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Morfologia do Verbo em Línguas Banto

O documento discute a morfologia do verbo em línguas bantu, abordando conceitos como marcas de sujeito, tempo verbal e aspecto. O texto analisa como esses elementos são expressos morfologicamente nos verbos e como indicam relações temporais.
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Morfologia do Verbo em Línguas Banto

O documento discute a morfologia do verbo em línguas bantu, abordando conceitos como marcas de sujeito, tempo verbal e aspecto. O texto analisa como esses elementos são expressos morfologicamente nos verbos e como indicam relações temporais.
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Índice

1. Introdução ......................................................................................................................................... 1

2. Morfologia Do Verbo ........................................................................................................................... 2

[Link] básicos .............................................................................................................................. 2

[Link] do sujeito ................................................................................................................................ 3

2.3. O tempo verbal................................................................................................................................... 4

2.3.1. A marcação do tempo ..................................................................................................................... 6

3. Conclusão.......................................................................................................................................... 8

4. Referências Bibliográficas ................................................................................................................ 9


1

1. Introdução
A morfologia é uma das áreas de estudo gramatical da linguagem humana, esta que tem
morfema unidade mínima de analise morfológica como objecto, estudando de igual modo a sua
estrutura interna. É nesta perspectiva que surge a morfologia verbal, que ecompreende o estudo
dos constituintes do verbo.

Deste modo, o presente trabalho intitulado, "morfologia do verbo" que surge na disciplina de
estrutura das línguas banto, e visa estudar as marcas do sujeito e tempo nos verbos em línguas
banto.

Relativamente a estrutura usada, foi usada a bibliográfica,, que consistiu no levantamento de


vários estudos que abordam acerca da morfologia verbal em línguas bantu. Tendo destacado
autores como Comrie (1976, 1985), Comrie (1976, 1985) e Ngunga (2004), além da pesquisa
bibliográfica, adoptou-se a observação directa, e leitura de alguns artigos pela Internet. Quanto a
estrutura o trabalho apresenta uma introdução, desenvolvimento, conclusão e a respectiva
referência bibliográfica.
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2. Morfologia Do Verbo

[Link] básicos
Anderson (1994:7) define morfologia como “estudo da estrutura das palavras e a forma como as
suas estruturas reflectem a relação com outras palavras”, relação essa que se vai estabelecer
dentro de uma mesma construção frásica. Por sua vez, Ngunga (2004:99) diz que a morfologia é
“o estudo dos morfemas, das regras que regem a sua combinação na formação da palavra, e da
sua função no sintagma e na frase”.

Portanto, o objecto de análise morfológica, segundo Ngunga (2004) é o morfema, definido como
“a menor unidade da língua portadora de sentido (lexical ou gramatical), na hierarquia da
palavra” (Ngunga 2004:99).

Katamba e Stonhan (2006: 3) definem a morfologia como “estudo da estrutura interna da


palavra”, considerando, ainda, que os morfemas são a unidade mínima de análise morfológica,
na palavra.

Pode-se depreender, das definições acima, que todos os autores corroboram a ideia de que a
morfologia procura estudar a estrutura da palavra, sendo esta o objecto de análise, e como seu
objecto de análise mínima o morfema. Anderson (1994:7) define morfologia como “estudo da
estrutura das palavras e a forma como as suas estruturas reflectem a relação com outras
palavras”, relação essa que se vai estabelecer dentro de uma mesma construção frásica.

Por sua vez, Ngunga (2004:99) diz que a morfologia é “o estudo dos morfemas, das regras que
regem a sua combinação na formação da palavra, e da sua função no sintagma e na frase”.

Portanto, o objecto de análise morfológica, segundo Ngunga (2004) é o morfema, definido como
n“a menor unidade da língua portadora de sentido (lexical ou gramatical), na hierarquia da
palavra” (Ngunga 2004:99).

Katamba e Stonhan (2006: 3) definem a morfologia como “estudo da estrutura interna da


palavra”, considerando, ainda, que os morfemas são a unidade mínima de análise morfológica,
na palavra.
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Pode-se depreender, das definições acima, que todos os autores corroboram a ideia de que a
morfologia procura estudar a estrutura da palavra, sendo esta o objecto de análise, e como seu
objecto de análise mínima o morfema.

[Link] do sujeito
Segundo Anderson (1994:7), O sujeito é um termo essencial da oração, podendo ser simples,
composto, implícito ou indeterminado. O sujeito pode ser pessoa, coisa ou animal que pratica ou
sofre a acção verbal. Sujeito é um termo essencial da oração, aquele sobre o qual se declara
alguma coisa.

