A História de
Campo Grande – MS
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Índice
INT R O D U Ç Ã O , 3
Capítulo I
U M " G R A N D E V A ZI O ", 5
Capítulo II
M O N T E A L E G R E D E M I N A S, 9
Capítulo III
HIS T Ó R I A D A F U N D A Ç Ã O D E C A M P O G R A N D E , 12
Capítulo IV
HIS T Ó R I A D A F U N D A Ç Ã O D E C A M P O G R A N D E , 17
Capítulo V
J OS É A N T Ô N I O PE R EI R A, 25
Capítulo VI
A P RI M E I R A VI A G E M , 30
Capítulo VII
A SE G U N D A VI A G E M , 35
Capítulo VIII
T E R C E I R A VI A G E M D E JO S É A N T Ô N I O PE R EI R A, 40
Capítulo IX
O "R E G I S T R O " D E C A M P O G R A N D E , 41
Capítulo X
D E S C E N D E N T E S D E JO S É A N T Ô N I O PE R EI R A, 44
Capítulo XI
M O N T E A L E G R E e C A M P O G R A N D E , 46
Capítulo XII
A N T Ô N I O L UI Z PE R EI R A, 51
Capítulo XIII
MONU M E NT OS
E H O M E N A G E N S A JOS É A N T Ô N I O PE R EI R A,59
Capítulo XIV
HI N O D E C A M P O G R A N D E , 67
Capítulo X V
PA R TIT U R A
HI N O D E C A M P O G R A N D E , 69
Capítulo X VI
A N E X O S, 71
C O N V I T E, 89
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 2
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
INTRODUÇÃO
Eurípedes Barsanulfo Pereira*
Em suas pesquisas, os historiadores procuram informações em
documentos legítimos, em fontes bibliográficas idôneas e, se possível, obtêm-nas dos
próprios agentes geradores dos fatos. Felizmente, alguns dos que protagonizaram a
fundação de Campo Grande puderam fazer relatos dos acontecimentos, de modo
espontâneo e reiterado, aos descendentes mais próximos.
Em 1907, com o falecimento de seu genitor, Epaminondas
Alves Pereira passou a ser criado, como verdadeiro filho, por seu avô materno, Antônio
Luiz Pereira, filho de José Antônio Pereira. Antônio Luiz acompanhara seu pai nas duas
viagens de Monte Alegre de Minas ao Campo Grande, em 1872 e 1875.
Essa longa convivência permitiu que o avô lhe contasse, em
inúmeras oportunidades, os principais detalhes dessas viagens, inclusive, ao termo da
jornada, a escolha do melhor local para se estabelecerem. Perdurou até o ano de 1942,
quando faleceu Antônio Luiz. Epaminondas estava presente no momento de seu
desenlace, ocorrido instantes depois de agradável conversa entre neto e avô.
Portanto, o que veio escrevendo desde os anos cinqüenta sobre a
fundação da cidade de Campo Grande, quase a totalidade se baseou em informações
colhidas junto a Antônio Luiz Pereira e, também, a Anna Luiza de Souza, esposa deste
e filha de Manoel Vieira de Souza ("Manoel Olivério").
O resumo histórico, excerto do opúsculo de sua autoria,
publicado em 1972 (2ª edição), comemorativo do Centenário da fundação de Campo
Grande, é o fulcro da presente obra. Constitui, na verdade, feliz tradução das narrativas
de seus avós maternos, filhos dos patriarcas das duas primeiras famílias que se
estabeleceram à forquilha das águas do Prosa e Segredo.
Quando se trata da história da fundação de Campo Grande,
jamais se pode esquecer Rosário Congro, Intendente do Município em 1918-1919. O
livro "O Município de Campo Grande - Estado de Matto Grosso", editado por sua
iniciativa em 1919, traz a lume o primeiro relato sobre as origens de nossa terra. Por
este motivo, e em reconhecimento ao valor incontestável de seu "histórico", destacamo-
lo em capítulo especial.
À semelhança de Epaminondas Alves Pereira, Edson Carlos
Contar, também bisneto de José Antônio Pereira, há muitos anos vem escrevendo, em
diversos periódicos da cidade, e publicando resumos, sobre a fundação da cidade
morena.
As contribuições desses autores, vindas à luz em épocas
diferentes, e alicerçadas em pesquisas criteriosas, denotam forte concordância.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 3
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
A Guerra do Paraguai e a Campanha da Laguna foram eventos
que antecederam, e de certo modo acabaram resultando em fatos que determinaram a
origem de Campo Grande. Seus principais lances encontram-se magistralmente
narrados nos livros do Visconde de Taunay.
A reconstituição da saga do mineiro José Antônio Pereira, pelos
sertões, outrora palmilhados pelos Voluntários da Pátria, inspirada nesses autores, é a
finalidade de nosso trabalho. Significa, outrossim, nosso preito de gratidão à memória
do intrépido fundador de Campo Grande, Capital do Estado de Mato Grosso do Sul.
Campo Grande, 14 de agosto de 1999.
*E. Barsanulfo Pereira é trineto de José Antônio Pereira e de Manoel Vieira de
Souza.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 4
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo I
UM "GRANDE VAZIO"
Eurípedes Barsanulfo Pereira
Até a chegada e a fixação de José Antônio Pereira na confluência dos córregos,
posteriormente denominados "Prosa" e "Segredo", esta área, da extensa região do então
chamado "Campo Grande", servia apenas como passagem para aqueles que procuravam
chegar a Camapuã, e depois continuarem a jornada, em busca do ouro, em Cuiabá; para
os que se deslocavam do Sertão dos Garcias (atual Município de Paranaíba) rumo a
Vacaria; ou para os que, à época da Guerra do Paraguai, tangidos pelas investidas dos
invasores de nosso território, foram se resguardar nas fazendas situadas a leste do rio
Sucuriú. Completamente desabitada, fazia parte de um "grande vazio", ao sul da
Província de Mato Grosso, como a denomina Acyr Vaz Guimarães (1).
A não ser os campos da Vacaria, mais ao sul, que já estavam sendo ocupados
por diversas fazendas, esta parte não havia atraído, na verdade, a atenção daqueles que
procuravam os sertões, para se apossarem de terras devolutas.
O mais eloqüente relato sobre as imediações de onde surgiria a cidade de Campo
Grande é de autoria de Alfredo d'Escragnolle-Taunay, o Visconde de Taunay, em "Céus
e Terras do Brasil":
"Uma légua mais, entramos no Campo Grande. Esta extensa campina constitui
vastíssimo chapadão de mais de cinqüenta léguas de extensão, em que raras árvores
rompem a monotonia duma planura sem fim (...)." (2)
Quando por aqui chegou, ao anoitecer do dia 21 de junho de 1867, Taunay foi
descansar junto ao "capão do Buriti," onde em 1865 havia se arranchado uma família
brasileira, para "fazer mate" e que na ocasião foi presa por soldados paraguaios. Nem
mesmo, quando descreve sua passagem pela "lagoa do Paula" ou pelo ribeirão das
"Botas," acusa o encontro de alguma alma vivente ou de qualquer palhoça. Era de seu
costume seguir caminhos, ao longo dos quais pudesse encontrar os melhores pontos
para as paradas, especialmente pernoites, como se pode constatar nos relatos de suas
viagens. Percebe-se, claramente, que tudo o que era digno de ser anotado, o fazia,
descendo aos detalhes, quer de aspectos físicos dos locais, quer das pessoas que por
acaso encontrasse, chegando muitas vezes ao requinte de retratá-los em desenhos. É de
se estranhar, portanto, que se tivesse encontrado moradores nesta região do Campo
Grande, apenas estes, não merecessem citação no seu diário de viagem.
Rosário Congro, em publicação, de 1919, intitulada: "O Município de Campo
Grande - Estado de Matto Grosso", inicia deste modo o "Histórico" sobre a fundação:
"Em 1872, a quasi dezerta região meridional da então Provincia de Matto
Grosso, comprehendia, apenas, na vastidão dos seus trezentos mil kilometros
quadrados, approximadamente, as villas de Miranda, outr'ora presídio do mesmo nome,
fundado em 1797, e Sant'Anna do Paranayba, alem das povoações de Nioac e Coxim."
(3)
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 5
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Mais adiante, quando se refere à destruição da roça de José Antônio Pereira por
uma nuvem de gafanhotos, e suas dificuldades para conseguir alimentos, faz alusão ao
morador mais próximo do local, nos seguintes termos:
"Distava doze legoas o morador mais próximo, proprietário de uma fazenda que
a invasão inimiga fizera abandonar por alguns annos, tornando-a tapera, o gado perdido,
internado nas selvas, volvido feróz.
Era alli que ia supprir-se Pereira da sua principal alimentação, que era a carne
dos vaccuns bravios comprados a 15$000 e abatidos a tiros, em verdadeiras caçadas."
(4)
Na altura em que comenta sobre a chegada de outros, que vieram somar-se a
José Antônio Pereira, escreve:
"No ano seguinte, José Antônio Pereira regressou a Monte Alegre, deixando o
seu rancho e a sua lavoura incipiente entregues a João Nepomuceno, com quem se
associara.
Nepomuceno era caboclo de Camapuã, um arraial que morria, situado na antiga
Fazenda Imperial do mesmo nome, nas cabeceiras do Coxim, e que ali aparecera, "de
muda" para Miranda, quebrando a monotonia do ermo com dois carros de bois que o
peso da carga fazia chiar nos eixos." (4)
E ainda:
"A enorme extensão das terras não occupadas, a sua optima qualidade para
cultura e creação e, sobretudo, o clima amenissimo, elementos seguros de prosperidade,
fizeram a attracção de innumeras pessoas, vindas não só de Minas, como de S. Paulo,
Rio Grande do Sul e outras províncias." (6)
Historiando o retorno do Fundador, usa as seguintes palavras:
"Só em 1875 voltou José Antônio, trazendo sua família (...) Em busca, não mais
do desconhecido, mas de uma região habitada apenas por tribos selvagens e animais
ferozes..." (5)
Paulo Coelho Machado, em "A Rua Velha", descreve assim, o primeiro contato
de José Antônio com a terra que escolhera para se fixar:
"Na fria madrugada do dia seguinte ao da chegada, José Antônio verificou, com
olhos experientes, que havia chegado a seu destino. Não era preciso caminhar mais.
Não só aprazível era o lugar, como possuía vegetação luxuriante, indicadora da
fertilidade da terra. Um pequeno passeio pelos arredores confirmou o acerto do local
escolhido. Terra argilosa, vermelha e roxa, com abundante cobertura, ideal para a
lavoura, campinas sem fim, eriçadas de capões, para a criação de milhares de reses.
Água abundante. Estava definitivamente escolhido o local." (7)
"Nesse mesmo dia (...) José Antônio chamou os companheiros e comunicou-lhes
a resolução. Iniciaram então a faina para a construção do primeiro rancho, localizado na
forquilha das águas, justamente na parte mais baixa da região." (8)
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 6
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Acyr Vaz Guimarães, em "Mato Grosso do Sul, Sua Evolução Histórica",
escrevendo sobre a ocupação do território sul-mato-grossense no decorrer do século
XVIII, assim se expressa:
"Tudo era sertão, apenas índios por todas as partes, desde o extremo sul, onde
estavam os caiuás, até as divisas com as terras de Goiás, onde estavam os caiapós. Os
guaicurus varavam todo o pantanal (...) Os paiaguás não saíam em terra, mas corriam
todo o rio Paraguai (...)
Nem mesmo a abundância de gado nativo e campo farto para a criação em clima
bom, terras boas, de rios navegáveis, fazia alguém aportar ao grande território, onde só
índios viviam." (9)
Na mesma obra, agora descrevendo fatos ocorridos em meados do século XIX,
décadas de 50 e 60, relativos ainda à ocupação do sul da Província de Mato Grosso:
"Com soldados em maior número, que passavam a policiar a região, por
caminhos que se abriam, os fazendeiros foram encontrando melhores maneiras para se
comunicarem, atraindo, para o baixio e para a Vacaria, outros de outras províncias.
Grandes áreas, todavia, continuavam despovoadas (...) o leste, em grande parte, até o rio
Paraná (...) o conhecido Campo-Grande da Vacaria, de extensas campinas - larga área,
portanto, sem caminhos e sem povoadores." (10)
Fica evidente, a par dos escritos destes eminentes historiadores, que estes sítios
da então Província de Mato Grosso, ao tempo da chegada de José Antônio Pereira, era
solo de ninguém, área devoluta e sem habitantes. Constituída de excelentes terras para o
cultivo e vastas campinas para a criação, guardou as suas potencialidades para serem
feridas, à hora aprazada, pelas mãos daquele mineiro idealista, e transformadas em
leiras fecundas, que acabaram brindando seus primeiros cultivadores, com produções de
ótima qualidade.
1. GUIMARÃES, Acyr Vaz. Mato Grosso do Sul, Sua Evolução Histórica.
Mapa N°2, p. 63, Editora UCDB, Campo Grande-MS, 1999.
2. TAUNAY, Visconde de. Viagem de regresso de Mato Grosso à Corte. In:
Céus e Terras do Brasil, p. 85. Edições Melhoramentos, 9ª edição, 1948.
3. CONGRO, Rosário. O Município de Campo Grande - Estado de Matto
Grosso. Publicação Official ( p. 07), 1919.
4. Idem., Ibidem., p. 09-10.
5. Idem., Ibidem., p. 10-11.
6. Idem., Ibidem., p. 16.
7. MACHADO, Paulo Coelho. Pelas Ruas de Campo Grande Vol. I: A Rua
Velha, p. 14. Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, Agosto de 1990.
8. Idem., Ibidem., p. 15.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 7
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
9. GUIMARÃES, Acyr Vaz. Mato Grosso do Sul, Sua Evolução Histórica, p.
35. Editora UCDB, Campo Grande-MS, 1999.
10. Idem., Ibidem., p.113.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 8
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo II
MONTE ALEGRE DE MINAS
Eurípedes Barsanulfo Pereira
A história da fundação de Campo Grande está ligada a Monte
Alegre de Minas, cidade do Triângulo Mineiro, de onde partiu José Antônio Pereira,
naquele longínquo 1872. Suas origens guardam certas similaridades com as nossas.
