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Transtornos Alimentares

Este documento descreve vários tipos de transtornos alimentares, incluindo seus sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento e profissionais envolvidos. Os transtornos alimentares são compreendidos como quadros psicopatológicos caracterizados por disfunções no comportamento alimentar e distorções da autoimagem.
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Transtornos Alimentares

Este documento descreve vários tipos de transtornos alimentares, incluindo seus sinais e sintomas, diagnóstico, tratamento e profissionais envolvidos. Os transtornos alimentares são compreendidos como quadros psicopatológicos caracterizados por disfunções no comportamento alimentar e distorções da autoimagem.
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CURSO GRAU TÉCNICO

Técnico de Enfermagem

TRANSTORNOS ALIMENTARES

BRASÍLIA – DF

2024
INTRODUÇÃO

Os Transtornos Alimentares podem ser compreendidos como quadros


psicopatológicos, caracterizados por disfunções no comportamento alimentar, podendo estar
associado a uma percepção distorcida de autoimagem, bem como ao fato da busca pelo corpo
perfeito oriunda da cobrança social atual (SANTOS et al., 2023).

De forma geral, são distúrbios psiquiátricos multifatoriais que geram inadequações no


consumo, no padrão e nas formas alimentares, refletindo em prejuízos clínicos, sociais,
emocionais e afetivos, e vem recebendo mais atenção nas últimas décadas (TIMERMAN,
2021).

Esses transtornos dividem-se em diversos tipos, destacando-se a Anorexia Nervosa,


Bulimia Nervosa e Transtorno de Compulsão Alimentar, que diferem quanto as
especificidades clínicas. A ocorrência desses transtornos ocasiona diversas alterações na vida
do indivíduo e das pessoas próximas, podendo haver dificuldades para manter
relacionamentos interpessoais saudáveis a longo prazo (SANTOS et al., 2023).

DESENVOLVIMENTO

1. Sinais e Sintomas

Alguns transtornos podem iniciar na infância e outros serem desenvolvidos ao longo


da vida. Entre os principais sinais e sintomas destacam-se: baixa autoestima, sentimento de
desesperança, desenvolvimento insatisfatório da identidade, tendência a buscar aprovação,
sensibilidade a críticas e distorção da autoimagem (FERREIRA, 2018).

Ainda, o medo de engordar, o humor instável, a preocupação extrema com a aparência,


autocobrança e uso de métodos compensatórios, como vômito induzido na bulimia, são outros
sinais e sintomas que requerem atenção (FERREIRA, 2018).

Em relação aos principais tipos de transtornos alimentares, temos:

- Ortorexia: caracteriza-se por uma obsessão patológica pela alimentação correta e


pela pureza dos alimentos, ou seja, necessidade excessiva em alimentar-se de forma saudável.
Entre os sinais e sintomas destacam-se: afastamento social, ansiedade, restrição de alimentos,
empenho excessivo em preparar e planejar as refeições, carência nutricional (BRESSAN;
PUJALS, 2015).
- Vigorexia: esse termo pode ser compreendido como “apetite por ser forte” e
caracteriza-se por uma obsessão pelo corpo musculoso, onde o indivíduo deseja um corpo
extremamente definido. Entre os sinais e sintomas destacam-se: vício exagerado por
musculação, autoimagem distorcida, dietas hiperprotéicas, hiperglicídicas e hipolipídicas, e
uso indiscriminado de suplementos proteicos, além do consumo de esteroides anabolizantes
(BRESSAN; PUJALS, 2015).

- Anorexia nervosa: caracteriza-se por perda de peso intensa por dietas rígidas
autoimpostas em busca desenfreada da magreza. Entre os sinais e sintomas estão:
emagrecimento, amenorreia, bradicardia, baixa temperatura corporal, edema nos membros
inferiores, obstipação, cianose periférica e autoimagem distorcida (ABREU; FILHO, 2004).

- Bulimia nervosa: caracteriza-se por grande ingestão de alimentos de uma maneira


rápida e com a sensação de perda de controle, denominados de episódios bulímicos,
acompanhados de métodos compensatórios inadequados para o controle de peso, como
vômitos autoinduzidos, uso de medicamentos, abuso de cafeína ou uso de cocaína. Entre os
sinais e sintomas estão: ingestão exagerada de alimentos, sentimento de culpa por comer,
náuseas, diarreia, refluxo, sinais de desnutrição, humor instável, baixa autoestima (ABREU;
FILHO, 2004).

