Orientações sobre TEA nas Escolas SP
Orientações sobre TEA nas Escolas SP
REALIZAÇÃO: APOIO:
TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)
ORIENTAÇÕES PARA AS ESCOLAS ESTADUAIS DE ENSINO
FUNDAMENTAL E MÉDIO DE SÃO PAULO
AUTORAS:
Vera Lucia Messias Fialho Capellini
Priscila Vandrea Camargo Duarte
Amanda Pereira Dippólito
REVISÃO DO TEXTO:
Eduardo Pimentel da Rocha
PROJETO GRÁFICO:
Bárbara Cristina Domingues Prado
APOIO E REALIZAÇÃO:
Coordenadoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade. Secretaria dos Direitos da
Pessoa com Deficiência e Secretaria da Educação - Governo do Estado de São Paulo.
REALIZAÇÃO: APOIO:
Capellini, Vera Lúcia Messias Fialho.
Transtorno do Espectro Autista (TEA) : orientações
para as Escolas Estaduais de Ensino Fundamental e
Médio de São Paulo / Vera Lúcia Messias Fialho
Capellini, Priscila Vandrea Camargo Duarte, Amanda
Pereira Dippólito. - São Paulo: Unesp, 2024
57 p.
ISBN 978-65-86498-38-7
Inclui bibliografia
Primeiras palavras 6
Sobre as orientações 10
Introdução 12
O QUE É TEA? 14
CONSIDERAÇÕES FINAIS 55
Referências 58
6
PRIMEIRAS PALAVRAS
Olá, educadores, pais, estudantes e comunidade em geral. Desejamos que a leitura deste
documento inspire vocês na construção de políticas, práticas e culturas mais inclusivas! Não é
fácil, mas é possível e necessário!
As orientações presentes neste documento estão voltadas para o Ensino Fundamental e Médio e
tem por objetivo desmistificar conceitos equivocados sobre o Transtorno do Espectro Autista
(TEA), frequentemente utilizados no contexto escolar.
Aos familiares e/ou responsáveis, sabemos que a luta diária não tem sido fácil! Porém, estamos
convictos que nossas escolas estão, a cada dia mais, buscando ressignificar suas práticas, para
acolher a todos os estudantes e proporcionar a estes serviços da Educação Especial de forma
colaborativa, garantindo que a aprendizagem aconteça para todos, como um direito fundamental
e mola propulsora para o desenvolvimento humano.
Queridos gestores, o ditado "A escola tem a cara do Diretor" ganha ainda mais relevância ao
considerarmos que os gestores querem e têm o poder de ampliar as possibilidades dessa
transformação. Como líderes, vocês podem incentivar a discussão, expandir as oportunidades de
formação e assumir responsavelmente o papel de condutores das despesas do serviço público.
7
Queridos professores, quantos de nós já não pensaram assim: Meu Deus, eu não sei lidar com
este aluno! Não estou preparado! Não tive formação para atender estes alunos! Calma...
Inclusão escolar é processo e, como tal, estamos no caminho. A Secretaria da Educação do
Estado de São Paulo já introduziu o Ensino colaborativo, o qual não é panaceia, nem salvador da
Pátria, porém as pesquisas do Brasil e do mundo apontam-o como uma estratégia exitosa, que
permite o aprimoramento da inclusão escolar. (Capellini; Zerbato, 2022; Stefanidis et al, 2023).
Para iniciar, é necessário ter em mente que a pessoa com TEA tem o direito de ser assistida pela
Educação Especial e, mais do que isso, receber uma educação de qualidade, que seja inclusiva,
acessível, considere suas especificidades e garanta sua participação plena em todos os níveis de
ensino: da Educação Infantil ao Ensino Superior.
Tendo em vista o objetivo de promover uma educação de qualidade para todos os estudantes,
precisamos cada vez mais aprender na escola e na sociedade a respeitar a diversidade humana,
considerando a singularidade de cada um e procurando romper com práticas capacitistas.1
1 O que é capacitismo? “O capacitismo é “[…]uma postura preconceituosa que hierarquiza as pessoas em função da
adequação dos seus corpos à corponormatividade. É uma categoria que define a forma como as pessoas com
deficiência são tratadas de modo generalizado como incapazes (incapazes de produzir, de trabalhar, de aprender,
de amar, de cuidar, de sentir desejo e ser desejada, de ter relações sexuais etc.), aproximando as demandas dos
movimentos de pessoas com deficiência a outras discriminações sociais, como o sexismo, o racismo e a
homofobia. Essa postura advém de um julgamento moral que associa a capacidade unicamente à funcionalidade
de estruturas corporais e se mobiliza para avaliar o que as pessoas com deficiência são capazes de ser e fazer
para serem consideradas plenamente humanas.” (Mello, 2016, p. 3272).
