ie en
8
EDUCAÇÃo ECOLONIZAÇÃQ: AS IDEIAS
anos.
PEDAGÓGICAS NO BXASIL
EST
Dermeval Saviani
ulo
GRS.
história da chamada "civilização ocidental e cris-
sio OBrasil entra para a
fem1500. com a chegada
dos portugueses.
Jbe
Astentativas de colonização do novo território nas primeiras décadas
deséculo XVI
sofreram diversos reveses.
Conyenceu-se, então. 0 reide Portugal, D. João III, da necessidade de
voeramonarquia na ocupação da nova tera. Instituiu, pois, um gover-
ogeralno Brasil nomeando
para essa função Tomé de Sousa.
nrimeiro governador-geraldo Brasil chegouem 1549 trazendo con
O
sgo os primeiros jesuítas, cujo grupo era constituido por quatro padres e
is irmãos chefiados por Manuel da Nóbrega. Eles vieram com a missão
oInfenda pelo rei de converter os gentios: *Porque a principal coisa que
ne moveu a mandar povoar as d1tas terras do Brasil foi para que a gente de
ls se convertesse a noSsa santa fécatólica" de modo que os gentios "pos
JOÃO
am ser doutrinados e ensinados nas coisas de nossa santa fé" (D.
IL 1549: 145 e 148).
Para atender a esse mandato os jesuitas criaram escolas e instituiram
colégios e seminários que foram se espalhando pelas diversas regiões do
erriório. Por essa razão considera-se que a História da Educação brasilei
ase inicia em 1549 com a chegada desse primeiro grupo de jesuitas.
Ainserção do Brasil no chamado mundo ocidental se deu, assim, atra
Ves de um processo envolvendo três aspectos intimamente articulados en
tre si. acolonizaço, a cducação e a catequese.
Convém, preliminarmente, caracterizar, ainda que a largos traços, esse
processo. Eo faremos em dois planos. No primeiro plano nos colocaremos
Histórlase momórias da educação
122 no Brasi
scgundo, procurarcmos cntender
-Vol
linguagem. No
noâmbito da condiçòes dec espaço e tempo que
festação especifica
objeto de análise.
nas
10amOS coo C
PROCESSO NO PLANO DA I
AUNIDADE
ARAIZ
DO
ETIMOLÓGICACOMUM ÀCOLONIZACÃO
EDUCAÇÃOECATEQUESE
LINGUAGEM; C
SENTIDO DE COLONIZAÇÃO
Apalavra colonização deriva diretamente do verbo latino colo. Os i.
cionários registramos seguintes significados para o verbo colo, colui, cul-
tum, colere: 1) cultivar; 2) morar; 3) cuidar de; 4) querer bem a, proteger,
(TORRINHA, 1945: l63)
5)realizar: 6) honrar, venerar
Os dois primeiros significados deram origem àpalavra colonização,
"Colo significou. na lingua de Roma, eu moro, eu ocupo aterra,,C, por ex-
de calo &:
lensão, eu trabalho, eu cultivo o campo. Um herdeiro antigo
terra alheia"
cola, o habitante: outro éinquilinus, aqucle que reside emEtimolóeico d
Alfredo Bosi nos esclarece, ainda, citando o Dicionário
Lingua Latina, de Augusto Magne: "Colonus éo que cultiva uma [Link]
dade rural em vez do seu dono; o seu feitor no sentido técnico c legal da
lavra". E conclui: "Nãopor acaso, sempre quc se qucr classificar os tios
de colonização, distinguem-se dois processOs: o que se atém ao simplescu
povoamento e oque conduz àexploraçãodo solo. Colo estáem ambos:
moro: eu cultivo"(BOSI, 1992: 11-12).
Colónia significa, pois, espaço quc se ocupa, mas também terra ou
povo que se pode trabalhar ou sujeitar.
