INTRADERMOTERAPIA – REVISÃO DE LITERATURA SOUZA, M.L1 ; PEREIRA, L2 ; BACELAR,I.
A3
1Discente em Estética e Cosmetologia Faculdade São Lourenço – UNISEPE – São Lourenço/MG
– email: [email protected] 2Doutora e Mestre em Engenharia Biomédica. Docente em
Estética e Cosmetologia Faculdade São Lourenço – UNISEPE – São Lourenço/MG. 3Mestre e
Docente em Estética e Cosmetologia Faculdade São Lourenço – UNISEPE – São Lourenço/MG.
RESUMO A Intradermoterapia é um processo terapêutico, também chamada de Mesoterapia,
consiste em uma técnica pouca invasiva, baseando-se em injeções intradérmicas ou
subcutâneas de substâncias farmacológicas bem diluídas de extrato naturais de plantas ou
homeopáticos, vitaminas e outras substâncias bioativas. Com objetivo de estimular o tecido
que recebe os produtos farmacológicos, evitando-se o uso sistêmico de medicamentos,
utilizada muitas vezes para tratamento estéticos. Atualmente há poucas revisões e estudos
metodológicos sobre este tema específico e este trabalho tratase de uma revisão bibliográfica
de artigos publicados e tem como objetivo apresentar os mecanismos de ação, os efeitos
fisiológicos e os benefícios desta técnica. Palavras- Chaves: Intradermoterapia, Estética
corporal, Mesoterapia. INTRODUÇÃO A Intradermoterapia, foi introduzida por Pistor em 1958
para procedimentos médicos, com utilização de fármacos altamente diluídos, através de
injeções intradérmicas para o tratamento de processos álgicos. Neste momento, pode ser
observada a eficácia da técnica através da estimulação do tecido que recebe a punctura com a
administração dos medicamentos. Esta terapia apresenta ação local dos fármacos e não
sistêmica e por esse motivo, tornou-se interessante e inovadora (TENNSTEDT; LACHAPELLE,
1997). Segundo a história, Pistor tratou um paciente com problemas asmáticos e lhe ministrou
procaína endovenosa, com objetivo te obter a broncodilatação do paciente. Porém, este
mesmo paciente apresentava deficiência auditiva crônica e após receber a injeção o mesmo se
curou deste quadro clínico. Sendo assim, o médico iniciou uma série de ensaios clínicos em
que ministrava injeções intradérmicas do mesmo produto na área mastóide e o receptáculo
apresentava uma recuperação Revista Saúde em Foco – Edição nº 10 – Ano: 2018
[email protected] Página 532 temporária da audição. Prosseguindo com as injeções
de procaina em diversos pacientes, em 1958 se publica o artigo intitulado “Exposé sommaire
des propriétés nouvelles de la procaine local en pathologie humain” (Breve exposição de novas
propriedades da procaína aplicada localmente em patologia humana). No artigo se relatava a
vivência no tratamento da surdez, vertigens, presbiopia e cefaleia através de injeções
subcutâneas no local com procaína, supunha-se que os efeitos aconteciam por causa de um
estímulo neurossensorial de curta duração, que foi denominada Mesoterapia, nome dado
devido a origem embriológica da derme, local de aplicação. Na mesoterapia o medicamento é
injetado na derme reticular, a aproximadamente 4 mm de profundidade, onde se localizam os
plexos capilares superficiais e profundos. Este consiste em um fator de suma importância para
maior absorção dos medicamentos em questão (PISTOR, 1976) (Figura 1). Figura 1: Esquema
representando a aplicação da Mesoterapia. Fonte:
http://www.metsavaht.com.br/ortopedia/mesoterapia/. Acesso em 20 de junho de 2018. Nos
dias atuais diversos profissionais da área de saúde utilizam a intradermoterapia para
tratamentos estéticos de lipodistrofia (Figura 2), fibroedemagelóide, afecções capilares, entre
outros, sendo chamada de Mesoterapia (HERREROS et al., 2011; BORGES, 2010; AMIN et al.,
2006; GUIRRO &GUIRRO, 2004). São escassas pesquisas científicas, quanto a utilização da
