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Magistratura
Estadual - Direito
Ambiental
Autor
Prof.: Luis Carlos 11 de Abril de 2023
Miranda
Estratégia Carreira Jurídica
Magistratura Estadual - Direito Ambiental - Prof.: Luis Carlos Miranda
Sumário
2.1 - Compatibilização do Desenvolvimento Econômico Social com a Preservação da Qualidade do Meio Ambiente e
do Equilíbrio Ecológico ................................................................................................................................................... 14
2.2 - Definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qualidade e ao equilíbrio ecológico, atendendo
aos interesses da União, dos Estados, do Distrito Federal, do Territórios e dos Municípios ......................................... 16
2.3 - Estabelecimento de Critérios e Padrões da Qualidade Ambiental e de Normas relativas ao Uso e Manejo de
recursos ambientais........................................................................................................................................................ 16
2.4 - Desenvolvimento de Pesquisas e de Tecnologias Nacionais orientadas para o Uso Racional de recursos
ambientais ...................................................................................................................................................................... 18
2.5 - Difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, a Divulgação de dados e informações ambientais e a
Formação de uma consciência pública sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio
ecológico ......................................................................................................................................................................... 18
2.6-Preservação e Restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e disponibilidade
permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida ............................................... 19
2.7-Imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados, e ao usuário,
de contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos.............................................................. 20
3.1 - Ação Governamental na Manutenção do Equilíbrio Ecológico, considerando o meio ambiente como um
Patrimônio Público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo ............................ 22
3.6 - Incentivos ao Estudo e à Pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos
ambientais ...................................................................................................................................................................... 29
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3.10 - Educação Ambiental a todos os níveis do ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la
para participação ativa na defesa do meio ambiente .................................................................................................... 34
5.5 - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Instituto Chico Mendes
de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) - Órgãos Executores do Sisnama ............................................................ 61
6.6 - Incentivos à Produção e Instalação de Equipamentos e a Criação ou Absorção de tecnologia, voltados para a
melhoria da qualidade ambiental................................................................................................................................... 70
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6.10 - Penalidades Disciplinares ou Compensatórias ao não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou
correção da degradação ambiental ................................................................................................................................ 76
6.11 - Instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis - IBAMA........................................................................................ 76
3.1 - Aspectos Iniciais sobre as normas que regulamentam o zoneamento industrial ................................................ 100
3.2 - Classificação das Zonas Industriais quanto à Natureza da Indústria .................................................................... 101
3.3 - Classificação das Zonas Industriais quanto ao Grau de Saturação ....................................................................... 105
3.4 - Competência para licenciamento e classificação de zonas nas áreas críticas de poluição .................................. 105
2.1 - Conceitos Gerais sobre o Estudo Prévio de Impacto Ambiental ......................................................................... 108
2.2 - Normas do Conama sobre o Estudo Prévio de Impacto Ambiental ..................................................................... 113
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Resumo........................................................................................................................................................... 125
Gabarito.......................................................................................................................................................... 185
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Outro fato mundialmente conhecido foi a realização da Conferência de Estocolmo, em 1972, o primeiro
grande encontro internacional dos líderes mundiais para debaterem as questões ambientais do planeta
tendo como principal produto a elaboração da Declaração de Estocolmo, documento com 26 princípios que
serviram de base para a confecção de várias normas internas pelos países signatários, constituindo-se na
primeira norma a reconhecer o direito humano ao meio ambiente de qualidade.
De fato, a Conferência de Estocolmo e a Declaração do Meio Ambiente, além de fixarem condutas que
deveriam ser seguidas pelos Estados na busca pelo desenvolvimento, inauguraram um debate político no
âmbito de cada país sobre a questão ambiental, resultando na elaboração de diversos diplomas normativos
no Brasil, dentre eles a Política Nacional do Meio Ambiente em 1981.
No âmbito interno, em resposta às pressões internacionais, a década de 1970/80 foi marcada pela criação
de instituições destinadas ao tratamento de temas voltados ao meio ambiente, como, em 1973, da
Secretaria Especial do Meio Ambiente – SEMA (âmbito federal) voltada para a preservação do meio
ambiente e do uso racional dos bens ambientais; o Ministério do Desenvolvimento, Urbanização e Meio
Ambiente, em 1985; A criação do Sistema Nacional do Meio Ambiente-SISNAMA e do Conselho Nacional
do Meio Ambiente – CONAMA em 1981.
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Cumpre destacar que a criação destas entidades, consoante Carlos Gonçalves1, foi mais uma resposta as
pressões internacionais que uma preocupação com as questões ambientais pelo Estado Brasileiro. De fato,
o Brasil vivia sob o governo de militares que tinham como meta principal a busca pelo desenvolvimento
econômico e a captação de recursos estrangeiros para o crescimento do país, remetendo a segundo plano
os temas ambientais. Assim, a criação das instituições ambientais no Brasil, naquele período, visava o
alinhamento com as condicionantes impostas pelos bancos internacionais na tentativa de atrair
investimentos estrangeiros e não pelo verdadeiro valor intrínseco da questão ambiental.
É nesse cenário de mobilização mundial pela defesa do meio ambiente e a institucionalização da proteção
ambiental no Brasil na década de 1970, que foi editada, em 1981, a Lei 6.938 que inaugurou a Política
Nacional do Meio Ambiente, sendo o marco regulatório sobre a sistematização da proteção do meio
ambiente no âmbito nacional.
Criação do SEMA
Clube de Roma
Institucionalização da
Pressão Internacional questão ambiental no Criação da PNMA
Conferência de Brasil
Estocolmo
Criação do SISNAMA
1
Gonçalves, Carlos Walter Porto. Os (des)caminhos do meio ambiente. 14ª ed. São Paulo: Contexto, 2010, p.15.
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Resposta. Item “D”. O Clube de Roma é uma organização não governamental que teve início em 1968
como um pequeno grupo de 30 profissionais que se reuniram pela primeira vez em Roma para tratar
de assuntos relacionados ao desenvolvimento econômico e o uso exacerbado dos recursos naturais do
meio ambiente. O trabalho que deixou o Clube de Roma em evidência mundial aconteceu quatro anos
depois de sua primeira reunião. Em 1972, o grupo pediu a uma equipe de cientistas do Instituto de
Tecnologia de Massachusetts (MIT, sigla em inglês), liderada por Dennis e Donella Meadows, para
elaborar um relatório intitulado “Os Limites do Crescimento”. Este estudo utilizou sistemas de
informática para simular a interação do homem e o meio ambiente, levando em consideração o
aumento populacional e o esgotamento dos recursos naturais. A conclusão a que se chegou foi que se
a humanidade continuasse a consumir os recursos naturais como na época, por consequência da
industrialização, eles se esgotariam em menos de 100 anos2.
A PNMA é considerada o marco legal sobre as questões ambientais no Brasil sendo norma de referência
servindo de elemento de integração e harmonização das políticas ambientais antes dispersas em legislações
fragmentadas e assistemáticas. Tem como escopo central a efetivação do direito de todos a um meio
ambiente ecologicamente equilibrado, buscando a melhor forma de compatibilizar o desenvolvimento
socioeconômico com a escorreita utilização dos bens ambientais. Para isso, elencou e definiu uma gestão
integrada dos recursos naturais estabelecendo órgãos, mecanismos e instrumentos destinados à tutela do
meio ambiente. A norma busca alcançar o desenvolvimento sustentável que só se consolida com a edição da
Constituição Federal de 1988.
2
Pensamento Verde. Clube de Roma e o relatório “os limites do crescimento”. Disponível em
https://www.pensamentoverde.com.br/sustentabilidade/clube-roma-relatorio-limites-crescimento-1972/. Acesso
em 19/10/2019.
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Consoante Paulo de Bessa Antunes3, a PNMA deve ser compreendida como um conjunto de instrumentos
legais, técnicos, científicos, políticos e econômicos destinados à promoção do desenvolvimento sustentado
da sociedade e das economias brasileiras.
Nessa linha, a Lei 6.938/81 definiu os objetivos gerais e específicos da PNMA. O objetivo geral é a busca
pela preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no
País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da
dignidade da vida humana (art. 2º, da PNMA). É notório que a norma protetiva visa equacionar (harmonizar)
a proteção ambiental com o desenvolvimento econômico.
O art. 2º, da Lei da PNMA também fixa os princípios para consecução do objetivo geral na busca pelo
desenvolvimento sustentável. É cediço na doutrina que embora o legislador tenha utilizado a expressão
“princípios”, na verdade, trata-se de verdadeiras metas ou programas de atuação a serem executados pelo
Estado para atingir os objetivos colimados pela norma, como por exemplo, a necessidade de o Poder Público
proceder à proteção de áreas ameaçadas de degradação e à recuperação de áreas degradadas.
Art. 2º. A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e
recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao
desenvolvimento sócioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da
dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios:
3
Antunes, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. 3ed. Rio de Janeiro. Lumen Juris, 2000, p.65.
4
Para fins de concurso, notadamente de provas objetivas, devemos fixar o termo utilizado pela Lei, “princípios”, e não
“metas” ou “programas” propostos pela doutrina.
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A concretude dessa visão harmônica sustentável só poderá ser possível se atendidos os objetivos específicos.
São verdadeiras ações/procedimentos que devem ser realizados pelo Poder Público para consecução da
preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, previstos no art. 4º, da PNMA.
Vejamos o normativo:
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VI - à preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e
disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à
vida;
Nos termos do art. 5º, da Lei 6.938/81, As diretrizes da PNMA serão formuladas em normas e planos,
destinados a orientar a ação dos Governos da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos
Municípios no que se relaciona com a preservação da qualidade ambiental e manutenção do equilíbrio
ecológico, devendo todas as atividades empresariais públicas ou privadas serem exercidas em consonância
com as diretrizes da PNMA.
As questões de múltipla escolha têm cobrado a literalidade dos dispositivos, bem como fazem um amálgama
dos princípios com os objetivos da PNMA, razão pela qual recomendamos que o candidato tenha uma leitura
mais detida desses “princípios” e dos objetivos previstos na PNMA. Para sistematizar melhor o estudo,
apresento uma tabela comparativa dos princípios (art. 2º, da PNMA) com os objetivos específicos (art. 4º, da
PNMA) para fins de melhor entendimento. Cito como exemplo a primeira coluna que tem como tema
“qualidade do meio ambiente”: se o tema versar sobre estabelecimento de critérios e padrões de qualidade
ambiental, teremos um objetivo. Por outro lado, se a função for (programa de ação) acompanhamento do
estado de qualidade ambiental, teremos um “princípio”. É isso, espero que ajude.
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PRINCÍPIOS (art.2o)
(...) atendidos os seguintes princípios:
OBJETIVOS (art.4o)
A PNMA visa:
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(TJ-PR/Juiz Substituto Prova: CESPE – 2019) Os princípios expressos na Lei n.º 6.938/1981 — Política
Nacional do Meio Ambiente — incluem:
Resposta. Item B. Previsto no inciso II, do art. 2º, da Lei da PNMA. As letras B, C e D estão incorretas
considerando que são objetivos específicos da PNMA, previstos no art. 4º, da Lei da PNMA, e não
“princípios”.
As diretrizes da PNMA, dispostas na Lei n.º 6.938/1981, orientam a ação do governo federal no que se
refere à qualidade ambiental e à manutenção do equilíbrio ecológico, cabendo aos estados, ao DF e
aos municípios, no exercício de sua autonomia político-legislativa, estabelecer livremente as normas e
os planos ambientais por meio de leis próprias.
Resposta. Item errado. A lei da PNMA é de âmbito nacional aplicável a todos os entes federativos
Norma geral de observância de todos os entes, sendo que o poder de legislar dos demais entes está
vinculada às regras gerais previstas no diploma normativo.
A racionalização do uso do solo, a proteção dos ecossistemas e a educação ambiental a todos os níveis
de ensino são princípios a serem atendidos pela Política Nacional do Meio Ambiente.
Resposta. Item certo. Corresponde a literalidade dos incisos II, IV e X do art. 2º, da Lei 6.938/81. Atente
que a questão utilizou a palavra “princípios” como previsto no normativo.
Das alternativas abaixo, marque a alternativa que NÃO consta como um princípio dessa Lei.
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Resposta: Item E. O item “E” representa um objetivo da PNMA. Os demais itens, são definidos como
princípios da PNMA (observar nosso quadro esquemático). Não esqueça que será um princípio, caso
se refira a incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção
dos recursos ambientais.
Passaremos a análise dos objetivos específicos previstos no art. 4º da PNMA visando ter uma noção geral de
cada um deles para o seu concurso.
Compatibilizar está atrelado a ideia de conciliar atividades/ações/atitudes para que possam coexistirem de
forma harmônica. O objetivo da compatibilização, no âmbito ambiental, visa harmonizar o (1)
desenvolvimento socioeconômico com a (2) preservação do meio ambiente para se atingir um equilíbrio
ecológico. É a busca pelo desenvolvimento equilibrado, atendendo aos preceitos econômicos, sociais e
ambientais. Assim, a lei 6.938/81 consolidou no ordenamento jurídico brasileiro o conceito de
desenvolvimento sustentável, alguns anos depois constitucionalizado no caput do art. 225, da CF/88.
Cumpre destacar que esse talvez seja o principal objetivo da PNMA, desenvolver economicamente o País,
buscando a diminuição das desigualdades sociais e regionais com a preservação da qualidade do meio
ambiente. Nesse sentido, a PNMA não tem por escopo ser apenas favorável ao meio ambiente, mas também
compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico com a manutenção da qualidade ambiental. Preservar o
meio ambiente, por si só, não é um objetivo da PNMA, sem que esteja atrelado às questões econômicas e
sociais (visão antropocêntrica).
Só para reforçar, não esqueçam que as primeiras referências ao desenvolvimento sustentável começaram a
surgir em 1972, durante a Conferência de Estocolmo, na Suécia, sendo utilizado o termo
“ecodesenvolvimento”. Essa ideia de sustentabilidade foi acolhida no Brasil com a edição da Lei da PNMA
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(B)A ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como
um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo.
Resposta. Item E. É um objetivo previsto no art. 4º, inciso I, da Lei da PNMA. As demais assertivas
apresentam os princípios da PNMA, previstos no art. 2º, da Lei da PNMA.
5 Em abril de 1987, a Comissão Brundtland publicou um relatório denominado “Nosso Futuro Comum” – que trouxe
o conceito de desenvolvimento sustentável como sendo o desenvolvimento que encontra as necessidades atuais sem
comprometer a habilidade das futuras gerações de atender suas próprias necessidades.
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Esse objetivo específico visa obrigar o Poder Público a efetivar um planejamento próprio para elaboração
de políticas públicas voltadas à definição de áreas prioritárias para o desenvolvimento de ações
governamentais relativas à proteção ambiental.
O desenvolvimento dessas ações cabe a cada um dos entes federativos devendo desenvolver,
individualmente, uma ação governamental específica e harmônica, que priorize ações concernentes à
qualidade ambiental. Nesse sentido, o Poder Público deve estabelecer as áreas nas quais se desenvolverão
ações com objetivo de proteção ambiental, segundo seus critérios de conveniência e oportunidade.
Destacamos que a CF/88, em seu art. 225, caput, impõe ao Poder Público a incumbência de defender e
preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações, devendo para isso desenvolver ações
planejadas e específicas na busca do desenvolvimento sustentável.
A instituição de critérios e padrões de qualidade ambiental relativos aos recursos ambientais contribui para
definição de políticas públicas ambientais, bem como, em caso de dano ao meio ambiente, serve de base
material para fundamentar a sanção a ser aplicada ao poluidor.
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Esses padrões de qualidade ambiental são parâmetros que podem ser usados para concretizar o princípio
da racionalização do uso dos recursos ambientais (art. 2º, II, da Lei da PNMA).
Nesse ponto, Édis Milaré6 alerta que graças aos parâmetros de qualidade ambiental é possível aferir se o
desenvolvimento de determinada região caminha em busca da sustentabilidade, lembrando que o avanço
técnico-científico pode alterar os parâmetros que garantem a qualidade ambiental.
Avalie o que se afirma constar nessa Lei, em seu artigo 4º, como objetivos da Política Nacional do Meio
Ambiente.
II. Definição de áreas prioritárias de ação governamental relativas à qualidade e ao equilíbrio ecológico,
atendendo aos interesses da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios.
IV. Estabelecimento da política de preços mínimos para os produtos agrícolas em produção orgânica e
de agricultura familiar.
(A)III.
(B)II e IV
(C) I e IV.
6
Milaré, Édis. Direito do Ambiente. 10ª ed.- São Paulo. Editora Revista dos Tribunais, 2015. p.420.
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(D) I, II e III.
Resposta. Item D. Os itens I, II e III estão previstos expressamente no art.4º, incisos I, II e III,
respectivamente. O item IV está incorreto por falta de previsão legal, bem como por falta de relação
com os objetivos da PNMA.
O desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias orientadas ao uso racional dos recursos ambientais visa a
aplicação do princípio da eficiência no uso dos recursos naturais. A ideia é utilizar pouca matéria prima e
conseguir o máximo de rendimento na produção/utilização do bem. É a busca da eficiência na utilização dos
recursos naturais, evitando-se o uso desarrazoado deles, considerando que são limitados.
A previsão expressa desse objetivo específico na PNMA evidencia, para consecução do objetivo geral de
preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, a necessidade de colaboração
de diversas áreas do saber, notadamente de cunho científico e tecnológico visando contribuir para a
utilização racional dos recursos ambientais.
Cumpre destacar, por fim, que o uso de tecnologias que promovam o uso racional dos recursos naturais é
mais um instrumento de harmonização entre a preservação ambiental e o desenvolvimento econômico. Isso
porque além de contribuir para a manutenção de um meio ambiente propício à vida, impulsiona o
rendimento e a produtividade de determinados setores da economia.
São três objetivos previstos no inciso V, do art. 4º, da Lei 6.938/81, quais sejam, (1) difundir tecnologias de
manejo do meio ambiente; (2) divulgar dados e informações ambientais (3) formar uma consciência pública
sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico.
Já vimos que o desenvolvimento da tecnologia nas questões ambientais contribui para o uso racional dos
recursos naturais possibilitando uma melhor eficiência na utilização desses bens escassos. Mas de nada
adianta o desenvolvimento de tecnologias sem a possibilidade de divulgação de sua existência bem como de
seu acesso. Nesse sentido, cabe ao Poder Público efetivar a divulgação dessas tecnologias e de outros dados
ambientais de forma a possibilitar que todos tenham conhecimento de sua existência e condições de poder
utilizá-las para proteção do bem ambiental.
A busca pela formação de uma consciência pública quanto à necessidade de preservação da qualidade
ambiental e do equilíbrio ecológico ganha concretude com a edição da lei 9.795/99 que instituiu o Programa
Nacional de Educação Ambiental-PNEA reforçando o comprometimento de todos com a necessidade de
conscientização da sociedade quanto à importância de preservar o meio ambiente por meio da educação
ambiental.
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Resposta. Item certo. São objetivos da PNMA tanto o desenvolvimento quanto à difusão do
desenvolvimento tecnológico em matéria ambiental, nos termos do art. 4º, incisos IV e V, da Lei
6.938/81.
2.6-Preservação e Restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional
e disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico
propício à vida
São dois objetivos específicos da PNMA previstos no inciso VII, (1) a preservação dos recursos naturais e (2)
a restauração desses recursos objetivando sua utilização racional e disponibilidade permanente.
Preservar é proteger o bem ambiental independente de seu valor econômico ou da utilidade que tem para
o homem. A ideia é manter a intangibilidade do recurso natural. Por outro lado, conservar é sinônimo de
resguardar o bem ambiental com certo valor utilitário, aliado ao uso racional com desenvolvimento de
técnicas de manejo para manter a disponibilidade e permanência do recurso natural. Nesse sentido,
entendemos que o legislador não foi feliz ao utilizar o termo “preservar” tendo em vista os princípios e
demais objetivos traçados na PNMA.
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(MPE-MS/Analista/FGV – 2013) Com relação à Lei n. 6.938/81, que preconiza os objetivos da Política
Nacional do Meio Ambiente (PNMA), analise as afirmativas a seguir.
III. À preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas a sua utilização racional e
disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida.
Assinale:
Resposta. Item E. O item “I” está incorreto porque a previsão normativa não exige a necessidade da
efetivação de parcerias público-privadas. O item “II” e o item “III” estão corretos, pois refletem o texto
do art. 4º, III e IV, da Lei 6.938/81.
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O objetivo específico de o usuário contribuir pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos,
consagra o princípio do usuário-pagador, na busca da valorização e da conscientização de que o bem
ambiental é um recurso esgotável e que deve ser usado de forma racional e equilibrada.
O objetivo do princípio, segundo Ingo Sarlet7, é orientar normativamente o usuário de recursos naturais no
sentido de adequar suas práticas de consumo buscando despertar a consciência para o uso racional e
sustentável do bem ambiental. O usuário, portanto, tem a obrigação de pagar pela utilização dos recursos
naturais, mesmo que não venha provocar qualquer tipo de dano ao meio ambiente.
(A)Não encontra fundamento na Constituição Federal e em nenhum outro diploma legal pátrio.
(B)Prescreve a obrigação que o poluidor tem de reparar os danos causados ao meio ambiente.
(E)Expressa a cobrança pelo uso dos recursos naturais que, ao serem explorados, geram poluição.
7
Sarlet, Ingo Wolfggang. Princípios do Direito Ambiental. São Paulo: São Paulo: Saraiva, 2014, p.86.
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Resposta. Item B. O item “B” está correto considerando que o princípio do poluidor-pagador prescreve
(estabelece) a obrigação de reparar o dano pelo poluidor. O item “A” está incorreto tendo presente
que o princípio tem sustentáculo constitucional e legal, notadamente na lei da Política Nacional do
Meio Ambiente e na Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos. O item “C” está incorreto porque os
princípios têm significados próprios, sendo o princípio do usuário-pagador relacionado com à
retribuição do usuário pelo consumo de bens ambientais para fins econômico. O item “D” está
incorreto, pois não é um princípio implícito conforme comentário do item “A”. O item “E” está
incorreto considerando que se refere ao princípio do usuário-pagador.
(A)poluidor-pagador.
(B)responsabilidade.
(D)poluidor-pagador e usuário-pagador.
(E)informação.
Resposta. Item D. A lei 6.938/81 foi o principal instrumento normativo que positivou o princípio do
poluidor-pagador e do usuário-pagador (art. 4º, inciso VII).
O Princípio da Ação Governamental visa concretizar a atuação do Poder Público em defesa do patrimônio
ambiental na busca do equilíbrio ecológico. Esse princípio, mesmo antes da CF/88, reconhece o meio
ambiente como um patrimônio público que deve ser protegido por todos, sendo precursor da previsão
constitucional do art. 225, caput. Assim, é correto afirmar que a Lei da PNMA foi o principal dispositivo legal,
anterior a CF/88, a reconhecer de forma expressa a necessidade de proteção do meio ambiente como um
bem difuso, de titularidade coletiva, obrigando o Estado a prática de ações visando atingir esse objetivo
maior.
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Para consecução desse princípio, várias normas foram editadas, como o Código Florestal ( Lei 12.651/2012),
a Lei do Sistema Nacional de Unidade de Conservação ( Lei 9.985/2000), a Lei de Resíduos Sólidos ( Lei
12.305/2010) , dentre outros normativos infralegais que dão mais efetividade a esse princípio, como as
Resoluções do CONAMA e as Instruções Normativas de diversos entidades ambientais.
Por fim, temos o Decreto n. 99.274/1990 que regulamenta a Lei 6.987/81, e dispõe sobre a execução da
Política Nacional do Meio Ambiente impondo ao Poder Público diversas incumbências, dentre elas, a
necessidade de a administração ambiental manter a fiscalização permanente dos recursos ambientais,
visando à compatibilização do desenvolvimento econômico com a proteção do meio ambiente e do equilíbrio
ecológico.
(TRT - 3ª Região/Analista Judiciário/FCC – 2015) A respeito dos instrumentos legais que discutem a
questão da sustentabilidade e a proteção ao meio ambiente no Brasil,
a Constituição federal de 1988 é o primeiro instrumento legal brasileiro a dar destaque à questão,
através do art. 225, que resguarda o direito a todo cidadão ao meio ambiente ecologicamente
equilibrado.
Resposta. Item errado. A edição da Constituição Federal foi um marco legal na proteção do meio
ambiente, elevando a importância de preservação do bem ambiental para as presentes e futuras
gerações. Mas isso não implica dizer que a Carta foi o primeiro instrumento normativo brasileiro a
destacar a questão ambiental. A lei 6.938/81, que instituiu a PNMA, foi o principal instrumento
normativo que harmonizou e sistematizou todas as legislações brasileiras em prol da defesa do meio
ambiente reconhecendo o bem ambiental como um bem público que deve ser protegido.
A utilização racional do uso dos recursos naturais (solo, subsolo, água, ar, entre outros) foi ventilada no
princípio 14 da Declaração de Estocolmo de 1972, que previu o planejamento racional como um
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instrumento indispensável para conciliar as diferenças que possam surgir entre as exigências do
desenvolvimento e a necessidade de proteger e melhorar o meio ambiente.
Esse princípio foi internalizado inicialmente pelo Decreto 73.030/1973 que criou a Secretaria Especial do
Meio Ambiente –SEMA e previu que sua atuação deveria estar orientada para a conservação do meio
ambiente e o uso racional dos recursos naturais. Posteriormente, esse princípio teve sua consolidação com
a edição da Lei 6.938/81 que previu como objetivo da PNMA a racionalização do uso do solo, subsolo, da
água e do ar.
A legalização desse princípio visou realçar a importância desses recursos naturais para a manutenção da vida
no planeta, considerando que são os diretamente afetados por atividades poluentes, de forma a servir de
azimute para as ações governamentais no desenvolvimento de políticas públicas capazes de fomentar o uso
racional desses recursos.
Para maior aprofundamento sobre o uso racional dos recursos naturais, faremos um estudo da legislação
específica sobre uso e ocupação do solo, gestão da água, bem como sobre o uso do ar.
A Política Nacional do Meio Ambiente (PNM(A) pode ser conceituada como aquela que tem por
objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à visa, visando
assegurar, no pai, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança
nacional e à proteção da dignidade da vida humana, tendo como princípios:
Resposta. Item errado. A racionalização é de qualquer recurso natural e não apenas do solo e do
subsolo. A norma expressamente prevê a racionalização do uso dos seguintes bens ambientais: solo,
subsolo, ar e água
O planejamento, enquanto ferramenta de gestão, é um instrumento que busca antecipar ações para
consecução de estratégias programadas visando atingir um objetivo específico. Nesse sentido, o Poder
Público na tutela dos recursos ambientais necessita planejar suas ações visando uma atuação preventiva na
tutela desses bens, devendo desenvolver planos, objetivos e metas a serem atingidas para consecução do
objetivo estatuído no caput do art. 2º, da PNMA (o Estado deve fixar as diretrizes da política ambiental do
País). A atuação estatal sem planejamento leva a proteção deficiente desses bens, maculando o referido
princípio.
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Art. 174 –Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá,
na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este
determinante para o setor público e indicativo para o setor privado.
Com isso, o Estado não pode obrigar o particular a determinada prática de uso de recursos naturais que
estejam submetidos ao regime de propriedade privada, por outro lado, poderá estabelecer modelos de
utilização que visem à escorreita tutela do meio ambiente.
O princípio da fiscalização é fundamental na tutela efetiva do bem ambiente. Ele se manifesta em parte pela
execução das normas protetivas dos recursos naturais por meio do exercício do poder de polícia ambiental.
Cabe ao Estado fiscalizar as atividades/obras que possam causar dano ao meio ambiente devendo atuar de
forma preventiva e repressiva disciplinando o uso desses bens8.
(SEPLAG-DF/Auditor Fiscal/FUNIVERSA – 2011) A respeito da Lei n.º 6.938/1981, que dispõe sobre a
Política Nacional do Meio Ambiente, assinale a alternativa que apresenta princípio nela previsto para
se alcançar o objetivo de preservar, melhorar e recuperar a qualidade ambiental propícia à vida.
8
Teremos uma aula específica sobre poder de polícia ambiental.
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Resposta. Item E. O planejamento e a fiscalização do uso dos recursos ambientais são “princípios”
previstos na PNMA e devem ser observados pelo Poder Público na elaboração das diretrizes da política
ambiental do País.
José afirmava que a livre iniciativa exigia que o Estado se distanciasse dessa atividade, não podendo
incentivá-la ou planejá-la, mas apenas fiscalizá-la. Antônio, por sua vez, defendia que o Estado deveria
não só fiscalizar como incentivar e planejar, sendo o planejamento determinante para o setor público
e indicativo para o setor privado.
(A)José está totalmente certo e Antônio, apenas na parte em que defende a fiscalização do Estado.
(B)José e Antônio estão totalmente errados, porque o Estado não pode intervir na atividade
econômica.
(C)José e Antônio estão parcialmente certos, porque o Estado deve fiscalizar e planejar a atividade
econômica, não a incentivá-la.
(D) José e Antônio estão parcialmente certos, porque o Estado deve fiscalizar e incentivar a atividade
econômica, não a planejá-la.
(E)Antônio está totalmente certo e José, apenas na parte em que defende a fiscalização do Estado.
Resposta. Item E. Antônio está correto porque a CF/88, em seu art. 174, prevê que enquanto agente
normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de
fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para
o setor privado.
O princípio da proteção dos ecossistemas visa estabelecer na elaboração das políticas públicas ambientais
a necessidade do desenvolvimento de mecanismos capazes de tutelar de forma adequada certas áreas que
contenham relevante interesse ecológico. Esse princípio esculpido na PNMA serviu de inspiração ao
legislador constituinte ao estabelecer que incumbe ao Poder Público a missão definir, em todas as unidades
da Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos (art. 225, §1º,
III, da CF/88).
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Dando concretude a esse princípio, temos a Lei 9.985/2000 que institui o Sistema Nacional de Unidades de
Conservação da Natureza – SNUC, estabelecendo critérios e normas para a criação, implantação e gestão das
unidades de conservação, bem como a Lei 12.651/2012 (Código Florestal) que estabeleceu normas gerais
sobre a proteção da vegetação, das áreas de Preservação Permanente e das áreas de Reserva Legal.
