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A Pessoa como Sujeito Moral: Ética e Relações

Este documento discute o conceito de pessoa e suas características, incluindo a singularidade, unidade, interioridade e autonomia. Aborda também a relação da pessoa com os outros, consigo mesma, com Deus e com a natureza. Explora ainda a consciência moral e a distinção entre ética e moral.

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A Pessoa como Sujeito Moral: Ética e Relações

Este documento discute o conceito de pessoa e suas características, incluindo a singularidade, unidade, interioridade e autonomia. Aborda também a relação da pessoa com os outros, consigo mesma, com Deus e com a natureza. Explora ainda a consciência moral e a distinção entre ética e moral.

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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

INSTITUTO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA


CURSO DE LICENCIATURA EM ENSINO DE PORTUGUÊS

A Pessoa como Sujeito Moral (A Pessoa Humana)

Estudante: Sofia Cossua Chiandabavo

Código: 708234199

Tete, Abril de 2024


UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
INSTITUTO DE EDUCAÇÃO À DISTÂNCIA
CURSO DE LICENCIATURA EM ENSINO DE PORTUGUÊS

A Pessoa como Sujeito Moral (A Pessoa Humana)

Estudante: Sofia Cossua Chiandabavo

Código: 708234199

Trabalho científico da cadeira de Introdução a


Filosofia a ser submetida ao Instituto de
Educação à Distância - Universidade Católica de
Moçambique como requisito parcial para
avaliação no curso de licenciatura em Ensino da
Português.

Ano de frequência: 2º

Turma: D

Tete, Abril de 2024

2
Índice
1. Introdução ............................................................................................................................... 4

1.1. Objectivos ............................................................................................................................ 4

1.1.1. Geral ................................................................................................................................. 4

1.1.1. Específicos ........................................................................................................................ 4

1.2. Metodologias ....................................................................................................................... 4

2. A Pessoa como Sujeito Moral (A Pessoa Humana) ............................................................... 5

2.1. Conceito de pessoa .............................................................................................................. 5

2.2. Características da Pessoa ..................................................................................................... 6

2.3. A Pessoa em suas relações................................................................................................... 6

2.3.1. A relação com os outros e com o meio ambiente ............................................................. 6

2.3.2. A relação do Homem com Deus ....................................................................................... 7

2.3.3. A relação consigo próprio................................................................................................. 8

2.3.4. A relação com o outro ...................................................................................................... 8

2.3.5. A relação com o trabalho .................................................................................................. 8

2.3.6. A relação com a Natureza ................................................................................................. 9

2.4. A Consciência Moral ........................................................................................................... 9

2.4.1. Graus da consciência ...................................................................................................... 10

2.5. Ética e Moral ..................................................................................................................... 12

2.5.1. Semelhança e diferença entre a Ética e Moral ................................................................ 12

2.6. Aspectos da Ética Individual ............................................................................................. 12

3. Conclusão ............................................................................................................................. 15

4. Referências bibliográficas .................................................................................................... 16

3
1. Introdução
O presente trabalho da Cadeira de Introdução a Filosofia visa a abordar aspectos relacionados
com a pessoa como sujeito moral, a distinção da ética e moral, o conceito de pessoa e suas
características da pessoa e suas descrições: a consciência moral e entre outros assuntos
relacionados com o tema em destaque.

No contexto filosófico, ética e moral possuem diferentes significados. A ética está associada
ao estudo fundamentado dos valores morais que orientam o comportamento humano em
sociedade, enquanto a moral são os costumes, regras, tabus e convenções estabelecidas por
cada sociedade.

1.1. Objectivos

1.1.1. Geral
 Compreender o estudo sobre a Pessoa como Sujeito Moral (A Pessoa Humana).

1.1.1. Específicos
 Explicar o conceito de pessoas de acordo vários filósofos;
 Identificar os graus da consciência moral;
 Diferenciar a ética da moral.

1.2. Metodologias
Para a realização do presente trabalho da cadeira de Introdução a Filosofia, foi feito com base
na pesquisa bibliográfica. A pesquisa bibliográfica se caracteriza por ser a leitura de livros,
artigos académicos, jornais ou qual outro material de cunho técnico ou académico com o
propósito de fazer um apanhado completo sobre um determinado tema.

