( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 1 - )
MANUAL TÉCNICO-PROFISSIONAL Nº 3.04.04/2020-CG
MTP 04
ABORDAGEM A VEÍCULOS
BELO HORIZONTE – MG
2020
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 2 - )
MANUAL TÉCNICO PROFISSIONAL
Nº 3.04.04/2020-CG
Abordagem a veículo
BELO HORIZONTE - MG
2020
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 3 - )
Direitos exclusivos da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais (PMMG).
Reprodução condicionada à autorização expressa do Comandante-Geral da PMMG.
Circulação restrita.
MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral.
Manual Técnico-Profissional nº 3.04.04/2020: Abordagem a
M663m veículos. Belo Horizonte: Comando-Geral, Assessoria Estratégica de
Operações (PM3). 2020.
96p.
1. Apresentação. 2. Considerações iniciais. 3. Táticas de abordagem a
Veículos. 4. Abordagem a veículos com características especiais. 5.
Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação.
CDD 353.3
CDU 351.81(815.1)
Bibliotecária responsável: Tatiane Krempser Gandra – CRB 6/2963
ADMINISTRAÇÃO
Comando-Geral da Polícia Militar
Quartel do Comando-Geral da PMMG
Cidade Administrativa Tancredo Neves, Edifício Minas,
Rodovia Papa João Paulo II, nº 4143 – 6º Andar, Bairro Serra Verde
Belo Horizonte – MG – Brasil - CEP 31.630-900
SUPORTE METODOLÓGICO E TÉCNICO
Assessoria Estratégica de Operações – PM3
Quartel do Comando-Geral da PMMG
Cidade Administrativa Tancredo Neves, Edifício Minas,
Rodovia Papa João Paulo II, nº 4143 – 6º Andar, Bairro Serra Verde
Belo Horizonte – MG – Brasil - CEP 31.630-900
E-mail:
[email protected]( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 4 - )
RESOLUÇÃO Nº 4.984, DE 08 DE OUTUBRO DE 2020
Aprova o Manual Técnico-Profissional n. 3.04.04/2020,
que regula a abordagem a veículos no âmbito da Polícia
Militar de Minas Gerais.
O CORONEL PM COMANDANTE-GERAL DA POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS, no
uso das atribuições que lhe são conferidas pelo inciso III do § 1º do art. 93 da Constituição
do Estado de Minas Gerais, de 21 de setembro de 1989, c/c o art. 28 da Lei Delegada n.
174, de 26 de janeiro de 2007, em conformidade com os incisos I, alínea “l”, e XI do art. 6º
do R-100, aprovado pelo Decreto Estadual n. 18.445, de 15 de abril de 1977,
RESOLVE:
Art. 1º - Fica aprovado o Manual Técnico-Profissional n. 3.04.04/2020 - MTP 04 -, que regula
a abordagem a veículos no âmbito da Polícia Militar de Minas Gerais.
Art. 2º - Ficam revogados:
I - a Resolução n. 4145, de 09 de junho de 2011;
II - o Memorando n. 30.385.3 - CG, de 13 de agosto de 2013.
Art. 3º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.
Belo Horizonte, 08 de outubro de 2020.
(a) RODRIGO SOUSA RODRIGUES, CORONEL PM
COMANDANTE-GERAL
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 5 - )
GOVERNADOR DO ESTADO
ROMEU ZEMA NETO
COMANDANTE-GERAL DA PMMG
CEL PM RODRIGO SOUSA RODRIGUES
CHEFE DO ESTADO-MAIOR DA PMMG
CEL PM EDUARDO FELISBERTO ALVES
CHEFE DO GABINETE MILITAR DO GOVERNADOR
CEL PM OSVALDO DE SOUZA MARQUES
CHEFE DA ASSESSORIA ESTRATÉGICA DE OPERAÇÕES
TEN CEL PM WAGNER ALAN DE MATTOS
COLABORADORES 1ª EDIÇÃO (2010)
CEL PM FÁBIO MANHÃES XAVIER
CEL PM ANTÔNIO LEANDRO BETTONI DA SILVA
TEN CEL PM MARCELO VLADIMIR CORRÊA
MAJ PM ALFREDO JOSÉ ALVES VELOSO
MAJ PM WÁGNER EUSTÁQUIO DA SILVA ALMEIDA
MAJ PM EDUARDO DOMINGUES BARBOSA
MAJ PM EDUARDO FELISBERTO ALVES
MAJ PM ÉDSON GONÇALVES
CAP PM ARNALDO AFFONSO
CAP PM MARCO AURÉLIO ZANCANELA DO CARMO
CAP PM QOS FABRÍZIA LOPES BRANDÃO PEREIRA
CAP PM RODOLFO CÉSAR MOROTTI FERNANDES
CAP PM RENATO SALGADO CINTRA GIL
CAP PM WANDERSON GARCIA COSTA NEVES
1º TEN PM ÉDSON H. RABELLO DE S. MENDES
1º TEN PM RODRIGO SALDANHA
1º TEN PM MOLISE Z. FONSECA DE SOUZA
1º TEN PM LUCIANA DO CARMO S. NOMINATO
2º TEN PM ANDERSON PEREIRA DE SOUSA
2º TEN PM RICARDO PEREIRA DE ARAUJO GOMES
1º SGT PM ANTÔNIO GERALDO ALVES SIQUEIRA
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 6 - )
2º SGT PM RINALDO ARAÚJO MARÇAL
3º SGT PM RICARDO MARTINS LOPES
3º SGT PM MÁRCIA DANIELA BANDEIRA SILVA
3º SGT PM NADJA ALVES DE SOUSA
3º SGT PM EDNA MÁRCIA COSTA MENDONÇA
CB PM ELIAS SABINO SOARES
SD PM LEONARDO GIORI DE OLIVEIRA
SD PM ALINE VANESSA ALVES
PROFº. HUGO DE MOURA
PROFª. MARIA SÍLVIA SANTOS FIÚZA
PEDAGª. ISABEL CRISTINA DE P. MOREIRA NAZARETH
ASS. JURÍDICA MARIA AMÉLIA PEREIRA
COLABORADORES 2ª EDIÇÃO (2013)
TEN CEL PM SÍLVIO JOSÉ DE SOUSA FILHO
MAJ PM EUGÊNIO PASCOAL DA CUNHA VALADARES
MAJ PM CLEVERSON NATAL DE OLIVEIRA
CAP PM RICARDO LUIZ AMORIM GONTIJO FOUREAUX
1º TEN PM HELIVELTON SALVADOR SANTANA
SUBTEN PM ANTÔNIO GERALDO ALVES SIQUEIRA
2º SGT PM DANILO TEIXEIRA ALCÂNTARA
2º SGT PM LUIZ HENRIQUE DE MORAES FIRMINO
CB PM ELIAS SABINO SOARES
COLABORADORES 3ª EDIÇÃO (2020)
REDAÇÃO
TEN CEL PM WAGNER ALAN DE MATTOS
TEN CEL PM PAULO ANTONIO DE MORAES PAULA
TEN CEL PM RODRIGO SALDANHA
TEN CEL PM SANDRO ALEX CANUTO GONÇALVES
MAJ PM WELVISSON GOMES BRANDÃO
MAJ PM PAULO BRUNO SOBRAL AGUIAR
CAP PM IRAN MARTINS DE OLIVEIRA
CAP PM MARCO FELIPE DA SILVEIRA
1º TEN PM JOSEMIR ROCHA DE ANDRADE
1º TEN PM PABLO SÉRGIO DE SOUZA CORREA
1º TEN PM CLÁUDIO JOSÉ VIRGÍLIO
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 7 - )
1º TEN PM BRUNO DINIZ CAMPOS
1º TEN PM HÉLIO LUIZ JUNIOR DE SÁ
1º TEN PM CRISTIANO CELESTINO DE SOUZA
1º SGT PM DANILO TEIXEIRA ALCÂNTARA
1º SGT PM SANDRO GONÇALVES MAIA
1º SGT PM CÉSAR AUGUSTO VILAÇA JÚNIOR
2º SGT PM DANIEL CORDEIRO RODRIGUES
FOTOGRAFIAS
CAP PM IRAN MARTINS DE OLIVEIRA
1º TEN PM CLÁUDIO JOSÉ VIRGÍLIO
1º SGT PM DANILO TEIXEIRA ALCÂNTARA
REVISÃO DOUTRINÁRIA
TEN CEL PM WAGNER ALAN DE MATTOS
1º TEN PM BRUNO DINIZ CAMPOS
3º SGT PM DANIELLE SUELI VENTURA
REVISÃO FINAL
TEN CEL PM WAGNER ALAN DE MATTOS
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 8 - )
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
BPMRv - Batalhão de Polícia Militar Rodoviária
CF - Constituição Federal
CG - Comando-Geral
CNH - Carteira Nacional de Habilitação
COPOM - Centro de Operações Policiais Militares
CPP - Código de Processo Penal
CPU - Coordenador de Policiamento da Unidade
CRLV - Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo
DGEOp - Diretriz Geral para Emprego Operacional
MG - Minas Gerais
MTP - Manual Técnico-Profissional
PM - Polícia/Policial Militar
PM3 - Assessoria Estratégica de Operações
PMMG - Polícia Militar de Minas Gerais
PRF - Polícia Rodoviária Federal
SOF - Sala de Operações da Fração
SOU - Sala de Opera
TAT - Tática de Aproximação Triangular
VP - Viatura Policial
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LISTA DE FIGURAS
Figura 1- Demarcação das áreas de abordagem ................................................................ 17
Figura 2 - Tática de Posicionamento Paralelo ..................................................................... 21
Figura 3 - Tática de posicionamento diagonal com 1 (uma) viatura..................................... 22
Figura 4 - Tática de Posicionamento Diagonal com 2 (duas) viaturas ................................. 23
Figura 5 - Posicionamento dos policiais militares para abordagem veicular com 1 (uma)
viatura ou 2 (duas) viaturas.................................................................................................. 24
Figura 6 - Aproximação na Tática de Posicionamento Paralelo .......................................... 26
Figura 7 - PM Vistoriador recebendo os documentos do motorista ..................................... 28
Figura 8 - Policiais militares realizando abordagem ............................................................ 29
Figura 9 - Motorista abrindo a porta traseira do veículo ...................................................... 30
Figura 10 - Abordado posicionado na área de busca (posição de contenção 1).................. 31
Figura 11 - Policial militar que ocupava a posição 1 realizando a varredura visual ............. 32
Figura 12 - Policiais militares realizam busca pessoal no abordado .................................... 33
Figura 13 - Dispositivo de uma viatura com 3 (três) policiais militares ................................. 34
Figura 14 - Dispositivo de uma viatura com 4 (quatro) policiais militares............................. 35
Figura 15 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 2 (dois) policiais militares em cada viatura
............................................................................................................................................ 36
Figura 16 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 2 (dois) policiais militares em cada viatura
utilizando a segunda viatura como abrigo ............................................................................ 36
Figura 17 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 2 (dois) policiais militares na primeira
viatura e 3 (três) policiais militares na segunda viatura ........................................................ 37
Figura 18 - Dispositivo de duas viaturas com 2 (dois) policiais militares na primeira viatura e
3 (três) policiais militares na segunda viatura utilizando a segunda viatura como abrigo ..... 38
Figura 19 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 2 (dois) policiais militares na primeira
viatura e 4 (quatro) policias militares na segunda viatura ..................................................... 39
Figura 20 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 2 (dois) policiais militares na primeira
viatura e 4 (quatro) policiais militares na segunda viatura utilizando a segunda viatura como
abrigo .................................................................................................................................. 39
Figura 21 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 3 (três) policiais militares na primeira
viatura e 4 (quatro) policiais militares na segunda viatura ................................................... 40
Figura 22 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 3 (três) policiais militares na primeira
viatura e 4 (quatro) policiais militares na segunda viatura utlilizando a segunda viatura como
abrigo .................................................................................................................................. 41
Figura 23 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 4 (quatro) policiais militares em cada ...... 42
Figura 24 - Dispositivo de abordagem com 3 (três) motociclistas policiais .......................... 45
Figura 25 - Dispositivo de abordagem com 2 (duas) motociclistas policiais ........................ 46
Figura 26 - Abordagem a motocicleta utilizando a Tática de Posicionamento Paralelo ....... 48
Figura 27 - Abordagem a motocicleta utilizando a Tática de Posicionamento Diagonal ...... 49
Figura 28 - Abordagem a motociclistas ............................................................................... 50
Figura 29 - Procedimento de busca pessoal na abordagem a motociclistas ....................... 51
Figura 30 - Policial militar divulga dicas de segurança aos passageiros.............................. 54
Figura 31 - Efetivo posicionado no Box para abordagem do ônibus com 1(uma) porta de
acesso ................................................................................................................................. 56
Figura 32 - Efetivo posicionado durante a parada do ônibus 2 (duas) ou 3 (três) portas de
acesso no Box ..................................................................................................................... 58
Figura 33 - Momento em que o PM Comandante determina o fechamento da porta central 60
Figura 34 - Momento em que o PM Comandante anuncia os motivos da abordagem aos
passageiros ......................................................................................................................... 61
Figura 35 - PM Revistador, no corredor do compartimento traseiro, revistando os pertences
de passageiro ...................................................................................................................... 62
Figura 36 - Momento da busca pessoal nos passageiros do ônibus ................................... 63
Figura 37 - Dispositivo para abordagem a ônibus nível 3 .................................................... 64
Figura 38 - Posicionamento dos policiais miliares durante abordagem a caminhão ............ 68
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 10 - )
Figura 39 - Posicionamento dos policiais militares durante abordagem a caminhão ........... 69
Figura 40 - Cerco com afunilamento em zigue-zague ......................................................... 81
Figura 41 - Cerco com afunilamento paralelo ...................................................................... 82
Figura 42 - Cerco com afunilamento diagonal ..................................................................... 83
Figura 43 - Bloqueio de pista com 2 (duas) viaturas e 4 (quatro) policiais militares ............. 85
Figura 44 - Tipos de limitadores de fuga (respectivamente “Cama de Faquir”, “Stop Stick”,
“barreira de segurança”, “bollards”)...................................................................................... 88
Figura 45 - Limitador de fuga tipo “cama de faquir” ............................................................. 89
Figura 46 - Dispositivo de cerco e posicionamento da “cama de faquir” .............................. 90
Figura 47 - Acionamento do limitador de fuga ..................................................................... 90
Figura 48 - Perfurações no pneu provocadas pela “cama de faquir” ................................... 91
Figura 49 - Parte interna do pneu, profundidade da agulha................................................. 91
Figura 50 - Bloqueio de pista, detalhamento da distância do limitador de fuga ................... 92
Figura 51 - Bloqueadores tipo postes/pilares ...................................................................... 94
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 11 - )
SUMÁRIO
1 APRESENTAÇÃO ............................................................................................................ 12
2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS ........................................................................................... 14
2.1 Níveis de abordagem a veículos ................................................................................. 15
2.2 Conceitos aplicáveis à área de abordagem a veículos ............................................. 16
2.3 Distribuição de funções .............................................................................................. 18
3 TÁTICAS DE ABORDAGEM A VEÍCULOS...................................................................... 19
3.1 Posicionamento das viaturas...................................................................................... 20
3.1.1 Tática de Posicionamento Paralelo ............................................................................. 20
3.1.2 Tática de Posicionamento Diagonal ............................................................................ 21
3.2 Posicionamento dos policiais militares ..................................................................... 23
3.3 Procedimentos gerais básicos ................................................................................... 25
3.3.1 Procedimentos para a Tática de Posicionamento Paralelo ......................................... 25
3.3.1.1 Visualização de fato ou conduta suspeita ................................................................ 28
3.3.2 Procedimentos para a Tática de Posicionamento Diagonal ........................................ 30
3.3.2.1 Variações da Tática de Posicionamento Diagonal ................................................... 33
3.3.2.2 Vistoria e Busca em veículos ................................................................................... 42
3.4 Abordagem a veículos utilizando motocicletas policiais .......................................... 44
3.4.1 Procedimentos com 3 (três) motocicletas policiais ...................................................... 44
3.4.2 Procedimentos com 2 (duas) motocicletas policiais .................................................... 45
4 ABORDAGEM A VEÍCULOS COM CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS ............................ 47
4.1 Motocicletas e similares .............................................................................................. 47
4.1.1 Procedimentos táticos para abordagem a motocicletas .............................................. 47
4.2 Abordagem a ônibus ................................................................................................... 52
4.2.1 Abordagem a ônibus nível 1........................................................................................ 53
4.2.2 Abordagem a ônibus nível 2........................................................................................ 54
4.2.2.1 Abordagem a ônibus sem roleta:.............................................................................. 55
4.2.2.2 Abordagem a ônibus com roleta............................................................................... 59
4.2.3 Abordagem a ônibus nível 3........................................................................................ 63
4.2.4 Busca em ônibus ........................................................................................................ 65
4.3 Abordagem a Caminhões ............................................................................................ 67
4.3.1 Abordagem a caminhões nível 1 ................................................................................. 67
4.3.2 Abordagem a caminhões níveis 2 e 3 ......................................................................... 68
5 OPERAÇÃO CERCO, BLOQUEIO E INTERCEPTAÇÃO ................................................ 70
5.1 Fundamentação legal .................................................................................................. 70
5.2 Planejamento e desenvolvimento ............................................................................... 73
5.2.1 Locais para realização Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação ............................ 74
5.2.2 Distribuição de Funções.............................................................................................. 75
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 12 - )
5.2.3 Comunicações e Logística .......................................................................................... 76
5.3 Procedimentos para a realização da perseguição policial........................................ 77
5.4 Providências para a realização de cerco policial ...................................................... 79
5.4.1 Montagem de dispositivo de cerco da via.................................................................... 80
5.5 Providências para a realização de bloqueio policial ................................................. 83
5.5.1 Montagem do dispositivo de bloqueio na via ............................................................... 84
6 LIMITADORES DE FUGA ................................................................................................ 87
6.1 Fundamentação legal .................................................................................................. 88
6.2 Emprego dos Limitadores de Fuga ............................................................................ 89
6.2.1 Uso do limitador de fuga no cerco ............................................................................... 90
6.2.2 Uso do limitador de fuga no bloqueio .......................................................................... 91
6.3 Outras possibilidades de uso dos limitadores de fuga ............................................. 92
6.4 Limitadores de fuga tipo postes ................................................................................. 93
6.5 Limitações no uso dos limitadores de fuga ............................................................... 94
REFERÊNCIAS ................................................................................................................... 96
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 13 - )
MANUAL TÉCNICO PROFISSIONAL Nº 3.04.04/2020 - CG
Abordagem a veículos
1 APRESENTAÇÃO
Em seu cotidiano operacional, o policial militar atende a diversas ocorrências envolvendo
pessoas no interior de veículos. Essas intervenções variam desde operações de caráter
educativo até ocorrências de alta complexidade, razão pela qual é imprescindível uma
doutrina de emprego.
