0
Universidade Católica de Moçambique
Faculdade de Ciências Sociais E Políticas
Direito
1º ano
História de direito
Os direitos Europeus Medievais e modernos
Discentes:
Ciela Mulima
Ednice Becas
Mónica Ernane
Nalisia Suandique
Osório Gaspar
Sovita Franscisco
Docente:
Ph.D. Rui Mulieca
Quelimane, Abril,2024
1
Universidade Católica de Moçambique
Faculdade de Ciências Sociais E Politicas
Os direitos Europeus Medievais e modernos
Quelimane, Abril,2024
2
3
Índice
[Link]ção.......................................................................................................................3
2. Objectivos:.....................................................................................................................3
2.1. Objectivo Geral:.........................................................................................................3
2.2. Objectivos Específicos:..............................................................................................3
3. Direitos Europeus Medievais e Modernos....................................................................4
3.1. Direito canónico.........................................................................................................4
3.1.1. Generalidades sobre o Direito Canónico:................................................................4
3.1.2. Relação entre a Igreja e o Estado:...........................................................................4
3.1.3. As Concordatas:.......................................................................................................5
3.1.4. Ensino e a Doutrina:................................................................................................5
3.2. Os direitos Germânicos..............................................................................................6
3.2.1. Direitos consuetudinários........................................................................................6
3.2.2. Direito Romanista....................................................................................................7
3.2.3. O Renascimento do Direito Romano.......................................................................7
3.2.4. Difusão dos direitos Romanistas Fora da Europa....................................................8
3.3. A Common Law.........................................................................................................8
3.3.1. Generalidade da Common Law:..............................................................................9
3.3.2. Formação da Common Law:...................................................................................9
3.3.3. Difusão da Common Law pelo Mundo:................................................................10
4. Conclusão:...................................................................................................................11
5. Referências bibliográficas...........................................................................................12
4
[Link]ção
A história dos direitos europeus é uma jornada através dos séculos, marcada por uma rica
diversidade de tradições legais que moldaram as sociedades do continente. Desde os períodos
medievais até a contemporaneidade, os sistemas jurídicos da Europa reflectem uma interacção
complexa entre diversas influências, incluindo o Direito Canónico, os Direitos Germânicos e
o Common Law. Nesta introdução, mergulharemos nas raízes desses sistemas jurídicos e nas
interconexões que os tornam tão fundamentais para a compreensão da estrutura legal
europeia.
Especificando, no direito Canónico abordaremos as generalidades, relação entre Igreja e
Estado; nos direitos Germânicos tendo em conta o direito Consuetudinário, direito romanista e
o renascimento do direito Romano. Por fim abordaremos sobre o Common Law considerando
a sua generalidades, Formação e Difusão Global.
2. Objectivos:
2.1. Objectivo Geral:
Analisar e compreender a evolução dos direitos europeus ao longo dos períodos
medievais e modernos, destacando a influência do Direito Canónico, dos Direitos
Germânicos e do Common Law.
2.2. Objectivos Específicos:
Analisar as generalidades do Direito Canónico, incluindo sua origem, estrutura e
aplicação ao longo dos períodos medieval e moderno;
Investigar a relação entre a Igreja e o Estado durante esses períodos, com foco nas
concordatas e outros acordos que delinearam os limites de poder entre as autoridades
eclesiásticas e seculares;
Analisar as características do direito consuetudinário germânico, sua aplicação prática
e sua interacção com o Direito Canónico e o Direito Romano;
Explorar o renascimento do Direito Romano durante os períodos medieval e moderno,
bem como sua difusão além das fronteiras europeias;
Investigar a formação do Common Law na Inglaterra medieval, incluindo suas origens
nos tribunais reais e sua evolução ao longo do tempo.
5
3. Direitos Europeus Medievais e Modernos
3.1. Direito canónico
O Direito Canónico é o conjunto de leis e regulamentos estabelecidos pela Igreja Católica
Romana para governar sua organização, liturgia e prática. Aqui estão algumas generalidades
sobre o Direito Canónico e sua relação com a Igreja e o Estado, bem como as concordatas, o
ensino e a doutrina:
3.1.1. Generalidades sobre o Direito Canónico:
O Direito Canónico é baseado na lei divina, na tradição e nos decretos dos concílios
ecuménicos e papas;
Ele abrange uma ampla gama de assuntos, incluindo o governo da Igreja, os
sacramentos, o direito penal, as obrigações dos clérigos e dos fiéis, entre outros;
É um direito dos cristãos;
Igreja desempenhou um papel fundamental entre os medievos;
Certos aspectos do direito privado eram de regulação exclusiva da Igreja;
O direito canónico ainda está na base de certos preceitos do direito moderno;
Único direito escrito da idade média;
O catolicismo, por nascer em meio ao direito romano, reconhece o conceito de direito,
diferentemente de outras religiões.
