Resumo Lei 4.
320
Esta lei estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos
orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal,
de acordo com o disposto no art. 5º, inciso XV, letra b, da Constituição Federal.
Veja in verbis:
Art 5º – Compete à União:
XV – legislar sobre:
b) normas gerais de direito financeiro; de seguro e previdência social; de defesa e
proteção da saúde; e de regime penitenciário;
Muito bem. Entendido que se trata de uma lei com normas gerais, vejamos o que ela
traz a respeito dos orçamentos.
Lei do Orçamento – LOA
De acordo com a Lei 4.320, a Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e
despesa de forma a evidenciar a política econômica financeira e o programa de
trabalho do Governo, obedecidos os princípios de unidade universalidade e
anualidade.
Além disso, integrarão a Lei de Orçamento:
I – Sumário geral da receita por fontes e da despesa por funções do Governo;
II – Quadro demonstrativo da Receita e Despesa segundo as Categorias Econômicas;
III – Quadro discriminativo da receita por fontes e respectiva legislação;
IV – Quadro das dotações por órgãos do Governo e da Administração.
Outrossim, acompanharão a Lei de Orçamento:
I – Quadros demonstrativos da receita e planos de aplicação dos fundos especiais;
II – Quadros demonstrativos da despesa;
III – Quadro demonstrativo do programa anual de trabalho do Governo, em termos
de realização de obras e de prestação de serviços.
Adendo: Candidato, tenha muito cuidado com os termos que deixei negritado e
sublinhado. São os locais em que as bancas examinadoras adoram confundir os
candidatos despreparados.
Princípio da Universalidade
IMPORTANTE: A Lei de Orçamentos compreende todas as receitas, inclusive as
de operações de crédito autorizadas em lei, EXCETO:
Operações de crédito por antecipação da receita;
Emissões de papel-moeda; e Outras entradas compensatórias, no ativo e passivo
financeiros.
Além disso, a lei do orçamento também compreende todas as despesas. Sendo assim,
o princípio da Universalidade compreende o fato de todas as receitas e despesas
estarem consignadas na LOA.
Princípio da Especialização ou Princípio da Discriminação
Outro ponto de extrema importância a se ter anotado é que a Lei de Orçamento não
consignará dotações globais destinadas a atender indiferentemente a:
Despesas de pessoal; Material; Serviços de terceiros; Transferências ou quaisquer
outras Exceto se se tratar de investimentos ou programas especiais de trabalho que,
por sua natureza, não possam cumprir-se subordinadamente às normas gerais de
execução da despesa, nesse caso poderão ser custeadas por dotações globais,
classificadas entre as Despesas de Capital.
Princípio do Orçamento Bruto
Segundo o princípio do orçamento bruto, todas as receitas e despesas constarão da
Lei de Orçamento pelos seus totais, vedadas quaisquer deduções.
Créditos Suplementares ou por Antecipação de Receita
A Lei de Orçamento poderá conter autorização ao Executivo para:
I – Abrir créditos suplementares até determinada importância;
II – Realizar em qualquer mês do exercício financeiro, operações de crédito por
antecipação da receita, para atender a insuficiências de caixa.
Relembrando que o gênero créditos adicionais possui três espécies:
Suplementares;
Especiais; e
Extraordinários.
Como sabemos, a Lei do Orçamento conterá as receitas e despesas públicas.
Vejamos, então, como elas se classificam.
DAS RECEITAS
A receita classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas: Receitas Correntes e
Receitas de Capital.
Receitas Correntes: são as receitas tributária, de contribuições, patrimonial,
agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos
financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando
destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes.
Receitas de Capital: são as provenientes da realização de recursos financeiros
oriundos de constituição de dívidas; da conversão, em espécie, de bens e direitos; os
recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinados a
atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e, ainda, o superávit do
Orçamento Corrente.
CUIDADO:O superávit do Orçamento Corrente resultante do balanceamento dos
totais das receitas e despesas correntes não constituirá item de Receita
Orçamentária, mas sim da Receita de Capital.
