YIN e YANG
Antes de começarmos a estudar a Árvore da Vida, é necessário observar os princípios
básicos do Hermetismo e, para isso, regressaremos até a estrutura mais simples de todas, a
estrutura binária, que dará origem a toda a mecânica da Kabbalah Hermética.
Começamos do princípio da Criação. Tudo o que temos no Universo trabalha
basicamente em dois polos: um positivo e um negativo, sendo que estes nomes não têm
nenhuma relação com "bem e mal", sendo apenas maneiras de se expressar. Os orientais
chamam estas energias de Yin e Yang. Esta ideia remonta quase 5 mil anos antes de Cristo.
Yang vai tratar de "Expansão" enquanto Yin trata de "Restrição". O yin-yang são dois
conceitos originários do taoísmo, que expõem a dualidade de tudo o que existe no universo.
Descreve as duas forças fundamentais, opostas e complementares, que podem ser
encontradas em praticamente tudo o que existe. O YIN é o princípio feminino, a terra, a
passividade, a escuridão, a contemplação, o recolhimento e a absorção, enquanto o YANG é o
princípio masculino, o céu, a luz, a atividade e a expansão.
Não há qualquer tipo de hierarquia entre os dois princípios. Assim, referir-se a yang
como positivo apenas indica que ele é positivo quando comparado com Yin, que será negativo.
Esta analogia é como a carga elétrica atribuída a prótons e elétrons: os opostos
complementam-se, positivo não é bom ou mau, é apenas o oposto complementar de negativo.
Segundo essa ideia, cada ser, objeto ou pensamento do Universo possui um
complemento do qual depende para a sua existência e que, por sua vez, existe dentro de si.
Assim, se deduz que nada existe no estado puro nem tampouco na passividade absoluta, mas
sim em constante transformação. Além disso, qualquer ideia pode ser vista como seu oposto
quando visualizada a partir de outro ponto de vista.
Neste sentido, a categorização seria apenas por conveniência e facilidade didática.
Estas duas forças, YIN e YANG, seriam a fase seguinte do TAO, princípio gerador de todas as
coisas, de onde tudo surge. O TAO pode ser chamado de Deus, Big Bang, Princípio Criador,
Grande Arquiteto do Universo, Allah, Olorum, Singularidade ou o nome que você achar
melhor. A partir desta emanação original, surgem duas forças complementares e opostas.
E, no Universo, tudo vibra, tudo pulsa. Então, esta estrutura, que imagino que todos
vocês já devem ter visto em algum lugar, apesar de parecer estática, está, na realidade, se
movimentando o tempo todo.
Esta imagem ao lado chama-se HOTU. Ela mostra a criação destas duas forças
antagônicas a partir de uma energia primordial. A partir desta emanação, surgem duas
energias sempre em sintonia e, ao mesmo tempo, em oposição.
As primeiras representações destas duas forças antagônicas e complementares
aparecem como imagens e desenhos na China, representando o Tigre (Yang) e o Dragão (Yin),
como podemos ver em diversas imagens.
Mas a inspiração para a imagem que hoje conhecemos e nos é tão famosa vem das
Montanhas de Jade, na China, cuja imagem eu mostro para vocês abaixo, representando o YIN
como as forças imutáveis e fixas da Terra, enquanto o YANG representa as forças etéreas e
sutis do Ar. Desta paisagem lindíssima temos a origem do chamado TAIJI, popularmente
conhecido como Diagrama Yin-Yang.
Neste diagrama, temos que todo Yin carrega dentro de si a semente do Yang e vice
versa. Não existe nada que seja inteiramente Yin ou nada que seja inteiramente Yang, mas
uma estrutura em perpétuo estado de movimento.
O que nos leva a nossa próxima figura, duas carpas nadando em um lago ou tanque.
Nessa imagem, as forças de Yin e Yang são representadas como dois peixes dentro de um poço
circular, que precisam estar em contínuo movimento para existir.
O diagrama do Taiji simboliza o equilíbrio das forças da natureza, da mente e do físico.
Yang (branco) e Yin (preto) integrados num movimento contínuo de geração mútua
representam a interação destas forças.
A realidade observada é fluida e em constante mutação, na perspectiva da filosofia
chinesa tradicional. Portanto, tudo que existe contém tanto o princípio Yin quanto o Yang. O
símbolo Taiji expressa esse conceito: o Yin dá origem ao Yang e o Yang dá origem ao Yin.
O Yang, o poder criador era associado ao céu e ao Sol, enquanto o Yin corresponde à
Terra, ao receptivo, à Lua. O céu está acima e esta cheio de movimento. A terra - na antiga
concepção geocêntrica - está em baixo e em repouso. Dessa forma, também podemos
considerar o Yin como o repouso, e Yang, o movimento.