8
A união de esforços para construção de uma rede escolar cada vez mais inclusiva, com a
participação e convivência entre todos (estudantes, familiares ou responsáveis, comunidade
escolar, órgãos dedicados a matéria e a sociedade civil), é importante para retirarmos o estigma
limitante que acompanha a pessoa com TEA e criar pontes que possibilitem práticas
pedagógicas prazerosas e eficazes, as quais possam ser baseadas em mais rodas de conversas
e práticas inovadoras, que construam conhecimentos de diferentes formas, e menos aulas
expositivas, marcadas por “lousa e giz” . Isto posto, visto que os estudantes são diferentes, não
podemos esperar que todos aprendam da mesma forma.
Vamos à luta!
Temos paradigmas para quebrar e a uma escola inclusiva
e acessível, onde todos possam dançar, para construir!
10
SOBRE AS ORIENTAÇÕES
A primeira versão foi produzida pelo Projeto Educando para Diversidade, desenvolvido na
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, a partir do financiamento do Convênio
Santander.
Em sua 2ª edição, o conteúdo foi adaptado a todas as instituições do Ensino Superior do Estado
de São Paulo, por meio da parceria com a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência.
Para esta 3ª edição, as orientações presentes na 2ª edição, organizada por Leite et al. (2023),
por meio da Coordenadoria de Ações Afirmativas, Diversidade e Equidade (CAADI), em uma
nova parceria com a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, foram adaptadas com
autorização dos autores das edições anteriores, com a finalidade de uma ampla circulação em
todas as escolas de Ensino Fundamental e Médio do estado de São Paulo.
As orientações referem-se a práticas educativas sobre TEA para todos aqueles que acreditam
que a convivência com as diferenças contribui para nosso desenvolvimento em diferentes
contextos. Assim, estas têm como finalidade difundir e compartilhar informações que propiciem e
contribuam para a efetividade da participação, visando incluir aqueles que apresentam diferenças
físicas, sensoriais e/ou comportamentais, em um espaço de escolarização comum. Dessa forma,
enfatizando o compromisso com a propagação dos direitos fundamentais dos estudantes no
ambiente escolar (Leite, et al., 2023).
12
INTRODUÇÃO
A percepção sobre a diversidade nem sempre foi como a concebemos atualmente. A consciência
sobre a multiplicidade de diferenças entre as pessoas não era tão explícita há 50 anos, ou seja,
antes do processo de globalização dos meios de comunicação.
Existia, e ainda existe, uma representação de humanidade muito homogênea, que leva ao
entendimento de que tudo que se distancia dos padrões de comportamentos e expressões
culturais considerados adequados se enquadra como “desvio” da norma, ou seja, algo estranho,
reprovável e que origina preconceitos. Diante da diversidade e pluralidade social e cultural, os
indivíduos se reconhecem como diverso, mas a diversidade do outro os incomoda, contradizendo
a própria percepção que esse indivíduo tem da diversidade.
Dessa forma, a escola “deve se configurar como um espaço democrático em que a diferença
seja entendida como constitutiva do ser humano. Reconhecê-la, respeitá-la e valorizá-la passa a
ser um compromisso de todas as pessoas!” (Leite, 2023, et al, p. 2).
A proposta de construção de cultura inclusiva é pautada na ideia de que a escola deve aceitar e
reconhecer a diversidade entre todos os que ali se encontram, de acordo com os preceitos
existentes nas políticas inclusivas de educação de qualidade para todos. Assim, pressupõe a
transformação das concepções de educação homogeneizadora para a educação da e na
diversidade: a escola que possui uma cultura inclusiva é, antes de tudo, uma escola que acolhe a
todos, independentemente das características físicas, sociais, psicológicas e cognitivas.
Além disso, a escola inclusiva cria estratégias de ensino e aprendizagem diferentes, a fim de
buscar o melhor de cada estudante, igualando, assim, as oportunidades de aprendizagem a
partir da diferenciação das estratégias. Nela, o estudante está no centro do processo de ensino e
aprendizagem, sendo necessário o conhecimento de sua história, seus interesses e motivações,
os tipos de apoio de que mais necessita, as formas de estimular a sua autonomia e a interação
com docentes e colegas.