DAS DESPESAS
Assim como as receitas, a despesa será classificada nas seguintes categorias
econômicas: DESPESAS CORRENTES e DESPESAS DE CAPITAL.
Despesas Correntes: Despesas de Custeio e Transferências Correntes.
Despesas de Capital: Investimentos, Inversões Financeiras e Transferências de
Capital.
DEFINIÇÕES DA LEI 4.320
Classificam-se como Despesas de Custeio as dotações para manutenção de serviços
anteriormente criados, inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e
adaptação de bens imóveis.
Classificam-se como Transferências Correntes as dotações para despesas às quais
não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para
contribuições e subvenções destinadas a atender à manutenção de outras entidades
de direito público ou privado.
Consideram-se subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a
cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindo-se como:
I – Subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de
caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa;
II – Subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de
caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril.
Classificam-se como investimentos as dotações para o planejamento e a execução de
obras, inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados necessários à
realização destas últimas, bem como para os programas especiais de trabalho,
aquisição de instalações, equipamentos e material permanente e constituição ou
aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial ou financeiro.
Classificam-se como Inversões Financeiras as dotações destinadas a:
I – Aquisição de imóveis, ou de bens de capital já em utilização;
II – Aquisição de títulos representativos do capital de empresas ou entidades de
qualquer espécie, já constituídas, quando a operação não importe aumento do
capital;
III – Constituição ou aumento do capital de entidades ou empresas que visem a
objetivos comerciais ou financeiros, inclusive operações bancárias ou de seguros.
São Transferências de Capital as dotações para investimentos ou inversões
financeiras que outras pessoas de direito público ou privado devam realizar,
independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo
essas transferências auxílios ou contribuições, segundo derivam diretamente da Lei
de Orçamento ou de lei especialmente anterior, bem como as dotações para
amortização da dívida pública.
IMPORTANTE: Leandro, mas eu já vi que existem outras classificações,
diferentes dessas. Sim, Estrategista. Existe! Trata-se da classificação oficial do
Manual da Contabilidade Aplicada ao Setor Público – MCASP. Portanto, fique
atento ao enunciado do exercício, se o examinador se refere à Lei 4.320 ou ao
MCASP.
Para ficar por dentro da classificação Oficial, leia esses 2 artigos que preparei
Classificação da Receita por Natureza – leia aqui
Entenda as diferenças entre Despesas Correntes e Despesas de Capital – leia aqui
Elementos Finais
Constitui unidade orçamentária o agrupamento de serviços subordinados ao mesmo
órgão ou repartição a que serão consignadas dotações próprias.
Adendo: Em casos excepcionais, serão consignadas dotações a unidades
administrativas subordinadas ao mesmo órgão.
IMPORTANTE: Na Lei de Orçamento a discriminação da despesa far-se-á no
mínimo por elementos.
Entende-se por elementos o desdobramento da despesa com pessoal, material,
serviços, obras e outros meios de que se serve a administração pública para
consecução dos seus fins.
Para efeito de classificação da despesa, considera-se material permanente o de
duração superior a dois anos.
Considerações Finais
Coruja, acredito que neste artigo tenho compilado os principais elementos e um
enxuto Resumo da Lei 4.320 para você.
Apenas com as informações presentes aqui, tenho convicção que será possível
acertar a grande maioria das questões a respeito desse tema.
Normas de Direito Financeiro – Conteúdo e Forma da Proposta Orçamentária
Em primeiro lugar, cabe aqui um adendo em relação aos prazos para
encaminhamento das leis orçamentárias.
