VITAMINA D
Tem algumas grandes diferenças entre a D e todas as outras vitaminas. Para começar, embora
até seja possível absorvê-la pela comida, sua maior fonte, disparado, é o sol. Sim, a luz solar –
aquela mesma que agride e envelhece a pele e pode causar câncer de pele, o mais comum entre
mulheres e o segundo mais comum entre homens no Brasil. O raio ultravioleta B (UVB) do Sol,
o mesmo que nos torra, desencadeia uma série de reações químicas que produzem vitamina D.
Na verdade, a vitamina D não é uma vitamina. Em 1931, o químico alemão Adolf Windaus, da
Universidade de Göttingen, constatou que essa substância tinha a mesma estrutura de hormônios
esteroides, como os hormônios sexuais. “Trata-se, na realidade, de um pré-hormônio”, explica a
farmacêutica e bioquímica Rita Sinigaglia, da Unifesp. Nos anos 90 com a descoberta de que
todo o organismo possui receptores para a vitamina D, difundiu-se que ela seria uma classe em
si mesma devido a ausência de um órgão alvo específico, como acontece com os hormônios.
Não é vitamina, mas o nome pegou, e assim ficou. Um pré-hormônio para lá de importante.
“Imagine um edifício comercial, um arranha-céu com milhares de portas, que são abertas por
uma única chave: a vitamina D. Como ficarão essas salas que não podem ser abertas nem
fechadas sem ela?”, compara o médico Cícero Coimbra. Vitamina D é uma chave bioquímica
que abre as portas de milhares de diferentes processos fundamentais para a vida. Se seus
níveis forem altos, não faltarão chaves e as células funcionarão em plena atividade. Mas, com
níveis baixos, várias dessas funções ficarão trancadas – salas fechadas. Já se sabe de pelo menos
2.500 funções celulares que não funcionam sem a D.
Por isso, sem vitamina D, a vida é impossível. Há muito tempo se sabe, por exemplo, que
níveis baixos demais acabam com nossa capacidade de formar ossos. É que ossos são feitos de
cálcio – e, para absorver o cálcio, nosso sistema digestivo precisa de vitamina D. “Sem ela, os
dinossauros não teriam aguentado o peso do próprio corpo”, explica Ian Wishart no
livro Vitamin D: Is This the Miracle Vitamin? (“Vitamina D: vitamina milagrosa?”, ainda sem
versão em português).
Os humanos, desde sempre, mantiveram uma relação íntima com o Sol. Mas, quando a
Revolução Industrial entrou em cena, no século 18, essa história tomou outro rumo. Abarrotadas
de trabalhadores, as cidades começaram a se estreitar, com prédios cada vez mais próximos,
ficando cheias de sombras. A fuligem da queima de carvão, além de poluir, dificultava a
passagem dos raios solares. Crianças da Inglaterra e do norte da Europa começaram a apresentar
deformações nos ossos, bolinhas na pele e má-formação dos dentes. Estavam sofrendo de
uma doença pouco conhecida até então: o raquitismo.
Em 1916, Harry Steenbock, da Universidade de Wisconsin, descobriu que a luz solar era a
resposta para o raquitismo. Surgiu então a moda da helioterapia (terapia da exposição solar), que
havia sido idealizada pela primeira vez pelo historiador grego Heródoto, no século I. Na Europa
e nos EUA, hospitais construíram solários e varandas para banhos de sol. Nessa mesma época,
outros pesquisadores queriam entender por que a Noruega, ao contrário dos países vizinhos,
registrava baixos índices de raquitismo. O segredo estava na dieta: os noruegueses se
alimentavam, principalmente, de peixes selvagens – e consumiam muito óleo de fígado de
bacalhau.
O bioquímico americano Elmer McCollum, também da Universidade de Wisconsin, analisou
esses alimentos e neles encontrou uma nova substância, que batizou de vitamina D. Os médicos
passaram a receitar óleo de fígado de bacalhau, alimento que contém uma quantidade
considerável da substância. A indústria do leite começou a fortificar o produto com vitamina D,
que pode ser sintetizada quimicamente ou retirada do sebo de ovelhas.