"No começo do Século XIX, uma numerosa família mineira,
cujo chefe era Martins Pereira, na tentativa de apossar-se de terras devolutas no Sertão
de Goiás, empreendeu viagem de mudança para aquelas plagas inóspitas, seguindo
corajosamente a caravana de aventureiros por um caminho aberto, que ligava parte da
Capitania das Minas Gerais às terras goianas, naquele rumo.
Quando a caravana alcançava o ponto do caminho onde fica
hoje a cidade, adoeceu gravemente um de seus membros, motivando essa fatalidade
uma parada obrigatória de alguns meses. Sem recursos de remédios que o caso exigia,
para combater a enfermidade, fervorosos devotos que eram de São Francisco das
Chagas, o chefe da família fez então uma promessa ao Santo, de doar naquela
localidade um terreno para a construção de uma Capela, que ali seria edificada em seu
louvor, caso o doente recebesse o milagre da cura.
Foi recebida a Graça suplicada ao milagroso Santo. Por esse
motivo resolveram não seguir viagem até que se colocasse em prática o que havia sido
prometido.
Com a junção de outros aventureiros, que seguiram o mesmo
itinerário, formaram uma agregação às famílias de Antônio Luiz Pereira, Gonçalves da
Costa, Martins de Sá, Manoel Feliz e Cardosos. Esses primeiros povoadores, do arraial
em formação, abrigaram-se em humildes ranchos, construídos na sua maioria de
madeira, capim e palha de buriti, em ruelas abertas às margens dos córregos "Monte
Alegre" e "Maria Elias", onde a servidão de excelente água era abundante nos regos
derivados das nascentes.
Na extremidade do triângulo formado pela confluência desses
veios de água, traçaram-se as primeiras ruas curvas da futura cidade, a quadra para a
necrópole e a praça onde foi erguida a Capela de São Francisco das Chagas, o Padroeiro
da Povoação." (1)
José Antônio Pereira, nascido em Barbacena em 1825, após
casar-se com Maria Carolina de Oliveira em São João Del-Rei, acabou fixando
residência no Arraial de São Francisco das Chagas do Monte Alegre, em meados do
século XIX. Ali nasceram e cresceram seus filhos, casaram-se as filhas Maria Carolina
e Ana Constança, respectivamente, com os irmãos Antônio Gonçalves Martins e
Manoel Gonçalves Martins, filhos de fundadores daquele Povoado. Mais tarde, sua neta
Maria Joaquina acabaria se consorciando com Tomé Martins Cardoso, filho, também,
de fundadores de Monte Alegre.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 9
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Naquela época, seu filho Antônio Luiz Pereira, no verdor da
mocidade, mantinha, segundo relato de seus familiares, não pequeno círculo de
amizades, em razão de seu espírito comunicativo de violeiro. Quando partiu
definitivamente de Monte Alegre, lá deixou, segundo as mesmas fontes, namorada
abanando "lencinho branco", no momento da despedida. (2)
Tão marcante foi sua presença em seu torrão natal, que décadas
mais tarde, dos familiares, apenas seu nome sobreviveu na memória dos moradores
mais antigos, e nos relatos dos historiadores daquela cidade. (1)
Embora plenamente integrada à comunidade local, a família de
José Antônio Pereira estava se multiplicando em numerosa prole. Esse fato levou-o a
procurar uma região onde pudesse obter terras para todos. Bem que poderia ser nos
sertões de Goiás. Vários desbravadores mineiros haviam para lá se dirigido, e acabaram
se estabelecendo em fazendas no Planalto Central. (4)
Um acontecimento importante, nessa altura, veio determinar a
disposição de José Antônio Pereira para uma aventura rumo a solos mais distantes: a
Guerra do Paraguai e a Retirada da Laguna.
A coluna do Exército Brasileiro que veio defender o território
sul-mato-grossense, naquele triste conflito, fez bivaque no lugar denominado Pimenta,
nas cercanias do Arraial de São Francisco das Chagas do Monte Alegre, tendo chegado
ao Povoado às onze horas do dia quatorze de setembro de 1865. (3)
O Visconde de Taunay descreveu o lugarejo no livro Marcha
das Forças (Expedição de Matto Grosso) 1865-1866 - Do Rio de Janeiro ao Coxim:
"Esta povoação do termo do Prata conta 400 a 500 habitantes e
algumas casas commodas, caiadas e cobertas de telhas. A matriz offerece simples
apparencia e fecha uma pequena praça rodeada de palhoças. O commercio, quasi nullo,
se mantem, embora em muito insignificante escala, pela passagem, hoje rara, de lotes
de animaes." (3)
Jovens moradores e filhos de Monte Alegre acabaram sendo
recrutados e reforçaram a tropa dos Voluntários da Pátria, para a guerra. A presença de
soldados monte-alegrenses foi registrada pelo historiador Alaor Guimarães Mendonça.
(1)
Conta-nos que Eliziário Ribeiro de Vasconcelos, octogenário na
década de 70, conhecido como Caboclo, lembra-se de que muitos de seus parentes e
amigos estiveram entre os que participaram da expedição até o Paraguai. Os soldados
Pedro Paraguaio e Martinho Paraguaio, cujos sobrenomes são originados da guerra,
também participaram e retornaram para Monte Alegre, ficando naquela cidade até a
morte. João Lopes e Patrocínio Franklin Pinto, estão igualmente entre os monte-
alegrenses que integraram as forças que marcharam até o País vizinho, e participaram
da Retirada da Laguna.
Acompanhando as tropas brasileiras, porém como carreiros,
fornecedores de gêneros alimentícios e outras mercadorias, e que sofreram toda uma
série de privações, incluem-se Joaquim Nunes, Antônio Miranda e Feliciano Nogueira
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 10
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Mendes Teixeira, este, apelidado "Coelho Nogueira"; todos originários de Monte
Alegre. (1)
Esses homens, heróis da campanha da Laguna, acabaram, em
seu retorno, comentando sobre as terras situadas ao sul da antiga Província de Mato
Grosso. Os campos grandes da Vacaria tornaram-se, então, notícia corrente no Sertão
da Farinha Podre, região mineira que abrangia os povoados da Prata e Monte Alegre.
Motivado por essas informações, José Antônio Pereira resolveu
buscar essas terras, escolhendo trilhar parte dos caminhos que haviam sido percorridos
pelos Voluntários da Pátria, a partir do Arraial de São Francisco das Chagas do Monte
Alegre, atual Monte Alegre de Minas.
________________________________________
BIBLIOGRAFIA:
1. MENDONÇA, ALAOR GUIMARÃES: Monumento aos
Heróicos Retirantes de Laguna. Publicação da Prefeitura Municipal de Monte Alegre de
Minas, 1984, 27 pag.
2. DEPOIMENTOS DE: Júnia de Souza Lacerda e Maria de
Souza Marawieski - Bisnetas de José Antônio Pereira.
3. TAUNAY, VISCONDE: Marcha das Forças (Expedição de
Matto Grosso) 1865-1866 - Do Rio de Janeiro ao Coxim, Editora Cia. Melhoramentos
de S. Paulo, 1928, 148 pag.
4. LENA CASTELLO BRANCO FERREIRA DE FREITAS e
NANCY RIBEIRO DE ARAÚJO E SILVA: Antigas Fazendas do Planalto Central. In:
Ciências Humanas em Revista. Revista do Instituto de Ciências Humanas e Letras.
Universidade Federal de Goiás.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 11
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo III
História da fundação de Campo Grande
Epaminondas Alves Pereira (1904-1988), bisneto de José Antônio Pereira,
nasceu aos 22 de dezembro, em Campo Grande. Ficou órfão de pai aos 3 anos de idade,
sendo criado a partir de então, como verdadeiro filho, por seus avós maternos Antônio
Luiz Pereira (filho de José Antônio Pereira) e Anna Luiza de Souza (filha de Manoel
Vieira de Souza), até aos 16 anos.
Comenta-se, entre seus
familiares, que Epaminondas,
alguns primos, e tios,
costumavam ouvir atentamente
os relatos de Antônio Luiz sobre
suas viagens, desde a primeira,
entre Minas Gerais e o Campo
Grande, em companhia do
Fundador. Também os da vovó
Anna Luiza, sobre a viagem de
sua família, desde Prata (MG),
tendo à frente "Manoel
Olivério", seu pai.
13-12-1926 1986
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 12
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Toda cidade tem sua história ligada a um princípio, um porto ou uma estação
de estrada de ferro. Com Campo Grande foi diferente; nasceu em pleno
sertão, por iniciativa do espírito arrojado e do pioneirismo de José Antônio
Pereira, que teve a coragem de desbravar esta rica terra sul-mato-grossense.
Natural de Minas Gerais, residente na cidade mineira de Monte Alegre,
empreendeu sua primeira viagem rumo ao sul da então Província de Mato
Grosso, à procura de campos para criar e matas para lavouras.
Tendo notícia da Vacaria com suas vastas campinas, formou uma comitiva
composta por cinco pessoas, dentre estas, seu filho Antônio Luiz, dois
escravos (os irmãos João e Manoel) e Luiz Pinto, prático em viagens pelo
sertão, residente em Uberaba.
Em 4 de março do ano de 1872 a pequena caravana partiu de Minas rumo a
estas paragens, trilhando os caminhos deixados pelos nossos soldados que
combateram os invasores do território brasileiro na Guerra do Paraguai.
A comitiva, após três meses de caminhada, chega a 21 de junho à
confluência de dois córregos, mais tarde denominados "Prosa" e "Segredo".
José Antônio Pereira com seus quase cinqüenta anos de idade, alquebrado
pela longa viagem mas satisfeito com o panorama que a seus olhos se
descortinava, deu por finda a excursão.
Enquanto descansam constroem um rancho coberto de folhas de buriti, e em
seguida, derrubam pequena mata que existia entre os dois córregos. Numa
área, de aproximadamente um quarto de alqueire, procedeu-se o preparo da
terra e o plantio de milho e arroz, cuja lavoura, devido à fertilidade
exuberante do solo, correspondeu plenamente à experiência otimista de José
Antônio e seus companheiros de jornada.
Atravessavam já o mês de novembro e a plantação era promissora; o
desbravador não se enganara quanto à excelente qualidade da terra. Os
viajores e seus animais, já refeitos fisicamente da longa caminhada e da
labuta na formação da roça vicejante, sob as ordens de José Antônio,
resolvem regressar à terra natal, em busca de suas famílias.
A pequena propriedade não podia ser deixada ao abandono. De volta a
Minas Gerais José Antônio passa por Camapuã, em cujos arredores
moravam poucas pessoas remanescentes da Fazenda do mesmo nome,
entre elas o poconeano João Nepomuceno, com quem José Antônio entra
em entendimento para vir cuidá-la, até o seu regresso de Minas.
Em meados de 1875 chega por aqui Manoel Vieira de Souza (Manoel
Olivério), mineiro que também fora atraído pelas notícias dos campos da
Vacaria. Manoel Olivério, com dois carros de bois, vinha em companhia de
seus filhos, de sua mãe e de seus irmãos Cândido Vieira de Souza e
Joaquim Vieira de Souza, alguns empregados, um dos quais Joaquim Dias
Moreira (Joaquim Bagage). Este encontro proporcionou a Nepomuceno
oferecer a Manoel Olivério a pequena propriedade que zelara até então,
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 13
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
* Desenho de Percy Lau, retirado do livro: Ciclo do Carro de Bois no Brasil. Autor: Bernardino José de Souza. Cia. Ed. Nacional, SP, 1958.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 14
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo IV
HISTÓRIA DA FUNDAÇÃO DE CAMPO GRANDE
Todo campo-grandense deve guardar, em sua alma, indelével gratidão a Rosário
Congro. Nomeado por Dom Aquino para a Intendência do Município em 1918, aqui
chegou com a missão de apaziguar os ânimos de concidadãos dissidentes e colocar a
casa em ordem. Permaneceu no cargo por curto período, pouco mais que um ano,
logrando atingir seu desiderato.
Além da administração íntegra e profícua, fez publicar um livro memorável (1),
o primeiro no gênero por estas paragens (*), contando sobre a origem da cidade. Essa
obra trouxe a lume as primeiras descrições da área do rossio e informações sobre as
múltiplas atividades desenvolvidas na região, com suas respectivas estatísticas. É uma
relíquia, pois contém o primeiro relato histórico sobre a fundação de Campo Grande,
escrito por quem se encontrava cronologicamente bem perto dos fatos. Baseando-se em
apontamentos particulares obtidos junto aos descendentes diretos de José Antônio
Pereira, entre eles, os próprios filhos do Fundador, e também, em depoimentos dos
moradores mais antigos, Rosário Congro teve a primazia de ser o pioneiro na
historiografia da cidade.
Por todos estes motivos, não poderíamos deixar de transcrever excertos da
publicação que este ínclito homem público nos deixou, especialmente sua parte inicial,
onde descreve magistralmente os acontecimentos que culminaram com o surgimento de
nossa terra, então cognominada: "Pérola do Sul".
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 15
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
ROSÁRIO CONGRO [São Paulo, SP (10-09-1884) - Três Lagoas, MS (11-10-
1963)]. Advogado Provisionado; destacado Político no, então uno, Estado de Mato
Grosso, tendo sido eleito Vereador em Corumbá, Deputado Estadual e depois Prefeito
de Três Lagoas; virtuoso Escritor, tanto na Prosa como no Verso, ocupou a Cadeira de
número 40 da Academia Matogrossense de Letras, tendo como patrono o Pe. Armindo
Maria de Oliveira; Historiador, Membro Efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de
Mato Grosso; presidiu o Tribunal de Contas de Mato Grosso; nomeado pelo Presidente
do Estado, Dom Francisco de Aquino Corrêa, Intendente do Município de Campo
Grande, durante os anos de 1918 e 1919, foi o primeiro Historiador da Cidade. Fez
publicar em 1919 o livro "O MUNICIPIO DE CAMPO GRANDE - ESTADO DE
MATTO GROSSO", cujo capítulo inicial, de sua própria lavra, contém a História da
Fundação. Publicou ainda: "Inaiá" (1940), "Torre de Marfim" (1948), "Sombras do
Ocaso" (1953), "Antes de Raposo Tavares" (1954), "Colunas Partidas" (1955), "Outras
Ruínas" (1957), "Últimos Caminhos" (1963); e, como obras póstumas: "Poesias -
Coletânea" (1984) e "Prosa - Coletânea" (1984).
