Física I e II Arthur 1
1. Oscilações
1.1. Introdução 1.5. Relação entre o MHS e o MCU
Oscilar é mover-se de um lado para o outro. Há oscilações
microscópicas, como as oscilações dos átomos e oscilações
macroscópicos como as oscilações das grandes estruturas de
prédios e pontes.
1.2. Oscilador Massa-Mola
Suponha um bloco de massa m em repouso preso a uma mola
de constante elástica k sobre um plano horizontal sem atrito. Se o
corpo for deslocado da sua posição de equilíbrio para a esquerda ou
para a direita – alongando ou comprimindo a mola – abandonando-o
em seguida o sistema passa a oscilar em trajetória retilínea.
Podemos definir um eixo imaginário horizontal como referencial
que chamaremos de eixo x (eixo das abscissas) tendo como origem
o ponto onde se encontra o centro de massa do corpo quando ele
está em repouso.
Podemos ver pela figura acima os movimentos de dois pontos
materiais P e Q. Enquanto o ponto P percorre a circunferência, o
ponto Q, projeção de P sobre o diâmetro, faz um movimento
oscilatório, de vaivém.
Assim definido, o corpo passa continuamente entre posições de
Enquanto P executa um ciclo completo, Q efetua uma oscilação
abscissa positiva e negativa tendo como origem deste movimento
completa, então são válidas as equações entre período e freqüência
uma força , que é a força elástica da mola. Que varia conforme a do MCU no Movimento Harmônico Simples.
Lei de Hooke (Cap. ?? Pág ??)
A amplitude A do MHS é igual ao raio r do MCU.
Outra grandeza importante no MHS e que também existe no
MCU é a fase do movimento. Ela indica a posição do corpo no
1.3. Movimento Harmônico Simples início do movimento ou em qualquer instante posterior e é medida em
radianos, apesar de não indicar um ângulo.
O Movimento oscilatório do sistema massa-mola tem
características peculiares por ser retilíneo e periódico. Ele recebe o 1.6. Equações do MHS
nome de Movimento Harmônico Simples – MHS.
O movimento ocorre devido a existência de uma força Como o movimento de Q é a projeção do movimento de P
restauradora (a força elástica), descrita pela expressão , sobre o diâmetro da circunferência, todos os elementos do
movimento de Q são projeções dos elementos de P sobre esse
que é a resultante das forças, assim:
diâmetro.
Equação da Posição em Relação ao Tempo.
Esta é a função da aceleração do corpo em movimento
harmônico simples em relação a x. É importante notar que a
aceleração não é constante.
1.4. Grandezas Características do MHS
O MHS é um movimento periódico e tem as mesmas
características do Movimento Circular Uniforme, portanto podemos
definir para o MHS grandezas que são associadas ao MCU:
Freqüência e Período.
Freqüência (f): é o número de oscilações completas efetuadas
na unidade de tempo.
Período (T): é o intervalo de tempo de uma oscilação completa.
Uma grandeza específica dos movimentos oscilatórios é a
amplitude (A). De acordo com o referencial adotado, a amplitude do
ponto material em MHS é o módulo da abscissa de valor máximo, Vamos estabelecer como referencial para o movimento
portanto: harmônico de Q o eixo x, que coincide com o diâmetro horizontal da
circunferência, orientado para a direita. Dessa forma, a projeção do
raio r que passa por P é a abscissa x de Q. Como o raio da
circunferência é igual à amplitude do MHS, r=A, podemos escrever:
Lembrando que , temos:
Física I e II Arthur 2
Substituindo em aQ e levando em consideração que r = A
teremos:
Equação da Velocidade em Relação ao Tempo
1.7. Gráficos do MHS
Os gráficos de Posição, Velocidade e Aceleração do MHS
fornecem, ou confirmam, informações importantes sobre o
movimento. Entre elas os valores máximos da posição, velocidade,
aceleração e fase.
A posição e a aceleração têm valores máximos, com sinais
contrários, nos mesmos instantes. Quando a fase inicial for diferente
Estabeleçamos o referencial no eixo x orientado para a direita. de zero, muda apenas a forma inicial desses gráficos.
