MATERIAL DO CURSO
COMUNICAÇÃO E MARKETING
APOSTILA
MARKETING NO MUNDO
MARKETING NO MUNDO
“A Associação Americana de Marketing define a atividade como um “conjunto
de instituições e processos para criar, comunicar, entregar e trocar ofertas que
tenham valor para os clientes, parceiros e sociedade em geral”.
Perceba que, nesta definição, fica claro o valor do cliente no processo de fazer
marketing.
Mas você sabia que nem sempre foi assim?
Você deve ter aprendido que antigas civilizações eventualmente passaram a
trocar mercadorias entre si como uma forma comércio, embora ainda bastante
primitiva.
O homem, então, precisou desenvolver habilidades de persuasão para
convencer os demais sobre importância e a utilidade de seus produtos.
Aliás, na antiguidade clássica, há registros de que os chamados “pregoeiros”
eram marqueteiros de profissão, vendendo produtos e escravos por onde
passavam.
Depois, com as grandes navegações, surgiram as moedas e as relações
comerciais se intensificaram e ficaram mais complexas.
Já em 1455, o surgimento da impressora de Gutenberg foi um grande marco
para a imprensa: a partir de então, era possível imprimir em larga escala
materiais que antes eram escritos à mão.
Anos depois, essa invenção impulsionaria a produção dos primeiros anúncios
impressos.
Mas foi depois da primeira Revolução Industrial, nos séculos XVIII e XIX, que o
conceito de marketing tal qual conhecemos hoje começa a tomar forma.
Afinal, eram tempos de produção em massa como nunca visto antes.
Com isso, começava a nascer também a grande mídia, e os comerciantes
precisavam aprender novas maneiras de divulgar os seus produtos para não
ficarem para trás.
ORIGEM DO MARKETING
“Qualquer cliente pode ter o carro da cor que quiser, desde que seja preto”,
disse o empresário Henry Ford no começo do século XX, na era que, depois,
ganharia o nome de “fordismo”.
Os carros deveriam ser pretos porque era a tinta mais barata e que secava
mais facilmente.
Era bem essa a mentalidade que permeava o modelo de produção pós-
Revolução Industrial.
E, contudo, seja difícil especificar quando surgiu o marketing, é consenso entre
muitos estudiosos que a Revolução Industrial transformou a forma de praticar a
atividade.
Philip Kotler, o guru do marketing, nomeou essa “era de produção” de
marketing 1.0.
Tempos em que a concorrência era mínima, as mercadorias eram vendidas a
baixo custo e aos montes, e os consumidores eram meros receptores de um
bombardeamento em massa de propaganda.
Os clientes não tinham, portanto, qualquer poder de barganha.
Após a Revolução Industrial, tudo o que era produzido era vendido.
Ora, com a demanda maior do que a oferta, as empresas não estavam muito
preocupadas nem com a qualidade do que era vendido e tampouco com as
exigências dos seus clientes.
Algum tempo mais tarde, porém, começam a surgir nos Estados Unidos os
primeiros estudos de mercado, com foco em logística e produtividade – e,
talvez por isso, muitos considerem que foi lá onde surgiu o marketing.
Os estudiosos passam a finalmente enxergar a atividade como uma disciplina
única, independente da Economia e da Administração de Empresas.
O marketing buscava uma identidade própria.
Já no período entre guerras, ou seja, entre o começo do século XX até o fim da
Segunda Guerra Mundial, em 1945, mercadológicos passaram a enxergar a
necessidade de entender como a propaganda afetava pessoas e negócios.
Apesar de novo enquanto ciência, já era evidente que o marketing era capaz
de gerar nos consumidores associações positivas ou negativas quando
expostos a determinadas marcas.
Depois da Segunda Guerra Mundial, a concorrência crescia cada vez mais e os
produtos antes vendidos em larga escala passaram a ser estocados.
O foco das empresas, em vez de produção em massa, passou, então, a se
direcionar às vendas.
E foi para ajudar nesse processo que o marketing entrou com maior
expressividade.
