FORRAGICULTURA E
PASTAGEM
AULA 1
Profª Maria Cecília Doska
CONVERSA INICIAL
Nesta etapa, estudaremos a importância da forragicultura e pastagem
para a produção animal brasileira e como ela influencia nas dietas animais e na
redução dos custos de produção. Também vamos falar sobre a produção de
animais a base de pasto, principalmente dos ruminantes e como as pastagens
podem melhorar a qualidade da carne e do leite. Por último, vamos começar a
abordar sobre as características botânicas das principais espécies de gramíneas
e leguminosas forrageiras utilizadas na alimentação dos animais e nos sistemas
de pastejo e aprender a definir e diferenciar os principais termos utilizados nesta
ciência.
Os objetivos desta etapa são: aprender sobre a importância econômica e
social da forragicultura para a produção de animais; conhecer e diferenciar os
principais termos utilizados pelos profissionais da área; estudar sobre as
principais diferenças e características botânicas das gramíneas e leguminosas
forrageiras; e saber sobre a produção de animais a base de pasto e suas
vantagens econômicas para a produção animal.
Desejo a você um excelente estudo!
TEMA 1 – IMPORTÂNCIA DA FORRAGICULTURA E PASTAGENS
A Forragicultura é uma ciência de grande importância para os
profissionais das áreas das Ciências Agrárias e estuda as plantas forrageiras e
a interação delas com o animal, o solo e o meio ambiente.
Para começarmos a entender melhor sobre este assunto, é importante
sabermos a diferença entre o que é uma forragem e o que é uma pastagem.
Forragem é a comunidade de plantas herbáceas que são utilizadas para
suprir a alimentação dos animais ruminantes. Vale ressaltar que o local onde se
cultivam as plantas forrageiras que formam a forragem é diferente do local da
utilização delas, ou seja, é necessário que ocorra um processo de transporte.
Uma das vantagens das forrageiras é o seu nível produtivo quando comparado
com as pastagens, pois tem um maior rendimento tonelada/hectare, tanto por
estação de crescimento quanto por ano, porém tem um maior custo de
produção e possui maior risco de falhas no momento da instalação. Um exemplo
de forragem é o milho cultivado para a produção de silagem, como mostra a
Figura 1.
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Figura 1 – Milho para silagem
Crédito: Ksena32/Adobe Stock.
Já a Pastagem é a comunidade de plantas, geralmente herbáceas, que
são aproveitadas pelos animais no próprio local em que crescem, ou seja,
durante o pastoreio. Apresenta custo de implantação e manejo menor quando
comparada as forragens. Como exemplo, podemos citar a plantação do Capim
Brachiaria sp., muito utilizado na alimentação do gado de corte, como mostra a
Figura 2.
Figura 2 – Pastagem
Crédito: Marcus/Adobe Stock.
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As áreas de forragens e pastagens têm como principal função produzir
alimentos aos animais. Além disso, promovem a manutenção da biodiversidade,
atuam no sequestro de carbono, despoluem águas subterrâneas e superficiais e
propiciam um ambiente agradável para as atividades de lazer, culturais e de
recreação.
O Brasil é um país que possui vasta extensão territorial e um clima
privilegiado para o crescimento das mais diferentes espécies de plantas durante
todas as estações do ano, cujas condições são excelentes para o
desenvolvimento da pecuária de corte e de leite das diferentes espécies de
animais ruminantes. Assim sendo, a formação de boas pastagens de gramíneas
e leguminosas, bem como de capineiras ou forragens (Figura 3) torna-se a
melhor opção para a alimentação do rebanho nacional, pois, além de se
constituir no alimento mais barato disponível, oferece todos os nutrientes
necessários para o bom desempenho dos animais.
Figura 3 – Capineira ou forragem (Capim Elefante – Pennisetum purpureum)
Crédito: KrsPrs/Adobe Stock.
A escolha cuidadosa de glebas e plantas forrageiras, adubações
adequadas, combate às pragas e plantas invasoras e, principalmente, um bom
manejo, são práticas que vêm recebendo o devido crédito dos pecuaristas. O
elevado custo dos insumos modernos, a grande valorização das terras e a
necessidade de se conseguir altas produtividades a baixos custos, para que os
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lucros também sejam maiores, fazem das pastagens e forragens um dos
principais elementos de uma pecuária tecnicamente evoluída.
