UNIVERSIDADE LICUNGO
FACULDADE DE ECONOMIA E GESTÃO
CURSO DE GESTÃO DE RECURSOS HUMANOS
Cláudia Maria Matotele
Avaliação de riscos Ergonómico usando Método de RULA
Beira
2023
Cláudia Maria Matotele
Avaliação de riscos Ergonómico usando Método de RULA
Trabalho de pesquisa, a ser apresentado no Departamento de
Economia e Gestão (EG), Curso de Gestão de Recursos
Humanos com habilidades em (HST), na Cadeira de Saúde
Publica e Ergonomia como Carácter avaliativo.
Orientador: MsC. Dias Serafim Panze
Beira
2023
Índice
1. Introdução .............................................................................................................................. 3
1.1. Objectivos ....................................................................................................................... 3
1.1.1. Objectivo geral ......................................................................................................... 3
1.1.2. Objectivos específicos .............................................................................................. 3
2. O Método RULA ................................................................................................................... 4
2.1. Aplicação ........................................................................................................................ 6
2.2. Recomendações .............................................................................................................. 9
3. Conclusão ............................................................................................................................ 10
Referência Bibliográfica .......................................................................................................... 11
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1. Introdução
Os trabalhadores da serrilharia desempenham tarefas que frequentemente envolvem o
manuseio de peças metálicas pesadas, ferramentas de corte e conformação, e o trabalho
próximo com máquinas e equipamentos. No entanto, enfrenta-se desafios significativos
relacionados à saúde e segurança ocupacional, particularmente em relação à ergonomia no
local de trabalho. Nesse contexto, a aplicação do método RULA torna-se uma ferramenta
valiosa para avaliar as condições ergonómicas no ambiente de trabalho da serrilharia. Essa
análise pode identificar posturas de alto risco, movimentos repetitivos e outros factores
ergonómicos que podem contribuir para lesões ocupacionais, desconforto e fadiga.
1.1. Objectivos
1.1.1. Objectivo geral
Analisar a postura do canalizador usando método de RULA de modo a reduzindo o
risco de lesões ocupacionais.
1.1.2. Objectivos específicos
Identificar posturas de alto risco, movimentos repetitivos e outros factores
ergonómicos que podem contribuir para lesões ocupacionais, desconforto e fadiga.
Avaliar movimentos do serralheiro que podem levar à fadiga muscular e a lesões por
esforço repetitivo.
Desenvolver recomendações ergonómicas específicas com relação aos riscos
ergonómicos identificados no trabalhador de serrilharia.
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2. O Método RULA
O método RULA foi desenvolvido por E. Nigel Corlett e Lynn McAtamney
(University of Nottingham’s, Institute for Occupational Ergonomics) com o objectivo de
investigar a exposição dos trabalhadores aos factores de risco associado aos membros
superiores.
Ainda que, como o seu nome indica (Rapid Upper Limb Assessment – Avaliação
rápida da extremidade superior) (McAtamney & Corlett, 1993), tenha sido pensado, como
uma primeira aproximação, para detectar trabalhadores expostos a cargas músculo-
esqueléticas importantes e que podem causar transtornos nas extremidades superiores,
também incorpora na sua análise, o tronco, a cabeça e as extremidades inferiores.
O RULA é utilizado para avaliar a postura, força e movimentos associados a tarefas
sedentárias, tais como a utilização de computadores, manufactura ou outras onde o
trabalhador se encontra sentado ou de pé sem andar, devendo, então, ser utilizado como uma
primeira análise para a avaliação do nível de exposição dos membros superiores a factores de
risco como a postura, contracção muscular estática, repetição e força e para determinar os
factores que mais contribuem para o risco associado à tarefa.
O RULA estabelece, para cada zona, intervalos de postura, e descreve uma pontuação
de acordo com o nível de sobrecarga. De igual modo, valora-se o trabalho estático (posturas
mantidas por mais de um minuto) ou repetitivo (frequência de movimentos dos segmentos ≥ a
4 por minuto), e os requisitos de força ou carga.
A aplicação do método consiste no registo das diferentes posturas de trabalho
observadas, classificadas através de um sistema de pontuação, utilizando-se diagramas de
posturas do corpo e tabelas que avaliam o risco de exposição a factores de carga externos.
Desta forma é possível identificar o esforço muscular que está associado à postura de
trabalho, força exercida, actividade estática ou repetitiva. Deve ser registada a postura de
trabalho nos planos sagital, frontal e, se possível, no transversal, analisando-se depois a
postura dividindo-se o corpo em 2 grupos (A e B):
Grupo A: Braço, antebraço, pulso e rotação do pulso.
Grupo B: Pescoço, tronco e membros inferiores.
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Na figura são apresentadas as pontuações para os segmentos do grupo B, respeitante o
pescoço, tronco e membros inferiores (pernas).
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Imagem
2.1. Aplicação
GRUPO A Pontuação GRUPO B Pontuação
Braços 3 Pescoço 2
Antebraços 1 Tronco 4
Pulso 2 Pernas 1
Rotação do Pulso 1
Seguidamente apresentam-se as tabelas A, B e C, referidas ao longo do texto e que são
necessárias para o cálculo do RULA, assim como as tabelas para a pontuação da força e
actividade muscular.
