Orçamento e Contabilidade
do Setor Público
Sibele Leandra Penna Silva
Formação Inicial e
Continuada
+
IFMG
Campus Avançado Ponte Nova
Sibele Leandra Penna Silva
Orçamento e Contabilidade do Setor Público
1ª Edição
Belo Horizonte
Instituto Federal de Minas Gerais
2022
© 2022 by Instituto Federal de Minas Gerais
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Pró-reitor de Extensão Carlos Bernardes Rosa Júnior
Diretor de Programas de Extensão Niltom Vieira Junior
Coordenação do curso Sibele Leandra Penna Silva
Arte gráfica Ângela Bacon
Diagramação Eduardo dos Santos Oliveira
FICHA CATALOGRÁFICA
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
S586 Orçamento e contabilidade: do setor público [recurso eletrônico]./
Sibele Leandra Penna Silva. – Belo Horizonte: Instituto
Federal de Minas Gerais, 2022.
62p.: il.
E-book, no formato PDF.
Material didático para Formação Inicial e Continuada.
ISBN 978-65-5876-048-1
1. Estado. 2. Governo. 3. Democracia. I. Silva, Sibele Leandra
Penna.
CDD 351
Catalogação: Rejane Valéria Santos CRB-6/2907
Índice para catálogo sistemático:
Contabilidade do setor público: 351
2022
Direitos exclusivos cedidos ao
Instituto Federal de Minas Gerais
Avenida Mário Werneck, 2590,
CEP: 30575-180, Buritis, Belo Horizonte – MG,
Telefone: (31) 2513-5157
Sobre o material
Este curso é autoexplicativo e não possui tutoria. O material didático,
incluindo suas videoaulas, foi projetado para que você consiga evoluir de forma
autônoma e suficiente.
Caso opte por imprimir este e-book, você não perderá a possiblidade de
acessar os materiais multimídia e complementares. Os links podem ser
acessados usando o seu celular, por meio do glossário de Códigos QR
disponível no fim deste livro.
Embora o material passe por revisão, somos gratos em receber suas
sugestões para possíveis correções (erros ortográficos, conceituais, links
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Palavra(s) do(s) autor(es)
Caro participante, seja bem-vindo ao curso Orçamento e Contabilidade
do setor público!
A preparação deste material buscou atender ao objetivo de permitir que
você possua conhecimentos básicos sobre o Orçamento Público e a
Contabilidade do Setor Público.
O Orçamento Público é uma uma peça chave da Administração Pública
por explicitar as políticas públicas conduzidas por um governo. O que evidencia
sua importância para os gestores é a previsão e controle na condução do
dinheiro público e, consequentemente, no atendimento das demandas sociais
da população.
Em relação à Contabilidade aplicada ao Setor Público será apresentado
seu funcionamento e evidenciada sua importância para a Administração
Pública, uma vez que esta possuei a obrigatoriedade de coleta, registro,
acompanhamento e fiscalização dos fatos que envolvem o patrimônio público.
Dessa forma, estudaremos juntos as informações que permeiam o tema
e você é nosso principal convidado!
Esperamos que após a conclusão dos estudos em todas essas etapas,
você aprenda informações básicas, mas essenciais, sobre Orçamento e
Contabilidade aplicados ao Setor Público.
Desejamos que o material seja proveitoso e que todos tenham excelentes
estudos!
O autor.
Bons estudos!
Nome do(s) autor(es).
Apresentação do curso
Este curso está dividido em quatro semanas, cujos objetivos de cada uma são
apresentados, sucintamente, a seguir.
Nesta primeira semana apresentaremos uma visão geral e
integrada a administração pública. Trabalharemos também
SEMANA 1
os principais fundamentos normativos do orçamento
público.
Nesta segunda semana estudaremos a definição de
SEMANA 2 orçamento público e a importância do mesmo para atuação
cidadã.
Nesta terceira semana estudaremos os conceitos e
SEMANA 3
classificações das receitas e despesas públicas.
Nesta quarta semana apresentaremos o conceito e
SEMANA 4 aplicação da contabilidade pública. Estudaremos também
os principais demonstrativos contábeis do setor público.
Carga horária: 40 horas.
Estudo proposto: 2h por dia em cinco dias por semana (10 horas semanais).
Apresentação dos Ícones
Os ícones são elementos gráficos para facilitar os estudos, fique atento quando
eles aparecem no texto. Veja aqui o seu significado:
Atenção: indica pontos de maior importância
no texto.
Dica do professor: novas informações ou
curiosidades relacionadas ao tema em estudo.
Atividade: sugestão de tarefas e atividades
para o desenvolvimento da aprendizagem.
Mídia digital: sugestão de recursos
audiovisuais para enriquecer a aprendizagem.
Sumário
Semana 1 – Administração Pública ............................................................... 15
1.1. Estado e Governo .............................................................................. 15
1.1.1 Estado ................................................................................................ 15
1.1.1.1 Estado Democrático de Direito ........................................................... 16
1.1.2 Governo ............................................................................................. 17
1.1.2.1 Formas de Estado .............................................................................. 17
1.1.2.2 Regimes de Governo ......................................................................... 18
1.1.2.3 Formas de Governo ........................................................................... 18
1.1.2.4 Sistemas de Governo ......................................................................... 18
1.2. Administração Pública ........................................................................ 19
1.2.1 Princípios da Administração Pública .................................................. 20
1.2.2 Estrutura da Administração Pública.................................................... 21
1.2.3 Modelos de administração pública ..................................................... 21
1.3 Estado Brasileiro ................................................................................ 22
1.3.1 Poder Legislativo ................................................................................ 23
1.3.2 Poder Executivo ................................................................................. 23
1.3.3 Poder Judiciário ................................................................................. 24
Semana 2 – Orçamento Público .................................................................... 25
2.1 Introdução ao Orçamento Público ...................................................... 25
2.2 Sistema Orçamentário Brasileiro ........................................................ 26
2.3 Princípios Orçamentários ................................................................... 29
2.3.1 Princípio Orçamentário da Legalidade ............................................... 29
2.3.2 Princípio Orçamentário da Unidade.................................................... 29
2.3.3 Princípio Orçamentário da Universalidade ......................................... 29
2.3.4 Princípio Orçamentário da Anualidade ............................................... 30
2.3.5 Princípio Orçamentário da Exclusividade ........................................... 30
2.3.6 Princípio Orçamentário da Uniformidade e da Clareza ....................... 30
2.3.7 Princípio Orçamentário da Não Afetação da Receita ......................... 30
2.3.8 Princípio Orçamentário do Equilíbrio .................................................. 31
2.3.9 Princípio Orçamentário do Publicidade .............................................. 31
2.3.10 Princípio Orçamentário do Orçamento Bruto ...................................... 31
Semana 3 – Receitas e Despesas Públicas .................................................. 33
3.1 Receita Pública .................................................................................. 33
3.1.1 Classificação da Receita Pública ....................................................... 33
3.1.2 Receita Orçamentária ........................................................................ 35
3.2 Despesa Pública ................................................................................ 36
3.2.1 Classificação das Despesas Orçamentárias ...................................... 37
3.2.2 Classificação Institucional .................................................................. 37
3.2.3 Classificação Funcional ...................................................................... 37
3.2.4 Classificação por Estrutura Programática .......................................... 37
3.2.5 Classificação por Natureza................................................................. 38
Semana 4 – Contabilidade Pública................................................................ 41
4.1 Conceito de Contabilidade Pública ..................................................... 41
4.2 Plano de Contas do Setor Público ...................................................... 43
4.3 Demonstrações contábeis .................................................................. 44
Referências ................................................................................................... 49
Currículo do autor.......................................................................................... 51
Glossário de códigos QR (Quick Response) ................................................. 52
Semana 1 – Administração Pública Plataforma +IFMG
Objetivos
Nesta primeira semana apresentaremos uma visão geral e
integrada a administração pública. Trabalharemos também os
principais fundamentos normativos do orçamento público.
Mídia digital: Antes de iniciar os estudos, vá até a sala
virtual e assista ao vídeo “Apresentação do curso”.
1.1. Estado e Governo
O estudo da Administração Pública inicia-se com a concepção de Estado, sua
estrutura, organização dos serviços públicos e atividades.
1.1.1 Estado
O Estado é uma instituição política, social e juridicamente organizada, que ocupa um
território, possui um governo soberano, é regido por uma Constituição e que é responsável
pela organização da vida em sociedade por meio de seu poder legítimo de coerção.
Segundo Meirelles (2020), o conceito de Estado varia conforme a perspectiva do qual
é considerado.
Do ponto de vista sociológico é corporação territorial dotada de um poder de mando
originário; sob o aspecto político é comunidade de homens, fixada sobre um território,
com potestade superior de ação de mando e coerção; sob o prisma constitucional é
pessoa jurídica territorial soberana; na conceituação do nosso Código Civil, é pessoa
jurídica de direito público interno (MEIRELLES, 2002, p. 44).
Para Silva (2005), o Estado é uma ordenação, com a finalidade de
regulamentar as relações sociais entre as pessoas sobre um determinado território, dotado
de poder soberano e institucionalizado.
Considerando os conceitos apresentados, verificamos a existência de elementos que
constituem o Estado: soberania, povo e território.
O povo é o componente humano do Estado e considerado como o principal element
constitutive do mesmo, uma vez que sem a existência de pessoas não haveria Estado.
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O povo constitui-se das pessoas que formam uma nação referindo-se aos natos ou
naturezalizados que residem no território estatal.
O território é o componente material do Estado e corresponde ao espaço geográfico
em que o povo vive e no qual a soberania estatal é exercida.
O território corresponde as seguintes itens geograficamente definidos: solo, subsolo,
espaço aéreo, plataforma submarina e mar territorial.
A soberania é o componente de poder autônomo do Estado e corresponde ao poder
do Estado de não estar limitado por outro poder interno ou externo que não esteja previsto
nas normas que edita de forma autônoma.
Atenção: o conceito de Estado Moderno está
relacionado ao poder institucionalizado, ou seja, ele se
forma em uma instituição e não em um indivíduo.
1.1.1.1 Estado Democrático de Direito
De acordo com Meirelles (2020), o Estado Democrático de Direito é aquele
juridicamente organizado, que cria suas próprias leis e ao mesmo tempo está sujeito a elas.
Dessa forma é necessária além de um ordenamento jurídico, a criação de mecanismos que
garantam o cumprimento das normas presentes neste ordenamento pela sociedade e pelo
próprio Estado.
O Estado Democrático de Direito abrange dois componentes: Estado, como forma de
organização pólítica e Direito, correspondente ao conjunto de normas que regem o
funcionamento da sociedade. O poder de atuação do Estado é cerceada pelo Direito e o
poder politico é legitimado pelo povo.