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 16
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
O MUNICÍPIO DE CAMPO GRANDE
HISTÓRICO
Rosário Congro
Em 1872, a quase deserta região meridional da então Província de
Mato Grosso, compreendia, apenas, na vastidão dos seus trezentos mil
quilômetros quadrados, aproximadamente, as vilas de Miranda, outrora
presídio do mesmo nome, fundado em 1797, e Santana do Paranaíba,
além das povoações de Nioaque e Coxim.
A invasão paraguaia, levando às poucas e longínquas fazendas, como
por toda a parte, o saque, o incêndio, a morte, os horrores da guerra,
em fúria selvagem, devastara grande parte do imenso distrito de
Miranda, dando lugar a que nas suas planícies e nos seus montes e nos
seus rios, se realizasse a dolorosa trajetória da coluna de heróis e de
mártires comandada pelo coronel Camisão e, nos Dourados, o
sacrifício homérico de Antônio João.
Expulso o invasor do solo sagrado da pátria, morto Solano Lopes, o
tirano, acuado nas cordilheiras de Aquidaban, voltavam, para a
reconstrução dos seus penates os que, conseguindo escapar à sanha do
inimigo sanguissedento, se haviam refugiado nas alturas da serra de
Maracaju.
Foi então que José Antônio Pereira, velho sertanejo mineiro, já
sexagenário (**), deixando o seu arraial de Monte Alegre, nas
proximidades de Uberaba, se fez com destino a Mato Grosso com seus
filhos Antônio Luiz e Joaquim Antônio (#) e quatro "camaradas", em
busca de terras devolutas para lavoura e criação.
Pelo entardecer de 21 de junho, chegava a pequena comitiva à
confluência dos córregos mais tarde denominados "Prosa " e
"Segredo", no lugar onde está situado, hoje, o Matadouro Municipal,
ponto escolhido para o pouso daquele dia e depois definitivamente
adotado.
Em breve ali se ergueu a morada dos intrépidos viajores: um pequeno
rancho coberto com palmas de "uacury", célula primordial que foi da
progressista cidade de hoje, mui justamente chamada - a Pérola do Sul.
Não tardou a derrubada pelas imediações, o fumo da queimada em
pouco se elevou e, em tempo curto, tremulavam, à viração constante,
as flâmulas verdes e promissoras da primeira roça.
Por entre o milharal, outros cereais cresciam, num viço que atestava a
feracidade extraordinária do solo.
O primeiro contratempo, porém, não se fez esperar: extensa e escura
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 17
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
(*) O "Album Graphico do Estado de Matto-Grosso" publicado em 1914 não faz
qualquer alusão à fundação de Campo Grande.
(**) Na verdade José Antônio Pereira tinha apenas 47 anos de idade quando
empreendeu sua primeira viagem para o Campo Grande.
(#) Joaquim Antônio Pereira não veio com José Antônio em sua primeira viagem,
apenas Antônio Luiz, dois escravos e o guia Luiz Pinto Guimarães.
(##) Antônio Luiz Pereira afirmava a seus descendentes que foram onze carros
mineiros.
(+) Na realidade José Antônio Pereira faleceu em 11 de Janeiro de 1900.
BIBLIOGRAFIA:
1. CONGRO, ROSÁRIO.: O MUNICIPIO DE CAMPO GRANDE - ESTADO DE
MATTO GROSSO. Publicação Official, 1919.
2. ________.: PROSA - COLETÂNEA. Artes Gráficas Editora Unificado, Curitiba PR,
1984.
3. ________.: POESIAS - COLETÂNEA. Artes Gráficas Editora Unificado, Curitiba
PR, 1984.
4. MENDONÇA, RUBENS DE.: HISTÓRIA DE MATO GROSSO. Instituto Histórico
de Mato Grosso, Cuiabá, 1967.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 18
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo V
JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
Óleo s/ tela de Fausto Furlan
Eurípedes Barsanulfo Pereira
Para se traçar o perfil de José Antônio Pereira basta seguir a sabedoria milenar e
procurar conhecê-lo através de suas obras. Todo artífice deixa sua marca na obra que
realiza. Podemos assim identificá-lo nos diversos aspectos do trajeto de sua vida, desde
Barbacena, passando por São João Del-Rei e Monte Alegre, nas Minas Gerais, até
chegar ao centro da região sul da antiga Província de Mato Grosso. A história de sua
vida se confunde, portanto, com a da fundação do Arraial de Santo Antônio do Campo
Grande.
O filho de Manoel Antônio Pereira e Francisca de Jesus Pereira, nascido na
cidade de Barbacena (antigo Arraial de Nossa Senhora da Piedade da Borda do Campo)
em 19 de março de 1825, descende dos Pereira, portugueses que se transferiram para o
Brasil, cujas histórias se perderam nos séculos que se seguiram ao descobrimento de
nossa Pátria. Já moço, muda-se para São João Del-Rei (originado do Arraial Novo de
Nossa Senhora do Pilar), e se casa com a jovem Maria Carolina de Oliveira.
Desejando estabelecer-se definitivamente em lugar onde pudesse desenvolver
suas atividades de pequeno agricultor e pecuarista com sua família nascente, transfere-
se em meados do século dezenove para o povoado de São Francisco das Chagas do
Monte Alegre, pertencente ao então denominado Distrito da Farinha Podre.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 19
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Fundada no início dos anos 1800 por uma numerosa família mineira que, na
tentativa de apossar-se de terras devolutas no sertão de Goiás, acabou fixando-se
naquela região do Triângulo Mineiro, Monte Alegre se situa no caminho que ligava a
Capitania das Minas Gerais às terras goianas. Terminaram assentando, também,
residência no local, naquela época, outros aventureiros que seguiram o mesmo
itinerário; como as famílias de Gonçalves da Costa; Martins de Sá; de Manoel Feliz e
dos Cardosos.
A família de José Antônio Pereira e de Maria Carolina de Oliveira, com o
desenvolvimento de seus filhos Antônio Luiz, Joaquim Antônio, Francisca, Maria
Carolina, Perciliana, Ana Constança, Maria Nazareth e Rita, começou a crescer.
Casaram-se Ana Constança com Manoel Gonçalves Martins e Maria Carolina com
Antonio Gonçalves Martins. A impossibilidade de se expandir nas atividades rurais,
com espaço para todos, fez com que procurassem outras alternativas, entre elas a
ocupação de terras devolutas.
Finda a Guerra do Paraguai, com o retorno para o Brasil dos soldados que se
retiraram da região da Laguna, cuja saga foi descrita magistralmente por Taunay,
notícias sobre os campos da Vacaria foram levadas até Monte Alegre por ex-
combatentes oriundos dessa cidade, um pequeno Arraial àquele tempo. A existência de
extensas áreas de terras devolutas ao sul da Província de Mato Grosso atraiu o interesse
de José Antônio Pereira que, em 4 de março de 1872, empreendeu sua primeira viagem.
Prudentemente, formou uma pequena comitiva, composta por seu filho Antônio Luiz,
dos escravos João Ribeira e Manoel, guiados por Luiz Pinto Guimarães, sertanista que
havia participado da referida guerra. Seguindo os caminhos percorridos pela expedição
da Laguna, adentra Goiás, passando pelo porto de Santa Rita (hoje Itumbiara), cruzando
posteriormente o Rio dos Bois e dirigindo-se à Vila das Dores do Rio Verde (hoje, Rio
Verde), até chegar à região de Baús, em Mato Grosso (atualmente Costa Rica), daí em
direção a Coxim, contornando o extremo norte da Serra de Maracaju e rumando para o
sul, até Camapuã.
Continuando sua viagem, procura atingir a região da Vacaria (atual município de
Rio Brilhante). Porém, quase em meio caminho, já atravessando a extensa e erma região
do Campo Grande, defronta-se com terras de ótima qualidade e campos propícios para a
pecuária. Eram, enfim, as sonhadas terras devolutas que José Antônio Pereira estava
procurando. Ao chegar, em 21 de junho de 1872, à confluência de dois córregos,
denominados, mais tarde, "Prosa" e "Segredo", resolve ali se estabelecer. Constrói um
rancho, cobrindo-o com folhas de buriti. Providencia, também, a formação de pequena
roça, amanhando a terra pelo sistema da coivara.
Os meses se passaram. Após a primeira colheita de uma plantação vicejante,
naquele mesmo ano de 1872, decide voltar a Minas Gerais para buscar seus familiares.
Em Monte Alegre, reúne-se com a família e pessoas de sua relação, expõe as
perspectivas da região com tamanho entusiasmo que sensibiliza e convence a todos para
a grande aventura.
Começa então o planejamento e as providências para tal cometimento. Mais de
dois anos se passaram para que tudo estivesse organizado. Provisões indispensáveis
para a longa viagem, sementes e mudas de árvores frutíferas, um lote de gado de cria,
animais de montaria e carros mineiros puxados por juntas de bois. Para casos de
doença, até remédios foram providenciados pelo próprio José Antônio, que tinha
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 20
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
conhecimentos de fitoterapia e terapêutica homeopática, exercendo naqueles sertões
longínquos o papel de verdadeiro médico, na falta de um facultativo.
À frente de uma numerosa comitiva, José Antônio Pereira escolhe desta vez
seguir um caminho mais curto para chegar ao seu destino. De Monte Alegre, dirige-se
para o sul, passando pelo povoado de Prata, indo mais além ao encontro de um caminho
paralelo à margem direita do Rio Grande, divisa da Província de Minas com a de São
Paulo, e que permitia chegar à de Mato Grosso, situada à oeste. Esse trajeto os leva até
as margens do Rio Paranaíba e ao patrimônio de Sant'Anna de Paranahyba (atual
Paranaíba), no território mato-grossense. Para atravessar aquele rio, já havia, então, uma
balsa rudimentar, que possibilitava o transporte de carretas e animais.
Permanece por vários meses naquela localidade, ajudando a debelar um surto de
malária. Ali, seus préstimos, como prático da medicina, contribuíram para salvar muitas
vidas. Nessa ocasião, fez a promessa de construir, quando chegasse ao seu destino, uma
igreja em homenagem a Santo Antônio de Pádua, de sua devoção, caso nenhum dos
seus perecesse. Recebe o convite para estabelecer-se definitivamente no povoado, mas
José Antônio, fiel ao compromisso assumido, e ao ideal que acalentava de chegar às
terras do Campo Grande, retoma a marcha rumo à oeste. Atravessa o rio Sucuriú, o São
Domingos, o Verde e a cabeceira do Pardo, passa outra vez por Camapuã, e depois, em
direção ao sul, busca o pequeno sítio que formara há quase três anos.
Aos 14 de agosto de 1875, chega finalmente ao local de destino. José Antônio
não encontra o zelador que ali deixara, mas sim, a família de Manoel Vieira de Souza
(Manoel Olivério), mineiro de Prata (antigo povoado de Nossa Senhora do Monte do
Carmo, do Distrito da Farinha Podre) que igualmente fora atraído para estas plagas,
pelas notícias da Vacaria, e que estava no local há cerca de dois meses. É recebido
cordialmente, com a intenção manifesta de Manoel Olivério de devolver-lhe a
propriedade. José Antônio Pereira, idealista e cordato, propõe-lhe parceria nas
atividades a desenvolver. Logo se tornam amigos, e as famílias acabam se unindo três
anos depois (quatro de março de 1878), com os casamentos de Manoel Olivério com
Francisca de Jesus (filha de José Antônio), de Antônio Luiz com Anna Luiza e Joaquim
Antônio com Maria Helena, filhos de José Antônio e filhas de Manoel Olivério,
respectivamente. A pequena igreja, construída por José Antônio, em cumprimento a sua
promessa, é inaugurada com o ato religioso desses enlaces, que é oficiado pelo Padre
Julião Urchia, vindo de Nioac especialmente para esse fim.
Ainda em 1878, José Antônio retorna a Monte Alegre, pela derradeira vez, e traz
consigo seu genro, já viúvo, Antônio Gonçalves. Em sua volta, reassume o comando do
povoado nascente, divide as terras para a propriedade de seus filhos, genros, e também
para si. Delimita a área reservada para a sede do patrimônio, denominando-o Arraial de
Santo Antônio do Campo Grande. Torna-se o primeiro Subdelegado de Polícia.
Em 28 de setembro de 1886, recebe e hospeda, em sua casa, o Bispo de Cuiabá,
D. Carlos Luís d'Amour, que permaneceu no povoado por cinco dias.
A dedicação de José Antônio aos que adoeciam no emergente Arraial de Santo
Antônio do Campo Grande era reconhecida por todos. Não se limitava apenas à
preparação e administração de ungüentos, pomadas, xaropes, tinturas, chás e garrafadas,
mas também ao cuidado dos que se feriam em acidentes. Aos fraturados, encanava-lhes
os membros; aos feridos, pensava-lhes as chagas. Sua fama como parteiro era voz
corrente, tendo assistido ao nascimento de seus filhos. Mais tarde passou a contar com a
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 21
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
ajuda de uma velha escrava, a quem houvera treinado. Posteriormente, ensinou os
ofícios para a própria nora, Maria Helena, esposa de Joaquim Antônio. Secundado por
esta, sempre quando chamado, corria a atender às parturientes da Vila. Esse mister deu-
lhe, também, a primazia de seccionar o cordão umbilical de muitos de seus netos.
