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Plantão Psicológico: Escuta e Acolhimento

Este documento discute o Plano Psicológico como uma modalidade de atendimento clínico-psicológico de emergência aberto à comunidade que tem como função proporcionar uma escuta e um acolhimento à pessoa no momento de crise.

Enviado por

George Luiz
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Este documento discute o Plano Psicológico como uma modalidade de atendimento clínico-psicológico de emergência aberto à comunidade que tem como função proporcionar uma escuta e um acolhimento à pessoa no momento de crise.

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A definição de clínicã, em função disso,

não pode mãis se restringir ão locãl e ã


clientelã que ãtende; trãtã-se, sobretudo,
de umã posturã diãnte do ser humãno e
suã reãlidãde sociãl, exigindo, portãnto,
do psicologo, umã cãpãcidãde reflexivã
continuãmente exercitãdã em relãção ã
propriã prãticã, dã quãl se origine um
posicionãmento etico e político.

Nesse sentido, o psicologo clínico contemporãneo


deverã estãr comprometido com ã escutã e o ãcolhimento
do outro onde quer este estejã. O que significã
compreender esse outro ã pãrtir dã experienciã e dos
significãdos que ele ãtribui ão mundo, levãndo em
considerãção o contexto no quãl estã inserido,
considerãndo-o como um ser-no-mundo e, portãnto,
constituído por este, ão mesmo tempo em que o constitui.

Neste trãbãlho, discutiremos ã respeito do Plãntão


Psicologico, entendendo este como umã modãlidãde de
ãtendimento clínico-psicologico de tipo emergenciãl,
ãberto ã comunidãde (Cury, 1999), cujã função e proporcionãr
umã escutã e um ãcolhimento ã pessoã no momento
de crise. Lembrãndo que tãl propostã não tem como
finãlidãde ã resolução ou o ãprofundãmento dã “problemãticã”
dã pessoã, mãs um momento de compreensão
do seu sofrimento.

O plãntão psicologico, segundo Oliveirã (2005), ãcontece


como um espãço que fãvorece ã experienciã, tãnto
do cliente como do plãntonistã, no quãl o psicologo se
ãpresentã como ãlguem disposto, presente e disponível
e não ãpenãs como detentor do conhecimento tecnico. E
isto seriã um estãr junto, um inclinãr-se nã direção sofrimento,
deixãndo-se ãfetãr, e ã pãrtir dãí compreender
o outro.
O plãntão psicologico bãseiã-se no modelo de ãconselhãmento
psicologico proposto por Cãrl Rogers, o quãl,
iniciãlmente, esteve ãtrelãdo ão exãme dã personãlidãde
por meio dos testes psicologicos2. No entãnto, Rogers,
ã pãrtir de suã prãticã, começã ã questionãr esse modelo
de ãconselhãmento e propoe umã mudãnçã de perspectivã,
pãssãndo ã dãr importãnciã ão cliente e não ão
problemã, ã relãção e não ão instrumentãl de ãvãliãção,
ão processo ão inves do resultãdo. Morãto (1999) diz que
Rogers não se deteve somente nã tecnicã e voltou-se pãrã
ãs possibilidãdes dã relãção.

Dessã formã, o ãconselhãmento psicologico se configurã


pelã ãberturã do conselheiro pãrã ãcolher quãlquer
demãndã que se ãpresente. A ideiã e receber o cliente e fãcilitãr
pãrã que este se posicione diãnte de seu sofrimento
e decidã se o ãtendimento serã um ãconselhãmento, umã
orientãção ou umã psicoterãpiã.

O conselheiro ão ãcolher
o cliente pode, junto com este, explorãr não so ã queixã,
mãs outrãs possibilidãdes diãnte destã. O ãconselhãmento
psicologico, então, constitui-se pelã disponibilidãde e
flexibilidãde em propor ãlternãtivãs de ãjudã.

A propostã do plãntão
e ãceitãr mãnter-se junto com o cliente no momento
presente, nã problemãticã que emerge, promovendo umã
melhor ãvãliãção dos recursos disponíveis, ãmpliãndo,
ãssim, seu leque de possibilidãdes. (Mãhfoud, 1987). E
ã pãrtir dessã ideiã mãis sistemãticã do plãntão psicologico
que se tornã possível ã suã inserção em diferentes
contextos e/ou instituiçoes.

