Universidade Óscar Ribas
Faculdade de Ciências Sócias e Humanas
Curso de Gestão de Administração e Marketing
Tema: Contrato de Franquia
Luanda, Dezembro de 2020
Universidade Óscar Ribas
Faculdade de Ciências Sócias e Humanas
Curso de Gestão de Administração e Marketing
Tema: Contrato de Franquia
Sala: 22
Grupo: 3
Integrantes do Grupo: Vissolela Pascoal nº de estudante- 20160592, Lídia Alexandre
nº de estudante – 20191216, João Neto nº de estudante – 20190394, Rossana
Mengouaco nº de estudante-20191069
Luanda, Dezembro 2020
Agradecimentos
Agradecemos em primeiro lugar a Deus todo-poderoso, por todas as bênçãos, luz e
sabedoria. Agradecemos as nossas famílias e amigos, e todos aqueles que contribuíram
direta ou indiretamente para realização deste trabalho.
Índice
• Introdução...............................................................................5
• Justificação do tema................................................................6
• Objectivo geral........................................................................7
• Objectivo especifico ...............................................................7
• Problema .................................................................................8
• Hipótese...................................................................................8
• Breve Explanação Sobre os actos de comercio.......................9
• Classificação dos actos comerciais ........................................10
• Contratos comerciais ..............................................................11
• Contratos de Distribuição e a Distribuição Comercial ..........12
• Pontos comuns dos contratos de Distribuição .......................14
• Tipos de Distribuição.............................................................15
• Objectivos do Produtor..........................................................16
• Contratos de Franquia............................................................17
• Caracteristicas dos Contratos de Franquia.............................19
• Natureza Jurídica dos Contratos de Franquia........................21
• Conclusão .............................................................................22
• Referências Bibliográfica .....................................................23
Introdução
Estamos para abordar neste trabalho sobre o contrato de Franquia ou Franchising, que
pertence a categoria dos contratos comerciais, isto é, aos contratos de Distribuição,
através da qual se concretiza o escoamento para o mercado dos produtos ou serviços
produzidos ou comercializados pela empresa.
Devemos ainda referir que iremos abordar no presente trabalho sobre os actos de
comercio, que nos ajudarão a perceber a natureza e função dos contratos comerciais,
dado que os contratos englobam em si uma diversidade de actos de comercio, e veremos
ainda de forma resumida as classificações dos actos de comercio pertencentes aos
contratos comerciais.
De referir que quando falamos de actos de comércios, não queremos aqui dizer que
trata-se de comportamentos realizados por um indivíduo tal como é visto em regra no
Direito Civil, mas sim a qualquer facto em sentido amplo que produz efeitos jurídicos
na esfera das actividades mercantis, dito isso, passaremos agora a analisar de forma
exaustiva o respectivo trabalho, tendo em conta os factos apresentados nesta introdução.
5
Justificações do Tema
O que nos levou a escolha deste tema é que está modalidade de contrato é muito pouco
falado no âmbito das relações contratuais, apesar de ser bastante pertinente, vimos uma
necessidade de trazer para a nossa realidade este tipo de contrato.
6
Objectivo Geral:
-Dar a conhecer a importância deste contrato, tal como os benefícios previstos neles
tendo em conta as suas características.
-Diz ainda respeito de modo geral a relevância do referido contrato naquilo que
conserve a sua utilização na actividade empresarial, para aqueles que pretendem entrar
para está área, tal como para quem estiver interessado nesta matéria.
Objectivo Especifico:
-Esclarecer e dar a entender aos destinatários os elementos constitutivos dos contratos
comerciais, bem como os elementos essenciais e fundamentais para o contrato de
Franquia, bem como detalhar as suas características mais marcantes.
-Importa ainda referir aqui sobre a relevância prática e o regime legal aplicável ao
contrato de Franquia, especificando as disposições aplicáveis, bem como o âmbito
prático de aplicação da referida matéria em análise.
-Interpretar e fazer as conexões as diversas matérias inerentes aos contratos comerciais e
do contrato de Franquia de modo a dar mais coerência naquilo que consiste a ligação e a
cronologia das matérias citadas no referido trabalho investigativo.