O autor duma determinada acção é identificado pelo prefixo do sujeito no verbo. Isso vê-se logo
na conjugação do verbo tukula “levar”. Na tabela a seguir podemos ver a mudança que o verbo
sofre consoante o sujeito.

Pessoa Singular Plural


1ª Ndinootukula eu levo nnootukula nós levamos
2ª unóotukula tu levas munootukula vocês levam
3ª Unootukulav ele leva kanootukula eles levam

Através das mudanças que se registam nas formas verbais, podemos logo identificar os prefixos
do sujeito:

Pessoa singular plural

1ª ndi- ni

2ª u- com tom alto no prefixo do tempo mu

3ª u- Ka

Os dois prefixos do sujeito são idênticos na 2ª e 3ª pessoa singular, mas as formas verbais
distinguem-se na tonalidade: Na segunda pessoa o prefixo do tempo não recebe um tom alto, na
terceira pessoa o mesmo fica com tom baixo.
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2.3. O tempo verbal


Segundo Comrie (1976, 1985) a noção de tempo como uma categoria gramatical deve ser
relacionada ao tempo como situação, o que implica relacionar o tempo ao momento de
enunciação.

Segundo Richards et al. (1985), citados por Mutaka & Tamanji (2000), o tempo verbal pode ser
definido como sendo “a relação entre a forma do verbo e o momento da acção descrita”. Como
podemos ver, quer numa definição quer noutra, há uma relação que se estabelece entre a acção e
o momento em que essa mesma acção tem lugar. O que significa que o tempo, de uma forma
implícita, está ligado ao verbo, definido por Cunha e Cintra (1989) como “um acontecimento
representado no tempo”.

Nas línguas bantu, a forma verbal traz consigo as marcas do sujeito sobre o qual se faz a
afirmação, o tempo em que o fenómeno tem lugar, o número dos sujeitos sobre os quais se faz a
afirmação ou envolvidos na acção, etc.. São estes e outros factores que fazem com que o verbo se
defina como sendo a mais variável de entre as palavras variáveis nas línguas bantu (Ngunga
2004).

Ao apresentar a marca do tempo na sua estrutura, o verbo torna-se uma das formas de expressão
do tempo (passado, presente e futuro). De um modo geral, podemos notar que o verbo e o tempo
aparecem sempre interligados implícita ou explicitamente, por isso falamos de tempo verbal.
Comrie (2000), considera que o tempo pode ser representado como uma linha recta, em que o
passado é representado convencionalmente à esquerda e o futuro à direita, tomando como foco
central o presente. como ilustra o esquema abaixo:

Passado Presente Futuro

Esquema 1: Representação do tempo, fonte: Cunha e Cintra (1989)

Considerando o presente como o centro, Comrie (2000), toma o tempo presente como sendo a
coincidência do tempo da situação descrita com o momento actual do tempo real; o tempo
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passado significa colocação da situação anterior ao momento actual e o futuro significa


colocação da situação depois do momento actual.

Para Comrie (1976), o tempo pode ser descrito como uma categoria deíctica, na medida em que a
mesma procura localizar a situação descrita em relação ao momento de elocução. Na mesma
esteira de análise, Mateus et al (1989), referem que a categoria linguística de tempo exprime a
ordenação do intervalo de tempo que contém o estado de coisas descrito por uma predicação,
relativamente ao intervalo em que ocorre a enunciação da mesma. Tal como Comrie (2000),
Mateus et al ([Link]) consideram a existência de três tempos naturais: passado presente e futuro.

Ngunga (2004), embora corrobore a existência de três tempos, considera que os mesmos, para
algumas línguas não podem ser entendidos como unidades integrais.

Pois, há línguas que encaram os tempos verbais como “pontos de referência que servem para
distinguir a sequência ou factos em relação a outros que tenham tido lugar antes, ou hão-de ter
lugar depois, havendo espaço para, no interior de cada tempo, os factos poderem suceder-se uns
aos outros.” Esta afirmação conduz-nos à noção de aspecto (que abordamos no ponto a seguir)
que se difere do tempo, segundo Hornstein (1993) pelo facto do tempo localizar o evento,
apresentado numa determinada frase, na situação temporal. Enquanto aspecto é o “contorno
temporal” do evento.