Dessa forma o Estado Democrático de Direito tem como principal característica a
democracia, pela qual o povo é titular legítimo do poder mas exercido de forma
representativa, por meio de eleições periódicas.
Os princípios do Estado Democrático de Direito são:
- Constitucionalidade: supremacia da constituição como instrumento de garantia
jurídica;
- Sociedade democrática;
- Direitos e garantias fundamentais, individuais e coletivos;
- Justiça social e igualdade como forma de correção das desigualdades;
- Legalidade como base para ação estatal e forma de evitar arbitrariedades;
- Segurança jurídica;
- Divisão dos poderes.
O Estado dessa forma é formado por instituições permanents que são responsáveis
pela organização, controle e funcionamento da sociedade, cada uma delas exercendo uma
função estatal: executive, legislative e judiciária.
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A tripartição dos poderes é pois a atribuição distinta de competências a cada um
deles, de forma que nenhum possua poder ilimitado e possa ter sua ação cerceada pelos
demais, é o que se denomina equilílbrio dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.
O Poder Executivoi é responsável pela execução e gestão dos serviços públicos. O
Poder Legislativo formula as leis e normas. O Poder Judiciário tem o papel de julgar e
supervisionar a aplicação das leis.
Atenção: no Estado Democrático de Direito não existe
poder absoluto ou supremo, estando os governantes
sujeitos ao estabelecido em lei.
1.1.2 Governo
O Governo se refere à instância máxima de administração de um Estado,
expressando a política de comando, iniciativa, fixação de objetivos e manutenção da ordem
jurídica do Estado (MEIRELLES, 2020).
Nesse sentido, o Governo corresponde ao conjunto de órgãos responsáveis pela
função política do Estado, com funções definidas constitucionalmente. Tal função está
relacionada ao planejamento, organização, controle e avaliação dos objetivos, diretrizes e
metas fixados para os planos de atuação estatal ou políticas públicas.
1.1.2.1 Formas de Estado
A Forma de Estado refere-se à organização política-administrativa do Estado e da
distribuição do poder político no território.
Classificam-se em Estado Unitário e Estado Federal.
O Estado Unitário tem como características a soberania única; centralização política,
pela qual há um poder político central; sistema jurídico baseado em uma constituição.
Nos Estados Unitários os serviços públicos e demais atividades estatais de
atendimento à coletividade como justiça, educação, saúde, são administrados em todo país
por um poder político central.
O Estado Federal tem como características a descentralização política, havendo
competências políticas, administrativas e legislativas distribuídas por competências entre
entes locais, regionais e nacionais, que possuem poder político e autônomo; podendo haver
poderes políticos autônomos coexistindo em um mesmo território e dividindo as atuações
em níveis local, regional e nacional
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1.1.2.2 Regimes de Governo
O Regime de Governo trata da forma como se rege uma nação.
Classificam-se em Democracia e Autocracia.
A Democracia ou Regime Democrático proporciona a participação popular nas
decisões governamentais e gestão da nação, por meio da criação de leis e fiscalização das
ações do representantes escolhidos por meio de voto.
A Autocracia ou Regime Autocrático possui a natureza autoritária, onde o poder do
governante é absoluto e arbitrário, sendo a gestão da nação exercida por ele ou por
delegações feitas pelo mesmo de forma arbitrária.
1.1.2.3 Formas de Governo
A Forma de Governo está relacionada como se institui a relação entre o governante
e os governados, embasada nas instituições políticas que o Estado utiliza para exercer seu
poder sobre a sociedade.
São classificadas em República ou Monarquia.
Na Monarquia o regime político tem como governante o monarca, que exerce o poder
de forma hereditária e vitalícia. O monarca é o Chefe de Estado e o Chefe de Governo,
sendo que não há obrigatoriedade de prestação de contas ou responsabilização sobre os
gastos públicos.
Na República o governante assume o cargo de forma temporária e através do voto
do povo. O Chefe de Estado e o Chefe de Governo é o presidente, que assume o cargo de
forma temporária e por meio de eleições, havendo obrigatoriedade de prestação de contas
à sociedade.
1.1.2.4 Sistemas de Governo
O Sistema de Governo refere-se a forma de interação entre os Poderes Executivo e
Legislativo nas funções governamentais.
No Sistema Presidencalista, as funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo são
exercidas por uma só pessoa – o Presidente da República, que cumpre um mandato fixo e
temporário, sem precisar de autorização legislativa para tal. Há clara separação e
independência entre os Poderes.
O presidente é eleito diretamente pelo povo e o programa de governo é de sua autoria
e responsabilidade exclusiva. O mandato do presidente é fixo, bem como o dos membros do
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parlamento. Eles só se interrompem, ou se renovam, na data predeterminada para as
eleições seguintes, a não ser nos casos excepcionais e graves do impeachment, no que se
refere ao presidente, e da cassação, no que se refere aos parlamentares.
No sistema parlamentar o Chefe de Estado e Chefe de governo são funções exercidas
por duas pessoas – o primeiro, o rei ou presidente e o segundo, o Primeiro-Ministro. O Poder
Executivo trabalha em estreita associação com o Poder Legislativo.
O Chefe de Governo é o Primeiro-Ministro, eleito pelo Parlamento, que também tem
que aprovar o programa de governo. O primeiro-ministro e o restante do gabinete podem ser
destituídos por moção de desconfiança aprovada pelo parlamento. Em contrapartida, o
parlamento pode ser dissolvido pelo Chefe de Estado.
1.2. Administração Pública
Meirelles (2020, p. 64) conceitua a administração pública apontando suas diferentes
nuances:
Em sentido formal, é o conjunto de órgãos instituídos para consecução dos objetivos
do governo; em sentido material é o conjunto das funções necessárias aos serviços
públicos em geral; em acepção operacional, é o desempenho perene e sistemático,
legal e técnico, dos serviços próprios do Estado ou por ele assumidos em benefício
da coletividade. Numa visão global, a administração é, pois, todo aparelhamento do
Estado preordenado à realização de serviços, visando à satisfação das necessidades
coletivas (MEIRELLES, 2020, p. 64).
O termo Administração Pública dessa forma é compreendido em dois sentidos: amplo
e estrito.
No sentido amplo abrange as funções administrativas de execução das políticas
públicas desempenhadas pelos órgãos e as funções políticas de direção e elaboração das
diretrizes e programas governamentais;
No sentido estrito refere-se aos órgãos e pessoas que desempenham atividades de
cunho administrativo de execução dos programas governamentais de forma profissional e
apartidária.
A Administração Pública é compreendida ainda de acordo com os critérios subjetivo
e objetivo.
No sentido Subjetivo, também denominado Formal ou Orgânico, considera-se quem
exerce a função administrativa e portanto a Administração Pública é entendida como o
conjunto de órgãos, entidades e agentes que forma o aparelho do Estado e tem a função de
executar as atividades administrativas.
Já no sentido Objetivo, também conhecido por Material ou Funcional, considera-se o
objeto, o que é realizado e portanto refere-se às atividades próprias da Administração
Pública: polícia administrative, serviço público, fomento e intervenção.
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A atividade de polícia administrativa refere-se às ações de restrição ou
condicionamento aos direitos individuais visando o interesse coletivo, como por exemplo
autorizações, notificações, fiscalizações, sanções.
O serviço público está relacionado às ativiadades administrativas que visam attender
as necessidades coletivas, podendo ser exercidas diretamente ou por delegação, como por
exemplo serviços de telecomunicações, transporte, postal.
As atividades de foment visam incentivar a iniciativa privada de utilidade ou interesse
público, como por exemplo financiamento com condições especiais, concessão de incentivos
fiscais.
As intervenção são atividades de regulação e fiscalização de atividade econômica de
forma indireta por meio de agências reguladoras, direta, por meio das empresas estatais ou
na propriedade privada por meio de tombamento, desapropriação.
1.2.1 Princípios da Administração Pública
Os Princípios da Administração Pública referem-se às diretrizes norteadoras do
exercício da gestão pública.
Está previsto na Constituição Federal de 1988 que:
Art. 37 - A Administração Pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios da
legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao
seguinte [...] (BRASIL, 1988).
Os princípios constitucionais da Administração Pública podem ser brevemente
conceituados da seguinte forma:
- Princípio da legalidade: princípio sobre o qual se baseia toda ação administrativa sendo
fundamental para a manutenção do Estado Democrático. Determina que toda ação do
administrador público deve ser baseada em norma legal, caso contrário será considerado
ilícito.
- Princípio da impessoalidade: princípio segundo o qual a finalidade de qualquer ato
administrativo é o interesse comum, estabelecendo a prática impessoal da ação do
administrador público, que deve atender a todos e sem promoção pessoal.
- Princípio da moralidade: princípio que determina a ação administrativa de forma idônea
e moral, devendo ser respeitadas além das leis, o ético e não-ético, honesto e desonesto.
- Princípio da publicidade: principio relacionado à obrigatoriedade de transparência das
ações públicas, por meio da publicidade que é requisito á eficácia e moralidade, além de
auxiliar no controle.
- Princípio da eficiência: princípio que determina a busca por maior qualidade na prestação
dos serviços públicos com o menor dispêndio possível.
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1.2.2 Estrutura da Administração Pública
A Administração Pública é estruturada em conjunto de órgãos e pessoas jurídica que
se classificam em dois tipos: direto e indireto.
A Administração Direta é aquela exercida diretamente pela estrutura estatal e pelos
órgãos do próprio Estado, aos quais são delegadas as funções de governo, e atuam como
parte do Estado, não possuindo personalidade jurídica, mas autonomia política,
administrativa e financeira. A Administração Direta é formada pelos Poderes Executivo,
Legislativo e Judiciário e seus órgãos.
A Administração Indireta corresponde a transferência para execução de atividades
administrativas de interesse público para outras pessoas jurídicas vinculadas ao órgão
estatal que as criou. Possuem autonomia financeira e administrativa, mas não política.
Os tipos de pessoas jurídicas que formam a administração indireta são:
- Autarquias: pessoa jurídica com objetivos administrativos ou econômicos, criadas pelo
Estado e tuteladas por este para que possuam recursos patrimoniais próprios e
autonomia visando auxiliar indiretamente nos serviços públicos.
- Fundação: pessoa jurídica sem finalidade lucrativa que objetiva prestar serviços à
coletividade geralmente relacionados à educação, saúde, pesquisa e assistência social.
- Empresas públicas: pessoa jurídica que podem ser constituídas com capital somente
público e que visam garantir a produção de bens e serviços fundamentais à população
como transporte, energia elétrica e combustível.