COLONIZAÇÃO EEDUCAÇÃO
Maso verbo colo significa igualmente tomar conta de; cuidar; manddl
futuroculu-
querer bem a; proteger. Edo supino cultum deriva oparticipio
ao cultivodaterra
rus (o que se vai trabalhar, cultivar), aplicando-se tanto termolatino
quanto aotrabalho de formação humana, acepçãocm que CSse
traduzia o vocábulo grego paideia.
termosamplos,
Manifesta-se aqui osignificado de cducação, tanto) empráticas,dastéc-
no quc ela coincide com cultura cnquanto "conjunto das ràsnovas ge
nicas, dos símbolos e dos valores que se devem transmitir. sOcial"
cocxistência
Taçöes para garantir areprodução de um estado de
Educaçãoe colonização as ideias pedagógicas no Brasil 123
A
(BOSI,1992. 16) como em termOs mais espccificos, enquanto tomar conta
das crianças, cuidar delas, discipliná-las, ensinar-lhes comportamentos,
conhecimcntos modos de operar.
Entendendo.a educaçãào como um processo através do qual a
dadeclaboraa Si mesma em todos os seus mais variados aspectos,humani-
Mana-
corda(1989: 6) acredita "poder sintetizá-los na inculturação nas tradições
cNOsscostumes(ouaculturaç£o, no caso de procederem nào do dinamismo
interno, mas do Cxterno), na instruçåo intelectual em seus dois aspectos, o
formal-instrumcntal (ler, escrever, contar) e o concreto (conteúdo do co-
nhecimento), C, finalmente, na aprendizagem do oficio".
Ora, no caso da cducaçãoinstaurada no åmbito do processo de coloni-
zaçãotrraata-se, cvidentemente, de aculturação já que as tradiçòes e costu-
mes que se busca inculcar decorrem de um dinamismo externo, isto , que
vaido meiocultural il do colonizador para asituação objeto de colonização
COLONIZAÇO ECATEQUESE
Finalmente, colo significa honrar; venerar.
Aqui,do supino cultunderiva oparticipio passado cultus Culto desig
nava o campoque já havia sido preparado eplantado por geraçòes sucessi
vas. Refere-se, portanto, não apenas ao processomas também ao produto
fundidos numa mesma denominaçào.
Étambém daique se origina osubstantivo cultus, us que alm do senti
do básico de cultivo da terra significava igualmente o "culto dos mortos"
forma primcira de religiào: "o ser humano preso à terra e ncla abrindo co
vas que oalimentam vivo e abrigam morto" (BOSI, 1992: 14).
Irompe aquiadimensão religiosa. Com efeito, religi£o evocarestabele
cer vinculos (do latim, religare). E. pois, oconjunto de mediaçòes simbóli
cas por meio das quais deternminada comunidade busca ligar sua experiència
presente com atradiço, isto, com os cspiritos de scus antepassados re
montando, no caso das religiòes monoteistas, aDeus, entendido como afon
de tudo oque existe e, como tal, oantepassado por excelència porque opai
que estána origem de todos os membros du comunidade que ocultua.
O
processo de colonizaçào abarca, de fona articulada mas nào homo
gênea ou harmònica, antes dialeticamente, esses três momentos represen-
tados ppela colonizaçào propriamente dita, ou seja, aposseeexploraçào da
lerra subjugando os seus habitantes (os incolas), acducaçào enquanto
MCulturação, isto , ainculcaçåo nos colonizados das prálicas, técnicas,
Históriase memórias da
educação no
124
colonizadores: e a
Brast -Vo
simbolos e valores
próprios dos catequese
conversåodoscolonizadosàrcligiào dos
comoadifusioc cntendi
colonizadores.,d pon
CoLONIZAÇÃO EEDUCAÇÃO NO BRAsIL,
SCs
Umaqucst§o quc intriga de modo geral os analistas se referç ao falo bora
de Portugalter sido pionciro na
aparentemente paradoxal
Cxpanso
marinac. ao mesmotempo, ter se atrasado consideravclmente no queultres-
peitaao desenvolvimentocapitalista quando comparado com outros paises
ra. que
Conc
bure
curopcus.