intradermoterapia, sendo Revista Saúde em Foco – Edição nº 10 – Ano: 2018
[email protected] Página 533 assim esta revisão teve como objetivo reunir
informações relevantes desta técnica, para os tratamentos médicos e inestéticos. Figura 2:
Injeção intradérmica ou subcutânea de um ou mais fármacos, através da introdução da agulha
na pele. Fonte: VARELA, 2018. DESENVOLVIMENTO Guillaume et al., 2011 descreve a
intradermoterapia como a injeção intradérmica de fármacos altamente diluídos, próprios para
essa via de utilização. A derme tornar-se-ia, então, um reservatório a partir do qual os
produtos ativariam receptores dérmicos e se difundiriam lentamente, utilizando a unidade
microcirculatória. Observa-se, porém, que essas explicações parecem mais repetições das
citações do seu precursor, já que são relatadas sempre do mesmo modo nos artigos
subsequentes. O procedimento básico das injeções intradérmicas varia muito de um estudo
para outro, o que reflete a falta de um padrão metodológico que sustente a mesoterapia. Em
comum, tais estudos descrevem que a mesoterapia consiste em injeções intradérmicas ou
subcutâneas de um fármaco ou de uma mistura de vários produtos, chamada mélange.
Quanto à introdução da agulha na pele, isso varia de autor para autor, e descreve-se que pode
ser perpendicular ou formando um ângulo de 30° a 60°. Há, contudo, concordância entre esses
autores de que a agulha deve penetrar a uma profundidade máxima de 4mm. Para tanto,
preconiza-se o uso da agulha de Lebel (bisel com 4mm de comprimento). As injeções devem
abranger somente a área a ser tratada e a distância entre elas também é variável, podendo
distar de 1cm (no mínimo) até 4cm (no máximo) entre si. As aplicações relatadas nos artigos
são feitas com periodicidade semanal ou mensal e o número de sessões mencionadas varia de
quatro a dez. Sugere-se aplicar pequenos volumes por puntura. Além do Revista Saúde em
Foco – Edição nº 10 – Ano: 2018 [email protected] Página 534 conjunto agulha e
seringa, podem-se utilizar instrumentos considerados mais sofisticados e mais caros: as
pistolas de mesoterapia. Essas pistolas são injetores eletrônicos de múltiplos pontos que
permitem a quantificação do volume e da profundidade da aplicação. A desvantagem desse
sistema é a dificuldade da esterilização de todo o conjunto, uma vez que só a agulha é
descartável. De todos os parâmetros descritos, parece que apenas a profundidade da injeção
na mesoterapia foi definida a partir de estudos científicos. A via intradérmica conta com uma
farmacocinética própria e, por isso, são recomendáveis injeções a menos de 4mm de
profundidade. Apesar de Pistor ser considerado o “pai” da mesoterapia, deve-se salientar que
houveram experimentos anteriores a ele, que embasaram sua conduta. O oftalmologista,
Koller em 1884, divulgou sua experiência em um artigo revisional sobre uso de cocaína no local
para aliviar a dor. Já em 1904 o Einhorn descobre um novo anestésico havendo menores riscos
de dependência, a procaína e assim Leriche em 1925 aplicou injeções intradérmicas em
espaços intercostais. Aron em 1930, publica estudos abordando injeções intradérmicas de
solução de histaminna e conclui-se que a injeção intradérmica de qualquer produto
farmacológico, em local dolorido, teria efeito analgésico. Entretanto foi apenas a partir de
Pistor em que mesoterapia recebeu enfoque, tendo a Sociedade Francesa de Mesoterapia
fundada em 1964. Em 1976, Pistor, cria-se um resumo a sua técnica tais como: “Pouco, poucas
vezes, e no local adequado”. O mesmo fundador da mesoterapia reconheceu que suas
recomendações eram empíricas e tinha base em suas experiências clínicas pessoais. Afirma-se
