0% acharam este documento útil (0 voto)
175 visualizações200 páginas

HIDROGEOGRAFIA

Este manual aborda o tema da hidrogeografia e está dividido em nove unidades. Apresenta conceitos sobre regimes hídricos, propriedades das águas, formação de reservatórios aquáticos, movimentos de água e circulação hídrica. Também discute a influência dos processos hídricos nas condições naturais e recursos hídricos.

Enviado por

Arieva
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
175 visualizações200 páginas

HIDROGEOGRAFIA

Este manual aborda o tema da hidrogeografia e está dividido em nove unidades. Apresenta conceitos sobre regimes hídricos, propriedades das águas, formação de reservatórios aquáticos, movimentos de água e circulação hídrica. Também discute a influência dos processos hídricos nas condições naturais e recursos hídricos.

Enviado por

Arieva
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Manual de Curso de licenciatura em Gestão Ambiental – 1o ano

Hidrogeografia
GA106

Universidade Católica de Moçambique

Centro de Ensino a Distância

Centro de Informação Geográfica


Direitos de autor (copyright)
Este manual é propriedade da Universidade Católica de Moçambique, Centro de Ensino à Distância
(CED) e contém reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução deste manual, no
seu todo ou em partes, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico,
gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Universidade Católica de
Moçambique  Centro de Ensino à Distância). O não cumprimento desta advertência é passível a
processos judiciais.

Universidade Católica de Moçambique


Centro de Ensino à Distância - CED
Rua Correira de Brito No 613-Ponta-Gêa

Moçambique - Beira
Telefone: 23 32 64 05

Cel: 82 50 18 44 0

Fax:23 32 64 06
E-mail: [email protected]
Website: www.ucm.ac.mz
Agradecimentos
A Universidade Católica de Moçambique - Centro de Ensino à Distância e o autor do presente manual,
dr. Edson Feniche José Húo, gostariam de agradecer a colaboração dos seguintes indivíduos e
instituições na elaboração deste manual:

Pela maquetização e revisão final Heitor Simão Mafanela Simão

Elaborado Por: dr. Edson Feniche José Húo

Licenciado em Ensino de Geografia pela Universidade Pedagógica – Beira


Colaborador do Curso de Licenciatura em Ensino de Geografia no CED

Coordenação, Maquetização e Revisão Final: dr. Heitor Simão Mafanela Simão

Licenciado em Ensino de Geografia pela Universidade Pedagógica – Beira


Mestrando em Ciências e Sistemas de Informação Geográfica
Coordenador do Curso de Licenciatura em Ensino de Geografia no CED
Hidrogeografia GA106 i

Índice
Visão geral 1
Bem-vindo a Hidrogeografia ......................................................................................... 1
Objectivos do curso ....................................................................................................... 1
Quem deveria estudar este módulo ................................................................................ 2
Como está estruturado este módulo................................................................................ 2
Ícones de actividade ...................................................................................................... 3
Acerca dos ícones ........................................................................................ 3
Habilidades de estudo .................................................................................................... 3
Precisa de apoio? ........................................................................................................... 4
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) .............................................................................. 4
Avaliação ...................................................................................................................... 5

Unidade I 7
Introdução a Hidrogeografia .......................................................................................... 7
Introdução ............................................................................................................ 7
Sumário ....................................................................................................................... 12
Exercícios.................................................................................................................... 13

Unidade II 15
Regimes hídricos e processos de formação .................................................................. 15
Introdução .......................................................................................................... 15
Sumário ....................................................................................................................... 21
Exercícios.................................................................................................................... 22

Unidade III 23
Propriedades físicas das águas naturais ........................................................................ 23
Introdução .......................................................................................................... 23
Sumário ....................................................................................................................... 38
Exercícios.................................................................................................................... 39

Unidade IV 40
Propriedades químicas das águas naturais .................................................................... 40
Introdução .......................................................................................................... 40
Sumário ....................................................................................................................... 51
Exercícios.................................................................................................................... 52

Unidade V 53
As bases dos processos de formação dos reservatórios aquáticos ................................. 53
Introdução .......................................................................................................... 53
Hidrogeografia GA106 ii

Sumário ....................................................................................................................... 56
Exercícios.................................................................................................................... 57

Unidade VI 57
As leis básicas dos movimentos das águas ................................................................... 57
Introdução .......................................................................................................... 57
Sumário ....................................................................................................................... 63
Exercícios.................................................................................................................... 64

Unidade VII 66
A circulação das águas na natureza .............................................................................. 66
Introdução .......................................................................................................... 66
Sumário ....................................................................................................................... 71
Exercícios.................................................................................................................... 72

Unidade VIII 73
A influência dos processos hídricos sobre as condições naturais .................................. 73
Introdução .......................................................................................................... 73
Sumário ....................................................................................................................... 78
Exercícios.................................................................................................................... 79

Unidade IX 81
Os recursos hídricos na terra ........................................................................................ 81
Introdução .......................................................................................................... 81
Sumário ....................................................................................................................... 83
Exercícios.................................................................................................................... 83

Unidade X 84
A hidrografia dos glaciares .......................................................................................... 84
Introdução .......................................................................................................... 84
Sumário ....................................................................................................................... 91
Exercícios.................................................................................................................... 92

Unidade XI 93
O balanço do gelo e da água nos glaciares ................................................................... 93
Introdução .......................................................................................................... 93
Sumário ....................................................................................................................... 99
Exercícios.................................................................................................................. 100

Unidade XII 101


Os reservatórios aquáticos especiais - águas subterrâneas .......................................... 101
Introdução ........................................................................................................ 101
Hidrogeografia GA106 iii

Sumário ..................................................................................................................... 116


Exercícios.................................................................................................................. 117

Unidade XIII 118


Os movimentos das águas subterrâneas...................................................................... 118
Introdução ........................................................................................................ 118
Sumário ..................................................................................................................... 126
Exercícios.................................................................................................................. 127

Unidade XIV 128


A hidrografia dos rios ................................................................................................ 128
Introdução ........................................................................................................ 128
Sumário ..................................................................................................................... 138
Exercícios.................................................................................................................. 139

Unidade XV 140
Regime hídrico dos rios ............................................................................................. 140
Introdução ........................................................................................................ 140
Sumário ..................................................................................................................... 143
Exercícios.................................................................................................................. 144

Unidade XVI 145


A hidrografia dos lagos.............................................................................................. 145
Introdução ........................................................................................................ 145
Sumário ..................................................................................................................... 150
Exercícios.................................................................................................................. 151

Unidade XVII 152


A hidrografia dos pântanos ........................................................................................ 152
Introdução ........................................................................................................ 152
Sumário ..................................................................................................................... 155
Exercícios.................................................................................................................. 156

Unidade XVIII 157


Oceano mundial ........................................................................................................ 157
Introdução ........................................................................................................ 157
Sumário ..................................................................................................................... 159
Exercícios.................................................................................................................. 159

Unidade XIX 161


Os diferentes oceanos do mundo................................................................................ 161
Introdução ........................................................................................................ 161
Hidrogeografia GA106 iv

Sumário ..................................................................................................................... 163


Exercícios.................................................................................................................. 164

Unidade XX 165
As propriedades físicas das águas oceânicas .............................................................. 165
Introdução ........................................................................................................ 165
Sumário ..................................................................................................................... 170
Exercícios.................................................................................................................. 171

Unidade XXI 172


Propriedades químicas das águas oceânicas ............................................................... 172
Introdução ........................................................................................................ 172
Sumário ..................................................................................................................... 174
Exercícios.................................................................................................................. 174

Unidade XXII 176


Os movimentos das águas oceânicas .......................................................................... 176
Introdução ........................................................................................................ 176
Sumário ..................................................................................................................... 180
Exercícios.................................................................................................................. 180

Unidade XXIII 181


Acção das águas marítimas e o aproveitamento económico do oceano mundial ......... 181
Introdução ........................................................................................................ 181
Sumário ..................................................................................................................... 187
Exercícios.................................................................................................................. 187

Unidade XIV 188


A poluição dos oceanos e mares ................................................................................ 188
Introdução ........................................................................................................ 188
Sumário ..................................................................................................................... 190
Exercícios.................................................................................................................. 190
Hidrogeografia GA106 1

Visão geral
Bem-vindo a Hidrogeografia

O material apresenta-nos pressupostos que se relacionam com a


hidrosfera, no que se refere as águas superficiais (oceanos), as
águas subterrâneas e as águas consolidadas (glaciares). Sobre os
oceanos, nos proporcionara conhecimentos sobre os oceanos no seu
todo, isto é, o seu conceito, suas divisões, suas características e o
seu aproveitamento económico; sobre as aguas subterrâneas dar-
nos-á pressupostos relativo as suas características gerais; e
finalmente sobre os glaciares a bagagem será também em torno das
suas características e a importância destes na manutenção do
equilíbrio térmico da terra.

Objectivos do curso
Quando terminar o estudo de Hidrogeografia será capaz de:
 Conceitualizar a Hidrogeografia;
 Descrever as propriedades físicas e químicas das águas;
 Debruçar sobre a circulação da água na natureza;
 Caracterizar os oceanos;
Objectivos
 Demonstrar a importância económica dos oceanos;
 Descrever os mecanismos de poluição dos oceanos;
 Caracterizar o litoral moçambicano;
 Caracterizar as águas subterrâneas;
 Explicar o processo de contaminação das águas subterrâneas;
 Caracterizar os glaciares;
 Descrever a importância dos glaciares na manutenção do equilíbrio
térmico.
Hidrogeografia GA106 2

Quem deveria estudar este


módulo
Este Módulo foi concebido para todos aqueles estudantes que queiram ser
professores da disciplina de Geografia, que estão a frequentar o curso de
Licenciatura em Ensino de Geografia, do Centro de Ensino a Distancia.
Estendese a todos que queiram consolidar os seus conhecimentos sobre
a Hidrogeografia.

Como está estruturado este


módulo
Todos os módulos dos cursos produzidos pela Universidade Católica de
Moçambique - Centro de Ensino a Distância encontram-se estruturados
da seguinte maneira:
Páginas introdutórias

 Um índice completo.
 Uma visão geral detalhada do curso / módulo, resumindo os
aspectos-chave que você precisa conhecer para completar o estudo.
Recomendamos vivamente que leia esta secção com atenção antes de
começar o seu estudo.
Conteúdo do curso / módulo

O curso está estruturado em unidades. Cada unidade ncluirá uma


introdução, objectivos da unidade, conteúdo da unidade incluindo
actividades de aprendizagem, um summary da unidade e uma ou mais
actividades para auto-avaliação.
Outros recursos

Para quem esteja interessado em aprender mais, apresentamos uma lista


de recursos adicionais para você explorer. Estes recursos podem incluir
livros, artigos ou sites na internet.
Tarefas de avaliação e/ou Auto-avaliação

Tarefas de avaliação para este módulo encontram-seno final de cada


unidade. Sempre que necessário, dão-se folhas individuais para
desenvolver as tarefas, assim como instruções para as completar. Estes
elementos encontram-se no final do modulo.
Comentários e sugestões

Esta é a sua oportunidade para nos dar sugestões e fazer comentários


sobre a estrutura e o conteúdo do curso / módulo. Os seus comentários
serão úteis para nos ajudar a avaliar e melhorar este curso / modulo.
Hidrogeografia GA106 3

Ícones de actividade
Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das
folhas. Estes icones servem para identificar diferentes partes do processo
de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de texto, uma
nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.

Acerca dos ícones


Os ícones usados neste manual são símbolos africanos, conhecidos por
adrinka. Estes símbolos têm origem no povo Ashante de África
Ocidental, datam do século 17 e ainda se usam hoje em dia.

Habilidades de estudo
Durante a formação, para facilitar a aprendizagem e alcançar melhores
resultados, implicará empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os
bons resultados apenas se conseguem com estratégias eficazes e por isso é
importante saber como estudar. Apresento algumas sugestões para que
possa maximizar o tempo dedicado aos estudos:

Antes de organizar os seus momentos de estudo reflicta sobre o ambiente


de estudo que seria ideal para si: Estudo melhor em
casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/de manhã/de
tarde/fins de semana/ao longo da semana? Estudo melhor com
música/num sítio sossegado/num sítio barulhento? Preciso de um intervalo
de 30 em 30 minutos/de hora a hora/de duas em duas horas/sem
interrupção?

É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado
durante um determinado período de tempo; Deve estudar cada ponto da
matéria em profundidade e passar só ao seguinte quando achar que já
domina bem o anterior. É preferível saber bem algumas partes da matéria
do que saber pouco sobre muitas partes.

Deve evitar-se estudar muitas horas seguidas antes das avaliações, porque,
devido à falta de tempo e consequentes ansiedade e insegurança, começa a
ter-se dificuldades de concentração e de memorização para organizar toda
a informação estudada. Para isso torna-se necessário que: Organize na sua
agenda um horário onde define a que horas e que matérias deve estudar
durante a semana; Face ao tempo livre que resta, deve decidir como o
utilizar produtivamente, decidindo quanto tempo será dedicado ao estudo e
a outras actividades.

É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será uma


necessidade para o estudo das diversas matérias que compõem o curso: A
colocação de notas nas margens pode ajudar a estruturar a matéria de
modo que seja mais fácil identificar as partes que está a estudar e Pode
escrever conclusões, exemplos, vantagens, definições, datas, nomes, pode
também utilizar a margem para colocar comentários seus relacionados
com o que está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a
seguir à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura;
Hidrogeografia GA106 4

Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado


desconhece;

Precisa de apoio?
Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra situação, o
material impresso, lhe pode suscitar alguma duvida (falta de clareza,
alguns erros de natureza frásica, prováveis erros ortográficos, falta de
clareza conteudística, etc). Nestes casos, contacte o tutor, via telefone,
escreva uma carta participando a situação e se estiver próximo do tutor,
contacteo pessoalmente.

Os tutores têm por obrigação, monitorar a sua aprendizagem, dai o


estudante ter a oportunidade de interagir objectivamente com o tutor,
usando para o efeito os mecanismos apresentados acima.

Todos os tutores têm por obrigação facilitar a interacção, em caso de


problemas específicos ele deve ser o primeiro a ser contactado, numa fase
posterior contacte o coordenador do curso e se o problema for de natureza
geral. Contacte a direcção do CED, pelo número 825018440.

Os contactos só se podem efectuar, nos dias úteis e nas horas normais de


expediente.

As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante, tem


a oportunidade de interagir com todo o staff do CED, neste período pode
apresentar duvidas, tratar questões administrativas, entre outras.

O estudo em grupo com os colegas é uma forma a ter em conta, busque


apoio com os colegas, discutam juntos, apoiemse mutuamente, reflictam
sobre estratégias de superação, mas produza de forma independente o seu
próprio saber e desenvolva suas competências.

Tarefas (avaliação e auto-


avaliação)
O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e
autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é
importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues antes do
período presencial.

Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não


cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do
estudante.

Os trabalhos devem ser entregues ao CED e os mesmos devem ser


dirigidos ao tutor\docentes.

Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo os


mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os direitos do
autor.
Hidrogeografia GA106 5

O plagiarismo deve ser evitado, a transcrição fiel de mais de 8 (oito)


palavras de um autor, sem o citar é considerado plagio. A honestidade,
humildade científica e o respeito pelos direitos autoriais devem marcar a
realização dos trabalhos.

Avaliação
Você será avaliado durante o estudo independente (80% do curso) e o
período presencial (20%). A avaliação do estudante é regulamentada com
base no chamado regulamento de avaliação.
Os trabalhos de campo por ti desenvolvidos, durante o estudo individual,
concorrem para os 25% do cálculo da média de frequência da cadeira.
Os exames são realizados no final da cadeira e durante as sessões
presenciais, eles representam 60%, o que adicionado aos 40% da média de
frequência, determinam a nota final com a qual o estudante conclui a
cadeira.
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira.
Nesta cadeira o estudante deverá realizar 3 (três) trabalhos, 2 (dois) testes
e 1 (exame).
Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão utilizados como
ferramentas de avaliação formativa.
Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em
consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de cientificidade,
a forma de conclusão dos assuntos, as recomendações, a identificação das
referências utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros.
Os objectivos e critérios de avaliação estão indicados no manual.
consulteos.
Hidrogeografia GA106 7

Unidade I
Introdução a Hidrogeografia

Introdução
Nesta unidade iremos discutir sobre a Hidrogeografia, seu conceito,
objecto de estudo, o percurso histórico e noções de hidrosfera no
cômputo geral.

É necessário que para o estudo de uma ciência iniciemos de


antemão com os conhecimentos de base de modo que o estudante
da disciplina saiba o que lhe espera.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Conceituar a Hidrogeografia;

 Identificar o seu objecto de estudo;


Objectivos
 Descrever o seu percurso histórico; e

 Descrever de modo geral a hidrosfera.

Conceito e objecto de estudo da Hidrogeografia


“Dentro das ciências fisico – geograficas, inclui-se a
Hidrogeografia que tem como objecto de estudo os fenomenos
que tem lugar na hidrosfera. […] a hidrosfera corresponde a
parte liquida da geosfera, vemos entao que os fenomenos
hidrogeograficos serao os correspondentes , tanto a aguas
continentais superficiais ou subterraneas, como aos do
Hidrogeografia GA106 8

oceano”. (FACULDADE DE LETRAS DA UEM 1982, p. 61)


Hidrogeografia é a ciência que estuda as aguas e a sua descriçao (a
origem, ocorrência e distribuição dos fenómenos aquáticos na
superfície da terra).

O percurso histórico da Hidrogeografia


Os mais antigos trabalhos de drenagem e irrigação em larga
escala são atribuídos ao Faraó Menés, fundador da primeira
dinastia egípcia, que barrou o rio Nilo próximo a Mênphis,
com uma barragem de 15m e extensão de aproximadamente
500 metros, para alimentar o canal de irrigação.

Também no Egito encontram-se os primeiros registros


sistemáticos de níveis de enchentes. Estes registos datam de
3.500 a.C. e indicavam aos agricultores a época oportuna de
romper os diques para inundar e fertilizar as terras
agricultáveis. Nota-se que, aos egípcios, pouco importava o
estudo da Hidrologia como ciência e sim a sua utilização.

Muitos conceitos erróneos e falhas de compreensão


atravessaram o desenvolvimento da engenharia no seu sentido
actual. Os gregos foram os primeiros filósofos que estudaram
seriamente a Hidrologia, com Aristóteles sugerindo que os rios
eram alimentados pelas chuvas. Sua maior dificuldade era
explicar a origem da água subterrânea. Somente na época de
Leonardo da Vinci (por volta de 1.500 d.C.) a ideia da
alimentação dos rios pela precipitação começou a ser aceita.
No entanto, foi apenas no ano de 1694 que Perrault, através de
medidas pluviométricas na bacia do rio Sena, demonstrou,
quantitativamente, que o volume precipitado ao longo do ano
era suficiente para manter o volume escoado.

O astrónomo inglês Halley, em 1693, provou que a evaporação


da água do mar era suficiente para responder por todas as
nascentes e fluxos d’água. Mariotte, em 1686, mediu a
velocidade do rio Sena. Estes primeiros conhecimentos de
Hidrologia permitiram inúmeros avanços no Século XVIII,
incluindo o teorema de Bernoulli, o Tubo Pitot e a Fórmula de
Chèzy, que formam a base da Hidráulica e da Mecânica dos
Hidrogeografia GA106 9

Fluidos.

Durante o Século XIX, foram feitos significantes avanços na


teoria da água subterrânea, incluindo a Lei de Darcy. No que se
refere à Hidrologia de águas superficiais, muitas fórmulas e
instrumentos de medição foram criados.

Chow (1954) chamou o período compreendido entre 1900 e


1930 ficou conhecido como o Período do Empirismo. O
período de 1930 a 1950 seria o Período da Racionalização.
Datam desta época o Hidrograma Unitário de Sherman (1932)
e a Teoria da Infiltração de Horton (1933). Entre 1940 a 1950
foram feitos significantes avanços no entendimento do
processo de evaporação. Em 1958, Gumbel llança as bases da
moderna hidrologia estocástica. A partir da década de 70, a
Hidrologia passa a contar com os avanços computacionais, o
que levaram ao desenvolvimento de muitos modelos de
simulação” (STUDART e CAMPOS s/d, p. 4 - 5)

Objectos aquaticos e noção da hidrosfera


O recurso aquático predominante na hidrosfera é o oceano se
seguindo restantes ambientes aquáticos, como rios, lagos, lagoas e
mares e todas as águas subterrâneas, bem como as águas marinhas,
águas glaciais e lençóis de gelo, vapor de água, as quais
correspondem a 71% de toda a superfície terrestre.

É pertinente que ao falarmos da hidrosfera nos restringíssemos em


primeira mão sobre as teorias que explicam a sua origem.

O surgimento da Hidrosfera é discutível. Existem várias hipóteses e


teorias que explicam este acontecimento e todas elas estão em
conexão com a origem da Terra. A primeira teoria de E. Zuss, a
evaporação do magma, defende que a hidrosfera resultou das
emanações do magma em fusão, no processo do vulcanismo, tendo
alimentado a atmosfera em vapor de água, gases e poeiras. As
poeiras teriam contribuído para a formação de núcleos de
condensação e consolidado a crusta terrestre, o que poderia ter
Hidrogeografia GA106 10

facilitado a consolidação e a retenção da água; a segunda foi


defendida por Vinogradov por volta do ano 1959, onde segundo o
autor, a hidrosfera terá resultado da actividade vulcânica através do
qual foi emitido o magma e as substâncias voláteis e infusíveis
como amoníaco, cloro, oxigénio, hidrogénio, dióxido de carbono
que teriam se deslocado por convecções à superfície da Terra local
pelo qual processou-se a refrigeração e cristalização da massa
fundida.

A água teria se sintetizado a partir oxigénio e hidrogénio que se


deslocavam à atmosfera em forma de vapor de água. Tendo o vapor
de água se refrescado e condensado a elevadas altitudes da
atmosfera, as gotas de água submetidas à força de gravidade, caiam
em direcção à superfície da Terra que de novo evaporavam-se,
elevando-se às camadas superiores da atmosfera para transmitir o
calor terrestre ao espaço cósmico frio. Como resultado deste
mecanismo de troca de energia entre os espaços cósmico frio e
terrestre quente, as primeiras gotas de chuva teriam atingido a
superfície da Terra; e finalmente temos a teoria catastrófica que
defende que a hidrosfera teria se formado a partir dos fragmentos
resultantes da colisão de duas estrelas.

Os fragmentos dispersos pelo universo foram colidindo durante


longo período de tempo. A Terra foi recebendo os meteoritos e
planetóides que nela colidiam devido a sua maior força de atracção.
Estes meteoritos continham muita água.

Os meteoritos incandescentes ao colidirem com a Terra, tornaram-


se num oceano de magma. A contínua queda dos meteoritos sobre o
oceano de magma, fez com que os materiais mais pesados
(ferrosos) se afundassem e o vapor de água contido neles se
evaporasse para alta atmosfera, tendo-se condensado e criado aí
nuvens espessas.
Hidrogeografia GA106 11

A medida que a queda dos planetóides foi diminuindo, a


temperatura do oceano do magma foi baixando e consequentemente
a temperatura do ar, o que condicionou a descida das espessas
nuvens que provocaram chuvas intensas que reduziram cada vez
mais a temperatura da terra, o que favoreceu a que a água da chuva
atingisse a superfície da Terra e, assim, se formasse a Hidrosfera.

Actualmente, tem lugar a transferência de água a partir das rochas


em fusão, do manto para os oceanos – água juvenil (que se origina
nas altas profundidades e supõe-se estar relacionada com a
actividade magmática). Contudo, este acréscimo é compensado
pelo equilíbrio mantido através da perda de uma parte de água sob
efeito do bombardeamento de raios solares sobre as gotas de água
(vapor de água) o que concorre para que uma parte de hidrogénio
liberto escape do efeito gravitacional para o espaço cósmico.

A hidrosfera será neste caso a esfera que compõe todas as águas do


planeta, os quais formam uma camada descontínua sobre a
superfície da Terra.

O termo hidrosfera vem do grego: hidro + esfera = esfera da água


as quais correspondem a 71% de toda a superfície terrestre. Esta
esfera compreende todos os rios, lagos, lagoas, as águas
subterrâneas e as águas glaciais, bem como as águas marinhas onde
esta ultima perfaz cerca de 97%, ocupando o maior espaço.

Para cada um dos componentes da hidrosfera podemos encontrar


algumas ciências específicas que se dedicam a estudo de cada uma
delas, nomeadamente, a oceanografia, estuda os oceanos e mares
no que respeita as suas propriedades físicas e químicas, bacias
oceânicas entre outros aspectos; a potamologia, estuda o
comportamento dos cursos de água, tanto superficiais como
subterrâneas (rios e aguas subterrâneas), a sua localização e
utilização relacionado com o resto dos fenómenos físico –
Hidrogeografia GA106 12

geográficos em especial com os climatológicos, geomorfológicos,


pedológicos, entre outros; e a limnologia, estuda os lagos e
pântanos.

Sumário
A Hidrogeografia é uma área da Geografia Física que se dedica ao
estudo da parte líquida da terra. Ela tem como objecto de estudo as
águas que correspondem a maior parte da terra relativamente a
parte continental. Para o seu estudo (que deve ser feito em partes)
ela subdivide-se em oceanografia, limnologia e potamologia.

A parte líquida na terra surge, segundo algumas teorias, pela


emanação vulcânica, donde durante a sua actividade libertou/liberta
gases, poeiras e vapor de água. Este último elemento condensou-se
a partir da poeira (núcleo de condensação) e daqui estava criada as
condições para que ocorresse a precipitação e se criasse os
primeiros cursos de água.

A outra teoria, que pelo teor, se baseia na primeira também alega


que a parte líquida surge por meio de actividades vulcânicas que
libertou para a terra gases como, o oxigénio, o hidrogénio, entre
outros, donde na fusão do oxigénio e hidrogénio criou-se condições
para a formação da água.

O historial sobre o estudo das águas surge, obviamente, depois do


processo da sua formação. No processo do percurso histórico das
águas, numa perspectiva mais científica, há que destacar o
contributo dos gregos que foram os primeiros filósofos que
estudaram seriamente a Hidrologia, com Aristóteles sugerindo que
os rios eram alimentados pelas chuvas.

Após esta descoberta várias e distintas ideias, de outros autores,


foram surgindo e continuam surgindo ate os dias presentes.
Hidrogeografia GA106 13

Exercícios

1. De o conceito da Hidrogeografia.
2. Diga em que campo das ciências geográficas se enquadra.
3. Faça uma abordagem sobre a história da hidrologia desde o
passado ate em épocas actuais.
4. Estabeleça a distinção entre a teoria de Zuss e de
Vinogradov e explica, segundo o ultimo autor, de que forma
a terra baixou a temperatura uma vez que ela era um “lago
de magma”.

Entregar o exercício 2, 3 e 4 desta unidade.


Hidrogeografia GA106 15

Unidade II
Regimes hídricos e processos de
formação

Introdução
Esta unidade debruçar-se-á sobre o comportamento das águas na
terra, que é em função das condições que lhes são submetidas, isto
é, a variação do nível do caudal dos rios, por exemplo, varia em
função do clima, do terreno que percorre, do relevo, entre outros
factores.

Abordara também sobre os processos de formação dos recursos


hídricos, em que neste processo, de acordo com os componentes
dissolvidos da água e dos fenómenos decorrentes na natureza
(clima, evaporação, entre outros), elas/as águas naturais se
distinguem uma das outras.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Explicar o comportamento do caudal das águas em função das


condições que lhe são submetidas;
Objectivos
 Descrever o processo de formação dos recursos hídricos na
terra; e

 Distinguir as distintas águas existentes no globo terrestre.


Hidrogeografia GA106 16

Os regimes hídricos
Referem-se aos comportamentos das águas no que respeita ao seu
aumento ou redução ao longo do ano.

Fazendo uma analise sobre o regime hídrico das águas dos oceanos
podemos notar que estas recebem constantemente a agua provinda
das rochas em fusão existentes no interior da terra. Esta emissão
contribuiria bastante para o aumento das águas marinhas mas
porque uma parte da água existente na atmosfera é dissolvida pela
luz solar e outras escapam a gravidade terrestre se perdendo no
espaço parece haver compensação entre a água ganha e perdida
fazendo com que os níveis das águas oceânicas se mantenham
quase constante. O apontamento apresentado pela Faculdade de
letras da UEM (1982, p. 65) subscreve este fenómeno:

“parece estar claro que a agua presente na terra tem a sua


origem nas rochas em fusão existentes sob a crusta terrestre.
Quando estas rochas, através das erupções vulcânicas entram
em contacto com o mar, desprendem grandes quantidades de
vapor de água. No momento da formação da crusta terrestre
terão sido estas rochas que transportaram, desta forma, as
aguas que agora existe nos oceanos. Porque a crusta terrestre
existente situada sob os oceanos se renova permanentemente a
partir destas rochas em fusão, verifica-se, por isso, um
fornecimento contínuo de água designada por água juvenil”.

O volume das águas oceânicas deveria pois aumentar


continuamente. Mas porque, em contrapartida, uma fracção de
água presente na atmosfera é dissolvida pela luz solar nas
altitudes mais elevadas, e uma parte das moléculas assim
formadas, particularmente o H [hidrogénio], escapam a
atracção terrestre, esta perda de vapor de água parece
compensar rigorosamente o fornecimento da água juvenil”
(Faculdade de letras da UEM 1982, p. 65).

Porem, a partir da acção do clima, por meio de aumento da


temperatura que se fez sentir em algumas épocas, o nível das aguas
dos oceanos tende a aumentar. Veja:

“As águas marinhas elevam os oceanos ate um nível que nos


serve de referencia para medir as altitudes e as profundidades.
Esse nível, a escala humana, não parece variar. No entanto, o
volume das águas marinhas varia em função da quantidade de
gelo depositado nos continentes. Durante os últimos 500 000
anos, os climas sofreram variações de grande amplitude, ate ao
Hidrogeografia GA106 17

ponto fazer variar esse volume de tal modo que o nível dos
mares se modificou em uma centena de metros. Efectivamente,
a superfície ocupada pelos gelos, assim como a espessura da
capa de gelo aumenta ou diminui segundo o frio seja mais ou
menos intenso; uma quantidade de água mais ou menos grande
é assim retirada ou fornecida aos oceanos. Devido a isso, no
período das glaciações o nível dos mares e oceanos desce,
pondo a descoberto por toda a parte a plataforma continental,
os rios vem-se então forçados a abrir o seu curso sobre um
terreno anteriormente ocupado pelo mar. [Em períodos
relativamente quente o nível do mar é relativamente alto
devido ao degelo]

Como ainda existe uma massa de gelo que é de cerca de 2% da


massa dos oceanos, o nível do mar pode ainda elevar-se cerca
de uma centena de metros. Isto seria suficiente para que a
maior parte das capitais do mundo como o Tóquio, Londres,
Nova York e Paris se visem inundadas pelas águas.” (1982,
65).

Hoje vivemos um regime capitalista, uma economia baseada no


mercado em que o que transparece é o facto de o desenvolvimento
económico assumi a prioridade nos objectivos traçados em
diferentes regiões em detrimento dos cuidados a ter com a natureza.
Assim sendo, hoje devido as actividades industriais temos vivido
uma era das mudanças climáticas, manifesta por aumento da
temperatura mundial. Com isso nas zonas polares assiste-se um
crescente derretimento do gelo, facto que tem contribuído para o
aumento do nível médio das águas do mar.

Os rios podem apresentar-se com um caudal fraco (estiagem) ou


alto (cheia) em função da abundância ou não da chuva ou degelo.

O regime de um rio depende da alimentação (proveniente da chuva


ou degelo), do relevo (a forte inclinação do leito favorece o
escoamento rápido das aguas), do clima, da natureza das regiões
atravessadas (as rochas permeáveis retardam a escorrência e
restituem lentamente as aguas infiltradas, regularizando assim o
regime do rio. Pelo contrario, a totalidade das aguas das chuvas
corre rapidamente sobre as rochas impermeáveis, determinando
grandes inundações) e da existência da vegetação e de lagos
reguladores.
Hidrogeografia GA106 18

De acordo com o seu regime os rios classificam-se de diferentes


formas. Deste modo podemos classificar os rios em regime
constante ou permanente, periódico ou cíclico, irregular ou
intermitente e torrencial.

Existem três tipos de lagos, nomeadamente, emissor, intermédio ou


de passagem e receptor. De acordo com o seu tipo o regime dos
lagos irá variar em função do comportamento do caudal dos rios.
Por exemplo os lagos intermédios e receptor não apenas recebem
directamente a agua provinda das chuvas ou degelo mas da
alimentação destes por parte dos rios.

Quanto o curso das águas subterrâneas, o comportamento do nível das


águas vária de acordo com a intensidade das precipitações, estação do
ano, grau de humidade da região, percurso dos cursos de água (rios) e
proximidade relativa ao mar. “Quanto maior for o grau de humidade
e pluviosidade, proximidade do mar e a existência de rios, tanto
mais alto será o nível da toalha. Pelo contrário, será menor nas
regiões de escassa humidade e durante a estação seca”. (Faculdade
de letras da UEM, p. 79)

Os processos de formação dos objectos aquáticos


“Parece estar claro que a água presente na terra tem a sua
origem nas rochas em fusão existentes sob a crusta terrestre.
Quando estas rochas, através de erupções vulcânicas, entram em
contacto com o mar, desprendem grande quantidade de vapor de
água. No momento da formação da crusta terão sido estas rochas
que transportaram, desta forma, a água que agora existe nos
oceanos.” (Faculdade de letras da UEM 1982, p. 65).

Consultar apontamentos sobre a origem da


hidrosfera.