Para csclarecer essa qucestão éprecisolevar em conta que Portugal, i- lanç
Port
europeus, era um
ferentemente da maioria dos paises jánoséculo XV. pais
displsso,enamcontentae-
to o
constituido, com fronteiras definidas, Além cant
va comum poder centralizado: D. Joâo II, que governou de 1481 a1495,
pode serconsiderado o primeiro monarca absoluto dda Europa. E este era
um fator importante no caso de um empreendimento do porte das grandes loni
Ademais,, nobreza eburguesia, embora Ing
navegações maritimas.
tivos econômicos diversos,
comungavam do mesmo interesse tendo obje- bui
nista. Ecomo se revelavainviávella expanso expansioeu--
no âmbito do continente
gral
lanc
expansão ultramarina para o que a
ropeu. abrna-se a altemativa da posição proc
geográfica de Portugal representava uma condição bastante vantajosa. Por
Para além dos interesses e intenções dos dirigentes, o historiador
0 ca
ugués Vitorino de Magalhes Godinho (1968: 84-85) propõe uma expli: esti
cação, digamos assim, objetiva, para a expansão ultramarina. Para tanto
ape
sugere acorelação entre duas séries de fatoS, a primeira ligada a carências
Ciac
e necessidades da sociedade portuguesa do século XV em termos de e.
XV
reais, ouro. especiarias, mão de obra, alargamento da área de pesca, domi lanc
nio do mercado dos têxteis, aumento da receita das casas senhoriais: a se
gunda, ligada às potencialidades contidas em áreas de ultramar como Mar
rocos, arquipëlagos atlânticos, incluídas as Ilhas Canárias, Guiné, India e
Brasil. A ligaçãoentre essas duas séries resulta numa outra série de fatos
assim apresentada:
a) conquista de praças marroquinas; quc
COI
b) ocupaço e colonização dos arquipélagos atlânticos; que
c) descobrimento da Guiné e estabelecimento de feitorias; 15
d) descobrimento do caminho marítimo paraa Índia, estabelecimento lôn
de feitorias eformação do impériooriental;
SOS
e)descobrimento e colonização do Brasil (GODINHO, 1968: 85).
colonização: as ideias podagógicas no Brasil 125
Educaçãoe
a
Nãoobstantctodos csses feitos c conquistas, Portugal se atrasou, do
pontodevistado desenvolvimento capitalista, em relação aos demais paí-
ses
Curopcus.
Parase comprcender csse fenômeno épreciso levar cm conta que, em-
boraacxpansãotenha enriquecido aburguesia mercantil., seu controle este-
mãosda Coroa que afinanciou e aexplorou através de monopólio, o
alo venas
quereforçou o parasitismo. da nobreza. Como, porém, ao mesmo tempo as
conquistas ultramarinas reforçavam as posições econômicas e sociais da
burgucsia, a nobreza reagiu a essa contradiço reforçando a ordem feudal
Ses lançando mão da Inquisição como instrumento politico cujaintroduçãoem
Portugalse deu no reinado de D. João Ill(1521-1557). Com esseinstrumen-
di. too Estado português reprimiu, por mais de dois séculos, aburguesia mer-
nte cantil|identificando-a com os cristãos novos, isto é, com os criptojudeus.
ta.