- Sociedades de economia mista: pessoa jurídica que tem o capital constituído com
participação do Estado e de particulares, visam garantir a realização de atividades
econômicas pelo Estado ou de serviços de interesse coletivo.
1.2.3 Modelos de administração pública
A administração pública possui uma estrutura administrativa, que historicamente
modificou-se e para fins didáticos pode apresentar-se em três modelos: patrimonialista,
burocrática. Ressalta-se que as estruturas podem estar presentes concomitantemente na
Administração Pública.
A) Administração Patrimonialista: a manutenção do poder é baseada na troca de
favores, não há carreiras administrativas, o aparelho estatal é uma extensão do poder
soberano e o patrimônio público é confundido com o particular. Suas principais
características são: clientelismo, nepotismo e corrupção.
B) Administração Burocrática: o poder é baseado em uma estrutura racional-legal, na
qual a atuação da administração se fundamenta em leis e no controle dos processos, há
separação entre o público e o privado. Suas principais características são: centralização,
impessoalidade; controle, foco em normas e regulamentos, racionalização, eficiência,
meritrocacia, padronização.
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C) Administração Gerencial: o controle com foco nos resultados passou a substituir o
controle de processos do modelo burocrático, o interesse dos cidadãos passou a ter maior
relevância e a implementação de práticas do setor privado no público.
A redução de custos com elevação da qualidade dos serviços públicos é um de seus
objetivos, e para tanto utiliza-se das seguintes medidas: redução das atividades estatais por
meio de maior atuação de estruturas descentralizadas; maior número de parcerias com
organizações do setor privado; criação de agências executivas e agências reguladoras;
maior autonomia gerencial e financeira aos componentes da administração indireta e aos
setor privado; controle de resultados após a execução.
Tem como características muitas daquelas encontradas no modelo burocrático:
impessoalidade, legalidade, meritrocacia, estrutura de carreira, capacitação.
1.3 Estado Brasileiro
Conforme prevê a Constituição Federal de 1988:
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados
e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e
tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o
Executivo e o Judiciário (BRASIL, 1988).
O Brasil é um Estado Democrático de Direito que se formou como tal a partir da
Constituição de 1988, no qual a democracia é representativa, uma vez que os cidadãos
participam do processo de decisão governamental por meio de seus representantes,
escolhidos através de voto direto.
A Constituição Federal de 1988 estabeleceu que o Brasil é uma República Federativa,
ou seja, a forma de governo é republicana na qual o governante é eleito para exercício de
um mandato por período definido.
Em termos de organização ou forma de Estado, o Brasil é um Estado Federativo, ou
seja, contempla a união indissolúvel de entes federados: União, Estados Membros,
Municípios e Distrito Federal. A Constituição determinou na estrutura de cada um dos entes
federados sua capacidade de auto-organização, autolegislação, autogoverno e
autoadministração, mas ainda devem obedecer às determinações constitucionais.
O Sistema de Governo no Brasil é o presidencialismo, definido em plebiscito realizado
em 7 de setembro de 1993 , conforme art. 2º. dos Atos das Disposições Constitucionais
Transitórias.
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Plataforma +IFMG
A divisão dos poderes também é verificada como dispositivo constitucional, que atribui
o exercício do Poder a órgãos distintos e independentes, cada qual com sua função e de
forma que exista um sistema de controle entre eles para que nenhum possa agir em
desacordo com a Constituição.
A harmonia entre os Poderes também é uma característica da divisão entre eles, que
se baseia na existência de normas de cortesia e no fato de não ser absoluta a independência
entre eles, ou seja, deve-se haver equilíbrio que evite arbitrariedades de atos entre os
Poderes.
As funções típicas de cada poder é estabelecida de acordo com suas finalidades:
Poder Legislativo, elaborar as leis ou legislar; Poder Executivo, administrar para realização
dos objetivos estatais ou executar; Poder Judiciário, evitar e solucionar conflitos, julgar.
Dica do professor: A Teoria dos Três Poderes teve
notoriedade a partir da obra de Montesquieu, filósofo
francês do século XVII, segundo o qual “distingue-se três
tipos de poderes nos diversos Estados: o poder
legislativo, o poder executivo e o poder de julgar [...] tudo
estaria perdido se o mesmo homem exercesse os três
poderes”.
1.3.1 Poder Legislativo
Conforme previsto no artigo 44 da Constituição Federal de 1988 o Poder Legislativo
é composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, que em conjunto formam
o Congresso Nacional.
As principais atribuições do Congresso Nacional são: elaboração das leis; fiscalização
contábil, financeira e orçamentária da União e da Administração Indireta.
O bicameralismo, que corresponde à organização do Poder Legislativo em duas
casas, conforme no Brasil, tem como principal função permitir o trâmite e discussão de
matérias em ambas as casas, possibilitando a revisão e manifestação delas como forma de
aperfeiçoamento dos trabalhos.
1.3.2 Poder Executivo
O presidencialismo adotado pela Constituição Federal de 1988, destina ao Presidente
da República auxiliado pelos Ministros de Estado, especialmente sancionar, promulgar e
fazer publicar as leis; dispor sobre o funcionamento e a organização da administração
federal; vetar projetos de lei de forma total ou parcial.
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O poder de veto decorre do sistema de controle entre os poderes, ou seja,
considerando um Projeto de Lei aprovado pelo Congresso como inconstitucional o
presidente em nome do interesse público pode vetá-lo. Entretanto, este pode derrubado pelo
Congresso, desde que em sessão conjunta haja maioria absoluta de votos.
1.3.3 Poder Judiciário
O Poder Judiciário tem como prerrogativa garantir o cumprimento das leis, e para tal
possui estrutura própria, organizada em instâncias.
O Supremo Tribunal Federal – STF tem como principal competência julgar causas
que se baseiam em violação constitucional. É formado por 11 ministros nomeados pelo
Presidente da República e aprovados pelo Senado Federal.
O Superior Tribunal de Justiça – STJ cuida da harmonização de interpretação das leis
federais, de forma a uniformizar as decisões de tribunais regionais federais e estaduais.
A Justiça Federal é constituída pelos Tribunais Regionais Federais e Juízes federais,
tendo como competência julgar ações provenientes dos estados em causas em que a União
for parte.
A Justiça do Trabalho é formada pelo Tribunal Superior do Trabalho, pelos Tribunais
Regionais do Trabalho e Juízes do Trabalho, com a competência de julgar causas
provenientes das relações de trabalho.
A Justiça Eleitoral é formada pelo Tribunal Superior Eleitoral, os Tribunais Regionais
Eleitorais e Juízes Eleitorais e as Juntas Eleitorais, com a competência de julgar as causas
relativas à legislação eleitoral e de organizar e normatizar as eleições no país.
A Justiça Militar é composta pelo Superior Tribunal Militar e os Tribunais e Juízes
Militares, competindo-lhe julgar os crimes militares definidos em lei.
A Justiça Estadual possui duas instâncias: o Tribunal de Justiça e os Juízes
Estaduais.
Atividade: Vá a sala virtual e faça os exercícios de
fixação sobre o conteúdo da Semana 1.
Concluímos a primeira semana de estudos. Até a próxima semana e bons estudos!
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Semana 2 – Orçamento Público Plataforma +IFMG
Objetivos
Nesta segunda semana estudaremos a definição de
orçamento público e a importância do mesmo para atuação
cidadã.
Mídia digital: antes de iniciar esta semana, vá até a sala
virtual e assista o vídeo “Orçamento Público”.
2.1 Introdução ao Orçamento Público
O Estado tem a necessidade de obter recursos para atender à prestação de serviços
públicos e oferta de bens que se constituem em sua finalidade, tais como saúde, educação,
segurança, regulação e justiça. Entretanto, a deliberação sobre os gastos dos recursos
arrecadados sujeita o gestor público às previsões legais e é realizada através da gestão do
orçamento públicos.
De acordo com Andrade (2016), é função da administração pública de estimar receitas
e fixar despesas, concretamente constituindo-se em ato administrativo do Poder Executivo
revestido de força legal – autorizado pelo Poder Legislativo, que estabelece um conjunto de
ações governamentais a serem realizadas durante um determinado período de tempo de
acordo com a forma de receber e utilizar o dinheiro público para cumprir com o dever de
prestação de serviços públicos e para atingir objetivos de melhoramento e investimentos.
Assim, podemos inferir que o orçamento é um planejamento detalhado por meio do
qual o Governo define o que prevê arrecadar recursos e como irá aplica-los, de forma que
seja possível controlar e avaliar os gastos e o alcance das metas e objetivos.
O Orçamento Público é imprescindível para a administração pública, pois terá que
estimar o quanto prevê arrecadar de receitas e fixar especificamente onde, como e quanto
poderá gastar.
Por exemplo, suponhamos que um município possui dotação orçamentária de R$
100.000,00 para gastar com a reforma de unidade de saúde, entretanto não possui saldo
financeiro. Mas ela poderá contratar a reforma e fazer a obra, pois mesmo não tendo dinheiro
para pagamento no momento, ela possui a autorização da despesa pressupondo que terá
receita para tal, conforme previsto na Lei Orçamentária Anual, que foi analisada e autorizada
pelo Poder Legislativo.
Entretanto, se invertermos a situação e pensarmos que o município possui recursos
financeiros para a reforma mas não tem dotação orçamentária autorizando a despesa, ela
não poderá contratar a obra, uma vez que não foi autorizada pelo Poder Legislativo.
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Assim, existido a dotação orçamentária na Lei Orçamentária Anual – LOA, o município
pode contratar a reforma, pois até sua finalização já terá arrecadado o valor para pagar pelo
serviço, mas não havendo previsão orçamentária não poderá ser contratada até sua inclusão
na LOA.
Atenção: O orçamento público é a ligação entre o
planejamento de ações e programas governamentais
com as funções executivas por meio das quais a
destinação de recursos visa o alcance dos objetivos e
metas. O orçamento não gera recursos, ele formaliza a
distribuição destes por meio das dotações
orçamentárias.
2.2 Sistema Orçamentário Brasileiro
O sistema orçamentário brasileiro possui uma estrutura legal que visa embasar o
objetivo do planejamento público, de forma que os recursos sejam melhor alocados e que
aquele seja integrado ao orçamento anual.
Dessa forma, o sistema é composto por três normas, conforme previsto
constitucionalmente: a Lei do Plano Plurianual – PPA; a Lei de Diretrizes Orçamentárias –
LDO; e, a Lei Orçamentária Anual – LOA.
Art. 165 – Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
I – o plano plurianual;
II – as diretrizes orçamentárias;
III – orçamentos anuais (BRASIL, 1988).
Segundo Andrade (2010), o PPA é um plano de trabalho elaborado pelo Poder
Executivo para ser executado por um período de 4 anos, correspondente a um mandato
político e com início a partir do exercício financeiro seguinte à posse do gestor público.