Durante o processo do surgimento da hidrosfera (esfera de agua)


foram simultaneamente criadas, para além dos oceanos, os rios,
lagos e águas subterrâneas. É preciso também entender-se que para
se ter essas componentes da hidrosfera foi necessário a existência
de depressões, alias, no conceito destas componentes o termo
Hidrogeografia GA106 19

referido é parte integrante. Dai que os movimentos naturais da terra


como os sismos (os efeitos de sismos sobre o terreno podem ser
muito notáveis “os grandes sismos estão em geral ligado a
deslocamento de falhas. Quando esta intercepta a superfície, a sua
rejeição origina desnivelamento verticais e deslizamentos
horizontais […] podem desviar rios, originar lagos […]” idem, p.
51, sublinhado do autor), os vulcões (responsável pela formação
dos lagos vulcânicos localizados em crateras) e a tectónica de
placas (ver teoria de translação de continentes de Alfred Wegener –
1912. Substanciando a ideia deste autor admite-se que “ao longo
das cristas oceânicas o material rochoso do interior do manto sobe
e espraia-se para cada lado. Assiste-se assim uma expansão
continua dos fundos dos oceanos para cada linha de crista, a
velocidade que varia de 1 a 9 cm por ano. Conclui-se portanto que
a crusta oceânica se esta formando continuamente ao longo das
grandes crista submarinas” (Idem, p. 44, sublinhado do autor))
desempenharam um papel fundamental na criação das tais
depressões.

As águas naturais
As águas naturais são aquelas que resultam da actividade natural da
terra (resultam da actividade vulcânica, das aguas contidas em
algumas rochas no interior da terra, da agua existente em meteorito,
de acordo com algumas teorias). A formação da hidrosfera ocorreu
de forma natural e em períodos que antecedem o aparecimento do
Homem.

Na terra podemos encontrar a água em diferentes locais e sob


diversas formas de acordo com a sua composição química. Assim
de acordo como local de ocorrência a água pode se encontrar no
subsolo (em lençóis freático, provenientes das precipitações e rios
devido a permeabilidade do solo onde assentam os rios); agua
superficial doce (encontra-se a superfície, formando cursos de água
Hidrogeografia GA106 20

em quantidades e volumes diferentes. Em resultado da sua


ocorrência, surgem rios, lagos e pântanos); agua dos oceanos e
mares (são outra forma de ocorrência das águas superficiais,
porém, dada as suas características particulares apresenta um
elevado teor de sais, 30 a 35 g/l); e Glaciares (representam-se pelas
grandes superfícies geladas dos círculos polares, pelas neves das
regiões de latitudes e altitudes pronunciadas).

De acordo com a composição química as águas podem se


classificar em águas minerais (estão em contacto com as rochas e
dissolvem os minerais nelas existentes, é a água com grande teor de
minerais) e, podem ser águas salgadas (contém grande teor de sais);
águas duras (contêm maior percentagem de alguns sais e sobretudo
carbonato e magnésio. Estas particularizam-se pelo facto de não
reagirem com soda cáustica. Não se utiliza sabão, quando fervida
formam uma crosta no fundo); águas pesadas (contêm cerca de 4%
de sais, 96% água puramente dura); e água mineral potável (é a
água de circulação subterrânea, considerada bacteriologicamente
própria, com características físico - químicas estáveis na origem,
dentro da gama de flutuações naturais de que podem eventualmente
resultar efeitos favoráveis à saúde e que se distingue da água de
beber comum - a chamada agua potável) pela sua pureza original e
pela sua composição específica caracterizada pelo teor de
substâncias minerais ou outros constituintes.

Avaliando as condições da qualidade para o uso, as águas naturais


podem ser potável (apresenta padrões mínimos óptimos para o
consumo humano e ou para outras actividades económicas) e água
insalubre (imprópria para o consumo humano)
Hidrogeografia GA106 21

Sumário
Concluímos que, o regime hídrico refere-se ao comportamento do
caudal em diferentes épocas do ano que reage a diversas situações
que a natureza lhe submete.

As águas do mar devido a constante emissão das águas juvenis,


provinda do interior da terra, deveria estar a aumentarem. Este
fenómeno não acontece porque parte da água evaporada é
dissolvida pela luz solar e a outra parte perde-se pelo espaço,
escapando do efeito da gravidade. Deste modo as águas oceânicas
mantêm-se no mesmo nível, digamos.

Atendendo apenas a abordagem supra citada ficamos convencidos


de que, há de facto uma estabilidade, porem, com o fenómeno
actual das mudanças climáticas, caracterizado por um aquecimento
global, protagonizada pela crescente actividade humana, o nível
médio das aguas do mar aumentou e/ou ira aumentar devido ao
derretimento do gelo.

Quanto ao nível do caudal dos rios, lagos e os aquíferos, salientar


que para além de outros factores, estes estão fundamentalmente
dependentes das condições climatéricas da região em que se
localizam.

A origem dos recursos hídricos esta relacionado, segundo teorias,


com as actividades vulcânicas e com os meteoros que atingiram a
terra. Estas teorias explicam o surgimento das águas, porem, é bom
associar estes fundamentos com os agentes da geodinâmica interna
(tectonismo, sismos e vulcanismo) que contribuíram/contribuem
para a modelação da crosta terrestre (aparecimento de depressões),
locais onde as aguas se instalam.

As águas existentes na terra, de acordo com a sua localização e


composição, se distinguem entre si, classificando-se
respectivamente em águas superficiais, subterrâneas, glaciárias,
doce, salgadas e duras.
Hidrogeografia GA106 22

Exercícios
1. Descreve a influência dos glaciares no aumento dos níveis
das águas oceânicas e faça uma análise das suas consequências sob
ponto de vista dos prejuízos dos ecossistemas das fozes dos rios
(tanto da flora como da fauna) e sob ponto de vista social e
económico, atendendo a invasão das águas nas zonas costeiras.

Entregar o exercício 1 desta unidade.


Hidrogeografia GA106 23

Unidade III
Propriedades físicas das águas
naturais

Introdução
Esta unidade ira fornecer pressupostos sobre as propriedades físicas
das águas naturais, destacando, a transparência, a temperatura, a
densidade, a alteração do volume específico, a adesão, a tensão
superficial, a capilaridade, a cor e as propriedades térmicas e
eléctricas. Estas características reflectem as evidências
macroscópicas. Fornecer-nos-a também conhecimentos sobre a
estrutura molecular e os estados da agua.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Descrever as propriedades físicas da água;

 Identificar os componentes da estrutura molecular da agua; e


Objectivos

 Identificar os estados da água e explicar os processos de


transição.

As propriedades físicas das águas

Transparência
É a propriedade que tem os corpos de se deixar atravessar pela luz.
A transparência das águas varia de acordo com o tipo e quantidade
de partículas inorgânicas e orgânicas dissolvidas e em suspensão,
Hidrogeografia GA106 24

contidas nas águas naturais. São estes elementos que reduzem a


penetração da luz, reduzindo a actividade fotossintética.

A transparência vária de alguns cm até 50m. Os instrumentos que


permitem determinar o grau de transparência é chamado de disco
de Secchi e o instrumento de “células fotoelectricas de celenio”.
Quanto maior a absorção da radiação, maior será a transparência
das águas e consequentemente maior será a produtividade de
plâncton.

A transparência das águas é determinada por alguns factores,


nomeadamente, as substâncias orgânicas e inorgânicas dissolvidas
e em suspensão, a profundidade, o estado de tempo (nebulosidade),
e a variação da intensidade luminosa (diurna e anual).

Temperatura
A água pode ser encontrada na natureza em diferentes estados em
função do clima vigente na região onde se encontra o recurso
hídrico. Uma pequena variação da temperatura atmosférica ou do
globo, pode alterar completamente as condições do ciclo
hidrológico, retardando-o, devido à congelação, ou acelerando-o,
intensificando a evaporação com o aumento da temperatura.

Densidade
À temperatura ambiente, a água líquida fica mais densa à medida
que diminui a temperatura, da mesma forma que as outras
substâncias. Mas a 4 °C (ou 3,98 °C mais precisamente), logo antes
de congelar, a água atinge sua densidade máxima e a partir do seu
congelamento a densidade começa a diminuir.
Hidrogeografia GA106 25

Tabela 1 - Densidade da água em gramas por centímetro cúbico em


várias temperaturas

TEMPERATURA (°C) DENSIDADE (g/cm³)

100 0,9584

80 0,9718

60 0,9832

40 0,9922

30 0,9956502

25 0,9970479

22 0,9977735

20 0,9982071

15 0,9991026

10 0,9997026

4 0,9999720

0 0,9998395

−10 0,998117

−20 0,993547

−30 0,983854

Fonte: Google - Wikipédia, a enciclopédia livre

Em grandes massas de água, quando a temperatura nas camadas


superficiais diminui muito e aproxima-se daquele valor (4º C),
estabelecem-se correntes de subsidência que, por seu turno, são
compensadas pela ascensão da água menos densa (mais quente)
proveniente das camadas mais profundas. Esta característica é
importante para a ordem ecológica e é graças a ela que os seres
vivos de regiões glaciares ou sob efeito de invernos rigorosos,
conseguem sobreviver, durante largo tempo. Por outro lado, o
Hidrogeografia GA106 26

movimento daí resultante é responsável pelo equilíbrio térmico


entre as regiões ou superfícies congeladas e as regiões
relativamente mais quentes.

Alteração do volume específico


Esta associada às transições de fase da água, têm consequências
importantes em todo o ciclo. Sabe-se que a água é das poucas
substâncias em que o volume específico aumenta quando se dá a
solidificação, daqui resulta que o gelo pode flutuar nos oceanos, o
que obsta, portanto, a congelação progressiva a partir do fundo dos
oceanos para a superfície das águas, nas regiões polares, como
frequentemente acontece. Este facto é fundamental para a
sobrevivência dos seres vivos nas águas das camadas inferiores das
regiões polares e dos lagos em que se verifica a congelação.

Adesão
A água adere a si mesma por coesão, por ser polar. Pelo mesmo
motivo, também apresenta fortes propriedades de adesão. Numa
superfície de vidro muito limpa, a água ali depositada pode formar
uma fina camada, porque as forças moleculares entre o vidro e a
água (forças adesivas) são mais fortes que as coesivas.

Figura 1- Gotas de orvalho aderidas a uma teia de aranha

Fonte: Internet – Google

Tensão superficial
Hidrogeografia GA106 27

A água tem uma alta tensão superficial, causada pela forte coesão
entre as moléculas. Isso é perceptível quando se deposita uma
pequena quantidade de água sobre uma superfície não solúvel como
a do polietileno; a água se mantém reunida em gotas.
O outro efeito da tensão superficial são as ondas capilares, que são
as ondulações que se formam ao redor do impacto de gotas na
superfície da água, e às vezes ocorrem quando sobem correntes
fortes de água sob a superfície. A aparente elasticidade causada
pela tensão superficial é o que move as ondas.

Figura 2 – O impacto de uma gota de água provoca uma


repercussão "para cima" circular rodeado por ondas capilares

Fonte: Internet – Google

Figura 3 - Exemplo da manifestação da tensão superficial: Uma


margarida abaixo do nível da água, que forma uma superfície curva
acima dela. É a tensão superficial que impede que a água submerja
a flor.
Hidrogeografia GA106 28

Fonte: Internet – Google

Capilaridade
Refere-se a capacidade que a água tem de ascender à superfície por
capilaridade contra a força de gravidade, fazendo com que ela
mantenha os solos húmidos mesmo nos períodos secos; permite
também que as plantas absorvam a água dos lençóis freáticos.

Cor
Em óptica, a cor é uma sensasão fisiológica provocada pela acção
da luz incidente numa região da retina sobre os pigmentos dos
cones dessa região. Ela está relacionada com certa qualidade da
mesma luz que a produz, qualidade que pode ser rigorosamente
definida pela sua composição espectral. Para o caso particular das
águas naturais, esta varia de manancial para manancial.

A água do mar apresenta uma cor variável devido a nebulosidade,


natureza do fundo das regiões próximas do litoral. Mesmo assim, o
mar é tanto mais azul quanto mais límpida estiverem as suas águas.

A cor natural das águas do mar é azul porque as radiações azuis no


espectro solar são as menos absorvidas e que, por isso, sofrem
maior dispersão, penetram a maiores profundidades, ou seja, são
reflectidas como se dá na atmosfera.

Existem mares que não possuem a cor azul, este facto é devido às
infinidades de partículas que contém em suspensão (orgânicas e
inorgânicas), os inúmeros e pequeníssimos seres platónicos e os
detritos inorgânicos arrancados pelas águas do mar às costas e os
que os ventos e os rios estão constantemente a lançar no mar,
alteram a cor natural das águas do mar e tornam-nas esverdeadas e
diminui-lhes a transparência. Tais partículas possuem coloração
esverdeada e conclui-se que as águas azuis são pobres em plâncton.
Hidrogeografia GA106 29

Observe como a cor da água vária em função da latitude:

 Região equatorial e tropical – águas azuis.


 Nas regiões de latitude média e altas, apresentam sempre
uma cor esverdeada devido a abundância das diatomácias
(algas microscópicas). A mesma latitude, nas zonas de
grandes desertos, as águas apresentam um tom azul vivo
devido a uma penúria da matéria orgânica e da vida. Diz-se
que o azul é a cor dos desertos nos oceanos.
 Perto da costa onde, finas partículas de lodo estão com
frequência em suspensão, a água é turva, de cor amarela-
esverdeada e, por vezes, vermelha conforme a cor dos
sedimentos. Por vezes na embocadura dos rios é nítido o
limite entre as águas costeiras e as águas dos rios, como
acontece na embocadura dos rios Púnguè e Búzi, na baía de
Mazanzane em Sofala.

As vezes as águas do mar apresentam na sua superfície cores como


branco (mar de leite) e vermelho (mar de sangue).

A cor branca deve-se a multiplicação de plâncton em quantidade, o


que faz com que a superfície tenha um aspecto de gelatina
esbranquiçada.

Se certos organismos de plâncton de cor vermelha adquirem um


certo desenvolvimento excessivo, as águas tomam uma cor
vermelha – mar vermelho; apresentam algumas vezes uma cor
avermelhada devido a abundância de algas denominadas
trichodesmium.

A cor das águas dos lagos vária consoante a nebulosidade, tipo de


nuvens e fundamentalmente, a existência de partículas orgânicas e
inorgânicas que lhes emprestam determinadas cores.
Hidrogeografia GA106 30

As diferentes tonalidades adquiridas pelas águas dos lagos são mais


notáveis nos períodos de chuvas, onde a actividade erosiva e de
transporte é bastante elevada.

A cor das águas dos lagos pode variar, entre azul-marinho (quando
o céu estiver limpo e se não houver muitos organismos vivos), e um
esverdeado turvo para vermelho quando se regista predominância
de phitoplacton e quando o escoamento é excessivo.

A cor da água dos rios conhece variações locais e sazonais, isto é,


de acordo com o tipo de materiais detríticos dissolvidos ou em
suspensão que arrastam consigo, assim como com o regime das
chuvas. No tempo chuvoso, os rios apresentam cores que variam
entre vermelho e castanho sem deixarem de ser turva. Quando
transportam no seu leito quantidades consideráveis de material
detrítico de origem vegetal, podem apresentar uma cor esverdeada.
Está claro que se as condições atmosféricas forem calmas e o rio
apresentar uma boa profundidade, as suas águas tendem para o azul
que pode ter várias tonalidades.
A cor das águas sólidas (glaciares) tendem, quase sempre, a
apresentar uma cor esbranquiçada. Esta particularidade estará
relacionada com o seu albedo bastante elevado (80%) que são
superficiais e que fisicamente absorvem muito pouca energia solar,
aliás, elas devolvem-na para a atmosfera.

Condutibilidade eléctrica
A condutividade eléctrica de uma solução é uma medida da
quantidade de carga transportada pelos iões. Quando a fonte de iões
provém de impurezas a condutividade transforma-se numa medição
de pureza. Quando menor a condutividade, mais pura é a solução.

Água como matéria e sua estrutura molecular


O mundo em que vivemos apresenta uma grande variedade de
Hidrogeografia GA106 31

formas, cores, temperaturas, movimentos, entre outras propriedades


e através dos órgãos dos sentidos, percebemos que podemos tocar
uma pessoa, uma planta, a água e outras que apenas sentimos como
o ar e a humidade.
A água e todas outras substancias supra citadas por mais diferente
que possam parecer todas ocupam um lugar no espaço, são feitas de
matéria.

Matéria é tudo aquilo que possui massa e ocupa um lugar no


espaço e a água como matéria apresenta estas características. A
matéria água é composta por moléculas e átomos.

É possível perceber que a matéria pode existir em três estados


físicos diferentes, o sólido, o líquido e o gasoso. É também possível
verificar que alguns corpos podem mudar de estado físico, ou seja,
deixar de ser sólido e passar para líquido e do líquido passar para o
estado gasoso. Um exemplo disso é a água, que pode existir no
estado sólido (como gelo), no estado líquido (como água), ou no
estado gasoso (como vapor).

Sobre a estrutura molecular salientar cada molécula de água é


composto por dois átomos de hidrogénio (H) ligado a um átomo de
oxigénio (O). A molécula de agua é a menor partícula que pode
existir na substancia química agua. Por exemplo: imagine uma gota
de agua que você divide em partes e uma dessas partes você
continua dividindo ate chegar na menor porção da substancia agua.
A essa menor porção se dá o nome de molécula da água.

A partir desse exemplo podemos extrair a própria definição de


molécula: “ […] é a menor porção de uma substancia, tendo a
mesma composição desta substancia”. (BARROS e PAULINO
2001, p. 106)

Assim, a substancia química agua é constituída por um conjunto de


moléculas de agua e esta substancia é insípida (sem gosto), inodoro
Hidrogeografia GA106 32

(sem cheiro) e incolor (sem cor, é transparente). As moléculas são


ainda constituídas por partículas menores, os átomos, neste caso a
molécula de água é composto por átomos de hidrogénio e oxigénio.

O estado físico de toda substancia e em particular da água depende


da arrumação de suas moléculas e de seus átomos, isto é, depende
de como se organizam as suas minúsculas partes constituintes e
essa organização depende das condições a que determinada
substancia esta submetida.

A organização molecular da agua no estado sólido as moléculas de


agua encontram-se fortemente ligadas entre si, vibrando em torno
de posições fixas; no estado líquido as moléculas de água não ficam
tão próxima entre si como no estado sólido, vibram mais
intensamente, livremente e escorregam uma sobre as outras; e
finalmente no estado gasoso as moléculas de água apresenta grande
distancia umas das outras e em movimento totalmente desordenado,
chocando-se entre si.

Figura 4 – Estrutura molecular da água

Fo
nte: Internet – Google
Hidrogeografia GA106 33

O estado da água
Podemos encontrar a agua na natureza sob três estados, com
destaque para, o estado liquido, gasoso e sólido. A água no estado
líquida encontramos em zonas de clima quente (zona intertropical)
e em algumas épocas do ano (de Julho a Dezembro a temperatura
aumenta no hemisfério sul e de Janeiro a Junho o mesmo fenómeno
acontece no hemisfério norte) em clima temperado (zona
temperada) estão distribuído nos oceanos, mares, rios, lagos, nos
seres vivos entre outros locais; a água no estado gasoso é aquelas
que encontramos em forma de vapor contido no ar. Esta água pode-
se encontrar distribuído em toda troposfera apenas diferenciando-se
em proporções nas diferentes regiões climáticas, sendo
predominante na região intertropical. O vapor de água que se forma
na terra e vai para o ar tem sua origem na evaporação da água dos
mares, rios, lagos e ate na transpiração dos seres vivos. A água
evaporada se condensa e se transforma em gotículas. Essas
gotículas vão se juntando formando as nuvens; e a água no estado
sólido é aquela que se encontra em forma de gelo. Podemos
localiza-las em regiões de clima frios e em algumas épocas do ano
(de Julho a Dezembro a temperatura diminui no hemisfério norte e
de Janeiro a Junho o mesmo fenómeno acontece no hemisfério sul)
no clima temperado. A água neste estado é encontrada em forma de
neve, granizo, geada e icebergs.
Para a passagem de um estado para o outro a água obedece certos
processos de acordo com a temperatura a ela submetida,
nomeadamente, a solidificação (passagem do estado liquido para o
sólido); a fusão (passagem de uma substancia do estado sólido para
o liquido); a vaporização (passagem da agua do estado liquido para
gasoso). Este processo pode ocorrer em forma de ebulição ou
evaporação; a liquefacção ou condensação (passagem da agua do
estado gasoso para o liquido); e sublimação (passagem da agua do
estado sólido para o gasoso ou vice - versa).
Hidrogeografia GA106 34

Figura 5 – Estados e processos de transição da água

Fonte: Internet - Google

Densidade
A densidade é a propriedade física da matéria que descreve o grau
de compactação das substâncias. Para conhecermos o grau de
compactação das substâncias e em particular da água devemos
partir da seguinte definição: “densidade de uma substancia é a
razão entre a massa e o seu volume […] D = m : V” (BARROS e
PAULINO 2001, p. 131). Para medirmos a massa de uma
substancia ou de um corpo devemos colocar a substancia numa
balança (a unidade de massa miligrama - mg, grama - g e
quilograma - kg) e para saber o volume podemos usar um copo ou
jarra graduada que apresentam marcas que indicam a unidade em
centímetros cúbicos (cm3) ou milímetros (ml): 1 cm3 = 1ml. Quanto
mais compactadas estiverem as suas partículas individuais, mais
densa é essa substância.
Hidrogeografia GA106 35

Diferentes substâncias têm diferentes densidades, o que é bastante


útil para a sua identificação. A densidade das substâncias é
determinada experimentalmente mas o valor obtido é variável
porque o volume das substâncias vária com pressão e a
temperatura. Algumas substâncias como a madeira, o óleo, a
gasolina tem diferentes densidades, pois há diferentes substancia
destes tipos.

Portanto as substancias mais densas são mais pesadas que as menos


densas (“leves”) ou, as substancia mais densas apresentam maior
quantidade de matéria (massa) por unidade de volume (ser mais
pesado significa ter mais massa) e as substancias menos densas tem
menor quantidade de matéria por unidade de volume.

Em cada substancia a matéria pode estar mais concentrada ou


menos concentrada dependendo da proximidade entre os seus
átomos ou as suas moléculas. Por exemplo comparando a agua e o
óleo, notamos que as moléculas da agua estão mais
concentrada/próxima umas das outras que as do óleo.

Tabela 2 – Variação da densidade de acordo com o tipo de


substancia
SUBSTANCIA DENSIDADE

Água doce 1 g/cm3

Água do mar 1,03 g/cm3

Gelo 0,91 g/cm3

Gasolina 0,7 g/cm3

Álcool 0,8 g/cm3


Hidrogeografia GA106 36

Petróleo 0,85 g/cm3

Óleo 0,9 g/cm3

Ar 0,0013 g/cm3

Cortiça 0,24 g/cm3

Vidro 2,6 g/cm3

Madeira 0,5 g/cm3

Mercúrio 13,6 g/cm3

Alumínio 2,7 g/cm3

Ferro 7,8 g/cm3

Chumbo 11,3 g/cm3

Ouro 19,3 g/cm3

Fonte: extraído do livro: ciências: o meio ambiente

Propriedades térmicas e eléctricas


Os recursos hídricos apresentam grande capacidade de conservação
da temperatura, ela aquece e arrefece mais lentamente
relativamente a superfície terrestre.

A temperatura das águas resulta da troca de calor entre o oceano e a


atmosfera. Este calor é emitido pela radiação solar, onde o oceano
recebe a luz do sol e emite uma radiação infravermelha. Estas
trocas fazem-se igualmente por condução, como por exemplo
quando uma corrente quente circula sobre uma massa de ar frio,
como é o caso da corrente do golfo sobre as massas de ar polar de
Canadá. Por último essas trocas produzem-se em especial sobre
forma de calor latente (a evaporação da agua retira o calor da agua
e liberta-o para a atmosfera).
Hidrogeografia GA106 37

Nas zonas tropicais as águas absorvem um excesso de calor da


ordem dos 100W/m2 e nas latitudes elevadas restitui o calor a
atmosfera. É sobretudo por este motivo que o clima é mais suave
no inverno nas zonas próximas ao oceano em particular (por se
constituírem grandes e contínuos reservatórios de agua
diferentemente dos rios, lagos e pântanos) do que nas zonas
continentais.
Quanto as propriedades eléctricas da água, salientar que este
apresenta fraca ou forte condução dependendo dos seus
componentes. A condução é fraca quando há grande concentração
de sais (sulfatos, sódio, cloreto, entre outros) e quando temos
grande concentração de metais a água passa a ser bom condutor de
electricidade (ver apontamentos sobre a condutividade eléctrica da
agua).

A condutividade eléctrica da água


Define-se como sendo a capacidade que a água tem em conduzir a
corrente eléctrica, que resulta da dissolução das moléculas que
compõe a água. As moléculas não dissociadas não tomam parte na
condução e a condutibilidade depende do número de iões presentes.
Portanto, a condutibilidade resulta do movimento de iões na água:
os catiões (+) deslocam-se para os cátodos (-) e os aniões (-) para
ânodos (+).

A água que se encontra na natureza nunca é pura por excelência,


ela contém sempre substâncias estranhas. A água dos mares,
oceanos, rios são fortes ou fracos condutores de acordo com a
quantidade de óxidos e bases e outras substâncias sólidas.

As águas subterrâneas são fortes condutores de acordo com a


quantidade de ácidos e sais e outras substâncias sólidas
concentradas. A impureza transforma a água num condutor
eléctrico.
Hidrogeografia GA106 38

A temperatura também é determinante na condutibilidade da água.


Por exemplo, o oceano mundial apresenta uma condutibilidade que
é inversamente proporcional a latitude, isto é, há maior
condutibilidade em regiões de latitude baixa (zonas quentes) que
nas de altas latitudes (zonas frias). Acredita-se que há maior
salinidade nas região intertropical pelos níveis de evaporação
existente, e de acordo com Jessen (1998, p.16) “a uma dada
temperatura, quanto maior for a salinidade, maior será a
condutividade media […]”. Nas águas do mar a condutibilidade
eléctrica é largamente utilizada para a determinação da salinidade.

Sumário
Todo corpo apresenta particularidades que o identifica e com a
água não é diferente. Ela é caracterizada fisicamente por apresentar
em temperatura ambiente de 4º C uma maior densidade e abaixo
desta (no estado sólido) a densidade diminui, facto que é pouco
comum com outros corpos na natureza.

A água possui a capacidade de deixar passar a luz, designado por


transparência. Ela varia de acordo com os níveis de substâncias
nela dissolvidas; a sua temperatura vária em função da zona em que
a massa aquática se localiza, assim, nas regiões polares elas são
frias e nas equatoriais tornam-se quentes.

A água altera o seu volume específico também sob as condições


que estiver sujeito, deste modo, quando a temperatura ambiente é
inferior ao 4º C ela começa a congelar e o seu volume aumenta,
podendo flutuar na água no estado líquido.

A adesão é outra característica das águas. Elas tem a capacidade de


unirem-se quando espalhadas; a tensão superficial que resulta da
Hidrogeografia GA106 39

forte adesão entre as moléculas da água faz com que esta tenha uma
característica, a superfície, semelhante ao elástico.

A água é também caracterizada por apresentar a cor, a capilaridade


e a condutividade eléctrica. A primeira varia em função das
substâncias existentes na água, por exemplo, quando as aguas
apresentarem uma cor esverdeada ou avermelhada ela tende a
adoptar estas cores; a segunda corresponde a capacidade da água
ascender a superfície por forças capilares, isto é, ascende a
superfície contrariando a lei gravitação universal; e a terceira
corresponde a capacidade que a agua tem de conduzir a corrente
eléctrica, sendo maior quanto maior quantidade de substancias
tanto orgânicas e inorgânicas dissolvida nela.

Na natureza a agua tem o seu lugar, facto que o faz ser considerada
uma matéria. Ela, em função da temperatura ambiente, comporta os
três estados (liquido, gasoso e sólido), caso raríssimo.

Exercícios
Entregar o exercício 1, 2 a) e 3 desta unidade.

1. Explica por palavras próprias e com mais subsídios a tensão


superficial, a adesão, a capilaridade e a capacidade térmica
da água.
2. Investigue o seguinte: defende-se que várias propriedades
peculiares da água, como, a flutuação do gelo, o elevado
calor de vaporização, a forte tensão superficial, o alto calor
específico e as propriedades solventes quase universais são
devidas às ligações de hidrogénio.
Hidrogeografia GA106 40

a) Explique porque.
3. Aborde com pormenores o porquê da maior condutividade
eléctrica no momento em que maior é o índice das
substâncias dissolvidas nas águas.

Unidade IV
Propriedades químicas das águas
naturais

Introdução
Nesta unidade falaremos sobre as características químicas das
águas naturais, no que respeita, ao sabor, a dureza e ao cheiro.
Abordaremos ainda sobre a sua capacidade de dissolução, o ciclo
hidrológico e as impurezas existente nas águas e sua origem.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Descrever as características químicas das águas naturais;

 Explicar a capacidade de dissolução da água;


Objectivos
 Conhecer as origens das impurezas existentes nas águas; e

 Descrever o ciclo hidrológico.

As propriedades químicas das águas


Hidrogeografia GA106 41

Quimicamente a água nunca ocorre na natureza de forma pura


devido ao contacto que tem com outros elementos químicos que se
encontram nas rochas, solos e atmosfera. Os que passam por rochas
dissolvem minerais de silício, magnésio, cálcio e influenciam as
águas, tornando-as minerais.

Dentre as características químicas da água, destacam-se:

Dureza
Define-se como a capacidade da água de reagir ao sabão. Quando a
água é dura requer grande quantidade deste produto para produzir
espuma. Esta característica é causada pelos iões metálicos
dissolvidos na água como o cálcio, magnésio, ferro e alguns outros.
De um modo geral, a dureza da água calcula-se em termos de
quantidade equivalente de carbonato de cálcio e segundo a variação
deste componente, a água classifica-se em branda, quando a
concentração for de 0-60 mg/l, medianamente dura quando for 60-
120 mg/, dura 120-180 mg/l e muito dura 180 mg/l ou mais.

Sabor e odor
Na forma pura a água é insípida e inodora, porém a interferência de
substâncias estranhas pode lhe proferir um sabor e um cheiro
particular.

Água como dissolvente


Dificilmente a água é encontrada em estado de pureza na natureza
isto porque a água é um solvente poderoso, ou seja, tem a
capacidade de dissolver inúmeras substâncias (gases, sais, etc).

As substâncias que se misturam bem e se dissolvem na água, como,


os sais (o sal é resultante da combinação de um acido e um
hidróxido; o exemplo mais conhecido é o cloreto de sódio, vulgo
sal da cozinha (NaCl); os sais tem sabor salgado e em alguns
Hidrogeografia GA106 42

momentos amargo (sulfato de magnésio – MgSO4)) são conhecidas


como substâncias hidrossoluveis, ao passo que as que não se
misturam bem em água, como por exemplo, gorduras e óleos são
chamadas hidrofóbicas. A capacidade de uma substância se
dissolver em água depende de ela poder ou não igualar ou superar
as grandes forças atractivas que as moléculas de água exercem
umas sobre as outras. Se uma substância tiver propriedades que a
impeçam de superar essas grandes forças intermoleculares, suas
moléculas são “expulsas” da água, e não se dissolvem.

Quando um composto iónico ou polar entra em contacto com a


água, é rodeado por moléculas de água (hidratação). O tamanho
relativamente pequeno das moléculas de água tipicamente permite
que muitas delas rodeiem uma única molécula de soluto. As
extremidades parcialmente negativas do dipolo da água são atraídas
pelos componentes positivamente carregados do soluto, e vice-
versa com as extremidades positivas.

Em geral, substâncias iónicas e polares como ácidos (normalmente


tem sabor azedo, como, o limão e o vinagre; eles tem a capacidade
de alterar a cor de certas substancias e servem para testar alguns
metais), álcoois (OH) e sais são relativamente solúveis em água, e
substâncias apolares como gorduras e óleos, não. Moléculas
apolares permanecem juntas na água porque é energeticamente
mais favorável para as moléculas de água ligar-se umas às outras
por ligações de hidrogénio que se envolverem com as moléculas
apolares.

Um exemplo de soluto iónico é o sal de cozinha; o cloreto de sódio,


NaCl, se separa em catiões Na+ e aniões Cl−, cada um rodeado por
moléculas de água. Os iões são então facilmente separados de sua
rede cristalina. Um exemplo de soluto não iônico é o açúcar
comum. Os dipolos da água criam ligações de hidrogénio com as
Hidrogeografia GA106 43

regiões polares da molécula de açúcar (grupos OH) e lhe permitem


ser misturada na solução.

As dissoluções em que a água é dissolvente apresentam uma


extrema importância, pois, permitem a obtenção dos produtos
usados no nosso dia-a-dia. Por exemplo:

“formol (agua + aldeido fórmico) – usado principalmente em


laboratórios na conservação de animais ou fetos mortos, para serem
estudados; limpa – forno (agua + hidróxido de sódio) – usado para
remover gorduras;” (BARROS e PAULINO 2001, p. 126). Para
destas substâncias temos o vinagre e a água sanitária.