3.1.2. Relação entre a Igreja e o Estado:
Historicamente, houve uma relação complexa entre a Igreja e o Estado, com
momentos de cooperação e conflito.
Em muitos países, especialmente em regimes onde a Igreja Católica tem uma presença
significativa, houve esforços para regular as relações entre a Igreja e o Estado através
de concordatas e tratados.
A separação entre Igreja e Estado varia de acordo com os países e suas tradições
jurídicas e religiosas.
6
3.1.3. As Concordatas:
As concordatas são acordos formais entre a Santa Sé (governo central da Igreja Católica) e um
governo secular. Esses acordos têm o objectivo de regular as relações entre a Igreja e o Estado
em um determinado país ou região. As concordatas abordam uma variedade de questões,
incluindo:
Nomeação de Bispos: Em muitos países, a nomeação de bispos é uma questão
sensível. As concordatas podem estabelecer procedimentos específicos para a
nomeação de bispos, muitas vezes envolvendo a consulta entre as autoridades
eclesiásticas e civis.;
Status Legal da Igreja: As concordatas frequentemente definem o status legal da
Igreja Católica no país em questão. Isso pode incluir questões como propriedade
eclesiástica, imunidade legal para clérigos e instituições religiosas, e reconhecimento
oficial da Igreja;
Financiamento Religioso: As concordatas podem abordar questões relacionadas ao
financiamento da Igreja, como isenções fiscais para doações religiosas, financiamento
estatal para instituições católicas de caridade ou educação, e o uso de fundos públicos
para manutenção de edifícios religiosos;
Educação e Assistência Social: Muitas concordatas incluem disposições sobre a
colaboração entre a Igreja e o Estado em áreas como educação e assistência social.
Isso pode envolver o reconhecimento oficial de escolas católicas, o ensino da religião
nas escolas públicas, e a cooperação em programas de assistência social e de saúde;
Outras Questões: Além dessas áreas principais, as concordatas podem abordar uma
série de outras questões, como o reconhecimento de feriados religiosos, o status legal
dos casamentos religiosos, e a protecção dos direitos humanos e da liberdade religiosa.
3.1.4. Ensino e a Doutrina:
Além de regular questões de governo e relação com o Estado, o Direito Canónico também
abrange o ensino e a doutrina da Igreja Católica. A autoridade máxima em questões de
doutrina é o Papa, que possui o poder de definir dogmas e ensinamentos oficiais, embora em
consulta com bispos e teólogos.
As universidades e instituições católicas de ensino estão sujeitas às normas do Direito
Canónico em relação ao ensino da fé católica. Isso significa que devem promover uma
7
educação que esteja em conformidade com os princípios e valores católicos, garantindo a
integridade da doutrina e a formação integral dos estudantes.
O ensino e a doutrina são áreas dinâmicas que continuam a se desenvolver à luz da reflexão
teológica, da experiência pastoral e dos desafios contemporâneos. O Direito Canónico
desempenha um papel fundamental na protecção e promoção da fé católica, garantindo sua
transmissão fiel e autêntica às gerações futuras.
3.2. Os direitos Germânicos
Os direitos germânicos referem-se aos sistemas jurídicos e tradições legais desenvolvidos
pelos povos germânicos durante a Idade Média e o período anterior. Existem várias
características distintas desses sistemas, incluindo o direito consuetudinário germânico,
influências do direito romanista e o renascimento do direito romano, além da difusão dos
princípios romanistas para além da Europa.
3.2.1. Direitos consuetudinários
Direitos consuetudinários germânicos, eram sistemas legais baseados em costumes e tradições
dos povos germânicos durante a Idade Média e períodos anteriores. Esses sistemas legais
tinham características distintas que reflectiam a cultura e a organização social desses povos.
O direito consuetudinário germânico era altamente descentralizado e baseado em normas
transmitidas oralmente de geração em geração. Não havia uma autoridade central que legisse
ou aplicasse leis de forma uniforme. Em vez disso, as decisões judiciais eram frequentemente
tomadas por líderes tribais ou assembleias locais, e a aplicação do direito dependia da
reputação e autoridade desses líderes.
Este sistema legal era flexível e adaptável às necessidades locais e às mudanças nas
circunstâncias sociais. Ele tratava de uma variedade de questões, incluindo disputas de
propriedade, crimes, casamentos e relações comerciais. A resolução de conflitos geralmente
envolvia métodos como a mediação, compensação financeira ou juramentos de inocência.
