Introduccao
O presente trabalho da disciplina de filosofia visa a abordar aspectos relacionados com a
pessoa como sujeito moral, a distinção da ética e moral, o conceito de pessoa e suas
características da pessoa e suas descrições: a consciência moral, as etapas da formação
moral, os níveis e estágios de desenvolvimento moral de Kohlberg, a acção humana, da
acção aos valores, a noção de valor, os tipos de valores e a subjectividade (ou
relatividade) e a objectividade dos valores.
No contexto filosófico, ética e moral possuem diferentes significados. A ética está
associada ao estudo fundamentado dos valores morais que orientam o comportamento
humano em sociedade, enquanto a moral são os costumes, regras, tabus e convenções
estabelecidas por cada sociedade.
A Pessoa como Sujeito Moral (A Pessoa Humana)
Conceito de Pessoa nas várias perspectivas (Jurídica, Psicológica, Ética,
Personalista, Social, Metafísica).
Conceito de pessoa
A palavra “ pessoa”, provém do grego “prósopon”, e do latim “personare”( fazer
ressoar), significa “máscara”, ou seja, tudo aquilo que um actor punha no seu rosto
numa peça teatral. Para o filósofo Boécio-pessoa é uma substância individual de
natureza racional. Esta definição foi compartilhada pelo filósofo da época medieval São
Tomás de Aquino.
Para o filósofo romano, Cícero- pessoa é sujeito de direitos e deveres. Esta definição
remete-nos para uma abordagem jurídica ao designar a pessoa como um indivíduo
dotado de direitos e obrigações, obrigações essas que vão por limites na sua liberdade.
John Locke define a pessoa como “um ser inteligente e pensante dotado de razão e
reflexão e que pode considerar-se a si mesmo como aquilo que é, a mesma coisa
pensante, em diferentes momentos e lugares.”
De acordo com Frankl (1994), a pessoa é um indivíduo, que não se admite ser dividido, partir,
porque é uma unidade e totalidade, sendo a integração de três níveis de existência: o físico, o
psíquico e o espiritual. Por seu caráter espiritual, a pessoa se encontra em contraposição
heurística e facultativa com o organismo psicofísico.
Segundo Scheler (1976) a essência do homem, o que se pode chamar a sua posição peculiar,
está muito acima do que se denomina inteligência e aptidão para a escolha; e não se chegaria
lá, mesmo se estas faculdades se representassem ampliadas, seja a que grau for e, inclusive, se
intensificassem até ao infinito. Portanto, a sua especificidade não radica em ulteriores estádios
do ser orgânico e vital, mas na dimensão espiritual, inserida no cosmos.
Severino Boécio e diz o seguinte: “Pessoa é uma substância individual de natureza
racional”.
Para S. Tomás de Aquino: “Pessoa significa o que de mais nobre há no universo, isto é,
o subsistente de uma natureza racional”.
Para Kant, “os seres humanos são chamados pessoas porque a sua natureza os distingue já
como fins em si…o homem e em geral cada ser racional, existe como fim em si e não como um
meio de que esta ou aquela vontade pode servir-se ao seu belprazer”. Paul Ricoeur concebe a
pessoa como um projecto da humanidade, a qual por sua vez é assim definida: “a humanidade
é o modo de ser sobre a qual deve regular-se cada aparição empírica do que nós chamamos de
ser humano”. Para Scheler, “a pessoa é antes a unidade, imediatamente vivida pelo vivente
espiritual e não uma coisa pensada atrás e fora do imediatamente vivido”. A pessoa é a
unidade essencial concreta do ser de actos de essências diferentes, que em si mesma precede
todas as diferenças de actos.
4- Características da Pessoa
Cada espécie (objectos, series vivos), apresentam algumas particularidades que fazem
deles series semelhantes. A Pessoa é, acima de tudo caracterizada pelos seguintes
aspectos.
Singularidade – a pessoa é uno, original, verídico, não se repete e insubstituível ou seja,
ninguém é cópia de ninguém, não há duas pessoas iguais, há sempre diferença entre
duas ou mais pessoas.
Unidade – a pessoa é constituída por partes diversificadas (é corpo físico, razão,
emoção, acção etc.) que complementam a sua totalidade, isto é, as deferentes partes que
as constituem foram um todo coeso, uma unidade biológica.