No reino do pensamento, Yin é a mente intuitiva, complexa, emocional, ao passo que
Yang, é o intelecto, racional e claro. Yin é a tranqüilidade contemplativa do sábio, Yang a
vigorosa ação criativa do rei.
Os dois pontos dentro do Taiji simbolizam a ideia de que toda vez que cada uma das
forças atinge seu ponto extremo, manifesta dentro de si a semente de seu oposto.
Outras Escolas filosóficas tratam deste princípio de dualidade de formas análogas. Por
exemplo, os Nórdicos e os povos do Norte da Europa consideravam os princípios da criação
como sendo o Fogo e o Gelo. As ideias são as mesmas, mas as inspirações por analogia
diferentes. Como estavam próximos das regiões geladas e de vulcões, ficaria mais fácil para
este povo fazer a correspondência com o que estava mais à mão.
Primeiro, havia o Caos, que era o Nada do Mundo, e isto era tudo quanto nele havia.
Nem Céu, nem Mar, nem Terra - nada disto havia. Apenas três reinos coexistiam: o
Ginnungagap (o Grande Vazio), abismo primitivo e vazio, situado entre Musspell (o Reino do
Fogo) e Niflheim (a Terra da Neblina), terra da escuridão e das névoas geladas. Durante muitas
eras, assim foi, até que as névoas começaram a subir lentamente das profundezas do Niflheim
e formaram no medonho abismo de Ginnungagap um gigantesco bloco de gelo.
"Das alturas abominavelmente tórridas do Musspell, descem um ar quente e
este encontro do calor que descia com o frio que subia de Niflheim começou a provocar
o derretimento do imenso bloco de gelo. Após mais alguns milhares de eras - pois que o
tempo, então, não se media pelos brevissimos anos de nossos afobados calendários - o
gelo foi derretendo e pingando e deixando entrever, sob a outrora gelada e espessa
capa branca, o mundo de Midgard".
Eddas
Na Mitologia Grega, temos na Origem o Vazio, que origina o Caos e, logo em seguida, a
Terra (Gaia) e o céu (Urano).
“No principio era o Caos (Vazio primordial, vale profundo, espaço incomensurável),
matéria eterna, informe, rudimentar, mas dotada de energia prolífica; depois veio Géia (Terra),
Tártaro (babitação profunda) e Eros (o Amor), a força do desejo”. O Caos deu origem ao Érebo
(Escuridão profunda) e a Nix (noite). Nix Gerou Éter e Hemera (Dia). De Géia nasceram Úrano
(Céu), Montes e Pontos (Mar).
Na primeira fase há nítido predomínio do mundo Ctônio, já que a cosmogonia
Hesiódica se desenvolve ciclicamente de baixo para cima, das trevas para a luz.
O Primeiro reinado conhecido do universo foi o de Úrano (Céu). À fase da energia
prolifica segue-se a primeira geração divina, em que Úrano (Céu) se une a Géia (Terra), de onde
descendem numerosa descendência. Nasceram primeiro os Titãs e depois as Titânidas, sendo
Crono o caçula”.
Teogonia
Ouranos e Gaia em um mosaico grego. Ouranos é representado como o princípio
criador/ céu e Gaia representada como a forma da Terra, senbora que dava vazão a todas as
criaturas existentes.
Na Alquimia, temos os princípios do Sol e da Lua, que são uma transposição destas figuras do
Macrocosmos para o Microcosmos, representando tanto os aspectos sutis e densos do
universo quanto estes aspectos espirituais e materiais dentro de cada um de nós, como
veremos mais adiante.
Os Quatro aspectos principais do relacionamento entre as energias de Yin e Yang são:
Oposição
Yin e Yang são opostos.
Interdependência
Não podem existir um sem o outro. Embora opostos, Yin e Yang são interdependentes,
não podendo existir de forma isolada um do outro.
- Interconsumo mútuo
Yin e Yang estão em um estado constante de mudança, de modo que, quando um é
consumido o outro aumenta. O consumo de Yin leva a um ganho de Yang e o consumo de Yang
leva a um ganho de Yin.
- Intertransformação
Yin e Yang podem transformar-se um no outro. Essa transformação ocorre quando as
condições estão amadurecidas. Por exemplo, ao final do dia começará a noite, assim como o
próprio ciclo das estações, em que uma sucede a outra. Ao limite da fase Yin de um ciclo
começará a fase Yang do mesmo.