O Manual Técnico-Profissional 3.04.04 (MTP 04) objetiva padronizar procedimentos
operacionais e orientar os policiais militares para a tomada de decisões sobre a tática mais
adequada nas abordagens a veículos, considerando os objetivos da intervenção, as
especificidades de cada tipo de veículo e o ambiente em que a abordagem será realizada.
Sua elaboração contou com contribuições de integrantes de toda a PMMG. As técnicas e
táticas apresentadas foram testadas por um grupo específico de policiais militares, que
analisaram e validaram a aplicabilidade dos procedimentos.
O conteúdo versa sobre situações rotineiras do patrulhamento e aponta detalhes
importantes que norteiam a conduta do policial militar, sem inibir sua discricionariedade.
Apresenta, ainda, dispositivos táticos para uma atuação segura, firme, e que respeite a
dignidade da pessoa humana, as liberdades, direitos e garantias fundamentais do cidadão.
A leitura deste Manual Técnico-Profissional (MTP) deve ser precedida da leitura do
conteúdo desenvolvido nos demais Manuais Técnicos-Profissionais, em especial, dos
MTP 01, MTP 02 e MTP 03.
A Seção 2 conceitua e classifica a abordagem veicular de acordo com os níveis de
intervenção policial, apresenta a fundamentação legal e os conceitos decorrentes da
aplicação dos princípios do pensamento tático nesse tipo de ocorrência.
Os procedimentos para abordagem a veículos estão apresentados na Seção 3, que traz
orientações sobre a aplicação da metodologia da avaliação de riscos, sobre os
procedimentos para o desenvolvimento e a execução das abordagens a automóveis, e
sobre a montagem de dispositivos e posicionamento dos policiais militares.
12
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 14 - )
Os procedimentos relativos à abordagem a veículos com características especiais
(motocicletas e similares, ônibus e caminhões) serão detalhados na Seção 4.
A Seção 5 discorre sobre a Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação.
Este documento faz parte de um conjunto de Manuais Técnicos-Profissionais
denominados Prática Policial Básica, a saber:
a) Manual Técnico-Profissional nº 3.04.01 – Intervenção Policial, Processo de Comunicação
e Uso da Força (MTP 01);
b) Manual Técnico-Profissional nº 3.04.02 – Abordagem a Pessoas (MTP 02);
c) Manual Técnico-Profissional nº 3.04.03 – Blitz Policial (MTP 03);
d) Manual Técnico-Profissional nº 3.04.04 – Abordagem a Veículos (MTP 04);
e) Manual Técnico-Profissional nº 3.04.05 – Escoltas Policiais e Conduções Diversas (MTP
05).
13
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 15 - )
2 CONSIDERAÇÕES INICIAIS
A abordagem a veículos é um tipo de intervenção policial, cujos procedimentos preveem a
aproximação dos meios de transporte de passageiros ou de carga, em via pública, com um
ou mais dos seguintes objetivos:
a) orientar e prestar assistência;
b) distribuir folders “Dicas PM” ou peças gráficas relacionadas à segurança pública;
c) fiscalizar documentos de porte obrigatório do condutor e do veículo;
d) vistoriar1 sinais veiculares e documentais;
e) averiguar os equipamentos obrigatórios;
f) notificar o condutor em casos de infração de trânsito;
g) adotar providências quanto ao estado de embriaguez do condutor;
h) realizar busca no veículo na tentativa de localizar produtos ilícitos;
i) efetuar a prisão de condutor e passageiros que possuam mandado de prisão em aberto,
que estejam em fuga ou em estado de flagrância;
j) realizar busca pessoal nos ocupantes dos veículos.
A abordagem a veículos se fundamenta no art. 5º da Constituição Federal (CF/88) e nos arts.
240 a 250 do Código de Processo Penal (CPP).
A vistoria e busca veicular2 e a busca pessoal são procedimentos que podem ocorrer ao
longo de uma abordagem a veículos, principalmente naquelas que se configuram
intervenções policiais militares de nível I (preventiva) e III(repressiva).
O art. 244 do CPP descreve que a busca pessoal independerá de mandado, e o art. 245
condiciona a necessidade de mandado apenas para a busca domiciliar. Portanto, nos
veículos em que o proprietário/condutor não utiliza como moradia, a busca pessoal e a
vistoria veicular independem da necessidade de mandado. Contudo, de acordo com os arts.
240 a 250 do CPP, esses procedimentos serão realizados nas situações em que houver
fundada suspeita.
1Vistoriar consiste na verificação de sinais veiculares como chassi, número de motor, carroceria, placas e outros,
com a finalidade de identificar adulterações e falsificações alusivas não somente ao veículo, mas também aos
documentos de porte obrigatório.
2A busca veicular consiste na verificação interna e externa do veículo abordado, por meio de revista nos
compartimentos suscetíveis a serem utilizados para esconder objetos ilícitos (MINAS GERAIS,2020).
14
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 16 - )
A suspeição pode advir de algum critério subjetivo (conduta do cidadão, denúncia anônima,
dentre outros) ou objetivo (dados do geoprocessamento como local, horário, veículo de tipo
ou modelo geralmente utilizado para prática de crimes, dentre outros).
Assim, durante uma abordagem a veículos, as buscas pessoal e veicular devem ocorrer de
forma fundamentada e não aleatória. Tais procedimentos têm como finalidade a prevenção
ou repressão qualificada a possíveis delitos, diante da suspeita de que alguém esteja
ocultando consigo os seguintes objetos:
a) arma proibida;
b) objetos obtidas por meios criminosos;
c) instrumentos de falsificação ou objetos falsificados e contrafeitos;
d) armas e munições, instrumentos utilizados na prática de crime ou destinados a fim
delituoso;
e) objetos necessários à prova de infração ou à defesa de réu;
f) qualquer elemento que demonstre indício de infração penal.
2.1 Níveis de abordagem a veículos
De acordo com a classificação das intervenções policiais apresentada no MTP 01, a
abordagem a veículos pode ser classificada em:
a) abordagem a veículo - nível 1
Será empregada nas ações e operações policiais de caráter educativo e assistencial (risco
nível I). Nesse caso, o estado de prontidão coerente é o atenção (amarelo).
Exemplos: distribuição de folders “Dicas PM”, no feriado de Carnaval; distribuição de folders
“Viagem Segura” em Blitz policial; policiais militares que prestam assistência a veículo na via.
b) abordagem a veículo - nível 2
Será empregada nas ações e operações de verificação preventiva (risco nível II) ou em fatos
que indiquem ameaça à segurança pública. É o caso das abordagens baseadas em
histórico de infrações (dados georreferenciados) ou situações em que a infração não foi
consumada, mas há indício de preparação para o seu cometimento. O estado de prontidão
coerente é o alerta (laranja).
15
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 17 - )
Exemplos: ações e operações de fiscalização de documentos e equipamentos obrigatórios;
abordagens de iniciativa, decididas com base na avaliação de riscos; denúncia de veículos
em locais ermos ou parados em frente a estabelecimentos comerciais, causando suspeição
de comerciantes; operações com parada de veículos para fiscalização de porte de armas,
busca e apreensão de drogas, dentre outros.
c) abordagem a veículo - nível 3
Será empregada nas ações e operações repressivas, caracterizadas por situações onde há
um elevado grau de perigo ou a certeza do cometimento de delito (risco nível III). O estado
de prontidão coerente é o alarme (vermelho).
Exemplos: veículo produto de furto ou roubo; veículo utilizado em sequestro; veículo
utilizado ou tomado de assalto; denúncia de ocupantes armados no interior do veículo;
veículo utilizado para fuga; veículo utilizado para transporte de drogas e outros produtos
ilícitos, dentre outros.
ATENÇÃO! Independentemente da situação, os componentes da
guarnição devem considerar que toda abordagem possui um risco
em potencial, devendo observar todas as orientações técnicas e
doutrinárias, mantendo um estado de prontidão coerente com cada
situação.
2.2 Conceitos aplicáveis à área de abordagem a veículos
Para proceder à abordagem a veículos, o policial militar deve observar os princípios do
pensamento tático, mapeando o local da intervenção em função da avaliação de riscos. (Ver
MTP 1). Nesse sentido, considere:
a) Área de contenção: é a área de abrangência da intervenção, em que os policiais
militares deverão manter constante monitoramento com objetivo de conter os abordados e
isolar o local contra a intervenção de terceiros. Nesta área se encontram a viatura, os
policiais, o veículo e os abordados;
16
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 18 - )
b) Área de segurança: é a área na qual a Polícia Militar tem o domínio da situação,
havendo, presumidamente, menores riscos à integridade física e à segurança dos policiais
militares. É o espaço onde o policial militar deve, primeiramente, se colocar durante a
intervenção, evitando se expor a perigos desnecessários;
c) Área de risco: nessa área, existem ameaças, reais ou potenciais, que colocam em risco
a segurança dos envolvidos, pelo fato de o policial militar não deter, ainda, o domínio da
situação. Numa abordagem dessa natureza, o policial não tem o domínio do espaço interno
do veículo, bem como de todo o espaço livre em torno dele (360º). Portanto, considera-se
todos esses espaços não dominados como área de risco;
d) Área de aproximação: é o espaço que corresponde a uma faixa de aproximadamente a
largura de um corpo humano, dentro da área de risco, que se inicia na altura do para-
choque traseiro (lado esquerdo ou direito) do veículo abordado e termina antes do raio de
abertura da porta do motorista ou das portas traseiras quando houver passageiros nos
bancos de trás. É o local que oferece menor risco ao policial militar durante a aproximação;
e) Área de alcance: é o espaço situado dentro da área de risco em que o policial militar
estará vulnerável à agressão física por parte de ocupantes do veículo (agressões com socos,
com chaves de fenda, trancas de carro, golpes com a porta, dentre outros). Essa área
compreende aproximadamente o raio de abertura das portas.
Figura 1- Demarcação das áreas de abordagem
Fonte: Elaborado pelo autor.
17
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 19 - )
f) Área de busca: é o espaço destinado à realização de busca pessoal, e será definido após
análise do local e avaliação de riscos, de forma a garantir segurança tanto para os policiais
militares quanto para os abordados.
g) Área de custódia: é o espaço definido pelos policiais militares, dentro da área de
contenção, para onde os abordados, serão encaminhados enquanto aguardam consultas de
dados, dos demais ocupantes do veículo, vistorias, entre outros. Recomenda-se que esses
locais não possuam pontos de escape que permitam uma possível evasão dos abordados.
2.3 Distribuição de funções
Para melhor compreensão dos procedimentos relativos à abordagem a veículos, aplicam-se
as seguintes funções:
a) PM Comandante: é o policial militar de maior posto ou graduação ou o mais antigo,
responsável direto pela coordenação e controle da operação.
b) PM Verbalizador: é o policial militar responsável pela comunicação com os ocupantes do
veículo abordado;
c) PM Vistoriador: é o policial militar que procede à abordagem e mantém contato visual e
verbal com o condutor do veículo e seus passageiros. É também o responsável pela
verificação de documentos e vistoria do veículo;
d) PM Revistador: é o responsável pela realização da busca pessoal nos passageiros e
busca no veículo abordado durante a intervenção;
e) PM Segurança: é o responsável pela integridade e segurança dos componentes da
equipe.
ATENÇÃO! Um policial militar poderá acumular duas ou mais
funções das descritas no item anterior, conforme o tipo de veículo, os
objetivos a serem atingidos e o número de integrantes da equipe.
18
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 20 - )
3 TÁTICAS DE ABORDAGEM A VEÍCULOS
Na abordagem a veículos utilizando viaturas de 4 (quatro) rodas poderão ser empregadas 3
(três) táticas:
Tática de Posicionamento Paralelo;
Tática de Posicionamento Diagonal;
Tática de cerco, bloqueio e interceptação. Essa última será tratada na Seção 5 deste
MTP.
Normalmente, as abordagens a veículos ocorrem nas seguintes situações:
a) durante uma operação de blitz policial, quando a viatura e os policiais militares montam
um dispositivo apropriado para direcionar e diminuir a velocidade do fluxo do trânsito, de
forma a facilitar a escolha e a ordem de parada dos veículos pelo PM Selecionador, de
acordo com o objetivo e o nível da intervenção;
b) durante o patrulhamento, por acionamento ou de iniciativa, o comandante da guarnição,
decide pela realização da abordagem (parada ou em movimento);
c) durante perseguição policial, numa operação de cerco e bloqueio.
Toda e qualquer intervenção policial, seja simples ou complexa, deve ser precedida de
análise criteriosa das informações, de forma que sejam organizadas, trabalhadas e
transformadas em dados, aplicando-se a metodologia de avaliação de riscos. A classificação
de risco poderá ser alterada no transcorrer de uma intervenção policial, consoante elevação
ou diminuição da gravidade da ocorrência.
A análise prévia de todos os dados levantados e dos aspectos legais irá orientar os policiais
militares quanto à decisão de iniciar ou não a abordagem e quanto à escolha dos
dispositivos táticos e ao emprego de níveis de força, coerentes com a situação apresentada.
ATENÇÃO! Recomenda-se evitar a abordagem em regiões com
grande fluxo de pessoas. Em aclives e declives acentuados as
abordagens também podem oferecer risco a todos os envolvidos.
19
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 21 - )
Os procedimentos iniciam-se com a ordem de parada, caso o veículo a ser abordado esteja
em movimento, utilizando a verbalização e sinais sonoros e gestuais. Durante uma operação
blitz policial, o PM Selecionador levanta o braço direito e, como advertência, emite um silvo
longo para que os veículos diminuam a marcha. Quando estiver próximo, efetua 2 (dois)
silvos breves para que os veículos parem e aponta para o Box, local para onde o veículo
deve se dirigir para a abordagem.
Durante o patrulhamento, com a viatura e o veículo abordado em movimento, o giroflex e a
sirene devem ser ligados e o megafone deve ser utilizado para determinar à ordem de
parada.
Não havendo megafone, o motorista da viatura pisca os faróis e sinaliza com o braço
esquerdo. Caso o veículo não obedeça à ordem de parada ou tente evadir-se, siga os
procedimentos descritos no MTP 03 em caso de operação policial Blitz ou a Seção 5 deste
Manual para desencadeamento da Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação.
3.1 Posicionamento das viaturas
O posicionamento das viaturas é um fator importante para proporcionar maior segurança
aos policias militares, melhorar a visualização do veículo abordado, bem como facilitar o
processo de verbalização. Serão apresentadas nesse item as principais variáveis de
posicionamento de viaturas.