As dissoluções em que a água participa também são fundamentais


para a manutenção da vida no organismo. Veja alguns exemplos:

“[…] as plantas absorvem sais minerais do solo […]. Os sais


minerais, porem, são absorvido pelas raízes apenas quando
estão dissolvidos em água; o sangue é, na verdade, uma mistura
heterogénea. Visto a olho nu, tem um aspecto uniforme, mas ao
microscópio revela uma parte líquida (plasma sanguíneo) em
que estão imersos inúmeros globos vermelhos, glóbulos
brancos e plaquetas. O plasma sanguíneo ‘e principalmente
constituído de água. Dissolvida nesta água, encontram-se
varias substancias: glicose, vitaminas, etc. essas substancias,
fundamentais para a nossa vida, são absorvido no intestino e
distribuídas para as varias partes do corpo. Assim, a água do
sangue actua como um veículo de transporte e distribuição de
substâncias úteis nela dissolvida”. (idem)

As impurezas da água e sua origem


A poluição da água compromete o seu uso e pode atingir o homem
de forma directa, pois ela é usada por ele para ser bebida, higiene
pessoal, lavagem de roupas e utensílios e, principalmente, para sua
alimentação e dos animais domésticos. Além disso, abastece as
cidades, sendo também utilizada nas indústrias e na irrigação
agrícola. Por isso, a água deve ter aspecto limpo, pureza de gosto e
estar isenta de microrganismos patogénicos, o que é conseguido
através do seu tratamento, desde da recolha nos rios até à chegada
nas residências urbanas ou rurais. A água é considerada de boa
Hidrogeografia GA106 44

qualidade quando apresenta menos de mil coliformes fecais e


menos de dez microrganismos patogénicos por litro (como aqueles
causadores de verminoses, cólera, esquistossomose, febre tifoide,
hepatite, leptospirose, poliomielite). Portanto, para a água se
manter nessas condições, deve evitar-se sua contaminação por
resíduos, sejam eles agrícolas (de natureza química ou orgânica),
esgotos, resíduos industriais ou sedimentos provenientes da erosão.

Sobre a contaminação agrícola há a considerar os resíduos do uso


de agro tóxico (comum na agropecuária), que provêm de uma
prática muitas vezes intensiva nos campos, que envia grandes
quantidades de substâncias tóxicas para os rios através das chuvas,
o mesmo ocorrendo com a eliminação do esterco de animais
criados em pastagens. No primeiro caso, há o uso de adubos,
muitas vezes exagerado, que acabam por ser carregados pelas
chuvas aos rios, acarretando o aumento de nutrientes nestes pontos;
isso propicia a ocorrência de uma explosão de bactérias
decompositoras que consomem oxigénio, contribuindo para
diminuir a concentração do mesmo na água, produzindo sulfeto de
hidrogénio, um gás de cheiro muito forte que é tóxico quando a
concentração é elevada. Isso também afecta as formas superiores de
vida animal e vegetal, que utilizam o oxigénio na respiração, além
das bactérias aeróbicas, que são impedidas de decompor a matéria
orgânica sem deixar odores nocivos através do consumo de
oxigénio.

Os resíduos gerados pelas indústrias, cidades e actividades


agrícolas podem ser sólidos ou líquidos, tendo um potencial de
poluição muito grande. As impurezas geradas pelas cidades, como
resíduos, entulhos e produtos tóxicos são carregados para os rios
com a ajuda das chuvas. Os resíduos líquidos podem carregar
poluentes orgânicos que, em pequena quantidade, são mais fáceis
de ser controlados do que os inorgânicos. As indústrias produzem
grande quantidade de resíduos em seus processos, sendo uma parte
Hidrogeografia GA106 45

retida pelas instalações de tratamento da própria indústria, que


retêm tanto resíduos sólidos quanto líquidos, e a outra parte
despejada no ambiente. No processo de tratamento dos resíduos
também é produzido outro resíduo chamado chorume, um líquido
que requer segundo tratamento e controle. As cidades podem ser
ainda poluídas pelas enxurradas, pelos resíduos e pelo esgoto.

Enfim, a poluição das águas pode aparecer de vários modos,


incluindo a poluição térmica (descarga de efluentes as altas
temperaturas), poluição física (descarga de material em suspensão),
poluição biológica (descarga de bactérias patogénicas e vírus), e
poluição química, que pode ocorrer por deficiência de oxigénio,
toxidez e eutrofização.

A eutrofização é causada por processos de decomposição que


fazem aumentar o conteúdo de nutrientes, aumentando a
produtividade biológica, permitindo proliferações periódicas de
algas, que tornam a água turva e com isso podem causar deficiência
de oxigénio pelo seu apodrecimento, aumentando sua toxicidade
para os organismos que nela vivem (como os peixes, que aparecem
mortos junto a espumas tóxicas).

A poluição de águas nos países ricos é resultado da forma como a


sociedade consumista está organizada para produzir e desfrutar de
sua riqueza, progresso material e bem-estar. Já nos países pobres, a
poluição é resultado da pobreza e da ausência de educação de seus
habitantes, que, assim, não têm base para exigir os seus direitos de
cidadãos, o que só tende a prejudicá-los, pois esta omissão na
reivindicação de seus direitos leva à impunidade às indústrias, que
poluem cada vez mais, e aos governantes, que também se
aproveitam da ausência da educação do povo e, em geral, fecham
os olhos para a questão, como se tal poluição não atingisse também
a eles. A Educação Ambiental vem justamente resgatar a cidadania
para que o povo tome consciência da necessidade da preservação
Hidrogeografia GA106 46

do meio ambiente, que influi directamente na manutenção da sua


qualidade de vida.

Quanto maior é a qualidade da água de um rio, ou seja, quanto mais


esforços forem feitos no sentido de que ela seja preservada (tendo
como instrumento principal de conscientização da população a
Educação Ambiental), melhor e mais barato será o tratamento desta
e, com isso, a população só terá a ganhar. Novas técnicas vêm
sendo desenvolvidas para permitir a reutilização da água no
abastecimento público.

A água da distribuição pública em países desenvolvidos é tratada,


sendo por isso normalmente muito boa para consumo e até mais
controlada que a água engarrafada, sendo uma fonte mais ecológica
e muito mais barata. Por vezes nalguns países a própria água
engarrafada provém da torneira, sendo apenas filtrada. No entanto,
normalmente nalguns países com problemas de poluição ou sem
fácil acesso a água potável, pode suceder ser contaminada por
substâncias químicas tóxicas ou por microrganismos prejudiciais à
saúde pública. Mesmo algumas substâncias, consideradas
indispensáveis ao consumo, podem ser tóxicas se a sua
concentração for excessiva, como é o caso do flúor, que pode
causar a fluorose. Pode ocorrer excesso de concentração cloro,
flúor ou outras substâncias utilizadas no tratamento. No entanto,
devido às baixas dosagens utilizadas no tratamento e ao controle do
processo de tratamento esse tipo de ocorrência tende a ser pequeno.

As formas mais comuns de contaminação decorrem da presença de


poluentes ou de microrganismos despejados nos mananciais. Esse
tipo de contaminação é mais frequente em localidades que não
possuem tratamento de água, mas em alguns casos, podem ocorrer
mesmo em água tratada, devido a falhas no processo de
abastecimento ou pela presença de poluentes que não possam ser
removidos pelo processo de tratamento normal.
Hidrogeografia GA106 47

Em muitos casos os contaminantes podem estar presentes mesmo


em águas minerais engarrafadas — as fontes de água mineral
podem encontrar-se em regiões sujeitas à presença de poluentes
que se infiltram no lençol freático e, mesmo após a filtração das
rochas, podem ainda estar presentes no ponto de colecta.

Entre os contaminantes, podem ser encontradas bactérias,


protozoários e fungos patogénicos, toxinas produzidas por algas ou
por decomposição de animais ou resíduos (chorume) como os
nitratos. Além disso, toda a espécie de compostos químicos que são
agressivos à vida, decorrentes de despejos industriais, podem
ocorrer, tais como fenóis, compostos clorados utilizado na indústria
papeleira, hidrocarbonetos presentes em solventes e tintas e muitos
outros. Enfim também podem ser encontrados Metais pesados
dissolvidos na água, formando iões como crómio (VI), que são
altamente cancerígenos e compostos de chumbo e de mercúrio, que
podem provocar diversos tipos de doenças.

O plástico tem como matéria-prima o petróleo e o gás natural, dois


recursos não renováveis. Para além disso, são usadas mais de 1,5
milhões de toneladas de plástico só para fabricar garrafas de água.

O plástico liberta algumas toxinas e, contrariamente ao que muitos


pensam, algumas substâncias podem ser mais difíceis de controlar
na garrafa do que na torneira, uma vez que estas se armazenam
durante períodos mais longos e a temperaturas mais altas,
aumentando até níveis tóxicos a concentração de microrganismos
que em pequenas concentrações não são prejudiciais à saúde.

Quando as garrafas de plástico não são recicladas, podem ir para


aterros sanitários. O mundo está cheio de aterros sanitários e, como
as garrafas de plástico se decompõem a uma velocidade muito
baixa, permanecerão nos aterros por muitas centenas de anos.
Actualmente o processo de reciclagem de resíduos movimenta uma
Hidrogeografia GA106 48

grande indústria, evitando que este problema se acentue. Há, no


entanto, deposição de garrafas de água em zonas mais inacessíveis
à sociedade ocidental, o que se revela um problema de poluição
grave.

O ciclo hidrológico
Citando Studart e Campos (s/d p. 2 - 4):

“A água diferencia-se dos demais recursos naturais pela


notável propriedade de renovar-se continuamente, graças ao
ciclo hidrológico. Embora o movimento cíclico da água não
tenha princípio nem fim, costuma-se iniciar seu estudo
descritivo pela evaporação da água dos oceanos, seguida de
sua precipitação sobre a superfície que, colectada pelos cursos
d’ água, retorna ao local de partida. A descrição acima
simplifica sobremaneira o processo que realmente ocorre […]
uma vez que não estão computadas as eventuais interrupções
que podem ocorrer em vários estágios (Ex. precipitação sobre
o oceano) e a íntima dependência da intensidade e frequência
do ciclo hidrológico com a geografia e o clima local.

Alguns tópicos podem ser destacados:

1. O sol constitui-se na fonte de energia para a realização do


ciclo. O calor por ele liberado actua sobre a superfície dos
oceanos, rios e lagos estimulando a conversão da água do
estado líquido para gasoso.

2. A ascensão do vapor d’ água conduz à formação de


nuvens, que podem se deslocar, sob a acção do vento, para
regiões continentais.

3. Sob condições favoráveis a água condensada nas nuvens


precipita (sob forma de neve, granizo ou chuva) podendo
ser dispersada de várias formas:

 Retenção temporária ao solo próximo de onde caiu;

 Escoamento sobre a superfície do solo ou através do


solo para os rios;
Hidrogeografia GA106 49

 Penetração no solo profundo.

4. Atingindo os veios d’ água, a água prossegue seu caminho


de volta ao oceano, completando o ciclo.

5. As depressões superficiais porventura existentes retêm a


água precipitada temporariamente. Essa água poderá retornar
para compor fases seguintes do ciclo pela evaporação e
transpiração das plantas.

6. O escoamento superficial e subterrâneo decorrem da acção


da gravidade, podendo parte desta água ser evaporada ou
infiltrada antes de atingir o curso d’ água.

7. Atingindo os veios d’água, a água prossegue seu caminho de


volta ao oceano, completando o ciclo.

8. A evaporação acompanha o ciclo hidrológico em quase todas


as suas fases, seja durante a precipitação, seja durante o
escoamento superficial.

Dotado de certa aleatoriedade temporal e espacial, o ciclo


hidrológico configura processos bem mais complexos que os
acima descritos. Uma vez que as etapas precedentes à
precipitação estão dentro do escopo da meteorologia, compete
ao hidrólogo conhecer principalmente as fases do ciclo que se
processam sobre a superfície terrestre, quais sejam,
precipitação, evaporação e transpiração, escoamento superficial
e escoamento subterrâneo”.

Figura 6 – Ciclo Hidrológico


Hidrogeografia GA106 50

Fonte: DNAEE, citando Studart e Campos

O ciclo hidrológico é uma sequência fechada de fenómenos em que


o globo cede a atmosfera a água em estado de vapor e que depois
esta é devolvida ao globo no estado líquido ou sólido, estando
parcialmente retida à superfície, infiltra-se ou escoa-se.

Tanto a água que fica parcialmente retida no solo, que se infiltra ou


que se escoa para os hidrometeoros (superfícies líquidas, lagos,
oceanos, etc), volta de novo a evaporar-se. Este ciclo é fechado e
constante.

Designa-se por pequeno ciclo ou marítimo, quando uma molécula


de água é evaporada do oceano e a ele retorna, precipitada pelas
chuvas, isto é, a água do oceano passa para a atmosfera por
evaporação, regressando ao oceano através das precipitações.

Neste processo evapora-se cerca de 334.000 Km³ de água por ano,


das quais 297.000 Km³ é a que realmente é precipitada
Hidrogeografia GA106 51

directamente para o mar e os restantes 37.000 Km³ estão ligado ao


balanço do grande ciclo continental.

No grande ciclo hidrológico (ou continental), a molécula de água é


evaporada do oceano, precipitada pelas chuvas, podendo se infiltrar
pelo solo adentro, ao cair no continente, ser absorvida pelas plantas
que em pouco tempo devolverão a mesma molécula à atmosfera,
podendo então, directa ou indirectamente, por meio dos regatos e
rios retornar ao oceano. Isto é, a água evaporada do mar move-se
através da atmosfera até aos continentes onde chega através das
precipitações. Significa que a água segue duas vias, sendo uma para
a atmosfera e a outra pela qual a água circula através de sistemas de
drenagem superficial e subterrâneo, alcançando os rios e o oceano.

No ramo continental ocorre uma forte interacção entre a hidrosfera


e a litosfera, interacção essa que ocorre sob forma de erosão,
transporte e acumulação de sedimentos.

A precipitação anual sobre a terra firme (continentes e ilhas),


corresponde a mais de 110.000 Km³ de água, dos quais 65% são
devolvidas à atmosfera através da evapotranspiração, enquanto a
parte restante, correspondente a cerca de 39.000 Km³, se reparte
entre o escoamento superficial e subterrâneo na proporção de 70%
e 30%, respectivamente.

Sumário
Como vimos no decorrer da unidade, dentre as propriedades
químicas da água, destacam-se, a dureza, o cheiro e o sabor. A
dureza é manifesta pela existência, na água, teores de cálcio, ferro e
magnésio e é caracterizada pela dificuldade que estas águas têm de
reagir com o sabão; o cheiro e o sabor são resultados das
substâncias químicas dissolvidas nelas.
Hidrogeografia GA106 52

A água na natureza não se encontra no estado de pureza por ela ser


um forte dissolvente (capacidade de misturar com gases e líquidos).
Ela é capaz de se misturar com alguns elementos químicos
formando o vinagre, a água sanitária, por exemplo, é responsável
pela dissolução de sais minerais que as plantas consomem, para
além do nosso corpo ser composto em grande medida de água que
também dissolve várias substâncias que nos serve de manutenção.

Devido a acção humana, a água na natureza tem sofrido uma


crescente degradação, na medida em que são emitidos pelas
indústrias materiais sólidos e líquidos (com qualidades químicas
destrutivas) para os rios, lagos ou oceanos; no momento em que são
emitidos matérias agrotoxicos pelas actividades agrícolas; e na
medida em que nos centros urbanos são também produzidos muito
lixo e que em algum momento são transportado pelas chuvas para
os rios ou infiltrando-se, por intermédio da chuva, o material fluido
gerado pelo lixo.

A água na natureza desenvolve um ciclo, podendo se dizer que a


água que hoje encontra-se no subsolo e na superfície, pode estar
num outro momento na atmosfera.

O ciclo hidrológico começa com a incidência da radiação solar


sobre as águas, gerando condições para a ocorrência da
evapotranpiração. Uma vez expandindo em forma de gás (vapor de
agua) para a atmosfera (troposfera em particular) condensam-se
através dos núcleos de condensação, donde atingindo o ponto de
saturação, precipita-se novamente para terra.

Exercícios
Entregar todos exercícios desta unidade.
Hidrogeografia GA106 53

1. Diga qual é o cheiro e cor da água no seu estado


puro e demonstre com exemplos claros como estas
propriedades podem variar.
2. Fale da importância da água para a sociedade, tendo
em conta a sua capacidade de dissolução. Explique dando
exemplos concretos.
3. Tome como base uma região do país e demonstre os
mecanismos da contaminação da água por via industrial,
agrícola e urbana.
4. Explique como a água do subsolo participa no ciclo
hidrológicos, atendendo a sua localização no interior da
terra.
5. Investigue: toda a agua, incluindo as aguas
degradadas, localizada na terra em algum momento
participa no ciclo hidrológico.
a) Diga, com pormenores, como esta agua contaminada
se converte em água potável.

Unidade V
As bases dos processos de
formação dos reservatórios
aquáticos

Introdução
Esta unidade pretende fornecer ideias sobre as bases dos processos
de formação dos reservatórios aquáticos e das leis físicas
fundamentais que determinam esta formação. Abordaremos
Hidrogeografia GA106 54

também a questão relacionada com o balanço da água e do balanço


térmico.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Descrever as leis físicas fundamentais que determinam a


formação dos reservatórios aquáticos; e
Objectivos
 Saber explicar o balanço hídrico e térmico.

As leis físicas fundamentais


Ver o conteúdo referente as leis físicas que determinam o
movimento da agua, pois, para além destas determinarem o
movimento das aguas são também a base dos processos de
formação dos reservatórios aquáticos. Por exemplo a lei da
gravitação universal determina a queda de água na terra no geral e
em depressões em particular, entre outros exemplos.

O Balanço aquático ou hidrológico


“Designa-se balanço hidrológico […] o cômputo dos ganhos e
perdas de água que os processos hidrológicos, e eventualmente a
acção humana, provocam […]” (Direcção Geral dos Recursos e
aproveitamento Hidráulico 1984, p. 542)

Para o cálculo do balanço hidrológico de uma bacia hidrográfica


tem que se ter em conta a precipitação sobre a bacia; o
escoamento na sessão da jusante da bacia; a evapotranspiração na
bacia; variação da quantidade de água da intercepção, da
detenção, superficial e do armazenamento dos leitos; variação da
quantidade da humidade do solo; variação da quantidade de água
das reservas subterrâneas; quantidade de água extraída pela
Hidrogeografia GA106 55

acção do homem e quantidade de água lançada na bacia pela


acção humana.

No que respeita ao balanço dos oceanos salientar que a quantidade


de água, a temperatura e a salinidade média destes permanecem
constantes ao longo de intervalos de tempo suficientemente longos.
A invariabilidade destas grandezas permite estabelecer as equações
de conservação, que se traduzem normalmente numa igualdade
entre as entradas e saídas através das fronteiras.

Cerca de 97 % da água do globo encontra-se nos oceanos, 2 %


corresponde a água no estado sólido nos pólos, glaciares e icebergs
e menos de 1% corresponde ao somatório das águas subterrâneas,
águas de lagos e rios e água sob a forma de vapor na atmosfera.

A água entra nos oceanos através das descargas de rios e da


precipitação e sai através da evaporação.

Tabela 3 - Balanço de água nos oceanos

Oceano Precipitação Evaporação Precipitação -


Evaporação
[mm/ano] [mm/ano]
[mm/ano]

Pacífico 1292 1202 90

Atlântico 761 1133 -372

Índico 1043 1294 -251

Árctico 97 53 44
Hidrogeografia GA106 56

Global 1066 1176 -110

Fonte: Studart e Campos in Formulação matemática da


hidrodinâmica e do transporte de escalares em zonas costeiras

O excesso de evaporação relativamente à precipitação nos oceanos


é compensado pelas descargas de água dos rios.

O balanço térmico
A terra emite tanta energia radiante, sob a forma de calor, como
aquela que recebe, pois caso contrario a sua temperatura não se
teria mantido constante ao longo dos tempos. Apesar do balanço
positivo da radiação nas baixas latitudes e negativo nas altas
latitudes, não há evidências que as baixas latitudes estejam a
aquecer e as altas a resfriar. Deve então existir um mecanismo de
transferência de energia interna, sob forma de fluxos de calor, entre
as baixas e as altas latitudes. Esses mecanismos correspondem ao
sistema de ventos da atmosfera e as correntes oceânicas. Acredita-
se que a contribuição dos oceanos para esse transporte de calor para
os pólos é maior nas regiões tropicais enquanto a atmosfera
contribui mais nas regiões das altitudes altas.

Sumário

Uma das leis que determinam a formação dos reservatórios


aquáticos é a lei da gravitação universal, que determina que os
corpos sejam atraído (se precipitem) para a terra. Neste sentido a
agua na atmosfera é também atraído por esta força, determinando a
formação dos cursos de água.

Ao fazermos o balanço hídrico pretende-se tomar-se


conhecimentos sobre os índices de ganhos e perdas. Para o cálculo
do balanço é preciso ter em conta, a precipitação sobre a bacia; o
escoamento na sessão da jusante da bacia; a evapotranspiração na
bacia; a detenção, superficial e do armazenamento dos leitos;
variação da quantidade da humidade do solo; variação da
Hidrogeografia GA106 57

quantidade de água das reservas subterrâneas; e quantidade de água


extraída pela acção do homem.

O balanço hídrico das águas oceânicas é negativa, o que quer dizer


que há um excesso de evaporação relativamente a precipitação.

Sobre o balanço térmico da terra, salientar que, tende a ser positivo


nas zonas intertropicais e negativo em zonas polares mas em
nenhum momento nos deparamos com uma situação de extremo
calor e frio nestas duas zonas devido aos balaços existentes. Este
facto tem acontecido devido a acção dos ventos e das correntes
oceânicas que transportam o ar/água quente para as regiões
polares/frias e o ar/água fria para as regiões quentes.

Exercícios
Entregar o exercício 1 desta unidade.

1. De o conceito do balanço hidrológico e diga quais os fenómenos


se deve ter em conta para o seu calculo.

Unidade VI
As leis básicas dos movimentos
das águas

Introdução
Nesta unidade falaremos sobre as leis básicas que determinam os
movimentos da água. Dentre as leis, destacam-se, 1ª Lei de Newton
(se nenhuma força actua um corpo ele não muda o seu estado de
Hidrogeografia GA106 58

movimento), 2ª Lei de Newton (a taxa de variação do movimento


de um corpo é directamente proporcional à resultante das forças
que actuam no corpo), 3ª Lei de Newton (uma força a actuar num
corpo há uma força igual e oposta a actuar noutro corpo) e Lei da
gravitação universal de Newton. Também abordaremos sobre as
forças da natureza que actuam na criação dos movimentos.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Descrever as leis básicas dos movimentos das águas naturais; e

Objectivos  Explicar a acção das forças que actuam no movimento das águas
naturais.

As leis básicas dos movimentos das águas naturais


Para o estudo do movimento do oceano e suas causas, as seguintes
leis são tomadas em consideração:

1ª Lei de Newton (se nenhuma força actua um corpo ele não muda
o seu estado de movimento): afirma que, na ausência de forças, um
corpo permanece em repouso ou em movimento uniforme ao longo
de uma linha recta. Se um corpo se encontra inicialmente em
repouso, ele continua em repouso. Se em movimento rectilíneo
uniforme, ele continua em movimento rectilíneo uniforme, para
sempre. Não existe um "parar naturalmente".

Muitas pessoas pensam que o repouso é o estado natural de um


corpo e o "parar naturalmente" o levará mais cedo ou mais tarde a
este estado. O parar ocorre por que vivemos num mundo cheio de
forças: atrito, resistência do ar, gravidade, enfim, forças da
Hidrogeografia GA106 59

natureza. É necessária uma força para que um corpo inicie,


aumente, diminua ou pare o seu movimento.

Imaginemos um passeio a cavalo, em que este assustado, trava


bruscamente. Acontecera que a pessoa que ia em cima do cavalo
cai. Este facto é explicado através da primeira lei de Newton, pois o
cavalo pára, e segundo a lei, um corpo só diminui a velocidade se
actuar sobre ele uma força; e como a força só actua no cavalo, a
pessoa continua o movimento que estava a ter, mas desta vez sem o
cavalo, segundo a primeira lei de Newton, um corpo contínua o seu
movimento constante rectilíneo caso não lhe seja aplicada nenhuma
força. A pessoa só pára o seu movimento, caindo no chão, porque
são aplicadas sobre ele duas forças, a força de atrito do ar, e a força
da gravidade.

2ª Lei de Newton (a taxa de variação do movimento de um corpo é


directamente proporcional à resultante das forças que actuam no
corpo). Esta lei diz que a aceleração adquirida por um corpo é
directamente proporcional à intensidade da resultante das forças
que actuam sobre o corpo, tem direcção e sentido dessa força
resultante e é inversamente proporcional à sua massa.

Imaginemos que empurramos uma caixa sobre uma superfície lisa


(pode-se desprezar a influência de atrito). Quando se exerce uma
certa força horizontal F, a caixa adquire uma aceleração a. Se se
aplicar uma força 2 vezes superior, a aceleração da caixa também
será 2 vezes superior e assim por diante. Ou seja, a aceleração de
um corpo é directamente proporcional à força resultante que sobre
ele actua. Entretanto, a aceleração de um corpo também depende da
sua massa. Imagine, como no exemplo anterior, que se aplica a
mesma força F a um corpo com massa 2 vezes maior. A aceleração
produzida será, então, a/2. Se a massa triplicar, a mesma força
aplicada irá produzir uma aceleração a/3. E assim por diante. De
Hidrogeografia GA106 60

acordo com esta observação, conclui-se que: a aceleração de um


objecto é inversamente proporcional à sua massa.

3ª Lei de Newton (uma força a actuar num corpo há uma força


igual e oposta a actuar noutro corpo): a lei afirma que para cada
acção existe uma reacção igual e contrária. Newton sepulta
qualquer ideia de força individual. As forças manifestam-se em
pares. Se A exerce uma força sobre B, este, ao seu turno, reagirá
com outra força de mesmo modo, mesma direcção e sentido
contrário. Não existe acção sem reacção. Para exemplificar a
terceira lei, ao empurrar uma parede, tentámos provar que esta
exercia uma força de igual modo. Primeiro, a parede é empurrada
com uma força, e ela empurra a pessoa, fazendo com que a pessoa
recue um bocado. Depois, a pessoa empurra a parede com o dobro
da força, e consequentemente, recua quase o dobro daquilo que
recuou da primeira vez. Com esta experiência foi possível provar
que só existem forças aos pares, um vez que ao exercer uma força
sobre a parede, esta exerce uma força sobre nós; e também
podemos comprovar que essa força tem igual valor à que lhe foi
exercida, uma vez que quanto mais força aplicarmos sobre a
parede, mais esta exerce sobre nós e por isso, mais recuamos. Em
termos do quotidiano, esta lei pode observar-se nos comboios, estes
contém uma mola, entre as carruagens nas estações terminais, em
ambas as molas existe uma igual compressão quando elas se
aproximam ao chocarem contra a parede.

O outro exemplo é de um avião: o avião a jacto ou o foguetão são


provavelmente é a mais espectacular aplicação moderna da 3ª lei de
Newton. Esquematicamente um avião a jacto funciona da seguinte
forma: o gás. Expandindo-se nas câmaras de combustão, é expelido
pelo avião, para trás: reage, de acordo com a 3ª lei de Newton,
exercendo sobre o avião uma força que o impele para a frente.
Hidrogeografia GA106 61

Lei da gravitação universal de Newton: esta lei defende que a terra


apresenta uma força que atrai os corpos a ela. A força é de cerca de
9,8 m/s2.

Portanto de acordo com a 1ª lei podemos concluir que as forças da


natureza são determinantes para estimular os movimentos de um
corpo. Por exemplo para a ocorrência das marés, a lua e o sol
jogam um papel gerador deste acontecimento; para a ocorrência das
correntes oceânicas e das ondas, a radiação solar e os ventos
também são determinantes para que tal ocorra; para a escorrência
das águas dos rios é a declividade (gravidade) que é a principal
geradora deste movimento.

As águas naturais estão em movimento constante, com escalas que


vão desde as grandes correntes até aos pequenos vórtices. Para a
explicação deste fenómeno a 2ª lei de Newton diz que a taxa de
variação do movimento de um corpo é directamente proporcional à
resultante das forças que actuam no corpo, isto é, a intensidade dos
movimentos depende do nível de força empregue no corpo. Por
exemplo quanto maior for a intensidade dos ventos maior será o
tamanho das ondas; quanto maior for a declividade maior é a
intensidade dos cursos de agua.

A lei de acção reacção é bem visível quando vemos, em praias de


costas altas, as aguas embaterem as arribas e serem devolvidas com
igual intensidade justificando-se da seguinte maneira: as forças
manifestam-se em pares. Se A exerce uma força sobre B, este, ao
seu turno, reagirá com outra força de mesmo modo, mesma
direcção e sentido contrário.

E finalmente a lei da gravitação universal é comprovada na medida


em que vemos as águas das chuvas, neves, gelo a precipitarem em
direcção a superfície terrestre e as aguas dos oceanos, rios, lagos,
Hidrogeografia GA106 62

pântanos e glaciares fixas numa região determinada motivada pela


atracção que a terra exerce sobre os corpos.

As Forças que actuam na criação dos movimentos


De acordo com Barros e Paulino (1999, p. 49) “Força é toda
grandeza física capaz de variar a velocidade de um corpo”. Assim
um corpo em repouso para se mover precisa sofrer a acção de uma
força ou de um conjunto de forças.

As águas naturais sofrem efeitos de forças da natureza, elas podem


ser:
Forças directas
Gravitação (terrestre, incluindo forças do sol e da lua): ver o ultimo
paragrafo das leis básicas para o movimento das águas.

Energia radiante solar: O sol influência a circulação oceânica


através da circulação atmosférica, isto é, os ventos. A energia é
transferida dos ventos para as camadas superficiais do oceano
através do atrito entre a atmosfera e a superfície do mar. Esta é a
chamada circulação induzida pelo vento; o sol influencia a
circulação oceânica porque causa variações na temperatura e na
salinidade da água do mar, que por sua vez controlam a densidade
da água do mar. As variações de temperatura são causadas por
fluxos de calor através da interface ar - água. As variações de
salinidade são causadas pela adição e remoção de água doce,
principalmente pela precipitação e evaporação, mas também pelas
transições gelo - água, nas regiões polares. Todos estes processos
estão directa ou indirectamente ligados ao efeito da energia
radiante solar. Se, por algum processo, a água superficial do oceano
se tornar mais densa que a água que se encontra por baixo, gera-se
uma situação de instabilidade e a água superficial afunda-se. Gera-
se assim uma circulação, governada pela densidade, que resulta de
um arrefecimento e/ou de um aumento da salinidade da água
Hidrogeografia GA106 63

superficial. À circulação induzida por variações espaciais da


densidade chama-se circulação termohalina.

Pressão atmosférica (1mb faz variar a superfície do oceano em


cerca de 1cm).

Actividades Sísmicas (resultam do movimento do fundo marinho):


consultar conteúdo sobre a actividade sísmica.

Forças indirectas
Força de Coriollis (aparece porque a Terra gira) Um projéctil
disparado para norte a partir do equador move-se para leste tal
como a Terra e para norte com a velocidade do disparo. À medida
que se desloca para norte, a velocidade com que a Terra se move
para leste é cada vez menor. Como resultado, relativamente à
Terra, o projéctil não se desloca só para norte, mas também para
leste, ou seja, para a sua direita. O mesmo raciocínio é válido no
caso de ser disparado de norte para sul, no hemisfério norte:
relativamente à Terra desloca-se não só para sul, mas também para
a sua direita, ou seja, oeste. O mesmo acontece com as massas de
água ou ar em movimento. É o efeito da força aparente: força de
Coriollis.

Forças de atrito (actuando nas fronteiras opõem-se ao movimento


ou actuando internamente uniformizam o movimento. Fazem
dissipar energia mecânica convertendo-a em energia térmica).

Sumário
Devido as diversas forças que a natureza apresenta, os corpos não
se encontram estáticos, eles estão em constante movimento.
Hidrogeografia GA106 64

A 1ª lei de Newton defende que se nenhuma força actuar sobre um


corpo ele permanece em repouso para sempre, porem, se lhe é
submetido a forças ele movimenta-se também para sempre.

É difícil falar de um corpo, na natureza, que esteja em repouso


absoluto, elas estão quase sempre sujeitas a forças que por sua vez
determinam o seu movimento, e dependendo da intensidade destas
forças o seu movimento será lento ou acelerado (defende a 2ª lei de
Newton).

A 3ª lei de Newton, a lei da acção reacção, diz que com a mesma


força com que os corpos agem sobre o outro corpos estes últimos
reagem contrariamente e com igual força.

Todas estas leis físicas são funcionais para a água, atendendo ser
ela um corpo na terra.

Dentre as forças que actuam sobre os corpos na terra, em particular


da água, destacam-se, a força de gravidade (atrai os corpos para a
terra), a força gravitacional do sol e lua (atraem ligeiramente os
corpos para si, ocasionando as mares), a radiação solar (determinas
a circulação atmosférica e oceânicas), a força de atrito (fazem
dissipar energia mecânica, através de obstáculos, convertendo-a em
energia térmica) e a força de Curiollis (através da rotação da terra,
desviam os corpos para a direita no hemisfério norte e para
esquerda no sul).

Exercícios
Entregar o exercício 1 e 2 desta unidade.

1. Usando suas palavras, interprete as três leis que determinam


os movimentos das águas e anuncie outros exemplos,
podendo não estar relacionado com a Hidrogeografia mas
com outras áreas da Geografia ou de outras ciências.
Hidrogeografia GA106 65

2. Explique com detalhes a forma o fenómeno Força de


Curiollis.
Hidrogeografia GA106 66

Unidade VII
A circulação das águas na
natureza

Introdução
Esta unidade aborda sobre a distribuição da água no globo terrestre,
descreve os mecanismos que determinam a circulação das águas na
natureza e o seu papel na condução do calor.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Saber a forma que é distribuída os recursos hídricos no globo


terrestre, no que respeita a sua localização e os quantitativos; e
Objectivos
 Descrever a circulação das águas naturais na terra e pronunciar o
seu papel na condução do calor.

