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Brucelose: História, Sintomas e Transmissão

Este documento descreve a brucelose, uma doença infecciosa causada pela bactéria Brucella que causa abortos em animais. O documento fornece detalhes sobre a história, etiologia, transmissão, patogenia e sintomas da doença.

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Brucelose: História, Sintomas e Transmissão

Este documento descreve a brucelose, uma doença infecciosa causada pela bactéria Brucella que causa abortos em animais. O documento fornece detalhes sobre a história, etiologia, transmissão, patogenia e sintomas da doença.

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BRUCELOSE

Profa. Susana Schlemper


1. Nome da doença

1884 -David Bruce


2. Breve histórico
• 1887 – Bruce -isolou bactéria do baço de
soldados, em Malta; denominou Micrococcus
melitensis.
• 1905 - Zammit em Malta - natureza zoonótica
da [Link] através do isolamento em leite
de cabras
• 1914 – JacobTraum – isolou B. suis de fetos
abortados de suínos
• 1917 – Bernhardt Bang - isolou B. abortus do
útero e membranas de aborto em vaca
• 1918 - Alice Evans - demonstrou semelhanças
morfológicas, imunológicas e culturais entre as
bactérias isoladas por Bruce e Bang
• 1920 – Meyer e Shaw- Gênero Brucella
• 1923 – Huddleson – 3 espécies: B. suis, B. melitensis e
B. abortus
• 1925 – Buck – vacina B19
• 1953 – Buddle e Boyes – B. ovis
• 1957 – Stoenner e Lackman – B. neotomae
• 1968 - Carmichael e Brunner – B. canis
• 1994 – Ross et al. – B. pennipedialis
• 1996 – Foster et al. – B. ceti
• 2008 - Scholtz et al. – B. microti
• 2010 - Scholtz et al – B. inopinata - humanos
No Brasil
• 1913 – Gonçalves Carneiro – 1° caso humano - RS
• 1914 - Danton Seixas – diagnóstico clínico da
brucelose bovina no RS
• 1928- Mello e Neiva isolaram B. abortus do sangue de
uma vaca que havia abortado
• 1931 - Sílvio Torres - soropositivos em lote de bovinos
importados e propôs a implementação de protocolo de
testes para impedir a disseminação da doença
• 1936 - Desidério Finamor - brucelose bovina pela
primeira vez no RS pelo sorodiagnóstico
• 1950 - Thiago de Mello relatou a disseminação da
brucelose bovina por todo o país, com prevalência de
10 a 20%
• 1975 - MA realizou o primeiro inquérito
sorológico nacional
• 1976 - Portaria nº 23 -medidas regulamentadas
para a profilaxia da brucelose, prevendo a
notificação de focos, a eliminação dos positivos
e a vacinação de fêmeas entre 3 e 8 meses de
idade. As normas estão em vigência até hoje.

• 2001 - o MAPA verificando a ineficácia das


medidas até então adotadas, lançou o Programa
Nacional de Controle e Erradicação da
Brucelose e Tuberculose - PNCEBT.
• 2016 – alterações
3. Descrição

• Doença infectocontagiosa, crônica,


sistêmica, cosmopolita*, caracterizada por
abortos e esterilidade, orquite e
epididimite, e uma bacteremia transitória
ou prolongada, que pode persistir por até
dois anos.
• Baixa morbidade, letalidade e mortalidade.

* exceção: Austrália, Canadá, Dinamarca, Finlândia,


Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Suécia, Reino Unido
e Japão.
4. Sinonímia
Animais Humanos