Mas, de lá para cá, aconteceram duas coisas. Primeiro, nosso estilo de vida passou a incluir cada
vez menos sol. Usamos protetor solar, nos cobrimos mais, ficamos mais tempo em locais
fechados. No Brasil, o consumo de protetor sextuplicou em menos de 15 anos. Por uma boa
causa, claro: proteger a pele do câncer. Só que isso derruba a produção de vitamina D. Aplicar
um filtro solar fator (FPS) 15 reduz em 98% a produção dessa vitamina.
A outra mudança foi na própria atmosfera terrestre. Um estudo feito na Índia comparou dois
grupos de bebês, com idades entre 9 e 24 meses. Todos seguiam a mesma dieta (as mães eram
vegetarianas, e os bebês se alimentavam de leite materno), eram da mesma etnia e tinham o
mesmo nível socioeconômico. A única diferença estava no ar. Um grupo morava num bairro
com alto nível de poluição atmosférica; o outro respirava ar mais puro. Os resultados foram
claríssimos – e chocantes. Os bebês do bairro poluído tinham 12 nanogramas de vitamina D por
mililitro de sangue. Os outros tinham 27, mais que o dobro. A poluição literalmente bloqueia a
luz solar, dificultando seu trabalho.
–
(Bruno Sousa/)
“Os compostos químicos que estão no ar absorvem parte dos raios UVB”, explica Lilian
Cuppari, pesquisadora da Unifesp e uma das autoras do estudo sobre a falta de vitamina D no
Brasil. Talvez nada ilustre melhor a importância do sol do que a história recente do Irã. Até a
Revolução Iraniana, o país era governado pelo xá Reza Pahlavi, amigo dos Estados Unidos.
Tudo era bem ocidentalizado, inclusive as roupas das pessoas.
Em 1979, o aiatolá Khomeini tomou o poder, instaurou um governo islâmico, e as mulheres
passaram a usar trajes tradicionais e recatados, que cobrem quase todo o corpo. O efeito sobre a
saúde foi imediato – e fortíssimo. Entre 1989 e 2006, o número de casos de esclerose múltipla
cresceu 800% no país (como mostrou um estudo realizado em 2013 pela Universidade de
Oxford).
Até a década de 1990, acreditava-se que a única função da vitamina D era contribuir para a
saúde dos ossos. Nos últimos anos, pipocaram novos estudos (foram mais de 2 mil só em 2014)
e hoje sabe-se que ela age em diversas partes do corpo: incluindo cérebro, coração, estômago e
pulmões. Ela retarda ou ajuda a evitar o aparecimento de Alzheimer e outras doenças
degenerativas, alivia a asma, evita demência, esquizofrenia e bipolaridade e reduz os riscos de
impotência sexual. Doenças cardiovasculares e infecciosas (como a tuberculose), diabetes,
autismo e doenças autoimunes (psoríase, artrite reumatoide, lúpus, entre outras) estão
relacionadas à falta de vitamina D. Um estudo da pediatra e neonatologista americana Carol
Wagner, da Universidade da Carolina do Sul, mostrou ainda que a vitamina D reduz em 50%
a possibilidade de complicações na gravidez. Ela interfere até no humor.
Um artigo publicado no British Journal of Psychiatry analisou os resultados de testes com 30
mil pessoas e concluiu que há uma relação entre falta de vitamina D e depressão. Sem falar no
câncer. Há pesquisas mostrando que a vitamina D desacelera a progressão do câncer de mama e
de próstata e pode até prevenir alguns tipos da doença. Também há indícios de que o
mesmo acontece com câncer de cólon, pâncreas, cérebro, bexiga, rins e leucemia. “A vitamina D
previne o câncer da mesma forma que a vitamina C previne o escorbuto (doença que causa
hemorragias bucais e perda dos dentes)”, empolga-se o médico americano Cedric Garland, da
Universidade da Califórnia. Para Garland, que participou de dezenas de estudos sobre o tema,
níveis corretos de vitamina D poderiam evitar até 80% dos casos de câncer.
Apesar de tantas evidências, a vitamina D ainda é alvo de muita polêmica. A maior parte das
sociedades médicas do mundo e dos órgãos responsáveis por definir as diretrizes para os
profissionais de saúde continua recomendando cuidado com o sol. Entenda por quê.
A polêmica do sol
Um dia acordei e não senti o lado direito do rosto. Tinha desenvolvido uma doença
incurável, que poderia me levar para a cadeira de rodas. Tudo indica que eu era vítima de
uma epidemia global: falta de vitamina D, causada pela falta de sol.
