COMÉRCIO INTERNACIONAL
4. A DOCUMENTAÇÃO NO COMÉRCIO
INTERNACIONAL
O intercâmbio de bens e serviços entre países implica a geração de um conjunto de
informações e documentação relacionada a todos os aspectos a se considerar durante
a transação. Desta forma, quando falamos da documentação internacional, referimo-
nos ao conjunto dos documentos representativos das operações de importação e
exportação entre países, assim como a documentação que atesta o cumprimento dos
intervenientes das normas do mercado de câmbio, da ordem de crédito, do mercado
fiscal e aduaneiro, entre outras, aplicadas a cada país em particular.
Considerando que em todo o processo de intercâmbio internacional participam dois
países, podemos falar de dois tipos de documentos internacionais: aqueles que,
acordado entre as partes ou por requerimentos oficiais, exportador e importador
devem preparar, tramitar e obter.
Partindo desse princípio e segundo a Uniform rules for Collections da Câmara de
Comércio internacional, podemos diferenciar dos tipos de documentos:
- Documentação financeira, referente a qualquer documento utilizado como
forma de pagamento.
- Documentação comercial, que inclui os documentos de transporte, segurança,
informação e administrativos.
4.1 DOCUMENTAÇÃO COMERCIAL
Tal e como comentamos, existem quatro tipos de documentos de documentação
comercial; administrativo, de transporte, de seguro e de informação.
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4.1.1 Documentação administrativa
Antes de comentar os diferentes documentos, devemos distinguir as operações de
importação e exportação ou no caso de operações intracomunitárias de expedição e
entrada.
Operações Comunitárias
Se referem as operações realizadas dentro da União Europeia. Neste caso, a
documentação exigida é a documentação para efeitos fiscais (IVA) e a documentação
para fins estatísticos (INTRASTAT).
Em relação a esta documentação, a lei estabelece que qualquer empresa que exerça
operações intracomunitárias deve apresentar na Administración de Hacienda, numa
base trimestral, o modelo 349, a fim de recolher e demonstrar todas as operações
intracomunitárias realizadas. Além disso, se as entradas ou expedições com um
montante faturado acumulado no ano anterior ou em curso forem superiores a
250000€, as empresas deverão apresentar a declaração INTRASTAT. Esta declaração
deve ser apresentada mensalmente, nos primeiros 12 dias do mês seguinte em que as
operações forem realizadas.
No que se refere ao IVA, segundo o artigo 1 da Lei do IVA, se trata de “um tributo de
natureza indireta, que recai sobre o consumo e que é exigido por ocasião das entregas
de bens e prestações de serviços, que ocorrem no âmbito das atividades empresariais e
profissionais, bem como nos contratos intracomunitários e importações de bens.”
Como principais características, destacamos:
- Se trata de um imposto indireto que recai sobre o consumo de bens e
prestação de serviços.
- É um imposto que tributa cada uma das fases do processo de produção.
- Incide sobre as operações realizadas pelos empresários e profissionais
relacionados com o exercício da sua atividade.
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- Os empresários ingressam na Receita Federal o IVA cobrado aos seus clientes e
será deduzido, caso os requisitos exigidos pela legislação sejam cumpridos, o
IVA referente às operações derivadas da atividade empresarial.
O Intrastat se trata de uma declaração que permite obter os dados relativos ao
intercâmbio de bens entre os países que formam a União Europeia. Basicamente,
trata-se de controlar essas mercadorias, visando determinar sua origem e destino.
Para que uma empresa seja obrigada a apresentar tal declaração deve-se considerar
dois fatores:
- A natureza do operador. Considerando que se trata, por exemplo, de uma
empresa espanhola que realiza intercâmbios com outros países da União
Europeia ou que a empresa, sem estar estabelecida na Espanha, realize
intercâmbios com outros países europeus.
- O volume da transação quando supere os 250.000€. A documentação deverá
ser apresentada no seguinte mês, incluindo todas as operações
intracomunitárias realizadas durante esse período de tempo até o momento.