(B)Controle irrestrito do uso do solo, do subsolo, da água e do ar, com limitação para seu uso.
(E)Alienação de áreas degradadas, para o fim de garantir o desenvolvimento social das áreas mais
pobres ou zonas de exclusão econômica.
Resposta. Item A. O item “C” está incorreto considerando que embora preveja a proteção dos
ecossistemas, o faz de forma deficiente, ao excluir a preservação de áreas representativas (bem
contraditória). O Item “B” está incorreto porque o objetivo da norma não é o controle irrestrito, mas a
racionalização do uso desses bens ambientais. O item “D” está incorreto, pois o objetivo não é a
desregulação da atividade potencialmente causadora de impactos ao meio ambiente, até porque cabe
ao órgão ambiental competente, mesmo comprovado pelo empreendedor que seu empreendimento
não é causador de significativos impactos ao meio ambiente, decidir sobre a avaliação de impacto
ambiental que será necessária para o processo de licenciamento. O item “E” está incorreto tendo em
vista que o objetivo da PNMA não é a alienação dessas áreas, mas sim sua recuperação nos termos do
inciso VIII, do art. 2º, da PNMA.
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O zoneamento ambiental é um instrumento da PNMA (art. 9, II) que visa delimitar áreas que apresentam
atributos específicos para que sejam desenvolvidas atividades compatíveis com essas características. O
objetivo é o uso sustentável dos bens ambientais, permitindo o equilíbrio entre o desenvolvimento
econômico, a equidade social e a proteção ambiental. Nesse sentido, o zoneamento tem por fim regular o
uso dos recursos naturais visando o desenvolvimento sustentável de uma região.
Esse inciso foi regulamentado pelo Decreto 4.297/2002 definindo o zoneamento (Zoneamento Ecológico-
Econômico – ZEE) como instrumento da PNMA obrigatório para implementação de planos, obras e atividades
públicas e privadas, visando organizar as decisões dos agentes quanto aos planos, programas, projetos e
atividades que, direta ou indiretamente, utilizem recursos naturais, assegurando a plena manutenção do
capital e dos serviços ambientais dos ecossistemas9.
(MPU/Analista/CESPE – 2013) A Lei de Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) ― Lei n.º
6.938/1981 ― estabeleceu os mecanismos utilizados pela administração pública para alcançar os
objetivos da política ambiental brasileira. Com relação aos instrumentos da política de gestão
ambiental, julgue o próximo item.
O zoneamento ambiental visa à proteção do meio ambiente através do planejamento do uso do solo
e considera apenas os possíveis impactos decorrentes da ação antrópica, sem se preocupar com a
capacidade de suporte do meio ambiente.
Resposta. Item errado. O zoneamento ambiental - ZEE visa à proteção do meio ambiente através do
planejamento do uso do solo, devendo levar em conta, na distribuição espacial das atividades
econômicas, a importância ecológica, as limitações e as fragilidades dos ecossistemas, estabelecendo
9
Teremos um tópico nesta aula sobre Zoneamento Ecológico-Econômico -ZEE.
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O princípio do incentivo ao estudo e à pesquisa de tecnologias voltadas ao uso racional dos bens ambientais
teve seu fundamento no Princípio 18 da Declaração de Estocolmo, devendo a ciência e a tecnologia serem
utilizadas para descobrir, evitar e combater os riscos que ameaçam o meio ambiente, servindo como
instrumento de resolução dos problemas ambientais e, em última instância, protetiva do direito à sadia
qualidade de vida.
Segundo Paulo de Bessa Antunes10, embora louvável a previsão do incentivo ao estudo e à pesquisa de
tecnologias orientadas para a proteção dos recursos ambientais como elementos essenciais, é de se
reconhecer que a pesquisa de tecnologias não foge à realidade nacional de escassez de recursos destinados
ao desenvolvimento científico.
Esse dispositivo teve seu reforço normativo no art. 13, da Lei da PNMA, determinando que o Poder Público
incentivará as atividades voltadas ao meio ambiente, fixando, como regra, a obrigatoriedade dos órgãos,
entidades, e programas do Poder Público, destinados ao incentivo das pesquisas científicas e tecnológicas,
considerarem, entre as suas metas prioritárias, o apoio aos projetos que visem adquirir e
desenvolver conhecimentos básicos aplicáveis na área ambiental e ecológica. Vejamos o normativo:
Parágrafo único –Os órgãos, entidades, e programas do Poder Público, destinados ao incentivo
das pesquisas científicas e tecnológicas, considerarão, entre as suas metas prioritárias, o
apoio aos projetos que visem a adquirir e desenvolver conhecimentos básicos
aplicáveis na área ambiental e ecológica
10
Antunes, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. 8. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2005. 940.
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(Prefeitura de Rio Novo do Sul – ES/Fiscal Sanitário/IDECAN – 2015) A Política Nacional do Meio
Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à
vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da
segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. São princípios da Política Nacional do
Meio Ambiente, EXCETO:
(C)Incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos
recursos ambientais
Resposta. Item D. O item “A”, “B” e “C” são previsões expressas do art. 2º, da Lei 6.938/81. A letra “D”
está incorreta considerando que a Lei da PNMA define o meio ambiente como patrimônio público e
não privado.
O princípio do acompanhamento da qualidade ambiental é uma ferramenta de gestão da higidez dos bens
ambientais no tempo. Nesse sentido, o referido normativo visa obrigar o Poder Público a implementar um
sistema permanente de acompanhamento dos índices locais de qualidade ambiental para garantia de um
meio ambiente ecologicamente equilibrado.
É pelo monitoramento eficaz de uma atividade potencialmente poluidora, por exemplo, que se efetiva uma
tutela preventiva do ilícito evitando danos irreversíveis ao meio ambiente. Assim, com o monitoramento da
qualidade ambiental terá o Poder Público elementos objetivos suficientes para efetivar o planejamento de
suas ações, melhorando o processo de execução dos programas com a produção de efeitos concretos
protetivos dos bens ambientais.
Cuidado! Para fins de provas objetivas, há previsão no art. 4º, da Lei da PNMA, que o estabelecimento de
critérios e padrões da qualidade ambiental é um objetivo da PNMA e não um princípio. Objetivamente
falando, eis o esquema:
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Resposta. Item D. O item “D” está correto considerando que reflete a literalidade do art. 2º, inciso VII,
da Lei da PLNMA. O item “A” está incorreto porque a norma não visa a proibição de todas as atividades
poluidoras, mas sim o desenvolvimento sustentável buscando a conciliação de três pilares,
desenvolvimento econômico, equidade social e preservação ambiental. O item “B” está incorreto, pois
não se visa a proteção do meio ambiente só para fins comerciais, mas, notadamente, para manutenção
da sadia qualidade de vida. O item “C” está incorreto tendo em vista que a Lei da PNMA incentiva o
desenvolvimento de pesquisas que contribua para proteção do meio ambiente diminuindo a poluição.
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O item “E” está incorreto considerando que a educação ambiental deve ser a todos os níveis do ensino,
inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio
ambiente.
O princípio da recuperação da área degrada impõe ao Poder Público e ao poluidor o dever de restituir o
meio ambiente a um estágio não degradado, embora não necessariamente igual a sua forma natural. Busca-
se retirar a degradação permitindo um reequilíbrio do sistema ecológico, visando a utilização do bem
ambiental por toda a coletividade.
Assim, qualquer área degrada (perdeu ou se reduziu algumas de suas propriedades) que não atenda as
normas de uso e ocupação do solo devem ser recuperadas (o retorno do sítio degradado a uma forma de
utilização, de acordo com um plano preestabelecido para o uso do solo, visando a obtenção de uma
estabilidade do meio ambiente), sendo obrigação do possuidor, proprietário, poluidor ou mesmo do Poder
Público. A norma principiológica atinge a todos, tenha ou não provocado o dano.
Buscando dar efetividade ao princípio, previu o art. 4º, inciso VII, da Lei da PNMA, que o poluidor e o
predador devem recuperar e/ou indenizar os danos causados ao meio ambiente.
Nessa linha, cumpre lembrar que a Carta Política constitucionalizou esse princípio ao estabelecer em seu art.
225, a necessidade de responsabilizar o infrator pelos danos causados ao meio ambiente,
independentemente da obrigação de reparar o dano (responsabilidade civil objetiva).
Para as atividades de mineração, a CF/88 foi mais enfática, ao prescrever a obrigatoriedade de recuperar o
meio ambiente degradado para o explorador de recursos minerais. Vejamos os normativos:
Art. 225 –Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum
do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o
dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
§ 2º -Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente
degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da
lei.
Regulamentando o princípio da recuperação da área degrada previsto no art. 2º, VIII, da Lei 6.938/81, o
Decreto n. 97.632/1989 previu que os empreendimentos que se destinam à exploração de recursos
minerais deverão, quando da apresentação do Estudo de Impacto Ambiental - EIA e do Relatório do Impacto
Ambiental - RIMA, submeter à aprovação do órgão ambiental competente, Plano de Recuperação de Área
Degradada -PRAD. Assim, é possível a apresentação de PRAD mesmo não tendo ocorrido qualquer ato lesivo
ao meio ambiente, bastando a possibilidade de sua ocorrência. A apresentação de PRAD não exige como
condição prévia a existência do dano.
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(TRF - 5ª REGIÃO/Juiz Federal/CESPE – 2015) Uma mineradora apresentou EIA-RIMA com o objetivo
de viabilizar a exploração de recursos minerais em determinado local. O órgão ambiental competente
exigiu, então, apresentação de PRAD. A empresa considerou a exigência ilegal e impetrou mandado de
segurança por meio do qual busca dar continuidade ao procedimento de obtenção de licença
ambiental sem que cumpra tal exigência.
(B)É legítima e tem base legal a exigência do impetrado de apresentação do PRAD, cujo objetivo é
viabilizar a compensação ambiental.
(C)A recuperação de áreas degradadas é um dos princípios da Política Nacional do Meio Ambiente; em
relação às mineradoras, é ela uma exigência constitucional.
(D)É incabível a exigência do PRAD quando a atividade nem sequer foi iniciada, porque não se trata de
instrumento de prevenção, mas sim de recuperação.
(E)Não cabe à mineradora apresentar o PRAD, mas sim ao órgão técnico, que deve elaborá-lo e exigir
seu cumprimento pelo particular.
Resposta. Item C. A recuperação da área degradada é um princípio da PNMA (art. 2º, VIII) e tem
previsão constitucional expressa para as atividades de mineração (art. 225, §2º, da CF/88). O item “A”
está incorreto porque não há qualquer violação ao princípio da legalidade, ao contrário, por força da
CF/88 é dever do minerador recuperar a área degradada. O item “B” está incorreto porque o objetivo
do PRAD é recuperar a área degrada (obrigação por ter degrado o meio ambiente) diferente da
obrigação de compensar a coletividade pelo uso dos bens ambientais (compensação ambiental). O
item “C” está incorreto, pois a exigência de apresentação do PRAD pode ocorrer antes ou após o dano.
O item “E” está incorreto tendo em vista que a apresentação do PRAD é ônus do poluidor, cabendo ao
órgão ambiental competente a avaliação de sua adequação.
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(E)subjetiva e depende da comprovação de que o dano foi causado por violação à autorização ou
concessão de lavra.
Resposta. Item C. A responsabilidade civil é sempre objetiva na modalidade risco integral, não havendo
a necessidade de análise do elemento subjetivo (dolo ou culpa) cabendo ao minerador recuperar a
área degradada nos termos do art. 225, §2º, da CF/88
O princípio da proteção norteia toda a tutela ambiental, considerando que uma das obrigações do Poder
Público e de toda a coletividade é a proteção do meio ambiente em todas as suas vertentes. A ideia de
proteção está adstrita a toda ação governamental em termos de tutela dos bens ambientais.
Resolveu o legislador dar maior ênfase a proteção de áreas ameaçadas de degradação em face do alto grau
de suscetibilidade para atingirem a condição de degradada e, consequentemente, impactarem de forma
significativa nos processos ecológicos fundamentais para sobrevivência de determinadas espécies. Cabe ao
Poder Público definir as áreas de especial interesse ecológico que serão tuteladas de forma mais específica
para efetivação do referido princípio.
O Princípio da Educação Ambiental talvez seja, se bem utilizado, um dos mais efetivos princípios ambientais
previstos na Lei da PNMA. Isso porque estando a coletividade bem instruída quanto ao tema ambiental,
notadamente sobre o conhecimento da importância de se preservar os bens ambientais para as presentes e
futuras gerações, poderá tomar atitudes que militem a favor da tutela do meio ambiente.
O tema educação ambiental teve seus princípios básicos estabelecidos na Conferência Intergovernamental
sobre Educação Ambiental em Tbilisi, antiga URSS, em 1977 (após a Conferência de Estocolmo de 1972),
organizada pela UNESCO e o PNUMA, sendo considerada um dos principais eventos que conceituou, em
bases claras, a Educação Ambiental no mundo. O principal documento produzido na Conferência foi a
Declaração de Tbilisi que fixou princípios, estratégias e ações objetivando uma difusão mais efetiva da
educação ambiental como instrumento para tutela do meio ambiente. Nessa linha, a Lei da Política Nacional
do Meio Ambiente foi fortemente influenciada pelos princípios ventilados na Declaração de Tbilisi, fato que
inspirou o legislador nacional a normatizar tais normas.
A PNMA, positivando esse princípio, ciou uma obrigação a toda sociedade no sentido de que a educação
ambiental deve ser propalada em todos os níveis de ensino, bem como para toda a coletividade com o fim
de instruí-la para participação ativa na defesa do meio ambiente.
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Dentre dessa visão de educar para proteger, a PNMA foi fonte inspiradora da CF/88, que impôs, em seu art.
225, § 1º, VI, ao Poder Público o dever de promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a
conscientização pública para a preservação do meio ambiente.
Somente em 1999, o Congresso Nacional editou a Lei que regulamentou esse princípio. Trata-se da Lei
9.795/99 que dispôs sobre a educação ambiental e instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental-
PNEA.
Definiu a Lei 9.795/99 que todos têm direito à educação ambiental, como um processo educativo mais
amplo, sendo um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de
forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.
Visando atingir um processo educativo mais amplo e acessível a todos, a Lei 9.795/99 definiu obrigações
para todos os integrantes da sociedade. Nesse sentido, fixou incumbências ao Poder Público, às instituições
educativas, aos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA, aos meios de
comunicação de massa, às empresas, às entidades de classe, bem como a sociedade. Vejamos um esquema
simplificado dessas atribuições:
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Incubências
Poder Público
• Definir políticas públicas que incorporem a dimensão ambiental
• Promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino.
Instituições de Ensino
• Promover a educação ambiental de maneira integrada aos programas educacionais que
desenvolvem.
Órgãos do SISNAMA
• Promover ações de educação ambiental integradas aos programas de conservação,
recuperação e melhoria do meio ambiente.
Empresas
• Promover programas destinados à capacitação dos trabalhadores
Sociedade
• Manter atenção permanente à formação de valores, atitudes e habilidades que
propiciem a atuação individual e coletiva voltada para a prevenção, a identificação e a
solução de problemas ambientais.
A Lei 9.795/99 definiu seus princípios norteadores objetivando uma educação ambiental de qualidade de
forma a atingir toda a sociedade estabelecendo, em seu art. 4º, os seguintes princípios:
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A lei que disciplinou o princípio da educação ambiental também instituiu o Programa Nacional de Educação
Ambiental -PNEA reforçando o comprometimento de todos com a necessidade de conscientizar a sociedade
quanto à importância de preservar o meio ambiente. Nesse sentido, estabeleceu o art. 7º, da Lei da PNEA:
Art. 7o A Política Nacional de Educação Ambiental envolve em sua esfera de ação, além dos
órgãos e entidades integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - Sisnama, instituições
educacionais públicas e privadas dos sistemas de ensino, os órgãos públicos da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e organizações não-governamentais com atuação
em educação ambiental.
Conforme previsto no texto constitucional, a educação ambiental será executada em todos os níveis e
modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal. O caráter formal envolve a educação
ambiental desenvolvida no âmbito dos currículos das instituições de ensino públicas e privadas, desde a
educação básica (infantil, fundamental e médio) até a educação superior, devendo ser desenvolvida como
uma prática educativa integrada, contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino
formal.
Cumpre assinalar que a educação ambiental não deve ser implantada como disciplina específica no currículo
de ensino, ressalvada a faculdade que tem os cursos de pós-graduação, extensão e as áreas voltadas ao
aspecto metodológico da educação ambiental, a criação de disciplina específica em sendo necessária.
Por outro lado, a educação ambiental não-formal compreende as ações e práticas educativas voltadas à
sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na defesa da
qualidade do meio ambiente, cabendo ao Poder Público em todos os níveis de governo incentivar/fomentar
a difusão, por intermédio dos meios de comunicação de massa, em espaços nobres, de programas e
campanhas educativas, e de informações acerca de temas relacionados ao meio ambiente, bem como a
ampla participação da escola, da universidade e de organizações não-governamentais na formulação e
execução de programas e atividades vinculadas à educação ambiental não-formal, objetivando alertar a
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sociedade para importância das unidades de conservação; a sensibilização das populações tradicionais
ligadas às unidades de conservação, bem como dos agricultores quanto às questões ambientais.
Para execução da PNEA foi criado um Órgão Gestor responsável pela execução e coordenação da Política
Nacional de Educação Ambiental, que será dirigido pelos Ministros de Estado do Meio Ambiente e da
Educação, tendo como atribuição a definição de diretrizes para implementação em âmbito nacional, bem
como articulação, coordenação e supervisão de planos, programas e projetos na área de educação
ambiental, em âmbito nacional. Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, na esfera de sua competência
e nas áreas de sua jurisdição, poderão definir diretrizes, normas e critérios para a educação ambiental,
respeitados os princípios e objetivos da PNEA.
I. Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à educação ambiental, incumbindo
aos meios de comunicação de massa colaborar de maneira ativa e permanente na disseminação de
informações e práticas educativas sobre meio ambiente e incorporar a dimensão ambiental em sua
programação.
II. São princípios básicos da educação ambiental, dentre outros, o enfoque humanista, holístico,
democrático e participativo.
III. São princípios básicos da educação ambiental, dentre outros, a vinculação entre a ética, a educação,
o trabalho e as práticas sociais.
IV. São princípios básicos da educação ambiental, dentre outros, o reconhecimento e o respeito à
pluralidade e à diversidade individual e cultural.
V. A educação ambiental deve ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino.
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Resposta. Item C. Todos os itens contêm princípios básicos da educação ambiental, ressalvado o item
“V”, pois há vedação expressa no art. 10, §1º, da Lei 9.795/99 de que a educação ambiental não deve
ser implantada como disciplina específica no currículo de ensino.
( ) Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade
constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a
conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua
sustentabilidade.
( ) A Política Nacional de Educação Ambiental envolve em sua esfera de ação, além dos órgãos e
entidades integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - Sisnama, instituições educacionais
públicas e privadas dos sistemas de ensino, os órgãos públicos da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, e organizações não-governamentais com atuação em educação ambiental.
(A)V – V – V.
(B)F – V – V.
(C)V – F – V.
(D)V – V – F.
Resposta. Item A. Todos os itens são verdadeiros, nos termos dos arts. 1º , 2º e 7º, da Lei 9.795/99.
Vejamos:
Art. 1o Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a
coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas
para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de
vida e sua sustentabilidade.
Art. 7o A Política Nacional de Educação Ambiental envolve em sua esfera de ação, além dos órgãos e
entidades integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - Sisnama, instituições educacionais
públicas e privadas dos sistemas de ensino, os órgãos públicos da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, e organizações não-governamentais com atuação em educação ambiental
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A Política Nacional de Educação Ambiental deve ser executada pelos órgãos e entidades integrantes
do Sistema Nacional de Meio Ambiente (SISNAMA), sendo necessária sua articulação com entidades
não governamentais, entidades de classe e meios de comunicação.
Resposta. Item certo. A execução da PNEA deve ser efetivada por todos, incluindo os agentes públicos
e privados. Nesse sentido, estabelece o art. 7º da Lei 9.795/99, que a Política Nacional de Educação
Ambiental envolve em sua esfera de ação, além dos órgãos e entidades integrantes do Sistema
Nacional de Meio Ambiente - Sisnama, instituições educacionais públicas e privadas dos sistemas de
ensino, os órgãos públicos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e organizações
não-governamentais com atuação em educação ambiental.
As legislações brasileiras normalmente apresentam definições de alguns institutos que serão utilizados ao
longo de uma norma buscando facilitar o trabalho do intérprete e tornar mais efetiva a execução da política
pública que está sendo apresentada à sociedade.
Nessa linha, a PNMA definiu, em seu art. 3º, alguns conceitos fundamentais que servem de vetor
interpretativo de seus preceitos. Vejamos:
I - meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química
e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas;
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A PNMA define o conceito de meio ambiente como sendo o conjunto de condições, leis, influências e
interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.
Observe que esse conceito legal foi estabelecido em 1981, antes da edição da Constituição Federal de 1988,
e que, segunda a doutrina majoritária, não abrange todos os aspectos do meio ambiente, dando ênfase
somente ao natural, apresentando um conceito limitador de meio ambiente.
Tentando corrigir parte dessa deficiência conceitual, a RESOLUÇÃO CONAMA n. 306/12 definiu meio
ambiente como um conjunto de condições, leis, influência e interações de ordem física, química, biológica,
social, cultural e urbanística, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas, incorporando o
posicionamento do STF sobre o tema. Vejamos:
Art. 2º Para os fins do disposto nesta Resolução, são adotadas as definições constantes do Anexo
I.
(...)
ANEXO I
DEFINIÇÕES
(...)
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XII -Meio ambiente: conjunto de condições, leis, influência e interações de ordem física, química,
biológica, social, cultural e urbanística, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.
Nesse conceito, nota-se uma concepção mais ampla e integrativa de meio ambiente criando uma
verdadeira simbiose entre os aspectos bióticos, abióticos, culturais, urbanos e sociais.
O conceito de meio ambiente que vem embutido na norma jurídica não abrange o conjunto de leis que
rege a vida em todas as suas formas.
Resposta. Item errado. A Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) brasileira, estabelecida pela Lei
6938 de 1981, define meio ambiente como o conjunto de condições, leis, influências e interações de
ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.
(Prefeitura de Teixeira de Freitas – BA/Procurador Municipal/ IBEG – 2016) Acerca dos princípios do
Direito Ambiental, analise as proposições e indique a alternativa correta:
O conceito normativo de meio ambiente abrange o conjunto de condições, leis, influências e interações
de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas suas formas, não
incluindo o patrimônio edificado.
Resposta: item errado. Doutrina majoritária já pacificou o entendimento de que o meio ambiente é
conceito amplo que abrange o meio ambiente natural, o meio ambiente cultural, meio ambiente
artificial e meio ambiente do trabalho. O patrimônio edificado se perfaz no aspecto do meio ambiente
artificial que inclui o espaço alterado pelo ser humano, abrangendo o os edifícios urbanos e pelos
equipamentos comunitários.
De acordo com o que dispõe a Lei n.º 6.938/1981, o meio ambiente é considerado como um
equipamento público, de uso comum do povo, a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo
em vista a sua natureza histórica, panedênica, geracional, briquitaria e transindividual, abrangendo as
comunidades, os ecossistemas e a biosfera.
Resposta. Item errado. Segundo o art.3º, I, da PNMA, o meio ambiente é um o conjunto de condições,
leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em
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todas as suas formas. O conceito apresentado é bem amplo, não sendo contemplado pela Lei
6.938/1981
Os recursos ambientais são definidos como a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os
estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora. Os recursos
ambientais podem ser bióticos ou abióticos. Estes estão relacionados com a parte inanimada do meio
ambiente, como o ar, a água e a temperatura. Aqueles, correspondem a parte viva do meio ambiente,
constituindo-se da flora e fauna.
A degradação da qualidade ambiental, segundo a PNMA, é qualquer alteração adversa das características
do meio ambiente. A degradação é, portanto, a redução dos potenciais dos bens ambientais de um
ecossistema afetando sobremaneira o equilíbrio ecológico, provocando alterações negativas nos elementos
bióticos e/ou abióticos.
Essa degradação da qualidade ambiental pode ter origem em causas naturais, como no caso de tempestade,
erosão, desertificação, ou pode ser produzida por ações antrópicas, quando da exploração dos recursos
naturais, como no desempenho da atividade minerária.
De acordo com o Decreto Federal 97.632/8911, que regulamenta a Lei da PNMA, é definido como o
aglomerado de processos resultantes de danos ao meio ambiente, pelos quais se perdem ou se reduzem
algumas de suas propriedades, tais como, a qualidade ou a capacidade produtiva dos recursos ambientais.
11
Decreto que dispõe sobre a regulamentação do artigo 2°, inciso VIII, da Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981,
prevendo a necessidade de apresentação de PRAD para os empreendimentos que se destinarem à exploração de
recursos minerais.
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Com referência a essa situação hipotética, julgue o item a seguir em consonância com as normas
ambientais e a jurisprudência pertinente.
Resposta. Item correto. Trata-se de degradação ambiental. Está claro na questão que os atos
praticados são típicos de poluição que é espécie do gênero degradação ambiental, cabendo ao poluidor
a necessidade de recuperar o meio ambiente degradado.
O poluidor é a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente,
por atividade causadora de degradação ambiental. Deve o poluidor responder na esfera penal,
administrativa e civil pelos danos causados ao meio ambiente. É a tríplice responsabilização.
A poluição sendo uma degradação resultante de atividades que possam prejudicar a qualidade do meio
ambiente, pode ocorrer, seja por ações autorizadas pelo Poder Público/Lei, seja por outras em desacordo
com as normas regulamentares. Nesse sentido, é possível termos uma poluição autorizada em que o
poluidor, amparado por autorização legal ou regulamentar, pratica ato que gera poluição. Exemplo disso, é
um indivíduo que desmata parte de sua propriedade rural, mas atende aos padrões de qualidade atuando
dentro dos limites permitidos pela legislação de regência.
O poluidor pode ser tanto pessoa jurídica de direito privado, como também pessoa jurídica de direito público.
Nessa linha, é possível que uma empresa estatal, no desempenho de suas atividades, pratique atos de
poluição, devendo responder pelos danos causados ao meio ambiente.
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Resposta. Item correto. Nos termos do art. 3º, III, da Lei 6.938/81, a poluição é a degradação da
qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a
segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas;
c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente;
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos;
(ITESP/Advogado/VUNESP – 2008) O conceito de poluição constante no artigo 3.º da Lei n.º 6.938/81
(Lei da Política Nacional do Meio Ambiente), implica
(A)o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica.
(C)a diversidade de significado diante do que estabelece a Constituição Federal de 1988 a esse respeito.
(E)a descrição legal do resultado de uma atividade e a definição da própria conduta, esta em hipóteses
específicas.
Gabarito. Item E. O termo poluição foi definido pela Lei 6.938/81 (descrição legal) como a degradação
da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente prejudiquem a saúde, a
segurança e o bem-estar da população e criem condições adversas às atividades sociais e econômicas,
dentre outras hipóteses lá elencadas (descrição das hipóteses específicas). O item “A” está incorreto
porque apresentou o conceito de meio ambiente. O item “B” está incorreto considerando que não se
exige a cumulatividade das hipóteses de poluição previstas no art. 3º, III, da Lei da PNMA. O item “C”
está incorreto tendo em vista que que as hipóteses de poluição estão previstas na Lei da PNMA. O item
“D” está incorreto considerando que qualquer poluidor, de direito público ou privado, responderá
pelos danos causados ao meio ambiente.
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Resposta. Item correto. Poluição é qualquer degradação que provoque alteração adversa das
características do meio ambiente, como no caso do lançamento de matérias ou energias em desacordo
com os padrões ambientais estabelecidos. Não se deve esquecer que existem outras hipóteses, como
as alterações adversas que afetem desfavoravelmente a biota.
I - meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e
biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.
(A)I;
(B)II;
(C)I e II;
(D)I, II e III;
(E)II e III.
Resposta. Item D. Todos os itens são verdadeiros, pois correspondem a literalidade do previsto no art.
3º, I, II e III da Lei 6.938/81.
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As origens do Sistema Nacional do Meio Ambiente-Sisnama nos levam ao tempo das fortes pressões
internacionais sofridas pelo Brasil em face do descaso frente às questões ambientais que nortearam a década
de 1970. Em resposta às críticas internacionais, o Brasil criou, por meio do Decreto 73.030/73, a Secretaria
Especial do Meio Ambiente – SEMA cuja função essencial era atuar na conservação e no uso racional dos
bens ambientais.
Nesse período, tivemos no Brasil um movimento de institucionalização das questões ambientais que se
espraiou por todos os demais entes federativos. Assim, podemos afirmar que a estrutura do Sisnama teve
sua origem no regime militar (1973) com a criação de órgãos ambientais pela União, Estados e Municípios.
A grande dificuldade desses órgãos ambientais criados no Brasil era a falta de articulação entre eles para
melhor executar as políticas públicas ambientais.
É nessa cadência que em 1981, com a edição da Lei 6.938, foi instituído o Sistema Nacional do Meio Ambiente
dentro de um modelo descentralizado de gestão do patrimônio ambiental. A essência do Sisnama é o
compartilhamento e a descentralização de responsabilidades na gestão do meio ambiente havendo uma
maior articulação entre os entes públicos. Nessa linha, a criação do Sisnama visou uma atuação coordenada,
descentralizada e eficiente quanto à execução das políticas públicas ambientais pelos entes federativos, com
a participação da sociedade na tomada de decisões.
Destaca Édis Milaré12 que o Sisnama não funciona como uma entidade situada no tempo e no espaço. Mais
do que uma instituição ele é um instrumento jurídico legal. Não tem personalidade jurídica nem qualquer
outra identificação. Assim, sua existência efetiva reside nos órgãos que o compõe em rede nacional.
O Sisnama está divido em seis níveis político-administrativos, nos termos do art. 6º, da Lei da PNMA. Eis a
norma:
Art. 6º Os órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos
Municípios, bem como as fundações instituídas pelo Poder Público, responsáveis pela proteção
e melhoria da qualidade ambiental, constituirão o Sistema Nacional do Meio Ambiente -
SISNAMA, assim estruturado:
12
Milaré, Édis. Direito do Ambiente. 10ª ed.- São Paulo. Editora Revista dos Tribunais, 2015. p.375.