O direito consuetudinário germânico coexistiu com outras influências legais, como o direito
romano e as leis canónicas da Igreja Católica. Com o tempo, essas influências se misturaram e
influenciaram o desenvolvimento do direito na Europa Ocidental.
8
3.2.2. Direito Romanista
Durante a era medieval, especialmente após a queda do Império Romano do Ocidente, houve
uma influência significativa do direito romano sobre as tradições legais dos povos
germânicos. Isso foi facilitado pela presença romana em várias regiões da Europa e pelo
contacto directo entre as populações germânicas e os romanos.
O direito romano, codificado principalmente no Código de Justiniano, fornecia uma fonte de
leis escritas e um modelo para a organização legal. Elementos como contratos, propriedade e
procedimentos legais começaram a ser incorporados às práticas legais germânicas,
especialmente em áreas urbanas e entre a aristocracia.
A influência do direito romano foi especialmente forte nos sistemas legais das regiões onde o
Império Romano havia exercido uma dominação prolongada. Isso incluía partes da Europa
Ocidental, como Itália, França e Espanha. No entanto, mesmo em áreas onde o domínio
romano foi menos pronunciado, como a Germânia e a Inglaterra, houve uma influência
significativa do direito romano sobre as tradições legais locais.
Essa fusão de tradições legais germânicas e romanas contribuiu para o desenvolvimento de
sistemas legais híbridos na Europa medieval, que mais tarde influenciariam o direito moderno
na região.
3.2.3. O Renascimento do Direito Romano
O Renascimento foi um período de redescoberta e ressurgimento do interesse pela cultura e
conhecimento clássicos, incluindo o direito romano. Durante esse período, estudiosos
redescobriram textos romanos antigos e começaram a estudar e interpretar o direito romano de
uma maneira mais sistemática.
O Renascimento do direito romano teve um impacto profundo no desenvolvimento do direito
moderno na Europa. Os princípios e conceitos do direito romano foram revitalizados e
incorporados às reformas legais que ocorreram durante essa época. O estudo do direito
romano foi promovido em universidades e centros académicos em toda a Europa,
contribuindo para a formação de juristas e advogados versados nos ensinamentos da lei
romana.
Além disso, a redescoberta do direito romano ajudou a unificar o direito na Europa,
proporcionando um corpo comum de leis e princípios legais que transcendiam as fronteiras
9
nacionais e regionais. Isso teve um impacto significativo na codificação e sistematização do
direito civil em muitos países europeus, influenciando directamente o desenvolvimento dos
sistemas legais modernos.
O Renascimento do direito romano também teve repercussões além da Europa, influenciando
os sistemas legais em outras partes do mundo, como nas Américas e em partes da Ásia e
África, onde os colonizadores europeus introduziram tradições legais romanistas.
3.2.4. Difusão dos direitos Romanistas Fora da Europa
Além de influenciar profundamente o desenvolvimento do direito na Europa, os princípios
romanistas também se difundiram para além das fronteiras do continente europeu. Isso
ocorreu principalmente por meio da colonização e do comércio estabelecidos por potências
europeias durante os períodos colonial e pós-colonial.
Em muitos países colonizados por nações europeias, como as Américas, partes da Ásia e
África, os sistemas legais foram moldados pelos princípios do direito romano. Os
colonizadores impuseram suas próprias tradições legais aos povos indígenas, muitas vezes
substituindo os sistemas legais existentes por códigos legais baseados no direito romano e nas
tradições jurídicas europeias.
Mesmo em regiões onde o direito romano não foi directamente imposto, seus princípios e
conceitos influenciaram indirectamente o desenvolvimento dos sistemas legais loca. Isso
ocorreu por meio da educação legal, com muitos estudantes e juristas locais sendo treinados
em instituições europeias que ensinavam o direito romano e suas aplicações.
A difusão dos princípios romanistas também foi facilitada pela expansão do comércio e
intercâmbio cultural entre as civilizações europeias e outras regiões do mundo. Com o tempo,
muitos países não europeus adoptaram elementos do direito romano em seus próprios
sistemas legais, influenciando assim o desenvolvimento do direito globalmente.