-E finalmente, tem-se por objectivo específico a importância da finalidade do respectivo
contrato, bem como os benefícios, as vantagens, desvantagens e riscos que advêm do
contrato de Franquia, dando a conhecer aos interessados uma visão geral e específica
daquilo que é o contrato de franquia.
7
Problema
Como pode ser entendido o Contrato de Franquia?
Hipótese
O contrato de Franquia também pode ser entendido como sendo o acordo em que o
detentor de propriedade industrial concede permissão para determinada empresa
produzir e comercializar de forma direta, produtos de marcas consolidadas no
mercado.
8
Breve explanação sobre os actos de comercio
Como já foi referido na introdução, os actos de comercio referem-se aos factos em
sentido amplo, que dizem respeito as diversas classificações a saber:
1-Os factos involuntários, que não dependem da vontade das partes, mas têm relevância
na actividade mercantil, ex: A morte de um dos sócios de uma sociedade comercial;
2-Os factos voluntários, que dependem da vontade dos indivíduos, eles podem ser
lícitos( ex: A patente de invenção) ou ilícitos( ex: A contrafacção de uma Marca);
3-Os Negócios Jurídicos Unilaterais e Bilaterais( é o objecto do respectivo trabalho,
dado que é no âmbito desses negócios jurídicos que falaremos sobre os contratos
comerciais);
Cabe ainda aqui dizermos de que os actos de comercio possuem uma relevância teórica
e prática, sendo a relevância teórica o facto de delimitar o âmbito da matéria dada, no
caso do respectivo trabalho, a matéria lecionada será dos contratos comerciais; e possui
uma relevância prática na medida em que nos permite saber qual é o regime aplicável na
pratica aos actos praticados, no caso em concreto utilizaremos o regime previsto na lei
nº 18/03 de 12 de Agosto(art. 37 e SS da respectiva lei).
Nos termos do artigo 2º do código comercial na 1ª parte, diz respeito aos actos de
comércios objectivos, aqueles que são regulados pela lei comercial, na qual atribuem a
qualidade de comerciante a quem os pratica, o que faz remissão ao artigo 230º do
código comercial, que diz respeito às empresas comerciais, sendo aquelas que realizam
as actividades previstas neste artigo. Importa ainda dizer que o Direito comercial regula
os seguintes actos:
1- Os actos simultaneamente civil e comercial( como o caso dos contratos de Compra e
Venda e o contrato de Mandato, sendo estes contratos comerciais de Distribuição);
2- Os actos exclusivamente comerciais, previstos apenas no código comercial;
3-Os actos regulados pela legislação comercial; Este é o principal foco do nosso
trabalho, dado que o contrato de Franquia ou Franchising é regulado pela lei nº 18/03 de
12 de Agosto.
9
Classificação dos actos comerciais
Vamos agora ver algumas classificações dos actos comerciais, na qual se enquadram os
contratos comerciais1:
-Actos de comercio obectivos, que são regulados na lei comercial, em razão do seu
conteúdo ou circunstância;
-Actos de comercio Absolutos, que são comerciais devido a sua natureza intrínseca que
radica no próprio comercio na vida mercantil. São actos gerados e tipificados pelas
necessidades da vida comercial. Todavia dentro desta categoria podemos distinguir
duas espécies de actos:
-Actos absolutos em virtude de serem os caracterizadores ,típicos, essencialmente
integrante daquelas actividades que formam o objecto material do Direito comercial;
-Actos Absolutos em razão da sua forma, ou do objecto sobre o qual incidem.
-Actos de comercio Substancialmente comercial, que são os que têm comercialidade em
razão da sua própria natureza, ou seja, por representarem, em si mesmo actos próprios
de actividades materialmente mercantis.
-Actos formalmente comerciais, que são regulados na lei comercial como um esq7uema
formal, que permanece aberto para dar cobertura a um qualquer conteúdo, mas abstraem
no seu regime do objecto ao fim para o que são utilizado.
Actos de comercio Causais, são todos os acto que a lei regula em ordem a preencher ou
realizar uma determinada e especifica causa-função jurídico-económica(O contrato de
Franquia tem como causa-função a exploração de uma patente ou marca mediante uma
renumeração)
-Actos Bilateralmente Comerciais ou Puros, os actos que têm carácter comercial em
relação as duas partes.(O contrato de Franquia é celebrado entre o Franqueador/
Produtor e o Franqueado, sendo que os dois são comerciantes)
Está classificação foi feita segundo a Doutrina do professor Miguel Pupo Correia.
