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Avaliação da Independência Funcional Pós-AVE

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ARTIGO ORIGINAL

Avaliação da medida de independência funcional de indivíduos com


seqüelas de acidente vascular encefálico (AVE)

Functional independence measure evaluation in individuals


with stroke disability

Andressa Benvenutti Benvegnu1, Luthiele Araújo Gomes1, Carla Trindade de Souza1,


Tábata Bellagamba Batista Cuadros1, Letícia Werkhauser Pavão1, Simone Nunes Ávila2

RESUMO
Introdução: O acidente vascular encefálico (AVE) é caracterizado por uma lesão que acomete um dos vasos que
irrigam a região cerebral. Pessoas que sofrem AVE apresentam perda funcional, manifestando dificuldades na
locomoção e no cuidado pessoal.
Objetivo: O objetivo deste estudo foi avaliar a evolução da capacidade de independência funcional de indivíduos com
seqüela de AVE na realização de atividades da vida diária, submetidos a tratamento fisioterapêutico na fase hospitalar
(considerada fase aguda) e na fase ambulatorial (considerada fase crônica).
Materiais e Métodos: No período de março de 2007 a maio de 2008, foram avaliados 26 pacientes, 12 na fase
hospitalar e 14 na fase ambulatorial, com idades entre 44 e 80 anos, de ambos os sexos, com seqüelas decorrentes de
AVE, o instrumento de coleta de dados foi a Medida de Independência Funcional (MIF).
Resultados: No grupo hospitalar, houve diferença significativa entre o escore inicial e final (p=0,011), sendo que os
itens “cuidados pessoais”, “locomoção” e “comunicação” foram os que mais apresentaram evolução. No grupo
ambulatorial não houve diferença significativa entre os escores das duas avaliações (p>0,10).
Conclusões: Na fase hospitalar, os pacientes acometidos pelo AVE apresentam uma recuperação mais rapidamente
nas primeiras semanas. Já os pacientes em atendimento ambulatorial mantiveram-se estáveis.

Palavras-chave: acidente vascular encefálico; acidente cerebrovascular; fisioterapia; derrame cerebral.


________________________________________________________________________________________________

ABSTRACT
Introduction: The stroke is characterized by a lesion that strikes one of the vessels that irrigates the cerebral region.
People who have suffered a stroke present functional loss, showing difficulties in locomotion and self-care.
Objective: To evaluate the functional independence mesure of individuals with stroke’s sequalae during the realization
of their routinal activities, submitted to physical therapy in a hospital phase (considered acute phase) and in an outpatient
phase (considered chronic phase).
Materials and Methods: In the period between March 2007 and May 2008, 26 patients have been evaluated, 12 in the
hospitalar phase and 14 in the outpatient phase, with ages between 44 and 80. Patients were from both genders and
presented sequalae of stroke. The data was collected using the Functional Independence Measure (FIM) instrument.
Results: On the hospitalar group, a significant difference has been noticed between the initial score and the final score
(p=0,011). The items “self-care”, “locomotion” and “communication” were the ones that presented the highest evolution.
On the outpatient group, there were no significant differences between scores of both evaluations (p>0,10).
Conclusions: In the hospitalar phase, patients who have suffered a stroke presented a faster recovery in the first weeks.
On the other hand, those patients in the outpatient phase have remained stable.

Keywords: stroke; cerebralvascular accident; physiotherapy; cerebral palsy.

1
Acadêmicas do Curso de Fisioterapia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).
2
Fisioterapeuta. Mestre em Ciências do Movimento Humano da UFRGS. Professora do Curso de Fisioterapia da
PUCRS e do Curso de Fisioterapia da Universidade de Caxias do Sul (UCS).

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Revista Ciência & Saúde, Porto Alegre, v. 1, n. 2, p. 71-77, jul./dez. 2008 71
Avaliação da medida de independência... Benvegnu A et al.