Era necessário vender a qualquer custo, e os grandes aliados para isso eram
os outdoors, os jornais, as revistas, passando pelo rádio com a primeira
transmissão em 1920, e a televisão, que, a partir de 1940, levou o marketing
mundial para outro nível.
No Brasil dos anos 50, vivíamos um período de grande aceleração econômica
e industrial.
E é a partir dessa década que começo uma linha do tempo com as principais
características do marketing para cada fase da história.
ANOS 50
Década que marca o começo do marketing no Brasil.
Era um período de industrialização e de grandes mudanças tecnológicas
marcadas pelo governo de Juscelino Kubistchek.
A televisão acabava de chegar no país, ainda dominado pelos jornais, revistas
e rádios em termos de publicidade.
O marketing, porém, era totalmente focado nas vendas e incipiente: grande
parte da população brasileira ainda vivia nos campos.
Essa ainda é a década em que começam os primeiros estudos sobre marketing
nas universidades brasileiras.
ANOS 60
Pela primeira vez, as marcas começavam a apresentar departamentos de
marketing mais sofisticados, preocupados em desenvolver estratégias de
produção.
Entre elas, a preocupação com o que produzir, onde vender, por qual valor e
de que forma anunciar o produto para o consumidor.
No Brasil, grandes empresas multinacionais, como Nestlé, Gessy-Lever,
Gillette, Refinações de Milho Brasil e Anakol passaram a organizar suas áreas
comerciais em função do marketing, e não das vendas.
É nessa década que surgem também os maiores estudiosos do marketing com
conceitos que revolucionariam a forma de praticar a atividade.
O professor Theodore Levitt publica na revista Harvard Business o artigo
“Miopia em Marketing”, mostrando, pela primeira vez, a clara preocupação com
os clientes.
É ainda a década em que Philip Kotler lança a primeira edição de seu livro
“Administração de Marketing”.
No Brasil, a população urbana finalmente ultrapassa a rural, dando vida a um
novo tipo de consumidor.
ANOS 70
Nesta fase, temos um marketing ainda mais consolidado e um cliente mais
exigente.
No Brasil, era tempo de “milagre econômico”, e o consumidor começa a se
conscientizar melhor sobre preço e qualidade dos produtos.
Logo, o marketing deixa de ser uma opção e se torna uma questão de
sobrevivência.
Ele passa, então, a ser estratégia essencial não só para as empresas, como
também para governos, organizações e até entidades religiosas.
Surgem as definições de público-alvo e as primeiras segmentações de
mercado.
ANOS 80
Mundialmente, os anos 80 foram marcados pelas disputas acirradas entre as
empresas – uma verdadeira “guerra de marketing” pela atenção do
consumidor.
Com os clientes ainda mais exigentes e concorrência nas alturas, os times de
vendas das organizações passaram a ter que atingir metas para sobreviver.
É o Marketing 2.0 surgindo na Era da Informação, cada vez mais orientado
para as necessidades do consumidor.
Essa também é a década conhecida por lançar os “gurus do marketing”,
levando o conhecimento sobre a atividade para as massas, além de pequenas
e médias empresas.
No Brasil, porém, os tempos eram difíceis para o marketing: alta inflação,
salários congelados e recessão diminuíram o poder de compra dos
consumidores.
ANOS 90
É o “boom” da internet e o começo de um mundo globalizado que mudaria a
forma de fazer marketing para sempre.
Surgem os blogs, os e-mails, algumas redes sociais e buscadores.
As empresas começaram então a dar os primeiros passos em marketing digital,
estreando nas técnicas de SEO, produzindo conteúdo para a web e investindo
em links patrocinados.
A sociedade também passou a despertar para a necessidade de cuidar do
meio ambiente e do planeta de maneira geral.
Surge, então, um mercado focado em valores – é o marketing 3.0.
Pela primeira vez, as empresas começam a entender a importância de assumir
um posicionamento sustentável para garantir uma vantagem competitiva no
mercado.
ANOS 2000
A virada do século também veio acompanhada de grandes transformações.
O cliente não só deixou de comprar apenas por necessidade, como também já
não dava tanta importância aos preços dos produtos, contanto que tivessem a
utilidade esperada.