Inúmeros são os lançamentos de variedades de diferentes tipos de
gramíneas e leguminosas no mercado prometendo a solução de todos os
problemas de alimentação, contudo, é preciso considerar que não existe um
“capim milagroso”. O que existe são opções de plantas que melhor se adaptam
às condições de cada região do país ou propriedade e ao manejo empregado
para o seu cultivo. É fundamental que mais de uma espécie seja implantada no
sistema para que ocorra a função de complementação mútua (uma espécie
ajuda a outra a se desenvolver e ambas melhoram a disponibilidade de
nutrientes à alimentação dos animais como mostra a Figura 4). A escolha da
espécie forrageira deve ser baseada, principalmente, nas características
agronômicas, como potencial produtivo e é fundamental considerar os aspectos
de adaptabilidade às condições bióticas e edafoclimáticas da localidade.
Figura 4 – Pastagem consorciada de Trevo Branco (Trifolium repens) e Azevém
(Lolium multiflorum)
Crédito: Sheryl/Adobe Stock.
A qualidade da forragem é medida pelos resultados da vegetação, do solo
e dos animais. Assim, a importância da boa forrageira está em elevar a
quantidade e qualidade da plantação e dos produtos de origem animal. Tomando
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o gado bovino como exemplo, inserir boa forragem na alimentação significa
aumentar o volume de leite e o ganho de peso.
Quanto às plantações, uma forrageira de boa qualidade depende de
fatores como adaptação ao solo e ao clima. Bastante utilizada na rotação de
culturas, a forrageira e sua palha são responsáveis por fornecer nutrientes ao
terreno e torná-lo poroso e macio. Desse modo, a escolha da forragem boa é
capaz de diminuir perdas de erosão e estiagem, além de permitir a estabilidade
do volume de produção, rendimento das culturas (quantidade e qualidade) e
prover as substâncias corretas ao solo.
Como podemos observar, a prática do cultivo de forragens e pastagens,
desde que bem implantadas e manejadas, pode trazer à propriedade inúmeros
benefícios ao solo, aos animais e à diminuição nos custos de produção. No
próximo tópico, vamos estudar um pouco da importância das plantas para a
produção dos animais a pasto.
TEMA 2 – PRODUÇÃO ANIMAL A PASTO
Desde o 2001, o Brasil vem se consolidando como grande produtor e
fornecedor de carne, leite e ovos frente ao mercado mundial. Uma das grandes
vantagens que temos em nosso país é a oportunidade da produção de
animais a pasto, sendo os custos de produção da arroba engordada ou do litro
de leite produzido nesse tipo de sistema, desde que bem-manejados, muito
interessantes. A pastagem é a fonte de nutrientes mais econômica em qualquer
parte do mundo, mas principalmente em países em desenvolvimento. Além do
aspecto econômico, a utilização mais racional das pastagens auxilia na
preservação dos recursos renováveis e permite a produção de leite sob
condições mais naturais (Holmes, 1995).
Boas pastagens eliminam ou reduzem a necessidade de suplementação
dos animais, principalmente durante a estação de crescimento das forrageiras.
O uso de pastagens de boa qualidade é econômico, não só pela redução na
compra de concentrados cujos preços são elevados, mas também pela
diminuição da mão de obra, uma vez que o próprio animal colhe sua forragem,
evitando, portanto, a necessidade de gastos com essa operação. Além disso, o
próprio animal em pastejo devolve à pastagem boa parte dos nutrientes
consumidos, permitindo sua reciclagem no sistema, o que, de certa forma,
contribui para a persistência dessas forrageiras (Cóser et al., 2000).
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Os primeiros processos para que ocorra a produção de alimentos são a
utilização da energia luminosa e dos nutrientes do solo para o crescimento das
plantas (fotossíntese). Em sistemas de produção animal, dois outros estágios
são de fundamental importância para que este processo ocorra: o primeiro é que
as plantas devem ser consumidas pelos animais; e o segundo, é que elas devem
ser convertidas em produtos animais (carne, leite, ovos e lã). Cada qual desses
estágios tem sua própria eficiência, a qual pode ser influenciada pelo manejo e
quando somadas podem determinar a eficiência do processo (Hodgson, 1990).