Vale ressaltar que estes prazos estão elucidados na Constituição Federal no Ato das
Disposições Constitucionais Transitórias:
§ 2º Até a entrada em vigor da lei complementar a que se refere o art. 165, § 9º, I e
II, serão obedecidas as seguintes normas:
I – o projeto do plano plurianual, para vigência até o final do primeiro exercício
financeiro do mandato presidencial subsequente, será encaminhado até quatro
meses antes do encerramento do primeiro exercício financeiro e devolvido para
sanção até o encerramento da sessão legislativa;
II – o projeto de lei de diretrizes orçamentárias será encaminhado até oito
meses e meio antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para sanção
até o encerramento do primeiro período da sessão legislativa;
III – o projeto de lei orçamentária da União será encaminhado até quatro meses
antes do encerramento do exercício financeiro e devolvido para sanção até o
encerramento da sessão legislativa.
Feito esse breve parêntese, continuemos.
A proposta orçamentária que o Poder Executivo encaminhará ao Poder Legislativo
compor-se-á:
I – Mensagem, que conterá: exposição circunstanciada da situação econômico-
financeira, documentada com demonstração da dívida fundada e flutuante,
saldos de créditos especiais, restos a pagar e outros compromissos financeiros
exigíveis; exposição e justificação da política econômico-financeira do Governo;
justificação da receita e despesa, particularmente no tocante ao orçamento de
capital;
II – Projeto de Lei de Orçamento;
III – Tabelas explicativas, das quais, além das estimativas de receita e despesa,
constarão, em colunas distintas e para fins de comparação:
a) A receita arrecadada nos três últimos exercícios anteriores àquele em que se
elaborou a proposta;
b) A receita prevista para o exercício em que se elabora a proposta;
c) A receita prevista para o exercício a que se refere a proposta;
d) A despesa realizada no exercício imediatamente anterior;
e) A despesa fixada para o exercício em que se elabora a proposta; e
f) A despesa prevista para o exercício a que se refere a proposta.
IV – Especificação dos programas especiais de trabalho custeados por
dotações globais, em termos de metas visadas, decompostas em estimativa do custo
das obras a realizar e dos serviços a prestar, acompanhadas de justificação
econômica, financeira, social e administrativa.
Perceba, portanto, Estrategista, que a proposta orçamentária é formada por esses 4
documentos: Mensagem, Projeto de LOA, Tabelas Explicativas e Especificação dos
programas especiais de trabalho.
Da elaboração da Lei de Orçamento
Você deve estar se perguntando: e se o Poder Executivo não enviar o
orçamento? O que acontece? Paralisa toda a administração pública?
Certamente que não! Dispõe as Normas de Direito Financeiro que, se não receber a
proposta orçamentária no prazo fixado, o Poder Legislativo considerará como
proposta a Lei de Orçamento vigente.
Uma vez recebida a proposta pelo Poder Executivo, como se trata de uma lei,
obviamente que o Poder Legislativo tem a capacidade de propor e votar emendas,
correto?!
Contudo, é de extrema relevância saber que não se admitirão emendas ao projeto
de Lei de Orçamento que visem a:
a) alterar a dotação solicitada para despesa de custeio, salvo quando provada,
nesse ponto a inexatidão da proposta;
b) conceder dotação para o início de obra cujo projeto não esteja aprovado pelos
órgãos competentes;
c) conceder dotação para instalação ou funcionamento de serviço que não esteja
anteriormente criado;
d) conceder dotação superior aos quantitativos previamente fixados em resolução
do Poder Legislativo para concessão de auxílios e subvenções.
Do Exercício Financeiro
O exercício financeiro coincidirá com o ano civil.
Pertencem ao exercício financeiro:
I – as receitas nele arrecadadas;
II – as despesas nele legalmente empenhadas.
Adendo: empenho de despesa é totalmente diferente dos gastos propriamente
ditos. Empenho se refere à autorização do gasto, enquanto que o efetivo gasto pode
ocorrer, inclusive, em outros anos. Portanto, grave a palavra empenhada!
Todavia, consideram-se Restos a Pagar as despesas empenhadas, mas não
pagas até o dia 31 de dezembro distinguindo-se as processadas das não processadas.