A tradição oral que, através dos familiares, chega aos nossos dias, dá conta da
existência das mezinhas de José Antônio, cujos recursos permitiam-lhe exercer sua
medicina. A aquisição desse preparo técnico remonta aos tempos de sua vida em São
João Del-Rey e Monte Alegre, nas Minas Gerais. Apoiado no seu Chernoviz, praticava
a medicina de "folk", disseminada pelos sertões brasileiros; ou seja, a cultura popular do
tratamento das doenças. Baseada, como até hoje, na utilização dos recursos químicos
das plantas, através de variegadas tisanas, tais como: soluções, macerações, infusões e
decocções; e de procedimentos eminentemente físicos, como a manipulação do calor,
nos escalda-pés (pedilúvio), e do vácuo, através de ventosas. As aplicações de
cataplasmas, emplastros, compressas, adjutórios, banhos-de-assento, colutórios,
gargarejos e inalações, incluiam-se, também, nessa prática terapêutica.
A abordagem dos doentes não era realizada com instrumentos da semiologia
médica. Os meios diagnósticos eram apenas breve interrogatório e a ectoscopia,
corroborados pelo experiente "olho clínico" do velho mineiro, como sói acontecer na
prática dessa medicina sertaneja.
Da figura do Fundador nos derradeiros anos de sua vida, com a longa barba
branca e os cabelos encanecidos, emergia um ser que mesclava, simultaneamente,
austeridade e doçura. À semelhança daqueles que fazem da arte de curar verdadeiro
sacerdócio, sua simples presença emanava um magnetismo contagiante. Apenas ao
toque de suas mãos, os doentes já começavam ter as sensações de melhora. Na verdade
era, também, exímio benzedor. Não poucas vezes as mães levavam seus bebês
acometidos de "quebranto" para serem benzidos pelo Velho.
Todos esses fatos, que atestam sua impressionante versatilidade no manejo das
coisas da terra e das gentes, acabaram por consagrar José Antônio Pereira, não só como
Fundador e Líder, mas sobretudo, como o primeiro cuidador da saúde, do povoado
nascente.
Em 11 de janeiro de 1900, morre José Antônio Pereira, sendo sepultado em
cemitério que se localizava no bairro Amambaí, onde atualmente encontram-se
construídos o SENAI e a Casa da Indústria. Tempos depois seus ossos foram
transferidos para o jazigo da Família, no Cemitério Santo Antônio, onde se acham
depositados, com os restos mortais de seus filhos e netos.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 22
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
José Antônio Pereira foi um homem dedicado à família, um verdadeiro
patriarca, prudente, organizado, justo e destemido. Católico fervoroso e piedoso devoto
de Santo Antônio de Pádua. Possuidor de um profundo senso humanista, afinado
sentimento coletivista, e pelo seu carisma, um líder inconteste. Aquele homem, de tez
clara e olhos azuis, esguio e forte, cujas mãos eram calejadas pela labuta rural, e
também afeitas ao mister de curar, procurou o Campo Grande, não para construir um
imensurável e improdutivo latifúndio, mas, em busca de terras devolutas, suficientes
para estabelecer-se com os seus, e com aqueles que se afinavam com seus ideais. Após
longas e cansativas viagens, despendendo gigantescos esforços, enfrentando as
intempéries e as doenças, desafiando os sertões, palmilhando caminhos ermos e
desconhecidos, acabou chegando para ficar em definitivo e multiplicar por aqui suas
raízes familiares, fazendo nascer um pequeno povoado, hoje grande metrópole.
Esta é a história de José Antônio Pereira, o intrépido fundador de Campo
Grande, Capital do Estado de Mato Grosso do Sul.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 23
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo VI
A Primeira Viagem
Eurípedes Barsanulfo Pereira
O objetivo de José Antônio Pereira era chegar às terras da região da Vacaria, ao
sul da Província de Mato Grosso. Para isso, deveria seguir grande parte do caminho
percorrido, em 1865/1866, pela coluna do exército brasileiro que combateu na Guerra
do Paraguai, e que, partindo de Campinas, São Paulo, passando por Minas Gerais e
Goiás, chegou ao palco de guerra, no território sul-mato-grossense.
PREPARATIVOS
A jornada seria longa, sendo assim, José Antônio preparou uma tropa de cerca
de uma dúzia de animais, entre os de montaria e os de carga, com arreamento
conveniente para o transporte de alimentos, remédios e sementes. Era imprescindível a
presença de um bom guia, conhecedor dos caminhos, que os levasse aos famosos
campos da Vacaria. Para tanto, foi contratado o sertanista Luiz Pinto Guimarães,
residente em Uberaba e que havia acompanhado a expedição brasileira que participou
da campanha da Laguna. Alguns meses se passaram até que tudo estivesse em ordem:
planos de viagem, meios de locomoção e subsistência. Recursos financeiros não foram
esquecidos, para as eventuais despesas durante o percurso. Até a melhor época para o
empreendimento foi pensada, o outono, porque entre os meses de março e junho, as
estiagens são mais longas, facilitando a travessia, a vau, dos rios ao longo do trajeto.
A PARTIDA: MONTE ALEGRE DE MINAS
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 24
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
José Antônio, juntamente com seu filho Antônio Luiz Pereira, o guia Luiz Pinto
e dois escravos, partiu de Monte Alegre de Minas em 4 de março de 1872, uma
segunda-feira.
Vamos nos transportar àquele tempo, com a ajuda do Visconde de Taunay, que
relatou* detalhadamente a viagem da coluna do exército brasileiro em suas "CARTAS
DA CAMPANHA DE MATTO GROSSO (1865 A 1866)" (1) e em "MARCHA DAS
FORÇAS (EXPEDIÇÃO DE MATTO GROSSO) 1865-1866" (2). Segundo
Epaminondas Alves Pereira, neto de Antônio Luiz, e que, com ele conviveu por cerca
de 35 anos, ouvindo-lhe freqüentemente sobre suas viagens, o trajeto seguido por José
Antônio foi muito semelhante ao descrito por Taunay, inclusive passando pelos mesmos
povoados, para descanso e reabastecimento.
O Arraial de São Francisco das Chagas do Monte Alegre, daquela época, não
deveria ser muito diferente do que descreveu Alfredo d'Escragnolle-Taunay, quando por
ali passou, cerca de sete anos antes (em 14 de setembro de 1865):
"A 2 leguas do pouso, atravessa-se o córrego da Matta e, uma légua adiante
entra-se, no arraial de Monte Alegre, onde chegamos ás 11 horas. Esta povoação do
termo do Prata conta 400 a 500 habitantes e algumas casas commodas, caiadas e
cobertas de telhas. A matriz offerece simples apparencia e fecha uma pequena praça
rodeada de palhoças. O commercio, quasi nullo, se mantem, embora em muito
insignificante escala, pela passagem, hoje rara, de lotes de animaes." [pg. 80] (2).
"Monte Alegre é um lugarzinho simpático de aspecto realmente risonho. Terá
seus 400 ou 500 habitantes, algumas casas bastante boas, caiadas e de telhas. A Matriz
é sumamente tosca. Diverti-me em lhe tirar uma vista. Muito pobrezinha com as suas
torres e sua única porta a que dá acesso uma escadinha. O interior também de pobreza
extrema, está bem de acordo com o movimento quase nulo do lugarejo de que é o mais
importante edifício e a que animam as poucas tropas de cargueiros que por ali
transitam. Acampamos um pouco adiante do arraial num lugar chamado Pimenta".
[pg. 96] (1).
Deixando Monte Alegre, a pequena comitiva tomou o rumo noroeste, seguindo
uma estrada que ligava Uberaba às terras goianas, através dos cerrados mineiros, e que
passava pelo povoado de Santa Rita de Cássia, mais comumente chamado de Santa Rita
do Paranaíba, situado à margem direita do rio Paranaíba, hoje Itumbiara, Goiás.
Completavam, desse modo, um percurso de onze léguas (66 km).
A travessia do rio Paranaíba, àquela época, era através de uma pequena balsa,
formada por duas canoas unidas por tábuas grosseiras, com a capacidade de levar 10
animais em cada viagem, e durava cerca de 40 minutos, de uma margem à outra. Era
cobrada uma taxa de 700 réis por pessoa.
SANTA RITA DO PARANAÍBA (ITUMBIARA - GOIÁS)
Alcançam assim, a primeira etapa do percurso, Santa Rita, em Goiás, onde havia
desde 1824, um porto com o mesmo nome, construído pelo português Cunha Mattos.
Taunay descreve deste modo, os aspectos do povoado, em setembro de 1865:
"Ergue-se a povoação de Santa Rita de Cassia á margem direita do rio
Paranahyba, estendendo as suas primeiras casas no declive da rampa que leva ao
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 25
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
porto, onde aproam as barcas de passagem. A sua fundação é moderna; há vinte e
tantos annos ahi se estabeleceram alguns mineiros exploradores, dando princípio a um
arraial que foi erecto em freguezia no anno de 1850. O movimento commercial é quasi
nullo; apenas alguma passagem e recovas carregadas de sal, com destino a Goyaz,
tiram-na momentaneamente da atonia e estagnação que a personificam." [pg. 84-85]
(2)
A viagem de José Antônio Pereira prossegue em sentido noroeste, e o próximo
obstáculo a ser transposto é o Rio dos Bois, 22 léguas (132 km) além de Santa Rita do
Paranaíba. A sua largura de quase 170 metros, travessia perigosa em razão da
correnteza, obriga a passagem através de canoas e os animais, "a vau de orelha".
VILA DAS DORES DO RIO VERDE (RIO VERDE DE GOIÁS)
Depois de cerca de 41 léguas (246 km) de jornada em pleno cerrado goiano,
desde Santa Rita do Paranaíba, chegam então à Vila das Dores do Rio Verde, também
denominada, àquela época, Vila das Abóboras, hoje Rio Verde.
"A estrada percorrida desde Santa Rita do Paranahyba até a villa das Dores
não tem traçado regular: picada aberta pela necessidade de communicação recíproca
entre os habitantes de algumas fazendas, offerece estado mais ou menos viável pela
natureza dos terrenos e pelo transito regular que se tem ido estabelecendo entre
aquelles dois pontos." [pg. 108] (2)
A Vila das Dores, é assim descrita por Taunay, em 31 de outubro de 1865:
"A capella de Nossa Senhora das Dores ergue-se n'um alto que domina o
povoado, cuja rua única é formada de palhoças, essas mesmas espaçadas e muitas já
em ruínas.
Goza, comtudo, dos foros de villa, não correspondentes de certo com o estado
que apresenta. A freguezia, porém, é bastante vasta: alguns fazendeiros de recursos
habitam em sua área, e o caminho que a atravessa é hoje assaz animado pelo
movimento das grandes boiadas que vão ter a Uberaba, dirigindo-se para o Rio de
Janeiro." [pg. 109] (2)
BAÚS (MUNICÍPIO DE COSTA RICA - MATO GROSSO DO SUL)
Agora, a comitiva de José Antônio toma a direção oeste, procurando chegar à
região de Baús (no atual Município de Costa Rica, Mato Grosso do Sul), em pleno
território da então Província de Mato Grosso, distante 54 léguas (324 km). A viagem
dá-se ainda nos cerrados de Goiás, com a travessia do Rio Doce através de ponte ali
existente. Atinge, depois, os rios Claro (nas imediações da atual cidade de Jataí) e
Verde, atravessando-os em trechos cujas vaus permitiam a sua transposição. Chega
enfim em Baús, onde havia uma fazenda à margem direita de ribeirão do mesmo nome.
Vencido esse longo percurso, com inúmeras interrupções para refazimento e pernoites,
teria feito também, a comitiva de José Antônio, parada de descanso naquela fazenda,
como as forças brasileiras que combateram na Guerra do Paraguai?
Voltamos aos escritos de Taunay:
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 26
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
"Esta parada foi de obrigatória necessidade: as marchas cansativas e em dias
seguidos tinham fatigado em excesso a força e feito perecer grande porção de animaes
muares e cavallares. As bestas de transporte necessitavam ser tratadas e pensadas
para poderem por mais tempo continuar viagem." [pg. 180] (2)
A FAZENDA CAMAPUÃ (CAMAPUÃ - MATO GROSSO DO SUL)
A marcha de José Antônio Pereira para oeste continua, em cerrados da Província
de Mato Grosso, na direção de Coxim, por caminhos já palmilhados, ora arenosos, ora
argilosos, procurando sempre os espigões à montante dos rios. Inicialmente, através de
uma ponte, atravessa o ribeirão Sucuriú (que se transformará, mais ao sul, no rio
Sucuriú ao receber afluentes). Ultrapassa as cabeceiras do rio Jauru, e, seguindo as
imediações da serra de Santa Marta e da serra Sellada, atravessa, a vau, os ribeirões
afluentes, à direita, do rio Jauru. José Antônio Pereira, depois de vencer quase 40
léguas, chega ao extremo norte da serra de Maracaju, e se dirige para o sul, deixando à
direita, as margens do rio Coxim, rumando em busca de Camapuã. Em "Céus e Terras
do Brasil", Taunay, de retorno à Corte no Rio de Janeiro, descreve sua passagem por
Camapuã:
"Ràpidamente transpusemos as três léguas que separam o Sanguessuga das
ruínas de Camapuã, e ao meio-dia avistámos os restos, para assim dizer, imponentes
daquela importante fazenda, sede outrora de muito movimento, de todo o que se dava
por aquêles sertões. Ainda se vêem vestígios de grande casa de sobrado e de uma
igreja não pequena; taperas rodeadas de matagais, no meio dos quais surgem
laranjeiras e árvores frutíferas, que procuram resistir à invasão do mato e ainda
ostentam frutos, como que atraindo o homem, cujo auxílio em vão esperam. Naquelas
três léguas aparecem sinais de trabalhos consideráveis: estradas de rodagem atiradas
por sobre colinas, caminhos roídos pelas águas, onde transitavam grandes procissões
de carros a trabalharem na penosa varação, até o ribeirão Camapuã, dos gêneros e
canoas que demandavam o Coxim e Taquari, com destino a Cuiabá. (...) manteve-se
mais ou menos florescente até os princípios do século presente, existindo ainda
escravatura numerosa às ordens do último administrador, Arruda Botelho, depois de
cujo falecimento ficou o lugar abandonado ou tão-sòmente habitado por negros e
mulatos livres, ou libertados pelo fato de não aparecerem herdeiros de seus
possuidores.