ter percebido que, doses maiores não surtiam diferença para os resultado clínico e puncturas
múltiplas surtiam melhores efeitos. Em 1992 Mrejen, realiza estudo com foco em estabelecer
se haveria alguma diferença da difusão dos produtos injetados na derme entre 4mm e 10mm
de profundidade. Conclui-se neste estudo que o produto injetado em até 10mm difunde-se
mais depressa e atinge rapidamente a circulação sistémica, o mesmo também era eliminado
mais rapidamente do que quando injetado a 4mm de profundidade. Ao mesmo tempo em
1992, Aumjaud, preconizou o uso de um sílicio orgânico em uso intradérmico, em estrias
antigas e em pele com rítides e foto-envelhecimento. Já a em 2001, começa-se a surgir mais
trabalhos indexados no MedLine em foque no uso a intradermoterapia para as dermatoses
inestéticas.Em 2004, Rotunda et al. publicaram um estudo em que injetaram os dois principais
componentes do produto lipolítico (fosfatidilcolina e deoxicolato de sódio) usado para injeções
subcutâneas. Com o uso de tecido gorduroso suíno, concluíram que a fração ativa do produto
é o deoxicolato de sódio e que este age como um detergente, causando lise não específica da
parede celular adiposa. Em 2005, Rose e Morgan Revista Saúde em Foco – Edição nº 10 – Ano:
2018 [email protected] Página 535 publicaram um estudo mostrando os exames
anatomopatológicos de biópsias de um paciente após o tratamento com fosfatidilcolina e
deoxicolato de sódio. A histologia mostrou inflamação e necrose no tecido adiposo. Em 2006
Brown diz que cientificamente os efeitos da mesoterapia ainda não foram comprovados, e
atenta-se ao fato de não haver padrão nas dosagens muito menos protocolos de tratamento.
Há apenas um trabalho anterior metodologicamente "mais adequado" onde o estudo de Amin
et al. (2006), onde os autores não encontraram nenhum benefício clínico em quatro sessões
mensais de mesoterapia para tratar o fotoenvelhecimento facial; contudo, encontra-se o
aumento de colágeno na área de tratamento, o que foi visto como uma zona de reparo,
entretanto o aumento não foste estaticamente relevante. Apesar de sua boa metodologia para
avaliação de resultados, encontra-se uma crítica à técnica desenvolvida pelos autores: devido
não se ter informações sobre qual produto farmacológico foi utilizado, afirmam ter aplicado
uma harmonia de ácido hialurônico e "multivitaminas". Além de que, as quatro sessões e o
tempo decorrido entre a última aplicação e a biópsia foi de dois meses. Maya em 2007, realiza
uma revisão, em que cita o silício orgânico como uma medição intradérmica que se prova
capaz de estimular a síntese de colágenos. Em 2008 realiza-se estudos preliminares para se
avaliar os efeitos sobre o rejuvenescimento cutâneo promovido devido a mesoterapia na cama
subepidérmica (de baixa ecogenicidade) através do ultrassom. O exame realizado pós diversas
injeções intradérmicas semanais de ácido hialurônico, por quatro semanas e demonstrou ser
este um tratamento efetivo para envelhecimento actínico. Ativeh et al. (2008), concluiu-se que
até que novos estudos sejam feitos, os pacientes que tenham em mente a mesoterapia a fins
cosméticos deveriam ser informados que as substâncias atualmente utilizadas não são
avaliadas quanto a segurança e eficácia. As terapias combinadas de intradermoterapia e
aparelhos como carboxiterapia e radiofrequência para tratamentos inestéticos como
lipodistrofia e fibroedemagelóide foram consideradas uma ótima opção, obtendo resultados
satisfatórios. Algumas das principais substâncias utilizadas para o tratamento dessas afecções
são: Lipossomas de Desoxicolato de Sódio, L-carnitina, Cafeína, Blufomedil e Silício ((BORGES,
2010). Na pesquisa de ANTONIO, et al, 2017; MOURA FILHO, 2017 a intradermoterapia foi