O PPA é uma lei que abrange os poderes na União, nos Estados, no Distrito Federal
e nos Municípios, deve ser elaborada no primeiro ano do mandato do Executivo com vigência
de quatro anos. Ele deve estabelecer “de forma regionalizada, as diretrizes, objetivos e
metas da administração pública federal para as despesas de capital e outras delas
decorrentes e para as relativas aos programas de duração continuada” (BRASIL, 1988).
Conforme previsto, o PPA deve abranger as ações a serem executadas pelo gestor,
contendo de forma descritiva as diretrizes para cumprimento das metas e objetivos
planejados.
- Diretrizes: conjunto de orientações para operacionalizar um plano ou ação, como
por exemplo a diminuição da desigualdade social ou universalização dos serviços
públicos de saúde.
- Objetivos: o que se pretende alcançar através da execução de ações, como por
exemplo a duplicação de postos de saúde até o final do ano ou aumento da renda
nos próximos dois anos.
- Metas: quantificação do que se pretende alcançar, como por exemplo duplicação
de 200 postos de saúde ou aumento da renda em 40%.
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Plataforma +IFMG
Atenção: O governante irá executar durante o primeiro
ano de seu mandato o planejamento estipulado por seu
antecessor e planejará o primeiro ano de seu sucessor.
O Poder Executivo, após elaboração do PPA, deve encaminhar o projeto ao Poder
Legislativo para aprovação e conversão em lei, que terá validade no ano seguinte após sua
aprovação.
O PPA não discrimina os valores a serem arrecadados ou desembolsados, tratando-
se de um plano que estabelece apenas as diretrizes, metas e objetivos, o que deverá ser
discriminado na Lei de Diretrizes Orçamentárias e na Lei Orçamentária Anual.
Para Andrade et al. (2010), a LDO é um instrumento de planejamento que visa garantir
o equilíbrio das contas públicas acompanhando as finanças públicas, limitando gastos,
controlando custos e condicionando a transferência de recursos.
A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) é anterior à LOA, e tem como finalidade
nortear a elaboração dos orçamentos anuais para que sejam adequados às diretrizes,
objetivos e metas estabelecidos no PPA. Além disso deve compreender as metas e
prioridades da administração pública inclusive para despesas de capital para o exercício
financeiro seguinte e dispor sobre mudanças na legislação tributária.
A Lei Complementar nº. 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)
acrescentou atribuições à LDO:
Art. 4o A lei de diretrizes orçamentárias atenderá o disposto no § 2o do art. 165 da
Constituição e:
I - disporá também sobre:
a) equilíbrio entre receitas e despesas;
b) critérios e forma de limitação de empenho, a ser efetivada nas hipóteses previstas
na alínea b do inciso II deste artigo, no art. 9o e no inciso II do § 1o do art. 31;
[...]
e) normas relativas ao controle de custos e à avaliação dos resultados dos programas
financiados com recursos dos orçamentos;
f) demais condições e exigências para transferências de recursos a entidades
públicas e privadas; (BRASIL, 2000).
A LRF ainda criou dois anexos à LDO visando detalhar e quantificar as metas de
arrecadação e gastos, além de estabelecer ações caso as metas previstas não sejam
atingidas.
O Anexo de Metas Fiscais tem como objetivos: estabelecer as metas para receitas,
despesas, resultado nominal, resultado primário e montante da dívida para o exercício a que
se refere e os dois seguintes; e, avaliar o cumprimento das metas do ano anterior e
demonstrativos da estimativa e compensação da renúncia de receita e margem de expansão
das despesas obrigatórias de caráter continuado.
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Plataforma +IFMG
O Anexo de Riscos Fiscais visa avaliar os passivos contingentes e outros riscos que
podem afetar as contas públicas, informando as possíveis providências caso sejam
necessárias.
Dessa forma, a LDO norteia a elaboração dos orçamentos anuais pois é elaborada a
partindo do PPA e, portanto, abrangendo as diretrizes e metas por ele estabelecidos. Ao final
dos quatro anos de vigência do plano, terão sido elaboradas quatro LDO’s que apresentarão
em conjunto todas as ações previstas pelo período.
A LOA é o instrumento que apresenta os valores a serem gastos em cada atividade
e evidencia a política econômica e financeira do governo, pois discrimina as contas púbicas
apresentando onde estimar as receitas previstas bem como onde e quanto fixar com cada
despesas.
Andrade et al. (2010) corrobora afirmando que a LOA é um instrumento revestido por
atos formais que deve prever as receitas e fixar as despesas, contendo os orçamentos que
materializam as ações do governo durante um exercício financeiro.
A Constituição Federal de 1988 estabelece que:
A lei orçamentária anual compreenderá: I - o orçamento fiscal referente aos Poderes
da União, seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e indireta,
inclusive fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II - o orçamento de
investimento das empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a
maioria do capital social com direito a voto; III - o orçamento da seguridade social,
abrangendo todas as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta
ou indireta, bem como os fundos e fundações instituídos e mantidos pelo Poder
Público” (BRASIL, 1988).
Dessa forma verificamos que a LOA é subdividida em três partes: orçamento fiscal,
orçamento de investimento das empresas e orçamento da seguridade social.
O orçamento fiscal compreende a previsão para execução e manutenção de
atividades essenciais do governo, abrangendo os três poderes e os órgãos da administração
direta e indireta. Ele também prevê aplicações em investimentos para melhoria de serviços
públicos e implantação de novas políticas.
O orçamento de investimento das empresas refere-se à aplicação de recursos em
empresas públicas ou sociedades de economia mista, nas quais o Estado participa ou
controla o capital.
O orçamento da seguridade social prevê a aplicação de recursos para manutenção
de entidades vinculados à administração pública direta ou indireta ou fundos por ela
instituídos, com a finalidade de gerenciamento dos recursos recolhidos aos institutos para
futura reversão para sociedade.
Ressaltamos que apesar de apresentar três subdivisões, a Lei Orçamentária Anual -
LOA constitui-se uma única lei orçamentária anual, portanto, deverá conter as três
subdivisões descritas acima, não sendo permitida a criação de orçamentos distintos.
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Plataforma +IFMG
Atenção: Cada PPA servirá de base para quatro LDO’s
e quatro LOA’s, sendo cada uma das LDO’s aprovadas
base para a LOA anual.
2.3 Princípios Orçamentários
Os princípios orçamentários são regras fundamentais que direcionam a prática
orçamentária e devem ser observadas na elaboração e execução do orçamento.
2.3.1 Princípio Orçamentário da Legalidade
O Princípio da Legalidade é condição intrínseca ao Estado Democrático de Direito, e
segundo o mesmo, o poder público só pode executar seus planos se estiverem
expressamente autorizados em lei.
A Constituição Federal de 1988 prevê em seus artigos 150 e 165 a ação planejada
do Estado em relação à sua atividade financeira, por meio das leis do ciclo orçamentário:
Plano Plurianual – PPA, Lei de Diretrizes Orçamentárias – LDO e Lei Orçamentária Anual –
LOA e da limitação de exigir ou aumentar tributos sem estabelecimento legal prévio.
2.3.2 Princípio Orçamentário da Unidade
O Princípio da Unidade dispõe que o orçamento é uno, portanto todas as receitas e
despesas referentes ao exercício financeiro a que se refere deve ser compreendido em uma
única peça que demonstre o confronto entre elas e a existência de equilíbrio.
Em cada esfera administrativa (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), uma
única lei orçamentária deve consolidar os orçamentos dos órgãos da Administração Direta e
Indireta.
A determinação constitucional brasileira de totalização do orçamento fiscal, de
investimentos das empresas estatais e da seguridade social, constitui-se em uma aplicação
do Princípio da Unidade.
2.3.3 Princípio Orçamentário da Universalidade
O Princípio da Universalidade aponta que a lei orçamentária deverá conter todas as
receitas e todas as despesas referentes aos três poderes, bem como aos órgãos e entidades
da administração direta e indireta.
Todas as instituições públicas têm que elaborar o orçamento e nenhuma receita ou
despesa deve ser omitida, visando garantir que qualquer atividade financeira só seja
realizada após a autorização orçamentária, que permite o conhecimento prévio de
autorização para realização da receita e execução da despesa.
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Este princípio está previsto no art. 165 da Constituição Federal de 1988, segundo o
qual a Lei Orçamentária Anual deve abranger o orçamento fiscal com todas as receitas e
despesas dos órgãos da Administração Direta e Indireta; o orçamento de investimentos das
estatais; e, o orçamento da seguridade social.
2.3.4 Princípio Orçamentário da Anualidade
O Princípio da Anualidade determina que o orçamento público deve ser elaborado e
autorizado por um período de tempo limitado, ou seja, a estimativa de receitas e previsão de
despesas deve compreender no Brasil a um exercício financeiro.
Conforme prescrito pela Lei nº. 4.320/64, o exercício financeiro brasileiro coincide com
o ano civil, compreendendo o período de 1º de janeiro e 31 de dezembro, sendo a vigência
da lei orçamentária limitada a um ano-calendário.
2.3.5 Princípio Orçamentário da Exclusividade
O Princípio da Exclusividade está previsto na Constituição Federal de 1988 e dispõe
que o orçamento deve conter apenas a previsão de recitas e fixação de despesas, não sendo
permitida a inclusão de outras matérias na lei orçamentária.
Na aplicação do Princípio da Exclusividade a única exceção permitida é a inclusão de
autorização para abertura de créditos suplementares; a contratação de operação de crédito,
e a indicação da fonte de recursos para cobertura de déficit.
2.3.6 Princípio Orçamentário da Uniformidade e da Clareza
O Princípio da Uniformidade e da Clareza estabelece que os métodos e os dados
devam ser homogêneos no decorrer dos anos, mostrando semelhança na metodologia de
elaboração do orçamento, o que permite comparações ao longo do tempo.
Trata também da obrigatoriedade de discriminação das receitas e despesas na lei
orçamentária, possibilitando a verificação das origens dos recursos e sua aplicação.
Há também a necessidade de que o orçamento público seja apresentado em
linguagem clara e objetiva, intelegível para a população, visando a possibilidade de seu
acompanhamento e compreensão.
2.3.7 Princípio Orçamentário da Não Afetação da Receita
O Princípio da Não Afetação da Receita veda a vinculação de parcela das receitas de
de impostos para atender a certos e determinados gastos, tendo em vista não comprometer
a arrecadação da receita para atender apenas a algumas despesas específicas, em
detrimento de outras também necessárias.