Operações não comunitárias
Se refere a todas as operações de caráter comercial efetuada com países que não
formam parte da União Europeia.
O documento principal, tanto nas importações como nas exportações será o
Documento Único Administrativo (DUA), embora de acordo com o regime comercial
em que o produto esteja incluído, outros documentos serão necessários, diferenciados
nas importações e nas exportações.
Agora, conheceremos no que consiste o Documento Único Administrativo para então
ver as demais autorizações.
Documento Único Administrativo (DUA)
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Como o nome sugere, este é o único documento utilizado para declarações
administrativas obrigatórias para todos os operadores comunitários na aduana,
utilizado nos intercâmbios de mercadorias entre:
- Os países da União Europeia e os países que não formam parte dela.
- Os países da União Europeia e os países que formam parte da EFTA
(Associação Europeia de Livre Comércio).
- Os países da União Europeia com os Estados membros que ainda estão em
período transitório.
A informação incluída nesse documento tem por objetivo:
- Ajudar os trâmites aduaneiros da operação a que se refiram.
- Facilitar a informação necessária para que a Administração possa elaborar seus
informes e estatísticas sobre o comércio internacional.
O DUA é um formulário composto de nove exemplares, os quais se utilizam na
exportação, importação, nos tramites, nos regimes e destinos aduaneiros e no
movimento intracomunitário de mercadorias, sempre que seja necessária a
acreditação da origem comunitária dessas mercadorias. Por regra geral, cabe ao
agente aduaneiro preencher esse documento.
No que se refere a exportação e expedição, o DUA está formado pelos seguintes
exemplares:
- Exemplar 1: em relação a aduana de expedição e exportação.
- Exemplar 3: para a parte interessada. No entanto, salientamos que quando se
trata de uma saída tipo indireta, se utiliza o Documento de Acompañamiento
de Exportación (DAE).
- Exemplar 4: se for necessário justificar a natureza comunitária das mercadorias
perante aduana comunitária de destino.
- Exemplar 9: é utilizado como autorização de embarque, saída ou autorização
de saída das mercadorias.
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Em relação a importação e entrada:
- Exemplar 6: em relação a aduana de introdução e importação.
- Exemplar 8: para o interessado.
- Exemplar 9: para a autorização de embarque, saída ou autorização de saída das
mercadorias.
No que diz respeito às informações, destacamos os seguintes elementos:
- Sujeitos: remetente, receptor e, sempre que necessário, o agente aduaneiro
que interveio na operação.
- Mercadorias: descrição, codificação TARIC, origem, peso neto, peso bruto,
preço ou valor e, sempre que necessário, o contravalor em euros, a taxa de
câmbio e o prazo para a realização do pagamento.
- Expedição: tipo e número de embalagens, marcas, tipo de transporte,
Incoterm, país de origem, local de carga e descarga e localização da
mercadoria.
- Aduana: regime aduaneiro ao que se registra a mercadoria, natureza da
transação, regime preferencial e, se necessário, unidades suplementares,
sistema de avaliação, documentos apresentados, valor das mercadorias na
aduana, o cálculo do direitos e impostos que agravam a importação e devem
ser pagos e data do despacho na aduana.
Para concluir com o Documento Único Administrativo, nomearemos as operações a
serem formalizadas com este documento, tanto em termos de importação como de
exportação.
Em relação às importações:
- Importação de mercadoria que procedem de países terceiros.
- Introdução definitiva ou temporária de mercadorias comunitárias que exijam
documentação mediante o DUA. Estas mercadorias incluem mercadorias
provenientes de um território aduaneiro da União Europeia em que a Diretiva
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2006/112/CE do Conselho não é aplicada e vice-versa, mercadorias cuja
entrada implique a realização do fato tributável de importação para Efeitos de
IVA e não isentos, bem como mercadorias provenientes do Principado de
Andorra e da República de São Marino.
- A importação de mercadorias provenientes de países não comunitários
procedentes de depósitos francos ou zonas francas.
