Ritual do Toré: Etnia Potiguara e Ensino
Ritual do Toré: Etnia Potiguara e Ensino
Henrique Herculano
Indígenas da etnia potiguara no ritual religioso do Toré, Rio Grande do Norte, Brasil.
MANUAL DO EDUCADOR
FORMAÇÃO CONTINUADA 9
Ensino Fundamental
Indígenas da etnia potiguara no ritual religioso do Toré, Rio Grande do Norte, Brasil.
MANUAL DO EDUCADOR
FORMAÇÃO CONTINUADA 9
Ensino Fundamental
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei no 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.
Impresso no Brasil.
Para o Ensino Religioso estabelecido como componente curricular de oferta obrigatória nas escolas
públicas de Ensino Fundamental, com matrícula facultativa, em diferentes regiões do País, foram elabo
rados materiais didático-pedagógicos, propostas curriculares e cursos de formação inicial e continuada
que contribuíram para a construção dessa área de ensino, cujas natureza e finalidades pedagógicas são
distintas da confessionalidade.
[Link] | mordecio
Compreensão Respeito
Amor Paz
[Link] | shertut
[Link] | GraphicPapa
TRADIÇÕES
IDEIAS DE ESCRITAS
DIVINDADE
[Link] | 21PhotosARTS
PRINCÍPIOS
MOVIMENTOS VALORES
RELIGIOSOS ÉTICOS
TRADIÇÕES FILOSOFIAS
ORAIS DE VIDA
[Link] | annaspoka
A partir de uma interpretação tradicional da avaliação, própria da função designada, o professor tem
desempenhado um papel decisivo, além de decisório, de um modo unidirecional. O papel destinado a
quem aprende é o de responder a quantas perguntas sejam-lhes formuladas. A mudança no enfoque e
na concepção de todo o processo deve levar, necessariamente, a uma mudança no papel que as técnicas
devem desempenhar na implementação da avaliação.
A partir de concepções alternativas, e mais de acordo com os novos enfoques curriculares, orientados
pela racionalidade prática e crítica, quem aprende tem muito o que dizer do que aprende e da forma
como o faz, sem que sobre a sua palavra gravite constantemente o peso do olho avaliador que tudo
vê e tudo julga. Por esse caminho, podemos chegar a descobrir a qualidade do aprendido e a qualidade
do modo pelo qual o aluno aprende, as dificuldades que encontra e a natureza delas, a profundidade
e a consistência do aprendizado, bem como a capacidade geradora para novas aprendizagens daquilo
que hoje damos por aprendido apenas tendo ouvido e estudado em um texto. Essa é a avaliação que
considera o valor agregado do ensino como indicador válido da qualidade da educação.
Místicas e espiritualidades
Manifestações religiosas
Lideranças religiosas
(EF06ER04) Reconhecer que os textos escritos são utilizados pelas tradições reli-
giosas de maneiras diversas.
(EF06ER07) Exemplificar a relação entre mito, rito e símbolo nas práticas celebrativas
de diferentes tradições religiosas.
HABILIDADES
Doutrinas religiosas
Imanência e transcendência
HABILIDADES
1o
momento
O cuidado com a vida
Vamos dialogar.................................................................................................................6
Você foi adicionado ........................................................................................................ 6
Exercitando o que aprendemos...................................................................................12
Refletindo sobre o tema................................................................................................14
Saúde mental.................................................................................................................... 14
Trabalhando o tema........................................................................................................20
Agora é sua vez!...............................................................................................................22
2o
momento
Os muitos sentidos do viver e do morrer
Vamos dialogar.................................................................................................................24
Ritos e mitos indígenas .................................................................................................. 24
Exercitando o que aprendemos ..................................................................................27
Refletindo sobre o tema................................................................................................28
Vida e morte: uma relação indissociável.................................................................... 28
Trabalhando o tema........................................................................................................40
Agora é sua vez!...............................................................................................................42
3o
momento
O diálogo como uma atitude ética de respeito à vida e à
dignidade humana
Vamos dialogar.................................................................................................................44
Em defesa dos direitos e da dignidade humana........................................................ 44
Exercitando o que aprendemos...................................................................................46
Refletindo sobre o tema................................................................................................49
A dignidade do ser humano como uma necessidade ética.................................... 49
Trabalhando o tema........................................................................................................56
Agora é a sua vez!............................................................................................................58
4o
momento
Racismo, preconceito e intolerância: os limites da
liberdade de expressão
Vamos dialogar.................................................................................................................61
Liberdade de expressão e discurso de ódio............................................................... 61
Exercitando o que aprendemos...................................................................................69
Refletindo sobre o tema................................................................................................72
Alteridade e cultura: como combater os conflitos?.................................................. 72
Trabalhando o tema........................................................................................................75
Agora é sua vez!...............................................................................................................77
Conheça o Manual
Este Manual do Educador foi planejado para oferecer ao professor suporte didático para
suas aulas. Levando em consideração que o trabalho em sala de aula é desenvolvido,
em sua melhor forma, pela atenção dada pelo docente a detalhes que só ele conhece,
como os diferentes níveis de aprendizado e interesse dos alunos. O que trazemos neste
compêndio são sugestões bem elaboradas que esperamos ser úteis no processo de
ensino e aprendizagem.
Sugestão de
vídeo e filme
Em um mundo marcado pela impor-
Para refletir tância das imagens e tecnologias,
Nesta seção, existem textos criados o uso de recursos audiovisuais é
com o objetivo de levar o profes- fundamental para tratar os temas
sor a refletir com os alunos sobre abordados no livro. Dessa forma,
questões da vida cotidiana de modo há vídeos e filmes que poderão ser
geral, as quais, por vezes, negligen- visitados pelo docente por meio de
ciamos. QR Codes e de pesquisa na Internet.
BNCC – Habilidades
trabalhadas no capítulo
1o
(EF09ER01) Analisar princípios e orienta-
ções para o cuidado da vida e nas diversas O cuidado com a vida
tradições religiosas e filosofias de vida. momento
Sugestão de abordagem
Professor, reflita com os alunos que, às vezes, nos envolvemos tanto em nossas tarefas diárias que esque-
cemos de apreciar a beleza e a singularidade de cada momento que vivemos. Por isso, convide-os a refletir
sobre estes pontos e a cultivar uma abordagem mais consciente e significativa em relação à vida.
Ҍ Aprecie as pequenas coisas: a vida está repleta de momentos simples e belos. Aprenda a valorizar os
pequenos prazeres cotidianos, como um sorriso, um abraço ou um pôr do sol. Eles podem trazer uma
profunda sensação de gratidão e felicidade.
Continua
As redes sociais tornaram-se uma Veja as consequências de nos abstermos da vida real e dedicarmos nosso tempo apenas
parte integrante de nossa vida, permitin- ao mundo virtual e às suas sombras.
do-nos conectar com pessoas ao redor
do mundo e compartilhar experiências. A pessoa viciada nas redes sociais tem a sensação de prazer quando visualiza as curtidas e os
No entanto, essa interação constante compartilhamentos das postagens e com as constantes mensagens recebidas nos aplicativos, por
exemplo no WhatsApp. Tudo isso ocorre porque, à medida que a pessoa vai utilizando esses apli-
com as redes sociais também levanta cativos, entram em ação neurotransmissores que liberam dopamina — hormônio responsável pela
questões sobre seu impacto na saúde sensação de prazer.
mental. Além disso, os algoritmos utili-
zados nessas plataformas desempenham
um papel fundamental na compreensão
de nossas preferências e personalidade.
A partir disso, professor, destaque al- Encontro com os amigos Relacionamentos
alizações e a necessidade de estar sempre conectado podem criar uma dependência das redes sociais.
Essa dependência pode levar à ansiedade, à necessidade de validação constante e à sensação de estar
sempre perdendo algo importante.
Ҍ Disseminação de informações falsas: As redes sociais são propícias para a disseminação rápida de infor-
mações, mas nem todas são precisas. Isso pode levar à confusão, desinformação e até mesmo afetar nossa
saúde mental quando somos expostos a notícias falsas, teorias da conspiração ou informações prejudiciais.
Ҍ O papel dos algoritmos: Os algoritmos usados pelas redes sociais têm a capacidade de entender nossos
Continua
O experimento das bicicletas Era verão em Nova York, e, naquela tarde, fazia um calor sufo-
cante, insuportável. As pessoas andavam pelas ruas mal-humoradas,
O professor Kees Keizer, da Univer- em visível desconforto. Na avenida Madison, peguei um ônibus para
sidade de Groningen, na Holanda, con- voltar para o hotel. Ao entrar, fui surpreendido com a saudação que
jecturou o seguinte experimento para veio do motorista: “Oi, como vai?”. Esse homem negro de meia-idade
testar o impacto do contágio social. Em e largo sorriso repetiu a mesma saudação a todos os outros passa-
um beco onde se estacionavam bicicle- geiros que foram entrando ao longo do percurso no denso tráfego
tas, sua equipe espalhava panfletos so- do centro da cidade. Todos, como eu, surpreendiam-se, mas, porque
estavam com o humor comprometido pelas condições climáticas do
bre elas. No primeiro cenário avaliado,
dia, poucos retribuíram o cumprimento.
isso acontecia em um local com paredes
À medida que o ônibus se arrastava pelo traçado quadriculado do
limpas. No segundo, ocorria no mesmo centro da cidade, porém, uma transformação mágica foi gradativamen-
lugar, mas com as paredes pichadas. te ocorrendo. Para nosso deleite, o motorista encetou um animado
No ambiente sem grafite, 33% das comentário sobre o cenário à nossa volta: havia uma liquidação sen-
pessoas jogavam o panfleto que estava
sobre a bicicleta no chão. Quando o 10 Religião em Diálogo – 9 ano 0
sacional naquela loja, uma exposição maravilhosa naquele museu, já souberam do novo filme
Professor, no processo da educação
que acabou de estrear ali na esquina? O prazer dele com a riqueza de possibilidades que a
emocional, a função do docente é ab-
cidade oferecia contagiou a todos. Ao descerem do ônibus, as pessoas já haviam se despido da
couraça de mau humor com que tinham entrado, e, quando o motorista lhes dirigiu o sonoro
solutamente fundamental, usando sua
“Até logo, tenha um ótimo dia!”, todas lhe deram uma resposta sorridente. sensibilidade para transpor as barrei-
Há vinte anos a lembrança desse episódio me acompanha. Quando entrei naquele ônibus ras do seu próprio conhecimento e da
da avenida Madison, eu havia acabado de me doutorar em Psicologia — mas a Psicologia da sua prática em sala de aula para abrir
época não dava muita atenção para uma alteração comportamental que ocorresse desse modo. espaço para o debate e para a educa-
A Psicologia não conhecia praticamente nada acerca dos mecanismos da emoção. Ainda hoje, ção emocional. Isso pressupõe que o
ao imaginar a possibilidade de os passageiros daquele ônibus terem propagado pela cidade profissional seja mais do que um vetor
aquele vírus de bem-estar, constato que aquele motorista era uma espécie de pacificador
de conhecimentos, passando a atuar
urbano, uma espécie de mago que tinha o poder de transmutar a soturna irritabilidade que
com a intenção de realmente preparar
fervilhava nos passageiros de seu ônibus, de amolecer e abrir corações.