- Transtorno de Compulsão Alimentar: é um transtorno similar a Bulimia Nervosa,


mas sem a presença de comportamentos compensatórios para evitar o ganho de peso, sendo,
portanto, caracterizado por episódios de consumo de grandes quantidades de alimentos, com
sensação de perda de controle. Costuma ocorrer de forma episódica. Entre os principais sinais
e sintomas estão: dificuldades em parar de comer; comer rápido; comer escondido; prazer
intenso ao comer; sobrepeso ou obesidade (BLOC; NAZARETH; MOREIRA, 2019).

- Transtorno de Pica: caracteriza-se pela ingestão de uma ou mais substâncias não


nutritivas, não alimentares, de forma persistente, durante um período mínimo de 1 mês, em
pacientes acima dos 2 anos de idade, ou seja, comer coisas não comestíveis. Entre os sintomas
e sinais estão: estresse, ansiedade, alimentação de forma escondida, sintomas relacionados a
ingestão do conteúdo, como sabão e gesso que podem ocasionar problemas gastrointestinais.
A depender do tipo de consumo, podem existir diversas nomenclaturas, como acufagia, para
objetos pontiagudos, lignofagia, para madeira e pagofagia, para gelos (GUILHERME;
RATZE, 2015).
- Pregorexia: refere-se a alterações no comportamento alimentar das gestantes,
geralmente com o intuito de controlar ou diminuir o ganho de peso decorrente da gravidez,
sendo, portanto, transtornos alimentares em gestantes. Entre os sinais e sintomas estão a
compulsão alimentar, a preocupação excessiva com o peso corporal, dietas e atitudes
restritivas (OLIVEIRA; SOUSA; SANTOS, 2022).

2. Diagnóstico

O diagnóstico dos transtornos alimentares em geral ocorre de forma clínica, não


necessitando de exames complementares. Nesse sentido, observa-se características em relação
aos sinais e sintomas, como medo de engordar e manutenção inadequada do peso corporal,
associado a outros, como amenorreia por 3 ciclos consecutivos, no caso de anorexia nervosa.
Por meio das características clínicas apresentadas pode-se diferenciar os tipos de distúrbios,
como utilização de métodos compensatórios em bulimia nervosa (CLAUDINO; BORGES,
2002).

3. Tratamento

Considerando que os transtornos alimentares são multifatoriais, isto é, de múltiplas


causas, o tratamento também necessita ser abrangente. Dessa forma, é necessário realizar
intervenção psicológica, por meio de psicoterapia; nutricional, para adequar a dieta; clínica,
para avaliar o estado clínico do indivíduo, bem como deficiência de vitaminas e demais
elementos que necessitem de suplementação; e farmacológica, se necessário (SOUZA;
SANTOS, 2010).

Deve ser realizada uma anamnese detalhada para compreender todos os aspectos,
coletar e acompanhar a evolução de dados antropométricos, bem como de exames
complementares. É importante destacar a dificuldade de adesão ao tratamento, caso realize
uma abordagem inadequada. Por isso, o profissional necessita de preparo para captar o
paciente e conseguir acompanha-lo, incluindo a família e o grupo social do paciente no
tratamento (LATTERZA et al., 2004).

O tratamento nutricional é dividido em educacional, abrangendo conceitos de


alimentação saudável, tipos, funções e fontes dos nutrientes, recomendações nutricionais, e
experimental, explorando a relação que o paciente tem para com os alimentos e o seu corpo
(LATTERZA et al., 2004).

4. Prevenção
A prevenção é diretamente relacionada aos fatores de risco. Sendo assim, atuar nos
fatores de risco pode evitar a ocorrência dos transtornos alimentares, como por meio da
criação de programas educacionais direcionados a escolas e populações consideradas de risco,
visto que os adolescentes são boa parcela da população com transtorno alimentar (DUNKER,
2009).

Outrossim, ações para gerar o desenvolvimento de uma imagem corporal positiva,


conhecimento sobre alimentação saudável e hábitos adequados de prática de exercícios
físicos, melhora da autoestima, conhecimento da anatomia fisiológica do corpo humano e dos
riscos da restrição alimentar, junto a maneiras para lidar com a influência da mídia, são
estratégias para prevenir a ocorrência transtornos alimentares (DUNKER, 2009).

5. Profissionais envolvidos

Os transtornos alimentares requerem uma equipe multiprofissional, contando


principalmente com nutricionista, psicólogo, médico e a equipe de enfermagem para realizar
uma abordagem multifatorial e holística (LATTERZA et al., 2004).

6. Medicações utilizadas

No tratamento dos transtornos alimentares, pode-se utilizar alguns fármacos para


complementar as abordagens psicológicas e nutricionais, sendo o uso de antidepressivos
(clomipramina, amitriptilina e fluoxetina) e de antipsicóticos (pimozida, sulpirida) o mais
utilizado nas abordagens farmacológicas. Além disso, o topiramato está sendo estudado para
um agente neuro-psiquiátrico com múltiplos mecanismos de ação, objetivando reduzir a
fissura por carboidratos, aumentar a saciedade, estabilizar o humor e reduzir comportamentos
impulsivos (APPOLINARIO; BACALTCHUK, 2002).