Como evidência da sua afirmação, Ngunga (2004) mostra-nos a representação temporal da


língua Nyanja

Passado Presente Futuro

Remoto Médio Recente Próximo Médio Distante

Esquema 2: Representação do tempo em Cinyanja (Ngunga 2004)

Diferente do Nyanja, o Copi por exemplo não faz a divisão tripartida como observaremos no
capítulo da análise de dados. O verbo em Copi, tal como na maioria das línguas bantu, é formado
por um prefixo verbal infinito ku- e por um radical seguido de uma vogal final (geralmente -a).
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A conjugação dos verbos varia segundo a função lógica (afirmação ou negação) e segundo a sua
função sintáctica, procurando exprimir, não tanto o tempo (presente, passado ou futuro) em que a
acção expressa pelo verbo se realiza, mas antes o modo como ela se realizou, realiza, realizará ou
não.

2.3.1. A marcação do tempo


De acordo com Nogueira (1959), Na segunda posição no verbo encontra-se o prefixo temporal
que indica o tempo quando o evento exprimido no verbo tem lugar. Para descobrir os vários
prefixos temporais, podemos catalogar a conjugação de um verbo passando do pretérito ao
presente ou futuro, mantendo a pessoa:

Liye ugula somba Ele comprou peixe pretérito simples


Liye unagula somba Ele compra peixe presente
Liye únoogula Ele compra presente
Liye unogulá somba Ele comprará peixe futuro simples

Dos quatro exemplos acima, podemos concluir os vários prefixos temporais da língua imannge
falada em milange, no pretérito simples fica zero, no presente encontramos noo- e na-, e no
futuro simples temos no-. Em Imarenje existem mais prefixos temporais. A seguir vamos ver
mais algumas frases exemplares dos tempos verbais junto com os seus prefixos temporais:

ndihigula somba eu comprei peixe pretérito recente prefixo: hi


ndagula somba eu comprava peixe pretérito imperfeito o prefixo: a
ndóògula somba eu compraria peixe condicional prefixo: óò

Ainda na prespectiva Nogueira (1959), Além dos tempos indicados pelo prefixo temporal, há
outros tempos que são sinalizados através de outros meios. Além dos tempos indicados pelo
prefixo temporal, há outros tempos que são sinalizados através de outros meios.

nditukule que eu leve conjuntivo presente sufixo: -e


atukulaka levandov gerúndio sufixo: -ka
ndahatukule se eu levasse conjuntivo perfeito prefixo: aha-,
sufixo: -e
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Os morfemas podem variar de língua para língua, temos como exemplos os seguintes:

a) Mina ndzifambile amaputo "Eu fui para Maputo" Cichangana


b) Mina ndzaja pawu "Eu como pão" Cichangana
c) Wena uatafamba djoni você ira para África do sul Cichangana
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3. Conclusão
Embora corrobore a existência de três tempos, considera que os mesmos, para algumas línguas
não podem ser entendidos como unidades integrais. Pois, há línguas que encaram os tempos
verbais como “pontos de referência que servem para distinguir a sequência ou factos em relação
a outros que tenham tido lugar antes, ou hão-de ter lugar depois, havendo espaço para, no interior
de cada tempo, os factos poderem suceder-se uns aos outros.” Esta afirmação conduz-nos à
noção de aspecto (que abordamos no ponto a seguir) que se difere do tempo, pelo facto do tempo
localizar o evento, apresentado numa determinada frase, na situação temporal. Enquanto aspecto
é o “contorno temporal” do evento. A conjugação dos verbos varia segundo a função lógica
(afirmação ou negação) e segundo a sua função sintáctica, procurando exprimir, não tanto o
tempo (presente, passado ou futuro) em que a acção expressa pelo verbo se realiza, mas antes o
modo como ela se realizou, realiza, realizará ou não.
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4. Referências Bibliográficas
Miti, L. 2006. Comparative Bantu Phonology and Morphology: A Study of the Sound Systems

and Word Structure of the Indegenous Lnguages of Southern Africa. Pretoria: CASAS.

Mutaka, N. & Tamanji, P. 2000. An Introduction to African Linguisics. Munich: Lincom Europa.

Ngunga, A. 1997. A Lexical Phonology anda Morphology of the Ciyao Verb Stem. Berkeley.

Ngunga, A. 1999. Restrições na combinação e ordem dos sufixos verbais em Ciyao.

Nhantumbo, N. 2009. A Morfofonologia da Marca do Passado na Língua Copi. In Ngunga, A.


(ed). Lexicografia e Descrição das Línguas Bantu. Colecção: “As Nossas Línguas” I. Maputo:
Centro de Estudos Africanos. Universidade Eduardo Mondlane.

Nogueira, R. 1957. O Ronga. Junta de Investigações do Ultramar. Centro de Estudos Políticos e


Sociais.

Nogueira, R. 1959. Temas de Linguística Banta: Apontamentos de Sintaxe Ronga. Edição 18.
Centro de Estudos Políticos e Sociais.

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