[...]
os alunos a serem conscientes e res-
O noticiário cotidiano nos chega carregado desse tipo de alerta sobre a desintegração ponsáveis em sua forma de sentir, de
da civilidade e da segurança, uma onda de impulso mesquinho que corre desenfreada. Mas pensar e de agir.
o fato é que esses eventos apenas refletem, em maior escala, um arrepiante desenfreio de Reconhecendo as emoções das pes-
emoções em nossa própria vida e na das pessoas que nos cercam. Ninguém está a salvo dessa soas ao seu redor, você, professor, pode
errática maré de descontrole e de posterior arrependimento — ela invade nossas vidas de criar um meio extremamente fértil e
um jeito ou de outro.
acessível para uma interação equilibrada
A última década tem presenciado um constante bombardeio de
a partir de sentimentos como alegria,
notícias desse gênero, que retratam o aumento de inépcia emocio-
nal, desespero e inquietação na família, nas comunidades e em nossa
tristeza, medo, raiva ou até vergonha.
vida em coletividade. Esses anos têm escrito a crônica de uma raiva
Transmutar: Fazer Fazer isso potencializa a capacidade de
com que fique dife-
e desespero crescentes, seja na calma solidão das crianças trancadas rente; ir de um lugar aprendizado de conteúdos mais tra-
com a TV que lhes serve de babá, no sofrimento das crianças aban- para outro; mudar de dicionais, pois permite que cada um
uma circunstância
donadas, esquecidas ou maltratadas ou na desagradável intimidade
para outra; transfor-
entenda e desafie os limites de seus
da violência conjugal. O alastramento desse mal-estar pode ser visto mar. estudos e dos obstáculos encontrados,
através de estatísticas que demonstram um aumento mundial dos casos tanto para aprender o conteúdo quanto
de depressão e nos indicadores de uma repentina onda de agressão Soturna: Sombria,
triste. para se relacionar com a família e com
— adolescentes que vão armados para a escola, infrações de trânsito
a comunidade escolar.
na estrada que terminam em tiros, ex-empregados descontentes que Errática: Que va-
massacram antigos colegas de trabalho. gueia, erra; errante.
[...]
Inépcia: Ausência
GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional. Tradução: Marcos Santarrita. Rio de Janeiro: Objetiva, de aptidão; falta de
2011. p. 23-25. competência ou efi-
ciência.
Anotações
Reprodução.
sua reflexão.
Ҍ Como alguns instrumentos de
origem social, como a linguagem,
são importantes para o desenvol-
vimento da inteligência?
Ҍ Em que medida o sistema de co- a) A artista usa de traços simples e um curto texto para nos impactar com suas mensagens
municação e os diferentes sistemas otimistas e reflexivas. De acordo com a leitura do trecho do livro de Daniel Goleman e
com a tirinha de Vana Campos, como podemos relacionar a prática do motorista do ôni-
simbólicos desenvolvidos pela cul-
bus com a da menina da tirinha?
tura auxiliam o ser humano para
o aprimoramento da inteligência? Espera-se que os alunos associem ambos os textos ao contágio social, visto que o moto-
Ҍ Como os aspectos contidos nas rista foi gentil, dessa maneira, contagiou os passageiros — atraídos por essa gentileza e
dimensões afetivas das interações sensibilidade. Possivelmente, os passageiros seguiram atraindo e emanando bom humor,
que ocorrem durante toda a vida
contagiando outras pessoas.
de uma pessoa podem contribuir
no seu desenvolvimento? b) Na tirinha, a garota atrai amor com mais amor. Em sua opinião, a palavra amor empregada
no segundo quadrinho pode ser substituída por quais palavras, de modo que não se altere
o sentido inicial?
Sugestão de resposta: Amor atrai mais carinho / Amor atrai mais simplicidade / Amor atrai
Sugestão de abordagem mais caridade. Professor, mostre aos alunos que o amor é um sentimento tão singular que
“[...] Ainda hoje, ao imaginar a possibilidade de os passageiros daquele ônibus terem propa-
Resposta da questão 2
gado pela cidade aquele vírus de bem-estar, constato que aquele motorista era uma espécie
a) Espera-se que os alunos entendam
de pacificador urbano, uma espécie de mago que tinha o poder de transmutar a soturna
que, quando praticamos boas ações, irritabilidade que fervilhava nos passageiros de seu ônibus, de amolecer e abrir corações. [...]”
transmitimos bons sentimentos às pes-
soas que estão à nossa volta. Assim
como o motorista que andava por toda 12 Religião em Diálogo – 90 ano
cidade espalhando sorrisos às pessoas
que andavam no coletivo, a menina na Religiao_em_dialogos_9A_001a080_Back.indd 12 01/09/2023 [Link]
Resposta pessoal.
b) Como você interpreta o termo usado pelo autor para definir o motorista do ônibus:
pacificador urbano?
Espera-se que os alunos compreendam que, como o motorista dirige pela cidade toda e
tem o costume de dar bom dia a todo mundo e ser atencioso com os passageiros, todos
que andam no ônibus recebem uma “dose” de felicidade. E ela é espalhada pela cidade.
Resposta pessoal.
Uma mente sã em um corpo são é Espera-se que os alunos compreendam que, assim como a garota que ajuda a amiga a “pôr
o que devemos procurar na vida pessoas tóxicas para fora”, o motorista de ônibus ajuda as pessoas a esquecerem, mesmo
O debate sobre saúde mental en- que momentaneamente, as notícias ruins que os jornais insistem em exibir, por exemplo.
trou na pauta das principais agendas de
eventos após a declaração da ginasta
olímpica estadunidense Simone Biles
de que precisava focar em sua saúde Os seres humanos são divididos em mente e corpo. A mente abraça todas as nossas aspirações
mental ao invés de competir no salto e nobres, como a poesia e a Filosofia, mas o corpo é que tem todo o divertimento.
Woody Allen
nas barras assimétricas nas Olimpíadas
de Tóquio de 2020.
Saúde mental
A pesquisa feita pelo instituto IPSOS,
Mens sana in corpore sano
encomendada pelo Fórum Econômico
Mundial, apontou que 53% dos brasi- Você faz sua matrícula na escola e de repente já está fazendo as provas da primeira unida-
leiros tiveram o seu bem-estar mental de. Quando percebe, está nas férias do meio do ano. Volta às aulas e já está comemorando
piorado nos últimos meses de 2020 e o Ano-Novo e pensando como será o Ensino Médio.
nos quatro primeiros meses de 2021. É sobre isso que o título fala: Mens sana in corpore sano. Essa expressão é derivada
De acordo com o Sistema Único de do latim e quer dizer uma mente sã em um corpo são. Ou seja, para que nós estejamos
totalmente saudáveis, é necessário que a nossa mente e o nosso corpo estejam em har-
Saúde (SUS), no Brasil, 86% dos bra-
monia. Uma pessoa que mantém sua mente e seu corpo em equilíbrio, ou pelo menos
sileiros sofrem de ansiedade, 45% de
tenta, está caminhando para um futuro mais saudável. Enquanto estamos jovens, não
instabilidade pós-traumático e 16% de percebemos muito os efeitos de não ter uma boa noite de sono ou de não ter uma ali-
depressão grave. mentação saudável, no entanto nosso corpo cobrará a conta dos costumes desregrados
O psicanalista Cristian Dunker, pro- mais tarde. Logo, quanto mais cedo buscarmos hábitos sadios, mais facilmente poderemos
fessor da Universidade de São Paulo usufruir de um corpo e de uma mente, de fato, sãos.
(USP), afirmou que os problemas de Um dia continua tendo 24 horas, 1 hora ainda vale 60 minutos, e um minuto ainda tem 60
saúde mental começaram a se expandir segundos. E o que está acontecendo? O que estamos fazendo para não perceber as horas,
bem antes da covid-19, em decorrência os dias e as semanas passarem? Estamos vivendo em função de quê?
Na correria do nosso dia a dia, cuidamos de muitas coisas e, por muitas vezes, não para-
de muitos outros fatores. “O isolamen-
mos para nos observar. Ultimamente, com o advento das redes sociais, estamos recebendo
to social acentuou e agravou”, disse o
muitas informações, e isso tem prejudicado nossa forma de refletir sobre as situações e os
ganhador do Prêmio Jabuti 2012, na momentos e pensar em nós enquanto pessoas. Ficamos tão sobrecarregados com as cobran-
categoria “Psicologia e Psicanálise”, e ças, os prazos, a exposição das redes sociais, etc. que não paramos para prestar atenção no
autor de vários livros sobre saúde men- que somos e no que estamos fazendo, de fato, com nossa vida.
tal e comportamento. A Secretaria de Saúde do Estado do Paraná criou um conteúdo didático respondendo à
O acadêmico diz que familiares e seguinte pergunta: “O que é ter saúde mental?”.
amigos próximos devem ficar atentos
às pequenas mudanças de compor- 14 Religião em Diálogo – 9 ano 0
e ouvir amigos e familiares de seu convívio. A busca pela ascensão social e profissional também é apontada
pelo acadêmico como gerador de mal-estar, porque requer sacrifício da pessoa.
Cristian Dunker também comentou sobre ambiente de trabalho. Para o especialista, uma administração
que propõe sofrimento nas pessoas para que elas trabalhem mais promove “ingestão de sofrimento criando
relacionamento inconveniente que visa a atingir a moralização da mente”. Para ele, isso é equívoco cultural e
atraso corporativo que carrega preconceito, principalmente contra as mulheres. O primeiro passo para com-
bater o estresse, a depressão, a ansiedade ou qualquer tipo de angústia mental é cuidar de si e de quem sofre.
É preciso repreender qualquer tipo de agressão que provoque danos à saúde mental, ressalta Dr. Cristian, que
Continua
Nosce te ipsum
De origem latina, ela quer dizer: conhece-te a ti mesmo. A autoria da frase é atribuída
a vários antigos sábios gregos. No entanto, Sócrates (470 a.C.–399 a.C.) foi quem difundiu
essa mensagem, inscrita no Templo de Delfos, na Grécia. Sócrates defendia a introspecção
elevada à consciência e sua capacidade interpretativa.
alerta a necessidade de a pessoa que apresenta sintomas entender a sua própria realidade e ignorar as críticas
de quem não faz parte de “seu mundo”. “A opinião do outro ´diz respeito à vida dela e não da sua’”, reafirma
o psicólogo e psicanalista.
sobre a qual os outros falam ou que querem que seja, mas aquela Professor, acesse o QR Code, reflita
pessoa que é quando ninguém está vendo. e aprenda mais sobre como desenvolver
Percorrendo esse caminho, podemos chegar ao estado de inte- uma inteligência emocional saudável.
ligência emocional, que nos auxiliará na resolução de problemas, no Dessa forma, você pode utilizar o seu
enfrentamento de dificuldades e na superação de novas situações aprendizado para repassá-lo aos alunos
da nossa vida.
a fim de que também aprendam sobre
Oito lições sobre a inteligência emocional
esse assunto.
Posteriormente, surgiram
correntes de pensamento
de outros filósofos, como
Platão, Spinoza, Freud e
Morin.
Os autores confessionais,
Os filósofos da
que enxergavam o
Antiguidade que viam o
autoconhecimento como
autoconhecimento como
ferramenta para confissão
algo bom por si só ou por
religiosa e moral, como
fins práticos.
Santo Agostinho
e Rousseau.
Toda religião oriental, independentemente de ser chinesa, procura disciplinar muito a mente
Professor, a seguir, propomos suges-
das pessoas para que elas sigam mais fielmente aquilo que é proposto por suas religiões ou
tões de respostas para as questões 1,
filosofias, mas de uma forma muito harmônica. Uma pessoa que pratica o equilíbrio mental terá
2, 4, 5 e 6. suas ações em equilíbrio também. A contribuição dessas práticas para o mundo e, especifica-
mente, para o Brasil é fazer com que a sociedade possa se perceber e se observar, reconhecer
Resposta da questão 1 uma série de valores que podem somar no benefício não só do próprio país, como também da
Espera-se que os alunos compreen- própria humanidade. Muitas vezes, não vemos isso. Infelizmente, vemos mais o ruim do que o
dam que todos os processos tecnoló- bom, mais as diferenças do que o que temos em comum. Temos muitas coisas para acrescentar
gicos iniciados na Revolução Industrial para a humanidade e muito a aprender. À medida que seguirmos esse processo, vamos aprender
agilizaram e otimizaram o modo de vida muito com ele, e haverá trocas saudáveis entre todos nós.
Resposta da questão 5
Espera-se que os alunos compreendam que, quando alguém, verdadeiramente, se confronta, busca saber
o que tem melhor e planeja seu futuro a partir das respostas desses confrontos, terá uma grande chance de
ser um excelente profissional e desempenhar funções de modo feliz e realizada.
Continua
a) Em sua opinião, por qual motivo os adolescentes são os mais vulneráveis aos transtornos
emocionais?
Resposta pessoal.
b) O trecho lido expõe que alguns adolescentes “podem desenvolver sintomas físicos como
dor de estômago, dor de cabeça ou náusea”. Pesquise e responda: qual o nome que se dá
às doenças que se manifestam no corpo originadas de problemas emocionais?