IMPORTANTE: Os empenhos que sorvem a conta de créditos com vigência
plurianual, que não tenham sido liquidados, só serão computados como Restos a
Pagar no último ano de vigência do crédito. Isto é, aqueles empenhos
(autorização) para realização em 4 anos (vigência do PPA).
Dívida Ativa
Para aqueles que ainda não sabem, dívida ativa são os créditos exigíveis pelo
transcurso do prazo para pagamento. Isto é, quando vence o prazo e o devedor não
quitou sua dívida com o Estado.
Nesse ínterim, existem 2 tipos de dívidas ativas: a tributária e a não tributária.
Segundo a Lei 4.320, Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública dessa
natureza, proveniente de obrigação legal relativa a tributos e respectivos
adicionais e multas.
Já a Dívida Ativa não Tributária são os demais créditos da Fazenda Pública, tais como
os provenientes de empréstimos compulsórios, contribuições estabelecidas em lei,
multa de qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, foros, laudêmios,
alugueis ou taxas de ocupação, custas processuais, preços de serviços prestados por
estabelecimentos públicos, indenizações, reposições, restituições, alcances dos
responsáveis definitivamente julgados, bem assim os créditos decorrentes de
obrigações em moeda estrangeira, de subrogação de hipoteca, fiança, aval ou outra
garantia, de contratos em geral ou de outras obrigações legais.
Para finalizar, a Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da
Fazenda Nacional.
Execução do Orçamento
Segundo as Normas de Direito Financeiro, imediatamente após a promulgação da
Lei de Orçamento e com base nos limites nela fixados, o Poder Executivo aprovará
um quadro de cotas trimestrais da despesa que cada unidade orçamentária fica
autorizada a utilizar.
Além disso, a programação da despesa orçamentária levará em conta os créditos
adicionais e as operações extraorçamentárias.
Outro ponto essencial é que as cotas trimestrais poderão ser alteradas durante
o exercício, desde que observados o limite da dotação e o comportamento da
execução orçamentária.
Controle da Execução Orçamentária
O controle da execução orçamentária compreenderá:
I – a legalidade dos atos de que resultem a arrecadação da receita ou a realização da
despesa, o nascimento ou a extinção de direitos e obrigações;
II – a fidelidade funcional dos agentes da administração, responsáveis por bens e
valores públicos;
III – o cumprimento do programa de trabalho expresso em termos monetários e em
termos de realização de obras e prestação de serviços.
Além disso, como sabemos muito bem, existe o controle interno e o controle
externo. Vejamos um pouco mais sobre esse assunto.
Controle Interno
O Poder Executivo exercerá os três tipos de controle enumerados acima (legalidade,
fidelidade funcional e cumprimento do programa de trabalho), sem prejuízo das
atribuições do Tribunal de Contas ou órgão equivalente.
Outro ponto essencial: a verificação da legalidade dos atos de execução orçamentária
será prévia, concomitante e subsequente.
Além da prestação ou tomada de contas anual, quando instituída em lei, ou por fim
de gestão, poderá haver, a qualquer tempo, levantamento, prestação ou tomada
de contas de todos os responsáveis por bens ou valores públicos.
Por fim, compete aos serviços de contabilidade ou órgãos equivalentes verificar
a exata observância dos limites das cotas trimestrais atribuídas a cada unidade
orçamentária, dentro do sistema que for instituído para esse fim.
Controle Externo
Para finalizar, o controle da execução orçamentária (controle externo), pelo Poder
Legislativo, terá por objetivo verificar a probidade da administração,
a guarda e legal emprego dos dinheiros públicos e o cumprimento da Lei de
Orçamento.
Adendo: lembre-se de que a competência do controle externo é do Poder
Legislativo e não do Tribunal de Contas. Este atua apenas auxiliando aquele.
Para fins do controle externo, o Poder Executivo, anualmente, prestará contas ao
Poder Legislativo, no prazo estabelecido nas Constituições ou nas Leis Orgânicas dos
Municípios.