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III - órgão central: a Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, com a finalidade
de planejar, coordenar, supervisionar e controlar, como órgão federal, a política nacional e as
diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente; (Redação dada pela Lei nº 8.028, de
1990)
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SISNAMA
(MP-SC/ Promotor de Justiça Substituto/ CESPE-Cebraspe – 2021) Um cidadão, por descuido, iniciou
um incêndio em sua propriedade, situada em área rural coberta pelo bioma campos, o que resultou na
destruição da vegetação nativa de outras duas propriedades vizinhas. A respeito da situação hipotética
apresentada e de aspectos legais a ela relacionados, julgue os próximos itens.
A Fundação do Meio Ambiente (FATMA), como órgão central do SISNAMA, poderá multar o cidadão e
embargar a sua propriedade, considerando a falta de autorização para queimadas.
Resposta. Falso. O SISNAMA é um sistema instituído pela Lei n° 9.938/81, que dispõe, em seu art. 6°,
quais são os órgãos em sua estrutura. Nesse sentido, a questão erra ao afirmar que o FATMA é órgão
central do SISNAMA, sendo em realidade, o órgão central, o Ministério do Meio Ambiente (MMA), que
substituiu a Secretaria de Meio Ambiente da Presidência da República. O FATMA é o órgão seccional
do Estado de Santa Catarina.
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(B)órgão central: o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – IBAMA,
que tem por finalidade assessorar e propor o Conselho de governo, diretrizes de políticas
governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais.
(C)um dos órgãos executores: o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – Instituto
Chico Mendes, com a finalidade de executar e fazer executar a política e as diretrizes governamentais
fixadas para o meio ambiente, de acordo com as respectivas competências.
(E)órgãos locais: os órgãos ou entidades estaduais e municipais responsáveis pelo controle, execução
de programas e projetos de atividades hábeis a gerar degradação ambiental.
(Prefeitura de Itupeva – SP/Procurador Municipal/FUNRIO – 2016) De acordo com a Lei no. 6.938-81
o Sistema Nacional do Meio Ambiente – SISNAMA é organizado com vários órgãos distribuídos pelos
entes da federação sendo que os entes municipais participam dos órgãos:
(A)centrais
(B)consultivos
(C)locais
(D)executivos
(E)deliberativos
Resposta. Item C. Nos termos do art. 6º, VI, da Lei 6.938/81 define órgãos Locais como os órgãos ou
entidades municipais, responsáveis pelo controle e fiscalização dessas atividades, nas suas respectivas
jurisdições.
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(A)órgão superior.
(B)órgão supervisor.
(C)órgão local.
(D)órgão seccional.
Resposta. Item D. Nos termos do art. 6º, V, da Lei da PNMA, são seccionais os órgãos ou entidades
estaduais responsáveis pela execução de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de
atividades capazes de provocar a degradação ambiental.
Esse órgão é presidido pelo Presidente da República e tem como integrantes os Ministros de Estado e o
titular do Gabinete Pessoal do Presidente da República. O Conselho é estruturado em Câmaras que estão
divididas em Comitês Executivos cujos funcionamento, competência e composição serão definidos em ato
do Poder Executivo federal.
O Conama é órgão consultivo e deliberativo tendo como finalidade assessorar, estudar e propor ao
Conselho de Governo, diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais
e deliberar, no âmbito de sua competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente
ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida.
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CONSULTIVO
Diretrizes de Políticas
PROPOR
Governamentais
CONAMA
Normas e Padrões de
DELIBERATIVO DELIBERAR
Qualidade Ambiental
A estrutura e o funcionamento do Conama foram disciplinados pelo Decreto 99.274/1990 que sofreu
alterações recentes pelo Decreto 9.806/2019.
O Conama é composto por cinco órgãos13 elencados no art. 4º, do Decreto 99.274/1990, assim
denominados: Plenário; Comitê de Integração de Políticas Ambientais; Câmaras Técnicas; Grupos de
Trabalho e Grupos Assessores.
A composição do Plenário do Conama sofreu profundas mudanças com a edição do Decreto 9.806/2019,
enxugando sua composição anterior e estabelecendo uma nova formatação, nos termos do art. 5º, do
Decreto 99.274/1990. Eis a norma:
13
Antes era formado por seis órgãos. O Decreto 9.806/2019 extinguiu o Câmara Especial Recursal, que tinha a função
de instância administrativa do CONAMA responsável pelo julgamento, em caráter final, das multas e outras
penalidades administrativas impostas pelo IBAMA.
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IV - um representante dos seguintes Ministérios, indicados pelos titulares das respectivas Pastas:
(Incluída pelo Decreto nº 9.806, de 2019)
b) Ministério da Economia;
c) Ministério da Infraestrutura
V - um representante de cada região geográfica do País indicado pelo governo estadual; (Incluída
pelo Decreto nº 9.806, de 2019)
VI - dois representantes de Governos municipais, dentre as capitais dos Estados; (Incluída pelo
Decreto nº 9.806, de 2019)
VIII - dois representantes indicados pelas seguintes entidades empresariais: (Incluída pelo
Decreto nº 9.806, de 2019 a) Confederação Nacional da Indústria;
O Plenário do Conama se reune ordinariamente a cada três meses, no Distrito Federal. Poderá também
ocorrer reuniões extraordinárias quando convocado pelo seu Presidente, por iniciativa própria ou a
requerimento de pelo menos dois terços de seus membros, podendo realizar reuniões regionais, de caráter
não deliberativo, com a participação de representantes dos Estados, do Distrito Federal e das capitais dos
Estados das respectivas regiões.
A participação dos membros do Conama é considerada serviço de natureza relevante e não será
remunerada, cabendo às instituições representadas o custeio das despesas de deslocamento e estadia.
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Com isso, o Ministério Público Federal poderá indicar um representante, titular e suplente, para participar
do Plenário do Conama na qualidade de membro convidado, sem direito a voto.
(TRF - 2ª REGIÃO/Juiz Federal/CESPE – 2013) De acordo com a PNMA, assinale a opção correta.
Embora seja órgão colegiado consultivo e deliberativo da PNMA, O CONAMA não atua junto ao SNUC.
Resposta. Item errado. O Conama é órgão consultivo e deliberativo, integrante orgânico do SNUC,
tendo como finalidade assessorar, estudar e propor ao Conselho de Governo, diretrizes de políticas
governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais e deliberar, no âmbito de sua
competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado
e essencial à sadia qualidade de vida.
(TRF - 2ª REGIÃO/Juiz Federal/CESPE – 2013) De acordo com a PNMA, assinale a opção correta.
Resposta. Item errado. A supervisão compete aos Órgãos Seccionais sendo responsáveis pela execução
de programas, projetos e pelo controle e fiscalização de atividades capazes de provocar a degradação
ambiental, principalmente das atividades por eles licenciadas. Essa supervisão pode ser atribuída
também ao Ministério do Meio Ambiente. Não previsão de supervisão pelo CONAMA dessas
atividades na Lei da PNMA.
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) integra o Sistema Nacional do Meio Ambiente
(SISNAMA), previsto na legislação infraconstitucional, sendo órgão superior com a função de assessorar
o presidente da República na formulação da política nacional do meio ambiente.
Resposta. Item errado. O Conama não é órgão superior e sim órgão consultivo e deliberativo do
Sisnama. O Conselho de Governo é o órgão superior do Sistema.
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(A)O CONAMA é o órgão superior do SISNAMA, tendo a função de assessorar o Presidente da República
na formulação da política nacional e nas diretrizes governamentais para o meio ambiente e recursos
ambientais;
(B)São órgãos executores do SISNAMA o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis – IBAMA e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – Instituto Chico
Mendes, com a finalidade de planejar coordenar, supervisionar e controlar, como órgãos federais, a
política nacional e as diretrizes governamentais para o meio ambiente;
(C)O CONAMA é o órgão consultivo e deliberativo, tendo a finalidade de assessorar, estudar e propor
ao Conselho de Governo, diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e os recursos
naturais;
(D)Apenas os órgãos e entidade da União são responsáveis pela proteção e melhoria da qualidade
ambiental no território nacional, excetuando-se desta responsabilidade os Estados, o Distrito Federal,
os Territórios e os Municípios, bem como as fundações instituídas pelo Poder Público;
(E) Sendo órgão superior, a Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República apresenta a
finalidade de planejar, coordenar, supervisionar e controlar, como órgão federal, a política nacional e
as diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente;
Resposta. Item C. O Conama, nos termos do art.6º, II, da Lei da PNMA, é órgão consultivo e deliberativo
com a finalidade de assessorar, estudar e propor ao Conselho de Governo, diretrizes de políticas
governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais e deliberar, no âmbito de sua
competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equilibrado
e essencial à sadia qualidade de vida.
Além das competências gerais previstas no art. 6º, II, da Lei da PNMA, de assessorar, estudar e propor ao
Conselho de Governo, diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais,
bem como deliberar, no âmbito de sua competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio
ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida, o art. 8º elencou as
competências específicas do Conama, com alterações dada pelas Leis nº 7.804/1989 e 8.028/1990. Vejamos
o normativo:
II - determinar, quando julgar necessário, a realização de estudos das alternativas e das possíveis
consequências ambientais de projetos públicos ou privados, requisitando aos órgãos federais,
estaduais e municipais, bem assim a entidades privadas, as informações indispensáveis para
apreciação dos estudos de impacto ambiental, e respectivos relatórios, no caso de obras ou
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III - decidir, como última instância administrativa em grau de recurso, mediante depósito prévio,
sobre as multas e outras penalidades impostas pelo IBAMA; (Revogado pela Lei nº 11.941, de
2009)
Cumpre destacar que o inciso III foi revogado pela Lei 11.941/2009, não havendo mais a possibilidade de um
auto de infração lavrado pelo Ibama ser revisto pelo Conama. Nesse sentido, hodiernamente inexiste a
instância revisional do Conama das decisões proferidas pela Ibama em matéria de sanção administrativa. Por
outro lado, é comum a existência de decisões judiciais impondo aos órgãos federais a necessidade de
possibilitar ao autuado/infrator o acesso a uma terceira instância revisional, com fundamento no art. 57, da
Lei 9.784/99, que prevê que o recurso administrativo tramitará no máximo por três instâncias
administrativas, caso não haja lei fixando de forma diversa. Assim, entendem alguns juízes federais que as
Instruções Normativas dos órgãos Federais não são instrumentos idôneos para fixar apenas duas instâncias
para tramitação dos processos administrativos sancionadores, considerando que a norma geral federal sobre
processos administrativos prevê no máximo três.
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Resposta. Item correto. Compete ao CONAMA, nos termos do art. 8º, VI, da Lei 6.938/81, estabelecer,
privativamente, normas e padrões nacionais de controle da poluição por veículos automotores,
aeronaves e embarcações, mediante audiência dos Ministérios competentes.
Quando multado pelo IBAMA, o cidadão poderá recorrer da referida multa, sendo o Conselho Nacional
do Meio Ambiente (CONAMA) a última instância administrativa para decidir em grau de recurso.
Resposta. Item errado. A competência recursal do Conama das decisões proferidas pelo Ibama em
processo administrativo sancionador, prevista originariamente no inciso III do art. 8° da Lei da PNMA,
foi revogada pela Lei 11.941/2009
O Decreto 99.274/1990 previu, em seu art. 7º, outras competências do Conama dentro das elencadas na
Lei da PNMA. É uma espécie de detalhamento das competências previstas legalmente. Vejamos essas
atribuições com as alterações introduzidas pela Decreto nº 3.942/2001:
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VIII - deliberar, no âmbito de sua competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio
ambiente ecologicamente equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida;
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(B)Apreciar as propostas de resoluções sobre o meio ambiente com os acordos internacionais, dos
quais o Brasil seja signatário.
(C)Determinar, quando julgar necessário, a realização de estudos das alternativas e das possíveis
consequências ambientais de projetos públicos ou privados, requisitando aos órgãos federais,
estaduais e municipais, bem como às entidades privadas, informações, notadamente as indispensáveis
à apreciação de Estudos Prévios de Impacto Ambiental e respectivos Relatórios, no caso de obras ou
atividades de significativa degradação ambiental, em especial nas áreas consideradas patrimônio
nacional.
(D) Definir os impactos ambientais das áreas de preservação, bem como o seu desenvolvimento
econômico autossustentável e o seu potencial comercial e de turismo.
O Ministério do Meio Ambiente14 é o órgão central do Sisnama tendo a finalidade de planejar, coordenar,
supervisionar e controlar, como órgão federal, a política nacional e as diretrizes governamentais fixadas
para o meio ambiente.
O Ministério do Meio Ambiente apresenta outras áreas de competências prevista na Lei 13.844/2019.
Vejamos:
14Alertamos que a redação normativa da Lei 6.938/81 ainda prevê expressamente como órgão central a extinta
Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República (Semam/PR).
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5.5 - Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e
o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) - Órgãos Executores
do Sisnama
São órgãos executores do Sisnama o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis - IBAMA e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio, com a finalidade
de executar e fazer executar a política e as diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente, de
acordo com as respectivas competências.
O IBAMA, enquanto autarquia executiva no âmbito federal, de acordo com o Art. 5º da Lei nº 7.735, de 22
de fevereiro de 1989, tem como principais atribuições:
O ICMBio, autarquia executora federal, tem como principal atribuição fazer a gestão das Unidades de
Conservação Federal e das populações tradicionais nelas residentes, tendo como finalidades específicas,
nos termos do art. 1º, da Lei 11.516/2007:
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O ICMBio só foi previsto legalmente como integrante do Sisnama com a edição da Lei 12.856/2013 que
alterou Lei da PNMA.
(TRF - 3ª REGIÃO/Juiz Federal/CESPE – 2011) Considerando a Lei n.º 6.938/1981, que dispõe sobre a
Política Nacional do Meio Ambiente e o Sistema Nacional do Meio Ambiente, assinale a opção correta.
O CONAMA é o órgão central da Política Nacional de Meio Ambiente, de natureza consultiva, ao qual
cabe planejar, coordenar, supervisionar e controlar as diretrizes governamentais fixadas para o
ambiente.
Resposta. Item errado. Nos termos do art. 6º, III, da Lei da PNMA, o CONAMA não é órgão central, mas
sim órgão consultivo e deliberativo. O órgão central é Ministério do Meio Ambiente (cuidado: a lei
ainda prevê a Secretaria do Meio Ambiente).
Resposta. Item errado. Nos termos do art.6º, da Lei da PNMA, são órgãos executores o Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, com a finalidade de executar e fazer
executar, como órgão federal, a política e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente. O
órgão superior do SISNAMA é o Conselho de Governo, com a função de assessorar o Presidente da
República na formulação da política nacional e nas diretrizes governamentais para o meio ambiente e
os recursos ambientais;
(ICMBIO/ ANALISTA/CESPE – 2014) Julgue os itens de 41 a 44, com base na Lei n.º 11.516/2007 e no
Decreto n.º 7.515/2011
Caso o governo de um estado da Federação crie unidades de conservação, caberá ao ICMBio exercer o
poder de polícia ambiental nessas unidades.
Resposta. Item errado. O ICMBio, autarquia federal, só tem atribuições para fiscalizar as unidades de
conservação federal. Isso não implica dizer que a Autarquia não poderá exercer o poder de polícia
preventivo, agindo para evitar um ilícito em unidade de conservação de outro ente federativo, dentro
do exercício do poder de polícia em caráter suplementar, até que o ente federativo promova a
apuração dos fatos, nos termos do art. 17, §3º, da Lei Complementar 140/2011.
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Art. 17. Compete ao órgão responsável pelo licenciamento ou autorização, conforme o caso, de um
empreendimento ou atividade, lavrar auto de infração ambiental e instaurar processo administrativo
para a apuração de infrações à legislação ambiental cometidas pelo empreendimento ou atividade
licenciada ou autorizada.
(...)
§ 3o O disposto no caput deste artigo não impede o exercício pelos entes federativos da atribuição
comum de fiscalização da conformidade de empreendimentos e atividades efetiva ou potencialmente
poluidores ou utilizadores de recursos naturais com a legislação ambiental em vigor, prevalecendo o
auto de infração ambiental lavrado por órgão que detenha a atribuição de licenciamento ou
autorização a que se refere o caput.
Resposta. Item B. A atuação do IBAMA não foi irregular. Poderá lavrar auto de infração, assim como o
ICMBio poderia fazê-lo em caráter supletivo. Mas havendo auto de infração específico do órgão
ambiental gestor da unidade de conservação sobre os mesmos fatos, nos termos do §3º, do art. 17, da
Lei Complementar 140/2011, deverá prevalecer o auto lavrado pelo órgão municipal.
Cabem aos Estados e ao Distrito Federal definirem os órgãos que serão integrantes do Sisnama, mas
independentemente da nomenclatura utilizada (SEMA; IMA; COEMA) são considerados, segundo a Lei da
Política Nacional do Meio Ambiente, órgãos seccionais.
Esses órgãos ou entidades são responsáveis pela execução de programas e projetos, bem como controlar e
fiscalizar as atividades capazes de provocar a degradação ambiental. Compete também a esses centros de
competências ambientais executar e fazer cumprir, em âmbito estadual, a Política Nacional e Estadual do
Meio Ambiente e demais políticas nacionais e estaduais relacionadas à proteção ambiental.
É atribuição ainda desses órgãos elaborar o zoneamento ambiental de âmbito estadual, em conformidade
com os zoneamentos nacional e regional, bem como controlar a produção, a comercialização e o emprego
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de técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente,
na forma da lei.
Os órgãos locais são os órgãos ou entidades municipais responsáveis pelo controle e fiscalização de
atividades capazes de provocar degradação ambiental, nas suas respectivas jurisdições.
Tem como atribuição principal executar e fazer cumprir, em âmbito municipal, as Políticas Nacional e
Estadual de Meio Ambiente e demais políticas nacionais e estaduais relacionadas à proteção do meio
ambiente, bem como formular, executar e fazer cumprir a Política Municipal de Meio Ambiente.
Cabe ainda aos Municípios, exercer a gestão dos recursos ambientais no âmbito de suas atribuições, bem
como controlar a produção, a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que
comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente, na forma da lei.
O novo paradigma de proteção ambiental trazida pela Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, como já
salientado nesta obra, trouxe um microssistema legal que além de estabelecer uma estrutura institucional
articulada (Sisnama), fixou objetivos gerais e específicos para o alcance do desenvolvimento socioeconômico
mantendo um padrão de qualidade do meio ambiente propício à sadia qualidade de vida.
Para se chegar a uma maior concretude dos objetivos fixados, a Lei da PNMA estabeleceu os instrumentos
necessários à consecução desse mister. São treze instrumentos administrativos que efetivam o espírito de
sustentabilidade ventilado na Lei 6.938/81. Os instrumentos foram previstos no art.9º, da Lei da PNMA. Eis
o normativo:
II - o zoneamento ambiental;
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XII - o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos
recursos ambientais.
XIII - instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão ambiental, seguro ambiental
e outros.
Esse rol é meramente exemplificativo, estando os entes federativos integrantes do Sisnama autorizados a
implementarem outros instrumentos para efetivação da preservação, melhoria e recuperação da qualidade
ambiental propícia à vida possibilitando que os objetivos e princípios estatuídos na PNMA sejam
efetivamente alcançados.
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Resposta. Item correto. Todos são instrumentos da PNMA previstos no art.9º, incisos, IV, II, X e XIII,
respectivamente.
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O estabelecimento de padrões de qualidade ambiental visa definir os limites máximos de substâncias que
podem ser lançadas ao meio ambiente. São valores previamente conhecidos de qualidade de um
determinado bem ambiental, como ar, solo e água para mantença do equilíbrio ambiental necessário a uma
vida saudável.
Para fixação desses parâmetros são escolhidas determinadas características do bem ambiental, como
concentração, nível de alcalinidade e de acidez, turbidez, condutibilidade, entre outros, que, com base em
análise técnica especializada, são escolhidos como os mais adequados para a manutenção de um meio
ambiente equilibrado.
O objetivo primeiro da fixação desses padrões é o controle da poluição entendida como a degradação da
qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente, prejudiquem a saúde e lancem
matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.
O Conama é o órgão deliberativo e consultivo do Sisnama que tem a competência, nos termos do art. 8º,
notadamente nos incisos VI, e VII, para estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle e à
manutenção da qualidade do meio ambiente com vistas ao uso racional dos recursos ambientais,
principalmente os hídricos. Quanto à poluição causada por veículos automotores, aeronaves e embarcações
cabe privativamente ao Conama o estabelecimento das normas nacionais de controle da poluição.
Isso não implica dizer que os demais entes federativos não tenham competência para legislar sobre controle
de poluição. Assim, poderão fixar padrões de qualidade ambiental de acordo com os interesses regionais e
locais. É nesse sentido que o Supremo Tribunal Federal tem se manifestado reconhecendo que os Municípios
podem legislar sobre controle de poluição notadamente aquele destinado à degradação da qualidade do ar
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por veículos automotores, observado o interesse local, não podendo as normas editadas confrontarem com
aquelas expedidas pela União e Estados/DF15.
O Conama já editou importantes resoluções que fixam os parâmetros de qualidade do meio ambiente para
tutelar o ar, através da Resoluções ns. 05/1989, 03/1990 e n. 08/1990 e a água, por meio da Resolução
357/2005 e 91/2008. Cumpre destacar também que há outras Resoluções que regulamentam a qualidade
do ambiente em termos de ruídos, como a Resolução n. 01/1990.
(MPU/Analista/CESPE – 2013) A Lei de Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA) ― Lei n.º
6.938/1981 ― estabeleceu os mecanismos utilizados pela administração pública para alcançar os
objetivos da política ambiental brasileira. Com relação aos instrumentos da política de gestão
ambiental, julgue o próximo item.
Os padrões de qualidade dos componentes do meio ambiente, o ar, a água e o solo são parâmetros de
uso corrente para a gestão ambiental, mas os padrões para o controle da emissão de poluentes ainda
não são levados em consideração no Brasil.
Resposta. Item errado. A Lei da PNMA definiu como instrumento, nos termos do art. 9º, I, o
estabelecimento de padrões de qualidade ambiental. O Conama, em âmbito nacional, definiu os
padrões mínimos para tutelar a água, o ar e os ambientes em gerais contra os ruídos. Na tutela desses
bens, foi editada a Resolução n. 03/1990 que define os padrões de qualidade do ar.
O zoneamento ambiental é mais um instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente, previsto no art.
9º, II, da Lei 6.938/81. É uma medida de gestão ambiental que objetiva o uso racional dos bens ambientais.
Consiste em dividir em zonas um determinado território de acordo com seus potenciais ambientais,
econômicos e sociais, visando servir de ferramenta a um planejamento estratégico do Poder Público no
desenvolvimento de políticas públicas que propicie um uso racional dos recursos ambientais.
O zoneamento ambiental foi disciplinado pelo Decreto 4.297/2002 e denominado de Zoneamento Ecológico-
Econômico – ZEE sendo definido como instrumento de organização do território a ser obrigatoriamente
seguido na implantação de planos, obras e atividades públicas e privadas, estabelecendo medidas e padrões
15
STF. Plenário. RE194704/MG, rel. Min Edson Fachin, julgado em 29/06/2017.
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de proteção ambiental destinados a assegurar a qualidade ambiental, dos recursos hídricos e do solo e a
conservação da biodiversidade, garantindo o desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de
vida da população. Mais detalhes sobre esse instrumento da PNMA faremos ainda nesta aula no tópico 3.
A avaliação de impacto ambiental é gênero dos quais são espécies diversos estudos ambientais como o
Estudo de Impacto Ambiental – EPIA e o Plano de Recuperação de área Degradada- PRAD. Mais detalhes
sobre esse instrumento da PNMA faremos ainda nesta aula no tópico 4.
O licenciamento ambiental é um instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente previsto no art. 9º, IV,
da Lei 6.938/81, que serve como ferramenta de controle preventivo para que o Poder Público possa
processar, avaliar e decidir sobre uma determinada atividade/empreendimentos que possa acarreta, direta
ou indiretamente, danos ao meio ambiente.
Segundo Tiago Anibal16 o licenciamento tem como objetivo principal materializar a noção de
sustentabilidade compatibilizando os interesses daqueles que almejam proceder a uma exploração
econômica (dimensão econômica) com respeito aos bens ambientais (dimensão ecológica) e às eventuais
repercussões sociais dessa atividade (dimensão social).
O termo “revisão” previsto no art. 9º, IV, da Lei 6.938/81, refere-se à revisão do próprio licenciamento
podendo resultar até mesmo no cancelamento da licença ambiental anteriormente deferida. Isso demonstra
que mesmo terminado o processo de licenciamento e emitida a última licença (Licença de Operação) não
implica direito adquirido a permanecer exercendo a atividade se não houver adequação as normas
ambientais vigentes e supervenientes, cabendo sempre revisão do licenciamento já efetivado.
16
Anibal, Tiago Antônio Paulosso. Direito Ambiental. Editora Juspodivm: Salvador-Bahia. 2019,p.167.
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A Resolução Conama n. 237/97 disciplina o processo de licenciamento ambiental e sua revisão. Mais
detalhes sobre esse instrumento da PNMA detalharemos na aula 03 deste curso.
Nesse processo, cabe aos empreendedores a utilização dos meios de produção mais eficiente e menos
poluente por meio da instalação de equipamentos e de processos que estejam de acordo com os padrões de
qualidade ambiental fixados pelo Poder Público.
A criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público (federal, estadual e municipal)
é um instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente, prevista no art. 9º, VI, que visa a preservação,
melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia a vida.
Esse dispositivo legal foi fonte de inspiração do legislador constituinte de 1988 que fixou, no inciso III, do §
1º do art. 225, da CF/88, a obrigação dos entes federativos de definir, os espaços territoriais e seus
componentes a serem especialmente protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas somente
através de lei, vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua
proteção.
Os principais instrumentos normativos que definem esses espaços são a Lei 9.985/2000 (SNUC) que
estabeleceu critérios e normas para a criação, implantação e gestão das unidades de conservação; e a Lei
12.651/2012 (Código Florestal) que define áreas específicas objetivando a preservação dos ecossistemas,
como as áreas de preservação permanente.
São considerados Espaços Territoriais Especialmente Protegidos (ETPS) as áreas de preservação
permanentes, a reserva legal, as unidades de conservação da natureza dentre outros previstos em normas
específicas ou criados por ato do Poder Público que serão objeto de estudo específico neste curso.
As unidades de conservação da natureza são os espaços territoriais e seus recursos ambientais, incluindo as
águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com
objetivo de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam
garantias adequadas de proteção.
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Essas unidades de conservação são divididas em unidades de proteção integral e unidades de uso
sustentável. As unidades de proteção integral visam preservar a natureza, sendo admitido apenas o uso
indireto dos seus recursos naturais, com exceção dos casos previstos na lei do SNUC. São divididas, em
conformidade com suas características, em: Estação Ecológica, Reserva Biológica, Parque Nacional,
Monumento Natural e Refúgio de Vida Silvestre. Ao seu turno, as unidades de uso sustentável visam
compatibilizar a conservação da natureza com o uso sustentável de parcela dos seus recursos naturais. São
divididas em: Área de Proteção Ambiental, Área de Relevante Interesse Ecológico, Floresta Nacional, Reserva
Extrativista, Reserva de Fauna, Reserva de Desenvolvimento Sustentável e Reserva Particular do Patrimônio
Natural.
Cabe ao MMA, por intermédio de sua Secretaria-Executiva, coordenar, por meio do Sistema Nacional de
Informações sobre o Meio Ambiente-SINIMA, o intercâmbio de informações entre os órgãos integrantes do
SISNAMA.
Conforme definido no Ministério do Meio Ambiente17, O SINIMA é o instrumento responsável pela gestão
da informação no âmbito do Sisnama, de acordo com a lógica da gestão ambiental compartilhada entre as
três esferas de governo, tendo como forma de atuação três eixos estruturantes: (1) Desenvolvimento de
ferramentas de acesso à informação, (2) Integração de bancos de dados e sistemas de informação e (3)
Fortalecimento do processo de produção, sistematização e análise de estatísticas e indicadores relacionados
com as atribuições do MMA.
Nesse sentido, definiu como ação administrativa a ser desenvolvida pela União, em seu art. 7º, VIII, organizar
e manter, com a colaboração dos órgãos e entidades da administração pública dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, o Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente (Sinima). Aos Estados/DF,
nos termos do art.8º, VII, definiu como ação organizar e manter, com a colaboração dos órgãos municipais
competentes, o Sistema Estadual de Informações sobre Meio Ambiente e prestar informações à União para
a formação e atualização do Sinima. Aos Municípios, nos termos do art. 9º, VII, imputou organizar e manter
17
MMA. Sistema Nacional de Informações. Disponível em: https://www.mma.gov.br/informma/item/8215-sistema-
nacional-de .Acesso em: 25/10/2019.
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o Sistema Municipal de Informações sobre Meio Ambiente e prestar informações aos Estados e à União para
a formação e atualização dos Sistemas Estadual e Nacional de Informações sobre Meio Ambiente.
A Lei 10.650/2003 disciplinou o acesso público aos dados e informações existentes nos órgãos e entidades
integrantes do Sisnama ficando obrigados a permitir o acesso público aos documentos, expedientes e
processos administrativos que tratem de matéria ambiental e a fornecer todas as informações ambientais
que estejam sob sua guarda, em meio escrito, visual, sonoro ou eletrônico.
Os órgãos do Sisnama têm o prazo de 30 dias, contado da data do pedido, para prestar as informações ou
facultar a consulta.
Esses órgãos têm a obrigação de publicar em Diário Oficial e ficar disponíveis, no respectivo órgão, em local
de fácil acesso ao público, listagens e relações contendo os dados referentes aos seguintes assuntos:
O Sinima é uma concretização do princípio de acesso à informação e da participação comunitária sendo que
a informação adequada é requisito fundamental para que um indivíduo possa conhecer melhor o objeto de
seu interesse e tomar decisões que possam influenciar na formação das políticas públicas correlatas.