• Doença de Bang • Febre de Malta


• Aborto Contagioso • Febre Ondulante
• Aborto Infeccioso • Febre de Gibraltar
• Febre do Mediterrâneo
• Aborto epizoótico
• Mal da Cernelha
• Mal-de-Nuca
• Mal-das-cruzes
• Epididimite Ovina
5. Etiologia
Brucella spp
• Caprinos e ovinos: Brucella melitensis
• Bovinos e bubalinos: Brucella abortus
• Suídeos, lebres, renas, roedores: Brucella
suis
• Caninos: Brucella canis
• Ovinos: Brucella ovis
• Cetáceos: Brucella ceti
• Pinípedes: Brucella pinnipedialis
• Camundongo do campo: Brucella microti
• Rato do deserto: Brucella neotomae
• B. melitensis (biovariedades 1- 3) - caprinos, ovinos e
camelídeos; mais patogênica ao humano. Exótica no
Brasil.
• B. suis (biovariedades 1,2,3,4,5) - primariamente
suínos; prevalência muito baixa.
• B. abortus (biovariedades 1,2,3,4,5,6,7,8,9) -bovinos,
bubalinos, equinos e humanos; prevalências altas.
• B. canis - cães, gatos e humanos - menor
patogenicidade para o humano; bastante difundida
especialmente nas grandes cidades.
• B. ovis (ovinos) presente no Brasil, e a [Link]
(rato do deserto), não encontrada no Brasil, não são
patogênicas para o homem.
• Espécies marinhas - poucos registros de infecções
humanas, na maioria dos casos ocasionada por
acidentes em laboratórios.
Características
• intracelular facultativo
• cocobacilo Gram-negativo, imóvel
• colônias lisas ou rugosas, dependendo da
composição bioquímica do LPS da parede celular,
e para algumas espécies tem relação com a
virulência
• B. abortus, B. melitensis e B. suis normalmente
são lisas; quando evoluem para formas rugosas
ou mucóides, deixam de ser patogênicas
• B. ovis e B. canis apresentam colônias
permanentemente rugosas ou mucóides
• fastidiosas
B. abortus - Resistência
• Luz solar direta 4–5h
• Solo seco 4d
• Solo úmido 66 d
– a baixas temperaturas 151 – 185 d
• Fezes 120 d
• Dejetos a altas temperaturas 2–4h
• Esgoto 8 - 240/700 d
• Água potável 5 – 114 d
• Água poluída 30 - 150 d
• Feto à sombra 180 d
• Exsudato uterino 200 d

Fonte: Wray, 1975.


B. abortus - Resistência

• Leite 17 d
• Leite congelado > 800 d
• Queijos até 6 m
• Manteiga até 4 m
• Iogurte até 96 d
• Carnes ______________ meses
• Temperatura de 60ºC 10´
• Temperatura de 71,7ºC 15´´
B. abortus - Destruição
• DESINFETANTES
– Álcool 96oGL
– Hipoclorito de sódio 5%
– Hipoclorito de cálcio 5%
– Formol 3%
– Fenol 5%

• CALOR
– Autoclavagem: 120oC/ 20´
– Pasteurização lenta: 65oC/ 30´
– Pasteurização rápida: 72 -74oC / 15-20´´
– Fervura
Fonte: WHO/VPH/84.4.
6. Fonte de infecção
Reservatórios: animais infectados

Veículos: leite, sêmen, feto abortado,


anexos fetais, secreções vaginais,
alimentos (leite, carne crua, medula
óssea e sangue) contaminados,
aerossóis, urina, saliva e fezes.
7. Modo de transmissão

• Direta: cópula ou leite (amamentação);


congênita

• Indireta: fetos, secreções, alimentos e


água, fômites
MECANISMOS DE TRANSMISSÃO
8. Porta de entrada
• via oral, conjuntival, pele e mucosas –
por feridas, contato com materiais
contaminados, restos placentários;
• ingestão de leite e derivados crus, carne
crua, água, forragens, pastagens;
• venérea por IA ou monta natural;
• via uterina, placentária ou perinatal
9. Hospedeiros
• Mamíferos

