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Teoria Interpessoal de Harry Sullivan

Este documento descreve a teoria interpessoal do psiquiatra americano Harry Stack Sullivan. Apresenta uma breve biografia de Sullivan e descreve seus principais conceitos como ansiedade, satisfação de necessidades e segurança interpessoal. Também aborda a estrutura e desenvolvimento da personalidade segundo a teoria de Sullivan.
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Teoria Interpessoal de Harry Sullivan

Este documento descreve a teoria interpessoal do psiquiatra americano Harry Stack Sullivan. Apresenta uma breve biografia de Sullivan e descreve seus principais conceitos como ansiedade, satisfação de necessidades e segurança interpessoal. Também aborda a estrutura e desenvolvimento da personalidade segundo a teoria de Sullivan.
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UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE

FACULDADE DE ENGENHARIA

DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA

CURSO DE LICENCIATURA EM PSICOLOGIA CLÍNICA E ASSISTÊNCIA


SOCIAL

Tema:

Harry Stack Sullivan

Chimoio, Abril de 2024


UNIVERSIDADE CATÓLICA DE MOÇAMBIQUE
FACULDADE DE ENGENHARIA
DEPARTAMENTO DE PSICOLOGIA
CURSO DE LICENCIATURA EM PSICOLOGIA CLÍNICA E ASSISTÊNCIA
SOCIAL
2o Ano – Laboral

Disciplina:

Psicologia da Personalidade

Tema:

Harry Stack Sullivan

Discentes: Docente:

Arlinda Antônio Rogério MSc. Dércia Chilaúle


Senete

Edmilson Marcos Juliasse Sine

Jerusalém de Leovigildo Cunhaque Pechém

Karisma Mussa Hassam Abdul Gani

Rumaissa Zahir Sidi

Chimoio, Abril de 2024


Índice
Capítulo I....................................................................................................................................4

1. Introdução............................................................................................................................4

1.1. Objectivos........................................................................................................................4

1.1.1. Geral.............................................................................................................................4

1.1.2. Específicos...................................................................................................................4

1.2. Metodologia.....................................................................................................................4

Capítulo II...................................................................................................................................5

2. Harry Stack Sullivan............................................................................................................5

2.1. Biografia..........................................................................................................................5

2.2. Teoria interpessoal...........................................................................................................6

2.2.1. Principais conceitos......................................................................................................6

2.2.1.1. Ansiedade.................................................................................................................7

2.2.1.2. Satisfação das necessidades......................................................................................7

2.2.1.3. Segurança interpessoal.............................................................................................7

2.3. A estrutura da personalidade............................................................................................8

2.4. O processo e a dinâmica da personalidade......................................................................9

2.5. Desenvolvimento da personalidade...............................................................................10

2.5.1. Estágios do desenvolvimento da teoria interpessoal..................................................11

2.5.2. Modos cognitivos desenvolvimentais........................................................................13

Capítulo III................................................................................................................................15

3. Conclusão..........................................................................................................................15

4. Referências bibliográficas.................................................................................................16
Capítulo I
1. Introdução

Neste trabalho de pesquisa realiza-se no âmbito da cadeira de Psicologia da Personalidade e


subordina-se ao tema: Teoria de Harry Stack Sullivan, onde apresentamos uma
breve biografia de Harry Stack Sullivan, sua teoria da interpessoal, a proposta de
Sullivan que é baseada em conceito, também apresentaremos a experiência que segundo este
autor é apresentada os estágios de desenvolvimento humano na infância de acordo com
Sullivan.

Em breve palavras, Harry Stack Sullivan foi um psiquiatra americano cujo trabalho em
psicanálise foi baseado, em contraste com as observações mais abstratas do inconsciente de
Sigmund Freud e seus discípulos, em observações diretas e verificáveis de seus pacientes.

A palavra personalidade é muito discutida entre os teóricos da Psicologia e por isso envolve
conceitos muito variados. Isso torna difícil precisar o seu significado.
Seria preciso, entao, um estudo mais aprofundado sobre cada um desses teóricos, dentre os
quais destacamos Harry Stack Sullivan, um psicanalista controvertido que foi muitas vezes
mal compreendido e muito criticado no meio norte-americano.