Em sistemas de pastejo, a interdependência entre a forragem colhida e
consumida pelo animal gera uma importante influência sobre a produção animal
e ao sistema como um todo. Portanto, decisões de manejo que melhorem a
eficiência em um dos estágios certamente irão reduzir em outro. Assim, a
essência do manejo de pastagens é alcançar um balanço efetivo entre as
eficiências do processo produtivo: crescimento, utilização e conversão
(Hodgson, 1990).
O entendimento do funcionamento desses sistemas e, portanto, das
relações causa-efeito que regem seu comportamento passa pelo conhecimento
de seus componentes e de seu grau de organização.
A Figura 5 representa esquematicamente o processo de produção animal
a pasto e suas eficiências.
Figura 5 – Processo de produção animal a pasto e suas eficiências
Recursos Forragem Forragem Produto
Solo produzida consumida Animal
Clima
Planta
Crescimento Utilização Conversão
Produção Animal
Fonte: elaborada por Doska, 2023, com base em Hodgson, 1990.
O planejamento e a definição dos sistemas de produção animal em
pastagens devem ser prioritariamente norteados pelos objetivos finais a que se
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propõe determinada exploração econômica, cada qual com suas peculiaridades
e complexidades (Da Silva; Sbrissia, 2001). Os sistemas podem visar à
exploração do mérito genético dos animais (produção/animal) (Da Silva;
Pedreira, 1997) ou mérito da planta forrageira (altas produções de matéria
seca/ha), favorecendo o aumento das taxas de lotação e maiores produtividades.
O entendimento das limitações inerentes às plantas forrageiras nas diferentes
épocas do ano é de extrema importância para a definição de programas
alimentares que atendam às exigências nutricionais dos animais nas diferentes
fases de crescimento e produção.
O primeiro grande desafio que tange a produção de animais a pasto é a
oscilação climática que acontece na maior parte do Brasil ao longo do ano. Essas
mudanças são reconhecidas como fatores marcantes na curva de crescimento e
produção dos animais. Existem dois momentos distintos desta oscilação ao
longo do ano em relação à produção animal, são eles:
1. Período das águas: nesta fase, o crescimento e o desenvolvimento da
forragem são favorecidos em função das condições climáticas favoráveis
(luminosidade, temperatura e precipitação). Desde que adotadas boas
práticas de manejo, a forragem disponível para o pastejo se apresenta
com boa disponibilidade, estrutura e valor nutritivo, o que reflete em
ganhos de peso e produção de leite satisfatórios;
2. Período da seca: a baixa precipitação, temperatura e redução da
luminosidade reduzem o crescimento das plantas, que acabam por
senescerem e perderem valor nutritivo. Esta fase é marcada por baixos
ganhos ou até mesmo perda de peso dos animais.
Sabendo disso e que essas oscilações influenciam a qualidade e a
quantidade de forragem ofertada aos animais, devemos planejar e adotar
algumas estratégias que permitam que o animal apresente uma curva constante
e/ou crescente de crescimento e/ou de produção. A eficiência de crescimento de
uma planta forrageira é função do potencial genético e das condições do meio
(recursos disponíveis), gerando uma produção líquida de matéria seca, que é
função do crescimento da forragem nova e da morte e desaparecimento de
forragem velha (Da Silva; Sbrissia, 2001). A colheita do máximo de material
verde possível a partir da redução das perdas por morte, senescência e
decomposição de tecidos a um patamar mínimo, corresponderia à técnica de
manejo que seria o conceito de manejo racional de pastagens (Da Silva;
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Pedreira, 1997).
Já a eficiência de utilização da forragem em sistemas de pastagens pode
ser definida como a proporção da forragem bruta acumulada, a qual é removida
por animais em pastejo, antes de entrar em senescência, e quanto maior a
quantidade de forragem produzida, a otimização da eficiência de utilização
corresponde à minimização das perdas de tecidos foliares por senescência
(Lemaire, 1997).
No Brasil, a intensificação dos sistemas de produção de leite a
pasto vem crescendo, notadamente, principalmente nas regiões Sul, Sudoeste e
Centro-Oeste. Nessas regiões, o potencial genético dos rebanhos é de melhor
qualidade, o processo de intensificação tem sido baseado na utilização de
forrageiras de alto rendimento e de qualidade para alimentação dos animais
(Pereira; Cóser, 2010). Por outro lado, a produtividade e a qualidade da
pastagem estão condicionadas à fertilização do solo, bem como ao seu manejo
(Cecato et al., 2002).
