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© Copyright 2022. Centro Universitário São Camilo.

TODOS
OS DIREITOS RESERVADOS.

MICROBIOLOGIA EM E-BOOK

Centro Universitário São Camilo


João Batista Gomes de Lima - Reitor
Anísio Baldessin - Vice-reitor e Pró-reitor Administrativo
Carlos Ferrara Junior - Pró-reitor Acadêmico
Celina Camargo Bartalotti - Coordenadora Geral de Graduação
Cristiane Ruiz - Coordenadora dos Eixos Institucionais

Organizadora
Tânia Leiko Tanaka

Autores
Tânia Leiko Tanaka
Débora Cunha Torres
Luíza Moreira Galindo
Maria Eduarda Bergamo
Pâmela Maioli Lopes
Alessandra Bucci Cancado
Ana Clara Justo da Silva
Anderson Santana dos Reis
Meykson Junio Moura da Silva

Revisora Científica
Thais Fabiana Gameiro Lucas

Produção editorial – Setor de Publicações


Bruna San Gregório
Cintia Machado dos Santos
Bruna Diseró
SUMÁRIO

1 Introdução ao estudo da Microbiologia


Alessandra Bucci Cancado
5

2 Virologia

Luíza Moreira Galindo


20

3 Bacteriologia
48
Débora Cunha Torres

4 Microbiota normal do corpo humano


75
Ana Clara Justo da Silva

5 Bactérias patogênicas
93
Maria Eduarda Bergamo

6 Nutrição, metabolismo e crescimento bacteriano em laboratório

Pâmela Maioli Lopes


115

7 Controle do crescimento bacteriano

Meykson Junio Moura da Silva


135

8 Micologia
161
Anderson Santana dos Reis
EM E-BOOK

CAPÍTULO

1
AO ESTUDO
MICROBIOLOGIA EM E-BOOK

CAPÍTULO 1
Introdução ao estudo da Microbiologia

1. INTRODUÇÃO À MICROBIOLOGIA

A palavra “Microbiologia” tem origem grega de: mikros = pequeno; bios = vida e logos =
ciência. Logo, a microbiologia é a ciência que vai estudar as características biológicas,
estruturais, reprodutivas, genéticas e fisiológicas de microrganismos.
Os microrganismos são seres vivos tão pequenos que não podem ser vistos à olho nú,
somente através do microscópio. Este grupo é composto por uma variedade de seres vivos que
apenas compartilham o fato de serem microscópicos. Entre os microrganismos mais comuns,
podemos citar: bactérias, vírus, fungos e protozoários. Muito embora os vírus sejam entidades
microscópicas, não são constituídos de células.
Embora a microbiologia seja pauta de assuntos atuais, principalmente em época de
pandemia, o estudo dos microrganismos acontece há muito tempo e só continua sendo possível
pelo constante avanço tecnológico. As descobertas microbiológicas surgiram entre os anos de
1632 e 1723, com os cientistas Antony Van Leeuwenhoek e Robert Hooke.
Especula-se que o primeiro cientista a observar células vivas foi Leeuwenhoek, que relata
ter observado microrganismos na sua cavidade bucal, com isso, ele foi o criador do primeiro
microscópio, como ilustrado na figura 1, para que pudesse fazer a observação dos organismos,
que os nomeou como “animálculos”.

Figura 1. Réplica do primeiro microscópio (Fonte: TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

7
CAPÍTULO 1 Microbiologia em E-book

2. ORIGEM DOS MICRORGANISMOS

Foram propostas algumas teorias para explicar a origem dos microrganismos que serão
descritas a seguir: a teoria da abiogênese e a teoria da biogênese.

2.1 TEORIA DA ABIOGÊNESE

A teoria abiogênese é popularmente conhecida como “teoria da geração espontânea”, na


qual os cientistas afirmavam que os microrganismos eram derivados de uma transformação
espontânea da junção de plantas com a carne de animais em estado de putrefação, explicava
basicamente que a origem da vida partia de matérias não-vivas. A teoria logo foi refutada por
Louis Pasteur, que defendia a biogênese, que contradiz a teoria anterior. Pasteur defendia a
tese de que todos os seres vivos são derivados de outros preexistentes, para o cientista, não
existe origem da vida sem outra envolvida.

2.2 TEORIA DA BIOGÊNESE

Para que a teoria da biogênese fosse aceita, Louis Pasteur realizou os experimentos,
ilustrados na figura 2. Resumidamente: despejou caldo de carne com microrganismos em um
frasco de pescoço comprido, em seguida curvou em formato de S, para impedir contaminação
externa, ferveu o caldo por vários minutos para matar os microrganismos e não observou a
presença deles, mesmo muito tempo depois.

Figura 2. Experimento de Pasteur a respeito da biogênese e abiogênese (Fonte: TORTORA;


FUNKE; CASE, 2017).

Apesar do ramo existir há séculos, o estudo microbiológico acompanha o avanço tecnológico


e contribui positiva e ativamente em muitas áreas do cotidiano, como veremos nos próximos
capítulos.

8
CAPÍTULO 1 Microbiologia em E-book

3. VÍRUS

Os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios. São agentes infecciosos que não
possuem “maquinaria” metabólica própria e necessitam de uma célula para que possam se
reproduzir. Apesar de existir uma constante discussão acerca da classificação dos vírus serem
seres vivos ou não, eles têm capacidade de reprodução apenas no interior das células e são
susceptíveis às mutações.
São microrganismos muito pequenos, seu tamanho varia de 20–300 nm. Os vírus são
considerados acelulares, quando estão fora de células vivas eles são inertes, não possuindo
capacidade de metabolismo. Seu genoma é composto apenas por um tipo de ácido nucleico
(material genético), podem ter RNA ou DNA, diferente dos outros microrganismos, os vírus
conseguem guardar suas informações no RNA. Existem vírus que durante sua fase de replicação
podem ter o DNA e o RNA, como nos casos de retrovírus (vírus HIV) . O material genético é
envolto por um capsídeo, que são proteínas que vão envolver o material genético e tem função
de proteção e rigidez e a estrutura do capsídeo vai ser diferente para cada vírus. Podemos
observar a estrutura viral, analisando a figura 3 abaixo.

Figura 3. Estrutura da partícula viral (Fonte: TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

Além do capsídeo, alguns vírus também apresentam um envelope viral que é formado de
fosfolipídios, glicoproteínas e glicolipídios formados por um envoltório lipídico resultante da
membrana plasmática da célula que foi invadida.
Ou seja, enquanto o capsídeo é uma camada protetora protéica do ácido nucleico, o
envelope viral constitui uma membrana rica em lipídeos e reveste a partícula mais
externamente.
No próximo capítulo (capítulo 2), os detalhes a respeito da estrutura, multilicação viral e das
viroses, serão abordados com maiores detalhes.

9
CAPÍTULO 1 Microbiologia em E-book

4. BACTÉRIAS

As bactérias são organismos unicelulares, ou seja, compostos de uma única célula, e não
possuem núcleo definido que delimita o DNA. São células procariotas que possuem apenas o
material genético composto por cromossomo e plasmídeo (DNA extracromossomal não
obrigatório), citoplasma, ribossomos, membrana plasmática e parede celular (tem na sua
estrutura peptideoglicano, na maioria das vezes). Esses organismos também apresentam como
característica a ausência de organelas membranosas. As bactérias podem ser recobertas de
fimbrias, ou ainda podem ter flagelos.
Existem dois grandes grupos de bactérias: as que tem parede celular típica e as que não
tem. O grupo de bactérias que possuem a parede celular constituída de peptidoglicano podem
ser subdivididas em: bactérias gram-positivas e bactérias gram-negativas. Já, o grupo de
bactérias que não possuem parede celular típica são: micobactérias, micoplasma, clamídia e
riquétsias.
As bactérias gram-positivas têm sua parede celular composta de maior quantidade de
peptidoglicano e têm ácidos lipotecóicos ancorados. O ácido teicoico é exclusivo da bactéria
gram-positiva. Já as bactérias gram-negativas têm camada fina de peptidoglicano e uma
membrana externa que é formada por porinas, fosfolipideos e lipopolissacarídeos (LPS).
Sobre sua morfologia, ilustrada na figura 4 abaixo, as bactérias podem ser classificadas em:
cocos, bacilos, espirilos e vibriões. Os cocos têm sua estrutura esférica e são nomeados de
acordo com seu arranjo, ou seja, o agrupamento de dois cocos formam os diplococos; o
agrupamento de quatro cocos formam os tétrades; as sarcinas são formadas por oito cocos e
têm formato similar à um cubo; os estreptococos são agrupados em cadeia linear e os
estafilococos são bem semelhantes à um cacho de uva.

Figura 4. Morfologia bacteriana (Fonte: TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

10
CAPÍTULO 1 Microbiologia em E-book

A morfologia espiralada geralmente ocorre de forma isolada. Sendo classificada em


espirilos, vibriões e espiroquetas. Os espirilos possuem o corpo rígido e se locomovem por
flagelos externos. As espiroquetas são flexíveis e se locomovem por contrações citoplasmáticas
com flagelos internos (endoflagelos). Os vibriões têm forma que se assemelham com uma
vírgula, ou um bastão de ponta encurvada. Podemos identificar a morfologia de cada categoria
de morfologia observando a figura 5 abaixo.
Maiores detalhes sobre as bactérias poderão ser encontrados no capítulo 3.

Figura 5. Bactérias Espirais (Fonte: TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

5. FUNGOS

Os fungos são pertencentes ao Reino Fungi, onde encontramos respresentantes


macroscópicos e microscópicos. Quanto aos fungos microscópicos temos os unicelulares (no
caso das leveduras) e os pluricelulares (bolores ou fungos filamentosos), são eucariontes,
heterotróficos e podem ser anaeróbios ou aeróbios facultativos. Esses organismos têm sua
reprodução sexuada ou assexuada, são heterótrofos, parasitas e decompositores. Diferente das
bactérias, os fungos não possuem peptidoglicano em parede celular.
Alguns fungos são semelhantes às plantas quando falamos que ambos são pluricelulares e
também possuem paredes celulares que cobrem o exterior das células de forma individual. Por
outro lado, os fungos também apresentam diferenças do Reino Plantae, por não serem capazes
de produzir seu próprio alimento, já que se alimentam através da absorção de nutrientes. Eles
crescem como células únicas (leveduras) ou em colônias filamentosas multicelulares.
A forma de observação dos fungos filamentosos pode ser macroscópica ou microscópica,
seu corpo é formado por hifas, que em conjunto, fazem a formação do micélio. Como mostra a
figura 6 abaixo:

11
CAPÍTULO 1 Microbiologia em E-book

Figura 6. Morfologia dos hifas (Fonte: TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

As hifas são filamentos longos e em formato cilíndrico que possuem vários núcleos, como
ilustrado na figura 6 acima. As hifas têm como função: digestão extracelular e reprodução
(sexuada e assexuada). Apesar da semelhança com as plantas, os fungos precisam se alimentar
de substâncias orgânicas e as hifas liberam substâncias que degradam os carboidratos para que
seu metabolismo seja concluído.
Mais detalhes a repeito dos fungos microscópicos poderão ser encontrados no capítulo 8.

6. PROTOZOÁRIOS

Os protozoários são unicelulares, eucariontes e heterotróficos. Têm vida livre e podem ser
encontrados em inúmeros ambientes, porém existem algumas espécies de protozoários que
necessitam de outros organismos para que possam sobreviver – parasitas. A reprodução pode
acontecer sexuada ou assexuada, sendo a assexuada a mais comum.

Os protozoários que vivem no meio aquático são divididos em quatro grupos:


Esporozoários: não possuem estrutura para se locomover. São parasitas
heterogêneas que habitam outras células inclusive as hemácias.
Rizópodos: se locomovem através de prolongamentos do citoplasma denominados
pseudópodes.
Flagelados: se locomovem através de flagelos.
Ciliados: se locomovem através de filamentos curtos denominados “cílios”.

12
CAPÍTULO 1 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL
Capítulo 1: Organizando conceitos

13
DICAS DE LEITURA
Acesse o livro "Microbiologia" em "Minha
Biblioteca" do Centro Univesitário São
Camilo e estude mais sobre o assunto!

Livro: TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L.


Microbiologia. 10. ed. Porto Alegre: Artmed,2017.
(Recurso Online – Biblioteca São Camilo)

Capítulo: 1

Páginas: 4 - 15
CAPÍTULO 1 Microbiologia em E-book

DICAS DE AULAS
Y!
LA
DÁ UM P

TEORIA DA MEDICINA
AULA 1: INTRODUÇÃO, HISTÓRIA E
CONCEITOS DA MICROBIOLOGIA
AULA 2: CARACTERÍSTICAS GERAIS DAS
BACTÉRIAS (PARTE I E II)

HENAC ALMEIDA
AULA 3: VÍRUS - CONCEITO, REPLICAÇÃO
E REPRODUÇÃO VIRAL

PROF° GUILHERME
AULA 4: MICROBIOLOGIA, FUNGOS E
PROTISTAS

LINK DA AULAS

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AU https utub atch?
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3 - ht s://[Link]
AULA ht t p
4-
AULA

15
QUESTÕES
Capítulo 1: Para treinar e fixar o conteúdo!

1. Louis Pasteur realizou experimentos pioneiros em Microbiologia. O processo denominado


pasteurização consiste no ______________ controlado a fim de garantir sua qualidade e
_______________ microrganismos nocivos.
As lacunas podem ser corretamente preenchidas, respectivamente, por:
A. Resfriamento, produzir
B. Inóculo, produzir
C. Aquecimento, destruir
D. Patógeno, destruir

2. A bactéria não possui, qual das seguintes estruturas?


A. Membrana plasmática.
B. Ribossomo.
C. Parede celular.
D. DNA.
E. Carioteca.

3. Em uma visão geral da estrutura procariótica, qual das alternativas está correta?
A. As células procarióticas são células bastante complexas, são providas de carioteca onde
está armazenado seu material genético e sua membrana celular é uma camada de
peptidioglicanos.
B. A presença das mitocôndrias nas células procarióticas tem grande importância como
fonte de energia e os plasmídeos apresentam seu material genético.
C. Os flagelos presentes nas células procariontes também estão presentes nas células
eucariontes assim como o núcleo das células.
D. Somente as células eucariontes apresentam estruturas externas, membrana celular
completa.
E. As células procarióticas apresentam uma variedade de estruturas externas, membrana
celular envolvida pela parede celular composta por peptidioglicanos.

16
QUESTÕES
Capítulo 1: Para treinar e fixar o conteúdo!

4. O material genético extracromossomal de uma célula procariótica se encontra no(a)?

A. Glicocálice
B. Flagelo
C. Parede celular
D. Plasmídeo
E. Citoplasma

5. Sobre hifas e micélio, foi feita a seguinte afirmação:

"As hifas são um conjunto de células organizadas e os micélios são um conjunto de hifas."
A afirmação é:

( ) Verdadeira
( ) Falsa

RESPOST
AS:
1. C
2. E
3. E
4. D
5. V

17
Curiosidades
SAIBA MAIS!

Você sabia que o cheiro da chuva e o cheiro de terra molhada são causados por
uma bactéria?

O cheiro que sentimos de chuva é proveniente da geosmina, uma substância

liberada por uma bactéria chamada Streptomyces.

Essa espécie de bactéria geralmente é encontrada no solo.

A substância é produzida quando os esporos (células reprodutoras) das bactérias

entram em contato com a água e são disseminados através da própria chuva. As gotas

de chuva aprisionam as bolhas de ar no solo e elas eclodem e espalham a geosmina


pelo ar. Por isso o cheiro de chuva é tão caracterizado pelo cheiro de terra molhada.

18
REFERÊNCIAS
do Capítulo

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de


Vigilância Epidemiológica. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso. 8. ed.
Brasília: Ministério da Saúde, 2010.

BROOKS, Geo F. et al. Microbiologia médica de Jawetz, Melnick e Adelberg. 26. ed.
Porto Alegre: AMGH, 2014.

LEVINSON, Warren. Microbiologia médica e imunologia. 13. ed. Porto Alegre: AMGH,
2016.

MADIGAN, Michael T. et al. Microbiologia de Brock. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.

TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L. Microbiologia. 12. ed. Porto
Alegre: Artmed, 2017.

19
EM E-BOOK

CAPÍTULO

2
MICROBIOLOGIA EM E-BOOK

CAPÍTULO 2
Virologia: Propriedades gerais dos vírus

1. PROPRIEDADES GERAIS DOS VÍRUS

Os vírus são os microrganismos mais numerosos em nosso planeta, infectando


todos os tipos de organismos celulares existentes. Portanto, são interessantes por si
somente (MADIGAN et al. 2016). A variedade de hospedeiros para determinado vírus
pode ser ampla ou extremamente limitada. Sabe-se que os vírus infectam os
microrganismos unicelulares, como micoplasmas, bactérias e algas, bem como todas as
plantas e animais superiores, conforme descrevem Brooks et al. (2014). Os vírus são
elementos genéticos incapazes de replicarem-se sozinhos. São parasitas intracelulares
obrigatórios que dependem da penetração em uma célula viva apropriada para
realizarem seu ciclo de replicação (MADIGAN et al. 2016).
Podem existir nas formas extra e intracelular. No estado extracelular, um vírus é
uma partícula microscópica contendo ácido nucleico envolto por proteínas e,
ocasionalmente, dependendo do tipo de vírus, outras macromoléculas, presentes no
envelope. Nessa forma, a partícula viral, denominada vírion, é metabolicamente inerte,
não realizando as funções de replicação ou biossíntese. O vírion é a estrutura a partir da
qual o genoma viral é transferido, da célula em que foi produzido para outras células.
Uma vez no interior de uma nova célula, o estado intracelular é iniciado e o vírus é
replicado: novas cópias do genoma são produzidas, e os componentes que formam o
envoltório viral são sintetizados (MADIGAN et al. 2016).

22
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

2. ESPECTRO DE HOSPEDEIROS

O espectro de hospedeiros de um vírus consiste na variedade de células hospedeiras que o


vírus pode infectar. A maioria é capaz de infectar tipos específicos de células de uma única
espécie de hospedeiro. Em casos raros, os vírus cruzam as barreiras de espécies, expandindo,
assim, seu espectro de hospedeiros, como o vírus causador da raiva. Os vírus que infectam
bactérias são chamados de bacteriófagos ou fagos (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
O espectro de hospedeiros de um vírus é determinado pela exigência viral quanto à sua
ligação específica à célula hospedeira e pela disponibilidade de fatores celulares do hospedeiro
em potencial necessários para a multiplicação viral (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Para alguns
bacteriófagos, o receptor faz parte da parede da célula hospedeira; em outros casos, faz parte
das fímbrias ou dos flagelos. No caso de vírus que infectam células animais, os receptores estão
na membrana plasmática das células hospedeiras (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

3. ESTRUTURA E TAXONOMIA VIRAL

3.1 Ácido nucleico

Ao contrário das células procarióticas e eucarióticas, nas quais o DNA é sempre o material
genético principal (o RNA tem um papel auxiliar), os vírus podem possuir tanto DNA como RNA,
mas ambos são raramente encontrados. O ácido nucleico dos vírus pode ser de fita simples ou
dupla. Assim, existem vírus que apresentam o familiar DNA de dupla-fita, DNA de fita simples,
RNA de dupla-fita e RNA de fita simples. Dependendo do vírus, o ácido nucleico pode ser linear
ou circular. Em alguns vírus (como o vírus da gripe), o ácido nucleico é segmentado (TORTORA;
FUNKE; CASE, 2017).

3.2 Capsídeo

O ácido nucleico de um vírus é protegido por um revestimento proteico, chamado de


capsídeo. A estrutura do capsídeo é determinada, basicamente, pelo ácido nucleico. Cada
capsídeo é composto de subunidades proteicas, denominadas capsômeros (TORTORA; FUNKE;
CASE, 2017).

3.3 Envelope

Em alguns vírus, o capsídeo é envolto por um envelope, que geralmente consiste em uma
combinação de lipídeos, proteínas e carboidratos (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). O envelope
viral é adquirido à medida que o vírus deixa a célula, em um processo denominado
“brotamento” (LEVINSON, 2016).

23
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

Em geral, a presença de um envelope confere instabilidade ao vírus. Aqueles envelopados


são mais sensíveis ao calor, ao dessecamento, a detergentes, e a solventes lipídicos, como álcool
e éter, quando comparados aos vírus não envelopados (nucleocapsídeo), que são compostos
somente por ácido nucleico e proteínas do capsídeo, ressalta Levinson (2016). Os vírus cujos
capsídeos não são envoltos por um envelope são conhecidos como vírus não envelopados.
Nesse caso, o capsídeo protege o ácido nucleico viral do ataque das nucleases presentes nos
fluidos biológicos e promove a ligação da partícula às células suscetíveis (TORTORA; FUNKE;
CASE, 2017).
Dependendo do vírus, os envelopes podem ou não apresentar espículas, constituídas por
complexos carboidrato-proteína que se projetam da superfície do envelope. Alguns vírus se
ligam à superfície da célula hospedeira através das espículas, que são características tão
marcantes que podem ser utilizadas para a identificação (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Na
figura 1, é ilustrada a comparação entre vírus envelopado e vírus nu (sem envelope).

Figura 1. Comparação entre partículas virais nuas e envelopadas


(Fonte: MADIGAN et al, 2016).

3.4 Morfologia geral

A estrutura composta pelo ácido nucleico e pelas proteínas do capsídeo é denominada


nucleocapsídeo. O arranjo dos capsômeros confere à estrutura viral sua simetria geométrica
(LEVINSON, 2016). Os vírus podem ser classificados em vários tipos morfológicos diferentes,
com base na arquitetura do capsídeo (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

24
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

A figura 2 evidencia as diferentes morfologias dos vírus.

Figura 2. Diversidade de formas e tamanhos dos vírus (Fonte: LEVINSON, 2016).

Vírus helicoidais

Os vírus helicoidais assemelham-se a longos bastonetes que podem ser rígidos ou flexíveis.
O ácido nucleico viral é encontrado no interior de um capsídeo oco e cilíndrico que possui uma
estrutura helicoidal. Os vírus que causam raiva e a febre hemorrágica Ebola são helicoidais
(TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

25
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

Figura 3. Morfologia de um vírus helicoidal. (Fonte: TORTORA; FUNKE; CASE, 2017.)

Vírus poliédricos

Muitos vírus animais, vegetais e bacterianos são poliédricos, isto é, têm muitas faces. O
capsídeo da maioria dos vírus poliédricos tem a forma de um icosaedro, um poliedro regular
com 20 faces triangulares e 12 vértices (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017), de morfologia
ligeiramente esférica (MADIGAN et al. 2016). Os capsômeros de cada face formam um
triângulo equilátero (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

Figura 4. Morfologia de um vírus poliédrico não envelopado (Fonte: TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

26
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

Vírus envelopados

Como mencionado anteriormente, o capsídeo de alguns vírus é coberto por um envelope.


Os vírus envelopados são relativamente esféricos. Quando os vírus helicoidais e os poliédricos
são envoltos por um envelope são denominados vírus helicoidais envelopados ou vírus
poliédricos envelopados (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

Figura 5. Morfologia de um vírus helicoidal envelopado (Fonte: TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

Vírus complexos

Alguns vírus, particularmente os vírus


bacterianos, têm estruturas complicadas e são
chamados de vírus complexos. Um bacteriófago
é um exemplo de um vírus complexo. Alguns
bacteriófagos possuem capsídeos com estruturas
adicionais aderidas. Nesta figura, observe que o
capsídeo (cabeça) é poliédrico e a bainha da
cauda é helicoidal. A cabeça contém o genoma
viral (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

Figura 6. Morfologia de um vírus complexo


(Fonte:TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

27
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

3.5 Taxonomia dos vírus

As novas e rápidas técnicas de sequenciamento de DNA permitiram que o Comitê


Internacional de Taxonomia Viral começasse a agrupar os vírus em famílias com base em seu
genoma e estrutura. O sufixo -virus é usado para os gêneros, ao passo que as famílias de vírus
recebem o sufixo -viridae, e as ordens, o sufixo –ales (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Madigan et
al. (2016), em conformidade com Santos, Romanos e Wigg (2015) citam que os membros de
uma mesma família de vírus apresentam morfologia de vírion, estrutura genética e
estratégia de replicação similares.
No uso formal, os nomes das famílias e dos gêneros são usados da seguinte maneira:
família Herpesviridae, gênero Simplexvirus, Human herpesvirus 2. Diferentemente da taxonomia
de outros organismos, que usa o latim e o grego como base, a nomenclatura viral utiliza a língua
inglesa como base. Portanto, o nome científico do herpes-vírus humano do tipo 2 é Human
herpesvirus 2 (em itálico, como na taxonomia de outros organismos) (TORTORA; FUNKE; CASE,
2017).

4. MULTIPLICAÇÃO VIRAL

Os vírus animais diferem dos fagos no seu mecanismo de penetração na célula hospedeira.
Além disso, uma vez dentro da célula, a síntese e a montagem de novos componentes virais são
ligeiramente diferentes, em parte devido às diferenças entre as células procarióticas e
eucarióticas. Os vírus animais têm determinados tipos de enzimas não encontrados nos fagos.
Finalmente, os vírus animais e os fagos diferem quanto aos mecanismos de maturação e
liberação, e quanto aos efeitos de sua multiplicação na célula hospedeira (TORTORA; FUNKE;
CASE, 2017). Vamos iniciar o estudo a partir da multiplicação de vírus animais e, posteriormente,
abordaremos o ciclo lítico e lisogênico dos bacteriógafos.

4.1 Multiplicação de vírus animais

4.1.1 Ligação ou adsorção

A base mais comum para a especificidade de um vírus em relação ao hospedeiro depende


da ligação entre eles. O próprio vírion (nu ou envelopado) possui uma ou mais proteínas
externas que interagem com componentes específicos da superfície celular, denominados
receptores. Esses receptores são componentes superficiais normais da célula hospedeira, como
proteínas, carboidratos, glicoproteínas, lipídeos, lipoproteínas ou complexos desses, aos quais
os vírions se ligam (MADIGAN et al. 2016).

28
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

4.1.2 Penetração e desnudamento

Alguns vírus envelopados de animais são desnudados na membrana citoplasmática,


liberando o conteúdo do vírion no citoplasma. No entanto, no caso de vírus nus de animais e
muitos vírus envelopados de animais, o vírion inteiro penetra na célula por endocitose. Em tais
casos, o vírus deve ser desnudado no interior da célula hospedeira, de forma que o genoma seja
exposto e a replicação possa ser realizada (MADIGAN et al. 2016).
Os vírus envelopados podem penetrar por um processo alternativo, chamado de fusão, no
qual o envelope viral se funde à membrana plasmática e libera o capsídeo, ocorrendo o
desnudamento no citoplasma da célula, mencionam Tortora, Funke e Case (2017) em
concordância com Madigan et al. (2016).

4.1.3 A biossíntese dos vírus de DNA

Em geral, os vírus de DNA replicam seu genoma no núcleo da célula hospedeira, usando
enzimas virais, e sintetizam as proteínas do capsídeo e outras proteínas no citoplasma, usando
enzimas do hospedeiro. As proteínas migram, então, para o núcleo e são reunidas ao DNA
recém-sintetizado para formar os novos vírions. Os vírions são transportados pelo retículo
endoplasmático para a membrana da célula hospedeira e são liberados (TORTORA; FUNKE;
CASE, 2017).

4.1.4 A biossíntese dos vírus de RNA

Os vírus de RNA multiplicam-se essencialmente da mesma forma que os vírus de DNA, com
exceção de que os vírus de RNA se multiplicam no citoplasma da célula hospedeira. Diversos
mecanismos distintos de produção de mRNA são observados entre os diferentes grupos de
vírus de RNA. As principais diferenças entre os processos de multiplicação residem na forma
como o mRNA e o RNA viral são produzidos (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Estes vírus têm uma RNA-polimerase dependente de RNA. Essa enzima não é codificada em
nenhum genoma celular. Os genes virais induzem a produção dessa enzima pela célula
hospedeira. Essa enzima catalisa a síntese de outra fita de RNA, complementar à sequência de
bases da fita infecciosa original. Assim que o RNA e as proteínas virais são sintetizados, ocorre a
maturação (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

29
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

4.1.5 Maturação e liberação

A montagem do capsídeo proteico constitui


o primeiro passo no processo de maturação
viral. Essa montagem, em geral, é um processo
espontâneo. As proteínas do envelope são
codificadas por genes virais e são incorporadas
à membrana plasmática da célula hospedeira.
Os lipídeos e os carboidratos são sintetizados
pelas células e estão presentes na membrana
plasmática. Quando o vírus deixa a célula por
um processo denominado brotamento, o
capsídeo viral adquire o envelope (TORTORA;
FUNKE; CASE, 2017). Nas figuras 7 e 8, é Figura 7. Liberação dos vírus pelo processo
possível observar o processo de brotamento e de brotamento (Fonte: LEVINSON, 2016).
formação do envelope viral.

