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Ebook Intradermoterapia

1) A intradermoterapia é uma técnica minimamente invasiva de aplicação de substâncias na pele por meio de injeções intra ou subcutâneas. 2) Ela atua estimulando respostas biológicas no tecido-alvo e pode ser usada para tratamentos estéticos de rejuvenescimento, celulite e flacidez. 3) Existem diversas técnicas de aplicação como intraepidérmica, nappage e ponto a ponto, variando o ângulo e profundidade da agulha.

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Murilo Santos
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1) A intradermoterapia é uma técnica minimamente invasiva de aplicação de substâncias na pele por meio de injeções intra ou subcutâneas. 2) Ela atua estimulando respostas biológicas no tecido-alvo e pode ser usada para tratamentos estéticos de rejuvenescimento, celulite e flacidez. 3) Existem diversas técnicas de aplicação como intraepidérmica, nappage e ponto a ponto, variando o ângulo e profundidade da agulha.

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E-BOOK

INTRADERMOTERAPIA
INTRADERMOTERAPIA

Dr. João Tassinary

Todos os direitos reservados. 2024


Intradermoterapia Aplicada à
Estética
A intradermoterapia, também conhecida como mesoterapia, não é
uma técnica que surgiu recentemente. Apesar das injeções na pele
para ns terapêuticos terem sido descritas na literatura como
recorrentes já nas antigas medicinas chinesa e indiana, e do médico
Alexander Wood ter injetado, em 1853, a primeira dose de mor na
dérmica para o alívio de condições dolorosas, foi em 1867 que dois
marcos importantes ocorreram: realizou-se o primeiro experimento
com o objetivo de avaliar o grau de absorção de um fármaco na
urina após administração hipodérmica, e a London Medical Society
descreveu a velocidade, a intensidade e a segurança das injeções
hipodérmicas. Em 1870, durante a guerra Franco-Germânica,
médicos injetaram água destilada na derme
com o objetivo de minimizar o quadro álgico de artrite. Em 1941,
George D. Gammon e Isaac Starr publicaram a respeito do efeito
analgésico da inoculação de água estéril na pele sobre ou perto do
ponto de dor. Dezessete anos depois, o médico Michel Pistor propôs
o termo “mesoterapia” para se referir à inoculação de drogas na
espessura da pele, e depois, em 1964, foi o responsável por fundar a
Sociedade Francesa de Mesoterapia, que também teve o objetivo de
ampliar o uso do recurso para o tratamento de doenças em geral,
para uso veterinário e para uso estético.

A intradermoterapia se trata de uma técnica minimamente


invasiva caracterizada pela injeção intra ou subcutânea de mesclas,
sendo essas variáveis de extratos naturais de plantas, fármacos,
vitaminas e outras substâncias bioativas em menor quantidade.
Este é um método de entrega de ativos diretamente no tecido-alvo,
não sendo, portanto, um tratamento para uma condição específica.
Na Estética, o recurso é eficaz nas áreas de corporal, facial e capilar.

3
1. Mecanismos de ação

Embora o mecanismo de ação da intradermoterapia ainda não esteja bem


elucidado, sabe-se
que a sua forma de atuação está relacionada diretamente ao princípio ativo
injetado no paciente. Pesquisas sugerem diversas possibilidades
terapêuticas que podem conter desde vasodilatadores até agentes anti-
inflamatórios não esteroides. Além disso, enzimas, hormônios, extratos
naturais de plantas, vitaminas e outras substâncias bioativas podem ser
utilizadas.

De modo geral, acredita-se que a intradermoterapia é capaz de estimular


respostas biológicas de forma mais assertiva, tendo em vista que as soluções
tendem a manter-se no sítio-alvo por mais tempo. Pesquisadores também
apontam qualidades e características básicas da técnica, como: auxílio na
penetração de moléculas de grande porte nas camadas superficiais da pele;
penetração gradual dos medicamentos na área-alvo devido à baixa
depuração de medicamentos administrados superficialmente pela
circulação geral, levando a uma duração de ação mais longa; dosagem
reduzidas; resultados mais rápidos.

