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Geologia da Baía de Todos os Santos

O documento descreve a história geológica da Bacia do Recôncavo e da formação da Baía de Todos os Santos, desde há 145 milhões de anos. Detalha as principais unidades estratigráficas e falhas geológicas que delimitam a bacia sedimentar do Recôncavo e influenciaram o desenvolvimento da paisagem atual da baía.

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Geologia da Baía de Todos os Santos

O documento descreve a história geológica da Bacia do Recôncavo e da formação da Baía de Todos os Santos, desde há 145 milhões de anos. Detalha as principais unidades estratigráficas e falhas geológicas que delimitam a bacia sedimentar do Recôncavo e influenciaram o desenvolvimento da paisagem atual da baía.

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Citação: Dominguez, J.M.L. & Bittencourt, A.C.S.P. 2009. Geologia - cap II.

In: Hatge, V. & Andrade, J.B. Baía de Todos os Santos - aspectos oceanográficos. EDUFBA, Salvador, 2009. ISBN 978-85-232-05970-3. p.25-66

II
Citação: Dominguez, J.M.L. & Bittencourt, A.C.S.P. 2009. Geologia - cap II.
In: Hatge, V. & Andrade, J.B. Baía de Todos os Santos - aspectos oceanográficos. EDUFBA, Salvador, 2009. ISBN 978-85-232-05970-3. p.25-66
Citação: Dominguez, J.M.L. & Bittencourt, A.C.S.P. 2009. Geologia - cap II.
In: Hatge, V. & Andrade, J.B. Baía de Todos os Santos - aspectos oceanográficos. EDUFBA, Salvador, 2009. ISBN 978-85-232-05970-3. p.25-66

G e o lo g ia
José Maria Landim Dominguez
Abílio Carlos da Silva Pinto Bittencourt
Citação: Dominguez, J.M.L. & Bittencourt, A.C.S.P. 2009. Geologia - cap II.
In: Hatge, V. & Andrade, J.B. Baía de Todos os Santos - aspectos oceanográficos. EDUFBA, Salvador, 2009. ISBN 978-85-232-05970-3. p.25-66
Citação: Dominguez, J.M.L. & Bittencourt, A.C.S.P. 2009. Geologia - cap II.
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I nt r o d u çã o
A Baía de Todos os Santos está implantada sobre as rochas sedimentares que
preenchem a bacia sedimentar do Recôncavo (Figuras 1 e 2). A bacia do Recôncavo
é em realidade uma sub-bacia que ocupa a extremidade sul de um conjunto de
bacias denominado Recôncavo-Tucano-Jatobá (Figura1). Uma bacia sedimentar
é uma região da litosfera terrestre que experimenta, durante um determinado
intervalo de tempo, um movimento descendente, denominado subsidência. Este
processo dá origem a uma região topograficamente mais baixa que termina por
capturar a drenagem continental, sendo, pouco a pouco, preenchida de sedimentos
que, com o passar do tempo, experimentam processos de cimentação, dando
origem então a rochas sedimentares. A subsidência não continua indefinidamente,
de modo que, eventualmente, a bacia sedimentar pode experimentar um processo
denominado inversão, que resulta em soerguimento, com formação de um relevo
positivo. A bacia sedimentar, em que predominava acumulação de sedimentos,
passa então a experimentar erosão, como ocorreu com a sub-bacia do Recôncavo.
Sobre estes remanescentes erodidos, desenvolveu-se em um tempo geológico
muito mais recente a Baía de Todos os Santos.
Este capítulo objetiva apresentar esta história geológica da Baía de Todos
os Santos, desde o início da formação da sub-bacia do Recôncavo, no Cretáceo
inferior, há 145 milhões de anos atrás, passando pelo desenvolvimento inicial da
Baía de Todos os Santos até os dias atuais. Espera-se que esta história geológica
possa transmitir ao leitor uma ideia dos eventos a que esteve sujeita a região, cuja
sucessão permitirá compreender como se formou a paisagem atual da Baía de
Todos os Santos, não apenas em sua porção emersa como também na submersa.

A B a c ia d o Re cô n ca vo
Como visto, a sub-bacia sedimentar do Recôncavo faz parte de um conjunto
de bacias com orientação geral norte-sul, formadas quando da separação entre a
América do Sul e a África, processo que se iniciou por volta de 145 milhões de anos
atrás, no Cretáceo inferior (Silva et al., 2007).
A sub-bacia do Recôncavo é separada da sub-bacia do Tucano, situada mais
ao norte, pelo Alto de Aporá, uma região que experimentou menos subsidência
durante a evolução destas bacias (Figura 1). O limite sul da sub-bacia do Recôncavo
com a bacia de Camamu é representado pela falha da Barra (Figuras 2a). A leste, a
sub-bacia do Recôncavo é limitada pela falha/alto de Salvador-Jacuípe, que a separa Figura 1. (Página seguinte)
da bacia do Jacuípe (Figuras 3a). A oeste, o limite da sub-bacia do Recôncavo é a Bacia Sedimentar do Recôncavo-
Tucano-Jatobá (modificado de
falha de Maragogipe (Figuras 2b e 3b). A bacia do Recôncavo-Tucano-Jatobá é Magnavita et al., 2005).

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Figura 2a.
Geologia do entorno (modificada
de Magnavita et al., 2005) e do
fundo da Baía de Todos os Santos
(modificada de Bittencourt et al.,
1976 e Cruz, 2008).