3.1.1 Tática de Posicionamento Paralelo
Esta tática deve ser empregada em abordagens nível 1, as quais tem caráter educativo ou
assistencial, ou ainda em operações preventivas com parada de veículos para fiscalização
de documentos e equipamentos obrigatórios.
Nessa tática a viatura será posicionada de 3 (três) a 5 (cinco) metros de distância do
veículo abordado de forma paralela em relação a calçada ou acostamento, à retaguarda
com a frente voltada e alinhada ao ponto de foco, conforme Figura 2.
20
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 22 - )
Figura 2 - Tática de Posicionamento Paralelo
Fonte: Elaborado pelo autor.
3.1.2 Tática de Posicionamento Diagonal
Consiste em tática a ser utilizada em abordagens a veículos nível 2 ou 3, criando-se a área
de segurança.
Esse posicionamento apresenta as seguintes vantagens:
a formação de uma área de segurança. A viatura será utilizada como abrigo, haja vista
que o bloco do motor, as rodas e as partes maciças oferecem proteção física aos policiais
militares;
criação de um espaço seguro para o trânsito dos abordados e do policial, evitando
atropelamentos;
o controle visual (pontos de foco e pontos quentes) das portas e janelas do veículo, sem
necessidade de exposição na área de risco;
uma posição segura para emprego da técnica de verbalização;
maior facilidade no caso de necessidade de uma saída rápida da viatura.
21
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 23 - )
Excepcionalmente, como variante ao padrão estabelecido para abordagens nível 2 ou 3,
podem ocorrer situações que impeçam ou prejudiquem esse posicionamento (vias estreitas,
grande fluxo de trânsito/tráfego dentre outros), obrigando a equipe a posicionar a viatura
paralela à via. Para isso, deverá ser observado:
I. espaço na via para desembarque e deslocamento dos policiais até as posições de
segurança;
II. visibilidade;
III. utilização de abrigos existentes no ambiente, como árvores, postes, caçambas ou outros
veículos.
a) Posicionamento com 1 (uma) viatura
A viatura será posicionada de 3 (três) a 5 (cinco) metros de distância à retaguarda do
veículo abordado, na diagonal em relação à via, com a parte frontal voltada para o sentido
da via.
Figura 3 - Tática de posicionamento diagonal com 1 (uma) viatura
Fonte: Elaborado pelo autor.
22
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 24 - )
b) Posicionamento com 2 (duas) viaturas
A primeira viatura será posicionada conforme descrito na alínea anterior e a segunda viatura
será posicionada na diagonal em relação à via, de 3 (três) a 5 (cinco) metros de distância
da primeira viatura.
Figura 4 - Tática de Posicionamento Diagonal com 2 (duas) viaturas
Fonte: Elaborado pelo autor.
c) Posicionamento com mais de 2 (duas) viaturas
Caso a intervenção ocorra com mais de 2 (duas) viaturas, a terceira viatura em diante
posicionará nas interseções ou cruzamentos, a fim de isolar o perímetro da abordagem.
3.2 Posicionamento dos policiais militares
Para atuar taticamente é necessário ajustar os recursos disponíveis ao ambiente para que
haja harmonia nas ações táticas de cada policial militar, proporcionando segurança e o
resultado desejável para cada abordagem. A seguir estão elencadas as posições que os
23
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 25 - )
policiais militares devem utilizar considerando a viatura como elemento que maximiza
segurança:
a) Posição 1 (P1): Posição do lado esquerdo da viatura, próxima ao motor, atrás da parte
frontal. Esta posição é o local mais adequado para a verbalização, dada a facilidade de
interlocução com o condutor do veículo abordado. Portanto, local ideal para se posicionar o
PM Verbalizador. O policial militar que ocupa a Posição 1 poderá ainda assumir a função
do PM Revistador/Vistoriador;
b) Posição 2 (P2): Posição à retaguarda da viatura pelo seu lado direito, próxima ao
parachoque. Proporciona coberta ao policial, sendo local mais indicado para ações do PM
Comandante/Segurança, principalmente com o efetivo de dois policiais;
c) Posição 3 (P3): Esta posição se destina ao PM Segurança da retaguarda. Além de
focar sua atenção para a retaguarda da viatura, dará cobertura ao PM Revistador durante a
busca pessoal. Nessa posição poderão permanecer um ou mais policiais militares, de
acordo com a quantidade de guarnições empregadas na abordagem, os quais poderão
ainda posicionarem à frente ou à retaguarda da viatura;
d) Posição 4 (P4): Posição destinada ao policial militar que dará cobertura ao PM
Verbalizador, auxiliando-o nas respostas táticas necessárias, devendo observar a postura
tática adequada. A localização dessa posição é variável, podendo o policial militar nessa
posição permanecer atrás do PM Verbalizador (motorista) ou do PM Comandante. Nessa
posição poderão permanecer um ou mais policiais militares, de acordo com a quantidade de
guarnições empregadas na abordagem.
Figura 5 - Posicionamento dos policiais militares para abordagem veicular com 1 (uma)
viatura ou 2 (duas) viaturas
Fonte: Elaborado pelo autor.
24
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 26 - )
ATENÇÃO! Além desses posicionamentos descritos, a fim de potencializar a
segurança, os policiais militares podem utilizar algum abrigo existente no
ambiente, como árvores, postes, caçambas ou outros veículos.
3.3 Procedimentos gerais básicos
Ao iniciar uma abordagem veicular, o policial militar deverá:
a) repassar ao COPOM ou correspondente a localização exata da guarnição;
b) procurar fazer com que o veículo abordado pare em um local fora da pista de rolamento
(ou onde haja menos tráfego);
c) estar atento quanto às possíveis rotas de fuga;
d) evitar abordar próximo a locais onde pessoas hostis possam interferir na abordagem;
e) à noite, quando possível, escolher locais já conhecidos e com luminosidade favorável;
f) verificar a existência de outros veículos, que poderão dar cobertura ao veículo abordado.
ATENÇÃO! Em que pese o Radiopatrulhamento Unitário consistir
numa variável de serviço do policiamento preventivo, este não
oferece condições de segurança à atuação policial-militar para a
realização da abordagem a veículos, devido ao efetivo empregado
(um policial). Caso haja necessidade de atuar repressivamente,
deverá solicitar apoio.
3.3.1 Procedimentos para a Tática de Posicionamento Paralelo
Os policiais seguirão pela área de aproximação estando os ocupantes do veículo ainda
embarcados. O PM Verbalizador estará com sua arma na posição 1 (arma localizada). O
PM Segurança estará com sua arma na posição 2 (arma em guarda baixa).
A disposição de um policial militar em cada lado do veículo abordado confere maior
capacidade de controle e segurança, sendo, portanto, tática dissuasiva de ação reativa por
parte dos ocupantes do veículo. O PM Verbalizador e o PM Segurança não devem se
manter apoiados ou mesmo encostados no veículo.
25
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 27 - )
Figura 6 - Aproximação na Tática de Posicionamento Paralelo
Fonte: Elaborado pelo autor.
O PM Verbalizador e o PM Segurança não devem se posicionar na área de alcance,
evitando assim uma possível agressão física (soco, uso de arma branca como faca, chaves
de fenda, trancas de carro, entre outros) por parte de algum dos ocupantes do veículo.
Na área de aproximação, o PM Verbalizador perguntará ao motorista do veículo abordado
o seu nome e onde se encontram os documentos de porte obrigatório, antes de solicitar que
os apanhe, facilitando assim um melhor controle dos seus movimentos.
Ao adentrar à área de aproximação o PM Verbalizador deve estabelecer uma comunicação
clara e objetiva. Segue um exemplo:
“— Polícia! Bom dia!”
“— Desligue o veículo;”
“— Abaixe os vidros;”
“— Ponha as mãos sobre o volante;”
“— Esta é uma operação preventiva;”
“— Qual o seu nome...?”
“— Senhor (a) ... (nome), onde se encontram os documentos de
porte obrigatório?”
26
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 28 - )
Aguarde resposta.
“— Senhor (a) ... (nome), pegue os documentos e me entregue.
Para sua segurança, não faça movimentos bruscos.”
ATENÇÃO! Conforme avaliação de risco, quando houver passageiro
no banco traseiro, o policial militar poderá se posicionar antes do raio
de abertura da porta traseira esquerda e determinar que o motorista
entregue os documentos ao passageiro, para que lhe sejam
repassados.
Com a mão livre, o PM Vistoriador deverá pegar os documentos e realizar as seguintes
ações:
a) vistoriar os documentos do veículo e do condutor: Certificado de Registro e
Licenciamento de Veículo (CRLV) e Carteira Nacional de Habilitação (CNH);
b) consultar prontuários dos ocupantes;
c) caso a consulta ocorra via rede de rádio da viatura, o PM Vistoriador deve certificar-se
que o PM Segurança está atento ao comportamento dos abordados, e ao chegar à viatura,
não deverá se colocar de costas para o veículo abordado. Ao retornar, seguirá os mesmos
procedimentos de segurança de uma nova abordagem, ou seja, abordar pela área de
aproximação e não se posicionar na área de alcance;
d) surgindo suspeição ou constatada alguma irregularidade a abordagem passa a ser
considerada como nível 2 ou 3 a depender da circunstância avaliada;
e) durante a abordagem, recomenda-se que o PM Segurança permaneça na área de
aproximação do lado direito do veículo, com arma na posição 2 (arma em guarda baixa),
com foco nas mãos e na movimentação do motorista e dos passageiros no interior do
veículo, de acordo com a avaliação de riscos.
Após fiscalizar os documentos de porte obrigatório, o PM Vistoriador devolverá ao condutor,
momento em que deverá agradecer a colaboração e auxiliá-lo a retornar ao trânsito. Se o
abordado manifestar algum comportamento de resistência, o policial militar deverá
considerar as orientações para verbalização e uso de força descritos nos MTP 01, 02 e 03.
27
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 29 - )
Figura 7 - PM Vistoriador recebendo os documentos do motorista
Fonte: Elaborado pelo autor.
3.3.1.1 Visualização de fato ou conduta suspeita
Durante uma abordagem nível 1 o policial militar poderá vislumbrar algum fato ou
comportamento dos ocupantes do veículo que gerem fundada suspeita. Diante de uma
situação como essa, deve passar a considerar a intervenção como sendo nível 2 ou 3.
Dentre os motivos que justificam a fundada suspeita nos ocupantes do veículo, podemos
citar alguns:
a) movimentos bruscos e sugestivos de ocultação de objetos ilícitos;
b) informação de antecedentes criminais;
c) existência de mandado de prisão em aberto;
d) confirmação / detecção de veículo furtado;
e) identificação de adulteração de sinais veiculares ou de seus componentes (chassi, placas,
motor ou outro);
f) reconhecimento de cidadão infrator contumaz;
g) percepção de odores sugestivos de substância entorpecente.
A partir de então o policial deve manter uma postura firme com voz moderada, fala fluente e
persuasiva. Os policiais devem controlar os pontos quentes do veículo abordado e procurar
por um abrigo no ambiente, podendo recuar para a retaguarda da viatura.
28
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 30 - )
Em seguida, devem ordenar aos ocupantes que desçam do veículo, um a um, a começar
pelo condutor e posteriormente os passageiros, preferencialmente nessa ordem. Os
abordados devem ser direcionados para a área de busca definida pelo policial (paredes,
muros, calçadas, atrás do veículo etc.).
Na sequência os policiais devem certificar-se de que não há mais nenhum ocupante no
veículo. Em seguida, realizam-se as buscas pessoais.
A busca no veículo só poderá ser iniciada após encerradas as buscas pessoais e os
abordados estiverem devidamente monitorados na área de custódia.
Se houver algum preso, este será algemado e colocado no compartimento de segurança.
Os demais abordados devem ser mantidos na área de custódia.
Figura 8 - Policiais militares realizando abordagem
Fonte: Elaborado pelo autor.
29
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 31 - )
3.3.2 Procedimentos para a Tática de Posicionamento Diagonal
Após o devido posicionamento, os policiais militares desembarcarão, fecharão as portas e
posicionar-se-ão, conforme a Figura 5.
Sugere-se a seguinte verbalização para o desembarque do abordado:
“— Atenção motorista, aqui é a Polícia!
“— Desligue o veículo!”
“— Abaixe os vidros!”
“— Ocupantes do veículo, ponham as mãos para fora! (frase pode
ser utilizada como blefe para induzir outros possíveis ocupantes a se
manifestarem).
“— Motorista, desça do carro e coloque as mãos sobre a testa!”
“— Com a mão esquerda, abra a porta traseira do seu veículo!” (as
portas permanecem abertas).
“— Vá para a calçada!”
“— Fique ajoelhado!” (ou deitado)
“— Motorista, quantas pessoas estão no veículo?”
Figura 9 - Motorista abrindo a porta traseira do veículo
Fonte: Elaborado pelo autor.
30
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 32 - )
Se a situação for avaliada como risco nível II, o abordado será colocado em alguma das
posições de contenção, conforme avaliação de riscos.
Figura 10 - Abordado posicionado na área de busca (posição de contenção 1)
Fonte: Elaborado pelo autor.
Caso intervenção seja classificada como risco nível III, o abordado será colocado na
posição de contenção 3 ou 4.
Havendo mais passageiros, estes devem ser desembarcados, um a um, utilizando
verbalização semelhante.
31
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 33 - )
Figura 11 - Policial militar que ocupava a posição 1 realizando a varredura visual
Fonte: Elaborado pelo autor.
Com os ocupantes do veículo desembarcados e dispostos na área de busca, o PM
Verbalizador com arma em pronta resposta progride pelo lado esquerdo do veículo
abordado realizando uma varredura até conseguir visualizar o interior do veículo. Não
havendo risco, o PM Verbalizador aproximará dos abordados para o início da busca
pessoal, quando assumirá a função de PM Revistador.
Caso identifiquem a presença de passageiro escondido no interior do veículo, deverão
executar o recuo tático e iniciar um novo processo de verbalização na área de segurança.
O policial militar que está ocupando a posição 2 monitora os abordados. Após o policial
militar que ocupava a posição 1 realizar a varredura no veículo, o policial da posição 2 irá
se aproximar dos abordados adotando a Tática de Aproximação Triangular (TAT).
32
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 34 - )
Figura 12 - Policiais militares realizam busca pessoal no abordado
Fonte: Elaborado pelo autor.
3.3.2.1 Variações da Tática de Posicionamento Diagonal
a) Dispositivo de 1 (uma) viatura com 2 (duas) policiais militares
No dispositivo com dois policiais, estes serão dispostos nas posições 1 e 2, conforme indica
a Figura 5 exercendo as funções destas posições. A viatura deverá posicionar-se na
diagonal em relação ao sentido da via, quando esta possibilitar, a uma distância de 3 (três) à
5 (cinco) metros à retaguarda do veículo abordado, de forma a oferecer uma área segura
para a atuação dos policiais militares.
b) Dispositivo de 1 (uma) viatura com 3 (três) policiais militares
No dispositivo com 3 (três) policiais militares, estes serão dispostos nas posições 1, 2 e 3,
conforme a Figura 13, exercendo as funções destas posições. A viatura deverá se
posicionar conforme descrito na alínea anterior de forma a oferecer uma área segura para a
atuação dos policiais militares.
33
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 35 - )
Figura 13 - Dispositivo de uma viatura com 3 (três) policiais militares
Fonte: Elaborado pelo autor.
c) Dispositivo de 1 (uma) viatura com 4 (quatro) policiais militares
No dispositivo com 4 (quatro) policiais, estes serão dispostos nas posições 1, 2, 3 e 4,
conforme Figura 14, exercendo as funções destas posições.
A viatura posicionará, conforme descrito na alínea “a” de forma a oferecer uma área segura
para a atuação dos policiais.
34
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 36 - )
Figura 14 - Dispositivo de uma viatura com 4 (quatro) policiais militares
Fonte: Elaborado pelo autor.
d) Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 2 (dois) policiais militares em cada viatura
A primeira viatura será posicionada conforme descrição da alínea “a”.
A segunda viatura posicionará à retaguarda da primeira viatura, também de forma diagonal
em relação à via à uma distância de 3 (três) a 5 (cinco) metros da primeira viatura e seus
integrantes ocuparão as posições 3 e 4.
Nesta configuração, o policial na posição 4 fará a cobertura do PM Verbalizador com as
atenções voltada para os abordados, enquanto o policial na posição 3 fará a segurança da
equipe com as atenções voltadas à retaguarda, conforme Figura 15 a seguir.
Mediante avaliação de risco do PM na posição 3, este poderá se posicionar à frente ou a
retaguarda da segunda viatura.