Além disso, a intradermoterapia é capaz de incrementar a microcirculação


tecidual, estimular a renovação epidérmica e remodelar o colágeno,
resultando em uma melhora do sistema tegumentar. Há, ainda, uma linha
de pesquisadores que sugerem que a ação do recurso também está associada
à atividade de curta distância (estímulo de receptores in situ) e à atividade
de longa distância (alcance de outros órgãos pela circulação).

2. Indicações da Intradermoterapia

A mesoterapia na Estética tem sido cada vez mais difundida. Afinal, trata-se
de um recurso com extensa aplicabilidade, já que entrega resultados nas
áreas de facial, corporal e capilar em tratamentos de rejuvenescimento,
alterações cicatriciais, gordura localizada, celulite, estrias cutâneas, flacidez
tissular, alopecias não cicatriciais, etc.

4
3. Indicações da Intradermoterapia

As contraindicações da intradermoterapia podem estar associadas às


substâncias utilizadas na aplicação. De modo geral, tem-se, como
contraindicação absoluta e/ou relativa, gestação, lactação, doenças
autoimunes, esclerodermia, epilepsia, pacientes imunodeprimidos ou
imunossuprimidos (como em casos de quimioterapia, radioterapia, altas
doses de corticosteroides e diabetes não controlada), câncer de pele, acne
ativa e pele com propensão a alterações cicatriciais, como queloide.

A intradermoterapia no tratamento de celulite e de gordura localizada é


contraindicada para pacientes com síndrome metabólica, que fazem uso de
medicamentos cardíacos (como amiodarona, hidralazina, bloqueador do
canal de cálcio e betabloqueador) e que têm disfunções hepáticas, entre
outros.

4. Complicações e efeitos adversos


A mesoterapia é considerada técnico-dependente; portanto, quando aplicada
por profissionais qualificados, treinados e experientes, apresenta raras
complicações e efeitos adversos. As menores dosagens de princípios ativos
utilizadas quando comparadas às da medicina tradicionalproporcionam,
também, uma maior margem de segurança.

As respostas indesejadas mais comuns em decorrência da intradermoterapia


incluem vômitos, diarreia, náuseas, hiperestesia, coceira, hiperpigmentação
pós-inflamatória, discreto quadro álgico, edema e eritema. Efeitos adversos
mais complexos têm relação com a aplicação incorreta da técnica, que pode
levar à formação de nódulos subcutâneos, a alterações cicatriciais e a
infecções de pele por microbactérias que se manifestam como nódulos e
abscessos e ocorrem devido a falhas de biossegurança.

Ademais, é fundamental estar atento ao risco de transmissão de doenças


infectocontagiosas e a possíveis efeitos colaterais locais e sistêmicos
decorrentes da substância injetada no procedimento, principalmente a
longo prazo.

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5.Técnicas de Intradermoterapia

5.1 Materiais necessários para aplicação

Para a aplicação da mesoterapia com finalidade estética, são necessários


alguns recursos básicos e outros acessórios. São eles:

TABELA 1: Materiais básicos e acessórios utilizados na aplicação da intradermoterapia.


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5.Técnicas de Intradermoterapia

5.1 Materiais necessários para aplicação

Para a aplicação da mesoterapia com finalidade estética, são necessários


alguns recursos básicos e outros acessórios. São eles:

TABELA 1: Materiais básicos e acessórios utilizados na aplicação da intradermoterapia.


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Há diversos modelos de seringas e agulhas estéreis e descartáveis que
podem ser utilizados na intradermoterapia. Seringas de menor volume,
de 1 a 3 mL, costumam ser usadas em aplicações em áreas pequenas,
como face e couro cabeludo, e seringas de 5 a 10 mL são utilizadas em
áreas maiores.

TABELA 2: Características e indicações de agulhas para intradermoterapia.

FIGURA 1: Seringas de 10 mL, 5 mL, 3 mL e 1 mL.

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FIGURA 2: Agulhas 18G 1 ½'', 30G 1 ½'' e 32G 4 mm.

Também é possível utilizar injetores eletrônicos, conhecidos como


pistolas de mesoterapia.

O sistema é capaz de determinar o volume e a profundidade da


aplicação; no entanto, é difícil esterilizá-lo, uma vez que apenas a
agulha é descartável. Há, ainda, os instrumentos físicos, como a
eletroporação, a fonoforese e a intradermoterapia pressurizada, os
quais não se utilizam de um recurso perfurocortante para aplicar os
ativos no tecido-alvo.