Interioridade – em cada ser humano há um espaço de reserva e de intimidade,
inacessível e inviolável: é consciência moral.
Autonomia – corresponde a qualidade e capacidade que o homem tem de auto-governar-
se e autodeterminações.
Projecto – a pessoa é um ser dinâmico, que está sempre em construção, aprendendo
novas coisas.
Valor em si – o valor (preço) de uma pessoa é imensurável, a pessoa é um valor
absoluto razão pelo qual não pode ser usada como um meio ao serviço de outrem.
A Pessoa em suas relações
A relação com os outros e com o meio ambiente
O valor da pessoa, sob o ponto de vista ético emerge, sobretudo, nas relações
interpessoais. É na sua relação com os outros que a pessoa encontra os vínculos éticos
mais profundos e empenhativos. Estes vínculos podem expressar-se de diversas
maneiras e a diversos níveis:
a) Como respeito pela pessoa do outro, tal como se apresenta no encontro
interpessoal. A pessoa é única, original e insubstituível. É um fim em si mesma e nunca
pode ser instrumentalizada e reduzida a um simples meio seja do que for.
b) Como promoção da pessoa, como vimos atrás, não basta afirmar a pessoa, é
necessário promovê-la. A relação interpessoal não deve ser contemplação, mas energia
realizadora. Não interessa só que o outro viva; interessa também como vive. A relação
interpessoal é, até certo ponto, uma relação criadora. Não basta «não odiar, não matar»;
é necessário amar.
c) A promoção reveste-se, na maioria dos casos, da forma de libertação. Na relação
interpessoal, o outro, muitas vezes, está em estado de alienação: é o pobre, o oprimido,
o explorado, o esfomeado, o sem pátria...
É necessário agir face a estas situações, sob o risco de o significado ético da relação
pessoal ficar reduzido a um moralismo formal. A relação interpessoal é activa, criadora
e libertadora.
O valor ético da pessoa é o fundamento de uma ética social e é também o critério para
decidirmos sobre os «deveres» que a consciência moral nos impõe.
A relação com o meio ambiente é uma outra necessidade que garante o equilíbrio no
esquema de todas as relações sociais. Isto é assim porque não se pode falar do Homem
sem mundo, como não se pode falar do mundo sem Homem; não só o mundo cultural
mas nem sequer o mundo natural pode ser olhado e separado do Homem. O que de facto
existe é um Homem no mundo e um mundo para o Homem.
A relação do Homem com Deus
A relação do homem com Deus seria talvez a única via para a superação da angústia e
do desespero. Contudo, é marcado pelo paradoxo de ter de compreender pela fé o que é
incompreensível pela razão
Religiosidade ou religião é a crença que garante a salvação do homem, sendo que a
garantia religiosa será sempre considerada um fator sobrenatural, no sentido que,
através disso, pode se situar os limites abarcados pelos poderes do homem; pode-se
haver religião ateístas, como por exemplo o budismo primitivo.
Para falar do ser humano como ser religioso, pressupõe-se um eu livre e aberto. No
entanto, nada sabe de si mesmo, carecendo de liberdade para determinar seu ser e sua
ação; os valores adquiridos através da religiosidade do indivíduo não podem ser
considerados como sendo sujeitos, mas objetos do sujeito, bem como sua existência em
toda a natureza ou até mesmo nas coisas meramente particulares como as cores, os sons
e as formas, revelando, assim, um sentido de espiritualidade e religiosidade no homem.
Somos inteiramente remetidos ao fato que nos leva a avaliar que a parte mais importante
da formação da pessoa é o quesito religioso do homem, de modo que o fato de abrir para
uma criança o acesso ao Sagrado é caracterizado pela tarefa mais premente de todas as
demais.
Desta forma, podemos afirmar que ter uma formação religiosa significa possuir uma fé
viva e verdadeira que acima de tudo conhece a Deus, ama e serve única e
exclusivamente a Ele como sendo seu Senhor.