Estes mesmos indolentes habitantes hoje estão quase todos reunidos a uma
légua e três quartos de distância, no lugar chamado Corredor (...)" [pg. 88-89] (3)
EM BUSCA DOS CAMPOS DA VACARIA
Varando os cerrados do sul da Província de Mato Grosso, José Antônio Pereira,
continua sua viagem, procurando chegar aos campos da Vacaria. Chega ao pouso do
Jabota, passa através do Brejinho, pelo córrego Pontinha, Maribondo e Perdizes. Depois
de percorrer quase 30 léguas, alcança o ribeirão das Botas.
Cavalgando ainda na direção sul, poucas léguas mais, em 21 de junho de 1872
chega à confluência de dois córregos, depois denominados: "Prosa" e "Segredo"; em
área completamente desabitada da região do então denominado "Campo Grande". Este,
estendia-se a partir dos campos da Vacaria, no sentido norte, e a leste das fraldas da
serra de Maracaju.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 27
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Taunay, quando por aqui passou, em sua viagem de retorno a Corte, assim
descreve esta região:
"Uma légua mais entramos no Campo Grande. Esta extensa campina constitui
vastíssimo chapadão de mais de cinqüenta léguas de extensão, em que raras árvores
rompem a monotonia duma planura sem fim (...)". [pg. 85] (3)
Foram 3 meses e meio de viagem, percorrendo aproximadamente 180 léguas, de
Monte Alegre de Minas ao Campo Grande.
* Cuidamos, para que as citações, tanto quanto possível, mantivessem a
ortografia das obras originais.
BIBLIOGRAFIA:
1. TAUNAY, Visconde de. CARTAS DA CAMPANHA DE MATTO GROSSO
(1865 A 1866). Cia. Melhoramentos, São Paulo, 1921.
2. _________.MARCHA DAS FORÇAS (EXPEDIÇÃO DE MATTO GROSSO)
1865-1866 - Do Rio de Janeiro ao Coxim. (Edição ilustrada com desenhos do Autor).
Cia. Melhoramentos, São Paulo, 1928.
3. _________.CÉUS E TERRAS DO BRASIL (9ª edição). VIAGENS DE
OUTRORA (3ª edição). Cia. Melhoramentos, São Paulo, 1948.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 28
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo VII
A Segunda Viagem
Eurípedes Barsanulfo Pereira
Em 1875, à frente de uma comitiva de 65 pessoas, incluindo praticamente toda
sua família, em doze carros mineiros, animais de montaria e de carga, e um lote de gado
de cria, José Antônio Pereira deu início à segunda viagem rumo ao seu destino, a
pequena propriedade que deixara no Campo Grande. Desta vez, o destemido sertanista
resolveu seguir um caminho diferente, e menos longo, que passava pelo povoado de
Sant'Anna do Paranahyba, na Província de Mato Grosso, junto à divisa com a de Minas
Gerais.
VILA DA PRATA (PRATA - MINAS GERAIS)
Deixando Monte Alegre, tomou o rumo sul e, após a ultrapassagem do rio
Tejuco a meio caminho, foi ter à Vila da Prata (hoje Prata, Minas Gerais), a cerca de 9
léguas de distância, no então chamado, Sertão da Farinha Podre. Naquele tempo, era um
pouco maior que Monte Alegre, com sua primeira capela construída em 1811, quando
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 29
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
tinha o nome de Arraial de Nossa Senhora do Monte do Carmo. A partir de 1848 passou
a denominar-se Prata.
Vencida esta primeira etapa da viagem, com parada de descanso, retoma a
jornada em sentido sudoeste. Transpõe, poucas léguas após, o rio da Prata. Procura
atingir as proximidades da margem direita do Rio Grande, vadeando continuamente os
afluentes à direita do rio Verde (de Minas), até chegar, quase 20 léguas depois, à
freguesia de São Francisco de Sales, junto à divisa da Província de Minas com a de São
Paulo.
FREGUESIA DE SÃO FRANCISCO DE SALES
Para ilustrar os caminhos percorridos por José Antônio Pereira, em sua segunda
viagem, outra vez, iremos nos valer das narrativas* do Visconde de Taunay, constante
da obra: CÉUS E TERRAS DO BRASIL (1), na qual relata, detalhadamente, sua
viagem de retorno a Corte, desde o porto do Canuto, às margens do rio Aquidauana, até
o Rio de Janeiro, passando pelo Campo Grande, por Camapuã e Sant'Ana do
Paranahyba. Ao chegar à freguesia de São Francisco de Sales (atualmente São
Francisco de Sales, Minas Gerais), em 12 de julho de 1867, descreve nestes termos, as
características do lugar:
"(...) povoação constante dumas quarenta casas, poucas de telhas, muitas em
ruínas, fundada em 1837 pouco mais ou menos, e que nenhum progresso tem tido:
definha lentamente, balda das esperanças que melhores condições poderiam fazer
nascer, entretanto o terreno é fértil, a posição bonita e a índole dos habitantes boa. Na
várzea que se percorre antes de subir a suave encosta em que assentam as casas, vimos
pela última vez os belíssimos grupos de buritis (...) [pg. 101] (1)
A comitiva de José Antônio, depois de descansar na freguesia de Francisco de
Sales, seguiu caminhos, à oeste, quase em linha reta, não distantes da margem direita do
Rio Grande, em terras mineiras, passando nas proximidades de onde se encontram, na
atualidade, as cidades de Iturama, Alexandrita e Carneirinho.
RIO PARANAÍBA
Com aproximadamente 20 léguas de percurso, chega enfim às margens do Rio
Paranaíba, na altura do atual Porto Alencastro, divisa da então Província de Mato
Grosso com a de Minas Gerais.
"(...) entramos na mata do rio Paranaíba, a qual conserva em seus terrenos
enatados, lodacentos, e nos troncos de suas árvores, sinais duma grande cheia, não
remota. Desse centro é que se irradiam as febres; a putrefação vegetal, tão fatal aos
homens, aí se efetua incessantemente, infeccionando a atmosfera três a quatro léguas
ao redor. As margens do Paranaíba são naturalmente barrancosas; as águas claras,
têm velocidade considerável, que a constante inclinação e esforço dos sarandis, em
alguns pontos mais próximos das ribanceiras, indicam, a largura é de 350 a 400
braças. Para atravessá-las, existe uma barcaça composta de duas estragadas canoas
de tamboril mantida pela barreira provincial de Mato Grosso, que daí tira algum
rendimento." [pg. 98] (1)
VILA DE SANT'ANNA DO PARANAHYBA (PARANAÍBA - MATO GROSSO
DO SUL)
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 30
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Percorrendo uma légua e meia desde o Rio Paranaíba, José Antônio Pereira
chega à Vila de Sant'Anna do Paranahyba, na Província de Mato Grosso. Pretendendo
estacionar ali o tempo suficiente para descanso e reabastecimento, providencia o
empréstimo de terreno para a plantação de uma pequena roça. Entretanto, depara-se
com um surto local de febre palustre. Obriga-se a permanecer por vários meses,
retardando a marcha da viagem. Por seus conhecimentos de fitoterapia, e terapêutica
homeopática, é convocado a colaborar no atendimento aos doentes. Na falta de um
facultativo, naquela situação emergencial, atuou como verdadeiro médico, tendo
ajudado a salvar muitas vidas.
A Vila de Sant'Anna seria muito diferente daquela, sobre a qual nos conta
Taunay, quando por ali passou, nos idos de 7 de julho de 1867?
"O aspecto da povoação pareceu-nos sumamente pitoresco, talvez pelo desejo
ardente de alcançá-la, como o ponto terminal do sertão de Mato Grosso ou como o
último laço que nos prendia àquela província, em que tanto havíamos sofrido, talvez
pela estação em que chegávamos; na realidade, metidas de permeio às casas, moitas
copadas de laranjeiras, coroadas de milhares de auríferos pomos, ao lado doutras
carregadas de cândidas flores, encantavam as vistas e embalsamavam ao longe os
ares, trescalando o especial aroma. (...)
Transpondo um còrregozinho e subindo uma ladeira onde há míseras
casinholas, chega-se à principal rua da povoação, outrora florescente núcleo de
população, hoje dizimada das febres intermitentes, oriundas das enchentes do
Paranaíba, ou pelo menos já estigmatizada dêsse mal, o que quer dizer o mesmo, visto
como os moradores que de lá fugiram, não voltam mais; 800 habitantes mais ou
menos, três ou quatro ruas bem alinhadas, uma matriz em construção, há muitos
lustros, o tipo melancólico duma vila em decadência, o silêncio por todos os lados,
crianças anêmicas, mulheres descoradas, homens desalentados, eis a vila de Sant'Ana,
ponto controverso entre as províncias de Goiás e Mato Grosso (...)" [pg. 97] (1)
Segundo Taunay, o único prédio assobradado da vila, onde pernoitou, era a casa
do major Martim Francisco de Melo, que o recebeu de modo hospitaleiro.
RUMO A CAMAPUÃ (CAMAPUÃ - MATO GROSSO DO SUL)
Debelado o surto de malária, sem que nenhum dos seus houvesse perecido; refeitos do
cansaço das jornadas precedentes e reabastecidos com os meios necessários de
sobrevivência; José Antônio, à frente de sua comitiva, enceta viagem por mais 63
léguas, nos sertões da Província de Mato Grosso. A partir daquele ponto, a caravana
passou a ter 62 pessoas e onze carros mineiros, uma vez que sua filha Maria Carolina
(que tinha o mesmo nome da mãe) e seu genro, Antônio Gonçalves Martins, juntamente
com a filha do casal, Maria Joaquina, haviam resolvido regressar a Minas Gerais.
Procurando chegar a Camapuã, toma o rumo noroeste, em direção a Baús. Viaja,
portanto, através de um caminho paralelo ao rio Aporé, parte da chamada "estrada do
Piquiri" (2), que passava na região do atual município de Cassilândia. Em pleno Sertão
dos Garcias, vai encontrar fazendas ao longo desta trilha, e certamente transpor os
ribeirões das Pombas e Indaiá, citados por Taunay (1). A meio termo, desvia sua
jornada para oeste, observando neste trecho, em sentido contrário, a mesma rota seguida
por Taunay, de retorno a Corte, em 1867.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 31
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Procurando ultrapassar os rios, na medida do possível, contornando suas
nascentes através de seus espigões, acaba chegando ao Sucuriú. Às margens deste,
haviam moradores muito pobres:
"Algumas choças esburacadas abrigam meia dúzia de habitantes paupérrimos,
amarelados das febres intermitentes e de constituição enfezada, os quais vivem à mercê
de plantações proporcionais à fôrça de trabalho, representada pela mais completa
indolência (...) [pg. 93] (1).
Os integrantes da comitiva são transferidos para a margem oposta do Sucuriú,
por meio de canoas. Animais e carros de bois transpõem-no, a vau.
A partir daí, até Camapuã, irão varar os dias sem encontrar uma única alma
vivente ao longo daqueles sertões inóspitos. Jornadeiam apenas do raiar ao por do sol,
ultrapassando os rios, através de seus leitos. Vencem o São Domingos, depois o rio
Verde (de Mato Grosso do Sul) e finalmente, após passarem pelo ribeirão Claro,
chegam ao Brejão, a pouco menos de 8 léguas da abandonada Fazenda Camapuã. Nas
cercanias dessa fazenda, a uma légua e três quartos, irão encontrar o lugar chamado
Corredor, "(...) habitado por negros e mulatos livres, ou libertados pelo fato de não
aparecerem herdeiros de seus possuidores." [pg. 89] (1).
Em Camapuã, a comitiva de José Antônio Pereira permanece por alguns dias,
para reabastecimento e descanso.
DESTINO FINAL: O "CAMPO GRANDE"
Vinte e duas léguas de viagem os separava da pequena propriedade, deixada em
1872, situada na confluência de dois córregos, em terras do Campo Grande. José
Antônio prossegue para o sul em busca de seu destino. Vadeia as cabeceiras do rio
Pardo na altura do atual Capim Verde, e, trilhando caminhos que passavam por
Bandeirante, Bom-Fim e Jaraguari de hoje, atinge o seu destino em 14 de agosto de
1875. Encontra no local uma pequena família proveniente do povoado da Prata,
próximo de Monte Alegre, e que, procurando os campos da Vacaria, há poucos meses,
resolvera por aqui permanecer. Seu patriarca, Manoel Vieira de Souza (Manoel
Olivério), recebe-os fidalgamente, propondo a devolução da propriedade, mediante o
ressarcimento da importância que havia pago ao zelador do pequeno sítio, que aliás,
depois do negócio, havia tomado rumo ignorado.
Associando-se agora com Manoel Olivério, providencia a imediata construção
de vários ranchos ao longo da margem direita do córrego, depois denominado "Prosa",
na altura da atual Rua 26 de Agosto. Os habitantes somam, então, 72 pessoas. José
Antônio dá-se conta que estava fazendo surgir um novo povoado e logo providencia a
determinação de seus limites. Denomina-o Arraial de Santo Antônio do Campo
Grande, em homenagem ao Santo de sua devoção, cumprindo promessa que fizera ao
passar pela Vila de Sant'Anna do Paranahyba, caso nenhum de sua comitiva perecesse
de febre palustre, que acometia a população daquela localidade.
A segunda viagem, de Monte Alegre de Minas ao Campo Grande, embora
seguindo um trajeto mais curto (aproximadamente 140 léguas), teve uma duração
maior, em virtude do tamanho da comitiva, da lentidão característica dos carros de bois
e da permanência prolongada na Vila de Sant'Anna do Paranahyba.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 32
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 33
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo VIII
TERCEIRA VIAGEM DE JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
E. Barsanulfo Pereira
A terceira e última viagem de José Antônio Pereira às Minas Gerais aconteceu
em 1878. Voltou a Monte Alegre para buscar seu genro, já viúvo, Antônio Gonçalves
Martins; sua neta, Maria Joaquina; o esposo desta, Tomé Martins Cardoso; e a filhinha
do casal, Maria Jesuína.
