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Memoriais de Defesa em Furto Simples

Este documento é um memorial apresentado pela defesa de Roberta, acusada de furto simples. O resumo alega nulidade da instrução por ausência de proposta de suspensão condicional do processo, erro de tipo essencial escusável e, subsidiariamente, pede pela pena mínima e substituição da pena privativa de liberdade.
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Memoriais de Defesa em Furto Simples

Este documento é um memorial apresentado pela defesa de Roberta, acusada de furto simples. O resumo alega nulidade da instrução por ausência de proposta de suspensão condicional do processo, erro de tipo essencial escusável e, subsidiariamente, pede pela pena mínima e substituição da pena privativa de liberdade.
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Direito e Processo Penal

Módulo Prático
Prof. Alexandre Salim
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Caíram no XXIII
Exame de Ordem

Memoriais
(Procedimento comum)
Peça prático-profissional
No dia 23 de fevereiro de 2016, Roberta, 20 anos, encontrava-se em um curso
preparatório para concurso na cidade de Manaus/AM. Ao final da aula, resolveu ir
comprar um café na cantina do local, tendo deixado seu notebook carregando na
tomada. Ao retornar, retirou um notebook da tomada e foi para sua residência. Ao
chegar em casa, foi informada de que foi realizado registro de ocorrência na Delegacia
em seu desfavor, tendo em vista que as câmeras de segurança da sala de aula
captaram o momento em que subtraiu o notebook de Cláudia, sua colega de classe,
que havia colocado seu computador para carregar em substituição ao de Roberta, o
qual estava ao lado.
No dia seguinte, antes mesmo de qualquer busca e apreensão do bem ou atitude da
autoridade policial, Roberta restituiu a coisa subtraída. As imagens da câmera de
segurança foram encaminhadas ao Ministério Público, que denunciou Roberta pela
prática do crime de furto simples, tipificado no Art. 155, caput, do Código Penal. O
Ministério Público deixou de oferecer proposta de suspensão condicional do processo,
destacando que o delito de furto não é de menor potencial ofensivo, não se sujeitando
à aplicação da Lei nº 9.099/95, tendo a defesa se insurgido.
Peça prático-profissional
Recebida a denúncia, durante a instrução, foi ouvida Cláudia, que confirmou ter
deixado seu notebook acoplado à tomada, mas que Roberta o subtraíra, somente
havendo restituição do bem com a descoberta dos agentes da lei. Também foram
ouvidos os funcionários do curso preparatório, que disseram ter identificado a
autoria a partir das câmeras de segurança. Roberta, em seu interrogatório,
confirma os fatos, mas esclarece que acreditava que o notebook subtraído era
seu e, por isso, levara-o para casa. Foi juntada a Folha de Antecedentes Criminais
da ré sem qualquer outra anotação, o laudo de avaliação do bem subtraído, que
constatou seu valor de R$ 3.000,00 (três mil reais), e o CD com as imagens
captadas pela câmera de segurança. O Ministério Público, em sua manifestação
derradeira, requereu a condenação da ré nos termos da denúncia.
Você, como advogado(a) de Roberta, é intimado(a) no dia 24 de agosto de 2016,
quarta-feira, sendo o dia seguinte útil em todo o país, bem como todos os dias da
semana seguinte, exceto sábado e domingo.
Peça prático-profissional

Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado(a)


de Roberta, redija a peça jurídica cabível, diferente de habeas corpus,
apresentando todas as teses jurídicas pertinentes. A peça deverá ser datada
no último dia do prazo para interposição. (Valor: 5,00)
Obs.: o examinando deve indicar todos os fundamentos e dispositivos legais
cabíveis. A mera citação do dispositivo legal não confere pontuação.
Memoriais

▪ Art. 403, § 3º, do CPP. O juiz poderá, considerada a complexidade do caso


ou o número de acusados, conceder às partes o prazo de 5 (cinco) dias
sucessivamente para a apresentação de memoriais. Nesse caso, terá o prazo
de 10 (dez) dias para proferir a sentença.
Esquema de peça

1. C 5. C 9. TP
2. C 6. C
3. P 7. P
4. A 8. E
Esquema de peça

1. Cliente 5. Competência 9. Teses e Pedidos

2. Crime e pena 6. Ciclo processual

3. Procedimento 7. Peça

4. Ação penal 8. Endereçamento


Esquema de peça
1. C: Roberta 5. C: Justiça Estadual

2. C: furto simples (art. 155, “caput”, do CP) - reclusão 6. C: fase processual


de 1 a 4 anos e multa
3. P: comum ordinário 7. P: memoriais

4. A: pública incondicionada 8. E: Juiz de Direito da ... Vara Criminal da


Comarca de Manaus/AM
9. TP: recebimento dos memoriais, nulidade da
instrução (com oferecimento do sursis processual),
absolvição (art. 386, VI, CPP), aplicação da pena no
mínimo legal, atenuantes da menoridade relativa e
confissão, arrependimento posterior, substituição da
PPL por PRD, regime aberto, data correta
(29/08/2016)
Excelentíssimo Senhor Doutor Juiz de Direito da ... Vara Criminal da
Comarca de Manaus/AM:

Processo nº ...