Sendo assim, quem conhece a Deus (evidenciando sempre o quesito de, conhece-lo no
sentido e na medida em que se faz possível o seu conhecimento, através da luz natural e
sobrenatural) não consegue preencher o seu ser com amor a não ser amando Ele, e,
quando ama, nunca conseguirá fazer outra coisa a não ser estar sempre servindo a Ele.
Para se obter uma formação religiosa, é sempre necessário buscar compreensão, de
coração, de desempenho da ação e da vontade.
A relação consigo próprio
A pessoa tem a capacidade de relacionamento consigo próprio através da sua
consciência que é a base do indivíduo moral, dado que a consciência tem a função de
orientar, ordenar, avaliar e criticar todos os actos humanos, ou seja, fazer com que as
acções de cada ser humno sejam acções morais e que as decisões tenham sempre uma
base ética.
A relação com o outro
A relação da pessoa com o outro pode ser entendida em 2 âmbitos opostos. Por um lado,
o outro pode ser visto como um tu-como-eu, pois ele é um eu, mas que não sou eu. O
outro é sempre defenido em função do eu e outro só se reconhece como tal e encontra
plena complementaridade face a um outro eu: eu sou eu na minha relação com o outro.
Nele eu me reconheço e me projecto como pessoa. Por outro lado, o outro deve ser
vistocomo contrato. No contrato, os homens encaram se reciprocamente como sujeito
com interesses convergentes.
A relação com o trabalho
Na sua relação com o trabalho, o Homem é chamado a tornar o mundo cada vez mais
habitavel,hospitaleiro e confortável. Aqui encontramos o valor cósmico do trabalho.
Pelo tabalho, o Homem dignifica-se, pois este possui, para si,um valor personalista, ou
seja, antropológico: a natureza não nasce perfeita, ela aperfeiçoa-se, tempera-se, afina-
se, enriquece-se através do trabalho.
A relação com a Natureza
Desde que o ser humano adoptou um modo de vida fundamentado na técnica e ciênci, a
sua relação com a natureza e, consequentemente, com o ambiente tornou-se cada vez
mais hostil. O homem transforma a natureza,e desta transformação resultou o aumento
do crescimento económico, uma produção e um consumismo cada vez mais acentuados,
o crescimento da população mundial e das zonas urbanizadas. Tudo isto constituía aos
olhos dos observadores um grande progresso da técnica e da ciência. E como como
onde há benefícios, há também malecícios, o progresso técnico-científico alterou
radicalmente a relação com o seu habitat, isto é, o meio ambiente provocando a
contaminação das águas, dos solos. A poluíção industrial provocou a destruição da
camada de ozono, rios transformados em esgotos. Regista-se também a redução dos
recursos naturais, a devasta,cão das áreas florestais e a extinção de algumas espécies
animais. A relação com anatureza deve ser sustentável, de forma a garantir o futuro das
gerações futuras.
A Consciência Moral
Consciência- é o estudo ou a faculdade de alerta, que nos permite perceber o mundo
intrínseco e extrínseco a nós mesmos e fazer júizos de valor sobre eles.
A consciência moral é capacidade de um sujeito reconhecer que há formas de vida,
valores que são melhores do que outros e que portanto permitem humanizar-se, em
termos práticos podemos dizer que a consciência moral manifesta-se como espécie de
voz interior o juiz que nos alerta, censura, sanciona, reprime e diz não, se agirmos de
acordo com ela, sentimos uma certa paz e tranquilidade. A consciência moral é a
capacidade que o sujeito tem de avaliar os princípios básicos dos seus actos atitude
valorativa que se verifica na aplicação das normas morais aos nossos actos.