35
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 37 - )
Figura 15 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 2 (dois) policiais militares em cada viatura
Fonte: Elaborado pelo autor.
Conforme avaliação de risco, a equipe policial-militar poderá utilizar a segunda viatura como
abrigo contra agressões à retaguarda, conforme figura a seguir:
Figura 16 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 2 (dois) policiais militares em cada viatura
utilizando a segunda viatura como abrigo
Fonte: Elaborado pelo autor.
36
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 38 - )
e) Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 2 (duas) policiais militares na primeira viatura
e 3 (três) na segunda viatura
A primeira viatura posicionará conforme descrito na alínea “a”, enquanto a segunda viatura
posicionará à retaguarda da primeira, em diagonal em relação à via à uma distância de 3
(três) a 5 (cinco) metros.
O PM Comandante e o motorista da segunda viatura ocuparão a posição 4, dando
cobertura ao Comandante e ao motorista da primeira viatura, respectivamente.
O patrulheiro da segunda viatura ocupará a posição 3, à retaguarda da segunda viatura,
de forma a manter também a segurança do perímetro.
Mediante avaliação de risco do PM na posição 3, este poderá se posicionar à frente ou a
retaguarda da segunda viatura.
Figura 17 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 2 (dois) policiais militares na primeira
viatura e 3 (três) policiais militares na segunda viatura
Fonte: Elaborado pelo autor.
37
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 39 - )
Figura 18 - Dispositivo de duas viaturas com 2 (dois) policiais militares na primeira viatura e
3 (três) policiais militares na segunda viatura utilizando a segunda viatura como abrigo
Fonte: Elaborado pelo autor.
f) Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 2 (dois) policiais militares na primeira viatura e
4 (quatro) policiais militares na segunda viatura
A primeira viatura posicionará conforme descrito na alínea “a”, enquanto a segunda viatura
posicionará à retaguarda da primeira viatura, em diagonal em relação à via à uma distância
de 3 (três) a 5 (cinco) metros.
O PM Comandante e o motorista da segunda viatura ocuparão a posição 4, dando
cobertura ao Comandante e motorista da primeira viatura, respectivamente.
Os patrulheiros da segunda viatura ocuparão a posição 3, à retaguarda da segunda
viatura, de forma a manter também a segurança do perímetro.
Mediante avaliação de risco do PM na posição 3, este poderá se posicionar à frente ou a
retaguarda da segunda viatura.
38
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 40 - )
Figura 19 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 2 (dois) policiais militares na primeira
viatura e 4 (quatro) policias militares na segunda viatura
Fonte: Elaborado pelo autor.
Figura 20 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 2 (dois) policiais militares na primeira
viatura e 4 (quatro) policiais militares na segunda viatura utilizando a segunda viatura como
abrigo
Fonte: Elaborado pelo autor.
39
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 41 - )
g) Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 3 (três) policiais militares na primeira viatura e
3 (três) ou 4 (quatro) policiais militares na segunda viatura
A primeira viatura posicionará conforme descrito na alínea “b”, enquanto a segunda viatura
posicionará à retaguarda da primeira viatura, em diagonal em relação à via à uma distância
de 3 (três) a 5 (cinco) metros.
O PM Comandante e o motorista da segunda viatura ocuparão a posição 4, dando
cobertura ao Comandante e motorista da viatura principal, respectivamente.
O patrulheiro da segunda viatura ocupará a posição 3, à retaguarda da segunda viatura,
de forma a manter também a segurança do perímetro.
Mediante avaliação de risco dos policiais militares na posição 3, estes poderão se
posicionarem à frente ou a retaguarda da segunda viatura.
Figura 21 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 3 (três) policiais militares na primeira
viatura e 4 (quatro) policiais militares na segunda viatura
Fonte: Elaborado pelo autor.
40
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 42 - )
Figura 22 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 3 (três) policiais militares na primeira
viatura e 4 (quatro) policiais militares na segunda viatura utlilizando a segunda viatura como
abrigo
Fonte: Elaborado pelo autor.
h) Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 4 (quatro) policiais militares em cada viatura
A primeira viatura posicionará conforme descrito na alínea “c”, enquanto a segunda viatura
posicionará à retaguarda da primeira viatura, em diagonal em relação à via à uma distância
de 3 (três) a 5 (cinco) metros.
O PM Comandante da segunda viatura ocupará a posição 4, dando cobertura ao
Comandante da primeira viatura, respectivamente.
O motorista da segunda viatura e o patrulheiro que ocupava inicialmente a posição 3
posicionar-se-ão entre a primeira e a segunda viatura, com a arma na posição de guarda
baixa e a silhueta reduzida, servindo de apoio aos policiais militares que ocupam as
posições 1 e 2, com a atenção voltada para o veículo abordado.
Os patrulheiros da segunda viatura ocuparão a posição 3, à retaguarda da segunda viatura,
de forma a manter também a segurança do perímetro.
41
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 43 - )
Mediante avaliação de risco, os policiais militares na posição 3 poderão se posicionar à
frente ou à retaguarda da segunda viatura.
Figura 23 - Dispositivo de 2 (duas) viaturas com 4 (quatro) policiais militares em cada
Fonte: Elaborado pelo autor.
3.3.2.2 Vistoria e Busca em veículos
É Importante reafirmar a diferença entre os conceitos de busca veicular e vistoria:
a) Busca veicular: consiste na verificação interna e externa do veículo abordado, por meio
de revista nos compartimentos suscetíveis a serem utilizados para esconder objetos ilícitos.
A busca estende-se a quaisquer outros objetos que estejam com as pessoas no interior do
veículo.
b) Vistoria: consiste no processo de conferência do chassi, número do motor, carrocerias,
placas e outros sinais veiculares, verificando se estão dentro das especificações exigidas
pelas normas de trânsito.
Também é feita a análise dos sinais veiculares e dos documentos no sentido de verificar a
existência de adulterações ou falsificações, bem como vestigíos que indiquem a ligação do
veículo ou documentos a qualquer outro crime. A vistoria será externa e interna.
42
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 44 - )
A busca veicular será iniciada pelo porta-malas, prossegue para região destinada aos
ocupantes do veículo e finaliza no box do motor. O policial deverá se manter atualizado,
visto que existem diversos locais onde é possível ocultar objetos ilícitos no veículo.
Para a busca no porta-malas, caso suspeite que ali possa estar escondido um infrator ou
uma vítima, o PM Vistoriador se posicionará na extremidade direita traseira do veículo
abordado, com arma na posição 3 (guarda alta) e abrirá o porta-malas, enquanto recebe a
cobertura do PM Segurança.
Após a busca externa, se julgar conveniente, o PM Segurança se deslocará até a área de
custódia, onde determinará ao motorista do veículo abordado, após realizada busca
pessoal, que o acompanhe na busca interna. Caso o motorista esteja algemado e preso, o
PM Comandante poderá arrolar uma testemunha idônea para acompanhar a busca interna.
A consulta dos dados criminais dos abordados deverá ser realizada enquanto eles se
encontram na área de custódia. Se retardada essa medida haverá possibilidade de fuga se
algum deles estiver com mandado de prisão em aberto.
Ao final do processo da abordagem, o PM Comandante agradecerá a colaboração e
explicará a importância da abordagem policial para a manutenção da ordem pública.
Os recursos tecnológicos que estejam à disposição para comprovar a atuação legítima do
policial militar e a resistência do abordado poderão ser utilizados. Esses registros eletrônicos
só poderão ser utilizados de maneira oficial, sendo vedada a divulgação ou distribuição
destes à imprensa ou a outros órgãos.
Em casos de abordagens com baixa luminosidade, recomenda-se a utilização da lanterna
como recurso para ofuscamento da visão do abordado.
Os policiais podem se deparar com condutores ou ocupantes de veículos que apresentem
alguma limitação física ou mental. Tais fatores vão exigir do policial uma capacidade de
interpretar rapidamente sinais que indiquem essas condições.
Uma pessoa com deficiência ou até mesmo idosos e crianças podem trazer dificuldades de
andamento em uma abordagem policial. O policial deve manter-se calmo e procurar meios
de se comunicar e se fazer entender para alcançar os resultados desejados.
43
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 45 - )
3.4 Abordagem a veículos utilizando motocicletas policiais
Para abordagem a veículos utilizando motocicletas policiais, os procedimentos descritos
nesta Seção devem ser aplicados naquilo que couber. Especial atenção deve ser dada ao
posicionamento das mococicletas policiais em razão da limitação em utilizá-las como abrigo.
Nesse sentido, ao aproximar-se e determinar a parada do veículo abordado os policiais
militares adotarão os posicionamentos mostrados nas Figuras 24 e 25. Serão empregados,
no mínimo, 2 (dois) policiais militares para as abordagens de níveis 2 ou 3.
3.4.1 Procedimentos com 3 (três) motocicletas policiais
Considerando uma abordagem com 3 (três) motocicletas policiais, serão adotados os
seguintes procedimentos:
O PM Comandante se posicionará atrás do veículo abordado a uma distância de 3 (três)
a 5 (cinco) metros fora do alinhamento desse veículo, desembarcando imediatamente,
evitando ser atingido por um movimento de marcha à ré, adotando a posição de arma em
guarda alta ou pronta resposta, mantendo o controle do ponto de foco e monitoramento
dos pontos quentes. Na sequência, iniciará a verbalização, conforme o subitem 3.3.2, no
que couber.
O PM Segurança 1 manterá a mesma distância à retaguarda do veículo pelo lado direito
fora do alinhamento do veículo, podendo utilizar o passeio, alinhado ao PM Comandante,
aplicando a Tática de Aproximação Triangular, desembarcando imediatamente com a arma
na posição 3 ou 4.
O PM Segurança 2 posicionará a motocicleta a uma distância aproximada de 1,5 (um e
meio) metros à retaguarda da motocicleta do PM Comandante, na diagonal (45º) obstruindo
a faixa de trânsito atrás do veículo abordado. Deverá, em seguida, desembarcar da
motocicleta e se posicionar de modo a manter as atenções voltadas para a retaguarda, bem
como em condições de prestar eventual apoio à abordagem policial, conforme Figura a
seguir:
44
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 46 - )
Figura 24 - Dispositivo de abordagem com 3 (três) motociclistas policiais
Fonte: Elaborado pelo autor.
Os procedimentos para a verbalização, desembarque dos ocupantes do veículo, busca e
vistoria veicular são análogos para a abordagem com viaturas de 4 (quatro) rodas.
3.4.2 Procedimentos com 2 (duas) motocicletas policiais
Numa abordagem com 2 (duas) motocicletas policiais, o PM Segurança posicionará a
motocicleta a uma distância aproximada de 1,5 metros à retaguarda do PM Comandante,
na diagonal (45º), obstruindo a faixa de trânsito atrás do veículo abordado. Deve
desembarcar imediatamente com a arma na posição 3 ou 4, e se deslocará à frente e à
direita do veículo abordado, devendo se posicionar alinhado ao PM Comandante, aplicando
a TAT, conforme Figura a seguir:
45
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 47 - )
Figura 25 - Dispositivo de abordagem com 2 (duas) motociclistas policiais
Fonte: Elaborado pelo autor.
46
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 48 - )
4 ABORDAGEM A VEÍCULOS COM CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS
Esta Seção descreve os procedimentos para abordagem a motocicletas e ônibus, que por
suas peculiaridades demandam procedimentos específicos.
4.1 Motocicletas e similares
Com o passar dos anos, houve um aumento vertiginoso em crimes como homicídio, tráfico
de drogas e entorpecentes, sequestro relâmpago e, principalmente, na prática de assaltos,
envolvendo as motocicletas como meio de transporte.
Os motivos principais do uso de motocicletas em práticas criminosas são:
permitem transitar com rapidez entre veículos, mesmo em situações de
congestionamentos das vias;
permitem ao condutor transitar em becos, escadarias e vielas, bem como conversões
rápidas, em espaço reduzido e com poucas manobras, se a compararmos aos automóveis;
a utilização do capacete de segurança permite a aproximação dos criminosos sem
identificação;
rapidez para embarque e desembarque dos ocupantes em casos de fuga.
Frente a essas variáveis, as abordagens a motociclistas devem ser precedidas de um
planejamento cauteloso que considere, dentre outros aspectos, a avaliação de riscos. Essas
informações permitem ao policial militar prever possíveis reações do abordado.
Os procedimentos táticos e técnicos aqui apresentados darão ênfase à abordagem a
motocicletas, contudo, em situações de abordagem a ciclistas e triciclos, devem-se adotar
os mesmos procedimentos naquilo que couber.
4.1.1 Procedimentos táticos para abordagem a motocicletas
O procedimento de abordagem a motos apresenta a mesma dinâmica prevista para a
abordagem a veículos, destacando como diferença básica a obediência a algumas
premissas de segurança.
47
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 49 - )
Nestes casos, o comandante da equipe determinará que:
o condutor da motocicleta desligue seu veículo;
que todos os ocupantes da motocicleta desembarquem com as mãos na cabeça e se
postem à retaguarda dela.
Ressalta-se que os abordados não devem retirar os capacetes durante a abordagem, uma
vez que o equipamento limita o campo de visão, traz desconforto e favorece a segurança
policial durante a abordagem.
ATENÇÃO! Não é recomendável a realização de busca
pessoal com o abordado sobre a motocicleta.
Acrescentam-se os seguintes aspectos:
a) Procedimentos para a Tática de Posicionamento Paralelo
No procedimento de abordagem a motocicleta com tática de posicionamento paralelo da
viatura policial-militar observam-se, além das orientações já citadas no item 4.1, aplicam-se
os procedimentos descritos na Seção 3 no que couber.
Figura 26 - Abordagem a motocicleta utilizando a Tática de Posicionamento Paralelo
Fonte: Elaborado pelo autor.
b) Procedimentos para a Tática de Posicionamento Diagonal
Deve ser aplicado de forma análoga ao que já está descrito no item anterior, devendo o
policial militar certificar que a motocicleta foi desligada.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 50 - )
Em caso de motocicletas com 2 (dois) ocupantes, o passageiro será o primeiro a ser
desembarcado e conduzido à área de busca.
Durante a verbalização, desembarque e busca pessoal não há a necessidade de retirada
do(s) capacete(s) do(s) abordado(s).
Figura 27 - Abordagem a motocicleta utilizando a Tática de Posicionamento Diagonal
Fonte: Elaborado pelo autor.
c) Abordagem a motos utilizando motocicletas policiais
O procedimento de abordagem a motos utilizando motocicletas policiais-militares apresenta
o mesmo posicionamento já descrito neste item, ressaltando alguns cuidados que serão
tratados a seguir.
Estando os abordados na posição de busca atrás do veículo, os patrulheiros colocarão suas
motos no descanso lateral e desembarcarão, conforme a Figura 28.
49
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 51 - )
Figura 28 - Abordagem a motociclistas
Fonte: Elaborado pelo autor.
O PM Segurança, parado à frente e à direita do veículo abordado, providencia a busca
pessoal nos suspeitos, um por vez, conforme Figura 29.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 52 - )
Figura 29 - Procedimento de busca pessoal na abordagem a motociclistas
Fonte: Elaborado pelo autor.
Se no local da abordagem houver uma parede ou muro, os abordados podem ser colocados
com as mãos na parede para realização da busca pessoal.
Feita a busca pessoal e não sendo encontrado nada que expõe a risco a segurança da
equipe, o PM Comandante deverá:
retirar os abordados da via pública levando-os para a calçada;
posta-los em pé ou assentados com as mãos para trás;
fará breve entrevista com os abordados (se carrega algo ilícito, onde mora, se já foi preso,
entre outras perguntas);
no caso de trio de motocicletas policiais, durante o procedimento de entrevista, o PM
Segurança 2 deverá posicionar as motos junto a guia da calçada 45º ou 90° e recolher os
capacetes dos outros dois policiais.
Sendo constatado o cometimento de crime, os abordados deverão ser presos, algemados e
aguardarão no setor de custódia a chegada de uma viatura quatro rodas para a condução
dos presos.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 53 - )
Conforme a situação, a equipe poderá realizar a entrevista dos abordados em separado
para verificação de possíveis incoerências entre as respostas e elucidação dos fatos.
A equipe aguardará a saída da motocicleta abordada para posteriormente retornar ao
policiamento.
Ressalta-se que em algumas situações impostas pela dinâmica do trânsito as posições dos
motociclistas policiais podem se alternar. Nesses casos, o motociclista policial que estiver à
frente fará as funções de comandante e as demais funções deverão se ajustar conforme o
posicionamento dos demais policiais.
4.2 Abordagem a ônibus
Ônibus são veículos com capacidade para transportar passageiros em pé, em seu interior.
Tal característica impõe a necessidade de adoção de uma tática policial específica.