A velocidade do movimento harmônico simples de Q pode ser 1.8. Freqüência e Período de sistemas oscilantes.
obtida projetando-se sobre o eixo x a velocidade do ponto P. Quando estudamos o MHS executado por um sistema físico,
vemos que o movimento passa a ter algumas características
Como mostra a figura, o ângulo da velocidade com a horizontal é
específicas. O período e a freqüência de um oscilador massa-mola
dependem da constante elástica da mola e da massa do corpo, no
900-. Portanto , projeção sobre o eixo é, em módulo:
pêndulo simples, dependem do comprimento do fio e da aceleração
da gravidade local.
No sistema massa-mola, a aceleração é dado por:
O Sinal negativo é colocado porque o sentido de é sempre
, logo vemos que .
oposto ao sentido do eixo.
Pela trigonometria, cos(900 - ) = sen , então a expressão da
velocidade torna-se, em módulo:
Finalmente, da expressão e considerando r = A,
temos:
Um corpo pendurado por um fio ao ser deslocado da posição
de equilíbrio executa um movimento oscilatório que não é um MHS.
Equação da Aceleração em Relação ao Tempo. No entanto, se o corpo for deslocado de maneira que o fio forme
ângulos pequenos com a vertical ( ). Neste caso, é possível
obter a freqüência e o período do oscilador em função do
comprimento do fio e da gravidade.
1.9. Energia mecânica do oscilador massa-mola.
Vamos supor um sistema massa-mola. Na posição x, a energia
potencial elástica do sistema é e a energia cinética
do corpo é . Não havendo variação da energia
.
potencial gravitacional, e a energia mecânica do oscilador massa-
mola é dada por: . Desprezando-se a energia
A aceleração de Q, é projeção da aceleração de P, . Da mecânica dissipada, a energia mecânica do oscilador massa-mola se
figura, pode-se concluir que, em módulo: conserva. Assim quando o sistema massa mola oscila, há uma
transformação contínua da energia potencial elástica em cinética e
vice-versa, mas a energia mecânica permanece constante.
O sinal negativo é colocado porque o sentido de é sempre
oposto ao sentido do eixo fixado sobre o diâmetro.
A aceleração de P é a aceleração centrípeta do MCU que ele
descreve, em módulo:
Física I e II Arthur 3
Nas posições x=A, o alongamento da mola atinge o valor
máximo, portanto a energia potencial elástica do sistema atinge
também o seu valor máximo: .Mas quando x=A,
A ressonância possibilita máxima transferência de energia entre
a velocidade do sistema é nula. Portanto nessas posições, a energia a fonte excitadora, que produz as oscilações forçadas, e o sistema
mecânica é igual a energia potencial elástica máxima, assim: oscilante.
2. Oscilações
2.1. Introdução
Os gráficos das energias mecânica, cinética e potencial elástica
em função da posição mostra a relação entre essas formas de Até agora estudamos os movimentos, contínuos ou oscilantes
energia. de partículas em diferentes trajetórias. Vimos suas causas e as
energias envolvidas no processo. Nestes processos, o que existe em
comum é que a partícula efetivamente descreve a trajetória em
relação a um referencial e é possível definir precisamente a posição
desta partícula, associar a ela vetores velocidade, força e aceleração.
Entretanto, nem sempre na natureza os movimentos tem essas
características. Quando o ruído e o clarão do relâmpago chegam até
nós, nenhuma partícula do relâmpago nos atinge, pelo menos não do
ponto de vista da física clássica. O que chega até nós é uma
pequena parcela da energia que se propaga sobre a forma de som e
luz. A partir deste momento iremos diferenciar a natureza desses
dois tipos de ondas.
1.10. Função da velocidade do MHS em relação à
posição. 2.2. Ondas mecânicas e eletromagnéticas
O princípio da conservação da Energia Mecânica nos permite A principal característica do movimento ondulatório é a
obter a função da velocidade em relação à posição do MHS: propagação. Onda é algo que se movimenta pelo espaço, sem que, a
rigor, haja deslocamento de matéria.
Ondas em meios materiais como a água, cordas, ar, molas ou
qualquer meio elástico que permita a sua propagação são ondas
mecânicas. Ondas como a luz, que não precisam de meio para se
propagarem, são ondas eletromagnéticas.
2.3. Formas de propagação, dimensões e frente de
ondas.
Podemos observar por esta função que para cada posição a
duas velocidades possíveis, uma em cada sentido. A onda transversal se propaga horizontalmente, cada ponto da
mola executa movimento oscilatório vertical. A oscilação que gera a
1.11. Amortecimento, oscilações forçadas e ressonância. onda, produzida na extremidade da mola, é perpendicular (ou
transversal) à direção em que ela se propaga.