Após a sequência de adsorção, penetração,


desnudamento e biossíntese do ácido nucleico e
proteínas virais, o capsídeo montado, contendo o
ácido nucleico, brota, empurrando a membrana
plasmática da célula hospedeira. Como resultado,
uma parte da membrana, que agora é o envelope,
adere-se ao vírus. Essa extrusão do vírus de uma
célula hospedeira é um dos métodos de
liberação. O brotamento não mata a célula
hospedeira imediatamente e, em alguns casos, a
célula sobrevive (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Tortora, Funke e Case (2017) afirmam que os
vírus não envelopados são liberados através de
rupturas na membrana plasmática da célula
hospedeira e, ao contrário do brotamento, esse
tipo de liberação geralmente resultará na morte
da célula hospedeira.

Figura 8. Brotamento de um vírus


envelopado (Fonte: TORTORA; FUNKE;
CASE, 2017).

30
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

4.2 Multiplicação de vírus bacteriófagos: O ciclo lítico e o ciclo lisogênico.

Os bacteriófagos podem multiplicar-se por dois mecanismos alternativos: o ciclo lítico e o


ciclo lisogênico. O ciclo lítico termina com a lise e morte da célula hospedeira, ao passo que no
ciclo lisogênico a célula hospedeira permanece viva (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
A figura 9 esquematiza as etapas do ciclo lítico.

Figura 9. O ciclo lítico de um bacteriófago T-par (Fonte: TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

31
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

Alguns vírus não causam a lise e a morte da célula hospedeira quando se multiplicam. Esses
fagos lisogênicos (também denominados fagos temperados) podem induzir um ciclo lítico, mas
também são capazes de incorporar seu DNA ao DNA da célula hospedeira para iniciar um ciclo
lisogênico. Na lisogenia, o fago permanece latente (inativo). As células bacterianas hospedeiras
são conhecidas como células lisogênicas (TORTORA; FUNKE; CASE, 2017). Observe, na figura 10,
as principais diferenças entre o ciclo lítico e o ciclo lisogênico.

Figura 10. O ciclo lítico e lisogênico do bacteriófago lambda em [Link]


(Fonte: TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

A tabela 1 faz a comparação entre a multiplicação de vírus animais e bacteriófagos, destacando


as principais diferenças existentes.

Tabela 1. Comparação entre a multiplicação viral dos bacteriófagos e dos vírus animais
(Fonte:TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).

32
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

5. PRINCIPAIS VÍRUS DE DNA

5.1 Papilomavírus

Esses vírus assemelham-se aos poliomavírus em alguns aspectos, mas possuem genoma e
tamanho grandes. Existem muitos genótipos de papilomavírus humanos, também conhecidos
como vírus das "verrugas"; certos tipos são agentes causadores de cânceres genitais em seres
humanos (BROOKS et al., 2014).

5.2 Adenovírus

Vírus de tamanho médio (70 a 90 nm), sem envelope, que exibem simetria cúbica. O
genoma consiste em DNA de fita dupla linear. Pelo menos 51 tipos de adenovírus infectam os
seres humanos, particularmente as mucosas. Certos adenovírus provocam doenças
respiratórias agudas, conjuntivite e gastroenterite (BROOKS et al., 2014).

5.3 Hepadnavírus

São vírus pequenos (40 a 48 nm) que contêm moléculas de DNA de fita dupla circular. O
vírus consiste em um cerne de nucleocapsídeo icosaédrico em um envelope estreitamente
aderente que contém lipídeos. Os hepadnavírus causam hepatites aguda e crônica; as infecções
persistentes estão associadas ao elevado risco de desenvolvimento de câncer hepático, nos
casos de hepatite B (BROOKS et al., 2014).

5.4 Herpes-vírus

Trata-se de uma grande família de vírus com diâmetro de 150 a 200 nm. Nucleocapsídeo
com simetria cúbica, sendo circundado por um envelope que contém lipídeo. O genoma
consiste em DNA de fita dupla linear. Os herpes-vírus humanos abrangem os herpes-vírus
simples tipos 1 e 2 (lesões orais e genitais), vírus varicela-zóster (herpes-zóster e varicela),
citomegalovírus, vírus Epstein-Barr (mononucleose infecciosa e associação com neoplasias
humanas), bem como os herpes-vírus humanos 6 e 7 (linfotrópico T), além do herpes-vírus
humano 8 (associado ao sarcoma de Kaposi) (BROOKS et al., 2014).

5.5 Poxvírus

Grandes vírus ovóides ou em forma de tijolo, de 220 a 450 nm de comprimento.


A estrutura das partículas é complexa, com um envelope contendo lipídeo, e o genoma
consiste em DNA de fita dupla linear. Alguns são patogênicos para os seres humanos (varíola,
vacínia)(BROOKS et al., 2014).

33
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

6. PRINCIPAIS VÍRUS DE RNA

6.1 Picornavírus

Pequenos vírus (28 a 30 nm), resistentes ao éter, que exibem simetria cúbica. O genoma de
RNA é de fita simples. Os grupos que infectam os seres humanos são os enterovírus (poliovírus,
vírus Coxackie, vírus Echo e o rinovírus [com mais de 100 sorotipos que causam o resfriado
comum]) e os hepatovírus (vírus da hepatite A) (BROOKS et al., 2014).

6.2 Herpes-vírus

As partículas são pequenas (27 a 34 mm) e resistentes ao éter. O genoma é de fita simples,
formado por RNA. O vírus da hepatite E humana pertence a este grupo (BROOKS et al., 2014).

6.3 Arbovírus e os vírus transmitidos por roedores

Os arbovírus apresentam um complexo ciclo que envolve artrópodes como vetores, os


quais transmitem os vírus a hospedeiros vertebrados através de picada. Os arbovírus infectam
seres humanos, mamíferos, aves e cobras, utilizando mosquitos e carrapatos como vetores. Os
patógenos humanos incluem os vírus da dengue, da febre amarela, da encefalite e o vírus do
Oeste do Nilo. Já os vírus transmitidos por roedores provocam infecções persistentes em
roedores e não são transmitidos por artrópodes. As doenças humanas incluem as infecções por
hantavírus e a febre de Lassa (BROOKS et al., 2014).

6.4 Retrovírus

Vírus com envelope e esféricos (80 a 110 nm de diâmetro) cujo genoma contém duas cópias
de RNA de fita simples linear. As partículas virais contêm um nucleocapsídeo helicoidal dentro
de um capsídeo icosaédrico. Os vírus da leucemia e do sarcoma de animais e seres humanos
estão incluídos nesse grupo. Os retrovírus causam a síndrome da imunodeficiência adquirida
(AIDS) (BROOKS et al., 2014).

6.5 Coronavírus

Brooks et al. (2014), em conformidade com Rabaan et al. (2020), citam que os coronavírus
se caracterizam como partículas com envelope externo de 120 a 160 nm, contendo um
genoma não segmentado de RNA de fita simples e positiva, possuindo os maiores genomas de
RNA (27 a 32 kb) entre os vírus de RNA. O envelope viral é derivado da célula hospedeira e
tem picos de glicoproteína.

34
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

O nucleocapsídeo é helicoidal, com 9 a 11 nm de diâmetro. Exibem projeções superficiais


em forma de pétalas dispostas em uma franja que lembra uma coroa solar. Os nucleocapsídeos
dos coronavírus desenvolvem-se no citoplasma e amadurecem por brotamento em vesículas
citoplasmáticas. Esses vírus possuem uma estreita variedade de hospedeiros (BROOKS et al.,
2014).
Das seis espécies de coronavírus anteriormente conhecidas por causar doenças humanas,
quatro geralmente causam sintomas de resfriado comum e duas, SARS-CoV e síndrome
respiratória coronavírus do Oriente Médio (MERS-CoV), podem causar doenças respiratórias
fatais (PEDERSEN; HO, 2020).
O SARS-CoV-2 é um β-coronavírus recém-identificado que causou uma pandemia de
síndrome respiratória aguda em humanos, iniciada em dezembro de 2019, no contexto de um
mercado de frutos do mar em Wuhan, China. Posteriormente, em fevereiro de 2020, a
Organização Mundial da Saúde (OMS) chamou a doença de COVID-19 (co)rona (vi)rus (d)isease
(LAUXMANN; SANTUCCI; AUTRÁN-GÓMEZ, 2020).

[Link]
fielmente-precisa-do-virus-sars-cov-2/

[Link]

35
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

7. PRINCIPAIS VIROSES

7.1 AIDS

A AIDS é uma doença causada por retrovírus da família Lentiviridae (HIV-1 e HIV-2), que
evolui para uma grave disfunção do sistema imunológico à medida que vão sendo destruídos os
linfócitos T CD4+, uma das principais células-alvo do vírus. É transmitida por via sexual (esperma
e secreção vaginal); pelo sangue (via parenteral e vertical); e pelo leite materno, elucida Brasil
(2010).

7.2 COVID-19

Os coronavírus podem causar, principalmente, infecções do trato respiratório em humanos


(CHEN et al., 200). O SARS-CoV-2, pertencente à família Coronaviridae, é um vírus altamente
infeccioso, que pode sobreviver no ar por, aproximadamente, 2 horas. As gotículas respiratórias
são consideradas como a rota primária de transmissão, e o tempo de incubação, conforme os
estudos, é de cerca de 4 a 8 dias em média, após a infecção, conforme citam Chen et al. (2020),
Huang et al. (2020), Rabaan et al. (2020).

7.3 Dengue

Doença infecciosa febril aguda, que pode ser de curso benigno ou grave, dependendo da
forma como se apresente, sendo que os vetores são mosquitos do gênero Aedes. O vírus da
Dengue é Arbovírus do gênero Flavivirus, pertencente à família Flaviviridae, descreve Brasil
(2010).

7.4 Hepatites

Brasil (2010) descreve-a como doença viral com infecções assintomáticas ou sintomáticas
(até formas fulminantes, raras). As Hepatites sintomáticas são caracterizadas por mal-estar,
cefaleia, febre baixa, anorexia, fadiga, náuseas, vômitos e desconforto no hipocôndrio direito,
sendo que a icterícia é encontrada entre 18% e 26% dos casos de Hepatite Aguda. Está
relacionado ao vírus da Hepatite A (família Picornaviridae), B (família Hepadnaviridae), C (família
Flaviviridae), D (família Deltaviridae) e E (família Caliciviridae).

7.5 Herpes

É uma virose transmitida, predominantemente, pelo contato sexual. A transmissão pode se


dar, também, pelo contato direto com lesões ou objetos contaminados. Caracteriza-se pelo
aparecimento de lesões vesiculosas que se transformam em pequenas úlceras, precedidas de
sintomas de ardência, prurido e dor. É causada por Herpes Simplex Virus (HSV), tipos 1 e 2,
pertencem à família Herpesviridae (BRASIL, 2010).

36
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

7.6 Influenza

Conforme Brasil (2010), Influenza ou gripe é uma infecção viral aguda do trato respiratório.
Apresenta-se com início abrupto com febre, mialgia e tosse seca. Está relacionada ao vírus
Influenza, da família Orthomyxoviridae. A transmissão é direta, por meio de gotículas expelidas
pelo indivíduo infectado, ou de modo indireto, por meio do contato com as secreções do
doente.

7.7 Papiloma Vírus Humano (HPV)

Doença viral que, com maior frequência, manifesta-se como infecção subclínica nos genitais
de homens e mulheres. As lesões podem ser múltiplas, localizadas ou difusas, e de tamanho
variável. Está relacionado ao Papilomavírus humano (HPV), da família do Papovavirus (BRASIL,
2010).

37
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL
Capítulo 2: Organizando conceitos

Acelulares Material genético composto


por DNA ou RNA
Os vírus não são
constituídos por Contém um único tipo de
células. ácido nucleico, DNA ou RNA.

Não possuem Morfologia diversificada


metabolismo próprio Os vírus podem ser
classificados em vários
Os vírus têm poucas ou mesmo
tipos morfológicos
nenhuma enzima própria para seu
diferentes, com base na
metabolismo. Por isso controlam a
arquitetura do capsídeo.
maquinaria metabólica da célula Parasitas celulares
hospedeira.
obrigatórios
Necessariamente precisam de células
hospedeiras vivas para a sua multiplicação.

Fonte: Autoria própria.

38
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL
Capítulo 2: Organizando conceitos

Ácido Nucleico
Os vírus podem possuir tanto DNA como RNA, mas
nunca ambos. O ácido nucleico pode ser de fita
simples ou dupla. Assim, existem vírus que
apresentam o familiar DNA de dupla-fita, DNA de
fita simples, RNA de dupla-fita e RNA de fita
simples.
Vírus helicoidal

Vírus envelopado
Capsídeo
O ácido nucleico de um vírus é protegido por um
(TORTORA; FUNKE; CASE, 2017) revestimento proteico, chamado de capsídeo. Os
vírus podem ser classificados em vários tipos
morfológicos diferentes, com base na arquitetura do
capsídeo.
(MADIGAN et al, 2016)

Vírus poliédrico
Vírus complexo

Nucleocapsídeo
A estrutura composta pelo ácido nucleico e pelas
(TORTORA; FUNKE; CASE, 2017) proteínas do capsídeo é denominada
nucleocapsídeo.

(TORTORA; FUNKE; CASE, 2017)

39
CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL
Capítulo 2: Organizando conceitos

Bacteriófagos Vírus Animais


Os bacteriófagos podem multiplicar-se
por dois mecanismos alternativos: o ciclo A replicação dos vírus animais geralmente
lítico e o ciclo lisogênico. consiste nas seguintes etapas:

O ciclo lítico termina com a lise e morte da


célula hospedeira, ao passo que no ciclo 1 adsorção
lisogênico a célula hospedeira permanece
2 penetração
viva. 3 desnudamento
4 biossíntese de ácido nucleico e proteínas
5 maturação e liberação.

O conhecimento acerca das fases da


replicação viral é importante para
estratégias de desenvolvimento de
fármacos e para a compreensão da
patologia das doenças.

O ciclo lítico e lisogênico do bacteriófago lambda em [Link]


(Fonte: TORTORA; FUNKE; CASE, 2017).
Fonte: Autoria própria.

40
DICAS DE LEITURA
Acesse esses livros em "Minha Biblioteca"
do Centro Universitário São Camilo e
estude mais sobre o assunto!

Livro: TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L.


Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: Artmed,2017.
(Recurso Online – Biblioteca São Camilo)

Capítulo: 13

Páginas: 359 - 388

Livro: MADIGAN, Michael T. et al. Microbiologia de Brock. 14.


ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. (Recurso Online –
Biblioteca São Camilo)

Capítulo: 10

Páginas: 252 - 277


DICAS DE LEITURA
Acesse esses livros em "Minha Biblioteca"
do Centro Universitário São Camilo e
estude mais sobre o assunto!

Livro: LEVINSON, Warren. Microbiologia médica e


imunologia. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016. (Recurso
Online – Biblioteca São Camilo)

Páginas: 198 - 231

Livro: BROOKS, Geo F. et al. Microbiologia médica de Jawetz,


Melnick e Adelberg. 26. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.
(Recurso Online – Biblioteca São Camilo)

Capítulos: 29 e 30

Páginas: 408 - 430/ 431 - 450


CAPÍTULO 2 Microbiologia em E-book

DICAS DE AULAS
Em plataformas de universidades públicas Y!
LA
DÁ UM P

USP
CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS
VÍRUS (VIDEOAULA: USP)

[Link]
idItem=14239

USP
CORONAVÍRUS E OS ALIMENTOS
(VÍDEO INFORMATIVO: USP)

[Link]
videos/pos-no-combate-ao-covid-19/185-
coronavirus-e-os-alimentos

Fonte: Canva (Imagem de uso livre).

d a aula
e o link
ie e col
e g a dor!
Cop v
se u na
no

43
QUESTÕES
Capítulo 2: Para treinar e fixar o conteúdo!

1. O processo de multiplicação viral pode ser dividido em cinco principais etapas. Descreva os
eventos associados a cada uma dessas etapas.

2. De que maneira os genomas virais se diferenciam daqueles das células procarióticas e


eucarióticas?

3. Qual é a importância de um capsídeo para um vírus?

4. Por que determinados vírus devem ser desnudados logo após a penetração na célula
hospedeira, enquanto outros não necessitam passar por esse processo?

5. (LEVINSON, 2016) - Cada uma das afirmações a seguir, referentes aos vírus, está correta, à
EXCEÇÃO de:

(A) Os vírus podem reproduzir-se apenas no interior de células.


(B) As proteínas de superfície do vírus medeiam a entrada deste nas células hospedeiras.
(C) O anticorpo neutralizante é dirigido contra as proteínas de superfície do vírus.
(D) Os vírus replicam-se por fissão binária.

6. (LEVINSON, 2016) - Os vírus são parasitas intracelulares obrigatórios. Cada uma das
afirmações a seguir, referentes a este fato, está correta, à EXCEÇÃO de:

(A) Os vírus não são capazes de gerar energia fora das células.
(B) Os vírus não são capazes de sintetizar proteínas fora das células.
(C) Os vírus devem degradar o DNA da célula hospedeira a fim de obterem nucleotídeos.
(D) Vírus envelopados requerem membranas de células hospedeiras a fim de obterem seus
envelopes.

44
QUESTÕES
Capítulo 2: Para treinar e fixar o conteúdo!

7. (BROOKS et al., 2014) - Qual das seguintes afirmativas sobre a morfologia viral é verdadeira?

(A) Todos os vírus de RNA têm forma esférica.


(B) Alguns vírus contêm flagelos.
(C) Alguns vírus com genoma DNA contêm um núcleo primitivo.
(D) As proteínas de superfície virais protegem o genoma viral das endonucleases.
(E) Os nucleocapsídeos helicoidais são encontrados em vírus de DNA de fita simples.

8. (BROOKS et al., 2014) - Os arbovírus são classificados em diferentes famílias virais baseados
na seguinte característica:

(A) Se replicam somente em seres humanos.


(B) Contêm DNA e RNA.
(C) São transmitidos por vetores.
(D) Causam febre hemorrágica.
(E) Causam encefalites .

RESPOST
AS:
5. D
6. C
7. D
8. C

45
Curiosidades
SAIBA MAIS!

Você sabia que existem vírus capazes de lisar células cancerosas?

Os vírus oncolíticos infectam e lisam as células cancerosas. Descobertos no início da década


de 1900, quando os médicos observaram que havia uma regressão dos tumores em pacientes
que apresentavam infecções virais simultâneas, os vírus oncolíticos incluem os adenovírus, o
vírus vaccínia e os Simplexvirus (TORTOTA; FUNKE; CASE, 2017).

Aprovado em 2015 pelo FDA, órgão americano responsável pelo controle de alimentos e
medicamentos, o talimogene laherparepvec (TVEC) é um vírus oncolítico, que pode ser usado
para tratar melanomas que não podem ser removidos cirurgicamente (FOOD AND DRUG
ADMINISTRATION, 2015; EUROPEAN MEDICINES AGENCY, 2016). Considerado um tipo de
terapia genética, é proveniente de um vírus herpes simplex de tipo 1 (HSV-1) atenuado,
conhecido como herpes labial, descrevem European Medicines Agency (2016) e Conry et
al. (2018).

É apresentado em solução injetável em duas dosagens diferentes. A segunda dose é


administrada três semanas após a primeira dose e o tratamento é continuado a cada duas
semanas durante o mínimo de seis meses (EUROPEAN MEDICINES AGENCY, 2016).

46
REFERÊNCIAS do Capítulo

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância


Epidemiológica. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de bolso. 8. ed. Brasília: Ministério
da Saúde, 2010.
BROOKS, Geo F. et al. Microbiologia médica de Jawetz, Melnick e Adelberg. 26. ed. Porto
Alegre: AMGH, 2014.
CHEN, Nanshan et al. Epidemiological and clinical characteristics of 99 cases of 2019 novel
coronavirus pneumonia in Wuhan, China: a descriptive study. The Lancet. Volume 395, Issue
10223, 15–21 February 2020, Pages 507-513. Disponível em:
[Link] Acesso em: 28 out
2021.
CONRY, Robert M. et al. Talimogene laherparepvec: First in class oncolytic virotherapy.
Hum Vaccin Immunother. 2018; 14(4): 839–846.
EUROPEAN MEDICINES AGENCY. Science Medicines Health. Imlygic talimogene
laherparepvec. União Européia, 2016. Disponível em:
[Link]
Acesso em: 25 out 2021.
FOOD AND DRUG ADMINISTRATION. IMLYGIC (talimogene laherparepvec). Estados Unidos
da América, 2015. Disponível em: [Link] Acesso em: 25
out 2021.
HUANG, Chaolin et al. Clinical features of patients infected with 2019 novel coronavirus in
Wuhan, China. Lancet. 2020;395(10223):497-506. Disponível em:
[Link] Acesso em: 28 out
2021.
LAUXMANN, Martin Alexander; SANTUCCI, Natalia Estefanía; AUTRÁN-GÓMEZ, Ana María. The
SARS-CoV-2 Coronavirus and the COVID-19 Outbreak. International Braz J Urol 46. July, 2020.
Disponível em: [Link] Acesso
em: 29 out 2021.
LEVINSON, Warren. Microbiologia médica e imunologia. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016.
MADIGAN, Michael T. et al. Microbiologia de Brock. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.
PEDERSEN, Savannah F.; HO, Ya-Chi. SARS-CoV-2: a storm is raging. J Clin Invest.
2020;130(5):2202-2205. Disponível em: [Link] Acesso em:
28 out 2021.
RABAAN, Ali A. et al. SARS-CoV-2, SARS-CoV, and MERS-CoV: a comparative overview. Le Infezioni
in Medicina, n. 2, 174-184, 2020. Disponível em: [Link]
Acesso em: 28 out 2021
SANTOS, Norma Suely de Oliveira; ROMANOS, Maria Teresa Villela; WIGG, Marcia Dutra.
Virologia Humana. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2015.
TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L. Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre:
Artmed,2017.

47
3
CAPÍTU
LO

EM E-BOOK
MICROBIOLOGIA EM E-BOOK

CAPÍTULO 3
Bacteriologia

1. INTRODUÇÃO A BACTERIOLOGIA

De acordo com Tortora (2017), as bactérias são organismos unicelulares (compostos por
uma única célula), cujo material genético não possui uma membrana nuclear, sendo assim
chamados de procariotos.

Características importantes

Realizando-se uma comparação entre os diferentes tipos de microrganismos, o autor


Levinson (2014), enfatiza uma propriedade marcante, o fato de bactérias, fungos, protozoários e
helmintos serem celulares, ao passo que os vírus não são. Outras propriedades a serem
discutidas em relação às bactérias são:

Estrutura Celular

As bactérias (seres procariontes), não possuem um núcleo definido, como os eucariontes,


seu material genético corresponde a um cromossomo circular que contém o DNA, fica disperso
no citoplasma e é nesse mesmo local que as proteínas são sintetizadas para gerar energia para
a célula. Já os vírus por exemplo, apresentam um “cerne”, que contém o material genético (RNA
ou DNA), porém como não possuem estrutura celular, consequentemente não apresentam o
citoplasma, sendo assim estes serem dependem das células hospedeiras de outros organismos
para realizar a síntese proteica para a geração de energia (LEVINSON, 2014).

Mecanismo de Replicação

As células procarióticas realizam sua reprodução através da fissão binária, as células


eucarióticas dos protozoários, geralmente replicam-se por um processo assexuado semelhante
à mitose. Por outro lado, os vírus se “desintegram” e produzem várias cópias de seu ácido
nucleico usando a maquinária metabólica da célula hospedeira (LEVINSON, 2014).

50
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

Outras características gerais das bactérias, seriam a apresentação de sua parede celular,
estes organismos apresentam uma parede celular rígida que contém ”peptideoglicano” (PPG),
um polímero de aminoácido e açúcares complexos, um componente estrutural exclusivo desses
microrganismos (LEVINSON, 2014).

A seguir encontraremos duas tabelas que melhor evidenciam as principais características e as


diferenças estruturais de cada microrganismo.

Tabela 1. Comparação entre organismos de importância médica (Fonte: LEVINSON, 2014).

Tabela 2. Principais diferenças entre as células procarióticas e eucarióticas


(Fonte: LEVINSON, 2014).

51
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

Logo abaixo podemos analisar as diferenças, ilustradas com maiores detalhes, entre
as células procariontes e eucariontes:

Figura 1. Estrutura Celular Procarioto e Eucarioto (Fonte: MURRAY, 2014).

2. MORFOLOGIA E ARRANJO BACTERIANO

As bactérias podem se diferenciar entre si, por muitos fatores, como por exemplo sua
morfologia (formato), composição química, tipo de nutrição, fontes de energia, atividades
bioquímicas entre outros (TORTORA, 2017).

Com relação ao tamanho das bactérias, Molinaro (2009) relata que:


O tamanho das bactérias é da ordem de milésimos de milímetro, ou seja, micrômetros
(µm), podendo, no entanto, serem observadas em microscopia óptica.

Ainda, segundo o mesmo autor, as bactérias podem se apresentar em três tipos


morfológicos fundamentais.

• 1. Bastonetes ou bacilos: os bastonetes possuem formas alongadas, com extremidade reta


ou de ponta arredondada, ou ainda curvos, em forma de vírgula.

• 2. Espirilos: os espirilos possuem forma encurvada.

• 3. Cocos: possuem forma arredondada ou esférica.

52
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

Conforme Tortora (2017), os cocos podem, após se dividir, permanecerem parcialmente


ligados uns aos outros, sendo assim possuem outras classificações, denominados de arranjos,
descritas a seguir:

• Diplococo: Quando os cocos se dividem e permanecem em pares;


• Estreptococos: Quando os cocos se dividem e permanecem em cadeias lineares;
• Tétrades: Quando os cocos se dividem em dois planos e permanecem em grupos de quatro;
• Sarcina: Quando os cocos se dividem em três planos e permanecem ligados uns aos outros
em grupos de oito, em forma de cubo;
• Estafilococos: Quando os cocos se dividem em múltiplos planos e formam agrupamentos em
formato de cacho de uva ou lâminas amplas.

Muitas vezes, essas características do grupo são úteis na identificação de certos cocos.
Com relação ao grupo dos bacilos, estes, podem se dividir somente ao longo de seu eixo;
portanto, existe um menor número de agrupamentos de bacilos que o grupo de cocos
(TORTORA, 2017).
Conforme o mesmo autor, a maioria dos bacilos se apresenta como bastonetes simples,
chamados de bacilo único, simples ou isolado. Contudo ainda podem apresentar arranjos, tais
como os abaixo mencionados e ilustrados na figura 2.

Figura 2. Representação das diferentes formas e estruturas das bactérias.


(Fonte: TORTORA, 2002).

53
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

Os diplobacilos se apresentam em pares após


a divisão;
Os estreptobacilos aparecem em cadeias
lineares. Alguns bacilos possuem a aparência
de “canudinhos”;
Os cocobacilos são ovais e parecidos com os
cocos.
O mesmo autor ainda cita que, o nome “bacilo”
tem dois significados em microbiologia, podendo
se referir a morfologia bacteriana ou quando
escrito com a nomenclatura binominal (científica),
associando o gênero e a espécie em itálico, pode
referir-se a um gênero específico. Por exemplo, a
bactéria Bacillus anthracis (TORTORA, 2017).
Outras morfologias citadas pelo mesmo autor
são os:
Figura 3. Representação das diferentes formas
e estruturas das bactérias (Fonte: TORTORA,
2017).

Vibriões: Bactérias que se assemelham a bastões curvos ou vírgulas.