utilizada como opção de tratamento para a alopecia androgenética, através de aplicações de
fármacos específicos no couro cabeludo para estímulo do crescimento capilar (Figura 3). As
substâncias tópicas mais utilizadas para estímulo do folículo piloso são a finasterida,
dutasterida, minoxidil, biotina, vitaminas e silício orgânico (ANTONIO, et al, 2017). Neste
contexto a utilização da intradermoterapia são uma opção crescente no mercado estético, pois
aplicados de forma correta são seguros e muito eficazes para os pacientes. Revista Saúde em
Foco – Edição nº 10 – Ano: 2018 [email protected] Página 536 Figura 3: Aplicações
de fármacos específicos no couro cabeludo para estímulo do crescimento capilar. Fonte:
http://fitbodypilates.com.br/trate-queda-capilar-com-intradermoterapia/.Acesso em 06 de
maio de 2019. METODOLOGIA Seguindo a metodologia da exploração e estudo de artigos,
bibliografias, literaturas, dissertações e teses publicadas entre 1958 e 2018, foi possível chegar
a resultados e conclusões a respeito da mesoterapia, através da revisão de literatura. Utilizou-
se como palavras-chaves: Intradermoterapia, estética corporal, mesoterapia. RESULTADOS E
DISCUSSÃO Após a análise literária geral de diversos artigos acadêmicos foi possível concluir
que a mesoterapia não possui muitos artigos indexados que contenham uma metodologia e
um relatório satisfatório, além de possuir diversas controvérsias e diferenças sobre a
aplicação, metodologia e os resultados. Já que alguns estudos apresentam uma conclusão não
favorável e outras já possuem conclusões favoráveis sobre o mesmo tema, é possível afirmar
também que há uma certa falta de informações nos próprios artigos. Contudo podemos
afirmar que se definiu um padrão na mesoterapia em que utilizam uma agulha de 4mm de
comprimento (citado pela a maioria dos autores) e as injeções devem ser realizadas apenas no
local onde será realizado o tratamento e a distância entre elas é variável, podendo ser de 1cm
até 4 cm entre si. Nos artigos cita-se um tratamento semanal ou mensal e o número de
sessões varia entre quatro e dez vezes. Revista Saúde em Foco – Edição nº 10 – Ano: 2018
[email protected] Página 537 Em 2012, a resolução nº 4302 da Agência Nacional de
vigilância Sanitária (ANVISA) proíbe o uso de alguns extratos vegetais isolados ou associados a
outras substâncias, tais como: Chá Verde, Centella Asiática, Ginkgo Biloba, Melilotus, Castanha
da Índia, Dente de Leão, Sinestrol Ayslim e Girassol. Posteriormente, em 2013, foi publicada
outra Resolução n° 128 da ANVISA proibindo o princípio ativo Tiratricol. Além disso,
substâncias alcoólicas e oleosas foram proscritas dos tratamentos injetáveis mesoterápicos por
apresentarem risco de desenvolvimento de necrose tecidual. Entretanto, a variedade de
substâncias utilizadas na mesoterapia se resume a eutróficos, lipolíticos, venotróficos
(venolinfáticos ou vasoativos) e anestésicos/paticolíticos. Mesoterapia vem sendo um
tratamento que vem se tornando cada vez mais popular, principalmente por sua extensa
finalidade, pois pode ser usada para tratamentos como: Gordura Localizada, Hipercromias
diversas ("manchas"), Cicatriz Atrófica ou Estrias, Rejuvenescimento Facial, Flacidez Tissular
("de pele"), Lipodistrofia Ginóide (“celulite”), Alopecia (redução de pêlos/cabelos) e
Emagrecimento ou Ganho de Massa Magra. Como citado nos artigos acima, este tratamento
apresenta beneficíos e talvez malefícios ainda não identificados, uma vez que através dos
poucos estudos realizados não foi possível afirmar com clareza, sua eficácia e segurança, por
não possuirem um padrão e exato ou procedimento "correto". Segundo os estudos da