No âmbito internacional, temos a Convenção de Aarhus, de 1998, que assegura o acesso à informação, à
participação do público no processo de tomada de decisão e o acesso à justiça em matéria de meio
ambiente. Essa Convenção consagrou o direito à informação e à participação comunitária destacando sua
fundamentalidade em um sistema que se baseia em dados e indicadores para a tomada de decisões e
estabelecimento de programas necessários à proteção do meio ambiente.
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Um órgão ambiental pleiteou ao governo de seu estado recursos financeiros para produzir um cadastro
de dados ambientais, com o fim de assegurar o acesso a estes pela população, e recebeu como
resposta, da autoridade governamental, a informação de que não era da competência do estado a
organização dos cadastros relativos ao meio ambiente. Nessa situação, juridicamente, é correto
afirmar que essa resposta está de acordo com a Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, que não
inclui a prestação de informações como instrumento dessa política.
Resposta. Item errado. É dever do Poder Público (Federal, Estadual/DF e Municipal) prestar
informações sobre o meio ambiente (objetivo da PNMA – art. 4º, V) e sistematizá-las no Sistema
Nacional de Informações – Sinima (instrumento da PNMA – art. 9º, VII).
(A)Conselho de Governo
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Resposta. Item C. Compete ao MMA, por intermédio de sua Secretaria-Executiva, coordenar, por meio
do Sistema Nacional de Informações sobre o Meio Ambiente-SINIMA, o intercâmbio de informações
entre os órgãos integrantes do SISNAMA.
O Cadastro Técnico Federal divide-se em dois cadastros, quais sejam, o Cadastro Técnico Federal de
Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental-CTF/AIDA e o Cadastro Técnico Federal de Atividades
Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais- CTF/APP. O regramento do CTF está
previsto no art. 17, da lei da PNMA:
Art. 17. Fica instituído, sob a administração do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos
Naturais Renováveis - IBAMA:
A vinculação ao Cadastro Técnico Federal é cogente e a Pessoa Física ou Jurídica que exerce atividade,
fabrica, ou realiza comércio de equipamentos destinados ao controle de atividades efetivas e
potencialmente poluidoras cometerá a infração administrativa prevista no art. 76, do Decreto 6.514/2008.
Art. 76. Deixar de inscrever-se no Cadastro Técnico Federal de que trata o art.17 da Lei 6.938,
de 1981:
Multa de:
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Nessa situação, além da licença ambiental, exige-se que o empreendimento tenha registro no cadastro
técnico federal de atividades potencialmente poluidoras ou utilizadoras de recursos ambientais.
Considerando essas situações hipotéticas, assinale a opção correta, acerca do CTF, previsto na Política
Nacional de Meio Ambiente — Lei n.º 6.938/1981.
(A)Víctor e a empresa deverão ter CTFs das respectivas atividades para concretizarem suas pretensões.
(B)Apenas Víctor deverá ter CTF, pois não se exige esse instrumento de pessoa jurídica.
(C)Apenas a empresa deverá ter CTF, pois não se exige esse instrumento de pessoa física.
(D)Nem de Víctor nem da empresa é exigido CTF para concretizarem suas pretensões, mas ambos
deverão estar inscritos no SINIMA.
(E)Apenas a empresa deverá ter CTF; para Víctor, o CTF poderá ser dispensado e substituído pela
inscrição da atividade no SINIMA.
Resposta. Item A. O Cadastro Técnico Federal é obrigatório para as pessoas físicas ou jurídicas que se
dedicam a consultoria técnica sobre problemas ecológicos e ambientais e à indústria e comércio de
equipamentos, aparelhos e instrumentos destinados ao controle de atividades efetiva ou
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potencialmente poluidoras. A Empresa tem que ser cadastrada também no Cadastro Técnico Federal
de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais, em fase da atividade
de mineração exercida.
Resposta. Item certo. O Cadastro Técnico Federal é obrigatório para pessoas físicas ou jurídicas que se
dediquem a atividades potencialmente poluidoras. O descumprimento dessa norma implica a sanção
administrativa do art. 72, do Decreto 6.514/2008.
Outro instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente previsto no art. 9º, IX, da Lei 6.938/81 é a
aplicação de penalidades disciplinares ou medidas compensatórias para aquele que degrada o meio
ambiente. Esse normativo estatui a tutela administrativa dos bens ambientais que teve sua regulamentação
efetivada pela Lei 9.605/98 e pelo Decreto 6.514/2008. O objetivo das normas é servir como medida
preventiva e repressiva na tutela do meio ambiente.
A análise do Decreto 6.514/2008 e das penalidades administrativas a serem aplicadas aos infratores serão
objeto de estudo da aula 03.
Por fim, a instituição do Relatório é uma concretização do princípio de acesso à informação e da participação
comunitária. A Convenção de Aarhus é outro importante instrumento normativo que assegura o acesso à
informação, a participação do público no processo de tomada de decisão e o acesso à justiça em matéria
de meio ambiente.
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TJ-RS/Juiz de Direito Substituto/FAURGS – 2016) Acerca dos princípios de Direito Ambiental, assinale
a alternativa INCORRETA.
No princípio 10 da Declaração do Rio (1992), da mesma forma que na Convenção de Aarhus (1998),
identificam-se os três pilares que alicerçam o princípio da participação pública em matéria ambiental,
ou seja, o acesso à informação, a participação pública na tomada de decisões e o acesso à justiça.
Resposta. Item correto. O princípio 10 da Declaração do Rio estabeleceu que a melhor maneira de
tratar as questões ambientais é assegurar a participação, no nível apropriado, de todos os cidadãos
interessados. No nível nacional, cada indivíduo terá acesso adequado às informações relativas ao meio
ambiente de que disponham as autoridades públicas, inclusive informações acerca de materiais e
atividades perigosas em suas comunidades, bem como a oportunidade de participar dos processos
decisórios. A Convenção de Aarhus assegura o acesso à informação, a participação do público no
processo de tomada de decisão e o acesso à justiça em matéria de meio ambiente.
A garantia de prestar informações relativas ao meio ambiente é um instrumento da Política Nacional do Meio
Ambiente previsto no art. 9º, XI, da Lei 6.938/81 visa dar efetividade ao princípio da informação consagrado,
no âmbito internacional no Princípio 10 da Declaração do Rio e na Convenção de Aarhus.
No âmbito nacional, diversas normas asseguram o direito à informação relativas ao meio ambiente,
notadamente a Lei 10.650/2003 que dispõe sobre o acesso público aos dados e informações existentes nos
órgãos e entidades integrantes do Sisnama, como já ventilado nesta obra.
Conforme já comentado no item 2.6.9, o Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras
e/ou utilizadoras dos recursos ambientais- CTF/APP é um instrumento da Política Nacional do Meio
Ambiente previsto no art. 9º, VIII, da Lei 6.938/81 e tem por finalidade o registro obrigatório de atividades
potencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos recursos ambientais. O Cadastro divide-se em duas
modalidades, quais sejam, o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental-
CTF/AIDA e o Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos
Ambientais-CTF/APP. O regramento do CTF está previsto no art. 17, da lei da PNMA.
São obrigadas à inscrição no CTF/APP as pessoas físicas e jurídicas que se dediquem, isolada ou
cumulativamente (1) a atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos ambientais, (2) à
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extração, produção, transporte e comercialização produtos e subprodutos da fauna e fora, bem como (3) de
produtos potencialmente perigosos ao meio ambientes.
Cumpre destacar que é cobrada uma taxa pelo controle e fiscalização das atividades potencialmente
poluidoras e utilizadoras de recursos naturais pelo órgão ambiental. Esse tributo é denominado de Taxa de
Controle e Fiscalização Ambiental- TCFA, cujo fato gerador é o exercício regular do poder de polícia
conferido ao IBAMA para controle e fiscalização das atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras de
recursos naturais (art. 17, da Lei 6.938/81).
Essa TCFA só pode ser exigida das pessoas cadastradas no CTF/APP e não daquelas cadastradas
exclusivamente no CTF/AINDA (consultoria técnica), que têm inscrição gratuita.
O sujeito passivo da TCFA é todo aquele que exerce as atividades constantes do Anexo VIII da Lei 6.938/81,
bem como pelo exercício de outras, que embora não elencadas pelo referido anexo, podem ser consideradas
potencialmente ou efetivamente poluidoras a critério do IBAMA, tendo em vista que o rol do Anexo VIII, da
Lei 6.938/81 é meramente exemplificativo.
A TCFA é devida por estabelecimento e não por atividade e os seus valores foram fixados no Anexo IX da Lei
da PNMA. Caso o estabelecimento exerça mais de uma atividade sujeita à fiscalização, pagará a taxa
relativamente a apenas uma delas, pelo valor mais elevado.
São isentas do pagamento da TCFA as entidades públicas federais, distritais, estaduais e municipais, as
entidades filantrópicas, bem como aqueles que praticam agricultura de subsistência e as populações
tradicionais.
A TCFA será devida no último dia útil de cada trimestre do ano civil e o recolhimento será efetuado em conta
bancária vinculada ao IBAMA, por intermédio de documento próprio de arrecadação, até o quinto dia útil
do mês subsequente. É uma exceção ao regime da conta única do tesouro. Os recursos arrecadados com a
TCFA têm natureza vinculada quanto à destinação, pois terão utilização restrita em atividades de controle
e fiscalização ambiental.
Cumpre destacar que a Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental - TCFA possui natureza de tributo. Assim,
está sujeita às normas do Código Tributário Nacional, especialmente quanto à constituição do crédito
tributário e a legislação que rege o procedimento administrativo tributário.
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 416.601/DF, de relatoria do Min. Carlos Velloso, em 2005,
declarou a constitucionalidade da TCFA. Esse posicionamento tem se mantido nos julgados hodiernos do
STF, como no AI860067AgR, de relatoria da Ministra Rosa Weber18:
18
AI 860067AgR, Rel.Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 10/02/2015.
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Pode haver compensação do crédito com o valor devido a título de TCFA, até o limite de sessenta por cento
e relativamente ao mesmo ano, o montante efetivamente pago pelo estabelecimento ao Estado, ao
Município e ao Distrito Federal em razão de taxa de fiscalização ambiental, não podendo ser compensados
taxas ou preços públicos de licenciamento e venda de produtos.
O IBAMA está autorizado a celebrar convênios com os Estados, os Municípios e o Distrito Federal para
desempenharem atividades de fiscalização ambiental, podendo repassar-lhes parcela da receita obtida
com a TCFA.
(A)O sujeito passivo da TCFA é todo aquele que exerce atividades potencialmente poluidoras e
utilizadoras de recursos naturais constantes na Lei da Política Nacional do Meio Ambiente.
(B)Constitui fato gerador da TCFA o exercício, pelos particulares, das atividades constantes no Cadastro
Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais.
(C)Os recursos provenientes da TCFA não precisam ser utilizados restritamente em atividades de
controle e fiscalização ambiental.
(E)Caso o estabelecimento empresarial exerça mais de uma atividade sujeita à fiscalização, deve pagar
taxa relativa a todos eles.
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Resposta. Item A. O sujeito passivo da TCFA é todo aquele que exerce as atividades constantes do
Anexo VIII da Lei 6.938/81. O item “B” está incorreto porque o fato gerador da TCFA é o exercício do
poder de polícia pelo IBAMA e não por particulares. O item “C” está incorreto considerando que os
valores arrecadados com a TCFA são vinculados a uma destinação específica, qual seja, a atividade de
fiscalização.
A taxa de controle e fiscalização ambiental (TCFA) é um dos mais importantes instrumentos da Política
Nacional do Meio Ambiente, devido à sua relevância no controle das atividades poluidoras,
degradadoras e nas quais se utilizem recursos naturais.
Resposta. Item errado. A TCFA não é um instrumento arrolado no art.9º, da Lei 6.938/81. O
instrumento é o Cadastro Técnico Federal de Atividades Potencialmente Poluidoras que elenca os
sujeitos passivos da TCFA.
Os instrumentos econômicos como a concessão florestal, servidão ambiental e o seguro ambiental são
instrumentos da PNMA, previstos no art. 9º, da Lei 6.938/81. Esse rol é meramente exemplificativo existindo
outros instrumentos econômicos como a Cota de Reserva Ambiental-CRA, prevista na Lei 12.651/12- Código
Florestal), o Pagamento por Serviços Ambientais -PSA e o ICMS ecológico.
A Concessão Florestal é um instrumento econômico previsto também como instrumento para efetivação
da PNMA no art. 9º, XIII, da Lei 6.938/81. A concessão florestal é regulada pela Lei 11.284/2006 que dispõe
sobre a gestão de florestas públicas para produção sustentável.
Nos termos do art. 3º, VII, da Lei 11.284/2006, a concessão florestal é delegação onerosa, feita pelo poder
concedente, do direito de praticar manejo florestal sustentável para exploração de produtos e serviços
numa unidade de manejo, mediante licitação, à pessoa jurídica, em consórcio ou não, que atenda às
exigências do respectivo edital de licitação e demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e
risco e por prazo determinado.
Diversas são as características da concessão florestal feita pelo Poder Público ao Particular. Dentre elas
podemos destacar:
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O regime jurídico e as demais peculiaridades sobre o tema Concessão Florestal serão objeto de estudo na
Aula 05.
A servidão ambiental é um instrumento econômico previsto no art. 9º, XIII, da Lei 6.938/81, como
instrumento para dar maior concretude a PNMA. A definição de servidão ambiental vem prevista no art. 9º-
A, consistente em limitar o uso de toda a sua propriedade ou de parte dela para preservar, conservar ou
recuperar os recursos ambientais existentes.
A instituição da servidão ambiental pode ser efetivada pelo proprietário ou possuidor de imóvel, pessoa
natural ou jurídica, pode, por instrumento público ou particular ou por termo administrativo firmado
perante órgão integrante do Sisnama. A servidão ambiental foi regrada na Lei 6.938/81 nos art. 9º, 9º-A, 9º-
B e 9º-C, com alterações advindas da Lei nº 12.651/2012 (Código Florestal).
A servidão ambiental para ter validade deve ser lavrado instrumento próprio de caráter particular ou
público, ou mesmo pelo uso de termo administrativo no órgão ambiental competente. Esse termo deve
conter no mínimo o memorial descritivo da área da servidão ambiental, contendo pelo menos um ponto de
amarração georreferenciado; o objeto da servidão ambiental; os direitos e deveres do proprietário ou
possuidor instituidor; o prazo durante o qual a área permanecerá como servidão ambiental, que não pode
ser inferior a 15 anos, devendo ser objeto de averbação na matrícula do imóvel no registro de imóveis
competente.
Até por um critério lógico, não são incluídas na zona da servidão as áreas territoriais já especialmente
protegidas pela legislação como a área de preservação permanente e a área de reserva legal.
Cumpre destacar que a área objeto da servidão ambiental, embora sujeita a restrição de uso definido no
instrumento de sua instituição, pode ter a vegetação explorada com restrições no mínimo iguais as
estabelecidas para a reserva legal.
Hodiernamente a instituição de servidão ambiental tem se tornado um negócio lucrativo19 para muitos
proprietários de terras em zona rural e importante alternativa para outros alcançarem a regularidade do seu
imóvel (que não atingiu a cota de reserva legal), com menor custo e com sustentabilidade. Isso porque a
servidão ambiental pode ser utilizada para a compensação de reserva legal.
A compensação de reserva legal está prevista no §5º, do art. 66, da Lei 12.651/2012 e corresponde a um
sistema de regularização de reserva legal pelo qual o proprietário adquire áreas equivalentes em outro
imóvel rural no mesmo bioma20 e que o imóvel detivesse, em 22 de julho de 2008, área apta para Reserva
19
A servidão pode ser onerosa ou gratuita (art. 9º-B, da Lei 6.938/81).
20
O Supremo Tribunal Federal já decidiu no julgamento da ADI 4901 que a compensação não precisa ser no mesmo
bioma, mas em áreas com a mesma identidade ecológica. Detalhares o julgado na aula 04.
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Legal em extensão inferior ao percentual exigido pela legislação em vigor, existindo diversas formas de
compensação de reserva legal, mas todas deve ser precedida de inscrição da propriedade no Cadastro
Ambiental Rural-CAR, conforme previsto no art. 66, parágrafo 5º, da Lei 12.651/201221, bem como no caso
de servidão ambiental, deve ser averbada na matrícula dos dois imóveis.
Quanto ao tempo de duração da servidão ambiental, ela pode ser perpétua a critério do agente instituidor
devendo ser equiparada a uma Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN para fins creditícios,
tributários e de acesso aos recursos de fundos públicos. Por outro lado, poderá o instituidor definir um tempo
de duração da servidão (temporária), que não poderá ser inferior a 15 anos.
Cumpre ressaltar que o detentor da servidão ambiental poderá aliená-la, cedê-la ou transferi-la, total ou
parcialmente, por prazo determinado ou em caráter definitivo, em favor de outro proprietário ou de
entidade pública ou privada que tenha a conservação ambiental como fim social, devendo o contrato de
alienação, cessão ou transferência da servidão ambiental ser averbado na matrícula do imóvel.
Esse contrato de alienação, cessão ou transferência da servidão ambiental deve ter como elementos
mínimos essenciais: a delimitação da área submetida a preservação, conservação ou recuperação ambiental;
o objeto da servidão ambiental; os direitos e deveres do proprietário instituidor e dos futuros adquirentes
ou sucessores; os direitos e deveres do detentor da servidão ambiental; os benefícios de ordem econômica
do instituidor e do detentor da servidão ambiental; e a previsão legal para garantir o seu cumprimento,
inclusive medidas judiciais necessárias, em caso de ser descumprido.
21
Abordaremos o tema com mais detalhes na Aula 04.
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Compensação Deve ser averbado na matrícula dos dois imóveis /deve ter CAR
Reserva Legal:
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(A)seguro ambiental.
(B)servidão ambiental.
(C)concessão florestal.
(D)zoneamento ambiental.
(E)terceirização de manejo.
Resposta. Item C. A concessão florestal é uma delegação onerosa, feita pelo poder concedente, do
direito de praticar manejo florestal sustentável para exploração de produtos e serviços numa unidade
de manejo, mediante licitação, à pessoa jurídica, em consórcio ou não, que atenda às exigências do
respectivo edital de licitação e demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e
por prazo determinado.
(TRF - 2ª REGIÃO/Juiz Federal/CESPE – 2013) De acordo com a PNMA, assinale a opção correta.
Resposta. Item correto. Nos termos do art. 9º, XIII são instrumentos da PNMA os instrumentos
econômicos, como a concessão florestal, servidão ambiental, seguro ambiental e outros.
(A)a servidão ambiental se aplica também às Áreas de Preservação Permanente e à Reserva Legal
mínima exigida.
(B)durante o prazo de vigência da servidão ambiental é permitido que se faça a alteração da destinação
da área, nos casos de transmissão do imóvel a qualquer título, de desmembramento ou de retificação
dos limites do imóvel.
(D)o detentor da servidão ambiental poderá aliená-la, cedê-la ou transferi-la, total ou parcialmente,
por prazo determinado ou em caráter definitivo, em favor de outro proprietário ou de entidade pública
ou privada que tenha a conservação ambiental como fim social.
Resposta. Item D. O item “A” está incorreto porque nos termos do art. 9º-A. § 2o, a servidão ambiental
não se aplica às Áreas de Preservação Permanente e à Reserva Legal mínima exigida. O item “B” está
incorreto, pois o art. 9º-A. § 6o veda, durante o prazo de vigência da servidão ambiental, a alteração
da destinação da área, nos casos de transmissão do imóvel a qualquer título, de desmembramento ou
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de retificação dos limites do imóvel. O Item “C” está incorreto considerando que o prazo mínimo da
servidão ambiental temporária é de 15 (quinze) anos. O item “D” está correto tendo em vista que, nos
termos do art. 9º, §3º, o detentor da servidão ambiental poderá aliená-la, cedê-la ou transferi-la, total
ou parcialmente, por prazo determinado ou em caráter definitivo, em favor de outro proprietário ou
de entidade pública ou privada que tenha a conservação ambiental como fim social. O item “E” está
incorreto porque a construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabelecimentos e
atividades utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob
qualquer forma, de causar degradação ambiental dependerão de prévio licenciamento ambiental (art.
10, da Lei 6.938/81).
“A servidão ambiental poderá ser instituída em caráter ___________. Quanto à sua área, a servidão
ambiental não se aplica às ____________, sendo dever do detentor da servidão ambiental
____________”.
(B)temporário, com prazo mínimo de (15) anos - Áreas de Preservação Permanente - documentar as
características ambientais da propriedade.
(C)temporário, com prazo de até 6 (seis) meses – Áreas Verdes Urbanas - defender judicialmente a
servidão ambiental.
(D)temporário, com prazo de até 1 (um) ano – Áreas de Mangues - monitorar a propriedade para
verificar se a servidão está sendo mantida.
(E)temporário, com prazo até 5 (cinco) ano - Áreas de Preservação Permanente - permitir a fiscalização
da área pelo detentor da servidão
Resposta. Item B. A servidão ambiental pode ter caráter perpétuo ou temporário, não podendo ser
inferior, neste último caso, a 15 anos não se aplicando às áreas de preservação permanente e de
reserva legal, sendo um dos deveres do detentor da servidão documentar as características ambientais
da propriedade; monitorar periodicamente a propriedade para verificar se a servidão ambiental está
sendo mantida; prestar informações necessárias a quaisquer interessados na aquisição ou aos
sucessores da propriedade; e manter relatórios e arquivos atualizados com as atividades da área objeto
da servidão e defender judicialmente a servidão ambiental.
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Resposta. Item B. A servidão ambiental pode ser alienada, cedida ou transferida seja em sua totalidade
ou não. O item “A” está incorreto porque não se aplica à área de preservação permanente ou de
reserva legal. O item “C” está incorreto, pois poderá ser temporária ou perpétua. O item “D” está
incorreto considerando que não abarca a reserva legal. O item “E” está incorreto tendo em vista que a
inscrição na matrícula do imóvel é obrigatória.
(B)é determinada pelo órgão de proteção ambiental federal ou estadual, sempre em caráter não
oneroso.
(C)poderá ser onerosa ou gratuita e, quanto à duração, perpétua ou temporária, porém nunca com
duração inferior a 15 anos.
(D)pode recair sobre reserva legal ou unidade de conservação, viabilizando um grau razoável de
aproveitamento econômico.
(E)é sempre instituída por lei, ensejando a perda do potencial de exploração econômica da área e
gerando direito à indenização correspondente.
Resposta. Item C. A servidão ambiental é instrumento da PNMA que pode ser onerosa ou gratuita,
sendo também, quanto ao tempo de duração, perpétua ou temporária com marco temporal não
inferior a 15 anos. Não pode incidir sobre reserva legal ou área de preservação permanente.
6.14.3-Seguro Ambiental
O seguro ambiental é um instrumento econômico previsto no art.9º, XIII, da Lei 6.938/81, como instrumento
da PNMA sendo uma espécie de contrato de seguro cuja apólice cobre as obrigações resultantes dos danos
acarretados ao meio ambiente pelo contratante. Nesse sentido, o seguro ambiental tem por objetivo
assegurar a disponibilidade de recursos necessários à reparação do dano eventualmente causado pelo
segurado.
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Sua regulamentação é feita pelas normas para os contratos de seguro em geral previsto no art. 757 e
seguintes do Código Civil que fixa a responsabilidade do segurador que se obriga, mediante o pagamento do
prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos
predeterminados.
ZONEAMENTO AMBIENTAL
Existem várias modalidades de zoneamento em função do uso do espaço, dentre elas, a título de exemplo,
podemos citar o zoneamento industrial, zoneamento agrícola e o zoneamento ambiental, também
denominado de zoneamento ecológico-econômico- ZEE.
O zoneamento ambiental é uma espécie de zoneamento que tem como objeto principal a preservação,
recuperação e uso dos recursos naturais, melhor dizendo, é um instrumento de planejamento ambiental que
previamente se define a quantidade e os tipos de recursos naturais disponíveis em uma área para se permitir
ou não a sua exploração. Nesse sentido, o zoneamento ambiental é uma limitação ao direito de
propriedade, considerando que imporá limitações ao seu uso.
O zoneamento ambiental tem seu fundamento legal no art. 9º, II, da Lei 6.938/81, que o previu
expressamente como instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente. Ao seu turno, a Lei
Complementar 140/2011, que disciplinou a cooperação entre os entes federativos nas ações administrativas
decorrentes do exercício da competência comum relativas à proteção do meio ambiente, determinou que
cabe a União o desenvolvimento de ações administrativas para elaborar o zoneamento ambiental de âmbito
nacional e regional (art. 7º, IX, da LC 140/2011). Aos Estados cabem elaborar o zoneamento ambiental de
âmbito estadual, em conformidade com os zoneamentos de âmbito nacional e regional (art. 8º, IX, da LC
140/2011). Aos Municípios cabem elaborar o Plano Diretor22, observando os zoneamentos ambientais (art.
9º, IX, da LC 140/2011).
22
Os Municípios, embora não previsto expressamente na LC 140/2011, tem competência comum para
elaborar seu zoneamento ambiental, haja vista tratar-se de competência administrativa comum dos
entes na defesa do meio ambiente. Exige-se apenas compatibilidade hierárquica entre os zoneamentos.
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Zoneamento ambiental é instrumento da política nacional do meio ambiente, definido pela Lei
6.938/1981, regulamentado pelo Decreto 4297/2002, que estabelece medidas e padrões de proteção
ambiental destinados a assegurar a qualidade ambiental, dos recursos hídricos e do solo e a
conservação da biodiversidade, como instrumento de organização do território a ser obrigatoriamente
seguido na implantação de planos, obras e atividades públicas e privadas, visando garantir o
desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida da população.
Resposta. Item correto. Nos termos do art. 2o, o zoneamento ecológico econômico é instrumento de
organização do território a ser obrigatoriamente seguido na implantação de planos, obras e atividades
públicas e privadas, estabelece medidas e padrões de proteção ambiental destinados a assegurar a
qualidade ambiental, dos recursos hídricos e do solo e a conservação da biodiversidade, garantindo o
desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida da população.
(TJ-CE /Juiz Substituto/FCC – 2014) Uma mineradora pretende exercer sua atividade em determinado
local da zona rural do Município Gama. Pela lei de zoneamento deste Município, tal atividade é
permitida no local. Contudo, pelo Zoneamento Ecológico-Econômico do Estado no qual o Município
Gama está inserido, a atividade minerária é vedada no local pretendido. Neste caso, a mineradora
(B)não poderá exercer sua atividade até que o Zoneamento Ecológico-Econômico seja declarado
inconstitucional por afrontar o zoneamento municipal.
(C)poderá exercer sua atividade, diante da competência constitucional do Município para regrar a
ocupação de seu território.
(D)não poderá exercer sua atividade, diante da vedação imposta pelo Zoneamento Ecológico-
Econômico, que é mais restritivo do que o zoneamento municipal.
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O art. 2º do Decreto 4.297/2002 prevê o conceito de ZEE definindo como um instrumento de organização
do território a ser obrigatoriamente seguido na implantação de planos, obras e atividades públicas e
privadas, estabelece medidas e padrões de proteção ambiental destinados a assegurar a qualidade
ambiental, dos recursos hídricos e do solo e a conservação da biodiversidade, garantindo o
desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida da população.
O Decreto 4.297/2002 fixa os critérios mínimos para elaboração do ZEE do Brasil e cria as bases para a
formulação dos zoneamentos ambientais dos Estados/DF e Municípios definindo os objetivos específicos e
gerais, bem como os princípios que norteiam o processo de elaboração e implementação do ZEE.
O objetivo geral do ZEE é organizar as decisões dos agentes públicos e privados, de forma vinculada, quanto
a planos, programas, projetos e atividades que, direta ou indiretamente, utilizem recursos naturais,
assegurando a plena manutenção do capital e dos serviços ambientais dos ecossistemas.
Na elaboração do ZEE, deve a Administração Pública observar a distribuição espacial das atividades
econômicas levando-se em conta a importância ecológica, as limitações e as fragilidades dos ecossistemas,
23
Ministério do Meio Ambiente. Zoneamento Ecológico-Econômico. Disponível em:
https://www.mma.gov.br/gestao-territorial/zoneamento-territorial.html. Acesso em 27/10/2019.
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É notório que um dos pontos norteadores para elaboração do ZEE é a busca pelo equilíbrio entre a
preservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico do País, isto é, permitir o desenvolvimento de
atividades econômicas com o uso racional dos recursos naturais. Nesse sentido, previu o regulamento federal
que o processo de elaboração e implementação do ZEE buscará a sustentabilidade ecológica, econômica e
social, com vistas a compatibilizar o crescimento econômico e a proteção dos recursos naturais, em favor
das presentes e futuras gerações, em decorrência do reconhecimento de valor intrínseco à biodiversidade e
a seus componentes e contará com ampla participação democrática, compartilhando suas ações e
responsabilidades entre os diferentes níveis da administração pública e da sociedade civil, bem como
valorizará o conhecimento científico multidisciplinar.
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importância ecológica
Levará em conta:
limitações e Fragilidades dos ecossistemas
Distribuição Espacial
das atividades Estabelecerá : vedações, restrições e alternativas de exploração territórial
econômicas do ZEE
ZONEAMENTO
Prevenção usuário-pagador
Princípios
Norteadores
Precaução participação informada
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II. O ZEE tem por objetivo geral organizar, de forma vinculada, as decisões dos agentes públicos e
privados quanto a planos, programas, projetos e atividades que, direta ou indiretamente, utilizem
recursos naturais, assegurando a plena manutenção do capital e dos serviços ambientais dos
ecossistemas.
São verdadeiras
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(B)é um conjunto de normas para uso e ocupação do solo elaborado pelo Ministério do Meio Ambiente
para garantir o desenvolvimento da região amazônica.
(D)é um instrumento técnico utilizado pelos municípios no âmbito do planejamento do uso e ocupação
do solo urbano.
(E)é um instrumento da Política Nacional de Meio Ambiente com caráter estratégico, que estabelece
diretrizes de gestão territorial para alcance do desenvolvimento sustentável de uma região.
(A)a tomada de decisões nos diferentes níveis hierárquicos do aparelho governamental e das empresas
privadas, com vistas a viabilizar a gestão ambiental de alguns dos estados brasileiros.