Espirilos: Possuem forma helicoidal, como um saca-rolha e corpo bastante rígido.
Espiroqueta: Possuem forma helicoidal e flexível. Ao contrário dos espirilos, que utilizam
um apêndice externo para se mover, as espiroquetas movem-se através de filamentos
axiais, os quais lembram um flagelo, mas estão contidos dentro de uma bainha externa
flexível (TORTORA, 2017). As formas supracitadas serão exemplificadas com mais detalhes
logo abaixo:

A forma de uma bactéria é determinada pela


hereditariedade. Geneticamente, a maioria das
bactérias é monomórfica; ou seja, mantém uma
forma única. No entanto, várias condições ambientais
podem alterar a sua forma. Se a forma é alterada, a
identificação torna-se difícil. Além disso, algumas
bactérias, como Rhizobium e Corynebacterium, são
geneticamente pleomórficas, ou seja, elas podem
apresentar muitas formas, não apenas uma única.
(TORTORA, 2017).

Figura 4. Representação das diferentes


formas e estruturas das bactérias(Fonte:
TORTORA, 2017).

54
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

3. ULTRAESTRUTURA DA CÉLULA BACTERIANA

Abordaremos inicialmente as estruturas e componentes externos à parede celular e, em


seguida, será explicado sobre a parede celular, sua composição e por fim, as estruturas internas
a ela (TORTORA, 20017).

Estruturas externas à parede celular

As estruturas externas à parede celular dos procariotos são: o glicocálice, a cápsula, os


flagelos, os filamentos axiais, as fímbrias e os pili (TORTORA, 2017).

Glicocálice

De acordo com Tortora (2017), muitas bactérias secretam na sua superfície uma substância
que compõe o glicocálice (que significa revestimento de açúcar) que envolvem as células.
O glicocálice bacteriano é um polímero viscoso e gelatinoso que está situado externamente
à parede celular e é composto por polissacarídeo, polipeptídeo ou ambos. Sua composição
química varia amplamente entre as espécies. Em grande parte, ele é produzido dentro da célula
e secretado para a superfície celular. Se a substância é organizada e está firmemente aderida à
parede celular, o glicocálice é descrito como cápsula (TORTORA, 2017). Uma das funções do
glicocálice é proteger a célula contra a desidratação, e sua viscosidade pode inibir o movimento
dos nutrientes para fora da célula, outras funções ligadas a essa estrutura serão explicadas a
seguir quando esta será descrita como cápsula (TORTORA, 2017).

Cápsula

A cápsula é uma camada gelatinosa que reveste toda a bactéria. É composta por
polissacarídeos, os açúcares que compõem os polissacarídeos variam de uma espécie
bacteriana para a outra e, frequentemente, determinam o tipo sorológico de uma espécie
(LEVINSON, 2014). De acordo com Levinson (2014), a cápsula é importante por quatro razões
principais:
(1) É um determinante da virulência de diversas bactérias, uma vez que limita a capacidade de
fagócitos engolfarem as bactérias. Cargas negativas no polissacarídeo capsular repelem a
membrana celular negativamente carregada do neutrófilo e evitam que ele engolfe a bactéria.
(2) A identificação específica de uma bactéria pode ser realizada pelo uso de um antissoro
contra o polissacarídeo capsular.
(3) Os polissacarídeos capsulares são utilizados como antígenos em determinadas vacinas, uma
vez que são capazes de induzir a formação de anticorpos protetores.
(4) A cápsula pode desempenhar um papel na adesão das bactérias aos tecidos humanos, que
consiste em uma etapa inicial importante da infecção.

55
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

Flagelos

Algumas células procarióticas possuem flagelos, que são longos apêndices filamentosos que
realizam a propulsão da bactéria (TORTORA, 2017).

Figura 5. Flagelo em uma bactéria (Fonte: TORTORA, 2017).

De acordo com o mesmo autor, ainda há algumas bactérias que não possuem
flagelos, estas, são chamadas de atríquias (sem projeções). Além disso, os flagelos
encontrados nas células procarióticas, ainda possuem uma classificação quanto a sua
distribuição sendo chamado de:

Peritríquios: Flagelos distribuídos ao longo de toda a célula.


Polares: Flagelos distribuídos em uma ou ambas as extremidades da célula.

No caso de flagelos polares, eles possuem uma subclassificação, sendo:


Monotríquios: Um único flagelo em um polo da célula;
Lofotríquios: Um tufo de flagelos saindo de um polo da célula;
Anfitríquios: Flagelos em ambos os polos da célula.

Com relação ao funcionamento da propulsão gerada pelo flagelo, esta estrutura


helicoidal semirrígida move a célula pela rotação do corpo basal, podendo funcionar no
sentido horário ou anti-horário em torno de seu eixo longo (TORTORA, 2017).

Quando comparado com os flagelos eucarióticos, estes realizam um movimento


ondulante, já o movimento de um flagelo procariótico é similar ao movimento da haste
de um motor elétrico. À medida que os flagelos giram, formam um feixe que empurra o
líquido circundante e propele a bactéria. (TORTORA, 2017).

56
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

A rotação flagelar depende da geração contínua de energia pela célula. As células


bacterianas podem alterar a velocidade e a direção de rotação dos flagelos; portanto, são
capazes de vários padrões de motilidade, a capacidade de um organismo de se mover por si
próprio (TORTORA, 2017).

Figura 6 - Propulsão gerada pelo flagelo – Movimento ondulante (Fonte: TORTORA, 2017).

Filamentos axiais

As espiroquetas são um grupo de bactérias exclusivas que possuem esta estrutura. Os


filamentos axiais ou endoflagelos, feixes de fibrilas que se originam nas extremidades das
células, sob uma bainha externa, e fazem uma espiral em torno da célula, possuem uma
estrutura similar à dos flagelos, cuja rotação dos filamentos produz um movimento da bainha
externa, que impulsiona as espiroquetas em um movimento espiral (TORTORA, 2017).
Esse tipo de movimento é semelhante ao modo como um saca-rolhas se move através da
rolha. Esse movimento tipo saca-rolhas provavelmente permite que bactérias, como o T.
pallidum, movam-se efetivamente pelos fluidos corporais (TORTORA, 2017).

Figura 7 - Filamento axial ( Fonte: TORTORA, 2017).

Fímbrias e pili

Em conformidade com Tortora (2017), a maioria das bactérias gram-negativas contém


apêndices semelhantes aos pelos, que são mais curtos, retos e finos. Essas estruturas, que
consistem em uma proteína, denominada pilina, distribuída de modo helicoidal em torno de um
eixo central, são divididas em dois tipos, fímbrias e pili, na qual possuem funções muito
diferentes.

57
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

Fímbrias: Podem ocorrer nos polos da célula bacteriana ou podem estar homogeneamente
distribuídas em toda a superfície da célula. Elas podem variar em número e possuem uma
tendência a se aderirem umas às outras e às superfícies. Por isso, elas estão envolvidas na
formação de biofilmes e outros agregados na superfície de líquidos, vidros e pedras. As fímbrias
também auxiliam na adesão da bactéria às superfícies epiteliais do corpo (TORTORA, 2017). A
seguir uma representação figurativa da fímbria de uma bactéria:

Figura 8 - Fímbrias de uma bactéria (Fonte: TORTORA, 2017).

Pili: Os pili (singular: pilus) normalmente são mais longos que as fímbrias, e há apenas um ou
dois por célula. Os pili estão envolvidos na motilidade celular e na transferência de DNA. Em
um tipo de motilidade, chamada de motilidade pulsante, onde faz contato com uma superfície
ou com outra célula e, então, se retrai (força de deslocamento) produzindo movimentos
curtos, abruptos e intermitentes. O outro tipo de motilidade associada aos pili é a motilidade
por deslizamento, a motilidade por deslizamento fornece uma maneira para os micróbios
viajarem nos ambientes com baixo conteúdo de água, como os biofilmes e o solo (TORTORA,
2017).
Uma das funções dos pili está na facilitação da transferência de DNA entre as bactérias,
em um processo chamado de conjugação. Esses pili são chamados de pili de conjugação
(sexuais), que serão explicados mais adiante (TORTORA, 2017).

Parede celular

Segundo o mesmo autor, a parede celular da célula bacteriana é uma estrutura complexa
e semirrígida que circunda a membrana plasmática (citoplasmática) e a protege, bem como ao
interior da célula, de alterações adversas no meio externo (TORTORA, 2017). A principal função
da parede celular é prevenir a ruptura das células bacterianas quando a pressão da água
dentro da célula é maior que fora dela. Ela também ajuda a manter a forma de uma bactéria e
serve como ponto de ancoragem para os flagelos. À medida que o volume de uma célula
bacteriana aumenta, sua membrana plasmática e parede celular se estendem, conforme
necessário (TORTORA, 2017).
A parede celular também pode contribuir para a capacidade de algumas espécies causarem
doenças como Pneumococcus, Staphylococcus, Enterococcus, entre outros.

58
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

Além disso, pode ser o local de ação de alguns antibióticos, como a penicilina. A
composição química da parede celular é usada para diferenciar os principais grupos de
bactérias (TORTORA, 2017).

Composição e características

A parede celular bacteriana é composta de uma rede macromolecular, denominada


peptideoglicano (também conhecida como mureína), que está presente isoladamente ou em
combinação com outras substâncias. O peptideoglicano consiste em um dissacarídeo repetitivo
ligado por polipeptídeos para formar uma rede que circunda e protege toda a célula (TORTORA,
2017).
Logo abaixo teremos um esquema representativo que demonstra estruturalmente a
diferença da parede celular de uma bactéria gram-positiva e gram-negativa:

Figura 9. Esquema da parede celular de bactérias gram-negativas e gram-positivas (Fonte: TORTORA, 2017) .

Parede celular e princípio da coloração de Gram

Figura 10. Método coloração de Gram (Fonte: TORTORA, 2017).

De acordo com Tortora (2017), a coloração de Gram foi desenvolvida em 1884 pelo
bacteriologista dinamarquês Hans Christian Gram. Ela é um dos procedimentos de coloração
mais úteis, pois classifica as bactérias em dois grandes grupos: gram-positivas e gram-negativas
como observado na figura anterior (figura 10).
59
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

Passo a passo da técnica de coloração de Gram


1. Um esfregaço fixado pelo calor é coberto com um corante básico púrpura, geralmente cristal
violeta. Uma vez que a coloração púrpura colore todas as células, ela é denominada coloração
primária.
2. Após um curto período de tempo, o corante púrpura é lavado, e o esfregaço é recoberto com
iodo, um mordente. Quando o iodo é lavado, ambas as bactérias gram-positivas e gram-
negativas aparecem em cor violeta-escura ou púrpura.
3. A seguir, a lâmina é lavada com álcool ou com uma solução de álcool-acetona. Essa solução é
um agente descorante, que remove a coloração púrpura das células de algumas espécies, mas
não de outras.
4. O álcool é lavado, e a lâmina é então corada com safranina, um corante básico vermelho. O
esfregaço é lavado novamente, seco com papel e examinado microscopicamente.

Entendendo o que ocorre na coloração de Gram


Segundo Tortora, o corante primário (cristal violeta), irá penetrar no citoplasma dos dois tipos
celulares, ou seja, células gram-positivas e gram-negativas, corando-as de púrpura. Em seguida,
o Iodo será aplicado (mordente – reagente usado para fixar os corantes nas fibras), e formará
cristais com o corante anterior que permanecerá sem sair pela parede celular, pois possuem
um tamanho grande para poderem escapar. Logo após, haverá uma aplicação de álcool, o qual,
irá desidratar o peptideoglicano (substância que compõe a parede celular) das células gram-
positivas para torná-las mais resistentes a perda do cristal violeta-iodo. Com relação as células
gram-negativas, estas, terão ações bem diferentes: o álcool que foi aplicado, irá dissolver a
membrana externa, deixando-as com pequenos buracos na fina camada de peptideoglicano e o
cristal formado (violeta-iodo), irá se difundir, tornando-as incolores após a lavagem do álcool. A
adição de safranina (contracorante) posteriormente, se torna essencial, pois deixará as células
das bactérias gram-negativas cor-de-rosa ou vermelhas, acompanhe o procedimento na figura
10 e o resultado da coloração na figura 11.

Figura 11 – Características comparativas entre bactérias gram-positivas e gram-negativas (Fonte:


LEVINSON, 2014).

60
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

Estruturas internas à parede celular

Membrana plasmática

A membrana plasmática dos procariotos é constituída principalmente por fosfolipídios e


proteínas, e está situada no interior da parede celular, revestindo o citoplasma da célula
bacteriana (TORTORA, 2017).

Figura 12. Estrutura da membrana plasmática de uma bactéria (Fonte: TORTORA, 2017).

Funções da membrana plasmática

A principal função desta estrutura está na seleção de entrada e saída de matérias da célula
procariótica, ou seja, ela atua como uma barreira e indica que determinadas moléculas e íons
consigam atravessar a membrana, a conhecida “permeabilidade seletiva” (TORTORA, 2017).

Citoplasma

Em conformidade com Tortora (2017), para uma célula procariótica, o citoplasma refere-se
à substância celular localizada no interior da membrana plasmática, sendo que sua composição
é formada por cerca de 80% de água, contendo, principalmente, proteínas (enzimas),
carboidratos, lipídeos, íons inorgânicos e muitos compostos de baixo peso molecular.
O citoplasma é espesso, aquoso, semitransparente e elástico. As principais estruturas do
citoplasma dos procariotos são: um nucleoide (contendo DNA), as partículas, denominadas
ribossomos, e os depósitos de reserva, denominados inclusões. O termo citoesqueleto é um
nome coletivo para uma série de fibras (pequenas vias e cilindros) no citoplasma (TORTORA,
2017). O citoesqueleto procariótico atua na divisão celular, mantendo a forma da célula, no
crescimento, na movimentação do DNA, no direcionamento de proteínas e no alinhamento de
estruturas internas (TORTORA, 2017).

61
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

Nucleoide

O nucleoide de uma célula bacteriana carrega toda a informação genética da célula, além
de informações necessárias para as estruturas e funções celulares. É composto por uma única
molécula longa e contínua de DNA de dupla-fita denominado cromossomo bacteriano, fixado à
membrana plasmática e ao contrário dos cromossomos de células eucarióticas, os procarióticos
não são circundados por um envelope nuclear (TORTORA, 2017).
O nucleoide pode ser esférico, alongado ou em forma de halteres. Em bactérias em
crescimento ativo, cerca de 20% do volume celular é preenchido pelo DNA, uma vez que essas
células pré-sintetizam o DNA para as células futuras (TORTORA, 2017).

Ribossomos

Os ribossomos possuem a função de sintetizar proteínas para a célula. A célula procariótica


possui uma alta taxa de síntese proteica o que confere ao citoplasma uma aparência granular
(TORTORA, 2017).

Plasmídeos

Plasmídeos são moléculas de DNA de fita dupla, circulares e extracromossomais, capazes


de replicar-se independentemente do cromossomo bacteriano. Embora sejam geralmente
extracromossomais, os plasmídeos podem integrar-se ao cromossomo bacteriano (LEVINSON,
2014).
De acordo com o mesmo autor, os plasmídeos estão presentes tanto em bactérias gram-
positivas quanto em gram-negativas, podendo haver vários tipos diferentes de plasmídeos em
uma mesma célula:

(1) Plasmídeos transmissíveis: podem ser transferidos de uma célula a outra por conjugação.
(2) Plasmídeos não transmissíveis: uma vez que não contêm genes de transferência,
frequentemente estão presentes em muitas cópias (10 a 60) por célula.

Endósporos

Os endósporos são estruturas bacterianas desidratadas, altamente duráveis com paredes


espessas, produzidas pelas próprias células com o objetivo de sobreviver a temperaturas
extremas, falta de água, exposição a muitas substâncias químicas tóxicas e radiação. Ela é
exclusiva das bactérias como os gêneros Bacillus e Clostridium e são produzidas como forma de
garantir a sobrevivência da bactéria quando os nutrientes essenciais se esgotam (TORTORA,
2017).
Na figura 13 teremos uma representação do passo a passo do processo de formação do
endósporo, conhecido como esporulação.

62
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

Figura 13. Processo de formação do endósporo (Fonte: LEVINSON, 2014).

4. GENÉTICA BACTERIANA (REPRODUÇÃO/CRESCIMENTO BACTERIANO E PRINCIPAIS


MÉTODOS DE RECOMBINAÇÃO)

4.1 Ciclo de crescimento bacteriano

De acordo com Levinson (2014), as bactérias reproduzem-se por fissão binária, durante
esse processo a célula parental divide-se, e origina duas células-filhas, sendo assim, realizam um
crescimento exponencial (crescimento logarítmico). O conceito de crescimento exponencial é
ilustrado logo abaixo:

O tempo de duplicação (geração) das bactérias varia de 20 minutos a mais de 18 horas. O


crescimento exponencial e o tempo curto de duplicação de alguns organismos resultam na
rápida geração de grande número de bactérias (LEVINSON, 2014).
O tempo de duplicação varia não somente em relação à espécie, mas também de acordo
com a quantidade de nutrientes, temperatura, pH e outros fatores ambientais (LEVINSON,
2014).
Ainda em conformidade com o mesmo autor, o ciclo de crescimento das bactérias em um
sistema fechado apresenta quatro fases principais, que serão explicadas a seguir:
(1) A primeira corresponde à fase lag, durante a qual ocorre intensa atividade metabólica;
contudo, as células não se dividem. Essa fase pode durar de alguns minutos a muitas horas.
(2) A fase log (logarítmica) é a fase em que se observa rápida divisão celular. Fármacos beta-
lactâmicos, como a penicilina, atuam durante essa fase, uma vez que os fármacos são eficazes
no período em que as células produzem peptideoglicano, isto é, quando estão em divisão. A
fase log também é conhecida como a fase exponencial.

63
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

(3) A fase estacionária ocorre quando a depleção de nutrientes ou os produtos tóxicos causam
uma diminuição no crescimento até que o número de células novas produzidas se equilibra
com o número de células que morrem, resultando em um estado de equilíbrio. Apenas as
células cultivadas em um aparato especial, denominado quimiostato, no qual nutrientes frescos
são adicionados continuamente, podem permanecer na fase log e não entram na fase
estacionária.
(4) A fase final corresponde à fase de morte, caracterizada por um declínio no número de
bactérias viáveis.

A seguir, representação gráfica do conteúdo descrito:

Figura 14 - Curva de crescimento bacteriano em sistema fechado.


Fase a: Lag; Fase b: log; Fase c: fase estacionária; Fase d: de morte ou declínio (Fonte:
LEVINSON, 2014).

4.2 Transferência de DNA entre as células bacterianas

Conforme Levinson (2014), as transferências de DNA realizadas pelas bactérias, podem


ocorrer de três maneiras principais: transformação, conjugação e transdução. Do ponto de vista
clínico, essas transferências de DNA ajudam as bactérias a resistirem aos diferentes tipos de
antibióticos (LEVINSON, 2014).

Transformação

A transformação acontece através da captação de moléculas de DNA dispersas no meio e


logo em seguida incorporadas à cromatina. Esse método ocorre através dos sítios de ligação de
DNA livres que se encontram na superfície da célula. Esse DNA pode ser proveniente, por
exemplo, de bactérias que sofreram citólise e serão chamadas de doadoras. A incorporação
desses trechos de DNA poderá ocorrer se houver homologia entre o DNA livre e o DNA da
receptora. Caso contrário esse DNA será degradado por nucleases. Os cientistas têm utilizado a
transformação como uma técnica de Engenharia Genética, para introduzir genes de diferentes
espécies em células bacterianas.

64
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

Conjugação em bactérias

Outro mecanismo pelo qual o material genético é transferido de uma bactéria para outra é
denominado conjugação. A conjugação é mediada por um tipo de plasmídeo, um fragmento
circular de DNA que se replica de modo independente do cromossomo da célula.
Entretanto, os plasmídeos diferem dos cromossomos bacterianos, pois os genes que eles
transportam, normalmente, não são essenciais para o crescimento da célula sob condições
normais (TORTORA, 2017).
Nesse processo, o pilus de conjugação de uma bactéria, chamada de célula F+ ou doadora,
conecta-se ao receptor na superfície de outra bactéria de sua própria espécie ou de espécies
diferentes. As duas células estabelecem contato físico, e o DNA da célula F é transferido para a
outra célula. O DNA compartilhado pode adicionar uma nova função à célula receptora, como a
resistência a um antibiótico ou a habilidade de degradar o seu meio com mais eficiência
(TORTORA, 2017).

DIFERENÇA ENTRE TRANSFORMAÇÃO E CONJUGAÇÃO

A conjugação requer o contato direto célula a célula;


As células em conjugação geralmente devem ser de tipos opostos de acasalamento;
Na conjugação as células doadoras devem transportar o plasmídeo, e as células receptoras,
normalmente, não.

Em bactérias gram-negativas, o plasmídeo transporta genes através de pili sexuais, já as


células bacterianas gram-positivas produzem moléculas aderentes de superfície que fazem as
células entrarem em contato direto umas com as outras (TORTORA, 2017).

Figura 15- Recombinação das células através do pilus sexual e ponte de


conjugação, respectivamente (Fonte: TORTORA, 2002).

65
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

Transdução

A transdução é um método na qual a bactéria realiza a transferência de DNA celular por


meio de um vírus bacteriano (bacteriófago). Esse processo pode transformar um organismo não
patogênico em patogênico (LEVINSON, 2014).
Durante o crescimento do vírus no interior da célula, uma porção do DNA bacteriano é
incorporada na partícula viral, sendo transferido para a célula receptora durante a infecção. No
interior da célula receptora, o DNA do fago pode integrar-se ao DNA celular e a célula pode
adquirir uma nova característica – processo denominado conversão lisogênica (LEVINSON,
2014).

FIGURA 16. Recombinação Genética Através do Método de Transdução .


(FONTE: SILVA, 2018).

66
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL
Capítulo 3: Organizando conceitos
Estrutura complexa e
semirrígida que circunda a Gram-negativo
Flagelos membrana plasmática e a
protege, bem como ao
Cápsula
Longos apêndices interior da célula de
filamentosos que alterações adversas do Camada gelatinosa que reveste
meio externo Gram-positivo toda a bactéria. É composta
realizam a propulsão
da bactéria por polissacarídeos e
determinam o tipo sorológico
Parede celular de uma espécie.

Pilina

Estruturas externas
Pili a parede da bacteria Filamentos axiais

Apêndices mais longos que as


fímbrias distribuídos em Feixes de fibrilas que se
menores unidades e sua função originam nas extremidades
está relacionada a motilidade das células, sob uma bainha
celular e transferência de DNA. externa e fazem uma espiral
Glicocálice em torno da célula, cuja a
rotação dos filamentos
produz um movimento
Fímbrias Polímero viscoso e espiral
gelatinoso que está situado
Apêndices semelhante aos pelos externamente à parede
mais curtos e finos que se localizam celular e é composto por
em toda área externa das bactérias, polissacarídeos e
estão envolvidos na formação de peptídeos, com a função de
biofilme e outros agregados nas proteger a célula contra a
superfícies desidratação

Fonte: Próprio autor.

Plasmídeo Nucleoide -
Possuem a função
de sintetizar Cromossomo
Moléculas de DNA de proteínas para a
fita dupla, circulares e célula Estrutura que carrega toda
extracromossomais, informação genética da célula,
capazes de replicar-se além de informações necessárias
independente do para as estruturas e funções
cromossomo celulares.
bacteriano. Ribossomos
- Não são circundados por
envelope nuclear

Citoplasma
Estruturas internas a
Substância celular localizada
parede da bacteria
no interior da membrana
plasmática, formado por água,
proteínas, carboidratos,
lipídeos, íons entre outros
Endósporo
Membrana
Citoesqueleto plasmática São células bacterianas
desidratadas, altamente
duráveis com paredes
Membrana situada no espessas, produzidas pelas
Série de fibras localizadas dentro interior da parede celular, próprias células com o
do citoplasma, atua na divisão constituída por fosfolipídeos objetivo de sobreviver a
celular, no crescimento, na e proteínas cuja função está temperaturas extremas,
movimentação do DNA, no na seleção de materiais da falta de água, exposição a
direcionamento de proteínas e célula (permeabilidade muitas substâncias
alinhamento das organelas seletiva) e revestimento químicas tóxicas e radiação.

Fonte: Próprio autor.

67
CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL
Capítulo 3: Organizando conceitos

Fonte: Próprio autor.

Link par
a melho
r visualiz
ação:
https://
[Link]
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76WfA
/edit

68
DICAS DE LEITURA
Acesse o livro "Microbiologia" em "Minha
Biblioteca" do Centro Universitário São
Camilo e estude mais sobre o assunto!

Livro: TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L.


Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: Artmed,2017.
(Recurso Online – Biblioteca São Camilo)

Capítulos: 3, 4 e 8.

Páginas: 62, 73,75,80, 85, 225


CAPÍTULO 3 Microbiologia em E-book

DICAS DE AULAS
Em plataformas de universidades públicas Y!
LA
DÁ UM P

LABXCHANGE
STRUCTURE AND REPLICATION OF
BACTERIAL CELLS

[Link]
v=njk8R77zUkM

d a aula
e o link
ie e col
e g a dor!
Cop v
se u na
no

70
QUESTÕES
Capítulo 3: Para treinar e fixar o conteúdo!

1. As bactérias, os fungos, os vírus e os protozoários são agentes importantes de


doenças humanas. Qual dos microrganismos a seguir, não possuem o DNA circundado
por uma membrana nuclear?
a) Leveduras
b) Protozoários
c) Bactérias
d) Bolores

2. Qual é o meio de reprodução que as células procarióticas realizam?


a) Fissão binária
b) Brotamento
c) Mitose
d) Meiose

3. No procedimento de coloração de Gram, as bactérias são expostas ao álcool 95%, ou a uma


solução acetona/álcool. A razão desse passo é:
a) Aderir as células à lâmina.
b) Reter a corante púrpura dentro de todos os tipos bacterias.
c) Causar o rompimento da membrana externa, permitindo que o corante púrpura seja
liberado das células.
d) Facilitar a entrada do corante púrpura dentro das células gram negativas
e) Formar um complexo com a solução de Iodo.

4. As bactérias realizam processos em que há recombinação gênica. O mais conhecido é aquele


em que há a formação de uma ponte citoplasmática e em que uma bactéria doadora fornece
material genético a outra. Esse processo é denominado corretamente de:
a) cissiparidade.
b) esporulação.
c) transdução.
d) conjugação.
e) transformação.

71
QUESTÕES
Capítulo 3: Para treinar e fixar o conteúdo!
5. O Vibrio cholerae, também chamado de vibrião colérico, é a bactéria causadora da cólera. O
termo vibrião indica uma classificação dessa bactéria com base no seu formato. Analise as
alternativas e marque aquela que indica o formato de um vibrião.
a) Formato esférico.
b) Formato oval.
c) Formato de vírgula.
d) Formato cilíndrico.
e) Formato espiral

6. O passo inicial para o início de infecção de muitas bactérias é a adesão às mucosas do


organismo. Um dos componentes bacterianos que pode mediar essa aderência está em qual das
alternativas abaixo?

a) Nucleoide
b) Plasmídeo
c) Peptideoglicano
d) Pilus
e) Lipídeo

7. A figura a seguir demonstra uma curva de crescimento bacteriano, dividida em fases: a,b,c,e d.
Qual a denominação da fase indicada pela letra B?

a) Fase log
b) Fase lag Respost
as:
c) Fase da morte 1- C
d) Fase estacionária 2- A
3- C
4- D
5- C
6- D
7- A

72
Curiosidades
SAIBA MAIS!

Staphylococcus aureus e a descoberta da penicilina

O oficial médico inglês, Alexander Fleming, voltou da Primeira Guerra Mundial com um
sonho: pesquisar uma forma de reduzir o sofrimento dos soldados que tinham suas feridas
infectadas, impondo dor e, por tantas vezes, um processo ainda mais acelerado em direção à
morte. De volta ao St. Mary´s Hospital, em Londres, em 1928, dedicou-se a estudar a bactéria
Staphylococcus aureus, responsável pelos abscessos em feridas abertas provocadas por armas
de fogo. Estudou tão intensamente que, um dia, exausto, resolveu se dar de presente alguns
dias de férias. Saiu, deixando os recipientes de vidro do laboratório, com as culturas da bactéria,
sem supervisão. Esse desleixo fez com que, ao retornar, encontrasse um dos vidros sem tampa
e com a cultura exposta e contaminada com o mofo da própria atmosfera. Estava prestes a
jogar todo o material fora quando, ao olhar no interior do vidro, percebeu que onde tinha se
formado bolor, não havia Staphylococcus em atividade.