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FIGURA 3: Pistola, intradermoterapia pressurizada e fonoforese.

5.2 Aplicação da Intradermoterapia

Apesar do crescimento dos níveis de evidências científicas e de tratar-se de


uma técnica antiga, ainda não existem diretrizes ou consenso quanto aos
métodos de aplicação. El-Domyati e colaboradores (2012) apontam quatro
possíveis técnicas de injeção: intraepidérmica, nappage e ponto a ponto.
A pesquisa Mesococktails and Mesoproducts in Aesthetic Dermatology, que
foi publicada em 2020 na Dermatologic Therapy, acrescentou os métodos de
mesoperfusão, técnica papular, técnica mista, técnica da coluna de tensão e
mesoterapia sem agulha.

Intraepidérmica: Descrita em 1989, a técnica é considerada mais


superficial, uma vez que a agulha não atinge a camada basal. Nela, o
ângulo da agulha deve ser pequeno e a seringa deve ser manuseada de
forma leve, lenta e gradativa.

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Nappage: A técnica de nappage costuma ser agradável para os pacientes,
e é caracterizada como uma aplicação de injeções que podem chegar a 4
mm de profundidade a uma angulação de 30° a 60°. Injeta-se <0,1 mL em
cada local, com distância de 0,25-0,5 cm entre os locais de aplicação,
aplicando peso leve na mão do profissional e constante pressão positiva
no êmbolo.
Ponto a ponto: Também conhecida como “Serial”, costuma ser utilizada
para tratamento de gordura corporal. Nela, introduz-se a agulha de
forma perpendicular à pele, em 90°, com uma profundidade de 4 mm ou
mais. As aplicações devem ter distância de 1-2 cm, e o volume do ativo
introduzido pode ser de 0,2 mL ou mais.
Mesoperfusão: Nesta técnica, utiliza-se a agulha de Lebel, e o bisel deve
ser de 4 mm de comprimento.
Técnica papular: A técnica papular costuma ser utilizada para
mesobotox e para tratamentos de alopecia. Nela, aplica-se injeções na
junção dermo-epidérmica com profundidade de 2 a 4 mm, levando ao
levantamento de uma pequena pápula tecidual. Técnica mista: A técnica
mista refere-se à associação das técnicas de injeções anteriormente
descritas como superficiais e profundas em uma mesma sessão,
conforme as necessidades do paciente.
Mesoterapia sem agulha: Alguns recursos físicos capazes de ampliar a
permeação transdérmica de substâncias têm sido descritos como uma
modalidade de mesoterapia. Dentre eles, destaca-se a eletroporação e a
fonoforese.

É preciso que, na aplicação da intradermoterapia, o profissional esteja


atento ao ângulo de
injeção e à profundidade de aplicação, uma vez que são variáveis capazes de
determinar o sítio em que a substância será entregue e o seu tempo de
permanência no tegumento. Sugere-se, de acordo com alguns pesquisadores,
que o ângulo de injeção possa variar de até menos de 10° para injeções
superficiais (até 1 mm), e chegar a 90°, de forma perpendicular à pele,
quando o objetivo for uma atuação mais profunda (4 mm ou mais).

Quanto à distância entre os locais de aplicação, as injeções na área-alvo


podem ser colocadas em 5-10 mm de distância e chegar até 4 cm em casos de
gordura localizada. 11
A frequência das aplicações deve ser definida de acordo com o tipo de
tratamento e com o paciente; de modo geral, pesquisas apontam sessões
mensais ou semanais com um total de aplicações que varia de 4 a 10.

FIGURA 4: Ângulos de injeção: (a) 90°, (b) 45° e (c) 30°.

5.2.1 Intradermoterapia no rejuvenescimento, na acidez de pele, nas estrias


cutâneas e nascicatrizes hipotróficas

Dentre as principais mudanças decorrentes do processo de envelhecimento,


destaca-se, na Estética, a diminuição da espessura epiderme-derme, a
redução da sua capacidade elástica, a diminuição da atividade glandular e o
comprometimento de estruturas imunológicas.