4
2. A Pessoa como Sujeito Moral (A Pessoa Humana)

2.1. Conceito de pessoa


A palavra “ pessoa”, provém do grego “prósopon”, e do latim “personare”( fazer ressoar),
significa “máscara”, ou seja, tudo aquilo que um actor punha no seu rosto numa peça teatral.
Para o filósofo Boécio-pessoa é uma substância individual de natureza racional. Esta
definição foi compartilhada pelo filósofo da época medieval São Tomás de Aquino.

Para o filósofo romano, Cícero- pessoa é sujeito de direitos e deveres. Esta definição remete-
nos para uma abordagem jurídica ao designar a pessoa como um indivíduo dotado de direitos
e obrigações, obrigações essas que vão por limites na sua liberdade.

John Locke define a pessoa como “um ser inteligente e pensante dotado de razão e reflexão e
que pode considerar-se a si mesmo como aquilo que é, a mesma coisa pensante, em diferentes
momentos e lugares.”

De acordo com Frankl (1994), a pessoa é um indivíduo, que não se admite ser dividido, partir,
porque é uma unidade e totalidade, sendo a integração de três níveis de existência: o físico, o
psíquico e o espiritual. Por seu carácter espiritual, a pessoa se encontra em contraposição
heurística e facultativa com o organismo psicofísico.

Segundo Scheler (1976) a essência do homem, o que se pode chamar a sua posição peculiar,
está muito acima do que se denomina inteligência e aptidão para a escolha; e não se chegaria
lá, mesmo se estas faculdades se representassem ampliadas, seja a que grau for e, inclusive, se
intensificassem até ao infinito. Portanto, a sua especificidade não radica em ulteriores estádios
do ser orgânico e vital, mas na dimensão espiritual, inserida no cosmos.

Para S. Tomás de Aquino: “Pessoa significa o que de mais nobre há no universo, isto é, o
subsistente de uma natureza racional”.

Para Kant, “os seres humanos são chamados pessoas porque a sua natureza os distingue já
como fins em si…o homem e em geral cada ser racional, existe como fim em si e não como
um meio de que esta ou aquela vontade pode servir-se ao seu belprazer”.

Paul Ricoeur concebe a pessoa como um projecto da humanidade, a qual por sua vez é assim
definida: “a humanidade é o modo de ser sobre a qual deve regular-se cada aparição empírica
do que nós chamamos de ser humano”.

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Para Scheler, “a pessoa é antes a unidade, imediatamente vivida pelo vivente espiritual e não
uma coisa pensada atrás e fora do imediatamente vivido”. A pessoa é a unidade essencial
concreta do ser de actos de essências diferentes, que em si mesma precede todas as diferenças
de actos.

2.2. Características da Pessoa


Cada espécie (objectos, séries vivos), apresentam algumas particularidades que fazem delas
séries semelhantes. A Pessoa é, acima de tudo caracterizada pelos seguintes aspectos.

 Singularidade – a pessoa é uno, original, verídico, não se repete e insubstituível ou


seja, ninguém é cópia de ninguém, não há duas pessoas iguais, há sempre diferença
entre duas ou mais pessoas.
 Unidade – a pessoa é constituída por partes diversificadas (é corpo físico, razão,
emoção, acção etc.) que complementam a sua totalidade, isto é, as deferentes partes
que as constituem foram um todo coeso, uma unidade biológica.
 Interioridade – em cada ser humano há um espaço de reserva e de intimidade,
inacessível e inviolável: é consciência moral.
 Autonomia – corresponde a qualidade e capacidade que o homem tem de auto-
governar-se e autodeterminações.
 Projecto – a pessoa é um ser dinâmico, que está sempre em construção, aprendendo
novas coisas.
 Valor em si – o valor (preço) de uma pessoa é imensurável, a pessoa é um valor
absoluto razão pelo qual não pode ser usada como um meio ao serviço de outrem.