• Brucelas não são hospedeiro-específicas


10. Suscetíveis
• Mamíferos
11. Portador
• Animais nascidos de fêmeas infectadas. Estes
animais apresentam-se sorologicamente
negativos ou com títulos oscilantes.
12. Vias de eliminação
• colostro e leite
• sêmen
• descargas uterinas que seguem o aborto
ou o parto
13. Vetores
• Não há.
14. Período de incubação
• extremamente variável: 14 – 180 d
• depende de: tempo de gestação, carga
infectante, virulência da amostra, vacinação
prévia, idade
• é inversamente proporcional ao tempo de
gestação, ou seja, quanto mais adiantada a
gestação, menor será o PI
• experimentalmente: soroconversão em 5 - 7 d
(IgM), mas, em condições de campo é difícil
precisar o PI.
• essa grande oscilação no PI constitui um dos
principais entraves ao seu controle.
15. Período de transmissibilidade

Muito variado: 2 semanas a 60 meses


16. Patogenia
Trato GI
Brucella Mucosas
Pele lesada

PMN
macrófagos

Livres ou dentro Hiperplasia


de macrófagos LN regional
linfadenite

linfa
sangue

órgãos reprodutivos
úbere Bacteremia LN supra-mamários
Baço
articulações 6-60 meses fígado
Doença na Fêmea
Tropismo pelo útero gestante e
ERITRITOL placenta

Placentite necrótica
lise das vilosidades, resultando no descolamento dos cotilédones; prejuízo na circulação
materno-fetal
Aborto
Bezerros fracos
Natimortos

Retenção de placenta
Endometrite
Infertilidade
• A predileção pelo útero gravídico se deve à
produção do álcool de 4C o eritritol. Tb
presente em tecidos mamários, ósteo-
articulares e órgãos reprodutores masculino.
• O eritritol atrai as brucelas e funciona como
fator estimulante para o seu crescimento.
• Hormônio produzido apenas em bovinos,
caprinos, ovinos, suínos e cães, e está
relacionado com a ocorrência do abortamento.
• Não ocorre em humano, equinos, coelhos e
roedores.
eritritol
Doença no Macho
Inflamação aguda
sistema reprodutivo

Testículo
Epidídimo
Vesículas seminais
Ampolas seminais

Orquite uni ou bilateral


(pus, fibrose ou necrose), Cronificação
Epididimite,Vesiculite (assintomática)
Infertilidade
B. abortus
Bursite brucélica B. canis
bursa, tendões, músculos e articulações,
causando artrites, principalmente nas
articulações carpianas e tarsianas

espondilites e bursites, especialmente nas


vértebras torácicas e lombares, podendo
atingir a medula óssea e bainha dos tendões

achado clínico clássico: abscesso fistulado ou


não na região da cernelha, “mal da cernelha”
ou “mal das cruzes”, que acomete
principalmente os equinos

Os inchaços nas articulações dos joelhos e


jarretes, conhecidos como higromas em
ruminantes.
17. Quadro clínico
Bovinos, Bubalinos, Suínos,
Caninos
• Abortos: ocorrem geralmente no
terço final de gestação.
• ocorrem na primeira gestação
subsequente à infecção.
• risco de aborto diminui nas
gestações posteriores.
caninos
• Natimortos e nascimento de crias fracas:
muito frequente, indicando a contaminação fetal
e o comprometimento das trocas materno-fetais.
Os bezerros apresentam-se débeis e com peso
abaixo do normal.

[Link]
• Retenção de placenta: manifestação
comum; ocorre por aderência devido às
lesões cotiledonárias. Ocasiona
endometrite, com aparecimento de
secreção vaginal
• pode ocorrer metrite e salpingite, as
quais podem levar o animal a uma
subfertilidade ou até esterilidade
permanente.
• Cadelas: descarga vaginal purulenta
esverdeada ou serosanguinolenta – 1-6
semanas
Mamite: geralmente subclínica, com a
eliminação da brucela no leite.

• redução de até 20% na produção de


leite.
Orquites: 1 - 2%, geralmente unilateral;
aumento de volume do testículo acometido.
Conduz à subfertilidade ou esterilidade,
dependendo da gravidade das lesões.