Normalmente consideramos que o MHS ocorre tendo
conservação da energia mecânica, o que, na realidade, não ocorre.
Todo oscilador harmônico perde energia, sobretudo devido ao atrito e
à resistência do ar. Como a energia está ligada à amplitude, as
oscilações resultantes têm amplitudes decrescentes, denominadas
oscilações amortecidas.
O gráfico abaixo mostra uma oscilação amortecida.
A onda longitudinal se propaga na mesma direção do
movimento de oscilação de qualquer ponto da mola. A oscilação
geradora do movimento ondulatório tem também a mesma direção de
propagação.
Em alguns casos é importante evitar este amortecimento, como
nos relógios de pêndulo, que possuem dispositivos movidos a corda
ou a pilha para compensar a perda de energia em cada oscilação.
Assim, o pêndulo passa a executar oscilações forçadas, mantendo
sua amplitude constante.
Em geral a freqüência das oscilações forçadas é diferente com
a freqüência natural do oscilador. Particularmente, pode acontecer
um caso em que a freqüência das oscilações forçadas coincide com
a freqüência natural do sistema, neste caso temos o fenômeno da
ressonância. Na ressonância, a amplitude das oscilações tende a
aumentar indefinidamente, podendo levar o oscilador até o colapso. As ondas acima são chamadas unidimensionais pois é possível
determinar a posição da perturbação, chamada frente de onda,
utilizando apenas um eixo de coordenadas, ou seja, nas ondas
unidimensionais a frente de onda é um ponto.
Física I e II Arthur 4
As ondas na superfície da água são bidimensionais. Para a sua
descrição são necessários dois eixos coordenados – sua frente de
onda é uma curva plana.
As ondas sonoras propagam-se por todo o espaço. São ondas
tridimensionais, ou seja, a sua descrição matemática exige um
sistema de três coordenadas. A frente de onda é uma superfície (no
caso do som, uma superfície esférica).
2.4. Pulso e reflexão
Quando uma pessoa faz um único movimento de vaivém,
vertical, em uma corda estendida horizontalmente, observa-se um Quando o pulso passa da corda mais fina para a mais grossa
pulso propagando-se ao longo da corda. À medida que o pulso se “parte do pulso” passa para a corda mais grossa – é o pulso refratado
propaga, a corda se deforma e volta a posição inicial, indicando que ou transmitido – enquanto outra “parte do pulso”, invertida, se reflete.
existe energia potencial elástica. O pulso equivale, então, a
propagação da energia potencial elástica. Pelo princípio da
propagação da energia, quando o pulso atinge a extremidade da
corda esta energia não pode desaparecer, como não há mais corda
para o pulso percorrer para frente ele passa a percorrer a corda para
trás. O pulso reflete.
A reflexão é característica de qualquer propagação ondulatória
que, por alguma razão, encontra um obstáculo à sua propagação,
sendo que cada tipo de tipo de propagação gera reflexão de forma
diferente.
Se extremidade da corda for livre, o pulso incidente reflete com
a mesma forma do pulso original. Dizemos que a reflexão ocorre sem
inversão de fase.
Quando o pulso passa da corda mais grossa para a mais fina,
“parte do pulso” passa para a corda mais fina – é o pulso refratado ou
transmitido – enquanto outra “parte do pulso” se reflete, sem inversão
de faze.
Em ambos os casos, a energia do pulso se distribui: parte é
refratada ou transmitida para a outra corda e parte é refletida para a
corda onde se propaga o pulso incidente, com ou sem inversão de
fase. Isto é uma característica da refração nos movimentos
ondulatórios. Sempre que a onda passa de um meio para outro, parte
da energia é transmitida e parte é refletida.
2.6. Ondas periódicas
Se uma fonte gera um pulso em uma mola, propaga-se na mola
Quando a corda tiver extremidade fixa o pulso refletido será um pulso. Se a fonte gerar n pulsos num determinado intervalo de
invertido em relação ao pulso incidente. Dizemos que o pulso tempo, vão se propagar na corda n pulsos no mesmo intervalo de
refletido e o pulso incidente estão defasados de rad. tempo. Portanto a freqüência da fonte e, conseqüentemente, o seu
período, são iguais à freqüência e ao período da onda.