2.3. A Pessoa em suas relações

2.3.1. A relação com os outros e com o meio ambiente


O valor da pessoa, sob o ponto de vista ético emerge, sobretudo, nas relações interpessoais. É
na sua relação com os outros que a pessoa encontra os vínculos éticos mais profundos e
empenhativos. Estes vínculos podem expressar-se de diversas maneiras e a diversos níveis:

a) Como respeito pela pessoa do outro, tal como se apresenta no encontro interpessoal. A
pessoa é única, original e insubstituível. É um fim em si mesma e nunca pode ser
instrumentalizada e reduzida a um simples meio seja do que for.
b) Como promoção da pessoa, como vimos atrás, não basta afirmar a pessoa, é necessário
promovê-la. A relação interpessoal não deve ser contemplação, mas energia

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realizadora. Não interessa só que o outro viva; interessa também como vive. A relação
interpessoal é, até certo ponto, uma relação criadora. Não basta «não odiar, não
matar»; é necessário amar.
c) A promoção reveste-se, na maioria dos casos, da forma de libertação. Na relação
interpessoal, o outro, muitas vezes, está em estado de alienação: é o pobre, o oprimido,
o explorado, o esfomeado, o sem pátria...

É necessário agir face a estas situações, sob o risco de o significado ético da relação pessoal
ficar reduzido a um moralismo formal. A relação interpessoal é activa, criadora e libertadora.

O valor ético da pessoa é o fundamento de uma ética social e é também o critério para
decidirmos sobre os deveres que a consciência moral nos impõe.

A relação com o meio ambiente é uma outra necessidade que garante o equilíbrio no esquema
de todas as relações sociais. Isto é assim porque não se pode falar do Homem sem mundo,
como não se pode falar do mundo sem Homem; não só o mundo cultural mas nem sequer o
mundo natural pode ser olhado e separado do Homem. O que de facto existe é um Homem no
mundo e um mundo para o Homem.

2.3.2. A relação do Homem com Deus


A relação do homem com Deus seria talvez a única via para a superação da angústia e do
desespero. Contudo, é marcado pelo paradoxo de ter de compreender pela fé o que é
incompreensível pela razão

Religiosidade ou religião é a crença que garante a salvação do homem, sendo que a garantia
religiosa será sempre considerada um factor sobrenatural, no sentido que, através disso, pode
se situar os limites abarcados pelos poderes do homem; pode-se haver religião ateístas, como
por exemplo o budismo primitivo.

Para falar do ser humano como ser religioso, pressupõe-se um eu livre e aberto. No entanto,
nada sabe de si mesmo, carecendo de liberdade para determinar seu ser e sua acção; os valores
adquiridos através da religiosidade do indivíduo não podem ser considerados como sendo
sujeitos, mas objectos do sujeito, bem como sua existência em toda a natureza ou até mesmo
nas coisas meramente particulares como as cores, os sons e as formas, revelando, assim, um
sentido de espiritualidade e religiosidade no homem.

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Somos inteiramente remetidos ao fato que nos leva a avaliar que a parte mais importante da
formação da pessoa é o quesito religioso do homem, de modo que o fato de abrir para uma
criança o acesso ao Sagrado é caracterizado pela tarefa mais premente de todas as demais.

Desta forma, podemos afirmar que ter uma formação religiosa significa possuir uma fé viva e
verdadeira que acima de tudo conhece a Deus, ama e serve única e exclusivamente a Ele
como sendo seu Senhor.

Sendo assim, quem conhece a Deus (evidenciando sempre o quesito de, conhece-lo no sentido
e na medida em que se faz possível o seu conhecimento, através da luz natural e sobrenatural)
não consegue preencher o seu ser com amor a não ser amando Ele, e, quando ama, nunca
conseguirá fazer outra coisa a não ser estar sempre servindo a Ele. Para se obter uma
formação religiosa, é sempre necessário buscar compreensão, de coração, de desempenho da
acção e da vontade.

2.3.3. A relação consigo próprio


A pessoa tem a capacidade de relacionamento consigo próprio através da sua consciência que
é a base do indivíduo moral, dado que a consciência tem a função de orientar, ordenar, avaliar
e criticar todos os actos humanos, ou seja, fazer com que as acções de cada ser humano sejam
acções morais e que as decisões tenham sempre uma base ética.