A consciência pode ser definida na perspectiva psicológica, ético e moral, política e na da
teoria de conhecimento. Na perspectiva psicológica, a consciência é um sentimento de nossa
própria identidade: é o eu, um fluxo temporal de estados corporais e mentais, que retém o
passado na memória, percebe o presente pela atenção e espera o futuro pela imaginação e
pelo pensamento. O eu é o centro ou a unidade de todos esses estados psíquicos. A
consciência psicológica é formada por nossas vivências. Na perspectiva ético e moral, a
consciência é a espontaneidade livre e racional, para escolher, deliberar, e agir conforme à
liberdade aos direitos alheios e deveres. É a pessoa dotada de vontade livre e de
responsabilidade. É a capacidade para compreender e interpretar sua situação e condição
(física, mental, social, cultural, histórica), viver na companhia dos outros segundo as normas e
os valores morais definidos por sua sociedade, agir tendo em vista fins escolhidos por
deliberação e decisão, realizar as virtudes e, quando necessário, contrapôr-se eopôr-se aos
valores estabelecidos em nome de outros, considerados mais adequados à liberdade e à
responsabilidade. Do perspectiva política, a consciência é o cidadão, isto é, tanto o indivíduo
situado no tecido das relações sociais, como portador de direitos e deveres, relacionando-se
com a esfera pública de poder e das leis, quando o membro de uma classe social, definido por
sua situação e posição nessa classe, portador e defensor de interesses específicos de seu grupo
ou de sua classe, relacionando-se com a esfera pública do poder e das leis. Na perspectiva da
teoria de conhecimento, a consciência é uma actividade sensível e intelectual dotada de poder
de análise, síntese e representação. É o sujeito, que se reconhece como diferente dos
objectos, cria e descobre significações, institui sentidos, elabora conceitos, idéias, juízos e
teorias. É dotado de capacidade de conhecer à si mesmo no acto de conhecimento, ou seja, é
capaz de reflexão. É saber de si e saber sobre o mundo, manifestando-se como sujeito
percebedor, imaginante, memorioso, falante e pensante.
Platão definiu a consciência como o “diálogo da alma consigo mesma”. A alma interroga a si
mesma sobre que relação e compromisso tem ela com essa outra realidade, que se dá a
conhecer no íntimo diálogo consigo mesma.
Graus da consciência
Embora a subjetividade se manifeste plenamente como uma atividade que sabe de si
mesma, isso não significa que a consciência esteja sempre alerta e atenta. Quando, por
exemplo, recebemos uma anestesia geral, vamos perdendo gradualmente a consciência,
deixamos de ter consciência de ver, sentir, lembrar. Dependendo da intensidade da dose
aplicada, podemos perder todas as formas de consciência menos, por exemplo, a
auditiva. No entanto, mesmo a consciência auditiva, nessa situação, é fluida, não parece
estar referida a um eu. Quando despertamos à noite, de um sono profundo e num local
que não é nosso quarto, levamos um certo tempo até sabermos quem somos e onde
estamos.
Quando devaneamos ou divagamos, ou sonhamos de olhos abertos, perdemos a
consciência de tudo quanto está à nossa volta e, muitas vezes, quando “voltamos a nós”,
temos um braço ou uma perna adormecidos, uma queimadura na mão, o rosto queimado
de sol ou o corpo molhado de chuva sem que tivéssemos consciência do que se passava
conosco. Situações como essas indicam que há graus de consciência.
De um modo geral, distinguem-se os seguintes graus de consciência:
* consciência passiva: aquela na qual temos uma vaga e uma confusa percepção de nós
mesmos e do que se passa à nossa volta, como no devaneio, no momento que precede o
sono ou o despertar, na anestesia e, sobretudo, quando somos muito crianças ou muito
idosos;
* consciência vivida, mas não reflexiva: é nossa consciência efetiva, que tem a
peculiaridade de ser egocêntrica, isto é, de perceber os outros e as coisas apenas a partir
de nossos sentimentos com relação a eles, como, por exemplo, a criança que bate numa
mesa ao tropeçar nela, julgando que a mesa “fez de propósito” para machucá-la. Nesse
grau de consciência, não conseguimos separar o eu e o outro, o eu e as coisas. É típico,
por exemplo, das pessoas apaixonadas, para as quais o mundo só existe a partir dos seus
sentimentos de amor, ódio, cólera, alegria, tristeza, etc.;
* consciência ativa e reflexiva: aquela que reconhece a diferença entre o interior e o
exterior, entre si e os outros, entre si e as coisas. Esse grau de consciência é o que
permite a existência da consciência em suas quatro modalidades, isto é, eu, pessoa,
cidadão e sujeito.