O QUE É TEA?
As características comuns do sujeito com TEA incluem rotinas rígidas, maior sensibilidade a
estímulos sensoriais e dificuldade em regular e expressar emoções. Esses indicativos são
passíveis de serem percebidos precocemente, logo na primeira infância.
Muito conhecido simplesmente como autismo, esse transtorno consta no DSM-V, que agrupa os
transtornos mentais e auxilia no diagnóstico e nas intervenções direcionadas por profissionais de
saúde.
De acordo com a versão do ano de 2023 do DSM-V, o TEA engloba os quadros antes
conhecidos como autismo, Síndrome de Asperger, Transtorno Desintegrativo da Infância e o
Transtorno Global do Desenvolvimento - TGD. Portanto, tais termos agora estão em desuso e
considera-se apenas o termo Transtorno do Espectro Autista.
A ideia de espectro reúne condições com variadas características associadas que possuem
semelhanças no seu funcionamento ou são geradas pelo mesmo mecanismo. Isso significa que
pessoas com autismo podem ser muito diferentes entre si e também podem apresentar
características comuns ao quadro de TEA, como déficits na comunicação e na interação social e
comportamentos repetitivos.
Realizar atividades grafomotoras (grafia ilegível, maior tempo para escrever e realizar
uma prova etc.), devido às alterações na coordenação motora fina;
Lidar com estímulos sensoriais como luzes muito intensas, ruídos extremos, odores,
sabores e/ou texturas específicas, no caso de ter hipersensibilidade sensorial;
...
18
...
Lidar com a falta de apoio e suporte educacional e social para enfrentar situações
novas e desconhecidas no ambiente escolar;
Algumas dessas barreiras e desafios fazem parte da vida de vários outros estudantes. Contudo,
enquanto a maioria deles consegue se adaptar de modo razoavelmente rápido às situações e
contar com uma rede de apoio (amigos, colegas, familiares e/ou responsáveis, professores,
coordenadores etc.), o estudante com TEA nem sempre pode dispor desse apoio, além do fato
de, muitas vezes, não possuir suporte educacional adequado às suas necessidades. Tais
situações podem acarretar aumento da ansiedade, baixa autoestima, isolamento social,
dificuldade de aprendizagem e, consequentemente, baixo desempenho escolar, o que pode
ocasionar reprovações sucessivas e, até mesmo, o abandono e a evasão escolar.
20
POTENCIALIDADES DO
ESTUDANTE COM TEA
Ser um estudante do Ensino Fundamental e Médio expressa uma das potencialidades da pessoa
com TEA, pois a nova realidade exige que se lide com mudanças e adaptações à sua rotina. Há
!
uma série de habilidades específicas que podem ser apresentadas pelo estudante com TEA,
dentre as quais podemos destacar:
!
e/ou temas específicos do seu interesse;
!
Propensão para pensar racional e logicamente, permitindo a resolução de
problemas por diferentes perspectivas e por meio de soluções;
!
Gosto por seguir rotinas, adaptando-se com exatidão ao proposto;
!
Elevado senso de justiça, sinceridade e honestidade;
...
...
!
Extenso vocabulário e facilidade em aprender diferentes línguas;
MITOS, ESTEREÓTIPOS,
?
PRECONCEITOS SOBRE O TEA
Há muitos dados e materiais circulando (pelas mídias sociais, pela internet ou por produções
midiáticas) que não possuem comprovação científica, ou seja, que apresentam informações não
fidedignas a respeito do TEA. Isso contribui para a ilusão e o desenvolvimento de ideias e
concepções equivocadas sobre o transtorno, favorecendo a propagação de mitos, preconceitos e
estereótipos sobre esse público.
Vamos desmistificar juntos algumas compreensões e informações equivocadas que são bastante
comuns?
NÃO
?
?
O TEA é considerado um transtorno do neurodesenvolvimento e não uma doença. Sua
origem ainda é desconhecida. Porém, há diversas pesquisas sobre esse tema sendo
realizadas pelo mundo afora e acredita-se em múltiplas causas: genéticas, biológicas e
ambientais.
NÃO
?
?