(B)exclusivamente a tomada de decisões nos diferentes níveis hierárquicos das empresas privadas,
com vistas a viabilizar o desenvolvimento econômico do território brasileiro.
(C)a tomada de decisões nos diferentes níveis hierárquicos do aparelho governamental, com vistas a
viabilizar o desenvolvimento social do território brasileiro.
(D)a tomada de decisões nos diferentes níveis hierárquicos do aparelho governamental, com vistas a
viabilizar o desenvolvimento urbano do território brasileiro.
(E)a tomada de decisões nos diferentes níveis hierárquicos do aparelho governamental, com vistas a
viabilizar o desenvolvimento sustentável e harmônico do território brasileiro.
Resposta. Item E. É objetivo geral do ZEE organizar as decisões dos agentes públicos e privados, de
forma vinculada, quanto a planos, programas, projetos e atividades que, direta ou indiretamente,
utilizem recursos naturais, assegurando a plena manutenção do capital e dos serviços ambientais dos
ecossistemas.
O Zoneamento Ecológico-Econômico Nacional e Regional deve ser elaborado e executado pelo Poder
Público Federal (União) sempre que tiver por objeto biomas brasileiros ou territórios abrangidos por planos
e projetos prioritários estabelecidos pelo Governo Federal, como o exemplo do ZEE para a Amazônia Legal
feito pela União. Isso não impede que os Estados/DF possam colaborar com a construção do instrumento de
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planejamento. Nessa linha, a União poderá, mediante celebração de termo apropriado, elaborar e executar
o ZEE em articulação e cooperação com os Estados, cumpridos os requisitos previstos no Decreto.
Para elaboração desse ZEE nacional cabe ao Poder Público Federal recepcionar e sistematizar informações
ambientais produzidas por ele e pelos demais entes federativos, tendo em vista a importância de harmonizar
as ações governamentais para o desenvolvimento sustentável do país. Nesse sentido, a União deverá reunir
e sistematizar as informações geradas, inclusive pelos Estados e Municípios, bem como disponibilizá-las
publicamente, devendo também reunir e compatibilizar as informações em um único banco de dados em
todas as escalas cartográficas.
Essas informações geradas pelos Estados e Municípios devem obedecer a certos parâmetros para serem
validadas pelo Poder Público Federal. Um dos critérios utilizados pelo Decreto é a forma de apresentação
dos dados em escalas cartográficas específicas. Definiu a norma, em seu art. 6º-A, que o ZEE para fins de
reconhecimento pelo Poder Público Federal deve gerar produtos e informações em escalas específicas. Isso
porque o ZEE desempenhará funções diversas de acordo com a escala fixada para região ou localidade.
Para fins de curiosidade e melhor entendimento das escalas apresentadas no Decreto, informamos que em
uma escala numérica, quanto maior for o seu denominador (o número que vem depois dos dois pontos),
menor será a escala. Por outro lado, quanto menor for uma escala, menor será o nível de detalhamento.
Assim, o nível de detalhamento de uma área será maior à medida que maior for sua escala. Tomemos como
exemplo duas escalas apresentadas no Decreto Escala A = 1: 1.000.000 (um para um milhão) e Escala B = 1:
100.000 (1 para cem mil). A Escala “A” é menor, resultando em menor nível de detalhamento. Ao seu turno,
a escala “B” é maior, fato que aumenta o grau de detalhamento da área referenciada. Normalmente, essas
escalas maiores devem ser utilizadas nos ZEE locais, tendo o nacional e os de macrorregiões escalas menores,
com menor nível de detalhamento.
Esquematizamos abaixo para melhor entendimento as escalas obrigatórias de apresentação do ZEE para fins
de reconhecimento pelo Poder Público Federal:
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No caso do ZEE nacional, o Decreto exige também que a escala de apresentação seja de 1: 5.000.000,
diferentemente das escalas do gráfico que são denominadas de escalas de referência. No nível local, se exige
uma escala maior, com o objetivo de maior detalhamento das áreas a serem zoneadas para servirem de
indicativos operacionais de gestão e ordenamento territorial na confecção do plano diretor municipal e dos
planos ambientais e territoriais locais, bem como do uso das áreas de preservação permanente.
Essas escalas definem as funções diversas que o ZEE pode desempenhar. Quanto menor a escala, temos
menor grau de detalhamento (caso da escala de 1: 1.000.000) servindo como indicativos estratégicos de uso
do território e definição de prioridades em planejamento territorial e gestão de ecossistemas. Nas escalas
maiores de 1: 250.000 serve como indicativo de gestão e ordenamento territorial estadual ou regional. Nas
escalas de 1: 100.000 e maiores o ZEE serve como indicativos operacionais de gestão e ordenamento
territorial fundamentando a elaboração do Plano Diretor municipal e do uso das áreas de preservação
permanente
(A)1:1.000.000
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(B)1:250.000
(C)1:100.000
(D)1:25.000
(E)1:10.000
(A)1:5.000.000 a 1:1.000.000.
(B)1:250.000 a 1:100.000.
(C)1:1.000.000 a 1:250.000.
(D)1:100.000 a 1:50.000.
(E)1:50.000 a 1:10.000.
Resposta. Item C. A escala para os Estados e regiões (abarcam parte do Estado ou mais de um Estado)
são apresentadas em intervalos diferentes a depender da Macrorregião do Brasil. Para a Região Norte,
Nordeste e Centro-Oeste, temos a escala variando entre 1:1.000.000 e 1: 250.000. Para as
Macrorregiões do Sudeste, Sul e Zona Costeira temos a variação entre 1: 250.000 e 1:
100.000.
Para que o Zoneamento Ecológico-Econômico estaduais, regionais e locais seja reconhecido pela União, por
intermédio da Comissão Coordenadora do ZEE, para fins de uniformização e compatibilização com as
políticas públicas federais, deve o ZEE ser referendado pela Comissão Estadual do ZEE, devendo ser
aprovado pela Assembleia Legislativa do respectivo Estado. No caso de ZEE regionais e locais, deve ficar
caracterizado também a compatibilidade com o ZEE estadual.
A Comissão Coordenadora do ZEE do Território Nacional (CCZEE) é instância política superior do Programa
ZEE Brasil sendo responsável por planejar, coordenar, acompanhar e avaliar a execução dos diversos
processos de zoneamento ecológico-econômico (ZEE) de âmbito federal, bem como apoiar os diversos
estados da federação na execução dos seus respectivos processos de zoneamento do território,
compatibilizando-os com aqueles executados pelo Governo Federal. A CCZEE foi disciplinada pelo Decreto
de 28 de dezembro de 2001, tendo como outras atribuições estabelecer as linhas estratégicas do Governo
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Federal quanto às decisões visando a elaboração do ZEE nacional e regionais, quando tiver por objeto biomas
brasileiros ou territórios abrangidos por planos e projetos prioritários estabelecidos pelo Governo Federal.
O Decreto 4.297/2002 atribui à União a elaboração do ZEE da Amazônia Legal tendo como referência o Mapa
Integrado dos ZEE dos Estados e a participação de Estados e Municípios, bem como das Comissões Estaduais
do ZEE e de representantes da sociedade. Cabe a CCZEE a coordenação dessa atividade.
Para elaboração e implementação do ZEE, o Decreto, nos arts. 7º ao 10, fixa os pressupostos necessários à
consecução dessa finalidade. Exige que o ZEE atenda a pressupostos de ordem técnica, institucional e
financeira. Os financeiros são regidos pela legislação pertinente. Dentre os pressupostos técnicos, os
executores de ZEE deverão apresentar:
Os pressupostos institucionais estão previstos no art. 9o cabendo aos executores de ZEE apresentar:
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Entre os pressupostos institucionais que devem ser apresentados pelos executores do ZEE
incluem-se a base de informações compartilhadas entre os diversos órgãos da administração pública e
o compromisso de encaminhamento periódico dos resultados e dos produtos gerados à comissão
coordenadora do ZEE.
Resposta. Item certo. Nos termos do art. 9º, II, III e IV, são pressupostos institucionais que devem ser
apresentados pelos órgãos executores do ZEE.
As zonas são as unidades básicas territoriais do ZEE, devendo o território ser dividido em zonas de acordo
com as necessidades de proteção, conservação e recuperação dos recursos naturais e do desenvolvimento
sustentável. A instituição dessas zonas tem como princípios norteadores a utilidade e a simplicidade de
modo a facilitar a implementação de seus limites pelo Poder Público, bem como sua compreensão pelos
cidadãos.
Orientado pelos princípios da utilidade e da simplicidade, o ZEE deve permitir a divisão do território
em zonas que, individualmente, devem conter, no mínimo, cinco faixas de geoprocessamento,
definidas por meio de diagnóstico ambiental multidisciplinar.
Resposta. Item errado. O ZEE dividirá o território em zonas, de acordo com as necessidades de
proteção, conservação e recuperação dos recursos naturais e do desenvolvimento sustentável. Essa
instituição de zonas orientar-se-á pelos princípios da utilidade e da simplicidade, de modo a facilitar a
implementação de seus limites e restrições pelo Poder Público, bem como sua compreensão pelos
cidadãos. Não há previsão no Decreto 4.297/2002 dessas cinco faixas de geoprocessamento.
Existem requisitos mínimos para a definição de cada uma das zonas como a necessidade de elaboração do
diagnóstico dos recursos naturais, da socioeconomia e do marco jurídico-institucional; informações
constantes do Sistema de Informações Geográficas; os cenários tendenciais e alternativos e as Diretrizes
Gerais e Específicas.
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▪ atividades adequadas a cada zona, de acordo com sua fragilidade ecológica, capacidade de suporte
ambiental e potencialidades;
▪ necessidades de proteção ambiental e conservação das águas, do solo, do subsolo, da fauna e flora e
demais recursos naturais renováveis e não-renováveis;
▪ definição de áreas para unidades de conservação, de proteção integral e de uso sustentável;
▪ critérios para orientar as atividades madeireira e não-madeireira, agrícola, pecuária, pesqueira e de
piscicultura, de urbanização, de industrialização, de mineração e de outras opções de uso dos
recursos ambientais;
▪ medidas destinadas a promover, de forma ordenada e integrada, o desenvolvimento ecológico e
economicamente sustentável do setor rural, com o objetivo de melhorar a convivência entre a
população e os recursos ambientais, inclusive com a previsão de diretrizes para implantação de
infraestrutura de fomento às atividades econômicas;
▪ medidas de controle e de ajustamento de planos de zoneamento de atividades econômicas e sociais
resultantes da iniciativa dos municípios, visando a compatibilizar, no interesse da proteção ambiental,
usos conflitantes em espaços municipais contíguos e a integrar iniciativas regionais amplas e não
restritas às cidades; e
▪ planos, programas e projetos dos governos federal, estadual e municipal, bem como suas
respectivas fontes de recursos com vistas a viabilizar as atividades apontadas como adequadas a
cada zona.
As alterações dos produtos do ZEE, bem como mudanças nos limites das zonas e indicação de novas diretrizes
gerais e específicas, só poderão ser realizadas após decorridos prazo mínimo de dez anos de conclusão do
ZEE, ou de sua última modificação, prazo este não exigível na hipótese de ampliação do rigor da proteção
ambiental da zona a ser alterada, ou de atualizações decorrentes de aprimoramento técnico-científico. As
alterações somente poderão ocorrer após consulta pública e aprovação pela comissão estadual do ZEE e pela
Comissão Coordenadora do ZEE, mediante processo legislativo de iniciativa do Poder Executivo. A alteração
do ZEE não poderá reduzir o percentual da reserva legal definido em legislação específica, nem as áreas
protegidas, com unidades de conservação ou não.
Cumpre lembrar, por fim, que o novo Código Florestal (lei federal nº 12.651/2012) estabeleceu um prazo
de cinco anos (art. 13, §2º) para que todos os Estados elaborassem e aprovassem seus ZEE, segundo
metodologia unificada estabelecida em norma federal, fato que se exauriu em 2017.
(A) A elaboração do ZEE poderá reduzir o percentual da reserva legal definido em legislação específica,
considerando sua importância e abrangência.
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(C)As Diretrizes Gerais e Específicas deverão conter as atividades adequadas a cada zona, de acordo
com sua fragilidade ecológica, capacidade de suporte ambiental e potencialidades.
(E)O diagnóstico dos recursos naturais deverá conter a Fragilidade Natural Potencial, definida por
indicadores de perda da biodiversidade, vulnerabilidade natural à perda de solo, quantidade e
qualidade dos recursos hídricos superficiais e subterrâneos.
Resposta. Item A. Está incorreto porque a elaboração ou revisão do ZEE não pode reduzir áreas
protegidas por legislação específica (área de reserva legal, unidade de conservação), podendo apenas
aumentar a restrição da zona objeto da modificação. Os demais itens atendem ao previsto no Decreto
4.297/2002.
Resposta. Item certo. O território deve ser divido em zonas na elaboração do ZEE, devendo na
definição de cada zona ser levado em conta, no mínimo, o diagnóstico dos recursos naturais, da
socioeconomia e do marco jurídico-institucional, bem como informações constantes do SIG e os
cenários alternativos e tendenciais, nos termos do art. 12, do Decreto 4.297/2002.
O Decreto-Lei nº 1.413/1975, ainda no momento da busca pela efetivação das diretrizes veiculadas na
Conferência de Estocolmo-1972, dispôs sobre o controle da poluição do meio ambiente provocada por
atividades industriais, determinando que as indústrias instaladas ou a se instalarem em território nacional
são obrigadas a promover as medidas necessárias a prevenir ou corrigir os inconvenientes e prejuízos da
poluição e da contaminação do meio ambiente.
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A referida norma previu que nas áreas críticas, serão adotados esquemas de zoneamento urbano,
objetivando, inclusive, para as situações existentes, viabilizar alternativa adequada de nova localização, nos
casos mais graves, assim como, em geral, estabelecer prazos razoáveis para a instalação dos equipamentos
de controle da poluição.
Regulamento esse zoneamento, a Lei 6.803/80 fixou as diretrizes básicas para o zoneamento industrial nas
áreas críticas de poluição descritas no Decreto-Lei nº 1.413/1975.
Prescreve o art. 1º, da Lei 6.803/80, que as zonas destinadas à instalação de indústrias, nas áreas críticas de
poluição, serão definidas em esquema de zoneamento urbano, aprovado por lei, que compatibilize as
atividades industriais com a proteção ambiental, sendo as zonas classificadas em três categorias: (1) zonas
de uso estritamente industrial, (2) zonas de uso predominantemente industrial e (3) zonas de uso
diversificado. Cumpre destacar que a norma permite que sejam criadas subcategorias de classificação pelo
ente instituidor do zoneamento, desde que observadas as peculiaridades das áreas críticas a que pertençam
e a natureza das indústrias nelas instaladas.
Para as indústrias já existes ao tempo da elaboração do zoneamento urbano, a Lei foi bem rigorosa para a
época ao estatui que o não enquadramento na classificação fixada no zoneamento implicaria o ônus de
instalação de equipamentos especiais de controle e, nos casos mais graves, à relocalização do
empreendimento.
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predominantemente industrial disponha, em seu interior, de áreas de proteção ambiental que minimizem
os efeitos da poluição, em relação a outros usos.
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Disporem de áreas de
proteção ambiental que
As atividades industriais são minimizem os efeitos da
complementares não poluição, em relação a
ocasionando inconvenientes outros usos.
à saúde, ao bem-estar e à
segurança das populações
DIVERSIFICADO vizinhas O processo produtivo deve
ser complementar às
atividades do meio urbano
ou rural que se situem, e
Características
com elas se compatibilizem,
independentemente do uso
de métodos especiais de
controle da poluição
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Assinale:
Resposta. Item B. O Item “I” está correto porque as zonas de uso industrial podem surgir de maneira
espontânea ou de forma induzida pelo Poder Público. As induzidas são resultantes de uma política
pública efetivada pelo Poder Público. O Item “II” está incorreto porque o conceito fornecido
refere-se a uma zona de uso estritamente industrial. O item “III” está incorreto considerando que o
conceito se refere a uma zona de uso predominantemente industrial.
(A)disporem, em seu interior, de áreas de proteção ambiental que minimizem os efeitos da poluição,
em relação a outros usos como as populações circunvizinhas.
(B)situarem-se em áreas que possam ter pouca capacidade de assimilação de efluentes e proteção
ambiental e sem restrições legais a uso do solo.
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(E)serem instaladas próximas às fontes de matérias-primas para uso industrial e longe de estradas e
outras grandes vias de transporte para não prejudicar o trânsito.
Resposta. Item D. Nos termos do § 1º, do art. 2º, da Lei 6.803/80, as zonas de uso estritamente
industrial deverão manter, em seu contorno, anéis verdes de isolamento capazes de proteger as zonas
circunvizinhas contra possíveis efeitos residuais e acidentes.
Outra classificação utilizada pela Lei 6.803/80 é quanto ao grau de saturação das zonas. As zonas industriais,
independentemente da categoria, são classificadas em não saturadas, em vias de saturação e saturadas.
Esse grau de saturação utiliza como critérios para sua aferição e estabelecimento de valores (1) a área
disponível para uso industrial da infraestrutura, bem como dos (2) padrões e normas ambientais fixadas
pelo Ibama e pelo Estado e Município, no limite das respectivas competências. Quanto maior o nível de
saturação da zona mais diferenciadas serão as normas (mais rígidas) em relação ao controle da poluição e
aquelas atinentes ao licenciamento da atividade industrial.
As zonas não saturadas são consideradas o padrão de referência para a aferição do grau de saturação que
utilizam padrões ambientais como base. Nesse sentido, os critérios baseados em padrões ambientais serão
estabelecidos tendo em vista as zonas não saturadas, tornando-se mais restritivos, gradativamente, para
as zonas em via de saturação e saturadas. Por outro lado, os critérios baseados em área disponível e
infraestrutura existente, para aferição de grau de saturação em zonas de uso predominantemente industrial
e de uso diversificado, serão fixados pelo Governo do Estado, sem prejuízo da legislação municipal aplicável.
3.4 - Competência para licenciamento e classificação de zonas nas áreas críticas de poluição
É competência, como regra, dos Órgãos Estaduais de controle da poluição o licenciamento para
implantação, operação e ampliação de estabelecimentos industriais, nas áreas críticas de poluição, devendo
a atividade atender às normas e padrões ambientais definidos pelo IBAMA, pelos organismos estaduais e
municipais competentes.
Caberá ainda aos Governos Estaduais aprovar a delimitação, a classificação e a implantação de zonas de
uso estritamente industrial e predominantemente industrial, bem como definir os tipos de
estabelecimentos que poderão ser implantados em cada uma das categorias de zonas industriais com base
na Lei 6.803/80 e nas normas baixadas pelo IBAMA.
Cabe ainda aos Estados instalar e manter, nas zonas uso estritamente industrial e predominantemente
industrial, serviços permanentes de segurança e prevenção de acidentes danosos ao meio ambiente, bem
como fiscalizar o cumprimento dos padrões e normas de proteção ambiental.
Os Estados também têm a incumbência de administrar as zonas industriais de sua responsabilidade direta
ou quando esta responsabilidade decorrer de convênios com a União. Isso porque no caso de zonas de uso
estritamente industriais que se destinem à localização de polos petroquímicos, cloroquímicos,
carboquímicos, bem como a instalações nucleares e outras definidas em lei, caberá exclusivamente à União
a aprovação, autorização e delimitação dessas zonas, ouvidos os Estados e Municípios interessados. A
aprovação dessas zonas será precedida de estudos especiais de alternativas e de avaliações de impacto, que
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permitam estabelecer a confiabilidade da solução a ser adotada, além dos estudos normalmente exigíveis
para o estabelecimento de zoneamento urbano.
(A) zona de uso estritamente industrial aprovada e delimitada pelo governo do estado de Santa
Catarina.
(B)zona de uso predominantemente industrial aprovada e delimitada pelo governo do estado de Santa
Catarina.
(C)zona de uso diversificado aprovada e delimitada pelo governo do estado de Santa Catarina.
(D)zona de uso ambiental-industrial aprovada e delimitada pela União e pelo município interessado.
(E)zona de uso estritamente industrial aprovada e delimitada pela União, ouvidos os governos
interessados, tanto do estado de Santa Catarina quanto do município.
Resposta. Item E. A indústria deve ser instalada em zona de uso estritamente industrial em face dos
perigos à saúde, ao bem-estar e à segurança da população local, ainda que sejam adotados todos os
métodos adequados de controle e tratamento de efluentes. Cabe à União a delimitação dessas zonas
em caso de indústrias cloroquímicas ouvidos os entes envolvidos (Estado e Municípios).
(A)é realizado pelos Estados, responsáveis pela ordenação do uso do solo urbano, que estabelecem as
zonas de uso.
(B)deve ser realizado exclusivamente pelos Municípios, por meio da Lei do Plano Diretor, que é
responsável pela demarcação das zonas industriais.
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(C)compete exclusivamente à União, que deve criar as áreas de proteção ambiental e parques
nacionais.
(E)é realizado pelos Estados, que devem estabelecer as zonas críticas de poluição que compatibilizem
as atividades industriais com a proteção ambiental.
Resposta. Item E. O item “A” está incorreto porque, em tese, a ordenação do uso do solo urbano é
atribuição dos Municípios, nos termos do art. 30, VIII da CF/88 (promover, no que couber, adequado
ordenamento territorial, mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e da ocupação
do solo urbano). O item “B” está incorreto tendo em vista que a elaboração do zoneamento ambiental
é competência material comum de todos os entes federativos nos termos da lei complementar nº
140/2011. O item “C” está incorreto considerando que a criação de espaços territoriais especialmente
protegidos é atribuição de todos os entes federativos, nos termos do art. 225, § 1º, III, da CF/88. O
item “D” está incorreto, pois a criação de unidades de conservação tem como pressuposto justamente
o zoneamento ambiental que indica as áreas que devem ser protegidas e conservadas pelo poder
público. O item “E” está correto (embora de péssima redação), pois o zoneamento das áreas críticas
de poluição cabe aos Estados, ficando reservada a União casos específicos de instalações industriais,
como de substâncias carboquímicas
Segundo Omar Yazbek Bitar24 a Avaliação de Impacto Ambiental- AIA é um instrumento de gerenciamento
ambiental preventivo, como o monitoramento ambiental e a auditoria ambiental, consistente em uma série
de procedimentos legais, institucionais e técnicos-científicos com o objetivo de caracterizar e identificar
impactos potenciais na instalação futura de um empreendimento prevendo a magnitude e a importância
desses impactos. A AIA deve ser exigida em qualquer empreendimento que possam acarretar danos ou
impactos ambientais futuros, devendo ser sempre prévio à instalação e ao funcionamento da atividade/obra.
24
Bitar, Omar Yazbek. Meio Ambiente e Geologia. Editora Senac: São Paulo, 2004 p.145
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A Avaliação de Impacto Ambiental é gênero dos quais são espécies diversos estudos ambientais como o
Estudo de Impacto Ambiental – EPIA e o Plano de Recuperação de área Degradada- PRAD. Corroborando
esse entendimento, a Resolução Conama 237/1997 define os estudos ambientais como todos e quaisquer
estudos relativos aos aspectos ambientais relacionados à localização, instalação, operação e ampliação de
uma atividade ou empreendimento, apresentado como subsídio para a análise da licença requerida, tais
como: relatório ambiental, plano e projeto de controle ambiental, relatório ambiental preliminar,
diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação de área degradada e análise preliminar de
risco.
Desses estudos ambientais, talvez o que tenha mais relevo para análise e incidência nos concursos, até por
apresentar base constitucional, é o Estudo Prévio de Impacto Ambiental – EPIA e o seu Relatório de Impacto
Ambiental – RIMA. A Constituição Federal, em seu art. 225, §1º, IV, exige para instalação de obra ou
atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de
impacto ambiental, devendo o órgão licenciador dar a devida publicidade ao instrumento preventivo.
Assim, qualquer empreendimento que desenvolva uma atividade efetiva ou potencialmente poluidoras do
meio ambiente é obrigada a apresentar estudos ambientais, cabendo ao órgão ambiental competente
definir os tipos de estudos que devem ser apresentados. Mas, sendo de significativo impacto aos bens
ambientais, deverá o empreendedor apresentar o EPIA e seu RIMA, além de outros estudos
complementares, a critério do órgão ambiental responsável pelo licenciamento.
O texto constitucional exige o EPIA como condição para a instalação de obra ou atividade potencialmente
causadora de significativa degradação do meio ambiente. Atente para a leitura do texto da CF/88. Só se exige
tal estudo para atividades causadoras de impactos ambientais significativos (conceito jurídico
indeterminado). Assim, não havendo impactos ambientais significativos reconhecido pelo órgão ambiental
competente, não se aplica a norma constitucional de exigência do EPIA, mas não autoriza, por si só, a
dispensa de realização de outra avaliação de impacto ambiental, como por exemplo, a elaboração do
Relatório Ambiental Preliminar.
Nessa quadra, podemos concluir que a exigência de elaboração de EPIA pelo empreendedor pressupõe
impactos significativos e não apenas potencialmente degradantes ao meio ambiente.
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O Supremo Tribunal Federal tem decidido pela inconstitucionalidade de legislações estaduais que tentam
flexibilizar a norma contida no inciso IV, do § 1º do art. 225, da CF/88, dispensado o licenciamento ambiental
e o consequente EPIA para atividades de significativos impactos ambientais. Vejamos como exemplo recente
parte do julgamento da ADI 5.312/TO, de relatoria do Ministro Alexandre de Moraes25:
O EPIA é um estudo de natureza prévia que antecede o empreendimento e é requisito essencial para o
procedimento de licenciamento ambiental, não podendo ser feito a posteriori para legitimar a atividade em
desenvolvimento. Ademais disso, o EPIA é um estudo de natureza complexa exigindo equipe
multidisciplinar para sua elaboração ficando a cargo do interessado os custos decorrentes desse estudo.
Outra característica do EPIA é seu caráter público conforme previsto na CF/88. Exige-se que ao EPIA seja
dado publicidade em ordem a informar a todos sobre a obra ou atividade que será executada, possibilitando
o poder de reação da coletividade titular do bem jurídico que se pretende proteger com o estudo (não pode
tramitar no órgão ambiental sob sigilo). Mas para a efetividade dessa determinação constitucional, há
necessidade de que a publicidade ocorra com a possiblidade de informar a sociedade de forma qualificada,
inteligível e em linguagem simples, em face da complexidade técnica que reveste o EPIA. Nesse sentido, o
EPIA deve ser acompanhado de um Relatório de Impacto Ambiental- RIMA documento que contém os
objetivos e as justificativas do projeto, com a descrição dos possíveis impactos ambientais e das soluções
mitigadoras, bem como as conclusões do EPIA sobre a viabilidade ou não do empreendimento.
Outro ponto que reforça o caráter público do EPIA-RIMA é a possibilidade de que o órgão licenciador, dentro
de um juízo de conveniência e oportunidade, realize audiência pública para que a comunidade tenha ciência
e participe efetivamente da elaboração dos referidos estudos. De acordo com a Resolução CONAMA
25
ADI 5312, Relator Min. Alexandre de Moraes, DJe, 11-02-2019.
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09/1987, a audiência é obrigatória quando requerida pelo Ministério Público (Estadual ou Federal), por
entidades civis ou mesmo por no mínimo cinquenta cidadãos, podendo inclusive ser realizada mais de uma
audiência para um mesmo licenciamento. A audiência pública, que deve ocorrer em local acessível aos
interessados, tem por finalidade expor aos interessados o conteúdo do produto em análise e do seu referido
RIMA, dirimindo dúvidas e recolhendo dos presentes as críticas e sugestões a respeito.
O órgão ambiental competente, a partir da data do recebimento do RIMA, fixará em edital e anunciará pela
imprensa local a abertura do prazo que será no mínimo de 45 dias para solicitação de audiência pública. No
caso de haver solicitação de audiência pública e na hipótese do Órgão Estadual não a realizar, a licença
concedida não terá validade.
Em função da localização geográfica dos solicitantes, e da complexidade do tema, poderá haver mais de uma
audiência pública sobre o mesmo projeto de respectivo Relatório de Impacto Ambiental - RIMA.
Cumpre destacar que as conclusões levantadas no EPIA-RIMA não vinculam a administração ambiental no
sentido de aceitar as indicações dos estudos.
Na verdade, cabe à Administração, de forma fundamentada (com análise técnica específica), decidir pela
viabilidade ou não do empreendimento. Tome cuidado nas questões de concurso, notadamente de cunho
subjetivo, posto que há certa divergência na doutrina quanto à vinculação ou não do órgão ambiental
quanto às conclusos ventiladas no EIPA-RIMA.
26
Sirvinskas, Luís Paulo. Manual de Direito Ambiental.17 ed. São Paulo: Saraiva, 2019, p.170.
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-É espécie do gênero
Avaliação de Impacto
Ambiental -AIA
-Deve ser público. Vedado o
sigilo.
-Aplica-se às obras e
atividades de impactos
ambientais significativos
-Aplica-se a empreendimentos
Públicos ou Privados.
Prévia
(A)Trata-se de estudo a ser exigido como condição prévia à operação de qualquer atividade
potencialmente causadora de dano ambiental.
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(B)Trata-se de estudo inspirado pelos princípios da precaução e da prevenção, cujo resultado vincula a
administração ambiental e que deve ser realizado previamente à instalação de qualquer atividade
comprovadamente causadora de impacto ambiental.
(C)Trata-se de estudo a ser exigido, no curso do licenciamento ambiental, como condição prévia à
instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de degradação significativa ao meio
ambiente.
(D)Trata-se de estudo de natureza vinculativa, a ser exigido como condição prévia à instalação de obra
potencialmente causadora de degradação significativa do meio ambiente e, assim, caso não
recomende a obra, inviabilizada estará a concessão da licença.
Resposta. Item C. O EPIA será exigido, a critério do órgão ambiental competente, para atividades
causadoras de significativo impacto ambiental e não para qualquer atividade. O EPIA tem que ser
prévio ao licenciamento ambiental e não vincula a Administração.
Pertence ao empreendedor que pretenda a liberação ambiental de seus projetos o dever de pagar as
custas do EIA, sujeitando- se, ele e os profissionais que subscrevam os estudos, à responsabilidade nas
instâncias administrativa, civil e penal pelas informações apresentadas.