Figura 6 – Produção de leite a pasto
Crédito: TasfotoNL/Adobe Stock.
Já para a pecuária de corte, segundo Moraes et al. (2006), o pasto
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constitui a base de sustentação, sendo a fonte de alimento mais barata para a
produção de carne. Paulino et al. (2002) afirmaram que para uma alta produção
animal em pastagens, três condições básicas devem ser atendidas, a saber:
1. deve ser produzida uma grande quantidade de forragem de bom valor
nutritivo, cuja distribuição estacional deve coincidir com a curva de
exigências nutricionais dos animais;
2. uma grande proporção dessa forragem deve ser colhida pelos próprios
animais (consumo);
3. a eficiência de conversão dos animais deve ser elevada.
Figura 7 – Ovinos em pastejo
Crédito: Majeczka/Adobe Stock.
Como podemos ver até aqui, as pastagens têm um papel de grande
importância na alimentação dos animais, principalmente dos ruminantes, os
quais têm o poder de transformar capins em produtos de alta qualidade como a
carne, o leite, os ovos e a lã. Vimos também a importância de saber escolher
quais forrageiras trabalhar e que o clima, região e época do ano podem
influenciar no seu crescimento e desenvolvimento. Agora, vamos começar a
estudar mais detalhadamente as plantas forrageiras de importância econômica
para a produção animal.
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TEMA 3 – CARACTERÍSTICAS BOTÂNICAS DAS PLANTAS FORRAGEIRAS
Forragicultura, como vista anteriormente, é a ciência que estuda as
plantas forrageiras e a interação destas com os animais, o solo e meio ambiente.
Ela tem uma importância estratégica para o Brasil, tendo em vista a posição de
destaque que o país ocupa como tendo o maior rebanho comercial de bovinos,
sendo um dos maiores exportadores de proteína animal, possuindo o setor
pecuário com importância direta para a economia e suprimento de diversas
cadeias agroindustriais. Baseado nisso, o cultivo de plantas forrageiras assume
um papel significativo na base para a manutenção dos sistemas de produção
animal.
Para começarmos a conhecer e entender sobre as mais diversas plantas
forrageiras de interesse econômico para a produção animal, precisamos estudar
sobre suas características botânicas. O conhecimento das diversas
características de cada forrageira é de suma importância para sua correta
utilização, a fim de garantir produtividade e perenidade das espécies, bem como
lucratividade dos sistemas produtivos que as utilizam. A grande maioria das
forrageiras está incluída em duas famílias botânicas, que são: as gramíneas e
as leguminosas.
3.1 Gramíneas
As gramíneas pertencem ao Reino Vegetal, na Família Poaceae ou
Gramineae, na divisão Angiospermae, Classe Monocotiledoneae (essa
denominação vem do embrião com um só cotilédone por ocasião da germinação)
e Ordem Gramíneas. Elas estão agrupadas em mais de 650 gêneros e 5000
espécies, sendo que cerca de 75% das forrageiras são dessa família, que inclui
os capins e as gramas. As gramíneas possuem folhas lineares, flores nuas, e as
inflorescências são espigas, panículas e racemos. O fruto é uma cariopse.
São de porte variável, indo desde as rasteiras (gramas), passando pelas
de porte médios (capins), até as de porte alto (milho, sorgo, cana-de-açúcar etc.).
São normalmente utilizadas nas formas de pastagens, fenos ou silagens.
As gramíneas têm boa resistência ao fogo, adaptam-se facilmente em
ambientes diversos e possuem sementes de fácil dispersão. Elas surgem
naturalmente nas pastagens e podem ser classificadas como anuais ou
perenes. Uma das suas características é o seu rápido desenvolvimento, o
que é ótimo para o preparo e formação da pastagem.
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As características morfológicas (estrutura externa das plantas) das
gramíneas são:
• Raiz: fasciculada (cabeleira) e adventícias.
Figura 8 – Raiz fasciculada
Crédito: Vaceslav Romanov/Adobe Stock.