- No caso da Espanha, a importação para a Península, Ilhas Baleares e Ilhas
Canárias de mercadorias provenientes de Ceuta e Melilla e de qualquer outro
território de um Estado membro que não seja um território aduaneiro da União
Europeia. Assim como a importação em Ceuta e Melilla de mercadorias de
qualquer proveniência.
- A declaração de vinculação de mercadorias sob um regime aduaneiro de
importação de carácter temporário, de aperfeiçoamento ativo ou de
transformação sob controle aduaneiro, ou sob um regime de caráter fiscal de
aperfeiçoamento ativo ou de importação temporal.
- A expedição ao consumo de mercadorias de tipo não comunitário previamente
vinculadas a um regime aduaneiro ou fiscal de aperfeiçoamento ativo,
importação temporária, transformação sob controle aduaneiro ou entreposto
aduaneiro.
No que se refere as operações de exportação:
- A exportação definitiva ou de caráter temporal de mercadorias fora do
território aduaneiro da União Europeia, incluindo aqui a venda de peixes por
navios domésticos diretamente expedido, sem passar por território nacional.
- A reexportação de mercadorias não comunitárias ao exterior do território
aduaneiro comunitário.
- Na Espanha, a expedição de mercadorias da Península e das Ilhas Baleares com
destino às ilhas Canárias ou a qualquer outra parte do território comunitário.
- Exportação de mercadorias de Ceuta e Melilla.
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- Expedição de mercadorias das Ilhas Canárias para qualquer território aduaneiro
europeu.
- Conversão de expedições e exportações de carácter temporário em definitivo.
- Abastecimento e equipamento de embarcações, aeronaves e plataformas
dedicadas a sondagem ou exploração.
- A entrada de mercadorias provenientes de territórios comunitários ao
armazém de abastecimento, a fim de solicitar o pagamento de taxas.
- Exportação de mercadorias de natureza comunitária num depósito distinto ao
aduaneiro, um depósito REF ou zona franca.
- A exportação de mercadorias agrícolas provenientes de territórios
comunitários previamente ligados ao regime de depósito aduaneiro.
Vistas tais considerações referentes ao Documento Único Administrativo,
conheceremos as diferentes autorizações que, em alguns casos, pode ser necessário.
Em relação às importações, os documentos mais utilizados são:
- Autorização administrativa de importação (AAI): documento necessário para
as mercadorias sujeitas a restrições nacionais por contingentes na sua origem
ou tipologia.
- Certificado de importação: no caso de produto agrícola ou de pesca, se exige
um certificado de importação AGRIM (certificado de importação para produtos
agroalimentares). Estes produtos estão sujeitos ao controle da Política Agrária
Comum (PAC).
- Licença de Importação Comunitária (LI): tal documento é necessário para as
mercadorias com restrições comunitárias, sujeitas a cotas e medidas anti-
dumping. Isso inclui produtos químicos, têxteis, siderúrgicas ou materiais de
defesa.
Em relação às exportações, os documentos mais utilizados são:
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- Autorização administrativa de exportação (AEE): esse documento é usado
para mercadorias sujeitas as restrições nacionais, geralmente contingentes.
Como regra geral, ocorre geralmente pela origem, tipologia ou limite
quantitativo da mercadoria.
- Certificado de exportação (CE): aos produtos agroalimentares e pesqueiros
que serão exportados são exigidos o certificado AGREX.
- Notificação prévia a exportação (NOPE): documento usado para mercadorias
monitoradas estatisticamente pela Comunidade. É usado principalmente para
determinados produtos alimentícios, material da defesa e para certos animais
protegidos.
- Licença de exportação comunitária: se trata de um documento comunitário de
exportação, utilizado para as mercadorias submetidas a restrições no país de
origem, tanto a nível quantitativo como qualitativo. Essas mercadorias podem
ser armas ou materiais tóxicos.
4.1.2 Documentação de transporte
No que se refere à documentação necessária relativa aos transportes, é necessário
diferenciar os transportes marítimos, rodoviários, ferroviários, aéreos e multimodal.
Passamos a conhecer a documentação pertinente para cada modalidade.