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As exceções a este princípio são definidas na Constituição Federal/88, que são a
aplicação em Educação, Saúde, Atividades de Administração Tributária e Prestação de
Garantias a Empréstimos por Antecipação da Receita Orçamentária.
2.3.8 Princípio Orçamentário do Equilíbrio
O Princípio do Equilíbrio prevê que os valores autorizados para realização das
despesas em determinado ano devem ser compatíveis com a arrecadação das receitas.
Ele constitui-se em uma regra disciplinadora do aumento de gastos públicos,
considerando que o montante de despesas não pode ser maior que a previsão de receitas
do período.
A busca pelo equilíbrio orçamentário é reforçado pela Lei de Responsabilidade Fiscal,
que exige além do equilíbrio, a existência de saldo positivo para pagamento da Dívida
Pública.
2.3.9 Princípio Orçamentário do Publicidade
O Princípio da Publicidade dispõe sobre o acesso dos cidadãos sobre as informações
orçamentárias para o acompanhamento e fiscalização sobre a utilização dos recursos
arrecadados e aplicados.
Ele garante o referido acesso a partir da obrigatoriedade de divulgação do conteúdo
orçamentário por meio dos veículos oficiais de comunicação para conhecimento público e
para eficácia de sua validade.
2.3.10 Princípio Orçamentário do Orçamento Bruto
O Princípio do Orçamento Bruto estabelece que todas as receitas e despesas devem
constar no orçamento anual com seus valores brutos (integrais) e não líquidos, sendo
proibidas deduções. A adoção deste princípio reforça a transparência no orçamento público.
A aplicação deste princípio visa evitar que com a exposição de valores líquidos, seja
incluído no orçamento saldos positivos ou negativos relacionados a determinados tipos de
operações.
Atividade: Vá a sala virtual e faça os exercícios de
fixação sobre o conteúdo da Semana 2.
Concluímos a segunda semana de estudos. Até a próxima semana e bons estudos!
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Semana 3 – Receitas e Despesas Públicas
Objetivos
Nesta terceira semana estudaremos os conceitos e
classificações das receitas e despesas públicas.
Mídia digital: antes de iniciar esta semana, vá até a sala
virtual e assista o vídeo “Receitas e Despesas Públicas”.
3.1 Receita Pública
A Receita Pública, em sentido amplo, corresponde a todo e qualquer ingresso de
recursos aos confres públicos.
Define-se como todo e qualquer recolhimento aos cofres públicos em dinheiro ou
outro bem representativo de valor que o governo tem direito de arrecadar em virtude
de leis, contratos, convênio e quaisquer outros títulos, de que seja oriundo de alguma
finalidade específica, cuja arrecadação lhe pertença ou caso figure como depositário
dos valores que não lhe pertençam. (ANDRADE, 2017, p. 57).
Assim, podemos entender receita pública como um valor que o ente público tenha o
direito de receber de acordo com o estabelecido em leis ou contratos.
3.1.1 Classificação da Receita Pública
As Receitas Públicas de acordo com o impacto patrimonial que causam são
classificadas em efetivas e não efetivas.
As Receitas Efetivas são ingressos de recursos que geram alterações positivas na
situação líquida do patrimônio quando de seu reconhecimento como receitas, uma vez que
não tiverem registro ou previsão anterior e não possui obrigações correspondentes.
As Receitas Não Efetivas não causam alteração da situação líquida patrimonial
quando de seu reconhecimento, uma vez que foram precedidas de previsão ou possuem
obrigações correspondentes.
Considerando a natureza das Receitas Públicas, são divididas em Receitas
Orçamentárias e Receitas ou Ingressos Extraorçamentários.
Instituto Federal de Minas Gerais 33
Pró-Reitoria de Extensão
As Receitas Orçamentárias são recursos financeiros que integram o Orçamento
Público e pertencem ao ente público, destinando-se à aplicação em programas e ações
governamentais.
São disponibilidades de recursos financeiros que ingressam durante o exercício
orçamentário e constituem elemento novo para o patrimônio público. Instrumento por
meio do qual se viabiliza a execução das políticas públicas, as receitas orçamentárias
são fontes de recursos utilizadas pelo Estado em programas e ações cuja finalidade
precípua é atender às necessidades públicas e demandas da sociedade. Essas
receitas pertencem ao Estado, transitam pelo patrimônio do Poder Público,
aumentam-lhe o saldo financeiro, e, via de regra, por força do Princípio Orçamentário
da Universalidade, estão previstas na Lei Orçamentária Anual – LOA (MCASP, 2018,
p. 32).
Assim, as receitas orçamentárias são aquelas que integram a LOA e serão
consideradas para fixação das despesas públicas. Elas são incorporadas ao patrimônio
público não sendo passíveis de restituiçõeos e oadministrador público poderá contar com
elas para fazer frente às despesas públicas em que incorrerá.
São exemplos de receitas orçamentárias todos os recursos obtidos com a
arrecadação de impostos, com a venda de bens públicos ou com a cobrança de multas.
As Receitas Extraorçamentárias ou Ingressos Extraorçamentários são entradas de
recursos financeiros de forma transitória, uma vez que pertencem a terceiros e o ente público
é somente depositário.
Ingressos extraorçamentários são recursos financeiros de caráter temporário, do qual
o Estado é mero agente depositário. Sua devolução não se sujeita a autorização
legislativa, portanto, não integram a Lei Orçamentária Anual (LOA). Por serem
constituídos por ativos e passivos exigíveis, os ingressos extraorçamentários, em
geral, não têm reflexos no Patrimônio Líquido da Entidade (MCASP, 2018, p. 31).
As receitas extra orçamentárias não fazem parte do orçamento de modo e não podem
ser consideradas quando da fixação das despesas públicas. Elas são consideradas como
receitas pelo fato de se constituírem em ingressos de recursos aos cofres públicos, mas não
podem ser utilizadas para custear despesas públicas.
A arrecadação de receitas extra orçamentárias não precise de autorização legislativa
e sua realização não se vincula a execução do orçamento.
São exemplos de ingressos extraorçamentários os depósitos de caução realizado por
empresa contratada para executar obra pública, a contribuição previdenciária descontada
dos servidores.
Dica do professor: A principal fonte de receitas do Estado é
a arrecadação tributária.
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3.1.2 Receita Orçamentária
A Lei nº 4.320/64 classifica a Receita Orçamentária em Receitas Correntes e Receitas
de Capital.
Receitas Orçamentárias Correntes são arrecadadas dentro do exercício financeiro,
aumentam as disponibilidades financeiras do Estado e constituem instrumento para
financiar os objetivos definidos nos programas e ações orçamentários, com vistas a
satisfazer finalidades públicas (MCASP, 2018, p. 34).
Para Andrade (2017), as Receitas Correntes são destinadas aos gastos para custeio
e decorrem de um fato modificativo aumentativo, pois a entrada de recursos financeiros afeta
positivamente o patrimônio público.
As Receitas Correntes incluem as receitas tributárias, de contribuições, patrimonial,
agropecuária, industrial, de serviços, de transferências correntes e outras.
- Receitas Tributárias: resultam dos tributos pagos pelos contribuintes;
- Receitas de Contribuições: advém das contribuições sociais e econômicas para manter
programas e serviços sociais de interesse coletivo.
- Receitas Patrimoniais: resultam dos recursos provenientes dos bens do estado, como
arrendamentos, participação e dividendos.
- Receita Agropecuária: resultam dos recursos originadas de atividades agropecuárias do
Estado, como produção vegetal, animal e derivados.
- Receita Industrial: resultam de recursos advindos da exploração de indústrias ou de
serviços industriais de utilidade pública.
- Receita Serviços: resultam da prestação de serviços pelo Estado, tais como transporte,
comunicação, saúde.
- Receitas de Transferências Correntes: originados da transferência recebida de outros
entes públicos destinados ao atendimento de despesas correntes.
- Outras Receitas Correntes: decorrem de outras formas de arrecadação como multas,
juros, indenizações, restituições, etc.
As Receitas de Capital são recursos obtidos através de operações de crédito,
alienações de bens, amortizações de empréstimos concedidos e transferências de capital,
destinados a atender às despesas de capital.
Receitas Orçamentárias de Capital são arrecadadas dentro do exercício financeiro,
aumentam as disponibilidades financeiras do Estado e são instrumentos de
financiamento dos programas e ações orçamentários, a fim de se atingirem as
finalidades públicas. Porém, de forma diversa das receitas correntes, as receitas de
capital em geral não provocam efeito sobre o patrimônio líquido (MCASP, 2018, p.
34).
As Receitas de Capital incluem as operações de crédito, alienação de bens,
amortização de empréstimos, transferências de capital e outras.
- Operações de Crédito: decorrem de empréstimos ou financiamentos com vistas à
realização de projetos e atividades públicas.
- Alienação de Bens: resultam da venda de bens patrimoniais públicos, móveis e imóveis.
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- Amortização de Empréstimos: recursos advindos do recebimento de empréstimos
condedidos.
- Transferência de Capital: resultam do recebimento de outros entes para atender a gastos
classificados em despesas de capital.
- Outras Receitas de Capital: decorrem de outras fontes que não se enquadram em
nenhuma apresentada.
Dica do professor: Receitas Intra Orçamentárias são
oriundas de operações realizadas entre órgãos e entidades
integrantes de uma esfera governamental.*
3.2 Despesa Pública
A Despesa Pública corresponde a todo pagamento efetuado pelo Estado, para fazer
frente aos gastos governamentais.
Constitui-se em toda saída de recursos ou de todo pagamento efetuado, a qualquer
título, pelos agentes pagadores para saldar gastos fixados na Lei do Orçamento ou
em lei especial e destinados à execução dos serviços públicos, entre eles custeios e
investimentos, além dos aumentos patrimoniais, pagamento de dívidas, devolução
de importâncias recebidas a títulos de caução, depósitos e consignações
(ANDRADE, 2017, p. 72).
Assim, podemos entender despesa pública como qualquer obrigação que o ente
público tenha a pagar estabelecido em leis ou contratos.
Considerando o impacto patrimonial das despesas, as mesmas são classificadas em
efetivas e não efetivas.
As Despesas Efetivas são saídas de recursos que geram alterações negativas na
situação líquida do patrimônio quando de seu reconhecimento, uma vez que não tiverem
registro ou fixação.
As Despesas Não Efetivas não causam alteração da situação líquida patrimonial
quando de seu reconhecimento, uma vez que foram precedidas de fixação.
De acordo com a natureza, as despesas públicas são classificadas em orçamentárias
e extraorçamentárias.
As despesas Orçamentárias são discriminadas e fixadas na Lei Orçamentária Anual
– LOA, estando dessa forma, previamente autorizadas pelo Poder Legislativo.