INTRODUÇÃO internacionalmente, fazendo parte do Sistema Uniforme


12
de Dados para Reabilitação Médica (UDSMR) . Este
O acidente vascular encefálico (AVE) é causado por
instrumento foi validado no Brasil em 2000 por Riberto
uma interrupção do fluxo de sangue para o cérebro
13
et al. , demonstrando boa equivalência cultural e boa
devido à obstrução de uma artéria (origem isquêmica)
reprodutibilidade.
ou ruptura de vasos sangüíneos cerebrais (origem
1 A MIF no Brasil demonstrou sensibilidade aos ganhos
hemorrágica) , sendo considerado a doença vascular
2 funcionais desenvolvidos durante programas de
que mais acomete o sistema nervoso central (SNC) .
12
reabilitação ambulatorial , diferentemente da versão
A hemiplegia é um sinal clássico do AVE e é
original, que pressupunha a avaliação dos resultados de
caracterizada por perda dos movimentos voluntários em
programas de reabilitação hospitalares, uma vez que a
um hemicorpo, apresentando alterações musculares,
3 4 reabilitação em países da América do Norte é realizada
sensitivas e cognitivas .
13
em hospitais .
Uma das seqüelas mais importantes do AVE é a
A MIF foi elaborada para ser utilizada como uma
dificuldade na realização dos movimentos, que está
escala de 7 (sete) níveis que representam os graus de
relacionada à diminuição da função cognitiva, indicando
funcionalidade, variando da independência à
uma forte influência negativa para a recuperação dos
dependência, e reflete a carga de cuidados para a
movimentos e sobrevivência dos indivíduos acometidos
4 incapacidade em questão. A carga de cuidados
por essa patologia . Dependendo da gravidade das
representa o tempo e a energia requisitados para
seqüelas apresentadas, esses indivíduos têm
responder às necessidades de um indivíduo dependente
comprometido seu nível de independência funcional nas
e permite a ele atingir e manter uma qualidade de vida
atividades cotidianas, tais como alimentar-se, tomar
satisfatória. Esta escala reflete a carga global de
banho, usar o toalete, vestir-se, deambular, deitar-se e
5,6 cuidados para a incapacidade em questão. A
levantar-se , necessitando de auxílio de outra pessoa
7 classificação de uma atividade em termos de
para a realização das atividades de vida diária (AVDs) .
dependência ou independência é baseada na
Na avaliação fisioterapêutica de indivíduos com
necessidade de ser assistido ou não por outra pessoa e,
seqüela de AVE, devem ser incluídos instrumentos que
14
se a ajuda é necessária, em qual proporção .
sejam capazes de verificar o desempenho na realização
8 A MIF mede a incapacidade, não a deficiência. Ela
das AVDs . Existem vários métodos de medida para
tem por objetivo medir o que o indivíduo com
avaliar objetivamente os níveis de independência nas
incapacidade faz na realidade, não aquilo que ele
AVDs. Os instrumentos que avaliam a capacidade
deveria ou poderia fazer em circunstâncias diferentes.
funcional são aqueles que medem itens de assistência
Importante ressaltar que a MIF não apresenta nenhuma
do indivíduo em aspecto quantitativo, fornecendo
restrição e é aplicável em todos os casos.
informações sobre a qualidade ou a melhora da função
9 O objetivo deste estudo foi avaliar a evolução da
do indivíduo .
capacidade de independência funcional de indivíduos
A Medida de Independência Funcional (MIF ou FIM,
com seqüela de AVE na realização de atividades da
tradução do original Functional Independence Mesure) é
vida diária, tanto na fase de hospitalar (considerada fase
provavelmente o mais amplo instrumento para mensurar
10 aguda) quanto na ambulatorial (considerada fase
capacidade funcional . É um instrumento recente,
crônica).
preciso e universal para avaliar as funções superiores,
sendo um indicador de base da importância da
MATERIAIS E MÉTODOS
incapacidade, que pode ser modificada durante a
reeducação/readaptação; logo, as modificações da MIF Este foi um estudo observacional do tipo longitudinal.
demonstram os efeitos ou os resultados do programa de O critério de inclusão no estudo foi de indivíduos que
11
reabilitação . sofreram AVE e tiveram atendimento fisioterapêutico em
A MIF é amplamente utilizada e aceita como medida um Hospital Universitário (grupo 1) e pacientes que
de avaliação funcional nos Estados Unidos e estiveram em tratamento fisioterapêutico ambulatorial

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72 Revista Ciência & Saúde, Porto Alegre, v. 1, n. 2, p. 71-77, jul./dez. 2008
Avaliação da medida de independência... Benvegnu A et al.