Por Daniel Cunha, com edição de Felipe van Deursen, Carol Castro e Bruno Garattoni
access_time1 ago 2019, 20h03 - Publicado em 6 dez 2015, 14h15
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(Bruno Sousa/Superinteressante)
VITAMINA D
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Um dia acordei e não senti o lado direito do rosto. Achei esquisito, mas não dei muita
importância. Nos dias seguintes, outras coisas foram acontecendo. Primeiro, perdi toda a
sensibilidade no lado direito do corpo. Fiquei com falta de equilíbrio, visão turva, confusão
mental. Não conseguia levantar da cama. Depois de dois meses de internações e exames, veio
o diagnóstico: eu tinha esclerose múltipla, ou seja, meu sistema imunológico estava atacando
meu próprio cérebro e a medula espinhal. Desenvolvi uma doença degenerativa, sem cura, que
poderia me jogar em uma cadeira de rodas em menos de uma década. Um cenário desolador.
Uma vez por semana eu tomava injeções de interferons (proteínas de defesa produzidas pelo
próprio corpo), que acabavam por suprimir meu sistema imunológico.
A cada aplicação eu tinha uma febre forte e ficava prostrado pelos dois dias seguintes. Todas as
semanas, eram dois dias perdidos. Parei de trabalhar e caí em uma amarga depressão. Eu tinha
24 anos. Meses depois, minha mãe viu a entrevista de um médico na internet. Ele se chama
Cícero Coimbra, é neurologista da Unifesp, e tinha uma teoria diferente sobre a minha doença –
para ele, um simples tratamento com vitamina D poderia ser a solução.
Comecei o tratamento com uma megadose dessa vitamina: 50 mil UI (unidades internacionais)
por dia, cerca de oitenta vezes mais do que a dose diária recomendada. Segundo Coimbra,
pacientes com doenças autoimunes, como a esclerose múltipla, têm características genéticas que
dificultam a absorção de vitamina D, daí a necessidade de doses tão grandes.
“Nossa expectativa é que em seis meses, quando você tiver atingido o efeito completo do
tratamento, a doença entre em remissão permanente, sem novas crises”, afirmou Coimbra. Era
quase um milagre diante das outras perspectivas para essa “doença sem cura”. Optei por
abandonar as injeções e, com elas, meu sofrimento semanal. Mas havia um risco. Com uma dose
tão alta, o corpo passa a absorver mais cálcio dos alimentos e os rins podem ficar
comprometidos. Para lidar com isso, tenho que beber pelo menos 3 litros de água ou suco e
abandonar o leite e seus derivados ricos em cálcio. Sacrifício bem pequeno para o benefício que
colhi. O tratamento está dando muito certo. A doença estacionou e, há cinco anos só com a
vitamina D, nunca mais tive sintoma algum. Meus resultados já impressionam os
neurologistas que não acreditavam que isso seria possível. Imagine então o que pensam ao se
depararem com casos de pacientes que tinham ficado cegos e recuperaram a visão, ou que
tinham deixado de andar e levantaram da cadeira de rodas, só seguindo o tratamento da vitamina
D. Perto disso, ter a “minha doença controlada” é muito pouco.
Essa é a minha história. E você talvez tenha algo em comum com ela. Um estudo feito em 2010
pela USP constatou que nada menos do que 77,4% dos paulistanos apresentam deficiência de
vitamina D durante o inverno (no verão o número cai, mas continua altíssimo: 37,3%). Ou seja:
é bem possível que você tenha falta de vitamina D – e nem saiba disso. “Provavelmente, esse é o
problema médico mais comum no mundo hoje”, diz o endocrinologista Michael Holick, da
Universidade de Boston. Em Pequim, o problema afeta 89% das adolescentes – e 48% dos
idosos. Na Índia, 84% das grávidas – e assustadores 96% dos bebês. Nos Estados Unidos, 29%
dos adultos. Em Recife e Salvador, metade das mulheres.
Os dados, que vêm de diversos estudos locais, já que não há uma pesquisa global que envolva
grandes populações, variam bastante, mas todos apontam na mesma direção. O mundo está
vivendo uma ‘epidemia’ de baixa vitamina D. E isso parece estar ligado a uma quantidade
impressionante de doenças: de depressão a diabetes, de esclerose múltipla (como a minha) a
câncer, da dor crônica a Alzheimer. Já vamos falar sobre isso. Mas antes: por que está faltando
vitamina D?