5. O autoconhecimento nos coloca diante de nossos limites e das nossas fortalezas, isto é,
do que temos de melhor. Quando olhamos para dentro de nós e nos observamos, pode-
mos identificar algumas limitações e, diante delas, somos convidados a elaborar caminhos
de melhoria para que nos tornemos pessoas melhores para nós mesmos, para os outros
e para o mundo. Em sua opinião, como o “conhecer-se” pode melhorar o mundo?
Resposta pessoal.
Resposta pessoal.
Resposta da questão 6
Espera-se que os alunos cheguem à conclusão de que, dependendo do nível de conhecimento pessoal, al-
gumas pessoas conseguem perceber quando não estão bem e entendem qual a raiz do problema, procurando
saná-lo com a ajuda de profissionais. O autoconhecimento e a autorreflexão são poderosas ferramentas para
termos uma vida mental saudável.
A dimensão ético-pedagógica do
saber
Alteridade: reconhecendo o outro
Para Levinas, a esfera de sentido
chamada ontologia, pedagogia tradi- Uma palavra com muitos significados que acaba ficando na moda quando a existência dos
outros é negada de alguma maneira. Alteridade, ou outridade — que alguns autores conceituam
cional, não é a única nem a privilegiada
como a condição do que é o outro, do que é distinto de mim —, remete-nos à necessidade
para se pensar a relação humana, pois
de nos colocarmos no lugar do outro, reconhecendo nossas diferenças, de desenvolvermos
a verdadeira pedagogia como relação o sentimento de empatia pelo outro, daquele que não sou eu e que, na maioria das vezes, é
com Outrem pressupõe um laço irredu- diferente de mim.
tível ao ato representacional e compre- Exercer a alteridade nos leva, inevitavelmente, à reflexão sobre a condição humana. Quan-
ensivo. Isto é, na relação com Outrem, do agimos a partir desse princípio, somos levados a observar o outro como um ser humano,
articula-se um chamamento irredutível simultaneamente igual e diferente de mim. A experiência de se colocar no lugar do outro
a um ato intencional: “A relação com implica um esforço de perceber, a partir de seus olhos, seu mundo, que é uma construção de
suas experiências, seus hábitos, sua história e suas vivências.
Outrem, portanto, não é ontologia. Este
A filósofa Márcia Tiburi destaca, em seus textos, que estamos acostumados, e muitas ve-
vínculo com Outrem que não se reduz
zes até agarrados, a um tipo de materialidade das coisas e das mercadorias que não promove
à representação de Outrem, mas à in- a transcendência, não permitindo, por vezes, que mudemos nosso olhar sobre o mundo e
vocação, e quando a invocação não é para os outros com quem convivemos. Nesse sentido, a proposta de ações com alteridade é
precedida de compreensão, chamo-a resgatar nossa sensibilidade perdida em meio à brutalidade da vida.
religião” (LEVINAS, 1997, p. 29). Ser altero não é algo impossível. A todo momento, somos convidados ao exercício desse
Levinas utiliza o termo religião para sentimento. Podemos praticá-lo toda vez que convivemos com alguém. Praticar a alteridade
pensar em descrever a relação ético- é uma proposta ética, um estilo de vida, algo que constrói e se realiza de modo contrário à
-pedagógica como irredutível à inten- lógica que temos utilizado socialmente de enaltecer o sucesso esquecendo que nem todos
somos os melhores em todos os sentidos de nossa vida. Exige também olhar e reconhecer a
cionalidade teórica. No entanto, este
si mesmo, nossas forças e nossas necessidades de melhorias como pessoas.
encontro com Outrem (religião) não
envolve uma participação no sagrado, Disponível em: [Link] Acesso em: 18/08/2023. Adaptado.
2o
(EF09ER03) Identificar os sentidos do
viver e do morrer em diferentes tradi- Os muitos sentidos do viver e do
ções religiosas, através do estudo de momento morrer
mitos fundantes.
(EF09ER04) Identificar concepções de
vida e morte em diferentes tradições
religiosas e filosofias de vida, por meio
da análise de diferentes ritos fúnebres.
(EF09ER05) Analisar as diferentes Ritos e mitos indígenas
ideias de imortalidade elaboradas
pelas tradições religiosas (ancestrali- Os mitos contam como as coisas chegaram a ser o que são. Contam
dade, reencarnação, transmigração e como as divindades, as pessoas, os animais e as plantas se diferen-
ressurreição). ciaram. Os rituais, por sua vez, fazem o caminho inverso dos mitos.
E, não por acaso, eles se dispõem muitas vezes a contar o mito, a
recriá-lo, promovendo uma espécie de incursão nesse cenário mítico
de igualdade entre divindades, seres humanos, animais e plantas, no
qual todos se comunicavam e produziam sua existência por meio
Objetivos pedagógicos dessa interação.
As populações indígenas acreditam que essa comunicação e essa
interação devem acontecer de maneira mediada e são indispensáveis
Incursão: Passagem
Ҍ Analisar como as diferentes ideias rápida por um lugar. para a produção de pessoas e da própria sociedade. Afinal, é do cosmos
de imortalidade perpassam as re- mítico que são extraídas as matérias-primas para a constituição das pes-
ligiões. soas e da sociedade. Perder de vista essa comunicação e essa interação
é entregar-se à inércia, à permanência em um mundo sem sentido.
Ҍ Identificar os sentidos de vida e Os rituais funerários, em sua maioria, consistem em separar os vivos
de morte de diferentes religiões. dos mortos, fazendo com que estes retornem ao outro mundo, dos não
humanos. Quando alguém morre, as pessoas que experienciam essa perda
são levadas a um estado de limite de si. Por isso, não é de se espantar que
os rituais funerários ou pós-funerários sejam, entre os povos indígenas,
Para refletir muitas vezes aproveitados para a realização da iniciação de jovens.
Os rituais indígenas são uma celebração das diferenças. Em primeiro
lugar, das diferenças entre os seres que habitam o cosmos. Os indí-
A morte é a única certeza que se
genas acreditam que muito do que possuem — aquilo que chamamos
pode ter na vida. No entanto, a forma
de cultura — não foi meramente “inventado” por eles mesmos, mas,
como esse mistério é encarado difere
de acordo com as crenças de cada um.
24
Há correntes religiosas que creem na Religião em Diálogo – 90 ano
sim, aprendido, no tempo do mito, com outras espécies e mesmo com inimigos há muito não
Professor, seria interessante realizar
vistos. Os rituais indígenas são, além disso, uma celebração das diferenças entre os próprios
um debate acerca das várias perspecti-
seres humanos, diferenças sem as quais não haveria troca nem cooperação. E, para celebrá-las,
uma intensa trama de prestações — de comida e bebida, sobretudo, mas também, em certas
vas sobre a morte. Mas, para isso, sugira
ocasiões, de cantos e artefatos — é posta em movimento. uma pesquisa sobre o que falam as lide-
ranças das religiões mais praticadas e as
Disponível em: [Link] Acesso em: 18/08/2023. Adaptado.
menos conhecidas. Trace um paralelo
comparativo para auxiliar no debate.
O quarup: festa para celebrar a
memória dos mortos
Reprodução.
Durante o ritual do quarup, há uma luta simbólica
feita pelos guerreiros da comunidade indígena,
chamada de huka-huka.
ao ombro uma longa vara verdejante, símbolo dos últimos nascidos na comunidade. Os atletas Professor, a seguir, propomos su-
formam um grande círculo, correndo em volta dos quarupes ao mesmo tempo que os reveren- gestões de respostas para as questões
ciam. Depois, o grande círculo se divide em dois, e rapidamente vários grupos são formados,
1 e 2.
representando, cada um, um povo.
Resposta da questão 1
Espera-se que os alunos relembrem
1. Em sua opinião, por que muitas culturas e sociedades ritualizam alguns momentos da o que refletimos sobre as três perguntas
vida, como o nascer e o morrer? que inquietam vários grupos humanos:
Resposta pessoal.
De onde eu vim?; Quem sou? e Para
onde vou?. No caso dos rituais de inicia-
2. Leia o trecho retirado do texto Ritos e mitos indígenas e responda às perguntas a seguir. ção, tenta-se ritualizar o início da vida e
responder à pergunta “De onde vim?”Já
“Afinal, é do cosmos mítico que são extraídas as matérias-primas para a constituição
das pessoas e da sociedade. Perder de vista essa comunicação e essa interação é
o ritual quarup ritualiza o desligamento
entregar-se à inércia, à permanência num mundo sem sentido.” do mundo dos vivos e a passagem para
o mundo dos espíritos.
a) Uma das informações que o fragmento nos dá é a de que os mitos servem para a cons-
tituição das pessoas e da sociedade. Como você compreende essa constituição das pes- Resposta da questão 2
soas e das sociedades? a) Espera-se que os alunos compreen-
Resposta pessoal. dam que os mitos servem para construir
e moldar a identidade de determinado
b) Qual a relação entre os rituais e a construção de sentidos nas manifestações religiosas? povo. Professor, instigue-os a pensa-
Resposta pessoal.
rem o que, de fato, é uma sociedade e
mostre que os indígenas se constituem
3. “Os nativos desse povo convidam os povos amigos para evocarem juntos as almas dos como um povo organizado em suas es-
mortos ilustres.” De acordo com o texto, quem são os mortos ilustres festejados pelos tratificações sociais.
indígenas?
b) Os rituais transportam as pessoas a
Os fortes guerreiros, os pajés, os caciques, etc. um estado de pertencimento ao mundo
sagrado. No caso dos rituais indígenas,
como vimos, servem para dar um sentido
4. O quarup, como vimos, é um ritual de passagem que celebra a partida do mundo dos vivos e uma direção à vida que se leva. Levar
para o dos mortos. Em várias culturas, existem mitos que descrevem o lugar para onde os uma vida de acordo com os costumes,
espíritos vão após deixarem a vida. A partir disso, pesquise e escreva, em seu caderno, qua- além do sentimento de fazer parte de
tro mitos de diferentes culturas que simbolizam um lugar para onde os mortos vão.
uma comunidade, dá ao sujeito uma ex-
plicação do porquê viver de tal maneira.
Religião em Diálogo – 90 ano 27
Anotações
28
Vida simples
Ele reuniu um número extraordinário de virtudes e tinha uma vida simples. “Quanto
menos desejos você tem, mais perto está dos deuses”, disse ele. Sêneca, estoico romano,
escreveu com reverência que Sócrates não se deixava perturbar pelos bens materiais:
desfrutava deles se os tinha e abstinha-se deles sem sofrimento se os perdia.
Foi corajoso na vida e na morte. Combateu em algumas guerras de Atenas, a cidade
que o fez ser o gigante que foi e depois o matou. Além disso, recebeu condecoração
por bravura. Há registros de resistência invulgar em seus dias de guerreiro: andava de
pés descalços e sem casaco sob temperaturas baixíssimas.
A origem da vida segundo Algumas tradições religiosas asseguram que somos parte da grande
vida que se estende numa dimensão cósmica da existência além do nosso
algumas tradições religiosas
planeta, ou seja, que a vida existente no planeta Terra existe em outros
Além das várias teorias científicas planetas também. Todos nós, seres humanos, devemos ter consciência
que procuram explicar a origem da e ser responsáveis pela preservação e defesa da vida, porque dela faze-
Na imagem ao lado,
mos parte. Segundo algumas culturas, como a egípcia, todo o ciclo da
vida, existem também as inúmeras estão Nut, Geb e Shu,
vida — nascer, crescer e morrer —, de toda a criação, está interligado.
afirmações das diversas tradições re- deuses egípcios. Essa
representação faz par-
ligiosas sobre o tema. Contudo, esse te da coleção do Museu
Wikimedia
assunto continua sendo um grande Britânico desde 1910.