2.3.4. A relação com o outro


A relação da pessoa com o outro pode ser entendida em 2 âmbitos opostos. Por um lado, o
outro pode ser visto como um tu-como-eu, pois ele é um eu, mas que não sou eu. O outro é
sempre definido em função do eu e outro só se reconhece como tal e encontra plena
complementaridade face a um outro eu: eu sou eu na minha relação com o outro. Nele eu me
reconheço e me projecto como pessoa. Por outro lado, o outro deve ser visto como contrato.
No contrato, os homens encaram se reciprocamente como sujeito com interesses
convergentes.

2.3.5. A relação com o trabalho


Na sua relação com o trabalho, o Homem é chamado a tornar o mundo cada vez mais
habitável, hospitaleiro e confortável. Aqui encontramos o valor cósmico do trabalho. Pelo
trabalho, o Homem dignifica-se, pois este possui, para si, um valor personalista, ou seja,
antropológico: a natureza não nasce perfeita, ela aperfeiçoa-se, tempera-se, afina-se,
enriquece-se através do trabalho.

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2.3.6. A relação com a Natureza
Desde que o ser humano adoptou um modo de vida fundamentado na técnica e ciência, a sua
relação com a natureza e, consequentemente, com o ambiente tornou-se cada vez mais hostil.
O homem transforma a natureza, e desta transformação resultou o aumento do crescimento
económico, uma produção e um consumismo cada vez mais acentuados, o crescimento da
população mundial e das zonas urbanizadas. Tudo isto constituía aos olhos dos observadores
um grande progresso da técnica e da ciência. E como como onde há benefícios, há também
malefícios, o progresso técnico-científico alterou radicalmente a relação com o seu habitat,
isto é, o meio ambiente provocando a contaminação das águas, dos solos. A poluição
industrial provocou a destruição da camada de ozono, rios transformados em esgotos. Regista-
se também a redução dos recursos naturais, a devastação das áreas florestais e a extinção de
algumas espécies animais. A relação com a natureza deve ser sustentável, de forma a garantir
o futuro das gerações futuras.

2.4. A Consciência Moral


Consciência- é o estudo ou a faculdade de alerta, que nos permite perceber o mundo
intrínseco e extrínseco a nós mesmos e fazer juízos de valor sobre eles.

A consciência moral é capacidade de um sujeito reconhecer que há formas de vida, valores


que são melhores do que outros e que portanto permitem humanizar-se, em termos práticos
podemos dizer que a consciência moral manifesta-se como espécie de voz interior o juiz que
nos alerta, censura, sanciona, reprime e diz não, se agirmos de acordo com ela, sentimos uma
certa paz e tranquilidade. A consciência moral é a capacidade que o sujeito tem de avaliar os
princípios básicos dos seus actos atitude valorativa que se verifica na aplicação das normas
morais aos nossos actos.

A consciência pode ser definida na perspectiva psicológica, ético e moral, política e na da


teoria de conhecimento.

 Na perspectiva psicológica, a consciência é um sentimento de nossa própria


identidade: é o eu, um fluxo temporal de estados corporais e mentais, que retém o
passado na memória, percebe o presente pela atenção e espera o futuro pela
imaginação e pelo pensamento. O eu é o centro ou a unidade de todos esses estados
psíquicos. A consciência psicológica é formada por nossas vivências.
 Na perspectiva ético e moral, a consciência é a espontaneidade livre e racional, para
escolher, deliberar, e agir conforme à liberdade aos direitos alheios e deveres. É a
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pessoa dotada de vontade livre e de responsabilidade. É a capacidade para
compreender e interpretar sua situação e condição (física, mental, social, cultural,
histórica), viver na companhia dos outros segundo as normas e os valores morais
definidos por sua sociedade, agir tendo em vista fins escolhidos por deliberação e
decisão, realizar as virtudes e, quando necessário, contrapor-se e opor-se aos valores
estabelecidos em nome de outros, considerados mais adequados à liberdade e à
responsabilidade.
 Do perspectiva política, a consciência é o cidadão, isto é, tanto o indivíduo situado
no tecido das relações sociais, como portador de direitos e deveres, relacionando-se
com a esfera pública de poder e das leis, quando o membro de uma classe social,
definido por sua situação e posição nessa classe, portador e defensor de interesses
específicos de seu grupo ou de sua classe, relacionando-se com a esfera pública do
poder e das leis.
 Na perspectiva da teoria de conhecimento, a consciência é uma actividade sensível
e intelectual dotada de poder de análise, síntese e representação. É o sujeito, que se
reconhece como diferente dos objectos, cria e descobre significações, institui sentidos,
elabora conceitos, ideias, juízos e teorias. É dotado de capacidade de conhecer à si
mesmo no acto de conhecimento, ou seja, é capaz de reflexão. É saber de si e saber
sobre o mundo, manifestando-se como sujeito percebedor, imaginante, memorioso,
falante e pensante.