Agora Analisaremos à matéria dos contratos comerciais, bem como a suas categorias e
os respectivos tipos contratuais previstos neles, e em especial o objecto do respectivo
trabalho, isto é, o Contrato de Franquia.
1
Manual de Direito Comercial do prof Miguel Pupo Correia, pag 425 a 431
10
Contratos comerciais
O estudo da dinâmica da empresa implica o desbravamento da multiplicidade de actos
em que se desenrola a sua actividade e, por conseguinte, a vida negocial que no seu seio
se desenvolve, com vista a realização concreta do respectivo objecto empresarial, à
exploração do seu objecto de organização econômica. O que implica, pelo menos, o
estudo dos vários tipos de actos do comércio, modo mais directo e natural de contactar
com a realidade concreta da actuação de cada empresa no seu ramo ou ramos de
actividade.2
Para tal, para além da remissão para a teoria geral dos contratos, que é usualmente
objecto de estudo no direito das obrigações, importa uma visão concreta do conteúdo
dos contratos comerciais tais como a pratica os vêm moldando.
Embora o nosso projecto implique uma abordagem mais ampla, pareceu nos importante
explanar aqui o essencial das famílias de contrato comerciais correspondentes àquelas
que podem considerar-se as grandes áreas ou funções de impacto contratualizante da
gestão de uma empresa mercantil: Os contratos ligados à função de distribuição, através
da qual se concretiza o escoamento para o mercado dos produtos ou serviços produzidos
ou comercializados pela empresa; e os contratos financeiros mediante os quais a
empresa soluciona os seus problemas de credito, preocupação essencial da vida
mercantil.
Em cada uma dessas áreas, o estudo dos contratos comercias respectivos será precedido
pelo estudo dos contratos civis e mercantis que os enquadram e supletivamente
integram a respectiva disciplina jus-positiva. São os casos, quanto à distribuição, dos
contratos de compra e venda dos mandatos; e, quanto à função financeira dos contratos
de deposito e mútuo.
2
Manual de Direito Comecial do prof Miguel Pupo Correia, pag 499
11
Contratos de distribuição e a Distribuição comercial
Baseando-se a atividade econômica de qualquer sociedade na produção e distribuição de
bens, o direito não poderia deixar de prestar particular atenção ao diversos tipos
contratuais de que os agentes econômicos vão lançando mão, com objectivo de
melhorar as formas de comercialização ou distribuição dos produtos.
A massificação da produção, a cada vez maior dimensão e conplexidade de
funcionamento dos mercados e a necessidade de maior especialização dos agentes
econômicos, obrigaram ao aparecimento de novas formas de distribuição e ao
aperfeiçoamento de outras já conhecidas.
Lançando mão de uma classificação clássica, encontramos situações em que o produtor
se encarrega da colocação dos seus próprios produtos no mercado-distribuição direta-,
até modelos muito sofisticados de redes de distribuição, as quais são criadas e geridas
por entidades que se especializaram nesse tipo de actividade-distribuição indirecta(é o
caso do contrato de franquia)3.
E, assim, fundamental ter uma visão dos tipos contratuais, mas comumente utilizados
para criação de redes de distribuição destinadas a colocar as mercadorias junto do
consumidor final.
Como facilmente se compreende o enorme dinamismo dos agentes econômicos faz com
que, constantemente, sejam criadas novas figuras contratuais, as quais umas vezes
constituem meras nuances dos contratos já conhecidos, ao passo que noutras são figuras
totalmente inovadoras. Finamente, alerta-se para o fato de estar fora do âmbito de
analise, o estudo das relações que se estabelecem entre produtor, distribuidor e
consumidor final, as quais encontram a sua sede própria no direito do consumidor.
Como modelos contratuais especialmente vocacionados para regular as relações
produtor-distribuidor, apontam-se, normalmente, o contrato de agencia, o contrato de
conseção comercial, o contrato de mediação, o contrato de comissão e o contrato de
franquia.
Antes deste, porem, e embora conscientes se que a sua causa.-função principal não é a
distribuição, analisaremos o contrato de compre e venda e o contrato de mandato.