em um Centro de Reabilitação e no setor de Fisiatria do


Cuidados Pessoais
Hospital Universitário citado anteriormente, localizados
A. Alimentação
na cidade de Porto Alegre – RS (grupo 2).
B. Cuidados com a aparência exterior
Foram avaliados 26 pacientes, adultos, de ambos os
C. Toalete
sexos, com seqüelas motoras decorrentes de AVE no
D. Habilidade de vestir a parte alta do corpo
período de março de 2007 a maio de 2008. Esta
E. Habilidade de vestir a parte inferior do corpo
avaliação foi feita a partir da observação dirigida durante
F. Utilização do toalete
a realização das AVDs, relacionadas aos cuidados
Controle de Esfíncteres
pessoais, controle de esfíncteres,
G. Controle de bexiga
mobilidade/transferência, locomoção, comunicação e
H. Controle de fezes
comportamento (figura 1). Dessa forma, a pesquisadora
Mobilidade (transferência)
sugeriu a realização das AVDs e avaliou a qualidade do
I. Transferência do leito, da cadeira, da cadeira de rodas
movimento, o tempo de realização, destreza,
J. Transferência ao vaso sanitário
coordenação, habilidades cognitivas, sociais ou
K. Transferência para a banheira ou chuveiro
emocionais para que o paciente a realize. Esta
avaliação foi realizada na primeira semana do AVE, uma Locomoção

semana depois e um mês depois para o grupo 1 e L. Deambulação sobre o plano horizontal

mensalmente durante o período de tratamento M. Escadas

fisioterapêutico para o grupo 2, onde utilizamos a Comunicação

primeira e a última avaliação para a análise dos dados. N. Compreensão


Os indivíduos do grupo 2 estavam em atendimento O. Expressão

fisioterapêutico ambulatorial entre 8 meses e 24 meses, Comportamento Social


sendo considerados pacientes crônicos. As avaliações P. Interação social
dos pacientes do grupo 1 foram realizadas na residência Q. Resolução de problemas
dos mesmos, após a alta hospitalar. Foram excluídos da R. Memória
amostra 3 pacientes, um por óbito (grupo 1), um devido
FIGURA 1 - Funções avaliadas na medida de independência
ao AVE ter sido decorrente de um tumor e outro devido
funcional. Cada uma das 18 funções é avaliada entre o escore
a avaliações insuficientes (grupo 2).
de 1 e 7 a partir do qual é obtida uma média aritmética simples
O instrumento de coleta de dados foi a Medida de que permite classificar o nível de independência nas atividades
Independência Funcional (MIF) do Institut de de vida diária de cada paciente.
14
Réadaptation de Montreal , que tem por objetivo avaliar
18 níveis de função e seus escores, classificando o
indivíduo como independente ou dependente. A escolha fisioterapêutico ou não e as condutas fisioterapêuticas

deste instrumento deveu-se ao fato de permitir a realizadas.

avaliação das funções superiores. A MIF de cada paciente foi avaliada periodicamente

Na avaliação da MIF, cada uma das 18 funções foi no decorrer dos dias, sendo que somente a primeira e a

avaliada entre 1 e 7. Após, a soma dos escores parciais última avaliação foram utilizadas para a análise dos

foi dividida por 18 obtendo assim um resultado final dados através do Teste de Wilcoxon, feita no programa

permitindo classificar o nível de independência nas SPSS 11.0 (Statistical Package for the Social Sciences).

AVDs de cada paciente (figuras 1 e 2) .


14 Como parte do procedimento de pesquisa, os

Para a coleta de dados, contou-se com duas pacientes foram informados sobre os objetivos do

pesquisadoras treinadas e com os procedimentos trabalho e solicitados a manifestar sua concordância

padronizados. Foi realizada uma entrevista posterior a com a assinatura de Termo de Consentimento, Livre e

avaliação onde constam os dados de identificação do Esclarecido, conforme as Normas Bioéticas de Pesquisa

paciente, se há um cuidador/responsável, qual o em Seres Humanos do Conselho Nacional de Saúde do

diagnóstico médico, se já realizou tratamento Ministério da Saúde do Brasil. Este estudo foi avaliado e

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Avaliação da medida de independência... Benvegnu A et al.

Independência
7. Independência completa SEM AJUDA
6. Independência modificada 39%
N
Mulheres
Í Homens
V Dependência modificada
61%
E 5. Supervisão
I 4. Ajuda mínima (sujeito=75%+)
S 3. Ajuda moderada (sujeito=50%+)
COM AJUDA FIGURA 3 - Distribuição dos pacientes por sexo.