A vitamina da discórdia
Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia “o único benefício reconhecidamente ligado à
vitamina D é sua relação com a saúde óssea”. Assim como a maioria dos dermatologistas do
mundo, ela não recomenda a exposição aos raios solares. “Caso a pessoa tenha carência de
vitamina D, sugerimos que tome isso de forma exógena, por meio de suplementos, em função
dos riscos envolvidos”, diz a dermatologista Flávia Ravelli, da SBD.
Alguns estudos parecem dar razão aos céticos. Uma revisão de mais de 400 estudos realizada na
França concluiu que a suplementação da vitamina não trouxe benefícios significativos na
diminuição do risco de doença cardiovascular, câncer nem fraturas. Segundo os autores, a
deficiência de vitamina D é consequência de doenças, não sua causa. Quem defende a
vitamina diz que a maioria dos estudos usou doses muito baixas, de 2 mil UI por dia, e que seria
preciso tomar pelo menos 4.500 UI para ter algum efeito na prevenção de doenças.
Como afirma Michael Holick em um de seus livros sobre a vitamina D, “se o corpo pudesse
declarar o método preferido para a obtenção da sua dose diária de vitamina D, ele com certeza
aplaudiria de pé a opção do sol em vez de um frasco de pílulas”. Afinal, esse inteligente
processo de autorregulação não deve ter sido aperfeiçoado pelo nosso organismo à toa. Outro
ponto importante é que o corpo não se intoxica com a vitamina D gerada pela luz do Sol, mas
pode se intoxicar com a vitamina D proveniente da suplementação (é o risco do excesso de
cálcio que eu preciso controlar no meu tratamento).
A maioria dos oncologistas, neurologistas, psiquiatras e outros médicos que poderiam se
beneficiar da vitamina D nem sabe de seu potencial. Por ser uma substância encontrada na
natureza, ela não pode ser patenteada, e, portanto, pode-se imaginar que não atraia a atenção dos
grandes laboratórios farmacêuticos, maiores patrocinadores das pesquisas e dos congressos
médicos.
Mesmo não sendo aceito pela Academia Brasileira de Neurologia, que pede por mais estudos, o
protocolo da vitamina D para doenças autoimunes desenvolvido por Cícero Coimbra se mantém
principalmente pela popularidade entre os pacientes. Ele já tratou mais de 2,5 mil pessoas com
esclerose múltipla desde 2002, bem como pacientes com lúpus, artrite reumatoide, psoríase,
vitiligo e várias outras doenças.
O sucesso fez com que outros médicos o procurassem para aprender o protocolo, e hoje mais de
20 profissionais espalhados pelo Brasil e outros no exterior (Argentina, Peru, Itália, Portugal) já
aplicam o tratamento. Há relatos de outras experiências usando doses altas de vitamina D pelo
mundo, geralmente para pesquisas pontuais. Mas nada se compara à consistência do que vem
sendo feito por aqui.
Vários pacientes vem tendo bons resultados. Como Wagner, que foi diagnosticado com
esclerose múltipla em 2007. Começou a fazer o tratamento convencional, teve muitos efeitos
colaterais e nenhuma evolução, e em 2013 foi parar numa cadeira de rodas. Começou um
tratamento com vitamina D e voltou a andar. Rafhael estava havia sete anos sem fazer
caminhadas. Com quatro meses de tratamento, já conseguia jogar bola com os filhos. Juliana,
que tinha dores terríveis por causa da artrite reumatoide e mal conseguia cuidar do filho, hoje
coloca diariamente no Instagram fotos em posturas de ioga
quase impossíveis. Fernanda, que sofre de dor crônica, começou a tomar a vitamina há sete
meses, e melhorou. Átila, que tinha pneumonia e bronquite asmática desde a infância, também.
Mesmo caso de Damaris e Maria Cecília – que tinham casos graves de lúpus (uma doença
autoimune que afeta pele, articulações e rins) e melhoraram depois de começar tratamento com a
vitamina. Há dezenas de relatos como esses.