Supondo que a fonte execute um MHS, valem aqui as mesmas
expressões e unidades de freqüência (f) e período (T) já conhecidos
no MHS.
2.5. Refração
Suponha duas cordas diferentes estejam ligadas e estendidas Localizando a origem das ordenas na posição de repouso da
horizontalmente. Existem duas situações possíveis, dependendo da mola, a amplitude A é o módulo das ordenadas (y) ou elongações
densidade linear de cada corda. máximas de qualquer ponto da onda em relação à origem. Essa
A densidade linear da corda pode ser determinada pela razão
definição é exatamente a mesma do MHS:
entre a massa da corda e seu comprimento. Matematicamente:
Na figura acima, os pares de pontos (P 1,P3) e (P2,P4) estão na
mesma fase, pois tem a mesma ordenada y e velocidades de mesmo
sentido (descendo ou subindo). A distância entre eles é o
No SI a unidade de densidade é kg/m. comprimento de onda (). A definição de comprimento de onda é a
Para entender as situações, vamos analisar as figuras abaixo. menor distância entre dois pontos na mesma fase.
A velocidade de propagação da onda em um meio pode ser
determinada diretamente da expressão de velocidade escalar média.
No intervalo de tempo de um período T um pulso da onda percorre
Física I e II Arthur 5
uma distância igual ao comprimento de onda . Portanto, a
velocidade escalar média de propagação da onda é:
Interferência Destrutiva
Se a fonte é harmônica simples (realiza MHS) o período e a A interferência pode ser entendida como conseqüência do
freqüência são constantes. A velocidade de propagação de uma Princípio da Superposição e este, por sua vez, como conseqüência
onda em uma corda pode ser determinada por: do Princípio da Conservação da Energia. A forma dos pulsos é a
manifestação visível da energia potencial elástica que se propaga
pela corda.
Como ondas são sucessões de pulsos, o que vale para pulsos
vale para ondas. O princípio da Superposição e a interferência são
onde T é a tração na corda e a sua densidade linear.
características tipicamente ondulatórias, válidas para qualquer tipo de
Como a velocidade de propagação da onda é constante,
ondas, mecânicas ou eletromagnéticas. Ao menos no mundo
concluímos que freqüência e comprimento de onda são sempre
macroscópico, podemos garantir que as partículas não se
grandezas inversamente proporcionais. Assim, quando a freqüência
“atravessam” e portanto não produzem interferência.
da fonte geradora de uma onda dobra, triplica ou quadruplica, o
comprimento de onda se reduz, respectivamente, à metade, a um
terço ou a um quarto.
2.7. Princípio da Superposição – Interferência
Suponha dois pulsos sejam produzidos numa mesma corda
com sentidos de propagação contrários. Observe a figura abaixo.
Construtivas e Destrutivas
2.8. Ondas Estacionárias e ressonância
Durante o cruzamento, a ordenada de cada ponto é a soma
algébrica das ordenadas de cada onda nesse instante. Essa Suponha que, na mesma corda, em vez de dois pulsos,
afirmação denomina-se Princípio da Superposição. Após o propaguem-se dois trens de ondas em sentidos opostos. Neste caso,
cruzamento, cada pulso continua com suas próprias características, não é possível observar o que ocorre antes e depois do cruzamento,
como se nada houvesse acontecido. pois só existe cruzamento. O único efeito visível é o resultado da
Em outras palavras, o Princípio da Superposição garante que interferência entre esses trens de ondas, que recebe o nome de
ondas, ao contrário de partículas, não alterem suas características Onda estacionária.
quando interagem.
Quando as ordenadas de cada ponto somam-se
algebricamente, ocorre o fenômeno da interferência. O pulso
resultante pode ter sua amplitude aumentada ou reduzida. No
primeiro caso, ocorre a interferência construtiva, no segundo a
interferência destrutiva.
A onda estacionária aparece devido a ressonância. Um sistema
oscilante entra em ressonância com uma fonte excitadora externa
quando a freqüência da fonte é igual à freqüência natural do sistema
oscilante.
Uma corda estica por uma tração T possui um conjunto de
freqüências naturais (fn) cujos valores variam a medida que a tração
T varia. Cada vez que um dos valores de fn for igual a um múltiplo
inteiro da freqüência f0 da fonte excitadora, ocorre ressonância.
Todas essas configurações de ressonância são ondas
estacionárias e as freqüências naturais fn em que elas aparecem são
conhecidas como freqüências de ressonância.