Portanto, Platão definiu a consciência como o “diálogo da alma consigo mesma”. A alma
interroga a si mesma sobre que relação e compromisso têm ela com essa outra realidade, que
se dá a conhecer no íntimo diálogo consigo mesma.

2.4.1. Graus da consciência


Embora a subjectividade se manifeste plenamente como uma actividade que sabe de si
mesma, isso não significa que a consciência esteja sempre alerta e atenta. Quando, por
exemplo, recebemos uma anestesia geral, vamos perdendo gradualmente a consciência,
deixamos de ter consciência de ver, sentir, lembrar. Dependendo da intensidade da dose
aplicada, podemos perder todas as formas de consciência menos, por exemplo, a auditiva. No
entanto, mesmo a consciência auditiva, nessa situação, é fluida, não parece estar referida a um
eu. Quando despertamos à noite, de um sono profundo e num local que não é nosso quarto,
levamos um certo tempo até sabermos quem somos e onde estamos.

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Quando devaneamos ou divagamos, ou sonhamos de olhos abertos, perdemos a consciência
de tudo quanto está à nossa volta e, muitas vezes, quando “voltamos a nós”, temos um braço
ou uma perna adormecidos, uma queimadura na mão, o rosto queimado de sol ou o corpo
molhado de chuva sem que tivéssemos consciência do que se passava connosco. Situações
como essas indicam que há graus de consciência.

De um modo geral, distinguem-se os seguintes graus de consciência:

a) Consciência passiva: aquela na qual temos uma vaga e uma confusa percepção de nós
mesmos e do que se passa à nossa volta, como no devaneio, no momento que precede
o sono ou o despertar, na anestesia e, sobretudo, quando somos muito crianças ou
muito idosos;
b) Consciência vivida, mas não reflexiva: é nossa consciência efectiva, que tem a
peculiaridade de ser egocêntrica, isto é, de perceber os outros e as coisas apenas a
partir de nossos sentimentos com relação a eles, como, por exemplo, a criança que
bate numa mesa ao tropeçar nela, julgando que a mesa “fez de propósito” para
machucá-la. Nesse grau de consciência, não conseguimos separar o eu e o outro, o eu
e as coisas. É típico, por exemplo, das pessoas apaixonadas, para as quais o mundo só
existe a partir dos seus sentimentos de amor, ódio, cólera, alegria, tristeza, etc.;
c) Consciência activa e reflexiva: aquela que reconhece a diferença entre o interior e o
exterior, entre si e os outros, entre si e as coisas. Esse grau de consciência é o que
permite a existência da consciência em suas quatro modalidades, isto é, eu, pessoa,
cidadão e sujeito.

Esse último grau de consciência, nas suas quatro modalidades, é definido pela fenomenologia
como consciência intencional ou intencionalidade, isto é, como “consciência de”. Toda a
consciência, diz a fenomenologia, é sempre consciência de alguma coisa, visa sempre a
alguma coisa, de tal maneira que perceber é sempre perceber alguma coisa, imaginar é sempre
imaginar alguma coisa, lembrar é sempre lembrar alguma coisa, dizer é sempre dizer alguma
coisa, pensar é sempre pensar alguma coisa. A consciência realiza actos (perceber, lembrar,
imaginar, falar, reflectir, pensar) e visa a conteúdos ou significações (o percebido, o
lembrado, o imaginado, o falado, o reflectido, o pensado). O sujeito do conhecimento é aquele
que reflecte sobre as relações entre actos e significações e conhece a estrutura formada por
eles (a percepção, a imaginação, a memória, a linguagem, o pensamento).