3.3. A Common Law
O common Law é um sistema jurídico usado em países de língua inglesa. Ele se baseia em
decisões anteriores em casos semelhantes, em vez de códigos. Por isso, os juízes e advogados
desempenham um papel fundamental no desenvolvimento desse sistema
O common Law pode ser entendido como o Direito de característica anglo-saxão, cuja origem
se deu na Inglaterra durante a idade média, no século XII. Por não ter uma estrutura jurídica
10
similar, foi determinado um “direito comum”. O objectivo era estabelecer um padrão de
relacionamento entre o Estado, representado pelo monarca, e os proprietários de terra.
3.3.1. Generalidade da Common Law:
A Common Law é um sistema jurídico que se desenvolve através de decisões judiciais
e precedentes estabelecidos por tribunais ao longo do tempo, em oposição à legislação
codificada;
É comummente associado aos sistemas legais da Inglaterra e dos países que se
originaram ou foram influenciados pelo sistema legal inglês, como os Estados Unidos,
Canadá, Austrália e grande parte dos países da Commonwealth;
Elaborado a partir do séc. XII na Inglaterra pelas decisões das jurisdições reais
direito comum da Inglaterra, em oposição aos direitos comuns locais;
A lei pouco contribui na evolução;
No séc. XV, houve as regras jurídicas de equity, uma vez que o common law era
considerado obsoleto;
Foi dominada pelo common law no séc. XVII, mas o direito inglês só se fundiu em
1875;
Direito inglês é mais histórico que os outros;
Difere do direito romanista;
Não foi muito romanizado;
Costumes do reino são mais importantes que os costumes locais.
3.3.2. Formação da Common Law:
O marco fundamental para a formação do sistema jurídico baseado no common law foi a
conquista normanda da Inglaterra em 1066. Com a chegada dos normandos ocorreu o fim de
uma sociedade tribal, caracterizada pelo direito fragmentado e local, que cedeu espaço para
uma sociedade feudalista e organizada, com grande experiência administrativa. (DAVID,
2006, p. 358) Complementa Sérgio Gilberto Porto, que é “a partir da invasão normanda que se
tem os primeiros registos da expressão common law ou comune ley.” (PORTO, 2006, p. 762).
Os juízes desenvolveram um corpo de direito comum que foi aplicado de forma consistente
em todo o país. O sistema legal inglês foi então levado para as colónias britânicas durante a
expansão do Império Britânico.
11
3.3.3. Difusão da Common Law pelo Mundo:
A Common Law se espalhou principalmente através do império britânico, sendo adoptada
nas colónias britânicas e em muitos outros países que foram influenciados pelo sistema legal
inglês. Hoje, a Common Law é o sistema jurídico predominante em muitos países,
especialmente aqueles que fazem parte da Commonwealth, como Canadá, Austrália, Índia e
muitos países africanos. Além disso, a Common Law também exerceu influência em outras
partes do mundo, mesmo em países onde não é o sistema legal primário, como em algumas
áreas da Europa e da Ásia.
A Common Law é caracterizada pela sua adaptabilidade e flexibilidade, uma vez que permite
que os tribunais interpretem e desenvolvam o direito com base nos casos específicos que
enfrentam, em vez de dependerem exclusivamente da legislação codificada. Essa flexibilidade
é considerada uma das vantagens da Common Law, pois permite uma resposta mais ágil a
novas situações e desenvolvimentos sociais.
12
4. Conclusão:
Ao longo deste trabalho, exploramos os direitos europeus em suas diversas fases históricas,
desde os períodos medievais até a modernidade, examinando a influência de três sistemas
jurídicos fundamentais: o Direito Canónico, os Direitos Germânicos e o Common Law. Sob o
prisma do Direito Canónico, investigamos suas generalidades, sua relação complexa entre a
Igreja e o Estado, as concordatas que delinearam os limites de poder entre essas entidades,
bem como seu impacto no ensino e na doutrina, moldando a mentalidade jurídica europeia.
Em síntese, os direitos europeus, em suas várias formas e manifestações ao longo da história,
reflectem a complexidade e a diversidade do continente. Esses sistemas jurídicos não apenas
moldaram o desenvolvimento legal na Europa, mas também deixaram um legado duradouro
que continua a influenciar sistemas jurídicos em todo o mundo. Ao compreender suas origens,
evolução e interacções, podemos obter Inxight valiosos sobre a natureza e a função do direito
em sociedades passadas e presentes, contribuindo para uma compreensão mais profunda da
estrutura legal global.
13
5. Referências bibliográficas
STEIN, Peter. Direito Romano na História Europeia. Editora Contraponto, 2017
[Link]
e-modernos/
[Link]
GALIO, Morgana Henicka. Influência do direito romano e a aproximação dos sistemas
TIERNEY, Brian. A Crise da Igreja e do Estado (1050-1300). Editora EDIPRO, 2010