Figura 2b.
Seção geológica transversal à sub-
bacia do Recôncavo mostrando
o empilhamento das unidades
estratigráficas (modificado de
Magnavita et al., 2005).

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classificada como uma bacia do tipo rifte, que se forma no início da fragmentação/
separação dos continentes. Se esta fragmentação for bem-sucedida e culminar na
efetiva separação de dois continentes, uma crosta oceânica se formará, e por ser
mais densa, ocupará uma região topograficamente mais baixa que, eventualmente,
poderá ser invadida pelo mar, formando inicialmente um golfo estreito. Este golfo
progressivamente se alarga, à medida que os continentes se separam, evoluindo
Figura 3a. desta forma para um oceano pleno e dando origem a uma bacia de margem
Falha de Salvador – limite leste da
passiva. No caso particular da bacia do Recôncavo-Tucano-Jatobá, sua evolução não
bacia sedimentar do Recôncavo e
da Baía de Todos os Santos. chegou a este estágio, já que se constitui no braço abortado de uma junção tríplice,

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normalmente formada durante a fragmentação dos continentes (Mohriak, 2003).


De outro lado, as bacias de Camamu e de Jacuípe tiveram uma evolução normal,
chegando até o estágio de oceano franco. Deste modo, a sub-bacia sedimentar do
Recôncavo, durante esta sua evolução inicial no Cretáceo inferior, nunca foi invadida
pelo mar. Pelo contrário, após a subsidência inicial, a bacia sofreu um soerguimento
da ordem de até 1.750 m (Daniel et al., 1989; Davison, 1987; Magnavita et al., 1994), Figura 3b.
Falha de Maragogipe – limite oeste
ou seja, desde o final do Aptiano, há aproximadamente 115 milhões de anos atrás,
da bacia sedimentar do Recôncavo
a região esteve submetida quase que continuadamente à erosão. e da Baía de Todos os Santos.

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Hi stóri a de Pree nchime nto da Bacia do Re côncavo


A história de preenchimento da bacia do Recôncavo pode ser dividida em três
fases, denominadas pré-rifte, sin-rifte e pós-rifte (Magnavita et al., 2005) (Figura 1).
A fase pré-rifte corresponde àqueles sedimentos depositados nos estágios
iniciais da movimentação da litosfera que antecederam à implantação do rifte
propriamente dito. Nesta fase, que data do final do Jurássico, há 150-145 milhões de
anos atrás, os sedimentos se acumularam em lagos rasos em um clima desértico onde
adentravam pequenos rios e, com o vento soprando, originavam campos de dunas
(Figura 4a). A principal unidade sedimentar deste período corresponde ao Grupo
Brotas, constituído de arenitos com grandes estratificações cruzadas e folhelhos de
cor avermelhada que, nos dias atuais, afloram na porção oeste da Baía de Todos os
Santos, e que podem ser bem visualizados nas belas falésias presentes ao longo do
canal do rio Paraguaçu, entre a Baía de Iguape e a localidade de Barra do Paraguaçu
(Figura 5a). Estes corpos de arenito constituem em subsuperfície os maiores e mais
importantes reservatórios de hidrocarbonetos da bacia do Recôncavo (Scherer et al.,
2007). Nesta época, a paisagem da região foi reminiscente, em alguns momentos,
daquela que ocorre hoje nos desertos da Namíbia (Figura 4b).

Figura 4a.
Paleogeografia da Bacia do
Recôncavo durante a fase pré-rifte
(modificado de Medeiros e Ponte,
1981).

A fase rifte é marcada pelo aparecimento brusco de sedimentos lacustres


esverdeados do Grupo Santo Amaro (Formação Itaparica), por volta de 145
milhões de anos atrás, sobre os sedimentos do Grupo Brotas. Em seção, este rifte
apresentava uma geometria assimétrica (meio-graben) com a maior subsidência
ocorrendo junto à falha de Salvador (falha de borda principal do meio-graben),
onde se acumularam cerca de até 8 km de espessura de sedimentos (Figura 2b ).
Na margem oeste, denominada de flexural, praticamente não houve subsidência

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Figura 4b.
Imagem de satélite mostrando
um trecho do deserto da Namíbia,
um equivalente moderno de como
teria sido a paisagem da Bacia do
Recôncavo na fase pré-rifte.

Figura 5a.
Afloramento de rochas do Grupo
Brotas (canal do Paraguaçu).

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Figura 5b.
Afloramento de rochas do Grupo
Santo Amaro (Saubara).

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Figura 5c. (Figura 2). Na fase rifte formou-se um lago profundo na região, reminiscente do
Afloramento de arenitos maciços
resultantes de fluxos gravitacionais que ocorre nos dias atuais no sistema de riftes do leste africano, onde um processo
na ilha do Frade. de rifteamento semelhante é ativo (Figuras 6a e 6b). Neste lago, com algumas
centenas de metros de profundidade e com fundo anóxico, acumularam-se lamas
ricas em matéria orgânica da Formação Candeias do Grupo Santo Amaro, que hoje
afloram solidificadas na porção noroeste da Baía de Todos os Santos, como, por
exemplo, na localidade de Saubara (Figura 5b). Neste lago profundo adentraram,
posteriormente, rios que construíram deltas e, aportando sedimentos finos,
ajudaram a preencher o lago (Grupo Ilhas). De tempos em tempos, abalos sísmicos
desestabilizavam as frentes deltaicas, deformando os sedimentos e originando
fluxos gravitacionais que, nas partes mais distais, constituíram correntes de turbidez,
transportando sedimentos para as partes mais profundas do lago (Magnavita et al.,
2005; Cupertino e Bueno, 2005). Estas rochas incluem os arenitos maciços e rochas
estratificadas que afloram nas principais ilhas e no entorno da Baía de Todos os
Santos (Frade, Maré, Itaparica e Base Naval de Aratu) (Figuras 5c, 5d, 7a e 7b). Na
borda leste da bacia, junto à falha de Salvador, devido ao elevado relevo alcançado
por esta falha de borda, acumularam-se cunhas de conglomerados (Formação