• Caule: tipo colmo, que é aéreo e possui nós e entrenós; tipo rizoma, que
é subterrâneo (também possui nós e entrenós); e tipo estolão, que tem
comprimento horizontal variável, e possui nós e entrenós e que cresce
acima do solo;
• Folhas: séssil, invaginantes, de disposição dísticas, cuja lígula
caracteriza a espécie. Lâmina comprida, lanceolada, com nervuras
paralelinérveas;
• Flores: unissexuadas ou hermafroditas, aclamídeas, superovariadas,
com androceu trímero. Estão dispostas em estruturas características
chamadas espiguetas;
• Inflorescência: as espiguetas estão dispostas em panículas, racemos ou
espigas;
• Fruto: tipo cariopse (apresenta a semente soldada ao pericarpo em toda
a sua extensão).
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Figura 9 – Fruto cariopse (Semente de Aveia – Avena sativa)
Crédito: A_m_radul/Adobe Stock.
3.2 Leguminosas
As leguminosas pertencem ao Reino Vegetal, na Família Fabaceae ou
Leguminoseae, na divisão Angiospermae, na Classe Dicotiledonea e na Ordem
Rosales. Possuem porte variável, folhas compostas e são utilizadas como
forrageiras muito ricas em proteínas. São plantas que produzem sementes
dentro de suas estruturas comumente chamadas de vagens. No Brasil, são as
mais utilizadas na alimentação dos rebanhos bovinos leiteiros, além de terem um
custo baixo ao serem comparadas com outras fontes de alimento.
Por serem plantas que possuem alto valor proteico, proporcionam uma
melhora na dieta animal e por meio da fixação biológica aumentam a
disponibilidade de nitrogênio, o que provoca melhor fertilidade do solo.
As características morfológicas das plantas leguminosas são:
• Raiz: axial ou pivotante;
• Caule: variável (herbáceo, arbustivo e arbóreo);
• Folhas compostas, alternadas e estipuladas;
• Flores: diclamídeas, unicarpelares e multiovuladas.
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Figura 10 – Raiz pivotante
Crédito: Showcake/Adobe Stock.
• Fruto: tipo legume (vagem).
Figura 11 – Fruto tipo legume (Soja Perene – Glycine max)
Crédito: Alfribeiro/Adobe Stock.
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TEMA 4 – CLASSIFICAÇÃO DAS ESPÉCIES FORRAGEIRAS
Agora nós vamos estudar sobre a classificação das plantas forrageiras
mais utilizadas na alimentação dos animais. A partir deste conhecimento é
possível planejar qual a melhor espécie botânica para introduzir na propriedade,
qual a melhor época de plantio e qual a melhor forma de manejar os animais sob
pastejo.
As espécies forrageiras apresentam características peculiares, que
podem ser agrupadas de acordo com a duração de seu ciclo, época de
crescimento e hábito de crescimento.
4.1 Duração do ciclo
O ciclo diz respeito ao tempo de vida que as plantas duram em uma
pastagem e estas podem ser classificadas em anuais, que são as forrageiras
que duram menos de um ano, e em perenes, que são as que duram vários anos.
Essa classificação é regional, pois uma mesma espécie pode ser selecionada
como anual na localidade e perene em outra.
• Anuais: são plantas que germinam, desenvolvem e se reproduzem em
menos de um ano. Após sua retirada pelo pastejo ou corte manual ou
mecânico, é necessário um novo plantio/semeadura, pois essas plantas
só admitem um corte por ciclo de produção. Exemplos: azevém (Lolium
multiflorum), amendoim forrageiro (Arachis pintoi), leucena (Leucaena
spp.), centeio (Secale Cereale) etc.
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Figura 12 – Azevém (Lolium multiflorum)
Crédito: Olga/Adobe Stock.
• Perenes: são plantas que sobrevivem por vários anos, desde que sejam
bem-implantadas e manejadas e não precisam ser semeadas
anualmente. Em geral, apresentam um crescimento inicial mais lento,
priorizando a acumulação de reservas e produzem menos sementes que
as espécies anuais. Com raízes profundas e palhada acumulada sobre o
solo, elas favorecem a infiltração de água, ajudam a reduzir a erosão e
melhoram a fertilidade do solo. Exemplos: alfafa (Medicago sativa),
cornichão (Lotus corniculatus L.), capim mombaça (Panicum maximum),
Brachiaria Decumbens etc.