12
Para melhor compreender o assunto, é preciso considerar as duas vias
de envelhecimento: a intrínseca e a extrínseca.

A via intrínseca tem relação com os fatores fisiológicos inerentes ao


envelhecer do organismo, expressando-se através de rugas nas, pele
adelgaçada e seca e atro a dérmica gradual. A via extrínseca, por outro
lado, tem como causa fatores externos, como exposição à radiação solar,
poluição do ar, tabagismo, má nutrição, etc., e manifesta-se a partir de
rugas grosseiras, perda de elasticidade, pele áspera e discromias. O
aumento de peso corporal e o consumo excessivo deaçúcares também
levam ao envelhecimento precoce.

A técnica de mesoterapia, quando aplicada em tratamentos de


rejuvenescimento, busca a manutenção e a recuperação do sistema
tegumentar a partir do incremento da capacidade biossintética dos
fibroblastos e da reconstrução de um ambiente fisiológico ideal para
aumento da atividade celular, e da síntese de colágeno, elastina e ácido
hialurônico.

É ampla a gama de princípios ativos que podem ser aplicados na camada


superficial da pele através da intradermoterapia. Dentre eles, destaca-
se:

Ácido hialurônico: O mecanismo de ação do ativo tem relação com o


incremento da hidratação tegumentar e com o restabelecimento de
um ambiente favorável a ativação de fibroblastos e trocas e
interações entre as células e a matriz extracelular. O ácido
hialurônico também tem a capacidade de acumular e reter mil vezes
seu peso em água, e possui propriedades anti-inflamatórias,
antibacterianas, antifúngicas e antioxidantes. O ativo sozinho ou
combinado com coquetéis de vitaminas é capaz de manter a
proliferação de células de fibroblastos da pele humana, além de
estimular a produção de novo colágeno não danificado.

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Vitaminas e substâncias a ns: A vitamina C é um antioxidante capaz
de acelerar a síntese de DNA. Junto com a vitamina A, auxilia na
síntese de colágeno e outros componentes da matriz intercelular. A
vitamina A também regula a capacidade de regeneração epidermal e
melanocítica, e controla de forma indireta a atividade das glândulas
sebáceas. Ainda temos a vitamina E, que apresenta atividade
antioxidante e de regulação nos processos de reparo a danos na pele.
O inositol atua como fator de crescimento de animais e
microrganismos, sendo frequentemente utilizado como vitamina do
complexo B. Esse ativo contribui para a regulação de alguns
indicadores importantes da homeostase celular, como, por exemplo,
a concentração de Ca²+ intracelular. A vitamina B1 atua na
produção de energia a partir de carboidratos e na obtenção de ribose
e desoxirribose da glicose, que são utilizadas para a síntese de DNA
e ácido ribonucleico. A vitamina B2 e seus derivados têm relação
com a entrega de energia de carboidratos e gordura, além de
apoiarem o metabolismo das células redox e a ativação das
vitaminas B6 e B9. As vitaminas B3, B5 e B7 apresentam papel
crucial em muitas reações de produção de energia a partir de
carboidratos, gorduras e proteínas, e na biossíntese de várias
moléculas, como os ácidos graxos. A vitamina B9 ainda é descrita
como necessária para a divisão celular devido à sua capacidade de
transferir fragmentos de um carbono envolvido na síntese de DNA e
RNA, além de contribuir para a transformação mútua de
aminoácidos.
Silício orgânico: Esse ativo é um elemento constituinte dos
complexos de proteínas e glicosaminoglicanos, sendo ligado aos
tecidos conectivos e seus componentes, expondo importante atuação
estrutural. Pesquisas in vitro mostraram, inicialmente, que a
diminuição das concentrações de silício está associada com uma
menor taxa de replicação de células formadoras de tecidos. No
sistema tegumentar, o silício é fundamental na ligação de
glicosaminoglicanos, e quando agregado à vitamina C, incita a
síntese de proteoglicanas e ácido hialurônico, aumentando a
afinidade da água pelas glicosaminoglicanas e reduzindo o processo
de destruição da matriz dérmica produzido pelas metaloproteinases.