Marítimo
Os documentos necessários para o transporte marítimo são:
- Lista de embarque: lista onde configuram os pacotes e conteúdos a bordo.
- Conhecimento de embarque (B/L): se trata do documento mercantil assinado
pela companhia marítima ou pelo seu agente e expedidor, certificando o envio
e o estado em que as mercadorias foram encontradas no momento do
embarque. Este documento implica um contrato de transporte, além de provar
a propriedade dos bens e indicar tipo de transporte, preço e modalidade de
pagamento.
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- Apólice de fretamento: refere-se à contratação livre e temporária de
embarcações entre carregadores com grandes volumes de mercadorias com
armadores que têm barcos apropriados para essas remessas.
Rodoviário
No transporte rodoviário, temos de considerar:
- Carta de porte por rodovia CMR: utilizado para o transporte rodoviário
internacional e funciona como o contrato de transporte. Inclui a normativa
CMR, que implica sua obrigação sempre que o transporte seja realizado entre
diferentes países e um dos dois seja signatário do convênio. Este documento
não é válido quando se trata de transporte postal, mudanças, transporte
funerário e transporte por conta própria.
- Caderno TIR: trata-se de um acordo aduaneiro utilizado com o objetivo de
evitar a inspeção de mercadorias entre as aduanas de trânsito entre os
diferentes países durante o transporte rodoviário. O convênio estipula que os
caminhões devem ser selados e cumprir uma série de requisitos, incluindo que
a carga deve ser entregue em boas condições. Como na Europa não existem
controles aduaneiros, caderno TIR só será utilizado no transporte
intracomunitário.
Ferrovias
No transporte ferroviário, temos de ter em conta estes dois documentos:
- Carta de porte ferroviário (CIM): emitido pelo expedidor e pela companhia
ferroviária, serve como prova do contrato realizado. A regulamentação deste
tipo de transporte recai sobre o Convênio Internacional sobre o transporte de
Mercadorias por ferrovias (CIM).
- Declaração TIF: trata-se de um acordo aduaneiro, semelhante ao convênio TIR.
Nele as mercadorias são seladas a fim de evitar controles entre diferentes
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países. Além disso, se estabelece que é a empresa ferroviária que se
compromete da garantia dessas mercadorias.
Salientamos que, na Europa, esta declaração é utilizada apenas pelos países
que não assinaram o acordo de trânsito comunitário.
Aéreo
Em relação ao transporte aéreo, devemos considerar:
- Conhecimento de embarque aéreo: se trata de uma carta de porte aéreo,
documento que prova um contrato de transporte aéreo entre um carregador e
a companhia aérea, na qual se assegura de ter recebido a mercadoria e se
compromete que seja entregue nas mesmas condições.
Multimodal
No transporte multimodal, deve ser considerado o seguinte documento:
- Conhecimento de embarque multimodal: efetuado quando uma mercadoria é
transportada através de um sistema de transporte multimodal, ou seja,
utilizando vários meios de transporte. Desta forma, será utilizado um único
documento que funciona como um contrato de transporte, um aviso de recibo
ou uma declaração de despacho aduaneiro.
4.1.3 Documentação de seguro
No que se refere as operações internacionais, o risco de danos às mercadorias é
bastante elevado, principalmente porque precisam ser transportadas a longa distância.
Por norma geral, a responsabilidade pela entrega das mercadorias recai sobre a
transportadora, isentos motivos como o próprio vício da mercadoria, a culpa do
usuário, razões de força maior e causas especiais ou particulares. Apesar disso, é muito
importante que um seguro seja contratado, a fim responder a qualquer dano sofrido
durante o transporte.
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Entre os documentos de seguro, encontramos os seguintes:
- Apólice de seguro: Dependendo do Incoterm acordado, o comprador ou
vendedor assinarão uma apólice de seguro que envolve um contrato entre a
companhia de seguros e o segurado. É um documento de caráter normativo ou
de ordem, o que implica que seja transferível.