Já as despesas extra-orçamentárias são pagamentos realizados pela administração
pública e não dependem de autorização legislativa. São as despesas realizadas para restituir
as receitas extra-orçamentárias.
Instituto Federal de Minas Gerais 36
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3.2.1 Classificação das Despesas Orçamentárias
A classificação das despesas orçamentárias tem como um dos principais objetivos
viabilizar a fiscalização dos gastos públicos e possibilitar consolidações e comparações que
são relevantes para o desenvolvimento da gestão pública.
3.2.2 Classificação Institucional
A classificação institucional corresponde à estrutura de alocação de recursos dentro
dos órgãos público, distribuindo-se o orçamento de acordo com a estrutura organizacional
de cada um.
As unidades orçamentárias correspondem ao agrupamento de serviços subordinados
a um órgão orçamentário e este constitui-se no conjunto de unidades orçamentárias.
3.2.3 Classificação Funcional
A classificação funcional delimita as despesas pelas funções que o Estado exerce
como: saúde, segurança, educação, saneamento, etc.
A classificação funcional separa as dotações orçamentárias em funções e subfunções
para que seão da despesas.
Função: deve ser entendida como o maior nível de agregação das diversas áreas de
despesa que competem ao setor público. b) Subfunções: representam as partições
da função, visando agregar determinado subconjunto de despesa do setor público;
podem ser combinadas com diferentes funções das que estejam vinculadas. Na nova
classificação, a subfunção identifica a natureza básica das ações que se aglutinam
em torno das funções (ANDRADE, 2017, p. 77).
Esta classificação que possibilita a consolidação das informações das despesas de
um ente governamental com as de outros, pois as funções e subfunções foram padronizadas
pela Portaria MPGO n⁰ 42/99.
3.2.4 Classificação por Estrutura Programática
A Portaria MPGO n⁰ 42/99 permitiu que cada nível governamental pudesse ter maior
liberdade para estruturar suas despesas de acordo com sua própria estrutura organizacional
e de seus programas de governo, constantes no PPA. Assim, todos os entes públicos devem
organizer seu planejamento estruturado em seus próprios programas e aões, mas de acordo
com a referida portaria.
Instituto Federal de Minas Gerais 37
Pró-Reitoria de Extensão
Toda ação do Governo está estruturada em programas orientados para a realização
dos objetivos estratégicos definidos no Plano Plurianual (PPA) para o período de
quatro anos. Conforme estabelecido no art. 3º da Portaria MOG nº 42/1999, a União,
os Estados, o Distrito Federal e os Municípios estabelecerão, em atos próprios, suas
estruturas de programas, códigos e identificação, respeitados os conceitos e
determinações nela contidos. Ou seja, todos os entes devem ter seus trabalhos
organizados por programas e ações, mas cada um estabelecerá seus próprios
programas e ações de acordo com a referida Portaria (MCASP, 2018, p. 69).
A classificação estrutural programmatica tem a finalidade de conectar as funções e
os programas estabelecidos no PPA, de forma que sejam detalhados em projetos, atividades
e operações especiais. Nela os programas são integradores das ações estabelecidas no
PPA que permitem relacionar os plano de longo e médio prazo através da operacionalização
daqueles por ações que podem ser projetos, atividades ou operações especiais.
Em relação ao conceito de Programa, o Manual de Contabilidade Aplicado ao Setor
Público aponta que:
O Estado estrutura suas ações por meio de programas, que se constituem em
instrumentos de organização “da atuação governamental que articula um conjunto de
ações que concorrem para a concretização de um objetivo comum preestabelecido,
visando à solução de um problema ou ao atendimento de determinada necessidade
ou demanda da sociedade (MCASP, 2018, p. 70).
Toda ação estatal está estruturada em programas, mensurados por indicadores e
orientados para a realização dos objetivos estratégicos de governo.
As Ações constituem-se em atividades ou operações que têm como resultado bens e
serviços necessários para alcançar os objetivos dos programas. Elas são classificadas em
Atividades, Projetos ou Operações Especiais.
As Atividades envolvem operações que são realizadas de forma contínua e
permanente, tendo como resultado um produto ou serviço necessário à manutenção da ação
governamental, como por exemplo a fiscalização tributária.
Os Projetos são operações limitadas temporalmente das quais resultam um produto
destinado ao crescimento ou aperfeiçoamento da ação governamental, como por exemplo a
aquisição de um veículo para fiscalização tributária.
As Operações Especiais não se destinam à manutenção ou ao crescimento e
aperfeiçoamento da ação estatal, como por exemplo operações de crédito.
3.2.5 Classificação por Natureza
De acordo com sua natureza, a despesa orçamentária é composta de Categoria
Econômica; Grupo de Natureza da Despesa; Modalidade de Aplicação; e, Elemento de
Despesa.
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De acordo com a Categoria Econômica, a despesa orçamentária é classificada em
Despesas Correntes e Despesas de Capital.
As Despesas Correntes são operacionais e visam manter o funcionamento dos
órgãos públicos e o funcionamento dos serviços públicos. Esta despesa reduz o patrimônio
público e não contribui para formação ou geração de bem de capital.
As Despesas de Capital visam a aquisiçao ou formação de bens permanents. Esta
despesa contribui para formação ou aquisiçao de bem de capital, sem causar reduçao no
patrimônio público.
Considerando o Grupo de Natureza da Despesa, há agregação da despesa
orçamentária de acordo com o objeto de gasto. Os grupos estão diretamente relacionados
à Categoria Econômica.
As Despesas Correntes abrangem os seguintes grupos: Pessoal e Encargos Sociais,
que agrega despesas de remuneraçao e encargos sociais a pessoal; Juros e Encargos da
Dívida, que abarcfa despesas com pagamento de juros e outros encargos decorrentes de
dívidas; e. Outras despesas Correntes, que abarca despesas com aquisição de material de
consumo, prestação de serviços e outras despesas correntes não classificáveis nos demais
grupos.
As Despesas de Capital comportam os grupos: Investimentos, que correspondem às
despesas com aquisição ou formação de bens que irã incorporar o patrimônio público;
Inversões financeiras, que abrangem despesas com aquisiçao de bens já em utilização; e,
Amortização da Dívida, que agrega despesas para pagamento e quitação de dívidas.
A Modalidade de Aplicação corresponde à forma de realização da despesa, que pode
ser direta, pela unidade orçamentária de cuja programação faz parte a despesa, ou indireta,
mediante a transferência a outro órgão integrante ou não do orçamento.
Para Andrade (2017) a finalidade da Modalidade de Aplicação é “indicar se os
recursos são aplicados diretamente por órgãos ou entidades no âmbito da mesma esfera de
governo ou por outro ente da federação e suas respectivas entidades” (ANDRADE, 2017, p.
88).
Os Elementos de Despesa destacam os grupos de despesas mais expressivos no
âmbito dea administração pública.
Tem por finalidade identificar os objetos de gasto, tais como vencimentos e
vantagens fixas, juros, diárias, material de consumo, serviços de terceiros prestados
sob qualquer forma, subvenções sociais, obras e instalações, equipamentos e
material permanente, auxílios, amortização e outros que a administração pública
utiliza para a consecução de seus fins. A descrição dos elementos pode não
contemplar todas as despesas a eles inerentes, sendo, em alguns casos,
exemplificative (MCASP, 2018, p. 79).
Os Elementos de Despesa permitem a identificação dos gastos em função da
descriçao dos mesmos.
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Atividade: Vá a sala virtual e faça os exercícios de
fixação sobre o conteúdo da Semana 3.
Chegamos ao final de mais uma semana! Nos vemos na próxima semana e bons
estudos!
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Semana 4 – Contabilidade Pública
Objetivos
Nesta quarta semana apresentaremos o conceito e aplicação
da contabilidade pública. Estudaremos também os principais
demonstrativos contábeis do setor público.
Mídia digital: antes de iniciar esta semana, vá até a sala
virtual e assista o vídeo “Contabilidade Pública”.
4.1 Conceito de Contabilidade Pública
A Contabilidade Pública é o ramo da Contabilidade aplicada ao Setor Público, visando
praticar os atos relativos ao Patrimônio e ao Orçamento Público.
Nesse sentido podemos compreende-la como a ciência que permite através de suas
técnicas manter o controle permanente do patrimônio público, bem como que estuda,
controla e interpreta os fatos ocorridos no patrimônio público, mediante o registro, a
demonstração expositiva e a revelação desses fatos, com o fim de oferecer informações
sobre a composição do patrimônio, suas variações e o resultado econômico decorrente da
gestão pública.
O marco legal da contabilidade pública no Brasil é a Lei n. 4.320/64 que Estatui
Normas Gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços
da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal.
A Lei Complementar n. 101/2000 – Lei de Responsabilidade Fiscal – traz várias
normas que impactam diretamente na contabilidade pública, tendo como exemplo as normas
de Escrituração e Consolidação das Contas (art. 50), a obrigatoriedade do Poder Executivo
da União promover a consolidação, nacional e por esfera de governo, das contas dos entes
da Federação relativas ao exercício anterior (art.51), o Relatório Resumido da Execução
Orçamentária (art. 52) – por força do qual, por exemplo, o Balanço Orçamentário passou a
ser bimestral – o Relatório de Gestão Fiscal e outros.
O Conselho Federal de Contabilidade elaborou normas contábeis específicas para o
Setor Público.
A Secretária do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda (STN) e a Secretaria de
Orçamento Federal do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) aprovaram
o Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público.
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41
O objeto da Contabilidade é sempre o patrimônio, portanto, a Contabilidade Pública
tem como objeto o Patrimônio Público, ou seja, bens, direitos e obrigações pertencentes e
administrados por uma entidade pública para a realização de seus fins.
Os bens públicos, de acordo com sua divisão são apresentados a seguir:
a) Bens de Domínio Público ou Bens de Uso Comum do Povo - são os bens que a
comunidade utiliza diretamente e sem intermediário. Por exemplo: praças, ruas, parques,
rios, etc. Não são contabilizáveis. Não são inventariados e não podem ser alienados.
b) Bens Especiais - são para uso do público, porém há necessidade de alguém para
tornar isso possível. Por exemplo: biblioteca, escola, creche, etc. São utilizados para o
Estado prestar um serviço público. São contabilizados, inventariados e, via de regra, são
inalienáveis.
c) Bens Dominiais (Dominicais) - bens sobre os quais o Estado tem a posse e o
domínio. Podem ser utilizados para qualquer fim. Estão sujeitos à contabilização. São
inventariados. Podem ser alienados conforme a Lei, e podem produzir rendas.