A água no globo terrestre


A água na Terra avalia-se em 1380 x 1015 m3, o que equivale a
ocupar o volume de uma esfera de 1380 km de diâmetro. Distribui-
se pelos três reservatórios principais já referidos, nas seguintes
percentagens aproximadas:

 Oceanos 96,6 %

 Continentes 3,4 %

 Atmosfera 0,013 %
Hidrogeografia GA106 67

A quantidade de água salgada nos oceanos é cerca de trinta vezes a


quantidade de água doce dos continentes e da atmosfera.

A água dos continentes concentra-se praticamente nos glaciares e


nos subsolos, distribuindo-se a parcela restante, muito pequena, por
lagos, pântanos, rios, zonas superficial do solo e a biosfera.

Figura 7 – Reservatórios principais de água

1 – Oceano 2 – Continente 3 - Atmosfera

Figura 8 – Reservatório de água nos continentes

1 – Glaciares 2 – Subsolo 3 - Biosfera

A água no subsolo representa cerca da metade da água doce dos


continentes, mas a sua quase totalidade situa-se a profundidade
superior a 800 m.
Hidrogeografia GA106 68

A biosfera contém uma fracção muito pequena da água dos


continentes que é cerca de 1/40 000.

A quase totalidade da agua doce dos continentes (contida nas


calotes polares, glaciares e reservas subterrâneas profundas)
apresenta, para alem de dificuldades de utilização, o inconveniente
de ser anualmente renovável numa fracção muto pequena, tendo se
acumulado ao longo de milhares de anos.

Deve ter-se presente que embora a quantidade total de água na terra


seja invariante, a sua distribuição por fases tem-se modificado ao
longo do tempo. Na época de máxima glaciação, o nível médio dos
oceanos situou-se cerca de 140 m abaixo do nível actual.

A água perdida pelos oceanos por evaporação excede a que é


recebida por precipitação, sendo a diferença compensada pelo
escoamento proveniente dos continentes.

A precipitação anual sobre os continentes é de 800mm e reparte-se


em escoamento (315 mm) e evapotranspiração (485 mm). A
precipitação anual média sobre os oceanos é de 1270mm,
resultando a precipitação anual média sobre o globo igual a cerca
de 1100mm.

Circulação do calor: o papel das águas naturais


Como sabemos a água não esta estática, ela move-se, e neste
processo ocorre troca de calor entre elas. Note:

“As transferências de calor das altas para as baixas latitudes


nos oceanos, dá-se através de fortes correntes, como é o caso
da Corrente Quente do Golfo, que se desloca das águas
tropicais quentes para as regiões polares. Todas as aguas
profundas (baixas dos 1500 m) tem a sua origem em latitudes
elevadas e, por isso, são consideravelmente mais frias que as
aguas superficiais. […]. O processo de transferência de calor
faz-se verticalmente e horizontalmente. Esta transferência pode
se fazer por difusão molecular ou por remoinhos que
transportam as águas verticalmente, misturando, assim, tanto a
salinidade como a temperatura” (JESSEN 1998, p. 12 - 13).
Hidrogeografia GA106 69

Observemos como se processa a transferência de forma horizontal:

“A influência oceânica é, em grande parte, condicionada pelas


correntes marítimas, principalmente as que tem seu trajecto,
total ou parcial, nas proximidades da costa, constituindo
também importantes agentes moderadores da temperatura.

As correntes quentes promovem a transferência de enormes


quantidades de calor da zona intertropical para as regiões de
média e alta latitude, onde fazem elevar a temperatura. Por sua
vez as correntes frias deslocam grande quantidade de água fria
das altas latitudes para as zonas temperadas e tropicais, onde
provocam o decréscimo do valor da temperatura.

Mas a influencia das correntes marítimas não se manifesta


apenas pela transferência de calor dentro dos oceanos. Com
efeito, sobre as correntes quentes é grande a evaporação, donde
resulta uma forte humidade atmosférica que, transportada para
os continentes vizinhos, ali ameniza, por razoes já expostas, as
temperaturas invernais e provoca precipitações mais ou menos
abundantes, sobretudo nas faixas costeiras. Por exemplo, a
Corrente Quente do Golfo do México, uma das mais
importantes do mundo, desloca-se para o noroeste europeu,
onde torna os invernos bastante amenos e pluviosos.

Ao contrário, sobre as correntes frias a evaporação é fraca,


pelo que a atmosfera é mais seca. Ora, como o ar seco aquece e
arrefece mais depressa que o ar húmido, as zonas continentais
influenciadas por estas correntes são mais quentes no verão e
mais frias no inverno” (ANTUNES s/d, p. 80)

A descrição supra destaca os oceanos como o principal mentor da


troca de calor. Assim se descreve pelo facto deste se constituir o
maior reservatório de água na terra, daí o contributo mais saliente
neste processo. A inferência destas ideias para outros reservatórios
de água é valida.

Circulação das águas naturais


Sobre este tema, consulte os apontamentos sobre o ciclo
hidrológico e os movimentos das correntes oceânicas.

Podemos adiantar alguns subsídios sobre a circulação das correntes


oceânicas. Elas são originadas pela impulsão do vento e pela
diferença da densidade das águas.

O vento é a causa mais importante e mais evidente, havendo no


oceano uma clara correspondência entre sistema de ventos e as
Hidrogeografia GA106 70

principais correntes marítimas. Neste caso compararemos a


imagem da circulação geral da atmosfera e com a ilustração das
correntes marítimas de modo a validar as premissas supra citadas.

Figura 9 - Circulação Atmosférica

Fonte: DNAEE, citando Studart e Campos

Figura 10 – Circulação Geral dos Oceanos


Hidrogeografia GA106 71

Fonte: DNAEE, citando Studart e Campos

Por efeito da força de Curiollis, as águas não se deslocam de


acordo com a direcção dos ventos que a impulsiona, mas segundo
uma direcção oblíqua, correspondendo a um desvio para direita no
hemisfério norte e para esquerda no hemisfério Sul.

Sumário
A água no globo terrestre encontra-se distribuída de forma
irregular, tendo os oceanos a maior quantidade relativamente aos
continentes (ocupa o segundo lugar) e a atmosfera.

A água existente no globo não se encontra estática, ela esta em


movimento devido as forças que actuam sobre elas. Uma das forças
que actua na movimentação das águas é a energia radiante que é o
motor para a ocorrência do ciclo hidrológico.

A energia radiante é também responsável pela circulação


atmosférica e oceânica. A circulação oceânica é por sua vez
Hidrogeografia GA106 72

responsável pela distribuição do calor das baixas para as altas


latitudes.

Exercícios
Entregar o exercício 1 e 2 desta unidade.

1. Explique a forma que esta distribuída as águas no globo


terrestre, tendo atenção de indicar a quantidade e a
localização.
2. Descreve o papel das correntes oceânicas e dos ventos na
circulação do calor na terra.
a) Explique também a forma que as correntes oceânicas e
os ventos influenciam nos climas moçambicanos.
Hidrogeografia GA106 73

Unidade VIII
A influência dos processos
hídricos sobre as condições
naturais

Introdução
Esta unidade visa fornecer pressupostos sobre a influência dos
processos hídricos nas condições naturais. O especial destaque ira
para os climas, os recursos pedológicos e na vegetação. Iremos
também falar sobre os fenómenos que ocorrem no ciclo
hidrológico.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Descrever a influência dos processos hídricos nas condições


naturais; e
Objectivos
 Explicar o funcionamento dos fenómenos naturais do ciclo
hidrológico.

A influência dos processos hídricos nas condições naturais


Uma evidência clara da influência dos processos aquáticos nas
condições naturais é na modelação do clima. Buscaremos subsídios
de Antunes (s/d, p. 76-78) para tentarmos explicar este fenómeno:

“ - O calor mássico (ou calor especifico) da agua é quase duas


vezes do que o do solo, o que significa que, recebendo a
mesma quantidade de energia, a superfície dos continentes
aquece mais do que a dos oceanos. Pela mesma razão, quando
Hidrogeografia GA106 74

há um défice de energia, os primeiros arrefecem também mais


do que os segundos;

- Os vários movimentos que agitam as camadas marítimas


superiores (vagas, correntes, movimentos verticais, etc) fazem
com que a energia recebida penetre ate varias dezenas de
metros de profundidade, o que permite os oceanos armazenar
enormes quantidades de calor. Mas como este se dispersa por
um volume muto grande, o aquecimento superficial é lento e
moderado, o mesmo acontece com as perdas de calor e, por
isso, com o arrefecimento.

Pelo contrário, a energia recebida pelas superfícies continentais


penetra no globo ate uns escassos centímetros, concentrando-se
assim numa camada muito estreita. Dai que aqueçam e
arrefeçam com relativa facilidade;

- Devido a forte evaporação, a atmosfera sobre os oceanos


torna-se mais húmidas e nebulosa e, consequentemente, mais
opacas as radiações caloríficas (de grande comprimento de
onda) emitidas pelas superfícies aquáticas, exercendo, deste
modo, um acentuado efeito de estufa.”

Vejamos como os recursos hídricos contribuem para a moderação


térmica em diferentes épocas do ano nas distintas latitudes:

“Em Janeiro [pelos menos um mês depois do solstício de


Dezembro]

No hemisfério norte, onde nesta altura decorre o inverno, as


temperaturas são mais altas sobre os oceanos do que sobre os
continentes. Por um lado, porque os primeiros acumulam,
principalmente no verão, grandes quantidades de calor que
depois vão libertando progressivamente para a atmosfera,
impedindo assim o seu rápido e demasiado arrefecimento. Por
outro, o acentuado efeito de estufa que grande parte do calor
irradiado se escape para a alta atmosfera. […].

No hemisfério sul (onde decorre então o verão), os


[acontecimentos] são inversos dos do hemisfério norte. As
médias e altas latitudes do hemisfério meridional, as
isotérmicas [linhas de igual temperatura] apresentam uma
maior regularidade, devido ao predomínio das grandes massas
oceânicas.

Em Julho [pelos menos um mês depois do solstício de Junho]

No hemisfério norte, onde nesta altura decorre o verão, as


temperaturas são mais altas sobre os continentes do que sobre
os oceanos, porque nos primeiros, sendo menor o calor
especifico, se regista um maior aquecimento. Alem disso a
radiação solar global é maior sobre as superfícies continentais,
porque é menor a humidade e nebulosidade, o que determina
uma menor absorção da energia solar pela atmosfera.
Hidrogeografia GA106 75

No hemisfério sul, onde decorre então o inverno, a temperatura


é menor sobre os continentes por razoes já explicadas.
Também devido ao predomínio das grandes massas oceânicas,
os desvios térmicos são menores do que do hemisfério norte.

- [Concluindo] verifica-se, portanto, que os oceanos exercem


sobre as temperaturas uma importante acção moderadora, que
se estende as áreas continentais vizinhas e em maior ou menor
extensão, dependendo do vigor e da orientação geográfica do
relevo.

Os ventos marítimos transferem, por intermédio do vapor de


água que transportam, grandes quantidades de calor (calor
latente) para o interior dos continentes. Quando se dá a
condenação desse vapor, o calor que incorpora é então
libertado, fazendo elevar a temperatura em lugares mais ou
menos distantes do litoral, o que torna os invernos mais suaves,
principalmente nas zonas temperadas e frias [e mais quente em
zona intertropical].” (idem, p. 78-79, acréscimos do autor)

Notamos que os recursos aquáticos, com destaque para os


oceanos apresentam uma grande capacidade de armazenamento
de calor, facto que tem contribuído bastante para a atenuação
das temperaturas frias em algumas regiões (temperada e fria).
Por outro lado, elas contribuem bastante para intensificar o
calor em regiões intertropicais e principalmente em regiões
localizadas nas proximidades da costa.

Considerando uma maior intensidade da radiação solar, teremos


em zonas costeiras ou em zonas que se aproximam a estas um
maior índice de precipitação, devido a evaporação registada nos
oceanos.

É evidente a influência dos recursos hídricos na moderação do


clima. Os climas por sua vez são protagonistas de fenómenos
como, a pedogénese e a abundância ou não da vegetação.
Note:

“qual organismo vivo, o solo nasce e evolui, passando por


diversas fases ate atingir a maturidade.

Numa primeira fase, por acção dos agentes atmosféricos (agua,


humidade, gases, oscilações térmicas, vento, etc), a parte
superficial da rocha-mae sofre uma alteração química e uma
desagregação mecânica (meteorização), transformando-se em
Hidrogeografia GA106 76

pequenos fragmentos e grânulos de dimensões e formas muito


variadas.” (idem, p. 199, itálico do autor)

“O clima constitui o factor fundamental da distribuição


geográfica da vegetação. Se analisarmos um planisfério que
represente a distribuição dos climas e dos grandes tipos de
vegetação, constata-se de imediato que aos diferentes domínios
climáticos correspondem outras tantas e diferentes formações
vegetais dominantes.

Dos elementos climáticos, os que maior influência exercem no


desenvolvimento e distribuição das espécies vegetais são,
indubitavelmente, a temperatura, as precipitações, a luz e o
vento.” (idem, p. 222, itálico do autor)

Fenómenos naturais do ciclo hídrico (Evapotranspiração,


Precipitação e Escoamento)
Pode admitir-se que a quantidade total de água existente na Terra,
nas suas três fases, sólida, líquida e gasosa, se tem mantido
constante, desde aparecimento do Homem. A água da Terra
(hidrosfera) distribui-se por três reservatórios principais, os
oceanos, os continentes e a atmosfera, entre os quais existe uma
circulação perpétua designada por ciclo da água ou ciclo
hidrológico. O movimento da água no ciclo hidrológico é mantido
pela energia radiante de origem solar e pela atracção gravítica.

Pode definir-se ciclo hidrológico como a sequência fechada de


fenómenos pelos quais a água passa do globo terrestre para a
atmosfera, na fase de vapor, e após regressa novamente a terra, nas
fases líquida e/ou sólida.

A transferência de água da superfície do Globo para a atmosfera,


sob a forma de vapor, dá-se por a evaporação directa, por
transpiração das plantas e dos animais e por sublimação (passagem
directa da água da fase sólida para a de vapor). A quantidade da
água mobilizada pela sublimação no ciclo hidrológico é
insignificante perante a que é envolvida na evaporação e na
transpiração de plantas e animais, cujo processo conjuntos é
designada por evapotranspiração. O vapor de água é transportado
pela circulação atmosférica e condensa-se após percursos muito
Hidrogeografia GA106 77

variáveis, que podem ultrapassar 1000 km. A água condensada dá


lugar à formação de nevoeiros e nuvens e à precipitação a partir de
ambos.

Após a passagem da agua para o estado de vapor, ela condensa-se


formando nuvens, em que atingindo o seu ponto de saturação
precipita-se. A este fenómeno designamos por precipitação.

A precipitação pode ocorrer na fase líquida (chuva ou chuvisco) ou


na fase sólida (neve, granizo ou saraiva). As designações de chuva
ou de chuvisco aplicam-se consoante o diâmetro das gotas é
superior ou inferior a 0,5 mm. A água precipitada na fase sólida
apresenta-se com estrutura cristalina no caso da neve e com
estrutura granular, regular em camadas, no caso do granizo, e
irregular, por vezes em agregados de nódulos, que podem atingir a
dimensão de uma bola de ténis, no caso da saraiva. A precipitação
inclui também a água que passa da atmosfera para o globo terrestre
por condensação do vapor de água (orvalho) ou por congelação
daquele vapor (geada) e por intercepção das gotas de água dos
nevoeiros (nuvens que tocam no solo ou no mar).

A água que precipita nos continentes pode tomar vários destinos.


Uma parte é devolvida directamente à atmosfera por evaporação; a
outra origina escoamento à superfície do terreno, escoamento
superficial (origina-se quando a precipitação atingi uma zona
geológica com carácter impermeável), que se concentra em sulcos,
cuja reunião dá lugar aos cursos de água. A parte restante infiltra-
se, isto é, penetra no interior do solo, subdividindo-se numa parcela
que se acumula na sua parte superior e pode voltar à atmosfera por
evapotranspiração e noutra que caminha em profundidade até
atingir os lençóis aquíferos (ou simplesmente aquíferos) e vai
constituir o escoamento subterrâneo.
Hidrogeografia GA106 78

Tanto o escoamento superficial como o escoamento subterrâneo


vão alimentar os cursos de água que desaguam nos lagos e nos
oceanos, ou vão alimentar directamente estes últimos.

O escoamento superficial constitui uma resposta rápida à


precipitação e cessa pouco tempo depois dela. Por seu turno, o
escoamento subterrâneo, em especial quando se dá através de
meios porosos, ocorre com grande lentidão e continua a alimentar
os cursos de água longo tempo após ter terminado a precipitação
que o originou.

Figura 11 – A precipitação e o processo de escoamento

Sumário
Como foi descrito, a evidência mais clara da influência das águas
nos fenómenos naturais é na modelação do clima e esta por sua vez
influencia nos recursos pedológicos e florísticos.
Hidrogeografia GA106 79

É através da transferência de calor, por meio das correntes


oceânicas, das zonas intertropicais para as zonas polares que os
climas rigorosamente frios são atenuados com o calor vindo das
latitudes baixas e os climas quentes também são amortecidos
devido as massas de ar fria vinda das latitudes altas.

Em zonas costeiras pode-se notar uma intensa precipitação devido


a forte evaporação provindo dos oceanos, donde o vapor de água é
arrastado pelos ventos ate o interior dos continentes. Este fenómeno
determina a pedogénese e a abundância da vegetação nas áreas com
forte precipitação.

A evapotranspiraçao, a precipitação e o escoamento são fenómenos


que podemos claramente notar no ciclo hidrológico. O primeiro
corresponde ao processo da passagem da água contida nos solos,
plantas, animais e de toda hidrosfera para o estado de gás na
atmosfera; a seguir, depois deste vapor se condensar e saturar,
temos o processo de precipitação que pode ser em forma líquida e
sólida; e finalmente, depois de a água atingir a terra, devido as
forças existentes, ela escorre para diferentes pontos.

Exercícios
Entregar o exercício 2 e 3 desta unidade.

1. Explique de que maneira os recursos aquáticos influenciam nas


condições climáticas, pedológicas, geomorfológicas,
biogeográfica e florística (vegetação).
2. De o conceito da evapotranspiração.
Hidrogeografia GA106 81

Unidade IX
Os recursos hídricos na terra

Introdução
Nesta unidade abordaremos apenas sobre os recursos aquáticos na
terra, no que tange, ao seu volume e o percentual.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Descrever de forma genérica os conhecimentos sobre o


volume e o percentual da água no globo terrestre.

Objectivos

Os recursos aquáticos no globo terrestre

Figura 12 – Distribuição da água na Terra

Fonte: DNAEE, citando Studart e Campos


Hidrogeografia GA106 82

A figura a esquerda mostra que cerca de 97% de toda a água


existente está nos oceanos e os restantes 3% são de água doce
(superficial, subterrânea, e na atmosfera).

A agua doce apresenta proporções inferiores relativamente as aguas


dos oceanos, e elas estão assim distribuídas: 77% está retida nos
glaciares e icebergs e 22% constituem a água subterrânea. A
distribuição do restante 1% está representada no bloco da direita.

Das águas a superfície, excluindo os glaciares, 61% corresponde a


lagos, 39% distribui-se pela atmosfera e solos e menos de 0,4% aos
rios.

Na tabela seguinte podes ver como se distribui a água no planeta


em termos de volume armazenado nos diferentes reservatórios:

Tabela 4 - Distribuição da água na Terra

Reservatórios Volume aproximado Percentagem


de água, aproximada
em Km3 de água da água total

Oceanos 1 320 000 000 96.1

Glaciares 29 000 000 2.13

Água subterrânea 8 300 000 0.61

Lagos 125 000 0.009

Mares interiores 105 000 0.008

Humidade do Solo 67 000 0.005

Atmosfera 13 000 0.001


Hidrogeografia GA106 83

Rios 1 250 0.0001

Volume de água total 1 360 000 000 100%

Fonte: Adaptado de Nace, U.S. Geological Survey, 1967

Se excluirmos as reservas de gelo das calotes polares e glaciares, a


água doce utilizável representa apenas 0.6% (8,5 milhões de Km3)
da água do nosso planeta, que se reparte desigualmente pelas
diversas regiões continentais.

Destes 8,5 milhões de Km3 de água doce utilizável, 97%


correspondem a águas subterrâneas, representando os rios e os
lagos uma percentagem muito pequena.

Para conhecimentos complementares, consulte o apontamento


correspondente a água no globo terrestre.

Sumário
A água no globo terrestre encontra-se distribuída irregularmente. O
oceano apresenta maiores proporções relativamente aos outros
recursos aquáticos.

É preciso salientar também que a água potável apresenta


proporções bastante reduzidas.

Exercícios
Entregar o exercício 1 desta unidade.

1. Com base nos apontamentos sobre a água na terra,


demonstre como esta feita a distribuição da água na terra.
Hidrogeografia GA106 84

Unidade X
A hidrografia dos glaciares

Introdução
Esta unidade objectiva fornecer pressupostos sobre os glaciares,
seu conceito, seus tipos e as grandes regiões glaciárias.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Conceituar glaciares;

 Tipificar os glaciares; e
Objectivos

 Indicar as principais regiões glaciárias.

Definição
Hidrologia dos glaciares será a descrição (origem, características e
distribuição) das águas que se encontram em zonas frias sob forma
de gelo (glaciares).

Os glaciares são grandes massas de gelo que encontram-se


localizadas nas regiões frias, se formam pela acumulação,
compactação e recristalização da neve. Quando a temperatura do ar
baixa até 0ºC, o vapor água condensa-se formando em cristais
sólidos. Estes cristais caem na superfície sob forma de neves.

A neve é composta por cristais de gelo agrupados em flocos de


tamanhos variáveis. A quantidade do ar entre os cristais dá aos
Hidrogeografia GA106 85

flocos uma estrutura fofa, com diminuta consistência, porém


devido a pressão crescente que as camadas superiores exercem, a
neve vai se comprimindo e sofrendo constantes recristalizações até
adquirir numa estrutura granular designados nevado.

Continuando a acumulação, o nevado vai se comprimindo cada vez


mais até atingir uma dimensão de 50m, a pressão torna suficiente
para que se dê novas recristalizações, formando uma massa
compacta designada gelo.

Assim sendo, o gelo resulta de uma série de transformações, nas


quais além da pressão, contam-se as sucessivas recristalizações.

A dimensão dos glaciares depende de vários factores, que


determinam tanto a formação do gelo, como a sua fusão. Na zona
de alimentação (acima da linha da neve), a quantidade de neve
caída está relacionada com as condições climáticas, em especial a
temperatura e a precipitação; na zona de ablação (abaixo da linha
da Neve), a fusão do gelo está a mercê da temperatura.

A zona de alimentação localiza-se em regiões elevadas e a zona de


ablação em regiões altimetricamente inferiores a primeira.

O gelo vai deslocar-se de regiões altas para regiões baixas,


deslizando sobre a base rochosa mais ou menos inclinada.

Deste modo se a alimentação predominar sobre a fusão, os


glaciares tenderão a expandir-se, caso se verifique o contrário,
então os glaciares se reduzirão e caso haja um equilíbrio entre a
acumulação e a fusão, então os glaciares se manterão estáticos.

Tipos de glaciares
Os glaciares dividem-se em dois grandes grupos:
Hidrogeografia GA106 86

Glaciares continentais
São enormes massas de gelos, também designa dos por Inlândsis,
que cobre vastas áreas continentais. Actualmente existem apenas
duas massas de gelos continentais, o glacial da Antárctida com
cerca de 13.4 milhões de Km2 e o glacial da Groenlândia com
cerca de 1.7 milhões de Km2.

De modo geral a espessura do gelo diminui do centro para a


periferia. O cume das montanhas constituem neste caso autênticas
ilhas no meio do vasto campo glaciário. A essas elevações dá-se o
nome de nunatakas.

Os glaciares continentais podem eventualmente cobrir alguma


extensão do mar. É no mar onde forma os Icebergs, destacando o
mar Antárctico. Os Icebergs são blocos de gelos flutuantes no mar.

Os glaciares ocupam actualmente 97% da superfície coberta por


glaciares e representam 99% de volume de gelo existente na
superfície da terra.

Glaciares de montanhas
Distingue-se dos glaciares continentais pela acumulação de massas
de gelo localizada nas altas montanhas, descendo pelos vales até
regiões baixas onde a fusão de gelo põe o termo o seu avanço.

Hoje os glaciares de montanhas localizam-se nos Andes, Alpes e


Montanhas Rochosas.

A neve acumulada em depressões em forma de anfiteatros, e por


isso designados circo, transformam-se pela pressão crescente do
nevado e gelo. Sendo a ablação suficientemente grande logo a saída
da depressão, o glaciar não chega a ocupar o vale que lhe fica em
frente. A estes glaciares suspendidos dá-se o nome de circo.
Hidrogeografia GA106 87

Porém se a alimentação compensa as perdas por fusão, a massa de


gelo desce pelo vale originando uma língua glaciária, podendo
atingir algumas dezenas de quilómetros de comprimento. A este
glaciar designa-se por glaciares de vale. A superfície dos glaciares
não é uniforme, ela apresenta numerosas fracturas, devidos as
irregularidade do seu fundo e das vertentes do vale, constituindo-se
as denominadas crevasses (fendas), que podem atingir dezenas de
metros, chegando a alcançar a massa plástica de gelo que se
encontram a partir de 50 m de profundidade.

As massas de gelo que chegam a alcançar as áreas mais baixas da


montanha designam-se por glaciares de Sopé.

As grandes regiões glaciárias


As massas glaciárias podem ser encontradas um pouco em todo
lugar ate em zonas intertropicais. Todos os glaciares situados nos
trópicos encontram-se em picos montanhosos isolados e elevados.
De um modo geral, os glaciares tropicais são mais pequenos que os
encontrados nas outras regiões e são os que mais facilmente
mostram uma resposta rápida a padrões climáticos em mudança.
Um pequeno aumento de temperatura, de apenas alguns graus,
pode ter um impacto quase imediato e adverso nos glaciares
tropicais.

As maiores porções de gelo estão localizadas em regiões polares


onde é caracterizado por apresentar climas frios. Iremos destacar a
seguir as principais:

Islândia
Nesta ilha do Atlântico Norte encontra-se Vatnajökull, a maior
calota de gelo da Europa. O Breiðamerkurjökull é um dos glaciares
de descarga de Vatnajökul, tendo recuado 3 km desde 1973 à 2004.
No início do século XX o Breiðamerkurjökull estendia-se até 250
Hidrogeografia GA106 88

m do oceano, mas em 2004 o seu ponto terminal havia recuado 3


km em direcção ao interior da ilha. Este recuo do glaciar expôs
uma lagoa. Ela tem 110 m de profundidade e quase duplicou o seu
tamanho entre 1994 e 2004. Apenas um dos glaciares de descarga
de Vatnajökull (num total de aproximadamente 40 glaciares
designados por nomes próprios) não se encontrava em recuo em
2000. Na Islândia, entre 34 glaciares estudados entre 1995 e 2000,
28 encontravam-se em recuo, quatro encontravam-se estáveis e
dois encontravam-se em avanço.

Canadá
As ilhas canadenses do Árctico têm várias calotas geladas de
grande dimensão, incluindo as calotas de Penny e Barnes na ilha
Baffin, a calota de Bylot na ilha Bylot e a calota de Devon na ilha
de Devon. Todas estas calotas encontram-se em recuo lento. A
calotas de Penny e Barnes têm perdido espessura à razão de cerca
de 1 m/ano nos seus pontos de menor elevação entre 1995 e 2000.
Em termos globais, entre 1995 e 2000, as calotas geladas no Ártico
canadiano perderam 25 km³ por ano. Entre 1960 e 1999, a calota de
Devon perdeu 67 km³ de gelo, sobretudo devido à perda de
espessura. Todos os principais glaciares de descarga ao longo da
margem oriental da calota de Devon recuaram 1 km desde 1960.
No planalto de Hazen da ilha Ellesmere, a calota de Simmon
perdeu cerca de 47% da sua área desde 1959. Se as condições
climáticas actuais se mantiverem, o restante gelo glaciar do
planalto de Hazen terá desaparecido por volta de 2050. Em 13 de
Agosto de 2005 a plataforma de gelo Ayles com 66 km² de
extensão separou-se da costa norte da ilha de Ellesmere, flutuando
em direcção ao Oceano Ártico .Esta separação seguiu-se à partição
da plataforma de gelo Ward Hunt em 2002. A plataforma de gelo
de Ward Hunt perdeu 90% da sua extensão no último século.
Hidrogeografia GA106 89

Europa do Norte
As ilhas árcticas ao norte da Noruega, Finlândia e Rússia mostram,
todas elas, evidências de recuo dos glaciares. No arquipélago de
Svalbard, a ilha de Spitsbergen possui numerosos glaciares.
Estudos indicam que o glaciar Hansbreen em Spitsbergen recuou
1.4 km entre 1936 e 1982 e outros 400 m no período entre 1982 e
1999. O Blomstrandbreen, um outro glaciar de Spitsbergen, recuou
aproximadamente 2 km nos últimos 80 anos. Desde 1960 o recuo
anual médio do Blomstrandbreen foi igual a 35 m, e esta média foi
influenciada pela aceleração do recuo desde 1995. No arquipélago
de Novaya Zemlya, a norte da Rússia, os estudos efectuados
indicam que em 1952 existiam 208 km de linha de costa gelada.
Em 1993 este valor havia diminuído 8% para 198 km.

Gronelândia
Na Gronelândia, o recuo dos glaciares tem sido observado nos
glaciares de descarga, resultando num aumento da velocidade do
gelo e desestabilização do balanço de massa do manto de gelo que
lhes dá origem. O período desde 2000 viu aparecer o recuo em
alguns grandes glaciares que há muito se encontravam estáveis.
Três dos glaciares estudados - Helheim, Kangerdlugssuaq e
Jakobshavn Isbræs - drenam conjuntamente mais de 16% da manto
de gelo da Gronelândia. No caso do glaciar Helheim, os
investigadores utilizaram imagens de satélite para determinar o
movimento e recuo do glaciar. Imagens de satélite e fotografias
áreas das décadas de 1950 e 1970 mostram que a frente do glaciar
se havia mantido imóvel durante décadas. Em 2001 o glaciar entrou
em recuo rápido, e em 2005 havia recuado um total de 7.5 km,
acelerando de 21.33 m/dia para 33.5 m/dia durante aquele período.

Jakobshavn Isbra no oeste da Gronelândia, é um dos principais


glaciares de descarga do manto de gelo da Gronelândia, bem como
o glaciar mais rápido do mundo ao longo do último meio século.
Hidrogeografia GA106 90

Pelo menos desde 1950 que se move a velocidades superiores a 24


m/dia com um ponto terminal estável. Em 2002, a sua ponta
terminal flutuante com 12 km de extensão entrou em recuo
acelerado, com a frente de gelo e ponta terminal a desintegrarem-
se, acelerando para uma velocidade de recuo superior a 30 m/dia.
Numa escala temporal mais curta, porções do tronco principal do
glaciar Kangerdlugssuaq que se moviam a 15 m/dia entre 1998 e
2001, foram observadas a mover-se 40 m/dia no verão de 2005.
Este glaciar não só recuou, como perdeu mais de 100 m da sua
espessura.

Antárctica
A plataforma de gelo Larsen B na antárctica tinha uma área
equivalente à do estado americano de Rhode Island.

O clima da Antárctica é caracterizado pelo frio intenso e grande


aridez. A maior parte do gelo de água doce existente no mundo está
contida nos grandes mantos de gelo que cobrem o continente
antárctico. O exemplo mais dramático de recuo glaciar neste
continente é a perda de grandes secções da plataforma de gelo
Larsen. As plataformas de gelo não são estáveis quando ocorre
derretimento superficial, e o colapso da plataforma de gelo Larsen
foi causado por temperaturas mais altas durante a época de fusão,
que conduziram à ocorrência de derretimento superficial e
consequente formação de lagos pouco profundos sobre a
plataforma de gelo. A plataforma de gelo Larsen perdeu 2500 km²
entre 1995 e 2001. Num período de 35 dias, com início em 31 de
Janeiro de 2002, cerca de 3250 km² da área da plataforma
desintegraram-se. A plataforma apresenta actualmente 40% da sua
extensão estável mínima anterior. Estudos recentes do British
Antarctic Survey prevêem a potencial fragmentação da plataforma
de gelo George VI devida ao aquecimento das correntes oceânicas
resultante do aquecimento global.
Hidrogeografia GA106 91

O glaciar de Pine Island, um glaciar de descarga antárctico que flui


para o Mar de Amundsen, recuou cerca de 5 km em 3 anos. O
ponto terminal do glaciar de Pine Island é uma plataforma de gelo
flutuante, e o ponto em que se encontra emersa está a recuar 1.2 km
por ano. Este glaciar drena uma porção substancial do manto de
gelo da Antárctica Ocidental e tem sido descrito como o ponto
fraco deste manto de gelo. Idêntico padrão de adelgaçamento e
recuo acelerado é observável no vizinho glaciar Thwaites.
Adicionalmente o glaciar Dakshin Gangotri, um pequeno glaciar de
descarga do manto de gelo antárctico, recuou a uma velocidade
média de 0.7 m/ano entre 1983 e 2002. Na Península Antárctica,
que é a única secção da Antárctica que se estende bem para norte
do círculo polar antárctico, existem centenas de glaciares em recuo.
Num estudo de 244 glaciares da península, 212 recuaram em média
600 m desde as primeiras observações efectuadas em 1953. O
maior recuo deu-se no glaciar Sjogren, que se encontra agora 13
km mais distante da costa do que na sua posição de 1953. Existem
32 glaciares que se observou terem avançado; no entanto este
avanço foi modesto, em média 300 m por glaciar, o que é
significativamente menor que o recuo maciço observado.