Esse último grau de consciência, nas suas quatro modalidades, é definido pela
fenomenologia como consciência intencional ou intencionalidade, isto é, como
“consciência de”. Toda a consciência, diz a fenomenologia, é sempre consciência de
alguma coisa, visa sempre a alguma coisa, de tal maneira que perceber é sempre
perceber alguma coisa, imaginar é sempre imaginar alguma coisa, lembrar é sempre
lembrar alguma coisa, dizer é sempre dizer alguma coisa, pensar é sempre pensar
alguma coisa. A consciência realiza atos (perceber, lembrar, imaginar, falar, refletir,
pensar) e visa a conteúdos ou significações (o percebido, o lembrado, o imaginado, o
falado, o refletido, o pensado). O sujeito do conhecimento é aquele que reflete sobre as
relações entre atos e significações e conhece a estrutura formada por eles (a percepção,
a imaginação, a memória, a linguagem, o pensamento).
Ética e Moral
Do grego “ethos”, a Ética tem haver com os comportamentos habituais, aos costumes,
aquilo que é habitual aos seres humanos, aquilo fazem referindo-se a sua interioridade.
Do latim “mores”, a Moral designa também aquilo que é habituais os seres humanos
fazerem, com a particularidade de indicar o que deve ou não ser feito.
Semelhança e diferença entre a Ética e Moral
Como já anunciamos, a palavra moral vem do latim mores, que significa costume.
Podemos descrever então que moral são as normas de conduta de uma sociedade, para
permitir um equilíbrio entre os anseios individuais e os interesses da sociedade. Por isso
do termo conduta moral, que é a orientação para os actos segundo os valores descritos
pela sociedade.
A ética tem um significado muito próximo ao da moral. Ética vem do grego ethos, que
também significa conduta, modo de agir, mas o que diferencia moral da ética é o sentido
etimológico, no qual a moral tem como propósito estabelecer um convívio social de
acordo com o que é bem quisto pela sociedade, já a ética é identificada como uma
filosofia moral, onde se busca entender os sentidos dos valores morais.
A ética busca avaliar os princípios em seu individual, onde cada grupo possuem seus
próprios valores, culturas e crenças. Ela constitui um sistema de argumentos dos quais
os grupos ou as pessoas justificam suas acções. A configuração principal da ética é
solucionar conflitos de interesses, baseando em argumentos universais. A ética tem seu
impasse, pois o que é considerado ético para um grupo, pode não ser para outro.
Enquanto a Moral se encontra ligada a, aplicação correcta de certas regras orais e a
situações do dia-a-dia perante as quais somos obrigados a decidir, a Ética preocupa-se
com a fundamentação racional das normas e, de uma forma mais vasta, com o agir
humano. A Moral está ligada a dimensão convencional e comunitária da vida dos
homens. A Moral está, assim, ligada obrigação, à acção em conformidade com o dever.
Para Séneca, “não nos devemos preocupar com viver muitos anos, mais com o vive-los
satisfatoriamente; porque viver muito tempo depende do destino, viver satisfatoriamente
depende da tua alma.
Aspectos da Ética Individual
Os aspectos da ética individual resumem-se nas formas fundamentais da co-existência
com os outros.
Nesta secção, abordamos formas de co-existência na perspectiva antropológica e não na
perspectiva sociológica. Por isso é que ao abordarmos, aqui, o tema sobre os aspectos da
ética individual, não o fazemos considerando o ser humano como um «ser isolado» e
auto-suficiente, mas como «consciência fechada» porque desta maneira seria difícil ou
mesmo impossível falar da sua relação com o outro.
Apresentamos, em seguida, algumas das forças de co-existência com os outros.
O amor
O amor implica, em primeiro lugar, a afirmação do outro como sujeito, isto é, como
pessoa. Não só afirmar, mas afirmar para promover: afirmação e promoção do outro
enquanto outro na sua originalidade e unicidade. Este amor de afirmação é
necessariamente incondicionado (ama-se o que o outro é e não o que ele tem); é
desinteressado (o amor não procura vantagens pessoais, egoístas, o que seria
instrumentalizar a pessoa); finalmente, o amor é fidelidade criadora que procura realizar
e promover o outro de acordo com o seu projecto existencial próprio e original. É
evidente que esta fidelidade se deve realizar dentro do quadro de valores.