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Salvador) que adentravam o lago tectônico, e que hoje afloram na localidade de Figura 5d.
Afloramento de arenitos maciços
Monte Serrat (Figuras 7c e 7d). resultantes de fluxos gravitacionais
Com o passar do tempo e com a diminuição da subsidência, este lago foi na ilha de Maré.

progressivamente assoreado por sedimentos fluviais da Formação São Sebastião,


por volta de 125 milhões de anos atrás (Figura 2). Esta formação praticamente não
aflora no entorno da baía. Após esta data, a sub-bacia do Recôncavo experimentou
soerguimento durante um intervalo de tempo de aproximadamente 10 milhões
de anos, quando então ocorreu a deposição da Formação Marizal, constituída de
conglomerados que se acumularam na fase denominada pós-rifte (Magnavita et
al., 1994; 2005). Estes sedimentos foram depositados sobre uma superfície erosiva
ondulada que se desenvolveu sobre os sedimentos da fase sin-rifte (Magnavita et
al., 1994). Transcorreu então um intervalo de tempo de aproximadamente 90-100
milhões de anos, quando predominaram processos erosivos.
Na sub-bacia de Jatobá, depósitos albo-aptianos (há 115-110 milhões de
anos atrás), constituídos de folhelhos esverdeados e calcários escuros, recobrem
a Formação Marizal. Estes sedimentos, de origem marinha, encontram-se em
altitudes em torno de 800 m e seriam correlativos da Formação Santana, da bacia

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Figura 6a.
Paleogeografia da Bacia do
Recôncavo durante a fase rifte
(modificado de Medeiros e Ponte,
1981).

Figura 6b.
Imagem de satélite mostrando
um trecho do sistema de riftes do
leste africano (lago Tanganyika),
um equivalente moderno de como
teria sido a paisagem da Bacia do
Recôncavo durante a fase rifte.

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Figuras 7a e 7b.
Afloramentos de rochas
estratificadas associadas a
correntes de turbidez na (a) Ilha
de Itaparica e (b) proxímo à Base
Naval de Aratu (abaixo).

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Figuras 7c e 7d. do Araripe (Magnavita et al., 1994). Este fato tem várias implicações. Segundo
Afloramentos de rochas da
Formação Salvador (Monte Serrat). Magnavita et al. (1994), ao final do Cretáceo inferior, (i) a bacia do Recôncavo-
Tucano-Jatobá encontrava-se próxima ao nível do mar daquela época; (ii) estes
sedimentos marinhos teriam sido depositados, provavelmente a partir de uma
invasão marinha vinda do norte do país; e (iii) um soerguimento, de pelo menos
600 metros (descontados os 200 m de descida do nível do mar eustático, desde o
Cretáceo), seguido de erosão regional, de idade ainda desconhecida, afetou a bacia
antes da deposição dos sedimentos mais recentes já no Mioceno.
É interessante notar que existe uma notável variação de altitude entre a sub-
bacia do Recôncavo e as sub-bacias de Tucano e Jatobá (Figura 8). Sedimentos da
fase rifte ocorrem em mesas isoladas, com altitudes de até 1000 m, na sub-bacia de
Jatobá. Os sedimentos cretáceos elevam-se na porção norte do sistema de bacias,
cerca de 200-400 m acima das rochas adjacentes do embasamento cristalino
(Figura 8). A topografia da sub-bacia do Recôncavo é mais reduzida, raramente
ultrapassando os 200 m de altitude (Figura 8). Estas diferenças em altitude são
atribuídas, por Magnavita et al. (1994), a diferenças na intensidade da precipitação.

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Enquanto a sub-bacia de Jatobá é quase um deserto, na sub-bacia do Recôncavo, o


clima é mais úmido, o que teria favorecido um rebaixamento topográfico maior.

O N í vel de Mar Al to n o M i o ceno


Após o Cretáceo, o planeta experimentou um progressivo resfriamento que
pouco a pouco resultou na acumulação de gelo, primeiro na Antártica, a partir do
Oligoceno (Abreu e Anderson, 1998; Zachos et al., 2001; Miller et al., 2005; Müller
et al., 2008), e depois no Hemisfério Norte, a partir do Plioceno. Uma consequência
desta acumulação de gelo foi o progressivo abaixamento do nível do mar, ao longo
do Cenozóico (Haq et al., 1987; Haq et al., 1988; Abreu e Anderson, 1998; Miller
et al., 2005; Müller et al., 2008). Esta tendência de progressivo abaixamento foi
interrompida no Mioceno (inferior e médio), quando uma elevação da temperatura
resultou em degelo e, portanto, em elevação do nível do mar. A altura máxima
alcançada pelo nível do mar nesta época ainda não está bem estabelecida, mas
se situaria entre 25 e 150 m acima do nível do mar, a depender da metodologia