CONCLUSÃO

Frente ao exposto, nota-se que os transtornos alimentares são desafios complexos e


multifatoriais que estão diretamente relacionados à saúde mental e emocional. Ao explorar os
diferentes tipos de transtornos alimentares, destacando a anorexia nervosa e a bulimia
nervosa, torna-se evidente o caráter multifatorial que torna o tratamento abrangente.
Dessa forma, a conscientização e a compreensão desses transtornos são cruciais para
promover a prevenção, a identificação precoce e o tratamento eficaz, reduzindo os
estereótipos relacionados a imagem corporal da nossa sociedade.

Sendo assim, de forma conjunta, a equipe multiprofissional de saúde e os educadores


podem desempenhar um papel fundamental na construção de uma sociedade que promova a
saúde mental e contribua para a quebra dos estigmas sob o corpo humano, reduzindo a
incidência de transtornos alimentares.

REFERÊNCIAS

1. ABREU, Cristiano; FILHO, Raphael Cangelli. Anorexia nervosa e bulimia nervosa:


abordagem cognitivo-construtivista de psicoterapia. Arch. Clin. Psychiatry. 2004, v.
31, n. 4. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19 jan
2024.
2. APPOLINARIO, José; BACALTCHUK, Josue. Tratamento farmacológico dos
transtornos alimentares. Braz J. Psychiatry, v.24, 2002. Disponível em:
[Link] Acesso em: 16 jan
2024.
3. BLOC, Lucas Guimarães; NAZARETH, Ana Clara; MOREIRA, Anna Karynne.
Transtorno de compulsão alimentar: revisão sistemática de literatura. Revista
Psicologia e Saúde, 2019, v. 11, n. 1. Disponível em:
[Link] Acesso em:
19 jan 2024.
4. BRESSAN, Maitê; PUJALS, Constanza. Transtornos alimentares modernos: uma
comparação entre ortorexia e vigorexia. Revista UNINGÁ Review. 2015, Vol.23, n.3,
pp.25-30. Disponível em: [Link]
Acesso em: 19 jan 2024.
5. CLAUDINO, Angélica; BORGES, Maria Beatriz. Critérios diagnósticos para
transtornos alimentares: conceitos em evolução. Braz J. Psychiatry, v.24, 2002.
Disponível em: [Link]
format=html# Acesso em: 16 jan 2024.
6. DUNKER, Karin. Prevenção dos transtornos alimentares: uma revisão metodológica.
Nutrire: rev. Soc. Bras. Alim. Nutr. v. 34, n. 2, p. 195-211, ago. 2009. Disponível
em: [Link] Acesso em: 16
jan 2024.
7. FERREIRA, Talita. Transtornos alimentares: principais sintomas e características
psíquicas. Rev. UNINGÁ, Maringá, v. 55, n. 2, p. 169-176, abr./jun. 2018. Disponível
em: [Link] Acesso em: 15 jan 2024.
8. GUILHERME, Eduardo Alves; RATZKE, Roberto. Transtorno alimentar sem outra
especificação (PICA): ingestão de sacolas plásticas como tentativa de emagrecer
resultando em abdome agudo. Revista Debates em Psiquiatria, 2015. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19 jan 2024.
9. LATTERZA, Andrea et al. Tratamento nutricional dos transtornos alimentares. Arch.
Clin. Psychiatry, 2004, v. 31, n. 4. Disponível em:
[Link] Acesso em: 16 jan
2024.
10. OLIVEIRA, Alanis de Melo; SOUSA, Isabelle Borges; SANTOS, Ana Cristina.
Fatores que influenciam no padrão alimentar materno para o desenvolvimento da
pregorexia. e-Acadêmica, 2022, v. 3, n. 2. Disponível em:
[Link] Acesso em: 19 jan
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11. SANTOS, Manoel Antônio et al. Relações de amizade nos transtornos alimentares:
revisão integrativa de literatura. Psico-USF. 2023, v. 8, n. 3. Disponível em:
[Link] Acesso em: 15
jan 2024.
12. SOUZA, Laura Vilela; SANTOS, Manoel Antônio. A participação da família no
tratamento dos transtornos alimentares. Psicol. Estud, 2010, v. 15, n. 2. Disponível
em: [Link] Acesso em: 17
jan 2024.
13. TIMERMAN, Fernanda. Transtornos Alimentares. São Paulo: SENAC. 2021.

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