mesoterapia pode-se concluir os seguintes fatores em ordem cronológica; Quando a
mesoterapia é realizada Guillaume et al., 2011 "a atividade local do produto permanece por
longo tempo e afirmaram que há um reservatório persistente dérmico com débil difusão local,
mas também perceberam que os produtos injetados na derme alcançam grandes distâncias
(passam, progressivamente, para a grande circulação). A partir desses dados, concluíram que a
ação da intradermoterapia ocorre por dois fatores: a atividade de curta distância (estímulo de
receptores dérmicos in situ) e atividade de longa distância (alcance de outros órgãos pela
circulação). Assim, demonstraram a difusão dos produtos mesoterápicos, porém a explicação
do mecanismo de ação da mesoterapia pelo estímulo de receptores locais ou de receptores à
distância continuou sendo empírica." e essa teoria é ainda aceita atualmente na sociedade de
mesoterapia francesa. Conclui-se também através de Mrejen et al. 1992 "O produto injetado
em até 10mm difunde-se mais depressa e atinge rapidamente a circulação sistêmica, sendo,
também, eliminado com maior rapidez do que quando a injeção é em até 4mm. Devido a esse
estudo, sugere-se que as injeções na intradermoterapia sejam realizadas em até 4mm de
profundidade (para que o produto permaneça mais tempo no local). Quanto mais superficial a
injeção, mais lenta a difusão, permanecendo o produto mais Revista Saúde em Foco – Edição
nº 10 – Ano: 2018 [email protected] Página 538 tempo no local desejado. Cinquenta
por cento da quantidade de fármacos injetados a menos de 4mm de profundidade
permaneceriam no ponto de injeção após dez minutos, enquanto que 16% dos fármacos
injetados a mais de 4mm de profundidade permaneceriam no local após dez minutos.
Concluiu-se que a difusão de um produto em intradermoterapia depende da profundidade em
que é injetado. Pode se ilustrar essa diferença de distribuição com curvas de eliminação: a via
intradérmica superficial teria uma curva de eliminação do tipo monoexponencial, ao passo que
a via intradérmica profunda teria uma curva biexponencial (uma eliminação inicial mais rápida,
correspondendo, quase, a uma injeção intravenosa, seguida de uma eliminação mais lenta por
um reservatório dérmico)." Também são citadas complicações nos casos de mesoterapia:
Guillaume et al., 2011: "A mais temida e frequentemente registrada é a infecção por
microbactérias, que exige meses de tratamento com drogas múltiplas e, geralmente, resulta
em cicatrizes inestéticas. Aparentemente, a infecção secundária descrita em tais trabalhos
poderia ser explicada por uma assepsia inadequada pré-procedimento ou pela contaminação
do produto utilizado. Outras complicações relatadas são: erupção liquenoide, indução de
psoríase, urticária, necroses cutâneas, lúpus eritematoso sistêmico, paniculite, acromia e
atrofia. Tais complicações são atribuídas ao uso de técnica inadequada ou ao efeito do
medicamento em si." Os trabalhos da mesoterapia focavam no alívio de processos álgicos e
sendo assim há diversos relatos do uso da intradermoterapia com benefício no tratamento de
tendinite, cervicobraquialgia, doenças musculoesqueléticas, analgesia oral e periodontal. Além
de artigos que citam a melhora de dores articulares. Os estudos apresentam a
intradermoterapia como uma alternativa no arsenal terapêutico da dor. Em 2001 surge
arquivos indexados no MedLine relatando uso da intradermoterapia em dermartoses
inestéticas. Relatos também sobre injeção de substância lipolítica no subcutâneo, para tentar
diminuir a cama de gordura no abdômen, pálpebra inferior, pescoço, glúteo ou coxas. As
revisões concluem que a injeção subcutânea de certos produtos podem funcionar. Em 2004,