A Contabilidade Aplicada à Administração Pública tem por objetivo registrar a
previsão da receita e a fixação da despesa, estabelecida no Orçamento Público aprovado
para o exercício; escriturar a execução orçamentária da receita e da despesa, fazer a
comparação entre a previsão e a realização das receitas e despesas, controlar as operações
de créditos, a dívida ativa, os valores, os créditos e obrigações, revelar as variações
patrimoniais e mostra o valor do patrimônio.
Baseado nos conceitos da contabilidade geral, que trabalham, atualmente, com o eixo
central do fornecimento de informações, outro objetivo da Contabilidade Aplicada à
Administração Pública é o de fornecer informações atualizadas e exatas à Administração
para subsidiar as tomadas de decisões e aos Órgãos de Controle Interno e Externo para o
cumprimento da legislação, bem como às instituições governamentais e particulares
informações estatísticas e outras de interesse dessas instituições.
Os usuários da informação contábil pública são todos os membros que fazem parte
da sociedade. Assim como os gestores necessitam dos dados encontrados por esse ramo
contábil para o bom andamento do seu trabalho, os cidadãos também fazem parte do grupo
a quem os dados da Contabilidade Pública são importantes. Além dos administradores e da
população constituída das pessoas físicas, também podemos apontar as chamadas pessoas
jurídicas que são afetadas pelo andamento da gestão púbica dos recursos.
Em síntese, os usuários que constituem a Contabilidade Pública são todos que
compõem a população, desde a menor parte até as maiores.
- Cidadãos: contribuintes; eleitores; usuários de serviços; mídia; associações; estudiosos;
etc.
- Gestão Pública: poder executivo; poder legislativo; poder judiciário; órgãos de controle
interno e externo.
- Investidores e credores: investidores institucionais; fornecedores e prestadores de
serviços; agências de classificação de riscos; instituições financeiras.
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42
4.2 Plano de Contas do Setor Público
É a estrutura básica da escrituração contábil, formada por um conjunto de contas,
previamente estabelecido, que permite obter as informações necessárias à elaboração de
relatórios gerenciais e demonstrações contábeis, de acordo com as características gerais da
entidade, possibilitando a padronização de procedimentos contábeis.
O plano de contas de uma entidade tem como objetivo atender, de maneira uniforme
e sistematizada, ao registro contábil dos atos e fatos praticados pela entidade, de forma a
proporcionar maior flexibilidade no gerenciamento e consolidação dos dados e atender às
necessidades de informações dos usuários.
O plano de contas é responsável pela transparência dos lançamentos contábeis, pois
demonstra ordenadamente todos os fatos ocorridos durante um período da administração
pública.
No Plano de Contas Aplicado ao Setor Público as contas contábeis são classificadas
segundo a natureza das informações que evidenciam:
- Contas com Informações de Natureza Patrimonial: são as contas que registram,
processam e evidenciam os fatos financeiros e não financeiros relacionados com as
variações qualitativas e quantitativas do patrimônio público, representadas pelas contas
que integram o Ativo, Passivo, Patrimônio Líquido, Variações Patrimoniais Diminutivas
(VPD) e Variações Patrimoniais Aumentativas (VPA);
- Contas com Informações de Natureza Orçamentária: são as contas que registram,
processam e evidenciam os atos e os fatos relacionados ao planejamento e à execução
orçamentária, representadas pelas contas que registram aprovação e execução do
planejamento e orçamento, inclusive Restos a Pagar;
- Contas com Informações de Natureza Típica de Controle: são as contas que registram,
processam e evidenciam os atos de gestão cujos efeitos possam produzir modificações
no patrimônio da entidade do setor público, bem como outras que tenham função
precípua de controle, seja para fins de elaboração de informações gerenciais específicas,
acompanhamento de rotinas, elaboração de procedimentos de consistência contábil ou
para registrar atos que não ensejaram registros nas contas patrimoniais, mas que
potencialmente possam vir a afetar o patrimônio.
O PCASP está dividido em 8 classes:
1ª - Ativo;
2ª Passivo e Patrimônio Líquido;
3ª Variações Patrimoniais Diminutivas;
4ª - Variações Patrimoniais Aumentativas;
5ª - Controles da Aprovação do Planejamento e Orçamento;
6ª - Controles da Execução do Planejamento e Orçamento;
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7ª - Controles Devedores; e
8ª Controles Credores.
A natureza da informação evidenciada pelas contas das quatro primeiras classes, 1
a 4, é Patrimonial, ou seja, informa a situação do Patrimônio da Entidade Pública. A natureza
da informação das contas das duas classes seguintes, 5 e 6, é Orçamentária, pois nessas
classes são feitos os controles do Planejamento e do Orçamento, desde a aprovação até a
execução. Por fim, a natureza da informação das contas das duas últimas classes, 7 e 8, é
de controle, pois nessas classes são registrados os atos potenciais e diversos controles.
PCASP
Natureza da Informação Classes
Patrimonial 1. Ativo 2. Passivo
3. Variações 4. Variações
Patrimoniais Diminutivas Patrimoniais Aumentativas
Orçamentária 5. Controles da 6. Controles da
aprovação do planejamento execução do planejamento
e orçamento e orçamento
Controle 7. Controles devedores 8. Controles credores
Quadro 1: PCASP
Fonte: MCASP (2018)
4.3 Demonstrações contábeis
A contabilidade procede aos registros de todos os fatos que ocorrem durante o
exercício financeiro, relativos à execução do orçamento, à movimentação financeira, e aos
demais que provocam, ou possam vir a provocar, alterações no patrimônio da entidade
pública.
Esses registros geram uma enormidade de dados e informações, fazendo com que
surja a necessidade de se demonstrar em relatórios sintéticos mensais e ao final do
exercício, para que se possa avaliar o resultado da gestão.
Tais relatórios compreendem os Balancetes Mensais que, como o próprio nome diz,
são elaborados mensalmente, enquanto que ao final do exercício o resultado da gestão é
demonstrado através da elaboração dos Balanços.
4.3.1 Balanço Orçamentário
O art. 102 da Lei n. 4.320/64 dispõe que: “O Balanço Orçamentário demonstrará as
receitas e despesas previstas em confronto com as realizadas”.
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Dessa forma, o Balanço Orçamentário tem como principal finalidade demonstrar as
Receitas Previstas e as Despesas Fixadas no Orçamento Inicial aprovado pelo legislativo;
as Despesas Fixadas inicialmente no Orçamento e os Créditos Adicionais (Suplementares,
Especiais e Extraordinários) abertos no transcorrer do exercício em análise; as Receitas
Arrecadadas (Execução da Receita) durante o exercício; as Despesas Executadas
(Execução da Despesa) no exercício; as diferenças entre: A Receita Prevista e a
Arrecadada; e a Despesa Fixada e a Executada.
O Resultado Orçamentário da gestão, resultante do confronto entre as Receitas
Arrecadadas e a Despesa Executada e pode ser:
Superávit Orçamentário ou Superávit na Execução, quando as Receitas Arrecadadas
são superiores às Despesas Executadas;
Déficit Orçamentário ou Déficit de Execução, quando as Receitas Arrecadadas forem
menores que as Despesas Executadas;
Equilíbrio Orçamentário, quando as Receitas Arrecadadas forem iguais às Despesas
Executadas (dificilmente ocorre na prática).
4.3.2 Balanço Financeiro
Com relação ao Balanço Financeiro a Lei n. 4.320/64 dispõe em seu artigo 103 que:
“O Balanço Financeiro demonstrará a receita e a despesa orçamentárias bem como os
recebimentos e os pagamentos de natureza extraorçamentária, conjugados com os saldos
em espécie provenientes do exercício anterior, e os que se transferem para o exercício
seguinte”.
O Balanço Financeiro, portanto, tem como finalidade demonstrar: os saldos
disponíveis em caixa e bancos existentes no início do exercício; os recebimentos no
exercício, oriundos de Receitas Orçamentárias e Extraorçamentárias; os pagamentos
efetuados no exercício, relativos às despesas orçamentárias e extraorçamentárias; e os
saldos disponíveis em caixa e bancos no final do exercício e que, consequentemente,
passam para o exercício seguinte.
4.3.3 Balanço Patrimonial
O Balanço Patrimonial demonstra os bens, direitos, obrigações e patrimônio líquido
da entidade em determinado momento. O Patrimônio Líquido é também chamado de
Situação Líquida e no modelo apresentado no Anexo 14 da Lei n. 4.320/64 é denominado
de Ativo Real e representa a diferença entre o valor dos bens mais os direitos menos as
obrigações da entidade.
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45
É uma demonstração estática como se fosse uma fotografia do patrimônio da
entidade no momento de seu levantamento. Simplificadamente o Balanço Patrimonial é
composto pelos seguintes grupos e subgrupos de contas:
- Ativo – Ativo Circulante – Ativo Não Circulante
- Passivo e Patrimônio Líquido – Passivo Circulante – Passivo Não Circulante –
Patrimônio Líquido
- Quadro de Ativos e Passivos Financeiros e Permanentes
- Quadro das Contas de Compensação
- Quadro do Superávit/Déficit Financeiro
4.3.4 Variações Patrimoniais
A Lei n. 4.320/64 assim dispõe: “Art. 104. A Demonstração das Variações
Patrimoniais evidenciará as alterações verificadas no patrimônio, resultantes ou
independentes da execução orçamentária, e indicará o resultado patrimonial do exercício”.
As Variações Patrimoniais são alterações nos elementos do patrimônio público
provocadas pelos atos de gestão, e podem decorrer da própria execução do orçamento
(Variações Resultantes da Execução Orçamentária) ou por fatos que independem da
execução orçamentária (Variações Independentes da Execução Orçamentária).
Elas podem ser Variações Ativas, quando aumentam a situação patrimonial, e
decorrem de aumento de valor dos bens e direitos do ativo permanente, ou diminuição das
obrigações do passivo permanente; ou Variações Passivas, quando provocam redução da
situação líquida patrimonial, por aumento de passivos permanentes ou diminuição de ativos
permanentes.
4.3.5 Demonstração dos Fluxos de Caixa
A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) apresenta as entradas e as saídas de
caixa da entidade em um determinado exercício e suas variações em relação ao ano anterior.
Para fins de evidenciação, a DFC apresenta três fluxos: operacional, de investimento e de
financiamento.
De acordo com o “Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público” (BRASIL,
2018), a DFC deve evidenciar a geração de caixa e equivalentes de caixa, bem como a
utilização de recursos próprios e de terceiros em suas atividades, ou seja, as fontes de
geração dos fluxos de entrada de caixa; os itens de consumo de caixa durante o período das
demonstrações contábeis; e o saldo do caixa na data das demonstrações contábeis.
A DFC aplicada ao Setor Público divulga as principais classes de recebimentos brutos
(ingressos) e pagamentos brutos (desembolsos) como no modelo a seguir.