De minha parte não há nenhuma dúvida. Tive alta e nunca mais apresentei qualquer sintoma
da doença. E raramente tenho gripes ou resfriados, antes tão comuns. Não sei quando (ou
se) deixarei de tomar as altas doses de vitamina D. Mas elas certamente são melhores que as
injeções. Hoje até existem tratamentos à base de remédios orais, com chances de melhores
resultados. Mas ainda possuem muitos efeitos colaterais, além de custarem muito caro.
No fim da história, se eu pudesse dar uma só dica sobre o futuro seria esta: tome um pouco
de sol. Não muito: 15 minutos, sem protetor solar, bastam para a maioria das pessoas (sempre
tendo o cuidado de não passar do ponto e ficar vermelho, o que é perigoso). Quanto maior a
região do corpo exposta, maior será a produção. Não precisa expor o rosto – que é muito
sensível e tem uma área relativamente pequena, portanto produz pouca vitamina D. Tomar sol
nos braços e nas pernas já está bom. “Esperar o ônibus no ponto sem protetor já é capaz de
elevar significativamente as taxas”, explica a médica Lilian Cuppari.
Cada vez mais gente concorda com isso. O médico Walter Feldman, por exemplo. Ex-deputado
federal, ele apresentou um projeto de lei para garantir aos trabalhadores, presos, estudantes e
pacientes de hospitais, que passam mais de seis horas ininterruptas em ambientes fechados, o
direito de tirar 15 minutos de descanso, antes das 16h, para tomar sol. Em 2010, o Ministério da
Saúde americano aumentou a dose diária recomendada para pessoas saudáveis, que passou de
400 para 600 UI (no caso de idosos, 800 UI). Em 2013, a Europa fez uma mudança similar.
Ainda é muito pouco – basta lembrar que, em apenas 15 minutos de exposição ao sol, podemos
produzir mais de 10 mil UI.
Diferenças à parte, o importante mesmo é pegar o caminho de volta. Por mais que tenhamos nos
esquecido disso nas últimas décadas, entocados em prédios, lambuzados de protetor solar, o Sol
é o guia da nossa vida. Talvez seja hora de retomar essa antiga amizade.
Quanto sol tomar?
Não é preciso, nem aconselhável, ficar torrando. Alguns minutos bastam:
Como o sol vira vitamina
Nosso corpo faz algo que parece mágica: sintetiza um elemento químico usando apenas luz.
1- O sol: os raios ultravioleta B penetram na pele, e reagem com uma substância presente nela: o
7-Dehidrocolesterol, que se transforma em vitamina D3.
2 – O fígado: a vitamina cai na corrente sanguínea e vai até o fígado, onde é transformada em
outra coisa: calcifediol.
3- Os rins: o calcifediol vai para os rins, onde é convertido em calcitriol, a forma ativa da
vitamina D. Ela está pronta — e é distribuída pelo corpo por meio do sangue.
Efeitos da vitamina D no
organismo
A vitamina D está envolvida em vários processos essenciais para o funcionamento do
corpo
Por Daniel Cunha, com edição de Felipe van Deursen, Carol Castro e Bruno Garattoni
access_time1 ago 2019, 19h58 - Publicado em 6 dez 2015, 16h45
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(Bruno Sousa/Superinteressante)
VITAMINA D
Parte 1 | Parte 2 | Parte 3 | Parte 4
Nos ossos
Resistência. A vitamina D é usada como matéria-prima pelos osteoblastos e osteoclastos, que
fabricam o tecido ósseo e eliminam partes danificadas. sem ela, os ossos ficam quebradiços ou
malformados.
No coração
Limpeza. A vitamina D aparentemente aumenta a produção de renina plasmática, substância
química ligada ao controle da hipertensão arterial (e, consequentemente, às doenças cardíacas).
No cérebro
Atividade. Neurônios de certas regiões, como o hipocampo e o córtex cingulado, supostamente
usam a vitamina d para produzir proteínas. Há estudos que relacionam a falta dela com
Alzheimer, autismo e depressão.
No sistema imunológico
Controle. A vitamina D parece fazer efeito sobre algumas doenças autoimunes, como esclerose
e asma. nesse tipo de doença, o sistema imunológico fica hiperativo – e ataca as células do
próprio organismo.
No câncer
Proteção. Há pesquisas que relacionam altos níveis de vitamina D com menor incidência de
câncer, e um estudo mostrando o efeito dela sobre células tumorais.
