PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ
ESCOLA DE DIREITO
CURSO DE DIREITO
TRABALHO – INVENTÁRIO
Trabalho apresentado ao
Curso de Graduação em
Direito da Pontifícia
Universidade Católica do
Paraná, à disciplina de
Sucessões - 9º Período - B –
noturno
Professora: Fernanda Pinheiro
CURITIBA
2018
INVENTÁRIO E PARTILHA
1. INVENTÁRIO JUDICIAL
É cediço que, com a morte do de cujus, ocorre a abertura da
sucessão, não podendo ser confundido com inventário.
Ensina CAHALI1:
É conveniente deixar claro que a abertura da sucessão ocorre com a
morte, e não se confunde com a abertura do inventário, fato este
instaurado com a provocação judicial comunicando o falecimento, ou
para as hipóteses de inventário extrajudicial, quando é lavrada a
escritura pública correspondente.
O inventário seja ele, judicial ou extrajudicial é indispensável, uma
vez que objetiva relacionar e avaliar os bens do auctor successionis, a fim
de se viabilizar aos herdeiros a igualdade na divisão do acervo. “O
inventário é processo judicial tendente a relação, descrição, avaliação e
liquidação de todos os bens pertencentes ao de cujus ao tempo de sua
morte, para distribuí-los entre seus sucessores 2”.
O procedimento de inventário deve seguir algumas formalidades. A
abertura do inventário deve ser solicitado no foro do último domicílio do
autor da herança, ou na falta deste, no indicado no art. 48 do NCPC. O
prazo para dar entrada é de 30 dias (decadencial). Ainda, o inventário
deverá ser concluído em 6 meses de seu requerimento.
Para propor a abertura do inventário faz-se necessário a juntada da
certidão de óbito do falecido e a procuração do advogado signatário na
petição, salvo se o requerimento for realizado pela Fazenda Pública. Há
possiblidade de o juiz instaurar o inventário ex officio, se no prazo legal o
inventário não se iniciar ou a requerimento. A nomeação do inventariante se
dará quando o juiz despachar a petição, ato contínuo ocorrerá a prestação
1
CAHALI, Francisco. Direito das Sucessões. pg 38.
2
DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro, vol. 6. 25ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
pg. 406.
do compromisso, a partir de então terá 20 dias para realizar as primeiras
declarações, que posteriormente serão reduzidas a termo, devendo seguir
as formalidades do art. 620 NCPC. Cabe ao inventariante a administração e
a representação ativa e passiva da herança. “A inventariança é encargo
pessoal, pois gera responsabilidade própria daquele que a exerce, e de
investidura isolada, não podendo ser exercida conjuntamente por duas
pessoas, mesmo que no inventário se tenha mais de um espólio 3”.
Durante a inventariança, não cabe remuneração ao inventariante,
exceto se for dativo. O administrador tem o dever de prestar contas, uma
vez que o encargo envolve gerir negócios alheios. A prestação de contas
esta sujeita a apreciação judicial, sendo passível o inventariante de sofrer
sanções que podem levar a remoção da administração da herança e ainda
ser responsabilizado devendo indenizar os prejuízos causados, sejam eles
de forma dolosa ou culposa. O inventariante que não cumprir as regras será
intimado para defender-se.
O NCPC dispõe em seu art. 613, que enquanto não houver a
prestação de compromisso, há possibilidade administrador provisório,
sendo permitido a representação ativa e passiva da herança. Ainda o art.
1797 do CC, prevê que até que ocorra o compromisso, também caberá
sucessivamente a administração da herança ao cônjuge ou companheiro
sobrevivente, ao herdeiro que estiver na posse e administração dos bens,
ao testamenteiro, ou a pessoa de confiança do juiz.
Ocorrendo a lavratura e assinatura do termo de inventariança, e já
realizadas as primeiras declarações, ou ainda juntada de cópia de
testamente se houver, o juiz procederá a citação dos envolvidos. Após a
oitiva dos interessados ocorrerá a avaliação dos bens do espólio. A
avaliação será realizada por avaliador judicial e na falta deste por perito
nomeado que apresentará laudo constando a descrição minuciosa dos
bens e a estimativa de valores. Os interessados poderão em 10 dias se
manifestarem aceitando ou impugnando o laudo. Após a aceitação, o juiz
3
DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro, vol. 6. 25ª ed. São Paulo: Saraiva, 2011.
pg. 409.
ordenará que se realize o cálculo do ITCMD, novamente as partes serão
ouvidas, não havendo nova impugnação o magistrado determinará a
expedição das guias de pagamento. Ocorrendo o pagamento dos tributos
pertinentes, ocorrerá a partilha.