Vesiculite/epididimite/ampolite: pode
determinar subfertilidade ou mesmo
esterilidade. Pode contaminar o sêmen, com
risco de disseminação da doença para as
fêmeas.
Orquite brucélica em touro
[Link]
Dog, scrotum. Scrotal edema and congestion.

[Link]
Poliartrites, espondilites, tenossinovites,
bursites e abscessos:

• achados mais raros, em ambos os sexos.


• quaisquer articulações, pp as do carpo e
do tarso.
• artrite em reprodutor pode incapacitar
para a monta.
[Link]
Caribou, carpus, B. suis biovar 4. The carpal bursa is markedly swollen and fluctuant.

The carpal bursa contains purulent exudate.

[Link]
[Link]?name=brucella-abortus
[Link]
Equinos
• febre intermitente, fraqueza, emagrecimento
e letargia
• Frequente: artrite, laminite, tenossinovite,
bursite e osteomielite
• edema pronunciado nas juntas, e uma grande
sensibilidade dolorosa
• abortos e reabsorção fetal, podem ocorrer,
devido a fraqueza e aos picos febris; são
raros
• portadores assintomáticos
• Sinal característicos da doença, embora
não ocorra com muita frequência é o
“mal da cruz” ou “mal da cernelha“
• área de edema vai aumentando de
tamanho até se romper através de uma
fístula, geralmente em forma de cruz,
de onde sai uma grande quantidade de
secreção.
[Link]

Enlargement of the supraspinous bursa of a horse due to B. abortus.


Caninos
• discospondilite pode causar severa dor
lombar, fraqueza ou paralisia dos
membros
Humanos
• febre aguda ou insidiosa, suores
noturnos, fadiga, anorexia, perda de
peso, cefalalgia e artralgia.
18. Lesões
• não são significativas
• em caso de abortos: placentite
necrótica
• epididimite
• lesões articulares
Necrose em placentomas - placenta de bovino
[Link]
Bovine, vertebrae. Purulent exudate within a vertebra
extends into the adjacent spinal canal.

[Link]
Caninos:
• dermatite piogranulomatosa,
discospondilite, uveíte, meningite e
glomerulonefrite
Epididimitis Caudal.
Inflamación de la cola del epidídimo únicamente.
El testículo contralateral de la anterior imagen.
Roberts SJ (1973)
19. Diagnóstico
• todo aborto deve ser considerado
como suspeito de brucelose e deve ser
investigado
• quadro clínico não é patognomônico
• identificação do agente por métodos
diretos, ou pela detecção de anticorpos
por métodos indiretos
• diagnóstico inequívoco é feito pelo
isolamento e identificação da bactéria
Métodos Diretos
• isolamento e identificação bacteriana a partir
de material de aborto ou de secreções. 
risco de contaminação humana durante o
processamento da amostra.
• imunohistoquímica: material de aborto fixado
em formol; permite identificação do agente e
visualização de aspectos microscópicos
• PCR detecta um segmento de DNA específico
da Brucella em material de aborto, em
secreções e excreções; bastante sensível e
específica
Métodos Indiretos ou Sorológicos

• Visam demonstrar a presença de Ac contra


Brucella sp em soro sanguíneo, leite, muco
vaginal e sêmen

teste perfeito:
• deveria detectar infecção nos estágios iniciais
da doença, antes da ocorrência do aborto
• discriminar Ac de vacinação e de infecção
• não deveria apresentar reações falso-positivas
ou falso-negativas
• - ainda não existe tal teste para o diagnóstico
da Brucelose.
Diagnóstico Sorológico da Brucelose
(Provas Oficiais PNCEBT)

Teste de triagem diagnóstica:


Teste do Antígeno Acidificado Tamponado (AAT)
(Rosa de Bengala)

Teste confirmatório de diagnóstico:


Teste do 2-Mercaptoetanol (2-ME)
(2-Mercaptoetanol + Soroaglutinação Lenta)

Teste de referência para trânsito internacional:


Teste de Fixação de Complemento (FC)
Teste para vigilância epidemiológica:
Teste do Anel em Leite (TAL)
Teste de Soroaglutinação
com Antígeno Acidificado Tamponado (AAT)
• Antígeno a 8%, tamponado em pH ácido (3,65) e
corado com o Rosa de Bengala.
• teste de triagem do rebanho
• reações falso-positivas por vacinação com a B19,
sugere-se a confirmação por meio de testes de
maior especificidade para se evitar o sacrifício
de animais não infectados.
• prova qualitativa, não indica o título de Ac do
soro testado, mas detecta com maior
precocidade as infecções recentes
Coleta de sangue da artéria coccígea, localizada no sulco central da parte
ventral da cauda. As agulhas utilizadas devem ser individuais e
descartáveis.
Amostras acondicionadas em tubos, preferencialmente, à vácuo
Centrifugação do sangue por 3 minutos para promover a separação do soro.
No caso de não possuir este aparelho, é possível a obtenção do soro deixando
os tubos à temperatura ambiente por tempo suficiente para que o sangue se coagule.
Em uma placa de vidro, são adicionados 0,03 ml deste soro e a mesma
quantidade do antígeno acidificado tamponado, misturando-os com o
Mistura entre o soro sanguíneo e o
AAT

Em exames positivos, formam-se


coágulos de fácil percepção nesta
mistura.
Placa com todos os exames negativos.
Interpretação dos resultados
Presença de grumos – REAGENTE
Ausência de grumos – NÃO REAGENTE
Teste do 2-Mercaptoetanol (2-ME)
• prova semiquantitativa seletiva: detecta IgG
• executar sempre em paralelo com a SAT
• soros com predomínio de IgM apresentam reações
negativas na 2-ME e positivas na SAT
• interpretação dos resultados: diferença entre os títulos
dos soros sem tratamento (SAT), frente ao soro tratado
com 2-ME.
• resultados positivos na SAT e negativos na 2-ME devem
ser interpretados como reações inespecíficas ou devido
a Ac residuais de B19
• resultados positivos em ambas indicam a presença de
IgG, sendo os animais considerados infectados
Interpretação dos resultados
O grau de aglutinação em cada uma das distintas
diluições deve ser classificado como: completo (+),
incompleto (I) ou negativo (–):
• Reação completa – o líquido da mistura soro-antígeno
aparece translúcido e a agitação suave não rompe os
grumos
• Reação incompleta – a mistura soro-antígeno aparece
parcialmente translúcida, e uma suave agitação não
rompe os grumos
• Reação negativa – a mistura soro-antígeno aparece
opaca ou turva, e uma agitação suave não revela
grumos
positivo

1:25 1:50 1:100 1:200

Teste do 2-Mercaptoetanol
Teste de Soroaglutinação em Tubos
(SAT)

• prova lenta – leitura em 48 h


• prova sorológica mais antiga, ainda muito usada
• utilizada em associação com o 2-ME para
confirmar resultados positivos
• limitações: costuma apresentar falso-negativos:
infecção crônica, reações cruzadas, animais
vacinados com B19 acima de 8 meses
Interpretação do teste do 2-ME para fêmeas com idade igual ou superior a
24 meses, vacinadas com a B19 entre 3 e 8 meses de idade

Teste de Teste do 2-ME (UI/mL) Interpretação


soroaglutinação lenta
(UI/mL)

≤ 50 < 25 Negativo

≥ 100 < 25 Inconclusivo

≥ 25 ≥ 25 Positivo
Interpretação do teste do 2-ME para machos e para fêmeas com idade superior a 8
meses, vacinadas com a RB51 ou não vacinadas.