Concluiu que o mofo, oriundo do fungo Penicillium, agia secretando uma substância que
destruía a bactéria. Ainda que, por acaso, estava descoberto o primeiro antibiótico natural – a
penicilina – que é para tantos cientistas uma das mais importantes descobertas da história
humana. Para eles, a medicina só se tornou ciência verdadeira a partir dos antibióticos. Antes
deles, era um bom exercício para o diagnóstico das enfermidades infecciosas. Quanto ao
tratamento e à cura, só a interpretação religiosa podia compreender ou ajudar. Com a
descoberta de Alexander Fleming, abriam-se as portas de um novo mundo, com o surgimento
de uma grande indústria que passou a se dedicar à produção de penicilina e outros antibióticos
responsáveis pela possibilidade de vida com qualidade para pessoas que sofriam de
tuberculose, pneumonia, meningite, sífilis, entre outras infecções.

73
REFERÊNCIAS
do Capítulo

LEVINSON, W. Microbiologia médica e imunologia. 12 ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.

Microbiologia médica - 6. ed. / 2009. MURRAY, Patrick R.; ROSENTHAL, Ken S.; PFALLER, Michael
A. Microbiologia medica.

MOLINARO, Etelcia Moraes; CAPUTO, Luzia Fátima Gonçalves; AMENDOEIRA, Maria Regina Reis
(Org). Conceitos e Métodos para a Formação de Profissionais em Laboratórios de Saúde, v. 4.
Rio de Janeiro: EPSJV, IOC, 2009.

Imagem: MURRAY, Patrick R.; ROSENTHAL, Ken S.; PFALLER, Michael A.. Microbiologia Médica. 8
ed. Rio De Janeiro: Editora Elsevier Ltda, 2014.

SILVA Inês. Transdução bacteriana. Disponível em:


<[Link] Acesso em 18 Set 2021

TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L. Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre:
Artmed, 2017. 935 p

74
4
CAPÍTU
LO

EM E-BOOK

NORMAL DO
CORPO HUMANO
MICROBIOLOGIA EM E-BOOK

CAPÍTULO 4
Microbiota normal do corpo humano

1. MICROBIOTA NORMAL

A microbiota humana, por definição é o conjunto de microrganismos que estabelecem


residência permanente ou não em um sítio anatômico específico do corpo humano, e essa
associação não causa nenhuma doença ou infecção ao homem em uma circunstância normal,
mas em caso de extravasamento desta microbiota para outro sítio anatômico estéril, pode se
tornar nociva à saúde (TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).
Assim, a microbiota normal pode ser dividida em permanente ou transitória. A microbiota
denominada como transitória compreende microrganismos que permanecem por pouco tempo
em determinada circunstância, sem colonização efetiva, elas estarão presente naquele local por
vários dias, semanas, ou meses, e depois desaparecem. Já microbiota residente, são micróbios
que colonizam o hospedeiro por tempo indeterminado, em condições de simbiose e situações
normais (TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).
Para termos a noção da importância dos micróbios e o quão presente eles estão no
organismo humano, um indivíduo tem em média 1 trilhão de células humanas e pode abrigar
por volta de 10 trilhões de células bacterianas, ou seja, uma quantidade de 10 vezes mais do
que as próprias células humanas (TORTORA, 2017).

2. LOCALIZAÇÃO DA MICROBIOTA

Nos seres humanos a microbiota se distribui entre as partes do corpo que se comunicam
com o meio externo, como por exemplo, a pele e as mucosas, como ilustrado na figura 1. A sua
colonização ocorre em diferentes fases da vida de forma heterogênea. O tipo de exposição e os
primeiros contatos do bebê com o mundo nos primeiros anos de vida são cruciais para
determinar quais microrganismos colonizarão seu corpo (TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).

77
CAPÍTULO 4 Microbiologia em E-book

Figura 1: Localização microbiota normal (Fonte: Verodika, 2022).

3. DIVERSIDADE DE MICRORGANISMOS DE ACORDO COM SUA LOCALIZAÇÃO CORPÓREA

Há uma grande variedade de micróbios em cada segmento corporal e cada qual tem sua
própria diversidade de espécies. Começando pela pele, ilustada na figura 2, se tem uma
microbiota residente bem estabelecida e mais concentrada na região das axilas e períneo. A
colonização de cada sítio anatômico da pele é condicionada pelos fatores limitantes de
temperatura, disponibilidade de nutrientes e umidade, que permitem e selecionam a
sobrevivência bacteriana. Sua população inclui principalmente bactérias gram-positivas aeróbias
obrigatórias como Micrococcus, aeróbias facultativas como Sthaphylococcus e anaeróbias
restritas como Propionibacterium. Os Sthaphylococcus aureus estão presentes em altos níveis na
região da vulva em mulheres férteis. A região do ouvido externo e médio tem uma colonização
bem semelhante a microbiota da pele (TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).
Já, as fossas nasais, são predominantemente colonizadas por Sthaphylococcus e
Corynebacterium. Na faringe e tranqueia encontra-se Streptococcus, Neisseria, entre outros. Os
bronquíolos são estéreis (TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).

Figura 2: Ilustração microbiota da pele (Fonte: Christoph Burgstedt, 2020)

78
CAPÍTULO 4 Microbiologia em E-book

O trato genital feminino tem uma microbiota variável que se modifica conforme a idade,
pH, secreção hormonal, ciclo menstrual, atividade sexual, uso de medicamentos e
anticoncepcional. Após o nascimento da criança do sexo feminino, decorrente aos níveis
aumentados de estrógeno, há proliferação e colonização de Lactobacillus em sua genital, que
serão dominantes pelos próximos seis meses da recém-nascida. Esse gênero de bactérias é
importante em mulheres saudáveis, pois fazem a manutenção do equilíbrio da microbiota dessa
região através da fermentação do glicogênio presente na vagina, diminuindo o pH local e
desfavorecendo a proliferação de bactérias que vivem com o pH neutro. Durante a premenarca
e menopausa o pH vaginal aumenta e a população de Lactobacillus diminui, coexistindo com
Corynebacterium, Sthaphylococcus e Escherichia. No trato genital masculino se encontram na
uretra Staphylococcus epidermidis, Corynebacterium, Streptococcus e E. coli (TRABULSI e
ALTERTHUM, 2017).
Já na cavidade bucal, por ser uma região em constante contato com várias populações do
meio externo, a microbiota é muito diversificada. Estima-se encontrar mais de 700 espécies de
bactérias nessa região, e seu tipo é de grande importância para a medicina e odontologia, já que
algumas doenças como actinomicoses, periodontites e endocardites, são causadas por
componentes da microbiota bucal (TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).
No caso da microbiota gastrointestinal, dispõe o maior número de diversidade e coleções
bacterianas de todo o corpo humano. As bactérias podem ser encontradas ao longo de todo o
trato gastrointestinal (TGI), porém o local onde residem a maior concentração dessas bactérias é
no colón e no ceco, regiões do intestino grosso. A composição da população desse sistema é
amplamente variada sendo de ordem de 1 a 10 bilhões de UFC/ml no conteúdo intestinal, e
estima-se ter por volta de mais de 700 espécies diferentes de microrganismos, sendo a grande
maioria bactérias (TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).
O estômago é uma região do TGI que apresenta pH baixo em adultos saudáveis, essa
característica limita a proliferação bacteriana a mil UFC/ml de suco gástrico. Nesse local
encontram-se Streptococcus, Lactobacillus e Candida albicans. Porém há também uma
grande parcela de indivíduos que são colonizados pelo Helicobacter pylori, responsável
por causar infecção bacteriana crônica no estômago e duodeno e aumentar o risco de úlceras e
câncer, por esse motivo ainda é discutido se deve considerá-la como um membro da microbiota
estomacal ou não (TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).

Figura 3: Representantes da microbiota normal em diferentes regiões do corpo, em (a) no epitélio nasal,
em (b) no estômago e em (c) no intestino delgado (Fonte: TORTORA, 2017).

79
CAPÍTULO 4 Microbiologia em E-book

Já o duodeno é composto por uma microbiota muito semelhante a que está presente no
estômago e jejuno. Nessa região tem-se uma ordem de 100.000 a 10.000.000 UFC/ml, e seus
principais membros são Streptococcus, Lactobacillus, Haemophilus, Veillonella, Bacteroides,
Corynebacterium e Actinomyces. No caso do íleo, a população bacteriana é de 10.0000.000
UFC/ml e sua microbiota é composta por representantes anaeróbios facultativos, Enterobacterias
e
anaeróbios obrigatórios (TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).
Avançando para o colón se tem a maior concentração de colonização e variedade
bacteriana no organismo humano, tendo uma ordem de 10 bilhões de UFC/ml, sendo
encontrados principalmente gêneros como Bacterioides, Bifidobacterium, Escherichia coli,
Clostridium, Eubacterium, Bacillus, Peptostreptococcus, Fusobacterium e Ruminococcus. A
colonização desse local se inicia no recém-nascido por bactérias anaeróbias facultativas como
Escherichia coli, Esterococcus faecalis e Enterococcus faecium, esse acontecimento se dá por conta
do elevado teor de oxigênio presente na região inicialmente. Conforme esse oxigênio vai sendo
consumido, bactérias anaeróbias estritas começam a colonizar a região também, sendo as
principais representantes as Bacterioides, Bifidobacterium e Clostridium (TRABULSI e ALTERTHUM,
2017).
O pH do colón é por volta de 5,5, devido a presença de produtos ácidos que se originam
da fermentação que ocorre nessa área. O fato do ambiente ser relativamente ácido permite a
competição entre bactérias produtoras de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) e bactérias que
utilizam carboidratos, além de estimular também a produção de Butirato. O Butirato no colón
intestinal é responsável pela modulação da microbiota nessa região, pois permite um equilíbrio
entre a presença de Eubacterium ssp e Bifidobacterium spp que metabolizam lactato, e vale
ressaltar que indivíduos adultos saudáveis têm baixas concentrações dessa substância
(TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).

3. FUNÇÕES DA MICROBIOTA

Assim que estabelecida, a microbiota pode trazer benefícios ao hospedeiro, como por
exemplo o antagonismo microbiano ou também chamado de exclusão competitiva, que consiste
na competição entre microrganismos. Nela a microbiota normal protege o hospedeiro contra a
colonização de microrganismos potencialmente patogênicos. O antagonismo ocorre por meio
da competição por nutrientes, da produção de substâncias prejudiciais aos micróbios invasores,
da alteração do meio, como pH e disponibilidade de oxigênio e pela competição de sítios de
adesão, processo que ocorre no TGI e faz um efeito barreira impedindo a instalação de
bactérias patogênicas na superfície das células intestinais. (TORTORA, 2017).

80
CAPÍTULO 4 Microbiologia em E-book

Quando há um desequilíbrio entre a microbiota normal e os micróbios patogênicos pode


haver o surgimento de doenças. Tal como, o desenvolvimento de candidíase nas mulheres, a
microbiota bacteriana normal da vagina sustenta um pH que inibe o crescimento excessivo da
levedura Candida albicans, e quando a população bacteriana é eliminada ou reduzida de alguma
forma, seja por antibióticos ou pelo uso excessivo de ducha higiênica e desodorantes, o pH
vaginal muda, se tornando neutro e favorecendo a predominância da Candida albicans no local
(TORTORA, 2017).
Além disso, dentre outras funções benéficas da microbiota está a estimulação do sistema
imune pela microbiota intestinal, sabe-se que a mucosa intestinal é a principal conexão do
sistema imune com o ambiente externo, sendo assim o intestino é considerado o principal
órgão imunológico do organismo humano, abrigando por volta de 80% das células imunológicas
e é responsável pela produção de 1/3 dos anticorpos do sistema imune inato e adaptativo.
Portanto, a microbiota é responsável por estimular o desenvolvimento do sistema imunológico,
uma vez que os linfócitos B presentes no intestino produzem constantemente anticorpos contra
diversos componentes da microbiota intestinal. Vale-se destacar também, que os linfócitos lá
presentes são diferentes do sistema imunológico sistêmico, pois produzem principalmente IgA
que tem várias funções importantes que garante a proteção da mucosa, como proteção a
antígenos específicos de agentes nocivos (TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).
O efeito estimulante do sistema imune pela microbiota intestinal também está
relacionado com resistência a estágios iniciais das infecções por patógenos, pois no TGI
tem-se uma modulação imunológica [Link] benefício observado em relação
microbiota é a capacidade de modificar o pH e a motilidade intestinal, favorecendo a
absorção de água e íons, e ela ainda é capaz produzir ácidos graxos de cadeia curta
(AGCC) e algumas vitaminas, como a B12 (TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).
Resumindo e delineado na figura 4, os benefícios trazidos de uma microbiota
saudável, é um maior desenvolvimento do sistema imunológico, antagonismo
microbiano que protege da instalação de bactérias patogênicas nocivas à saúde,
alteração do pH e motilidade intestinal que favorecem a absorção de nutrientes e
também a produção de certos compostos que podem ser absorvidos pelo hospedeiro
(TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).

Figura 4: Mapa mental funções microbiota normal (Fonte: próprio autor).

81
CAPÍTULO 4 Microbiologia em E-book

5. FATORES QUE INFLUENCIAM A COMPOSIÇÃO DA MICROBIOTA

Além disso, podemos listar algumas características que fazem as bactérias serem
consideradas benéficas ao homem, como por exemplo não apresentarem nenhum fator de
patogenicidade e não serem envolvidas em nenhum tipo de infecção do TGI, porém vale-se
destacar que fora de seu sítio anatômico específico ainda são capazes de causar infecções.
Representantes de bactérias desse tipo são os gêneros Lactobacillus e Bifidobacterias. O
elemento que envolve a implantação destas bactérias é o ‘fator bífido”, um tipo de nutriente
passado ao bebê através do leite materno durante a amamentação, ele favorece a instalação
desses microrganismos no TGI humano (TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).

6. PROBIÓTICOS E PRÉBIOTICOS: DIFERENÇAS E FUNÇÕES

Há algum tempo, tem sido sugerido o uso de pré e probióticos durante o período de
colonização intestinal, para uma melhor otimização dessa futura microbiota, porém como é algo
recente, ainda se tem a necessidade de mais aprofundamento nestas pesquisas. Os prebióticos
são carboidratos presentes nos alimentos que não são digeríveis pelo homem, mas servem
como substratos para fermentação estimulando seletivamente o crescimento e atividade de
certas bactérias. Já os probióticos são microrganismos vivos que promovem benefícios ao
hospedeiro quando usados de maneira correta. Um adendo importante é que o benefício do
uso de probióticos é transitório, pois quando utilizados, não colonizam de forma permanente,
exercendo seus efeitos apenas quando estão sendo consumidos ao organismo humano
(TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).

Figura 5: Esboço ilustrativo de probióticos e prebióticos. (Fonte: próprio autor)

82
CAPÍTULO 4 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL
Capítulo 4: Organizando conceitos

83
DICA DE LEITURA
Acesse o livro "Microbiologia" em "Minha
Biblioteca" do Centro Universitário São
Camilo e estude mais sobre o assunto!

Livro: TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L.


Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: Artmed,2017.
(Recurso Online – Biblioteca São Camilo)

Página: 390
CAPÍTULO 4 Microbiologia em E-book

DICAS DE AULAS
Em plataformas de universidades públicas Y!
LA
DÁ UM P

CANAL JORNAL DA USP


OQUE É MICROBIOTA?

[Link]
?v=nXBNrD_epCU

CANAL
MICROBIOLOGIA
MÉDICA
MICROBIOTA NORMAL

[Link]

d a aula
e o link
ie e col
e g ador!
Cop v
se u na
no

85
QUESTÕES
Capítulo 4: Para treinar e fixar o conteúdo!

1. ITEP (2018) - Flora normal é um termo utilizado para descrever várias bactérias que residem
permanentemente em certos locais do corpo. A respeito do assunto, é correto afirmar que:

A) O estado do imunológico do portador não exerce influência nas taxas de reprodução desses
organismos.
B) A pele, o colón, a vagina e o fígado possuem bactérias associadas.
C) A presença de bactérias da fauna normal facilita a colonização por microrganismos
patogênicos.
D) Bactérias do trato vaginal são importantes, pois produzem vitaminas B e K.
E) É dito “colonizado” o indivíduo com intensa proliferação de bactérias do trato intestinal.

2. FAFIPA (2014) - A lavagem das mãos tem por objetivo a remoção de microbiota transitória e a
diminuição de microbiota residente da pele. É CORRETO afirmar:

A) Microbiota transitória – microrganismos que vivem e se multiplicam em camadas profundas


da pele, glândulas sebáceas.
B) Microbiota transitória – microrganismos adquiridos por meio de contato direto com o meio
ambiente, contaminando temporariamente a pele.
C) Microbiota residente – microrganismos adquiridos por meio de contato direto com o meio
ambiente, contaminando temporariamente a pele.
D) Microbiota residente – microrganismos que vivem em camadas superficiais da pele e folículos
pilosos.

3. Sobre a microbiota intestinal é correto afirmar que:

A) Apenas a alimentação influencia em sua colonização.


B) O estômago é a região do TGI onde residem a maior concentração de microrganismos.
C) O colón tem a maior concentração de colonização e variedade bacteriana no organismo
humano e sua população é composta quase totalmente por bactérias anaeróbias estritas no
recém-nascido.
D) O pH do colón é relativamente ácido devido a fermentação que ocorre nesse local. Essa
característica permite a competição entre bactérias produtoras de ácidos graxos de cadeia curta
(AGCC) e bactérias que utilizam carboidratos, além de estimular também a produção de
Butirato.

86
QUESTÕES
Capítulo 4: Para treinar e fixar o conteúdo!

4. Em qual região anatômica abaixo se tem ausência de microrganismos, em outras palavras, se


apresenta estéril?

A) Traqueia.
B) Ouvido médio.
C) Bronquíolos.
D) Olhos.
E) Faringe.

5. Relacione os conceitos:
( ) Circunstância em que há um equilíbrio entre microrganismos comensais e patogênicos.
( ) São microrganismos vivos que promovem benefícios ao hospedeiro quando usados de
maneira correta.
( ) Compreende um desequilíbrio na flora intestinal em que existe alteração na quantidade e na
distribuição de bactérias no intestino, o que pode causar inflamação.
( ) São carboidratos presentes nos alimentos que não são digeríveis pelo homem, mas servem
como substratos para fermentação de certas bactérias.
( ) Ocorre através da competição por nutrientes, da produção de substâncias prejudiciais aos
micróbios invasores e da alteração do meio.

1- Disbiose
2- Simbiose
3- Probióticos
4- Prebióticos
5- Antagonismo microbiano

6. Assinale a alternativa correta acerca das funções da microbiota:

A) O antagonismo microbiano torna o hospedeiro suscetível a colonização de


microrganismos potencialmente patogênicos.
B) As bactérias intestinais produzem substâncias que podem ser absorvidas pelo
hospedeiro, como AGCC e glicose.
C) A microbiota estimula o sistema imune através da modulação imunológica constante e
da produção de anticorpos pelos linfócitos B intestinais.
D) No intestino o microbioma lá presente é capaz de modificar o pH e a motilidade
intestinal, desfavorecendo a absorção de água e íons.

87
QUESTÕES
Capítulo 4: Para treinar e fixar o conteúdo!
7. Julgue as afirmações abaixo como verdadeiras ou falsas:

( ) As bactérias dos gêneros Lactobacillus e Bifidobacterias são consideradas benéficas ao


homem. O ‘fator bífido”, um tipo de nutriente passado ao bebê através do leite materno durante
a amamentação, favorece a instalação desses microrganismos no TGI humano.
( ) O corpo humano possui aproximadamente a mesma quantidade de células bacterianas e
células humanas.
( ) A colonização de cada sítio anatômico da pele é condicionada pelos fatores limitantes de
temperatura, disponibilidade de nutrientes e umidade, que permitem e selecionam a
sobrevivência bacteriana.
( ) O pH do colón é considerado básico devido a presença de produtos ácidos que se originam
da fermentação que ocorre nessa área.
( ) Quando há um desequilíbrio entre a microbiota normal e os micróbios patogênicos pode
haver o surgimento de doenças.
( ) A flora do trato genital feminino é bem definida e homogênea durante toda a vida da
mulher.

8. Em qual local do corpo se espera encontrar mais microrganismos aeróbios?

A) Pele.
B) Fossas nasais.
C) Colón.
D) Estômago.

9. Julgue como verdadeiro ou falso as afirmações abaixo:

A - A proliferação bacteriana se limita a 1 mil UF/ml no estômago


PORQUE
B - O estômago apresenta pH baixo em adultos saudáveis. o
Gabarit
1- E
2- B
A) As duas afirmações são falsas, e B não justifica a A
3- D
B) As duas afirmações são falsas, e B justifica a A 4- C -5
-3-1-4
C) As duas afirmações são verdadeiras, mas a B não justifica a A 5- R: 2
6- C F
D) As duas afirmações são verdadeiras e a B justifica a A V-F-V-
7- V-F-
8- A
9- D

88
Curiosidades
SAIBA MAIS!

7. Curiosidades sobre o papel dos microrganismos da microbiota normal e seu


envolvimento com doenças

Através de evidências sabe-se que a desregulação da microbiota, ou também chamada de


disbiose, está envolvida com alguns estados patogênicos, como processos alérgicos, obesidade,
doença inflamatória intestinal, câncer de colón, entre outros. Compreende-se também que as
mudanças de hábitos de higiene que ocorreram na sociedade ao longo do tempo, propiciaram
na mudança da composição da microbiota humana, favorecendo uma maior quantidade de
indivíduos alérgicos, processo chamado de hipótese de higiene expandida, o uso de prebióticos
nesse caso ajudaria a atenuar os processos alérgicos. Dessa forma, a utilização de probióticos é
indicada na terapêutica de algumas patologias, como por exemplo na diarreia aguda, em que o
uso de probióticos ajuda a reduzir o número de evacuações, ou também na síndrome do
intestino irritável (SIR), em que a utilização dos probióticos durante o tratamento auxilia na
diminuição da hipersensibilidade e permeabilidade intestinal, na regulação da motilidade e na
melhor resposta do sistema imune, ademais podem ser usados até mesmo em recém-nascidos
para prevenir enterocolite necrosante (TRABULSI e ALTERTHUM, 2017).

89
Curiosidades
SAIBA MAIS!

7.1 Microbiota Intestinal X Depressão

A depressão compreende uma doença muito comum e recorrente na população, em escala


mundial, e o seu desenvolvimento pode estar relacionado com a disbiose intestinal. O eixo
intestino-cérebro é um sistema de comunicação do organismo que inclui vias neurais,
imunológicas, endócrinas e metabólicas. As alterações na comunicação desse eixo, devido a
disbiose, mostram-se importantes no desenvolvimento de doenças mentais como a depressão, a
ansiedade, o Alzheimer, entre outras (RATTO et al. 2020).

Uma má alimentação e o uso indiscriminado de medicamentos e fármacos, como laxantes


e antibióticos, pode causar um desequilíbrio da microbiota. O predomínio de microrganismos
patogênicos, causado pela disbiose, aumenta a inflamação, a liberação de toxinas e a
permeabilidade intestinal, ativando o sistema nervoso e regulando características epiteliais
intestinais (RATTO et al. 2020).

As substâncias inflamatórias perturbam a neuroquímica cerebral e tornam os indivíduos


mais suscetíveis à ansiedade e à depressão. Esse fato pode explicar o porquê geralmente
pacientes com doença inflamatória intestinal também sofrem das mesmas patologias mentais.
Além disso, citocinas pró-inflamatórias alteram a quantidade de neurotransmissores como a
serotonina, dopamina e glutamato no cérebro e a diminuição delas já foi associada com
sintomas específicos da depressão (RATTO et al. 2020).

90
Curiosidades
SAIBA MAIS!

7.2 Microbiota intestinal X Alzheimer

A disbiose da flora intestinal também pode estar associada à doença de Alzheimer (DA) que
é uma das formas mais comuns de demência e está associada a uma cognição comprometida e
acúmulo de peptídeos β-amiloides (Aβ) no cérebro (Jian et al. 2017).

O desequilíbrio do microbioma presente no intestino, favorece o aumento da


permeabilidade intestinal e da barreira hematoencefálica podendo ser um mediador para a DA.
E ainda, bactérias da microbiota podem secretar quantidades significavas de substâncias que
participam na produção e modulação de vias de citocinas inflamatórias que estão associadas ao
desenvolvimento da doença (Jian et al. 2017).

91
REFERÊNCIAS
do Capítulo

JIANG, C et al. The Gut Microbiota and Alzheimer's Disease. Journal of Alzheimer´s
Disease. Disponível em: [Link] Acesso em: 20
out 2021.

RATTO, R.S et al. Relatioship between intestinal microbiotes and depression. Research,
Society and Development, v. 9, n. 12, , 2020. Disponível em:
[Link] Acesso em 15 out 2021.

TRABULSI, L.R; ALTERTHUM, Flavio (Ed.) Microbiologia. 6. ed. São Paulo: Atheneu, 2017.
101 p.

TORTORA, Gerard J. Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2017. 390p.

92
EM E-BOOK

CAPÍTULO

5
PATOGÊNICAS
MICROBIOLOGIA EM E-BOOK

CAPÍTULO 5
Bactérias patogênicas

1. BACTÉRIAS PATOGÊNICAS E PRINCIPAIS BACTERIOSES

Antes de descrevermos a respeito das bactérias patogênicas e das infecções causadas por
elas, conhecidas genericamente como bacterioses, é importante definirmos os conceitos de
patogenicidade e de virulência, que serão apresentados a seguir.

2. CONCEITOS DE PATOGENICIDADE E VIRULÊNCIA

Patogenicidade é definida como a capacidade de um microrganismo causar doença no


hospedeiro por vencer suas defesas imunológicas, já a virulência corresponde ao grau de
patogenicidade. Como a intenção deste capítulo é de descrever as bactérias patogênicas e as
bacterioses, esses termos serão direcionados, especialmente, a este grupo de microrganismos,
mas são válidos para qualquer tipo de microrganismos.
Contextualizando esses conceitos, podemos fazer as seguintes associações: para causar
uma doença, as bactérias patogênicas devem acessar o corpo do hospedeiro, através das
portas de entrada, aderir e/ou invadir os tecidos, escapar das defesas corpóreas e danificar os
nossos tecidos. Para tanto, utilizam de diversas estruturas e mecanismos que permitam o
alcance de cada uma dessas etapas que correspondem aos seus fatores de virulência
(TORTORA, 2017).
As portas de entrada para os patógenos acessarem o hospedeiro incluem: as membranas
mucosas do trato respiratório, geniturinário, gastrointestinal e a conjuntiva ocular, a pele e a via
parenteral de deposição direta de bactérias sob a pele ou suas membranas, como nas
perfurações, injeções, mordidas, cortes, ferimentos, cirurgias e rompimento da pele ou das
membranas mucosas por edemas ou ressecamentos (TORTORA, 2017).

95
CAPÍTULO 5 Microbiologia em E-book

3. COMO OS PATÓGENOS BACTERIANOS ULTRAPASSAM AS DEFESAS DO HOSPEDEIRO?

Embora alguns patógenos possam causar dano quando na superfície dos tecidos, a maioria
deles precisa penetrar nos tecidos para causar doenças. Há diversos fatores de virulência, a
título de exemplo, podemos observar na figura 1, alguns dele presentes na bactéria Salmonella,
um bacilo gram-negativo. Essas estruturas bacterianas contribuem para a capacidade das
bactérias de invadir o hospedeiro e/ou evadir do sistema imunológico, descreveremos a seguir
alguns exemplos, como a cápsula, parede celular, enzimas, entre outros.

Figura 1. Fatores de virulência em Salmonella. Estão representados os fatores


importantes para a virulência e o desenvolvimento da patogênese desta
bactéria gram-negativa (Fonte: Microbiologia de Brock, 2016).