O amor como promoção
De todas as intenções que se escondem por detrás duma mesma palavra, é preciso
escolher a que for autêntica e possa dar ideia das anomalias, das modificações e das
próprias perversões dessa mesma palavra. Ora, o elemento que responde a esta
exigência e que deve entrar, em primeiro lugar, na definição que procuramos é o
seguinte: o amor é uma vontade de promoção. O «mim» que ama quer, antes de mais, a
existência do «ti»; e quer, além disso, desenvolvimento autónomo desse «ti»; e quer, por
outro lado, que o desenvolvimento autónomo seja, se possível, harmonioso, em relação
ao valor previsto por «mim» para «ti». Qualquer outra atitude é uma paragem tímida no
limiar do tempo, ou então, uma complacência egoísta no reflexo dum espelho. Não há
amor i propriamente dito se não formos dois; e se o «mim» não tentar sair em direcção
ao outro, a fim de postular, título; tão real quanto possível, não como objecto de
espetáculo, mas sim como uma existência interior e como uma subjectividade perfeita.
M. Nédoncelle; Para uma Filosofia da Pessoa; Ed. Morais; Lisboa; 1961.
A indiferença
Este é o relacionamento mais comum em sociedade. Tematizado por autores
personalistas e existencialistas esta forma de relacionamento tem, fundamentalmente,
duas características: o «outro» é, em primeiro lugar, a função que desempenha sendo a
pessoa substituída pelo funcionário; a segunda característica é o tratamento com o outro
na terceira pessoa: o outro não é um «tu» mas um «ele». Este «ele» implica uma certa
objetivação da pessoa e a redução da subjectividade soma da qualidade e função. Por
outro lado, este «ele» significa uma «ausência» em relação a mim. Não uma ausência
espacial como é óbvio, mas uma ausência «afectiva». Se, enquanto funcionário, o outro
pode muito bem ser substituído por uma máquina, então «ele» é como se não existisse.
Estamos no reino da fria burocracia e tecnocracia.
O Ódio
É uma outra forma de relacionamento. Enquanto o amor, como vimos, é a afirmação e a
promoção do outro, o Ódio é a negação e a rejeição do outro. Neste caso, talvez, não se
deva usar o termo «objetivação». Se o outro ficasse «objetivado», deixaria de poder ser
odiado. Um objecto não se odeia nem se ama. O Ódio é a rejeição da subjectividade de
outro e a sua «apropriação». Enquanto na indiferença, o outro é «como se não
existisse», o Ódio exige, por assim dizer, existência do outro, não para o promover, mas
para o rejeitar.
Como dissemos, estamos a analisar as formas de relacionamento a nível antropológico.
A nível social, a sua relação pode tomar outros contornos, sobretudo de conflitos. Estes
manifestar-se-iam pelo desejo, nalguns casos, de desaparecimento físico, do outro.
Os sentimentos
O que são os sentimentos? Podemos definir os sentimentos como reacções agradáveis
ou desagradáveis, de relativa duração e, geralmente, com repercussões fisiológicas
discretas e suaves.
Os sentimentos caracterizam-se pela presença de adesões intelectuais ou representativas
(imagens, ideias, representações) e a quase ausência de repercussões fisiológicas.
Dai poder-se definir os sentimentos como reacções que não se excedem nem pela
violência nem pela desorganização ou desadaptação da pessoa.
Tendo em conta o número das nossas tendências, a multiplicidade de objectos com que
cada um se pode relacionar e a diversidade de situações em que nos podemos encontrar,
facilmente poderemos imaginar a qualidade de sentimentos a que podemos estar sujeitos
e a grande instabilidade dos mesmos.
A importância dos sentimentos para a saúde mental do Homem pode ser entendida com
base no seguinte: uma Vida com sentimentos maus é, forçosamente, uma Vida infeliz.
Alguns dos sentimentos inadaptados que têm sido objecto de estudo da Psicologia são:
inferioridade, inadaptação, culpabilidade mórbida, recusa e não-aceitação ou espírito de
contradição, insegurança, ressentimento, hostilidade, ansiedade e frustração.
