ADENITE EQUINA
Profa. Susana Schlemper
1. Nome da doença
Grego – adenos + ite
2. Breve história
• 1251 – primeiro relato
• 1695 – incorporado ao português:
Garrotilho, do espanhol garrotillo: angina
grave que produz a morte por sufocação
• 1887/1888 - Schutz isolou o S. equi.
• 2004 - S. equi subsp ruminatorum foi
descrito em ovinos e caprinos com mastite.
3. Descrição
• Doença infectocontagiosa, enzoótica,
purulenta, aguda ou subaguda do trato
respiratório superior de equinos e
linfadenite com formação de
abscessos, pp nos submandibulares e
retrofaríngeos.
• Alta morbidade; baixa letalidade e
mortalidade
4. Sinonímia
• Garrotilho
• Gurma
• Moquilho
• Esquinência
• Coriza contagiosa
• Estreptococia equina
• Strangles
5. Etiologia
• Streptococcus equi subsp. equi
• Streptococcus equi pertence ao grupo dos
estreptococos piogênicos e ao grupo C de
Lancefield.
três subespécies:
• S. equi subsp equi: Equidae
• S. equi subsp zooepidemicus: cavalos
saudáveis, suínos, camelos, macacos,
humanos
• S. equi subsp ruminatorum: pequenos
ruminantes, humanos
• beta-hemolítico
• Gram-positivo
• proteína M : virulenta
• cápsula
6. Fonte de infecção
Reservatórios: mucosa orofaríngea e nasal
de equídeos
Veículos: tratadores (mãos e roupas),
fômites, alimentos, água e aerossóis –
espirros, tosse, relinchos; pus dos
abscessos; potros mamando → úbere
7. Modo de transmissão
• direta: animais doentes/incubação
• indireta: fômites, água e alimentos
contaminados
8. Porta de entrada
• mucosa nasal ou faríngea
• pele - potros lactentes infectados
9. Hospedeiros
• Equídeos
10. Suscetíveis
• Equídeos: 6m – 5a
• Idade: 1-2 anos
• adultos*
11. Portadores
• Sim.
• 25% dos convalescentes ou
aparentemente recuperados tem a
bactéria na secreção nasal.
12. Vias de eliminação
• descarga nasal
• pus - pele
13. Vetores
• Não há.
14. Período de incubação
4 -8 dias (14)
15. Período de transmissibilidade
• 2-4 dias
• S. equi – viável semanas/meses nas
descargas purulentas em estábulos
contaminados
16. Patogenia
S. equi invade mucosa faringite
nasofaríngea rinite
2-4 dias
fixa-se nas purulenta
células epiteliais
da mucosa nasal linfonodos regionais
e oral – retrofaríngeos e
proteína M cura submandibulares
contaminação 4-10 dias
2-4 s
do ambiente fístula
Abscessos
pneumonia Compressão local
septicemia complicações
edema
púrpura
17. Quadro clínico
•inapetência, abatimento e
febre alta (39-40ºC), dispneia,
mucosa hiperêmica
•2-3 dias - descarga
mucopurulenta e depois
purulenta pelas narinas,
bilateral e copiosa; tosse e
espirros; temperatura sobe
[Link]
[Link]
[Link]
• LN da face endurecidos, quentes e
dolorosos, em 10 dias supuram e liberam
pus amarelo e cremoso; dificultam a
respiração e podem asfixiar o animal.
• dor na região da faringe – cabeça baixa
e estendida; disfagia, odinofagia
[Link]
[Link]
[Link]
[Link] [Link]
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
red_pony_farm_a_journey_i/
2010/08/streptococcus-equi-aka-
[Link]
[Link]
[Link]
[Link]
• conjuntivite
purulenta
• mamite purulenta
• maioria se
recupera e fica
resistente
• animais mais
velhos podem não
desenvolver
abscessos
[Link]
Complicações
• Pneumonia aspirativa
•
• Garrotilho bastardo: disseminação da
bactéria para outros LN, dando origem a
abscessos nos pulmões, mesentério,
fígado, baço, rins e cérebro; se houver
ruptura: septicemia e morte.
• Púrpura hemorrágica: vasculite aguda
imunomediada que ocorre em animais
convalescentes, devido à precipitação de
imunocomplexos nos capilares, formados por
Ac e frações da bactéria, resultando em
severo edema nos membros, cabeça e outras
regiões.
Púrpura hemorrágica
[Link]
• Empiema das
bolsas guturais:
ocorre durante a
doença ou na
convalescência;
a persistente
infecção das
bolsas pode
levar à aspiração
de pus .
18. Lesões
• inespecíficas: pus nos LN
• abscessos nas vísceras
• morte rara
• sequelas: sinusites, púrpura
hemorrágica, empiema das bolsas
guturais e seios paranasais, paralisia do
nervo laríngeo recorrente; abscessos no
fígado, SN e articulações; miocardite
S. equi purulent lymphadenitis in mesenteric node of a horse
[Link]
19. Diagnóstico
• Clínico: rinorreia purulenta e
linfadenite satélite
• Idade: caráter epizoótico nas reuniões
de potros
• Cultura: pesquisa da secreção nasal
purulenta ou do conteúdo de abscessos,
coletado com o auxílio de swab nasal e
conservação sob refrigeração até o
momento da análise.
• PCR, Elisa
20. Diagnóstico diferencial
• Não há
21. Prognóstico
• Favorável
• Desfavorável para potros que
desenvolvem pneumonia
22. Tratamento
Depende do estágio da doença:
• Equinos que não apresentam abscessos
nos LN:
• penicilina G benzatina, 18.000-20.000
UI/kg
• trimetoprim em associação com
sulfametaxol, 20 mg/kg, via IM durante
5-10 dias
• Equinos com abscessos:
• aplicar substâncias revulsivas para
facilitar sua maturação para depois
serem pronunciados, como por exemplo,
o iodo.
• drenar abscessos: calor + lancetar
• posteriormente deve ser feito um
curativo no local.
[Link]
Equinos em risco: devem ser tratados
anteriormente com penicilina, durante o
período de exposição ao microrganismo.
Complicações: tratamento suporte
- fluidoterapia
- expectorantes e mucolíticos
- antimicrobianos em dosagens
superiores das recomendadas
normalmente.
23. Profilaxia
• Isolamentos dos doentes: 4-5 semanas
• Cuidados com equipamentos, fômites,
utensílios
• Limpar e desinfetar estábulos
• Queimar as camas
Vacinação de suscetíveis
• Vacinas inativadas, subunidade M ou
bacterinas do corpo celular bacteriano
• 50% eficácia
Protocolo
potros – 3-4 doses, IM
• 1ª - 8-12 semanas
• 2ª - 11-15 semanas
• 3ª - 14-18 semanas
• 4ª- desmame – 6-8 meses
fêmeas prenhes: 4-6 semanas antes do
parto
• Cavalos vacinados no PI - reação local
mais severa
• Vacinação de cavalos com sinais de
garrotilho pode causar uma reação
anafilactóide ou púrpura hemorrágica
• Animais que se recuperam não devem
ser revacinados em pelo menos um ano.
• Imunidade por 3 ou 4 anos, em alguns
casos, por toda a vida.
potencial zoonótico para humanos
Bibliografia
• RIET-CORREA, F. et al. Doenças de ruminantes e equídeos. 3 ed. Santa Maria:
Pallotti, 2007. v. 1.
• WILSON, W.D. et al. Guidelines for vaccination of horses. J. Am. Vet. Med.
Assoc., v.207, p. 426-431, 1995.