Dependência completa
2. Ajuda máx. (sujeito=25%)
1. Ajuda total (sujeito=0%=)
grupo 2 não houve diferença significativa entre os
escores das duas avaliações (p>0,10).
FIGURA 2 - Classificação dos níveis da avaliação na Medida
de Independência Funcional.
DISCUSSÃO

Neste estudo tivemos a participação de pacientes de


aprovado por um Comitê de Ética em Pesquisa
ambos os sexos, 39% de mulheres e 61% de homens,
(protocolo de registro CEP 06/03107).
média de idade de 63 anos. Alguns estudos, como no
4 15
de Mazzola et al. e Rodrigues et al. , apontam uma
RESULTADOS
maior incidência de AVE em pacientes do sexo
Neste estudo foram avaliados vinte e três pacientes masculino, com média de idade de 64 anos.
(11 do grupo 1 e 12 do grupo 2), sendo 39% mulheres e O AVE é uma doença geradora de incapacidades,
61% homens (Figura 3). A média de idade entre os com perdas de independência e, muitas vezes, da
participantes foi de 63 anos, sendo que a mínima foi de autonomia, o que exige freqüentemente a presença de
44 anos e a máxima de 80 anos. alguém para auxiliar estes indivíduos no desempenho
Os resultados das médias entre a avaliação inicial e 16
de suas atividades diárias . Os graus de incapacidade
final das AVDs do grupo 1 e do grupo 2 estão do paciente indicam a dependência deste e o significado
demonstrados na tabela 1. No grupo 1, todos os de dependência representa o aprisionamento da pessoa
pacientes estavam em atendimento fisioterapêutico aos cuidados de outra
9-17
. É de suma importância para
durante as duas primeiras avaliações, sendo que o indivíduo, para a família e para a sociedade a
somente 5 prosseguiram com tratamento independência de cada indivíduo. Portanto, utilizamos o
fisioterapêutico nas suas residências (tendo como média MIF para avaliação por ser um instrumento que avalia a
inicial 4,26 e média final 5,65), cinco sem atendimento independência funcional, independente das seqüelas de
fisioterapêutico (tendo como média inicial 5,6 e média ordem física, de comunicação, funcionais, emocionais,
final 5,79) e um sem atendimento fisioterapêutico, entre outras, apresentadas pelos pacientes.
porém com estímulos constantes dos familiares (média A partir dos dados coletados, a média de idade foi de
inicial 2,77 e média final 6,16). 63 anos, onde a mínima foi de 44 anos e a máxima de
No grupo 1, houve diferença significativa entre o 80 anos. Nossos achados estão em conformidade com
escore inicial e final (p=0,011), sendo que o escore final a literatura, pois Jette et al.
18
encontraram em sua
foi mais alto, em média, 1 ponto. Analisando a evolução pesquisa uma média de idade de 64 anos. Segundo o
nas diferentes áreas, observamos diferença 19
estudo de Veloso et al. , a incidência do AVE aumenta
estatisticamente significativa nos cuidados pessoais com a idade, dobrando a cada década após os 55 anos.
(p=0,018), na locomoção (p=0,026) e na comunicação Após o AVE, é indiscutível a indicação de fisioterapia
(p=0,027), mostrando a melhora destes itens. Nas para os pacientes hemiplégicos, pois esta proporciona a
demais áreas não houve diferença significativa. No reeducação dos movimentos e o equilíbrio postural .
20

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TABELA 1 - Médias das avaliações inicial e final nos grupos 1 e 2.


Grupo 1 Grupo 2
Função
1ª avaliação 2ª avaliação 1ª avaliação 2ª avaliação
Cuidados Pessoais 3,98 5,36 5,63 5,94
Controle de Esfíncteres 4,60 6,00 6,66 6,35
Mobilidade e Transferência 3,83 5,45 6,00 6,11
Locomoção 3,29 4,36 5,50 5,90
Comunicação 6,00 7,00 6,50 6,50
Comportamento Social 5,62 6,40 6,25 6,44
p= 0,011 p>0,10