96
CAPÍTULO 5 Microbiologia em E-book

3.1 CÁPSULA

Essa estrutura bacteriana permite que resistam às defesas do hospedeiro por impedir o
processo de fagocitose, realizado por fagócitos, para englobar e destruir microrganismos. Isso
ocorre devido à natureza química da cápsula que parece impedir a ligação adequada do
fagócito à bactéria. O Streptococcus pneumoniae, causador da pneumonia pneumocócica possui
cápsula. Observa-se que as linhagens capsuladas são virulentas, já as linhagens não capsuladas
não são virulentas, pois são suscetíveis à fagocitose e eliminadas por este processo. Outros
exemplos de bactérias capsuladas são: Klebsiella pneumoniae (causador da pneumonia
bacteriana); Haemophilus influenzae (causador de pneumonia e meningite em crianças); Bacillus
anthracis (causador do antraz) e Yersinia pestis (causador da peste) (TORTORA, 2017).

3.2 PAREDE CELULAR

A parede celular de bactérias pode conter substâncias químicas que contribuem para a sua
virulência. Streptococcus pyogenes possui a proteína M encontrada tanto na superfície celular
quanto nas fímbrias, com isso participa da aderência da bactéria às células epiteliais, aumentando a
virulência do microrganismo. A Neisseria gonorrhoeae cresce no interior das células epiteliais e dos
leucócitos humanos, usam suas fímbrias e outras proteínas externas, denominadas Opa, para
aderir às células do hospedeiro. Após a aderência através das proteínas Opa e pelas fímbrias, as
células do hospedeiro captam as bactérias. Já na parede celular de Mycobacterium tuberculosis é o
lipídeo ceroso (ácido micólico) que aumenta a virulência do organismo, conferindo resistência à
digestão por fagócitos e permitindo até́ mesmo que a bactéria se multiplique no interior desses
fagócitos (TORTORA, 2017).

3.3 ENZIMAS

Algumas bactérias produzem enzimas extracelulares que podem digerir o material entre as
células e induzir a formação ou a degradação de coágulos sanguíneos (TORTORA, 2017).
As coagulases são enzimas bacterianas que coagulam o fibrinogênio no sangue que, é
convertido em fibrina, gerando a malha que forma o coágulo sanguíneo que serve de proteção
para elas. As coagulases são produzidas por alguns membros do gênero Staphylococcus,
envolvidas na formação de abscessos.
As quinases bacterianas são enzimas que degradam a fibrina e, assim, digerem
coágulos formados pelo organismo. Uma das quinases mais conhecidas é a
fibrinolisina (estreptoquinase), produzida por Streptococcus pyogenes. Já a estafiloquinase, é
produzida por Staphylococcus aureus.
A hialuronidase é outra enzima secretada por estreptococos. Ela hidrolisa o ácido
hialurônico dos tecidos conectivos e com isso auxilia na dispersão do microrganismo a partir de
seu sítio inicial de infecção
A colagenase, produzida por diversas espécies de Clostridium, facilita a disseminação da
gangrena gasosa, pois quebra o colágeno, presente nos tecidos conectivos de músculos e de
outros órgãos e tecidos.

97
CAPÍTULO 5 Microbiologia em E-book

3.4 . VARIAÇÃO ANTIGÊNICA

A presença de antígenos, estimula o nosso organismo a produzir proteínas, denominadas


anticorpos, que se ligam aos antígenos e os tornam inativos ou os destroem. No entanto, alguns
patógenos podem alterar seus antígenos de superfície por meio de um processo denominado
variação antigênica. Assim, quando o corpo elabora uma resposta imune contra o patógeno, ele
já terá alterado os seus antígenos de forma a não ser mais reconhecido e afetado pelos
anticorpos. Alguns micróbios podem ativar genes alternativos, o que resulta em mudanças
antigênicas. A N. gonorrhoeae, por exemplo, tem em seu genoma diversas cópias do gene
codificador da proteína Opa, resultando em células que apresentam diferentes antígenos que
são expressos ao longo do tempo da infecção (TORTORA, 2017).

3.5. ADESINAS

Fímbrias e pili são estruturas proteicas da superfície da célula bacteriana que atuam no
processo de adesão. Fímbrias tipo I estão distribuídas uniformemente sobre a superfície das
células. Os pili são normalmente mais longos que as fímbrias, estão presentes em menor
número na superfície celular. Tanto os pili quanto as fímbrias atuam na ligação às glicoproteínas
da superfície da célula hospedeira, necessários no processo de aderência. Os flagelos também
podem aumentar a adesão às células hospedeiras (Microbiologia de Brock, 2016).

3.6. INVASINAS

Linhagens de Salmonella e E. coli entram em contato com a membrana plasmática das


células do hospedeiro e causam uma alteração drástica na membrana no ponto de contato. Os
micróbios produzem proteínas de superfície, chamadas de invasinas, que causam o rearranjo
dos filamentos de actina do citoesqueleto celular próximos ao ponto de contato bacteriano. Por
exemplo, quando S. typhimurium entra em contato com a célula hospedeira, as invasivas do
micróbio tornam a aparência da membrana plasmática semelhante a uma gota que se espalha
ao atingir uma superfície sólida. Esse efeito, chamado de enrugamento da membrana, é o
resultado da desorganização do citoesqueleto da célula hospedeira. O microrganismo mergulha
em uma das dobras da membrana e é englobado pela célula hospedeira (TORTORA, 2017).

98
CAPÍTULO 5 Microbiologia em E-book

4. COMO OS PATÓGENOS BACTERIANOS DANIFICAM AS CÉLULAS DO HOSPEDEIRO?

4.1. TOXINAS

As toxinas são substâncias venenosas produzidas por alguns microrganismos, podem ser
transportadas pelo sangue ou pela linfa ocasionando efeitos graves e, muitas vezes, fatais.
Algumas toxinas geram febre, distúrbios cardiovasculares, diarreia e choque. As toxinas também
podem inibir a síntese proteica, destruir células e vasos sanguíneos e danificar o sistema
nervoso central, causando espasmos. Das mais de 220 toxinas bacterianas conhecidas,
aproximadamente 40% causam doenças decorrentes dos danos às membranas das células
eucarióticas. As toxinas podem ser classificadas em dois tipos principais: exotoxinas e
endotoxinas, como ilustrado na figura 2 abaixo e comparadas na figura 3.

Figura 2. Exotoxinas e endotoxinas (Fonte: Tortora, 2017).

Figura 3. Comparação entre exotoxinas e endotoxinas. Fonte: Tortora, 2017.

99
CAPÍTULO 5 Microbiologia em E-book

4. 1. 1 EXOTOXINAS

Exo significa “fora”, refere-se ao fato de que as exotoxinas são secretadas para o exterior
das células bacterianas. Sua produção ocorre durante o seu crescimento e metabolismo
bacteriano, e são secretadas no meio circundante ou liberadas após a lise da célula (TORTORA,
2017).
As exotoxinas são proteínas e muitas são enzimas que catalisam apenas certas reações
bioquímicas, mesmo as pequenas quantidades são bastante perigosas, pois podem agir
várias vezes seguidas.
As bactérias que produzem exotoxinas podem ser gram-positivas ou gram-negativas. Os
genes que codificam a maioria (e talvez todas) das exotoxinas são carreados em plasmídeos
bacterianos ou fagos.
As exotoxinas são solúveis em fluidos corporais, podem difundir-se facilmente no sangue,
sendo rapidamente transportadas por todo o corpo.
Agem destruindo determinadas partes das células do hospedeiro ou inibindo certas funções
metabólicas. São altamente específicas em relação aos seus efeitos teciduais e estão entre
as substâncias mais letais conhecidas.
São as exotoxinas que produzem os sinais e os sintomas específicos da doença como no
botulismo que normalmente é provocado pela ingestão da exotoxina, e não devido a uma
infecção bacteriana.
Com base em sua estrutura e função, são divididas em 3 categorias: (1) toxinas A-B, (2)
toxinas danificadoras de membrana e (3) superantígenos.

100
CAPÍTULO 5 Microbiologia em E-book

4.1. 2 ENDOTOXINAS

Endo significa “dentro”, refere-se ao fato de que as endotoxinas estão localizadas no


interior das células bacterianas. Elas são parte da porção externa da parede celular de bactérias
gram-negativas. A porção lipídica do LPS, chamada de lipídeo A, é a endotoxina. Assim, as
endotoxinas são lipopolissacarídeos, ao passo que as exotoxinas são proteínas (TORTORA,
2017).
As endotoxinas são liberadas durante a multiplicação bacteriana e quando as bactérias
gram-negativas morrem e suas paredes celulares sofrem lise.
Os antibióticos utilizados para tratar doenças causadas por bactérias gram-negativas podem
lisar essas bactérias; essa reação causa a liberação de endotoxinas, o que pode levar a uma
piora imediata dos sintomas. Entretanto, a condição do paciente normalmente melhora à
medida que a endotoxina vai sendo degradada.
As endotoxinas exercem seu efeito pelo estímulo de macrófagos, os quais, por sua vez,
liberam citocinas em concentrações bastante elevadas. Nessas concentrações, as citocinas
são tóxicas.
Todas as endotoxinas produzem os mesmos sinais e sintomas, independentemente da
espécie de microrganismo, embora nem sempre na mesma intensidade.
Esses sintomas incluem calafrios, febre, fraqueza, dores generalizadas e, em alguns casos,
choque e até mesmo morte. As endotoxinas também podem induzir o aborto.
Outra consequência da presença de endotoxinas é a ativação das proteínas envolvidas na
coagulação sanguínea, causando a formação de pequenos coágulos. Esses coágulos
obstruem os vasos capilares, e o decréscimo no suprimento de sangue resultante induz a
morte tecidual. Essa condição é conhecida como coagulação intravascular disseminada
(CID).
Acredita-se que a febre (resposta pirogênica) causada pelas endotoxinas ocorra conforme
ilustrado na figura 4.

Figura 4. Endotoxina e resposta pirogênica (Fonte: Tortora, 2017).

101
CAPÍTULO 5 Microbiologia em E-book

5. BACTÉRIAS PATOGÊNICAS E PRINCIPAIS BACTERIOSES

As bactérias capazes de causar uma doença infecciosa no ser humano são dotadas de
fatores de virulência, isto é, estruturas ou propriedades microbianas usadas como estratégias
para colonizar o hospedeiro susceptível e/ou escapar do sistema de defesa, entre as quais
poderíamos exemplificar a proteína A, a coagulase, cápsula ou ainda a endotoxina, é com o
auxílio dessas estruturas, que as bactérias se instalam e multiplicam-se num determinado tecido
do corpo. Nessa situação, as bactérias podem causar sinais e sintomas que são percebidos pelo
indivíduo. No entanto, quando seu sistema imunológico conseguir combater esses
microrganismos de maneira eficiente, não ocorrerão sinais e sintomas da doença. Assim, nem
toda infecção, necessariamente, irá provocar uma doença (BROCK, 2016).
De acordo com Brock (2016), há diversas bacterioses causadas por esse processo de
invasão dos microrganismos, seja através da pele, da mucosa, através da contaminação por
secreções salivares, por alimentos ou relações sexuais sem proteção, como por exemplo, a
tuberculose, tétano, coqueluche, pneumonia, cólera, meningite e a sífilis.
A título de exemplos, mencionaremos dois grandes gêneros de bactérias causadoras de
infecções de pele muito comuns: Staphylococcus e Streptococcus (TORTORA, 2017).

102
CAPÍTULO 5 Microbiologia em E-book

5.1 EXEMPLO DE BACTERIOSES

A infecção por S. aureus pode se apresentar como foliculite por invadir os folículos da pele,
pequenas aberturas naturais, o folículo infectado de um cílio é conhecido como terçol, mas
pode haver formas mais graves, como o folículo piloso, que gera abscessos com pus, onde o
antibiótico não é capaz de penetrar de modo eficiente e, assim, dificulta o controle da infecção e
o tratamento em si (TORTORA, 2017).
Os estafilococos são bactérias gram-positivas que formam agrupamentos densos,
semelhantes a cachos de uvas e podem ser divididas em dois grupos de acordo com a
produção de coagulase, uma enzima que coagula a fibrina, assim temos os estafilococos
coagulase positivo e as que não produzem coagulase. Os estafilococos coagulase positivo
utilizam a fibrina para recobrir-se, assim não são reconhecidos como estruturas estranhas à
nossa composição e podem resistir por muito mais tempo no nosso corpo (TORTORA, 2017).
Quase todas as linhagens patogênicas do S. aureus são coagulase-positivas. Esse é um dado
significativo, pois existe alta correlação entre a capacidade da bactéria de produzir coagulase e a
produção de toxinas nocivas, muitas das quais danificam e facilitam a disseminação do
organismo nos tecidos ou são letais para as defesas do hospedeiro. Além disso, algumas
linhagens podem causar sepse, gerando risco à vida e outras produzem enterotoxinas que
afetam o trato gastrintestinal (TORTORA, 2017).
As bactérias gram-positivas, apresentam parede celular espessa com diversas camadas de
peptideoglicano, que contribuem para a proteção da célula, além de favorecer a dispersão de
metabólitos até a membrana celular. Porém, o peptideoglicano pode ser degradado pela
lisozima, uma enzima presente nas secreções como lágrima e saliva dos seres humanos e, sem
esse fator protetor, as bactérias não resistem às mudanças de pressão osmótica e sofrem
citólise. Notamos que as estratégias de defesa que possuímos podem impedir que ocorra uma
doença ou não, a depender do tipo de bactéria e do local onde estiver presente (TORTORA,
2017).
Observamos na figura 5 abaixo, o S. aureus frequentemente associado às condições
patológicas, tais como acne, furúnculos, e artrite, os Streptococcus que apresentam morfologia e
parede celular semelhante são causadores de pneumonia e meningite, pois cada gênero
bacteriano é dotado de alguns fatores de virulência específicos (BROCK, 2016).

103
CAPÍTULO 5 Microbiologia em E-book

Figura 5: Morfologia de S. aureus visualizada na coloração de Gram. Na imagem, S.


aureus, bactérias gram-positivas (roxas), e gram-negativas (rosa), E. coli (Fonte: BROCK,
2014).

O S. pyogenes assim como a S. aureus causam o impetigo, uma infecção muito comum em
crianças de 2 a 5 anos, transmitida por contato direto em que o patógeno adentra o organismo
através de rupturas cutâneas e pequenos ferimentos e, como resultado da infecção, forma
bolhas claras na pele, como ilustrado na figura 6. Há uma forma mais grave da doença: o
impetigo bolhoso, que é causada pela toxina A, frequente em recém-nascidos e é conhecido
como “impetigo do recém-nascido” (TORTORA, 2017).

Figura 6: Impetigo, doença frequentemente


observada em crianças, causada por S. pyogenes ou
por S. aureus (Fonte: TORTORA, 2017).

104
CAPÍTULO 5 Microbiologia em E-book

Há também as infecções por estreptococos, bactérias gram-positivas e esféricas, que


crescem em cadeia e causam doenças bastante conhecidas, como a pneumonia, febre
puerperal, otite, meningite e até as cáries dentárias (TORTORA, 2017).
Conforme as colônias de estreptococos vão crescendo, elas secretam fatores de virulência,
como enzimas e toxinas, a depender de sua espécie, como a hemolisina, que é capaz de levar
diversos tipos de células à citólise, especialmente as hemácias, e a estreptolisina, que é nociva
aos neutrófilos (TORTORA, 2017).
Os estreptococos mais importantes são os da espécie S. pyogenes, causadores de várias
doenças, como o impetigo, faringite, amigdalite que, quando não tratadas corretamente, podem
favorecer a dispersão do patógeno em outras regiões do corpo e gerar danos mais graves,
como a febre reumática. Eles possuem a proteína M com propriedades antigênicas que inibem
a ativação do sistema complemento e, desta forma, penetra no hospedeiro com mais facilidade,
assim como auxilia na colonização de mucosas (TORTORA, 2017).
Este grupo de bactérias também são capazes de produzir substâncias que atuam como
fatores de virulência também, como a hialuronidase, que degrada o ácido hialurônico presente
nos tecidos conectivos e mantém as células unidas e, portanto, com a sua degradação, fica mais
fácil de ocorrer a invasão de tecidos (TORTORA, 2017). Quando ocorre uma infecção por S.
pyogenes na pele, causa uma doença chamada erisipela que gera uma vermelhidão local e pode
levar à sepse em casos mais graves (TORTORA, 2017).
Além dos microrganismos Staphylococcus e Streptococcus, podem ocorrer infecções por
Pseudonomas, que são bactérias gram-negativas, isto é, bactérias que possuem após a
membrana celular uma camada de fosfolipídeos e peptideoglicanos e o lipídeo A, uma
substância altamente tóxica que pode ser liberada quando a membrana externa é rompida.
Quando liberado, o lipídeo A pode causar diversas reações deletérias ao organismo, como uma
resposta inflamatória sistêmica e até o choque tóxico (TORTORA, 2017).
Pseudonomas são uma espécie bastante resistente à ação dos antibióticos e de
desinfetantes, e são considerados patógenos oportunistas causando dermatites eruptivas
transmitidas pela água, como ocorre em piscinas e banheiras, assim como acontece com otites,
uma vez que o uso compartilhado possibilita a maior concentração de nutrientes nesse meio e,
consequentemente, favorece o ambiente para a vida dessas bactérias. Ainda, são associadas a
infecções hospitalares (TORTORA, 2017).

105
CAPÍTULO 5 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL
Capítulo 5: Organizando conceitos

[Link]

Acesse o link para visualizar o mapa mental!

106
DICA DE LEITURA
Acesse esses livros em "Minha Biblioteca"
do Centro Universitário São Camilo e
estude mais sobre o assunto!

Livro: TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L.


Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: Artmed,2017.
(Recurso Online – Biblioteca São Camilo)

Página: 579

Livro: MADIGAN, Michael T. et al. Microbiologia de Brock. 14.


ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. (Recurso Online –
Biblioteca São Camilo)

Páginas: 714 - 843

Livro: BROOKS, Geo F. et al. Microbiologia médica de Jawetz,


Melnick e Adelberg. 26. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.
(Recurso Online – Biblioteca São Camilo)

Página: 152
CAPÍTULO 5 Microbiologia em E-book

DICAS DE AULAS
Em plataformas de universidades públicas Y!
LA
DÁ UM P

VÍDEO SOBRE INFECÇÃO POR


PSEUDOMONAS

[Link]
v=mr79zkDWGfY

O PROBLEMA SOBRE AS BACTÉRIAS


RESISTENTES

[Link]
v=t3jvppGKzdk

d a aula
e o link
ie e col
e g a dor!
Cop v
se u na
no

108
QUESTÕES
Capítulo 5: Para treinar e fixar o conteúdo!

[Link] (2013): Torcedores passam mal e Vigilância Sanitária apreende alimentos no Maracanã.
Fim do jogo, Brasil campeão da Copa das Confederações, festa em grande parte do Maracanã.
Em uma ambulância, um paramédico atende uma paciente. Ao informar que o caso não era
grave, ele revelou a preocupação com a ingestão de alimentos de qualidade duvidosa no
estádio. Vários torcedores procuraram o centro médico e as ambulâncias apresentando mal-
estar, vômito e diarreia, ao mesmo tempo em que a Vigilância Sanitária realizava a apreensão de
59 quilos de alimentos. Entre os alimentos apreendidos, alguns apresentavam prazo de validade
vencido, outros não apresentavam identificação e ainda havia alguns alimentos que não
estavam armazenados em temperatura ideal.
A Vigilância notificou imediatamente as empresas responsáveis pelos produtos, que haviam
recebido concessão da FIFA para a venda no estádio. De acordo com a Secretaria de Saúde do
Rio de Janeiro, lanches prontos, tais como hambúrguer e cachorro-quente, estavam fora da
validade; três quilos de salsicha estavam sem identificação; sanduíches com pasta de frango,
que seriam distribuídos aos stewards (seguranças), estavam guardados fora da temperatura
ideal; o queijo ralado também não tinha procedência, embora embalado. Os relatos dos
pacientes apontavam para o cachorro-quente como causador da intoxicação.
Considerando a notícia acima, avalie as asserções a seguir.
I. Vômito e diarreia são sintomas comuns de intoxicação ou toxinfecção alimentar causadas
por bactérias como Staphylococus aureus, Clostridium perfringens e Escherichia coli, que
podem se desenvolver e produzir toxinas em alimentos estocados por longos períodos de
tempo ou em temperatura indevida.
II. A rapidez do surgimento dos sintomas nos consumidores que estavam no estádio sugere
a contaminação dos alimentos por Staphylococus aureus, que pode ter ocorrido a partir
do contato com as mãos dos manipuladores dos alimentos, provavelmente no momento
do preparo.
III. Medidas básicas de higiene, como, por exemplo, lavar as mãos antes do preparo de
alimentos e após usar o banheiro, são suficientes para prevenir a contaminação dos
alimentos por microrganismos como Escherichia coli e Salmonella spp. e, por isso, são
medidas de prevenção aos surtos de intoxicação ou toxinfecção alimentar.
IV. As análises microbiológicas e bromatológicas são ferramentas complementares das
boas práticas de fabricação, contribuindo para a garantia da qualidade dos alimentos e
para a prevenção de eventos adversos à saúde pública, bem como para a detecção do agente
causal dos surtos de toxinfecção alimentar.

É correto apenas o que se afirma em:


a) I e II.
b) II e III.
c) I, II e IV.
d) I, III e IV.
e) II, III e IV.

109
QUESTÕES
Capítulo 5: Para treinar e fixar o conteúdo!

2. (ENADE 2016 adaptado) Apesar dos antimicrobianos existentes, da melhora das condições
sanitárias e das medidas de controle de infecção hospitalar, os estafilococos continuam sendo
um dos patógenos que mais afetam o homem. Indivíduos sadios são colonizados
intermitentemente por Staphylococcus aureus, mas a partir de sítios específicos, podem
contaminar a pele e membranas mucosas de pacientes em hospitais por contato direto ou
ocasionar infecções letais dados os fatores de virulência ou de resistência aos antimicrobianos
atualmente utilizados, como a vancomicina. Em contrapartida, os estreptococos foram os
maiores causadores de infecção hospitalar na era pré-antibiótica, tendo causado surtos de
infecção e morte de puérperas. Eles provocam, ainda hoje, doenças muito graves e muitas vezes
letais, mesmo em pacientes imunocompetentes (BRASIL. Agência Nacional de Vigilância
Sanitária. Microbiologia Clínica para o Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde.
Brasília, 2013 (adaptado)).

Com relação aos microrganismos mencionados no texto, avalie as afirmações a seguir.

I. A identificação dos estreptococos, em forma de cocos aos pares, em cachos de uva ou


agrupados, e dos estafilococos, em forma de cadeia longa, pode ser realizada por meio da
microscopia.
II. A prova da catalase em lâmina geralmente resulta em positiva para estafilococos e negativa
para estreptococos, permitindo sua diferenciação.
III. As colônias inoculadas em ágar sangue de carneiro, podem apresentar hemólise, total ou
parcial (beta e alfa hemólise), ou nenhuma (gama hemólise).

É correto o que se afirma em:


a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.

110
QUESTÕES
Capítulo 5: Para treinar e fixar o conteúdo!
3. (ENEM, 2021) Nas últimas décadas vários países, inclusive o Brasil, têm testemunhado uma
grande proliferação de bactérias patogênicas, envolvidas em uma variedade de doenças e que
apresentam resistência a múltiplos antibióticos. Atualmente têm se destacado as superbactérias
que acumularam vários genes determinantes de resistência, a ponto de se tornarem resistentes
a praticamente todos os antimicrobianos. FERREIRA, F. A.; CRUZ, R. S.; FIGUEIREDO, A. M. S. O
problema da resistência a antibióticos. Ciência Hoje, v.48, n.287, 2011 (adaptado).
Essa resistência tem ocorrido porque os(as):

a) Bactérias patogênicas se multiplicam de maneira acelerada.

b) Antibióticos são utilizados pela população de maneira indiscriminada.

c) Bactérias possuem plasmídeos que contêm genes relacionados à virulência.

d) Bactérias podem ser transmitidas para um indivíduo utilizando várias estratégias.

e) Serviços de saúde precários constituem importantes focos de bactérias patogênicas.

4. (ENEM, 2017) Os medicamentos são rotineiramente utilizados pelo ser humano com o intuito
de diminuir ou, por muitas vezes, curar possíveis transtornos de saúde. Os antibióticos são
grupos de fármacos inseridos no tratamento de doenças causadas por bactérias. Na terapêutica
das doenças mencionadas, alguns desses fármacos atuam:

a) Ativando o sistema imunológico do hospedeiro.

b) Interferindo na cascata bioquímica da inflamação.

c) Removendo as toxinas sintetizadas pelas bactérias.

d) Combatendo as células hospedeiras das bactérias.

e) Danificando estruturas específicas da célula bacteriana.

111
QUESTÕES
Capítulo 5: Para treinar e fixar o conteúdo!
5. A pneumonia é uma infecção pulmonar bastante comum que pode ser desencadeada por
diversos fatores, tais como bactérias, vírus, fungos e algumas substâncias inorgânicas. A respeito
das pneumonias bacterianas, marque a alternativa incorreta.

a) Dentre os sintomas da pneumonia bacteriana, podemos citar febre e dificuldade respiratória.


b) A transmissão da pneumonia ocorre pelo ar.
c) Para tratar a pneumonia bacteriana, utilizam-se antibióticos.
d) O principal agente causador da pneumonia é o Staphylococcus pneumoniae.

6. (Unicamp-SP) - Estima-se que um quarto da população europeia dos meados do século XIX
tenha morrido de tuberculose. A progressiva melhoria da qualidade de vida, a descoberta de
drogas eficazes contra a tuberculose e o desenvolvimento da vacina BCG fizeram com que a
incidência da doença diminuísse na maioria dos países. Entretanto, estatísticas recentes têm
mostrado o aumento assustador do número de casos de tuberculose no mundo, devido à
diminuição da eficiência das drogas usadas e à piora da condições sanitárias em muitos países.

A) Qual é o principal agente causador da tuberculose humana?


B) Como essa doença é comumente transmitida?

RESPOST
AS:
1. C
2. D
3. B
4. E
5. D
6. RESP
OSTAS
A)Bacil :
o de
Mycoba Koch
cterium ou ba
B)A tubercu ctéria
transm losis.
Quand is s ã o é
o o do direta.
espirra ente to
, ele c sse, fa
espalh onsequ la ou
a no a entem
com o r gotas ente
micrób peque
Assim, io da t nas
se a ubercu
respira lguma lose.
r este pessoa
micrób ar pod
io para e levar
o seu p este
ulmão
.

112
Curiosidades
SAIBA MAIS!

Você sabia que a nossa alimentação pode ser a porta de entrada para diversas
bactérias?

Muitos alimentos contaminados carregam microrganismos que podem vencer nosso


sistema imune e causar doenças perigosas. Por isso, a higienização correta e a cocção sob
tempo e temperatura adequados são fundamentais, já que os microrganismos vegetativos,
como o S. aureus, são destruídos através de tratamento térmico.
Embora seja difícil de rastrear o alimento responsável pela toxinfecção pois, geralmente, o
consumidor não se lembra de quais alimentos poderiam estar inadequados nas últimas
refeições, existem alguns alimentos em que se é mais comum encontrar os microrganismos e,
assim, podemos ficar mais atentos a eles.
Uma dessas bactérias é a Salmonella spp . que muito se acredita estar presente apenas
nos ovos, mas é encontrada também no frango, nas carnes suínas e nos frutos do mar –
itens frequentemente consumidos crus, além de vegetais como repolho e alcachofra.
Portanto, atente-se à procedência do alimento, às condições higiênico-sanitárias em que o
alimento se encontra, à sua higienização e sua cocção.

113
REFERÊNCIAS
do Capítulo

FORSYTHE, Stephen J. Microbiologia da segurança dos alimentos. 2. Porto Alegre ArtMed


2013 1 recurso online ISBN 9788536327068

MICROBIOLOGIA de Brock. 14. Porto Alegre ArtMed 2016 1 recurso online ISBN
9788582712986. TORTORA, Gerard J. Microbiologia. 12. Porto Alegre ArtMed 2017 1
recurso online ISBN 9788582713549.