Resposta. Item certo. A Resolução CONAMA n.237/97, em seu art.11 º, parágrafo único, previu que o
empreendedor e os profissionais que subscrevem os estudos necessários ao processo de licenciamento
serão responsáveis pelas informações apresentadas, sujeitando-se as sanções administrativas, civis e
penais. Ademais disso, é de responsabilidade do empreendedor os custos advindos da elaboração dos
estudos.
Resposta. Item errado. Nos termos do art. 225, § 1º, IV, CF/88, em regra, são obrigatórios EPIA/RIMA
para aquelas atividades que tenham um significativo impacto ambiental, não sendo obrigatório para
qualquer processo de licenciamento.
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(D)deve ser dispensado sempre que ocorrer uma audiência pública sobre o empreendimento.
Resposta. Item A. O Estudo Prévio de Impacto Ambiental – EPIA tem previsão expressa no art. 225, da
CF/88. Não é exigível em todos os procedimentos de licenciamento, mas apenas naqueles em que o
impacto é significativo. O EPIA é sempre prévio, deve ser apresentado antes da emissão das licenças.
A audiência pública não é obrigatória, fica a critério do órgão ambiental competente, não desonerando
a necessidade de elaboração do EPIA. O EPIA não é exclusivo (o único), existindo outras Análises de
Impacto Ambiental – AIA como o Relatório de Controle Ambiental.
Em seu art. 1º, da Resolução Conama 01/1986, define Impacto Ambiental como qualquer alteração das
propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou
energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o
bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições estéticas e sanitárias do
meio ambiente; a qualidade dos recursos ambientais .
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IMPACTO
AMBIENTAL
CAUSA EFEITOS
Como dito, a Constituição Federal, em seu art. 225, §1º, IV, exige para instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto
ambiental, devendo o órgão licenciador dar a devida publicidade ao instrumento preventivo.
A Resolução Conama 01/1986 elencou as atividades/obras que dependem de elaboração de estudo prévio
de impacto ambiental- EPIA e respectivo relatório de impacto ambiental - RIMA, a serem submetidos à
aprovação do órgão estadual competente, para seu regular processo de licenciamento.
As atividades descritas são consideradas pela doutrina majoritária como um rol meramente
exemplificativo, no sentido de ser possível que outras atividades sejam submetidas à elaboração de
EIA/RIMA, se aplicando sobre aquelas indicadas na Resolução o Princípio da Obrigatoriedade.
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dizer, uma presunção absoluta de necessidade, que retira o EIA do âmbito do poder discricionário
da Administração.27
Este tema foi, inclusive, abordado em questão do 189º concurso da Magistratura do TJ/SP:
(A) a criação de novos tipos ou novas licenças ambientais, por ato do executivo, legitimam-se com base
nos princípios que regem a proteção ao meio ambiente.
(B) os valores ambientais contemplados nos artigos 170 e 225 da Constituição devem se sobrepor aos
da liberdade de iniciativa econômica, de modo que não se pode restringir de qualquer forma a
possibilidade de exigências, inclusive conforme a tipologia, ao licenciamento ambiental.
(D) o estabelecimento de tipologia pelo Poder Executivo para o licenciamento ambiental e a tipologia
definida pelos Conselhos Estaduais do Meio Ambiente violam o artigo 170, parágrafo único da
Constituição Federal, que estatui ser “assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade
econômica, independente de autorização dos órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei”.
Gabarito: Alternativa C
Cabe ao empreendedor, para as atividades listadas na Resolução o ônus da provar que seu empreendimento
não é de significativo impacto ao meio ambiente, de modo a tornar desnecessária a elaboração do referido
estudo ambiental. Vejamos de forma esquemática as atividades que exigem EPIA/RIMA:
27
BENJAMIN, Antonio Herman V. Os princípios do estudo de impacto ambiental como limites da discricionariedade
administrativa. Revista forense, vol. 317, pp. 40-41
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Ferrovias
Aeroportos
de minério, petróleo e produtos
Portos e Terminais
químicos
Coletores e Emissários de esgotos
Oleodutos, Gasodutos e Minerodutos
sanitários
Linhas de transmissão de energia elétrica acima de 230KV
EPIA/RIMA
Existem diretrizes gerais fixadas na Resolução Conama 01/1986, em seu art. 5º, que devem ser observadas
na elaboração do EPIA, sem prejuízo de o órgão ambiental licenciador fixar diretrizes adicionais em face da
natureza do empreendimento. Essas diretrizes visam de um modo geral orientar o órgão ambiental e o
empreendedor na análise da viabilidade do projeto. São orientações norteadoras referente à identificação
dos impactos positivos e negativos do empreendimento com a localização da área de influência do projeto,
passando pela análise da viabilidade locacional e tecnológica da atividade, bem como da compatibilidade
com as políticas públicas ambientais aplicáveis à área do empreendimento. Vejamos as diretrizes prevista na
Resolução:
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Quanto ao aspecto técnico, o estudo de impacto ambiental deve ser desenvolvido de forma a contemplar
determinadas etapas e metas a serem atingidas. Nesse sentido, as seguintes atividades técnicas devem ser
observadas:
• Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto completa descrição e análise dos recursos
ambientais e suas interações, tal como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área,
antes da implantação do projeto, considerando:
Nessa etapa, é feito um diagnóstico ambiental em que se demonstra o funcionamento do ecossistema que
será afetado pelo empreendimento descrevendo os atributos do meio físico, biológico e socioeconômico e
suas interrelações identificando os processos existentes e fixando-se indicadores de qualidade. Busca-se
descrever a dinâmica ambiental do local sem a influência da atividade degradante para se avaliar os impactos
que serão gerados pela instalação do empreendimento, inclusive em nível socioeconômico.
• Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, através de identificação, previsão
da magnitude e interpretação da importância dos prováveis impactos relevantes, discriminando: os
impactos positivos e negativos (benéficos e adversos), diretos e indiretos, imediatos e a médio e
longo prazos, temporários e permanentes; seu grau de reversibilidade; suas propriedades
cumulativas e sinérgicas; a distribuição dos ônus e benefícios sociais.
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Essa etapa reflete a Avaliação de Impacto Ambiental propriamente dita. Nela temos a identificação e a
previsão das alterações e do seu nível de intensidades que serão provocadas no meio ambiente. Quantifica-
se os impactos positivos e negativos em sua temporalidade, bem como em seu grau de reversibilidade.
Assim, é nessa fase de análise que se qualifica e quantifica os impactos advindos da implantação da
atividade/obra.
• Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre elas os equipamentos de controle
e sistemas de tratamento de despejos, avaliando a eficiência de cada uma delas.
Após a quantificação dos impactos negativos decorrente do suposto desenvolvimento da atividade/obra, são
definidas as medidas mitigadoras, buscando reduzir as consequências do impacto que serão produzidas.
Nesse sentido, são desenvolvidos sistemas de controle para as alterações dos processos, programas de
compensação, bem como recuperação de áreas degradadas ou mesmo a instalação de equipamentos que
vise diminuir os efeitos negativos do empreendimento. Busca-se nessa etapa verificar a viabilidade
ambiental do projeto.
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Por fim, cumpre destacar que o estudo de impacto ambiental será realizado por equipe multidisciplinar
habilitada, não dependente direta ou indiretamente do proponente do projeto que será responsável
tecnicamente pelos resultados apresentados. Todas as despesas e custos para elaboração do EPIA correrão
por conta do proponente do projeto.
A Resolução CONAMA n.º 1/1986 traz rol taxativo de atividades para cujo licenciamento ambiental é
imprescindível o prévio EIA-RIMA.
Resposta. Item errado. Resolução CONAMA n.º 1/1986 traz um rol meramente exemplificativo
conforme estatuído em seu art. 2º “Dependerá de elaboração de estudo de impacto ambiental e
respectivo relatório de impacto ambiental - RIMA, a serem submetidos à aprovação do órgão estadual
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(A)EAS
(B)RAS
(C)ECA
(D)RAP
(E)EIA/RIMA
Resposta. Item E. Obras de construção de estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento,
nos termos da Resolução Conama 01/86, exigem a elaboração de Estudo Prévio de Impacto Ambiental.
Resposta: Item B. O diagnóstico ambiental na elaboração do EPIA faz a análise não apenas dos aspectos
físicos e biológicos, como também sociais e econômicos, conforme previsto no art. 6º, I, da Resolução
Conama n.01/1986.
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Resposta. Item A. O art. 5º, da Resolução Conama n. 01/1986 estabelece que o estudo de impacto
ambiental, além de atender à legislação, em especial os princípios e objetivos expressos na Lei de
Política Nacional do Meio Ambiente, obedecerá às diretrizes gerais como definir os limites da área
geográfica a ser direta ou indiretamente afetada pelos impactos, denominada área de influência do
projeto, considerando, em todos os casos, a bacia hidrográfica na qual se localiza.
(A)ferrovias.
(C)qualquer atividade que utilizar carvão vegetal, derivados ou produtos similares em quantidade
superior a uma tonelada por dia.
(D)usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte de energia primária, acima de 1 MW.
A Resolução Conama 01/1986 também prevê regramentos para elaboração do Relatório de Impacto
Ambiental- RIMA. O art. 9º, da referida norma exige que o relatório de impacto ambiental - RIMA reflita as
conclusões do estudo de impacto ambiental contendo no mínimo:
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▪ Os objetivos e justificativas do projeto, sua relação e compatibilidade com as políticas setoriais, planos e
programas governamentais;
▪ A descrição do projeto e suas alternativas tecnológicas e locacionais, especificando para cada um deles,
nas fases de construção e operação a área de influência, as matérias primas, e mão-de-obra, as fontes
de energia, os processos e técnica operacionais, os prováveis efluentes, emissões, resíduos de energia,
os empregos diretos e indiretos a serem gerados;
▪ A síntese dos resultados dos estudos de diagnósticos ambiental da área de influência do projeto;
▪ A descrição dos prováveis impactos ambientais da implantação e operação da atividade, considerando o
projeto, suas alternativas, os horizontes de tempo de incidência dos impactos e indicando os métodos,
técnicas e critérios adotados para sua identificação, quantificação e interpretação;
▪ A caracterização da qualidade ambiental futura da área de influência, comparando as diferentes
situações da adoção do projeto e suas alternativas, bem como com a hipótese de sua não realização;
▪ A descrição do efeito esperado das medidas mitigadoras previstas em relação aos impactos negativos,
mencionando aqueles que não puderam ser evitados, e o grau de alteração esperado;
▪ O programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos;
▪ Recomendação quanto à alternativa mais favorável (conclusões e comentários de ordem geral).
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I. O EIA deve conter diagnóstico ambiental da área do projeto de modo a caracterizar a situação
ambiental da área, antes da implantação do projeto, considerando o meio físico, o meio biológico, o
meio sócio econômico, a análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, definição
das medidas mitigadoras dos impactos negativos e elaboração do programa de acompanhamento e
monitoramento dos impactos positivos e negativos.
II. O Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) refletirá as conclusões do estudo de impacto ambiental e
deve ser apresentado de forma objetiva e adequada à sua compreensão.
(A)I e II.
(B)I e III.
(C)II e III.
(D)I.
(E)II.
Resposta. Item A. O item “I” está correto porque o EPIA deve conter diagnóstico ambiental; análise
dos impactos ambientais; medidas mitigadoras e programa de monitoramento. O item “II” está correto
considerando que o RIMA, dentro dos requisitos mínimos fixados no art.9, da Resolução Conama
01/1986, refletirá as conclusões do estudo de impacto ambiental e deve ser apresentado de forma
objetiva e adequada à sua compreensão. O item “III” está incorreto, pois hospitais e escolas, em tese
(dependerá do caso concreto), por não estarem listadas na Resolução Conama 01/1986 ou na
237/1997, não exigem EPIA/RIMA.
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Ao apresentar o RIMA ao órgão ambiental competente, o empreendedor deve abrir mão do sigilo
industrial desse documento, para completa análise pelos interessados.
Resposta. Item errado. Nos termos do art. 11, da Resolução CONAMA 01/1986, respeitado o sigilo
industrial, assim solicitando e demonstrando pelo interessado o RIMA será acessível ao público. Suas
cópias permanecerão à disposição dos interessados, nos centros de documentação ou bibliotecas da
SEMA e do estadual de controle ambiental correspondente, inclusive o período de análise técnica.
Os efeitos esperados da adoção de medidas que possam minimizar eventuais impactos negativos do
empreendimento deverão estar descritos no RIMA.
Resposta. Item certo. O RIMA deve refletir as conclusões do estudo de impacto ambiental e conterá,
no mínimo, dentre outras medidas, a descrição do efeito esperado das medidas mitigadoras previstas
em relação aos impactos negativos, mencionando aqueles que não puderam ser evitados, e o grau de
alteração esperado (art. 9º, IV da Resolução Conama 01/1986).
RESUMO
Apresentarei os principais temas destacados na aula para fins de revisão de última hora. Um olhar periódico
sobre os resumos é uma tática de estudo importante, pois além de economizar tempo em rememorar as
ideias principais sobre os temas, ajuda no processo de memorização e manutenção das informações em
nosso cérebro por mais tempo. No entanto, não esqueça que em havendo dificuldades quanto ao
entendimento do assunto, a melhor maneira de fixa-lo é a retomada dele diretamente nesta aula.
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▪ O surgimento da Lei 6.938/81 que instituiu a Política Nacional do Meio Ambiente -PNMA se deu em
um ambiente de forte pressão internacional acarretando uma mudança de paradigma na busca pela
proteção do meio ambiente nos países.
▪ A PNMA tem como escopo central a efetivação do direito de todos a um meio ambiente
ecologicamente equilibrado, buscando a melhor forma de compatibilizar o desenvolvimento
socioeconômico com a escorreita utilização dos bens ambientais. Para isso, elencou e definiu uma
gestão integrada dos recursos naturais estabelecendo órgãos, mecanismos e instrumentos
destinados à tutela do meio ambiente. É a busca pelo desenvolvimento sustentável que se consolida
com a edição da Constituição Federal de 1988.
▪ A Lei 6.938/81 definiu os objetivos gerais e específicos da PNMA. O objetivo geral é a busca pela
preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no
País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à
proteção da dignidade da vida humana (art. 2º, da PNMA). É notório que a norma protetiva visa
equacionar (harmonizar) a proteção ambiental com o desenvolvimento econômico.
▪ O art. 2º, da Lei da PNMA também fixa os princípios para consecução do objetivo geral na busca pelo
desenvolvimento sustentável. É cediço na doutrina que embora o legislador tenha utilizado a
expressão “princípios”, na verdade, trata-se de verdadeiras metas ou programas de atuação a serem
executados pelo Estado para atingir os objetivos colimados pela norma, como por exemplo, a
necessidade de o Poder Público proceder à proteção de áreas ameaçadas de degradação e à
recuperação de áreas degradadas.
▪ A concretude dessa visão harmônia sustentável só poderá ser possível se atendidos os objetivos
específicos. São verdadeiras ações/procedimentos que devem ser realizados pelo Poder Público para
consecução da preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida,
previstos no art. 4º, da PNMA.
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▪ Preservação e Restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e
disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida:
São dois objetivos específicos da PNMA previstos no inciso VII, (1) a preservação dos recursos naturais
e (2) a restauração desses recursos objetivando sua utilização racional e disponibilidade permanente.
Preservar é proteger o bem ambiental independente de seu valor econômico ou da utilidade que tem
para o homem. A ideia é manter a intangibilidade do recurso natural. Por outro lado, conservar é
sinônimo de resguardar o bem ambiental com certo valor utilitário, aliado ao uso racional com uso
de técnicas de manejo para manter a disponibilidade e permanência do bem ambiental.
▪ Racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar: A utilização racional do uso dos recursos
naturais (solo, subsolo, água, ar, entre outros) foi prevista no princípio 14 da Declaração de Estocolmo
de 1972, que previu o planejamento racional como um instrumento indispensável para conciliar as
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▪ Proteção dos Ecossistemas, com a preservação de áreas representativas: O princípio da proteção dos
ecossistemas visa estabelecer na elaboração das políticas públicas ambientais a necessidade do
desenvolvimento de mecanismos capazes de tutelar de forma adequada certas áreas que contenham
relevante interesse ecológico. Esse princípio esculpido na PNMA serviu de inspiração ao legislador
constituinte ao estabelecer que incumbe ao Poder Público a missão definir, em todas as unidades da
Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem especialmente protegidos (art. 225, §1º,
III, da CF/88).
▪ Incentivos ao Estudo e à Pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos
recursos ambientais: O princípio do incentivo ao estudo e à pesquisa de tecnologias voltadas ao uso
racional dos bens ambientais teve seu fundamento no Princípio 18 da Declaração de Estocolmo,
devendo a ciência e a tecnologia serem utilizadas para descobrir, evitar e combater os riscos que
ameaçam o meio ambiente, servindo como instrumento de resolução dos problemas ambientais e,
em última instância, protetiva do direito a sadia qualidade de vida.
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proteção do meio ambiente em todas as suas vertentes. A ideia de proteção está adstrita a toda ação
governamental em termos de tutela dos bens ambientais.
▪ Conceito de Meio Ambiente e recursos naturais: A PNMA define o conceito de meio ambiente como
sendo o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que
permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas. Observe que esse conceito legal foi
estabelecido em 1981, antes da edição da Constituição Federal de 1988, e que, segunda a doutrina
majoritária, não abrange todos os aspectos do meio ambiente, dando ênfase somente ao natural,
apresentando um conceito limitador do instituo em uma interpretação literal do dispositivo.
▪ Aspectos iniciais sobre o Sistema Nacional do Meio Ambiente: As origens do Sistema Nacional do
Meio Ambiente- Sisnama nos levam ao tempo das fortes pressões internacionais sofridas pelo Brasil
pelo descaso frente às questões ambientais que nortearam a década de 1970. Em resposta as críticas
internacionais, o Brasil criou, por meio do Decreto 73.030/73, a Secretaria Especial do Meio Ambiente
– SEMA cuja função essencial era atuar na conservação e no uso racional dos bens ambientais. É nesse
sentido que em 1981, com a edição da Lei 6.938, foi instituído o Sistema Nacional do Meio Ambiente
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▪ Conselho Nacional do Meio Ambiente – Conama: O Conama é órgão consultivo e deliberativo tendo
como finalidade assessorar, estudar e propor ao Conselho de Governo, diretrizes de políticas
governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais e deliberar, no âmbito de sua
competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente
equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida. O Conama é composto por cinco órgãos elencados
no art. 4º, do Decreto 99.274/1990, assim denominados: Plenário; Comitê de Integração de Políticas
Ambientais; Câmaras Técnicas; Grupos de Trabalho e Grupos Assessores. A composição do Plenário
do Conama sofreu profundas mudanças com a edição do Decreto 9.806/2019, enxugando sua
composição anterior, estabelecendo uma nova formatação, nos termos do art. 5º, do Decreto
99.274/1990. Além das competências gerais previstas no art. 6º, II, da Lei da PNMA, de assessorar,
estudar e propor ao Conselho de Governo, diretrizes de políticas governamentais para o meio
ambiente e os recursos naturais, o art. 8º elencou as competências específicas do Conama, com
alterações dada pelas Leis nº 7.804/1989 e 8.028/1990.
▪ Ministério do Meio Ambiente - Órgão Central do Sisnama: O MMA é o órgão central do Sisnama tem
a finalidade de planejar, coordenar, supervisionar e controlar, como órgão federal, a política nacional
e as diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente.
▪ Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis e Instituto (Ibama) Chico
Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) - Órgãos executores do Sisnama: São órgãos
executores do Sisnama o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
- IBAMA e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - ICMBio, com a finalidade de
executar e fazer executar a política e as diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente, de
acordo com as respectivas competências. O Ibama é a autarquia executiva no âmbito federal nos
termos do art. 5º da Lei nº 11.516, de 28 de agosto de 2007. O ICMBio, autarquia executora federal,
tem como principal atribuição fazer a gestão das Unidades de Conservação Federal e das populações
tradicionais nelas residentes, tendo como finalidades específicas, nos termos do art. 1º, da Lei
11.516/2007.
▪ Órgãos Ambientais dos Estados/DF – Órgãos Seccionais do Sisnama: Cabem aos Estados e ao Distrito
Federal definirem os órgãos que serão integrantes do Sisnama, mas independente da nomenclatura
utilizada (SEMA; IMA; COEMA) são considerados, segundo a Lei da Política Nacional do Meio
Ambiente, órgãos seccionais. Esses órgãos ou entidades são responsáveis pela execução de
programas e projetos, bem como controlar e fiscalizar as atividades capazes de provocar a
degradação ambiental. Compete também a esses centros de competências ambientais executar e
fazer cumprir, em âmbito estadual, a Política Nacional e Estadual do Meio Ambiente e demais
políticas nacionais e estaduais relacionadas à proteção ambiental.
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▪ Órgãos Ambientais dos Municípios – Órgãos Locais do Sisnama: Os órgãos locais são órgãos ou
entidades municipais responsáveis pelo controle e fiscalização atividades capazes de provocar
degradação ambiental, nas suas respectivas jurisdições. Têm como atribuição principal executar e
fazer cumprir, em âmbito municipal, as Políticas Nacional e Estadual de Meio Ambiente e demais
políticas nacionais e estaduais relacionadas à proteção do meio ambiente, bem como formular,
executar e fazer cumprir a Política Municipal de Meio Ambiente.
▪ Aspectos Iniciais sobre os Instrumentos da PNMA: O novo paradigma de proteção ambiental trazida
pela Lei da Política Nacional do Meio Ambiente, como já salientado nesta obra, trouxe uma
microssistema legal que além de estabelecer uma estrutura institucional articulada (Sisnama), fixou
objetivos gerais e específicos para o alcance do desenvolvimento socioeconômico mantendo um
padrão de qualidade do meio ambiente propício à sadia qualidade de vida.
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▪ Instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser divulgado anualmente pelo Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA: O Relatório de Qualidade do
Meio Ambiente é um instrumento da Política Nacional do Meio Ambiente, previsto no art.9º, X, da
Lei 6.938/81 que tem como objetivo divulgar anualmente as condições ambientais atuais, bem como
apresentar uma análise das políticas públicas ambientais desenvolvidas pelo Poder Público
destacando sua efetividade para a proteção e preservação do meio ambiente.
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▪ Instrumentos Econômicos:
o Servidão Ambiental: é um instrumento econômico previsto no art. 9º, XIII, da Lei 6.938/81,
como instrumento para dar maior concretude a PNMA. A definição de servidão ambiental
vem prevista no art. 9º-A, consistente em limitar o uso de toda a sua propriedade ou de parte
dela para preservar, conservar ou recuperar os recursos ambientais existentes. A servidão
ambiental para ter validade deve ser lavrado instrumento próprio de caráter particular ou
público, ou mesmo pelo uso de termo administrativo no órgão ambiental competente. Esse
termo deve apresentar no mínimo o memorial descritivo da área da servidão ambiental,
contendo pelo menos um ponto de amarração georreferenciado; o objeto da servidão
ambiental; os direitos e deveres do proprietário ou possuidor instituidor; o prazo durante o
qual a área permanecerá como servidão ambiental, que não pode ser inferior a 15 anos,
devendo ser objeto de averbação na matrícula do imóvel no registro de imóveis competente.
2. ZONEAMENTO AMBIENTAL
2.1- Aspectos Iniciais do Zoneamento Ambiental:
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▪ O zoneamento ambiental é uma espécie de zoneamento que tem como objeto principal a
preservação, recuperação e uso dos recursos naturais, melhor dizendo, é um instrumento de
planejamento ambiental em que previamente se define a quantidade e os tipos de recursos naturais
disponíveis em uma área para se permitir ou não a sua exploração. O zoneamento ambiental é uma
limitação ao direito de propriedade, considerando que imporá limitações ao seu uso.
▪ O objetivo geral do ZEE é organizar as decisões dos agentes públicos e privados, de forma vinculada,
quanto a planos, programas, projetos e atividades que, direta ou indiretamente, utilizem recursos
naturais, assegurando a plena manutenção do capital e dos serviços ambientais dos ecossistemas.
▪ Na elaboração do ZEE, deve a Administração Pública observar a distribuição espacial das atividades
econômicas levando-se em conta a importância ecológica, as limitações e as fragilidades dos
ecossistemas, estabelecendo vedações, restrições e alternativas de exploração do território e
determinando, quando for o caso, inclusive a relocalização de atividades incompatíveis com suas
diretrizes gerais do ZEE.
▪ O Zoneamento Ecológico-Econômico Nacional e Regional deve ser elaborado e executado pelo Poder
Público Federal (União) sempre que tiver por objeto biomas brasileiros ou territórios abrangidos por
planos e projetos prioritários estabelecidos pelo Governo Federal, como o exemplo do ZEE para a
Amazônia Legal feito pela União. Isso não impede que os Estados/DF possam colaborar com a
construção do instrumento de planejamento. Nessa linha, a União poderá, mediante celebração de
termo apropriado, elaborar e executar o ZEE em articulação e cooperação com os Estados, cumpridos
os requisitos previstos neste Decreto.
▪ Para elaboração desse ZEE nacional cabe ao Poder Público Federal recepcionar e sistematizar
informações ambientais produzidas por ele e pelos demais entes federativos, tendo em vista a
importância de harmonizar as ações governamentais para o desenvolvimento sustentável do País. A
União deverá reunir e sistematizar as informações geradas, inclusive pelos Estados e Municípios, bem
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▪ Para que o Zoneamento Ecológico-Econômico estaduais, regionais e locais seja reconhecido pela
União, por intermédio da Comissão Coordenadora do ZEE, para fins de uniformização e
compatibilização com as políticas públicas federais deve o ZEE ser referendado pela Comissão
Estadual do ZEE, devendo ser aprovado pela Assembleia Legislativa do respectivo Estado. No caso de
ZEE regionais e locais, deve ficar caracterizado também a compatibilidade com o ZEE estadual.
▪ As zonas são as unidades básicas territoriais do ZEE, devendo o território ser dividido em zonas de
acordo com as necessidades de proteção, conservação e recuperação dos recursos naturais e do
desenvolvimento sustentável. A instituição dessas zonas tem como princípios norteadores a utilidade
e a simplicidade de modo a facilitar a implementação de seus limites pelo Poder Público, bem como
sua compreensão pelos cidadãos.
▪ Existem requisitos mínimos para a definição de cada uma das zonas como a necessidade de
elaboração do diagnóstico dos recursos naturais, da socioeconomia e do marco jurídico-institucional;
informações constantes do Sistema de Informações Geográficas; os cenários tendenciais e
alternativos e as Diretrizes Gerais e Específicas.
▪ O Decreto-Lei nº 1.413/1975, ainda no momento da busca pela efetivação das diretrizes veiculadas
na Conferência de Estocolmo-1972, dispôs sobre o controle da poluição do meio ambiente provocada
por atividades industriais, determinando que as indústrias instaladas ou a se instalarem em território
nacional são obrigadas a promover as medidas necessárias a prevenir ou corrigir os inconvenientes e
prejuízos da poluição e da contaminação do meio ambiente.
▪ Prescreve o art. 1º, da Lei 6.803/80, que as zonas destinadas à instalação de indústrias, nas áreas
críticas de poluição, serão definidas em esquema de zoneamento urbano, aprovado por lei, que
compatibilize as atividades industriais com a proteção ambiental, sendo as zonas classificadas em três
categorias: (1) zonas de uso estritamente industrial, (2) zonas de uso predominantemente industrial
e (3) zonas de uso diversificado. A norma permite que sejam criadas subcategorias de classificação
pelo ente instituidor do zoneamento, desde que observadas as peculiaridades das áreas críticas a que
pertençam e a natureza das indústrias nelas instaladas.
▪ Outra classificação utilizada pela Lei 6.803/80 é quanto ao grau de saturação das zonas. As zonas
industriais, independentemente da categoria, são classificadas em não saturadas, em vias de
saturação e saturadas. Esse grau de saturação utiliza como critérios para sua aferição e
estabelecimento de valores (1) a área disponível para uso industrial da infraestrutura, bem como dos
(2) padrões e normas ambientais fixadas pela Ibama e pelo Estado e Município, no limite das
respectivas competências. Quanto maior o nível de saturação da zona mais diferenciadas serão as
normas (mais rígidas) em relação ao controle da poluição e aquelas atinentes ao licenciamento da
atividade industrial.
▪ É competência, como regra, dos Órgãos Estaduais de controle da poluição o licenciamento para
implantação, operação e ampliação de estabelecimentos industriais, nas áreas críticas de poluição,
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devendo a atividade atender às normas e padrões ambientais definidos pelo Ibama, pelos organismos
estaduais e municipais competentes. Os Estados também têm a incumbência de administrar as zonas
industriais de sua responsabilidade direta ou quando esta responsabilidade decorrer de convênios
com a União. Isso porque no caso de zonas de uso estritamente industriais que se destinem à
localização de polos petroquímicos, cloroquímicos, carboquímicos, bem como a instalações nucleares
e outras definidas em lei, caberá exclusivamente à União a aprovação, autorização e delimitação
dessas zonas, ouvidos os Estados e Municípios interessados.
▪ A Avaliação de Impacto Ambiental é gênero dos quais são espécies diversos estudos ambientais
como o Estudo de Impacto Ambiental – EPIA e o Plano de Recuperação de área Degradada- PRAD.
▪ Desses estudos ambientais, talvez o que tenha mais relevo para análise e incidência nos concursos,
até por ter base constitucional, é o Estudo Prévio de Impacto Ambiental – EPIA e o seu Relatório de
Impacto Ambiental – RIMA. A Constituição Federal, em seu art. 225, §1º, IV, exige para instalação de
obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo
prévio de impacto ambiental, devendo o órgão licenciador dar a devida publicidade ao instrumento
preventivo.
▪ O texto constitucional exige o EPIA como condição para a instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente. Atente para a leitura do
texto da CF/88. Só se exige tal estudo para atividades causadoras de impactos ambientais
significativos (conceito jurídico indeterminado).
▪ O EPIA é um estudo de natureza prévia que antecede o empreendimento e é requisito essencial para
o procedimento de licenciamento ambiental, não podendo ser feito a posteriori para legitimar a
atividade em desenvolvimento. Ademais disso, o EPIA é um estudo de natureza complexa exigindo
equipe multidisciplinar para sua elaboração ficando a cargo do interessado os custos decorrentes
desse estudo.