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utilizada. Trabalhos mais recentes, entretanto, posicionam o nível do mar em torno Figura 8. (Esquerda)
Relevo da Bacia do Recôncavo-
de 45-55 m acima do nível atual (John et al., 2004). A queda do nível do mar no Tucano-Jatobá
Mioceno médio/superior é significativa porque está associada ao estabelecimento
permanente do lençol de gelo do leste da Antártica (EAIS – East Antarctic Ice
Sheet) (Zachos et al., 2001). Associado a este episódio de nível de mar alto, houve
o depósito de folhelhos marinhos fossilíferos da Formação Sabiá (Petri, 1972),
representada por um único afloramento no Município de Mata de São João
(BA), e da Formação Barreiras. É importante chamar a atenção para o fato de
que, classicamente, a Formação Barreiras é interpretada como sendo de origem
continental (fluvial). Entretanto, trabalhos mais recentes (Arai, 2006; Rossetti, 2006;
Dominguez e Araújo, 2008; Rossetti e Goes, 2009) têm demonstrado que, inclusive
no Estado da Bahia, esta formação é de origem marinha transicional, tendo sido
depositada predominantemente em ambientes estuarinos. A Formação Sabiá é
crono-correlata da Formação Barreiras, se é que não são a mesma coisa.
Após o nível de mar alto do Mioceno inferior/médio, a retomada da acumulação
de gelo na Antártica e o início do desenvolvimento dos grandes lençóis de gelo no
Hemisfério Norte, a partir do Plioceno, resultaram no progressivo abaixamento do
nível do mar. Já no final do Mioceno, o nível do mar atual havia sido alcançado.
Nos últimos dois milhões de anos, durante a maior parte do tempo, o nível do
mar esteve abaixo do nível atual (Figura 9), desencadeando um intenso processo Figura 9.
Curva do nível eustático do mar
erosivo que afetou a nossa zona costeira e favoreceu o desenvolvimento da Baía de para os últimos 2 milhões de anos
(modificado de Miller et al., 2005).
Todos os Santos.

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A o r i gem d a Ba í a d e To d os os S a ntos
Já há algumas décadas, diversos autores têm postulado que a origem da Baía
de Todos os Santos estaria associada a processos tectônicos atuantes durante o
Quaternário. Sampaio (1916; 1919; 1920), ao descrever abalos sísmicos que afetaram
a Baía de Todos os Santos, em 1915, 1917 e 1919, conclui que estes abalos vêm de
longa data modelando geológica e geograficamente a baía. Tricard e Cardoso da
Silva (1968) acreditavam que a Baía de Todos os Santos resultou de deformações
tectônicas recentes, a ponto de ainda não ter influenciado a organização da rede
hidrográfica local. Martin et al. (1986) deduziram a existência de movimentos
verticais holocênicos, com base na distribuição de depósitos quaternários no
interior da Baía de Todos os Santos. Mais recentemente, Carvalho (2000), Lessa et al.
(2000), Lessa (2005) e Cirano e Lessa (2007) reafirmaram, principalmente com base
em evidências apresentadas em trabalhos mais antigos, a crença em movimentos
tectônicos recentes como um dos principais fatores a modelarem a baía.
Estes trabalhos, entretanto, desconsideraram o papel fundamental das
variações eustáticas do nível do mar, durante o Cenozóico, e seus efeitos no
modelado das paisagens costeiras. Este é talvez o principal fator a determinar a
origem e o modelado da Baía de Todos os Santos, que teria resultado da erosão
diferencial associada a um dramático rebaixamento do nível de base. Tanto é assim
que existe uma perfeita correlação entre a altitude do terreno e a resistência das
diferentes unidades geológicas à erosão. Adicionalmente, o recente levantamento
de campo de algumas centenas de quilômetros de linhas sísmicas de alta resolução1,
recobrindo toda a baía, não mostrou qualquer evidência de movimentações
tectônicas afetando os sedimentos quaternários que a preenchem parcialmente.
Pela Figura 9, que mostra uma curva de variações eustáticas do nível do mar,
para os últimos dois milhões de anos, ou seja, o período Quaternário, é possível
observar o progressivo abaixamento deste nível, de tal modo que o nível médio
do mar, nesta mesma época, situava-se cerca de 30 m abaixo do nível atual
(Masselink e Hughes, 2003). Durante os últimos 500 mil anos, com o aumento
na amplitude das variações do nível do mar, a posição média deste nível situou-
se em torno de -45 m, ou seja, próximo à quebra da plataforma atual (ponto de
cachoeira = knick point). Este rebaixamento do nível de base desencadeou um
processo de erosão e reestruturação da rede de drenagem na zona costeira. A
propagação do sinal eustático, via recuo do ponto de cachoeira pelos tributários,
resultou na ampliação e geração de novas bacias hidrográficas, ajustadas a um
nível de base situado na borda da plataforma (Dominguez, 2007). Tendo em vista
que as rochas sedimentares da sub-bacia do Recôncavo, principalmente aquelas
1
Projeto Transfer – Mecanismos de Transferência de Sedimentos da Zona Costeira/Plataforma para o Talude/Bacia,
durante os últimos 120 mil anos – estudo de caso – a plataforma continental central do Estado da Bahia. CT-
PETRO/CNPq