3
Manual de Direito Comercial do prof Miguel Pupo Correia, pag 500
12
A sumaria analise que faremos do contrato de compra e venda radica-se, por um lado
pela função matriz que desempenha a todos os contratos onerosos (artigo 939 do Código
Civil), sendo por isso fundamental o seu papel na compreensão do fenômeno
distribuição. Por outro lado é com base em relações contratuais de compre e venda que
desenvolve a distribuição directa, na qual, como já se escreveu, o produtor se ocupa da
colocação dos seus produtos no mercado, utilizando para tal meios próprios.
13
Pontos comuns dos contratos de distribuição
Vejamos de forma muito sumária alguns pontos comuns a todos os contratos de
distribuição propriamente ditos.
Uma das características principais dos contratos de distribuição é a independência que o
distribuidor(agente, concessionário, franquiado, etc.) tem perante o produtor. Tal
independência revela-se, desde logo, pelo facto de cada um deles explorar uma empresa
própria, e, se não economicamente, pelo menos juridicamente autônoma. No entanto, o
grau de autonomia não só varia consoante o tipo de contrato, mas também é freqüente
encontrar diferentes níveis de autonomia dentro do mesmo tipo contratual. A titulo de
exemplo poderá apontar-se o contrato de concessão, no qual apesar de, regra geral, o
concedente ter poderes de fiscalização da actividade do concessionário, por vezes essa
faculdade é quase inexistente.
Não obstante a independência e autonomia que referimos, não poderá esquecer-se que
entre o produtor e o distribuidor se estabelecem relações contratuais duradouras e muito
estáveis, as quais criam profundas dependências, em especial econômicas. Tal
circunstancia leva a que, muitas vezes, a aludida independência seja mais aparente do
que real. Veja-se a situação do franquiado, que labora em exclusivo com o produto de
uma só marca, o qual , por este facto está fortemente dependente das decisões que o
franquiador vai tomando.
14
Tipos de distribuição
Analisemos as diversas formas através das quais se faz a distribuição comercial. Em
primeiro lugar, encontramos a Distribuição Directa, na qual o Produtor através dos seus
meios próprios(Logísticos e Humanos), assegura a colocação dos seus produtos no
mercado4.
No pólo oposto teremos a Distribuição Indirecta, a qual, como veremos, assume
diversas modalidades. Nos casos de Distribuição indirecta o produtor prefere focalizar
os seus esforços e meios na actividade produtiva, deixando a actividade de colocação de
produtos no mercado a cargo de profissionais especializados5.
Entre estas duas vias alternativas, que poderemos considerar de extrema, vamos
encontrar formas intermediais de distribuição, nas quais, sem que se verifique uma
perda de autonomia do distribuidor, o produtor mantém um maior ou menor grau de
intervenção ou de controlo da rede de distribuição dos seus produtos.
Com efeito dentro da distribuição indirecta encontramos situações em que o
distribuidor, apesar de manter a sua autonomia jurídico-empresarial, está obrigado a
respeitar as instruções que lhe são dada pelo produtor, assume obrigações da mais
diversa índole e está sujeito ao controlo e fiscalização dele.
Assim, vamos encontrar dentro da distribuição indirecta uma subcategoria designada de
distribuição indirecta integrada, na qual o distribuidor está fortemente conectado a rede
de distribuição criada pelo produtor o qual, apesar de não se encarregar da distribuição,
não quer perder o controlo dos canais de colocação dos produtos, afim de poder, por
exemplo manter uma imagem uniforme de toda a rede ou assegurar a manutenção de
determinados padrões de qualidade.
Ao invés, na distribuição indirecta não integrada, o distribuidor tem um ,maior grau de
autonomia quanto a forma de actuar, havendo por isso maior pagamento do papel do
produtor na função de distribuição.
Um outro traço comum aos contratos de distribuição reside no facto de, todos eles o
distribuidor assumi como obrigação primeira a promoção dos produtos do produtor.
Tal característica aparece-nos de forma muito clara no art. 37 da lei nº 18/03 de 12 de
Agosto que se refere aos contratos de Distribuição.