Entre as décadas de 1940 e 1960 Bettelheim propôs a teoria que defendia que o autismo
era uma desordem mental causada por “mães geladeira” - mães sem afetividade por seus
filhos, no entanto, esta teoria caiu por terra com o avanço da ciência. A causa genética já
está mais do que comprovada pela ciência. Não existe um único gene causador do TEA,
mas sim uma interação complexa entre diversos genes. Além disso, é possível que exista
relação com fatores ambientais.
NÃO
?
?
Muitas pessoas com TEA são identificadas de forma equivocada com deficiência
intelectual. A deficiência intelectual pode ou não ser uma condição coexistente com o TEA.
Pelo fato de o TEA se configurar como um espectro com diferentes modos de
comprometimento, as pessoas que estão no espectro podem ou não apresentar prejuízos
cognitivos, não falarem ou terem dificuldades intensas na interação social, bem como
outras condições singulares. A literatura científica aponta que um terço das pessoas com
TEA pode apresentar algum nível de deficiência intelectual.
NÃO
?
?
Estudos indicam a prevalência de 28% de ocorrência de Transtorno e Déficit de Atenção e
Hiperatividade (TDAH); 20% para Transtornos de ansiedade; 13% para Desordens do
sono; 12% para Transtornos de personalidade; 11% para Desordens depressivas; 9% para
Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC); 5% para Desordem Bipolar e 4% para
Esquizofrenia (LAI et al, 2019).
?
?
TODAS AS PESSOAS COM TEA SÃO IGUAIS?
NÃO
Como todo ser humano, cada pessoa com TEA é singular, diferente e única! Não há duas
pessoas com TEA iguais. Cada pessoa com TEA tem seu jeito de ser e estar no mundo,
construindo diferentes histórias de vida. Importante: como qualquer outra pessoa, esses
sujeitos apreciam ser valorizados pela sua individualidade.
?
TODAS AS PESSOAS COM TEA POSSUEM MENTES
BRILHANTES, SÃO “GÊNIOS”? ?
NÃO
As pessoas com TEA, assim como todas as outras, possuem habilidades e dificuldades,
podem ter desempenho acima, abaixo ou na média. Algumas pessoas com TEA têm
habilidades intelectuais que chamam atenção. Embora alguns possam, sim, ter altas
habilidades/superdotação como uma dupla condição, mas não é a regra.
?
?
AS PESSOAS COM TEA TÊM AUSÊNCIA DE SENTIMENTOS?
NÃO
As pessoas com TEA podem ter dificuldade em identificar e expressar suas emoções e
sentimentos, mas isso não quer dizer que não os sentem e que não são afetadas por eles.
Gostam de se sentir amadas, respeitadas, aceitas e expressam seus afetos de diferentes
formas (nem sempre tão convencionais); podem namorar, casar e ter filhos, se assim
desejarem, e podem vivenciar plenamente sua sexualidade.
Chacotas e piadas sobre pessoas com TEA, bem como o uso de palavras de mau gosto
para se referir a elas como insensíveis, esquisitas ou frias podem machucá-las, ferindo
seus sentimentos, e levá-las a se afastarem do convívio social.
?
?
AS PESSOAS COM TEA SÃO ANTISSOCIAIS?
NÃO
?
?
AS VACINAS CAUSAM TEA?
NÃO
Há alguns anos, uma publicação associou a vacina de rubéola ao autismo, o que gerou
boatos sobre a relação entre esses fatores. Entretanto, o The Lancet, jornal científico de
medicina internacional, retratou-se e refutou essa publicação, que considerou irreal, ou
seja, falsa. Portanto, não há evidências científicas de que vacinas, medicamentos ou glúten
possam causar o autismo.
?
?
AUTISTAS VIVEM NO SEU PRÓPRIO MUNDO E GOSTAM
DE FICAR SOZINHOS?
Pessoas com TEA podem parecer alheias ao mundo externo, mas essa é uma impressão
de quem vê de fora. Muitas pessoas autistas preferem ficar sozinhas, devido a dificuldades
para se inserir em grupos e interagir com outras pessoas, o que não significa,
necessariamente, que gostem de ficar sozinhas. Autistas também percebem e aprendem
com o mundo ao redor. Precisamos compreender a melhor forma de acessar seus
interesses e favorecer sua participação. Com as adaptações necessárias, respeito às
diferenças e inclusão social, pessoas autistas podem gostar de estar em grupo, como
qualquer outra pessoa.
?
?
AS PESSOAS COM TEA SÃO INCAPAZES DE APRENDER?
