Não se cospe no prato, de quem te estendeu a mão
Numa aldeia, vivia um casal que tinha acabado de ter um filho. Entre o casal o mais
preguiço era o marido, pois ele ficava o dia todo no bairro, enquanto a sua mulher ia para a
lavra cultivar sozinha com o seu filho.
Todos os dias quando a mulher ia cultivar, e tentava deixar o filho na sombra, ele não
aceitava e começava a chorar sem parar, então a sua mãe tinha de estar sempre a parar de
trabalhar para o calar.
Depois de uma semana a trabalhar nessas condições, apareceu um Veado, e a senhora
começou a lamentar com o animal:
- Mas assim faço como? Não consigo trabalhar com ele sempre no colo, seguro na
enxada e não consigo trabalhar, e o tempo de cultivar está a passar, assim vai ser como?
O animal respondeu:
- Olha minha senhora, eu sou um animal que cuida, eu não sou um animal que mata,
mas o que vai matar o teu filho dependerá da tua vontade.
Respondeu a senhora:
- Então está bem, eu vou aceitar que cuides do meu bebé.
Todos os dias em que a mulher saia para trabalhar, o animal vinha para ficar com o
bebé, e assim a senhora começou a trabalhar todos os dias e o bebé não chorava, foi assim
durante uns 3 dias.
Num certo dia, depois de trabalhar o dia todo, pegou o jantar- kizaca - e colocou no
cesto e voltou para casa.
Logo que chegou em casa, começou a pisar a kizaca, colocou cinza verde e pôs na
mesa.
Assim que o senhor chega a casa e vê a kizaca na mesa, começa a discutir com a
senhora e diz:
-Todos os dias vais trabalhar na lavra e só trazes essa kizaca verde? Essa kizaca vou
comer como? Será que todo o dia que ficas a trabalhar na lavra não consegues apanhar mais
nada? Uns ratos? Só mesmo kizaca?
A senhora então respondeu: Não consigo ,vou fazer como?
O senhor pegou na senhora, e com bastante raiva da sua resposta, deu-lhe uma
chapada na cara.
A senhora responde: você não pode me bater. Eu é que passo todo o dia na lavra com
um veado e você fica aqui a fazer nada. Se fosses a lavra, já teríamos matado o veado para
comeres a carne.
O senhor responde: Aí é? Afinal passas o dia com um veado?
A senhora responde: Então amanhã eu vou primeiro na lavra e vou esperar ele dormir,
e à tardinha você vai para lá.
No dia seguinte enquanto a senhora foi para a lavra, o senhor ficou no bairro a afiar as
flechas.
A senhora quando chegou na lavra estendeu o pano para o bebé dormir e mais tarde o
homem apareceu.
Ainda um pouco distante ele pergunta:
Onde está o veado que você falou? Ainda não apareceu?
A senhora responde: está ali ao lado do bebé, não consegues ver?
O senhor olhou e admirado disse: é veado mesmo. Eu podia estar a comer carne todos
os dias e me fazes comer kizaca?
Então o senhor se pergunta: Assim então vou matar como?
Anda de um lado para o outro, e não conseguia arranjar uma posição ideal para matar
o veado.
Quando encontrou uma posição, esticou a flecha para poder atingir o veado.
Só que para o seu azar, o animal era muito atento e inteligente.
Quando o veado deu conta que o senhor armou a flecha, saltou e consequentemente a
flecha acerta o coração do bebé.
Logo em seguida, o casal começou a chorar e a gritar com muita angústia.
E o veado que ali estava lembrou a mulher:
- Eu disse que cuidaria do teu bebé e não o mataria, e a morte dele dependeria de ti
senhora. Se não tivesses dito ao teu marido, a essa hora o vosso bebé estaria bem.
Nome do Redactor: Winona Chelsea dos Santos da Costa
Turma:T8
Nome do contador: Tomás Manuel Lucamba
Relação: Avô
Origem: Conto popular de Kibala/ Kwanza Sul
Local: Luanda, Angola
Data: 2022