1.1. Objectivos
1.1.1. Geral
 Compreender a teoria interpessoal de Harry Stack Sullivan;
1.1.2. Específicos
 Descrever os principais conceitos da teoria de Harry Stack Sullivan’;
 Identificar a estrutura da personalidade;
 Descrever o processo e a dinâmica da personalidade;
 Compreender o processo do desenvolvimento da personalidade;
1.2. Metodologia

Nesta abordagem usou-se consulta bibliográfica em várias obras que serviram como fonte de
inspiração na elaboração deste trabalho sobre a Teoria de Personalidade de Harry Stack
Sullivan. Todavia, esta consulta fez com que se releva mais qualidade de informação no
desenvolvimento do trabalho, e de uma forma minuciosa foram analisados os dados
encontrados sobre o tema em discussão e apuradas as melhores informações como produto
final que resultou nesse trabalho, e usou-se a internet para fazer uma reflexão condigna das
várias informações.
Capítulo II
2. Harry Stack Sullivan
2.1. Biografia

Fonte: Hansenne, 2003.

Psiquiatra norte-americano nascido a 21 de fevereiro de 1892, em Norwich, no estado


de Nova Iorque, e falecido a 14 de janeiro de 1949, em Paris, na França.
Filho de emigrantes irlandeses, Sullivan formou-se em Medicina pela Universidade de
Chicago, em 1917, e integrou o corpo médico do Exército dos Estados Unidos, na Primeira
Guerra Mundial. Terminada a Guerra, foi trabalhar com veteranos de guerra que sofriam de
traumas psicológicos, para o Hospital St. Elizabeth, em Washington (Hansenne, 2003).

Durante esse período, obteve influência do psiquiatra William Alanson White que defendia as
teorias de Sigmund Freud. Em 1923, mudou-se para o Hospital Sheppard e Enoch Pratt, em
Baltimore, onde permaneceu até à sua morte. Em 1939, colaborou na elaboração de critérios
psiquiátricos para o Sistema Seletivo de Serviço e, em 1948, participou num estudo
da UNESCO sobre as tensões que provocam guerras. Sullivan foi cofundador do Instituto
William Alanson White, responsável pela Washington School of Psychiatry, entre 1936 e
1947, e fundador do jornal Psychiatry, que surgiu em 1937.

No seu trabalho de investigação, a sociologia e a psicologia foram as duas grandes ciências


humanas estudadas por Harry Sullivan. O psicólogo considerava que os seres sociais se
formam naturalmente pelas suas relações, o que o levou a desenvolver a teoria das relações
interpessoais. Apesar de ter influência da psicanálise de Freud, Sullivan acreditava que a
teoria do neurologista austríaco falhava ao não reconhecer a humanidade do doente e, por
isso, recusou a sua aplicação na psiquiatria. Harry Sullivan criticou também o pensamento do
psiquiatra Emil Kraepelin que valorizava a classificação de perturbações mentais como
diagnóstico da doença. Sullivan considerava que a psiquiatria descritiva não era capaz nem de
conhecer o desenvolvimento da doença mental, nem de tratar os doentes como seres sociais
(Hansenne, 2003).
No seu entender, a ansiedade e outros sintomas psiquiátricos resultavam principalmente de
conflitos entre o indivíduo e o seu ambiente, e o desenvolvimento da personalidade só poderia
acontecer a partir de uma série de interações com outros indivíduos, o que o inspirou a
desenvolver, então, a sua psiquiatria terapêutica interpessoal. O psiquiatra norte-americano
considerava que os modos cognitivos de desenvolvimento de experiências eram importantes
para o desenvolvimento social do indivíduo, tendo identificado três modos cognitivos:
prototáxico, paratáxico e sintático.