na pesquisa de Rotunda et al. Foram utilizados dois principais componentes do produto
lipolítico (fosfatidilcolina e deoxicolato de sódio) para injeções subcutâneas. Com o uso de
tecido gorduroso suíno, pode ser concluido que a fração ativa do produto é o deoxicolato de
sódio e que este age como um detergente, causando lise não específica da parede celular
adiposa. Em 2005, Rose e Morgan publicaram um estudo mostrando os exames
anatomopatológicos de biópsias de um paciente após o tratamento com mesoterapia e
fosfatidilcolina e deoxicolato de sódio. A histologia mostrou inflamação e necrose no tecido
adiposo. Revista Saúde em Foco – Edição nº 10 – Ano: 2018 [email protected]
Página 539 Como citado anteriormente Maya em 2007, realiza uma revisão, em que cita o
silício orgânico como uma medição intradérmica que se prova capaz de estimular a síntese de
colágeno. Guillaume et al., 2011, comparou histologicamente, a pele de mulheres com
fotoenvelhecimento moderado, submetidas a injeções intradérmicas de salicilato de silanol e a
injeções intradérmicas de soro fisiológico, e analisou a densidade das fibras colágenas e
elásticas na derme injetada com salicilato de silanol em relação à densidade das fibras na
derme que recebeu soro fisiológico. Avaliou, ainda, a textura da derme que recebeu salicilato
de silanol em comparação com a derme que recebeu soro fisiológico. A intradermoterapia com
silício orgânico aumentou o número de fibras elásticas e colágenas na derme injetada com o
produto e tornou a textura do colágeno mais homogênea, no lado que recebeu silício. Em uma
pesquisa realizada por Expósito Oliveira et al, 2013, foi realizada a intradermoterapia em 30
pacientes com idade entre 40 e 55 anos, com sinais de fotoenvelhecimento leve a moderado,
para analisar a eficácia do tratamento de rejuvenescimento cutâneo com a associação de
complexos vitamínicos, aminoácidos, antioxidantes, coenzimas e ácido hialurônico sem
crosslinking. O tratamento foi feito com intervalos de 15 dias entre as três primeiras e mensais
nas duas últimas, através de cinco aplicações intradérmicas superficiais e profundas do
produto. Nesta pesquisa observou-se que o aporte de nutrientes teciduais na forma de
vitaminas (C, E, e do complexo B), antioxidantes (vitaminas C, E e glutationa), coenzimas,
ácidos nucleicos, aminoácidos e ácido hialurônico sem crosslinking demonstrou ser
extremamente eficaz para a melhora da espessura dérmica e para a reorganização das fibras
proteicas, ocasionando a melhora dos sinais leves a moderados das alterações decorrentes do
fotoenvelhecimento (Figura 4). Figura 4: Pré e pós aplicação de intradermoterapia, onde pode
ser observada a melhora das rugas e do brilho. Fonte: Expósito Oliveira et al, 2013. Revista
Saúde em Foco – Edição nº 10 – Ano: 2018 [email protected] Página 540 A
Intradermoterapia possui eficácia em alterações estruturais profundas decorrentes da
senescência, através da aplicação de substâncias injetadas na derme como o
dimetilaminoetanol (DMAE), ácido hialurônico e o salicilato de silanol. Estas substâncias
aumentam a hidratação da pele e favorecem a produção de colágeno e elastina (MARIANO &
SILVA, 2018). CONCLUSÃO Pode-se concluir que, apesar da necessidade de novas pesquisas
clínicas acerca de métodos, produtos e ensaios clínicos sobre a intradermoterapia, esta técnica
apresenta resultados satisfatórios, porém devem ser realizados mais estudos
metodologicamente corretos e rigorosos, para se ter uma base segura em que se possa afirmar
com clareza que a mesoterapia é algo totalmente seguro e funcional. Revista Saúde em Foco –
Edição nº 10 – Ano: 2018 [email protected] Página 541 REFERÊNCIAS
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