As contas do Poder Executivo serão submetidas ao Poder Legislativo, com Parecer
prévio do Tribunal de Contas ou órgão equivalente.
Em se tratando do âmbito municipal, quando, no Município não houver Tribunal de
Contas ou órgão equivalente, a Câmara de Vereadores poderá designar peritos
contadores para verificarem as contas do prefeito e sobre elas emitirem parecer.
Considerações Finais
Coruja, acredito que neste artigo tenho compilado os principais elementos e um
enxuto Resumo da Lei 4.320 para você.
Apenas com as informações presentes aqui, tenho convicção que será possível
acertar a grande maioria das questões a respeito desse tema.
Espero tê-lo ajudado.
TCU – Lei 4.320: TÍTULO I – Da Lei de Orçamento
Princípios Orçamentários – Unidade
“Art. 2° A Lei do Orçamento conterá a discriminação da receita e despesa de forma a
evidenciar a política econômica financeira e o programa de trabalho do
Governo, obedecidos aos princípios de unidade, universalidade e anualidade.” –
Primeiramente, o que são princípios?
Por “Princípio” entenda o fundamento, ou seja, a essência de alguma coisa. Logo, os
princípios orçamentários são as linhas norteadoras para a elaboração, execução e
controle do orçamento.
Alguns dos princípios estão na nossa Constituição Federal, ou seja, possuem status
constitucional. Já outros estão previstos apenas na legislação infraconstitucional
(como na Lei 4.320/64), no Manual Técnico de Orçamento (MTO) e no Manual de
Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP).
Princípio da Unidade -> Consoante o princípio da unidade, o orçamento deve ser uno.
Isto é, deve existir apenas um orçamento para cada ente da Federação em cada
exercício financeiro. O objetivo desse princípio é evitar orçamentos paralelos.
Princípios Orçamentários – Totalidade
Princípio da Universalidade – Conforme o princípio da universalidade, a Lei
Orçamentária Anual (LOA) de todos os entes federados deverá conter todas as
receitas e as despesas de todos os Poderes, órgãos, entidades, fundos e fundações
instituídas e mantidas pelo poder público.
O artigo 3° dessa Lei diz que a Lei de Orçamentos compreenderá todas as receitas,
inclusive as de operações de crédito autorizadas em lei. Trazendo em seu parágrafo
único que não se consideram para os fins deste artigo as operações de crédito por
antecipação da receita, as emissões de papel-moeda e outras entradas
compensatórias, no ativo e passivo financeiros.
No artigo 4° dispõe ainda que a Lei do Orçamento compreende todas as despesas
próprias dos órgãos do Governo e da administração centralizada, ou que, por
intermédio deles, se devam realizar.
Esse princípio da universalidade foi recepcionado pela CF/88 em seu artigo 165, § 5.º:
“§ 5.º A lei orçamentária anual compreenderá:
I – o orçamento fiscal referente aos Poderes da União, seus fundos, órgãos e
entidades da administração direta e indireta, inclusive fundações instituídas e
mantidas pelo Poder Público;
II – o orçamento de investimento das empresas em que a União, direta ou
indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto;
III – o orçamento da seguridade social, abrangendo todas as entidades e órgãos a ela
vinculados, da administração direta ou indireta, bem como os fundos e fundações
instituídos e mantidos pelo Poder Público.”
Não confunda o princípio da universalidade com o da unidade, essa é uma pegadinha
batida em provas. O princípio da universalidade dispõe todas as receitas e todas as
despesas de todos os Poderes, órgãos, entidades, fundos e fundações instituídas e
mantidas pelo poder público. O da unidade diz que estarão na LOA, que é uma peça
apenas.
Princípios Orçamentários – Anualidade
Princípio da Anualidade – O princípio da anualidade ou periodicidade diz que o
orçamento deve ser elaborado e autorizado para um determinado período de tempo.
Ou seja, o orçamento não pode ser eterno.