Os egípcios diziam que,
mistério que instiga a mente dos no início do mundo,
cientistas, filósofos, religiosos e es- nada existia além de um
enorme oceano chama-
piritualistas. Somos seres viventes, do Nun. Desse oceano,
portanto, fazemos parte integrante surgiu Atum (a forma
da totalidade da vida existente na como ele surgiu varia de
um mito para outro), que
Terra. Algumas tradições religiosas imediatamente fez Shu,
asseguram que somos parte da grande deusa do ar, e Tefnut, o
deus da umidade. Eles,
vida que se espraia em uma dimensão por sua vez, fizeram Geb,
cósmica da existência além do nosso deus da terra, e Nut, a
deusa do céu. Geb e Nut
planeta. A vida, essa força misteriosa, eram os pais de Osíris,
é que torna nossa casa planetária um Seth, Ísis e Néftis. A vida e a morte são temáticas que têm, em seus estudos, uma
lugar muito especial no Universo, ela quantidade quase que inesgotável de material. Vários outros subtemas
renova ciclicamente a natureza re- podem ser vinculados a elas: origem, defesa, preservação, valorização,
sacralidade, continuidade, sentido, finalidade, entre outras questões.
velando-nos sua beleza e perfeição.
Todos nós, seres humanos, devemos
ter consciência e sermos responsáveis Clinton Richard Dawkins A ciência explicando a vida
é um etólogo (estudio-
pela preservação e defesa da vida, so do comportamento
porque dela fazemos parte. social e individual dos A ciência propõe duas explicações para essa dúvida metafísica. A
animais em seu hábitat primeira, mais tradicional, é: o sentido (objetivo) da vida é se repro-
A vida, sem dúvida, é o que existe de natural), biólogo evolu-
duzir, ou seja, ter filhos. E isso é universal, serve para todos os seres
mais sagrado no Universo. Trata-se de tivo e escritor. Dawkins
ganhou destaque com o viventes. Pelo menos é o que diz a Tese do Gene Imortal, uma das
uma temática inesgotável, por isso há seu livro O gene egoísta, mais populares da biologia evolutiva. Ela tem sido desenvolvida desde
muito o que pensar, refletir e conhecer de 1976, que populari- os anos 1970 pelo biólogo britânico Richard Dawkins e reinterpreta
sobre este assunto: sua origem, defesa, zou a visão da evolução
a Teoria da Evolução de Darwin.
centrada nos genes e in-
preservação, valorização, sacralidade, troduziu o termo meme. Na transmissão de informação genética entre pais e filhos, podem
continuidade, sentido, finalidade, en- ocorrer mutações. Elas sempre acontecem — em média, cada humano
tre outras questões. Viver na Terra é
uma grande aventura, um inestimável 30 Religião em Diálogo – 90 ano
aprendizado. A vida é, sem dúvida, a
melhor escola, a melhor universidade Religiao_em_dialogos_9A_001a080_Back.indd 30 01/09/2023 [Link]
Reprodução.
um indivíduo tem uma mutação que o torna mais apto que os demais
(mais resistente a doenças, por exemplo), ele tende a se reproduzir mais
e espalhar essa mutação na sociedade. Os mais aptos permanecem,
e os demais desaparecem. É a chamada seleção natural.
Na Grécia antiga, os filósofos se ocupavam em explicar a origem
da vida. Entre eles, Aristóteles. Ele afirmava que a origem da vida na
Terra era o resultado da ação de um princípio passivo, que é a matéria,
e outro ativo, que é a forma. Assim, em certas condições favoráveis,
esses dois princípios se combinavam permitindo o surgimento da vida. Aristóteles (384 a.C.– 322
O princípio ativo agindo sobre a matéria inanimada tornava-a animada. a.C.) foi um filósofo gre-
Essa teoria ficou conhecida como Teoria da Geração Espontânea. go, aluno de Platão e
professor de Alexandre,
Tal teoria vigorou por muito tempo, atravessou a Idade Média,
o Grande.
quando não faltaram pessoas que supunham ser a origem da vida um
fenômeno que ocorria a partir da matéria inanimada. Elas pensavam
que os odores dos pântanos podiam gerar rãs, que a carne podre
Origem do Universo e da vida: Terra, que era bastante diferente do que é hoje, e a vida pode ter surgido de forma natural
uma questão por vezes polêmica sobre o Planeta, por meio de uma evolução química das substâncias não vivas.
Essas transformações químicas permitiram o surgimento de moléculas que se autodupli-
No poema Via Láctea, de Olavo Bilac, cavam. Com o passar do tempo, foram surgindo as bactérias e depois outros seres simples
há o verso “Ora (direis) ouvir estrelas!”, que, a partir da água, passaram por um longo processo evolutivo, do qual resultaram todos
que nos fala do contato do humano os seres, inclusive os humanos, que povoam a Terra.
com o mistério. Ouvir estrelas e enten-
dê-las não é coisa só de poetas, mas As diversas formas de entender a morte e a vida
também dos cientistas, dos religiosos, Qual o sentido da vida?
dos místicos, dos adolescentes e dos
Talvez essa seja uma das perguntas mais repetidas pelos filósofos e pensadores que já
apaixonados. Conhecer a origem do
passaram pela Terra. Provavelmente, você possui uma visão já construída ou já pensou a res-
Universo significa “ouvir estrelas”, ou peito. Mas vamos tentar aprofundar nossa reflexão e ver como outras pessoas pensam ou
seja, tentar encontrar respostas para pensaram sobre o sentido do viver, pois assim podemos pensar também no que seria o morrer.
as nossas indagações. Respostas que, Diante de tantos pensadores e intelectuais, não é o nosso papel julgar qual deles está mais
na ciência, são conhecidas como teorias correto ou apontar erros. Poderíamos até responder a essa pergunta de uma forma simples:
científicas, e nas religiões como crenças
e mitos sagrados. Cada indivíduo é livre para atribuir sentido e significado à sua vida e ao seu
modo de viver, desde que não agrida outro ser humano.
Leitura complementar cada ser humano possui suas próprias particularidades, e isso faz com
que cada um tenha aspirações e sonhos distintos.
Alguns filósofos que refletiam acerca da existência humana, como
Empédocles de Agrigento (495 Schopenhauer, diziam que, no fundo, a pergunta “Qual o sentido
a.C.–430 a.C) foi um filósofo pré-so- da vida?” mascara algumas inseguranças que todos nós temos, pois
queremos um sentido apenas para que todos os nossos sofrimentos
crático que tentou conciliar a filosofia
valham a pena. Portanto, felicidade é a única coisa que importa; temos
de Parmênides com as doutrinas cos-
que dar sentido à nossa vida para que sejamos felizes.
mológicas, as quais explicam a multipli- Arthur Schopenhauer
No entanto, podemos nos questionar de uma forma mais positiva:
(1788–1860) foi um
cidade da natureza. Ele fazia parte dos filósofo alemão do sé- como eu posso viver a minha vida de forma plena, extraindo o melhor
filósofos pluralistas, e eram chamados culo XIX. dela, obtendo a maior felicidade e causando o maior impacto positivo
assim porque buscaram na pluralidade em outras vidas?
de princípios a solução para as questões Talvez nunca consigamos descobrir o real sentido da vida, mas é mui-
da Escola Eleática. Empédocles foi o to provável que possamos encontrar algumas outras formas para viver
criador da teoria dos quatro elementos bem e melhor esse caminho de buscas, sabendo que, para encontrar
nossa felicidade, passaremos por momentos tristes e angustiosos —
— fogo, água, terra e ar. Esses elemen-
tos se manteriam unidos ou separados
graças a duas forças denominadas pelo 32 Religião em Diálogo – 9 ano 0
Continua
poderemos chorar, inclusive. No entanto, o que não podemos esquecer Filosofia e felicidade
é que precisamos caminhar rumo à nossa felicidade.
A maneira mais objetiva que os an-
Etimologicamente,
A felicidade e o pensamento grego a palavra felicidade tigos tinham de entender a boa vida
provém do termo — como uma forma de atividade, e a
O debate acerca da felicidade não é atual. Apesar de hoje em dia grego eudaimonia,
que significa bom partir da incorporação de certos va-
as pessoas buscarem-na a todo custo, esse é um assunto levantado
(eu); espírito (daimon). lores — contribui para que este tema
pelos gregos e assimilado como a principal questão ética da Antigui- Eudaimonia foi um dos
dade e da Alta Idade Média. Felicidade era um tema sério naquela conceitos centrais da
também fosse mais passível de reflexão
época, que não podia ser esgotado com alguns livros. filosofia de Aristóte- e de discussão. Hoje em dia, tendemos a
les, assim como areté,
Segundo Epicuro (341 a.C.), a felicidade resulta da satisfação dos geralmente entendi-
tratar a felicidade como um fato óbvio,
desejos e de uma vida simples, ausente de ambições e preocupações. do como virtude, e concentrando-nos apenas em como ob-
Somos naturalmente propensos a procurar prazer e fugir da dor, logo phronesis, frequente- tê-la. Mas, na verdade, não existe nada
mente traduzido como
faz sentido compreender ao máximo como se aproximar daquilo que
sabedoria prática. de óbvio na maneira pela qual enten-
nos satisfaz, afastando tudo o que nos cause sofrimento.
demos a felicidade.
Podemos dizer que existem alguns tipos de desejo vivos e pulsantes
Em primeiro lugar, esta concepção
em nós. Alguns são naturais e essenciais, como a fome, o sono e a busca
por uma vida agradável. Não podemos lutar contra eles, então nos resta
é formada, em grande parte, durante
preenchê-los, a fim de obter maior prazer e significá-los. nossa infância e adolescência, quando
Já os desejos frívolos e artificiais, como a busca por riquezas, poder absorvemos de forma mais passiva as
e beleza, são criados por meio dos valores sociais e podem ser com- informações que recebemos de fora.
pletamente ignorados; no entanto, por haver uma cultura social que Isso faz com que naturalizemos aspec-
alimenta e cria um ambiente favorável a essas inclinações, aqueles que tos que são, na verdade, culturais, como
não conseguem satisfazer esses desejos são tratados com estranheza, Para entender mais
sobre o assunto, aces- o consumismo ou o hedonismo.
enquanto os que conseguem conquistá-los nunca se saciam, justa- se o QR Code a seguir. Em segundo lugar, é preciso consi-
mente por eles não serem essenciais. Tais anseios, quando buscados
Aristóteles e a vir-
derar que até mesmo estes elementos
acima de tudo e de todos, tendem a nos trazer angústia, já que não
são regidos por leis naturais.
tude (a vida boa se- culturais são construídos historicamen-
gundo os filósofos
Os estoicos, que surgiram na mesma época na Grécia, também fo- gregos) | Filosofia na
te. Nossa concepção de família, por
cavam seus pensamentos na busca pela felicidade. Para eles, a resposta Escola exemplo, centrada nos relacionamen-
era oposta à de Epicuro. Conforme acreditavam, ao seguir firmemente tos amorosos e na intimidade, data do
os nossos desejos e fugir dos nossos medos, estamos agindo como século XVIII. A dignificação do trabalho
máquinas. Não existe liberdade de escolha se a única coisa que fizermos é resultado da Reforma Protestante no
for seguir os nossos impulsos. O segredo da vida, segundo os estoicos,
século XVI. O consumismo está relacio-
está na temperança e no autocontrole, possíveis de serem alcançados
nado ao modelo capitalista fortalecido
por meio da superação das emoções pela razão. A apatia (literalmente,
sem paixão) era a chave para livrar-se dos sofrimentos. Tão importante
durante os séculos XIX e XX.
quanto a felicidade, era também a busca pelo aprimoramento pessoal.
Continua
Estas causas são chamadas de amor e ódio e devem ser entendidas como forças que atuam na separação
e na união das raízes. O ódio e o amor são eternos, como o fogo, a terra, a água e o ar.
Quando o amor predomina, as raízes permanecem unidas; quando predomina o ódio, separam-se. Quando
há equilíbrio entre o amor e o ódio, nasce o cosmo, embora haja predomínio do ódio sobre o amor na forma-
ção do cosmo. Com a doutrina do amor e do ódio, mais uma vez surge no pensamento grego a ideia de que o
cosmo só pode existir em função da interação de determinadas dualidades.
Reprodução.
Os estoicos distinguiam as incli-
mos muito dinheiro em uma sociedade nações humanas em três: boas,
consumista ou se não correspondemos más e indiferentes. As inclinações
boas incluem as virtudes cardeais:
ao padrão de beleza em uma cultura sabedoria, justiça, coragem e au-
hedonista. Neste sentido, a maneira todisciplina. As más incluem os
opostos dessas virtudes, ou seja,
revisionista que os antigos tinham de ignorância, injustiça, covardia e
conceber a felicidade — como algo pas- autoindulgência. As inclinações
sível de reflexão — poderia, acredito indiferentes incluem todo o resto.