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Figura 13 – Alfafa (Medicago sativa)
Crédito: Victoria Moloman/Adobe Stock.
4.2 Época de crescimento
Diz respeito à época do ano em que uma determinada espécie forrageira
concentra seu maior período de crescimento. Este pode ser dividido em dois
grupos: de estação fria ou forrageiras de inverno e de estação quente ou
forrageiras de verão.
Não existe um pasto que produza o ano inteiro, sempre há um período em
que a produção de massa verde é reduzida.
• Estação fria, hibernais de inverno ou temperadas: são as espécies
de plantas forrageiras que crescem nos meses mais frios do ano.
Germinam ou rebrotam no outono e se desenvolvem durante o inverno,
florescendo na primavera. Durante o verão, as elevadas temperaturas
aliadas a períodos secos determinam a morte dessas plantas (quando
anuais) ou redução do seu crescimento (quando perenes);
• Estação quente, estivas de verão ou tropicais: são espécies de
plantas forrageiras que crescem durante os meses mais quentes do ano
e iniciam seus rebrotes na primavera, crescendo e frutificando no período
verão-outono. Com a chegada do frio podem morrer (anuais) ou paralisar
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seu crescimento (perenes).
4.3 Hábito de crescimento
O hábito de crescimento diz respeito à forma com que se desenvolve a
parte vegetativa das plantas e este deve ser conhecido para adequação do
manejo de pastagem. Os tipos mais comuns presentes são:
• estolonífero: as espécies de pasto com este hábito de crescimento
expandem seus caules no sentido horizontal, enraizando-se ao solo e
suas folhas são emitidas na vertical. Exemplo: Cynodon sp. (Tifton 85).
Figura 14 – Cynodon sp.
Crédito: Albin/Adobe Stock.
• Rizomatoso: plantas com caule e gemas subterrâneas e que têm a função
de armazenar reservas orgânicas. Eles crescem horizontalmente próximos
e abaixo da superfície do solo e podem ocorrer em gramíneas e
leguminosas. Exemplos: capim quicuio e grama bermuda.
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Figura 15 – Grama bermuda
Crédito: Tammykayphoto/Adobe Stock.
• Ereto: são plantas que têm seu crescimento perpendicular ao solo e suas
gemas se encontram acima do nível do solo. Em algumas gramíneas, os
perfilhos crescem de forma agrupada formando touceiras. Plantas com
hábito de crescimento ereto e que formam touceiras são chamadas
cespitosas. Exemplos: Panicum maximum cv. tanzânia e “capim-
elefante” (Pennisetum purpureum).
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Figura 16 – Pennisetum purpureum
Crédito: Pradit/Adobe Stock.
• Decumbente: os colmos crescem encostados ao solo, mas não
desenvolvem raízes nos nós. Exemplos: capim-braquiária (Brachiaria
decumbens) e trevo subterrâneo.
Figura 17 – Capim-braquiária (Brachiaria decumbens)
Crédito: Mayco Melo/Adobe Stock.
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• Trepadores: encontrados nas leguminosas e podem ser de dois tipos:
volúveis ou escandentes: são estruturas finas e longas que crescem
enroladas nos mais variados tipos de suporte, mas não apresentam
órgão de fixação. Usam o próprio caule para se apoiarem. Exemplos:
Galactia, Centrosema e Macroptilium. Sarmentosos: são estruturas finas
e longas que crescem enroladas nos mais variados tipos de suporte e
usam as gavinhas para se apoiarem. Exemplo: Vicia sativa (ervilhaca).
TEMA 5 – TERMOS TÉCNICOS UTILIZADOS NA FORRAGICULTURA
Neste tópico, vamos aprender sobre alguns termos técnicos utilizados na
forragicultura e que são citados nos mais diversos livros, artigos e trabalhos
publicados sobre o assunto e que podem eventualmente trazer algum tipo de
confusão.
Como futuros profissionais da área, saber distinguir uma definição da
outra ajudará a alcançar melhores entendimentos e resultados sobre esta ciência
tão importante para a produção de animais no Brasil.