A bem da verdade, alguns fatos motivaram esse derradeiro retorno. Por ocasião
da segunda viagem ao Campo Grande, com toda sua família, José Antônio fazia-se
acompanhar, também, de sua filha Maria Carolina. Esta, cujo nome era igual ao de sua
progenitora, vinha com seu marido, Antônio Gonçalves Martins, e a filha, Maria
Joaquina.
Chegando ao povoado de Sant'Anna do Paranahyba, Antônio Gonçalves, por
motivos ignorados, desentendeu-se com o sogro e resolveu regressar a Minas em um
dos carros de bois, levando esposa e filha. Como foi anteriormente referido, a comitiva
de José Antônio Pereira, quando partiu de Monte Alegre, utilizava-se de doze carros
mineiros, chegando ao Campo Grande com apenas onze.
Entre os anos 1875 e 1878, Maria Carolina falece em Monte Alegre. José
Antônio Pereira, patriarca de bom coração, naturalmente saudoso de seus familiares que
se encontravam naquela cidade do triângulo mineiro, retorna para revê-los. Não mais
encontra sua filha, mas sim o genro, agora viúvo e a neta Maria Joaquina, já casada, e
com uma filha recém-nascida. Certamente em decorrência da índole daqueles mineiros,
a reconciliação foi inevitável.
Assim sendo, no mesmo ano de 1878 José Antônio Pereira acaba persuadindo-os
a mudar, definitivamente, para o Arraial de Santo Antônio do Campo Grande, e se
juntar aos demais integrantes da enorme família dos Pereiras.
O itinerário dessa viagem, em todos os seus aspectos, isto é, dos trajetos
seguidos aos locais de parada para descanso e reabastecimento, semelhou-se ao da
segunda viagem.
* Cuidamos, para que as citações, tanto quanto possível, mantivessem a
ortografia das obras originais.
BIBLIOGRAFIA:
1. TAUNAY, Visconde de. CÉUS E TERRAS DO BRASIL (9ª edição).
VIAGENS DE OUTRORA (3ª edição). Cia. Melhoramentos, São Paulo, 1948.
2. GUIMARÃES, Acyr Vaz. MATO GROSSO DO SUL, Sua Evolução
Histórica. Editora UCDB, Campo Grande-MS, 1999.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 34
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo IX
O "Registro" de Campo Grande
Hildebrando Campestrini
Presidente do Instituto Histórico
e Geográfico de Mato Grosso do Sul
Em 1892 (9 de novembro), o Presidente da Província de Mato Grosso baixou a
Lei n. 20, determinando o reexame de todos os títulos de posse. Os proprietários deviam
apresentar prova de morada habitual e de exploração da terra. Depois era nomeado um
perito para medir a área. Se houvesse excesso, o proprietário deveria pagar à Província
a diferença. Só após esta regularização era feito o registro do título de posse, na
intendência local, “conforme o Regulamento n. 38 de 15 de Fevereiro de 1893” .
Adiante está transcrito, literalmente, o registro da área do Arraial de Santo
Antônio de Campo Grande, sob o número 427, no livro n. 14, do município de
Nioaque.
N. 427
João Luiz da Fonseca e Moraes, intendente geral do Município de Nioac.
Faço saber aos que o presente titulo verem ou delle tiverem conhecimento que
nesta data de conformidade com os artigos 116 a 125 do Regim. 38, approvei
por se acharem em devida forma os documentos que me forão apresentados
para registro, de Jose Antonio Pereira, administrador da Igreja do Patrimônio
de Santo Antonio de Campo-Grande possue uma área de campos e mattos no
lugar denominado “Campo Grande” neste município, na extensão de três mil e
seiscentos hectares. Limitando-se: ao Nascente: as cabeceiras do córrego da
Proza, comprehendidas todas as vertentes affluentes do mesmo córrego; ao
Poente, com as posses de D. Francisca Taveira e José Alves Rabello, pelo
espigão mestre; ao Norte, do córrego do Segredo e todos os seus affluentes
linha recta a cabeceira da Proza; ao Sul, com os limites de Joaquim Antonio
Pereira recta atravessando Nhanduhy e o córrego Lagoa. Cujas posses funda-
se no artigo 5º § 5 da Lei n. 20 de 9 de Novembro de 1892, e determino que se
expeça ao requerente o presente titulo que lhe permita legitimação. Intendência
Municipal de Nioac 20 de junho de 1894. Eu José Nelson de Santiago,
escrevente que o escrevi (assignado). Intendente Geral João Luiz da Fonseca e
Moraes.
(Excerto do artigo O registro de Campo Grande, Jornal “O Correio do Estado”, Caderno B, Suplemento Cultural, página 3,
Campo Grande, Mato Grosso do Sul, 28 de agosto de 2004)
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 35
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 36
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 37
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo X
DESCENDENTES DE JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
FAMÍLIA PEREIRA
Manoel Antônio Pereira
Francisca de Jesus Pereira
JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
X
Maria Carolina de Oliveira
FILHOS DE JOSÉ ANTÔNIO
NETOS DE JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
PEREIRA
Maria Luiza, Manoel [==>], Ana Luiza
[==>],
Antônio Luiz Pereira X Deolinda [==>], Júlia Bruna [==>],
Anna Luiza de Souza Belmira [==>], Laucídio [==>], Olívia,
Carlinda [==>], Nestor [==>]
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 38
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Ana Gama [==>] , Cândido, Durando
[==>] ,
Joaquim Antônio Pereira X
Maria Rita [==>], Lázaro, Braulino, João
[==>] ,
Maria Helena de Souza
Manoel, José, Antônio
Francisca Pereira X
Jerônima, Abadio, Maria das Dores,
Manoel Vieira de Souza
José, Antônio, Joaquim
X
Luiz Oliveira
José [==>], Antônio, João, Elisa,
Ana Constança Pereira X
Maria Porfíria, Ana [==>], Guilhermina,
Manoel Gonçalves Martins Joana Maria
Maria Carolina Pereira X
Maria Joaquina [==>]
Antônio Gonçalves Martins
Luiz, Antônio, Marciano, José,
Rita Pereira X
Emília, Jerônima, Regina, Ana,
Onório Vilela João, Deolinda, Osório
Perciliana Pereira Não teve descendentes
Maria Nazaré Pereira Não teve descendentes
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 39
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo XI
MONTE ALEGRE e CAMPO GRANDE
Unidas pela História e pelos Símbolos
Separadas por 892 quilômetros, Monte Alegre no centro do Triângulo Mineiro, e
Campo Grande, Capital de Mato Grosso do Sul, situada na região central do Estado,
estão unidas por coincidências históricas e simbólicas.
Eurípedes Barsanulfo Pereira
HISTÓRIA
MONTE ALEGRE CAMPO GRANDE
Fundação do Povoado de São Francisco das Fundação do Arraial de Santo Antônio do
Chagas do Monte Alegre: Campo Grande:
• Os fundadores de ambas as cidades procuravam terras devolutas para se estabelecerem
na agricultura e pecuária.
• Seguiram trilhas abertas anteriormente por outros desbravadores: os que fundaram
Monte Alegre, por rotas que levavam aos sertões de Goiás; os que fundaram Campo
Grande, por caminhos percorridos pelos retirantes da Laguna, que levavam ao Campo
Grande e à Vacaria.
"José Antônio Pereira (...) Natural de
"No começo do Século XIX, uma numerosa
Minas Gerais, residente na cidade de Monte
família mineira, cujo chefe era Martins
Alegre, empreendeu sua primeira viagem
Pereira, na tentativa de apossar-se de
rumo ao sul de Mato Grosso (...) Tendo
terras devolutas no sertão de Goiás,
notícia da Vacaria, com suas vastas
empreendeu viagem de mudança para
campinas, formou uma comitiva (...) Em fins
aquelas plagas inóspitas, seguindo
de março de 1872, partiu de Minas (...) a
corajosamente a caravana dos
pequena caravana, trilhando os caminhos
aventureiros por um caminho aberto que
deixados pelos nossos soldados que
ligava parte da Capitania das "Minas
combateram os invasores do território
Gerais" às terras goianas (...)" (1)
brasileiro, na Guerra do Paraguai." (2)
• Durante a viagem defrontaram-se com problemas de doença, obrigando-os
interromperem a marcha.
• Promessas de construção de igrejas foram feitas aos Santos de suas devoções, caso as
pessoas lograssem a cura: dos fundadores de Monte Alegre a São Francisco das Chagas,
dos de Campo Grande a Santo Antônio.
"Quando, de mudança, passando por
"Quando a caravana alcançava o ponto do
Santana de Paranaíba, foi obrigado a
caminho onde fica hoje a cidade, adoeceu
interromper por alguns meses sua viagem,
gravemente um dos seus membros,
em virtude da malária que grassava
motivando essa fatalidade uma parada
naquela população (...) lá permaneceu o
obrigatória de alguns meses na
tempo suficiente para debelar a epidemia,
localidade." (1)
salvando muitas vidas (...)" (2)
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 40
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
"fervorosos devotos que eram de São
"Foi ali que José Antonio, devoto de Santo
Francisco das Chagas, o chefe da família
Antonio de Pádua, fizera um voto se não
fez então uma promessa ao Santo, de doar
perdesse um só dos seus, quando aqui
naquela localidade um terreno para o
chegasse, faria uma Igreja para seu Santo
patrimônio de uma Capela, que ali seria
amigo, cuja imagem já trazia em sua
edificada em seu louvor, caso o doente
companhia." (2)
recebesse o milagre da cura." (1)
• Os fundadores de ambas as cidades escolheram a região da confluência de dois córregos
para se estabelecerem e ali construírem o arraial: Monte Alegre surgiu entre os córregos
"Monte Alegre" e "Maria Elias" e Campo Grande entre os córregos "Prosa" e "Segredo".
• As primeiras moradias foram ranchos cobertos de folhas de buriti ao longo das
primeiras ruelas dos arraiais em formação: Monte Alegre, às margens dos córregos
"Monte Alegre" e "Maria Elias" e Campo Grande, ao longo do córrego "Prosa", na antiga
"Rua Velha" (atual 26 de Agosto).
"Esses primeiros povoadores do arraial em
"A comitiva, após três meses de caminhada,
formação, abrigaram-se em humildes
chega a 21 de junho, à confluência de dois
ranchos, construídos na sua maioria de
córregos, mais tarde denominados 'Prosa' e
madeira, capim e palha de buriti, em
'Segredo' (...) Enquanto descansam, fazem
ruelas abertas a margem dos córregos
rancho coberto de folhas de buriti (...)" (2)
'Monte Alegre' e 'Maria Elias' (...) (1)
"José Antônio Pereira, traçando os limites
"Na extremidade do triângulo formado do povoado nascente denominou-o Santo
pela confluência desses veios de água, Antônio do Campo Grande (...) Nos anos
traçaram as primeiras ruas da futura seguintes, isto é, em 1876 e 1877, José
cidade, a quadra para a necrópole e praça Antônio Pereira deu cumprimento à
onde foi erguida a Capela de São promessa, construindo uma igrejinha de
Francisco das Chagas, o Padroeiro da pau-à-pique, coberta de telhas
Povoação." (1) transportadas do abandonado Camapuã"
(2)
• Impressionante é a coincidência entre alguns nomes e sobrenomes: a família de Antônio
Luis Pereira (portanto, de José Antônio Pereira) foi uma das fundadoras de Monte
Alegre. O filho de José Antônio mudou-se definitivamente daquela cidade, para vir
estabelecer-se, com quase todos os seus, no Campo Grande, em 1875, quando tinha 21
anos de idade. Seus netos, ainda vivos, contam que Antônio Luiz deixou lá inúmeros
amigos.
• Além do sobrenome Pereira, é notável a presença de outros, como os Gonçalves,
Martins e Cardosos, nos resumos históricos sobre Monte Alegre.
"Para surpresa de Manoel Olivério, em 14
de agosto do mesmo ano de 1875, chega
"Com a junção já de outros aventureiros
José Antônio a frente de numerosa
que seguiram o mesmo itinerário,
caravana composta de onze carros mineiros
formaram uma agregação as famílias de
(...) fazendo-se acompanhar também de sua
Antônio Luis Pereira, Gonçalves da Costa,
esposa Maria Carolina de Oliveira, seus
Martins de Sá, Manoel Feliz e Cardosos."
filhos Joaquim Antônio, Antônio Luiz (...) o
(1)
genro Manoel Gonçalves (...) num total de
62 pessoas."
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 41
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
"Ainda em 1878, José Antônio Pereira,
volta pela última vez à sua terra natal,
naturalmente para liquidar alguns negócios
e trazer o seu genro Antonio Gonçalves que
também tinha sua filha Maria Joaquina
casada com Tomé Martins Cardoso (...)" (2)
MONTE ALEGRE, CAMPO GRANDE E OS HERÓIS DA LAGUNA
• Visconde de Taunay (Alfredo d'Escragnolle-Taunay), autor de "A Retirada da Laguna",
descreveu, em suas obras, a passagem por Monte Alegre, do corpo do exército brasileiro
que combateu na Guerra do Paraguai.
• Após a Retirada da Laguna, Taunay, em seu retorno à Côrte, no Rio de Janeiro, seguiu
uma rota que passava por uma região situada no centro do território sul-matogrossense, a
região do Campo Grande.
• Muitos dos retirantes da Laguna, oriundos de Monte Alegre, souberam desse trajeto de
retorno, da região do Aquidauana, pelo Campo Grande através da encruzilhada de Nioac
até Camapuã. Daí rumando para leste na direção de Minas Gerais.
• Esses heróis, ao chegarem a Monte Alegre, comentaram sobre as regiões do Campo
Grande e da Vacaria, a moradores da cidade, entre eles, José Antônio Pereira.