O sol na comida
Além do Sol, a vitamina D também pode ser obtida por meio de certos alimentos. Veja os principais
Quantidade recomendada por dia: 600 ui* (unidades internacionais):
* Quantidade recomendada pelo Ministério da Saúde dos EUA e pela maioria dos médicos. Para a
Grassroots Health, defensora da vitamina D, seriam necessárias doses diárias de 4 mil a 5 mil UIs.
Vitamina D: Quanto devemos tomar por dia?
Sabemos que a vitamina D é uma substância particularmente importante para muitas funções do
nosso corpo, e que podemos sintetizá-la tomando sol, comendo determinados alimentos ou
integrarmos a sua quantidade diária recomendada, através da suplementação. Mas qual é a
quantidade diária de Vitamina D que devemos tomar para nos mantermos saudáveis?
Uma série de estudos clínicos revelou que tomar uma dose justa de Vitamina D prolonga a
vida. Segundo o Dr. Michal Greger, conhecido médico norte-americano e autor de vários livros
sobre nutrição e bem-estar, existe uma relação entre baixos níveis de vitamina D no corpo e
aumento da mortalidade, mas a relação é a mesma nos casos em que existe excesso desta
substância no corpo.
O problema é que muitas vezes não sabemos quanto de vitamina D realmente circula no sangue,
já que o exame para avaliar a presença dessa substância, não é um daqueles que são mais
frequentemente pedido pelos médicos. No entanto, às vezes este exame é prescrito para pessoas
idosas com maiores riscos de deficiência, mesmo que saibamos que até as crianças estão cada
vez mais expostas ao problema de não ter os níveis corretos de vitamina D no sangue (com
todos os riscos que isso acarreta).
Entre outras coisas, sustenta o Dr. Greger, que os resultados da análise da vitamina D pode
variar, e até muito, de um laboratório para outro no mundo (a mesma amostra de sangue pode
variar de menos de 20 para mais de 100 ng/mL).
No Brasil recentemente, os valores de referência da Vitamina D sofreram alterações. Agora, de
20 a 30 ng/mL são valores considerados normais. As deficiências estão nos valores abaixo de 10
ng/mL e a insuficiência, de 10 ng/mL até 20.
“Pacientes que estão entre as dosagens de 20 a 30 ng/mL não necessitam de reposição da
vitamina” segundo Carlos Eduardo dos Santos Ferreira, médico patologista clínico, diretor de
Ensino da SBPC/ML.
Índice
A importância da Vitamina D
Vitamina D: a quantidade diária necessária
Brasil carente de Vitamina D
Como metabolizar a Vitamina D através da exposição solar
E se o sol não for recomendado
O que a falta de Vitamina D pode causar
A importância da Vitamina D
A vitamina D é importante para a mineralização óssea, para a absorção do cálcio pelo organismo
e para o controle da perda do cálcio pela urina (dentes e ossos saudáveis); para a produção de
insulina (portanto para manter níveis saudáveis de glicose) e para a produção muscular. Além
disso, esta vitamina regula a quantidade ideal de fósforo e de cálcio no sangue.
Tais funções que esta vitamina desempenha, são importantes para previnir o aparecimento de
várias doenças, e para manter a saúde em dia.
Vitamina D: a quantidade diária necessária
Mas qual é a dose segura e ideal de vitamina D que devemos garantir para nosso corpo todos os
dias?
As doses dessa substância são geralmente expressas usando Unidades Internacionais (UI) ou
microgramas.
Se faz referimento à seguinte equivalência:
1 micrograma de vitamina D = 40 Unidades Internacionais
1 Unidade Internacional = 0,025 microgramas de Vitamina D
Segundo o Dr. Greger, cerca de 1000 UI por dia deveria trazer à maioria das pessoas a
quantidade ideal de 20 ng/mL). O problema é que nem todas as pessoas conseguem essa
quantidade de vitamina D tomando sol, através da alimentação ou dos suplementos e então, na
opinião do médico norte-americano, para atingir essa quantidade nos Estados Unidos seria bom
integrar 2000 UI de Vitamina D por dia, a dose que ele considera ótima e segura em termos de
toxicidade.
Naturalmente, as necessidades variam de acordo com a idade e outras condições específicas da
pessoa. Por exemplo, pessoas com sobrepeso, poderiam tomar até 3000 UI, enquanto pessoas
com mais de 70 anos que não estão suficientemente expostas ao sol, podem tomar suplementos
de até 3.500 UI.