114
EM E-BOOK

CAPÍTULO

6
BACTERIANO
EM LABORATÓRIO
MICROBIOLOGIA EM E-BOOK

CAPÍTULO 6
Nutrição, metabolismo e crescimento bacteriano em laboratório

[Link]ÇÃO

A nutrição das bactérias em laboratório se dá através da absorção, por difusão, de macro e


micronutrientes, presentes em substratos nutritivos, denominados de meios de cultura. Os
nutrientes são as substâncias encontradas no meio de cultura, que participam do metabolismo
celular, podendo ser divididos em dois grandes grupos. Os macronutrientes representam os
nutrientes que a bactéria necessita em maior quantidade, são eles: água, carbono, nitrogênio,
enxofre, fósforo, componentes utilizados para síntese de compostos orgânicos essenciais para
a sobrevivência desses microrganismos. Já, os micronutrientes, são nutrientes que o organismo
da bactéria necessita em menor quantidade: potássio, magnésio, cálcio, ferro, cobre,
molibdênio e zinco, essenciais para as reações enzimáticas que baseiam o metabolismo desses
organismos.

1.1. MACRONUTRIENTES

ÁGUA
Uma das principais funções da água é agir como solvente, essa ação é essencial para que
aconteçam as trocas metabólicas do organismo, além de compor um meio no qual há a
digestão extracorpórea e a reconstrução de macromoléculas, permitindo a ocorrência dos
processos enzimáticos e bioquímicos que são essenciais para a manutenção do metabolismo
bacteriano.

CARBONO
O carbono é o esqueleto estrutural da matéria viva, é necessário para todos os compostos
orgânicos que constituem uma célula viva, como carboidratos, aminoácidos, lipídeos e
nucleotídeos. Metade do peso seco de uma típica célula bacteriana é composta de carbono.

117
CAPÍTULO 6 Microbiologia em E-book

Os quimioheterotróficos obtêm a maior parte do seu carbono de sua fonte de energia de


materiais orgânicos, como proteínas, carboidratos e lipídeos. Os quimioautotróficos e os
fotoautotróficos derivam seu carbono do dióxido de carbono.

NITROGÊNIO
Esse elemento é uma parte essencial dos aminoácidos que constituem as proteínas,
presente também nas bases nitrogenadas compondo DNA e RNA. Ao contrário das células
eucarióticas, algumas bactérias podem usar nitrogênio gasoso ou atmosférico para a síntese
celular por um processo chamado fixação de nitrogênio.
Outros usam compostos nitrogenados inorgânicos, como nitratos, nitritos ou sais de
amônio e ainda podem ser usados compostos de nitrogênio orgânico, como aminoácidos e
peptídeos. Muitas bactérias obtêm esses compostos da decomposição de material contendo
proteína e reincorporando os aminoácidos em novas proteínas sintetizadas e outros compostos
nitrogenados.

ENXOFRE
Requerido para a biossíntese de aminoácidos como cisteína e metionina, estes
aminoácidos formarão as proteínas, além de participar da formação de vitaminas, como a
tiamina e a biotina, que contêm enxofre.

FÓSFOROS
O fósforo é essencial para a síntese de ácidos nucleicos (DNA e RNA), formação de
fosfolipídios presentes na membrana plasmática e ATP.

1.2. MICRONUTRIENTES

POTÁSSIO, MAGNÉSIO E CÁLCIO


São minerais utilizados como cofatores para reações enzimáticas do metabolismo das
bactérias.

FERRO, COBRE, MOLIBDÊNIO E ZINCO


São elementos traços utilizados como cofatores essenciais para ativação de enzimas
bacterianas.

118
CAPÍTULO 6 Microbiologia em E-book

2. METABOLISMO

O metabolismo representa a forma de composição ou degradação de substratos em uma


célula, com intuito de fornecer energia e gerar substâncias para sustentar o funcionamento do
organismo. O metabolismo das bactérias se difere de acordo com a fonte de carbono e o tipo
de energia utilizada.

De acordo com a fonte de carbono:

Autotróficos: utilizam carbono a partir do dióxido de carbono;


Heterotróficos: utilizam carbono a partir de compostos orgânicos.

De acordo com a fonte de energia:

Fototróficos: usam a luz como fonte de energia.


Quimitróficos: oxidam compostos inorgânicos reduzidos, como amônia, nitritos, sulfeto de
hidrogênio e íons de ferro para obter ATP.

De acordo com a fonte de carbono e energia, teremos 4 grandes categorias


bacterianas:
Quimioautotróficos;
Quimioheterotróficos;
Fotoautotróficos;
Fotoheterotróficos.

Dessas categorias, os quimioheterotróficos usam reações de redução de oxidação de


compostos orgânicos como fonte de energia e normalmente usam as mesmas substâncias
orgânicas como fonte de carbono. Essas fontes são altamente variáveis ​e incluem glicose, outros
carboidratos, proteínas, lipídios e compostos orgânicos, como hidrocarbonetos. Os processos
de respiração aeróbica de substratos orgânicos e fermentação são as vias metabólicas mais
comuns neste grupo de organismos. A maioria dos procariontes pertencem a esta categoria,
incluindo todas as bactérias patogênicas, todos os eucariontes não fototróficos, incluindo
fungos e protozoários, também são quimioheterotróficos.

119
CAPÍTULO 6 Microbiologia em E-book

3. BACTÉRIAS QUIMIOHETEROTRÓFICOS E PATOGENICIDADE

As bactérias quimioheterotróficas estão presentes em nossa microbiota normal, se elas


permanecerem neste local está tudo bem, afinal aquele é seu habitat, onde os nutrientes são
absorvidos sem causar danos ao nosso corpo, mas se elas forem deslocadas para um outro sítio
corpóreo estéril, podem nos causar doenças oportunistas pela capacidade de produzir enzimas
com intuito de captar nutrientes deste local, através da produção de:
ENZIMAS, como lipases, glicosidases, sulfatases, proteases e nucleases; que degradam
compostos orgânicos em subunidades menores para absorção destes pelas bactérias, para
que possam ter energia e produzir suas próprias proteínas, entre outras estruturas;
TOXINAS, como hemolisinas, coagulases, leucocidinas, entre outros, conhecidos como
fatores de virulência bacteriana, que promovem a entrada e permanência da bactéria em
outro organismo, aumentando sua capacidade de causar uma infecção.

4. CRESCIMENTO BACTERIANO EM LABORATÓRIO

O crescimento bacteriano corresponde ao aumento no número de bactérias por


reprodução bacteriana, processo assexuado, em que se multiplica o cromossomo e duplica-se a
célula, e acontece em ritmo logarítmico. O tempo de geração, ou seja, o intervalo de tempo
necessário para que cada micróbio se dívida e duplique o número de populações de cultura,
varia de espécie para espécie e é fortemente afetado pelo teor de nutrientes do meio em que
os micróbios estão localizados.

O crescimento logarítmico pode ser definido pela fórmula


X=2n
em que n é o número de gerações.

A reprodução acontece por divisão binária simples ou cissiparidade, um modo de


reprodução assexuada.
Divisão celular bacteriana:

Figura 1 - Representação da divisão celular bacteriana (SALVATIERRA, 2019)

120
CAPÍTULO 6 Microbiologia em E-book

5. CURVA DE CRESCIMENTO BACTERIANO EM SISTEMA FECHADO

A curva de crescimento bacteriano em sistema fechado representa o comportamento das


bactérias num ambiente controlado. Basicamente a curva é avaliada através do cultivo de
bactérias com os nutrientes necessários, de acordo com os caracteres da bactéria e, assim são
observadas as fases de adaptação, do crescimento, a fase estacionária e a de declínio da
população.

Figura 2 – Fases de crescimento bacteriano (SALVATIERRA, 2019)

Fases:
1 – Fase lag ou inicial = Ocorre a adaptação das bactérias às novas condições ambientais;
2 – Fase exponencial = Após a adaptação, ocorre a divisão das células, aumento da população
em escala exponencial;
3 – Fase estacionária = Com o aumento da população os nutrientes passam a ser um fator
limitante, então o crescimento se estabiliza;
4 – Fase de declínio = Sem comida e com o ambiente cheio de toxinas as bactérias começam a
morrer, e por isso ocorre o declínio no número de células.

121
CAPÍTULO 6 Microbiologia em E-book

6. INFLUÊNCIA DO OXIGÊNIO NO CRESCIMENTO BACTERIANO

Há vários fatores ambientais que podem influenciar o crescimento bacteriano em


laboratório, tais como pH, temperatuta e atmosfera gasosa. Dado que os meios de cultura
possuem sistema tampão para otimização do crescimento bacteriano e as culturas são
acondicionadas em estufa bacteriológica, cuja temperatura é em torno de 37 graus Celsius,
destacaremos aqui apenas a influência do oxigênio no crescimento bacteriano.
O oxigênio é um receptor final de hidrogênio no processo de respiração aeróbica da
bactéria que são denominadas aeróbias. Não são todas as bactérias que utilizam ou toleram a
presença de oxigênio, com isso, de acordo com a necessidade de oxigênio, para produção de
energia, as bactérias são classificadas em aeróbias e anaeróbias. As bactérias aeróbias se
desenvolvem em ambientes onde há uma disponibilidade de oxigênio. Ao contrário, as
bactérias anaeróbias se desenvolvem na ausência de oxigênio. E podem ser divididas em
anaeróbias facultativas e anaeróbias estritas. As bactérias anaeróbias estritas necessitam
obrigatoriamente de uma atmosfera pobre em oxigênio pela toxidade ao oxigênio que essa
bactéria apresenta; já as bactérias anaeróbias facultativas são as que se desenvolvem na
presença ou ausência de oxigênio. Observe na tabela a seguir o comportamento do
crescimento bacteriano das diferentes bactérias frente ao oxigênio.

Tabela 1 - O efeito do oxigênio sob o crescimento bacteriano (TORTORA, 2107)

122
CAPÍTULO 6 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL
Capítulo 6: Organizando conceitos

Mapa Mental 1 e 2 - Nutrientes importantes para manutenção e crescimento


bacteriano.

Mapa Mental 3 - Metabolismo bacteriano.

Mapa Mental 4 - Meios de Cultura.

123
CAPÍTULO 6 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL - Macronutrientes

124
CAPÍTULO 6 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL - Micronutrientes

125
CAPÍTULO 6 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL - Metabolismo Bacteriano

126
CAPÍTULO 6 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL - Meios de Cultura

127
DICA DE LEITURA
Acesse esses livros em "Minha Biblioteca"
dO Centro Universitário São Camilo e
estude mais sobre o assunto!

Livro: TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L.


Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: Artmed,2017.
(Recurso Online – Biblioteca São Camilo)

Capítulo: 4

Livro: Microbiologia Básica:


[Link]
CROBIOLOGIA%20B%C3%81SICA%20-%20EBOOK%20-
%20ISBN%[Link]

Capítulos: 3, 4 e 5

Livro: Microbiologia Geral:


[Link]
r_alcool/microbiologia_geral.pdf
CAPÍTULO 6 Microbiologia em E-book

DICAS DE AULAS
Em plataformas digitais Y!
LA
DÁ UM P

NUTRIÇÃO DAS BACTÉRIAS – PROFESSOR


GUI CASALI

[Link]

A NUTRIÇÃO DAS BACTÉRIAS

[Link]
v=SwIwvpD-UMA

REPRODUÇÃO DAS BACTÉRIAS –


ANIMAÇÃO

[Link]
v=7qRsOme2Brs

BACTÉRIAS: REPRODUÇÃO,
METABOLISMO E ARCHEAS;

[Link]
v=usclpAEBI64

a aula
in k d
e c o le o l or!
o p ie e ga d
C
o s e u nav
n
QUESTÕES
Capítulo 6: Para treinar e fixar o conteúdo!

1. (FUVEST) Qual das alternativas distingue organismos heterotróficos de organismos


autotróficos?
a) Somente organismos heterotróficos necessitam de substâncias químicas do ambiente.
b) Somente organismos heterotróficos fazem respiração celular.
c) Somente organismos heterotróficos possuem mitocôndrias.
d) Somente organismos autotróficos podem viver com nutrientes inteiramente inorgânicos.
e) Somente organismos autotróficos não requerem gás oxigênio.

2. De acordo com o tipo de alimentação, os seres vivos podem ser classificados em autotróficos
e heterotróficos. Analise as alternativas seguintes e marque aquela que melhor define um ser
autotrófico:
a) Seres autotróficos são organismos capazes de produzir seu próprio alimento utilizando
matéria orgânica proveniente de outro ser vivo.
b) Seres autotróficos são aqueles organismos que se alimentam tanto de vegetais quanto de
animais.
c) Seres autotróficos são aqueles que retiram seu alimento de outros seres vivos.
d) Seres autotróficos são organismos capazes de sintetizar seu próprio alimento, não
necessitando da matéria orgânica já produzida.
e) Seres autotróficos são organismos incapazes de produzir seu próprio alimento, sendo a base
da cadeia alimentar.

3. A nutrição de bactérias se dá através de macro e micronutrientes. Assinale a alternativa que


corresponde a todos os macronutrientes necessários para as bactérias:
a) água, amido, proteína, gordura, enxofre e cálcio;
b) água, nitrogênio, potássio, amido e magnésio;
c) proteínas, gorduras, ferro e água;
d) nitrogênio, proteínas, ferro e zinco;
e) água, carbono, nitrogênio, enxofre, fósforo, potássio, magnésio e cálcio.

130
QUESTÕES
Capítulo 6: Para treinar e fixar o conteúdo!

4. Sobre a curva de crescimento bacteriano em sistema fechado, assinale a alternativa correta:


a) a fase lag corresponde ao momento em que a curva fica estagnada;
b) a fase exponencial corresponde ao momento de queda da curva;
c) a fase lag corresponde ao momento em que a curva cresce;
d) a fase estacionária corresponde ao momento em que a curva fica estagnada.
e) a fase exponencial corresponde ao momento de adaptação das bactérias ao meio de
cultura.

5. Sobre o crescimento bacteriano, assinale V para afirmações VERDADEIRAS e F para


afirmações FALSAS:
( ) A reprodução bacteriana ocorre por divisão binária simples ou cissiparidade;
( ) Uma bactéria pode mudar seu material genético durante sua reprodução;
( ) O crescimento bacteriano se refere ao aumento do volume de uma única bactéria;
( ) O crescimento bacteriano ocorre em ritmo logarítmico;
( ) Uma bactéria gera uma bactéria filha igual a ela, ou seja não muda seu material genético.

Respost
as:

1) D
2) D
3) E
4) D
5) V, F,
F, V e V
.

131
Curiosidades
SAIBA MAIS!

Figura 3 e 4 – Estruturas de endósporos bacterianos (TORTORA, 2017)

Endósporos

Algumas bactérias gram-positivas, como Clostridium e Bacillus, podem elaborar estruturas


de resistência, quando houver falta de água e nutrientes, anulando seu metabolismo, podendo
germinar a qualquer momento com a presença de água e nutrientes. A estrutura em questão é
denominada de ENDOSPÓRO.
Um endósporo é uma estrutura dormente, rígida, formada dentro de uma célula que
protege as bactérias de condições ambientais adversas. Embora os endósporos sejam
relativamente raros em células bacterianas, eles podem ser produzidos por alguns tipos de
bactéria, e ocorre através do processo de esporulação ou esporogênese. Os endósporos
podem permanecer adormecidos por milhares de anos. Os esporos voltam ao estado vegetativo
por meio de um processo denominado germinação. A germinação pode ser desencadeada pelo
calor ou por agentes químicos. Para voltar a atividade, as enzimas no endósporo quebram as
camadas extras que a cercam, a água entra e o metabolismo recomeça novamente.
Uma vez que a célula vegetativa forma um único endósporo que permanece após a
germinação, a esporulação bacteriana não é um meio de reprodução. Esse processo não
aumenta o número de células. Os endósporos são importantes clinicamente e na indústria de
alimentos porque são resistentes aos processos que normalmente destroem as células
vegetativas. Esses processos incluem aquecimento, secagem, uso de produtos químicos e
radiação. Enquanto a maioria das células vegetativas são destruídas por temperaturas acima de
70° C, os endósporos podem sobreviver em água fervente por várias horas ou mais.

132
Figura 5 – Formação de endósporo bacteriano (TORTORA, 2017)

Curiosidades
SAIBA MAIS NO
CAPÍTULO 3!
(1'•623526

Uma bactéria pode se modificar ao longo da reprodução, mesmo que assexuada, por
mutações espontâneas, que são fenômenos mais raros de ocorrer em relação aos processos de
recombinação bacteriana, que trazem genes de outros microrganismos para as bactérias,
confira mais sobre eleV no capítulo 3.

133
REFERÊNCIAS
do Capítulo

SALVATIERRA, Clabijo Mérida. Microbiologia aspectos morfológicos, bioquímicos e


metodológicos. São Paulo Erica 2018 1 recurso online ISBN 9788536521114.

SALVATIERRA, Clabijo Mérida. Microbiologia aspectos morfológicos, bioquímicos e


metodológicos. 1. São Paulo Erica 2019 1 recurso online (Eixos). ISBN 9788536530550.

TORTORA, Gerard J. Microbiologia. 12. Porto Alegre ArtMed 2017 1 recurso online ISBN
9788582713549.

134
CAPÍTU
7
LO

EM E-BOOK

DO CRESCIMENTO BACTERIANO
MICROBIOLOGIA EM E-BOOK

CAPÍTULO 7
Controle do crescimento bacteriano

1. CONCEITOS INTRODUTÓRIOS

Para o estudo de microrganismos em condições laboratoriais, os pesquisadores utilizam


diversas técnicas além de meios de cultura a fim de possibilitar e acompanhar o crescimento
microbiano. Porém, nem sempre desejamos que um microrganismo cresça em um determinado
material, local ou alimento. Por isso, foram desenvolvidas diversas maneiras de conter a
proliferação dos microrganismos e até mesmo de eliminá-los de um material, deixando-o estéril,
livre de todo e qualquer tipo de micróbio, seja patogênico ou não, e seguro no ponto de vista
microbiológico.
Observe no mapa mental no final deste capítulo alguns conceitos básicos referentes à
desinfecção, esterilização, antissepsia, degermação e sanitização para melhor aproveitar o
conteúdo desenvolvido neste capítulo.
Os métodos de controle microbiológico podem ocorrer tanto por meio do emprego de
métodos físicos como por métodos químicos, tendo cada um desses, diversas variações,
diferentes aplicações e apresentarem inúmeras particularidades, podendo ser empregados em
materiais dos mais diversos tipos de composição.

2. MÉTODOS FÍSICOS DE CONTROLE MICROBIANO

Segundo Tortora (2017), desde os tempos mais remotos, os métodos físicos de controle do
crescimento microbiano já eram empregados para a preservação do alimento. Nesta época,
eram utilizados métodos de dessecação com a adição de sal, que por meio da pressão
osmótica, sequestra água do alimento, evitando a sua contaminação. Essas eram as técnicas
iniciais de controle microbiológico.
Atualmente, existem inúmeras técnicas de controle microbiano e a escolha do melhor
método a ser empregado é muito importante, tendo em vista que, em muitos dos processos
poderá ocorrer além da eliminação dos microrganismos, de compostos e componentes
importantes do material subordinado ao processo.
A seguir apresentaremos alguns procedimentos de controle microbiológico onde a
temperatura é empregada para esta finalidade. Vale lembrar que: microrganismos patogênicos
para o homem, crescem em temperaturas próximas às nossas. Por isso, o emprego de baixas
ou altas temperaturas, tende a danificar estruturas biológicas de grande importância para a
manutenção e sobrevivência dos microrganismos.

137
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

2.1 TEMPERATURA

O calor acima de 45ºC é capaz de desnaturar algumas enzimas microbianas, mudando sua
forma e consequententemente promovendo sua inativação. As baixas temperaturas também
podem impedir o funcionamento correto de enzimas promovendo efeito bacteriostático.
(TORTORA, 2017).
Apresentaremos a seguir, como as altas e as baixas temperaturas são empregadas no
controle microbiano, descrevendo sucintamente o mecanismo pelo qual isto acontece.

2.1.1 CALOR ÚMIDO

O calor úmido é o processo no qual ocorre a geração de calor por meio do aquecimento
da água até seu ponto de ebulição gerando vapor, onde ocorre a coagulação da proteína
microbiana presente no material tratado. Este é o princípio de ação desse método, em que a
desnaturação, é capaz de alterar a estrutura das proteínas por meio da quebra das ligações de
hidrogênio.

Fervura ou passagem de vapor fluente

Neste processo é possível destruir as formas vegetativas dos patógenos bacterianos,


muitos vírus, fungos e seus esporos, com o emprego de 10 minutos de contato do material a ser
tratado com o vapor fluente.

Autoclavação

É um processo de esterilização que consiste na passagem de vapor pressurizado em um


ambiente fechado, em que a temperatura é mais elevada que na fervura, podendo chegar até a
135ºC.

Este método é um dos preferênciais para a


esterilização de materiais que estejam
relacionados aos cuidados de saúde, sendo
excluído apenas em casos de possível danos ao
material a ser autoclavado. Pode ser usado para
esterilização de meios de cultura, instrumentos,
vestimentas, equipamentos intravenosos entre
outros. Normalmente o processo acontece em
15 minutos em temperatura de 121ºC. É
necessário sempre um tempo maior de
exposição em caso de materiais sólidos, que não
estejam em meio aquoso a fim do calor penetrar
Fígura 1 - Esquema de esterilização por
completamente neste material. autoclavação, onde o vapor aquecido penetra na
câmara de esterilização e passa pelos
materiais (Fonte: BLACK, 2021).

138
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

Pasteurização

O processo de pasteurização consiste no aquecimento do material para a destruição de


microrganismos patogênicos, pode ser utilizado no leite, suco e cervejas. Há diversas variações
no processo de pasteurização clássica (desenvolvido por Louis Pasteur), que estão resumidos na
tabela 1.
A pasteurização em que o aquecimento ocorre a 72ºC, por meio de uma serpentina, em um
período de 15 segundos, recebe o nome de pasteurização de alta temperatura em curto tempo,
ou HTST, do inglês high-temperature short-time pasteurizatio . Além de destruir os patógenos
que poderiam causar doenças ao consumidor como tuberculose, brucelose e infecções por
meio da bactéria Escherichia coli, este processo diminui a contagem de bactérias totais
permitindo a conservação do leite por um tempo maior em geladeira (TORTORA, 2017).

Esterilização por UHT

Neste processo, a temperatura em que o material é exposto, é maior do que no processo


de pasteurização, comercialmente é conhecido como UHT, Ultra Hight Temperature, ou
tratamento de temperatura ultraelevada.
O material líquido neste processo é borrifado em pequenas quantidades dentro de uma
câmara que contém vapor sob pressão, atingindo a temperatura de 140ºC por 4 segundos, é
então rapidamente resfriado em uma câmara de vácuo para então ser envasado em um
recipiente previamente esterilizado.
Em produtos como o leite ou o suco possibilitamos um maior tempo de prateleira, mesmo
que fora da refrigeração, com suas características organolépticas praticamente conservadas
como a do produto in natura, porém sem a presença de patógenos e deteriorantes (TORTORA,
2017).

Tabela 1 -Siglas e temperaturas dos diferentes tipos de Pasteurização (Fonte:Tortora,


2017).

139
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

2.1.2 CALOR SECO

O calor seco provoca a destruição dos microrganismos por meio da oxidação dos seus
constituintes celulares orgânicos. Ocorre de uma forma mais lenta quando comparado ao calor
úmido, este meio de controle de crescimento microbiano é indicado quando o contato do
material a ser tratado com o vapor seja inadequado.

Chama direta

Este método consiste em levar o material, por exemplo a alça metálica de inoculação, muito
usada em laboratórios de microbiologia, em contato direto com a chama acesa do bico de
Bunsen para eliminação de contaminantes existentes nela (TORTORA, 2017).

Incineração

Oxida o material contaminado através da incineração deste em fornos ou usinas próprias,


promovendo a formação de cinzas e a redução do volume final deste material (TORTORA, 2017).

Esterilização em ar quente

Consiste na esterilização do material pelo


contado do calor conduzido pelo ar quente
dentro de um forno, necessitando de um maior
tempo de exposição e de uma temperatura
mais elevada do que nos meios de calor úmido.
Normalmente utiliza-se a exposição por duas
horas a 170ºC, pois o calor responsável pela
oxidação dos componentes celulares
microbianos é conduzido pelo ar (TORTORA,
2017). Figura 2 - Estufa de ar quente elétrica

2.1.3 BAIXAS TEMPERATURAS

A exposição de microrganismos à temperaturas muito baixas provoca redução do seu


crescimento, diminui também a síntese de toxinas, por ter um efeito bacteriostático (TORTORA,
2017).
No entanto, microrganismos psicotróficos conseguem se multiplicar lentamente mesmo em
refrigeração. Podem alterar as características organolépticas dos alimentos após algum tempo,
principalmente em produtos lácteos, em que o micróbio produz lipases ou proteases que
acabam promovendo essas alterações.
Um dos grandes problemas em relação ao controle por meio do emprego de
baixas temperaturas é quando se realiza o descongelamento, que por muitas vezes, é
lento, possibilitando os microrganismos que ainda restam no material congelado de se
multiplicarem (TORTORA, 2017). 140
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

Refrigeração

Este método de controle é comumente utilizado em alimentos, fármacos ou meios de


culturas onde os materiais são mantidos a uma temperatura em torno de 5ºC para um efeito
bacteriostático, por diminuir as reações químicas e desencadear uma possível alteração na
estrutura proteica do microrganismo, porém algumas bactérias e bolores continuam a crescer
mesmo quando expostos a temperaturas mais baixas que a ambiente (TORTORA, 2017; BLACK,
2021).

2.2 FILTRAÇÃO

Quando temos uma solução sensível ao calor,


o método de filtração pode ser empregado para
sua esterilização.
O processo consiste na passagem do líquido
por meio de um filtro com trama variada,
podendo chegar até a 0,01 µm, para dentro de
um frasco estéril, com o auxílio de uma bomba
de vácuo gerado para esta finalidade (TORTORA,
2017).
Dependendo do tamanho dos poros da
membrana filtrante que se utiliza nesse processo
pode-se reter vírus e até mesmo algumas
moléculas grandes de proteína.
Podemos empregar a mesma estratégia de
filtração, para retirada de microrganismos do ar,
que será lançado em salas cirúrgicas ou para
locais onde haverá a acomodação de pacientes
queimados. Neste caso usa-se filtros HEPA (High Figura 3 - Esquema de filtração de amostra.
Efficiency Particulate Arrestance). (Fonte: TORTORA, 2017).

2.3 DESSECAÇÃO

Este método de controle é utilizado em alimentos e consiste na remoção de água fazendo


com que as reações químicas pela perda da atividade enzimática seja inibida. Tem efeito
bacteriostático e pode ser empregado em alimentos, podendo-se destacar o uso para
leguminosas e frutas (TORTORA, 2017; BLACK, 2021).

141
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

2.4 PRESSÃO OSMÓTICA

Neste processo, a adição de altas quantidades de sal ou de açúcar nos materiais, cria um
meio hipertônico que promove a saída de água das células microbianas presentes neles
(TORTORA, 2017).
Este método tem um princípio muito parecido com o de dessecação no sentido de
remoção de água do material, sendo comumente empregado para a conservação de alimentos,
seja na adição de sal em carnes ou então o uso de açúcar ou soluções açucaradas para a
preservação de frutas ou fabricação de geleias (TORTORA, 2017).

2.5 RADIAÇÃO

Dependendo do comprimento, intensidade e duração da onda radioativa, ilustrados na


figura 4, podemos observar diversos efeitos sobre os microrganismos presentes em um
material. Este efeito, promove a destruição dos microrganismos.
Existem dois tipos diferentes de radiações empregadas no controle microbiológico que
serão apresentadas a seguir.

Figura 4 - Diferença no comprimento de onda e os tipos de emissão energética dos diferentes tipos de
radiações (Fonte: TORTORA, 2017).

2.5.1 Radiação Ionizante

Este tipo de radiação é utilizado para esterilizar produtos farmacêuticos, suprimentos


médicos e de uso odontológico, além de serem utilizados em alguns países para a esterilização
de alimentos. Funciona por meio da irradiação de raios X, com ondas que possuem menos de 1
nm ou, por meio dos raios gama, que possuem um comprimento de onda menor e atuam
deslocando elétrons dos átomos, gerando íons, e têm como mecanismo de ação a destruição
do DNA, proteínas e outros componentes celulares (TORTORA, 2017; BLACK, 2021).