• Acyr Vaz Guimarães em "Seiscentas Léguas a Pé" (3) nos conta a saga dos soldados
brasileiros desde a formação do corpo de exército, o percurso passando por Monte
Alegre, até a região da Laguna e o retorno às plagas brasileiras.
• Alaor Guimarães Mendonça muito escreveu sobre a participação dos soldados mineiros
na Guerra do Paraguai, heróis da Retirada da Laguna, especialmente sobre aqueles que
pereceram acometidos de varíola e foram sepultados no "Cemitério dos Bexiguentos". (5)
"A 14 (de setembro de 1865)*, passou o
Lajeadinho, o Babilônia, o Ana Correia e o
da Mata, para entrar no arraial de Monte "Uma légua mais entramos no Campo
Alegre, onde chegou às onze horas (...)" Grande. Esta extensa campina constitui
vastíssimo chapadão de mais de cinquenta
"Monte Alegre, em 1865, era um arraial léguas de extensão, em que raras árvores
com uma população entre quatrocentos e rompem a monotonia duma planura sem fim
quinhentos habitantes, contando com (...) Duas léguas além fomos às Botas (...)
algumas casas caiadas e cobertas com Límpido ribeirão corre aí no encontro de
telhas. Em pequena praça rodeada de dois abaulados outeiros (...)" [ribeirão das
ranchos, levantava-se a matriz. Seu Botas, divisa do Município de Campo
comércio era pequeno e devido ao Grande com o de Jaraguarí]* (4)
movimento de tropas que vinham ou iam
para Goiás e Mato Grosso." (3)
• Foram os heróis da Laguna que levaram ao Triângulo Mineiro, principalmente a
Monte Alegre de Minas, notícias de extensas campinas no centro da região sul da
Província de Mato Grosso, o Campo Grande e a Vacaria, despertando no espírito
desbravador de José Antônio Pereira o desejo de ocupar estas plagas, culminando
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 42
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
com a fundação do Arraial de Santo Antônio do Campo Grande.
SÍMBOLOS
AS BANDEIRAS DE MONTE ALEGRE, CAMPO GRANDE E MATO GROSSO DO
SUL
• As bandeiras de Monte Alegre, Campo Grande e Mato Grosso do Sul estão ligadas por
impressionantes semelhanças, as quais, saltam aos olhos à observação imediata.
A Bandeira de Monte Alegre, concebida
por Amintes Nunes de Moura, foi escolhida
em 7 de Setembro de 1975 e oficializada
A Bandeira de Campo Grande foi
em 4 de Fevereiro de 1991 pelo Prefeito
oficializada no ano de 1967.
Municipal Euripedes Lima Andreani pelo
Decreto 2275 de 4 de Fevereiro daquele
ano.
No ângulo superior-esquerdo da Bandeira A Bandeira do Estado de Mato Grosso do
de Monte Alegre há um emblema que Sul, foi concebida e desenhada por Mauro
muito se assemelha à Bandeira de Mato Miguel Munhoz e oficializada em 1977.
Grosso do Sul.
*nota da redação do sítio virtual de onde foi extraído este texto.
BIBLIOGRAFIA
1. DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE CULTURA, LAZER E TURISMO
DA PREFEITURA MUNICIPAL DE MONTE ALEGRE DE MINAS: Dossiê para o
tombamento do monumento aos Heróis da Laguna.
2. PEREIRA, EPAMINONDAS ALVES - (Bisneto de José Antônio Pereira):
Resumo Histórico da Cidade de Campo Grande 1872-1911. 12 pag., 1972.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 43
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
3. GUIMARÃES, ACYR VAZ: Seiscentas Léguas a Pé. Tribunal de Justiça de
Mato Grosso do Sul. Outubro de 1988, 194 pag.
4. TAUNAY, VISCONDE DE: Céus e Terras do Brasil. Edições
Melhoramentos, 9a. edição, 1948, 229 pag.
5. MENDONÇA, ALAOR GUIMARÃES: História sobre a passagem, em
Monte Alegre de Minas, das tropas brasileiras na guerra do Paraguai. Prefeitura
Municipal de Monte Alegre de Minas. Novembro de 1984, 30 pag.
6. CONTAR, EDSON CARLOS - (Bisneto de José Antônio Pereira): Resumo
Histórico de Campo Grande. 6 pag.
7. CONGRO, ROSÁRIO: O Município de Campo Grande - Estado de Matto
Grosso - Publicação Official - 1919, 104 pag.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 44
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo XII
ANTÔNIO LUIZ PEREIRA
.......
.
.......
Aos 50 anos de idade Aos 85 anos de idade
.
(Monte Alegre de Minas: 21 de junho de 1853 - Campo Grande, Mato Grosso do
Sul: 24 de setembro de 1942).
Eurípedes Barsanulfo Pereira
Quando se aborda as origens de nossa cidade, emerge naturalmente a figura
ímpar de seu Fundador, o destemido mineiro José Antônio Pereira que, nos idos de
1872, constituiu-se no primeiro elemento humano, afora os índios que circulavam por
esta região, a fincar os pés neste dadivoso solo.
Naqueles tempos remotos, participando ativamente de todos os lances da
epopéia que resultou na fundação da cidade, sobressaía a presença de Antônio Luiz
Pereira, seu filho, no alvorecer da mocidade. Como era tradicional, os varões da família
costumavam secundar o chefe da prole, assimilando-lhe as habilidades, em seus
inúmeros afazeres.
Foi assim que Antônio Luiz, embrenhou-se pelos sertões, ao lado de seu pai, à
procura dos caminhos que os levassem aos campos da Vacaria. Nos dias iniciais
daquele outono, pôs-se a cavalo pelos serrados mineiros do Distrito da Farinha Podre,
trazendo no alforje de sua montaria a inseparável viola, companheira dos folguedos e
melancolias desde a adolescência.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 45
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Depois de longa e cansativa jornada, seguindo parte do trajeto que a expedição
do exército brasileiro palmilhara na campanha da Laguna poucos anos antes, quis o
destino que os intrépidos desbravadores encontrassem a confluência dos ribeirões, mais
tarde denominados "Prosa" e "Segredo", no dia vinte e um de junho de 1872, data em
que Antônio Luiz completava seus dezenove anos de idade.
Levantado o rancho, plantada a roça, a espera da primeira colheita transcorreu
por vários meses. Os dias pareciam intermináveis, na monotonia daquele sertão
desabitado, pois, segundo Rosário Congro (o primeiro historiador de Campo Grande):
"Distava doze léguas o morador mais próximo (...)". (1)
E arremata:
"Bem fácil é imaginar a tristeza que aquelas almas envolvia, quando as
sombras da noite desciam sobre a terra. Um fogo no terreiro, sons plangentes de uma
viola tangida com sentimento, uma cantiga dolente repassada de infinita saudade,
depois... a nostalgia, o silêncio profundo do deserto! E, cortadas de quando em vez
pelo rugido do jaguar, como eram longas as noites, sem o canto do galo anunciando o
clarear do dia, e vazias as manhãs, sem o mugir do gado!" (1)
É chegada então a hora de voltar. Nova e extenuante caminhada de regresso a
Monte Alegre, pela mesma rota. Depois, ao termo do percurso, o relato da viagem,
sonhos e planos de retorno para o eldorado das terras dos campos grandes da Vacaria.
Reuniões, diálogos, persuasões, acertos e finalmente a decisão: a transferência da
família de José Antônio e de várias outras, para a pequena propriedade no sul da
longínqua Província de Mato Grosso.
A mudança fora uma determinação arrojada, tendo-se em conta os riscos e as
dificuldades da viagem. Planejamento e apronto minuciosos, com dispêndio de grandes
esforços; teria que ser, como foi, uma resolução definitiva. Desafio que somente os
destemidos costumam enfrentar. Os preparativos duraram longos meses e Antônio Luiz,
que participara desde os primeiros instantes daquela verdadeira aventura, estava sempre
ao lado do pai, a coadjuvar-lhe, em todas as providências.
Pode-se imaginar a ebulição de sentimentos, o clima afetivo daquela gente por
ocasião da partida, na segunda viagem de José Antônio. À saída de Monte Alegre, o
longo comboio formado por numerosos carros de bois, cujo peso dos víveres;
instrumentos de lavoura; mudas, sementes e utensílios domésticos; enfim, das
mudanças; faziam chiar mais alto os eixos daqueles carros, como lúgubre canção de
despedida.
A cada passo lento e cadente dos animais, pelas trilhas que se abriam à frente,
Antônio Luiz, com os olhos marejados de lágrimas, via dissiparem-se à distância as
fisionomias de seus amigos e o meigo semblante de uma menina, que de lencinho
branco abanando, despedia-se, na incerteza de um "até-breve".
O jovem monte-alegrense, na verdade, nunca mais retornaria, mas deixaria seu nome
indestrutìvelmente marcado na memória dos companheiros de juventude e dos
habitantes daquele povoado. Muitas décadas após seria lembrado como membro
proeminente de uma família que também houvera participado da fundação de Monte
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 46
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Alegre:
"Com a junção já de outros aventureiros que seguiram o mesmo itinerário, formaram
uma agregação as famílias de Antônio Luis Pereira (...) Esses primeiros povoadores
do arraial em formação, abrigaram-se em humildes ranchos, construídos na sua
maioria de madeira, capim e palha de buriti, em ruelas abertas à margem dos
Córregos "Monte Alegre" e "Maria Elias" (...) Na extremidade do triângulo formado
pela confluência desses veios de água, traçaram-se as primeiras ruas curvas da
futura cidade, a quadra para a necrópole e a praça onde foi erguida a Capela de São
Francisco das Chagas, o Padroeiro da Povoação." (2)
Desta vez os sertanistas buscaram um caminho mais curto, entretanto, não
menos estafante que o primeiro, em vista de uma interrupção demorada, que foram
obrigados a fazer, em Sant'Anna do Paranahyba. Por fim, aos quatorze de agosto de
1875, acabam atingindo o local de destino. Encontram no sítio em que José Antônio
construíra um rancho e plantara roça, uma outra família. Chefiada por Manoel Vieira de
Souza ("Manoel Olivério"), provinha, também, dos sertões das Minas Gerais. A
fidalguia daqueles mineiros não resultou em outra coisa, senão o congraçamento. Daí
não tardou brotar o afeto de Antônio Luiz pela jovem Anna Luiza, filha de Manoel
Olivério.
Quase três anos se passaram entre namoro e noivado, e o casal veio a se
consorciar no dia quatro de março de 1878, na inauguração da primeira igreja do
povoado construída por José Antônio, sob as bênçãos de Santo Antônio de Pádua,
através dos ofícios religiosos do Padre Julião Urchia, da Paróquia de Nioaque.
Com a divisão das terras, feita pelo Fundador, entre si, seus filhos e genros,
coube a Antônio Luiz a Fazenda Bálsamo. Ali, edificou a sede com a ajuda de seu
genitor, por volta de 1880. Foi erguido o casarão; o abrigo para o carro de bois;
construído o engenho de cana-de-açúcar; o monjolo no trajeto de um rego d'água; o
mangueiro; o paiol; cozinha e despensa, com tulha, para armazenar cereais. Enfim, tudo
quanto era necessário, para a acomodação e sustentação de mais uma família nascente,
nos moldes das construções das antigas fazendas mineiras.
À semelhança do pai, Antônio Luiz também se tornou o Patriarca de um dos
ramos da vasta prole descendente de José Antônio Pereira. Anna Luiza deu-lhe dez
filhos. A primogênita Maria Luiza (Bilia), faleceu ainda jovem. Somaram-se então:
Manoel (Neca), Ana Luiza (Neguinha), Deolinda, Júlia, Belmira, Laucídio, Olívia,
Nestor e Carlinda. Exceto Olívia, todos os outros multiplicaram-lhe a descendência.
O casarão da Fazenda Bálsamo tornou-se um ambiente aconchegante. Para lá
convergiam seus familiares e amigos, principalmente nas épocas de férias escolares,
aniversários e para as festas juninas de Santo Antônio. Festeiro, tocador de viola, vovô
Antônio Luiz fazia questão de reunir em torno de si todos os seus descendentes. Nessas
ocasiões, nos inesquecíveis serões que proporcionava, pito de palha no canto da boca e
rodeado de netos e bisnetos, costumava recordar os fatos pitorescos das viagens que
empreendera entre São Francisco das Chagas do Monte Alegre e a antiga Província de
Mato Grosso.
Sob sua liderança os Pereira mantinham várias atividades rurais de subsistência,
tais como a criação de gado leiteiro e de corte, a agricultura, e a extração e
comercialização de lenha do serrado. A leiteria era uma das mais importantes,
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 47
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
resultando na produção do leite in natura e seus derivados, como queijo, requeijão e
manteiga. A industrialização era artesanal, com o envolvimento dos membros da
família.
Com o casamento de seus filhos, Antônio Luiz foi lhes doando suas terras. Logo
a Fazenda Bálsamo era rodeada pelas propriedades de seus herdeiros, continuando a ser
o ponto de reunião de toda a sua gente.
Ali, até à idade provecta, manteve seus labores de pequeno criador e agricultor.
Era exímio carpinteiro, possuindo pequena oficina onde produzia móveis caseiros e
utensílios rurais, manejando com mestria o formão e a enxó. Monjolos, carros de bois e
seus petrechos, pilões, cochos e porteiras, surgiam ao talhe de suas mãos hábeis. Tinha
conhecimentos, também, de medicina popular, produzindo suas mezinhas, sempre úteis
e solicitadas pelos parentes.
Sem deixar de ser alegre e afável, era austero, e sua figura humana inspirava
respeito. Aos mais chegados despertava também sentimentos de devoção. Voz grave e
riso medido, era sábio em suas intervenções, granjeando a confiança de todos.