- Em relação à forma de contratação, as apólices de seguro podem ser
individuais, quando se referem a uma única viagem; abertas, quando cobrem
uma quantidade total de mercadorias distribuídas em várias viagens; forfait,
quando cobrem um limite de valor independentemente do número de viagens
feitas; e flutuante ou global, a mais econômica e que cobre vários transportes
que se contratam automaticamente cada vez, comunicando-os individualmente
para a seguradora.
As apólices de seguro podem ser classificadas por três fatores determinantes:
- De acordo com o meio de transporte.
- De acordo com a duração do contrato, que pode ser temporário ou a termo.
- Dependendo da extensão da cobertura, que pode ser total ou com riscos
específicos.
- Certificado de seguro: serve como justificante de que determinada mercadoria
está assegurada. Se trata de um documento realmente útil, principalmente no
caso de alguma reclamação referente aos danos sofridos.
4.1.4 Documentação de informação
Para finalizar as tipologias de documentos que requerem transações internacionais,
abordaremos os documentos de informação. Durante qualquer processo de compra,
ao recebimento de uma determinada mercadoria, o importador deve exigir uma série
de documentos denominados documentos de informação que o informará sobre a
origem das mercadorias, seu estado sanitário, seu estado fitossanitário, sua
composição ou a quantidade entre outros aspectos.
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Em relação a estes documentos será preciso diferenciar entre os documentos da oferta
comercial, fatura comercial, fatura do proforma, fatura aduaneira, fatura consular, lista
de pacotes ou conteúdos e certificados.
Oferta comercial
Tal documento se refere quando a compra das mercadorias ainda não foi realizada.
Desta forma, a informação sobre a oferta comercial servirá ao comprador para avaliar
os produtos dos diferentes fornecedores a fim de decidir o que e de quem compram.
Isto implica que tal informação deva ser a mais clara e completa possível. Entre os
documentos relativos à oferta comercial, devem ser considerados os seguintes:
- Informação básica da oferta comercial: nesse primeiro documento se deve
incluir não só as informações relativas às características de cada produto como
também especificar o preço, assim como as condições relativas a pagamentos,
prazos de entrega e sistema de transporte.
Assim, os dados que devem aparecer na ficha de informações básicas da oferta
comercial são:
- Nome, Razão Social e sede do comprador e do vendedor.
- Nome, descrição do produto, composição, posição pautal, quantidade, volume,
dimensões e demais características que o produto possa apresentar.
- Garantias da mercadorias relacionadas com qualidade, serviço pós-venda e
certificações.
- Quantidade mínima do pedido.
- Condições relativas à entrega, incluindo o tempo, a embalagem, a palatização e
os meios de transporte utilizados.
- Preços, Incoterms, pagamento de moeda, método e prazo de pagamento.
- A validade da oferta.
- Condições específicas estabelecidas pelo vendedor.
É muito importante que tal informação seja tão clara e exata quanto possível, evitando
qualquer mal-entendido. lembremos que a qualidade do conteúdo e sua apresentação
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será o ponto de partida de uma relação comercial, sendo muito importante que, com a
apresentação desta informação, a empresa vendedora transmita uma imagem de
seriedade e confiança, tanto do produto como da empresa.
Além dos conteúdos acima mencionados, a informação relativa à oferta comercial
também incluirá:
- Um relatório sobre a empresa que incluirá um cartão corporativo, os recursos
com os quais conta e sua equipe.
- Um relatório técnico com informações técnica-comercial dos produtos
comercializados e o sistema de produção utilizado.
- Um relatório comercial produzido de acordo com cada cliente.
Uma vez que o cliente receba a informação, se inicia a fase dedicada à negociação, em
que as quantidades, tipo de produto, método de pagamento e tempos de entrega
serão acordados. Tal fase culminará com o cumprimento da ordem de pedido.