No grupo 1, os pacientes que prosseguiram com recuperação neurológica é iniciado, sobretudo entre o
tratamento fisioterapêutico após a alta hospitalar tiveram primeiro e o terceiro mês após o AVE, enquanto que a
uma diferença de 1,39 na média final, passando de recuperação funcional ocorre mais completamente dos
dependente modificado com ajuda mínima para 3 aos 6 meses após o AVE.
independente modificado. E os que não prosseguiram A função motora dos pacientes quando realizam
com o tratamento fisioterapêutico tiveram 0,19 de fisioterapia evolui positivamente, e que ao esperar
diferença na média final, mantendo o mesmo escore. O longos períodos para iniciar a fisioterapia ou não realizá-
paciente que não estava realizando atendimentos la durante o período hospitalar têm um impacto negativo
fisioterapêuticos, mas era constantemente estimulado na função motora e conseqüentemente na sua
21
pela família, apresentou uma melhor evolução, funcionalidade . Também tem sido observado que a
comparado com os outros, passando de dependente sobrevida e a funcionalidade melhoram com os
22-23
com ajuda moderada para independente modificado. cuidados gerais e a reabilitação na fase hospitalar .
11
Isso é reforçado com o estudo de Bocchi et al. , no qual Por isso, a importância da reabilitação após o AVE tem
o incentivo na recuperação do paciente é observado sido enfatizada em vários estudos.
pelo cuidador quando as melhoras começam a surgir, Observamos que os itens “cuidados pessoais”,
motivando-o a reassumir gradativamente suas “mobilidade” e “locomoção” apresentaram menores
atividades de vida diária e, assim, cada vez menos médias tanto no grupo 1, quanto no grupo 2. Nosso
20
necessitar de ajuda. estudo está em consonância com o de Riberto et al. ,
No grupo 2, todos os pacientes estavam em onde foi observado uma menor pontuação nos mesmos
atendimento fisioterapêutico entre oito meses e 24 itens, sendo justificado por essas atividades
meses, porém seu escore final foi mantido. Segundo apresentarem um nível de dificuldade de realização
3 24
Veronesi et al. , indivíduos que apresentavam maior em pacientes hemiplégicos. Já Corrêa et al.
hemiplegia há mais de dois anos, apresentam discreta apontaram que os indivíduos após o AVE demonstram
evolução motora que pode desencadear desmotivação grande dificuldade no item mobilidade. Nas tarefas de
por parte do paciente. “cuidados pessoais”, o preparo e a supervisão podem
Observamos que os pacientes na fase hospitalar da ser comuns inicialmente durante o programa de
doença (grupo 1) apresentaram uma evolução reabilitação, mas ao seu final, o preparo torna-se menos
estatisticamente significativa (p=0,011), principalmente habitual, esperando que o cuidador já esteja
no primeiro mês após o AVE e os pacientes observados suficientemente seguro para deixar o paciente realizar
24
na fase ambulatorial (grupo 2) não obtiveram evolução as tarefas sozinhos sem orientação .
estatisticamente significativa (p>0,10). Segundo Bocchi Os indivíduos acometidas pelo AVE geralmente não
11
et al. , a recuperação é mais acelerada nas primeiras apresentam capacidade para realizar atividades simples
semanas da doença e é difícil dizer o ponto que ela do dia a dia, observa-se então, que o cuidador sente-se
21
cessa. Esses dados coincidem com o que Nunes et al. obrigado a suprir e até mesmo substituir as atividades
6
discutem, referindo que logo após a lesão o processo de que antes eram realizadas pela própria pessoa . Um

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Avaliação da medida de independência... Benvegnu A et al.