Por suas peculiaridades, qualquer delito que ocorra no interior dos ônibus, imediações ou
que atinja seus usuários, causa grande sensação de insegurança na comunidade,
principalmente quando envolve violência ou perturbação da ordem pública, que atinge um
grande número de vítimas.
Este tipo de transporte envolve um elevado fluxo de pessoas, variedade de linhas,
alternância de itinerários, bem como a circulação de bens e valores, que se transformam em
atrativo para cometimento de diversos tipos de delitos. O infrator ainda se apoia na
sensação de impunidade causada pela dificuldade de sua identificação no interior do
coletivo.
As ações criminosas podem causar reflexos diretos ou indiretos no sentimento de segurança
das pessoas. Nesse sentido, os crimes de furto, roubo, roubo a mão armada, bem como os
relacionados a eventos esportivos e greves, atingem diretamente os usuários dos coletivos.
Entretanto, alguns crimes influenciam indiretamente os usuários, que, apesar de não serem
atingidos no momento da ação delitiva, sofrerão suas consequências. É o caso do
transporte de substâncias entorpecentes e armas ilícitas, bem como de materiais
provenientes de contrabando e descaminho.
O policial militar precisa de um preparo específico que considere todas as particularidades
que envolvem a abordagem a coletivos, tais como: diferentes tipos de coletivos, capacidade
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 54 - )
de passageiros, diferentes finalidades do transporte. Geralmente, nesse tipo de intervenção,
o número de envolvidos será superior ao de policiais.
O ânimo dos passageiros é um aspecto que influenciará diretamente da avaliação de riscos
da equipe policial. Há uma diferença muito grande nas características de torcedores de
clubes de futebol indo para evento esportivo, os quais podem ter feito o uso de bebida
alcoólica ou outras substâncias, além de algum possível comportamento agressivo, em
relação a um ônibus com romeiros a caminho de celebrações religiosas.
O fato do ônibus possuir uma ou mais portas e estar ou não equipado com roletas
influenciará diretamente nas táticas de abordagem. Outros aspectos que impactarão nos
procedimentos de abordagem são a quantidade de passageiros e a possibilidade de
abertura das janelas.
As abordagens a ônibus, por suas características físicas e capacidade de transporte de
elevado número de passageiros, embora seja possível uma ação com 2 (dois) ou 3 (três)
policiais militares, em razão da urgência que ocorrem em algumas intervenções policiais e
do efetivo disponível na maioria das frações da PMMG, recomenda-se o efetivo de 4
(quatro) policiais militares, que assumirão o posicionamento tático, conforme o previsto no
3.3.2 (Tática de Posicionamento Diagonal), no que couber.
ATENÇÃO! Para efeito de segurança nas abordagens a coletivos
com mais de duas portas, independente da avaliação de risco (níveis
I, II e III), recomenda-se que a(s) porta(s) central(is) permaneça(m)
fechada(s).
4.2.1 Abordagem a ônibus nível 1
A abordagem a ônibus de nível 1 ocorrerá nas operações educativas e nas ações de caráter
assistencial.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 55 - )
Figura 30 - Policial militar divulga dicas de segurança aos passageiros
Fonte: Elaborado pelo autor.
Para essas operações, recomenda-se o emprego do dispositivo tático Blitz Policial, que
garante segurança e eficiência em operações com parada de veículos.
As abordagens de caráter educativo a ônibus, em sua maioria, ocorrem em operações
conjuntas com outros órgãos/instituições, por ocasião de campanhas de conscientização e
divulgação de temas de interesse coletivo.
As abordagens de caráter assistencial geralmente ocorrerão em ações isoladas de
guarnições básicas, por iniciativa ou empenho via COPOM ou correspondente.
4.2.2 Abordagem a ônibus nível 2
A abordagem a ônibus nível 2 se caracteriza por ações e operações de caráter preventivo
com parada de ônibus para fiscalizar documentos, equipamentos obrigatórios ou averiguar
pessoas em atitude suspeita, que possam estar conduzindo drogas, armas e outros
produtos ilícitos, bem como identificar infratores. Recomenda-se que seja utilizado o
dispositivo tático tipo Blitz Policial.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 56 - )
É importante reafirmar a necessidade de efetivo mínimo de quatro policiais militares para
abordagens a ônibus.
Nessas operações, os policiais militares não podem precisar se há ou não infratores no
interior dos ônibus. Essa averiguação ocorre durante a abordagem, por meio do
reconhecimento de cidadão infrator já conhecido no meio policial ou da confirmação de sua
identificação junto à central de comunicações.
No planejamento de operações preventivas, recomenda-se o emprego de quatro policiais
militares: 1(um) PM Verbalizador, 1(um) PM Revistador e 1(um) PM Segurança, que
adentrarão o coletivo, ficando o quarto policial militar da guarnição responsável pela
segurança externa.
Face às características físicas, para fins de estudo, dividiremos as abordagens a ônibus
nível 2, em 4 (quatro) variáveis:
4.2.2.1 Abordagem a ônibus sem roleta:
a) com uma porta de acesso
Após a parada do veículo, o PM Comandante, que será também o PM Verbalizador, se
aproximará da porta dianteira do ônibus e determinará ao motorista que abra a porta.
O segundo policial militar que assumirá a segurança interna posicionar-se-á próximo ao
PM Comandante.
O terceiro policial militar que assumirá a função de PM Revistador posicionar-se-á próximo
à parte central do ônibus sobre o passeio/acostamento com as atenções voltadas para o
interior do coletivo.
Um quarto policial militar posicionar-se-á sobre a calçada/acostamento, próximo a parte
traseira do coletivo, assumindo a função de PM Segurança externa, onde permanecerá
com a atenção voltada para o interior do ônibus e o perímetro do local da abordagem.
55
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 57 - )
Figura 31 - Efetivo posicionado no Box para abordagem do ônibus com 1(uma) porta de
acesso
Fonte: Elaborado pelo autor.
No interior do ônibus, é aconselhável que o PM Verbalizador se posicione próximo ao
assento do motorista, momento em que se identificará e anunciará o motivo da abordagem.
Recomenda-se a seguinte verbalização:
"— Senhores, bom dia (tarde/noite)! Eu sou o Cabo/ Sargento ...
(dizer posto / graduação e o nome), da Polícia Militar.”
“— Esta é uma operação policial preventiva. Com a colaboração de
todos, seremos breves!”
“— Senhores passageiros, para a segurança de todos, pedimos que
não façam movimentos bruscos.”
“— Coloquem as mãos sobre o encosto do banco da frente de
maneira que possamos vê-las.”
“— Se houver alguma autoridade presente, identifique-se!”
O PM Segurança interna que está junto com o PM Verbalizador (PM Comandante)
desloca-se para o fundo do corredor realizando varredura visual, de forma a identificar
possíveis situações de suspeição.
Ao chegar no fundo do ônibus o PM Segurança interna manterá a atenção voltada para o
interior do coletivo em direção à parte dianteira, não permitindo que nenhuma pessoa
permaneça à sua retaguarda.
56
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 58 - )
O PM Revistador ao perceber o deslocamento do PM Segurança interna adentrará ao
ônibus e realizará uma varredura visual deslocando até o fundo do ônibus, retornando em
seguida a fim de realizar as buscas que julgar necessárias em pertences dos ocupantes e
eventualmente uma busca ligeira, caso seja constatado um volume que sugira o porte de
arma com algum passageiro.
ATENÇÃO! Em regra, recomenda-se que a busca pessoal seja realizada
na parte externa em todas as variáveis de abordagem a ônibus.
É aconselhável que o PM Revistador posicione-se junto à lateral do encosto do banco do
abordado e inicie a verbalização a seguir:
“— Sr. (a)... Vou verificar sua bagagem. Há algum objeto ilícito ou de
valor em sua bolsa (mala)?”
Pode ser que o policial militar se depare com alguns objetos relativos à intimidade do
abordado que, se expostos, causarão constrangimentos. Nesse caso, atente-se ainda para
o fato de que o abordado seguirá no coletivo, se não houver nada de ilegal em seu desfavor.
Por isso, aja com profissionalismo e discrição.
Caso não encontre objeto ilícito, devolva a bolsa. Considere que pode haver bolsas, malas e
mochilas da pessoa em atitude suspeita no bagageiro interno, acima dos bancos, ou mesmo
embaixo dos assentos.
Identificada a necessidade de se realizar busca pessoal em passageiros, ela não deve ser
realizada no interior do coletivo. Há muitos fatores desfavoráveis à execução de busca
pessoal no interior de ônibus, sobretudo fatores referentes à segurança do policial, que pode
ser colocado em risco caso o abordado apresente resistência ativa com ou sem arma.
Sendo assim, diante da necessidade da busca pessoal nos abordados, estes devem ser
retirados do coletivo e conduzidos para a lateral do ônibus, que lhes servirá de anteparo
para apoiarem as mãos na posição indicada para a realização da busca.
No caso de ônibus interestaduais e intermunicipais, é importante realizar buscas nas malas
do(s) abordado(s), que se encontrarem no bagageiro externo. O Auxiliar de viagem ou
motorista do ônibus poderá ser acionado para a conferência da etiqueta de identificação da
bagagem e será arrolado como testemunha da ação policial.
57
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 59 - )
Após a averiguação, o PM Verbalizador agradecerá a colaboração dos ocupantes do
coletivo:
“— Senhores, a Polícia Militar deseja a todos uma boa viagem e um
bom dia!”
b) com 2 (duas) ou mais portas de acesso
Para essa abordagem recomenda-se o posicionamento tático com 4 (quatro) policiais
militares. Inicialmente, o posicionamento dos policiais militares será o seguinte:
- 1(um) PM Verbalizador e 1 (um) PM Revistador: parte dianteira do coletivo;
- 1(um) PM Segurança interna: parte traseira do coletivo;
- 1(um) PM Segurança externa: do lado externo, sobre a calçada, na parte central do
coletivo.
Após a parada do veículo, o PM Comandante juntamente com o PM Revistador, se
aproximará da porta dianteira do ônibus, solicitará ao motorista que abra apenas as portas
dianteira e traseira e que mantenha fechada(s) a(s) porta(s) central(is), quando houver.
Figura 32 - Efetivo posicionado durante a parada do ônibus 2 (duas) ou 3 (três) portas de
acesso no Box
Fonte: Elaborado pelo autor.
O PM Segurança interna adentrará no coletivo pela porta traseira e se posicionará no
fundo do ônibus, a fim de manter o controle visual sobre os passageiros para que o PM
Comandante e o PM Revistador executem os procedimentos, conforme alínea “a” deste
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 60 - )
subitem. Nesse ponto, cabe relembrar a necessidade de que o PM Segurança interna não
deixe que passageiros fiquem a sua retaguarda.
É aconselhável que o PM Segurança Externa se posicione sobre o calçada/acostamento,
próximo à porta central, se houver, onde permanecerá com a atenção voltada para o interior
do ônibus.
4.2.2.2 Abordagem a ônibus com roleta
a) Com 1 (uma) porta de acesso
Para essa abordagem serão realizados os procedimentos descritos no subitem 4.2.2.1,
alínea “a”, abordagem a ônibus com 1 (uma) porta de acesso e sem roleta.
Devido ao fato do PM Segurança interna e do PM Revistador terem que passar pela roleta
e, eventualmente, em razão da necessidade de desembarque de passageiros para
realização de busca pessoal na parte externa do coletivo, o PM Comandante deverá
constar no registro da atividade tal situação para fins administrativos.
b) Ônibus com 2 (duas) ou mais portas de acesso
Os ônibus que possuem roletas dividem o veículo em 2 (dois) compartimentos com 2 (duas)
ou 3 (três) portas, exigindo maior atenção para o controle visual e verbalização com os
passageiros. Para essa abordagem, recomenda-se o posicionamento tático com 4 (quatro)
policiais militares. Inicialmente, o posicionamento dos policiais militares será o seguinte:
1 (um) PM Verbalizador e 1(um) PM Revistador: parte dianteira do coletivo;
1 (um) PM Segurança interna: parte traseira do coletivo;
1 (um) PM Segurança externa: do lado externo, sobre a calçada, na parte central do
coletivo.
A busca será realizada em duas fases distintas. Em um primeiro momento será realizada
nos ocupantes da parte dianteira do veículo. Em seguida, a revista será realizada nos
passageiros da parte traseira, após a roleta, conforme será descrito a seguir.
A verbalização seguirá, no que couber, o adotado nos procedimentos de abordagem para
ônibus sem roleta.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 61 - )
Após a parada do veículo, o PM Comandante, juntamente com o PM Revistador,
aproximará da porta dianteira do ônibus, solicitará ao motorista que abra apenas as portas
dianteira e traseira e que mantenha fechada(s) a(s) porta(s) central(is), quando houver.
Figura 33 - Momento em que o PM Comandante determina o fechamento da porta central
Fonte: Elaborado pelo autor.
O PM Segurança Interna adentrará no coletivo pela porta traseira e se posicionará no
fundo do ônibus, a fim de manter o controle visual sobre os passageiros para que o PM
Comandante e o PM Revistador executem os procedimentos, conforme o subitem 4.2.2.1,
alínea “b”. Nesse ponto, cabe relembrar a necessidade de que o PM Segurança não deixe
que passageiros fiquem a sua retaguarda.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 62 - )
Figura 34 - Momento em que o PM Comandante anuncia os motivos da abordagem aos
passageiros
Fonte: Elaborado pelo autor.
É aconselhável que o PM Segurança Externa se posicione sobre o passeio/acostamento,
próximo à porta central, se houver, onde permanecerá com a atenção voltada para o interior
do ônibus.
Realizada a primeira fase na parte dianteira do ônibus, o PM Comandante permanecerá na
parte dianteira do coletivo, mantendo-se atento às atitudes dos passageiros. O PM
Revistador desembarcará e se deslocará para a porta traseira do coletivo, enquanto os
demais policiais manterão o posicionamento.
Por estar posicionado atrás dos passageiros, o PM Revistador fará, primeiramente, a
inspeção visual para a identificação de indivíduos em atitude suspeita e, em seguida, se
necessário, procederá à busca nos pertences dos passageiros.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 63 - )
Figura 35 - PM Revistador, no corredor do compartimento traseiro, revistando os pertences
de passageiro
Fonte: Elaborado pelo autor.
Excepcionalmente, conforme a avaliação de riscos, poderá ser realizada uma busca ligeira
em passageiros no interior do ônibus, caso seja detectada alguma situação que represente
risco imediato aos policiais militares.
Ao final, o PM Verbalizador agradecerá a colaboração de todos, esclarecendo a
importância da abordagem na manutenção da ordem pública.
LEMBRE-SE! Em regra, recomenda-se que a busca pessoal seja realizada
na parte externa em todas as variáveis de abordagem a ônibus.
62
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 64 - )
Figura 36 - Momento da busca pessoal nos passageiros do ônibus
Fonte: Elaborado pelo autor.
4.2.3 Abordagem a ônibus nível 3
A abordagem a ônibus nível 3 ocorrerá nas intervenções de caráter repressivo, evidenciadas
por:
a) comportamento que coloque em risco a própria vida ou a de terceiros (ex. surf rodoviário);
b) atos de vandalismo, caracterizado pelo alto grau de extensão da ameaça, inclusive com o
envolvimento de vários agentes;
c) agressão física ou moral;
d) passageiros portando arma(s);
e) passageiros transportando drogas e outros produtos ilícitos;
f) autores de crime no interior do coletivo;
g) assalto aos passageiros, dentre outros.
A distância da viatura em relação ao ônibus é um importante elemento tático (em razão das
dimensões do veículo) para ampliar a visualização no interior. Nesse sentido, após a parada
efetiva do ônibus, a guarnição policial posicionará sua viatura atrás dele, a uma distância
de 5 (cinco) a 10 (dez) metros, na diagonal em relação à via.
63
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 65 - )
Os policiais militares poderão ainda procurar por abrigos no ambiente a fim de melhorar o
ângulo de visão e possibilitar uma verbalização segura.
Se possível, o PM Verbalizador determinará ao condutor do ônibus que abra apenas a
porta traseira, caso o veículo tenha mais de uma porta.
Caso a avaliação de riscos indique um risco real aos policiais militares ou terceiros, o PM
Verbalizador determinará o desembarque de todos os ocupantes, um de cada vez, e diante
da incerteza da autoria e adotará a posição de contenção 3 ou 4.
Em seguida, o policial militar da posição 1 ou 4 aproximará pelo lado esquerdo do ônibus
realizando uma varredura visual no interior do veículo a partir da parte externa, contornando
até a porta dianteira.
O condutor do ônibus pode se tornar uma importante fonte de informações para a guarnição,
e por isso ele deve inicialmente permanecer no interior do coletivo.