Podemos determinar as freqüências naturais de vibração de
uma corda através de uma equação. Observamos que nas
extremidades fixas da corda temos nós, pontos onde a corda não
vibra. Isso nos leva a concluir que, para haver ressonância, o
comprimento da corda deve ser igual ou múltiplo da metade co
comprimento de onda das ondas que geram a configuração.
Observando a figura abaixo, chegamos às seguintes relações
entre o número de ventres (n), o comprimento da corda (L) e o
comprimento de onda ().
Interferência Construtiva
2 2 2 2
L
Física I e II Arthur 6
As frente de ondas planas, separadas pelo comprimento de
onda , ao atingirem o antepara plano, se refletem e dão origem a
novas frentes de onda, separadas pelo mesmo comprimento de onda
. O raio incidente i é perpendicular às frentes de ondas incidentes e
o raio refletido i’ é perpendicular às frentes de ondas refletidas. Os
ângulos e ’ entre a normal e os raio incidente e refletido são
iguais. Essa afirmação é conhecida como Lei da Reflexão.
2.11. Refração
A figura a seguir mostra a refração de ondas planas. A refração
ocorre sempre que a onda atravessa a superfície de separação de
meios em que a velocidade de propagação da onda é diferente.
Onde n é um número inteiro (n=1,2,3,....), L é a distância entre
as extremidades fixas da corda, T é o módulo da tração na corda e
sua densidade linear.
Quando n=1, a freqüência f1 é chamada de freqüência
fundamental e corresponde à configuração de onda estacionária de
um só ventre. A relação entre a freqüência natural (fn) de ordem n e a
fundamental (f1)é dada por:
2.9. Ondas Bidimensionais – Princípio de Huygens
As ondas bidimensionais têm todas as características
ondulatórias das ondas unidimensionais. Têm, no entanto,
propriedades e características mais genéricas e servem de apoio ao
estudo das ondas tridimensionais.
O Princípio de Huygens é o instrumento de análise e
compreensão das ondas bi e tridimensionais. Ele define como se
comportam estas ondas durante sua propagação.
“Cada ponto de uma frente de onda pode ser
considerado uma nova fonte de ondas secundárias que
se propagam em todas as direções. Em cada instante, a
curva ou superfície que envolve a fronteira dessas ondas
secundárias é a nova frente de onda”.
O Princípio de Huygens é uma idealização geométrica, pois
essas fontes secundárias não têm existência real. Veja a figura
abaixo. Embora a velocidade de propagação varie sempre que a onda
passa de um meio para outro, o desvio na direção da trajetória só
ocorre quando a incidência é oblíqua. Se a onda incide normalmente
à superfície de separação dos meios, a direção de propagação não
sofre desvio, embora ocorra variação de velocidade.
Ë possível determinar o desvio matematicamente através da
variação dos ângulos de incidência e refração com o auxílio da Lei da
Refração.
2.12. Difração
Pode-se dizer que a difração é a tendência da onda a contornar
obstáculos.
O fenômeno da difração pode ser explicado a partir do Princípio
2.10. Reflexão de Ondas de Huygens. Para isso, observe as figuras abaixo. Como cada frente
de onda é responsável pela geração de novas ondas, podemos
As ondas bidimensionais, assim como as ondas explicar a capacidade da onda de contornar obstáculos.
unidimensionais em cordas, se refletem ao atingir qualquer
obstáculo, ou se refratam quando mudam de meio de propagação. A
reflexão e a refração em ondas bidimensionais tem algumas
características específicas.
Física I e II Arthur 7
2.13. Interferência em duas dimensões
Da mesma forma que as elongações das ondas em cordas
podem ser somadas algebricamente de acordo com o Princípio da
Superposição, as amplitudes de ondas bidimensionais que
atravessam a mesma região do espaço também se somam
algebricamente. Essa soma dá origem ao fenômeno da interferência.
A figura abaixo mostra uma configuração típica de interferência.
Nessa figura, duas ondas bidimensionais circulares, de mesma
freqüência, são geradas nos pontos A e B. As linhas tracejadas
representam vales e as linhas cheias cristas da onda. Desta forma é
possível observar as Interferências Construtivas, representadas por
bolas pretas, onde acorre o encontro entre dois vales ou duas cristas;
e as Interferências Destrutivas, representadas por bolas não
preenchidas, onde ocorre o encontro entre vales e cristas.