• Forragicultura: é a ciência que estuda as plantas forrageiras (plantas
utilizadas na alimentação dos animais) e a interação destas com o solo,
os animais e o meio ambiente;
• Forrageiras ou plantas forrageiras: geralmente é a biomassa aérea de
plantas herbáceas de determinadas famílias que servem para
alimentação animal (não inclui raízes, tubérculos e grãos);
• Forragens: comunidades de plantas herbáceas que são utilizadas para
suprir a alimentação dos animais. O local onde se cultivam as forrageiras
é diferente do local onde as utilizam, ou seja, é necessário haver um
processo de transporte;
• Pastagens: são comunidades de plantas, geralmente herbáceas,
utilizadas como base da alimentação dos animais. Elas são aproveitadas
no próprio local em que crescem, ou seja, aproveitadas pelos animais no
momento do pastoreio;
• Pasto: é o conjunto de perfilhos que vivem de forma dinâmica dentro de
uma mesma área. É a matéria-prima (alimento) mais barata para a
alimentação dos animais, que resultará na conversão da forragem
produzida em um produto final.
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Figura 18 – Bovinos de corte pastando
Crédito: Pulsar Imagens/Adobe Stock.
• Capim: nome comum a várias espécies de gramíneas e ciperáceas, quase
todas usadas como forrageiras;
• Pastejo: é o ato do animal de se alimentar;
• Campo: toda a vegetação constituída, principalmente por formas
herbáceas, especialmente de gramíneas e ou outras espécies
subarbustivas. As árvores e arbustos são raros;
• Campo nativo (range): vide pastagem natural ou nativa;
• Pastagem nativa = natural = indígena ou campo nativo: pastagem
que se formou naturalmente durante um longo período ou áreas
modificadas pela interferência do homem, em alguns casos após um
plantio inicial. Geralmente de baixa produtividade e sem potencial para
cultivos anuais;
• Sistema de produção: é o método de produção agropecuário, praticado
dentro de uma área definida, que comumente é chamada fazenda. É o
conjunto de tecnologias e práticas de manejo vegetal/animal, tendo em
conta a espécie, a finalidade de produção, a raça/espécie e o meio
ambiente/região onde a atividade será desenvolvida;
• Sistema de pastejo: é o movimento e o número de animais em uma área
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definida e que engloba os vários fatores envolvidos na produção como
espécie forrageira trabalhada, tipo de solo, clima, animais etc.;
• Método de pastejo: é o procedimento ou técnica de manejo do pastejo,
idealizado para atingir objetivos específicos, referentes à estratégia de
desfolha e colheita pelos animais.
Figura 19 – Sistema de produção de leite a base de pasto
Crédito: TasfotoNL/Adobe Stock.
• Plantio: propagação vegetativa por meio de partes de planta (estolões,
colmos ou rizomas), geralmente em sulcos no solo;
• Semeadura: é o ato de se colocar a semente no solo;
• Sobressemeaduras: sementes de gramíneas e leguminosas semeadas
sobre uma pastagem perene, normalmente espécies de estação fria
sobre pastagem perene de estação quente (e.g., azevém e trevos sobre
pastagem nativa ou pensacola, grama bermuda, quicuio etc.).
FINALIZANDO
Chegamos ao final da nossa primeira etapa. Neste conteúdo pudemos
aprender sobre a importância econômica de que as plantas forrageiras possuem
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para a alimentação dos animais, tanto em termos nutritivos como em termos de
custos de produção.
O Brasil, sendo um país de vasta extensão territorial e com uma
abrangência de diferentes tipos de climas e de solos, possui um grande potencial
de produção de forragens com o uso das mais diferentes espécies vegetais
utilizadas para este fim. Entender isso é o começo para a implantação de
sistemas de produção animal a base de pasto que sejam economicamente
viáveis e ecologicamente sustentáveis.
Também começamos a estudar sobre as principais características
botânicas das plantas forrageiras e sua classificação em gramíneas e
leguminosas, anuais e perenes (inverno e verão) e seus diferentes hábitos de
crescimento. Este conhecimento nos leva a escolher quais as melhores espécies
forrageiras a serem trabalhadas no sistema de pastejo.
Para encerrar, falamos sobre algumas terminologias utilizadas na
Forragicultura e sua importância para entender melhor esta ciência tão
importante para a produção animal.
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REFERÊNCIAS
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<http://www.nupel.uem.br/pos-ppz/pastagens-08-03.pdf>. Acesso em: 28 set.
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