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46
O fluxo de caixa das operações compreende os ingressos, decorrentes de receitas
originárias e derivadas, os desembolsos relacionados com a ação pública e os demais fluxos
que não se qualificam como de investimento ou financiamento.
O fluxo de caixa dos investimentos inclui os recursos relacionados à aquisição e à
alienação de ativo não circulante, bem como recebimentos em dinheiro por liquidação de
adiantamentos ou amortização de empréstimos concedidos e outras operações de mesma
natureza.
O fluxo de caixa dos financiamentos inclui os recursos relacionados à captação e à
amortização de empréstimos e a financiamentos.
A soma dos três fluxos corresponde à diferença entre os saldos iniciais e finais de
Caixa e Equivalentes de Caixa dos exercícios analisados, que
4.3.6 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido
A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) foi concebida para
evidenciar as variações ocorridas no patrimônio líquido da entidade, durante todo o
exercício, em todas as contas que compõem esse grupo.
Entre os itens apresentados na DMPL, podemos citar: os ajustes de exercícios
anteriores, que são aqueles decorrentes de efeitos da mudança de critério contábil, ou da
retificação de erro imputável a determinado exercício anterior, e que não possam ser
atribuídos a fatos subsequentes; as transações de capital com os sócios, por exemplo, o
aumento de capital, a aquisição ou venda de ações em tesouraria e os juros sobre capital
próprio; o superávit ou déficit patrimonial do exercício; a destinação do resultado, por
exemplo, as transferências para reservas e a distribuição de dividendos.
4.3.7 Notas Explicativas
Por determinação do “Manual de Contabilidade Aplicada ao Setor Público” (BRASIL,
2018), as notas explicativas devem ser apresentadas de forma sistemática, a fim de facilitar
a compreensão e a comparação da DCASP com a de outras entidades.
As notas explicativas normalmente são apresentadas na seguinte ordem:
a) Informações gerais: Natureza jurídica da entidade; Domicílio da entidade;
Natureza das operações e principais atividades da entidade; Declaração de conformidade
com a legislação e com as normas de contabilidade aplicáveis.
b) Resumo das políticas contábeis significativas: Bases de mensuração
utilizadas, por exemplo, o custo histórico, o valor realizável líquido, o valor justo ou o valor
recuperável; Novas normas e políticas contábeis alteradas; Julgamentos pela aplicação das
políticas contábeis.
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47
c) Informações de suporte e detalhamento de itens apresentados nas
demonstrações contábeis pela ordem em que cada demonstração e cada rubrica foi
apresentada.
d) Outras informações relevantes: Passivos contingentes e compromissos
contratuais não reconhecidos; Divulgações não financeiras como objetivos e políticas de
gestão do risco financeiro da entidade; pressupostos das estimativas; Reconhecimento de
inconformidades que podem afetar a compreensão do usuário sobre o desempenho e o
direcionamento das operações da entidade no futuro; Ajustes decorrentes de omissões e
erros de registro.
Atividade: Vá a sala virtual e faça os exercícios de
fixação sobre o conteúdo da Semana 4.
Concluímos a última semana e o conteúdo do curso. Para sua certificação, vá à Sala
Virtual e realize a Avaliação Final.
Atividade Final: Vá a sala virtual e responda o
questionário “Avaliação Final”, para que você conclua o
curso e gere o certificado.
Esperamos ter contribuído para melhor compreensão do Orçamento Público e da
Contabilidade Aplicada ao Setor Público.
Foi um prazer tê-lo conosco. Para outros cursos, acesse a Plataforma +IFMG.
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48
Referências
ANDRADE, N.A. Contabilidade Pública na Gestão Municipal. São Paulo: Atlas, 2017.
ANGELICO, J. Contabilidade Pública. 8 ed. São Paulo: Atlas, 1999.
BALEEIRO, A. Uma Introdução à Ciência das Finanças. 18ª edição. 2012.
BOBBIO, N. Estado, Governo, Sociedade – Para uma teoria geral da política.Trad. Marco
Aurelio Nogueira. São Paulo: Paz e Terra, 1988.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 1988.
_______. Lei Complementar nº 101 de 04 de maio de 2000. Estabelece normas de
finanças públicas voltadas para a responsabilidade na gestão fiscal e dá outras providências.
_______. Lei nº 10.180, de 6 de fevereiro de 2001. Organiza e disciplina os Sistemas de
Planejamento e de Orçamento Federal, de Administração Financeira Federal, de
Contabilidade Federal e de Controle Interno do Poder Executivo Federal, e dá outras
providências.
_______. Lei nº 4.320 de 17 de março de 1964. Estatui Normas Gerais de Direito Financeiro
para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos
Municípios e do Distrito Federal.
_______. Ministério da Fazenda, Secretaria do Tesouro Nacional. Ministério do
Planejamento, Orçamento e Gestão, Secretaria de Orçamento Federal. Manual de
Contabilidade Aplicado ao Setor Público. Brasília: Secretaria do Tesouro Nacional,
Coordenação Geral de Contabilidade, 2018.
BRESSER PEREIRA, L. C. Administração pública gerencial: estratégia e estrutura para
um novo estado. Brasília: Enap, 1996.
CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. NBC TSP – Normas Brasileiras de
Contabilidade aplicadas ao Setor Público.
GIAMBIAGI, F.; ALÉM, A. C. D. Finanças Públicas: teoria e prática. Rio de Janeiro:
Campos, 1999.
KOHAMA, H. Contabilidade Pública – Teoria e Prática. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2013.
SLOMSKI, V. Manual de Contabilidade Pública – Um Enfoque na Contabilidade Municipal.
3. ed. São Paulo: Atlas, 2008
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50
Currículo do autor
Sibele Leandra Penna Silva é doutora em Economia Doméstica pela
Universidade Federal de Viçosa – MG; mestre em Administração pela
Universidade Federal de Viçosa – MG; pós-graduada em Auditoria em Serviços
de Saúde pela Universidade Federal do Tocantins – TO; graduada em Ciências
Contábeis pela Faculdade de Ciências Contábeis de Ponte Nova – MG; graduada
em Administração pela Universidade Paulista – SP. Atualmente é professora do
Instituto Federal de Minas Gerais –IFMG, lotada no Campus Avançado Ponte
Nova, exercendo também a função de coordenadora do curso Superior de
Tecnologia em Processos Gerenciais.
.
Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/106098895144710
Feito por (professor-autor) Data Revisão de layout Data Versão
Sibele Leandra Penna Silva 29/03/2022 Viviane Lima Martins 04/04/2022 1.0
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Glossário de códigos QR (Quick Response)
Mídia digital Mídia digital
Apresentação do
Videoaula Semana 1
curso
Mídia digital Mídia digital
Videoaula Semana 2 Videoaula Semana 3
Mídia digital
Videoaula Semana 4
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Plataforma +IFMG
Formação Inicial e Continuada EaD
A Pró-Reitoria de Extensão (Proex), desde o ano de
2020, concentrou seus esforços na criação do Programa
+IFMG. Esta iniciativa consiste em uma plataforma de cursos
online, cujo objetivo, além de multiplicar o conhecimento
institucional em Educação à Distância (EaD), é aumentar a
abrangência social do IFMG, incentivando a qualificação
profissional. Assim, o programa contribui para o IFMG cumprir
seu papel na oferta de uma educação pública, de qualidade e
cada vez mais acessível.
Para essa realização, a Proex constituiu uma equipe
multidisciplinar, contando com especialistas em educação,
web design, design instrucional, programação, revisão de
texto, locução, produção e edição de vídeos e muito mais.
Além disso, contamos com o apoio sinérgico de diversos
setores institucionais e também com a imprescindível
contribuição de muitos servidores (professores e técnico-
administrativos) que trabalharam como autores dos materiais
didáticos, compartilhando conhecimento em suas áreas de
atuação.
A fim de assegurar a mais alta qualidade na produção destes cursos, a Proex adquiriu
estúdios de EaD, equipados com câmeras de vídeo, microfones, sistemas de iluminação e
isolação acústica, para todos os 18 campi do IFMG.
Somando à nossa plataforma de cursos online, o Programa +IFMG disponibilizará
também, para toda a comunidade, uma Rádio Web Educativa, um aplicativo móvel para
Android e IOS, um canal no Youtube com a finalidade de promover a divulgação cultural e
científica e cursos preparatórios para nosso processo seletivo, bem como para o Enem,
considerando os saberes contemplados por todos os nossos cursos.
Parafraseando Freire, acreditamos que a educação muda as pessoas e estas, por
sua vez, transformam o mundo. Foi assim que o +IFMG foi criado.
O +IFMG significa um IFMG cada vez mais perto de você!
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Plataforma +IFMG
Formação Inicial e Continuada EaD
A Pró-Reitoria de Extensão (Proex), neste ano de
2020 concentrou seus esforços na criação do Programa
+IFMG. Esta iniciativa consiste em uma plataforma de cursos
online, cujo objetivo, além de multiplicar o conhecimento
institucional em Educação à Distância (EaD), é aumentar a
abrangência social do IFMG, incentivando a qualificação
profissional. Assim, o programa contribui para o IFMG cumprir
seu papel na oferta de uma educação pública, de qualidade e
cada vez mais acessível.
Para essa realização, a Proex constituiu uma equipe
multidisciplinar, contando com especialistas em educação,
web design, design instrucional, programação, revisão de
texto, locução, produção e edição de vídeos e muito mais.
Além disso, contamos com o apoio sinérgico de diversos
setores institucionais e também com a imprescindível
contribuição de muitos servidores (professores e técnico-
administrativos) que trabalharam como autores dos materiais
didáticos, compartilhando conhecimento em suas áreas de
atuação.
A fim de assegurar a mais alta qualidade na produção destes cursos, a Proex adquiriu
estúdios de EaD, equipados com câmeras de vídeo, microfones, sistemas de iluminação e
isolação acústica, para todos os 18 campi do IFMG.
Somando à nossa plataforma de cursos online, o Programa +IFMG disponibilizará
também, para toda a comunidade, uma Rádio Web Educativa, um aplicativo móvel para
Android e IOS, um canal no Youtube com a finalidade de promover a divulgação cultural e
científica e cursos preparatórios para nosso processo seletivo, bem como para o Enem,
considerando os saberes contemplados por todos os nossos cursos.
Parafraseando Freire, acreditamos que a educação muda as pessoas e estas, por
sua vez, transformam o mundo. Foi assim que o +IFMG foi criado.
O +IFMG significa um IFMG cada vez mais perto de você!
Professor Carlos Bernardes Rosa Jr.
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Características deste livro:
Formato: A4
Tipologia: Arial e Capriola.
E-book:
1ª. Edição
Formato digital
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