NÃO
As pessoas com TEA possuem seu próprio tempo, ritmo e forma de aprender,
desenvolvendo suas potencialidades. Podem apresentar, ao longo da vida, necessidades
educacionais específicas que devem ser atendidas durante o processo de ensino, de
maneira a garantir condições para uma aprendizagem mais efetiva e um melhor
desenvolvimento.
Além de falsa, essa afirmação é capacitista. Muita gente acha que, por possuir
características aparentemente comuns ao autismo, como não gostar de barulho, por
?
?
exemplo, pode ser “um pouco” autista. Primeiro, não existem níveis de autismo, mas sim
de suporte necessário à pessoa autista. Segundo, essa ideia é desrespeitosa com as
pessoas que realmente têm a condição.
AMBIENTE ESCOLAR
Não há dúvidas que vocês docentes estão sempre aprimorando sua prática pedagógica, neste
sentido, cabe lembrar que os estudantes com TEA, em decorrência das suas necessidades
específicas, podem demandar suporte e acessibilidade curricular em sua trajetória escolar. Por
isso, antes de tudo, é fundamental que nós docentes conheçamos nossos estudantes, suas
preferências, e notar que cada indivíduo, com ou sem TEA, é único, assim como todos os
estudantes elegíveis aos serviços da Educação Especial.
A cada início de ano letivo ou no decorrer, nós recebemos novos desafios e é muito importante
que nós estejamos dispostos a enfrentá-los, tendo principalmente a consciência da importância
do nosso papel na inclusão, enquanto professor de classe comum.
Coletar informações sobre o estudante com TEA, com o intuito de verificar se existem relatórios,
anotações sobre os anos letivos anteriores, pode ajudar, assim como conversar com a família
e/ou responsáveis, a entender a história e qual é o tipo de atendimento multidisciplinar que ele
recebe ou recebeu. O trabalho em equipe é, sem dúvida, também um dos pilares para
desenvolvermos um bom trabalho.
Pensando em adaptações pedagógicas, você poderá oportunizar uma didática diferenciada para
todo o grupo, e não somente para o estudante elegível aos serviços da Educação Especial.
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Por fim, elencamos alguns recursos e/ou estratégias que visam maximizar potencialidades,
garantir o acesso e permanência do estudante na escola:
Suportes atitudinais:
O estudante com TEA deve ser respeitado
nas suas especificidades. Para isso, é
preciso que a comunidade escolar aprenda
a conviver com ele e legitime seu modo
diferente de ser ou de agir. Diálogos em
formato de frases curtas e claras,
velocidade e ritmo de fala reduzidos são
sugestões para facilitar a comunicação com
o estudante com TEA. A prática do bullying,
expressa por meio de zombarias, e/ou a
exclusão de grupos de colegas, deve ser
identificada e eliminada.
Imagem de storyset no Freepik
Suportes informacionais:
É importante que seja disponibilizado ao
estudante o mapa da localização dos
espaços da unidade escolar, para melhor
orientação, e os telefones de atendimento
da secretaria da escola.
Suporte pedagógico:
A Secretaria da Educação - SEDUC, visando à redução e à eliminação de barreiras no
ambiente escolar, disponibilizará os seguintes serviços:
Professor Especializado;
Atendimento Educacional Especializado – AEE no contraturno escolar ou turno extra;
Projeto Ensino Colaborativo no turno escolar como forma de AEE expandido;
Recursos Pedagógicos, de Acessibilidade e de Tecnologia Assistiva;
Profissional para atuar com estudantes com deficiência auditiva e surdez
ou surdo-cegueira;
Serviço de Profissional de Apoio Escolar;
Recursos pedagógicos, de acessibilidade e de tecnologia assistiva.
Cabe enfatizar que cabe ao Professor Especializado, entre outras atribuições, orientar os
responsáveis pelo estudante, as famílias e a comunidade escolar quanto aos
procedimentos educacionais e encaminhamentos para as redes de apoio.
ESTRATÉGIAS E ORIENTAÇÕES
AOS PROFESSORES E
GESTORES EDUCACIONAIS
Como vimos, são várias as características específicas apresentadas pelo estudante com TEA. É
preciso conceber que a pessoa que se enquadra no espectro não se resume a essa condição,
uma vez que tem pensamentos, sentimentos e emoções próprias, ou seja, é um ser humano
como qualquer outro e tem suas particularidades de desenvolvimento. Assim, aconselhamos que
coordenadores e/ou professores, já no ato da matrícula do estudante, ou na matrícula
antecipada, agende a Avaliação Pedagógica Inicial – API, para que seja possível identificar os
apoios, recursos e serviços necessários a sua integração e participação, por meio da utilização
de estratégias pedagógicas que considerem as potencialidades e necessidades específicas de
cada um, tal como previsto na Resolução SEDUC nº21, de 21 de junho de 2023.