4
Manual de Direito Comercial do prof Miguel Pupo Correia, pag502
5
Manual de Direito Comercial do prof Miguel Pupo Correia, pag 502
15
Objectivos do produtor
São vários os objectivos do produtor quando se socorre da intervenção de um terceiro
para que este se ocupe da distribuição dos seus produtos. De forma sumaria poderemos
enumerar os seguintes6:
1-Concentração de recursos naquela que é a sua actividade principal- a produção;
2-criação das condições para atingir novos mercados em relação aos quais não tem
acesso por si só;
3-Redução do risco da sua actividade afastando-se das tarefas de colocação de produtos
no mercado.
Se é verdade que os dois primeiros objetivos enunciado podem ser atingidos com o
recurso a qualquer dos tipos de contratos de distribuição, o mesmo já não corre quanto
ao terceiro.
Assim, no contrato de agencia, o agente limita a sua actividade a promoção dos
produtos do principal, cabendo a este a decisão de contratar, o que faz sempre em seu
nome assumindo para se o risco do contrato. Assim, o agente para alem de não assumir
o risco inerente ao contrato, nunca adquire os produtos que promove, o que leva que
risco por ele assumido sejam muito pequenos.
Já na concessão e na franquia o distribuidor assume um maior grau de risco negocial.
Com efeito, nestes tipos contratuais o distribuidor adquire para si os produtos
integrando na sua esfera patrimonial, procedendo a sua colocação junto do mercado
através da revenda dos mesmo. Em conta partida o principal não assume qualquer rico
resultante da distribuição dos seus produtos.
Como se depreende do que ficou dito, um dos aspectos que nos permite destingir os
contratos distribuição entre se e o grau de risco que o distribuidor corre para atingir o
objectivo aqui se propôs. Como é natural, a circunstância do distribuidor assumir um
maior ou menor risco vai ter reflexos nos proveitos que cada um irá retirar da sua
atividade.
Referido sumariamente alguns pontos comuns aos contratos de distribuição, veremos
agora alguns aspectos específicos de cada um dos tipos contratuais que, usualmente, são
utilizados para o desenvolvimento das redes de distribuição.
6
Manual de Direito Comercial do prof Miguel Pupo Correia, pag 503
16
Contratos de Franquia
O Contrato de Franquia é um documento que institui as regras as regras da relação entre
o Franquiador7 e o Franquiado8, isto é, é o contrato pelo qual o Franquiador autoriza o
Franquiado a utilizar a sua imagem empresaria de forma estável, obrigando-se este a
dar-lhe contrapartida acordadas para essa utilização( Art. 37 da lei nº 18/03). Tais
contrapartidas pode ter a mais diversa Natureza, apontando-se a titulo de exemplo :uma
percentagem sobre as vendas, o pagamento de direitos pela utilização dos seus bens de
propriedade industrial ou intelectual, o pagamento de serviços de assessoria que o
Franquiado é obrigado adquirir ao Franquiador, etc. No ordenamento jurídico angolano
a renumeração é feita nos termos do artigo 44º da lei nº 18/03 de 12 de Agosto9.
O contrato de Franquia também pode ser entendido como sendo o acordo em que o
detentor de propriedade industrial concede permissão para determinada empresa
produzir e comercializar de forma direta, produtos de marcas consolidadas no
mercado. À luz do direito, a franquia é um conjunto de contratos em que um é
destacado como principal e os demais acessórios ou dependentes. Esse tipo de
contrato é utilizado principalmente na área comercial, com o objetivo de que o
consumidor tenha acesso mais rápido e direto ao produto.
Em consequência das virtualidades e Flexibilidade que a figura revela os contratos de
franquia foram ganhando contornos próprios que permitem detectar a existência de
diversas modalidades entre as quais poderemos enumerar algumas das mais comuns.
Assim, atendendo ao tipo de actividade a desenvolver pelo franquiado podem
distinguir-se10:
Franquia de Produção, na qual o franquiado fabrica os produtos do franquiador
obedecendo as regras de produção impostas Por este;
Franquia de Distribuição, na qual o franquiado vende produtos num local que está
identificado com o nome do estabelecimento ou insígnia do franqueador;
Franquia de Serviço, na qual o franquiado oferece serviço sobre a marca e insígnia do
franqueador e obedece as normas de comercialização impostas por este.