Sullivan publicou vários artigos e livros, tais como Conceptions of Modern


Psychiatry (1947), Interpersonal Theory of Psychiatry (1953), Schizophrenia as a Human
Process (1962), The Fusion of Psychiatry and Social Science (1964), entre outros.
Harry Stack Sullivan faleceu em Paris, após ter regressado do encontro da Federação Mundial
para a Saúde Mental, que tinha decorrido em Amesterdão (Hansenne, 2003).

2.2. Teoria interpessoal


2.2.1. Principais conceitos

Para Sullivan (1953), a personalidade é constituída pela configuração duradoira das situações
interpessoais recorrentes que caracterizam uma vida humana. O conjunto destas relações a
“dois” começa com a relação com a mãe e termina com a escolha do parceiro.

O pensamento de Sullivan foi voltado para o desenvolvimento de uma terapia efetiva, e não
para um sistema teórico de alta ordem de abstração; para ele o "eu" não é um fato, mas um
ato. A pessoa é o resultado de um processo social decorrente da experiência com outras
pessoas, desde o nascimento até a morte; a Psiquiatria, portanto, não pode estudar o ser
humano isoladamente, e sim inserido em suas experiências interpessoais, tendo como foco o
desenvolvimento da pessoa e a satisfação da necessidade de segurança. Concluindo, a
definição de pessoa só é possível em face de outra pessoa.

Sullivan (1953) achava que o comportamento e a personalidade de um individuo são o


resultado directo das relações interpessoais. Antes de desenvolver seu próprio arcabouço
teórico, Sullivan aderia aos conceitos de Freud. Posteriormente ele passou o foco de seu
trabalho da perspectiva intrapessoal de Freud para uma perspectiva de conotação mais
interpessoal, em que o comportamento humano podia ser observado em interações sociais
com outras pessoas. Suas ideias, que não eram universalmente aceitas em sua época, só foram
integradas à prática da psiquiatria pela publicação depois de sua morte, em 1949. Os
principais conceitos de Sullivan incluem:
2.2.1.1. Ansiedade

É um sentimento de desconforto emocional, para o alívio ou a prevenção do qual se dirige


todo o comportamento. Sullivan achava que a ansiedade é a principal forca desorganizadora
nas relações interpessoais e o principal fator na ocorrência de dificuldades graves na vida. Ela
se origina da incapacidade do individuo em satisfazer necessidades ou obter segurança
interpessoal (Hansenne, 2003).

2.2.1.2. Satisfação das necessidades

É a satisfação de todos os requisitos associados ao ambiente físico-químico de um indiv4duo.


Sullivan identificou exemplos desses requisitos como oxigénio, alimento, água, calor, ternura,
repouso, atividade, expressão sexual praticamente toda e qualquer coisa que, quando ausente,
produz desconforto no individuo.

2.2.1.3. Segurança interpessoal

É o sentimento associado ao alívio da ansiedade. Quando todas as necessidades foram


satisfeitas, experimenta-se um sentimento de bem-estar total, que Sullivan denominou
segurança interpessoal. Ele achava que o indivíduo tem uma necessidade inata de segurança
interpessoal.

Sistema do eu é uma coleção de experiências, ou medidas de segurança, adotadas pelo


individuo para se proteger da ansiedade. Sullivan identificou três componentes do sistema do
eu, que se baseiam em experiências interpessoais ao início da via (Hansenne, 2003):

 O “bom eu” é a parte da personalidade que se desenvolve em resposta ao feedback


positivo dos responsáveis pelo cuidado primário do individuo. São
vivenciados sentimentos de prazer, contentamento e gratificação. A criança aprende
quais os comportamentos que evocam esta resposta positiva quando esta é incorporada
ao sistema do eu.
 O “eu mau” é a parte da personalidade que se desenvolve em resposta ao feedback
negativo do responsável pelo cuidado primário. A ansiedade é vivenciada, suscitando
sentimentos de desconforto, desagrado e angústia. A criança aprende a evitar esses
sentimentos negativos alterando alguns comportamentos.
 O “não eu” é a parte da personalidade que se desenvolve em resposta a situações que
produzem uma ansiedade intensa na criança. Em resposta a essas situações
são vivenciados sentimentos de repulsa, medo, apreensão e odio, levando a criança a
negar esses sentimentos na tentativa de aliviar a ansiedade. Tendo sido negados, esses
sentimentos tornam-se “não eu”, mas sim ma outra pessoa.
Este retraimento das emoções tem implicações graves para distúrbios mentais na vida
adulta.
2.3. A estrutura da personalidade