14
Alguns autores apontam que o silício atua na composição de
diversas macromoléculas que participam da sua formação, como
elastina, colágeno e proteoglicanos. Tem, ainda, a capacidade de
neutralizar radicais livres, minimizando reações de glicação e
agindo como mimetizador da ação de fatores de crescimento celular.
Toxina botulínica: No Brasil, a técnica é conhecida por diferentes
nomenclaturas, como, por exemplo, microbotox, mesobotox ou
microtox. Basicamente, sugere-se que a toxina A intradérmica tem a
capacidade de reduzir o tamanho dos óstios, minimizar a produção
de sebo, melhorar a textura da pele e, ainda, promover efeitos “tipo
mini lifting”. A suposta via de ação seria por bloqueio local dos
receptores de acetilcolina.
Fatores de crescimento: O EGF (Fator de Crescimento Epidermal)
estimula a proliferação de queratinócitos e estimula, também, o
tecido de granulação. O bFGF (Fator de Crescimento Fibroblástico)
atua como sinalizador na síntese da matriz extracelular. O TGF
(Fator de Crescimento Transformador),por sua vez, atua em
sinergismo como bFGF.
Elastina: Trata-se de uma proteína de função estrutural que forma
fibras elásticas muito abundantes no nosso organismo. As fibras de
elastina fornecem elasticidade aos tecidos, como a derme,
sustentando a pele e evitando o seu envelhecimento.
Rutina: Atua na bioquímica da via do ácido araquidônico, inibindo a
síntese de prostaglandinas. Com isso, ocorre a lipólise, estimulada
pelas catecolaminas e hormônios lipolíticos, e a redução dos
processos inflamatórios por diminuição da histamina, diminuição da
permeabilidade capilar e ação vasoconstritora. Forma um complexo
com os radicais livres, protegendo, com isso, as estruturas
vasculares contra a sua lesão. A rutina também aumenta a síntese
de colágeno, elastina e proteoglicanos.
DMAE: O dimetilaminoetanol atua na contração muscular. Em
contato com a pele, o DMAE aumenta os níveis de acetilcolina,
importante neurotransmissor na contração muscular. Além disso,
estimula a produção de colágeno e tem ação antioxidante.

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Ácido alfa lipoico: Apresenta ação antioxidante com combate dos
radicais livres para auxiliar na regeneração dos tecidos lesados.
Ainda melhora o efeito de outros antioxidantes, como a vitamina C e
a vitamina E. A sua eficácia está na redução da acne e na melhora da
aparência de rugas. Quando aplicado nas áreas afetadas, regenera o
tecido.
Coenzima Q10: É uma molécula existente no nosso organismo que
desempenha papel fundamental no metabolismo energético e na
proteção antioxidante das células, neutralizando os radicais livres.
Além disso, retarda o envelhecimento e ajuda a regenerar a
vitamina C e a vitamina E.
Colágeno: Essa proteína de origem animal dá firmeza à pele, às
cartilagens e às estruturas do corpo que necessitam de um suporte.
Deixa a pele resistente e elástica. A partir dos 30 anos de idade,
ocorre uma queda gradual na produção do colágeno.
Glucosaminoglicano (GAG): Promove intensa hidratação devido à
capacidade de absorção de água, preenchendo espaços deixados por
estrias e flacidez cutânea. Incorpora-se à matriz onde é aplicado,
fornecendo ação eutrófica no tecido conjuntivo e conferindo
elasticidade, tonicidade e maciez a pele. Também tem ação anti-
inflamatória e antiedematosa.

FIGURA 5: Intradermoterapia para rejuvenescimento.

16
5.2.2 Intradermoterapia na gordura e celulite

A intradermoterapia é capaz de promover redução do acúmulo de


gordura corporal e, consequentemente, atuar na redução da celulite. A
técnica pode ser utilizada para diminuição da camada de gordura em
áreas mais comuns, como abdômen, glúteos ou coxas, papada, e em
outras menos convencionais, como pálpebra inferior. Investigações
realizadas apontaram que diferentes substâncias têm a capacidade de
atuar no tecido adiposo por distintos mecanismos de ação, sendo
estas vias associadas às rotas citolíticas e não citolíticas. As substâncias
que trabalham na via citolítica têm o intuito de quebrar ou solubilizar
lipídios por meio da ablação parcial ou total dos adipócitos, destruindo
sua membrana plasmática.