142
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

2.5.2 Radiação não Ionizante

A radiação não ionizante possui baixo poder de penetração quando comparada com a
radiação ionizante, gera danos ao DNA e por isso é utilizada apenas na descontaminação de
superfícies por meio de radiação UV emitidos por lâmpadas. Seu uso comum é em salas de
cirurgia para descontaminação do ar na ausência de pessoas e em laboratórios para
descontaminar materiais (TORTORA,2017; BLACK, 2021).

Figura 5 - Cabine de segurança biológica onde a emissão de luz UV para evitar a contaminação quando não
está sendo utilizada e quando em uso ocorre a filtração do ar por meio de filtro HEPA proporcionando a
área um ambiente livre de contaminantes.
Fonte: General Med.,

3. MÉTODOS QUÍMICOS DE CONTROLE MICROBIOLÓGICO

Nos métodos químicos de controle do crescimento microbiano podemos utilizar inúmeros


agentes químicos, tanto naturais quanto sintéticos. Podem ser desinfetantes ou esterilizantes.
Segundo Levinson (2016), os agentes químicos podem atuar no controle do crescimento
microbiano por três mecanismos distintos: a ruptura de membrana contendo lipídeos,
modificação de proteínas ou modificação do DNA.

3.1 O FENOL E OS COMPOSTOS FENÓLICOS

O fenol foi o primeiro agente a ser utilizado como desinfetante em salas de cirurgia, em
1860 por Lister, um médico e pesquisador britânico. Derivados de fenol em especial o que é
derivado do alcatrão, denominado de cresol, estão presente na maioria dos desinfetantes
comerciais como o Lysol, por ser um excelente desinfetante de superfícies (TORTORA, 2017).

143
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

Fenol

O mecanismo de ação do fenol é a ruptura de membranas celulares e a desnaturação de


proteínas, não é um dos produtos mais utilizados, devido a irritabilidade que causa na pele,
além de seu odor desagradável. Mas, pode ser usado na confecção de pastilhas e sprays para a
garganta, pois tem efeito anestésico local, tendo significativa ação antibacteriana apenas em
alguns sprays, em concentrações acima de 1% (TORTORA, 2017; LEVINSON, 2016).

Compostos fenólicos

Os compostos fenólicos são derivados do fenol, que possuem uma molécula quimicamente
alterada a fim de reduzir a irritabilidade proporcionada na pele ou, então, aumentar seu poder
bacteriostático, quando junto de algum detergente.
Estes agentes atuam por lesão à membrana plasmática dos micróbios e enquanto
desinfetantes conseguem permanecer ativos na presença de compostos orgânicos, mantendo
estabilidade e persistindo por longos períodos, sendo agentes apropriados para desinfecção
de materiais biológicos como pus, saliva e fezes (TORTORA, 2017).

Bisfenóis

Segundo Tortora (2017), são derivados do fenol, contendo em sua composição dois
grupos fenólicos conectados, podem ser encontrados na composição de loções, para o controle
de crescimento microbiano, em cirurgias e hospitais com o nome de hexaclorofeno, sendo
bastante eficaz contra estafilococos e estreptococos gram-positivos.
Outro bisfenol é o triclosano presente na formulação de sabonetes devido a sua ação
antibacteriana, assim como em produtos cosméticos para melhor conservação. Porém o relato
de existirem bactérias resistentes à sua ação, além de possíveis casos de câncer, tem restringido
o seu uso.

3.2 BIGUANIDAS

Estes agentes apresentam amplo espectro de atividade tendo seu mecanismo de ação
principalmente na lesão da membrana celular, sendo muito efetivo contra bactérias gram-
positivas e gram-negativas, exceto Pseudomonas (TORTORA, 2017).
A biguanida mais conhecida é a clorexidina, utilizada como componente da formulação de
produtos que controlam o crescimento microbiana da pele e das mucosas como mertiolate e
alguns enxaguantes bucais.

3.3 HALOGÊNIOS

Este grupo é composto pelo cloro e pelo iodo e seu nome deriva de sua localização na
tabela periódica na família VII A, do grupo dos ametais.
144
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

Iodo

O iodo se faz muito presente na prática da medicina durante a desinfecção da pele, no


tratamento de feridas, desinfecção da área de coleta de hemoculturas e na colocação de
cateteres a fim de evitar contaminação proveniente da microbiana da pele e de Staphylococcus
epidermidis (LEVINSON, 2016).
Normalmente está disponível na forma de tintura, na proporção de 2% de iodo e iodeto
de potássio. Como esta solução pode trazer irritabilidade à pele, necessita ser removida após
a aplicação com álcool. Outra forma que se faz presente é a de iodóforos, onde temos
complexos de iodo juntamente com detergentes, onde o iodo é liberado lentamente, sendo
menos irritante à pele além de não manchar (LEVINSON, 2016; TORTORA, 2017).

Cloro

O cloro é um germicida muito utilizado em nosso cotidiano, seja na desinfecção de frutas,


legumes e verduras, ou até mesmo no tratamento da água, além de ser muito utilizado na
finalização da limpeza doméstica e em diversos hospitais, sendo a forma mais comum a de
hipoclorito de sódio.
Este é um agente oxidante, capaz de provocar a morte microbiana, por impedir o
funcionamento de boa parte do sistema enzimático celular (LEVINSON, 2016).
Pode ser encontrado em diversas apresentações: na forma líquida, de gás ou cloro
comprimido (sólido) para a desinfecção de água, seja a água de distribuição municipal, a
utilizada em piscinas ou até mesmo para tratamento do esgoto. Outra forma na qual pode ser
encontrada é a de dióxido de cloro, utilizado na desinfecção de superfícies, tendo em vista que
nesta forma não deixa gosto ou cheiro residual, sendo excelente para uso na indústria, por seu
amplo espectro de atividade e capacidade de eliminar (dependendo da concentração
empregada) cistos e endósporos (TORTORA, 2017).

4. ÁLCOOIS

A utilização de álcool para desinfecção de superfícies ou para a antissepsia da pele,


previamente a um procedimento de imunização ou coleta de sangue, é muito comum a todos e
isso ocorre pela eficácia que tem na eliminação das bactérias e fungos e até mesmo vírus que
possuam envelope (devido ao rompimento que causa em sua camada lipídica) além de, após
agirem, evaporar rapidamente e não deixar resíduos.

145
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

Comumente usamos na prátca o etanol, com sua concentração ótima de 70%, por ter
menor efetividade quando puro, pela volatilidade e, a presença de água na solução, é
necessária para a desnaturação dos microrganismos. Além dele, o isopropanol é
frequentemente comercializado como álcool de fricção sendo relativamente superior ao etanol
nos processos de desinfecção e antissepsia, sendo mais barato, menos volátil e de mais fácil
obtenção quando comparado ao etanol (TORTORA, 2017).

5. Metais Pesados e seus compostos

Diversos metais pesados são utilizados como biocidas ou antissépticos, mesmo que em
quantidades muito baixas, destacam-se a prata, o cobre, o zinco, o selênio e o mercúrio, sendo
chamada de ação oligodinâmica (oligo tem o significado de pouco), quando a prata e o cobre
exercem a ação antimicrobiana mesmo presente em pequenas quantidades (TORTORA, 2017;
BLACK, 2021).

Tabela 2 - Ação e principais formas de uso dos metais pesados.

146
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

Atualmente o uso da prata é difundido em vários


meios, com o emprego de tecnologia pode ser
utilizada, por exemplo em vestimentas, onde está
impregnada em peças como camisetas e meias com
a finalidade de reduzir os odores causados por
bactérias, além de estar inoculada como
nanopartículas em embalagens plásticas de
alimentos com a pretensão de manter os alimentos
ali acondicionados mais frescos (TORTORA, 2017).

Figura 6 - Efeito oligodinâmico da prata.


(Fonte: BLACK, 2021).

5.1 AGENTES DE SUPERFÍCIE

Os agentes de superfície, também são conhecidos como surfactantes, atuam “envolvendo”


a sujeira e retirando-a com a água através da emulsificação, são utilizados na limpeza em geral,
destacando-se neste grupo os sabões e detergentes.

Sabões e detergentes

Temos na composição dos sabões, álcalis e sódio, que possuem pouco valor antisséptico,
mas são capazes de exercer uma excelente função na remoção mecânica dos microrganismos
por meio da esfregação, em que o sabão atua rompendo o filme oleoso da pele (formado pelas
células mortas, pó, suor seco, microrganismos e secreções oleosas das glândulas sebáceas) em
pequenas gotículas, realiza a emulsificação desses componentes e os remove da superfície
tratada, isso faz dos sabões bons agentes degermantes (BLACK, 2021; TORTORA, 2017).
Os detergentes atuam na eliminação de microrganismos e na retirada da sujeira quando
são dispostos na água, fazendo com que esta mistura penetre nas cavidades a serem limpas.
Denomina-se como catiônicos os detergentes que possuem cargas positivas, sendo utilizados
no processo de limpeza de utensílios de cozinha (podendo inativar alguns vírus), e aniônicos os
que possuem cargas negativas, onde são utilizados para a lavagem de roupa e para a limpeza
domiciliar (BLACK, 2017).

147
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

Sanitizantes ácido-aniônicos

Sanitizantes são muito utilizados na limpeza de instalações que processam


alimentos, principalmente em fábricas de laticínios, na higienização de utensílios e
equipamentos. Normalmente ocorre a combinação de ácido fosfórico com um agente de
superfície e sua capacidade de limpeza está associada à porção carregada negativamente
da molécula, que reage com a membrana plasmática. Não possuem odor, tem um amplo
espectro de ação, não apresentam toxicidade, não são corrosivos e possuem uma ação rápida
(TORTORA, 2017).

Compostos quaternários de amônio (detergentes catiônicos)

Estes detergentes possuem capacidade de limpeza relacionada a parte carregada


positivamente da molécula, os compostos quaternários de amônio, também chamados de
quats, recebem este nome devido a estes terem modificações em seu ion amônio de valência
quatro (TORTORA, 2017).
São amplamente usados na indústria, principalmente a de alimentos e a farmacêutica,
podendo destacar sua versatilidade por serem incolores, inodoros, insípidos, estáveis e de fácil
diluição, além de ser um excelente surfactante e possuírem uma baixa toxicidade, podendo
causar irritações e sensibilidades à pele quando não administrados de maneira correta,
seguindo as instruções do fabricante.
Os quats são agentes bactericidas fortes contra as bactérias gram-positivas e um pouco
menos efetivos contra as gram-negativas, sendo considerados também, agentes fungicidas,
agentes amebicidas e agentes virucidas contra vírus que possuam envelope em sua estrutura,
porém não são capazes de destruir endósporos ou micobactérias (TORTORA, 2017).

148
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

5.2 CONSERVANTES QUÍMICOS DE ALIMENTOS

A adição de conservantes químicos nos alimentos tem como principal função evitar o
crescimento de microrganismos que possam deteriorá-los ou, então, que retardem essa
deterioração prologando assim o shelf life dos produtos.

Ácidos orgânicos

Temos como principais ácidos orgânicos utilizados para a conservação dos alimentos, o
ácido sórbico, o sorbato de potássio e o benzoato de sódio que atuam impedindo o
crescimento de bolores, principalmente em alimentos com pH mais ácido, em torno de 5,5 ou
menor, como os queijos e os refrigerantes. Já o proprionato de cálcio utilizado em produtos de
panificação controla o crescimento de bolores interferindo em seu metabolismo e no controle
de bactérias do gênero Bacillus pela ação na integridade de sua membrana plasmática , evitando
a formação de secreções semelhantes a muco que alteram as características físicas do pão,
deixando-o viscoso (TORTORA, 2017).

Nitratos e Nitritos

Os nitratos e nitritos possuem um uso amplo na indústria, podendo destacar o uso de nitrito
de sódio como: conservante de embutidos, corante na indústria têxtil e na fabricação de papéis,
assim como na composição de chapas de aço (QUIMESP).

O nitrito é o principal ativo e tem como principal função a manutenção da cor vermelha
presente em carnes, pois reage com o sangue ali contido, além da prevenção da germinação do
cresde endósporos botulínicos, além de poder ser obtido através do resultado da utilização
como substituto do oxigênio por bactérias em condições anaeróbias (TORTORA, 2017).

5.3 ALDEÍDOS

Os aldeídos estão entre um dos agentes químicos mais efetivos no controle do crescimento
microbiano, sendo normalmente apresentados na forma de formaldeído e glutaraldeído, que
atuam inativando as proteínas.
O gás de formaldeído serve como um excelente desinfetante, sua forma comumente
disponível de formalina era amplamente utilizada para a conservação de amostras biológicas.
Em relação ao glutaraldeído, este é mais eficaz que o formaldeído e acaba sendo menos tóxico,
sendo utilizado em hospitais para a esterilização de equipamentos de terapia respiratória que
passaram por uma limpeza cuidadosa anteriormente (TORTORA, 2017; LEVINSON, 2016).

149
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

5.4 ESTERILIZANTES QUÍMICOS

Óxidos de etileno e outros esterilizantes gasosos

O óxido de etileno é capaz de eliminar todos os microrganismos e endósporos de um


material após exposição por várias horas. Pode ser utilizado em ambientes hospitalares, para
esterilização de materiais sensíveis ao calor, pois o processo de esterilização, é realizado em
temperatura ambiente com uma excelente penetrabilidade (TORTORA, 2017; LEVINSON, 2016).
Outro gás que pode ser utilizado na esterilização é o dióxido de cloro que normalmente é
preparado no local a ser utilizado por ter um período curto de duração (TORTORA, 2017).

Esterilização por plasma

Entende-se como plasma o quarto estado da matéria em que ocorre a excitação de um


gás por meio de um campo eletromagnético a fim de formar núcleos misturados com cargas
elétricas variáveis e elétrons livres. Este meio de esterilização é utilizado em materiais
termosensíveis e alterados pela umidade (TORTORA, 2017).
Neste processo de esterilização, os materiais são colocados em um recipiente onde há a
combinação de vácuo, campo eletromagnético e substâncias químicas. O peróxido de
hidrogênio, muitas vezes, é acompanhado de ácido peracético que forma o plasma que será
utilizado para a eliminação de todos os microrganismos, inclusive os formadores de endósporos,
tem como ponto negativo o alto custo (TORTORA, 2017).

Peróxido de hidrogênio e outros agentes oxidantes

Apesar do peróxido de hidrogênio não ser muito eficaz como antisséptico em feridas
abertas devido à sua rápida degradação pela enzima catalase, presente em células humanas, é
muito eficaz na desinfecção de objetos inanimados.
O ácido paracético é eficiente contra endósporos e vírus, atua em 30 minutos, e é usado
em equipamentos médicos, maquinário de processamento de alimentos e principalmente em
endoscópios, por não deixar resíduos tóxicos (TORTORA, 2017; LEVISON, 2016).

150
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

6. ANTIMICROBIANOS

São um grupo de compostos sintéticos ou naturais que vão ser capazes de inibir o
crescimento ou matar/destruir os agentes infecciosos. Entre eles: antibacterianos, antifúngicos,
antiprotozoários, anti-helmínticos e antivirais. Ao utilizar os antimicrobianos é importante a
ciência de dois termos: espectro de ação e potência inibitória mínima. O espectro de ação é o
percentual de espécies sensíveis, ou seja, é o grupo que o medicamento vai agir e ser funcional.
E a potência inibitória mínima é a concentração do medicamento que será necessária para
cessar o crescimento bacteriano.

Existem antibióticos de pequeno espectro de ação, que atuam em um pequeno grupo e


limitado de microrganismos. Já as de amplo espectro de ação afetam tanto gram-positivas
quanto gram-negativas. Atingem uma grande variedade de organismos. Quando utilizamos uma
droga de amplo espectro de ação, pode causar dano não só ao patógeno, como também à
microbiota normal do hospedeiro, por isso em muitas vezes as drogas de pequeno espectro,
são mais utilizadas.
Devido à grande variedade de antimicrobianos, existem 5 mecanismos básicos de ação
para os antibacterianos:

Inibição da síntese de parede celular: a parede celular é formada de peptidoglicano, que é


um composto exclusivo de células procarióticas, então esses antimicrobianos vão agir
impedindo a síntese do peptidoglicano, sendo assim não há produção da parede celular,
causando a lise da célula bacteriana.
Inibição da síntese de proteína: o ribossomo bacteriano e diferente do nosso, o alvo é
específico. O medicamento vai inibir a síntese de proteínas, se ligar no ribossomo da
bactéria e impedir a tradução do RNA mensageiro em proteína. Fazendo assim com que a
bactéria esteja inapta à multiplicação.
Dano à membrana plasmática: as drogas vão interferir na membrana plasmática e alterar a
permeabilidade dessa membrana, causando a morte celular.
Inibição da replicação do DNA: causa inibição de enzimas responsáveis pela replicação de
ácidos nucleicos.
Inibição da síntese de metabolitos essenciais: inibição da síntese de ácido fólico, que tem
importante papel na multiplicação celular.

151
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

No caso das bactérias, existem duas principais formas de ação:


Bactericidas: vão causar a morte do micróbio.
Bacteriostáticos: impedem a multiplicação do microrganismo. Não causa a morte imediata,
apenas causa inibição da multiplicação.

As bactérias são altamente capazes de se adaptar e passar a resistir aos antibióticos


(ocorrendo de 2 principais formas: mutações genéticas aleatórias e aquisição de material
genético de outro organismo). Os antibióticos não são mutagênicos, não causam a mutação da
bactéria, eles causam uma pressão seletiva. As cepas mais sensíveis vão morrer e as mais
resistentes vão sobreviver. Ou seja, o uso frequente seleciona cepas mais resistentes. A
resistência aos antibióticos é, basicamente, a adaptação natural das bactérias, tornando-as
capazes de crescer e se multiplicar mesmo em doses altas de medicamento.

Existem dois tipos de resistência: natural/intrínseco, em que todos daquela mesma espécie
vão ser resistentes (por exemplo: micobactérias – a sua parede celular tem capacidade de
permear diferentes compostos e produzir inúmeras enzimas que modificam ou degradam os
fármacos). E a adquirida, que são espécies com linhagens resistentes ou sensíveis.

Existem diversos mecanismos de resistência aos antimicrobianos, tais como:


1. Bloqueio da entrada: a entrada dos antibióticos não vai acontecer, seja por alterações no
sítio de entrada ou por mudanças da sua conformação.
2. Inativação por enzimas: existem enzimas que quebram o antibiótico e deixam-o inativo.
3. Alteração a molécula-alvo: pequenas modificações no sítio podem neutralizar os efeitos dos
antibióticos sem que ocorram alterações significativas nas funções celulares.
4. Bomba de efluxo: a bactéria tem uma bomba na parede celular e após o antibiótico entrar
na bactéria, ele é bombeado para fora.

Figura 7. Mecanismos de resistência à ação de antibióticos. Fonte: TORTORA, 2017.

152
CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL
Capítulo 7: Organizando conceitos
Mapa mental dos métodos químico e físicos de controle do crescimento microbiano.

Mapa conceitual sobre os principais conceitos referentes ao controle de crescimento


microbiano.

153
DICAS DE LEITURA
Acesse esses livros em "Minha Biblioteca"
do Centro Universitário São Camilo e
estude mais sobre o assunto!

Livro: TORTORA, Gerard J.; FUNKE, Berdell R.; CASE, Christine L.


Microbiologia. 12. ed. Porto Alegre: Artmed,2017.
(Recurso Online – Biblioteca São Camilo)

Capítulo: 7

Páginas: 176 - 200

Livro: MADIGAN, Michael T. et al. Microbiologia de Brock. 14.


ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. (Recurso Online –
Biblioteca São Camilo)

Capítulo: 5

Páginas: 171 - 182

Livro: BROOKS, Geo F. et al. Microbiologia médica de Jawetz,


Melnick e Adelberg. 26. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.
(Recurso Online – Biblioteca São Camilo)

Capítulo: 4
Páginas: 59 - 65
DICA DE LEITURA
Acesse esses livros em "Minha Biblioteca"
da São Camilo e estude mais sobre o
assunto!

Livro: LEVINSON, Warren. Microbiologia médica e


imunologia. 13. ed. Porto Alegre: AMGH, 2016. (Recurso
Online – Biblioteca São Camilo)

Capítulo: 13

Páginas: 99 - 103

Livro: Microbiologia - Fundamentos e Perspectivas por Black e


Black

Capítulo: 13

Páginas: 326 - 350


CAPÍTULO 7 Microbiologia em E-book

DICAS DE AULAS
Em plataformas de universidades públicas Y!
LA
DÁ UM P

UNIVESP
CRESCIMENTO MICROBIANO E CONTROLE

[Link]
v=VZr3iKAlslw&t=529s

d a aula
e o link
ie e col
e g a dor!
Cop v
se u na
no
QUESTÕES
Capítulo 7: Para treinar e fixar o conteúdo!
1. Qual das substâncias químicas abaixo é utilizada para esterilizar instrumentos hospitalares
que são sensíveis à temperatura?

A – Cloreto de Benzalcônio
B – Cresol
C – Óxido de Etileno
D – Timerosal
E – Tintura de Iodo

2. Quais das alternativas a seguir é utilizada para controle do crescimento microbiano em


alimentos?

A - Ácidos orgânicos
B - Álcoois
C - Aldeídos
D - Metais Pesados
E - Todas as Alternativas

3. Refere-se à eliminação total de microrganismos no laboratório, utilizando processos químicos


de controle:
A – Desinfecção
B – Pasteurização
C – Esterilização
D – Limpeza e assepsia
E – Radiação não ionizante

157
QUESTÕES
Capítulo 7: Para treinar e fixar o conteúdo!

4. Complete as lacunas a seguir selecionando a alternativa correta:


A _____________ refere-se à utilização de substâncias para inibirem ou destruírem micróbios na
superfície da pele e das mucosas de seres vivo, diferente da _____________ que se refere a
destruição de microrganismos patogênicos em objetos inanimados. O conceito de
_____________ é o de destruição de toda e qualquer forma de microrganismos em um material.

a) antissepsia; desinfecção; esterilização.


b) desinfecção; antissepsia; degermção.
c) esterilização; antissepsia; pasteurização.
d) antissepsia; esterilização; degermação.

5. Sobre o antimicrobiano, é correto afirmar:

"Agente microbiano é tudo aquilo que é utilizado para matar ou diminuir a população de
microrganismos."

( ) Verdadeiro
( ) Falso

Respost
as:

1) C
2) A
3) C
4) A
5) V

158
Curiosidades
SAIBA MAIS!

Em algumas salas de cirurgia ou quarto de pacientes com queimaduras existe um processo


de filtragem do ar que estes locais recebem a fim de diminuir a carga microbiana que está
presente no ar através de um filtro HEPA, que é uma categoria de filtro que possui uma alta
capacidade de reter microrganismos, seu nome vem do inglês High Efficiency Particulate
Arrestance podendo ser traduzido como Alta eficiência na Retenção de Partículas, em que
consegue reter partículas com diâmetro médio de 0,3 µm, que serviam de “veículos” para vírus,
bactérias ou ácaros. A instalação de pré-filtros e filtros intermediários fazem com que o filtro
HEPA tenha um melhor desempenho, acompanhado de manutenções preventivas.

A afirmação de que um produto sanitizante de mãos à base de álcool matará 99,9% dos
germes deve ser analisada com cautela, sendo esta afirmação rara de ser atingida em condições
típicas de uso, tendo em vista patógenos como Clostridium difficile que é formador de esporos e
vírus que não possuem envelope lipídico, são comparativamente resistentes a este tipo de
produto. A ação dos nitritos com os aminoácidos gera nitrosaminas, que são compostos
cancerígenos, este fator trouxe a redução da quantidade utilizada na indústria, porém não sua
isenção, tendo em vista principalmente o seu controle na prevenção do botulismo, contudo
a ANVISA alertou do controle sobre a formação dessa substância principalmente pela
indústria farmacêutica.

159
REFERÊNCIAS
do Capítulo
BLACK, Jacquelyn; BLACK, Laura. Esterilização e Desinfecção. In: Microbiologia:
Fundamentos e Perspectivas. 10º ed. Rio de Janeiro: Guanabara koogan, 2021. p 326-
349.

BROOKS, Geo et al. Crescimento, sobrevida e morte dos microrganismos. In:


Microbiologia Médica de Jawetz Melnick e Adelberg. 26º ed. Porto Alegre: AMGH,
2014. p 55-66.

LEVINSON, Warren. Esterilização e Desinfecção. In: LEVINSON, Warren. Microbiologia


Médica e Imunologia. 13º ed. Porto Alegre: AMGH, 2016. p 99-104.

MADIGAN, Michael et al. Crescimento e controle microbiano. In: MADIGAN, Michael et al.
Microbiologia de Brock. 14º ed. Porto Alegre: Artmed, 2016. p 143-182.

TORTORA, Gerard; FUNKE, Berdell; CASE, Christine. Controle do crescimento


microbiano. In: TORTORA, Gerard; FUNKE, Berdell; CASE, Christine, Microbiologia. 12º
ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. p. 176-200.

160
8
CAPÍTU
LO

EM E-BOOK
MICROBIOLOGIA EM E-BOOK

CAPÍTULO 8
Micologia

1. INTRODUÇÃO À MICOLOGIA

A micologia compreende um vasto campo de estudo, envolvendo microrganismos


conhecidos por fungos. O estudo interessa a vários setores científicos e industriais e, desde o
século XIX, estudiosos como Agostinho Bassi (1773-1856) e Raymond Jacques
Adrien Saubouraud (1864-1938), dedicaram-se ao estudo dos fungos.
Os fungos desempenham um importante papel no ecossistema, pois habitam praticamente
todos os ambientes da terra e são um dos principais decompositores das cadeias tróficas.

2. CARACTERÍSTICAS GERAIS DO REINO FUNGI

O reino Fungi contempla seres popularmente conhecidos como fungos, que podem ser
tanto macroscópicos como microscópicos: bolores e leveduras serão abordados com maiores
detalhes neste capítulo e apresentam variedade morfológica e muitas peculiaridades, como:
São organismos eucariontes (apresentam núcleo definido, delimitado por carioteca, além de
outras organelas membranosas);
Podem ser uni ou pluricelulares, apresentando morfologia (formato e estrutura) bem
característica;
São heterotróficos (não sintetizam o próprio alimento) dependendo da absorção de matéria
orgânica proveniente de outros organismos;
São encontrados em uma variedade de lugares, mas possuem preferência por ambientes
úmidos, por vezes escuros, por vezes claros (na presença de luz para formação de
pigmentos);
Na grande maioria dos fungos a parede celular é composta por quitina, um exoesqueleto
encontrado também na carapaça de artrópodes. Além disso possuem o glicogênio como
carboidrato de reserva energética, assim como os animais.

163
CAPÍTULO 8 Microbiologia em E-book

3. MORFOLOGIA (FORMATO E ESTRUTURA) DOS FUNGOS

Em geral a identificação dos fungos se dá quase que exclusivamente através da observação


de sua morfologia, tanto macroscópica quanto microscópica. Como estes seres vivos habitam os
mais variados substratos, apresentam uma variada gama de tipos morfológicos, desde os mais
simples até os mais complexos.

3.1. MORFOLOGIA MICROSCÓPICA

A unidade estrutural dos fungos multicelulares são as hifas, que são filamentos em que está
contido o material genético dos fungos, podem ser de dois tipos, conforme descrito abaixo e
ilustrados na figura 1.

I. Hifas cenocíticas: São encontradas em fungos simples, contendo filamentos contínuos com
diversos núcleos.
II. Hifas septadas: São encontradas em fungos complexos, constituídas por filamentos
contendo paredes divisórias (septos), que separam a parte interior das hifas que podem ter um
núcleo ou mais núcleos.

A figura 1 representa um esquema de Hifas Cenocíticas (acima) e de Hifas Septadas (abaixo), com um ou
mais núcleos. Disponível em: [Link]

164
CAPÍTULO 8 Microbiologia em E-book

Um conjunto de hifas forma o micélio, que possui a função de fixação e crescimento de


fungos (micélio vegetativo) e ainda pode se diferenciar em micélio de frutificação (ou aéreo), que
será responsável pela reprodução da espécie, note-os representados na figura 2.

Figura 2. Esquema da estrutura observada nos fungos pluricelulares, em que temos os micélios vegetativo
e reprodutivo. Disponível em: [Link]

3.2. MORFOLOGIA MACROSCÓPICA

Os fungos filamentosos e as leveduras podem formar diferentes tipos de colônias, os


bolores apresentam colônias filamentosas, pulverulentas ou algodonosas, já as leveduras
apresentam colônias cremosas ou pastosas, como podemos observar na figura 3.