Sumário
Hidrologia dos glaciares é a descrição (origem, características e
distribuição) das águas que se encontram em zonas frias sob forma
de gelo (glaciares). Os glaciares são grandes massas de gelo que
encontram-se localizadas nas regiões frias, se formam pela
acumulação, compactação e recristalização da neve. Quando a
temperatura do ar baixa até 0ºC, o vapor água condensa-se
formando em cristais sólidos. Estes cristais caem na superfície sob
forma de neves.

Os glaciares subdividem-se em: glaciares continentais, também


chamados Inlandsis, que correspondem a aqueles que se
Hidrogeografia GA106 92

desenvolvem nos continentes a dentro e glaciares de montanha, que


equivale a aqueles que se localizam nas altitudes elevadas.

Dentre as principais regiões glaciárias destacam-se, a Antárctica, a


Gronelândia, a Europa do norte, o Canada, e a Islândia.

Exercícios
Entregar o exercício 1 e 2 desta unidade.

1. Faça a distinção entre a hidrologia dos glaciares e os


glaciares.
2. Descreva com ligeira profundidade sobre os possíveis
factores que estão por detrás da formação de gelo nas
grandes regiões glaciárias.
Hidrogeografia GA106 93

Unidade XI
O balanço do gelo e da água nos
glaciares

Introdução
Nesta unidade iremos incidir o nosso estudo no balanço do gelo e
da água nos glaciares, do regime e movimentos dos glaciares e do
trabalho dos glaciares.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Explicar o balanço de gelo e das águas nos glaciares;

 Descrever o regime e os movimentos dos glaciares; e


Objectivos

 Explicar o trabalho dos glaciares.

O balanço do gelo e da água nos glaciares


O balanço de gelo será a diferença entre a acumulação e a ablação
de um glaciar expressa, habitualmente, em volume de água
equivalente por unidade de superfície ou por outra o balanço do
gelo esta baseado no princípio de que durante um certo intervalo de
tempo as afluências totais de neve numa bacia deve ser igual ao
total das saídas. Mas normalmente tem havido variação, positiva ou
negativa, do volume de neves armazenado nessa bacia.
Hidrogeografia GA106 94

Podemos dizer que o balanço do gelo tem sido negativo, pois,


estamos numa era em que temos registado um aumento gradual da
temperatura global. Note: estudos feitos pelos glaciólogos mostram
uma coincidência temporal do recuo dos glaciares com o aumento
medido da concentração de gases do efeito estufa na atmosfera que
resultam um aquecimento global. As cordilheiras montanhosas das
zonas temperadas como os Himalaias, Alpes, Montanhas Rochosas,
Cordilheira das Cascatas e os Andes meridionais, bem como cumes
tropicais isolados como o Monte Kilimanjaro na África,
apresentam, proporcionalmente, a maior diminuição da extensão
dos glaciares.

A Pequena Idade do Gelo foi um período, que se estendeu


aproximadamente de 1550 a 1850, em que o mundo esteve sob
temperaturas relativamente baixas quando comparadas com as
actuais. Subsequentemente, até 1940 os glaciares um pouco por
todo o mundo retrocederam à medida que o clima se tornava mais
quente. O recuo glaciar abrandou, e em muitos casos foi mesmo
revertido, entre 1950 e 1980 em resultado de um ligeiro
arrefecimento global. Porém, desde 1980 um significativo
aquecimento global tem conduzido ao recuo cada vez mais rápido e
generalizado, de tal forma que muitos glaciares desapareceram e a
existência de grande parte dos que restam no mundo está
ameaçada. Em regiões como os Andes na América do Sul e
Himalaias na Ásia, o desaparecimento dos glaciares aí existentes
poderá afectar significativamente os recursos hídricos disponíveis.

A regressão dos glaciares de montanha, especialmente na América


do Norte ocidental, Ásia, Alpes, Indonésia e África e ainda nas
regiões tropicais e subtropicais da América do Sul, tem sido
utilizada como evidência qualitativa do aumento da temperatura ao
nível planetário desde o final do século XIX. Os recentes recuo
substancial e aumento da velocidade de recuo verificados desde
1995 em certos glaciares dos mantos de gelo da Gronelândia e da
Hidrogeografia GA106 95

Antárctida Ocidental, podem ser o prenúncio de uma subida do


nível do mar, com efeitos potencialmente dramáticos nas regiões
costeiras de todo o mundo.

Quanto ao balanço das águas nos glaciares podemos dizer que, na


actualidade com as alterações climáticas verificadas a nível global
as zonas polares tem recebido mais água do que retira. Ora
vejamos:

“Desde o início da década de 1960 os glaciares de montanha,


em todo o Mundo, sofreram uma perda de volume estimada em
mais de 4000 quilómetros cúbicos de água – superior à
descarga anual dos rios Orinoco, Congo, Yang tse e Mississípi
todos juntos. Esta perda foi duas vezes mais rápida durante a
década de 1990 do que nas décadas anteriores.
A medida mais rigorosa da alteração dos glaciares é o balanço
de massa, a diferença entre a acumulação (a massa acrescida
sob a forma de neve) e a ablação (a perda de massa devida à
fusão ou ao desprendimento de grandes blocos de gelo).
Mesmo que a precipitação aumente, o balanço de massa pode
reduzir-se se temperaturas mais elevadas fizerem com que a
precipitação caia sob a forma de chuva em vez de neve.

Uma vez que as mudanças de massa são difíceis de medir, o


recuo dos glaciares é mais frequentemente descrito como uma
perda de área do glaciar, ou como a distância que a frente (o
término) do glaciar retrocedeu” (http://www.revista-
temas.com)

Concluímos, diante desta afirmação que o balanço das águas nos


glaciares é positivo na medida em que, nas regiões polares, devido
ao aumento da temperatura, há um degelo contínuo e associado a
este as precipitações são em forma de chuva (no estado liquido).

Regime e movimento de glaciares


“Uma das variáveis que diferenciam o comportamento de um
rio [podendo ser glacial] do de outro é o seu regime, que é a
relação das variações de caudal [nível] durante um ano. Temos
assim, que um rio [glacial] alcança o seu nível mínimo em
certas épocas em que as aguas [neves] estão baixas, isto é, o
caudal [nível] é fraco ou nulo.

Pelo contrário, quando as chuvas [neves] são abundantes, ou o


degelo é considerável, o caudal do rio [glacial] cresce
rapidamente e termina lentamente” (FACULDADE DE
LETRAS DA UEM 1982, p. 74).
Hidrogeografia GA106 96

Podemos afirmar que o aumento ou a diminuição do nível do


glacial depende da estação do ano predominante.

Enquanto na região intertropical é caracterizado por apresentar um


verão intenso, as regiões polares são caracterizadas por terem
invernos rigorosos, onde as temperaturas são extremamente baixas
que reduzem a capacidade do ar em conter o vapor de água. Assim,
apresentam fraca precipitação, que é predominantemente de neve,
concentrada em época menos fria. Estas zonas apresentam um
verão muito curto e pouco quente, com temperatura do mês mais
quente superior a 10 ºC.

Podemos então dizer que é no período de inverno, que é extremo,


onde a neve precipitada em épocas menos fria compacta-se e
aumenta o nível das geleiras.

O aumento dos gelos também esta associado as

“fases glaciárias, a última glaciação que foi a de Wurm,


começou a cerca de 70 000 anos e terminou a cerca de 10 000
anos. Actualmente vivemos numa fase pós – glaciária. Pode-se
admitir que esta seja apenas uma fase interglaciária, estando
assim para vir dentro de algumas dezenas de milhares de anos
outra fase glaciária. Nada permite apoiar ou refutar esta
hipótese.

É evidente que glaciações tão extensas não puderam deixar de


ter enormes repercussões em todo o mundo. O clima alterou-se
profundamente, em especial nas latitudes médias. A
temperatura baixou de modo sensível, e nas regiões vizinhas
dos glaciares o clima tornou-se siberiano.

Nas regiões temperadas, as florestas cederam lugar a tundra. O


limite setentrional das florestas desceram ate ao sul da França.
Em Portugal, as condições deviam então assemelhar-se as que
existem actualmente na Escandinávia. A fauna modificou-se
quase por completo. […].

O nível do mar sofreu grandes oscilações durante o


quaternário. Nas fases glaciárias, deu-se uma descida, devido a
acumulação da massa de gelo nas latitudes elevadas. Para a
glaciação de Wurm, admite-se uma descida de pelo menos 100
m em relação ao nível actual. Nas fases interglaciárias, deu-se
de novo uma subida do mar, em consequência do degelo.”
(KNAPIC s/d, p. 91 - 93)
Hidrogeografia GA106 97

Figura 13 – Recuo do gelo

Fonte: Internet – Google

Após a formação do glacial, que resulta da compressão do nevado


(resulta da pressão crescente que as camadas superiores exercem
sobre a neve, que vai se comprimindo e sofrendo sucessivas
recristalizações, ate atingir a estrutura granular bem visível),

“sob a acção de gravidade, o gelo vai se deslocando das


regiões mais elevadas para as regiões mais baixas. O modo
como o movimento, mais lento ou mais rápido, se realiza é
bastante complexo.

Por um lado, toda a massa de gelo desliza sob a base rochosa


mais ou menos inclinada. Neste deslocamento intervêm o
efeito lubrificador da água de fusão resultante de um aumento
local de pressão.

Por outro lado, a massa de gelo, abaixo de 50 m, comporta-se


como um material plástico em resultado da estrutura do gelo.
As várias camadas sobrepostas tendem a deslizar umas sobre
as outras. Este movimento interno diminui com a
profundidade, devido ao crescente atrito exercido pela base
rochosa.” (idem, p. 84)

Trabalhos dos glaciares


A acção do gelo modifica bastante o aspecto de uma região. As
altas montanhas estão sujeito a erosão e as regiões baixas a
deposição.

Os glaciares exercem uma acção de erosão, transporte e deposição.


A erosão glacial realiza-se por dois processos:
Hidrogeografia GA106 98

1. A abrasão, esta erosão é feita por fragmentos de rochas


contidos no glaciar sobre as rochas do fundo, resultante da
pressão directa que os gelos exercem sobre as rochas e
através do qual consegue desalojar os blocos, mais ou
menos soltos devido a água que congelou nas diáclases
(fissuras);

2. Um aumento da pressão em um determinado local pode


provocar a fusão de gelo e posteriormente a água derretida,
penetra nas fendas das rochas e nelas voltam a congelar,
desde que a pressão baixe. Assim um aumento do volume
ocasionado pelo congelamento da água no interior das
fendas das rochas, pode criar pressão capaz de separar
grandes blocos. A partir do material transportado pelo
glaciar podendo ser pequenos graus de areia até enormes
blocos de rochas com centenas de toneladas, os glaciares
exercem uma alteração intensa sobre o fundo e as paredes
do vale. Isto pode ser comprovado nas rochas que
apresentam estrias (riscos ou traços) orientados de acordo
com o movimento do gelo e as superfícies polidas em
consequência da abrasão.

Em regiões continentais, outrora ocupadas por glaciares,


apresentam normalmente um relevo de planície ondulados e com
colinas de rochas estriadas e polidas, o relevo apresentam um
pendor suave do lado do avanço do gelo.

A retirada do glaciar de montanha põem a descoberta diferentes


formas. Os circos onde as neves e o gelo se acumulou, constituem –
se depressões em anfiteatros de fundo plano ou ondulado por vezes
ocupado por lagos; os vales apresentam uma forma de U.
Hidrogeografia GA106 99

O transporte dos glaciares compreende um deslocamento de


grandes quantidades de materiais com variadas dimensões. Dentre
os materiais transportados destacam-se as Moreias, podendo ser
superficial, de fundo laterais, se ficam junto das vertentes e centrais
se ficam no meio do vale. Estas moreias resultam da junção das
moreias de glaciares afluentes.

A deposição do material transportado verifica-se na extremidade do


glacial pela fusão do gelo. Desta deposição se resulta as moreias
frontais que podem atingir dezenas de metros de altura.

Sumário
O balanço do gelo corresponde a diferença entre a acumulação e a
ablação do gelo na superfície terrestre. A terra tem verificado um
balanço do gelo negativo, pois, actualmente vive-se uma época de
intensa emissão de gases de efeito de estufa, protagonizado pela
actividade industrial.

As águas nas regiões glaciárias tem um balaço positivo porque de


acordo com as premissas supra citadas temos verificado um
crescente derretimento do gelo, tomando neste caso a forma de
água e associado a isto tem-se verificado a precipitação líquida.

Os glaciares apresentam momentos de baixas e altas do seu nível.


A isto designamos de regime dos glaciares.

O regime dos glaciares está estritamente relacionado com as


estações do ano, isto é, no período de inverno, devido a
precipitação sólida, os glaciares tende a aumentar e no período de
verão decorre o contrário.

O regime dos glaciares, para além das estações do ano, está


relacionado com as glaciações.
Hidrogeografia GA106 100

Os glaciares não se encontram estáticos. Eles são submetidos a


forças existentes na natureza que determinam a sua movimentação.
A inclinação (gravidade) tem sido a responsável pelo seu
deslocamento, donde os glaciares se deslocam de pontos altos para
as zonas baixas.

No momento em que os glaciares se deslocam, eles exercem


pressão nas rochas subjacentes, ou seja, a partir do material
transportado pelo glaciar podendo ser pequenos graus de areia até
enormes blocos de rochas com centenas de toneladas, os glaciares
exercem uma alteração intensa sobre o fundo e as paredes do vale.
Isto pode ser comprovado nas rochas que apresentam riscos ou
traços orientados de acordo com o movimento do gelo e as
superfícies polidas em consequência da abrasão.

Exercícios

Entregar o exercício 1 e 2 desta unidade.

1. Fale sobre o balanço dos glaciares e da água nos


glaciares.
2. De que maneira se comportam os níveis (regime)
dos glaciares.
Hidrogeografia GA106 101

Unidade XII
Os reservatórios aquáticos
especiais - águas subterrâneas

Introdução
Esta unidade pretende fornecer ideias em torno do conceito, origem
e distribuição das águas subterrâneas na terra e abordar também
sobre os aquíferos.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Conceituar as águas subterrâneas;

 Demonstrar a origem das águas subterrâneas;


Objectivos

 Tomar conhecimentos sobre a distribuição das águas subterrâneas; e

 Caracterizar os aquíferos.

Definição e a origem da água subterrânea


É toda a formação geológica com capacidade de armazenar e
transmitir a agua e cuja exploração seja economicamente rentável,
por outro podemos simplesmente dizer que são águas que se
encontram debaixo da superfície da Terra. A existência destas
águas esta associada com a origem da hidrosfera. Ela origina-se a
partir de três fontes, nomeadamente, a infiltração da água
Hidrogeografia GA106 102

proveniente das chuvas no subsolo; a água armadilhada em grandes


profundidades durante a sedimentação; e a agua proveniente de
maiores profundidades durante a actividade vulcânica (agua
juvenil).

Devido as forças de adesão e de gravidade as aguas subterrâneas


desempenham um papel essencial na manutenção da humidade do
solo, do fluxo dos rios e lagos. As águas subterrâneas cumprem
uma fase do ciclo hidrológico, uma vez que constituem uma
parcela da água precipitada.

Após a precipitação, parte das águas que atinge o solo se infiltra e


percola no interior do subsolo, durante períodos de tempo
extremamente variáveis, decorrentes de muitos factores:

 Porosidade do subsolo: a presença de argila no solo diminui


sua permeabilidade, não permitindo uma grande infiltração;

 Cobertura vegetal: um solo coberto por vegetação é mais


permeável do que um solo desmatado;

 Inclinação do terreno: em declividades acentuadas a água


corre mais rapidamente, diminuindo a possibilidade de
infiltração;

 Tipo de chuva: chuvas intensas saturam rapidamente o solo,


ao passo que chuvas finas e demoradas têm mais tempo
para se infiltrarem.

Durante a infiltração, uma parcela da água sob a acção da força de


adesão ou de capilaridade fica retida nas regiões mais próximas da
superfície do solo, constituindo a zona não saturada. Outra parcela,
sob a acção da gravidade, atinge as zonas mais profundas do
subsolo, constituindo a zona saturada.
Hidrogeografia GA106 103

Figura 14 - Caracterização esquemática das zonas não saturada e


saturada no subsolo

Fonte: Internet – Google

Figura 15 – Distribuição da água no


subsolo

Fonte: Internet – Google

 Zona não saturada: também chamada de zona de aeração


ou vadosa, é a parte do solo que está parcialmente
preenchida por água. Nesta zona, pequenas quantidades de
Hidrogeografia GA106 104

água distribuem-se uniformemente, sendo que as suas


moléculas se aderem às superfícies dos grãos do solo. Nesta
zona ocorre o fenómeno da transpiração pelas raízes das
plantas, de filtração e de auto depuração da água. Dentro
desta zona encontra-se: Zona de humidade do solo, é a parte
mais superficial, onde a perda de água de adesão para a
atmosfera é intensa. Em alguns casos é muito grande a
quantidade de sais que se precipitam na superfície do solo
após a evaporação dessa água, dando origem a solos
salinizados ou a crostas ferruginosas (lateríticas). Esta zona
serve de suporte fundamental da biomassa vegetal natural
ou cultivada da Terra e da interface atmosfera / litosfera;
Zona intermediária, região compreendida entre a zona de
humidade do solo e da franja capilar, com humidade menor
do que nesta última e maior do que a da zona superficial do
solo. Em áreas onde o nível freático está próximo da
superfície, a zona intermediária pode não existir, pois a
franja capilar atinge a superfície do solo. São brejos e
alagadiços, onde há uma intensa evaporação da água
subterrânea; Franja de capilaridade: é a região mais
próxima ao nível da água do lençol freático, onde a
humidade é maior devido à presença da zona saturada logo
abaixo.

 Zona saturada: é a região abaixo da zona não saturada onde


os poros ou fracturas da rocha estão totalmente preenchidos
por água. As águas atingem esta zona por gravidade, através
dos poros ou fracturas até alcançar uma profundidade
limite, onde as rochas estão tão saturadas que a água não
pode penetrar mais. Para que haja infiltração até a zona
saturada, é necessário primeiro satisfazer as necessidades da
força de adesão na zona não saturada. Nesta zona, a água
corresponde ao excedente de água da zona não saturada que
Hidrogeografia GA106 105

se move em velocidades muito lentas (em dia), formando o


manancial subterrâneo propriamente dito. Uma parcela
dessa água irá desaguar na superfície dos terrenos,
formando as fontes, olhos de água. A outra parcela desse
fluxo subterrâneo forma o caudal basal que desagua nos
rios, perenizando-os durante os períodos de estiagem, com
uma contribuição multianual média da ordem de 13.000
km³/ano, ou desagua directamente nos lagos e oceanos.

A superfície que separa a zona saturada da zona de aeração é


chamada de nível freático, ou seja, este nível corresponde ao topo
da zona saturada. Dependendo das características climatológicas da
região ou do volume de precipitação e escoamento da água, esse
nível pode permanecer permanentemente a grandes profundidades,
ou se aproximar da superfície horizontal do terreno, originando as
zonas encharcadas ou pantanosas, ou convertendo-se em
mananciais (nascentes) quando se aproxima da superfície através
de um corte no terreno.

Fig 16 – Distribuição da água no subsolo


Hidrogeografia GA106 106

Fonte: DNAEE, citando Studart e Campos

São colocadas as três figuras para que o estudante faça a leitura da


distribuição da água no solo em diferentes perspectivas de modo
que desta forma tenha uma compreensão plena do conteúdo.

A distribuição das águas subterrâneas no globo terrestre


Assim como a distribuição das águas superficiais é muito variável,
a das águas subterrâneas também é, uma vez que elas se inter-
relacionam no ciclo hidrológico e dependem das condições
climatológicas. Entretanto, as águas subterrâneas (10.360.230 km³)
são aproximadamente 100 vezes mais abundantes que as águas
superficiais dos rios e lagos (92.168 km).

Alguns especialistas indicam que a quantidade de água subterrânea


pode chegar até 60 milhões de km³, mas a sua ocorrência em
grandes profundidades pode impossibilitar seu uso. Por essa razão,
a quantidade passível de ser captada estaria a menos de 4.000
metros de profundidade, compreendendo cerca de 8 e 10 milhões
de km³, que, estaria assim distribuída: 65.000 km³ constituindo a
Hidrogeografia GA106 107

humidade do solo; 4,2 milhões de km³ desde a zona não-saturada


até 750 m de profundidade, e 5,3 milhões de km³ de 750 m até
4.000 m de profundidade, constituindo o manancial subterrâneo.

Além disso, a quantidade de água capaz de ser armazenada pelas


rochas e pelos materiais não consolidados em geral depende da
porosidade dessas rochas, que pode ser de até 45%, da
comunicação desses poros entre si ou da quantidade e tamanho das
aberturas de fracturas existentes.

No Brasil por exemplo, as reservas de água subterrânea são


estimadas em 112.000 km³ (112 trilhões de m³) e a contribuição
multianual média à descarga dos rios é da ordem de 2.400 km³
/ano. Nem todas as formações geológicas possuem características
hidrodinâmicas que possibilitem a extracção económica de água
subterrânea para atendimento de médias e grandes vazões pontuais.
As vazões já obtidas por poços variam, no Brasil, desde menos de 1
m³/h até mais de 1.000 m³/h.

Na Argentina, a contribuição multianual média à descarga dos rios


é da ordem de 128 km³/ano, no Paraguai, de 41 km³/ano e no
Uruguai, de 23 km³/ano.

Os aquíferos
Aquífero é uma formação geológica do subsolo, constituída por
rochas permeáveis, que armazena água em seus poros ou fracturas.
Outro conceito refere-se a aquífero como sendo, somente, o
material geológico capaz de servir de depositório e de transmissor
da água aí armazenada. Assim, uma litologia só será aquífera se,
além de ter seus poros saturados (cheios) de água, permitir a fácil
transmissão da água armazenada.

Um aquífero pode ter extensão de poucos quilómetros quadrados a


milhares de quilómetros quadrados, ou pode, também, apresentar
Hidrogeografia GA106 108

espessuras de poucos metros a centenas de metros.


Etimologicamente, aquífero significa: aqui – água e fero -
transfere; ou do grego, suporte de água.

Os aquíferos mais importantes do mundo, seja por extensão ou pela


transnacionalidade, são: o Guarani - Argentina, Brasil, Paraguai,
Uruguai perfazendo 1,2 milhões de km²; o Arenito Núbia Líbia,
Egipto, Chade, Sudão, com 2 milhões de km²; o KalaharijKaroo -
Namíbia, Bostwana, África do Sul, com 135 mil km²; o
Digitalwaterway vechte - Alemanha, Holanda, correspondendo a
7,5 mil km²; o SlovakKarst-Aggtelek - República Eslováquia e
Hungria; o Praded - República Checa e Polônia, com 3,3 mil km²; a
Grande Bacia Artesiana, apresentando 1,7 milhões km² e a Bacia
Murray com 297 mil km², ambos na Austrália. Em um recente
levantamento, constatou-se que existem mais de 100 aquíferos
transnacionais naquele continente.

Tipos de aquifero
A litologia do aquífero, ou seja, a sua constituição geológica
(porosidade ou permeabilidade intergranular ou de fissuras) é que
irá determinar a velocidade da água em seu meio, a qualidade da
água e a sua qualidade como reservatório. Essa litologia é
decorrente da sua origem geológica, que pode ser fluvial, lacustre,
eólica, glacial e aluvial (rochas sedimentares), vulcânica (rochas
fracturadas) e metamórfica (rochas calcárias), determinando os
diferentes tipos de aquíferos.

Quanto à porosidade, existem três tipos aquíferos (figura 2.2):

 Aquífero poroso ou sedimentar - é aquele formado por


sedimentos inconsolidados ou solos arenosos, onde a
circulação da água se faz nos poros formados entre os grãos
de areia, silte e argila de granulação variada. Constituem os
mais importantes aquíferos, pelo grande volume de água
Hidrogeografia GA106 109

que armazenam, e por sua ocorrência em grandes áreas.


Esses aquíferos ocorrem nas bacias sedimentares e em todas
as várzeas onde se acumularam sedimentos arenosos. Uma
particularidade desse tipo de aquífero é sua porosidade
quase sempre homogeneamente distribuída, permitindo que
a água flua para qualquer direcção, em função tão somente
dos diferenciais de pressão hidrostática ali existente. Essa
propriedade é conhecida como isotropia.

 Aquífero fracturado ou fissural - formado por rochas


vulcânicas, metamórficas ou cristalinas, duras e maciças,
onde a circulação da água se faz nas fracturas, fendas e
falhas, abertas devido ao movimento tectónico. O exemplo
vai para o basalto, granitos, gabros, filões de quartzo, entre
outros. A capacidade dessas rochas de acumularem água
está relacionada à quantidade de fraturas, suas aberturas e
intercomunicação, permitindo a infiltração e fluxo da água.
Poços perfurados nessas rochas fornecem poucos metros
cúbicos de água por hora, sendo que a possibilidade de se
ter um poço produtivo dependerá, tão somente, desse poço
interceptar fraturas capazes de conduzir a água. Nesses
aquíferos, a água só pode fluir onde houver fracturas, que,
quase sempre, tendem a ter orientações preferenciais. São
ditos, portanto, aquíferos anisotrópicos. Um caso particular
de aquífero fracturado é representado pelos derrames de
rochas vulcânicas basálticas, das grandes bacias
sedimentares brasileiras.

 Aquífero cárstico (Karst) - formado em rochas calcárias ou


carbonáticas, onde a circulação da água se faz nas fracturas
e outras descontinuidades (diáclases) que resultaram da
dissolução do carbonato pela água. Essas aberturas podem
atingir grandes dimensões, criando, nesse caso, verdadeiros
rios subterrâneos. São aquíferos heterogéneos,
Hidrogeografia GA106 110

descontínuos, com águas duras, com fluxo em canais. As


rochas são os calcários, dolomitos e mármores.

Figura 17 - Tipos de aquíferos quanto à porosidade

Fonte: Internet – Google

Quanto à superfície superior (segundo a pressão da água), os


aquíferos podem ser de dois tipos:

 Aquífero livre ou freático - é aquele constituído por uma


formação geológica permeável e superficial, totalmente
aflorante em toda a sua extensão, e limitado na base por
uma camada impermeável. A superfície superior da zona
saturada está em equilíbrio com a pressão atmosférica, com
a qual se comunica livremente. Os aquíferos livres têm a
chamada recarga directa. Em aquíferos livres o nível da
água vária segundo a quantidade de chuva. São os aquíferos
mais comuns e mais explorados pela população. São
também os que apresentam maiores problemas de
contaminação.
Hidrogeografia GA106 111

 Aquífero confinado ou artesiano - é aquele constituído por


uma formação geológica permeável, confinada entre duas
camadas impermeáveis ou semipermeáveis. A pressão da
água no topo da zona saturada é maior do que a pressão
atmosférica naquele ponto, o que faz com que a água
ascenda no poço para além da zona aquífera. O seu
reabastecimento ou recarga, através das chuvas, dá-se
preferencialmente nos locais onde a formação aflora à
superfície. Neles, o nível da água encontra-se sob pressão,
podendo causar artesianismo nos poços que captam suas
águas. Os aquíferos confinados têm a chamada recarga
indirecta e quase sempre estão em locais onde ocorrem
rochas sedimentares profundas (bacias sedimentares).

O aquífero semi-confinado que é aquele que se encontra limitado


na base, no topo, ou em ambos, por camadas cuja permeabilidade é
menor do que a do aquífero em si. O fluxo preferencial da água se
dá ao longo da camada aquífera. Secundariamente, esse fluxo se dá
através das camadas semi-confinantes, à medida que haja uma
diferença de pressão hidrostática entre a camada aquífera e as
camadas subjacentes ou sobrejacentes. Em certas circunstâncias,
um aquífero livre poderá ser abastecido por água oriunda de
camadas semiconfinadas subjacentes, ou vice-versa. Zonas de
fracturas ou falhas geológicas poderão, também, constituir-se em
pontos de fuga ou recarga da água da camada confinada.

Em uma perfuração de um aquífero confinado, a água subirá acima


do teto do aquífero, devido à pressão exercida pelo peso das
camadas confinantes sobrejacentes. A altura a que a água sobe
chama-se nível potenciométrico e o furo é artesiano. Numa
perfuração de um aquífero livre, o nível da água não varia porque
corresponde ao nível da água no aquífero, isto é, a água está à
mesma pressão que a pressão atmosférica. O nível da água é
designado então de nível freático.
Hidrogeografia GA106 112

Figura 18 - Tipos de aquíferos quanto à pressão

fonte: internet – Google

Áreas de reabastecimento e descarga do aquífero


Um aquífero apresenta uma reserva permanente de água e uma
reserva activa ou reguladora que são continuamente abastecidas
através da infiltração da chuva e de outras fontes subterrâneas. As
reservas reguladoras ou activas correspondem ao escoamento de
base dos rios.

A área por onde ocorre o abastecimento do aquífero é chamada


zona de recarga, que pode ser directa ou indirecta. O escoamento
de parte da água do aquífero ocorre na zona de descarga.

 Zona de recarga directa: é aquela onde as águas da chuva


se infiltram directamente no aquífero, através de suas áreas
de afloramento e fissuras de rochas sobrejacentes. Sendo
assim, a recarga sempre é directa nos aquíferos livres,
ocorrendo em toda a superfície acima do lençol freático.
Nos aquíferos confinados, o reabastecimento ocorre
preferencialmente nos locais onde a formação portadora de
água aflora à superfície.
Hidrogeografia GA106 113

 Zona de recarga indirecta: são aquelas onde o


reabastecimento do aquífero se dá a partir da drenagem
(filtração vertical) superficial das águas e do fluxo
subterrâneo indirecto, ao longo do pacote confinante
sobrejacente, nas áreas onde a carga potenciométrica
favorece os fluxos descendentes.

 Zona de descarga: é aquela por onde as águas emergem do


sistema, alimentando rios e jorrando com pressão por poços
artesianos.

As maiores taxas de recarga ocorrem nas regiões planas, bem


arborizadas, e nos aquíferos livres. Nas regiões de relevo
acidentado, sem cobertura vegetal, sujeitas a práticas de uso e
ocupação que favorecem as enxurradas, a recarga ocorre mais
lentamente e de maneira limitada.

Sob condições naturais, apenas uma parcela dessas reservas


reguladoras é passível de exploração, constituindo o potencial ou
reserva explorável Em geral, esta parcela é calculada entre 25% e
50% das reservas reguladoras. Esse volume de exploração pode
aumentar em função das condições de ocorrência e recarga, bem
como dos meios técnicos e financeiros disponíveis, considerando
que a soma das extracções com as descargas naturais do aquífero
para rios e oceano, não pode ser superior à recarga natural do
aquífero.

Figura 19 – Zonas de recarga (por precipitação e agua dos rios) e


descarga (para o rio)
Hidrogeografia GA106 114

Fonte: Wilhelm Struckmeier, Yoram Rubin e JAA Jones in Aguas


subterrâneas – reservatório para um planeta com sede?: Ciências da
terra para a sociedade.

Funções dos Aquíferos


Além de suprir água suficiente para manter os cursos de águas
superficiais estáveis (função de produção), os aquíferos também
ajudam a evitar seu transbordamento, absorvendo o excesso da
água da chuva intensa (função de regularização). Na Ásia tropical,
onde a estação quente pode durar até nove meses e onde as chuvas
de monção podem ser bastante intensas, esse duplo serviço
hidrológico é crucial.

Os aquíferos também proporcionam uma forma de armazenar água


doce sem muita perda pela evaporação - outro serviço
particularmente valioso em regiões quentes, propensas à seca, onde
essas perdas podem ser extremamente altas. Na África, por
exemplo, em média, um terço da água extraída de reservatórios
todo ano perde-se pela evaporação. Os pântanos, habitats
importantes para as aves, peixes e outras formas de vida silvestre,
nutrem-se, normalmente, de água subterrânea, onde o lençol
freático aflora à superfície em ritmo constante. Onde há muita
exaustão de água subterrânea, o resultado é, frequentemente, leitos
secos de rios e pântanos ressecados.
Hidrogeografia GA106 115

Portanto, os aquíferos podem cumprir as seguintes funções:

 Função de produção: corresponde à sua função mais


tradicional de produção de água para o consumo humano,
industrial ou irrigação.

 Função de estucassem (relativo a reservas ou “stokes”) e


regularização: utilização do aquífero para estocar
excedentes de água que ocorrem durante as enchentes dos
rios, correspondentes à capacidade máxima das estações de
tratamento durante os períodos de demanda baixa.

 Função de filtro: corresponde à utilização da capacidade


filtrante e de depuração biogeoquímica do maciço natural
permeável. Para isso, são implantados poços a distâncias
adequadas de rios perenes, lagoas, lagos ou reservatórios,
para extrair água naturalmente clarificada e purificada,
reduzindo substancialmente os custos dos processos
convencionais de tratamento.

 Função transporte: o aquífero é utilizado como um sistema


de transporte de água entre zonas de recarga artificial ou
natural e áreas de extracção excessiva.

 Função estratégica: a água contida em um aquífero foi


acumulada durante muitos anos ou até séculos e é uma
reserva estratégica para épocas de pouca ou nenhuma
chuva. O gerenciamento integrado das águas superficiais e
subterrâneas de áreas metropolitanas, inclusive mediante
práticas de recarga artificial com excedentes da capacidade
das estações de tratamento, os quais ocorrem durante os
períodos de menor consumo, com infiltração de águas
pluviais e esgotos tratados, originam grandes volumes
hídricos. Esses poderão ser bombeados para atender o
consumo essencial nos picos sazonais de demanda, nos
Hidrogeografia GA106 116

períodos de escassez relativa e em situações de emergência


resultantes de acidentes naturais, como avalanches,
enchentes e outros tipos de acidentes que reduzem a
capacidade do sistema básico de água da metrópole em
questão.