Nestes casos há ablação química, que causa mudanças permanentes nos


adipócitos e promove melhora no contorno corporal e redução da
gordura corporal. Essa técnica é chamada de mesoterapia ablativa;
porém, pode também ser chamada de adipólise, lise de adipócitos,
terapia adipolítica e necrose de gordura. Para obter essas respostas
fisiológicas, injeta-se fosfatidilcolina e desoxicolato.

A via não citolítica, por outro lado, busca estimular a mobilização de


lipídios pelos adipócitos sem afetar suas funções ou a integridade de
suas membranas celulares. Os ativos utilizados atuam como
potenciadores metabólicos temporários, estimulando a quebra dos
lipídios em ácidos graxos e glicerol, o que será mobilizado para fora do
adipócito e, então, metabolizadopelo fígado.

A lipólise pode ser aumentada por meio da inibição da fosfodiesterase


ou do receptor de adenosina, da ativação do receptor β-adrenérgico ou
da inibição do receptor α-2. Diversas substâncias atuam nessas vias;
dentre elas, destacam-se aminofilina, isoproterenal ou forscolina e
[Link] recomendações de aplicação sugerem injeção com
profundidades de 4 a 13 mm, de acordo com o perfil do paciente, com o
propósito de penetrar nas camadas médias da gordura subcutânea em
pessoas com coxins gordurosos espessos.

17
Alguns pesquisadores recomendam que a distância entre as injeções
seja de 1 a 4 cm; por outro lado, outros defendem o uso de um padrão de
grade em intervalos de 1-1,5 cm. A frequência recomendada de injeções
repetidas varia de intervalos de 1-8 semanas, com aproximadamente 4-
15 sessões.

Algumas das principais substâncias que podem ser utilizadas no


tratamento de gordura e celulite são:

Aminofilina: No tratamento de gordura, o ativo tem a capacidade de


inibir fosfodiesterase, aumentando a concentração de AMPc
intracelular, o que estimula a atividade da enzima lipase e resulta
na quebra de triglicerídeos. Experimentos demonstraram que a
aminofilina aumenta a lipólise, incrementando a geração de glicerol
em 1,5x em comparação com o grupo controle.
Isoproterenol: O ativo é entendido como uma catecolamina sintética
de ação direta, semelhante à epinefrina, que ativa os receptores β de
forma não seletiva. O isoproterenol estimula a via β-adrenérgica
através de um mecanismo semelhante aos estimuladores
catecolaminérgicos endógenos. Pesquisas recentes apontaram que as
células de gordura tratadas com isoproterenol aumentaram sua taxa
lipolítica consideravelmente, cerca de 1,5x mais que o grupo
controle.
Ioimbina: Este ativo bloqueia os receptores α2, o que impede a
inibição da adenilato ciclase via proteína G inibitória. Pesquisas
recentes demonstraram que o ativo tem a capacidade de ampliar em
2x a lipólise local.
Fosfatidilcolina: Trata-se de um fosfolipídio de ocorrência natural
amplamente utilizado para o tratamento de gordura corporal. O
ativo age no corpo emulsificando a gordura da dieta na bile como
parte do processo de digestão, atuando como um componente das
apolipoproteínas essenciais para o metabolismo do colesterol e
agindo como um componente essencial das membranas celulares.
Pesquisadores ainda sugerem o potencial de ativação de receptores
específicos de membrana por parte do ativo, e consequente atuação
na destruição da célula adipocitária.