A partir desse momento os policiais militares iniciarão os procedimentos de busca pessoal e
veicular.
Figura 37 - Dispositivo para abordagem a ônibus nível 3
Fonte: Elaborado pelo autor.
64
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 66 - )
ATENÇÃO! Caso a ocorrência evolua para situações de crise, como presença de
reféns e artefatos explosivos no interior do coletivo, os policiais que estão realizando
a primeira intervenção deverão conter, isolar e acionar o terceiro ou quarto esforço
da malha protetora.
Se por alguma razão o ônibus permanecer em fuga, deverá ser acionada a
Operação de Cerco, Bloqueio e Interceptação, prevista no item 5 deste manual.
4.2.4 Busca em ônibus
Uma das particularidades desta modalidade de abordagem é justamente o número de
compartimentos e variedade de locais a serem submetidos a buscas e varreduras.
Com a finalidade de burlar a fiscalização policial, os infratores procuram ocultar objetos,
substâncias e outros materiais ilícitos nos mais diversos locais:
a) letreiro: localizado na parte da frente do coletivo, é um compartimento no qual é colocado
dispositivo para informar o destino ou o tipo da linha. A facilidade da abertura e o tamanho
do compartimento são convidativos para a ocultação de diversos objetos;
b) lixeiras: localizadas, habitualmente, próximo ao trocador ou nas laterais internas do
coletivo. São comumente utilizadas para ocultação de armas e drogas, bem como objetos
de menor porte;
c) mesa do trocador/caixa: utilizada para a tutela de dinheiro, muito comum nos ônibus que
fazem o transporte municipal e intermunicipal. Os infratores costumam, durante o
deslocamento entre pontos ou no momento de uma abordagem policial, obrigar o
funcionário a esconder armas, drogas e outros objetos, acreditando que, por ser o local de
responsabilidade dos profissionais do transporte, não será alvo da fiscalização policial;
d) caixa/compartimento de acesso ao eixo do coletivo: existente no piso de alguns coletivos,
este compartimento pode ser manuseado pelo interior do ônibus/micro-ônibus, permitindo,
por meio de fechadura ou alavanca, o fechamento e abertura. O acesso e o tamanho podem
facilitar a ocultação de vários materiais;
e) compartimento de acesso ao tanque de combustível;
65
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 67 - )
f) caixa de fusíveis: situada, costumeiramente, ao lado esquerdo do assento do motorista,
na parte superior. Também permite o esconderijo de objetos de diversos tamanhos;
g) pertences dos funcionários: na crença de que os policiais não farão a vistoria, os
infratores, por meio de conivência, ou, na maioria das vezes, por coação ou
constrangimento, guardam os objetos ilícitos junto ao corpo, bolsas ou outros pertences dos
funcionários do coletivo;
h) estofados e outros compartimentos;
i) bagageiros e bagagens: as chamadas bagagens de mão são utilizadas para a ocultação
de materiais ilícitos tanto em coletivos municipais quanto nos intermunicipais e
interestaduais. Além delas, poderão ser vistoriadas as malas, bolsas, caixas e outros
materiais acondicionados no bagageiro dos ônibus/micro-ônibus. É aconselhável, conforme
o caso, acionar o motorista/trocador para a conferência da etiqueta de identificação da
bagagem. Para a ação ser bem sucedida, não basta localizar somente os objetos ilegais; é
primordial, também, estabelecer um nexo de posse ou propriedade entre os bens ilícitos e
seus responsáveis. Nesse ponto, é importante que o policial militar adote as seguintes
condutas:
I. ficar atento a todos os dados repassados a respeito das pessoas suspeitas, tais como
características físicas, vestimentas, idade, e comportamento;
II. durante a aproximação para a abordagem, bem como durante o contato com os
passageiros e vistorias, manter a atenção e vigilância constantes, verificando reações e
comportamentos suspeitos, que denotem nervosismo, apreensão ou tentativa de distrair os
policiais militares ou de dispensar qualquer tipo de material;
III. verificar, por meio de entrevistas com funcionários e passageiros, bem como por meio de
bilhetes de passagem, a posse/propriedade de determinada bagagem. Comumente,
infratores tentam dispensar os comprovantes e negam responsabilidade sobre as bagagens
que contenham ilegalidades.
Os infratores procuram esconder os materiais nos mais diversos locais. Esses exemplos não
esgotam os pontos de buscas e varreduras, apenas informam e direcionam o policial a
respeito do ardil, dos artifícios e meios fraudulentos utilizados nas ações criminosas.
66
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 68 - )
4.3 Abordagem a Caminhões
Os caminhões e carretas são veículos destinados ao transporte de muitos tipos de
produtos; grãos, combustíveis, animais, veículos, etc. Para cada um desses transportes
existe um modelo especial, podendo ser de carroceria, tanque, baú, graneleiro entre outros.
Mas existem características comuns como a extensão; geralmente a distância entre a
traseira e a boleia é considerável, a altura do motorista em relação ao policial é grande, a
visualização do interior da boleia é mais difícil.
Outros fatores que interferem numa abordagem a veículos desse tipo, é o local onde a
abordagem ocorre, sendo na maioria das vezes em Rodovias, o que pelas próprias
características da via já é um fator que requer maior atenção por parte dos policiais ante aos
riscos que se apresentam.
ATENÇÃO! Em qualquer nível de abordagem a caminhão é primordial realizar o
desembarque dos ocupantes da cabine, em função da dificuldade de se visualizar o
interior e monitorar as ações nesse espaço.
4.3.1 Abordagem a caminhões nível 1
A abordagem a caminhões de nível 1 ocorrerá nas operações educativas e nas ações de
caráter assistencial.
As abordagens de caráter educativo a caminhões, em sua maioria, ocorrem em operações
conjuntas com outros órgãos/instituições, por ocasião de campanhas de conscientização e
divulgação de temas de interesse coletivo.
Para essas operações, recomenda-se o emprego do dispositivo tático Blitz Policial, que
potencializa a segurança e eficiência em operações com parada de veículos.
As abordagens de caráter assistencial geralmente ocorrerão em ações isoladas de
guarnições básicas, por iniciativa ou empenho via COPOM ou correspondente.
O PM Segurança posicionará próximo à viatura policial ou outro abrigo existente no
ambiente à frente do caminhão, de forma a monitorar o interior da cabine até o PM
Verbalizador ter condições de verbalizar com o motorista.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 69 - )
O PM Verbalizador deslocará pela retaguarda do caminhão no sentido horário e realizará
aproximação até aproximadamente 3 (três) a 5 (cinco) metros da cabine, conforme Figura
38.
Figura 38 - Posicionamento dos policiais miliares durante abordagem a caminhão
Fonte: Elaborado pelo autor.
O PM Verbalizador determinará ao motorista que desça do veículo e procederá à
abordagem.
4.3.2 Abordagem a caminhões níveis 2 e 3
Os procedimentos táticos devem seguir o descrito na subseção 3.3.2 (Tática de
posicionamento Diagonal), devendo adaptar o posicionamento do PM
Comandante/Segurança que se posicionará alinhado e junto à extremidade traseira direita
do caminhão.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 70 - )
Figura 39 - Posicionamento dos policiais militares durante abordagem a caminhão
Fonte: Elaborado pelo autor.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 71 - )
5 OPERAÇÃO CERCO, BLOQUEIO E INTERCEPTAÇÃO
A perseguição policial e a Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação são intervenções
policiais de nível III (repressivas), que visam compelir o infrator a cessar a resistência, em
obediência a uma ordem policial, forçando-o a parar o deslocamento, a fim de que seja
abordado.
Perseguição policial é a ação policial que ocorre antes ou durante uma Operação Cerco,
Bloqueio e Interceptação, que consiste em acompanhar ou seguir um suspeito de prática de
delito, em fuga, com objetivo de abordá-lo, identificá-lo e, se confirmada a infração, prendê-
lo.
Os motivos principais para o desencadeamento de uma perseguição policial são:
a) situações em que a Polícia Militar persegue o agente de crime, logo após o cometimento
do delito;
b) situações em que um cidadão desobedece à ordem policial de parar o veículo.
Cerco: é uma ação tática, que consiste no posicionamento conjunto de policiais militares e
viaturas policiais (e outros recursos logísticos) em pontos estratégicos dentro de um espaço
geográfico, a fim de controlar as rotas de fuga do veículo evasor, por meio da disposição de
obstáculos na via de forma a reduzir a velocidade dos veículos que passam pelo local.
Bloqueio: é uma ação tática que decorre do cerco e que consiste no posicionamento de
obstáculos com a finalidade de interromper totalmente o fluxo da via.
Interceptação: é uma ação policial que visa a captura dos ocupantes do veículo em fuga, a
partir da imobilização definitiva do veículo.
5.1 Fundamentação legal
A Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação é uma intervenção policial legal, coercitiva, e
que expressa o poder discricionário conferido ao policial militar para que promova com
eficiência o policiamento ostensivo, atendendo inclusive aos requisitos de um poder-dever
de que não poderá se furtar.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 72 - )
Como toda intervenção policial, deverá ser traduzida por uma ação eficiente, que articule a
técnica e a tática, legitimada por dispositivos legais e institucionais, para que a medida de
restrição do direito de ir e vir das pessoas envolvidas seja justificada pela necessidade de
segurança e bem-estar da coletividade.
O CPP estabelece, em seu art. 301, que “qualquer do povo poderá e as autoridades policiais
e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito”
(BRASIL, 2010). Assim, o policial militar tem o dever de conter o agente infrator no estado
de flagrância.
No mesmo caminho, cita-se, por igual importância, o art. 302 do mesmo diploma legal:
Art. 302 Considera-se em flagrante delito quem:
I - está cometendo a infração penal;
II - acaba de cometê-la;
III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa,
em situação que faça presumir ser autor da infração;
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que
façam presumir ser ele autor da infração (BRASIL, 2010).
A situação do flagrante impróprio, ou da chamada “quase flagrância”, foi definida no inciso III
do art. 302 do CPP, e corresponde a quando se pressupõe a existência de indícios
suficientes de que a pessoa em fuga seja o autor do delito, o que determinará o
desencadeamento de uma ação policial proporcional ao rompimento da ordem pública.
Discorrendo sobre o flagrante impróprio e a consequente perseguição do autor do delito,
Nucci (2010) esclarece que esse tipo de flagrante ocorre quando o agente conclui a infração
penal, ou é interrompido pela chegada de terceiros, mas sem ser preso no local do delito,
pois consegue fugir, fazendo com que haja perseguição por parte da polícia, que poderá
demorar horas ou dias, desde que tenha início logo após a prática do crime.
Ao tratar das situações de perseguição, o art. 290 do CPP acrescenta que o encalço ao
infrator deverá ser ininterrupto, contínuo e imediato ao cometimento do delito, para que não
se rompa o estado de flagrância, que justificará sua detenção/prisão:
Art. 290. Se o réu, sendo perseguido, passar ao território de outro município ou
comarca, o executor poderá efetuar-lhe a prisão no lugar onde o alcançar,
apresentando-o imediatamente à autoridade local, que, depois de lavrado, se for o
caso, o auto de flagrante, providenciará para a remoção do preso.
§ 1º - Entender-se-á que o executor vai em perseguição do réu, quando:
a) tendo-o avistado, for perseguindo-o sem interrupção, embora depois o tenha
perdido de vista;
b) sabendo, por indícios ou informações fidedignas, que o réu tenha passado, há
pouco tempo, em tal ou qual direção, pelo lugar em que o procure, for no seu
encalço (BRASIL, 2010).
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 73 - )
A perseguição policial também poderá ser desencadeada para conter um cidadão, em
atitude suspeita, que desobedece à ordem policial de parada para que seja abordado. Pode-
se inferir que o crime de desobediência encontra-se materializado na vontade expressa e
deliberada do cidadão em não atender ou descumprir determinação legal.
De maneira geral, o crime de desobediência está previsto no art. 330 do CP.
Art. 330 – Desobedecer a ordem legal de funcionário público:
Pena - detenção, de quinze dias a seis meses, e multa (BRASIL, 2010).
A Lei Federal nº 9.503/97, que institui o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), trata do
assunto da seguinte maneira:
“Art. 209. Transpor, sem autorização bloqueio viário com ou sem sinalização ou
dispositivos auxiliares, deixar de adentrar as áreas destinadas à pesagem de
veículos ou evadir-se para não efetuar o pagamento do pedágio.
Infração – grave;
Art. 210. Transpor, sem autorização, bloqueio viário policial;
Infração – gravíssima;”(BRASIL, 1997).
A direção ofensiva imposta pelos policiais militares, durante a perseguição, também
encontra respaldo no CTB, na medida em que as viaturas de polícia são definidas como
veículos de emergência, assim como os de salvamento, as ambulâncias e os veículos de
fiscalização de trânsito. Esses veículos gozam de livre circulação, estacionamento e parada,
quando, comprovadamente, estejam prestando socorro à sociedade. Quando em circulação,
normalmente serão identificados pelo dispositivo de alarme sonoro (sirene) e de iluminação
intermitente, na cor vermelha, afixada sobre o teto. Estando parados ou estacionados, a
iluminação estará acionada permanentemente, para a identificação do atendimento de
urgência.
Assim, uma vez justificada a perseguição policial e o cerco e bloqueio, a Polícia Militar
sempre estará evocando todos os meios legais para restabelecer a ordem pública e para
prevenir que as consequências danosas de determinado delito se multipliquem.
Concomitantemente, todas as ações policiais estarão focadas na preservação da vida, na
promoção das garantias, direitos e liberdades fundamentais da pessoa humana.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 74 - )
5.2 Planejamento e desenvolvimento
As intervenções de cerco, bloqueio e interceptação exigem ações estratégicas para cessar o
deslocamento de veículos em fuga. Essas ações serão traduzidas numa organização
sistêmica, que conjugue os recursos humanos e logísticos e integre as unidades
operacionais da Polícia Militar, bem como os demais órgãos do Sistema de Defesa Social,
que auxiliarão nos resultados.
Em regra, uma Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação surge de um planejamento prévio,
em função da certificação de conduta criminosa, ou pode ser desencadeada de forma
adaptada durante o turno de serviço, para conter um grave problema de perturbação da
ordem pública que não havia sido previsto.
Quando aborda a questão do planejamento das intervenções policiais, a Diretriz Geral para
o Emprego Operacional da PMMG (DGEOp) instrui que “não se admite a ação de uma
fração da Polícia Militar ou de um militar isolado que não obedeça a um planejamento
oportuno e, via de regra, escrito. Nos casos simples ou de urgência, poderá ser verbal ou
mental.” (MINAS GERAIS, 2019a).
Nesse entendimento e em adequação ao planejamento, os comandantes, nos diversos
níveis, deverão observar fatores intervenientes básicos, para o emprego da tropa, como o
preparo técnico para o tipo de operação, as condições físicas e de saúde do policial militar,
a experiência profissional, dentre outros.
Para o sucesso da intervenção, o efetivo será instruído, receberá ordens claras e obedecerá
ao planejamento definido como o mais adequado à solução da ocorrência.
Entretanto, quando a operação for necessária e não houver tempo para um planejamento
prévio, haverá um conjunto mínimo de procedimentos a serem observados para o seu
lançamento, destacando-se:
a) a unidade de comando;
b) o compartilhamento de dados e informações sobre a ocorrência;
c) a definição de funções e pontos de cerco;
d) a atuação sistêmica.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 75 - )
Em todos os casos, o desencadeamento da intervenção estará ligado ao tempo de reação
em que a Polícia Militar identifica a situação que exija o lançamento de um esforço
operacional diferenciado para sua contenção. A mobilização imediata dos recursos
disponíveis, alinhada ao planejamento que procure antecipar prováveis decisões e o destino
da pessoa ou agente de crime em fuga, contará, inclusive, com os fundamentos da
abordagem policial (segurança; surpresa; rapidez; ação vigorosa; unidade de comando).
Com base no fundamento da Unidade de Comando, a coordenação e o controle sobre
emprego dos meios logísticos, efetivo envolvido, armamento e equipamento ficarão a cargo
do oficial de serviço ou do policial militar mais antigo no turno, que observará planejamento
prévio de sua Unidade para as operações Cerco, Bloqueio e Interceptação, realizando as
adaptações necessárias, ou determinará uma linha de ação para essas intervenções
ocorridas durante o serviço.
Um bom planejamento evita distorções, durante a execução, e proporciona grande
assertividade nas decisões do Comandante.
5.2.1 Locais para realização Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação
Os locais apropriados para a montagem dos dispositivos de cerco e bloqueio devem ser
criteriosamente escolhidos. Os policiais militares envolvidos devem ter pleno conhecimento
desses locais, o que refletirá na agilidade do deslocamento e na eficiência da operação.
