Cetoacidose
Diabética
01
Caso
clínico
Admissão
Identificação
3
Masculino anos
hda
1 semana antes da admissão
Quadro de poliúria, polidipsia e polifagia
Quadro gripal
Dia 19/05
Desconforto respiratório, náuseas, vômitos aquosos e sem restos
alimentares
Glicemia capilar de 381
Encaminhado para o Hospital Regional de Arapiraca
Dia 20/05
Episódio de crise convulsiva no HRA
Encaminhado para o HGE
Exame físico
REG, sonolento, mas despertável, corado, hidratado limítrofe, eupneico, afebril, acianótico e anictérico
Ectoscopia
Sonolento, abertura espontânea, responde a estímulo doloroso
SNC
RCR em 2T, BNF, sem sopros, FC: 113 bpm
ACV
MV+ em AHT, sem RA, FR: 23 irpm, SAT: 98%
AR
Plano, depressível, indolor à palpação, sem VMG
Abd
Perfundidas, aquecidas, TEC: 2s, pulsos cheios e simétricos
ext
Gasometria:
PH: 7,3; BIC: 15
Hipótese diagnóstica
Cetoacidose diabética
primodescompensação
02
Aspectos
gerais
Conceito
Epidemiologia
ASPECTOS GERAIS
● A Cetoacidose Diabética é a urgência endócrino-metabólica mais comum na
infância e adolescência e a principal causa de hospitalização e óbito de
pacientes diabéticos nessa faixa etária
● Pode ser a primeira manifestação clínica percebida na abertura de quadro de
diabetes mellitus do tipo 1 ( 11-67%) ou ocorrer em paciente previamente
diabético, por descontrole da doença
● O diabetes mellitus do tipo 1 (DM1) é a doença endócrina mais comum da
infância, acometendo mundialmente cerca de 65.000 crianças menores de
15 anos por ano
● A mortalidade relacionada à CAD varia de 0,15 a 0,3%, sendo o edema
cerebral a principal causa.
03
Fisiopato
Fisiopatologia
DEFICIÊNCIA Resultado
Completa ou relativa ● Gliconeogênese → Hiperglicemia
de insulina ● Lipólise
OU ● Cetogênese → acúmulo de cetoácidos
Aumento dos hormônios
contra-regulatórios
Fisiopatologia
Repercussões
● Indução da resistência insulínica
● Redução do bicarbonato → Acidose com ânion gap elevado
● Diurese osmótica
○ Hipovolemia → Redução da perfusão periférica → aumento do ácido lático
○ Redução da excreção de glicose pelos rins
● Disfunção endotelial com redução de NO e estresse oxidativo → danos e edema
cerebral
04
Manif.
Clínicas
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
● Poliúria, polidipsia e polifagia
● Astenia, fraqueza e emagrecimento
● Desidratação
● Taquicardia
● Taquipneia
● Náuseas e vômitos
● Dor abdominal
● Respiração profunda e suspirosa ( Ritmo de
Kussmaul
● Hálito cetônico
● Confusão mental e RNC
05
DIAGNÓSTICO
CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS
HIPERGLICEMIA > 200 MG/DL
PH VENOSO < 7,3, E/OU BICARBONATO <15 MMOL/L
CETONEMIA OU CETONÚRIA
06
Tratamento
CONDUTA INICIAL
Cetomia
Eletrólitos
Hemograma completo
Glicemia laboratório
Nível de Gasometria Pesquisar
Consciência etiologia
ECG
RX
Hemo/Urinocultura
CONDUTA INICIAL
Classificar
gravidade
Conduta inicial
Cad moderada
Cad leve
e grave
● Lúcidos e com bom estado cognitivo
● Manejo em UTI ● Capazes de se alimentar e ingerir
● Hidratação e insulinoterapia venosa líquidos
● Correção de distúrbios hidroeletrolíticos ● Manejo em observação do PA
e da acidose ● Insulina SC e fluidos orais ou
intravenosos
CONDUTA INICIAL
monitorizar
● Glicemia, avaliação do nível de consciência, entrada de fluidos e
diurese a cada 1h
● Gasometria, potássio, sódio, uréia e creatinina a cada 2-4h
● Cálcio, fósforo e magnésio a cada 4-6h
● Peso corporal a cada 24h
Reposição de volume
Reposição de k+
Reposição de insulina
Reposição de insulina
Dois dos três critérios precisam ser
preenchidos
Critérios para ● pH > 7,3
desligar bic
● Ânion-gap < 12
● Bicarbonato > 15
Reposição de insulina
● Aplicar insulina SC após uma refeição, e
aguardar 1 hora, antes de desligar a BIC
● Prosseguir com insulina SC conforme glicemia
Transição
capilar a cada 4 horas
● Cálculo da insulina de longa duração
○ Verifica-se as doses de insulina nas
últimas 24 horas e utiliza-se ⅔ dessa
dose total ou 0,6 U/kg de insulina NPH.
Outras reposições
Bicarbonato Fósforo
● Indicações
○ Disfunção cardíaca grave e arritmias
● pH < 6,9
○ Fraqueza muscular e insuficiência
● Reposição de 100 mEq EV de
respiratória
bicarbonato em 2 horas
○ Rabdomiólise e anemia significativa
● Dosar após 1-2 horas
○ Concentração sérica < 1 mEq/L
● Reposição com 25 mEq de Fosfato de Potássio.
Critérios de resolução
● Glicemia abaixo de 200mg/dL;
● pH >7,3;
● Bicarbonato maior ou igual a 18 mEq/L;
● Ânion gap menor ou igual a 14 mmol/L
07
Caso
clínico
Evolução e Alta
22/05/2023
EM USO:
Dieta Zero (Dieta oral liberada conforme aceitação)
Insulina Regular (conforme Dextro)
Insulina NPH 0,5 UI/kg/dia
Venóclise de 2400 mL (suspensa no turno
vespertino)
Ceftriaxona 100 mg/kg/dia (D2) → Clavulin
Sintomáticos
INTERCORRÊNCIA:
Alta para Enfermaria Pediátrica (aguardando a vaga)
Referências
1. MENECUCCI, Vivian da Silva. Protocolo de cetoacidose diabética: manejo
clínico no pronto socorro infantil. 2021.
2. SANTOMAURO A, Junior A, Raduan R, Bertoluci M. Diagnóstico e Tratamento
da Cetoacidose Diabética Euglicêmica. Diretriz Oficial da Sociedade Brasileira
de Diabetes, 2022.
3. SOUZA, Leonardo Calil Vicente Franco de et al. Cetoacidose diabética como
apresentação inicial de diabetes tipo 1 em crianças e adolescentes: estudo
epidemiológico no sul do Brasil. Revista Paulista de Pediatria, v. 38, 2019.
4. VELASCO, Irineu Tadeu et al. Medicina de emergência: abordagem prática. .
Barueri, SP: Manole, 2019
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