Atenção: Esse princípio da anualidade está relacionado ao exercício financeiro, não
ao ano civil.
Mas, segundo o Art. 34° da Lei 4.320: “Art. 34. O exercício financeiro coincidirá com o
ano civil.”
Mas pelo princípio da anualidade propriamente dito o exercício financeiro não está
relacionado com o ano civil. Isto é, se a Lei 4.320/64 fosse alterada e o novo exercício
financeiro do Brasil fosse de 1º de outubro a 30 de setembro, o princípio da
anualidade seria obedecido.
Mas esse princípio da Anualidade possui exceção?
Sim, esse princípio possui exceções:
São elas: Os créditos adicionais especiais e extraordinários são as exceções aqui do
princípio da anualidade. Segundo a CF/88: “Art. 167, § 2º Os créditos especiais e
extraordinários terão vigência no exercício financeiro em que forem autorizados,
salvo se o ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses daquele
exercício, caso em que, reabertos nos limites de seus saldos, serão incorporados ao
orçamento do exercício financeiro subsequente.”
Atenção: Os créditos adicionais suplementares não entram nesse bolo, ok?
Princípio Orçamentário – Especificação
No artigo 5° da 4320 diz que a Lei do Orçamento não consignará dotações
globais destinadas a atender indiferentemente a despesas de pessoal, material,
serviços de terceiros, transferências ou quaisquer outras.
Princípio da Especificação -> Segundo o princípio da especificação determina que, na
LOA, as receitas e despesas devem ser detalhadas. Ou seja, o orçamento demonstra a
origem e a aplicação dos recursos públicos, vedando autorização de despesas globais.
O Art. 15 vai ao encontro desse princípio, ao informar que na Lei de Orçamento a
discriminação da despesa far-se-á no mínimo por elementos.
Princípio Orçamentário – Orçamento Bruto
Princípio do Orçamento Bruto -> Segundo esse princípio é vedado que as despesas ou
receitas sejam incluídas no orçamento nos seus montantes líquidos. Ou seja, tanto as
despesas, quanto as receitas devem ser registradas pelos seus valores brutos. “Art.
6º Todas as receitas e despesas constarão da Lei de Orçamento pelos seus
totais, vedadas quaisquer deduções.“
Princípio Orçamentário – Exclusividade
Princípio da Exclusividade -> A Lei Orçamentária Anual (LOA) não conterá matéria
estranha à previsão da receita e à fixação da despesa.
Esse artigo foi elaborado porque antes o orçamento vinha com dispositivos que não
tinham pertinência com o orçamento. Esses dispositivos que vinham na LOA e que
não guardavam pertinência nenhuma com seu conteúdo eram chamados de “caudas
orçamentárias”, já os orçamentos eram chamados de “orçamentos rabilongos”.
Esse princípio tem exceção?
Sim, existem duas exceções ao princípio da exclusividade, presentes no Art, 7° da Lei
4.320: A Lei de Orçamento poderá conter autorização ao Executivo para:
Abrir créditos suplementares até determinada importância (obedecidas às
disposições do artigo 43);
Realizar em qualquer mês do exercício financeiro, operações de crédito por
antecipação da receita, para atender a insuficiências de caixa.
1° Exceção: É a autorização para abertura de créditos adicionais suplementares;
2° Exceção: Contratação de operações de crédito, ainda que por Antecipação de
Receita Orçamentária (ARO).
TCU – Lei 4.320: CAPÍTULO II – Da Receita
“Art. 9º Tributo é a receita derivada instituída pelas entidades de direito público, (…)”
Mas o que são receitas derivadas?
Receitas derivadas são todas aquelas decorrentes de obrigações legais impostas pelo
Estado (obrigação ex lege). Ou seja, receita derivada é decorrente de uma obrigação
legal, caracterizada pelo poder de império do Estado, utilizando-se da coercibilidade.
A Lei 4.320 (traz normas de Direito Financeiro) elenca como Tributo apenas Impostos,
taxas e Contribuições, diferente da definição do que é tributo para o direito
tributário.