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Tabela A: Pontuação do Grupo A – Membros Superiores.
Pulso
Antebraço
Braço
1 2 3 4
Rotação Pulso Rotação Pulso Rotação Pulso Rotação Pulso
1 2 1 2 1 2 1 2
1 1 2 2 2 2 3 3 3
1 2 2 2 2 2 3 3 3 3
3 2 3 3 3 3 3 4 4
1 2 3 3 3 3 4 4 4
2 2 3 3 3 3 3 4 4 4
3 3 4 4 4 4 4 5 5
1 3 3 4 4 4 4 5 5
3 2 3 4 4 4 4 4 5 5
3 4 4 4 4 4 5 5 5
1 4 4 4 4 4 5 5 5
4 2 4 4 4 4 4 5 5 5
3 4 4 4 5 5 5 6 6
1 5 5 5 5 5 6 6 7
5 2 5 6 6 6 6 7 7 7
3 6 6 6 7 7 7 7 8
1 7 7 7 7 7 8 8 9
6 2 8 8 8 8 8 9 9 9
3 9 9 9 9 9 9 9 9
Tabela B: Pontuação do Grupo B – Pescoço, Tronco e Membros Inferiores.
Pescoço
Tronco
1 2 3 4 5 6
Pernas Pernas Pernas Pernas Pernas Pernas
1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2
1 1 3 2 3 3 4 5 5 6 6 7 7
2 2 3 2 3 4 5 5 5 6 7 7 7
3 3 3 3 4 4 5 5 6 6 7 7 7
4 5 5 5 6 6 7 7 7 7 7 8 8
5 7 7 7 7 7 8 8 8 8 8 8 8
6 8 8 8 8 8 8 8 9 9 9 9 9
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Tabela C: Pontuação C RULA
Pontuação D (Pescoço, Tronco e Pernas
1 2 3 4 5 6 7+
1
(Membros Superiores)
1 2 3 3 4 5 5
2 2 2 3 4 4 5 5
Pontuação C
3 3 3 3 4 4 5 6
4 3 3 3 4 5 6 6
5 4 4 4 5 6 7 7
6 4 4 5 6 6 7 7
7 5 5 6 6 7 7 7
8+ 5 5 6 7 7 7 7
O valor obtido na tabela C é depois comparado com os valores da tabela de
classificação de níveis de intervenção determinando-se assim a prioridade de acção. Os níveis
de acção são quatro sendo que ao nível 1 corresponde a pontuação 1 a 2, onde o risco é
aceitável e o nível 4 que se encontra no outro extremo, com pontuação de 7 ou mais,
significando que são necessárias investigações e modificações imediatamente.
Tabela - Pontuação para actividade
Pontuação Descrição
1 Postura essencialmente estática como, por exemplo, se for mantida mais de 1 minuto
ou se a acção for repetida mais de 4 vezes por minuto
0 Nos restantes casos
Tabela - Pontuação para força/carga.
Sem resistência ou Cargas/força Carga/força estática ou Carga/forçs estática ou
cargas/força intermitente repetitiva repetida >10 Kg ou
intermitente 2-10Kg 2-10Kg choques/forças
instantâneas
< 2 Kg
0 1 2 3
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Tabela – Níveis de acção do método RULA.
Nível de
Pontuação Acção
Acção
1 ou 2 1 Postura é aceitável se não for mantida ou repetida por longos períodos
3 ou 4 2 Será preciso investigar melhor e poderão ser necessárias modificações
5 ou 6 3 É urgente investigar melhor e realizar modificações
7 ou mais 4 Investigações e modificações são necessárias imediatamente
2.2. Recomendações
Deve-se melhorar as condições ergonómicas no trabalhador com base nos resultados
do método RULA é urgente investigar melhor e deve-se fazer alteração de posturas e
condições de trabalho porque é fundamental garantir a segurança e o bem-estar do
trabalhador. Aqui estão algumas recomendações que podem ser aplicadas:
Ajuste das Posturas de Trabalho;
Uso de Ferramentas Ergonómicas;
Treinamento em Boas Práticas Ergonómicas;
Introdução de Pausas e Variação de Tarefas;
Monitoramento Contínuo;
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3. Conclusão
A aplicação do método RULA na área serrilharia vem para criar condições
ergonómicas no local de trabalho e identificou posturas críticas que requerem intervenção
para garantir a saúde, a segurança e o bem-estar do trabalhador. Esta análise ergonómica
detalhada revelou posturas corporais de alto risco, movimentos repetitivos e outros factores
ergonómicos que podem contribuir para lesões ocupacionais, desconforto e fadiga
ocupacional. Entre as principais descobertas, destacam-se a necessidade de ajustar as posturas
de trabalho, o uso de ferramentas e equipamentos ergonómicos, a implementação de
treinamentos regulares em boas práticas ergonómicas e a introdução de pausas e variação de
tarefas para reduzir a exposição contínua a posturas de alto risco. Também é fundamental
garantir o uso adequado de equipamentos de protecção individual (EPI) específicos para a
serrilharia.
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Referência Bibliográfica
Mc ATAMNEY, L., Corlett N., RULA: A survey method for the investigation of work-
related upper limb disorders, “Applied Ergonomics” 1993; 24: 91-92.