Ademais, o professor deve disponibilizar conteúdo da aula com antecedência; utilizar mapas,
diagramas e esquemas conceituais que expliquem processos e procedimentos; determinar
detalhadamente os critérios de avaliação e os objetivos das atividades, bem como ampliar o
tempo de entrega delas; nas avaliações propostas, considerar formatos diferenciados, tempo
adicional para a realização de provas e opções adaptadas de respostas tais como prova oral,
respostas diagramadas ou por esquemas; oferecer informação clara e sistematizada, sobre a
rotina semanal, grade horária, calendário escolar, atividades extracurriculares.
Quando o professor for fazer uso de slides, deverá disponibilizá-los previamente ao estudante,
tendo em vista que pode existir dificuldade em acompanhar a explicação do conteúdo em sala de
aula. Durante o diálogo com o aluno, determinar os objetivos e finalidades da conversa, evitando
a utilização de sentidos conotativos; buscar exemplos concretos para ilustrar o que se fala; iniciar
a conversação com base no conhecimento prévio do estudante e, a partir disso, estabelecer
relações com outros conteúdos, para motivá-lo a participar do diálogo.
Identificar se o discente sofre com hipo ou hipersensibilidade sensorial, pois essa condição
pode intensificar sensações relativas aos estímulos olfativos, visuais, auditivos e táteis ou levar
a pessoa a não senti-los ou a permanecer indiferente a eles.
Permitir que o estudante se ausente por períodos curtos da sala de aula, caso necessário,
para que ele consiga se autorregular (monitorar e controlar emoções, sentimentos,
pensamentos, comportamentos), contando com o apoio do Profissional de Apoio Escolar.
Dentro do possível, procurar controlar ruídos em sala; evitar tocar no estudante; estabelecer
rotinas de trabalho, tal como sinalizar o momento da participação em uma dada atividade;
estar atento às relações entre os pares para evitar possível bullying praticado contra o
estudante com TEA.
Encorajar a pessoa com autismo a buscar redes de apoio que trabalhem de forma conjunta
com a escola e família, tais como monitorias, treinamentos ou profissionais que possam
proporcionar suporte complementar, como psicólogos ou assistentes sociais, de forma a não
expor a condição do estudante, suas particularidades ou dificuldades aos demais colegas,
para que não haja constrangimento.
Além disso, é essencial que o professor estabeleça uma rotina visual, deixando claro para o
estudante o que vai acontecer no decorrer da aula, dando comandos curtos e dirigidos, bem
como questionamentos claros e objetivos.
Quanto às atividades, devem ser estruturadas de forma a ofertar pouco conteúdo por folha,
somente as informações mais relevantes, quando forem oferecidos textos para leitura. Para
que o estudante acompanhe, é necessário destacar (grifar) as partes importantes para que
facilite a localização. Ressaltamos ainda que, quando forem tratados temas que tenham
muitas nomenclaturas, utilizar de imagens para facilitar a compreensão, e se abster de usar
metáforas, uma vez que para os estudantes com TEA isso pode causar barreiras na
compreensão.
36
Considerando que estas orientações poderão ser lidas por toda a comunidade escolar, inclusive
pelos estudantes com TEA, deixamos nesta seção algumas orientações para os estudantes, com
o intuito de auxiliá-los em seu próprio processo educacional.
Informe o professor sobre suas necessidades específicas de aprendizagem. Isso é uma boa
medida para que ele consiga repensar sua prática pedagógica.
A Lei no 12.764/2012 (BRASIL, 2012), que Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da
Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, e a Lei Brasileira de Inclusão (BRASIL, 2015),
apresenta conteúdos sobre a inclusão das pessoas com deficiência, TEA e Altas
Habilidades/Superdotação em vários âmbitos, inclusive o educacional. Sugerimos que esses
documentos sejam disponibilizados para toda a comunidade escolar, para que possam ser
apropriados e sirvam de instrumento à reivindicação dos direitos dos estudantes elegíveis aos
serviços da Educação Especial.