Para Sullivan a personalidade é hipotética, uma ilusão, constituída por eventos interpessoais,
que se manifesta no comportamento social, porque pode ser com figuras reais ou não. Além
disso, não pode ser compreendida isoladamente, sendo o objeto de estudo a situação
interpessoal. É o centro de diversos processos, cujos principais são (Hansenne, 2003):

 Dinamismos: Padrão relativamente duradouro de comportamentos. Os com caráter


humano empregam relações interpessoais. As pessoas têm os mesmos dinamismos
básicos, mas o modo de expressão varia com a situação e experiência pessoal.
Normalmente envolvem áreas do corpo, como as mãos, boca, ânus. A maioria tem o
objetivo de satisfazer as necessidades básicas. Pode ser: o Manifesto e público (ex:
falar) o Oculto e privado (ex: pensar).
 O auto-sistema ou Self: Tipo de dinamismo que é resultado da ansiedade. Esta é
produto das relações, originalmente transmitida da mãe ao bebê e, ao longo da vida,
por ameaças à segurança. As estratégias e medidas de segurança para evitar as
punições formam o auto-sistema, que age como um filtro da consciência. É dividido
em: o Self eu-bom: aprova comportamentos; o Self eu-mau: proíbe comportamentos; o
Self não-eu: exclui comportamentos estranhos e desagradáveis. Se isola do resto da
personalidade, excluindo informações desnecessárias para o momento, não
aprendendo com a experiência. Conforme cresce, impede julgamentos sobre o próprio
comportamento.
 Personificações: Imagem que o indivíduo tem de si mesmo ou do outro., que
dependem se as situações são recompensadoras ou ansiogênicas. Formam estereótipos,
quando compartilhadas por muitas pessoas.
 Processos Cognitivos: classificação tripla da experiência o Prototáxica: sensações,
imagens e sentimentos brutos. o Paratáxico: relações causais de eventos não
relacionados e que aconteceram quase no mesmo tempo. Dá origem às superstições,
por exemplo. o Sintáxico: mais complexo, simbólico, lógico e validado verbalmente.
Permite a comunicação.
Em suma, para Sullivan a personalidade se constrói na relação com o outro. A sua teoria teve
embasamento inicial em Freud, desenvolvendo posteriormente sua própria teoria funcional da
personalidade, psicopatologia e terapia, voltando para a linguagem que se mostrava
desencaminhadora, precavendo-se das conceituações autoconcretizadoras das teorias rígidas.

Enfatizou o papel dos psiquiatras como participantes-observadores na situação clínica,


buscando observações objetivas que pudessem lidar com as experiências emocionais do
paciente. Observava, com isso, a interação social, definindo a personalidade como sendo o
padrão relativo e duradouro de relações interpessoais que caracterizam a vida humana. O seu
foco estava na abordagem psicopatológica, o que proporcionou a criação da teoria de campo
por meio de processos temporais e interativos. Para ele o dinamismo é o padrão relativo e
duradouro das transformações de energia que ele denominou de padrões de comportamento
interpessoal recorrentes.

Com isso, entende-se que a sua teoria é voltada para as necessidades e ansiedade. Para ele, as
necessidades podem ser tanto por satisfação como por segurança, uma vez que ocorre quando
são fundamentais em situações de perigo quando não ser satisfeitas; por outro lado, a
ansiedade é o motivador primário do comportamento humano. As necessidades por satisfação
incluem necessidades físicas - como ar, água, comida e calor - e necessidades emocionais,
especialmente por contato humano e por expressar os próprios talentos e capacidades.