- Formulário de pedido: documento que encerra a fase de negociação entre
comprador e vendedor, resumindo os acordos estabelecidos em relação à
venda. Se inclui a quantidade comprada pelo vendedor, preço, método de
pagamento, condições de entrega e transporte, embalagem, etc. Em suma,
deve refletir quaisquer condições acordadas durante a negociação. Em
sequência da elaboração deste documento ocorre a fase de expedição, que se
refere à preparação e envio ao comprador da mercadoria acordada, seguindo a
ordem de pedido, a fim de cumprir todos os requisitos estabelecidos.
Fatura comercial
A fatura comercial é outro dos documentos informativos necessários em todo
processo de compra. É um documento de natureza contabilística pelo qual se solicita
ao comprador o pagamento das mercadorias adquiridas, também utilizado para
calcular as tarifas aduaneiras que deverão de ser pagas.
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Em relação aos requisitos mínimos e aos dados mínimos que deve conter a fatura
comercial, estes são estabelecidos no Real Decreto 1619/2012 de 30 de novembro e
são os seguintes:
- Número.
- Data.
- Nome e sobrenome, razão social completa, número de identificação fiscal e
domicílio, tanto do comprador como do vendedor.
- Descrição das operações, quantidades, denominação, preço, condições e
pagamento, Incoterm, etc.
- Imposto aplicável, isso é, a cota tributária que se repercuta.
- Data de recebimento de pagamentos adiantados, caso tenham ocorrido.
Embora não seja obrigatório, é aconselhável acrescentar a classificação aduaneira, o
país de origem das mercadorias e o tipo de transporte.
Algumas considerações a considerar em relação à fatura comercial são:
- A fatura deve ser adaptada ao país de destino em termos de idioma, conteúdo
e legislação.
- Em algumas ocasiões, será necessário que a fatura comercial leve o carimbo da
Câmara de Comércio e indústria do país exportador e posteriormente deve ser
endossada pelo Consulado do importador no país do exportador.
- É habitual que se emitam tantas faturas comerciais como trâmites necessários.
- No caso do pagamento ser efetuado por meio de um crédito documentário,
será necessário adaptar a fatura comercial às diretrizes estabelecidas nas
Uniforms and Practice for Documentary Credits – UCP – 600.
- Não é necessário ter a fatura em papel, podendo ser apresentada em formato
eletrônico. Essa é estabelecida no Real Decreto 1619/2012 de 30 de novembro,
no qual se aprova o Regulamento de faturamento em formato eletrônico.
Fatura proforma
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Este tipo de fatura é um documento provisório emitido pelo exportador com o
principal objetivo de que o importador tenha todas as informações relativas à
operação comercial a ser realizada.
É interessante comentar que quando se trata de operações comerciais comuns, a
fatura do proforma é frequentemente usada como um documento substituto para a
oferta comercial. Isto é, quando o comprador e o vendedor já participaram de
transações anteriores e as quantidades e métodos de pagamento são os mesmos,
servirá como apresentação da oferta comercial, podendo estar sujeito a possíveis
negociações.
Trata-se de um documento utilizado para acompanhar amostras de produtos sem
valor comercial, para tramitar uma licença de importação e para que o importador
solicite um crédito documentário em sua entidade bancária.
Salientamos que é de especial importância para não ocorrer nenhum tipo de equívoco
que o documento especifique que é uma fatura do proforma, já que o restante do
conteúdo é muito semelhante a fatura comercial.
Fatura aduaneira
Emitido pelo exportador, segue um padrão exigido por alguns países às suas
importações e recolhe uma declaração de valor e origem das mercadorias importadas
com o objetivo de servir como documento informativo e estatístico.
Fatura consular
Apesar de pouco utilizada devido a legislação da fatura comercial no consulado, alguns
países costumam exigir que suas importações sejam acompanhadas de uma fatura
consular emitida pelo exportador.
É um documento utilizado para fins estatísticos ou para a realização do despacho de
importação. Em regra geral, referem-se geralmente aos preços e origem das
mercadorias.
Lista de volume ou conteúdos
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Documento emitido pelo exportador, detalhando todos os volumes que contenham a
expedição, bem como peso e conteúdo. É utilizado principalmente para facilitar as
funções de inspeção nas aduanas que figurem na fatura comercial.