18
Outra possível atuação da fosfatidilcolina está associada à sua
característica anfipática ou anfifílica (solúvel em meio aquoso).
Basicamente, acredita-se que, no citoplasma, a fosfatidilcolina
hidrolisada pela fosfolipase D gera o ácido fosfatídico. Esse ácido
interage com a proteína quinase, que ativa a translocação da lipase
sensível ao hormônio, desde o citoplasma do adipócito até o vacúolo
que contém os triglicerídeos.
Desoxicolato: O desoxicolato é um composto solúvel em água que
atua como um ácido biliar no intestino para emulsionar a gordura, e
também é um subproduto metabólico das bactérias intestinais.
Quando na forma de um monômero ou cristal, o ativo promove dano
celular de forma direta; como uma micela, o desoxicolato mobiliza as
gorduras liberadas dos adipócitos. Não há consenso na literatura
quanto ao principal mecanismo de ação da substância; porém, a
maior parte das pesquisas referem-se a um possível remodelamento
do tecido adiposo advindo de um processo inflamatório. Estudos que
se utilizaram de biópsia do tecido adiposo para esclarecer o efeito do
desoxicolato de sódio nos adipócitos revelaram a presença de
infilltrado linfomononuclear inflamatório agudo, apoptose de
adipócitos com necrose gordurosa e expressiva atividade fagocitária
dos adipócitos pelos macrófagos. Quando nos remetemos a possíveis
efeitos adversos pós-procedimento, destaca-se quadro álgico
exacerbado, edema, eritema, hematoma, brose e parestesia.
Chá verde: O chá verde (Camellia sinensis (L.)) tem potencial de
aplicação clínica na área capilar, com indicação para o tratamento
de alopecia; na área facial, para acne; e também na corporal, para
gordura. O ativo contém grandes quantidades de compostos
polifenólicos, além de ter, em sua composição, a cafeína, que é um
importante lipolítico. O galato de epigalocatequina tem a capacidade
de inibir a catecol-O-metiltransferase, uma enzima que degrada
norepinefrina, resultando em uma estimulação prolongada dos
receptores adrenérgicos e, assim, elevando o nível de cAMP dentro
da célula. O galato de epigalocatequina atua em sinergia com a
cafeína, que é conhecida pela sua atividade de inibição de
fosfodiesterase, enzima que decompõe o AMPc intracelular.
Basicamente, ambos aumentam o nível de cAMP intracelular e, com
isso, mediam o efeito termogênico do chá verde.
19
Cafeína: A cafeína e seus derivados, na intradermoterapia, são
utilizados para ampliar a mobilização de ácidos graxos livres dos
tecidos, processo que ocorre pelo aumento na produção de
catecolaminas. Sabe-se, ainda, que ela atua como antagonista dos
receptores de adenosina, que são responsáveis pela inibição da
oxidação lipídica. Ressalta-se que os receptores de adenosina
adipocitários são responsáveis pela inibição da lipólise. A epinefrina
atua como antagonista desses receptores e, também, da enzima
fosfodiesterase. Essa inibição leva ao incremento dos níveis de
AMPc, ativando as lipases hormônio-sensíveis e a via da lipólise.
L-carnitina: Tem atuação direta nas reações transferidoras de ácidos
graxos livres de cadeia longa do citosol para as mitocôndrias,
otimizando sua oxidação e geração de adenosina trifosfato (ATP).
Pesquisas também demonstram a L-carnitina como coadjuvante no
tratamento de dislipidemias, uma vez que é tida como um cofator na
oxidação de ácidos graxos de cadeia longa, aumentando a
usabilidade de triglicerídeos como forma de energia. Na
intradermoterapia, o ativo tem sido combinado a fármacos
lipofílicos pela sua capacidade de aumentar o catabolismo dos ácidos
graxos, acelerando a sua entrada na mitocôndria e, assim,
favorecendo a via da β-oxidação.
Silício orgânico: Quando voltado ao tratamento de celulite e
gordura, busca-se seus efeitos fisiológicos associados à regulação da
proliferação de fibroblastos, à ação anti-inflamatória, à hidratação
celular, e também a efeitos lipolíticos pela ativação da adenilciclase.
Benzopirona: A benzopirona aumenta a circulação linfática,
resultando em melhora do retorno venoso e o suprimento de sangue
arterial. Além disso, atua sobre a permeabilidade capilar, reduzindo
a inflamação e o edema.
L-arginina: Apresenta efeito lipolítico, favorece a drenagem de
toxinas e combate a acidez. É indicada em todos os níveis de celulite,
para tratamento de pequenos panículos de gordura e em protocolo
combinado com carboxiterapia.
Lipossoma de girassol 5%: A sua ação lipolítica destrói a célula de
gordura e aumenta e melhora a circulação sanguínea local
superficial e profunda. Pode ser utilizada para redução de medidas e
redução de celulite.
20
FIGURA 6: Intradermoterapia no tratamento de gordura corporal e de papada.