Nesse contexto o mercantilismo português se reduziu åexploração co-
lonialista, abrindo mão do protecionismo industrial, conduta adotada pela
2ra [Link]ça. Como resultado constata-se que ocolonialismo contri-
des buiuparaa acumulação nos paises que já haviam desenvolvido em algum
[Link] de produção capitalista, como aInglaterra e, mais tarde. a Ho-
landa e a França. Não, porém, em Portugal e Espanha onde, ao contrário, o
processo de acumulação foi obstaculizado pelo colonialismo. Em verdade,
Portugalatuou "como especialista no comércio de intermediação interna-
cional, no carrying trade, sobre o qual escreveu Adam Smith, que retirava
r ocapital do apoio ao trabalho produtivo do próprio pais eo desviava para o
estimulo àprodução emn outros países" (GORENDER, 1978: 123). Assim,
ito
apenas para dar um exemplo, constata-se que, embora oBrasil tenha propi
as
ciado aPortugal o monopólio da exportação mundial de açúcar no século
XVI, não foram constituídas refinarias em Portugal; elas surgiram na Ho
landa, Inglaterra e França.
AS IDEIAS PEDAGÓGICAS NO BRASIL NA ÉPOCADA
COLONIZAÇÃO
Como jáfoisalientado, há uma estreita simbiose entre cducação e cate
quese na colonização do Brasil. Em verdade a emergência da educação
como um fenômeno de aculturação tinha na catequese a sua ideia-força, o
que fica claramente formulado no Regimento de D. Jo§o Ill estatuido em
IS49 eque continha as diretrizes aserem seguidas eimplementadas na co
to lönia brasileira pelo primeiro governo-geral.
Areferida centralidade da catequese já foi objeto de análise de diver
SOS estudiosos. José Maria de Paiva, por exemplo, defendeu a tese de que
Históriase memórias da
126 educação no Brasl
cumpriu umpapcl colonial, nào como de -vo
"a catequizaçåo
simplesmente albada, mas, mais do que ora,
isto, como uma cfoorOçmoa ua
força opocesso" (PAIVA, 1982 97), Já Luis
todo
menteintegrada a catequcse e"um csforço real
Neves entende que a
eslorço racionalmentFele fiepeito Batparan
letto para acentuar a
conquistar homens;
diferenças
éum
(BAETA NEVES, 1978:45). Eo cixo dosemclhança
gar as
qutico era de caráter
primncira
pedagógico, uma vez que os jesuitas
altemativade conversãoera o
trabal l ho
convencimentocoquucnsideravam
cate.
que a
va práticas pedagógicasinstitucionais (as escolas) e não im pl
in:stitucionais (o
eram mais visiveis. Entretanto, "as
ica-
exemplo). As primeiras
titucionalizadas do saber foram
muito mais eficazes, formas não ins
cais, em sua cnganadora onipresentpassavaes, [Link]
múltipla pequenez do que o que se
de vista de instalação de uma
Colégios, pelo menos do ponto
cultural" (p. 148). dominaçào
AEDUCAÇÃO COLONIAL NO BRASIL COMPREENDE
FASES DISTINTAS
Aprimeira fasecorresponde ao chamado "periodo heroico"
1958) eabrange de 1549, quando chegaram os primeiros jesuítas, até a
1570.
(MATTOS,
morte do Pe. Manuel da Nóbrega, em
Essa fase é marcada pelo plano de instrução elaborado por Nóöbrega,
plano esse que se iniciava com oaprendizado do português (para os indioe
ler e escrever a
nas) e prosseguia com a doutrina crist, a escola de
nalmente. canto orfeônico emúsica instrumental, culminando, de um lado
com oaprendizado profissionaleagricola e, de outro lado, com a gramáti.
ca latina para aqueles que se destinavam àrealização de estudos superiores
na Europa (Universidade de Coimbra). Esse plano não deixava de conter
uma preocupação realista, procurando levar em conta as condições especj
ficas da Colonia. Contudo, sua aplicação foi precária, tendo cedo encontra
do oposiçåo no interior da própria Ordem jesuitica, sendo finalmente su
plantado pelo plano geral de estudos organizado pela Companhia de Jesus
e consubstanciado no Ratio Studiorum cuja primeira versão data de 1576
(FOULQUIÉ, 1971:404).
Asegunda fase (1570-1759) émarcada pelaorganização e consolida
ço da cducaçào jesuítica centrada no Ratio Studiorum.