Ele trouxe para o cenário dos debates a ligação empática, a qual se estabelece entre o cuidador
e o bebê, descrevendo a complicada interação dos bebês comunicando tensão e ansiedade,
provocando ansiedade no cuidador e levando a respostas-temas as necessidades do bebê. A
falha na satisfação dessas necessidades traz como resultado a solidão e a ansiedade. Por isso
ele definiu segurança como a ausência de ansiedade. Necessidades por segurança incluem a
necessidade de evitar, prevenir ou reduzir ansiedade.

2.4. O processo e a dinâmica da personalidade

Sullivan usou o termo dinamismo para se referir a um padrão típico de comportamento.


Dinamismos podem se referir a áreas especificas do corpo ou tensões.

i. Malevolência

O dinamismo disjuntivo do mal e do ódio chamado mal,


definido por Sullivan como um sentimento de vida dos inimigos. As crianças que setornam m
alignas têm grande dificuldade em dar e receber ternura ou ter intimidade com outras pessoas.
ii. Intimidade

O dinamismo da conjuntiva é caracterizado por uma estreita relação


pessoal entre duas pessoas da mesma condição, denominada intimidade. A intimidade facilita
o desenvolvimento interpessoal enquanto diminui a ansiedade e a solidão.

iii. Luxuria

Em contraste com as duas malevolências e intimidades, a luxuria é uma dinâmica de


isolamento. Ou seja, a luxuria é uma necessidade egoísta que pode ser satisfeita na ausência
de um relacionamento interpessoal íntimo. Em
outras palavras, apesar da intimidade ou ternura pressupõe amor, a luxuria é baseada somente
na satisfação sexual e não requer outra pessoa para sua satisfação.

iv. Autoestima

A mais inclusiva de todos os dinamismos é a autoestima,


ou padrao de comportamento que nos protege contra a ansiedade e interpessoal mantém nossa
segurança. O auto sistema é um dinamismo da conjuntiva, porque sua função principal é
proteger da ansiedade, que tende a sufocar a mudança de personalidade

As experiências que não são consistentes com nosso próprio sistema ameaça a nossa
segurança e é necessário o uso de operações de segurança, que consistem de comportamentos
destinados a reduzir as tensões interpessoais. Uma operação de segurança é a dissociação que
inclui todas as experiências que nos impedem de a consciência. Outra é a falta de atenção
seletiva, que consiste em bloquear apenas certas experiências de consciência. O "self" ou "self
system" é uma configuração de traços de personalidade desenvolvidos na infância para evitar
ansiedade e ameaças à autoestima. É um sistema de orientação sobre as relações eu-você,
chamado por Sullivan "integrações paratáxicas". As maneiras pelas quais essas relações se
desenvolvem podem se tornar rígidas e dominar os padrões de pensamento adulto limitando
suas ações e reações ao mundo e como elas o veem. As consequentes inadequações de
julgamento são chamadas de "distorções paratáxicas” (Portugal, 2017).

2.5. Desenvolvimento da personalidade

Sullivan (1953), acreditava que as pessoas adquirem certas imagens de si e dos outros ao
longo dos estágios de desenvolvimento, e se referem a essas percepções subjetivas
como personificações.
i. Mãe má, boa mãe

A personificação da mãe ruim nasce das experiências de bebes com um mamilo que não
satisfazem suas necessidades de fome. Todas as crianças experimentam a personificação da
mãe ruim, mesmo que sua verdadeira mãe seja amorosa e carinhosa. Mais tarde, as crianças
adquirem uma boa personificação da mãe.

Já que elas são maduras o suficiente para reconhecer o comportamento liciatório e


cooperativo de sua mãe-ser. Mais tarde, essas duas personificações se combinam
para formar uma imagem completa e o contraste da mãe verdadeira.

ii. Minhas personificações

Durante a infância, as crianças adquirem três personificações de "eu":

 o eu mau, que nasce das experiências de punição e desaprovação;


 o eu bom, que os resultados das experiências com o eu recompensa e aprovação;
 o eu não, que permite a uma pessoa dissociar ou seletivamente não participar de
experiências relacionadas à ansiedade.
iii. Personificações eidéticas

Uma das observações mais interessantes de Sullivan foi que as pessoas frequentemente criam
características imaginarias que se projetam nos outros. Incluídos nessas personificações
eidéticas estão os amigos imaginários que frequentam pré-escolares com frequência. Esses
amigos imaginários permitem que as crianças tenham um relacionamento seguro com outra
pessoa, mesmo que essa pessoa seja imaginaria (Portugal, 2017).