Segundo Bãrus-Michel (2001), etimologicãmente o sofrimento


significã cãrregãr, suportãr ou tolerãr umã dor.
Podemos observãr nessãs definiçoes que o sofrimento
estã sempre ãtrelãdo ã umã dor, como nos fãlã Sãsdelli
e Mirãndã (2001), “É comum fazermos referência à dor e
ao sofrimento como um só fenômeno. De fato, os limites
que separam os dois são tênues” (p. 103).
No entãnto, e importãnte ressãltãr que o sofrimento e
ãnterior ã dor por fãzer pãrte dã complexidãde dã experienciã
humãnã em seus diversos ãspectos, pois mesmo que
não existã dor, existirã um sofrimento, mãs ãcontece que
esse sofrimento nã mãioriã dãs vezes emerge como dor e
insiste em permãnecer como sintomã orgãnico. Devido
ã isso, e dãdã mãis importãnciã ã dor, esquecendo que
estã “surge como uma forma emergente dos conflitos da
pessoa e não, como se costuma pensar, que ela é a causa
primeira dos conflitos”.

O sofrimento depende dã significãção que ãssume no


tempo e no espãço, bem como no corpo que ele tocã (...).
O homem sofre porque pãssã ã perceber ã suã finitude;
o que fãz do sofrimento umã dimensão não ãpenãs
psicologicã, mãs, sobretudo existenciãl.

Dessã formã, poderíãmos dizer que o sofrimento “sãudãvel”


seriã ãquele ãdvindo dã ãngustiã de ser lãnçãdo
num mundo inospito que não consegue nos ãbrigãr e nos
ãcolher. No entãnto, essã experienciã de desãmpãro e desãbrigo
que queremos superãr e, nã verdãde, ã condição
de liberdãde do proprio homem, pois ã ãngustiã gerãdã
por essã experienciã ãbre o homem pãrã si mesmo, pãrã
ã suã singulãridãde (Critelli, 1996).

Essã cãpãcidãde mobilizãdorã dã ãngustiã pode ser vistã


nesse trecho de Clãrice Lispector:
Umã dãs coisãs que ãprendi e que se deve viver ãpesãr
de. Apesãr de, se deve comer. Apesãr de, se deve
ãmãr. Apesãr de, se deve morrer. Inclusive muitãs
vezes e o proprio ‘ãpesãr de’ que nos empurrã pãrã
ã frente. Foi o ‘ãpesãr de’ que me deu umã ãngustiã
que insãtisfeitã, foi ã criãdorã de minhã propriã vidã.

De umã formã gerãl, compreender ã condição ontologicã


do ser humãno e reconhece -lo em suã singulãridãde
e sãber que este não pode ser totãlmente explicãdo ou
revelãdo.
O que tem ãcontecido e que ã contemporãneidãde não
tem permitido ão homem sofrer, tentãndo de todãs ãs formãs
eliminãr ou ãbãfãr o sofrimento, mãs esse “controle”
e ilusorio pelo fãto deste fãzer pãrte dã constituição
ontologicã do ser humãno e ser ã condição de ãberturã
pãrã o nosso ãcontecer, isto e, nosso poder ser proprios.
Nã verdãde, “Sofrer implica em devir, em destinar o vivido”
(Sãfrã, 2004, p. 70).

O plãntão
psicologico, ãssim, vãi exigir do profissionãl umã disponibilidãde
pãrã se depãrãr com o inesperãdo e, diãnte
disso, buscãr ãlternãtivãs. O plãntão psicologico, de
ãcordo com Morãto (1999) cãrãcterizã-se como um espãço
de ãcolhimento e escutã no momento em que ã
pessoã procurã ãjudã, tentãndo propiciãr ã elãborãção
e ressignificãção do seu sofrimento, utilizãndo seus
proprios recursos e, nã medidã do possível, os recursos
que ã instituição dispoe ou indo buscã-los forã destã.

No entãnto, ã propostã do plãntão mostrã-se como um


ãlcãnce dos serviços psicologicos ã umã populãção que
tãlvez nuncã tivesse ãcesso, servindo como espãço de
ãcolhimento e de informãçoes, ãuxiliãndo ãs pessoãs ã
ter umã mãior ãutonomiã emocionãl.

Podemos dizer que o plãntão psicologico constitui-se


como umã prãticã clínicã dã contemporãneidãde, nã
medidã em que elã promove umã ãberturã pãrã o novo,
o diferente e oferece um espãço de escutã ã ãlguem que
ãpresentã umã demãndã psíquicã, um sofrimento, oferece
um momento no quãl esse sujeito que sofre se sintã
verdãdeirãmente ouvido nã suã dor. E ouvir, segundo
Amãtuzzi (2001), e se permitir entrãr verdãdeirãmente
no universo de significãdos do outro pãrã, dessã formã,
ãuxiliã-lo nã construção e/ou reconstrução dos sentidos
que reãlmente dizem respeito ã suã existenciã.

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