Teste de Teste do 2-ME (UI/mL) Interpretação


soroaglutinação lenta
(UI/mL)

≤ 25 < 25 Negativo

≥ 50 < 25 Inconclusivo

≥ 25 ≥ 25 Positivo
Animais reagentes inconclusivos poderão ser, a
critério do médico veterinário responsável pela
coleta e do proprietário dos animais:
• a) retestados em um intervalo de 30-60 dias,
usando o teste do 2-ME, sendo classificados
como reagentes positivos se apresentarem, no
reteste, resultado positivo ou segundo resultado
inconclusivo; OU
• b) submetidos, em até 30 dias, ao teste de fixação
de complemento ou teste de polarização
fluorescente; OU
• c) destinados ao abate sanitário ou à eutanásia.
Fixação de Complemento (FC)
• teste empregado em diversos países que
conseguiram erradicar a brucelose ou estão
em fase de erradicá-la
• teste de referência recomendado pela OIE
• animais infectados permanecem positivos por
períodos mais longos e com títulos de Ac
fixadores de complemento mais elevados do
que os detectados nas provas de aglutinação
• teste trabalhoso e complexo, que exige
pessoal treinado e laboratório bem equipado.
negativo positivo

Teste de Fixação de Complemento


(FC)
Teste de Polarização Fluorescente (FPA)
• teste único ou como teste confirmatório em
animais reagentes ao AAT ou inconclusivos ao
teste do 2-ME
• amostra colhida e encaminhada por MVO
• laboratório oficial
• animais inconclusivos poderão ser, a critério do
MVO e do proprietário dos animais:
• a) retestados entre 30-60 dias, usando o FPA,
sendo classificados como positivos se
apresentarem, no reteste, resultado positivo ou
segundo resultado inconclusivo; ou
• b) submetidos, em até 30 dias, a FC; ou
• c) destinados ao abate sanitário ou à eutanásia.
interpretação do teste FPA:
• negativo: menos de 10 mP acima da média dos controles
negativos
• inconclusivo: de 10 a 20 mP acima da média dos controles
negativos
• positivo: mais de 20 mP acima da média dos controles
negativos.
Teste do Anel em Leite (TAL)

• Monitorar estabelecimentos, detectar


rebanhos infectados e monitorar rebanhos
leiteiros livres de brucelose
• aplicado em misturas de leite de vários
animais, uma vez que a baixa concentração
celular do Ag (4%) torna-o bastante sensível
• Ag corados com hematoxilina: dá a cor azul
característica à reação positiva.
• limitações: falso-positivos em presença de
leites ácidos, de animais portadores de
mamites ou em início de lactação (colostro)
Interpretação dos resultados

Anel de creme azul e coluna


de leite branca ou azulada:
REAGENTE

Anel de creme branco e


coluna de leite azul: NÃO - +
REAGENTE

Se existirem Ac no leite, eles se combinarão com as brucelas do Ag, formando


uma malha de complexo Ag-Ac que será arrastada pelos glóbulos de gordura,
fazendo com que se forme um anel azulado na camada de creme do leite
(reação positiva). Não havendo Ac presentes, o anel de creme terá a coloração
branca, e a coluna de leite permanecerá azulada (reação negativa).
Diagnóstico em caninos e ovinos
• Quadro clínico
• Testes sorológicos
• SAR
• SAL
• Imunodifusão em ágar gel
• ELISA

• Cultura e isolamento bacteriano


20. Diagnóstico diferencial

• Abortos
21. Prognóstico

• Reservado a desfavorável – bovinos

• Favorável – caninos e ovinos


22. Tratamento
Antimicrobianos – atenção:

• bactéria intracelular
• bovinos e suínos - não é prático nem econômico,
pois além do alto valor dos medicamentos e do
longo período exigido, não raro ocorrem
recidivas
• resíduos na carne e leite
• ovinos de alto valor zootécnico, apesar de caro,
pode ter algum sucesso, apesar dos animais
apresentarem uma fertilidade baixa em
ausência da bactéria