Anotações
de encontrar uma dimensão essencial que daria forma e sentido a todas as religiões; a questão é simplesmente
reconhecer que uma ação básica dos seres humanos, a de interpretar a si mesmo e ao mundo, não poucas
vezes tem assumido formas que podemos chamar de religiosas.
Se as religiões lidam com as convicções mais profundas dos seres humanos, mobilizando o que nos é mais
caro (tradições ancestrais, heranças afetivas, expectativas para o presente e para o futuro); se elas desempe-
nham, para um grande número de pessoas, um papel fundamental na compreensão do mundo e na própria
aventura, individual, mas também comunitária, de autocompreensão, é de se crer que sua importância — e seu
caráter inalienável enquanto direito — estejam estabelecidos.
Continua
Umbanda
Cristianismo
não estão ligadas à noção de um sagrado transcendente, a possibilidade de transcendência persiste, porque
continua sendo possível que o ser humano se mova para além de si, na direção das outras pessoas. Nesse
sentido, a atitude religiosa ensina algo, mesmo àqueles que não professam qualquer religião: a identificação de
uma preocupação suprema mostra que não conseguimos viver apenas no círculo restrito de nosso self, visto
que precisamos aprender os caminhos que nos conduzem para fora de nós e facilitem nossas ligações com a
comunidade humana. A liberdade religiosa é, portanto, um direito à transcendência.
Espiritismo
De acordo com a doutrina espírita, o espírito — a essência do ser — continua vivo depois
da morte, que só atinge o corpo. O que encontramos do outro lado reflete o que realizamos
na Terra. É uma consequência justa, baseada no merecimento. Desencarnação é o processo
de libertação do espírito. No entanto, este pode ficar apegado a dores, paixões, vícios, ma-
terialismos, preocupações, etc.
O desligamento do plano material consome dias, meses ou até anos. Há, inclusive, aqueles
que não sabem que desencarnaram. Por isso, é importante ter em vida a compreensão de que
haverá continuidade e de que não será feita a travessia sozinho. O espírito é acompanhado
por amigos espirituais e familiares. Pela sintonia que estabelece por meio de pensamentos e
sentimentos, será atraído para comunidades de luz ou para o umbral, espécie de purgatório
temporário, onde terá a chance de aprender e se elevar.
Quando estiver preparado, o espírito retornará ao plano físico num novo corpo para “quitar
dívidas” e adquirir “créditos”. Alguns chegam devendo e voltam ainda mais endividados por
causa de orgulho, desequilíbrios e faltas graves. Reencarnamos quantas vezes forem neces-
sárias. Seres de luz podem ascender ao mundo superior e não mais voltar à Terra.
Islamismo
Os muçulmanos acreditam que todos nascem puros e inocentes, com uma beleza inata e
a capacidade de progredir e adquirir conhecimento. No entanto, possuímos o livre-arbítrio.
Ao mesmo tempo que temos uma tendência natural para o bem, somos livres e capazes
de crueldades e injustiças. Sendo assim, quem professa a fé islâmica será responsabilizado por
todos os seus pensamentos e ações no Dia do Juízo, quando o mundo será enrolado como
um pergaminho e todos serão julgados por Deus.
Aqueles que apresentarem bons atos serão recompensados com o paraíso, os outros irão
para o inferno — conceitos puramente metafóricos. A verdadeira natureza do céu e do inferno
só é conhecida por Deus.
A crença no Dia do Juízo significa que a morte não é o fim da vida, mas um portal para a
vida eterna. Portanto, os muçulmanos percebem o tempo como sendo contínuo, desse mundo
para o próximo; e o tempo passado aqui moldará a natureza do tempo eterno.
Hinduísmo
Na Índia, quando uma pessoa morre, seu corpo é levado pelos parentes para o Rio Ganges.
Lá ocorre a cremação, em um ritual repleto de detalhes. Para os indianos, a pessoa não é o
corpo, mas a alma, que parte para outra dimensão. Por isso, cantam e festejam. Dependendo
do mérito conquistado em vida, o espírito passará um período no loka — uma espécie de céu.
Esgotado o tempo, tem de retornar à instância física.
O espírito percorre as dimensões mentais e emocionais e vai conhecendo os desafios que
terá de enfrentar na vida nova. Nasce, portanto, imbuído da missão que vem cumprir na en-
carnação atual, resgatando uma parcela dos erros cometidos no decorrer das vidas anteriores,
e regressa a uma família alinhada a seu mérito (ou demérito) espiritual, mental e emocional.
Almas evoluídas nascem na mais alta casta, a dos brâmanes, representada por sacerdotes e
filósofos. O grupo logo abaixo nasce na casta dos xátrias, composta de militares e políticos.
As almas menos nobres vão para a casta dos comerciantes, os vaixás, e, por último, para a
casta dos trabalhadores, os sudras, conhecidos também como dalits.
Quando a alma atinge um patamar espiritual elevado e consegue finalmente se desapegar
do mundo material, mental e emocional, passa a ter um entendimento perfeito das coisas, sem
ilusões, e não precisará mais encarnar. Existe um expressivo número de indianos que aceita
essa sina plenamente, entende que está onde está por mérito e, se ascender, passando por
todas as instâncias no decorrer de sucessivas encarnações, haverá uma grande ordem social.
Do contrário, imperará a desordem.
Judaísmo
O Judaísmo prega que todos os mortos serão ressuscitados na Era Messiânica (quando
o Messias chegar à Terra). Para o Judaísmo, a alma é imortal. Antes de nascer, assinamos
uma espécie de contrato por meio do qual nos comprometemos a enfrentar determinadas
situações desafiadoras que podem trazer tristezas e dificuldades, provações que contribuem
para nosso aperfeiçoamento.
com que superemos as emoções por meio da razão. Logo, é necessário termos momentos
Anotações
Resposta pessoal.
c) Na segunda estrofe da música analisada, o eu lírico expõe o seguinte: “[...] de que muito
pouco sei ou nada sei [...]”. Em certo momento de sua vida, Sócrates falou uma sentença
parecida: “Só sei que nada sei”. Mesmo sendo um grande expoente da Filosofia grega e
da forma crítica de se viver, Sócrates se colocava numa situação de aprendizado, ou seja,
acreditava que o que sabia ainda era pouco. De acordo com o que estudamos e com as
discussões feitas, responda: qual a importância de se colocar como um eterno aprendiz
diante da vida e como essa forma de viver pode dar sentido à vida?
Resposta pessoal.
3. Tomando Sócrates como inspiração, que, mesmo sendo considerado um dos homens mais
sábios da sua época, colocava-se na condição de aprendiz e buscava ouvir o que outras
pessoas pensavam para então elaborar suas teorias, nós iremos produzir um debate em
sala. Ouvindo com respeito e cordialidade o que nossos colegas pensam, passaremos a nos
conhecer melhor e a traçar novas perspectivas de vida. Para guiar nosso debate, podemos
usar as perguntas a seguir:
Professor, a seguir, propomos su- a) No quadrinho, a mãe conforta a filha dizendo que, apesar de o destino comum para todos
gestões de respostas para a questão 4. os seres humanos ser um dia morrer, teremos todos os outros para viver. Com as suas
palavras, explique o que ela quis dizer.
Anotações
Fernando Pessoa, poeta português, certa vez escreveu: “Tudo vale a pena quando a alma
não é pequena”, ou seja, ame. Faça-se amado. Ame muito. E disso você não irá se arrepender.
Fernando Pessoa, Mahatma Gandhi, Jesus Cristo, Confúcio, Nelson Mandela, Madre Teresa
de Calcutá... Tantos foram os homens e as mulheres que passaram pela Terra e deixaram um
grande legado que até hoje é lembrado.
E como você quer ser lembrado pelos seus entes queridos? Você já se perguntou isso?
Sendo assim, para finalizar nosso momento, produziremos agora uma carta para nós mesmos
no futuro.
Como você espera estar daqui a 10‒15 anos? Quais são seus objetivos?
Antes de produzir essa carta, faça um exercício de autorreflexão e suas projeções. Depois
de produzi-la, compartilhe essa experiência com seus colegas de sala, guarde-a em um local
seguro para que você um dia possa abri-la e verificar se aquilo que você projetou hoje se
realizou.
3o
(EF09ER06) Reconhecer a coexistência
como uma atitude ética de respeito à O diálogo como uma atitude ética
vida e à dignidade humana. momento de respeito à vida e à dignidade
humana
Objetivos pedagógicos
Ҍ Analisar como a ação ética con- Em defesa dos direitos e da dignidade humana
tribui para a formação humana.
Desde a formação do Cristianismo primitivo, há a reivindicação de
Ҍ Compreender a construção da respeito aos direitos humanos, exigidos pela Igreja Católica Apostó-
dignidade humana a partir de lica Romana na defesa das minorias sociais e étnicas; por exemplo, a
uma atitude religiosa a serviço pregação dos padres dos primeiros séculos, como Ambrósio, Agosti-
da humanidade. nho, Basílio, Atanásio, João Crisóstomo, entre outros, orientada pelo
Evangelho (referencial teórico e prático), que clama pelo direito do
pobre e do indigente; e, na época da colonização das Américas, a
defesa intransigente dos direitos dos indígenas, por meio da pregação
Diálogo com o professor de Bartolomeu de las Casas, Antônio de Montesinos, etc.
O papado do período da modernidade dá continuidade à defesa
dos direitos humanos: o Papa Gregório XVI (1831–1846) condenou a
Professor, seria interessante co- escravização das pessoas trazidas da África e, com a bula In supremo
nhecer a filosofia de Kant, pois é uma Para defender os indíge- apostolatus (1839) — No apostolado maior, em português —, contri-
filosofia crítica por ter um significado nas no novo continente, buiu para o fim do comércio e do tráfico de pessoas do continente
Bartolomeu de las Casas
positivo. Sua posição filosófica é cha- (1478–1566) viajou várias
africano; em 1888, o Papa Leão XIII, na bula In plurimis (Pelos muitos,
mada de idealismo transcendental. Ou vezes à Espanha, apelan- em português), dirigida aos bispos do Brasil, pediu apoio ao impera-
do aos oficiais do governo
seja, Kant pretendia garantir à razão e a todos que o quisessem
dor Dom Pedro II e à sua filha Princesa Isabel, para, definitivamente,
acabar com a escravização no Brasil; o Papa Pio XI (1922–1939) que
humana a legitimidade de considerar ouvir em favor dos indíge-
se colocou contra os totalitarismos de direita e de esquerda, por meio
certas questões para as quais não há nas. Assim que ingressou
na vida religiosa domi- das encíclicas Non abbiamo bisogno (Nós não precisamos, em português),
conhecimento possível e, ao mesmo nicana, ele se dedicou à contra o fascismo italiano, Mit brennender Sorge (Com ardente preo-
tempo, restringir o uso da razão, de causa indígena em defesa
cupação, em português), contra o nazismo alemão, e Divini Redemp-
da vida, da liberdade e da
modo que esta não se permita fazer dignidade. toris (Divino Redentor, em português), contra o comunismo soviético;
afirmações infundadas, como as que Pio XII (1939–1958) lutou incansavelmente pela dignidade das pes-
se fazem sobre a existência de Deus.
O filósofo tratou da ética como ética 44 Religião em Diálogo – 90 ano
universal. É dele a ideia do imperativo
categórico: “Age como se a máxima de Religiao_em_dialogos_9A_001a080_Back.indd 44 01/09/2023 [Link]
Manifestação em São
Paulo durante o proces-
so eleitoral de 1974, em
que Ulysses Guimarães
saiu “anticandidato” à
Presidência da Repúbli-
ca; somente uma déca-
da depois, chegariam ao
término os 21 anos de
ditadura no País.