Para o controlo e orientação dos nossos sentimentos, devemos ter em conta os seguintes
princípios:
a) A facilidade com que os sentimentos, deixados a si mesmos, se transformam em
emoções e paixões com os respectivos desajustamentos.
b) Os sentimentos positivos, optimistas e altruístas devem predominar sobre os
sentimentos negativos, pessimistas e egoístas. Os primeiros dilatam a alma, activam o
bom funcionamento de todo o organismo, enquanto os segundos atrofiam, oprimem,
«azedam» o sangue.
c) Para controlar os sentimentos é necessário dominar os actos e as ideias, pois as
ideias precedem e promovem os actos; os actos e as ideias modificam os sentimentos.
d) Devemos agir como se tivéssemos os sentimentos bons que desejamos ter. Por
exemplo: se desejamos amar alguém com quem não simpatizamos, comecemos por ver
nele o lado bom, relacionamo-nos com ele, como se, de facto, fosse nosso amigo... e,
pouco a pouco, amá-lo-emos.
Outros factores psíquicos ligados aos sentimentos são as emoções, paixões e humores.
Apesar da grande importância que têm no desenvolvimento dos sentimentos não lhes
dedicaremos muita atenção, senão uma simples informação:
· As emoções são respostas psicofísicas intensas, ordinariamente repentinas e
imprevistas, ligadas a acontecimentos que alteram bruscamente o equilíbrio do
comportamento humano e, por isso, marcadas por modificações psicológicas
normalmente fortes.
Existem diferentes espécies de emoções, sendo de destacar as seguintes dimensões:
rapidez ou intensidade e nível de excitação, agradabilidade ou desagradibilidade,
atracção ou rejeição.
· As paixões são estados afectivos intensos, duradouros e polarizadores da Vida
psíquica da pessoa.
A paixão é uma inclinação dominante que tende a tornar-se exclusiva, podendo chegar a
dirigir todo o nosso comportamento, comandar os nossos juízos de valor, impedir o
exercício imparcial do nosso raciocínio, absorver, por assim dizer, a inteligência, a
imaginação, o corarão e a vontade.
A paixão tem um carácter absorvente ou centralizador, imperioso, estável, intenso e, por
vezes, violento. Reveste-se, frequentemente, de um certo carácter de fatalidade, fazendo
perder o controlo ou o domínio pessoal.
· Os humores são estados ou disposições de animo difusos, passageiros ou
persistentes, sem um objecto nem um estímulo preciso. Predispõem, inconscientemente,
as pessoas para um determinado comportamento emocional, inclinando-as para a
exaltação ou a depressão, a calma ou a tensão, a alegria ou a tristeza, a euforia ou a
melancolia. São uma espécie de «música de fundo» permanente da Vida afectiva.
Não existe uma linha rigorosa que separa os sentimentos dos humores. Contudo, os
humores são mais persistentes, penetram com frequência mais fortemente na
personalidade, invadem de forma mais global a Vida psíquica.
Conclusao
Fim do trabalho, concluiu se que, a ética é uma característica inerente a toda acção
humana e, por esta razão, é um elemento vital na produção da realidade social. Todo
homem possui um senso ético, uma espécie de “consciência moral”, estando
constantemente avaliando e julgando suas acções para saber se são boas ou más, certas
ou erradas, justas ou injustas.
Para Kant, o sujeito moral é o ser racional. Para seres humanos, o sujeito moral pode ser
qualificado como um ser racional sensível.
Existem sempre comportamentos humanos classificáveis sob a óptica do certo e errado,
do bem e do mal. Embora relacionadas com o agir individual, essas classificações
sempre têm relação com as matrizes culturais que prevalecem em determinadas
sociedades e contextos históricos. A ética está relacionada à opção, ao desejo de realizar
a vida, mantendo com os outros relações justas e aceitáveis. Via de regra está
fundamentada nas idéias de bem e virtude, enquanto valores perseguidos por todo ser
humano e cujo alcance se traduz numa existência plena e feliz.
Refeerencias bibliograficas
CHAMBISSE, Ernesto Daniel; COSSA, José Francisco. Fil11 - Filosofia 11ª Classe. 2ª
Edição. Texto Editores, Maputo, 2017.
Frankl, V. (1994). La voluntad de sentido. Barcelona: Herder.
Scheler, M. (1976). El puesto del hombre en el cosmos. Buenos Aires: Losada.