2.5.1. Estágios do desenvolvimento da teoria interpessoal

Concebe o individuo como um "centro" de um conjunto de interações. Essas interações são


"de alguma forma" a pessoa, organismo em desenvolvimento, de necessidades mutáveis, que
passa por sete fases de crescimento ao longo de sua vida: infância, infância, juventude, pré-
adolescente, adolescente, adolescente tardio e adulto.

Sullivan viu o desenvolvimento interpessoal ocorrer em sete estágios, desde a infância até a
maturidade adulta. As alterações de personalidade são mais prováveis durante as transições
entre os estágios.
Sullivan considerava que a personalidade se desenvolvia segundo 6 estágios de
desenvolvimento da infância à adolescência, encontrando-se cada um centrado numa relação
interpessoal única, designadamente (Hansenne, 2003):

 Infância: o período desde o nascimento ate o aparecimento da linguagem sintática é


chamado de infância, uma época em que a criança recebe a ternura da mãe, uma vez
que aprende a ansiedade por meio de um vínculo de empatia com a mãe. A ansiedade
pode aumentar ate o ponto de terror, mas o terror é controlado pela proteção integrada
da apatia e da indiferença sonolenta que permite que o bebe durma. Durante a
infância, as crianças usam a linguagem autista, que ocorre em nível prototáxico ou
paratáxica.
 Infância: o estágio que dura desde o início da linguagem sintática ate a necessidade de
pares do mesmo nível que é chamado de infância. A relação da criança interpessoal
primária permanece com a mãe, que agora é diferenciada das outras pessoas que
alimentam a criança.
 Juventude: o jovem começa com a necessidade de colegas na mesma categoria e
continua ate que a criança desenvolva a necessidade de um relacionamento íntimo
com um amigo. Neste momento, as crianças devem aprender a competir,
comprometer-se e cooperar. Essas três capacidades, assim como uma orientação para a
vida, ajudam a criança a desenvolver a intimidade, o dinamismo geral do próximo
estágio de desenvolvimento.
 Pré-adolescência: uma vez que os erros cometidos anteriormente podem ser corrigidos
durante a pré-adolescência, mas os erros cometidos durante a pré-adolescência são
quase impossíveis de serem superados mais tarde na vida. A pré-adolescência estende
o tempo da necessidade de um melhor amigo apenas ate a puberdade. Crianças que
não aprendem intimidade durante a pré-adolescência acrescentaram dificuldades
relacionadas a possíveis parceiros sexuais durante os estágios posteriores.
 Inicio da adolescência com a puberdade: vem o dinamismo da luxuria e o início do
início da adolescência. O desenvolvimento nesta fase é geralmente marcado pela
coexistência de intimidade com um único amigo do mesmo sexo e o interesse sexual
de muitas pessoas do sexo oposto. No entanto, se a criança não tem a capacidade
existente de intimidade, elas podem confundir luxuria com amor e desenvolver
relações sexuais que carecem de verdadeira intimidade.
 A adolescência tardia cronologicamente: a adolescência tardia pode começar a
qualquer momento apos os 16 anos de idade, mas, psicologicamente, ela começa
quando uma pessoa é capaz de sentir intimidade e desejo em rela1cao à mesma pessoa.
O final da adolescência é caracterizado por um padrão estável de atividade sexual e
pelo crescimento da modalidade sintática, à medida que os jovens aprendem a viver no
mundo adulto.
 Idade adulta: a adolescência tardia ate a idade adulta flui, uma época em que uma
pessoa estabelece um relacionamento estável com uma pessoa importante e
desenvolve um quadro persistente de ver o mundo (Hansenne, 2003).
2.5.2. Modos cognitivos desenvolvimentais

O primeiro deles é o modo prototáxico, característico da primeira infância e da infância,


envolve uma série de estados breves desconectados experimentados como totalidades sem
qualquer relacionamento temporal. Na vida posterior, experiências místicas e fusão
esquizofrênica representam experiências prototáxicas persistentes (Hansenne, 2003).