Sugestão de vídeo
a) A ditadura civil-militar ocorreu no Brasil entre os anos de 1964 e 1985. Nessa época, os
militares assumiram a presidência do Brasil, depondo o então presidente interino João
Professor, acesse o QR Code a seguir Goulart, mais conhecido como Jango, eleito democraticamente vice-presidente de Jânio
e assista ao vídeo que trata do processo Quadros, que veio a renunciar. De acordo com a sua interpretação da charge e com os
histórico da ditadura militar e que des- seus conhecimentos prévios, por qual motivo o canhão de guerra está coberto por um
mistifica a ideia de que o Brasil, nesse tecido e perto dele está uma vassoura?
período, era o melhor lugar para viver. Espera-se que os alunos compreendam que o autor da charge quis representar a
expressão popular “varrer para debaixo do tapete”, fazendo uma crítica ao fato de que
“NA DITADURA MILITAR O BRASIL
ERA MELHOR” | ERA UMA VEZ NO o assunto do golpe militar ainda não foi bem resolvido.
BRASIL 1 | Politize!
b) Por que, na fala do militar da charge, a expressão intervenção militar está entre aspas?
Espera-se que os alunos compreendam que, para algumas pessoas, o que aconteceu
no Brasil entre 1964 e 1985 não foi, de fato, uma ditadura militar, mas, sim, uma inter-
venção militar. Dependendo da opção por um ou por outro termo (inter venção ou
Anotações
2. Leia o texto abaixo para responder às perguntas que seguem: O período que se estendeu por 21
anos e ficou conhecido como ditadura
A Marcha da Família com Deus pela Liberdade civil-militar marcou profundamente a
política, a economia e a cultura no Bra-
Foi um movimento surgido em março sil. É necessário analisar o conjunto de
de 1964 e que se consistiu em uma série
acontecimentos que levaram à eclosão
de manifestações, ou marchas, organiza-
desse regime de exceção. Nesse con-
das principalmente por setores do clero e
por entidades femininas em resposta ao
texto, torna-se igualmente importante
comício realizado no Rio de Janeiro em averiguar as intenções estadunidenses
13 de março de 1964, durante o qual o que, durante o governo de Jango, orga-
presidente João Goulart anunciou seu pro- nizava uma ditadura proletária a partir
grama de reformas de base. Congregou das Reformas de Base.
segmentos da classe média, temerosos do
“perigo comunista” e favoráveis à deposição
do presidente da República.
A primeira dessas manifestações ocor- FGV/CPDOC
reu em São Paulo, no dia 19 de março, no Dia de São José, padroeiro da família. O Sugestão de abordagem
principal articulador da marcha foi o deputado Antônio Sílvio da Cunha Bueno, apoiado
pelo governador Ademar de Barros, que se fez representar no trabalho de convocação
Vários elementos surgiram nos
por sua mulher, Leonor de Barros.
Preparada com o auxílio da Campanha da Mulher pela Democracia (Camde), da
anos anteriores ao Golpe de 1964,
União Cívica Feminina, da Fraterna Amizade Urbana e Rural, entre outras entidades, objetivando criar um clima para que
a marcha paulista recebeu também o apoio da Federação e do Centro das Indústrias houvesse uma intervenção militar.
do Estado de São Paulo. A marcha contou com a participação de cerca de trezentas Nesse sentido, é importante abordar
mil pessoas, entre as quais Auro de Moura Andrade, presidente do Senado, e Carlos a influência da ideologia comunista e o
Lacerda, governador do Estado da Guanabara. O trajeto saiu da Praça da República e receio, por parte da direita conserva-
terminou na Praça da Sé, com a celebração da missa “pela salvação da democracia”. Na dora, de que ela tomasse proporções
ocasião, foi distribuído o Manifesto ao Povo do Brasil, convocando a população a reagir
maiores. Nesse processo, faça com que
contra Goulart.
os alunos observem a ocorrência de
A iniciativa da Marcha da Família repetiu-se em outras capitais, mas já após a der-
rubada de Goulart pelos militares em 31 de março, o que as tornou conhecidas como
outros regimes ditatoriais na América
marchas da vitória. A marcha do Rio de Janeiro, articulada pela Camde, levou às ruas Latina. Solicite uma pesquisa acerca
cerca de um milhão de pessoas no dia 2 de abril de 1964. da chamada Operação Condor, criada
pelos Estados Unidos em parceria com
alguns ditadores e que se intensificou
Disponível em: [Link]
junturaRadicalizacao/A_marcha_da_familia_com_Deus. Acesso em: 22/08/2023.
a partir de 1973.
É importante trabalhar com os alu-
nos conceitos de liberdade de expressão
Religião em Diálogo – 90 ano 47
e liberdade de imprensa, e como a priva-
Religiao_em_dialogos_9A_001a080_Back.indd 47 01/09/2023 [Link] ção desses elementos durante o regime
militar foi nociva para a formação da
sociedade e da identidade nacional.
Anotações
Espera-se que os alunos compreendam que a marcha visava à deposição de João Goulart,
b) O texto afirma que a marcha foi realizada em resposta ao pronunciamento do então pre-
sidente João Goulart, que anunciou seu programa de reformas de base. Com a ajuda da
Internet, pesquise quais foram essas reformas sugeridas pelo presidente.
João Goulart assinou dois decretos permitindo a desapropriação de terras em uma faixa de
o controle de cinco refinarias de petróleo que operavam no País. Além disso, prometeu
financeiras e tributárias, para garantir o que Goulart chamava de justiça social, funda-
d) Com a leitura do texto, foi possível perceber o envolvimento de alguns grupos tradiciona-
listas e conservadores da Igreja Católica que apoiavam o regime civil-militar, assim como
grupos femininos e da classe média brasileira. De acordo com o que já foi estudado e com
seu conhecimento de mundo, o que justifica a seguinte frase do texto lido: “Congregou
segmentos da classe média, temerosos do ‘perigo comunista’ e favoráveis à deposição do
presidente da República”?
No contexto dos eventos mundiais, podemos nos basear na Guerra Fria e na polarização
entre os Estados Unidos e a União Soviética. As medidas tomadas por João Goulart foram
O Iluminismo foi um
movimento intelectual
e filosófico ocorrido
durante o século XVIII.
Esse período foi marcado
por uma série de ideias
centradas na razão como
a principal fonte de au-
toridade e legitimidade.
Defendia ideais como
liberdade, progresso,
tolerância, fraternidade,
governo constitucional e Detalhe da pintura No Salão da Madame Geoffrin em 1755 (1812), de Anicet
separação Igreja-Estado. Charles Gabriel Lemonnier.
Professor, sugerimos uma atividade a ética e a dignidade humana, sendo essas discussões universais, ou
Reprodução.
que pode ser ampliada ao debate sobre a seja, produzem efeitos independentemente da nacionalidade e classe
dignidade humana e os direitos humanos. social, pois todas as pessoas são dotadas de humanidade e devem ter
a vida protegida e respeitada.
Algumas manifestações religiosas concebem o ser humano como
O que significa ser humano?
sendo criado por um ser divino, e, por isso, a sua existência é funda-
1. Escreva as palavras humano e direi- mentalmente importante. Por exemplo, para os cristãos, Deus criou o
tos no alto da lousa ou de uma cartolina. homem e a mulher à sua imagem e semelhança (dotados de vontade
e inteligência) e, por amá-los, deu-lhes a vida, portanto sua existência
Abaixo da palavra humano, desenhe um
precisa ser respeitada e mantida inviolada. Tomando ciência desses
círculo ou o esboço de um ser huma- Jesus na cruz entre dois
atributos divinos, os seres humanos conceberão a liberdade como ladrões (1619–1620), de
no. Peça aos alunos que realizem uma uma das maiores características de sua dignidade, tendo em vista Peter Paul Rubens. Para
brainstorming (tempestade de ideias, que não é porque são livres que têm dignidade, mas a sua dignidade os cristãos, Jesus Cristo
é a personificação fide-
em português) — técnica de dinâmica existe porque Deus os criou, e, assim, sua liberdade não pode ser digna de Deus.
de grupo, desenvolvida com o objetivo corrompida. Também podemos partir do pressuposto filosófico de que
de explorar a potencialidade de cria- “uma pessoa é uma substância individual de natureza racional”. Essa
ção de uma pessoa ou de um grupo —, afirmação, feita pelo filósofo Boécio (século IV), parte de uma antropologia do corpo que será
utilizando as qualidades que definem importante para o sentido da dignidade, pois sem o corpo o indivíduo não tem uma identida-
de objetivada. Esse conceito permitirá múltiplas interpretações e compreensões acerca das
o ser humano. Em seguida, escreva as
reflexões sobre a humanidade, pois sua dignidade não existe por ser humano, mas depende
palavras ou os símbolos dentro do círculo
daquilo que o Estado legitima, por meio de leis, garantindo direitos individuais e coletivos.
ou do esboço. Por exemplo: inteligência, Nessa formulação, baseada no Iluminismo, a dignidade humana é enfatizada pelo fortale-
simpatia, etc. cimento do Estado, e não existe uma mediação do transcendental. O corpo assegura a indi-
vidualidade ao ser humano, que não luta mais por liberdade ou por direitos de modo global,
2. Depois, pergunte aos alunos o mas, sim, por aqueles que se assemelham aos seus grupos restritos.
que eles consideram necessário para Diferentemente das teorias iluministas, de que o indivíduo é dignificado por meio do Estado,
proteger, aprimorar e desenvolver e distinguindo-se também do modelo teológico defendido pelo Cristianismo — como vimos, de
que o ser humano deve ser dignificado por ser criatura feita por Deus —, atualmente é possível
plenamente essas qualidades de um
perceber um caminho distinto, seguido pela sociedade contemporânea, o qual afirma que, para
ser humano. Liste as respostas fora do
se conhecer, é preciso estar com o outro em um viés relacional, pois nesse contato é possível
círculo e peça a eles que expliquem. perceber características pessoais que sozinho não é viável. Isto é, o modelo de reconhecimento
Por exemplo, educação, amizade, amor de si e do mundo está partindo de uma filosofia do encontro com o outro.
familiar (observação: guarde essa lista Os seres humanos são iguais entre si — mesmo cada um sendo diferente em suas par-
para a parte 2). ticularidades —, pois todos pertencem à mesma espécie: a humana. Todos sofrem, sentem
fome, sangram, etc. Quando nos alegramos por coisas ruins que o outro vive — mesmo que
3. Discuta: o julgamento individual considere justo —, a partir desse ponto, é possível perceber uma
Ҍ O que significa ser plenamente fragmentação de empatia com a dor do outro.
sobreviver?
Religiao_em_dialogos_9A_001a080_Back.indd 50 01/09/2023 [Link]
Continua
Pirâmide social
da Grécia antiga • Homens com mais de 18 anos.
• Participavam do governo e tinham muitos direitos.
• Podiam ter propriedades e pagavam impostos.
• Não trabalhavam.
Ҍ O que aconteceria se você tivesse de abrir mão de uma dessas necessidades humanas?
4. Esclareça que tudo o que está dentro do círculo se refere à dignidade humana, à sua totalidade. Tudo
que está escrito ao redor do esboço representa o que é necessário à dignidade humana. Os direitos humanos
estão assentados nessas necessidades.
As instituições religiosas têm um Durante a Idade Média (476–1453), Tomás de Aquino baseou
justo e compassivo.
Anotações
“Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dota-
dos de razão e de consciência e devem agir uns para com os outros em espírito de
fraternidade. [...] O reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da
família humana e dos seus direitos iguais e inalienáveis constitui o fundamento da
liberdade, da justiça e da paz no mundo”.
Ordenamento jurídico: Todo o conjunto de leis de um Estado, que reúne constituição, leis, emendas,
decretos, resoluções, medidas provisórias, etc. No caso do Brasil, o ordenamento jurídico nacional tem
origem na tradição romano-germânica.
Atualmente, porém, ainda é possível identificar casos de intolerância para com os outros e
situações em que as pessoas não têm as condições básicas necessárias para viver uma vida digna.
E como se tem uma vida digna?
O sociólogo e filósofo Zygmunt Bauman (1925–2017) respondeu a essa pergunta, em seu
livro A arte da vida, dessa forma:
“Há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis para uma vida
digna, recompensadora e relativamente feliz: segurança e liberdade. Segurança sem
liberdade é escravidão. Liberdade sem segurança é caos. A civilização é uma troca
constante entre esses dois valores. Já vivemos uma época em que abdicamos da
nossa liberdade em prol da segurança. Agora estamos vivendo o oposto. Em nenhum
momento da história da humanidade achamos o ponto de equilíbrio entre esses dois
valores. O que temos certeza absoluta é de que nunca teremos essa resposta, e
também jamais pararemos de procurar.”
