VARIANTES
LINGUÍSTICAS
Professora
Luciana Franco
O texto que segue é de autoria de um cantor conhecido, leiam-no e tentem lembrar de quem se trata.
"Intonce" eu disse, adeus Rosinha
Quando "oiei" a terra ardendo Guarda contigo meu coração
Qual a fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu, ai Hoje longe, muitas légua
Por que tamanha judiação Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo
Eu perguntei a Deus do céu, ai
Pra mim vortar pro meu sertão
Por que tamanha judiação
Que braseiro, que fornaia Espero a chuva cair de novo
Nem um pé de "prantação“ Pra mim vortar pro meu sertão
Por farta d'água, perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão Quando o verde dos teus "óio“
Se "espaiar" na prantação
Por farta d'água, perdi meu gado Eu te asseguro não chore não, viu
Morreu de sede meu alazão Que eu vortarei, viu
Meu coração
Inté mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão Eu te asseguro não chore não, viu
"Intonce" eu disse, adeus Rosinha Que eu vortarei, viu
Guarda contigo meu coração
Meu coração https://www.youtube.com/watch?v=nQm4uJn0090
Preconceito linguístico x opressão
AS VARIANTES LINGUÍSTICAS
✓Cada um de nós, quando nasce, começa a aprender a língua em casa,
com os familiares. Ao ouvir as pessoas falando, nós também vamos,
aos poucos, apropriando-nos do vocabulário e das leis combinatórias
da língua.
✓Também treinamos nossa boca e nossas cordas vocais para
produzirem sons, que se transformam em palavras, em frases e em
textos inteiros.
• Quando passamos a ter contato com outras pessoas na rua, na escola, na cidade e nos
sítios, percebemos que nem todos falam como nós e nossos parentes mais diretos, mas
nem por isso deixamos de compreendê-las.
Existem pessoas que falam diferente por serem de
outras famílias, de outras cidades ou de outras regiões do país, ou até mesmo por serem
mais idosas / jovens que nós.
Exemplo: Um falante
Regional nordestino, ao chegar numa
Conforme a
feira livre no Rio de Janeiro, diz
ao vendedor:
região do falante, o uso da
língua varia, pois este tem -Quero um quilo de macaxeira.
vocabulário e pronúncia E o vendedor responde:
próprios de sua região. O que -Caramba, não tenho. Tenho
não significa dizer que região X mandioca, serve?
fala “melhor” ou mais “bonito” O falante nordestino examina o
do que região Y. Quem assim pensa comete produto e diz: - Vou levar, é a
preconceito linguístico.
mesma coisa!
• É comum as pessoas de
diferentes épocas Exemplo:
utilizarem um Num consultório entram o avô (65
vocabulário diferente, e, anos) e o neto (10 anos). O avô olha
na maioria das vezes, para o médico e fala:
também escreverem de -Doutor, quero que o senhor me receite
modo diferenciado
um remédio para meu neto que está
devido às variações da
com difruço.
língua no tempo, as
quais atingem a faixa O médico, meio que aturdido, porém
etária dos falantes. Um compreende a fala do senhor e
exemplo vivo para nós é começa a prescrever a medicação. Eis
a reforma ortográfica, a que o neto interrompe:
qual muda o jeito de -Vovô, eu não tenho essa doença aí
escrever algumas não, tenho apenas um leve resfriado.
palavras.
• O nível de instrução do falante também faz com que a língua sofra variações. Isso quer dizer que falantes
com maior escolarização tendem a usar a língua de modo mais formal que os falantes de menor
escolaridade. Fato que, em muitos casos, provoca o surgimento do preconceito linguístico.
Conforme a situação Exemplo: A mãe com o filho, em casa, e na
escola, na qualidade de sua educadora.
comunicativa em que se
encontra o falante, ele Maria (mãe): -Filho, vá estudar variação
linguística. A avaliação é hoje, te dou uma
faz a língua variar. Isso bola se tirar 80. Não vai me envergonhar,
quer dizer que, em hein?
ambientes mais José (filho): - Mamãe, eu já sei que a língua
formais, a opção pelo varia conforme a região, o tempo, o grau de
uso formal da língua é instrução e um bocado de coisas mais. Me
mais conveniente. Já dê, mamãe, a bola.
com os familiares e Maria (na escola): - José, estude variação
colegas, o uso da linguística que a avaliação será hoje e eu
informalidade é mais darei à turma um livro a quem tirar 80.
usual. O interessante é José (na escola)- Professora, sei de todas as
saber fazer essas trocas. variações, inclusive como banir o preconceito
linguístico existente na nossa sociedade. E
agora, mereço o 80 e o livro?!
