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Estrutura e Emoções no Diário de Anne Frank

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mateus.p.araujo
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FICHA DE TRABALHO DE PORTUGUÊS – 8.

º ANO
Ano letivo de 2023/2024
Lê com atenção o texto que se segue.
Sexta-feira, 24 de dezembro de 1943
1 Querida Kitty,
Como já disse muitas vezes antes, os nossos estados de espírito têm tendência para nos
afetar bastante e, no meu caso, ultimamente as coisas têm piorado. A frase “No topo do
mundo, nas profundezas do desespero” aplica-se sem dúvida a mim. Estou “no topo do
5 mundo” quando penso em como temos sorte, e me comparo com as outras crianças judias, e
fico “nas profundezas do desespero” quando, por exemplo, Mrs. Kleiman passa por cá e fala
sobre Jopie e o seu clube de hóquei, viagens de canoa, peças de teatro na escola e chás da
tarde com as amigas.
Acho que não tenho inveja de Jopie, mas gostava de me divertir, para variar, e de rir até me doer a
10 barriga. Estamos presos nesta casa como leprosos, o que é principalmente difícil durante o inverno e nos
feriados do Natal e do Ano Novo. Na verdade, não devia estar a escrever isto, uma vez que me faz parecer
tão ingrata, mas não posso guardar tudo para mim, portanto repetirei aquilo que disse ao princípio: “O
papel é mais paciente do que as pessoas.”
Sempre que vem cá alguém do exterior, com o vento nas roupas e o frio nas faces, apetece-me enfiar a
15 cabeça debaixo dos cobertores para me impedir de pensar: “Quando é que poderemos respirar novamente
ar puro?” Não posso pensar assim – pelo contrário, tenho de erguer a cabeça e fazer uma cara corajosa,
mas mesmo assim os pensamentos insistem em aparecer. Não apenas uma vez, mas constantemente.
Acredita, quando uma pessoa está fechada há um ano e meio, às vezes torna-se insuportável. Mas não é
possível ignorar os sentimentos, por muito injustos ou ingratos que possam parecer. Anseio por andar de
20 bicicleta, dançar, assobiar, olhar para o mundo, sentir-me jovem e saber que sou livre, e contudo não o
posso demonstrar. Imagina o que aconteceria se nós os oito começássemos a sentir pena de nós próprios
ou a andar com o descontentamento claramente visível nos rostos. O que ganharíamos com isso? Por vezes
pergunto-me se alguém alguma vez compreenderá o que quero dizer, se alguém passará por cima da
minha ingratidão, não se preocupando em saber se sou ou não judia, e vendo-me apenas como uma
25 adolescente muito necessitada de alguma diversão. Não sei, e não conseguiria falar sobre isso com
ninguém, pois estou certa de que começaria a chorar. Chorar pode trazer alívio, desde que não se chore
sozinho.
Tua, Anne.
Anne Frank, in Diário de Anne Frank – versão definitiva, Lisboa, Editora Livros do Brasil, 2006

Agora, responde de forma completa e bem estruturada às questões que se seguem.


1. O excerto que acabaste de ler pertence a uma página de diário.
1.1. Identifica quatro características próprias da sua estrutura.
Nesta página de diário, estão presentes as seguintes características da sua estrutura: local e data
1.2. Transcreve do texto palavras ou expressões que comprovam algumas das características do
diário.
a)Discurso na primeira pessoa: «acho que não tenho inveja de Jopie»
b)Uso do presente do indicativo para expor sentimentos e reflexões atuais: «estamos presos
c) Narração e reflexão pessoal sobre as experiências vivenciadas: «Mrs. Kleiman passa por cá e fala
sobre Jopie e o seu clube de hóquei
d) Tom intimista e discurso emotivo: «apetece-me enfiar a cabeça debaixo dos cobertores

1
2. Presta atenção ao primeiro parágrafo do texto.
2.1. Retira do mesmo a frase que demonstra que Anne apresenta estados de espírito aparentemente
contraditórios.
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2.2. Identifica as razões que a levam a sentir estas emoções contraditórias.
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3. A determinada altura, Anne afirma que o “papel é mais paciente do que as pessoas.” (ll.12 e 13).
3.1. Para além da comparação, indica o recurso expressivo aí presente.
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3.1.1. Explica o seu sentido.
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4. Transcreve marcas textuais que situam Anne Frank no tempo e no espaço, tendo em conta o penúltimo
e o último parágrafos.
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5. Identifica os recursos expressivos presentes nas citações que se seguem.


5.1. ““No topo do mundo, nas profundezas do desespero” (ll. 3-4).
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5.2. “Estamos presos nessa casa como leprosos” (l.10).


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5.3. “com o vento nas roupas e o frio nas faces” (l. 14).
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5.4. “Anseio por andar de bicicleta, dançar, assobiar, olhar para o mundo, sentir-me jovem e saber que
sou livre” (ll.19-21).
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