D.C.: “[...] No último dia, Jesus dirá aos que estarão à sua direita: ‘ Ve-
nham, entrem no Reino. Porque, quando tive fome, deste-me de comer;
tive sede, e deste-me de beber; estive doente, e vieste visitar-me’. E,
logo depois, Jesus dirá aos que estarão à sua esquerda: ‘Afastem-se de
mim, porque tive fome, e não me deste de comer, tive sede, e não me
deste de beber; estive doente, e não me visitaste’. Eles lhe perguntarão:
Santa Teresa de Calcutá
‘Quando é que te vimos esfomeado, ou com sede, ou doente e não te
ajudamos?’. Jesus responderá a eles: ‘O que fizerem a um destes meus pequenos é a mim que
o fazem!’.
Aqui, ao encontrarmo-nos reunidos para rezar juntos, penso no bonito que seria se come-
çássemos com uma oração que expressa muito bem o que Jesus quer que façamos pelos pe-
quenos. São Francisco de Assis compreendia muito bem as palavras de Jesus, e a sua vida ficou
bem plasmada nesta oração. Esta oração que nós (as irmãs Missionárias da Caridade) dizemos
todos os dias depois de receber a Santa Comunhão não deixa de surpreender-me, porque a
encontro muito adequada para cada um de nós. Sempre me perguntei se, há oitocentos anos,
quando viveu São Francisco, tiveram as mesmas dificuldades que enfrentamos hoje em dia”. [...]
Disponível em: [Link] Acesso em:
27/06/2023. Adaptado.
Martin Luther King, nos degraus do Lincoln Memorial, em Washington, D.C.: “[...] Digo-lhes
hoje, meus amigos, embora nos defrontemos com as dificuldades de hoje e de amanhã, que
eu ainda tenho um sonho. E um sonho profundamente enraizado no sonho norte-americano.
Eu tenho um sonho de que um dia esta nação se erguerá e viverá o verdadeiro significado
de seus princípios: ‘Achamos que estas verdades são evidentes por elas mesmas, que todos
os homens são criados iguais’.
Reprodução.
os filhos de antigos escravizados e os filhos de antigos senhores de
gestões de respostas para as questões
escravizados poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade.
1, 2 e 4. Eu tenho um sonho de que, um dia, até mesmo o estado de
Mississippi, um estado sufocado pelo calor da injustiça, será trans-
Resposta da questão 1 formado num oásis de liberdade e justiça.
Espera-se que os alunos compreen- Martin Luther King Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão
dam que uma possível resposta para numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, e sim pelo
essa pergunta é a de que a pessoa hu- conteúdo de seu caráter.
Quando deixarmos soar a liberdade, quando a deixarmos soar em cada povoação e em
mana é o único ser com consciência de
cada lugarejo, em cada estado e em cada cidade, poderemos acelerar o advento daquele dia
si e se compreende como um agente
em que todos os filhos de Deus, homens negros e homens brancos, judeus e cristãos, pro-
transformador do seu meio e do mundo. testantes e católicos, poderão dar-se as mãos [...].
Resposta da questão 2
Disponível em: [Link]
-historico/. Acesso em: 27/06/2023. Adaptado.
Resposta da questão 4
Leia a seguinte frase usada por Mahatma Gandhi e responda às perguntas 2 e 3.
Espera-se que os alunos compreen-
dam que, em alguns grupos religiosos, “A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos
o papel do líder é de “pai espiritual”, na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.”
ou seja, ele aconselha, orienta, ajuda
espiritual e emocionalmente os fiéis. 2. O que você entende por “homens presos na rua e livres na prisão”?
Assim sendo, os líderes podem auxiliar
Resposta pessoal
as pessoas a respeitarem o próximo
e agirem com prudência e deferência
para com os outros, mesmo se forem
de outras denominações religiosas.
56 Religião em Diálogo – 90 ano
Anotações
a) Psicologia: Nível da vida mental no qual o indivíduo tem percepção das coisas, pessoas e
b) Filosofia: Faculdade por meio da qual o ser humano se apercebe daquilo que se passa
c) Medicina: Estado do sistema nervoso central que permite a identificação precisa, o pen-
4. Como já sabemos, os líderes religiosos têm um significativo papel dentro das instituições
religiosas e uma importante função: guiar os fiéis. Nesse contexto, em sua opinião, qual a
função dos líderes religiosos na valorização da dignidade humana e na promoção da ética
entre os seres humanos?
Resposta pessoal.
Texto I
“O caminho para a virtude ou para o vício no âmbito da cidade tem como ponto de partida
o interior da própria alma, a sua constituição política interna. Quanto mais a alma age em fun-
ção de um apetite, sem a orientação do logistikón (faculdade da racionalidade), sobretudo dos
apetites mais selvagens, mais se torna inviável o bem comum, a vida ético-política (como é o
caso do tirano e da tirania). Quanto mais a alma age guiada pelo desejo do melhor e da unidade
(o que implica a ação do logistikón), mais alimenta ‛o que há de sábio’ e divino em si mesma e
tanto mais viabiliza a realização, no plano maior da cidade, da virtude, da justiça.”
REIS, Maria Dulce. Virtude e vácuo: tripartição e unidade da psykhé no Timeu e nas leis de Platão. Rio de Janeiro: 7 letras, 2010.
markara | [Link]
e cruel, que coloca sua vontade e sua [...]
autoridade acima das leis e da justi- Às vezes faço o que quero.
Às vezes faço o que tenho que fazer.
ça, o qual pratica tortura ou martiriza
Às vezes faço o que quero.
moralmente os cidadãos. Tirania são
Às vezes faço o que tenho que fazer.
as práticas de quem é tirano. Segundo [...]
a autora, quando uma pessoa age sem Logo eu, que sempre achei legal ser tão errado.
um senso ético e moral para com os Eu que nem sempre calmo, mas nunca preocu-
outros concidadãos, ela está faltando pado.
com sua faculdade racional, e isso, para [...]
ela, é ser tirano. Disponível em: [Link] Acesso em: 22/08/2023.
Na leitura do Texto I, como a autora justifica os casos “do tirano e da tirania” em uma região?
Responda no seu caderno.
negros(as)
4o Racismo, preconceito e
(EF09ER07) Identificar princípios éti-
cos (familiares, religiosos e culturais)
momento intolerância: os limites da que possam alicerçar a construção de
liberdade de expressão projetos de vida.
(EF09ER08) Construir projetos de vida
assentados em princípios e valores éticos.
Debate orientado: divida a turma em grupos e promova um debate sobre a liberdade de expressão. Peça
aos alunos que discutam situações em que a liberdade de expressão pode ser conduzida de maneira adequa-
da e respeitosa, assim como situações em que ela pode ser abusada ou prejudicial. Incentive-os a apresentar
argumentos e exemplos concretos para embasar suas opiniões.
Estudo de casos: apresente aos alunos diferentes casos em que a liberdade de expressão foi, na verdade,
discurso de ódio, disseminação de informações falsas ou bullying cibernético. Discuta, em grupo, as possíveis
consequências dessas manifestações e explore as questões éticas e legais envolvidas. Incentive os alunos a
refletir sobre como a liberdade de expressão pode ser exercida de forma responsável e respeitosa, conside-
Continua
Sugestão de vídeo
62 Religião em Diálogo – 90 ano
CC: É comum humoristas dizerem “É apenas uma piada” quando são confrontados
politicamente por comentários depreciativos a grupos oprimidos. Como você vê a
questão?
AM: Essa é a reação comum de todas as pessoas que contam piadas racistas. To-
das elas utilizam essa estratégia para preservar uma imagem social positiva. Todas elas
falam que têm “amigos” negros, que não tiveram a intenção de ofender ninguém, que
o humor não traz consequências negativas para as pessoas. Veja, as palavras sempre
expressam muito mais do que o sentido objetivo delas. Quando eu desejo bom dia a
alguém, eu não estou apenas desejando que ela tenha um dia agradável. Eu também
estou expressando respeito, cordialidade, civilidade. Piadas sobre a potência sexual de
homens asiáticos também expressam a noção de que eles não são assertivos, de que
não são agressivos. Consequentemente, eles não têm capacidade de comando.
CC: O humor faz muito uso de estereótipos. Você poderia explicar para o público
leitor o que seria isso?
AM: O humor tem sido estudado por especialistas desde a Antiguidade. Havia um
consenso até o início do século passado de que o humor produzia prazer nas pessoas
porque ele sempre retratava pessoas consideradas como inferiores. Há vários estudos
demonstrando que o humor tem sido utilizado ao longo do tempo como um meio de
manipulação política. Isso se torna possível em função da articulação dos estereótipos
raciais presentes nas representações de minorias. Não podemos esquecer que o racismo
recreativo tem um caráter estratégico: o uso de piadas não ocorre apenas para entreter
pessoas brancas, mas, sim, para perpetuar a ideia de que apenas membros do grupo
racial dominante podem ocupar posições de poder e prestígio. As crenças precisam
persistir para que as hierarquias raciais sejam legitimadas. Pessoas brancas vão perder
oportunidades quando vivermos em uma realidade na qual não existam estereótipos
raciais. Elas terão que justificar a presença delas nos lugares. É por isso que elas estão
tão empenhadas na degradação moral de minorias. Elas querem preservar suas vanta-
gens injustas a qualquer custo.
O discurso de ódio acontece nas plataformas digitais nas mais variadas apresentações. Pode estar explícito,
sem filtros éticos e morais, e em piadas que supostamente camuflam preconceito, misoginia, homofobia,
racismo e intolerância religiosa. Um dos movimentos que combate o discurso de ódio, mais especificamente
o discurso racista, é o Black Lives Matter. Um movimento antirracista, com origem na comunidade afro-ame-
ricana, que faz campanha contra a violência direcionada às pessoas negras.
Anotações
O discurso de ódio é, antes de tudo, um fenômeno social complexo, que remete a situações
Professor, recentemente, uma nova
diversas e heterogêneas entre si. A compreensão dessa complexidade é fundamental para
lei de combate ao racismo foi sancio-
uma adequada análise sistemática do problema, que não recaia em simplificações comumente
nada, representando um avanço signi-
geradoras de divergências artificiais entre aqueles que se debruçam sobre o tema. A expressão
ficativo na luta contra essa forma de
remete a uma multiplicidade de manifestações e condutas discursivas que se revestem das
preconceito. Essa legislação reforça a mais variadas formas e se desenvolvem em uma infinidade de contextos diferentes, o que
importância de promover a igualdade torna impossível dar um tratamento uniforme ao problema. O discurso de ódio nas redes
racial e garantir a dignidade e os direitos sociais causa engajamento — participação ativa em postagens e assuntos no momento, e,
de todas as pessoas, independentemen- por conta disso, muitas pessoas sentem-se influenciadas a produzir conteúdo de ódio como
te de sua origem étnico-racial. forma de ganhar visibilidade, como a tirinha de Armandinho, a seguir, evidencia.
Unir forças contra o racismo é es-
sencial para construir uma sociedade
Reprodução.
mais justa e inclusiva. Nesse sentido,
a escola desempenha um papel fun-
damental na formação antirracista das
novas gerações.
A seguir, estão algumas atividades
que podem ser realizadas em sala de
aula para promover essa formação. Disponível em: [Link] Acesso em: 26/06/2023.
diversidade racial. Os alunos podem produzir cartazes, vídeos ou materiais educativos que promovam a
igualdade racial, desconstruam estereótipos e disseminem mensagens de respeito e tolerância.
Ҍ Projetos de pesquisa: incentive os alunos a realizarem pesquisas sobre personalidades negras que se des-
tacam em diversas áreas, como arte, ciência, esportes e política. Esses projetos podem ser apresentados
em forma de trabalhos escritos, exposições ou apresentações para a comunidade escolar.