 Função energética: utilização de água subterrânea aquecida


pelo gradiente geotermal como fonte de energia eléctrica ou
termal.

 Função mantedora: mantém o fluxo de base dos rios.

Sumário
As águas subterrâneas apresentam-se localizadas no subsolo. Elas
surgem na medida que surge a hidrosfera e daqui em diante são
reabastecidas por águas da chuva, por água armadilhada na
profundidade e da água juvenil.

As aguas subterrâneas correspondem a cerca de 10.360.230 km³ e é


aproximadamente 100 vezes mais abundantes que as águas
superficiais, dos rios e lagos, o equivalente a 92.168 km³.

Os aquíferos são locais que suportam a agua subterrânea. Quanto à


porosidade, elas subdividem-se em, aquífero poroso ou sedimentar,
que é aquele formado por sedimentos inconsolidados ou solos
arenosos, onde a circulação da água se faz nos poros formados
entre os grãos de areia, silte e argila de granulação variada;
aqüífero fracturado ou fissural, sendo formado por rochas
vulcanicas, metamórficas ou cristalinas, duras e maciças, onde a
circulação da água se faz nas fraturas, fendas e falhas, abertas
devido ao movimento tectónico; e aquífero cárstico, que é formado
em rochas calcárias ou carbonáticas, onde a circulação da água se
faz nas fracturas.
Hidrogeografia GA106 117

Quanto a pressão os aquíferos dividem-se em aquífero livre ou


freático, é aquele constituído por uma formação geológica
permeável e superficial, totalmente aflorante em toda a sua
extensão, e limitado na base por uma camada impermeável; e
aquífero confinado ou artesiano, que é aquele constituído por uma
formação geológica permeável, confinada entre duas camadas
impermeáveis ou semipermeáveis.

Exercícios
Entregar todos exercícios desta unidade.

1. Distinga os aquíferos das águas subterrâneas.


2. Qual é a origem das aguas da subsuperficie?
3. Mencione a importância delas.
4. Classifique de acordo com a porosidade e pressão.
Hidrogeografia GA106 118

Unidade XIII
Os movimentos das águas
subterrâneas

Introdução
Esta unidade nos dará conhecimentos sobre os movimentos das
águas subterrâneas, o balanço hídrico e o seu regime.

Como todo corpo na natureza, as águas subterrâneas encontram-se


também submetidas a forças naturais que determinam o seu
movimento.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Descrever os movimentos das águas subterrâneas;

 Explicar o balanço hídrico águas subterrâneas; e


Objectivos

 Descrever o seu regime.

Movimentos das águas subterrâneas


Além da força gravitacional e das características dos solos,
sedimentos e rochas, o movimento da água no subsolo é controlado
também pela força de atracção molecular e tensão superficial. A
atracção molecular age quando moléculas de água são presas na
superfície de argilominerais por atração de cargas opostas, pois a
Hidrogeografia GA106 119

molécula de água é polar. Este fenómeno ocorre principalmente nos


primeiros metros de profundidade, no solo ou regolitos, rico em
argilominerais. A tensão superficial tem efeito nos interstícios
muito pequenos, onde a água fica presa nas paredes dos poros,
podendo ter movimento ascendente, contra a gravidade, por
capilaridade. A absorção de água em argilominerais e nos capilares
dificulta seu movimento nas proximidades da superfície, reduzindo
sua evaporação e infiltração. Assim, conforme o tamanho do poro,
a água pode ser hidroscópica (absorvida) e praticamente imóvel,
capilar quando sofre acção da tensão superficial movendo-se
lentamente ou gravitacional (livre) em poros maiores, que
permitem movimento mais rápido.

O limite inferior da percolação (movimento) de água é dado


quando as rochas não admitem mais espaços abertos (poros) devido
a pressão da pilha de rochas sobrejacentes. Esta profundidade
atinge um máximo de 10.000m, dependendo da situação
topográfica e do tipo de rocha. Pode-se imaginar então que toda

Água de infiltração tende a atingir este limite inferior, onde sofre


um represamento, preenchendo todos os espaços abertos em
direcção a superfície.

Estabelece-se assim uma zona onde todos os poros estão cheios de


água, denominada zona saturada ou freática. Acima desse nível, os

espaços vazios estão parcialmente preenchidos por água, contendo


também ar, definindo a zona não saturada, também chamada de
vadosa ou zona de aeração. O limite entre estas duas zonas é uma
importante superfície denominada superfície freática (SF) ou nível
da água subterrânea (nível de agua - NA), facilmente identificado
na pratica, ao se perfurarem poços, nos quais a altura da água
marca a posição do nível da água.
Hidrogeografia GA106 120

Além da força gravitacional, o movimento da água subterrânea


também é guiado pela diferença de pressão entre dois pontos,
exercida pela coluna de água sobrejacente ao ponto e pelas rochas
adjacentes. Esta diferença de pressão é chamada de potencial da
água (potencial hidráulico) e promove o movimento da água
subterrânea de pontos com alto potencial, como nas cristas do nível
freático, para zonas de baixo potencial, como em fundo de vales.
Esta pressão exercida pela coluna de água pode causar fluxos
ascendentes da água subterrânea, contrariando a gravidade, como
no caso de porções profundas abaixo de cristas, onde a água tende a
subir para zonas de baixo potencial, junto a leitos de rios e lagos.

A união de pontos com o mesmo potencial hidráulico em


subsuperficie define as linhas equipotenciais do nível freático,
semelhantes a curvas de nível topográficas. O fluxo de água,
partindo de um potencial maior para outro menor, define uma linha
de fluxo, que segue o caminho mais curto entre dois potenciais
diferentes, num traçado perpendicular às linhas equipotenciais.

Figura 20 - Percolação da água subterrânea com linhas de fluxo


equipotenciais

Fonte: Wilhelm Struckmeier, Yoram Rubin e JAA Jones in Aguas


subterrâneas – reservatório para um planeta com sede?: Ciências da
terra para a sociedade.
Hidrogeografia GA106 121

Balanço hídrico e regime das águas subterrâneas


O balanço hidrológico baseia-se no princípio de que durante um
certo intervalo de tempo as afluências totais a uma bacia ou
formação aquática devem ser igual ao total das saídas mais a
variação, positiva ou negativa, do volume de água armazenado
nessa bacia ou massa de água. Neste sentido vejamos se ocorre este
equilíbrio das saídas e entradas nos reservatórios subterrâneos.

De acordo com as Nações Unidas, o volume médio anual de água


renovável é de 43 000 km3. Este valor é cerca de metade de toda a
água doce existente em todos os lagos naturais da Terra e cerca de
dez vezes o volume de todos os reservatórios artificiais.

A recarga de água subterrânea é da ordem dos 10 000 km3 anuais,


(cerca de 0,1% de todos os recursos de água subterrânea) pelo que
apenas uma pequeníssima proporção do volume total das reservas
de água subterrânea é recarregado em cada ano, quando comparado
com toda a enorme quantidade em “stock”.

Alguns sistemas de água subterrânea não são renováveis nas


condições climáticas actuais, uma vez que foram originados
quando existiam climas muito mais húmidos, há cerca de 1000 ou
10 000 anos. Estes reservatórios de água subterrânea estão a ser
explorados de forma cada vez mais intensa em todas as zonas
áridas do mundo. Por exemplo, no nordeste do Sahara, o sistema
aquífero do arenito Núbio encontra-se sob uma área de mais de
dois milhões de quilómetros quadrados que abrange o Chade, o
Egipto, a Líbia e o Sudão, contendo grandes quantidades de água
subterrânea, supondo-se que contenha cerca de cem vezes o valor
actual anual da globalidade do consumo de água.

Calcula-se que existem depósitos gigantes de água subterrânea de


dimensões idênticas ao anterior e recarga limitada em quase todos
os continentes mas a quantidade de água que se pode utilizar a
Hidrogeografia GA106 122

partir dos mesmos é desconhecida. É necessário obter informação


acerca da idade, tempo de residência e fluxo da água no subsolo,
assim como sobre outros aspectos, como as características
geológicas e químicas e os processos envolvidos.

Em muitas partes do mundo, a água subterrânea é crucial para o


desenvolvimento sustentável. Em muitos países, a água potável é
retirada, principalmente, dos reservatórios de água subterrânea,
uma vez que, normalmente, é de grande qualidade, e se encontra
naturalmente protegida, sendo assim de confiança. É óbvio que a
importância relativa dos recursos de água subterrânea irá aumentar
consideravelmente e que a sua exploração cuidadosa e sustentável
deve ser vista tanto como uma condição vital como uma forma de
ultrapassar a crise global da água.

A procura de água aumenta à medida que a população, a actividade


económica e a rega também aumentam. No entanto, os recursos
mundiais acessíveis de água estão a diminuir devido à sua sobre
utilização e poluição.

O equilíbrio entre a procura (consumo) e a oferta (recursos) começa


a deixar de existir. Mais de trinta (30) países sofrem de uma séria
crise crónica de falta de água e a água subterrânea é cada vez mais
usada para fazer face à procura.

A agricultura é a maior consumidora de água no mundo (70%),


seguida da indústria (20%) e dos lares (10%). Esforços
consideráveis têm sido feitos para reduzir o consumo na indústria e
nos lares mas muito continua por fazer no que respeita à eficiência
na irrigação agrícola. O aumento do uso, não sustentável, de água
subterrânea para irrigação em zonas áridas é de particular
gravidade.

A proporção de água utilizada nestes três sectores vária de região


para região e em função dos níveis de desenvolvimento económico.
Hidrogeografia GA106 123

Na Europa e na América do Norte, a água é utilizada,


preferencialmente, pelo sector industrial, enquanto que na Ásia e na
África o principal consumidor é a agricultura. Desta forma, em
muitas regiões áridas e semi-áridas, cerca de 30% da água
subterrânea é extraída para rega e a tendência tem aumentado.

A proporção de água utilizada nestes três sectores vária de região


para região e em função dos níveis de desenvolvimento económico.

Gráfico 1 – Utilização da água subterrânea por sectores

Fonte: Wilhelm Struckmeier, Yoram Rubin e JAA Jones in Aguas


subterrâneas – reservatório para um planeta com sede?: Ciências da
terra para a sociedade. i

Em muitas das regiões áridas do mundo, as políticas correntes de


gestão da água agravaram o problema. Apesar de ser essencial a
redução da exploração dos aquíferos que não são recarregados,
muitos países em climas secos subsidiam essa exploração. A
reutilização de efluentes tratados oferece uma solução parcial para
o problema.

Independentemente das medidas de conservação adoptadas, a


extracção de água subterrânea é quase inevitável. A água
Hidrogeografia GA106 124

subterrânea é, muitas vezes, o único fornecimento de água a um


preço justo. Avanços nas sondagens, construção de poços e
tecnologias de bombeamento e, ainda, a electrificação de áreas
rurais, significam que há um crescente volume de água subterrânea
a ser explorado sem um planeamento adequado. Uma vez que os
fluxos de água subterrânea são muito lentos, as consequências da
sobre exploração podem ser visíveis apenas daqui a alguns anos
ou décadas. Assim, as estratégias futuras deverão incluir uma
monitorização bem planeada da extracção da água subterrânea e da
sua qualidade.

As autoridades deveriam atribuir licenças de exploração da água


subterrânea apenas após o estabelecimento de um plano de base
fidedigno e da implementação de adequados procedimentos de
regulação e monitorização.

Desta forma, a deterioração do volume e da qualidade da água


subterrânea podem ser evitados e, simultaneamente, mantidos os
inúmeros benefícios dos recursos de água subterrânea para a
ecologia da Terra.

A água subterrânea é utilizada por cerca de dois biliões de pessoas


em todo o mundo, levando a que seja o recurso natural mais usado.
A produção anual de água subterrânea é estimada entre 600 e 700
quilómetros cúbicos (biliões de metros cúbicos ou biliões de
toneladas). Em comparação, o consumo anual mundial de areia e
gravilha é cerca de 18 biliões de toneladas, enquanto que o
consumo anual mundial de petróleo é de apenas 3.5 biliões de
toneladas.
Hidrogeografia GA106 125

Tabela 5 - Exploração de água subterrânea comparada com outros


recursos naturais (2001)

Produção anual
(milhões de
Recurso Valor total
toneladas)
(milhões de €)

Água subterrânea (geral) > 600 000 *300 000

Areia e gravilha 18 000 90 000

Hulha e antracite 3 640 101 900

Petróleo 3 560 812 300

Linhite 882 12 300

Ferro 662 16 400

Sal-gema 213 4 500

Gesso 105 1 500

Águas minerais e de mesa 89 22 000

Fosfatos 44 3 000

Fonte: Wilhelm Struckmeier, Yoram Rubin e JAA Jones in Aguas


subterrâneas – reservatório para um planeta com sede?: Ciências da
terra para a sociedade. i

Quanto ao regime das águas subterrâneas, salientar que depende


bastante das recargas de água subterrânea que ocorre por
percolação da água da camada superior do solo que normalmente
não está saturada. Em geral a recarga de um aquífero não é
contínua, mas depende dos eventos de chuva. Durante os períodos
Hidrogeografia GA106 126

de mais chuva e ou menos evapotranspiração é que ocorre a recarga


mais significativa dos aquíferos.

De acordo com Faculdade de Letras da UEM (1982, p. 79) o nivel


das águas subterraneas “depende de varios factores: a) intensidade
das precipitaçoes; b) estaçao do ano; c) grau de humidade; d)
percurso dos cursos de agua; c) proximidade relativa do mar.

Quanto maior for o grau de humidade e pluviosidade, a


proximidade do mar e a existencia dos rios, tanto mais alto sera o
nivel da toalha. Pelo contrario sera menor em regiões de escassa
humidade e durante a estaçao seca”.

Sumário
Os movimentos das águas subterrâneas são determinado em parte
pela lei da gravidade que faz com que os corpos desçam ate partes
inferiores da terra, pela capilaridade que é a força que a água tem
de ascender a superfície se fixando nas partículas de solo próxima.
Este movimento é contra a gravidade. Para além destes
movimentos a água subterrânea também é guiado pela diferença de
pressão entre dois pontos, exercida pela coluna de água
sobrejacente ao ponto e pelas rochas adjacentes. Esta diferença de
pressão é chamada de potencial da água (potencial hidráulico) e
promove o movimento da água subterrânea de pontos com alto
potencial, como nas cristas do nível freático para zonas de baixo
potencial, como em fundo de vales.

Quanto ao balanço das águas subterrâneas, salientar que tem sido


negativo. Nos últimos tempos tem-se visto uma super utilização das
águas superficiais para fins diversos e da contaminação. Assim por se
tornar escasso as águas superficiais ultimamente tem havido uma grande
exploração dos recursos aquáticos do subsolo.
Hidrogeografia GA106 127

O regime das águas subterrâneas varia em função da recarga, isto é, o


nível de águas de um aquífero não é estático, depende dos eventos
de chuva. Durante os períodos de mais chuva e ou menos
evapotranspiração é que ocorre a recarga mais significativa dos
aquíferos.

Exercícios
Entregar o exercício 1 e 2 desta unidade.

1. Explique os mecanismos do movimento das águas


subterrâneas.
2. Argumente porquê o balanço das águas subterrâneas é
negativo.
3. De que depende o regime das aguas subterrâneas.
Hidrogeografia GA106 128

Unidade XIV
A hidrografia dos rios

Introdução
Esta unidade visa descrever aspectos relacionados com a descrição dos
rios, neste caso, o conceito, sua distribuição no globo terrestre, tipos e o
balanço hídrico das suas bacias

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Conceituar os rios;

 Pronunciar-se sobre a sua distribuição no globo terrestre;


Objectivos

 Tipificar os rios; e

 Explicar o balanço da bacia do rio;

Os rios e sua distribuição sobre o globo terrestre

Os rios são agentes de extrema importância no transporte de


materiais intemperizados das áreas elevadas para as mais baixas e
dos continentes para o mar.

Etimologicamente o rio é definido como sendo “uma corrente


contínua, mais ou menos caudalosa, que desagua noutra, no mar, no
lago, ou em depressões interiores” (CHRISTOFOLETTI, 1980 p.
65).
Hidrogeografia GA106 129

Não é fácil estabelecer um padrão a partir do qual uma dada


corrente pode-se chamar rio, o que contribui com que o mesmo
termo seja aplicado para pequenos canais de dezenas, de metros de

comprimento até grandes canais que atravessam continentes


inteiros. Noutros casos, o termo é aplicado até para designar fluxos
desprovidos de água, mas que durante um determinado período do
ano apresentam-se preenchidos de água como acontece com os
chamados rios do deserto.

Para diferenciar estes tipos foi escolhida a designação de rio


intermitente para aqueles que drenam água numa única parte do
ano e tornam-se seco no decorrer da outra e de rio perene para
aqueles que drenam continuamente água ao longo de todo o ano; e
os que permanecem secos durante a maior parte do ano e
comportando fluxos de água só durante e imediatamente após uma
chuva, são denominados de rios efémeros.

Todos acontecimentos que ocorrem na bacia de drenagem


repercutem, directa ou indirectamente nos rios. As condições
climáticas, a cobertura vegetal e a litologia são factores que
controlam a morfogênese das vertentes e, por sua vez, o tipo de
carga detrítica a ser fornecida aos rios.

Assim como outras fontes de água, os rios tiveram sua origem a


partir do surgimento da hidrosfera. Estes são directamente
alimentados pela queda pluviométrica ou pela fusão das neves e
dos glaciares, correntes dos lagos e indirectamente pelo fluxo das
águas subterrânea.

Da montante a jusante, o rio é constituído pelos seguintes elementos:


nascente, afluente e subafluente, a foz, leito ou canal de escoamento e
margens.
Hidrogeografia GA106 130

A nascente é o local onde o rio nasce e situa-se, normalmente, em locais


elevados, onde chove mais, onde a nave cai e se funde. Corre para os
locais mais baixos, onde se encontra a foz, muitas vezes no mar ou num
lago. Os rios constroem o “caminho” por onde correm e escavam o seu
vale nas rochas que atravessam, é o leito ou canal de escoamento e as
partes laterais são designada de margens. Ao longo do seu percurso o rio
vai recebendo novas linhas de águas de outros cursos menores, são os
afluentes e subafluentes.

Em consequência das várias acções, o vale do rio vai tomando


configuração diferente, conforme o observamos próximo da nascente, na
secção média ou próximo da foz. No curso superior, o rio tem como
acção dominante o escavamento, por isso o vale vai-se aprofundando, isto
é, fica cada vez mais encaixado, e as vertentes vão apresentar-se com
grande inclinação; na secção média, a acção de desgaste perde a sua
importância e a acção dominante é o transporte, assim, o vale vai
apresentar-se menos encaixado e as vertentes vão ter um declive menos
acentuado; e por último, na secção próxima da foz, o rio deixa de
transportar detritos, porque deixa de ter força para isso. As águas correm
com menor velocidade e, por isso, a acção dominante é a acumulação dos
detritos que arrancou ao fundo do vale próximo da nascente e que foi
transportado ao longo do percurso até próximo da foz. Por vezes, nesta
secção terminal, os rios deslocam-se lentamente, descrevendo curvas
denominadas meandros.

No que diz respeito às relações da drenagem com as águas de


subsuperfície os rios podem ser:

 Efluentes: rios que recebem contribuição de água do


subsolo e aumentam sua vazão em direcção à jusante. São
característicos de regiões húmidas.

 Influentes: rios que perdem água para o subsolo


(infiltração), além da perda por evaporação. Eles diminuem
sua vazão em direcção à jusante e podem secar antes de
atingir o mar. São típicos de climas áridos.
Hidrogeografia GA106 131

No respeita a distribuição dos rios, salientar que este recurso


apresenta-se mundialmente repartido em proporções muito
reduzidas relativamente aos outros. O seu volume total corresponde
a cerca de 2 120 km3, equivalente a 0,00015%.

Os rios apresentam uma importância enorme para os seres vivos.


Dentre as funções dos rios podemos destacar as algumas, tais
como, abastecimento de água; descarga de água em zonas altas;
mitigação de áreas inundadas; fornecem água doce a plantas,
animais e aos seres humanos; transporte de nutrientes; e
regulação de microclimas.

Figura 21 – Imagem de um rio

Fonte: Internet - Google

Tipos de rios
Dentro de um rio encontramos diversos tipos de correntes que
podem ser descendentes (no sentido do relevo), contrárias e até
indefinidas, dependendo da formação do leito e das margens.
Assim os rios foram individualmente objecto de classificação,
tendo como critério o escoamento dos cursos de água em relação à
inclinação das camadas geológicas, podendo-se em sentido
puramente descritivo, destacar:
Hidrogeografia GA106 132

 consequentes: são aqueles cujo curso foi determinado pela


declividade da superfície terrestre, em geral coincidindo
com a direcção da inclinação principal das camadas. Tais
rios formam cursos de lineamento recto em direcção às
baixadas;

 subsequentes: são aqueles cuja direcção de fluxo é


controlada pela estrutura rochosa, acompanhando sempre
uma zona de fraqueza, tal como uma falha ou camada
rochosa facilmente erodível;

 obsequentes: são aqueles que correm em sentido inverso à


inclinação das camadas ou à inclinação original dos rios
consequentes. Em geral, descem das escarpas até o rio
subsequente;

 ressequentes: são aqueles que fluem na mesma direcção dos


rios consequentes, mas nascem em nível mais baixo. Em
geral, nascem no reverso de escarpas e fluem até
desembocar em um subsequente;

 insequentes: estabelecem-se quando não há nenhuma razão


aparente para seguirem uma orientação geral
preestabelecida, isto é, quando nenhum controle da
estrutura geológica se torna visível na disposição espacial
da drenagem. Os rios correm de acordo com as
particularidades da morfologia, em direcções variadas. São
comuns nas áreas onde a topografia é plana e em áreas de
homogeneidade litológica, como nas graníticas.

A classificação dos rios também pode ser em função do seu perfil,


a destacar, rios de planície, em que o rio é dominado por extenso
curso inferior. É o caso da maioria dos rios de Moçambique,
sobretudo os da região sul do país; rios de planalto são dominados
por um longo curso médio e separa-se dos trechos externos por
Hidrogeografia GA106 133

intermédio de quedas ou rápidos como acontece em determinadas


fases do rio Zambeze em Moçambique; e rio de montanha, cujo
curso superior é mais extenso do que as outras duas partes, despeja
rapidamente o seu caudal, na razão de elevado gradiente, à foz. São
os casos dos rios Isére e o Durance, nos Alpes francês, e o Salween,
na Birmânia.

Existe ainda uma classificação internacional que ordena os rios por


graus de dificuldade que vai do I à VI, podendo o mesmo rio ter
situações de graus diferentes ao longo do seu percurso. Podemos
assim nomear:

 Classe I: sem muitas ondas e sem obstáculos.

 Classe II: fácil. Rápidos pequenos com ondas grandes, sem


obstáculos e canais largos.

 Classe III: dificuldade moderada. Ondas irregulares, alguns


canais apertados. É necessário manobrar o barco para evitar
obstáculos. O praticante deve contar com algumas molhas.

 Classe IV: difícil. Canais muito complexos com muitos


obstáculos para evitar. São necessárias manobras de
precisão.

 Classe V: muito difícil. Rápidos grandes e violentos, quase


sempre seguidos, sem interrupção.

 Classe VI: geralmente considerado não navegável. São


bastante perigosos.

Se fizermos uma analogia entre a classificação dos rios em função


do perfil e de graus de dificuldades, veremos que os níveis de
dificuldades elevadas correspondem aos rios de montanha e a
dificuldade baixa aos rios de planície.
Hidrogeografia GA106 134

Figura 22 – Rio de Planalto (ligeiras à grandes dificuldades)

Figura 23 – Rio de Planície (nenhuma ou poucas dificuldades)

O Balanço aquático da bacia do rio


Balanço Hídrico de uma Bacia Hidrográfica é a quantificação do
fluxo de água global, num dado período, em que se contabilizam as
entradas (precipitação) e saídas (evaporação, consumo, irrigação)
de água da bacia” (COUTO 1998, p. 130).

Para o estudo do balanço bacia do rio, tomaremos como caso o


estudo feito sobre a bacia de um dos rios brasileiros (bacia do rio
doce): de acordo com o estudo sobre o Plano Integrado de
Recursos Hídricos da Bacia do Rio Doce e dos Planos de Acções
de Recursos Hídricos para as Unidades de Planejamento e Gestão
de Recursos Hídricos no Âmbito da Bacia do Rio Doce, elaborado
pelo Consórcio ECOPLAN – LUME (2007, p. 527 - 530) o balanço
hídrico permite demonstrar as peculiaridades das grandezas
comparadas fornecendo subsídio para a gestão integrada dos
Hidrogeografia GA106 135

recursos hídricos. Assim a ONU considera que a bacia do rio Doce


encontra-se numa situação excelente para atendimento das
demandas diante da oferta de água possibilitada pela vazão média
dos rios. Este acontecimento implica, em certa medida, na
necessidade de pouca ou nenhuma actividade de gerenciamento.

No entanto, ao observar com maior detalhe cada sub-bacia


hidrográfica do rio Doce percebe-se que essa não é uma condição
geral de todas as regiões hidrográficas, pertencentes a bacia do
Doce, uma vez que as bacias Incremental e de Santa Joana já
indicam uma condição preocupante, onde a actividade de
gerenciamento torna-se indispensável, exigindo a realização de
investimentos.

A condição preocupante das bacias Incremental e de Santa Joana


deve-se ao facto de estas estarem localizadas numa zona baixa e de
grande demanda de água (por parte da população das Minas
Gerais), resultando por isso (e de outros factores associados), um
balanço negativo.

Outras duas sub-bacias apresentam uma situação distinta da


verificada nas sub-bacias supra mencionada, nomeadamente: bacias
do rio Guandu e do rio Barra Seca. Ambas se enquadram em uma
condição tida como confortável.
Hidrogeografia GA106 136

Tabela 6 – Balanço hídrico nas sub – bacias de rio Doce

Disponibilidade Balanço
Quantitativo
Sub Demanda Avaliação
Bacias QMLT Q95% Q7.10 Retirada
(ONU)
3 3 3 3
(m /s) (m /s) (m /s) (m /s) 1 2 3

Piranga 108 43,7 32 1,363 0,01 0,03 0,04 Excelente

Carmo 50,3 25,4 21,3 0,549 0,01 0,02 0,03 Excelente

Casca 32,8 12,6 8,09 0,639 0,02 0,05 0,08 Excelente

Matipó 36,8 11,8 7,23 0,403 0,01 0,03 0,06 Excelente

Piracicaba 97,9 37,3 29,9 1,903 0,02 0,05 0,06 Excelente

Santo 176,3 65,4 46,7 0,643 0,00 0,01 0,01 Excelente


Antônio

Corrente 34,1 12,6 9,4 0,260 0,01 0,02 0,03 Excelente


Grande

Suaçuí 17,2 7,05 5,25 0,154 0,01 0,02 0,03 Excelente


Pequeno

Suaçuí 103,4 29,1 20,4 1,324 0,01 0,05 0,06 Excelente


Grande

Caratinga 31,7 8,47 5,83 1,066 0,03 0,13 0,18 Excelente

Manhuaçú 98,7 32,5 23,1 1,992 0,02 0,06 0,09 Excelente

Guandú 22 7,18 5,16 1,371 0,06 0,19 0,27 Confortável

Santa Joana 7,91 1,43 0,78 0,833 0,11 0,58 1,07 Preocupante

Pancas 14,1 1,84 0,98 0,542 0,04 0,29 0,55 Excelente

São José 33,7 5,84 2,75 1,246 0,04 0,21 0,45 Excelente
Hidrogeografia GA106 137

Barra Seca 85,5 14,9 10,9 4,363 0,05 0,29 0,40 Confortável

Bacia 45,5 9,1 7,8 8,360* 0,18 0,92 1,07 Preocupante


Incremental

Bacia 950,4 311,3 226,7 18,651 0,03 0,09 0,12 Excelente


principal:
Rio Doce

Fonte: CONSÓRCIO ECOPLAN – LUME in Plano Integrado de


Recursos Hídricos da Bacia do Rio Doce e dos Planos de Acções de
Recursos Hídricos para as Unidades de Planejamento e Gestão de
Recursos Hídricos no Âmbito da Bacia do Rio Doce

Legenda:
* Corresponde ao somatório das demandas das bacias incrementais
de cada Unidade de Planejamento

(1) Razão entre a vazão de retirada e a vazão média em cada


unidade hidrográficas em percentagem;

(2) Razão entre a vazão de retirada e a vazão natural com


permanência de 95%;

(3) Razão entre a vazão de retirada e a vazão mínima com 7 dias de


duração e 10 anos de período de retorno

Podemos finalizar dizendo que o balanço hidrológico das bacias


dos rios não é igual em diferentes regiões quando reparado para a
disponibilidade da agua (precipitação sobre a bacia, detenção
superficial e do armazenamento dos leitos; variação da quantidade
da humidade do solo e variação da quantidade de água das
reservas subterrâneas) e a agua retirada (evapotranspiração na
bacia, quantidade de água extraída pela acção do homem).
Hidrogeografia GA106 138

Sumário
Os rios são cursos de água doce que tem como seu caminho o leito.
Eles são composto por nascente, leito, margens, afluentes e foz.

O comportamento dos rios é variável, dependendo das condições


climáticas, geomorfologicas e topográficas. Neste caso podemos
distinguir rios intermitentes para aqueles que drenam água numa
única parte do ano e tornam-se seco no decorrer da outra, rio
perene para aqueles que drenam continuamente água ao longo de
todo o ano e rios efémeros. Os que permanecem secos durante a
maior parte do ano e comportando fluxos de água só durante e
imediatamente após uma chuva.

Os rios subdividem-se, de acordo com o escoamento dos cursos de


água em relação à inclinação das camadas geológicas em,
consequente, são aqueles cujo a direcção do fluxo coincide com a
inclinação principal do relevo, subsequente, são aqueles cujo curso
acompanha sempre uma zona de fraqueza na estrutura rochosa,
obsequentes, são aqueles que correm em sentido inverso à
inclinação original dos rios consequentes, ressequentes, são aqueles
que fluem na mesma direcção dos rios consequentes, mas nascem
em nível mais baixo e insequentes, que estabelecem-se quando não
há nenhuma razão aparente para seguirem uma orientação geral
preestabelecida; de acordo com o perfil em, rio de montanha,
aqueles que percorrem grande extensão do leito localizado em
montanhas, de planalto, aqueles que percorrem planalto e de
planície, aqueles que percorrem grandes porções de planície; de
acordo com os níveis de dificuldade, subdividem-se em escala I à
VI, onde a dificuldade vai aumentando no momento que as escalas
aumentam.
Hidrogeografia GA106 139

Os rios no mundo encontram-se distribuídos em proporções mais


reduzidas relativamente a todos os demais cursos de água.

O balanço da sua bacia varia de acordo com a demanda (saída),


tanto por via natural como por via humana. Por exemplo algumas
sub-bacias da bacia do rio doce apresentam um balanço negativo e
outras um balanço positivo.

Exercícios
Entregar o exercício 1 e 3 desta unidade.

1. Conceitue o rio de acordo com três autores


diferentes, excepcionalmente ao que foi referido no
texto (modulo). Nota: coloque os dados
bibliográficos referente a cada conceito.
2. Faça uma análise comparativa entre o quantitativo
das águas dos rios e de outras fontes.
3. Investigue o balanço hidrológico da bacia do rio
Limpopo e de acordo com o resultado indique as
razões que justifique.
Hidrogeografia GA106 140

Unidade XV
Regime hídrico dos rios

Introdução

Nesta unidade abordaremos sobre o comportamento do caudal dos


rios ao longo o ano e dos diferentes momentos/fases da vida do rio,
pois, parece que não, os rios nascem, amadurecem e envelhecem e
alguns chegam a “morrer”/desaparecer.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Explicar o comportamento dos rios em função dos diversos


factores que se sujeite; e
Objectivos
 Pronunciar as fases do rio.

Regime aquático do rio

“Uma das variáveis que diferenciam o comportamento de um


rio do outro é o seu regime, que é a relação das variações de
caudal durante um ano. Temos assim, que um rio alcança o seu
nível mínimo em certas épocas em que as aguas estão baixas,
isto é, o caudal é fraco ou nulo. Este momento recebe o nome
de estiagem que em geral se inicia lentamente para terminar
bruscamente.

Pelo contrário, quando as chuvas são abundantes, ou o degelo é


considerável, o caudal do rio cresce rapidamente e termina
lentamente. Neste momento encontramo-nos na presença de
uma cheia, e registam-se então valores máximos do caudal do
rio. Em África, a maior parte dos rios tem anualmente um
período de estiagem que coincide com a estação seca. Apenas
o rio Congo leva muita água durante o ano, mantendo um
caudal constante.
Hidrogeografia GA106 141

É importante destacar que tanto a cheia como a estiagem são


situações extremas, cujos caudais não se devem confundir com
os valores médios dos caudais mensais extremos.

A variação do caudal de um rio, isto é, o regime de um rio


representa-se por um gráfico denominado Hidrograma, que
consiste num eixo de coordenadas, indicando nas abcissas os
meses do ano e nas ordenadas os caudais médios mensais ou os
coeficientes mensais do caudal. Estes obtêm-se dividindo o
caudal os caudais médios mensais pelo caudal médio anual ou
modulo do rio.