46 | Baía de Todos os Santos


Citação: Dominguez, J.M.L. & Bittencourt, A.C.S.P. 2009. Geologia - cap II.
In: Hatge, V. & Andrade, J.B. Baía de Todos os Santos - aspectos oceanográficos. EDUFBA, Salvador, 2009. ISBN 978-85-232-05970-3. p.25-66

de granulação mais fina, são menos resistentes à erosão, quando comparadas


às rochas do embasamento cristalino, a tendência dos processos erosivos é de
rebaixar topograficamente as áreas ocupadas pelas rochas sedimentares que,
deste modo, ficam circundadas pelos relevos mais altos, sustentados por litologias
mais resistentes do embasamento. Este é o caso da Baía de Todos os Santos.
Figura 10.
Durante o Quaternário, nos raros intervalos de nível de mar alto, como o que Curva de variações do nível
vivemos atualmente, esta região topograficamente rebaixada foi inundada pelo eustático do mar para os últimos
450.000 anos (modificado de Miller
mar, originando uma baía. Deste modo, a Baía de Todos os Santos é uma feição et al., 2005). Os círculos vermelhos
indicam os episódios em que o nível
transitória, presente apenas nos raros intervalos de nível de mar alto, ocorridos nas
do mar esteve acima ou próximo
últimas centenas de milhares de anos (Figuras 9 e 10). ao nível atual.

A Baía de Todos os Santos é assim o resultado de uma longa cadeia de eventos


que se inicia com a separação entre a América do Sul e a África e, mais recentemente,
incorpora os efeitos do progressivo resfriamento do planeta, durante o Cenozóico,
com a acumulação de gelo nas regiões de alta latitude e o consequente abaixamento
do nível do mar. Finalmente, durante os últimos 500 mil anos, o aumento na
amplitude das variações do nível do mar resultou em repetidos episódios de
inundação e esvaziamento da baía, com uma periodicidade de aproximadamente
100 mil anos. O contorno e a fisiografia da Baía de Todos os Santos, com suas ilhas,
canais e sub-baías, foi determinado por esta história geológica.

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Hi stó r ia evol u ti va d a Ba í a d e To d os os
S a n to s n o s ú l ti mos 120 mi l a nos
Apresentaremos uma reconstituição histórica tentativa da possível evolução
recente da Baía de Todos os Santos, a partir da integração de dados disponíveis na
literatura, batimétricos e outros, recentemente coletados com perfilador de subfundo
em vários setores da baía, conforme mencionado anteriormente. Na Figura 10
observa-se que, por volta de 120 mil anos atrás, o nível do mar situava-se cerca de 6
metros acima do nível atual. Contudo, à exceção da ilha de Itaparica e vizinhanças, não
existem registros de nível de mar associados a este evento, preservados no interior da
Baía de Todos os Santos. Este é um dos aspectos utilizados, por alguns autores, como
evidência de atividade tectônica recente no interior da baía (Martin et al., 1986). O
fato é que, a maior parte da linha de costa da baía é caracterizada por terraços de
abrasão esculpidos nas rochas sedimentares de granulação fina que caracterizam
seu entorno. Raras praias arenosas estão presentes, o que, sem dúvida, reflete uma
notável falta de sedimentos para a construção de terraços arenosos, que pudessem
constituir testemunhos do nível de mar alto de 120 mil anos atrás. As principais
exceções são a linha de costa oceânica da ilha de Itaparica, o canal de Itaparica e
algumas praias de bolso, presentes aqui e acolá. Nas margens do canal de Itaparica,
entretanto, depósitos estuarinos arenosos, com estruturas sedimentares típicas deste
ambiente (e.g. estratificações cruzadas em espinha de peixe, feixes de maré – tidal
bundles) e traços fósseis de Ophiomorpha nodosa estão presentes e testemunham
este nível de mar alto (Figura 11). Portanto, durante o máximo trangressivo de 120
mil anos atrás, a baía esteve completamente inundada, apresentando uma área
ligeiramente maior que a atual, e exibindo um padrão e dinâmica de sedimentação
provavelmente muito semelhante ao que se verifica hoje (Cirano e Lessa, 2007). A
partir deste máximo transgressivo, o nível do mar desceu progressivamente, durante
os 100 mil anos seguintes, expondo subaereamente toda a baía. Nesta época, o rio
Subaé e os demais pequenos rios que hoje deságuam na baía, juntamente com as
drenagens oriundas do canal da sub-baía de Aratu, do canal de Madre de Deus e do
canal de Itaparica, constituíram-se em tributários do rio Paraguaçu, que ocupava o
canal de Salvador, muito provavelmente escavado por este rio, acrescentando à sua
bacia hidrográfica uma área extra adicional de pelo menos 1.233 km2, correspondente
à área atual da Baía de Todos os Santos. Por volta de 20 mil anos atrás, o nível do mar
alcançou um mínimo de 120 m abaixo do nível atual. Este período correspondeu ao
avanço máximo dos lençóis de gelo no Hemisfério Norte, e é conhecido como Último
Máximo Glacial (LGM – Last Glacial Maximum). Na ocasião, a desembocadura do rio
Paraguaçu situava-se muito provavelmente em torno desta “profundidade”, por
analogia ao que foi verificado em outros rios menores da costa da Bahia, a exemplo
dos rios Almada e Itapicuru (Dominguez, 2007).

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Figuras 11a e 11b.


Testemunhos do nível de mar alto
de 120.000 anos atrás nas margens
do canal de Itaparica.