Na montagem do dispositivo para a Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação deverão ser
observados os seguintes aspectos:
a) Favoráveis:
redutores de velocidade (quebra molas, lombadas e radares eletrônicos), principalmente
em vias de trânsito rápido;
abrigos naturais ou artificiais no ambiente;
pontos de comandamento para uma melhor amplitude de visão do local;
vias rurais (estradas e rodovias).
b) Desfavoráveis:
abismos, paredes abruptas ou de danos naturais na via (buracos, obras), que possam
prejudicar a segurança de procedimentos;
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 76 - )
curvas, aclives, declives ou vias com grande circulação de pessoas;
vias marginais em relação à via principal, ou de estradas vicinais que possam favorecer
a fuga do veículo.
Caso seja necessária a montagem do cerco e bloqueio em rodovias estaduais, poderão ser
utilizados os postos do Batalhão de Polícia Militar Rodoviária (BPMRv), que possuem
estrutura e equipamentos indispensáveis à segurança. Em relação às rodovias federais, os
pontos de cerco e bloqueio deverão ser montados por intermédio de contato com a Polícia
Rodoviária Federal (PRF), nas situações em que forem viáveis.
5.2.2 Distribuição de Funções
Como em toda intervenção, será imprescindível a definição de papéis, para a organização
da atuação policial militar:
a) PM Comandante da Operação: será o policial militar em função de comando do turno de
serviço ou especialmente designado para o comando daquela operação, ou o de maior
posto/graduação da guarnição, no momento da eclosão dos fatos. Caberá a ele: o
planejamento, a tomada de decisões de forma a atingir os resultados propostos para a
intervenção policial; a definição de pontos de bloqueio e dos recursos alocados para os
locais; o controle das comunicações operacionais; os anúncios ao escalão superior; a
instrução do efetivo empenhado e a manutenção dos policiais em estado de prontidão
coerente com o nível de risco da ocorrência;
b) PM Comandante do Ponto de Cerco e Bloqueio: é o policial militar comandante da
guarnição que o ocupou o ponto de cerco e que poderá desencadear as ações do bloqueio.
É responsável pelo melhor posicionamento do efetivo no ponto de cerco e por reportar ao
Comandante da Operação os ajustes realizados e ainda manter a rede-rádio informada
sobre desdobramentos naquele local;
c) PM Segurança: é o policial militar responsável pela segurança dos componentes da
guarnição e pela segurança periférica. Sua posição não é fixa, varia de acordo com a
quantidade de policiais envolvidos. A função de segurança será bem definida em todos os
momentos da operação, em razão do risco em potencial que ela representa. O militar mais
antigo de cada ponto de cerco e bloqueio dará a devida atenção à designação do PM
Segurança, já que esse policial militar cuidará, ainda, de interferências como a presença de
curiosos, enquanto os demais mantêm o foco na chegada do veículo em fuga.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 77 - )
As demais funções que se fazem necessárias ao momento específico da abordagem
seguirão o previsto na Seção 2, deste Manual Técnico-Profissional.
5.2.3 Comunicações e Logística
Em relação às comunicações na rede-rádio, após a notícia do fato gerador de uma
perseguição policial ou da eclosão de um fato que perturbe a ordem pública, recomenda-se
a seguinte verbalização para o desencadeamento da Operação de Cerco, Bloqueio e
Interceptação:
“— COPOM, é o CPU! Mensagem circular à rede! Atenção à rede!
Ativar cerco e bloqueio!” (a partir deste momento, a operação seguirá
o planejamento do plano de cerco, bloqueio e interceptação da
Unidade)
“— Atenção viaturas! A partir deste momento deem prioridade para
as comunicações da Operação de Cerco, Bloqueio e Interceptação.
Viatura mais próxima da avenida (nome), dê o prefixo!”
“— VP (prefixo)! Monte o cerco no entroncamento com a rua (nome).”
“— Viatura mais próxima da rua (nome)! Monte o bloqueio no
entroncamento com a rua (nome). VP (prefixo)! Mantenha a rede
liberada para as comunicações da viatura (prefixo), em perseguição
policial.”
ATENÇÃO! Nas situações em que não seja possível a coordenação
por meio do COPOM ou correspondente, a comunicação será
centralizada no PM Comandante da Operação.
As viaturas não empenhadas e aquelas que estiverem empenhadas em ocorrências de
menor relevância deslocarão para os pontos de cerco pré-definidos ou determinados pelo
PM Comandante da Operação.
Sempre que possível, as viaturas lançadas no turno estarão equipadas previamente com os
recursos logísticos necessários ao emprego imediato nesse tipo de intervenção policial.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 78 - )
Assim, serão necessários armamento (porte e portátil), escudo balístico, apitos, rádios HT,
cavaletes, cones, dentre outros, podendo ser utilizados limitadores de fuga (ex.: “cama de
faquir”) e outros meios não convencionais (meios de fortuna) para realização de operação
dessa natureza.
Em razão da facilidade de transposição de obstáculos, a utilização de viaturas de duas
rodas poderá ser bastante eficiente no monitoramento do veículo a ser bloqueado,
principalmente se motocicleta. Entretanto, ressalta-se que essas viaturas não oferecem
proteção ao policial militar, além de exigirem velocidade compatível com a motocicleta em
fuga, o que poderá causar acidentes.
Caso seja necessário o apoio do patrulhamento aéreo, os policiais militares informarão um
ponto de referência de fácil visualização para a aeronave, que contribuirá na localização dos
infratores e no direcionamento das viaturas que comporão o cerco/bloqueio.
5.3 Procedimentos para a realização da perseguição policial
Dentro da Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação, a perseguição policial é um dos
momentos de maior risco para a integridade dos envolvidos.
Ao iniciar a perseguição ao veículo em fuga, os policiais adotarão, no que couber, os
seguintes procedimentos:
a) deslocar-se utilizando o cinto de segurança;
b) apesar da dificuldade de monitoramento visual, identificar e repassar ao COPOM ou
correspondente, dados do veículo em fuga (tipo, marca, modelo, cor, número da placa,
adesivos, localização, itinerário seguido, número de ocupantes, comportamento,
possibilidade de existência de armas de fogo, possibilidade de queixa furto/roubo), que
subsidiarão a abordagem e a articulação da Polícia Militar para o cerco e bloqueio;
c) acionar os sinais luminosos e a sirene para sinalizar a situação de emergência policial aos
usuários da via e demonstrar a ordem de parada aos ocupantes do veículo em fuga;
d) procurar manter as armas no coldre e sacá-las somente no momento da parada do
veículo em fuga. O deslocamento desnecessário com a arma na posição 4 (pronta resposta)
assusta a população, além de acarretar riscos de disparos. Devido ao risco de lesões, os
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 79 - )
braços dos policiais serão expostos para fora da viatura apenas para sinalizar as ordens de
parada ao condutor do veículo em fuga, ou orientar demais usuários da via;
e) manter a distância mínima de segurança da viatura em relação ao veículo em fuga.
Essa distância poderá ser aumentada para se os ocupantes efetuarem disparos de arma de
fogo contra a viatura. Nessas circunstâncias, os policiais militares evitarão revidar a
agressão;
f) o PM Comandante da guarnição que está em perseguição deve pedir prioridade na
rede-rádio.
Recomenda-se a seguinte verbalização:
“— COPOM, VP (prefixo), prioridade!”
“— Estamos perseguindo um veículo em fuga pela avenida, rua
(nome) na altura do número ..., na direção .... (citar localização,
itinerário).
“— Trata-se de um (dados de identificação do veículo: tipo, marca,
modelo, número da placa).”
“— Veículo ocupado por duas pessoas armadas.”
Acione o plano de cerco, bloqueio e interceptação e alerte todas as
guarnições do turno!”
LEMBRE-SE: Três razões essenciais para a disciplina das comunicações na
rede-rádio:
a) fazer com que as ordens do comandante da operação alcancem todos os
envolvidos;
b) auxiliar no controle do nível de estresse da ocorrência;
c) impedir que mensagens confusas alterem o estado de prontidão dos policiais
militares.
Devido aos possíveis resultados que poderão advir dessas ações, recomenda-se ao policial
militar que não execute as seguintes medidas:
ultrapassar ou emparelhar a viatura com o veículo em fuga, efetuando manobras
perigosas (“fechadas”);
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 80 - )
disparar arma fogo contra o veículo em fuga, pois haverá risco de atingir transeuntes ou
prováveis reféns em seu interior.
As dificuldades mais comuns a essa intervenção são:
escassez de dados sobre os ocupantes do veículo (trajes, compleição física,
periculosidade, vida pregressa, dentre outros);
fluxo da via, velocidade excessiva, desrespeito às regras de trânsito pelo veículo em fuga,
obstáculos naturais durante o trajeto, dentre outras;
possibilidade de existir reféns ou pessoas pertencentes a grupos vulneráveis (crianças,
adolescentes, pessoas portadoras de necessidades especiais) no veículo em fuga;
falta de controle da trajetória pós alvo e dos danos prováveis dos impactos de disparos
de arma de fogo.
LEMBRE-SE: Nem sempre os motivos que levam um condutor a fugir se deve
ao cometimento de um crime. Os motivos podem ser diversos. Dentre os
inúmeros exemplos, citam-se menores inabilitados, condutores sem
documentação obrigatória ou veículo particular prestando socorro a pessoas em
situações de urgência.
Atente-se para o fato de que nem sempre existirá o momento da perseguição policial, numa
Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação. Por outro lado, ainda que iniciada, a
perseguição será imediatamente suspensa, quando surgir uma situação de risco, que não
poderá ser controlada ou contida pela viatura policial em deslocamento.
Nesse caso, os policiais militares manterão o procedimento de suprir a rede de
comunicações com as informações necessárias aos pontos de cerco e bloqueio, que se
encarregarão da abordagem. Todos os policiais compartilharão as informações captadas.
Com base nas informações recebidas e evolução, o PM Comandante da Operação
acionará o plano de cerco e bloqueio para interceptar o veículo em fuga.
5.4 Providências para a realização de cerco policial
Tendo progredido a perseguição policial e o PM Comandante da Operação decidido pelo
cerco das rotas de fuga, simultaneamente, tomará outras providências importantes para o
sucesso da intervenção:
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 81 - )
determinará os pontos as serem cercados e deslocará o efetivo necessário à manutenção
dos postos, por tempo indeterminado, podendo recorrer, inclusive, ao Plano de Cerco,
Bloqueio e Interceptação da Unidade;
estabelecerá, de forma clara, os limites territoriais de cada ponto de cerco, para que a
força policial empregada não se disperse;
na ausência de COPOM ou correspondente, o PM Comandante da Operação manterá a
unidade das comunicações podendo designar, inclusive, que um policial militar, com fluência
verbal, realize o trabalho de centralização das informações para alimentação da rede-rádio:
sentido de fuga; possibilidade de passagem pelo ponto de cerco; deslocamento da imprensa;
manifestação de populares; estradas vicinais; obras na via; mudança ou abandono de
veículos utilizados na prática do crime; evolução dos fatos;
solicitará apoio de unidades operacionais, com responsabilidade territorial sobre o
itinerário do veículo em fuga, ou que possam contribuir na resolução da ocorrência, caso
essa medida não tenha sido tomada, no início da perseguição;
providenciará o anúncio circunstanciado ao escalão superior, assim que possível;
coordenará a distribuição do reforço policial-militar de forma a recobrir com eficiência
todos os pontos necessários;
nas situações em que a Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação se estender por
tempo indeterminado, providenciará substituição do efetivo escalado nos pontos de cerco,
bem como o suporte logístico necessário (alimentação, reposição de baterias de rádio
transmissor, lanternas, viaturas, ambulância).
A providência do cerco policial aos prováveis locais de passagem do veículo em fuga
decorrerá, ainda, de situações rotineiras de fuga de infratores do local de crime, sem que
haja, necessariamente, uma perseguição policial.
5.4.1 Montagem de dispositivo de cerco da via
Durante a montagem do dispositivo, os policiais militares irão considerar os aspectos de
segurança adequados ao tipo de via e ao fluxo de trânsito.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 82 - )
É possível que durante a montagem ocorra a presença de curiosos nos pontos de cerco.
Havendo necessidade de tranquilizar a população, os militares prestarão informações
básicas e objetivas sobre a intervenção, preservando os dados de caráter reservado, que
possam comprometer a operação. Além disso, os policiais deverão retirar essas pessoas do
local de cerco, a fim impedir a exposição desnecessária aos riscos.
A montagem do cerco será o primeiro esforço de controle nos itinerários prováveis de fuga
do veículo, que terá como objetivo realizar o monitoramento do local, disciplinar o fluxo e a
velocidade dos veículos, de forma a reduzir os riscos à integridade física dos envolvidos,
numa provável abordagem.
Via de regra, a o estabelecimento do dispositivo do cerco ocorrerá com o uso de cone ou
similar e viaturas, entretanto, é possível que se faça o cerco sem o afunilamento da via,
desde que as características do local já possibilitem e redução da velocidade dos veículos.
Existem 3 tipos mais comuns de dispositivos para a montagem do cerco:
a) “Zigue e zague”: A viatura posicionará numa inclinação de 45º em relação a guia do
passeio, com a frente voltada para o sentido fluxo da via. Os policiais militares posicionarão
próximos e após a viatura. Os cones serão dispostos formando um “zigue-zaque” na via,
conforme Figura 40.
Figura 40 - Cerco com afunilamento em zigue-zague
Fonte: Elaborado pelo autor.
b) Afunilamento paralelo: A viatura posicionará numa inclinação de 45º em relação a guia
do passeio, com a frente voltada para o sentido do fluxo da via. Os policiais militares
posicionarão próximos e após a viatura. Os cones serão dispostos longitudinalmente na
mesma faixa em que a viatura estiver posicionada, conforme a Figura 41.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 83 - )
Figura 41 - Cerco com afunilamento paralelo
Fonte: Elaborado pelo autor.
c) Afunilamento Diagonal: A viatura posicionará numa inclinação de 45º em relação a guia
do passeio, com a frente voltada para o sentido do fluxo da via. Os policiais militares
posicionarão próximos e após a viatura. Os cones serão dispostos na mesma faixa em que
a viatura estiver posicionada, formando um fluxo diagonal, conforme a Figura 42.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 84 - )
Figura 42 - Cerco com afunilamento diagonal
Fonte: Elaborado pelo autor.
Os policiais militares utilizarão a viatura como proteção, bem como poderão aproveitar os
abrigos existentes nas imediações.
A expectativa da identificação do veículo em fuga contribuirá para aumentar o nível de
estresse dos policiais. Logo, o monitoramento das comunicações será fundamental ao
preparo mental e ao controle emocional, que poderão influenciar na avaliação de riscos e no
domínio técnico dos militares que realizam o cerco.
5.5 Providências para a realização de bloqueio policial
Tendo o PM Comandante da Operação determinado o cerco, em decorrência da
perseguição policial, o próximo passo será o efetivo bloqueio da via.
No que diz respeito ao momento do bloqueio, as observações são as seguintes:
o bloqueio não será feito nas áreas com aclives, declives, curvas, rodovias ou locais com
grande movimentação de pessoas. Nas vias de trânsito rápido, o policial militar redobrará os
cuidados com a segurança viária, podendo aproveitar os locais de redução natural da
velocidade (proximidades de quebra-molas ou de redutores eletrônicos de velocidade);
83
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 85 - )
os militares utilizarão viaturas, equipamentos ou meios de fortuna, como barreiras físicas
na via que efetivem o bloqueio;
a ação de bloqueio congestionará o tráfego, especialmente no meio urbano. Diante dessa
perspectiva, a atenção dos policiais militares será ser redobrada quanto ao abandono do
veículo na via ou quanto ao forçamento de passagem em meio ao engarrafamento, inclusive
pela mão contrária de direção;
com a possibilidade do abandono do veículo, poderão surgir novas rotas de fuga dos
infratores, que poderão prosseguir a pé, homiziar na área referente ao cerco/bloqueio, ou
até mesmo tomar outros veículos no trajeto.
As dificuldades mais comuns que favorecem a evasão do veículo do bloqueio policial são:
conhecimento das rotas de fuga pelos infratores e o desconhecimento pleno dessas rotas
em relação a todos os militares envolvidos na operação, principalmente quando há
envolvimento de várias Unidades Operacionais;
carência de viaturas suficientes para a cobertura de todos os pontos de bloqueio,
necessários à contenção do veículo em fuga.