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2.5. Ética e Moral
Do grego “ethos”, a Ética tem a ver com os comportamentos habituais, aos costumes, aquilo
que é habitual aos seres humanos, aquilo fazem referindo-se a sua interioridade. Do latim
“mores”, a Moral designa também aquilo que é habituais os seres humanos fazerem, com a
particularidade de indicar o que deve ou não ser feito.

2.5.1. Semelhança e diferença entre a Ética e Moral


Como já anunciamos, a palavra moral vem do latim mores, que significa costume. Podemos
descrever então que moral são as normas de conduta de uma sociedade, para permitir um
equilíbrio entre os anseios individuais e os interesses da sociedade. Por isso do termo conduta
moral, que é a orientação para os actos segundo os valores descritos pela sociedade.

A ética tem um significado muito próximo ao da moral. Ética vem do grego ethos, que
também significa conduta, modo de agir, mas o que diferencia moral da ética é o sentido
etimológico, no qual a moral tem como propósito estabelecer um convívio social de acordo
com o que é bem quisto pela sociedade, já a ética é identificada como uma filosofia moral,
onde se busca entender os sentidos dos valores morais.

A ética busca avaliar os princípios em seu individual, onde cada grupo possui seus próprios
valores, culturas e crenças. Ela constitui um sistema de argumentos dos quais os grupos ou as
pessoas justificam suas acções. A configuração principal da ética é solucionar conflitos de
interesses, baseando em argumentos universais. A ética tem seu impasse, pois o que é
considerado ético para um grupo, pode não ser para outro.

Enquanto a Moral se encontra ligada a, aplicação correcta de certas regras orais e a situações
do dia-a-dia perante as quais somos obrigados a decidir, a Ética preocupa-se com a
fundamentação racional das normas e, de uma forma mais vasta, com o agir humano. A Moral
está ligada a dimensão convencional e comunitária da vida dos homens. A Moral está, assim,
ligada obrigação, à acção em conformidade com o dever. Para Séneca, “não nos devemos
preocupar com viver muitos anos, mais com o vive-los satisfatoriamente; porque viver muito
tempo depende do destino, viver satisfatoriamente depende da tua alma.

2.6. Aspectos da Ética Individual


Os aspectos da ética individual resumem-se nas formas fundamentais da coexistência com os
outros.

Apresentamos, em seguida, algumas das forças de coexistência com os outros.


12
a) O amor
O amor implica, em primeiro lugar, a afirmação do outro como sujeito, isto é, como pessoa.
Não só afirmar, mas afirmar para promover: afirmação e promoção do outro enquanto outro
na sua originalidade e unicidade. Este amor de afirmação é necessariamente incondicionado
(ama-se o que o outro é e não o que ele tem); é desinteressado (o amor não procura vantagens
pessoais, egoístas, o que seria instrumentalizar a pessoa); finalmente, o amor é fidelidade
criadora que procura realizar e promover o outro de acordo com o seu projecto existencial
próprio e original. É evidente que esta fidelidade se deve realizar dentro do quadro de valores.

b) A indiferença
Este é o relacionamento mais comum em sociedade. Tematizado por autores personalistas e
existencialistas esta forma de relacionamento tem, fundamentalmente, duas características: o
«outro» é, em primeiro lugar, a função que desempenha sendo a pessoa substituída pelo
funcionário; a segunda característica é o tratamento com o outro na terceira pessoa: o outro
não é um «tu» mas um «ele». Este «ele» implica uma certa objectivação da pessoa e a redução
da subjectividade soma da qualidade e função. Por outro lado, este «ele» significa uma
«ausência» em relação a mim. Não uma ausência espacial como é óbvio, mas uma ausência
«afectiva». Se, enquanto funcionário, o outro pode muito bem ser substituído por uma
máquina, então «ele» é como se não existisse. Estamos no reino da fria burocracia e
tecnocracia.