• isolamento do animal soropositivo


antibioticoterapia para cães
• mais eficaz e prático : tetraciclina + doxiciclina,
minociclina ou estreptomicina por 3 meses; mais
de 80% de cura em canis, onde os animais
infectados foram eutanasiados e os demais
tratados.
• combinação de minociclina (25 mg/kg, VO) por 2
semanas + dihidroestreptomicina (5 mg/kg, IM)
durante 1 semana
• dihidroestreptomicina (10 mg/kg, IM) por 7 dias
+ tetraciclina (25 mg/kg VO) continuada por 4
semanas. Nos últimos 7 dias de tratamento com
tetraciclina, a estreptomicina entra novamente
no esquema.
Canis de reprodução
• Isolar os cães
• Testes sorológicos em todos os cães
• Hemocultura de todos os suspeitos
• Eutanásia -todos os cães infectados
• Sorologia por 3 meses até negativar em 2 testes
sucessivos

Cães de companhia
• Isolar os cães
• Castração + tratamento
• Tratamento incerto; boas chances apenas em
infecções recentes
• Sorologia contínua por 3 meses pós-tratamento
• Eutanásia deve ser considerada: incerteza no
tratamento; custo elevado; insatisfação
Humanos
• Médico
• Antibióticos - na fase aguda, os
resultados são bastante satisfatórios

• Atb de eleição: doxiciclina, aplicada por


no mínimo 6 semanas e estreptomicina
• com este tratamento, recaída inferior a
5%
23. Profilaxia
• NOTIFICAÇÃO OBRIGATÓRIA
• eliminação das fontes de infecção
• higiene alimentar (pasteurização)
• adquirir animais de rebanhos ou áreas
livres
• quarentena destes animais por pelo
menos 30 dias e testar
• eliminação de animais mediante segregação e
sacrifício dos infectados.
• evitar o contato com rebanhos de status
desconhecido ou com brucelose

• realizar estudo aprofundado das causas


de abortos ou nascimentos prematuros
(isolar os animais até concluir o
diagnóstico)

• destino apropriado de placentas e fetos


abortados (queima ou enterramento).
• cães ingressantes em um criatório:
sorologia antes de serem postos à
reprodução e quarentena
• sorologia: 2 vezes com intervalo de 30 dias
entre os testes; animais reprodutores
devem ser testados de 3 a 4 semanas antes
do acasalamento.
• cães infectados devem ser eliminados dos
canis reprodutivos.
• cadelas que abortam devem ser
consideradas suspeitas de infecção; devem
ser isoladas e os restos abortados
desinfetados.
Vacinação dos suscetíveis

• Humanos e outras espécies – não há


• [Link] - vacina eficaz: Rev1
• Bovinos - vacinação dos animais de
reprodução, visando aumentar a
imunidade dos rebanhos e diminuir os
riscos de abortos.
• OIE: a B19 e a RB51, ambas são boas
indutoras de imunidade celular.
Características da B19
• amostra 19 de B. abortus lisa - isolada do leite
de uma Jersey em 1923
• amostra viva, liofilizada
• dose única protege 60% contra infecção e
70% contra aborto
• restrição quanto ao sexo, espécie e faixa
etária: pode induzir aborto e causar orquite
• diminui a taxa de infecção
• induz a formação de Ac específicos contra o
LPS liso e pode interferir no diagnóstico
sorológico da brucelose
• patogênica para humanos
• vacinação de fêmeas entre 3 a 8 m
• reteste após 24 m
• proibida a vacinação de machos de
qualquer idade e de fêmeas com idade
superior a 8 meses
• reduzida virulência
• estável e causa reações mínimas
• imunidade por aproximadamente 7 anos
• dose única
• não tem ação curativa
Características da RB-51
• amostra de B. abortus rugosa atenuada,
originada da amostra lisa virulenta 2308 que
sofreu passagens sucessivas em meio contendo
concentrações subinibitórias de rifampicina
• não induz Ac que interfiram no diagnóstico
sorológico mesmo quando aplicada
repetidamente.
• pode ser administrada em animais de qualquer
idade
• uma única dose pode induzir imunidade forte e
duradoura
• não provoca aborto
• induz imunidade cruzada contra as
três Brucellas lisas, protegendo outras espécies
além dos bovinos.
Novilhas entre 3 e 8 meses

B19
Lado esquerdo

Ou nitrogênio líquido
RB51

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