5.5.1 Montagem do dispositivo de bloqueio na via
A dinâmica do bloqueio policial se dará da seguinte forma:
assim que a viatura do ponto de cerco receber a informação de que o veículo em fuga
passará pelo local, providenciará o bloqueio imediato da via, num dispositivo que contará
com a montagem de 3 (três) barreiras:
1ª barreira: realizada com uma indicação do bloqueio da pista (cavaletes);
2ª barreira: será realizada com cones distribuídos ao longo da pista;
3ª barreira: concretizada pela disposição das viaturas na via.
poderão ser colocados limitadores de fuga a 5 (cinco) metros após a segunda barreira;
a viatura ficará posicionada num ângulo de 45º, com a frente voltada para o sentido da
via, e a uma distância de 100 (cem) metros a 200 (duzentos) metros, conforme avaliação, da
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 86 - )
segunda barreira. Dependendo da largura da via, serão necessárias duas viaturas
estacionadas a 45º para o bloqueio.
O melhor posicionamento para os policiais é estarem dispostos na lateral da via, entre o
início do bloqueio e o local de posicionamento da viatura policial, utilizando abrigos como
muretas, postes, árvores e outros, ainda que um pouco afastados da via. Recomenda-se
que os policiais estejam portando armas portáteis.
Estando nesse posicionamento os policiais minimizam a possibilidade de serem atingidos
por disparos de arma de fogo. Tal posicionamento também favorece que os disparos que
porventura tiverem que ser realizados pelos policiais militares sejam efetuados no sentido
perpendicular à via, minimizando os riscos a terceiros.
Numa ação de bloqueio os policiais militares não deverão utilizar a viatura como abrigo, em
razão da possibilidade de serem atropelados ou atingidos por disparos vindos do veículo em
fuga.
Figura 43 - Bloqueio de pista com 2 (duas) viaturas e 4 (quatro) policiais militares
Fonte: Elaborado pelo autor.
Via de regra, a interceptação é realizada por policiais que estejam na perseguição ao
veículo em fuga.
ATENÇÃO! Durante a interceptação os policiais militares que estão perseguindo
o veículo, bem como os que estão no bloqueio, deverão ter a máxima cautela com
disparos em direções opostas para não ocasionar o “Tiro amigo”.
Caso o veículo em fuga adentre ao bloqueio e não esteja sendo perseguido, os policiais
empregados no bloqueio devem realizar a interceptação dentro das condições existentes,
85
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 87 - )
realizando a progressão tática e seguindo as orientações com relação a abordagem a
veículos descritas neste manual.
O PM Comandante da Operação poderá determinar que um policial militar se antecipe ao
dispositivo montado na via e permaneça em local seguro (coberto e abrigado), com a arma
no coldre, fazendo a observação avançada, a fim de detectar a aproximação do veículo em
fuga. Esse policial militar não realizará abordagem a pessoas ou veículos e se aterá à
observação.
Após a parada do veículo em fuga, os policiais militares realizarão a abordagem observando
as Seções 3 e 4, deste MTP, ou as orientações do MTP 02, naquilo que for pertinente.
ATENÇÃO! A Operação Cerco, Bloqueio e Interceptação é uma intervenção de
nível 3, com alternância dos estados de prontidão e utilização de níveis de força
mais elevados. Entretanto, no interior da operação, poderão surgir situações
claras de aplicação das orientações contidas no MTP 02 e que, inclusive,
reduzirão o uso da força. É o caso das pessoas que poderão ser abordadas fora
da linha de frente dos pontos de cerco/bloqueio, ou mesmo após a retirada dos
ocupantes, do interior do veículo interceptado.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 88 - )
6 LIMITADORES DE FUGA
A PMMG garante a preservação da lei e da ordem inscritas como missão constitucional por
meio de ações preventivas e repressivas. Durante a execução do serviço policial-militar, seja
nas atividades de prevenção ao crime ou nas situações de resposta a ilícitos penais, por
diversas vezes, o policial militar se depara com ocorrências nas quais o cidadão infrator
empreende fuga, utilizando-se de veículos automotores, que permitem um deslocamento
rápido pelas vias de trânsito.
A evasão de autores de delitos com a utilização de veículos automotores para escapar da
abordagem policial, normalmente expõe a risco a integridade física dos usuários da via, dos
policiais militares empenhados na ocorrência, dos próprios infratores em fuga, bem como do
patrimônio público e privado.
No capítulo anterior, foram estabelecidas diretrizes referente às operações de cerco,
bloqueio e interceptação. Para maximizar a efetividade de tais operações, a PMMG tem se
preocupado com a aquisição e emprego de equipamentos eficientes e seguros que possam
auxiliar na abordagem policial, proporcionando maior segurança para a interrupção de uma
ação de fuga empreendida por infrator utilizando veículo automotor, minimizando riscos para
os envolvidos no evento.
Nesse sentido, se apresentam os limitadores de fuga, que são ferramentas utilizadas com a
finalidade de impedir ou dificultar a fuga de infratores em veículos automores e facilitar a sua
consequente prisão/apreensão, seja por meio da dilaceração / perfuração de pneus, pela
imobilização de rodas ou a imobilização do veículo automotor.
Conceitualmente, define-se como limitador de fuga o equipamento destinado ao
esvaziamento, dilaceração de pneus ou à interrupção do fluxo de veículos na via, e, no caso
policial, utilizado para auxiliar na redução da velocidade e/ou imobilização de veículos, cujos
condutores estejam no cometimento de delitos (crimes, contravenções ou infrações
administrativas) ou em situação que se faça presumir serem autores de crimes ou
contravenções.
A Figura 44 apresenta alguns exemplos de equipamentos existentes no mercado.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 89 - )
Figura 44 - Tipos de limitadores de fuga (respectivamente “Cama de Faquir”, “Stop Stick”,
“barreira de segurança”, “bollards”)
Fonte: Elaborado pelo autor.
Assim, a presente Seção possui a finalidade de apresentar de forma geral informações
referente aos limitadores de fuga, bem como, padronizar procedimentos para o uso desses
equipamentos, por meio de protocolos de atuação.
6.1 Fundamentação legal
O ordenamento jurídico, por intermédio do poder de polícia – consagrado no art. 78 da Lei
nº 5.172/96 concomitantemente com as definições trazidas na Constituição de 1988, no art.
142, inciso V – autoriza a Polícia Militar a adotar as providências legais necessárias para a
preservação e restabelecimento da ordem pública e para a garantia dos interesses da
coletividade.
Dentre essas providências, considerando as circunstâncias de violação de regramentos,
sejam administrativos ou criminais, ou mesmo diante de uma necessidade de estabelecer
controles espaciais dos deslocamentos com uso de veículos para prevenção criminal, o
emprego de ferramentas limitadoras de fuga poderão ser empregados.
De forma exemplificativa, cita-se que o uso / emprego de ferramentas limitadoras de fuga
será melhor empregado quando o condutor do veículo tenha cometido ato que o torne
infrator, como por exemplo o cometimento de um roubo com evasão em veículo, ou o
cometimento do crime de desobediência por evasão de operação blitz, ou mesmo crimes de
furto/roubo com ataques a instituições financeiras com fuga em veículos.
88
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 90 - )
6.2 Emprego dos Limitadores de Fuga
Conforme já ressaltado, os limitadores de fuga podem se apresentar de formas variadas e
propostas de aplicação diversas, tendo sempre com o objetivo impedir ou dificultar a evasão
de veículos automores.
O modelo mais comum, e que foi tomado como base para o desenvolvimento dessa Seção,
possui várias denominações, sendo que a mais usual é “cama de faquir”, conforme se vê na
Figura 45, podendo ser descrito como “dispositivo móvel constituído de agulhas de aço
distribuídos numa base pantográfica” que tem por finalidade realizar a perfuração ou
dilaceração de pneus de veículos automotores.
Figura 45 - Limitador de fuga tipo “cama de faquir”
Fonte: Elaborado pelo autor
O emprego do dispositivo está associado à necessidade de fazer com que veículos em fuga
no trânsito interrompam seu fluxo, por meio da dificuldade gerada para a manutenção da
estabilidade veicular em razão da perfuração dos pneus do veículo, e com isso, permitir a
abordagem dos ocupantes e sua consequente prisão. Na doutrina policial os empregos
desses limitadores de fuga estão alinhados às atividades repressivas, especialmente
durante perseguições policiais.
O presente manual traz na Seção 5, uma descrição geral dos procedimentos de cerco,
bloqueio e interceptação, distinguindo os elementos dessa operação, sendo sugerida a sua
leitura.
Isto posto, denota-se que a ação de cerco é uma ação primária de acompanhamento que
permitirá a confirmação da condição da infração ou direcionamento da perseguição. A
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 91 - )
interceptação poderá surgir a partir do estabelecimento do ponto de cerco, com ou sem o
estabelecimento de um bloqueio, sendo esse último, entretanto, a ação mais acertada para
que se possa fazer a interceptação.
6.2.1 Uso do limitador de fuga no cerco
No cerco, o uso do limitador de fuga ocorrerá quando o policial 1 que estiver acompanhando
o fluxo dos veículos determinar que algum veículo pare e o condutor iniciar uma evasão.
Configurada a ação de desobediência, o policial 2 deverá estender o limitador de fuga sobre
a via a fim de perfurar os pneus do veículo evasor e obstar a sua fuga.
Figura 46 - Dispositivo de cerco e posicionamento da “cama de faquir”
Fonte: Elaborado pelo autor
Assim que o veículo evasor passar sobre o limitador de fuga, a ferramenta deve ser
recolhida, de maneira a evitar que as viaturas policiais que estejam em perseguição passem
sobre o equipamento e sejam danificadas, e com isso fiquem impossibilitadas de dar
continuidade a ação, caso seja necessário.
Figura 47 - Acionamento do limitador de fuga
Fonte: Elaborado pelo autor
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 92 - )
Figura 48 - Perfurações no pneu provocadas pela “cama de faquir”
Fonte: Elaborado pelo autor
Figura 49 - Parte interna do pneu, profundidade da agulha
Fonte: Elaborado pelo autor
6.2.2 Uso do limitador de fuga no bloqueio
Nas situações de bloqueio policial, como já descrito na subseção 5.5.1, o uso do limitador de
fuga será integrado ao dispositivo de bloqueio viário.
Assim, a partir do que já existe estabelecido, tem-se que o limitador de fuga deve ser
instalado entre a segunda e a terceira barreira de contenção, a 5 (cinco) metros de distância
da segunda barreira.
Ressalta-se que a distância entre o limitador de fuga e a terceira barreira deve ser suficiente
para que os efeitos de comprometimento da dirigibilidade do veículo em fuga já se façam
sentir, possibilitando a real efetivação da interceptação, motivo pelo qual a subseção 5.5.1
possibilita que a distância seja entre 100 (cem) e 200 (duzentos) metros.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 93 - )
A Figura 50 mostra o esquema do posicionamento da “cama de faquir”.
Figura 50 - Bloqueio de pista, detalhamento da distância do limitador de fuga
Fonte: Elaborado pelo autor
As viaturas policiais que estiverem perseguindo o veículo evasor não devem avançar com a
viatura dentro da área estabelecida como ponto de bloqueio se não houver confirmação de
que o equipamento limitador de fuga tenha sido recolhido pela equipe policial que estiver
ocupando o ponto de bloqueio.
A solução apresentada na Figura 50 redundará na efetiva interrupção do trânsito do veículo
em fuga pela via, que sofrerá perda de dirigibilidade provocada pela perfuração dos pneus e
poderá ter seu direcionamento incerto, sendo possível que haja colisão com a viatura policial.
Por esse motivo, é necessário que o policial redobre sua cautela e escolha locais no
ambiente que promovam a sua proteção.
ATENÇÃO! Policial, nessa situação não se posicione atrás da viatura policial.
Variações na quantidade e nos posicionamentos dos policiais militares são situações
possíveis, assim como a disponibilidade de equipamentos, portanto a regra geral deverá
sempre ser aplicada com critério pelo comandante do local de bloqueio, com vistas a
assegurar a maior segurança possível ao policial da equipe e maximizar a possibilidade de
se alcançar um resultado positivo com a prisão dos infratores e níveis mínimos de danos ao
patrimônio público ou privado.
6.3 Outras possibilidades de uso dos limitadores de fuga
Algumas vezes, o policial militar não terá condições de montar o dispositivo proposto para
cerco e bloqueio, seja pela exiguidade de tempo, seja pela falta de equipamentos como
cones ou cavaletes. Ainda assim, nessas situações poderão ser empregados limitadores de
fuga. Contudo, o policial deve avaliar se não estará expondo terceiros ou a si próprio a risco.
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( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 94 - )
O policial deve primar para não ficar em local da via onde o veículo suspeito possa colidir
contra si ou a viatura, seja pela ação intencional do infrator, seja pela eventual perda de
controle do veículo.
Seguem-se algumas observações gerais para o uso dos limitadores de fuga:
a) o policial militar responsável pelo acionamento do limitador de fuga deverá estar em local
seguro;
b) quando da realização de bloqueio total da via com o uso do limitador de fuga recomenda-
se o posicionamento de policiais militares em ponto de comandamento ou abrigos que
permitam uma resposta mais segura;
c) sempre que possível, tão logo o veículo suspeito ou em fuga passe pelo equipamento, o
policial militar deverá fazer seu recolhimento;
d) o policial militar deverá estar em via que seja reta e não seja declive, não se
recomendando ações em curvas, próximos a abismos e locais onde o desvio na direção do
veículo objeto da ação policial possa resultar em maior dano do que o objetivo proposto.
Assim sendo, durante uma ação de resposta a infratores, é facultado e lícito ao policial
empregar o equipamento para perfurar os pneus de veículos que estejam no cometimento
de delitos se a situação requerer o seu emprego para evitar uma fuga e o consequente
aumento do risco a terceiros, avaliadas as características do ambiente, as recomendações
técnicas do equipamento e as circunstâncias determinantes do seu uso.
6.4 Limitadores de fuga tipo postes
Existem limitadores que são postes/pilares móveis, também conhecidos como “bollards”, ou
“cabeços”, ou ainda, “postes de amarração” que podem ser colocados com a finalidade de
evitar a passagem de veículos em todos os momentos ou somente em determinados
horários, conforme, é visto na Figura 51:
93
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 95 - )
Figura 51 - Bloqueadores tipo postes/pilares
Fonte: Elaborado pelo autor
O principal critério para empregar esse equipamento é que a barreira vai:
a) prevenir crimes;
b) proteger o patrimônio/infraestrutura;
c) controlar o fluxo de veículos.
Considerando que o instrumento tipo poste pode ter outras funções para além de
interromper uma fuga veicular, servindo também para controle de trânsito e proteção de
estabelecimentos seu uso deve ser feito por meio de parceria com o poder público com
responsabilidade territorial sobre a via pública.
Nesse sentido, em parceria com o órgão de transito local, os policiais poderão solicitar a
instalação desse tipo de equipamento. Primando pelo uso especialmente no horário noturno
pode-se evitar a ocorrência de tentativas de roubos em instituições financeiras ou
possibilitando a quebra do planejamento de ações delituosas no caso de sua ocorrência.
6.5 Limitações no uso dos limitadores de fuga
As limitações no uso dos limitadores de fuga dependem do tipo de recurso que está sendo
empregado. Pode-se destacar, de maneira exemplificativa, com base em observações
realizadas em testes e pesquisas:
a) no emprego do limitador de fuga, tipo “cama de faquir”, em virtude do pneu do veículo
conter fluídos que blindam sua “banda de rodagem”, o esvaziamento pode não ocorrer tão
rápido quanto se espera;
b) pode ocorrer a não perfuração dos 4 (quatro) pneus se o veículo a ser interceptado
estiver transitando em velocidade acentuada;
94
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 96 - )
c) a eventual falta de agilidade do policial militar na ação de puxar a base pantográfica que
contém os perfuradores no alinhamento correto pode implicar em grandes perdas na
efetividade do uso da ferramenta;
d) a efetividade da ferramenta pode ser prejudicada se o motorista infrator conseguir realizar
ação de desvio do limitador de fuga.
(a) RODRIGO SOUSA RODRIGUES, CORONEL PM
COMANDANTE-GERAL
95
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 97 - )
REFERÊNCIAS
BRASIL. Congresso Nacional. Lei Nº 9.503, 23 de setembro de 1997. Institui o Código de
Trânsito Brasileiro. Brasília, DF, 1997. Disponível
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CÉSPEDES, Livia. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.
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ROVER, Cees de. Princípios básicos sobre o uso da força e armas de fogo. In: ROVER,
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SILVA, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. 26. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2005.
96
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 98 - )
8
( - BEPM nº 13, de 08 de outubro de 2020 - ) Página : ( - 99 - )
RODRIGO SOUSA RODRIGUES, CORONEL PM
COMANDANTE-GERAL
CONFERE COM O ORIGINAL:
CLÁUDIA HERCULANA F. GLÓRIA, TEN CEL PM
AJUDANTE-GERAL