Oplano contido no Ratio era de caráter universalista eelitista. Univer
salista porque se tratava de um plano adotadoindistintamente por todos o5
jesuitas,qualquer que fosse o lugar onde estivessem. Elitista porque aca
colonização: as ideias pedagógicas no Brasil 127
Educaçãoe
[Link] filhos dos colonos e excluindo os indígenas, com o
se
bou colégioss jesuitas se converteram no instrumento de formação da eli-
0s
colonial. Por iss0, oS estágios iniciais previstos no plano de Nóbrega
gue
cal.
(aprendizadode português c escola de ler e cscrever) foram suprimidos. O
Ie
cta
planocomeçava com curso de Humanidades e prosseguia com os
o
Ara
cursos
novode FilosofiacTeologia seguidos de viagem de estudos àEuropa. Na
te. porém, OS cursOs de Filosofia e Teologia eram limitados àforma-
prática,
padres catequistas..Portanto, oque de fato se organizou no Brasil
dos
ção cursode Humanidades, que tinha a duração de seis anos e cujo con
foio reeditavao Trivium da Idade Média, isto é, a
(o
teúdo Gramática (quatro sé-
no objetivo ode assegurar expressão clara eprecisa; a Dialética (uma
ries),com
destinada.a assegurar expressão rica e elegante; e Retórica(uma série)
série), se buscava garantir uma expressão poderosa e convincente.
Com o que
o ideário pedagógico subjacente ao Ratio Sudiorum?
Equalé
Asideias pedagógicassexpressas no Ratio correspondem ao que passou
ser
conhecido na modernidade como Pedagogia Tradicional considera-
a
porém, emsua
da,caracteriza
vertente religiosa. Aconcepção pedagógica tradicional
por uma visão essencialista de homem, isto é, ohomem é
se
concebido como constituído por uma essência universal eimutável. Å
edu-
moldar aexistência particulare real de cada educando àes-
cação cumpre
sência universaleideal queo define enquanto ser humano. Para a vertente
religiosa,tendo sido ohomem feito por Deus àsua imagemesemelhança,
oRSência humana éconsiderada, pois, criaçào divina. Em consequência, o
homem deve se empenhar em atingir a perfeição humana na vida natural
dádiva da vida sobrenatural.
para fazer por merecer a
Aexpressão mais acabada dessa vertente é dada pela corTente do to
mismo, que consiste numa articulação entre a filosofia de Aristóteles e a
tradicão crist; tal trabalho de sistematização foi levado a cabo pelo filóso
foe teólogo medieval Tomás de Aquino, de cujo nome deriva adesignação
da referida corrente.
Eéjustamente o tomismo que está na base do Ratio Studiorum, que esti
pulara na regra de número 2do professor de filosofia que "em questões de
alguma importância não se afaste de Aristóteles" (FRANCA, 1952: 159). E
aregra de número 6 recomendava falar sempre com respeito de Santo To
más, "seguindo-o de boa vontade todas as vezes que possivel" (p. 159). Por
sua vez, a regra de número 30 do Prefeito dos Estudos recomenda que se co
loque nas màos dos estudantes a Summa Theologica de Santo Tomás, para
Os teólogos, e Aristóteles, para os filósofos (p. 143).
Aorientação acima indicada predominou no ensino brasileiro durante
aproximadamente dois séculos, isto é, até 1759, quando se deu a expulsão
Históriase memórias da
128 educaçào no Brasil -
por
Vol
suas colônias
dos jesuitas de Portugal c deRei D. José 1.
ato do Marquês
de
cntào primeio ministro do
Atereira fase corresponde ao periodo
(1759-18O8) Pomba, (|8
As refomas pombalinas da instruçào
pública"
levadas a efeito
pombal
inserem i
seno, no
das refomas modemizantes ,o século por Pombal
Visando quadro
Portugal"à altura do século",isto
minism0.