ESTRATÉGIAS E ORIENTAÇÕES
AOS COLEGAS DE CLASSE E
PESSOAS DO CONVÍVIO
Você convive com algum amigo, parente ou colega de classe que tenha TEA e está com dúvidas
sobre como começar ou manter um contato com ele? Se sim, aqui vão algumas orientações para
você:
Enxergue a pessoa com TEA como ela é, ou seja, como alguém que tem desejos,
sonhos, dificuldades, direitos e deveres, assim como você;
A forma como o estudante com TEA interage e se comunica não impede que ele
mantenha interações sociais, por isso, quando houver necessidade, ajude-o no processo
de inserção nos grupos, ou ainda, inicie uma conversa com algum assunto do interesse
dele e procure escolher rotinas previsíveis;
Saiba compreender os limites da pessoa com TEA: não priorize o contato visual,
continue conversando mesmo que ela não pareça estar prestando atenção ao que você
diz ou não olhe nos seus olhos;
Seja claro e objetivo ao falar e fazer perguntas, pois a maioria das pessoas com TEA têm
dificuldade em entender expressões com sentido figurado, como sarcasmo, ironia, por
exemplo;
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Caso você seja um estudante com TEA e se encontre com dificuldades escolares, busque entrar
em contato com a equipe gestora e Professor do Projeto Ensino Colaborativo.
Você também pode buscar algum dispositivo institucional (órgão, núcleo, centro, comissão, etc.)
que seja responsável por garantir a acessibilidade e/ou a inclusão na sua instituição, que pode
auxiliá-lo nesse processo.
Caso você não se sinta à vontade com nenhuma dessas opções, pode buscar apoio e/ou
orientação do professor especializado do Atendimento Educacional Especializado – AEE para
que, juntos, vocês solicitem o auxílio do professor de sua confiança, Coordenador de Gestão
Pedagógica, Coordenador de Organização Escolar e/ou do Diretor Escolar para enfrentar essas
barreiras.
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O acesso ao ensino superior e a inserção no mundo do trabalho são etapas importantes para
qualquer indivíduo, e para aqueles com TEA pode ser uma temática complexa e desafiadora.
Para a sua análise, faz-se necessário considerar diversos aspectos, a começar pelo histórico do
sujeito, desde a infância. O diagnóstico precoce, logo na primeira infância, permite o
encaminhamento aos serviços de apoio e/ou orientação do professor especializado do
Atendimento Educacional Especializado – AEE.
Tanto no ambiente escolar quanto profissional, esses indivíduos podem enfrentar uma série de
obstáculos, que vão desde a falta de compreensão e apoio adequados, até a falta de adaptação
a ambientes e demandas específicas. Quando não ocorre esse apoio, funções cognitivas podem
não ser estimuladas, acarretando as dificuldades de aprendizagem já mencionadas
anteriormente, as quais poderão afetar todo o desenvolvimento educacional e profissional da
pessoa.
Além disso, é fundamental oferecer apoio e recursos específicos para garantir a inclusão desses
estudantes no ambiente universitário. Isso pode incluir adaptações na estrutura física do campus,
para facilitar a locomoção e o acesso a recursos e serviços, bem como o fornecimento de
suporte individualizado, como tutoria, mentoria e acompanhamento psicológico, para lidar com os
desafios acadêmicos e sociais.
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Quando pensamos na inclusão desse sujeito no mundo de trabalho, ou seja, na sua participação,
precisamos considerar em qual área ele pretende atuar. Algumas vezes, a escolha é
correspondente aos padrões restritos de interesse da pessoa com TEA e, por isso, seu repertório
já contempla e tem aprimoradas as habilidades exigidas pela vaga almejada. Outra possibilidade
é a escolha de um posto de trabalho que não demande da pessoa com TEA ações que a deixe
desconfortável. Por exemplo: se ela tem dificuldades de interação social, poderá trabalhar com
uso de tecnologias, a qual permite que o profissional realize seu trabalho sem necessariamente
interagir a todo momento com outras pessoas, ou optar por cargos em que o trabalho seja
desempenhado individualmente.
Locomoção e transporte: é comum que a pessoa com TEA tenha dificuldade em utilizar
serviços de transporte público para chegar até o local de trabalho, ou, se for estudante, ao
transporte coletivo escolar. Um exemplo dessa dificuldade é o contato social com outras
pessoas, principalmente o físico, o qual pode ser muito desgastante. Além disso, o transporte
público pode ser bastante desagradável para quem tem hipersensibilidade sensorial, uma vez
que se trata de um ambiente com muitos estímulos sonoros, táteis, visuais e olfativos.