Ҍ Círculos de diálogo: organize círculos de diálogo, nos quais os alunos possam compartilhar experiências,
reflexões e dúvidas sobre o racismo. Esses espaços de escuta ativa e respeitosa permitem que todos se
Continua
para serem punidos. E, ainda nesses casos, podemos considerar que a pessoa foi livre e, ao Título: O pacto da branquitude
exercer sua liberdade, cometeu um crime ou um dano pelos quais terá que responder. O gran- Autora: Cida Bento
de ponto de equilíbrio na discussão acerca da liberdade de expressão é o respeito ao pensar Ano: 2022
diferente. Uma das grandes riquezas da convivência em sociedade é a troca de pontos de vista Sinopse: Diante de dezenas de recu-
e a construção de algo novo a partir de um ponto em comum. Podemos não concordar, em sas em processos seletivos, Cida Bento
parte ou totalmente, com algo que nos foi dito, mas é necessário respeitar tal pensamento. identificou um padrão: por mais quali-
ficada que fosse, ela nunca era a esco-
lhida para as vagas. O mesmo ocorria
com seus irmãos, que, como ela, tam-
bém tinham ensino superior completo.
Por outro lado, pessoas brancas com
currículos equivalentes ― quando não
inferiores ― eram contratadas. Em suas
pesquisas de mestrado e doutorado, a
alexdndz | [Link]
Por exemplo: eu tenho a liberdade de expressar minha opinião sobre alguém. Mas, se o
fizer de forma difamatória, terei infringido o direito à honra dessa pessoa. Qual será a minha
punição? Responder ao crime de difamação, previsto no capítulo de crimes contra a honra
do Código Penal Brasileiro. lize atividades conjuntas, como
Outro caso: através de minhas palavras ou atitudes, faço apologia ao crime organizado ou palestras, workshops ou eventos
incito a violência. Então, o meu excesso na liberdade de expressão deve ser combatido através culturais, que merecem a troca
de conhecimentos, vivências e
Religião em Diálogo – 90 ano 67
experiências entre os alunos e
membros dessas organizações.
Religiao_em_dialogos_9A_001a080_Back.indd 67 01/09/2023 [Link]
É importante ressaltar que essas ativi-
expressem livremente, favorecendo a empatia, a compreensão dades devem ser contínuas e integradas
mútua e a construção de vínculos mais solidários. à rotina escolar para que a formação
antirracista seja uma prática constante.
Ҍ Ações afirmativas: promova a discussão sobre a importância das
Além disso, é fundamental que a escola
ações afirmativas, como as cotas raciais, no combate às desigual-
seja um espaço seguro e acolhedor para
dades históricas.
todos os alunos, promovendo o respeito,
Ҍ Parcerias com a comunidade: estabeleça parcerias com organi- a garantia e a valorização da diversidade
zações e comunidades locais que lutam contra o racismo. Rea- em todas as suas dimensões.
Continua
Como vimos nas discussões anteriores, o Brasil é um país com racismo muito presente e
em processo de desconstrução. A seguir, cite algumas alternativas, em sua opinião, para
que consigamos instaurar uma sociedade antirracista.
Resposta pessoal. Professor, oriente o aluno a pensar que o poder público tem grande
força e importância nesse enfrentamento. Apenas com políticas públicas voltadas para a
“Em escala, o negro é o negro retinto, o mulato já é o pardo e, como tal, meio
branco, e, se a pele é um pouco mais clara, já passa a incorporar a comunidade
branca. A forma desse racismo no Brasil decorre de uma situação em que a
mestiçagem não é punida, mas louvada. Com efeito, as uniões inter-raciais, aqui,
nunca foram tidas como crime ou pecado. Nós surgimos, efetivamente, do cru-
zamento de uns poucos brancos com multidões de mulheres indígenas e negras.”
RIBEIRO, D. O povo brasileiro: formação e sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
sempre foram marcadas por uma ambiguidade angustiante entre o pertencer à coletividade e o participar de
todos os direitos dela e, ao mesmo tempo, afirmar que não se é como todos os outros. Tal ambivalência trouxe
e traz problemas para a inclusão de pautas afirmativas e pode até mesmo ser usada por aqueles que querem
negar a discriminação e violência econômica, física e simbólica contra grupos considerados minoritários.
[...]
Segundo a Constituição brasileira, o Estado é laico e as pessoas têm livre direito de exercer
sua manifestação religiosa. Contudo, o trecho do estudo lido nos aponta o contrário. Pes-
soas de religião de matriz africana sofrem agressões quando expressam sua espiritualidade
publicamente. Em sua opinião, o que pode ser feito para permitir às pessoas de religião
de matriz africana realizarem seus cultos de modo livre?
Esses tipos de ações, como anuncia o texto, são exemplos claros de restringimento de
liberdade de credo e desse modo, infringem diretamente a Constituição, que permite o livre
muito importante direcionar as respostas dos alunos de modo que eles consigam com-
preender que, apenas quando leis são feitas de modo a punir vigorosamente crimes e
Reprodução.
ericatarina | [Link]
de matriz africana praticadas por brasileiros — sem
contar os frequentadores de outras religiões ou sem
religião que eventualmente participam dos trabalhos
em terreiros. As vestes, como em qualquer religião,
têm um sentido simbólico e fazem parte tanto das
práticas religiosas e do patrimônio cultural quanto do
cotidiano dos praticantes. O branco é uma das cores
utilizadas em terreiros. Na imagem, o Terreiro llê Axé
Ala Obatalandê, em Lauro de Freitas (BA).
Cristina
As mulheres mulçumanas utilizam diferentes tipos de 2.
vestimenta e cobertura tanto para a cabeça quanto
para outras partes do corpo. Na imagem, mulheres
celebram o Eid Al Adha, um dos feriados mais impor-
tantes da religião muçulmana, na região de Tamale,
em Gana. Elas utilizam como cobertura um dos tipos
de hijab, comuns em certas regiões.
kmit | [Link]
É muito comum freiras católicas usarem hábitos —
roupas predeterminadas por uma congregação ou
ordem religiosa. Geralmente, esses hábitos têm sim-
bologias, seja pela cor, pelo broche ou pelo tamanho
do véu que cobre a cabeça.
gajendra | [Link]
O sári (saree) é o traje tradicional das mulheres india- 4.
nas. É constituído por uma longa peça de pano, com
mais de seis metros, servindo como uma saia; depois,
fica com pregas na frente; e o restante do tecido fica
pousado no ombro. Por conta dos extremos de tem-
peratura no subcontinente indiano, o sári tem tanto
um papel prático quanto decorativo. Não apenas é
quente no inverno e fresco no verão, como também
permite uma maior liberdade de movimentos que as
atividades diárias precisam. O sári é considerado um
ícone cultural na Índia moderna.
Sabrina | [Link]
Pela fotografia, você conseguiria saber se essas mu- 5.
lheres pertencem a alguma religião? Nem sempre a
religião está expressa nas vestes e nos acessórios.
Contudo, desde a forma de arrumar o cabelo até
a roupa e o local em que a fotografia foi tirada ex-
pressam informações sobre a pessoa e sobre seu
pertencimento cultural. O que você consegue afirmar
sobre essas mulheres a partir da imagem?
As imagens mostram um dos tipos mais comuns de expressão cultural: as vestes tradicio-
nais religiosas (ou não religiosas). Em muitos contextos, não existe uma obrigação de que um
praticante de determinada religião se vista de certa forma ou use certos adereços, marcas ou
objetos religiosos — apenas os sacerdotes e as sacerdotisas, de modo a diferir-se dos demais.
Porém, é comum que as pessoas procurem voluntariamente se apropriar de vestimentas e
acessórios como forma de se expressar por sua crença.
Reprodução.
Como vimos durante a discussão no começo do capítulo, estamos vivendo tempos de muito
Professor, acesse o QR Code a seguir
discurso de ódio nas redes. O poder público tem atuado para fazer com que os criminosos
e saiba mais sobre a formação brasilei-
sejam punidos e que haja uma cultura de paz entre os mais vitimados. A população negra é
a mais violentada, principalmente quando falamos das pessoas que professam a fé provinda
ra e como é constituída a identidade
de alguma denominação de matriz africana. É necessário acabar com o preconceito e imple- nacional.
mentar ações antirracistas em nossa sociedade. Seja cobrando o poder público na tomada
de decisões que favoreçam o povo negro, seja desconstruindo, em nossos meios sociais, O que é ser brasileiro? | Mario Medeiros
preconceitos que são estruturados em nossa sociedade, família e escola. | Café Filosófico CPFL
“Todos nós brasileiros somos carne da carne daqueles pretos e indígenas supli-
ciados. Todos nós brasileiros somos, por igual, a mão possessa que os supliciou.
A doçura mais terna e a crueldade mais atroz aqui se conjugaram para fazer
de nós a gente sentida e sofrida que somos e a gente insensível e brutal, que
também somos. Descendentes de escravizados e de senhores de escravizados,
seremos sempre servos da malignidade destilada e instalada em nós, tanto pelo
sentimento da dor intencionalmente produzida para doer mais quanto pelo
exercício da brutalidade sobre homens, sobre mulheres, sobre crianças conver-
tidas em pasto de nossa fúria. A mais terrível de nossas heranças é esta: levar
sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir
na brutalidade racista e classista.”
RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
Professor, oriente seus alunos a refletirem sobre a riqueza na pluralidade de culturas que
povos que foram demonizados no início do Brasil colonial, e, hoje, toda a sua descendência
Resposta pessoal.
Relacionando o trecho de Laraia com o que estudamos, como classificar essa diferença
de visão entre pessoas acerca de um mesmo objeto?
Professor, espera-se que os alunos compreendam que as culturas e crenças de outros
povos têm um caráter singular de cada cultura, sem fazer julgamentos (como dizer que é
“Os xamãs yanomamis não trabalham por dinheiro, como os médicos dos brancos.
Trabalham unicamente para o céu ficar no lugar, para podermos caçar, plantar
nossas roças e viver com saúde. Nossos maiores não conheciam o dinheiro.
[...] O dinheiro não nos protege, não enche o estômago, não faz nossa alegria.
Para os brancos, é diferente. Eles não sabem sonhar com os espíritos como
nós. Preferem não saber que o trabalho dos xamãs é proteger a terra, tanto
para nós e nossos filhos como para eles e os seus.”
KOPENAWA, D. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.
As diferenças culturais existentes entre brancos e indígenas são notórias. Sobre isso, é
correto afirmar:
a) A religião indígena é monoteísta, tendo a floresta como ser superior.
b) A organização social dos indígenas é muito similar à dos brancos, sendo hierárquica e
individual.
c) Os brancos e os indígenas possuem uma relação harmônica e compartilham saberes me-
dicinais e religiosos.
d) Os xamãs, também chamados de pajés, representam os líderes espirituais e curandeiros
dos indígenas.
e) Na cultura indígena, o dinheiro é somente utilizado para pagar os processos de cura rea-
lizados pelo xamã.
O preto-velho é uma das linhas de trabalho da Umbanda. São espíritos que re-
presentam generosidade, amor e humildade e se apresentam sob a imagem de
idosos africanos que foram escravizados e morreram de velhice. São divindades
puras, sábias e pacientes. Pela idade avançada, tiveram a oportunidade de vi-
ver por longos anos através da sabedoria, suportando as amarguras da vida. O
preto-velho é uma entidade conhecida nacionalmente, principalmente pela sua
imagem estar relacionada sempre à utilização do cachimbo.
Nas religiões de matriz afri- Candomblé é uma religião Em algumas casas de terrei-
cana, o demônio, como as africana que cultua os orixás ro, o sacrifício de animal é
religiões cristãs reconhe- de alguns países da África. feito em louvor à divindade.
cem, não existe. Exu repre- Já a Umbanda é uma reli- O animal sacrificado é con-
senta a evolução espiritual, gião brasileira que nasceu sumido nas festas pelos pró-
aquele que leva as orações da mistura de algumas re- prios fiéis. Já a Umbanda, por
e as preces à divindade. Exu ligiões existentes no Brasil, exemplo, não tem sacrifício
é o orixá do movimento, di- como a cristã europeia, a do de animal.
vindade do Candomblé e da Candomblé africano e a das
Umbanda. tradições indígenas.
RELIGIÕES DE MATRIZES
SEM POSSESSÕES MACUMBA
AFRICANAS
Indígenas da etnia potiguara no ritual religioso do Toré, Rio Grande do Norte, Brasil.
MANUAL DO EDUCADOR
FORMAÇÃO CONTINUADA 9
Ensino Fundamental