Durante o inventário ocorre a apuração da liquidez da herança,
averiguando-se o que é cabível aos herdeiros. Na fase de liquidação da
herança primeiramente é retirado do inventário os bens de direitos que
estavam com o de cujus. Posteriormente ocorre o pagamento de todos os
débitos da herança. Prevê o art. 1997 do CC – A herança responde pelas
dívidas do espólio antes da partilha, e os herdeiros só responderão depois
de feita a partilha, proporcionalmente a parte que lhes coube na herança.
Tartuce4 ensina:
Os herdeiros não podem responder além das forças da herança
(ultra vires hereditatis). Não há previsão legal que o herdeiro deva,
com seu patrimônio próprio, pagar as dívidas do falecido. Se o
falecido deixou mais dívida que patrimônio, faleceu em estado de
insolvência e os credores não receberão o que lhe é devido.
No entanto, pertinente ao pagamento de dívidas, o espólio deve
respeitar a ordem legal: dívidas póstumas - custas judiciais, gastos com luto
do cônjuge e filhos, e dívidas do falecido – despesas com doença, gastos
necessário a manutenção do falecido e de sua família, salário devido a
empregados e demais débitos por ele contraídos.
Na hipótese dos herdeiros serem maiores e capazes, e tencionando
em realizar a partilha amigável dos bens do espólio que forem igual ou
inferior a 2.000 obrigações reajustáveis do tesouro nacional, poderá ser
realizado o arrolamento, que pode ser entendido como um processo
simplificado do inventário.
2. INVENTÁRIO EXTRAJUDICIAL
4
TARTUCE, Flávio. Direito das sucessões. 8ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015. Pg. 597.
A lei 11.441/2007 possibilitou a realização de inventário, partilha,
separação consensual e divórcio consensual por via administrativa. Todavia
há requisitos a serem observados, para que se possa utilizar-se do inventário
extrajudicial, quais sejam: todos os interessados devem ser maiores e
capazes ou emancipados e estarem de acordo com a partilha, devendo
todos comparecerem perante o tabelião, acompanhados de advogado.
Não é permitido realizar inventário judicial se o de cujus tiver deixado
testamento contendo disposições de ordem material, se a viúva estiver
grávida ou ainda pedido de inventário negativo.
O notário é responsável pela fiscalização do pagamento dos impostos
que incidam sobre os atos, caso os herdeiros não disponham de recursos
para quitar os tributos, deverão realizar o inventário judicial, solicitando
autorização ao juiz para que procedam a venda de algum bem.
Também é viável via escritura pública a sobrepartilha – bens
sonegados e quaisquer outros bens da herança de que se tiver ciência após
a partilha.
Gonçalves5 ensina:
Faz-se a sobrepartilha, assim, pela mesma forma que a partilha, isto
é, por outra escritura pública, desde que todos os herdeiros sejam
capazes e concordes. Mesmo que o inventário tenha se processado
judicialmente, a sobrepartilha poderá ser realizada
administrativamente, e vice-versa.
No decorrer do inventário é defeso aos herdeiros ocultarem doações
que tenham recebido em vida do de cujus. O intuito da colação é igualar a
legítima dos herdeiros necessários. Ocorrendo o descumprimentos dos
deveres, os herdeiros estarão cometendo sonegação e estarão sujeitos a
penas civis e penais, que deverão ser requeridas por ação própria, movida
pelos herdeiros legítimos e testamentários, ou ainda pelos credores da
herança. Em decorrência dos direitos fiscais relativos ao bem, a Fazenda
Pública também pode propor ação. Ocorrendo a procedência da ação, os
bens sonegados deverão ser restituídos ao espólio, não sendo possível, o
juiz ordenará o pagamento da importância correspondente ao valor da coisa.
5
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito civil brasileiro, vol 7. São Paulo: Saraiva, 2012. Pg 520.