▪ Outro ponto que reforça o caráter público do EPIA-RIMA é a possibilidade de que o órgão licenciador,
dentro de um juízo de conveniência ou oportunidade, realize audiência pública para que a
comunidade tenha ciência e participe efetivamente da elaboração dos referidos estudos. De acordo
com a Resolução CONAMA 09/1987, a audiência é obrigatória quando requerida pelo Ministério
Público (Estadual ou Federal), por entidades civis ou mesmo por no mínimo cinquenta cidadãos,
podendo inclusive ser realizada mais de uma audiência para um mesmo licenciamento.
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▪ Em seu art. 1º, da Resolução Conama 01/1986, define Impacto Ambiental como qualquer alteração
das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de
matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam a saúde,
a segurança e o bem-estar da população; as atividades sociais e econômicas; a biota; as condições
estéticas e sanitárias do meio ambiente; a qualidade dos recursos ambientais
▪ Existem diretrizes gerais fixadas na Resolução Conama 01/1986, em seu art. 5º, que devem ser
observadas na elaboração do EPIA, sem prejuízo de o órgão ambiental licenciador fixar diretrizes
adicionais em face da natureza do empreendimento. Essas diretrizes visam de um modo geral
orientar o órgão ambiental e o empreendedor na análise da viabilidade do projeto.
▪ O estudo de impacto ambiental será realizado por equipe multidisciplinar habilitada, não dependente
direta ou indiretamente do proponente do projeto e que será responsável tecnicamente pelos
resultados apresentados. Todas as despesas e custos para elaboração do EPIA correrão por conta do
proponente do projeto.
LEGISLAÇÃO DESTACADA
Senhores! Para sistematizar a legislação ventilada nesta aula, apresento os dispositivos abordados, bem
como jurisprudência adicional. O objetivo é que possam revisá-los e fixá-los com o tempo, considerando que
a maioria das provas de concurso exigem a literalidade das leis e o conhecimento da jurisprudência.
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
Lei 6.938/81- PNMA
Art. 2º. A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e
recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao
desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da
dignidade da vida humana, atendidos os seguintes princípios:
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I - meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química
e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas;
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VI - à preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas á sua utilização racional e
disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à
vida;
Art. 6º Os órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos
Municípios, bem como as fundações instituídas pelo Poder Público, responsáveis pela proteção
e melhoria da qualidade ambiental, constituirão o Sistema Nacional do Meio Ambiente -
SISNAMA, assim estruturado:
III - órgão central: a Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República, com a finalidade
de planejar, coordenar, supervisionar e controlar, como órgão federal, a política nacional e as
diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente
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§ 3º Os órgãos central, setoriais, seccionais e locais mencionados neste artigo deverão fornecer
os resultados das análises efetuadas e sua fundamentação, quando solicitados por pessoa
legitimamente interessada.
II - o zoneamento ambiental;
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XII - o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos
recursos ambientais.
XIII - instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão ambiental, seguro ambiental
e outros.
Art. 9º-A. O proprietário ou possuidor de imóvel, pessoa natural ou jurídica, pode, por
instrumento público ou particular ou por termo administrativo firmado perante órgão integrante
do Sisnama, limitar o uso de toda a sua propriedade ou de parte dela para preservar, conservar
ou recuperar os recursos ambientais existentes, instituindo servidão ambiental. (Redação dada
pela Lei nº 12.651, de 2012).
III - direitos e deveres do proprietário ou possuidor instituidor; (Incluído pela Lei nº 12.651, de
2012).
IV - prazo durante o qual a área permanecerá como servidão ambiental. (Incluído pela Lei nº
12.651, de 2012).
§ 3o A restrição ao uso ou à exploração da vegetação da área sob servidão ambiental deve ser,
no mínimo, a mesma estabelecida para a Reserva Legal. (Redação dada pela Lei nº 12.651, de
2012).
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§ 7o As áreas que tenham sido instituídas na forma de servidão florestal, nos termos do art. 44-
A da Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965, passam a ser consideradas, pelo efeito desta Lei,
como de servidão ambiental. (Incluído pela Lei nº 12.651, de 2012).
Art. 9º-B. A servidão ambiental poderá ser onerosa ou gratuita, temporária ou perpétua.
(Incluído pela Lei nº 12.651, de 2012).
§ 1o O prazo mínimo da servidão ambiental temporária é de 15 (quinze) anos. (Incluído pela Lei
nº 12.651, de 2012).
§ 2o A servidão ambiental perpétua equivale, para fins creditícios, tributários e de acesso aos
recursos de fundos públicos, à Reserva Particular do Patrimônio Natural - RPPN, definida no art.
21 da Lei no 9.985, de 18 de julho de 2000. (Incluído pela Lei nº 12.651, de 2012).
LEI 6.803/80
Art . 1º Nas áreas críticas de poluição a que se refere o art. 4º do Decreto-lei nº 1.413, de 14 de
agosto de 1975, as zonas destinadas à instalação de indústrias serão definidas em esquema de
zoneamento urbano, aprovado por lei, que compatibilize as atividades industriais com a proteção
ambiental.
§ 1º As zonas de que trata este artigo serão classificadas nas seguinte categorias:
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§ 3º As indústrias ou grupos de indústrias já existentes, que não resultarem confinadas nas zonas
industriais definidas de acordo com esta Lei, serão submetidas à instalação de equipamentos
especiais de controle e, nos casos mais graves, à relocalização.
Art . 5º As zonas de uso industrial, independentemente de sua categoria, serão classificadas em:
I - não saturadas;
II - em vias de saturação;
III - saturadas;
Art . 6º O grau de saturação será aferido e fixado em função da área disponível para uso industrial
da infra-estrutura, bem como dos padrões e normas ambientais fixadas pela Secretaria Especial
do Meio Ambiente - SEMA Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis
- IBAMA. e pelo Estado e Município, no limite das respectivas competências.
Art. 1o Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a
coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências
voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia
qualidade de vida e sua sustentabilidade.
Art. 3o Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à educação ambiental,
incumbindo:
I - ao Poder Público, nos termos dos arts. 205 e 225 da Constituição Federal, definir políticas
públicas que incorporem a dimensão ambiental, promover a educação ambiental em todos os
níveis de ensino e o engajamento da sociedade na conservação, recuperação e melhoria do meio
ambiente;
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III - aos órgãos integrantes do Sistema Nacional de Meio Ambiente - Sisnama, promover ações
de educação ambiental integradas aos programas de conservação, recuperação e melhoria do
meio ambiente;
VII - a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais;
Art. 10. A educação ambiental será desenvolvida como uma prática educativa integrada,
contínua e permanente em todos os níveis e modalidades do ensino formal.
§ 1o A educação ambiental não deve ser implantada como disciplina específica no currículo de
ensino.
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Art. 13. Entendem-se por educação ambiental não-formal as ações e práticas educativas
voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e
participação na defesa da qualidade do meio ambiente.
Art. 3o O ZEE tem por objetivo geral organizar, de forma vinculada, as decisões dos agentes
públicos e privados quanto a planos, programas, projetos e atividades que, direta ou
indiretamente, utilizem recursos naturais, assegurando a plena manutenção do capital e dos
serviços ambientais dos ecossistemas.
Parágrafo único. O ZEE, na distribuição espacial das atividades econômicas, levará em conta a
importância ecológica, as limitações e as fragilidades dos ecossistemas, estabelecendo vedações,
restrições e alternativas de exploração do território e determinando, quando for o caso, inclusive
a relocalização de atividades incompatíveis com suas diretrizes gerais.
Art. 6º Compete ao Poder Público Federal elaborar e executar o ZEE nacional e regionais,
quando tiver por objeto biomas brasileiros ou territórios abrangidos por planos e projetos
prioritários estabelecidos pelo Governo Federal.
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§ 2º O Poder Público Federal deverá reunir e sistematizar as informações geradas, inclusive pelos
Estados e Municípios, bem como disponibilizá-las publicamente.
Art. 11. O ZEE dividirá o território em zonas, de acordo com as necessidades de proteção,
conservação e recuperação dos recursos naturais e do desenvolvimento sustentável.
Artigo 1º - Para efeito desta Resolução, considera-se impacto ambiental qualquer alteração das
propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de
matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam:
III - a biota;
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II - Ferrovias;
(...)
III - Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre elas os equipamentos de
controle e sistemas de tratamento de despejos, avaliando a eficiência de cada uma delas.
Artigo 7º - O estudo de impacto ambiental será realizado por equipe multidisciplinar habilitada,
não dependente direta ou indiretamente do proponente do projeto e que será responsável
tecnicamente pelos resultados apresentados.
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III - A síntese dos resultados dos estudos de diagnósticos ambiental da área de influência do
projeto;
VI - A descrição do efeito esperado das medidas mitigadoras previstas em relação aos impactos
negativos, mencionando aqueles que não puderam ser evitados, e o grau de alteração esperado;
Parágrafo único - O RIMA deve ser apresentado de forma objetiva e adequada a sua
compreensão. As informações devem ser traduzidas em linguagem acessível, ilustradas por
mapas, cartas, quadros, gráficos e demais técnicas de comunicação visual, de modo que se
possam entender as vantagens e desvantagens do projeto, bem como todas as consequências
ambientais de sua implementação.
Art. 2º - Sempre que julgar necessário, ou quando for solicitado por entidade civil, pelo
Ministério Público, ou por 50 (cinquenta) ou mais cidadãos, o Órgão de Meio Ambiente
promoverá a realização de audiência pública.
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§ 3º - Após este prazo, a convocação será feita pelo Órgão Licenciador, através de
correspondência registrada aos solicitantes e da divulgação em órgãos da imprensa local.
III - Estudos Ambientais: são todos e quaisquer estudos relativos aos aspectos ambientais
relacionados à localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade ou
empreendimento, apresentado como subsídio para a análise da licença requerida, tais como:
relatório ambiental, plano e projeto de controle ambiental, relatório ambiental preliminar,
diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação de área degradada e análise
preliminar de risco.
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JURISPRUDÊNCIA DESTACADA
JURISPRUDÊNCIA STJ
2. O próprio legislador esclareceu o que se deve entender por "recursos ambientais", definindo-
os como "a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar
territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora" (art. 3°, V), o que significa
dizer que, nesse campo, a competência do Conama é ampla, só podendo ser afastada por
dispositivo legal expresso, que deve ser interpretado restritivamente, diante da natureza de lei-
quadro ou nave-mãe do microssistema que caracteriza a Lei da Política Nacional do Meio
Ambiente.
(...)
(AgRg no REsp 1369492/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em
27/08/2013, DJe 24/10/2016)
(...)
3. Em ação civil pública na qual o Ministério Público estadual e o MPF objetivam a nulidade de
licenciamento ambiental efetuado pelo órgão ambiental estadual (Instituto Ambiental do Paraná
- IAP), em face da inexistência de prévio EIA/RIMA, a Corte Regional manteve a improcedência
do pedido por reputar "justificável a dispensa do EIA/RIMA", "dada a suficiência do Plano de
Controle Ambiental (PCA), Plano de Gerenciamento de Riscos Ambientais (PGR) e Plano de
Emergência Individual (PEI), nos termos do art. 3º, parágrafo único, da Resolução n.º 237/1997
do CONAMA", e concluiu que "os dados empíricos demonstram que o empreendimento, pelas
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(AgInt no REsp 1651831/PR, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em
23/09/2019, DJe 25/09/2019)
(...)
3. O bem ambiental é imensurável, não tem valor patrimonial, trata-se de um bem difuso,
essencial à coletividade. Dessa forma, a violação da norma ambiental e do equilíbrio sistêmico
não comporta a ideia de inexpressividade da conduta para aplicação do princípio da
insignificância, pois o interesse protegido envolve toda a sociedade e, em nome do bem-estar
desta, é que deve ser aplicada.
4. Em qualquer quantidade que seja derramamento de óleo é poluição, seja por inobservância
dos padrões ambientais (inteligência do art.3º, III, "e", da Lei n. 6.938/1981, c/c o art. 17 da Lei
n. 9.966/2000), seja por conclusão lógica dos princípios da solidariedade, dimensão ecológica
da dignidade humana, prevenção, educação ambiental e preservação das gerações futuras.
(...)
JURISPRUDÊNCIA STF
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3. Ação julgada procedente para declarar inconstitucional o trecho final do artigo § 3º do artigo
187 da Constituição do Estado do Espírito Santo.
(ADI 1505, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 24/11/2004, DJ 04-03-2005
PP-00010 EMENT VOL-02182-01 PP-00067 LEXSTF v. 27, n. 316, 2005, p. 27-36 RDA n. 240, 2005,
p. 298-303 RTJ VOL-00193-01 PP-00058)
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de pequeno potencial de impacto ambiental, que deverão ser aprovados pelos respectivos
Conselhos de Meio Ambiente.
(ADI 4615, Relator(a): Min. ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 20/09/2019,
PROCESSO ELETRÔNICO DJe-233 DIVULG 25-10-2019 PUBLIC 28-10-2019)
QUESTÕES COMENTADAS
Magistratura
Resposta. Item E. A audiência pública não é obrigatória, ficando a critério do órgão ambiental competente.
Só passa a ser peremptória em caso de pedido de organização da sociedade civil, Ministério Público, ou por
pedido de, no mínimo, de 50 cidadãos ao órgão ambiental competente, nos termos da Resolução Conama n.
09/1987.
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IV. As audiências públicas realizadas no âmbito dos procedimentos de licenciamento ambiental destinam-se
a fornecer informações sobre o projeto e seus impactos ambientais, bem como a possibilitar a discussão e o
debate sobre o Relatório de Impacto Ambiental. As críticas e sugestões manifestadas durante as audiências
públicas vinculam a decisão do órgão ambiental competente a respeito da concessão da licença ambiental
ou do seu indeferimento.
Assinale:
(A)se somente as afirmativas I e II estiverem corretas.
(B)se somente as afirmativas I e III estiverem corretas.
(C)se somente as afirmativas II e IV estiverem corretas.
(D)se somente as afirmativas III e IV estiverem corretas.
(E)se todas as afirmativas estiverem corretas.
Resposta. Item B. O item “I” está correto porque é infração administrativa, nos termos do art. 66, do Decreto
6.514/2008, construir, reformar, ampliar, instalar ou fazer funcionar estabelecimentos, atividades, obras ou
serviços utilizadores de recursos ambientais, considerados efetiva ou potencialmente poluidores, sem
licença ou autorização dos órgãos ambientais competentes, em desacordo com a licença obtida ou
contrariando as normas legais e regulamentos pertinentes. O item “II” está incorreto porque quando o
empreendimento afeta mais de um Estado da federação cabe a União o processo de licenciamento. O item
“III” está correto porque o EPIA deve ser apresentado pelo empreendedor antes da expedição da licença
prévia. O item “IV” está incorreto tendo em vista que as críticas e sugestões manifestadas durante as
audiências públicas não vinculam a decisão do órgão ambiental competente a respeito da concessão da
licença ambiental ou do seu indeferimento.
Resposta. Item D. O item “A” está incorreto porque a elaboração do EPIA/RIMA é de atribuição do
empreendedor e não do órgão licenciador. O item “B” está incorreto, pois caberá a Sindicabilidade do Poder
Judiciário para análise de legalidade do ato praticado pelo órgão ambiental. O item “C” está incorreto
considerando que a realização da audiência pública não é, em regra, obrigatória, ficando a cargo do órgão
licenciador. O item “D” está correto tendo em vista que o EPIA não vincula o órgão licenciador, devendo ser
motivada a decisão a ser proferida pelo órgão ambiental.
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4. (TJ-RR/Juiz Substituto/FCC – 2015) Joaquim pretende instalar uma indústria, que gera poluição
acima dos padrões admitidos, em um Município absolutamente carente. A indústria proporcionará
empregos e trará arrecadação ao Município. Segundo a finalidade da Política Nacional do Meio Ambiente,
a indústria,
(A)O licenciamento ambiental é exigido tanto para atividades efetivamente poluidoras como para aquelas
que apenas potencialmente o são, sendo a realização de estado de impacto ambiental (EIA/RIMA) uma de
suas etapas obrigatórias.
(B)Os espaços territoriais especialmente protegidos, totalmente disciplinados na lei que regulamenta o
SNUC, não integram o rol de instrumentos da PNMA.
(C)O tombamento, instrumento da PNMA, destina-se especificamente à proteção do meio ambiente cultural.
(D)O zoneamento ambiental, que consiste em limitação do uso do solo, atende ao princípio segundo o qual
a propriedade deve cumprir sua função social e configura aspecto do exercício do poder de polícia.
Resposta. Item D. A letra “A” está incorreta, pois nem todo empreendimento para ser licenciado precisará
de EPIA/RIMA. O item “B” está incorreto considerando que o art 9º, VI, da lei 6.938/81 prevê como
instrumento da PNMA a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público. O item
“C” está incorreto tendo em vista que o tombamento não foi previsto expressamente no art. 9º, da Lei da
PNMA. O item “D” está correto considerando que o zoneamento ambiental, apresenta como características
essenciais a limitação do uso do solo configurando exercício do poder de polícia ambiental.
Promotor
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Antes da expedição da licença, o órgão estadual de meio ambiente deverá desenvolver o estudo prévio de
impacto ambiental (EIA) e emitir o respectivo relatório de impacto ambiental (RIMA), para evitar, mitigar e
compensar os impactos ambientais do empreendimento.
Resposta. Falso. A Resolução CONAMA nº 1 de 1986, determina, em seu art. 8º, que o custeamento do
estudo pelo interessado no empreendimento. Nesse sentido, a afirmativa está incorreta ao dispor que o
órgão estadual de meio ambiente deverá desenvolver o estudo prévio de impacto ambiental (EIA) e emitir o
respectivo relatório de impacto ambiental (RIMA), sendo, em realidade, ônus do proponente.
(A)10 anos.
(B)15 anos.
(C)5 anos.
(D)2 anos.
(E)20 anos.
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(B)Impacto ambiental e dano ambiental são expressões do mesmo aspecto: a degradação do meio ambiente.
(C)O MP exerce sua função judicial, em relação a matéria ambiental, por meio do ajuizamento de ações de
responsabilização por danos ambientais e por meio da celebração, com agentes degradadores do meio
ambiente, de transações, termos de compromisso e ajustamentos de conduta.
(D)A audiência pública, que antecede o licenciamento ambiental, pode ser solicitada pelo MP, por entidade
civil ou por um grupo de, no mínimo, cinquenta cidadãos, sendo possível a realização de mais de uma
audiência pública relativa a um só projeto.
(E)A servidão florestal, que tem natureza de direito real sobre coisa alheia, não precisa ser registrada
imobiliariamente, apesar de representar uma renúncia do particular quanto ao uso dos recursos naturais do
prédio que lhe pertence.
Resposta. Item D. O item “A” está incorreto porque o Conama não é órgão superior do Sisnama, mas sim
órgão deliberativo e consultivo. O item “B” está incorreto tendo em vista que o impacto ambiental é um
conceito mais amplo que abarca o dano ambiental, melhor dizendo, nem todo impacto ambiental implica
em degradação ao meio ambiente, notadamente se esse impacto for positivo. O item “C” está incorreto
considerando que o termo de ajustamento de conduta, em regra, é uma medida extrajudicial. O item “D”
está correto, pois a audiência pública pode ser solicitada pelo MP, por entidade civil ou por um grupo de, no
mínimo, cinquenta cidadãos, sendo possível a realização de mais de uma audiência pública relativa a um só
projeto, nos termos da Resolução Conama 09/1987. O item “E” está incorreto pois a servidão florestal deve
ser averbada no registro de imóveis competente, não havendo também renúncia ao direito de exploração
dos recursos naturais.
Procurador
10. (AL-SP/Procurador/FCC – 2010) Os princípios gerais da Política Nacional do Meio Ambiente têm por
objetivo a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando
assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional
e à proteção da dignidade da vida humana. NÃO se insere, dentre esses princípios,
(A)o planejamento e a fiscalização do uso dos recursos ambientais e a proteção de áreas ameaçadas de
degradação.
(B)o acompanhamento pelo estado da qualidade ambiental e a proteção dos ecossistemas, com a
preservação de áreas representativas.
(C)o controle e o mapeamento das atividades e serviços dos entes federados, ainda que não potencial ou
efetivamente poluidoras.
(D)a incentivo ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos
ambientais.
(E)a racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar e a recuperação de áreas degradadas.
Resposta. Item C. O item “C” está incorreto porque tanto o setor público quanto o setor privado ao
desenvolverem atividades/obras potencialmente causadoras de significativos impactos ao meio ambiente
devem estar sujeitas a controle e zoneamento, nos termos do art. 2º, V, da Lei 6.938/81. Os demais itens
estão previstos no art. 2º, da Lei da PNMA.
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Ao usuário será imposta contribuição pelos custos advindos da utilização de recursos ambientais com fins
econômicos.
Resposta. Item correto. Previsão expressa do art. 4º, VIII, da Lei da PNMA, que impõe ao usuário a
contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos.
12. (Prefeitura de Paulínia – SP/Procurador Prova: FGV – 2016) Nos termos da Lei da Política Nacional
do Meio Ambiente – Lei n. 6.938/81, assinale a competência que não é atribuída ao CONAMA – Conselho
Nacional do Meio Ambiente.
(A)Estabelecer, mediante proposta do IBAMA, normas e critérios para o licenciamento de atividades efetiva
ou potencialmente poluidoras.
(B)Fixar os limites de Área de Preservação Permanente, em zonas rurais e urbanas, bem como disciplinar o
seu regime de proteção.
(C)Estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle e à manutenção da qualidade do meio
ambiente, com vistas ao uso racional dos recursos ambientais.
(D)Estabelecer, privativamente, normas e padrões nacionais de controle da poluição por veículos
automotores, aeronaves e embarcações, mediante audiência dos Ministérios competentes.
(E)Determinar, mediante representação do IBAMA, a perda ou restrição de benefícios fiscais concedidos pelo
Poder Público, em caráter geral ou condicional, e a perda ou suspensão de participação em linhas de
financiamento em estabelecimento oficial de crédito.
Resposta. Item B. O item está errado porque a fixação dos limites de Área de Preservação Permanente é
feita no Código Florestal. Os demais itens estão em consonância com o previsto no art. 8º, da Lei da PNMA.
(A)O fato gerador da TCFA é o exercício regular do poder de polícia conferido a todos os órgãos integrantes
do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) para o controle e a fiscalização das atividades
potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos naturais.
(B)É sujeito passivo da TCFA todo aquele que exerça as atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras
de recursos ambientais previstas no anexo VIII da Lei Federal n.º 6.938/1981.
(C)A TCFA é devida em razão de cada atividade individualmente exercida e não por estabelecimento.
(D)São isentas do pagamento da TCFA as entidades públicas federais, distritais, estaduais e municipais, as
entidades filantrópicas, as fundações públicas ou privadas, as entidades declaradas de utilidade pública pela
União, pelo Distrito Federal, pelos Estados ou pelos Municípios, aqueles que praticam agricultura de
subsistência e as populações tradicionais.
Resposta. Item B. O sujeito passivo da TCFA é todo aquele que exerça as atividades constantes do Anexo VIII
da Lei 6.938/81, bem como pelo exercício de outras atividades, que embora não elencadas pelo referido
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anexo, podem ser consideradas potencialmente ou efetivamente poluidoras a critério do Ibama, tendo em
vista que o rol do Anexo VIII, da Lei 6.938/81 é meramente exemplificativo. O Item “A” está incorreto porque
o fato gerador é o exercício do poder de polícia exercido pelo Ibama, podendo ser delegado aos demais Entes
mediantes convênio com a autarquia federal. O item “C” está incorreto tendo presente que a TCFA é devida
por estabelecimento. O item “D” está incorreto, pois a isenção prevista no art. 17-F, da Lei 6.938/81, são
apenas as entidades públicas federais, distritais, estaduais e municipais, as entidades filantrópicas, aqueles
que praticam agricultura de subsistência e as populações tradicionais.
(A) deve atender ao princípio da publicidade e da informação, garantindo a realização de audiências públicas,
que serão realizadas sempre que o órgão licenciador julgar necessário, ou quando solicitado por entidade
civil, pelo Ministério Público, ou por, no mínimo, 100 pessoas.
(B)é um instrumento da PNMA que atende, de forma exemplar, o princípio da prevenção, devendo ser
realizado antes da concessão de licenças ambientais, o que impede, após a concessão de licença, que seja
exigido pelo órgão ambiental competente um estudo de impacto ambiental, diante de uma nova situação
preocupante com relação a impactos ao meio ambiente.
(C)é exigido, na forma da lei, para instalação de obra ou qualquer atividade potencialmente causadora de
qualquer tipo de degradação do meio ambiente, a que se dará a devida publicidade.
(D)será realizado por equipe multidisciplinar habilitada, dependente direta ou indiretamente do proponente
do projeto e que será responsável tecnicamente pelos resultados apresentados.
(E)se insere como ferramenta do licenciamento ambiental e as conclusões do Estudo de Impacto Ambiental
darão origem ao Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), que deverá ser apresentado de forma objetiva e
adequada a sua compreensão.
Resposta. Item E. O EPIA é um instrumento do licenciamento ambiental e que suas conclusões serão
apresentadas no RIMA de linguagem simples e acessível a todos. O item “A” está incorreto, pois são
necessários, no mínimo, 50 pessoas para realização da audiência pública. O item “B” está incorreto porque
o EPIA é previa ao empreendimento, porém isso não impede que sejam feitos estudos complementares após
o início da atividade poluidora. O item “C” está incorreto considerando que o EPIA só é exigido de
atividades/obras de significativo impacto ao meio ambiente. O item “D” está incorreto, tendo em vista que
a equipe multidisciplinar deve ser independente e autônoma em relação ao proponente.
O estudo de impacto ambiental e o relatório de impacto ambiental são documentos ambientais obrigatórios
para a realização do procedimento administrativo de licenciamento ambiental.
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Resposta. Item Errado. A PNMA não se resumiu em uma compilação da Carta de Estocolmo embora tenha
sido influenciada diretamente pelos princípios nela estatuídos. Muitos fatores de ordem interna e externa
contribuíram para edição da lei 6.938/81, contudo não podemos olvidar que a pressão internacional pela
preservação ambiental foi decisiva para edição de nosso marco regulatório na defesa do meio ambiente.
Resposta. Item D. Os itens “A”, “B”, “C” e “E” são princípios da PNMA, previstos no art. 2º. O Item “D” está
incorreto porque prodigalizar significa desperdiçar/dilapidar e não coaduna com a ideia prevista no inciso II,
de racionalizar o uso da água, do solo e do ar.
Resposta, Item E. O objetivo geral da PNMA está previsto expressamente no caput do art. 2º, da Lei 6.938/81,
que estabelece que “tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental
propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses
da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana”.
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Resposta. Item A. O item “A” está correto considerando que um dos objetivos da PNMA (ações) é à
compatibilização (e não a desincompatibilização) do desenvolvimento econômico social com a preservação
da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico. Os demais itens são objetivos específicos da PNMA
previsto no art. 4º, da Lei 6.938/81.
20. (IF-PA/Engenharia Ambiental/FADESP – 2018)Analise os itens a seguir de acordo com a Lei nº 6.938,
de 31 de agosto de 1981:
I. racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar.
II. planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais.
III. proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas.
IV. controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras.
São princípios da Política Nacional do Meio Ambiente os itens
(A)I, II e IV.
(B)I, II, III e IV.
(C)II, III e IV.
(D)I, III e IV.
(E)I, II e III.
Resposta. Item B. Todos os itens estão previstos no art. 2º, da Lei 6.938/81, como princípios da PNMA.
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Resposta. Item A. Todos são princípios previstos no art. 2º, da Lei da PNMA, a exceção do leilão de áreas
degradadas, prevendo, o normativo, a necessidade de recuperação dessas áreas e não de sua alienação.
Resposta. Item B. O item “A” está incorreto considerando que o RCA é um instrumento que mede a
conformidade das medidas adotadas quanto ao controle ambiental. O item “B” está correto pois para as
atividades de mineração o PRAD é obrigatório, mesmo que não seja exigível a elaboração do EPIA. O item
“C” está incorreto porque o Plano de Controle Ambiental tem função de identificar e propor medidas
mitigadoras aos impactos gerados por empreendimentos de porte médio e não aqueles com alta capacidade
de gerar danos (cabe, em tese, EPIA). O item “D” está incorreto, pois o PRAD deve ser apresentado antes da
obtenção da primeira licença, bem como outro erro é pelo RIMA que deve ser apresentado junto com o EPIA.
O item “E” está incorreto tendo em vista que o EPIA é o Estudo de Impacto Ambiental enquanto que o RIMA
é um relatório que, de forma mais inteligível para coletividade, apresenta os resultados obtidos no EPIA.
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Resposta. Item B. Embora a questão exija conhecimento sobre a Conferência de Tbilisi, é fácil notar que
somente os itens 1, 2 e 3 estão relacionados com o tema educação ambiental, conforme trabalhado nesta
aula. O item “4” não condiz com os objetivos ou finalidades da educação ambiental, embora relevante para
o desenvolvimento sustentável, não se trata de uma finalidade direta da educação ambiental. O item “5”
está incorreto pelo simples fato de que as ações ambientais devem ser de responsabilidade de todos e não
apenas dos Estados Nacionais, cabe a toda a sociedade o desenvolvimento de ações que tutelem o bem
ambiental.
Resposta. Item D. Todos os itens estão previstos como princípios da educação ambiental no art. 4º, da Lei
9.795/99, ressalvado o item D que previu de forma equivocada a forma de abordagem das questões
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ambientais. Isso porque deve ser feita uma abordagem articulada (e não desarticulada) das questões
ambientais locais, regionais, nacionais e globais.
(A)que satisfaz as necessidades globais sem sacrificar a habilidade do indivíduo de satisfazer as suas
necessidades.
(B)que satisfaz as necessidades das sociedades atuais sem sacrificar a habilidade das sociedades futuras de
satisfazer as suas necessidades.
(C)que utiliza somente os recursos ambientais renováveis, não sacrificando a habilidade do futuro de
satisfazer as suas necessidades.