São tempos de popularização da telefonia celular, democratização da internet
em larga escala, multiplicação dos e-commerces e amadurecimento da World
Wide Web.
As redes sociais também ganham mais força, principalmente com a chegada
do Facebook.
Surgem ainda novas estratégias de publicidade, lançando a possibilidade de os
usuários anunciarem na plataforma.
ANOS 2010
Com foco no ser humano, a primeira década de um novo milênio inaugura uma
nova forma de fazer marketing.
Com a ideia de que um cliente satisfeito é o melhor advogado que uma marca
pode ter a preocupação agora era priorizar toda a jornada do consumidor: é o
marketing 4.0.
Isso porque as redes sociais estão mais fortes do que nunca, com bilhões de
usuários acompanhando tudo o que acontece no mercado em seus
smartphones com a facilidade de um toque.
Eles têm nas mãos um universo de opções, podendo a todo tempo comparar
preços e qualidade entre as marcas.
Ainda por isso, as empresas veem na web e nas redes sociais a oportunidade
de se aproximar dos clientes, horizontalizando o relacionamento como nunca
antes na história.
Logo, não é de se admirar que as empresas que não possuem uma vantagem
competitiva acabam abreviando a sua continuidade no mercado.
A HISTÓRIA DO MARKETING DIGITAL
Com a chegada da internet, fazer marketing deixou de ser uma atividade
exclusiva das grandes empresas, que gastavam rios de dinheiro com as mídias
e outdoors para anunciar seus produtos.
A era digital trouxe a popularização das redes sociais e novas formas de se
relacionar.
Era necessário acompanhar toda essa evolução e pensar em novas maneiras
de atrair a atenção do consumidor, que estava cada vez mais seletivo diante de
tantas opções no mercado.
Surge, então, o marketing digital: aquele focado nos desejos do consumidor e
com a oferta de soluções em vez de vendas diretas.
É o marketing, portanto, focado em proporcionar ao cliente boas experiências –
as melhores possíveis.
Logo, um marketing que nada se parece com o que lhe deu origem. Em vez de
empurrar produtos e serviços ao consumidor, ele faz com que o cliente chegue
até ele.
Assim sendo, um conceito importante é o de inbound marketing, ou marketing
de atração.
Finalmente, as grandes mídias tradicionais perdem espaço para a internet com
suas redes sociais, e-mails, blogs, websites e buscadores.
Atualmente, sabemos que as marcas que não estão presentes em todas essas
plataformas simplesmente não têm chance diante da concorrência.
Entre os principais elementos do marketing digital, estão:
SEO (Otimização para Mecanismos de Busca);
Marketing de conteúdo;
Marketing nas mídias sociais;
E-mail marketing;
Automação;
Monitoramento.;
Seja por meio dos escambos nas civilizações antigas, a rudimentar
impressora de Gutenberg, a Revolução Industrial ou a era da internet, o ser
humano sempre soube fazer marketing.
Tudo isso, claro, foi mudando à medida que o consumidor passou a ser
mais exigente diante de tantas opções no mercado.
Para facilitar a compreensão, Philip Kotler dividiu o marketing em quatro
fases principais, desde o começo da industrialização até os dias atuais:
Era da produção, voltada para produção em massa
Era da informação, voltada para os consumidores
Era de valores, com foco no ser humano e em sustentabilidade
Era da revolução digital, que traz a importância de encantar os clientes no
lugar de simplesmente superar as expectativas.
É essencial perceber, no entanto, que essas fases não são
necessariamente excludentes entre si.
Em tempos de mudanças tão profundas e rápidas, difícil é dizer quando
termina uma era e começa outra.
Acredite se quiser, ainda existem empresas estagnadas na velha forma de
fazer marketing com foco nas vendas.
E depois se perguntam por que seus negócios não saem do lugar.
A verdade é que o mundo está em constante evolução, e o marketing deve
ser capaz não só de se adaptar às mudanças como também prevê-las.”
BONS ESTUDOS E FELIZ PROVA-PE
REFERÊNCIA
PATEL, Neil. História do Marketing: Como Surgiu e a Evolução ao Longo
dos Anos. Disponível em: [Link]
Acesso: 05/10/2023.