XVIll, caracterizado pelcolo ocarl u- out
Pelo Alvará de 28 de junho de 1759, determinou-se o
colégios jesuitas introduzindo-se. posteriormente,
foi
as "aulas
rem mantidas pela Coroa para oque instituído em 17772
fechament
régias" o
dos
a se-
Co
são
terário" o"subsid io li-
ser
ção
As reformas pombalinas see contrapõem ao predomínio das
giosas na versåodos jesuitas e, com base nasideias
laicas ideias reli- vol
Iluminismo, instituem o privilégio do Estado em matéria de inspiradas no XV
instrução.
Entretanto, essainiciativa nâo passou de um esboço que não.
mit:
priamente a se efetivar, por diversas razões, entre as quais podemos chegoumencipro-o- na
apó
nar: aescassez de mestres em condiçoes de imprimir a nova orientacâo àc hav
aulas rgias, uma vez que sua formação estava marcada pela ação
ca dos próprios jesuitas; ainsuficiência de recursos dado que a pedagógi-
Colônia nào
contava com uma estrutura arrecadadora capaz de garantir a obtenc£o do
"subsidio literário" para financiar as "aulas régias"; o retrocesso conhecido BA
como "viradeira de Dona Maria I" que sobreveio a Portugal após a morte de dos
D. José Iem 1777;e, principalmente, o isolamento cultural da Colônia moti.
BO
vado pelo temor de que, através do ensino, se difundissem na Colônia jdejas
tras.
emancipacionistas. Com efeito, acirculação das ideias iluministas em mea
dos do século XVIIl vinha propiciando a influência das ideias liberais D
peias em paises americanos, alimentando não só desejos mas, euro NE
reais visando àautonomia politica desses paises. movimentos 199
Finalmente, a Quarta fase pode ser denominada de periodo joanino FOL
(1808-1822) porque teve inicio com a chegada de D. João VI ao Brasil, em 197
1808, em consequência do bloqueio continental FRA
decretado em 1806 por
Napoleão contra a Inglaterra, da qual Portugal era "nação amiga", comple Agi
tando-se em 1822 quando ocorreu a independência política do pais. GO
Do ponto de vista cducacional, a List
império português teve como resultadotransformação
a
do Brasilem sede do
tes vetados pela políticametropolitana. criação de cursos superiores, an
GOI
genharia da Academia Real da Marinha (1Surgiram, assim, os cursos de el
808)e da Academia Real Minal
MA
tez,
129
e
colonização: as ideias pedagógicas no Brasl
Edvcaçâo
o
Cursode Cirurgia da Bahia (1808), de
Cirurgia e Anatomia do
(1810)).o (1808), de Medicina (1809). também no Rio de Janeiro, de
Janciro
de.
de Agricultura (1812), de Quimica (química industrial.
Economia(1808),
Rio
mineralogia).em [Link] Curso de Desenho Técnico(1818).
peologiae influenci-
duas últimas fases a vertente religiosa não deixou de
Nessas
cducaçâo,brasileira, abrindo-se, contudo, espaços para acirculação de
ara ideiassituadas no âmbito da concepção que pode ser classificada
outras
vertenteleiga da Pedagogia Tradicional. Tal vertente mantém a vi-
essencialista de homem. Entretanto, aessència humana,emlugar de
como a
sãoentendida. partirda criação edos designios divinos, éassimilada à no-
ser natureza humana. E, sendo a natureza humana essencialmente ra-
çãode explica-se a crença no poder infinito da razão que então se desen-
cional, crença nas luzes da razão é a marca distintiva do século
volveu. Esssa
isso mesmo denominado de Século
das Luzes. Em razão das li-
XVIIl, por
apontadas acima, essas novas ideias não chegaram a penetrar
mitações já século XIX, especialmente
organizaçâo escolar. Isso veio a ocorrer no
na independência. Mas aí a época da colonização, propriamente dita. já
apása
havia sido ultrapassada.
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