Certificados
Podemos distinguir os certificados entre:
- Certificados de origem: certificam a origem das mercadorias e são necessários
em praticamente todas as operações internacionais. A solicitação ocorre por
razões comerciais, pela legislação do país importador ou a fim de obter
preferências tarifárias, traduzidas como as reduções tarifárias concedidas a
produtos originários de determinados países.
Alguns aspectos relativos a este tipo de certificado e que devem ser
considerados em transações internacionais são:
- Produtos originários de países não preferencial, deve-se utilizar o seu próprio
certificado de origem.
- Para obter as preferências tarifárias pela origem das mercadorias, deve-se
solicitar o certificado EUR-1, caso a União Europeia disponha de acordos
preferenciais com este país e o certificado EUR-MED para intercâmbios entre
países que pertençam ao Grupo Pan-Euro-Mediterrâneo.
- O Sistema de Preferências Generalizadas abrange as importações a União
Europeia de mercadorias originárias de países normalmente em
desenvolvimento. Se trata de um certificado FORM-A, que é apresentado no
domínio aduaneiro comunitário, a fim de obter as preferências previstas.
- Os certificados de origem devem ser acompanhados do Documento Único
Administrativo.
- Os certificados de origem são obtidos nas Câmaras de Comércio e Indústria e
devem ser solicitados pelo exportador.
- Certificados de inspeção: muitas vezes, devido exigências do país de destino ou
do importador, as mercadorias a enviar devem ser inspecionadas prévio
embarque das mesmas. Trata-se de realizar uma amostragem dos produtos no
que diz respeito a qualidade, quantidade, preços e verificação tarifária.
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A inspeção é realizada por uma empresa que o país de origem contrata, e recai
sobre a mesma empresa a elaboração do certificado, enviado junto com a
mercadoria e as demais documentação necessária.
- Certificados de análise: o importador pode exigir que um certificado de análise
seja incluído junto com a mercadoria, como ocorre com os produtos
alimentícios, atestando suas perfeitas condições.
Em referência aos alimentos, o SOIVRE (Servicio Oficial de Inspección, Vigilancia
y Regulación de las Exportaciones) pertencente ao Ministerio do Comercio y
Turismo, tem como missão analisar e inspecionar, a fim de emitir Certificados
que comprovem que os produtos agrícolas que serão importados cumpram
com a normativa relativa à qualidade, embalagem e rotulagem entre outros
fatores.
- Certificados sanitários e fitossanitários: são certificados emitidos pelos
Ministérios de Agricultura ou Sanidade dos países exportadores que certificam
que os produtos alimentícios que serão exportados são apropriados para
consumo humano e que não contêm substâncias nocivas na sua composição.
Este tipo de documentação geralmente é exigida na aduana do país
importador. Os certificados sanitários referem-se a carnes e animais vivos,
enquanto os fitossanitários são para frutas e legumes.
Em relação aos certificados sanitários, é interessante mencionar o certificado
veterinário, que é feito quando se deseja exportar animais vivos ou um produto
sujeito a controles veterinários. Se faz necessária uma inspeção que ateste que
os produtos animais ou os animais podem ser exportados e que cumprem com
a normativa vigente em termos de saúde e segurança.
- Certificado de lista negra o boicote: refere-se a um certificado político de que
certos países importadores exigem aos transportistas das mercadorias
importadas. Com esse certificado se limita os meios de transporte utilizados
nas importações a possibilidade de fazer escala em portos de determinados
países. Além disso, estipula-se que a tripulação, o importador e o barco não
estejam incluídos na lista negra de boicotes.
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- Certificado Casher: este certificado é necessário para exportar alimentos para
Israel. Este documento é emitido pela Federação das Comunidades israelenses,
responsável por enviar um rabino nas fábricas de produção, a fim de certificar
que os alimentos a serem exportados estão de acordo com a lei judaica.
- Certificado Halal: Este é um certificado exigido por alguns países árabes junto
com as carnes importadas, assegurando que os animais foram abatidos de
acordo com a Lei do Koran.
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