De fato, as doses de vitamina D geralmente recomendadas são mais baixas que as indicadas
pelo Dr. Greger. Por exemplo, de acordo com uma Associação de Endocrinologistas italianos,
a necessidade de vitamina D varia de acordo com o seguinte esquema:
Do nascimento a um ano: 400 UI
Crianças a partir do primeiro ano: 600 UI
Adultos saudáveis: 1000-1500 UI
Idosos: 2300 UI
Brasil carente de Vitamina D
Se você estiver achando esse artigo inútil porque fala de um médico norte-americano e de uma
associação de endocrinologistas italianos, calma que vamos chegar ao Brasil. Na verdade a
carência de Vitamina D é geral aqui e no mundo inteiro porque hoje em dia as pessoas não se
expõem mais ao sol, estão sempre fechadas nos escritórios e, além disso, a exposição solar para
fins de sintetizar a Vitamina D deve ser criteriosa. Vamos lá:
Segundo o endrocrinologista brasileiro Fabiano Sandrini – que trabalha para a empresa Dasa,
que é proprietária de 25 laboratórios de análises clínicas em 13 estados brasileiros, de norte a
sul, e que levantou dados sobre a carência de Vitamina D em nosso país – aproximadamente
60% dos brasileiros têm insuficiência ou defiência de Vitamina D.
Como isso seria possível num país ensolarado como o nosso? Porque não basta ter sol, é preciso
tomar sol! Veja como:
Como metabolizar a Vitamina D através da exposição solar
Para sintetizar a vitamina D através da exposição solar, é preciso saber o tom de pele, a estação
do ano e o horário ideal para se expor ao sol.
1. Cor da pele: quanto mais clara for a pele, menos tempo é necessário ficar ao sol. 15 a 20
minutos é o tempo médio.
2. Partes expostas: não basta uma caminhadinha de casa ao ponto de ônibus para sintetizar a
Vitamina D porque é necessário uma grande extensão de pele para conseguir esta proeza:
exponha braços, pernas, abdomen e costas, e não use nenhum tipo de protetor solar. Portanto,
ficar estirado no sol na praia tampouco sintetiza se você estiver coberto de protetor que impede a
metabolização da vitamina.
3. Horário: parece loucura mas o melhor horário é ao mesmo tempo o pior: das 10:00 às 15:00
por causa do ângulo de incidência dos raios. 15 minutos de alta exposição solar não vai trazer
prejuízo à pele, mas depois disso sim. Então depois de sintetizar a vitamina D, é hora de cuidar
da pele e passar o filtro solar. Antes das 10:00 da manhã e depois das 3:00 da tarde o corpo não
metaboliza a Vitamina D.
E se o sol não for recomendado
Como vimos, apesar de o nosso país ser muito ensolarado, 60% da nossa população é carente
ou ter insuficiência de Vitamina D. Porém, há pessoas que não podem fazer a terapia do sol,
porque são loiras, têm olhos azuis e histórico de câncer de pele na família. Estas pessoas devem
procurar um médico para conseguir a vitamina D de outra forma que não com a exposição solar
porque, como vimos, é preciso tomar uns 20 minutos de sol forte por dia para conseguir a dose
ideal diária desta vitamina que o corpo precisa.
O que a falta de Vitamina D pode causar
Procure um médico para fazer os exames de rotina e peça pelo exame da Vitamina D. Os
sintomas mais comuns da sua carência são fadiga, fraqueza muscular e dores. Baixa imunidade
(ficar sempre gripado, resfriado), ter alterações de concentração, de humor e de sono.
A falta de vitamina D causa problemas ósseos e pode causar diabetes, doenças
cardiovasculares, alguns tipos de câncer e até depressão. A sua carência também está
relacionada ao aparecimento de doenças autoimunes e doenças neurodegenerativas, doença
inflamatória intestinal e infecções bacterianas e virais.
Talvez um nutricionista possa ajudar a conseguir as doses diárias necessárias através da
alimentação – que inclui mormente alimentos de origem animal, portanto, atenção veganos!
provavelmente você irá precisar tomar suplementos de vitamina D.
Procure um médico para fazer as avaliações apropriadas e verificar se você precisa integrar, e o
quanto, de Vitamina D para se manter em boa saúde.