(D)que ocorre sem o uso de recursos naturais, de forma a preservá-los para as gerações futuras.
(E)onde as atividades da geração presente ocorrem de tal forma que o meio ambiente é preservado intocado
para as gerações futuras.
Resposta. Item B. O Relatório de Brundtland introduziu o conceito de desenvolvimento sustentável trazendo
a noção de que o desenvolvimento econômico deve estar atrelado à melhoria da condição social das pessoas,
bem como da qualidade ambiental, devendo o meio ambiente ser preservado para as presentes e futuras
gerações.
(A) a definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qualidade e ao equilíbrio ecológico,
atendendo aos interesses municipais.
(B)o uso de tecnologias mitigadoras no manejo do meio ambiente, à divulgação de dados e informações
ambientais quando autorizadas por lei.
(C)a orientação somente das atividades empresariais públicas que serão exercidas em consonância com as
diretrizes da Política Nacional do Meio Ambiente.
(D)ao estabelecimento de critérios e padrões de qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo
de recursos ambientais.
(E)o fomento do desenvolvimento econômico, com observância nos casos estabelecidos em lei
complementar, da preservação da qualidade do meio ambiente
Resposta. Item D. Previsão expressa do art. 4º, III, da Lei da PNMA. A letra “A” está errada pois deve atender
aos interesses de todos os entes federativos e não apenas dos Municípios. O item “B” está incorreto porque
não se exige a autorização em lei para uso das tecnologias que beneficie a preservação do meio ambiente.
O item “C” não tem previsão como objetivo da PNMA. O item “E” está incorreto considerando que não se
exige o permissivo legal para realização do fomento.
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I. meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica,
que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.
II. degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das características do meio ambiente.
III. poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente,
prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; criem condições adversas às atividades
sociais e econômicas; afetem desfavoravelmente a biota; afetem as condições estéticas ou sanitárias do
meio ambiente; lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.
IV. poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente,
por atividade causadora de degradação ambiental.
(A)Apenas I e II.
(B)Apenas I, II e IV.
(C)Apenas I, III e IV.
(D)Apenas I e III.
(E)I, II, III e IV.
Resposta. Item E. Todas as definições representam a literalidade do art. 3º, da Lei 6.938/81.
29. (MPU/Analista/CESPE – 2013) Centenas de peixes apareceram mortos no rio Perequê, que divide
as cidades de Itapema e Porto Belo. A mortandade pode estar relacionada à poluição que apareceu no rio
nos últimos dias. A Fundação Ambiental Área Costeira de Itapema (FAACI) multou a empresa Águas de
Itapema, responsável pelo tratamento de esgoto na cidade, em razão do derramamento de esgoto não
tratado no rio da Fita, que desemboca no Perequê. “A água chegou a ficar tão escura que parecia petróleo,
e o cheiro estava insuportável. A situação só melhorou porque choveu. Aí, começaram a aparecer os peixes
mortos”, disse Maria Gandia, administradora de uma marina que fica junto ao rio Perequê. A mortandade
atingiu espécies como tainhotas, bagres e escrivãos. Os peixes, que desceram o rio, surgiram nas margens
e na areia das praias de Perequê e de Meia Praia. Internet: < www.osoldiario.clicrbs.com.br > (com
adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando os múltiplos aspectos que ele suscita, julgue o
próximo item.
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Poluição é uma alteração adversa das características do meio ambiente resultante de atividades que direta
ou indiretamente prejudiquem o bem-estar da população. Aquele que causar poluição é obrigado,
independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a
terceiros, afetados por sua atividade.
Resposta. Item certo. A poluição é espécie do gênero degradação, sendo uma alteração adversa das
características do meio ambiente resultante de atividades que prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-
estar da população; criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; afetem desfavoravelmente
a biota; afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente e lancem matérias ou energia em
desacordo com os padrões ambientais estabelecidos. A responsabilidade civil é sempre objetiva. Cabe ao
poluidor a obrigação de indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente.
30. (DEINFRA – SC/Engenheiro/FEPESE – 2019) Assinale a alternativa que indica corretamente a sigla
da estrutura adotada para a gestão ambiental no Brasil, formada pelos órgãos e entidades da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios responsáveis pela proteção, melhoria e recuperação da
qualidade ambiental no Brasil, criada pela Lei 6.938/1981 e regulamentada pelo Decreto 99.274/1990.
(A)FATMA
(B)FEPAM
(C)CONAMA
(D)SISNAMA
(E)CONSEMA
Resposta. Item D. A Lei 6.938/81 institui o Sistema Nacional de Meio Ambiente - Sisnama dividindo em seis
níveis de gestão as políticas ambientais do Brasil buscando uma atuação coordenada e eficiente dos entes
federativos.
31. (IF-RS/Professor/ IF-RS - 2016 - IF-RS) A lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 dispõe sobre a Política
Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, constitui o Sistema
Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e institui o Cadastro de Defesa Ambienta. O Sisnama é constituído
de órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, bem
como as fundações incluídas pelo Poder Público, sendo estruturado da seguinte forma:
O Conselho de Governo, órgão (______), deve assessorar o Presidente da República na formulação da política
nacional e nas diretrizes governamentais para o meio ambiente e os recursos ambientais. O Conselho
Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), órgão (______),deve assessorar, estudar e propor, ao Conselho de
Governo, diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais e deliberar, no
âmbito de sua competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente
equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida. O Ministério do Meio Ambiente da Presidência da
República, órgão (______), deve planejar, coordenar, supervisionar e controlar a política nacional e as
diretrizes governamentais. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis -
IBAMA e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Instituto Chico Mendes, são os órgãos
(________).
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Assinale a alternativa que apresenta as palavras que preenchem CORRETAMENTE as lacunas, na ordem em
que aparecem no texto.
(A)Superior – central – consultivo e deliberativo – executores.
(B)Superior – executor – consultivo e deliberativo – centrais.
(C)Superior – consultivo e deliberativo – central – executores.
(D)Central – superior – consultivo e deliberativo – executores.
(E)Central – superior – executor – consultivos e deliberativos.
Resposta. Letra C. As alternativas representam as exatas descrições dos incisos do art.6º, da Lei 6.938/81,
que dispõe sobre a composição do Sisnama que tem como órgão superior o Conselho de Governo.
32. (ICMBIO/Técnico Ambiental/CESPE – 2014) Com relação à Lei n.º 11.516/2007, que criou o ICMBio,
julgue o próximo item.
O exercício do poder de polícia ambiental para a proteção das UCs federal é de competência do ICMBio, não
excluída a ação supletiva do IBAMA
Resposta. Item certo. O IBAMA poderá atuar de forma suplementar na fiscalização das unidades de
conservação federal, considerando o permissivo autorizativo do art. 17, §3º, da Lei Complementar 140/2011,
bem como a competência comum administrativa que tem cada ente federativo para o exercício do poder de
polícia preventivo visando a proteção do meio ambiente.
Resposta. Item E. Há previsão expressa do Sistema Nacional de Informações ambientais, não prevendo um
sistema sul-americano. Os demais itens são instrumentos da PNMA previsto no art. 9º, da Lei 6.938/81
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Resposta. Item E. A área a ser destinada a servidão ambiental não pode incluir a área de preservação
permanente e a área de reserva legal. Quanto ao prazo de duração, podem ser perpétuas ou temporárias,
sendo esta, nunca inferior a 15 anos.
Resposta. Item C. A averbação deve ser feita na matrícula do imóvel nos termos do §4º, do art. 9º -A, da Lei
da PNMA.
37. (SEAD-AP/Agente Penitenciário/FCC – 2002) O Zoneamento Ecológico Econômico - ZEE pode ser
considerado importante para o desenvolvimento sustentável do Estado do Amapá porque
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(A)fornece as informações para que o zoneamento urbano seja feito respeitando as potencialidades e as
características ecológicas e econômicas encontradas na capital do Estado.
(B)identifica as zonas de maior importância ecológica e econômica onde serão concentrados os esforços e
recursos para implantação dos grandes projetos de desenvolvimento.
(C)fornece as informações necessárias para o ordenamento do território e planejamento do uso sustentável
dos recursos de acordo com as potencialidades sociais e vulnerabilidades naturais.
(D)garante a repartição dos recursos financeiros gerados pelo desenvolvimento sustentável de acordo com
as potencialidades ecológicas e necessidades econômicas das zonas rurais.
(E)identifica as zonas com maior abundância de recursos naturais exploráveis onde serão implantados
projetos de crescimento econômico e ordenamento territorial.
Resposta. Item C. Nos termos do art. 2º, do Decreto 4.297/2002, o ZEE é instrumento de organização do
território a ser obrigatoriamente seguido na implantação de planos, obras e atividades públicas e privadas,
estabelece medidas e padrões de proteção ambiental destinados a assegurar a qualidade ambiental, dos
recursos hídricos e do solo e a conservação da biodiversidade, garantindo o desenvolvimento sustentável e
a melhoria das condições de vida da população.
Resposta. Item D. Nos termos do art. 6º, do Decreto 4.297/2002, compete ao Poder Público Federal elaborar
e executar o ZEE nacional e regionais, quando tiver por objeto biomas brasileiros ou territórios abrangidos
por planos e projetos prioritários estabelecidos pelo Governo Federal. O item “A” está incorreto porque a
elaboração do ZEE exige a participação da sociedade, notadamente pela realização de audiências públicas.
O item “B” está incorreto tendo em vista que o principal objetivo do ZEE é a busca pelo desenvolvimento
sustentável. O item “C” está incorreto porque o ZEE não utiliza como limites as bacias hidrográficas. O item
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“E” está incorreto, pois essa disponibilidade é obrigação de todos os entes em cada uma das esferas de
elaboração do ZEE.
Resposta. Item E. O item está incorreto porque a atividade de utilização de carvão vegetal exige que seja
utilizada acima de 10 toneladas por dia.
40. (IF-RS/Ciências Ambientais e Meio Ambiente/IF-RS – 2015) Impacto ambiental é considerado pela
Resolução CONAMA Nº 01/1986 como qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas
do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas
que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população, as atividades
sociais e econômicas, a biota, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos
recursos ambientais. Dentre as atividades técnicas que o estudo de impacto ambiental deve no mínimo
desenvolver, assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma dessas atividades.
(A)Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto, completa descrição e análise dos recursos
ambientais e suas interações, tal como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área, antes
da implantação do projeto, considerando o meio físico, o meio biológico e os ecossistemas naturais e o meio
socioeconômico.
(B)Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, através de identificação, previsão da
magnitude e interpretação da importância dos prováveis impactos relevantes.
(C)Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre elas os equipamentos de controle e
sistemas de tratamento de despejos, avaliando a eficiência de cada uma delas.
(D)Elaboração do programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos positivos e negativos,
indicando os fatores e parâmetros a serem considerados.
(E)A caracterização da qualidade ambiental futura da área de influência, comparando as diferentes situações
da adoção do projeto e suas alternativas, bem como com a hipótese de sua não realização.
Resposta. Item E. Essa previsão não é do EPIA e sim do RIMA, nos termos do Art. 9º, V, da Resolução Conama
n. 01/1986
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41. (SLU-DF/Analista de Gestão de Resíduos Sólidos/CESPE – 2019) A respeito dos procedimentos para
licenciamento ambiental de atividades com potencial de modificar o meio ambiente, julgue o item
subsequente.
Todo procedimento de licenciamento ambiental deve ser precedido de audiência pública.
Resposta. Item incorreto. A realização da audiência pública não é obrigatória ficando a critério do órgão
ambiental licenciador, ou quando for solicitado por entidade civil, pelo Ministério Público, ou por 50
(cinquenta) ou mais cidadãos, o Órgão de Meio Ambiente promoverá a realização de audiência pública.
42. (SEMAR-PI/ Auditor Fiscal Ambiental/FCC – 2018) A Resolução n° 9/1987 do Conselho Nacional do
Meio Ambiente − CONAMA dispõe sobre a realização de Audiências Públicas no processo de licenciamento
ambiental. Segundo estabelece a referida normativa,
(A)sempre que julgar necessário, ou quando for solicitado por entidade civil, pelo Ministério Público, ou por
100 ou mais cidadãos, o Órgão de Meio Ambiente promoverá a realização de audiência pública.
(B)no caso de haver solicitação de audiência pública pelo Ministério Público e na hipótese do Órgão Estadual
não realizá-la, a licença concedida não terá validade.
(C) o Órgão de Meio Ambiente, a partir da data do recebimento do Relatório de Impacto Ambiental − RIMA,
fixará em edital e anunciará pela imprensa local a abertura do prazo que será, no mínimo, de 90 dias para
solicitação de audiência pública.
(D)a audiência pública será dirigida pelo representante do Ministério Público, conjuntamente com o
representante do Órgão licenciador, que, após a exposição objetiva do projeto e do seu respectivo Relatório
de Impacto Ambiental − RIMA, abrirá as discussões com os interessados presentes.
(E)independentemente da função da localização geográfica dos solicitantes, e da complexidade do tema, não
poderá haver mais de uma audiência pública sobre o mesmo projeto de respectivo Relatório de Impacto
Ambiental − RIMA.
Resposta. Item B. O item “A” está incorreto porque são necessários, no mínimo, 50 cidadãos para que a
audiência pública seja obrigatória. O item “B” está correto tendo em vista que a não realização da audiência
nos casos em que ela é obrigatória, macula o ato tornando a licença inválida. O item “C” está incorreto, pois
o prazo será de no mínimo 45 dias. O item “D” está incorreto porque a audiência pública será dirigida pela
representante do órgão ambiental competente. O item “E” está incorreto considerando que a localização
geográfica dos solicitantes, e a complexidade do tema, ensejará a necessidade de haver mais de uma
audiência pública sobre o mesmo projeto.
LISTA DE QUESTÕES
Magistratura
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audiência pública no bojo do licenciamento ambiental, para sugerir ajustes nos estudos. Nessa situação
hipotética, a solicitação da audiência pública deverá ser feita:
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4. (TJ-RR/Juiz Substituto/FCC – 2015) Joaquim pretende instalar uma indústria, que gera poluição
acima dos padrões admitidos, em um Município absolutamente carente. A indústria proporcionará
empregos e trará arrecadação ao Município. Segundo a finalidade da Política Nacional do Meio Ambiente,
a indústria,
(A)O licenciamento ambiental é exigido tanto para atividades efetivamente poluidoras como para aquelas
que apenas potencialmente o são, sendo a realização de estado de impacto ambiental (EIA/RIMA) uma de
suas etapas obrigatórias.
(B)Os espaços territoriais especialmente protegidos, totalmente disciplinados na lei que regulamenta o
SNUC, não integram o rol de instrumentos da PNMA.
(C)O tombamento, instrumento da PNMA, destina-se especificamente à proteção do meio ambiente cultural.
(D)O zoneamento ambiental, que consiste em limitação do uso do solo, atende ao princípio segundo o qual
a propriedade deve cumprir sua função social e configura aspecto do exercício do poder de polícia.
Promotor
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Antes da expedição da licença, o órgão estadual de meio ambiente deverá desenvolver o estudo prévio de
impacto ambiental (EIA) e emitir o respectivo relatório de impacto ambiental (RIMA), para evitar, mitigar e
compensar os impactos ambientais do empreendimento.
(A)10 anos.
(B)15 anos.
(C)5 anos.
(D)2 anos.
(E)20 anos.
Procurador
10. (AL-SP/Procurador/FCC – 2010) Os princípios gerais da Política Nacional do Meio Ambiente têm por
objetivo a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando
assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional
e à proteção da dignidade da vida humana. NÃO se insere, dentre esses princípios,
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(A)o planejamento e a fiscalização do uso dos recursos ambientais e a proteção de áreas ameaçadas de
degradação.
(B)o acompanhamento pelo estado da qualidade ambiental e a proteção dos ecossistemas, com a
preservação de áreas representativas.
(C)o controle e o mapeamento das atividades e serviços dos entes federados, ainda que não potencial ou
efetivamente poluidoras.
(D)a incentivo ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos
ambientais.
(E)a racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar e a recuperação de áreas degradadas.
Ao usuário será imposta contribuição pelos custos advindos da utilização de recursos ambientais com fins
econômicos.
12. (Prefeitura de Paulínia – SP/Procurador Prova: FGV – 2016) Nos termos da Lei da Política Nacional
do Meio Ambiente – Lei n. 6.938/81, assinale a competência que não é atribuída ao CONAMA – Conselho
Nacional do Meio Ambiente.
(A)Estabelecer, mediante proposta do IBAMA, normas e critérios para o licenciamento de atividades efetiva
ou potencialmente poluidoras.
(B)Fixar os limites de Área de Preservação Permanente, em zonas rurais e urbanas, bem como disciplinar o
seu regime de proteção.
(C)Estabelecer normas, critérios e padrões relativos ao controle e à manutenção da qualidade do meio
ambiente, com vistas ao uso racional dos recursos ambientais.
(D)Estabelecer, privativamente, normas e padrões nacionais de controle da poluição por veículos
automotores, aeronaves e embarcações, mediante audiência dos Ministérios competentes.
(E)Determinar, mediante representação do IBAMA, a perda ou restrição de benefícios fiscais concedidos pelo
Poder Público, em caráter geral ou condicional, e a perda ou suspensão de participação em linhas de
financiamento em estabelecimento oficial de crédito.
(A)O fato gerador da TCFA é o exercício regular do poder de polícia conferido a todos os órgãos integrantes
do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) para o controle e a fiscalização das atividades
potencialmente poluidoras e utilizadoras de recursos naturais.
(B)É sujeito passivo da TCFA todo aquele que exerça as atividades potencialmente poluidoras e utilizadoras
de recursos ambientais previstas no anexo VIII da Lei Federal n.º 6.938/1981.
(C)A TCFA é devida em razão de cada atividade individualmente exercida e não por estabelecimento.
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(D)São isentas do pagamento da TCFA as entidades públicas federais, distritais, estaduais e municipais, as
entidades filantrópicas, as fundações públicas ou privadas, as entidades declaradas de utilidade pública pela
União, pelo Distrito Federal, pelos Estados ou pelos Municípios, aqueles que praticam agricultura de
subsistência e as populações tradicionais.
(A) deve atender ao princípio da publicidade e da informação, garantindo a realização de audiências públicas,
que serão realizadas sempre que o órgão licenciador julgar necessário, ou quando solicitado por entidade
civil, pelo Ministério Público, ou por, no mínimo, 100 pessoas.
(B)é um instrumento da PNMA que atende, de forma exemplar, o princípio da prevenção, devendo ser
realizado antes da concessão de licenças ambientais, o que impede, após a concessão de licença, que seja
exigido pelo órgão ambiental competente um estudo de impacto ambiental, diante de uma nova situação
preocupante com relação a impactos ao meio ambiente.
(C)é exigido, na forma da lei, para instalação de obra ou qualquer atividade potencialmente causadora de
qualquer tipo de degradação do meio ambiente, a que se dará a devida publicidade.
(D)será realizado por equipe multidisciplinar habilitada, dependente direta ou indiretamente do proponente
do projeto e que será responsável tecnicamente pelos resultados apresentados.
(E)se insere como ferramenta do licenciamento ambiental e as conclusões do Estudo de Impacto Ambiental
darão origem ao Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), que deverá ser apresentado de forma objetiva e
adequada a sua compreensão.
O estudo de impacto ambiental e o relatório de impacto ambiental são documentos ambientais obrigatórios
para a realização do procedimento administrativo de licenciamento ambiental.
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de 31 de agosto de 1981:
I. racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar.
II. planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais.
III. proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas.
IV. controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras.
São princípios da Política Nacional do Meio Ambiente os itens
(A)I, II e IV.
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(A)que satisfaz as necessidades globais sem sacrificar a habilidade do indivíduo de satisfazer as suas
necessidades.
(B)que satisfaz as necessidades das sociedades atuais sem sacrificar a habilidade das sociedades futuras de
satisfazer as suas necessidades.
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(C)que utiliza somente os recursos ambientais renováveis, não sacrificando a habilidade do futuro de
satisfazer as suas necessidades.
(D)que ocorre sem o uso de recursos naturais, de forma a preservá-los para as gerações futuras.
(E)onde as atividades da geração presente ocorrem de tal forma que o meio ambiente é preservado intocado
para as gerações futuras.
(A) a definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qualidade e ao equilíbrio ecológico,
atendendo aos interesses municipais.
(B)o uso de tecnologias mitigadoras no manejo do meio ambiente, à divulgação de dados e informações
ambientais quando autorizadas por lei.
(C)a orientação somente das atividades empresariais públicas que serão exercidas em consonância com as
diretrizes da Política Nacional do Meio Ambiente.
(D)ao estabelecimento de critérios e padrões de qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo
de recursos ambientais.
(E)o fomento do desenvolvimento econômico, com observância nos casos estabelecidos em lei
complementar, da preservação da qualidade do meio ambiente
I. meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica,
que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas.
II. degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das características do meio ambiente.
III. poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente,
prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; criem condições adversas às atividades
sociais e econômicas; afetem desfavoravelmente a biota; afetem as condições estéticas ou sanitárias do
meio ambiente; lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos.
IV. poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente,
por atividade causadora de degradação ambiental.
(A)Apenas I e II.
(B)Apenas I, II e IV.
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29. (MPU/Analista/CESPE – 2013) Centenas de peixes apareceram mortos no rio Perequê, que divide
as cidades de Itapema e Porto Belo. A mortandade pode estar relacionada à poluição que apareceu no rio
nos últimos dias. A Fundação Ambiental Área Costeira de Itapema (FAACI) multou a empresa Águas de
Itapema, responsável pelo tratamento de esgoto na cidade, em razão do derramamento de esgoto não
tratado no rio da Fita, que desemboca no Perequê. “A água chegou a ficar tão escura que parecia petróleo,
e o cheiro estava insuportável. A situação só melhorou porque choveu. Aí, começaram a aparecer os peixes
mortos”, disse Maria Gandia, administradora de uma marina que fica junto ao rio Perequê. A mortandade
atingiu espécies como tainhotas, bagres e escrivãos. Os peixes, que desceram o rio, surgiram nas margens
e na areia das praias de Perequê e de Meia Praia. Internet: < www.osoldiario.clicrbs.com.br > (com
adaptações).
Tendo o texto acima como referência inicial e considerando os múltiplos aspectos que ele suscita, julgue o
próximo item.
Poluição é uma alteração adversa das características do meio ambiente resultante de atividades que direta
ou indiretamente prejudiquem o bem-estar da população. Aquele que causar poluição é obrigado,
independentemente da existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a
terceiros, afetados por sua atividade.
30. (DEINFRA – SC/Engenheiro/FEPESE – 2019) Assinale a alternativa que indica corretamente a sigla
da estrutura adotada para a gestão ambiental no Brasil, formada pelos órgãos e entidades da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios responsáveis pela proteção, melhoria e recuperação da
qualidade ambiental no Brasil, criada pela Lei 6.938/1981 e regulamentada pelo Decreto 99.274/1990.
(A)FATMA
(B)FEPAM
(C)CONAMA
(D)SISNAMA
(E)CONSEMA
31. (IF-RS/Professor/ IF-RS - 2016 - IF-RS) A lei 6.938, de 31 de agosto de 1981 dispõe sobre a Política
Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, constitui o Sistema
Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e institui o Cadastro de Defesa Ambienta. O Sisnama é constituído
de órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e dos Municípios, bem
como as fundações incluídas pelo Poder Público, sendo estruturado da seguinte forma:
O Conselho de Governo, órgão (______), deve assessorar o Presidente da República na formulação da política
nacional e nas diretrizes governamentais para o meio ambiente e os recursos ambientais. O Conselho
Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), órgão (______),deve assessorar, estudar e propor, ao Conselho de
Governo, diretrizes de políticas governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais e deliberar, no
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âmbito de sua competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente
equilibrado e essencial à sadia qualidade de vida. O Ministério do Meio Ambiente da Presidência da
República, órgão (______), deve planejar, coordenar, supervisionar e controlar a política nacional e as
diretrizes governamentais. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis -
IBAMA e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - Instituto Chico Mendes, são os órgãos
(________).
Assinale a alternativa que apresenta as palavras que preenchem CORRETAMENTE as lacunas, na ordem em
que aparecem no texto.
(A)Superior – central – consultivo e deliberativo – executores.
(B)Superior – executor – consultivo e deliberativo – centrais.
(C)Superior – consultivo e deliberativo – central – executores.
(D)Central – superior – consultivo e deliberativo – executores.
(E)Central – superior – executor – consultivos e deliberativos.
32. (ICMBIO/Técnico Ambiental/CESPE – 2014) Com relação à Lei n.º 11.516/2007, que criou o ICMBio,
julgue o próximo item.
O exercício do poder de polícia ambiental para a proteção das UCs federal é de competência do ICMBio, não
excluída a ação supletiva do IBAMA
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(D)Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) é o órgão superior do Sisnama, e a Secretaria do Meio
Ambiente da Presidência da República é o órgão executor.
(E)Secretaria do Meio Ambiente da Presidência da República administra o Cadastro Técnico Federal de
Atividades Potencialmente Poluidoras ou Utilizadoras de Recursos Ambientais.
37. (SEAD-AP/Agente Penitenciário/FCC – 2002) O Zoneamento Ecológico Econômico - ZEE pode ser
considerado importante para o desenvolvimento sustentável do Estado do Amapá porque
(A)fornece as informações para que o zoneamento urbano seja feito respeitando as potencialidades e as
características ecológicas e econômicas encontradas na capital do Estado.
(B)identifica as zonas de maior importância ecológica e econômica onde serão concentrados os esforços e
recursos para implantação dos grandes projetos de desenvolvimento.
(C)fornece as informações necessárias para o ordenamento do território e planejamento do uso sustentável
dos recursos de acordo com as potencialidades sociais e vulnerabilidades naturais.
(D)garante a repartição dos recursos financeiros gerados pelo desenvolvimento sustentável de acordo com
as potencialidades ecológicas e necessidades econômicas das zonas rurais.
(E)identifica as zonas com maior abundância de recursos naturais exploráveis onde serão implantados
projetos de crescimento econômico e ordenamento territorial.
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(A)o processo de elaboração e implementação do ZEE é objeto de críticas da sociedade e de reavaliação, pois
não contempla a ampla participação democrática, nem a valorização do conhecimento científico
multidisciplinar.
(B)o processo de elaboração e implementação do ZEE objetiva compatibilizar o crescimento econômico e a
proteção dos recursos naturais, embora não busque a sustentabilidade ecológica, econômica e social.
(C)o ZEE divide o território nacional em zonas, sempre considerando os limites das bacias hidrográficas como
fronteiras dessas zonas, para fins de conservação e uso racional dos recursos naturais.
(D)o Poder Público Federal elabora e executa o ZEE nacional e os regionais, quando tiver por objeto biomas
brasileiros ou territórios abrangidos por planos e projetos prioritários do Governo Federal.
(E)a responsabilidade de reunir e de sistematizar as informações geradas pelo ZEE, bem como de
disponibilizá-las publicamente, é exclusiva dos Estados e Municípios.
40. (IF-RS/Ciências Ambientais e Meio Ambiente/IF-RS – 2015) Impacto ambiental é considerado pela
Resolução CONAMA Nº 01/1986 como qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas
do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas
que, direta ou indiretamente, afetam a saúde, a segurança e o bem-estar da população, as atividades
sociais e econômicas, a biota, as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente e a qualidade dos
recursos ambientais. Dentre as atividades técnicas que o estudo de impacto ambiental deve no mínimo
desenvolver, assinale a alternativa que NÃO corresponde a uma dessas atividades.
(A)Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto, completa descrição e análise dos recursos
ambientais e suas interações, tal como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área, antes
da implantação do projeto, considerando o meio físico, o meio biológico e os ecossistemas naturais e o meio
socioeconômico.
(B)Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, através de identificação, previsão da
magnitude e interpretação da importância dos prováveis impactos relevantes.
(C)Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre elas os equipamentos de controle e
sistemas de tratamento de despejos, avaliando a eficiência de cada uma delas.
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41. (SLU-DF/Analista de Gestão de Resíduos Sólidos/CESPE – 2019) A respeito dos procedimentos para
licenciamento ambiental de atividades com potencial de modificar o meio ambiente, julgue o item
subsequente.
Todo procedimento de licenciamento ambiental deve ser precedido de audiência pública.
42. (SEMAR-PI/ Auditor Fiscal Ambiental/FCC – 2018) A Resolução n° 9/1987 do Conselho Nacional do
Meio Ambiente − CONAMA dispõe sobre a realização de Audiências Públicas no processo de licenciamento
ambiental. Segundo estabelece a referida normativa,
(A)sempre que julgar necessário, ou quando for solicitado por entidade civil, pelo Ministério Público, ou por
100 ou mais cidadãos, o Órgão de Meio Ambiente promoverá a realização de audiência pública.
(B)no caso de haver solicitação de audiência pública pelo Ministério Público e na hipótese do Órgão Estadual
não realizá-la, a licença concedida não terá validade.
(C) o Órgão de Meio Ambiente, a partir da data do recebimento do Relatório de Impacto Ambiental − RIMA,
fixará em edital e anunciará pela imprensa local a abertura do prazo que será, no mínimo, de 90 dias para
solicitação de audiência pública.
(D)a audiência pública será dirigida pelo representante do Ministério Público, conjuntamente com o
representante do Órgão licenciador, que, após a exposição objetiva do projeto e do seu respectivo Relatório
de Impacto Ambiental − RIMA, abrirá as discussões com os interessados presentes.
(E)independentemente da função da localização geográfica dos solicitantes, e da complexidade do tema, não
poderá haver mais de uma audiência pública sobre o mesmo projeto de respectivo Relatório de Impacto
Ambiental − RIMA.
GABARITO
Magistratura
1. E
2. B
3. D
4. E
5. D
Promotor
6. VERDADEIRO
7. FALSO
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8. B
9. D
Procurador
10. C
11. CORRETO
12. B
13. B
14. E
15. ERRADO
Outros
16. ERRADO
17. D
18. E
19. A
20. B
21. A
22. B
23. B
24. D
25. B
26. D
27. ERRADO
28. E
29. CERTO
30. D
31. C
32. CERTO
33. E
34. C
35. E
36. C
37. C
38. D
39. E
40. E
41. INCORRETO
42. B
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