Figura 3. Colônias de bolores e leveduras provenientes da coleta de esporos contaminantes existentes e


distribuídos pelo ar, cultivadas em meio nutritivo específico para o crescimento de fungos. Fonte:
NASCIMENTO, J.S. Biologia de microrganismos. Disponível em: [Link]
media/11/[Link]

165
CAPÍTULO 8 Microbiologia em E-book

I. Bolores: Os bolores são fungos pluricelulares, formados por filamentos denominados de hifas,
que em conjunto formam os micélios. Quando o substrato de um ambiente proporciona
umidade e nutrientes suficientes; os esporos germinam e possibilitam a sua proliferação. Os
bolores possuem uma ampla capacidade de adaptação e crescimento, sob condições
extremamente variáveis como umidade e temperatura, sendo pouco exigentes quanto aos
nutrientes para seu desenvolvimento, razão pela qual permite seu crescimento praticamente
em qualquer tipo de substrato.

II. Leveduras: As leveduras são fungos unicelulares, de tamanho e formas variadas,


com reprodução por desenvolvimento sexuado ou assexuado. A maioria pertence à
ordem Sacharomycetales, da classe dos Ascomicetos. Entre as 350 espécies conhecidas de
leveduras, a mais comum, Saccharomyces cerevisae, é usada no processo de fermentação para
produzir, por exemplo, o álcool presente no vinho e o gás carbônico que causa o
crescimento de pães. As leveduras são ricas em proteínas, sais minerais, carboidratos, e
vitamina B por isto também são usadas para enriquecer as dietas humana e animal.
Algumas leveduras são cultivadas especificamente para uso no processo de fermentação
ou para uso por cientistas em suas pesquisas. “A maioria das leveduras, porém, existe
como uma parte selvagem do ambiente natural e cresce em plantas e animais ou dispersas
pelo ar ou água” (ICTA, UFRGS; 2010).
Atenção!
Alguns fungos patogênicos possuem a capacidade de desenvolver duas formas distintas,
dependendo das condições ambientais em que estiverem inseridos, sendo esta capacidade
conhecida como dimorfismo fúngico. Essa capacidade é comum em espécies patogênicas, em
que podem crescer tanto na forma de fungos filamentosos quanto na forma de levedura. O
fungo filamentoso pode produzir hifas aéreas e liberar esporos no ambiente, sendo a inalação
desses esporos, a principal via de infecção para as pessoas. O dimorfismo em fungos
patogênicos depende da temperatura. Observe na figura 4, estrutura de fungos filamentosos e
leveduras.

Figura 4. Estrutura de fungos filamentos e leveduras. Fonte: ANVISA. AGENCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA
SANITÁRIA. Detecção e Identificação dos Fungos de Importância Médica. Brasília, 2004. Disponível em:
[Link]

166
CAPÍTULO 8 Microbiologia em E-book

4. CLASSIFICAÇÃO DOS FUNGOS

De acordo com a classificação taxonômica, os seres vivos são agrupados devido ao seu grau
de semelhança. No reino fungi há cinco subdivisões, são elas:

4.1. QUITRIDIOMICETOS

São um dos mais primitivos e vivem em meio aquático ou em solos úmidos. Alimentam-se
por absorção da matéria orgânica que se decompõe e podem parasitar algas, protozoários,
fungos, plantas e animais. Algumas espécies podem ser pragas para o cultivo de milho.

4.2. ASCOMICETOS

Constituem a classe mais numerosa dos fungos, sendo representados por cerca de 30 mil
espécies. Nessa classe se encontram fungos muito importantes, como os Saccharomyces cerevisiae,
responsáveis pela fermentação alcoólica etílica e muito utilizados na fabricação de pães, bolos e
bebidas.

4.3. BASIDIOMICETOS

Também possuem estruturas reprodutoras sexuadas, denominadas de basídios, produtores


de esporos. Contudo, os representantes do grupo incluem cogumelos, entre outros e alguns são
causadores de doenças em plantas, conhecidos como “ferrugem e carvão”.
Incluem os fungos conhecidos por cogumelos-de-chapéu e orelhas-de-pau. São pluricelulares
e os seus micélios formados por hifas dicarióticas (apresentam dois núcleos por célula). Algumas
espécies são comestíveis, como os champignons, outras são tóxicas e ainda há espécies
alucinógenas.

4.4. ZIGOMICETOS

São tipos de fungos profusamente distribuídos pelo ambiente, podendo atuar como
decompositores ou como parasitas de animais. O bolor que cresce em frutas é um exemplo e seu
corpo de frutificação é uma penugem branca que lembra filamentos de algodão.

4.5. DEUTEROMICETOS

São conhecidos por fungos imperfeitos e não têm reprodução sexuada conhecida. Nessa classe
se encontram fungos que causam no homem as infecções chamadas micoses, entre elas
podemos citar: a candidíase, a frieira ou pé de atleta, entre outras.
Alguns deuteromicetos têm grande importância econômica, pois são utilizados na fabricação
de queijos, como os dos tipos camembert e roquefort, e de antibióticos, como a penicilina.

DICAS E SUGESTÕES: Para mais informações sobre a classificação taxonômica dos fungos, acesse o site
da Internacional Commission on the Taxonomy of Fungi. Acesso em: [Link]

167
CAPÍTULO 8 Microbiologia em E-book

5. FISIOLOGIA DO REINO FUNGI

Embora o reino contemple seres vivos com características e estruturas simples, estes
possuem mecanismos fisiológicos interessantes de serem estudados.

5.1. DIGESTÃO

Como citado em características gerais, os fungos são organismos heterotróficos e adquirem


sua fonte alimentar de diferentes formas, como: decomposição de matéria orgânica e através
de relações ecológicas (parasitismo e mutualismo).
O processo digestivo dos fungos é conhecido como extracorpóreo, por ocorrerem fora
dos organismos, pois possuem capacidade de liberar enzimas digestivas (exoenzimas)
através de sua estrutura corporal, que degradarão as substâncias absorvidas.
O estado em que o composto orgânico é encontrado e utilizado pelo organismo nos
permite caracterizar a sua forma de nutrição, sendo:

- SAPROFAGIA: Quando o fungo se alimenta de organismos mortos e/ou em decomposição.


- PARASITISMO: Quando o fungo se alimenta de substâncias e/ou organismos vivos.
- PREDAÇÃO: Quando o fungo se alimenta de pequenos animais, como insetos.

5.2. RESPIRAÇÃO

A respiração dos fungos ocorre através de trocas gasosas, podendo ocorrer tanto de forma
aeróbica (necessitando da presença de oxigênio) quanto de forma anaeróbica (não
necessitando da presença de oxigênio). Os fungos podem realizar ambas as respirações,
dependendo da espécie.
Além disso, podemos classificá-los como obrigatórios ou facultativos, por exemplo, quando
se diz que um fungo é anaeróbio obrigatório, significa que este realiza somente aquele tipo de
processo metabólico, já em caso de um fungo facultativo, pode ser realizado ambos os tipos de
respiração, de acordo com as condições ambientais em que os microrganismos estiverem
inseridos.

5.3. REPRODUÇÃO

Como vimos os fungos possuem uma diversidade de características, e com a reprodução


não é diferente. Eles podem realizar dois tipos de reprodução: assexuada e sexuada.

REPRODUÇÃO ASSEXUADA

Cada espécie de fungo pode realizar um tipo de reprodução assexuada, a saber:

168
CAPÍTULO 8 Microbiologia em E-book

FRAGMENTAÇÃO: É uma das maneiras mais simples de um fungo filamentoso se reproduzir:


um micélio se fragmenta, e é disperso no substrato e originando novos micélios.
BROTAMENTO ou GEMULAÇÃO: Os brotos normalmente se separam do genitor, mas
eventualmente, podem permanecer grudados, formando cadeias de células e novos
indivíduos.
ESPORULAÇÃO: Nos fungos terrestres, os corpos de frutificação produzem muitos esporos
por mitose, que são leves e espalhados pelo vento ao redor. Cada esporo, quando cai em
um substrato apropriado, é capaz de gerar sozinho um novo ser. Em certos fungos
aquáticos, os esporos são dotados de flagelos, uma adaptação a dispersão em meio
aquático. Por serem móveis e nadarem ativamente, esses esporos são chamados de
zoósporos.

REPRODUÇÃO SEXUADA

O ciclo reprodutivo sexuado pode ocorrer de diferentes formas para fungos terrestres e
fungos aquáticos.
No ciclo reprodutivo de fungos aquáticos haverá a reprodução de gametas flagelados, que
se fundem e geram zigotos que se desenvolverão em um novo indivíduo.
Nos fungos terrestres, existe um ciclo de reprodução no qual haverá produção de esporos
por meiose. Desenvolvendo-se, esses esporos geram hifas haploides que posteriormente se
fundem e geram novas hifas diploides, dentro os quais ocorrerão novas meioses para produção
de novos esporos meióticos.

A reprodução sexuada nos fungos, ocorre em três etapas:


PLASMOGAMIA: Nessa etapa, as hifas monocarióticas (que possuem somente um núcleo)
haploides dos fungos se unem formando hifas dicarióticas, com os núcleos organizados em
pares (fusão de protoplasma).
CARIOGAMIA: Os pares de núcleos se fundem e dão origem a núcleos diploides (com dois
conjuntos de cromossomos).
MEIOSE: Os núcleos diploides se dividem por meiose e dão origem a esporos, que
germinam formando novos fungos.

FIQUE ATENTO!
A forma de reprodução e o tipo de esporos formados são ferramentas importantes na
diferenciação dos fungos dentre os filos. A observação das estruturas reprodutivas é realizada
em microscópio, sendo apenas os esporos assexuados identificados dessa forma. A microscopia
eletrônica e por varredura são recursos importantes para identificação das espécies fúngicas
em caráter de pesquisa.

169
CAPÍTULO 8 Microbiologia em E-book

6. RELAÇÕES ECOLÓGICAS DOS FUNGOS

Os fungos podem realizar diferentes relações ecológicas, como predação, parasitismo e


mutualismo. Dentro da relação de mutualismo o fungo pode assumir diferentes associações,
como as descritas a seguir:

6.1. MICORRIZAS: Ocorre pela associação de fungos com raízes de plantas, tendo a formação
de uma estrutura conhecida como micorriza. Nesse caso haverá o desenvolvimento de
uma relação mutualística de associação, em que os fungos irão degradar os materiais do
solo, absorver os minerais ali presentes e transferir para as plantas, propiciando-lhe um
crescimento sadio. E as plantas, por sua vez, irão ceder certos açúcares e aminoácidos
aos fungos, necessários para o seu crescimento e desenvolvimento.
Esse tipo de relação se desenvolve em algumas plantações características, como
tomateiros e morangueiros, além de biomas pobre em nutrientes, como o cerrado.

6.2. LÍQUENS: Assim como nas micorrizas, os líquens são formados através de uma
relação mutualística de associação, mas entre algas clorofiladas e fungos. As algas fazem
fotossíntese produzindo a matéria orgânica, que servirá como substrato para o fungo. Já o
fungo criará um ambiente que retém umidade e nutrientes inorgânicos, que por sua vez, irá
proteger as algas e permitirá a realização do processo de fotossíntese.

7. IMPORTÂNCIA DOS FUNGOS

Os fungos estão amplamente disseminados na natureza e por essa razão suscitam de


visibilidade e estudos em variados setores das atividades humanas, por isso a Micologia
desdobrou-se em múltiplas especialidades com reflexos em vários ramos da indústria química,
farmacêutica e alimentícia, além da ecologia.

7.1. IMPORTÂNCIA ECOLÓGICA

Há espécies de fungos responsáveis pela degradação de grande parte da matéria orgânica,


o que propicia a reciclagem de nutrientes e a manutenção das cadeias alimentares.
No processo de decomposição, a matéria orgânica contida em organismos mortos é
devolvida ao ambiente, podendo ser novamente utilizada por outros organismos.
Além disso, por meio das relações mutualísticas citadas anteriormente, os fungos podem
contribuir para melhoria das condições do solo para reflorestamento de áreas devastadas por
meio da atuação das micorrizas e líquens.

170
CAPÍTULO 8 Microbiologia em E-book

7.2. IMPORTÂNCIA ECONÔMICA

Os fungos possuem importância econômica por sua ampla disseminação na indústria


alimentícia, envolvidos no processo de fabricação de bebidas alcoólicas, como cervejas e vinhos,
onde o fungo pertencente a espécie Saccharomyces cerevisiae é capaz de transformar o açúcar
em álcool etílico e CO2. Além disso, são utilizados na fabricação de pães, bolos e queijos,
também são consumidos diretamente como alimento, pelo homem, que é o caso do cogumelo
champignon.

7.3. IMPORTÂNCIA NA SAÚDE

Por ser um reino que apresenta uma ampla diversidade, além das aplicações nas áreas
anteriores, os fungos também são utilizados pela Indústria Farmacêutica e Química na
fabricação de certos medicamentos, pois podem produzir compostos que são danosos para
algumas espécies de bactérias. Podemos citar a aplicação do gênero fúngico Penicillium,
amplamente utilizado para produção do antibiótico penicilina, que combate doenças infecciosas
causadas por bactérias. Além disso, temos outro exemplo de fármaco que é a ciclosporina,
isolada do fungo Tolypocladium inflatum, que é uma droga imunossupressora, utilizada para
reduzir a probabilidade de rejeição de um órgão transplantado.

8. DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS

Apesar dos fungos assumirem papéis de extrema importância alguns são capazes de
provocar doenças em plantas e animais, inclusive no homem.
As doenças causadas por fungos, denominadas de micoses, atingem a boca, pele, unhas e
cabelos.
De acordo com as características das micoses, haverá diferentes nomenclaturas, que
indicarão a localização e o tipo de fungo envolvido. Podem ser adquiridas de várias maneiras,
tanto pelo contato direto com áreas e indivíduos infectados, por inalação, por lesões na pele e
tecido, como também pela condição patogênica da microbiota endógena (NASCIMENTO, J.S,
2010).
Como vimos anteriormente as micoses podem ser classificadas de acordo com o tecido
infectado ou conforme o grupo de fungos que estão localizados na região, para esta
identificação e posterior classificação é necessário coletar amostras e analisar rigorosamente
em laboratório.
A seguir, apresentaremos nos mapas mentais, os principais tipos de micoses que atingem
os humanos com as suas principais características.

171
CAPÍTULO 8 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL
Capítulo 8: Organizando conceitos
PRINCIPAIS TIPOS DE MICOSE

MICOSES CUTÂNEAS: Se caracterizam por MICOSES SUBCUTÂNEAS: Se caracterizam


serem causadas por fungos que invadem a pelo aparecimento de lesões que afetam as
espessura da pele ou anexos, em geral restritas camadas mais profundas da derme, tecido
as camadas queratinizadas dos pelos ou subcutâneo, podendo chegar até a estrutura
à lâmina ungueal. Na pele, as lesões óssea. É muito comum acometer
se manifestam como mancha inflamatória, trabalhadores rurais, que possuem contato
nos pelos como lesão de tonsura e na unha direto com a terra, como agricultores e
por destruição da lâmina ungueal. O contágio jardineiros.
dos fungos ocorre por meio de animais,
homens ou do solo infectado.

Micoses Cutâneas. Micoses Subcutâneas.


Fonte: NASCIMENTO, J.S. Biologia de
Fonte: NASCIMENTO, J.S. Biologia de microrganismos. In. GUERRA, R.A.T. (Org.). Cadernos
microrganismos. In. GUERRA, R.A.T. (Org.). CB Virtual 4. João Pessoa: UFPB, 2010, v.6, p.324-340.
Cadernos CB Virtual 4. João Pessoa: UFPB, 2010, Disponível em (a):
v.6, p.324-340. [Link]
Disponível em (1): diseases-part-i/
[Link] Disponível em (b e c):
Disponível em (2): [Link] apitulo6/
[Link] capitulo42/figuras/[Link]
[Link]
Disponível em (3):
[Link]
nicomicoses

172
CAPÍTULO 8 Microbiologia em E-book

MAPA MENTAL
Capítulo 8: Organizando conceitos

MICOSES SISTÊMICAS: São infecções causados MICOSES SUPERFICIAIS: São infecções


por fungos dimórficos, têm como principal causadas por fungos que invadem as
porta de entrada o trato respiratório por meio camadas mais superficiais da pele. A
da inalação de esporos presentes no solo, lesões se manifestam como mancha
podem disseminar para todo o organismo. pigmentar na pele, nódulo ou pelo. A forma
invasiva do fungo é uma hifa, característica de
cada micose.

Micoses Sistêmicas Micoses Superficiais

Fonte: NASCIMENTO, J.S. Biologia de Fonte: NASCIMENTO, J.S. Biologia de


microrganismos. In. GUERRA, R.A.T. (Org.). microrganismos. In. GUERRA, R.A.T. (Org.).
Cadernos CB Virtual 4. João Pessoa: UFPB, 2010, Cadernos CB Virtual 4. João Pessoa: UFPB,
v.6, p.324-340. 2010, v.6, p.324-340.
Disponível em (1): Disponível em (1):
[Link] [Link]
micose infeccoes-de-pele-por-fungos-e-leveduras-
Disponível em (2): [Link]#.YfNoGOrMK3A
[Link] Disponível em (2):
Disponível em (3): [Link]
[Link] malassezia-furfur/
[Link]

173
DICAS DE LEITURAS

Agora que estudamos e conhecemos algumas particularidades dos


fungos, vale algumas leituras sobre curiosidades e informações gerais
sobre esse reino diversificado. Vamos lá?

1) Guia do estudante: 12 fatos sobre fungos, vírus e bactérias. Acesso


em: [Link]
virus-e-bacterias/

2) Guia do estudante: Superfungo de alta resistência chega no Brasil e


gera alerta. Acesso em:
[Link]
resistencia-chega-ao-brasil-e-gera-alerta/

3) MOORE D. Kingdom Fungi. 2016. Disponível em:


[Link]
om_fungi.htm

4) SOCIEDADE BRASILEIRA DE MICROBIOLOGIA. Novas tecnologias


aceleram o diagnóstico de infecções fúngicas. 2015. Disponível em:
[Link]
diagnostico-de-infeccoes-fungicas/

5) SECRETOMAS DE FUNGOS PATOGÊNICOS HUMANOS: UMA


INTERAÇÃO PATÓGENO-HOSPEDEIRO. Disponível:
[Link]
RA_Amanda_Rodrigues_de_-_ROCHA_Marcia_Santos.pdf

174
CAPÍTULO 8 Microbiologia em E-book

DICAS DE VÍDEOS
Em plataformas digitais Y!
LA
DÁ UM P
Além das leituras indicadas, temos outras indicações muito interessantes que agregarão ainda
mais conhecimento sobre esses seres vivos fantásticos.

Fantástico: Reino dos fungos tem maior ser vivo e


alimento mais caro do mundo. Acesso em:
[Link]

Vida secreta: A vida secreta dos fungos – vilões ou


mocinhos? Acesso em:
[Link]

Smile and Learn: O que são os fungos? Acesso em:


[Link]

d a aula
e o link
ie e col
e g a dor!
Cop v
se u na
no

175
QUESTÕES
Capítulo 8: Para treinar e fixar o conteúdo!

- Questões dissertativas

1. Por que nenhum organismo que pertence ao Reino Fungi é capaz de realizar fotossíntese?

2. Cite duas características importantes para identificar os seres vivos incluídos no Reino dos
Fungos.

3. Cite as aplicações práticas dos fungos na área da saúde, ecologia e economia.

4. Qual é a diferença entre bolores e leveduras?

5. Quais são os principais tipos de micoses provocadas por fungos patogênicos?

6. Mencione dois fatores de virulência presente nos fungos.

176
QUESTÕES
Capítulo 8: Para treinar e fixar o conteúdo!
- Questões objetivas:
1. (UFV): Observe a figura seguinte que representa a estrutura de um fungo:

Em relação a essa estrutura, assinale a


afirmativa incorreta:

A) Durante o processo de reprodução sexuada


de muitas espécies de fungos, formam-se hifas
especiais que crescem em agrupamentos
compactos formando a estrutura III.

B) Os fungos multicelulares são constituídos


por filamentos microscópicos ramificados
denominados de hifas que são as estruturas
indicadas em II.

C) As hifas podem ser de dois tipos: hifas


cenocíticas que são filamentos contínuos sem
divisões transversais e hifas septadas que
apresentam paredes transversais.

D) O conjunto de hifas forma o micélio,


representado pela estrutura III, que irá
constituir o corpo do fungo multicelular
.

2. (PUC): O fermento biológico usado na fabricação de pães provoca o aumento do volume da


massa como consequência da produção de:

A) CO2, a partir da água acrescentada à massa do pão.

B) CO2, a partir da fermentação do açúcar acrescentado à massa do pão.

C) O2, a partir da fermentação do amido existente na farinha do pão.

D) N2, a partir da fermentação do açúcar acrescentado à massa do pão.

E) O2, a partir da respiração do açúcar acrescentado à massa do pão.

177
QUESTÕES
Capítulo 8: Para treinar e fixar o conteúdo!

3. (FUVEST): A cana-de-açúcar é importante matéria-prima para a produção de etanol. A energia


contida na molécula de etanol e liberada na sua combustão foi:

A) captada da luz solar pela cana-de-açúcar, armazenada na molécula de glicose produzida por
fungos no processo de fermentação e, posteriormente, transferida para a molécula de etanol.

B) obtida por meio do processo de fermentação realizado pela cana-de-açúcar e,


posteriormente, incorporada à molécula de etanol na cadeia respiratória de fungos.

C) captada da luz solar pela cana-de-açúcar, por meio do processo de fotossíntese, e


armazenada na molécula de clorofila, que foi fermentada por fungos.

D) obtida na forma de ATP no processo de respiração celular da cana-de-açúcar e armazenada


na molécula de glicose, que foi, posteriormente, fermentada por fungos.

E) captada da luz solar por meio do processo de fotossíntese realizado pela cana-de-açúcar e
armazenada na molécula de glicose, que foi, posteriormente, fermentada por fungos.

4. (UFRN): Assinale a opção em que há correspondência entre o ser e aquilo que se afirma sobre
ele.

A) O protozoário é unicelular, pode ser parasito ou de vida livre e causar dengue.

B) O vírus é parasito intracelular e causa, em animais e vegetais, doenças invariavelmente


prevenidas por meio de vacinas.

C) O fungo é uni ou pluricelular, pode causar candidíase e ser usado nas indústrias alimentícia e
farmacêutica.

D) A bactéria é unicelular, pode causar poliomielite e ser usada na indústria alimentícia.

178
QUESTÕES
Capítulo 8: Para treinar e fixar o conteúdo!

5. (UECE): Em 1929 o pesquisador Alexander Flemming descobriu acidentalmente que fungos


formadores de mofo verde encontrados em alimentos podres eram capazes de produzir uma
substância que inibia o desenvolvimento de certas bactérias. Estes fungos, pertencentes ao
gênero Penicillium estão classificados atualmente dentro de um grupo denominado
Ascomicetos. Marque a alternativa que indica uma característica deste grupo:

A) São considerados os fungos mais primitivos.

B) Suas hifas possuem forma arredondada.

C) Possuem um corpo de frutificação em formato de guarda-chuva.

D) Possuem hifas cenocíticas.

6. (VUNESP): No sistema de classificação de Lineu, os fungos eram considerados vegetais


inferiores e compunham o mesmo grupo do qual faziam parte os musgos e as samambaias.
Contudo, sistemas de classificação modernos colocam os fungos em um reino à parte, reino
Fungi, que difere dos vegetais não apenas por não realizarem fotossíntese, mas também
porque os fungos:

A) são procariontes, uni ou pluricelulares, enquanto os vegetais são eucariontes pluricelulares.

B) são exclusivamente heterótrofos, enquanto os vegetais são autótrofos ou heterótrofos.

C) não apresentam parede celular, enquanto todos os vegetais apresentam parede celular
formada por celulose.

D) têm o glicogênio como substância de reserva energética, enquanto nos vegetais a reserva
energética é o amido.

E) reproduzem-se apenas assexuadamente, enquanto nos vegetais ocorre reprodução sexuada


ou assexuada.

179
RESPOSTAS DAS QUESTÕES
- Questões dissertativas

1. Porque as células dos organismos que pertencem a este reino não possuem cloroplastos.

2. Todos os fungos são heterotróficos, ou seja, diferentemente das plantas, não são capazes de
produzir seu próprio alimento, nutrindo-se por absorção. Além de heterotróficos, os fungos são
seres eucarióticos e podem ser unicelulares, como no caso das leveduras, ou multicelulares,
como os cogumelos.

3. Aplicações descritas minuciosamente no resumo citado acima.

4. A diferente entre bolores e leveduras é a estrutura celular e o formato, enquanto os bolores


são fungos filamentosos multicelulares, as leveduras são fungos unicelulares arredondados
e/ou ovais.

5. Os principais tipos de micoses provocadas por fungos patogênicos são as micoses cutâneas,
subcutâneas, sistêmicas e superficiais. Além disso, temos as doenças causadas por fungos
oportunistas em condições especiais.

[Link] fatores de virulência permitem o crescimento dos fungos em condições adversas oferecidas
pelo hospedeiro, propiciando o estabelecimento da relação parasitária e contribuindo no
processo de doença, auxiliando no desenvolvimento da infecção e interferindo com a
patogênese das micoses. Podemos citar como fatores de virulência da C. albicans para
ocorrência da patogênese da candidíase: germinação das células da levedura, a penetração na
mucosa e a fagocitose induzida de uma levedura por uma célula da mucosa. Estes eventos são
promovidos por adesinas [Als1p, Als5p (Ala1p), Hwp1p e Int1p] e enzimas secretadas (Sap e
Plb1p) (CALDERONE; FONZI, 2001).

- Questões alternativas
1. Alternativa A. 4. Alternativa C.

2. Alternativa B. 5. Alternativa B.

3. Alternativa E. 6. Alternativa E.

180
Curiosidades
SAIBA MAIS!

Entre 1845-1849, na Irlanda, houve um grande período de fome, que causou a morte de
um milhão de pessoas devido à contaminação fúngica nas culturas de batatas, principal fonte de
alimento da região. Graças ao avanço científico e à biologia molecular, pesquisadores
conseguiram identificar a espécie à qual a contaminação foi associada. O mesmo reino que nos
fornece vinho, trufas e queijos especiais manifesta-se na natureza de forma destrutiva.
Atualmente, há fungicidas disponíveis no mercado para o controle das contaminações; no
entanto, para o seu uso, é necessário reconhecer a qual grupo o fungo pertence, o que reforça
a importância de reconhecer as principais características que agrupam os fungos, desde filos
até gênero, na organização taxionômica.

Os fungos diferenciam-se das bactérias quanto à estrutura da parede celular. Nas bactérias,
a constituição é majoritariamente por camadas de peptidoglicanos; nos fungos, é de quitina.
Uma vez que os principais antibióticos têm ação nos peptidoglicanos e ribossomos 70S, esses
fármacos não conseguem atuar nas doenças fúngicas. Para isso, um dos antifúngicos mais
utilizados é a anfotericina B, capaz de romper a membrana celular.

181
REFERÊNCIAS
do Capítulo

FRANÇA, Fernanda Stapenhorst. Micologia e virologia. Porto Alegre SER - SAGAH


2019. Disponível em:
<[Link]

MADIGAN, Michael T.; MARTINKO, John M.; PARKER, Jack. Microbiologia de Brock. 10.
ed. São Paulo: Pearson, 2010. 608 pág. Disponível em:
<[Link]
>

MORAES, Aurea M., PAES, Rodrigo A., HOLAND, Veronica L. Micologia. 5. ed. São
Paulo: Âmbito Cultural Edições Ltda, 1995. 98 pág.

VALLE, A. C. F. et al. Micoses superficiais e cutâneas. In: COURA, J. R. Dinâmica das


doenças infecciosas e parasitárias. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005.

NASCIMENTO, J.S. Biologia de microrganismos. In. GUERRA, R.A.T. (Org.). Cadernos CB


Virtual 4. João Pessoa: UFPB, 2010, v.6, p.324-340.

182

Você também pode gostar