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A Figura 12 mostra como teria sido a paleogeografia da baía durante o último


máximo glacial. O local exato de saída do rio Paraguaçu no talude superior ainda não
é conhecido for falta de detalhamento batimétrico/sonográfico da plataforma em
frente à Baía de Todos os Santos. O paleorelevo desta época de exposição subaérea
é prontamente identificado em vários setores da baía, como mostram as seções
levantadas com perfilador de subfundo (Figura 13a).
Após o máximo glacial, o nível do mar começou a subir rapidamente, com
taxas médias em torno de 1 m século-1, mas que em alguns momentos chega-
ram a alcançar 5 m século-1. Por volta de 10 mil anos atrás, com o nível do mar
já posicionado cerca de 30 m abaixo do nível atual, partes da baía já estavam
inundadas, principalmente ao longo do canal de Salvador.
Por volta de 8 mil anos atrás, o degelo já havia se encerrado, resultando em
forte desaceleração das taxas de subida do nível do mar. Data provavelmente desta
época o início de uma sedimentação mais expressiva na baía. É interessante chamar
Figura 12. a atenção para o fato de que nesta época o volume de água armazenado na baía era
A Baía de Todos os Santos durante
o Último Máximo Glacial. significativamente superior ao atual, uma vez que até então pouca sedimentação havia

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ocorrido. O Paraguaçu é um rio que transporta muito pouco sedimento, a ponto de até Figura 13.
Trechos de linhas sísmicas
hoje não ter conseguido preencher a Baía de Iguape, onde deságua, tendo construído ilustrando diversos aspectos
apenas um pequeno delta de cabeceira de baía (Carvalho, 2000). Levantamentos discutidos no texto. (a) Paleorrelevo
soterrado (seta) pela deposição de
sísmicos recentemente efetuados mostram que sedimentos lamosos, entre 10 e 25 sedimentos finos; (b) Lajes (setas
metros de espessura, foram depositados na metade norte da baía (Figura 13a). Estes cheias) parcialmente soterradas
por clinoforma (seta tracejada); (c)
pacotes de sedimentos finos apresentam uma geometria em clinoforma, portanto Laje não soterrada (seta); (d) Fundo
rochoso no canal de Salvador
progradacional, no sentido da porção central da baía, a partir das suas margens, (seta). Em todas as figuras, as linhas
principalmente na metade nordeste da baía (Figura 13b). A sedimentação fina que, tracejadas horizontais apresentam
espaçamento equivalente a 10 m.
por assim dizer, extravasa das margens da baía, soterrou o paleorelevo existente na As marcações no topo das figuras
metade norte da baía, permitindo, localmente, o desenvolvimento de manguezais. estão espaçadas em 50 m.

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Escaparam deste soterramento algumas lajes rochosas (terraços de abrasão) que


bordejam as ilhas da baía ou ocorrem em seu interior, testemunhas de ilhas pretéritas
que foram completamente arrasadas pela ação de ondas, seja em associação com o
nível do mar atual, ou em períodos de nível do mar mais baixos (Figura 14). Nos dias
atuais, este processo de arrasamento de pequenas ilhas, pela ação de ondas, ainda
ocorre e pode ser visualizado nas pequenas ilhas presentes na porção noroeste da
baía (Figura 15). Algumas destas lajes foram batizadas, como é o caso das lajes do
Ipeba e do Machadinho etc. Estas lajes, terraços de abrasão parcialmente soterrados,
constituem um substrato duro para uma série de organismos marinhos, tais como
moluscos, algas coralináceas e corais, que contribuem para a produção de sedimentos
autóctones (biodetritos) grossos (areias e cascalhos) os quais, nos mapas de fácies
(veja mais adiante), aparecem como manchas isoladas, circundadas por sedimentos
lamosos, na metade norte da baía e ao redor das ilhas.
Trabalhos recentes mostraram que alguns destes altos fundos que sobreviveram
ao soterramento pelos sedimentos finos, e se projetam acima do fundo lamoso,
apresentam um recobrimento de corais pétreos vivos, a exemplo dos recifes presentes
na metade nordeste da baía (Cruz, 2008) (Figuras 13b e 13c). Recifes de corais estão
presentes também na face da ilha de Itaparica voltada para a entrada da baía, onde
se desenvolveram sobre as lajes (terraços de abrasão) que bordejam a ilha.
A origem dos sedimentos finos que se acumularam na metade norte da baía
ainda precisa ser estabelecida, uma vez que a maioria dos trabalhos até então
publicados tem se preocupado apenas em descrever os aspectos texturais do
sedimento, pouco adentrando em seus aspectos composicionais.
É possível que estes sedimentos finos tenham uma origem mista, que inclui:
(i) componentes siliciclásticos, gerados a partir da erosão de rochas lamíticas que
afloraram no entorno da baía e suas ilhas, assim como nas bacias hidrográficas dos
pequenos rios que aí deságuam; e (ii) componentes bioclásticos, produzidos pela
fragmentação das partes duras do esqueleto de organismos marinhos (moluscos,
algas coralináceas etc).
À entrada da baía (canal de Salvador) predominam os sedimentos marinhos
de natureza arenosa e composição siliciclástica, retrabalhados pela ação das fortes
correntes de maré (Figura 16). Algumas destas areias podem até mesmo ter uma
origem fluvial, depositadas pelo próprio rio Paraguaçu, em períodos de nível de
mar mais baixo, e depois retrabalhadas pelos agentes marinhos. Na porção central
da baía e em trechos de seus principais canais predominam afloramentos rochosos
(Figura 13d).
O abaixamento do nível relativo do mar, da ordem de 3-4 m, que afetou grande
parte de costa brasileira nos últimos 5 mil anos (Angulo e Lessa, 1997; Martin et al.,
2003; Angulo et al., 2006) não parece ter tido grande influência na sedimentação
no interior da Baía de Todos os Santos.