indivíduo, ao assumir o papel de cuidador, acredita que 5. Souza NR, Oliveira AA, Oliveira MMl, Santos CVS, Silva
ACC, Vilela ABA. Olhar sobre o cuidador de idosos
deve realizar tudo pelo doente, não considerando-o dependentes. Revista Saú[Link] 2005; 1(1):51-9.
como ativo e participativo na sua recuperação, 6. Cesário CMM, Penasso P, Oliveira APR. Impacto da
disfunção motora na qualidade de vida em pacientes com
superprotegendo e apresentando resistência em acidente vascular encefálico. Revista Neurociências 2006;
11 14(1):006-9.
estimular o paciente .
20
7. Falcão IV, Carvalho EMF, Barreto KML, Lessa FJD, Leite
Segundo Riberto et al. , muitas vezes as médias de VMM. Acidente Vascular Cerebral precoce: implicações
para adultos em idade produtiva atendidos pelo SUS.
independência são menores do que realmente Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, 2004; 4:95-
representariam, devido à realização das tarefas pelo 101.
8. Ricci NA, Kubota MT, Cordeiro RC. Concordância de
cuidador, para minimizar o tempo de realização das observações sobre a capacidade funcional de idosos em
tarefas por esse paciente. O fator interferência do assistência domiciliar. Ver. Saúde Pública, 2005;
39(4):655-62.
cuidador foi observado em alguns pacientes da nossa 9. Cacho EWA, Melo FRL, Oliveira R. Avaliação da
pesquisa. Analisamos que muitos desses pacientes recuperação motora em pacientes hemiplégicos através
do protocolo de desempenho físico (FUGLl – MEYER).
poderiam apresentar outro escore da MIF, se o cuidador Rev Neuroc 2004; 12(2):94-102.
não realizasse todas as atividades pelo mesmo. 10. Putten JMFV, Hobart JC, Freeman JÁ, Tompson AJ.
Measuring changing disability after inpatient rehabilitation:
Sugerimos que o profissional de saúde preste comparison of the responsiveness of the Barthel index and
the Functional Independence Measure. J Neurol
orientações ao cuidador destes pacientes, para que o Neurosurg Psychiatry 1999;66:480-4.
mesmo auxilie e estimule a melhora da independência 11. Bocchi SCM, Ângelo M. Interação cuidador familiar-
pessoa com AVC: Autonomia compartilhada. Ciência &
funcional. Saúde Coletiva 2005; 10(3):729-38.
Encontramos, então, que na fase hospitalar, os 12. Lopes AB, Gazzola JM, Lemos ND, Ricci NA.
Independência funcional e os fatores que a influencia no
pacientes acometidos pelo AVE apresentaram uma âmbito da assistência domiciliária ao idoso. Rev Bras
Geriatr Gerontol 2008; 10(3):2-11.
recuperação mais rapidamente nas primeiras semanas.
13. Riberto M, Miyzaki MH, Jucá SSH, Pinto PPN, Battistella
Já os pacientes em atendimento ambulatorial, não LR. Validação da versão brasileira da Medida de
Independência Funcional. Acta Fisiatr 2004; 11(2):72-6
houve diferença significativa na independência funcional
14. Formation MIF – Mesure D’Indépendence Fonctionnelle.
mesmo sendo observada uma melhora clínica, Documents. De travail. Institut de réadaption de Montreal
1998 mars/avril ; 1-23.
mostrando escores de MIF semelhantes à ultima
15. Rodrigues JE, Sá MS, Alouche SR. Perfil dos pacientes
avaliação do grupo hospitalar, realizada um mês após o acometidos por AVE tratados na clínica escola de
fisioterapia da UMESP. Revista Neurociências 2004;
AVE. Sugerimos, para um próximo estudo, a 12(3):117-22.
identificação do local da lesão e seus possíveis 16. Perlini NMOG, Mancussi AC, Faro. Cuidar de pessoa
incapacitada por acidente vascular cerebral no domicílio: o
comprometimentos motores e cognitivos. fazer do cuidador familiar. Rev Esc Enferm USP 2005;
39(2):154-63.
17. Bocchi SCM. Vivenciando a sobrecarga ao vir-a-ser um
cuidador familiar de pessoa com acidente vascular
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vivência do processo de reabilitação após acidente olhar sobre a assistência fisioterapêutica a portadores de
vascular cerebral: um estudo qualitativo. Online Braz J acidente vascular encefálico no município de Jequié – BA.
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dos pacientes acometidos por acidente vascular lesões encefálicas adquiridas sob reabilitação
encefálico assistidos na clinica de fisioterapia neurológica ambulatorial. ACTA Fisiátrica, 2007; 14(2):87-94.
na universidade de Passo Fundo. RBPS 2007; 20(1):22-7. 22. Makiyama TY, Battisttella LR, Litvoc J, Martins LC. Estudo
sobre a qualidade de vida de pacientes hemiplégicos por

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76 Revista Ciência & Saúde, Porto Alegre, v. 1, n. 2, p. 71-77, jul./dez. 2008
Avaliação da medida de independência... Benvegnu A et al.

acidente vascular cerebral e seus cuidadores. Acta Fisiatr


2004; 11(3):106-9. Endereço para correspondência:
23. Valente SCF, Paula EB, Abranches M, Costa V, Borges H, Simone Nunes Ávila
Chamlian TR, Masiero D. Resultados da fisioterapia Av Borges de Medeiros, 907, ap. 91. Centro
hospitalar na função do membro superior comprometido Porto Alegre/RS - CEP 90020-025
após acidente vascular encefálico. Revista Neurociências Telefone: +55 51 32215962 e +55 51 99715450
2006; 14(3):122-6. E-mail: simoneavila10@[Link]

24. Corrêa FIC, Soares F, Andrade DV, Gondo RM, Peres JÁ,
Fernandes AO, Corrêa JCF. Atividade muscular durante a
marcha após acidente vascular encefálico. Arq
Neuropsiquiatr 2005; 63 (3-B):847-51.

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Revista Ciência & Saúde, Porto Alegre, v. 1, n. 2, p. 71-77, jul./dez. 2008 77

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