O segundo modo é o da experiência paratáxica que começa cedo na infância à medida que o
autosistema inicia seu funcionamento independente. Ela também envolve uma série de
experiências momentâneas; no entanto, elas são registradas em sequência com conexão
aparente uma a outra. Elas podem receber sentidos simbólicos, porém regras de lógica estão
ausentes e a coincidência desempenha um papel importante em como o mundo é percebido. O
autosistema utiliza experiência paratáxica para buscar comportamentos redutores de ansiedade
eficazes e repeti-los, buscando igualdade e previsibilidade. Com isso, ele usou o modo para
explicar transferência, lapsos de língua e ideação paranóide (Hansenne, 2003).

O terceiro modo é denominado de sintático de experimentar que se baseia no


desenvolvimento da linguagem e na validação consensual. Validação consensual é a aceitação
das percepções partilhadas dos outros como uma base para definir a realidade objetiva. O
mundo e o self são percebidos dentro de regras de lógica, sequenciamento temporal, validade
externa e consistência interna. Pensar sobre si mesmo e sobre os outros se torna testável e
modificável com base na análise rigorosa de experiências em uma variedade de situações
diferentes. A maturidade pode ser definida como o predomínio extensivo do modo sintático de
experimentar (Hansenne, 2003).

A teoria do desenvolvimento social baseia-se nos modos cognitivos em desenvolvimento. No


entanto, relacionamentos interpessoais perturbados podem fazer com que os modos primitivos
de experimentar o mundo persistam. Esse modo se caracteriza pela satisfação de necessidades
que predominam e a esfera interpessoal na qual as necessidades de satisfação e suas
necessidades de segurança resultantes são preenchidas. Cada estágio é também caracterizado
pela zona primária de interação - áreas corporais através das quais a pessoa canaliza
necessidades, ansiedade e alívio.
Capítulo III
3. Conclusão

Em forma de conclusão, pode-se constatar e avançar na ideia que a personalidade é um


conjunto de processos cognitivos e automáticos que nos f azem reagir sobre uma determinada
forma, tendo em conta os diversos contextos. Pensamos que actualmente, a personalidade
deve ser entendida como um misto de factores biológicos e ambientais, estando ambos
intimamente relacionados. De acordo com Sullivan, a personalidade é um sistema energético
com a energia, seja como tensão (potencial de acção) existente ou como transformações de
energia (acções em tesouraria). Esta dividido nas necessidades de tensões e ansiedade.

Para Sullivan, as necessidades são especificas e podem ser atendidas, a ansiedade, por outro
lado, é geral e não pode ser satisfeita da mesma maneira. A segurança é o que nos permite
relaxar a ansiedade e você não pode obter segurança sema ajuda do ambiente externo. A
satisfação, isto é, a satisfação das necessidades e a segurança, isto é, o alívio da ansiedade são
os dois principais obectivos dos seres humanos. Uma pessoa adulta, com uma personalidade
totalmente integrada, desenvolve formas de comportamento que atendam às suas necessidades
internas e às demandas externas da sociedade. Ninguém pode buscar sua própria satisfação,
sustenta Sullivan, sem considerar as consequências de suas ações para os outros. Talvez essa
seja uma de suas contribuições mais valiosas para uma visão madura e equilibrada da vida
individual e social.
4. Referências bibliográficas

Bernaud, J. (1998). Métodos de avaliação da personalidade. Lisboa: Climepsi.

Hansenne, M. (2003). Psicologia da Personalidade. Lisboa: Climepsi.

Sullivan, H. S. (1953). The interpersonal theory of psychiatry. New York: Norton.

Portugal, A. (2017). Apontamentos da abordagem Psicodinâmica. Disponível em:


https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/harry-stack-sullivan. Acessado em: 14 de Abril de
2024

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