O regime do rio depende:

a) Do relevo (uma forte inclinação do leito favorece o


escoamento rápido das aguas);

b) Do clima (determina a subida das aguas);

c) Da natureza das regiões atravessadas (as rochas permeáveis


retardam a escorrencia e restituem lentamente as aguas
infiltradas regularizando assim o regime do rio. Pelo contrario
a totalidade das aguas das chuvas corre rapidamente sobre as
rochas impermeáveis, determinando importantes inundações);

d) Da alimentação das águas provenientes das chuvas ou do


degelo, em alguns casos; e

e) Da existência da vegetação e dos lagos regularizadores.

De acordo com o seu regime, a classificação dos rios não é


única. Há classificação que atendem ao tipo de alimentação,
outras a regularidade do seu regime e outras ainda a chegada
ou não no mar. Nenhuma delas satisfaz por si só uma tipologia
dos rios a escala do planeta, devido fundamentalmente a
variedade climática existente na terra. Neste caso, pela sua
clareza e maior universalidade, analiza-lo-emos do ponto de
vista das características da regularidade do seu caudal ao longo
do ano. Desta forma os rios classificam-se em, rios de:

a) Regime Permanente [Perenes ou Constante] – os rios mantém


uma característica deste tipo, devido a regularidade das chuvas,
o que permite um caudal constante de água [por outra, são rios
que contêm água em todo o tempo, durante o ano inteiro. Eles
são alimentados por escoamento superficial e subsuperficial.
Este último proporciona a alimentação contínua, fazendo com
que o nível do lençol subterrâneo nunca fique abaixo do nível
do canal];

b) Regime Periódico [Intermitente, Cíclico ou Temporário] – é o


comportamento do caudal dos rios das zonas tropicais (o Nilo),
ou sob influência das monções. Estes rios observam uma cheia
única devido ao facto de serem alimentados por chuvas
periódicas concentradas na época de maior calor [por outra,
são rios por onde escorre água por ocasião da estação chuvosa,
porém, no período de estiagem, esses rios podem desaparecer.
Os rios intermitentes, também chamados de temporários, são
alimentados por escoamento superficial e subsuperficial (por
Hidrogeografia GA106 142

aguas subterrâneas). Eles desaparecem temporariamente no


período de seca porque o lençol freático se torna mais baixo do
que o nível do canal, cessando sua alimentação]; e

c) Regime irregular [efémeros] – registam este regime os rios das


regiões com distinto grau de aridez. Nos casos dos rios das
regiões desérticas (Ouedes de Sahara, Creks da Austrália), as
águas escorrem apenas quando caem chuvas, as quais se
esgotam quase de imediato ou secam por evaporação ou por
infiltração”. (FACULDADE DE LETRAS DA UEM 1982, p.
74 – 75, acrescimos do autor)

Fases do rio

Um rio comporta três estágios bem distintos:

O primeiro (fase jovem, característico do curso superior), o


fluxo de água é rápido, cavando profundamente seu leito. Neste
estágio os vales têm forma de garganta, originados pela acção da
erosão de seu leito por fragmentos de rocha arrastados pelo
movimento da água.

No segundo estágio (fase adulta, característico do curso médio),


o fluxo é menor, transportando e depositando sedimento ao
mesmo tempo que continua a erosão. Nesta etapa origina-se uma
pequena planície de inundação, formada pelo depósito de
sedimentos trazidos no primeiro estágio. A maioria dos depósitos
ocorre na época das enchentes e os vales são ais abertos,
formando um V.

No terceiro estágio (fase senil, característico do curso inferior),


o fluxo torna-se ainda menor mas o transporte aumenta,
principalmente das partículas finas em suspensão e produtos
solúveis. Forma-se extensas planícies de inundação com
meandros bem desenvolvido, bem como na parte fina há o
desenvolvimento de um delta.
Hidrogeografia GA106 143

Figura 24 – Fases do rio


Fase Jovem Fase Adulta Fase Senil

Fonte: internet – Google

Sumário
O regime do rio corresponde ao comportamento do caudal ao longo
do ano. Ele esta estritamente dependente do relevo, do clima
(determina a subida das aguas), da natureza das regiões
atravessadas, da alimentação das águas provenientes das chuvas ou
do degelo, em alguns casos; e da existência da vegetação e dos
lagos regularizadores.

Desta forma os rios classificam-se em, rios de regime permanente,


os rios mantêm uma característica deste tipo, devido a regularidade
das chuvas, o que permite um caudal constante de água; rios de
regime periódico, é o comportamento do caudal dos rios das zonas
tropicais. Estes rios observam uma cheia única devido ao facto de
serem alimentados por chuvas periódicas concentradas na época de
maior calor ou chuvosa e rios de regime irregular, registam este
regime os rios das regiões com distinto grau de aridez. As águas
escorrem apenas quando caem chuvas, as quais se esgotam quase
de imediato ou secam por evaporação ou por infiltração.

Os rios também nascem, crescem, envelhecem e ate morrem.


Assim podemos ter rios na fase jovem, com grande capacidade
erosiva, adulta, com reduzida capacidade erosiva e em simultâneo a
Hidrogeografia GA106 144

capacidade de transporte e rios na fase senil que é caracterizado por


uma forte sedimentação devido a fraca declividade.

Exercícios
Entregar o exercício 1 desta unidade.

1. Indique, em Moçambique, os rios de montanha de planalto


e de planície, não se esquecendo de referir as zonas em que
se encontram.
Hidrogeografia GA106 145

Unidade XVI
A hidrografia dos lagos

Introdução

Dissemos em algum momento que as águas oceânicas não se


encontram em repouso. Os glaciares também apresentam o seu
dinamismo, ou seja, eles são passíveis de um possível aumento e
uma redução. Assim, nesta unidade abordaremos questões sobre a
dinâmica dos glaciares e a sua importância na manutenção do
equilíbrio térmico.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Demonstrar a dinâmica dos glaciares;

 Explicar o processo de modelação por meio dos glaciares;


Objectivos

 Reconhecer a importância dos glaciares para a manutenção do


equilíbrio térmico da terra.

Definição

“Lagos […] são massas de águas continentais resultantes da


acumulação de água em depressões topográficas, por existência de
obstáculos a sua fluxão.” (COSTA s/d, p. 89) ou “são extensões de
massa permanente de água, relativamente ampla, e mais ou menos
profunda, depositada numa depressão de terreno e sem
Hidrogeografia GA106 146

comunicação imediata com o mar” (FACULDADE DE LETRAS


DA UEM 1982, p. 80)

Os lagos são alimentados por chuvas, águas de degelo e do solo por


via de fontes, cursos de rios. Os lagos podem desaparecer ou
assumir novas formas. Eles evaporam quando o clima se torna mais
árido, ou enchem-se de sedimentos, formando pântanos ou
manguezais. Em regiões árduas, os lagos aumentam e diminuem
com as estações e às vezes secam por longos períodos. Nos lagos
que não recebem descarga fluvial, as substâncias dissolvidas na
água se concentram. Esses lagos de sal ou soda por vezes são ricos
em sais, sulfatos e carbonatos. Se houver muita evaporação de
água, os minerais formam depósitos sólidos.

Origem dos lagos e sua distribuição sobre o globo terrestre


A geodinâmica é o estudo da composição, estrutura e fenómenos
genéticos formadores da crusta terrestre, bem como o conjunto de
fenómenos que actuam não só a superfície como no interior do
globo. Há duas energias que actuam sobre o globo, agindo
independentemente mas havendo efeitos recíprocos entre ambas:

a) A energia solar que age directa ou indirectamente


esculpindo a superfície, a qual é constantemente modificada
pela acção do ar e da água – geodinâmica externa.

b) A energia do interior da terra, provocando modificações


químicas, físicas e estruturais dos constituintes rochosos –
geodinâmica interna; refere-se, portanto, aos processos que
ocorrem na crusta por acção da energia proveniente do
interior da terra. Vários fenómenos estão relacionados com
a geodinâmica interna, tais como, o
magmatismo/vulcanismo, metamorfismo, sismos e
deformação das rochas.
Hidrogeografia GA106 147

De acordo com as premissas que ilustram os processos de


modelação da terra, podemos agrupar a origem dos lagos em:
interno e externo.

a) Lagos de origem interna, podem ser tectónicos, originados


por movimentos cristais (dobramento e falhas) ou por
desabamento de terra nos locais ocos (lagos cársicos); e
vulcânicos, localizados em crateras vulcânicas ou nos
afundamentos provocados por explosões vulcânicas.

b) Lagos de origem externa, destacam-se os de erosão, quando


preenchem depressões resultantes da erosão; costeiros,
resultam de um recuo do nível do mar ou da deposição de
bancos de área ao longo da costa. É o caso das lagoas de
Bilene, Quissico, Chidenguele e Poolela (Inharrime); de
barragem (albufeiras), resultam de obstáculos de retenção
de água e por acção de um acidente natural, sendo, a
intersecção de um vale de rio por uma torrente de lava ou
por material resultante de um deslizamento de terra; e
artificiais, resultante da construção de diques e barragens.
Por exemplo o Lago de Canora Bassa, de Massinha, de
Pequenos Li bombos e de Chicamba Real.

Quanto a distribuição dos lagos, salientar que estes se encontram


um bocado em toda terra, constituindo cerca de 125 000 Km3 do
volume de água na terra, o equivalente a 0,009%, quantidade que
supera a alguns recursos hídricos, como, mares interiores,
humidade do Solo, atmosfera e rios.
Hidrogeografia GA106 148

Tabela 7 – Os maiores lagos do mundo

Lago Área total Profundi Volume Países Tipo de


dade água
maxima

Mar Cáspio 393.898 km² 1.025 m 78.200 km³ Rússia, Salgada


Cazaquistão,
Azerbaijão,
Irã,
Turquemenistã
o

Lago Superior 82.414 km² 405 m 12.100 km³ E.U.A., Doce


Canadá

Lago Vitória 68.870 km² 81 / 85 m 2.750 km³ Tanzânia, Doce


Quénia,
Uganda

Lago Huron 59.596 km² 229 m 3.540 km³ E.U.A., Doce


Canadá

Lago 58.016 km² 281 m 4.918 km³ E.U.A. Doce


Michigan

Lago 32.893 km² 1.470 m 18.900 km³ R.D.Congo, Doce


Tanganica Tanzânia,
Zâmbia,
Burundi

Lago Baikal 31.492 km² 1.637 m 23.600 km³ Rússia Doce

Grande Lago 31.080 km² 88 m 2.236 km³ Canadá Doce


do Urso

Grande Lago 28.438 km² 614 m 2.090 km³ Canadá Doce


do Escravo

Lago Erie 25.745 km² 64 m 489 km³ E.U.A., Doce


Canadá

Lago 24.341 km² 18 m 283 km³ Canadá Doce


Winnipeg

Lago Malawi 23.310 km² 706 m 8.400 km³ Malawi, Doce


Tanzânia,
Moçambique

Lago Ontario 19.259 km² 244 m 1.639 km³ E.U.A., Doce


Canadá

Lago Balkhash 18.428 km² 26 m 106 km³ Cazaquistão Doce

Lago Ladoga 17.703 km² 255 m 908 km³ Rússia Doce


Hidrogeografia GA106 149

Lago Onega 9.891 km² 120 m 280 km³ Rússia Doce

Lago Titicaca 8.135 km² 281 m 893 km³ Bolívia e Peru Doce

Mar de Aral >6.630 km² 32 m 110 km³ Cazaquistão e Salgada


Usbequistão
(Era o quarto
colocado até
1960)

Fonte: Wikipedia, a enciclopédia livre

Figura 25 - Lago artificial (barragem)

Fonte: Wikipedia, a enciclopédia livre

Balanço aquático dos lagos


Para este item aconselhamos que o estudante colha subsídios dos
apontamentos que falam sobre o balanço dos diferentes recursos
hídricos.

Oscilações do nível das águas em lagos


Os lagos que são alimentos fundamentalmente por afluentes ou por
nascentes são iguais aos cursos de água; tem o aumento de nível
das águas no momento de degelo ou como consequência de chuvas.
Podem transbordar e provocar inundações sobre as margens. A
Hidrogeografia GA106 150

partir do lago origina-se um curso de água, o emissário, que evacua


regularmente as aguas em excesso. Durante a estação seca o nível
baixa. Nos países secos, estas variações do nível são muito
consideráveis. Por exemplo a superfície do lago Tchad, em África,
reduz a metade na estação seca devido a evaporação.

Os aluviões dos afluentes acumulam-se lentamente no fundo do


lago, provocando um levantamento do nível das águas que desta
maneira se escoam rapidamente, podendo originar o seu
desaparecimento. O lago vazio ou seco é substituído por uma lama
aluvial

O desaparecimento dos lagos é rápido quando os seus afluentes são


capturados pelos rios. Em África, por exemplo, os afluentes do lago
Tchad correm o risco de ser capturados pelos afluentes de Níger ou
do Congo. Assim o lago Tchad poderá vir a desaparecer em breve.

Sumário
Lagos são massas de águas continentais resultantes da acumulação
de água em depressões topográficas, por existência de obstáculos a
sua fluxão. Eles resultam de acções de origem internas e externa.

Os lagos de origem interna são originados por vulcões, sismos e


tectónica de placas e os de origem externa resultam dos processos
de erosão, deposição de areia, recuo das águas do mar, abandono de
meandros, construção de barragem, entre outras causas

Na terra os lagos encontram-se distribuídos um pouco em todo


lugar e constituem cerca de 125 000 km3 do volume de água.
Hidrogeografia GA106 151

O caudal dos lagos variam em função da região em que estiver


localizado, ou seja, em regiões pluviosas os caudais são mais
volumosos que em zonas secas.

Exercícios
Entregar o exercício 1 desta unidade.

1. Dê o conceito de lago de acordo com três autores diferentes.


Nota: coloque os dados bibliográficos em cada conceito
dado.
2. Investigue o balanço hídrico do lago Niassa.
Hidrogeografia GA106 152

Unidade XVII
A hidrografia dos pântanos

Introdução

Nesta unidade iremos discutir sobre os pântanos, seu conceito,


origem, composição estrutural e a sua classificação.

Os pântanos são frequentemente pouco abordados, esperamos que


mediante esta exposição que será feita tragamos algum
conhecimento novo que ira redimensionar o seu do saber.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Definir pântanos;

 Explicar a sua origem;


Objectivos

 Descrever a sua composição estrutural; e

 Classificar os pântanos.

Definição e a composição estrutural dos pântanos

A hidrologia dos pântanos é a ciência da água que se dedica ao


estudo das regiões baixas e planas, por vezes impermeáveis,
Hidrogeografia GA106 153

preenchidas de água de pouca profundidade. É uma área plana de


abundante vegetação (hidrófila) herbácea e/ou arbustiva, que
permanece grande parte do tempo inundada. O ecossistema dos
pântanos é único e diverso. O surgimento deste recurso geralmente
ocorre em áreas onde o escoamento das águas se torna lento, assim
o entulho ocasionado pela massa orgânica além de se decompor,
ocasiona mais represamento da vazão da bacia hidrográfica.

A maioria das vezes, o pântano ocupa em um vale a parte


abandonada pelas águas de um rio, como antigos meandros, leitos
dantes muito largos e depois reduzido por alguma causa que tenha
afectado ao volume do rio. Nas regiões desérticas não é raro que o
endorreísmo (o escoamento das águas da bacia, desemboca em
lagos ou perde-se nas áreas do deserto, ou mesmo nas depressões
cársicas. São portanto, formas de drenagem interna) de lugar a
formação de extensos pântanos cuja área esteja sujeita a enormes
variações de estação.

Os pântanos normalmente estão localizados no curso baixo dos rios


e nas zonas litorâneas, mas também podem ocorrer no curso alto e
médio dos rios.

Há distinçao na composicao quimica das aguas (no sabor) dos


pântanos. Elas podem acontecer em água salgada ou doce. Os de
água doce estão nas beiras pouco profundas de lagos e rios de
águas calmas, e aparecem na medida em que as lagoas e lagos são
recheados por sedimentos (no ambito da formaçao dos pantanos).
Os pântanos de água salgada aparecem nas planícies inundadas
pelas marés, nas zonas costeiras. Os pântanos salgados situados
longe do mar, estão localizados ao redor de lagos ou lagoas
salgadas. A natureza do pântano (sua composição vegetal e
diversidade de espécies) está fortemente influenciada pela sua
relação com os ecossistemas mais próximos. Estes determinam a
quantidade de nutrientes que chegam, o movimento da água e o
Hidrogeografia GA106 154

tipo e quantidade de sedimentos ali depositados.

Origem dos pântanos


Os pântanos resultam de grande desenvolvimento da vegetação do
lago e também nas condições de saturação excessiva dos solos, isto
é, os pântanos tem duas origens:

a) Relacionam-se com os lagos que são cobertos de


vegetação que cria uma deposição de material orgânico
e sedimentos, o que vai diminuir a profundidade do lago
até chegar a uma relativa uniformidade, surgindo assim,
determinados pontos que emergem à superfície,
resultante da compactação de material orgânico. Estas
condições, aliam-se às climáticas, particularmente a
precipitação e a evaporação que concorrem para a
formação de pântanos.

b) No que concerne à saturação dos solos, os locais planos


e baixos, podem tornar-se pântanos quando houver
condições de saturação da humidade do solo
impermeável. Nas depressões, tem-se em primeiro lugar
a acumulação da água, o que leva a sua retenção dada a
impermeabilidade dos solos, quando a evaporação não
supera a precipitação, daí o surgimento de charcos e
pântanos.

Classificação dos pântanos


Os pântanos podem ser classificados em: lagos de água doce e
lagos de água salgada.
a) Pântanos de água doce, as zonas húmidas inclusas nesta
categoria encontram-se ao longo dos principais rios e seus
afluentes, em todos os locais onde o declive é muito suave e
Hidrogeografia GA106 155

o vale muito vasto para permitir a continuação de


assentamento de sedimentos e crescimento permanente da
vegetação. Os pântanos de água doce são periodicamente
inundados durante as épocas de grande fluxo, e são
geralmente considerados como as componentes principais
para a regeneração da vida animal e vegetal, incluindo
peixe, pássaros e outras espécies aquáticas endémicas ao
sistema dos rios. Os principais pântanos de água doce são a
planície de Barotse e os baixos de Kafue, na Zâmbia,
Oriente de Caprivi, na Namíbia, os pântanos de Chobe -
Linyanti, no Botswana, o Patano de Lukanga, na Zâmbia e
Elephant Marsh, no sul de Malawi. Os Dambos, que são
comuns na Zâmbia e Zimbabwe, também figuram nesta
categoria de zonas húmidas.
b) Pântanos de agua salgada, aparecem nas planícies
inundadas pelas marés, nas zonas costeiras. Os pântanos
salgados situados longe do mar, estão localizados ao redor
de lagos ou lagoas salgadas.

Sumário
Os pântanos são águas das regiões baixas planas e de pouca
profundidade, por vezes impermeáveis. É uma área de abundante
vegetação (hidrófila) herbácea e/ou arbustiva, que permanece
grande parte do tempo inundada.

Este recurso resulta de grande desenvolvimento da vegetação do


lago e também nas condições de saturação excessiva dos solos e
subdividem-se em pântanos de água doce, encontram-se ao longo
dos principais rios e seus afluentes, em todos os locais onde o
declive é muito suave e o vale muito vasto para permitir a
continuação de assentamento de sedimentos e crescimento
Hidrogeografia GA106 156

permanente da vegetação e pântanos de água salgada, aparecem nas


planícies inundadas pelas marés, nas zonas costeiras.

Exercícios
Entregar o exercício 1 a) desta unidade.

1. Investigue a localização e os nomes dos principais


pântanos em Moçambique, quer seja de água doce como
de água salgada.
a) Procure explicar como eles se formaram.
Hidrogeografia GA106 157

Unidade XVIII
Oceano mundial

Introdução
Nesta unidade iremos discutir sobre os oceanos, seu conceito,
origem e características das suas bordas e fundos.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Conceituar oceanos;

 Identificar os oceanos existentes na terra;


Objectivos

 Identificar as características de cada oceano.

Origem do oceano mundial


De acordo com Faculdade de Letras da UEM (1982, p. 65)

“parece estar claro que a água presente na terra tem a sua


origem nas rochas em fusão existentes sob a crusta terrestre.
Quando estas rochas, através de erupção vulcânica, entram em
contacto com o mar, desprendem grandes quantidades de vapor
de água. No momento da formação da crusta terrestre terão
sido estas rochas que transportaram, desta forma, a água que
agora existe nos oceanos”.

Associada a esta teoria de formação da água, temos a teoria da


deriva dos continentes que explica sobre a separação dos
continentes e a formação das depressões, local onde as aguas se
alojam.
Hidrogeografia GA106 158

Oceano mundial

Os oceanos, suas bordas e fundos


Oceanos são grandes extensões de água salgada com importante
desenvolvimento em regiões abissais. Eles estabelecem uma
comunicação aberta, facto que contribuem para a existência de
características semelhante, tais como a distribuição da temperatura
e a salinidade.

Os oceanos são constituídos por mares, que são partes


relativamente menores que se distinguem pela sua configuração
costeira e pelo fraco desenvolvimento da zona oceânica, limitando-
se muitos mares a um assentamento na plataforma continental.

As águas marinhas ocupam em média ¾ da superfície terrestre, o


que implica dizer que apresentam uma área de 361,1 milhões de
km2 equivalente a 71%. Elas são separadas por intermédio dos
continentes e ilhas dando lugar a distintos oceanos, nomeadamente,
o Pacífico, o Atlântico, o Índico, o Glacial Árctico e o Glacial
Antárctico. Este último foi definido como oceano pela Organização
Hidrográfica Internacional no ano 2000.

Na estrutura interna da terra, distinguem-se crusta, manto e núcleo.


A espessura e a composição de cada uma das camadas estruturais
são conhecidas pela maneira que as ondas sísmicas são
transmitidas.

Quanto aos fundos oceânico vejamos o que Jessen (1998, p.7-9,


itálico do autor):

“A crosta tem cerca de 40/50 km de espessura com materiais


de baixa densidade relativamente ao manto e ao núcleo.
Subdivide-se em duas partes em função do material litológico:
a) A crusta oceânica – SIMA (sílica e magnésio);
b) A crusta continental (sílica e alumínio).
A crusta oceânica é constituída, essencialmente, por rochas
basálticas de densidade de 2,9 […].
Hidrogeografia GA106 159

As bacias oceânicas são definidas a partir das características


fisiológicas do fundo oceânico. Os parâmetros fisiográficos
incluem:
a) A profundidade;
b) O relevo submarino;
c) A declividade das principais superfícies; e
d) A actividade tectónica.
As bacias oceânicas comportam os seguintes elementos que se
podem observar:
a) Linha costeira – parte da crusta continental modificada pela
acção do mar;
b) Praias – componente da zona costeira que se estende desde o
limite das mares altas e baixas, constituído por materiais
sedimentares num estado de equilíbrio dinâmico;
c) Plataforma continental – prolongamento da linha costeira pelo
mar a dentro com um gradiente médio de 1/500. Onde o
gradiente de 1/20 inicia-se a talude continental.
d) Fundo oceânico – a parte da bacia que se situa imediatamente
depois da talude continental, com uma profundidade média de
4000 m, onde se encontram as dorsais médio oceânicas e as
fossas abissais”.

Sumário
Oceanos são grandes extensões de águas salgadas localizadas em
regiões demissionárias. Elas surgem a partir das actividades
vulcânicas que libertam/libertaram o vapor de água. É importante
salientar que as aguas, após a sua formação, tiveram que se assentar
em locais próprios (depressões), estas resultaram da actividade
interna da terra.

As bordas dos oceanos são essencialmente constituídas de mares


costeiros e os seus fundos por dorsais médios oceânicas e as fossas
abissais.

Exercícios
Entregar o exercício 1 desta unidade.

1. O que entendes por bordas e fundos oceânicos?


Hidrogeografia GA106 161

Unidade XIX
Os diferentes oceanos do mundo

Introdução
Nesta unidade iremos discutir sobre os diferentes oceanos do
mundo suas e características. Considera-se a existência de cinco
oceanos, sendo que, cada um deles apresenta diferenças e
semelhanças. É tarefa desta unidade demonstrar os diferentes
oceanos e suas particularidades.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Identificar os oceanos existentes na terra; e

 Indicar as características de cada oceano.


Objectivos

O Oceano Pacífico é o maior, justificando-se pelo facto de a sua


superfície ser de cerca de 152.440.000Km2 e uma profundidade
média de 4.282m negativos. É nesta região que se localiza a maior
fossa submarina designado por Marianas, que estima uma
profundidade média de 10.912m negativos. Ele está localizado a
norte pela Ásia, a sul pelo oceano Glacial Antárctico e Antárctida,
a este pela América e a oeste pela Ásia e Austrália. O Pacífico tem
707.5Km de fossas, totalizando vinte e duas e 87.8 de sua área
apresenta profundidade superior à 300m. As suas bordas
continentais são activas e correspondem ao círculo de fogo sob as
quais se afunda a crosta oceânica;
Hidrogeografia GA106 162

O oceano Atlântico é o segundo maior oceano em extensão,


apresentando uma superfície de 78.900.000Km2, possui uma
profundidade média de 3.290m negativos, localiza-se a norte pelo
oceano glacial Árctico e a Groenlândia, a sul pelo oceano Glacial
Antárctico ou alternativamente pela Antárctida, a este pela África e
Europa e ao oeste pela América. Com 1/3 das águas oceânicas
mundiais, o atlântico possui mares como o Mediterrâneo e o mar
das Caraíbas ou de Caribe. É neste oceano que se localizam as
maiores cordilheiras, chamada Cordilheiras do Meso-Atlântico; a
dorsal Meso-Antlântica apresenta em média uma altimetria que
varia dos 1500 a 3000m, emergindo de quando em vez, em alguns
pontos deste oceano formando ilhas, como são, a Ilha de Jane
Mayeu, Ilha Islândia, a Ilha do Açores, a Ilha de Ascensão e a Ilha
de Tristão de Cunha. As águas deste oceano apresentam uma
salinidade de 37.5%, constituindo-se as mais salgadas de todos os
restantes; nas latitudes equatoriais a dorsal é cortada por falhas
transversais que determinam fossas abissais, como é o caso da
fossa de Ramanche com -7.758m. Este oceano possui três fossas no
seu fundo;

O oceano Índico se diferencia dos dois primeiros pelas dimensões


que ele apresenta. Este oceano possui uma superfície de
72.250.000Km2 e uma profundidade média de 3.590m negativos.
Em termo de morfologia do seu fundo ele é formada por dorsais
oceânicas dispostas em Y invertido e apresenta somente uma fossa
abissal, designada por Java, com cerca de -7.455m de
profundidade. Nela assenta uma depressão tectónica resultante dos
movimentos da crosta terrestre, que tomou o nome de Canal de
Moçambique, localizado na faixa oriental moçambicana. As águas
marítimas do Índico apresentam uma salinidade de 36%,
constituindo-se a mais baixa relativamente ao Pacífico e ao
Atlântico. Elas possuem uma cor predominantemente azulada
exceptuando as costas de Lama localizada sobre tudo nas fozes dos
Hidrogeografia GA106 163

rios, onde apresentam uma cor verde acastanhada, devido a forte


deposição de materiais orgânicos trazidos pelos rios. O Índico
apresenta-se enquadrado geograficamente, a norte pela Ásia, a sul
pelo Oceano Antárctico, a este pela Austrália e a oeste pela África,
estendendo-se em sua maior parte no hemisfério sul;

O oceano Glacial Árctico localizada na região setentrional do


globo apresentam uma superfície total de 14.300.000Km2 e uma
profundidade média de -4.000Km. O seu fundo é constituído por
duas bacias separadas pela cadeia (dorsal) de Lomonossov. Este
oceano apresenta uma plataforma continental bastante larga e a sua
borda é constituída por variados mares secundários e arquipélagos
costeiros. Partindo da Escandinávia até a América do Norte sucede-
se o mar de Barents, o mar de Kara, o mar de Laptev, o mar da
Sibéria Oriental, o mar de Chukchi, o mar de Beaufor, entre outros
mares. As águas marinhas Árcticas estabelecem poucas trocas
outros oceanos pelo facto da sua temperatura da superfície deste
oceano atingir a congelação.

O oceano Antárctico, está localizado na região meridional,


apresentam uma superfície de cerca de 20.327.000Km2, sendo que
nas suas bordas temos a existência de mares de Amundsen, o mar
de Bellingshausen, mar de Ross e o mar de Weddell. Apresenta
uma profundidade média de 5.000 m.

Sumário
Os oceano encontram-se interconectadas entre si e separadas por
continentes e ilhas, possibilitando-se a divisão em diversificados
oceanos, com destaque para, o Pacifico maior em extensão e
profundidade; Atlântico o segundo e apresenta a maior elevação
montanhosa; Indico o terceiro, apresentando apenas uma fossa;
Árctico com particularidade de estabelecer poucas trocas das suas
Hidrogeografia GA106 164

águas com os outros oceanos e Antárctico caracterizado por ser


uma junção de outros oceanos.

Exercícios
Entregar o exercício 1 e 2 desta unidade.

1. Identifique a composição da borda oceânica no Árctico.

2. Mencione as características do fundo oceânico do Indico.


Hidrogeografia GA106 165

Unidade XX
As propriedades físicas das águas
oceânicas

Introdução
Esta unidade descreve aspectos relacionados com as propriedades
físicas das águas do mar e a influência desta no ambiente marinho.

As propriedades físicas das águas do mar desempenham um grande


papel no ambiente aquático e o grande realce vai para a qualidade
de possibilitar a vida da fauna e flora marinha.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Identificar as propriedades físicas das aguas do mar; e

 Demonstrar a influência das propriedades físicas no ambiente


Objectivos
aquático;

Propriedade Físicas
Temperatura: É de considerar que existe uma constante troca e
comunicação das águas marinhas, possibilitando que o calor circule
do equador aos pólos e vice-versa.

As transferências das massas aquáticas marinhas são devidos a


existência das correntes marítimas. Por exemplo a corrente quente
do Canal de Moçambique, originários em zonas tropicais quente
tem uma direcção destinada a regiões polares.
Hidrogeografia GA106 166

É de salientar que as águas profundas dos oceanos tem a sua


origem em latitudes elevadas, sendo por isso mais frias em relação
as águas superficiais. A estratificação da qualidade térmica dos
oceanos é feita da seguinte maneira: 1 – camada superficial, que
reflecte a temperatura média ambiental de uma determinada
latitude; 2 – camada de descontinuidade térmica gradual. A
temperatura decresce geralmente do modo lento em profundidades
compreendidas entre os 100 à 150m; 3 – camada do fundo, reflecte
a origem das águas de altas latitudes, isto é, as águas são frias.

A camada de descontinuidade térmica gradual indica que existe


verticalmente e horizontalmente uma transferência de calor. Essa
transferência é feita por remoinhos que misturam as águas tanto em
termo de sal como de temperatura.

Densidade: Ela apresenta uma forte relação com a temperatura e a


salinidade. Deste modo quanto maior for a temperatura menor será
a densidade para uma determinada salinidade e quanto maior for a
salinidade maior será a densidade para uma determinada
temperatura.

Estas indicações mostram, portanto, que as águas frias altamente


salinas são mais densas que as águas quente de baixa salinidade.

Para as águas de densidade diferentes o processo de mistura é


realizado de forma muito lenta, devido a dependência da difusão e
mistura de corrente de convenção.

As águas marinhas apresentam outras propriedades físicas, tais


como, a transparência, que é a propriedade que os corpos têm de
se deixar atravessar por raios de luz. Ela depende da quantidade de
partículas orgânicas e inorgânicas contidas nas águas; a cor, o
oceano apresenta originalmente a cor azul, porém, devido as
impurezas orgânicas e inorgânicas está qualidade é transformadas,
adoptando deste modo característica do material em suspensão; a
Hidrogeografia GA106 167

condutibilidade eléctrica que se define como sendo a capacidade


das águas conduzir a corrente eléctrica. Está propriedade é
determinada pela quantidade de substância dissolvidas na águas;
entre outras propriedades físicas.

A influência das propriedades físicas no ambiente das águas

Dissolução
Uma das propriedades mais importantes da água líquida é a sua
capacidade de dissolver substâncias polares ou iónicas para formar
soluções aquosas. A interacção entre as moléculas do solvente
(água) e as do soluto são responsáveis pelo processo de
solubilização: cada íão negativo, situado no interior de uma solução
aquosa, atrai as extremidades positivas das moléculas de água
vizinhas, o mesmo acontecendo com os íão positivos relativamente
às extremidades negativas. Isso faz com que os bons fiquem como
que recobertos por uma camada de moléculas de água solidamente
ligadas a eles, o que confere grande estabilidade à solução. Nisso
consiste o importante fenómeno da hidratação dos íons. A
hidratação dos íons é que promove a "quebra" do retículo cristalino
da substância iónica, ou seja, a dissolução: as forças existentes
entre os catiões e aniões no sólido (ligação iónica) são substituídas
por forças entre a água e os iões.

Muitos compostos não iónicos também são solúveis em água, como


por exemplo, o etanol. Esta molécula contém uma ligação polar O-
H tal como a água, que permite à molécula fazer ligações
intermoleculares.

A água tem um forte poder de dissociação, isto é, pode separar o


material dissolvido em iões carregados electronicamente. Como
consequência, o material dissolvido aumenta bastante a
condutividade da água. A condutividade da água pura é
Hidrogeografia GA106 168

relativamente baixa, mas a da água do mar tem valores entre


aqueles da água pura e do cobre. Em 20°C, a resistência da água
do mar com um conteúdo de sal de 35 é maior que 1.3 km o que é
grosseiramente equivalente à resistência da água pura sobre 1 mm.