Está classificação encontra-se plasmada na lei no artigo 38º da lei 18/03.
7
Franquiador- pessoa jurídica detentora dos direitos sobre determinada marca ou patente, que formata
um modelo de negócio e cede a terceiros (franqueados) o direito de uso desta marca ou patente e do
know-how por ela desenvolvido, sendo remunerada por eles pelo uso deste sistema.
8
Franquiado- pessoa física ou jurídica que adere à rede de franquias idealizada pelo franqueador,
mediante o pagamento de um determinado valor pela cessão do direito de uso da marca ou patente e
transferência de know-how, comprometendo-se a seguir o modelo por ele definido.
9
Manual de Direito comercial do Prof Miguel Pupo Correia, pag536
10
Manual de Direito comercial do Prof Miguel Pupo Correia, pag 538
17
São também correntes outras modalidades de Franquia tais como:
-Package franchising, na qual o franquiado actua segundo a imagem do franqueador;
-Product Franchising, no qual o franquiado obtém do franqueador licença para vender
os produtos deste.
A flexibilidade deste contrato permite ainda facultar formas diversificadas de
Organização da rede do Franquiado.
Assim, o franqueador pode negociar directamente com o franquiado as condições em
que o mesmo passa a integrar a rede, estabelecendo-se uma relação directa entre o
franquiador e o franquiado.
Como alternativa, o franquiador pode preferir atribuir a uma determinada pessoa- o
master franchiser- o direito a exploração da franquia dentro de um dado espaço
territorial. Este por sua vez fica autorizado a, dentro desse mesmo território, conceder
sublicenças a terceiros para que estes explorem a franquia.
18
Caracteristicas do contrato de franquia
Segundo Sebastião José Roque, o contrato de franquia é “bilateral, consensual, típico
oneroso, de execução continuada, empresarial, internacional ou nacional, híbrido e
complexo, de prestações recíprocas (comutativo, informal)”11
Vejamos cada uma dessas características:
Bilateral: manifesta-se pela caracterização positiva das duas partes, franqueador e
franqueado, bem como pelas obrigações mútuas decorrentes do consenso entre elas.
Quando uma das partes falha no cumprimento de suas obrigações, automaticamente dá
a outra parte o direito à rescisão do contrato, ou ainda o apelo ao princípio de
“exceptio non adimpleti contractus”
Consensual: o simples consentimento, ou seja, aceitação das partes, gera obrigações
que se antecipam ao início das operações e não dependem do fornecimento de
qualquer produto a ser distribuído no mercado. A partir do “consensus”, o pagamento
de taxas iniciais já é uma obrigação, e o uso da marca do franqueador na frente do
estabelecimento é um direito.
Típicos: com base na regulamentação pela nossa lei, podemos chamar de típico ou
nominado. A expressão “franchising” dá a idéia de ausência de regras jurídicas
próprias para esse tipo de contrato. Mas isso não corresponde com a verdade pois o
mesmo está devidamente regulamento pela a lei 18/03 de 12 de Agosto. Esta aponta
algumas formalidades que devem ser aplicadas para elaboração desse contrato, o que
passou a ser chamado de contrato nominado.
De execução continuada: caracterizada como um contrato de duração, a franquia tem
suas prestações e contraprestações executadas de maneira continuada e permanente,
de modo que se repete no tempo e no espaço.
Empresarial: contrato estabelecido entre duas empresas, sendo o franqueador uma
empresa coletiva ou individual e o franqueado também empresa individual ou
coletiva.
Onerosidade: isso porque traz vantagens e sacrifícios patrimoniais para as duas partes.
Seu objetivo lucrativo está destacado não na atividade das partes, mas na essência
desse contrato de tipo mercantil.
Internacional ou Regional: consiste em contrato geralmente internacional, mas não
absolutamente internacional. O que se observa, sobretudo em Angola, é que as
empresas concedem franquias a outras empresas nacionais.
11
Manual de Contrato de Franquia Empresarial do Dr Sebastião José Roque
19
Híbrido: envolve elementos de contratos variados como o caso do de Fornecimento,
Concessão, Prestação de serviços, Compra e venda, e muitos outros.