c) O Ódio
É uma outra forma de relacionamento. Enquanto o amor, como vimos, é a afirmação e a
promoção do outro, o Ódio é a negação e a rejeição do outro. Neste caso, talvez, não se deva
usar o termo objectivação. Se o outro ficasse objectivado, deixaria de poder ser odiado. Um
objecto não se odeia nem se ama. O Ódio é a rejeição da subjectividade de outro e a sua
apropriação. Enquanto na indiferença, o outro é como se não existisse, o Ódio exige, por
assim dizer, existência do outro, não para o promover, mas para o rejeitar.

2.6.4. Os sentimentos
Podemos definir os sentimentos como reacções agradáveis ou desagradáveis, de relativa
duração e, geralmente, com repercussões fisiológicas discretas e suaves. Os sentimentos
caracterizam-se pela presença de adesões intelectuais ou representativas (imagens, ideias,
representações) e a quase ausência de repercussões fisiológicas.

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Dai poder-se definir os sentimentos como reacções que não se excedem nem pela violência
nem pela desorganização ou desadaptação da pessoa.

Tendo em conta o número das nossas tendências, a multiplicidade de objectos com que cada
um se pode relacionar e a diversidade de situações em que nos podemos encontrar, facilmente
poderemos imaginar a qualidade de sentimentos a que podemos estar sujeitos e a grande
instabilidade dos mesmos.

A importância dos sentimentos para a saúde mental do Homem pode ser entendida com base
no seguinte: uma Vida com sentimentos maus é, forçosamente, uma Vida infeliz. Alguns dos
sentimentos inadaptados que têm sido objecto de estudo da Psicologia são: inferioridade,
inadaptação, culpabilidade mórbida, recusa e não-aceitação ou espírito de contradição,
insegurança, ressentimento, hostilidade, ansiedade e frustração.

Para o controlo e orientação dos nossos sentimentos, devemos ter em conta os seguintes
princípios:

 A facilidade com que os sentimentos, deixados a si mesmos, se transformam em


emoções e paixões com os respectivos desajustamentos.
 Os sentimentos positivos, optimistas e altruístas devem predominar sobre os
sentimentos negativos, pessimistas e egoístas. Os primeiros dilatam a alma, activam o
bom funcionamento de todo o organismo, enquanto os segundos atrofiam, oprimem,
«azedam» o sangue.
 Para controlar os sentimentos é necessário dominar os actos e as ideias, pois as ideias
precedem e promovem os actos; os actos e as ideias modificam os sentimentos.
 Devemos agir como se tivéssemos os sentimentos bons que desejamos ter. Por
exemplo: se desejamos amar alguém com quem não simpatizamos, comecemos por
ver nele o lado bom, relacionamo-nos com ele, como se, de facto, fosse nosso amigo...
e, pouco a pouco, amá-lo-emos.

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3. Conclusão
Findo o presente trabalho da cadeira de Introdução a Filosofia, concluiu-se que, a ética é uma
característica inerente a toda acção humana e, por esta razão, é um elemento vital na produção
da realidade social. Todo homem possui um senso ético, uma espécie de “consciência moral”,
estando constantemente avaliando e julgando suas acções para saber se são boas ou más,
certas ou erradas, justas ou injustas.

Existem sempre comportamentos humanos classificáveis sob a óptica do certo e errado, do


bem e do mal. Embora relacionadas com o agir individual, essas classificações sempre têm
relação com as matrizes culturais que prevalecem em determinadas sociedades e contextos
históricos. A ética está relacionada à opção, ao desejo de realizar a vida, mantendo com os
outros relações justas e aceitáveis.

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4. Referências bibliográficas
 Chambisse, E. D.; Cossa, J. F. (2017). Fil11 - Filosofia 11ª Classe. 2ª Edição. Texto
Editores, Maputo.
 Frankl, V. (1994). La voluntad de sentido. Barcelona: Herder.
 Scheler, M. (1976). El puesto del hombre en el cosmos. Buenos Aires: Losada.

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