Tensão superficial
A tensão superficial é uma propriedade dos líquidos e ocorre
devido às forças de atracão que as moléculas internas do líquido
exercem junto às da superfície.

As moléculas situadas no interior de um líquido são atraídas em


todas as direcções pelas moléculas vizinhas e, por isso, a resultante
das forças que actuam sobre cada molécula é praticamente nula. As
moléculas da superfície do líquido, entretanto, sofrem apenas
atracão lateral e inferior. Esta força para o lado e para baixo cria a
tensão na superfície, que faz a mesma comportar-se como uma
película elástica.

A tensão superficial é um factor fundamental para a sobrevivência


de muitos organismos marinhos. Esta película superficial da água,
resultante de sua tensão superficial é reconhecida como habitat de
muitos organismos vivos. Tais organismos são conhecidos como
Neuston e incluem bactérias, protozoários, ovos de peixes,
copépodos, dentre outros.

Densidade
A densidade de uma substância mede o grau de compacidade desta
substância. E é definida pela razão entre a massa da substância e o
seu volume.

Os sólidos são, geralmente, mais compactos que os líquidos e os


gases. Com o aumento da temperatura da substância, a sua
densidade decresce, em geral. De fato, a água é a única substância
que apresenta uma densidade maior quando se encontra no seu
Hidrogeografia GA106 169

estado líquido. O seu valor máximo obtém-se a 4 ºC. Esta


particularidade da água pura deve-se às ligações de hidrogénio
existentes entre as suas moléculas, que na fase sólida (gelo)
formam uma estrutura ordenada, aberta e muito estável. Com
baixas temperaturas, a água, na fase líquida, apresenta uma
densidade mais alta que na fase sólida.

A água pura tem maior densidade à 4 ºC quando se encontra na


fase líquida. Com um valor fixo da concentração do sal (salinidade
= 35) a densidade decresce com o aumento da temperatura.

As variações de densidade, cujo máximo se encontra na


temperatura de 4 ºC, explicam a formação do gelo na superfície
dos lagos, não na parte submersa.

As variações de densidade em função da temperatura explicam


ainda, os movimentos de agitação das águas dos lagos durante as
estações.

Capacidade térmica da água (calor específico)


A capacidade térmica é definida pela quantidade de calor
necessária para elevar a temperatura de 1g (grama) de uma
determinada substância, e a unidade de medida utilizada é a caloria.
A capacidade térmica da água é bem elevada (1

cal/ºC), quando comparada com a maioria das substâncias


conhecidas (< 1 cal/ºC). Em outras palavras, a água é capaz de
adquirir ou perder muito mais calor que outras substâncias comuns,
quando submetida à mesma temperatura. Esta propriedade da água
é sempre relacionada com a presença das pontes de hidrogénio. A
energia térmica, considerada como medida de movimentação
molecular, é utilizada para quebrar as ligações intermoleculares,
permitindo que as moléculas se movam mais rapidamente, fato que
resulta mudança de estado físico das substâncias.
Hidrogeografia GA106 170

Porque a capacidade térmica da água é muito grande e


considerando que 71 % da superfície do globo é coberta por água,
pode-se concluir que a energia de origem solar causa, apenas,
pequenas alterações na temperatura do planeta.

Assim, os oceanos controlam o aquecimento ou o arrefecimento do


planeta e proporcionam todas as condições fundamentais para
tornar possível à vida na Terra e no mar.

A temperatura superficial dos oceanos é influenciada pela latitude.


O ângulo de incidência da radiação solar é maior nas pequenas
latitudes, portanto, o equador recebe cerca de 1,5 a 2 vezes mais
calor que os pólos e com o auxilio da circulação atmosférica e
oceânica é transferido o excesso de calor recebido nas regiões
equatoriais para regiões polares, gerando dessa forma um
equilíbrio térmico (e ecossistémico) nos oceanos.

Sumário
Refere-se a propriedades físicas as características macroscópicas
das águas.

Os oceanos apresentam distintas características físicas,


nomeadamente, a temperatura, a densidade, a transparência, a
condutibilidade eléctrica, a adesão, a dissolução, o calor específico,
entre outras propriedades.

A dissolução influencia o ambiente aquático gerando um aumento


da condutividade da água devido aos materiais que este dissolve; a
tensão superficial é um factor fundamental para a sobrevivência de
muitos organismos marinhos. Esta película superficial da água,
resultante de sua tensão superficial é reconhecida como habitat de
muitos organismos vivos; a densidade vária em função da
temperatura, explicam ainda, os movimentos de agitação das águas
dos lagos durante as estações. Elas são responsáveis também pela
Hidrogeografia GA106 171

manutenção da vida na água, pois, através desta, as aguas se


renovam (circulam); e o calor especifico que controla o
aquecimento ou o arrefecimento do planeta e proporcionam todas
as condições fundamentais para tornar possível à vida na Terra e no
mar.

Exercícios
Entregar o exercício 1 e 2 desta unidade.

1. Qual é a influencia da transparência no ambiente


aquático?
2. Apresente outras influências das propriedades supra
mencionadas no ambiente aquático.
Hidrogeografia GA106 172

Unidade XXI
Propriedades químicas das águas
oceânicas

Introdução
Nesta unidade iremos falar sobre as propriedades químicas e das
influências que estes exercem no ambiente das águas.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Identificar as propriedades químicas das águas do mar; e

 Demonstrar a influência das propriedades químicas no


Objectivos
ambiente aquático;

Propriedades Químicas
Salinidade: a água do mar apresenta um sabor salgado. Podemos
efectivamente afirmar que ela contém em média 35g de sal por
litro, isto é, a massa de sal dissolvido representa 3,5% da massa dos
oceanos, entrando na sua composição o cloreto e o sódio com 85%
da massa desses sais. Dentre outros sais que torna as águas dos
oceanos salgados destacam-se, os sulfatos, o magnésio, o potássio e
o cálcio.

As águas do mar não contêm apenas sais dissolvidos, mais também


gases, com destaque para o oxigénio e o nitrogénio provindos da
atmosfera, para além de uma série de substância orgânica.
Hidrogeografia GA106 173

A natureza química vai variar de acordo com o grau de dissolução


dos elementos constituintes das rochas que estão sobre influência
da água. Para além das características salinas, as águas oceânicas
são também dotadas de outros elementos químicos dominantes que
lhe confere uma especificidade. Assim podemos caracterizar as
águas marinhas quanto a dureza e o cheiro.

Figura 26 – Distribuição da salinidade ao longo dos oceanos e em


diferentes latitudes

Fonte: Wikipedia, a enciclopédia livre

A influência das propriedades químicas no ambiente das águas

Salinidade
A salinidade refere-se à quantidade de sais dissolvidos na água do
mar, sendo definida pelo peso total de sais inorgânicos dissolvidos
em 1 kg de água. A sua mensuração é feita pela determinação da
condutividade eléctrica, que tende a aumentar com a elevação da
quantidade de sais dissolvidos, ou seja, “a uma determinada
temperatura, quanto maior for a salinidade, maior será a
condutividade medida […]” (JESSEN 1998, p. 16).
Hidrogeografia GA106 174

A salinidade é também responsável pelos níveis de densidade e da


circulação oceânica e quando ela apresentar altos níveis, como
são os casos dos mares interiores, dificulta o desenvolvimento da
fauna e flora marinha.

Dureza
Águas nestas condições contêm maior percentagem de alguns sais e
sobretudo carbonato e magnésio. Estas particularizam-se pelo facto
de não reagirem com soda cáustica (sabão), isto é, dificulta o uso
de sabão e quando fervida formam uma crosta no fundo.

Sumário
As propriedades químicas correspondem as características
microscópicas que resultam da dissolução dos elementos químicos
contido nas rochas ou emitido pelas actividades vulcânicas. Dentre
as características químicas existente nas águas oceânicas destacam-
se, a salinidade, a dureza e o cheiro. A salinidade é manifesta pela
presença massiva do cloro e sódio; a dureza, pela existência do
carbonato de magnésio.

Quanto as influencias das propriedades químicas no ambiente


aquático, salientar que, a salinidade é responsável pelos níveis de
densidade e da circulação oceânica e quando ela apresentar altos
níveis, como são os casos dos mares interiores, dificulta o
desenvolvimento da fauna e flora marinha e a dureza que
particularizam-se pelo facto de não reagirem com soda cáustica
(sabão), isto é, dificulta o uso de sabão e quando fervida formam.

Exercícios
Entregar o exercício 1 desta unidade.
Hidrogeografia GA106 175

1. A partir da figura sobre a distribuição da salinidade a


nível dos oceanos, diga qual deles apresenta a maior e
menor salinidade e justifique-se.
Hidrogeografia GA106 176

Unidade XXII
Os movimentos das águas
oceânicas

Introdução
Esta unidade descreve aspectos relacionados com os movimentos
decorrente nos oceanos, pois, é bem sabido que as águas oceânicas
não estão em repouso absoluto.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Identificar os movimentos das águas do mar;

 Explicar os possíveis factores por detrás desta dinâmica.


Objectivos

Os movimentos das águas oceânicas

A dinâmica das águas oceânicas refere-se aos movimentos que nela


se produzem. Estes movimentos diferem-se um do outro
dependendo dos agentes que os origina. Deste modo temos:

Movimentos periódicos (Marés e Ondas)

As marés são oscilações periódicas do nível do mar, isto é,


caracterizam-se pelas subidas e descidas do nível das águas. A
posição mais alta dá-se nome de maré alta, maré cheia ou praia-
mar e posição mais baixa designa-se maré baixa, maré vazia ou
baixa-mar.
Hidrogeografia GA106 177

A distância vertical entre duas posições extremas denomina-se por


amplitude da maré; o intervalo de tempo entre duas referidas
posições designa-se por período da maré; e a subida do nível das
águas corresponde ao fluxo ou montante e a descida o refluxo ou
vazante.

Os mares são consequência da atracção conjunta da lua e do sol. A


lua exerce maior atracção (2,2 vezes maior a do sol), devido a sua
proximidade da terra.

Vejamos como se processa a ocorrência das marés:

“A lei de Newton diz que dois corpos irão girar em torno de


um centro comum de gravidade e a sua força centrífugas se
equilibram com um a força de atracção.

A lua gira em torno da terra e esta em um movimento quase


invisível em torno da lua. O eixo de rotação do sistema Terra-
Lua é de 1700Km a partir da terra. Está rotação produz uma
força centrifuga em todos os pontos da terra, mais diferente e
menor que aquele que é produzida pela terra girando em torno
de si mesma. O sistema Terra-Lua equilibra-se como um todo
para as forças de atracção centrífuga. Em qualquer ponto da
terra, a resultante das duas forças associadas com o sistema
Terra-Lua, será activa através da força de atracção e da força
centrífuga.

Está força resultante varia em cada ponto geográfico a medida


que a lua gira em torno da terra e tende a mover a superfície
modificando-a até ao equilíbrio.

A terra apesar da sua rigidez responde subtilmente a essa força


produzindo mares. O primeiro feito é sobre os oceanos”.
(Faculdade de letras da UEM 1982, p. 69)

A capacidade de atracção da lua sobre os oceanos tende a se mover


em direcção ao ponto sub-lunar e ao ponto diametralmente oposto.
Assim sendo um determinado ponto geográfico da superfície
terrestre irá observar durante o dia duas mares altas e duas mares
baixas, designando-se a esse fenómeno por circulo semi-diurno da
maré. Depois da lua exercer a atracção no ponto geográfico
específico, para que se volte a verificar este fenómeno no mesmo
local são necessárias 24 horas e 50 minutos, visto que o dia solar
compreende 24 horas.
Hidrogeografia GA106 178

Além da lua, o sol também exerce influência sobre as marés:

“Como o plano da órbita lunar, ao girar em torno da terra, está


exactamente no mesmo plano da órbita terrestre em torno do
sol, existem efeitos complicados nos ciclos das mares, gerada
pela acção destas duas forças. Em diferente partes da terra
podemos encontrar combinações de ciclos semi-diurnos e
diurnos de mares dependendo dos efeitos da lua e do sol.[...]

É evidente que quando a terra e o sol estão alinhados (em


oposição ou conjunção), a amplitude das marés para áreas
semi-diurnas deverá ser máxima devido aos efeitos somatória
dos corpos celestes sobre a terra”. (Faculdade de letras da
UEM 1982, p. 69-70)

Quando o sol e a lua estão em conjunção ou oposição temos mares


vivas e quando estão em quadratura estaremos diante de marés
mortas.

As ondas são porções de água que alternadamente de elevam e


descem na superfície dos oceanos.

Alguns factores ditam a sua origem como é o caso da transmissão


de energia ao oceano através de um terramoto uma erupção
vulcânica ou uma escorrência da terra da sua margem. As ondas
com esta origem designam-se por Tsunami, propagam-se a uma
velocidade aproximada de 500 milhas por horas; o outro factor é o
vento, que é o que predomina na produção das ondas.

Uma onda é constituída por elementos distintos, tais como, a crista,


que á a parte mais alta da onda, a Cava, é a parte mais baixa, o
comprimento, é a distância horizontal entre duas Cristas e a altura,
que é a distância vertical entre a crista e a cava.

É de salientar que as características que as ondas apresentam estão


relacionadas com a velocidade do vento, a extensão da massa de
água e a duração do vento.

De acordo com a forma do seu movimento as ondas podem ser de


oscilação, de translação e solitárias. As ondas de oscilação
Hidrogeografia GA106 179

caracterizam-se por requerer água suficiente profunda para realizar


o seu movimento orbital. Este movimento é fundamentalmente
circular, que depois de completar suas orbitas as partículas de água
se encontram mais adiante da sua posição anterior, e assim sem
influência do vento, sofrendo um movimento de avanço. Este
movimento em massa é maior na ondas altas que nas ondas baixas;
as ondas de translação movem-se em direcção a propagação sem
compensar essa translação, com um movimento para trás. Este tipo
de onda constitui-se uma unidade independente e não demonstra as
cristas e nem outros sinais como a anterior.

Entre estes dois tipos de ondas supracitadas, existem outras de


transição, cuja individualização não é completa designada por
ondas solitárias. Estas ondas são caracterizadas por serem mais
efectivas que as de translação para mover os materiais do fundo
marinho. Estas ondas estão relacionados com o fundo marinho e
por isso são chamadas de onda de águas profundas, as quais ao
aproximarem-se de águas mais baixas sofrem influência do fundo.

As ondas sofrem um desvio denominados por refracção, originado


pelo movimento diferencial da onda, ou seja, a crista de uma onda
produz-se mais lentamente quanto mais rasa for a água, fazendo
com que a frente da onda se desvie.

A medida que a onda se aproxima da costa as moléculas de água


que descrevem um movimento que se encontram numa resistência
do fundo que é suficiente para quebrar a parte superficial do
círculo, originando-se a chamada rebentação ou rompimento.

Circulação oceânica (Correntes Marítimas)


As correntes marítimas são deslocamento da água decorrente no
oceano. Elas são originadas pela impulsão do vento e pela
diferença da densidade das águas.
Hidrogeografia GA106 180

O vento é a causa mais importante e mais evidente, havendo no


oceano uma clara correspondência entre sistema de ventos e as
principais correntes marítimas.

Por efeito da força de Curiolis, as águas não se deslocam de acordo


com a direcção dos ventos que a impulsiona, mas segundo uma
direcção oblíqua, correspondendo a um desvio para direita no
hemisfério norte e para esquerda no hemisfério Sul.

A corrente mais notável é sem dívida a corrente do Golfo (Gulf


Stream) diante da costa oriental da América do Norte. Apresenta
uma largura de 50Km e uma profundidade de 500m, a sua
velocidade ultrapassa os 40Km/h. Ela apresenta uma temperatura
de 28ºC e durante o seu percurso está corrente afasta-se do
continente americano tomando a direcção nordeste, continuando
através do atlântico com o nome da Deriva do Atlântico Norte. Esta
deriva de águas superficiais influência de forma notabilíssima o
clima do continente Europeu, com destaque para as zonas
litorrâneas.

Sumário
Afirmou-se em algum momento que as águas do mar não se encontram
em repouso, exercendo alguns movimentos, como são os casos das marés,
ondas, e correntes marítimas. Estes são respectivamente causados por
atracção gravitacional do sol e da lua e os ventos.

Exercícios
Entregar o exercício 1 desta unidade.

1. Formule uma ideia própria que explique a ocorrência das marés.


Hidrogeografia GA106 181

Unidade XXIII
Acção das águas marítimas e o
aproveitamento económico do
oceano mundial

Introdução
Esta unidade objectiva fornecer pressupostos em torno da acção
marítima, sobre as áreas litorrâneas, no que respeita as formas por
ela criada e as potencialidades económicas que detêm,
constituindo-se deste modo o motor da dinâmica económica de
certas sociedades.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Descrever a acção das águas marítimas na modelagem do


relevo costeiro;
Objectivos
 Reconhecer a importância económica dos oceanos.

Trabalhos dos oceanos e mares


As costas são um lugar de contacto entre dois mundos diferentes –
Terra e Mar. As inúmeras paisagens litorais existentes do mundo
resultam, quer da diversidade dos relevos continentais, quer da
diversidade das formas criadas pelo mar. A acção do mar sobre os
objectos geográficos se resume no desgaste, transportes e
acumulação de materiais, dando origem a variadas combinações.
Hidrogeografia GA106 182

Na erosão as ondas actuam de vários modos. A que considerar a


força hidráulica com que embatem nas rochas. Durante os
temporais as rochas lançam quantidades enormes de água contra a
costa, podendo exercer pressões de grandes toneladas.

A água atirada contra as rochas vai provocar uma compreensão do


ar no interior das fendas e cavidade, e quando a águas se retira dá-
se uma descompressão rápida, favorecendo deste modo o
desprendimento de fragmentos rochosos.

O material transportado pelo mar é originário não apenas da erosão


directa da costa, mais principalmente dos rios que lança grandes
quantidades de sedimentos no mar. Assim sendo as praias podem
aumentar ou diminuir de extensão, podem se formar novas praias
ou desaparecer as existente.

As marés originam correntes de fluxos (enchentes) e refluxos


(vazantes), movimentando os sedimentos num e noutro sentido,
possibilitando com rapidez a configuração de várias zonas litorais.

A deposição verifica-se quando a agitação das águas diminuem. Os


detritos mais pesados são os primeiros a ficar em repouso.

Aspectos variados da costa


As costas apresentam múltiplos aspectos, resultantes da
combinação de um conjunto de factores, tais como, a acção
erosivas do mar, a natureza das costas e corrente marítimas. Assim
podemos considerar algumas alterações da costa geradas pela água
do mar.
Hidrogeografia GA106 183

O recuou das arribas e a criação de morfologia variada ao


longo da costa
As arribas são vertentes abruptas ou costas altas que podem ou não
estar sobre o ataque directo das águas do mar. Se esta é atingida
pelas vagas, então tem-se arribas vivas, porém se uma faixa de
sedimentos se interpõe de forma a ficar fora do alcance do mar,
então estaremos diante das arribas mortas.

As arribas vivas sofrem um embate contínuo das águas nas rochas,


resultando uma abrasão (erosão ou desgaste) mais ou menos
intensa, que desgasta a base das arribas. Faltando apoio as camadas
de cima, dá-se o desmoronamento, sendo que o material vai
acumular-se no sopé das arribas formando a plataforma de abrasão.

A que considerar que material acumulado no sopé das arribas pode


eventualmente ser usados pelas ondas para a efectivação de um
outro processo de abrasão contra as arribas. Se as rochas forem
leves a acção erosiva do mar por meio delas será extraordinária.

A erosão também é feita por dissolução, especialmente em litorais


que se apresentam constituídos por rochas calcárias.

O material arrancado pelo desgaste é transportado pelo mar, ou seja


por ondas ou correntes marítimas. Quando as ondas não incidem
perpendicularmente apesar da refracção a água da rebentação
espraia-se obliquamente, e retira-se segundo a iluminação da praia.
Os detritos arrastados são assim impelidos ao longo da costa,
descrevendo uma trajectória em ziguezague. Este fenómeno de
deriva litoral é capaz de deslocar areias e calhaus até vários
quilómetros por dia.

Na zona de rebentação as ondas oblíquas dão origem a corrente


paralelas a costa. Estas correntes litorais transportam os detritos
mais leves em suspensão e os mais pesados ao longo do fundo.
Hidrogeografia GA106 184

Assim sendo, desenvolve-se uma plataforma de abrasão diante da


arriba levemente inclinada em direcção ao mar, estando por isso
descoberta durante as maré baixa e coberta durante as maré alta. Os
sedimentos arrastados vão se depositar adiante da plataforma de
abrasão dando origem a plataforma de acumulação que se prolonga
até grandes profundidades.

A medida que a plataforma aumenta de largura as ondas perdem


energia devido ao atrito no seu percurso. Assim sendo as ondas já
não conseguem atacar eficazmente.

As arribas deixam de recuar. Apenas quando o mar subir as arribas


mortas serão novamente atacados.

A natureza da rocha é um determinante para a ocorrência


extraordinária ou não, da erosão. Por exemplo as rochas calcárias
cedem mais facilmente este processo originando cabos e grutas,
enquanto que as rochas mais consistentes resistem mais e, por isso,
determinam a existência de saliências ou seja cabos.

As praias são acumulações de areia junto ao mar, mais também ser


construídas por calhaus rolados (pequenas rochas eruditas) e
cascalho fino. A areia não resulta do desgaste dos elementos
grosseiros mais é fornecida principalmente pelos rios que
desaguam nos mares. Esta forma de relevo criada pelo agente mar é
muito instável, alterando-se de quando em vez pela influência do
mar em tempos diferentes. Por exemplo, no mau tempo a areia é
levada pelas ondas e contrariamente sucede em tempos estáveis.

Quando a largura das praias é suficientemente grande, o vento


acumula a areia formando dunas, podendo atingir dezenas de
metros de altura. Se o vento for constante e forte as dunas podem
avançar mais para o interior.
Hidrogeografia GA106 185

No encontro do mar com uma corrente fluvial os materiais podem


depositar-se. Deste modo surgem os deltas, resultante de uma
cumulação de depósito de sedimento fluviais que avança sobre o
mar e quando este não tem força para transportar até mais longe se
acumula nas fozes dos rios dando condição para que os cursos de
água procurem outros caminhos alternativos para desaguar.

Para além da formação das praias por meio de transporte e


acumulação de areias, outras formas de acumulação podem ser
criadas, como são os casos, das restingas, cabedelos e tombolos.

Aproveitamento económico do oceano mundial


A pesca é uma actividade que o homem pratica a séculos. Hoje
equipamento sofisticado para a detenção e captura, permite
explorar os recursos do mar de forma mais eficiente. Em 1985, 84
milhões de toneladas de peixes foram obtidas em todo o mundo,
fornecendo a alimentação para a população.

Em Moçambique, a actividade pesqueira de grande porte remonta


de 1965, quando no Banco de Sofala, e posteriormente na Baia de
Maputo foi autorizada a exploração industrial do camarão com
vista a exportação para mercados Europeus. A instauração em 1975
da Zona Económica Exclusiva permitiu ao país continuar a praticar
uma política sectorial de concessão de licenças para a pesca de
camarão e outras espécies demersais e pelágicas no seu mar
jurisdicional. A concessão de licença tinham como finalidade, gerar
divisas para o país e, portanto, o incentivo maior volta-se para a
produção destinada a exportação.

É de particular interesse referir que no período da guerra terminada


em 1992, a pesca industrial representava a principal fonte de
divisas para o país, situação que vai se declinando a partir daí.
Hidrogeografia GA106 186

A actividade pesqueira contribui para o aumento do produto interno


bruto.

Os oceanos desempenham um papel importante no equilíbrio


natural da terra, especialmente por actuar como reguladores
térmicos. As influências oceânicas directas sobre as áreas
continentais de maneira não ultrapassam 100Km da costa. Contudo
é justamente nas áreas distantes, até 60Km do litoral, que se
concentra perto de 75% da população mundial.

Os oceanos são locais de passagem, de contacto comerciais e


culturais, também fontes de recursos bastante diversificados. A
tradicional actividade pesqueira e a extracção do petróleo têm se
verificado de forma cada vez mais intensa. Em função de
importância económica dessas riquezas, a exploração dos espaços
marinhos constitui cada vez mais, objectos de competição
internacional.

Em várias regiões do mundo ocorre disputa de soberania sobre as


áreas oceânicas. Por exemplo os gregos e turcos discutem a
soberania sobre os espaços marítimos do mar Egeu que abriga
sobre a plataforma continental importantes jazigos de petróleo.

O subsolo marítimo é bastante rico em minerais inexplorados.


Além do petróleo, os nódulos polimetálicos, combinação de
manganês, cobre, níquel, cobalto, zinco e molibdénio constituem
um dos tesouros mais desejados e cobiçados pelos países dotados
de tecnologia avançadas e com possibilidade explorar estás áreas.

No fundo do oceano pacífico estima-se que exista cerca de 1.500


biliões de toneladas destes nódulos, atingindo concentrações acima
de 100 mil toneladas por milha.

Existe actualmente ideias de se aproveitar as águas oceânicas para


o consumo humano, atendendo que a humanidade começa a
Hidrogeografia GA106 187

enfrentar limitações em termo de disponibilidade de água doce. O


provável mecanismo usado para uso das águas marítimas é a
dessalinização.

Por último referir-se sobre as potencialidades do domínio vegetal


destacando-se a importância das algas, as quais podem ser usada
para a adubagem de terras, para fins medicinais e até mesmo para
alimentação.

Sumário
Como antes referimos as águas oceânicas não se encontram em
repouso, elas exercem grande influência na modelagem do relevo
litorrâneo, como é o caso da formação de praias, criação de cabos,
entre outras formas. Para além destas formas criadas, as águas
marinhas apresentam grandiosas potencialidades económicas, como
por exemplo a existência de grandes jazigos de petróleo e varias
espécies biológicas úteis para o consumo humano. Estes aspectos
contribuem bastante para a dinâmica económica de vários países.

Exercícios
Entregar o exercício 1 e 2 desta unidade.

1. Descreve a acção do mar na formação das baias e cabos.


2. Diga ate que ponto o oceano contribui para a dinâmica
económica do nosso pais.
Hidrogeografia GA106 188

Unidade XIV
A poluição dos oceanos e mares

Introdução
Nesta unidade reflectiremos em torno das actividades humanas que
contribuem para a degradação dos oceanos.

Ao completar esta unidade / lição, você será capaz de:

 Estabelecer a distinção entre as propriedades físicas e


químicas;
Objectivos
 Identificar os movimentos das águas do mar;

 Identificar os possíveis factores por detrás desta dinâmica.

Designa-se por poluição marinha a introdução de determinada


substância químicas nocivas que alteram o estado normal do meio
aquático. Ela manifesta-se pela modificação de elementos físicos e
químicos.

Poluição antropogénica
A que considerar preocupante as descargas industriais que são
lançadas directamente no mar ou que, após terem sido lançados no
rio, vem a ser escoado pelo mar. Estes depósitos altamente tóxicos
geram destruições enormes a fauna e flora marinha,
comprometendo o equilíbrio Biológico.
Hidrogeografia GA106 189

A indústria é sem dúvida o sector das actividades mais poluidor das


águas. Nos circuitos de produção a água é usada como dissolvente
ou reagente químicos, na lavagem, na tinturaria e no arrefecimento,
terminando por se poluir, de tal forma que se torna impróprio para
o uso. Está água concentra elevado índice de cargas químicas e
substâncias tóxicas, e por isso, adopta o carácter venenoso, sendo
posteriormente lançado directa ou indirectamente nos rios, ribeiros
e lagos, e deste modo atingem os oceanos como ante referimos.

Alguns litorais encontram-se ligados com as redes de drenagem de


esgotos e águas residuais provenientes do sector residencial. Estas
substâncias nocivas são canalizadas para as zonas litorrâneas e
posteriormente arrastadas para o mar adentro.

Também o petróleo é comummente responsável por desastres


ecológicos, motivado por derrames. A emissão deste elemento é
causada por acidente de navios petroleiros, contribuindo em 10%
para poluição global dos oceanos.

Todos os anos cerca de 600.000 toneladas de petróleo bruto são


emitidas em acidentes ou descargas ilegais com grandes
consequências ambientais.

Para além de acidentes, as descargas podem e são feitas por vezes


por acções propositadas, destinadas a lavagem de tanques
petroleiros as quais são levadas a cabo apesar das proibições
existentes a nível das legislações internacional.

Os efeitos da poluição sobre as águas do mar


Dentre os efeitos da poluição das aguas dos oceanos, destacam-se:
 Destruição dos peixes;
 Desaparecimento de organismos aquáticos inferiores;
 Degeneração e enfraquecimento dos peixes;
 Obstrução de locais destinados à deposição de ovo;
Hidrogeografia GA106 190

 Redução do valor económico das áreas;


 Substituição das espécies;
 Formação de bancos de lodos nos canais navegáveis;
 Acção agressiva das águas sobre estruturas de embarcações;
 Problemas estéticos; e
 Prejuízo às actividades desportivas e recreativas.

Sumário
O oceano tem sido grandemente agredido pelos homens,
introduzindo neles substâncias nocivas que contribuem não só para
a degradação deste recurso, mas também, para a destruição
biológica.

Exercícios
Entregar o exercício 1 desta unidade.

1. Diga de que modo os oceanos se degradam.


Hidrogeografia GA106 191

Referências bibliográficas

TRINDADE, Victor Manuel, O mecanismo da terra: Teoria da


tectónica, 1ª edição, Plátano Editora, Lisboa, s/d.

CHRISTOFOLETTI, A, “Geomorfologia”, 2ª Edição, 1980, São


Paulo – Brasil

KNAPIC, Dragomir, Geografia 11º ano, 2ª edição, Plátano Editora,


Lisboa, s/d.

Faculdade de letras da UEM, Geografia: Manual da 10ª classe,


Maputo, 1982.

NAKATA, Hirome, at all, Geografia Geral, 1ª edição, Editora


Moderna, s/d.

MOTA, Raquel, et all, 4ª edição, Plátano editora, Lisboa, 1997.

SILVA, Albino Santos, et all, 4ª edição, texto editora, Lisboa,


1989.

BARROS, Carlos e PAULINO, Wilson Roberto, “Física e


Quimica”, editora Atica, 53ª edição, 1999, São Paulo.

BARROS, Carlos e PAULINO, Wilson Roberto, “Ciências: o meio


ambiente”, editora Ática, 71ª edição, 2001, São Paulo.

Direcção Nacional de recursos e aproveitamento hidráulico, “Curso


internacional de hidrologia operativa”, Volume II, 1984.

MINSTER, Jean François, “Os oceanos”, editora Instituto Piaget,


1993, Lisboa.

JESSEN, Mário A. “Apontamentos de oceanografia: para


geógrafos”, editora imprensa universitária, UEM, 1998, Maputo
Hidrogeografia GA106 192

COSTA, Joaquim da, “Cursos de Agronomia e Geografia”, s/d.

ANTUNES, João, “Geografia: 10º ano de escolaridade (área A) ”,


Plátano editora, Volume I, 9ª edição, s/d, Lisboa.

Instituto Geológico Mineiro, “Hidrogeologia – Aguas subterrâneas:


aprender para conhecer”, Editora Grafi Time, s/d.

Universidade Federal Fluminense – Departamento de Biologia


Marinha, “Propriedades Físico – Químicas da água”, s/d.

CONSÓRCIO ECOPLAN – LUME, “Plano Integrado de Recursos


Hídricos da Bacia do Rio Doce e dos Planos de Acções de
Recursos Hídricos para as Unidades de Planejamento e Gestão de
Recursos Hídricos no Âmbito da Bacia do Rio Doce”, s/d

http://nautilus.fis.uc.pt/cec/hiper/paula%20ribeiro/www.paularibeir
o.no.sapo.pt/historia_da_agua.htm

Bibliografias

MINED – Moçambique, MINED – Angola e Centro de


investigação pedagógica, “Atlas Geográfico Universal”, editora
Diname, 2ª edição, Volume II, 1983.

LORIUS, Claud e Gendrin, Roger, “O Antárctico”, editora Instituto


Piaget, 1998, Lisboa.

RASOOL, Ichtiaque, “Sistema Terra”, editora instituto Piaget,


Lisboa.

MATOS, M. Lúcia Santos A. E RAMALHO, M. Helena


Ramalhão, “A Terra; Planeta dinâmico”, editora ASA.

W. C O L L I S C H O N N, “Introduzindo Hidrologia”, s/d.


Hidrogeografia GA106 193

DAJOZ, R, “Ecologia Geral”, 3ª Edição, s/d.

FERREIRA, A e CRUZ, M. M. Pereira da, “Geografia Física 2,


10º/11º ano e Curso complementar nocturno - Área A”, Edições
ASA, s/d.

GLINKA, Nicolai, “Química Geral”, editora MIR, Moscovo, s/d.

http:// www.infoescola.com/geografia/ciclo-hidrologico-ciclo-da-
agua/

http:// www.cptec.inpe.br/-ensinop/ciclo-hidrologico.htm.

JÁCOME, M. G. e LOURENÇO, M. H “Ciências da Terra e da


Vida”, Lisboa Editora

NANJOLO, Luís Agostinho e ISMAEL, Abdul Ismael, “A Terra –


Processos e Fenómenos, Geografia”, 2002, Maputo - Moçambique

ODUM, E. P, “Fundamentos de Ecologia”, 4ª Edição, s/d.

Revista Missionária Nº511, “Além Mar, Água Doce – A vida da


Terra”, s/d.

RODRIGUES, A e SANTOS, M. H, “Geografia”, Texto Editora,


s/d

VIERA, E. e MOURA, A de, “Compêndio de Geografia”, 1967

Você também pode gostar