Segundo o Artigo 11°, a receita classificar-se-á nas seguintes categorias econômicas:
receitas correntes e receitas de capital.
Continua afirmando serem Receitas Correntes as receitas tributária, de contribuições,
patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes
de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado,
quando destinadas a atender despesas classificáveis em Despesas Correntes.
Receitas Correntes são as receitas que apenas aumentam o patrimônio não
duradouro do Estado, isto é, que se esgotam no período anual.
TCU – Lei 4.320: Receitas Correntes:
RECEITA TRIBUTÁRIA (Lembrando que a Lei 4.320 só considera Receita Tributária:
Impostos, taxas e Contribuições de Melhoria).
Impostos.
Taxas.
Contribuições de Melhoria.
RECEITA DE CONTRIBUIÇÕES
RECEITA PATRIMONIAL
RECEITA AGROPECUÁRIA
RECEITA INDUSTRIAL
RECEITA DE SERVIÇOS
TRANSFERÊNCIAS CORRENTES
OUTRAS RECEITAS CORRENTES.
TCU – Lei 4.320: Receita de Capital
Já as Receitas de Capital são as provenientes da realização de recursos financeiros
oriundos de constituição de dívidas; da conversão, em espécie, de bens e direitos; os
recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinados a
atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e, ainda, o superavit do
Orçamento Corrente.
Receitas de Capital são:
Realização de recursos financeiros oriundos de constituição de dívidas;
Conversão, em espécie, de bens e direitos; (Alienação de Bens)
Recursos recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, destinados a
atender despesas classificáveis em Despesas de Capital e,
Superavit do Orçamento Corrente.
“§ 3º – O superavit do Orçamento Corrente resultante do balanceamento dos totais
das receitas e despesas correntes, apurado na demonstração a que se refere o Anexo
nº 1, não constituirá item de receita orçamentária.” – O “Superavit do Exercício
corrente” é classificado como receita extraorçamentária, já que assim evita que seja
computado em duplicidade um recurso que já foi considerado no orçamento do
exercício anterior.
TCU – Lei 4.320: Capítulo III – Da Despesa
“Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas:
DESPESAS CORRENTES
Despesas de Custeio
Transferências Correntes
DESPESAS DE CAPITAL
Investimentos
Inversões Financeiras
Transferências de Capital”
“§ 1º Classificam-se como Despesas de Custeio as dotações para manutenção de
serviços anteriormente criados, inclusive as destinadas a atender a obras de
conservação e adaptação de bens imóveis.” – Atenção ao final: Classificam-se como
Despesas de Custeio: “Inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e
adaptação de bens imóveis.”
No § 4º classificam como investimentos as dotações para o planejamento e a
execução de obras, inclusive as destinadas à aquisição de imóveis considerados
necessários à realização dessas obras, bem como para os programas especiais de
trabalho, aquisição de instalações, equipamentos e material permanente e
constituição ou aumento do capital de empresas que não sejam de caráter comercial
ou financeiro.
Já no § 5º Classificam-se como Inversões Financeiras as dotações destinadas a:
Aquisição de imóveis, ou de bens de capital já em utilização;
Aquisição de títulos representativos do capital de empresas ou entidades de qualquer
espécie, já constituídas, quando a operação não importe aumento do capital;
Constituição ou aumento do capital de entidades ou empresas que visem a objetivos
comerciais ou financeiros, inclusive operações bancárias ou de seguros.
Investimentos:
Obras,
Aquisição de Imóveis,
Programas Especiais de Trabalho,
Aquisição de Instalações,
Aumento do Capital de Empresas sem caráter comercial ou financeiro.
Inversões Financeiras:
Aquisição de imóveis, bens de capital já em utilização,
Aquisição de títulos representativos do capital de empresa que não importe em
aumento do capital,
Constituição ou aumento de capital de empresas com fins comerciais.