Muitas vezes, a falta de confiança para executar certas tarefas pode funcionar como gatilho
para a ansiedade em pessoas com TEA. Soma-se a isso o comprometimento
sociocomunicacional e tem-se um quadro em que a pessoa pode ter dificuldades de solicitar
ajuda, podendo interromper a execução da tarefa laboral ou acadêmica ou até mesmo deixar
o local de trabalho ou a universidade;
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Utilizar locais que facilitem o acesso aos itens do trabalho, assim como minimizar distrações
visuais e ruídos;
Oferecer apoio e incentivo às pessoas com TEA, pelos gestores e coordenadores, no espaço
acadêmico e laboral;
Ressalta-se ainda que o incentivo, a adoção e a criação de políticas públicas que promovam a
participação de pessoas com TEA no ensino superior e no mundo do trabalho podem ser
consideradas como ferramentas para viabilização e estímulo à construção de uma cultura
inclusiva e de suportes adequados no ambiente educacional e laboral, contribuindo para a
preparação para a atuação profissional, o incentivo à contratação, o acompanhamento, o
fomento à produção científica e o desenvolvimento de informações precisas sobre o tema
(Leopoldino; Coelho, 2017).
LEGISLAÇÕES NACIONAIS E DO
ESTADO DE SÃO PAULO SOBRE
TEA NO ÂMBITO NACIONAL
NO ÂMBITO NACIONAL
NO ÂMBITO ESTADUAL
Decreto nº 67.635/2023
Dispõe sobre a Educação Especial na rede estadual de ensino e dá providências correlatas.
OUTRAS INFORMAÇÕES
E CURIOSIDADES
O TEA por se tratar de um espectro têm diferentes sintomas e intensidades, sendo abordadas,
neste documento orientador, algumas particularidades. Contudo, ainda trouxemos algumas
curiosidades sobre o tema para vocês!
A data foi oficializada em 2007 pela Organização das Nações Unidas (ONU), com o
objetivo de conscientizar e sensibilizar a população mundial sobre o tema, desconstruir
mitos e estereótipos relacionados às pessoas com TEA e favorecer a objetivação de seus
direitos e deveres fundamentais. No Brasil, a data de celebração foi instituída pela Lei nº
13.652, de 2018. No dia 2, e por todo mês de abril, ocorrem eventos, palestras, reuniões,
debates e a iluminação, com a cor azul, de prédios e monumentos históricos.
Segundo o site Autismo e Realidade,2 escolheu-se a cor azul para simbolizar o transtorno
porque há maior incidência de casos em pessoas do sexo masculino, e a fita em quebra-
cabeça com diferentes cores para representar a complexidade do transtorno e a
diversidade de pessoas e famílias que convivem com ele.
Tem-se considerado mais adequado utilizar o logotipo da neurodiversidade, simbolizado
por um sinal do infinito do arco-íris, que celebra a ideia do espectro com infinitas variações
e possibilidades.
2 https://autismoerealidade.org.br
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esperamos que o conteúdo lido tenha contribuído para ampliar seu conhecimento sobre as
pessoas com TEA e, sobretudo, tenha ajudado na percepção dos caminhos que conduzem a
uma realidade mais inclusiva, acessível e anticapacitista.
Os desafios são visíveis, mas é preciso considerar os avanços alcançados nos últimos 50 anos.
Olhar para a história e perceber a luta travada até aqui nos dá esperança e embasamento para
modificar o que ainda é necessário.
Importante ter como premissa “nada sobre nós sem nós”, isto é, dar vez e voz à pessoa com
TEA é o ponto de partida, colocá-los como protagonistas da luta pelos direitos e dignidade
mostra respeito e consideração de sua capacidade.
A educação será uma importante aliada, pois oferece as ferramentas necessárias para lidar com
o preconceito, injustiças sociais e capacitismo e, principalmente, ensinará a pessoa sem
deficiência a não reproduzi-los.
ENDEREÇOS DE PÁGINAS
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SOBRE O TEMA
Autismo e Realidade
https://autismoerealidade.org.br/
Autism Speaks
https://www.autismspeaks.org/
TISMOO
https://tismoo.us/portal/
REFERÊNCIAS
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content/uploads/2021/09/PEE-SP DOCUMENTO-OFICIAL.pdf>. Acesso em: 23 fev. 2024.