Forma: trata-se de um ato jurídico solene, submetendo-se a formas precisas e exigidas
pela lei. As partes são responsáveis por sua elaboração, sem a necessidade de
prenderem-se a formalidades, sob á luz da lei (artigo 39 da lei 18/03 de 12 de Agosto).
Comutativo: considerado empresarial e oneroso, indica equivalência possível da
utilidade obtida pelas partes. Os direitos e obrigações são conhecidos pelas partes de
forma antecipada a fim de conciliá-los e obterem equivalência dos valores. Sem
previsão de incertezas futuras, esse tipo de contrato tem suas operações plenamente
definidas, as quais “não ficam submetidas à ‘alea’ dos negócios e do tempo”
O contrato de franquia só poderá ser mantido pelo franquiado com o franquidor sob
sua expressa orientação. De forma geral, o os contratos são elaborados pelo
franqueador, sem a possibilidade de privilégios contratuais com condições impostas
de forma igualitária a todos os franqueados. Não podemos considerar como contrato
de adesão, já que há muitos detalhes que distancia a franquia daquela figura
contratual.
20
Natureza jurídica dos contratos de franquia
Sebastião José Roque aduz que 12,
“quando se fala em natureza jurídica costuma-se entender a que regime jurídico o
tema tratado fica subordinado, Em nosso caso implica saber em que sistema jurídico,
em qual legislação o contrato de franquia será colocado. Como a franquia se opera
com base no contrato, podemos dizer que, antes de tudo, a franquia se situa no campo
do Direito Contratual. É este o ramo do direito criado modernamente, em vista da
ascendência do contrato no campo das relações humanas.”
Em geral, todas as nossas ações são decorrentes de um contrato, desde o simples
acender de uma luz – contrato com a companhia que a fornece – o pão que
compramos na padaria (contrato de compra e venda), até relações mais complexas
como a compra de um curso e assim por diante.
Destarte, inferimos que a franquia é um conjunto de contratos e o seu conceito tem
como principal característica sua complexidade, pois nela se integram características
de diversos outros contratos.
Na área do Direito Contratual, vejamos a que tipologia pertence o contrato de
franquia: neste aspecto iremos colocá-lo sob o manto do Direito da Propriedade
Industrial, por considerá-lo como contrato de transferência de tecnologia. É o segundo
ramo do direito em que ela se situa, que preferimos chamar de Direito da Propriedade
Intelectual, designação adotada nos EUA e em grande parte dos países. Entretanto, o
direito italiano, bem como o direito francês, adoptaram a expressão: propriedade
industrial, e nós sofremos essa influência, ficando com o mesmo nome.
Quando se fala em propriedade industrial, aparentemente há uma ligação com a
indústria, no entanto ela é aplicada em todos os campos da atividade econômica, não
necessariamente só à indústria.
Franquia empresarial é o sistema pelo qual um franqueador cede o direito de uso de
marca ou patente, e eventualmente também o direito de tecnologia de implantação e
administração de sistema operacional desenvolvido ou detido pelo franqueador.
12
Manual de Contrato de Franquia Empresarial do Dr Sebastião José Roque
21
CONCLUSÃO.
Após uma analise e integração das varias matérias abordadas no presente trabalho,
concluímos que para o estudo do Contrato de Franquia é necessário o domínio dos actos
do comercio e do estudo dos contratos no geral, dado que a natureza e âmbito do
referido contrato; Tal como foi dito, o contrato de franquia tem por objectivo a
promoção da actividade econômica de determinada pessoa ou empresa, mediante a
exploração da marca e os produtos do Franquiador/ produtor, o que deu-nos a idéia de
tratar-se de uma realidade recente e pouco usual na realidade angolana, olhando em si
para as origens do mesmo.
Para finalizar, o nosso trabalho foi focado na interpretação e entendimento do
respectivo contrato, daí a necessidade da explanação dos conhecimentos basilares do
Direito Comercial, de modo a facilitar os locutores no entendimento do respectivo tema.
22
Referência bibliográfica
Miguel A. Pupo Correia. Direito Comercial e Direito da Empresa, edição 11, de 2009
Sebastião Jose Roque. Do Contrato de Franquia Empresarial: Coleção Elementos
de Direito. São Paulo, edição 2012
Lorena Bognar Galli. Artigo jurídico, Novembro de 2014
Marcio Correia. Artigo jurídico, Junho 2014
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