Maputo: Promédia, 2002.

CANDAU, Vera Maria. Interculturalidade e educação escolar. Disponível em: . Acesso em: jul.
2006.

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