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Figuras 14a e 14b.


Exemplos de lajes rochosas/
terraços de abrasão no interior da
Baía de Todos os Santos. (a) Ilha
do Medo e (b) Noroeste da Baía de
Todos os Santos (abaixo).

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Figura 14c.
Exemplo de laje rochosa/terraço
de abrasão no interior da Baía de
Todos os Santos. Ilha de Madre de
Deus.

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Figura 14d.
Exemplo de laje rochosa/terraço
de abrasão no interior da Baía de
Todos os Santos. Ilha Bom Jesus.

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Figuras 15a e 15b.


Processo de arrasamento de
pequenas ilhas, ao cabo do qual
restam apenas lajes rochosas.
Metade noroeste da Baía de Todos
os Santos.

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Figura 16a.
Dunas hidraúlicas no fundo do
canal de Salvador, entrada da Baía
de Todos os Santos, indicativas
da ação das correntes de maré
retrabalhando os sedimentos
de fundo. Registro batimétrico
multifeixe.

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Figura 16b.
Dunas hidraúlicas no fundo do
canal de Salvador, entrada da Baía
de Todos os Santos, indicativas
da ação das correntes de maré
retrabalhando os sedimentos
de fundo. Registro com sonar de
varredura lateral.

A B a ía d e To d os os S a ntos hoje –
s e d i m e n tos sup er fica is de fundo
A história evolutiva recente da Baía de Todos os Santos, apresentada anterior-
mente, nos ajuda a entender as características atuais do seu fundo marinho.
A Baía de Todos os Santos já foi apontada como uma das menos conhecidas
baías da costa brasileira, quanto às suas características sedimentológico-ambientais
(Mabesoone e Coutinho, 1970). Esta situação começou a mudar a partir de 1970,
com a criação, na Universidade Federal da Bahia, do Instituto de Geociências e do
Programa de Pesquisa e Pós-Graduação em Geofísica (atual Centro de Pesquisa em

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Geofísica e Geologia) que, conjuntamente, iniciaram os estudos na Baía de Todos


os Santos.
Um padrão geral da composição e distribuição das diferentes fácies de
sedimento de fundo da Baía de Todos os Santos foi apresentado por Bittencourt et al.
(1976). Posteriormente, Macedo (1977) analisou alguns aspectos sedimentológicos
específicos dos sedimentos de fundo, como a sua composição faunística; e Vilas
Boas e Bittencourt (1979) analisaram a mineralogia e a química das argilas nelas
contidas. Trabalhos com maiores escalas de aproximação, ainda relacionados à
caracterização dos sedimentos de fundo, foram realizados por: (i) Bittencourt et al.
(1974), Bittencourt e Vilas Boas (1977) e Leão e Bittencourt (1977) na Baía de Aratú;
(ii) Brichta (1977), numa pequena área na margem oeste da baía, defronte ao canal
do Paraguaçu; (iii) Nascimento (1977), Barros (1977) e Vilas Boas e Nascimento
(1979), nas enseadas dos Tainheiros e do Cabrito; e (iv) Leão (1971), que estudou
um depósito conchífero na denominada Laje do Ipeba, na parte noroeste da baía.
Por fim, Lessa et al. (2000), utilizando os dados dos trabalhos acima mencionados,
fizeram uma reclassificação das fácies sedimentares do fundo da Baía de Todos
os Santos, baseando-se nos conceitos da Estratigrafia de Sequências. Mais
recentemente, Dias (2003), utilizando registros de sonar de varredura lateral
detalhou melhor o contato entre estas fácies sedimentares, cujo mapa resultante
encontra-se publicado em Cirano e Lessa (2007)
As características dos sedimentos superficiais de fundo, a seguir descritas, são
derivadas destas publicações (Figura 2a). Tanto o mapa apresentado na Figura
2a, como os anteriormente mencionados não são definitivos, visto que a precisão
dos contatos entre as diferentes fácies depende de trabalhos de detalhe adicionais.
O quadro geral, entretanto, permanece o mesmo. Quatro fácies sedimentares
principais podem ser identificadas.

Fá c i e s de A reia Q uar tzosa


As duas áreas de maior expressão desta fácies, constituída de mais de 50% de
sedimento tamanho areia, são os canais de Salvador e de Itaparica.
No canal de Itaparica, os sedimentos têm coloração variando de oliva a
acinzentada e possuem como principal constituinte grãos de quartzo e, em
parte, biodetritos. Os grãos de quartzo, subangulares a subarredondados em sua
maioria, apresentam-se envolvidos por uma película de argila. Entre os biodetritos,
predominam conchas e fragmentos esqueletais de moluscos e equinodermas e,
em menor parte, de briozoários e foraminíferos (raros). Fragmentos de vegetais são
encontrados ao longo das bordas, notadamente na frente dos riachos e canais de
maré, quando podem atingir até 25% da fração grossa do sedimento. A chamosita,

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mineral de argila rico em ferro, está presente na forma de preenchimentos de


organismos, podendo, localmente, atingir os 20% da fração grossa.
No canal de Salvador, os sedimentos têm coloração cinza-amarelado, e são
também compostos dominantemente de grãos de quartzo e biodetritos (20 a
50%). Os grãos de quartzo apresentam-se subarredondados a arredondados,
limpos e brilhantes. Os biodetritos, em sua maioria, são representados por restos de
moluscos, Halimeda, briozoários e alga coralinácea, e em parte por equinodermas
e foraminíferos (até 10%). Fragmentos de rocha (folhelho, siltito e arenito) são
encontrados em alguns locais, com tamanhos de até 8 cm e, em alguns casos,
recobertos por colônias de organismos calcários. Estes fragmentos são oriundos
dos afloramentos rochosos das rochas sedimentares da sub-bacia do Recôncavo
que afloram em trechos deste canal, como apontado anteriormente.