Hermes Trismegistus aponta o Princípio da Correspondência
Dentro desta estrutura, podemos avançar mais um pouco e chegaremos ao que
conhecemos popularmente como os quatro elementos. Dentro do Grande Yang temos o
chamado Pequeno Yin e dentro do Grande Yin temos o chamado Pequeno Yang. Assim,
podemos dividir novamente nosso diagrama em quatro partes, que chamaremos de
Elementos: A Terra e a Água como representantes do Yin e o Fogo e o Ar como representantes
de Yang.
Desta maneira, temos de um lado o Grande Yang, que representa toda a energia mais
sutil, expansiva e ativa do universo, simbolizando o Espírito, a Alma, a Vontade e a Capacidade
de Transformação. O Fogo, na Alquimia, é QUENTE e SECO. Seu Humor correspondente é o
Colérico.
Por outro lado, temos o Grande Yin, que representa toda a energia mais densa,
passiva, receptiva e formadora do universo, simbolizando a Matéria, o Corpo, o Plano Físico e a
concretização. A Terra, na alquimia, é FRIA e SECA e seu humor correspondente é o
Melancólico.
Fica fácil para compreendermos estas duas energias opostas e complementares. Mas
lembramos que dentro de cada uma destas energias floresce o embrião de seu oposto. Desta
maneira, temos uma faixa de transição entre o CORPO e a ALMA, que costumamos chamar de
MENTE.
Dentro do Grande Yin temos o chamado Pequeno Yang, que é a Mente voltada para os
aspectos Materiais. A isto chamamos de RAZÃO, relacionado ao elemento AR. Na alquimia, o
Ar é considerado um elemento QUENTE e ÚMIDO. Seu humor correspondente é o Sanguíneo.
Dentro do Grande Yang temos o Pequeno Yin, que é a Mente voltada para os aspectos
Espirituais. A isto chamamos de EMOÇÃO, relacionado ao elemento ÁGUA. Na alquimia, a
ÁGUA é considerada um elemento FRIO e ÚMIDO. Seu humor correspondente é chamado de
Fleumático.
Por fim, por influência Aristotélica, foi concebido um quinto elemento, o Espírito ou
ÉTER, que seria uma espécie de coordenador dos outros quatro elementos.
É possível traçar um paralelo entre as concepções clássicas dos elementos e a Teoria
dos Tipos Psicológicos de (Carl Gustav) Jung, mais especificamente quanto às Funções
Psicológicas. Este estudioso dividiu em quatro funções fundamentais: Pensamento,
Sentimento, Sensação e Intuição.
Possibilita-se assim uma visão subjetiva e interna da ação de quatro dos elementos
sendo que as duas primeiras, Pensamento (AR) e Sentimento (ÁGUA), seriam, para Jung,
maneiras de tomar decisões, enquanto as duas últimas, Sensação (TERRA) e Intuição (FOGO),
seriam formas de apreender informações. E quando os elementos/funções estivessem em
equilíbrio teriam as seguintes características.
O Elemento Ar pode ser comparado à Função Pensamento, caracterizado pela
capacidade de tomar decisões objetivas, lógicas e coerentes. Assim, o predomínio deste
elemento/função tende a levar o indivíduo à uma preferência por escolhas racionais,
planejadas e eficazes.
O Elemento Água pode ser comparado à Função Sentimento, caracterizando
subjetivamente um indivíduo que tem a preferência por sentimentos fortes, mesmo que
tristes. A predominância deste elemento no indivíduo faz com que ele tenda a levar em conta
valores ao tomar decisões.
O Elemento Terra pode ser comparado à Função Sensação, que seja a observação do
concreto, do detalhe, do sólido. A experiência concreta, obtida por meio dos sentidos sempre
prevalecerá. Subjetivamente este elemento faz com que a pessoa esteja sempre no presente,
no agora, no momento atual, pronta para tomar decisões imediatas.
O Elemento Fogo pode ser comparado à Função Intuição, possuindo como
característica a abstração, é uma forma de apreender informações que leva em conta o
passado, o futuro e as implicações das escolhas. Trata- se de uma análise do efêmero
permeada por processos inconscientes. Leva-se mais em conta a valoração dos objetos do que
o objeto em si, relacionando-a com experiências passadas ou informações inconscientes.
Por fim, antes de prosseguimos para os Quatro Elementos, ainda existe a relação que
pode ser feita entre os elementos e os quatro naipes do Tarot:
Bastões [ou Paus] representa o FOGO, Copas [Corações ou Taças] a ÁGUA, Espadas
para o AR e Discos [ou Pantáculos ou Ouros] para a TERRA.