ROBERTA, já qualificada nos autos da ação penal que lhe move o


Ministério Público, por seu procurador firmatário, procuração anexa (fl. ...),
vem, à presença de Vossa Excelência, com fundamento no artigo 403, § 3º,
do Código de Processo Penal, apresentar MEMORIAIS, pelas seguintes
razões de fato e de direito:
1. DOS FATOS
O Ministério Público denunciou a ré pela prática de furto simples, tipificado
no artigo 155, caput, do Código Penal, sem propor-lhe o benefício da suspensão
condicional do processo (artigo 89 da Lei 9.099/95).
Ao final da instrução do feito, os autos foram encaminhados ao Parquet, que
postulou a condenação da acusada nos termos da denúncia.
A defesa foi intimada na data de 24 de agosto de 2016 para a apresentação
de memoriais.
2. DO DIREITO
2.1. Da nulidade dos atos processuais em face da ausência de proposta de
suspensão condicional do processo
Preliminarmente, verifica-se que há nulidade insanável, tendo em vista que não foi oferecida
proposta de sursis processual. Conforme dispõe o artigo 89 da Lei 9.099/95, caberá ao Ministério Público
oferecer proposta de suspensão condicional do processo quando a pena mínima cominada ao delito
imputado for de até um ano, exigindo-se a primariedade do agente e os requisitos do artigo 77 do Código
Penal. É exatamente a situação da ré.
A acusada é primária e portadora de bons antecedentes, e o crime de furto simples (artigo
155, caput, do Código Penal) tem pena mínima de um ano. Ademais, não se trata de mera faculdade do
Promotor de Justiça, mas sim de poder-dever limitado pela lei, de modo que deveria ter sido oferecida a
proposta do instituto despenalizador.
Assim, com fundamento no artigo 564, inciso IV, do Código de Processo Penal, requer seja
reconhecida a nulidade de toda a instrução processual, com consequente oferecimento à ré do benefício
previsto no artigo 89 da Lei 9.099/95.
2. DO DIREITO
2.2. Do erro de tipo essencial escusável
No mérito, verifica-se que a acusada deve ser absolvida com fundamento na tese do erro
de tipo essencial escusável, previsto no artigo 20, caput, do Código Penal.
Isso porque somente se pode falar em crime de furto quando estiverem presentes todas
as elementares previstas no artigo 155, caput, do Código Penal, quais sejam, “subtrair, para si ou para
outrem, coisa alheia móvel”. Ocorre que a ré incidiu em erro em relação a um dos elementos do tipo,
precisamente em relação à coisa “alheia”, já que acreditava estar levando para casa o seu próprio
notebook.
A consequência é a exclusão do dolo e da culpa, de acordo com o citado artigo 20, caput,
do Código Penal, já que se trata de erro de tipo essencial escusável ou inevitável. Importante registrar
que, mesmo que se estivesse diante de erro de tipo essencial inescusável ou evitável, ainda assim a
ré deveria ser absolvida, por inexistir modalidade culposa do delito de furto.
Assim, requer a absolvição do crime de furto, com fundamento no artigo 386, inciso VI,
do Código de Processo Penal.
2. DO DIREITO
2.3. Da pena e do regime
Com base no princípio da eventualidade, entendendo o Juízo pela condenação da ré, postula-se: a)
na primeira fase de aplicação da pena, a fixação da pena-base no mínimo legal, uma vez que as
circunstâncias judiciais do artigo 59 são todas favoráveis, além de a agente ser primária e portadora de
bons antecedentes; b) na segunda fase, o reconhecimento das atenuantes da menoridade relativa (artigo
65, inciso I, do Código Penal) e da confissão espontânea (artigo 65, inciso III, alínea “d”, do Código Penal),
uma vez que a denunciada era menor de 21 anos na data do fato e, quando do seu interrogatório,
confirmou o ocorrido; c) na terceira fase, o reconhecimento do arrependimento posterior (artigo 16 do
Código Penal), pois o crime imputado não foi praticado com violência ou grave ameaça à pessoa e houve,
mediante conduta voluntária da acusada, restituição do bem da vítima antes do recebimento da
denúncia.
Ademais, em caso de procedência da denúncia, requer a fixação de regime aberto (artigo 33, § 2º,
alínea “c”, do Código Penal) e a substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos, já
que estão presentes os requisitos do artigo 44 do Código Penal.
3. DOS PEDIDOS
Ante o exposto, requer:
a) O recebimento dos presentes memoriais;
b) Preliminarmente, a decretação da nulidade da instrução, com fundamento no artigo 564,
inciso IV, do Código de Processo Penal, com posterior oferecimento de proposta de suspensão
condicional do processo (artigo 89 da Lei 9.099/95);
c) No mérito, a absolvição do crime de furto, na forma do artigo 386, inciso VI, do Código de
Processo Penal, uma vez que há circunstância que exclui o crime (art. 20, caput, do CP);
d) Subsidiariamente, caso a denúncia seja julgada procedente, (d.1) a aplicação da pena-base
no mínimo legal, (d.2) o reconhecimento das atenuantes da menoridade relativa e confissão
espontânea, (d.3) a aplicação da causa de diminuição do arrependimento posterior, (d.4) a aplicação
do regime aberto e (d.5) a substituição da pena privativa de liberdade por pena restritiva de direitos.
Nesses termos, pede deferimento.

Local..., 29 de agosto de 2016.

Advogado...
OAB...
Bons estudos!

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