Embora tivesse dedicado praticamente toda sua vida a este torrão de solo sul-
mato-grossense, sua alma esteve sempre ligada à terra onde nasceu. Não poucas vezes
seus netos surpreendiam-no de pé, no portal de frente de sua casa, absorto e nostálgico,
mirando o zimbório do céu estrelado, ocasião em que denotava, por frazes curtas, sua
lembrança dos amigos - "lá de fora!...", como costumava se referir a Monte Alegre de
Minas.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 48
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Antônio Luiz Pereira rodeado por netas, em 1936.
Da esquerda para a direita, em pé: Margarida, Maria Barbosa, Elza, Graciana, Mariazinha e
Erotildes (Tita). Sentadas: Juracy, Herondina, Belmira (filha de Antônio Luiz) e Evanilha
(Lola). Sentadas no solo: Líbia (Bibe), Julieta e Lucila.
Longos anos de uma convivência maravilhosa com filhos, netos, bisnetos e
sobrinhos, fixaram na memória de todos a imagem inelidível de um ser carismático.
Partiu naquela tarde de 24 de setembro de 1942, deixando, no coração dos seus, enorme
saudade.
Alquebrado pela idade avançada, aos 89 anos, sob os cuidados extremosos de
sua filha Ana Luiza (tia Neguinha) e poucos minutos após agradável conversa com o
inseparável neto "Neném" (Epaminondas Alves Pereira), proferiu suas últimas palavras:
- "filho, agora vou descansar um pouco...", e fechou os olhos para sempre.
=0=
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 49
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Em 15 de outubro de 1942, Valério d'Almeida escreveu, no
Jornal "O Progressista", o artigo: "Campo Grande de joelhos
e de luto". (3) Seguem-se os principais fragmentos:
"Emudeceu para sempre a voz de um dos co-fundadores do
velho Arraial de Santo Antonio do Campo Grande.
Antônio Luiz Pereira, filho de José Antônio que aqui chegara
em 1875, faleceu cercado do conforto de sua numerosa prole
composta de filhos, netos, bisnetos, genros, noras e sobrinhos.
(...)
Com uma saúde invejável, enfrentou o último quartel do
século XIX e fechou as pálpebras à luz primaveril do mês de
setembro passado, quase ao meio do século XX, desertando
suavemente da vida tão cheia de angústias e de lágrimas.
Sua existência foi afanosa, toda ela dedicada ao amanho da
terra que cultivou com amor e carinho, levantando as bases
da herdade agrícola do "Bálsamo" que ficará para sempre
denunciando aos pósteros, o apego de Antônio Luiz à terra
que serviu de berço a todos os seus descendentes.
Ali, à beira de um fio d'água, sombreado de arvoredos, ele e
os seus, diuturnamente, foram assistindo ao crescimento do
arraial, do povoado, da aldeia, da vila e finalmente da cidade,
bem como o aumento da família que se alastrava pelos
arredores, em novos lares cada qual influenciado pelo
convívio bom dos seus ascendentes.
Lembro-me, menino ainda, quando lá fomos assistir aos
festejos de Santo Antônio, às vezes, sob invernias cortantes e
chuvosas.
O mau tempo nunca empanou o entusiasmo das festas, nem
tampouco diminuiu o ardor dos que iam compartilhar da
alegria e do teto da família Pereira.
Guardo como o cicio brando de folhas de palmeiras ao vento,
o aspecto brasileiro da pequena herdade: com casa de telha
vã, bem colonial; grande pátio cercado de pau-a-pique; ao
fundo o laranjal, o rego d'água e o monjolo escachoante e
preguiçoso; ao lado, o galpão sem paredes, os currais, e
próximo à cerca, o carro de bois cheirando à cabreúva nova,
mal saída da enxó do carpinteiro.
Antônio Luiz foi um enamorado da natureza quase virgem que
conhecera quando criança, e nunca se adaptara em definitivo
ao ambiente da civilização, trazida nos apitos das
locomotivas.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 50
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
BIBLIOGRAFIA:
1. CONGRO, ROSÁRIO: O MUNICIPIO DE CAMPO GRANDE - ESTADO
DE MATTO GROSSO. Publicação Official, 1919.
2. DEPARTAMENTO MUNICIPAL DE CULTURA, LAZER E TURISMO
DA PREFEITURA MUNICIPAL DE MONTE ALEGRE DE MINAS: Dossiê para o
tombamento do monumento aos Heróis da Laguna.
3. D'ALMEIDA, VALÉRIO: Jornal O PROGRESSISTA: Ano X, Nº 944.
Campo Grande, 15 de outubro de 1942 (páginas 1 e 4).
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 51
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo XIII
MONUMENTOS
E
HOMENAGENS A JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
BUSTO DE JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
Homenagem da Colônia Libanêsa, ao Fundador de Campo Grande. Localizado no
canteiro central da Avenida Affonso Penna, esquina com a Avenida Calógeras.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 52
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
OBELISCO
Em homenagem aos fundadores de Campo Grande. Inaugurado em 26-08-1933
pelo Prefeito Ytrio Corrêa da Costa, projetado pelo engenheiro Newton
Cavalcanti. Situado no cruzamento entre a Avenida Affonso Penna e Rua José
Antônio Pereira.
"MEDALHÃO" DO OBELISCO
Efígie de José Antônio Pereira
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 53
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
MONUMENTO EM HOMENAGEM AOS FUNDADORES
Obra da Escultora Neide Ono
Construída na gestão do Prefeito Juvêncio Cesar da Fonseca. Situada na
confluência dos córregos "Prosa" e "Segredo", local onde José Antônio
Pereira levantou o primeiro rancho, entre as Avenidas Fernando Corrêa da
Costa e Ernesto Geisel.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 54
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
MUSEU JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
Avenida Guaicurus, S/N (CEP: 79071-000) - Bairro: Jardim MONTE
ALEGRE.
ESCOLA ESTADUAL JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
Localizada à Rua Vacaria, 257 - Bairro Taveirópolis.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 55
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
RUA JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
Trecho da Rua José Antônio Pereira à altura do cruzamento com a
Avenida Affonso Penna. À esquerda: visão ao norte do Obelisco. À direita:
visão à partir do sul.
EDIFÍCIO JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA
Avenida Affonso Penna 2240
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 56
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
PLACA EM HOMENAGEM AO FUNDADOR DE CAMPO GRANDE
Patrono da primeria turma de formandos do Colégio Militar de Campo
Grande
1997
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 57
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
BANDEIRA DE CAMPO GRANDE
A Bandeira de Campo Grande foi oficializada no ano de 1967. O brasão, ao centro,
simboliza o Governo Municipal. O retângulo, a cidade de Campo Grande. As
faixas, simbolizam o Poder Municipal, que se irradia, como os raios do sol, para
todos os quadrantes e as oito figuras geométricas, as regiões rurais do Município.
BRASÃO
A Coroa Mural, na parte superior, classifica a cidade na segunda grandeza, isto é,
sede de Comarca. A águia simboliza poder, prosperidade e altruísmo. O berrante,
sob suas garras, lembra a pecuária, umas das principais atividades econômicas da
região. As faixas onduladas abaixo da águia representam os córregos Prosa e
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 58
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Segredo. Na parte de baixo desdobra-se uma faixa, em cujas extremidades estão
realçados os anos: 1872 (Fundação do Arraial) e 1899 (elevação à categoria de
Município).
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 59
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo XIV
HINO DE CAMPO GRANDE
Letra e música de Trajano Balduíno de Souza
07-09-1918
Arranjo: Maestro Vitor Marques Diniz
Transcrição p/ "MIDI": Prof. Júlio da Costa Feliz
Adaptação da 5ª estrofe: Prof. Hildebrando Campestrini
Campo Grande que outrora um deserto,
Transformou-se em cidade primor,
É de jóias escrínio aberto,
É uma gema de fino lavor!
II
(Estribilho)
A cidade onde todos vivemos,
Aprendamos fiéis defender!
Nosso afeto a ela sagremos
E felizes assim hemos ser.
Nosso afeto a ela sagremos
E felizes assim hemos ser.
III
Quanta luz, quanto gozo sem par!
Nos legou nosso amado País!
Oh! que terra ditosa é meu lar!
Campo Grande é feliz, é feliz!
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 60
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
IV
(Estribilho)
A cidade onde todos vivemos,
Aprendamos fiéis defender!
Nosso afeto a ela sagremos
E felizes assim hemos ser.
Nosso afeto a ela sagremos
E felizes assim hemos ser.
Mato Grosso do Sul, Campo Grande,
E Brasil, eis a tríade sagrada,
Em louvá-los minh'alma se espande
Morrerei pela Pátria adorada.
VI
(Estribilho)
A cidade onde todos vivemos,
Aprendamos fiéis defender!
Nosso afeto a ela sagremos
E felizes assim hemos ser.
Nosso afeto a ela sagremos
E felizes assim hemos ser.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 61
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo XV
PARTITURA
HINO DE CAMPO GRANDE
HINO DE CAMPO GRANDE
Letra e música: Trajano Balduíno de Souza
Arranjo: Maestro Vitor Marques Diniz
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 62
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 63
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Capítulo XVI
ANEXOS
Porteira de entrada
Museu José Antônio Pereira
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 64
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
FUNDOS
(1)
(2)
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 65
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Galpão do carro mineiro
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 66
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Bica d'água com o monjolo
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 67
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Estátua de Anna Luiza e Antônio Luiz Pereira
Obra do Escultor José Carlos da Silva (o "Índio")
15/08/1980
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 68
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Roca e Tear da Vovó Anna Luiza
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 69
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
CARRO MINEIRO
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 70
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Monjolo em funcionamento
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 71
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
CASARÃO DA FAZENDA BÁLSAMO
Atual Museu José Antônio Pereira
Quando se chega ao Museu José Antônio Pereira tem-se, de imediato, a
impressão de que nos encontramos numa das mais tradicionais e antigas propriedades
rurais mineiras.
"Em geral, as sedes dessas fazendas seguiam padrões arquitetônicos
semelhantes, incluindo a casa de moradia, geralmente térrea, e anexos vários: paiol,
casa de monjolo, puxado para carros de boi, engenho rudimentar, rego d'água e outras
benfeitorias. (...) Os materiais empregados eram, via de regra, encontrados na própria
fazenda ou em locais próximos, com largo emprego da pedra, do barro e da madeira,
sob diversas formas. A mão-de-obra mostrava-se tosca, ainda que muitas vezes
utilizando-se de materiais nobres como as madeiras de lei, e revelando-se dotada de
natural engenhosidade. (...) os padrões arquitetônicos e a distribuição das diversas
edificações, sempre de acordo com a procedência dos fundadores das fazendas." (1)
A casa da Fazenda Bálsamo é "compacta, (...) erguida em terreno plano,
apresentando distribuição irregular de alguns cômodos que dão acesso uns aos outros,
sem áreas de circulação, (...) típica de fazendas construídas por mineiros, no século
XIX e princípios do século XX". (1)
"O bloco principal e os blocos anexos são estruturados com troncos roliços de
aroeira que compõem um sistema de baldrames, pilares e cintas. As paredes, tanto
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 72
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
internas quanto externas, foram executadas originalmente de pau-a-pique e recobertas
com barro e caiadas (com mistura que incluía cinza de madeira)". (2)
Composição da taipa de pau-a-
pique:
[1]. Frechal:
peça roliça em Baru
(Cumbaru)
[2]. Esteio: poste de aroeira
[3]. Trama:
pau-a-pique (madeira do
cerrado)
varas de guariroba
[4]. Argamassa de barro:
barro de olaria (barro forte)
barro de várzea (barro fraco)
areia
esterco de gado
[5]. Baldrame: viga de
aroeira
"Do índio, o pau-a-pique; do negro, o barro de sopapo; a taipa de pau-a-pique,
também conhecida como taipa de mão ou taipa de sopapo, é uma técnica utilizada no
Brasil desde o período colonial. A influência da cultura negra aliada à experiência dos
índios resultou num sistema de construção que, por sua leveza, pouca espessura,
economia e rapidez de execução, foi amplamente utilizado na fabricação da casa
cabocla. É uma técnica que usa o barro, apertado e socado com as mãos, preenchendo
os vazios da trama de varas amarradas com cipós ou outras fibras vegetais no pau-a-
pique". (3)
"As coberturas são compostas de telhas de barro tipo capa-canal, de fabricação
artesanal,
colocadas sobre ripamento de carandá e estruturas em madeira de lei.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 73
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
As esquadrias, de portas e janelas, são todas de folhas de madeira, planas,
trabalhadas com a enxó. Os pisos do bloco anexo são revestidos com ladrilhos de
fabricação caseira, com exceção da sala, que tem o piso de tábuas corridas.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 74
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
O abrigo (do carro mineiro) tem o piso em terra batida". (2)
========== INTERIOR ==========
CATRES
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 75
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
FOGÃO DE LENHA e MESA DE REFEIÇÕES
SANTO ANTÔNIO SOBRE A CÔMODA
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 76
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
BAÚ
TAMBORETE e ROCA
BANCO
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 77
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
PILÃO e LAMPARINA
========== BIBLIOGRAFIA ==========
1. LENA CASTELLO BRANCO FERREIRA DE FREITAS e NANCY
RIBEIRO DE ARAÚJO E SILVA: Antigas Fazendas do Planalto Central. In: Ciências
Humanas em Revista. Revista do Instituto de Ciências Humanas e Letras. Universidade
Federal de Goiás.
2. PROJETO DE RESTAURAÇÃO DO MUSEU JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA:
Secretaria Municipal de Educação e Cultura, Divisão de Cultura. Prefeitura Municipal
de Campo Grande.
3. RESTAURAÇÃO DO MUSEU JOSÉ ANTÔNIO PEREIRA: Borges &
Corrêa Ltda. - Gregório Corrêa (Goinha).
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 78
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Engenho de cana-de-açúcar
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 79
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Cozinha e monjolo
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 80
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Pilão do Monjolo
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 81
A História de Campo Grande – Mato Grosso do Sul
Convite
Se você é um CONCURSEIRO então visite a comunidade
“CONCURSANTES & VESTIBULANDOS” no Orkut através do link:
http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=51805366
Onde você encontra material de estudo grátis.
Visite nossa comunidade no orkut: “Concursantes & Vestibulandos” 82