Língua oral e língua escrita
• A língua oral, (falada) também é diferente da língua escrita. Assim, quando
escrevemos, temos condições de escrever bem as palavras, de corrigir o texto
e melhorá-lo até transmitir exatamente o que desejamos. Na fala isso não é
possível, ela normalmente apresenta repetições, quebras de sequência lógica,
problemas de concordância e várias expressões de apoio, como né?, tá?,
entendem?, etc.
• Em outras palavras, poderíamos resumir que a escrita é planejada, enquanto
a fala não, é espontânea. Aquilo que escrevemos podemos rever, revisar, ao
passo que aquilo que falamos, não temos mais como voltar atrás. Nesse caso,
sendo uma ofensa ao outro, somente um pedido de desculpa poderá “sanar”
o dito. Aproveitem essa aula e, a partir de agora, não menosprezem seus
colegas se estes falarem arrastado, com gírias, ou mesmo se usarem palavras
desconhecidas para vocês. Saibam que todo falante nativo conhece muito
bem a sua língua materna.
Formal: também A língua culta ou padrão é veiculada nos
chamada de culta ou dicionários, nas gramáticas, nos textos
padrão. Ao falarmos em literários, técnico-científicos e jornalísticos e
público ou ao nas redações oficiais do país.
conversarmos com pessoas
mais instruídas do que nós,
ou ainda com pessoas que
ocupam cargo ou posição Informal: ao contrário, se a conversa for
elevada, passamos a com pessoas conhecidas, com as quais temos
empregar a língua formal, intimidade ou mesmo familiaridade,
isto é, falamos de modo podemos falar de modo informal, mais
mais cuidadoso. Evitamos
tanto as gírias e expressões popular e menos policiado, pois nosso
grosseiras quanto aquelas interlocutor não se chocará com a nossa
que demonstrem muita linguagem.
intimidade (caramba,
fofinha, bicho etc). (1)
Gíria e jargão: são os códigos
linguísticos próprios de um grupo
sociocultural com vocabulário especial,
incompreensível para quem dele não fizer
parte. Os médicos usam uma linguagem
típica da medicina, por exemplo, para
explicar um procedimento cirúrgico
(jargão); já os surfistas empregam gírias
entre eles.
Calão (ou baixo calão): é uma
realização linguística caracterizada pelo uso
de termos baixos, grosseiros ou obscenos,
que, dependendo do contexto, muitas vezes
chocam pela falta de decoro e desvalorizam
socialmente aqueles que os empregam.
Vale ressaltar que, no ato comunicativo, o
falante deverá primar por ser bem
compreendido linguisticamente, suas
escolhas deverão estar adequadas à
situação comunicativa vivenciada por ele,
bem como a seu interlocutor imediato.
a)Está com a pulga atrás da orelha.
A gíria, como a b)Comer o pão que o diabo amassou.
moda, passa. c)Procurar sarna para se coçar.
d)Prometer mundos e fundos.
✓Vocês lembram de e)Lutar com unhas e dentes.
gírias antigas?
f)Ser mão de vaca.
✓Deem alguns exemplos
de gírias usadas na g)Pisar em ovos.
nossa região.
i)Aquele homem é pirangueiro pra chuchu.
Preconceito
linguístico
Quando se afirma que alguém não sabe falar
corretamente porque não utiliza a variedade de maior
prestígio social, ou seja, a culta, ou mesmo quando
não se aceita uma diferença na pronúncia e no léxico
de uma pessoa, comete-se o preconceito linguístico.
Ele também se mascara em afirmações como: “o
certo é falar assim, porque se escreve assim”;
“brasileiro não sabe português”; “nordestino fala
tudo errado“ ;“pessoas sem instrução falam tudo
errado” etc.