Fác i es de Lama
Esta fácies apresenta coloração oliva-acinzentado e é constituída, predomi-
nantemente, de argila (> 50%) e silte, com pouca areia. Entre os componentes
biogênicos, predominam moluscos e equinodermas. A Halimeda é rara, embora
localmente possa atingir até 20% da fração grossa. Os foraminíferos estão presentes
em alguns locais, com percentagens entre 3 e 10%. Fragmentos vegetais aparecem
ao longo da costa norte da baía (em manguezais, desembocaduras de riachos e
canais de maré). Chamosita, ocorrendo na forma de pelotas fecais mineralizadas,
é rara, podendo, entretanto, localmente, constituir até 70% da fração grossa. Esta
fácies ocupa aproximadamente a metade norte da Baía de Todos os Santos.

Fácies de A reia/Cascalho Bio detrítico


Esta fácies apresenta uma coloração acinzentada, sendo constituída de
mais de 50% de componentes biogênicos. Compõe-se principalmente de restos
de moluscos, equinoderma e Halimeda, e, em menores percentagens, de alga
coralinácea e foraminíferos (raros). Grãos de quartzo, quando presentes, são finos
e subangulares. A argila, subordinada, está sempre presente em percentagens
inferiores a 30%. A chamosita é rara. Como discutido anteriormente, esta fácies
ocorre sob a forma de manchas isoladas na fácies de lama ou no entorno das
principais ilhas da baía.

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Fá c i es M i sta
Com coloração oliva-acinzentado, é caracterizada pela mistura, em diferentes
proporções, de três componentes: areia quartzosa, lama e biodetritos, sem exceder,
nenhum deles, os 50%. No canal do rio Paraguaçu e na parte central da baía, esta
fácies é constituída por uma mistura com maiores percentagens de areia quartzosa e
lama, com poucos componentes biogênicos. Os grãos de quartzo são de granulação
fina a média, subangulares a subarredondados, alguns apresentando um filme
envoltório de óxido de ferro. Entre os componentes biogênicos, sobressaem-se os
moluscos. Fragmentos de vegetais aparecem em proporções que variam de 3 a
20%. Já na parte central da baía, a fácies mista apresenta maiores percentagens
de componentes biogênicos, representados predominantemente por moluscos,
Halimeda e equinodermas, com alguns foraminíferos. Em sua maioria, esses
materiais apresentam-se desgastados, corroídos e perfurados. A chamosita aparece
em percentagens de 3 a 15% da fração grosseira.
Os teores de matéria orgânica nos sedimentos de fundo da Baía de Todos os
Santos são variáveis. Os maiores teores estão associados à fácies de lama (3-6%). A
decomposição desta matéria orgânica gera o gás metano que, quando presente
no sedimento, cria o efeito de “cobertor acústico”, impedindo a penetração das
ondas acústicas no sedimento, conforme mostrado na Figura 17. A fácies de areia
quartzosa, presente na entrada da Baía de Todos os Santos, é a que apresenta os
menores teores de matéria orgânica (menos de 1%). Nos levantamentos sísmicos foi
a única fácies em que não se constatou a presença de gás no sedimento. As demais
fácies, inclusive a fácies de areia quartzosa no canal de Itaparica, apresentam teores Figura 17.
Exemplo de linha sísmica de alta
de matéria orgânica entre 1 e 3%. Nestas fácies também foi detectada a presença resolução com presença de gás no
de gás no sedimento. sedimento (indicado pelas setas).

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Co n sid era çõ es Fi na i s
Charles Lyell, em seu influente livro Princípios de Geologia (Lyell, 1830),
descreve a Geologia como “a ciência que investiga as sucessivas mudanças que
tiveram lugar nos reinos da natureza orgânico e inorgânico; ela investiga as
causas destas mudanças e as influências que elas exerceram na modificação da
superfície e na estrutura externa de nosso planeta”. Este capítulo foi escrito tendo
como inspiração esta abordagem de Lyell. Esperamos ter transmitido ao leitor que
uma determinada paisagem, como a Baía de Todos os Santos, é o resultado de
uma longa herança geológica, uma longa cadeia de eventos, com contingências
geo-históricas, desempenhando um papel fundamental no seu modelado. Uma
história que começa com a separação entre a América do Sul e a África, há cerca de
145 milhões de anos atrás, e incorpora os efeitos do progressivo resfriamento do
planeta, durante o Cenozóico, e as dramáticas mudanças do nível do mar, durante
o Quaternário.
Como diria o próprio Lyell (1830), “como a condição atual das nações é o
resultado de muitas mudanças antecedentes, algumas extremamente remotas
e outras recentes, algumas graduais e outras súbitas e violentas, também o
estado do mundo natural é o resultado de uma longa sucessão de eventos, e se
nós desejarmos expandir nossa experiência da presente economia da natureza,
devemos investigar os efeitos de suas operações em épocas pretéritas”.

Ref er ên c i a s
Abreu, V. S. e Anderson, J. B. (1998) Glacial eustasy during the Cenozoic: sequence
stratigraphic implications. American Association of Petroleum Geologists
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