5.2.3 Intradermoterapia na alopecia

A mesoterapia é uma interessante opção terapêutica na tricologia


quando nos remetemos acasos de alopecias não cicatriciais, sendo as
mais comuns: alopecia androgenética (AAG), eflúvio telógeno (ET) e
alopecia areata (AA). A escolha das substâncias deve ser feita de acordo
com o tipo de perda capilar. As terapias já aprovadas para o tratamento
da AAG pela Food and Drug Administration (FDA) incluem minoxidil
tópico e finasterida oral; no entanto, outros ativos têm sido utilizados
para tratar distúrbios de cabelo e para melhorar o crescimento de pelos
corporais em outras áreas, incluindo sobrancelhas e barba.

Os ativos visam melhorar a qualidade dos fios, prolongar a fase


anágena, inibir a 5α-redutase, melhorar a microcirculação e o
suprimento de nutrientes. Não existe uma padronização da
intradermoterapia no tratamento capilar, mas sugere-se que a aplicação
contenha pequenos volumes por puntura e seja realizada com a agulha
21
formando um ângulo de 30° a 60°, penetrando a uma profundidade
máxima de 4 mm, com distâncias que podem variar de 1 cm a 4 cm entre
si. A frequência das aplicações é variável; pesquisas sugerem sessões
semanais, quinzenais ou mensais, sendo que o número total de
aplicações em um mesmo paciente pode variar de 4 a 10. A seguir,
abordaremos algumas das principais substâncias que podem ser
utilizadas no tratamento capilar.

Minoxidil: O minoxidil tem sua e cácia comprovada devido à sua


conversão em sulfato de minoxidil pela enzima fenol
sulfotransferase, que é responsável por promover a abertura dos
canais de potássio sensíveis à adenosina trifosfato (ATP) presente na
musculatura lisa vascular, favorecendo a irrigação local. A
expressão dessa enzima nos folículos capilares varia entre os
indivíduos. Estudos apontam, como mecanismo de ação, o estímulo
da angiogênese perifolicular, que é decorrente do aumento da
expressão de fatores de crescimento endoteliais (VEGF). O efeito de
prolongamento da fase anágena se dá por sua ação antiapoptótica,
fator também relacionado ao espessamento da haste e ao aumento
na densidade do cabelo.
Finasterida: A finasterida inibe a conversão de testosterona em
dihidrotestosterona (DHT), impedindo a progressão da calvície.
Apesar de serem usados há anos, os inibidores 5AR são alvos de
muitas críticas devido aos seus efeitos adversos, principalmente
sexuais e reprodutivos.
Dutasterida: Embora a dutasterida não seja atualmente aprovada
pela FDA para o tratamento de queda de cabelo, estudos recentes
têm mostrado resultados promissores da substância enquanto
possibilidade terapêutica. Moftah e colaboradores (2013) obtiveram
melhora de 62,8% após o tratamento de mesoterapia com dutasterida
em mulheres com AAG, quando comparado ao grupo controle
(17,5%). Em dose de 0,5 mg, mostrou-se 3x mais potente na inibição
da enzima tipo I e 100x mais potente na inibição da enzima tipo II do
que a finasterida.

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Biotina: Na síntese de proteínas, a biotina está associada à produção
de queratina, o que explica o seu uso para o crescimento saudável de
unhas e cabelo. De acordo com Patel e colaboradores (2017), apesar
dessa vitamina ser conhecida e amplamente utilizada para este fim,
ainda não há evidências suficientes de que a biotina seja benéfica no
crescimento de cabelos e unhas de indivíduos saudáveis.
D-pantenol: Também conhecido como dexpantenol ou pró-vitamina
B5, trata-se da forma biologicamente ativa do pantenol. De acordo
com estudos, o dexpantenol poderia ter um importante papel na
patogênese da AAG devido ao seu efeito antioxidante, uma vez que
reduziria os níveis de prostaglandinas, como PGD2, que são
normalmente liberadas após dano tecidual induzido por espécies
reativas de oxigênio e, consequentemente, causam a inibição do
crescimento capilar. Além disso, tem efeito protetor contra danos
celulares provenientes de poluentes e radiação UV. Recentemente,
estudos sugerem que o D-pantenol pode ser benéfico em casos de
alopecia androgenética, pois poderia reduzir a microinflamação
folicular presente na afecção.
Corticoides: O acetonido de triancinolona é amplamente utilizado e,
para alguns autores, é considerado o tratamento mais indicado para
pessoas com menos de 50% do couro cabeludo acometido. Sabe-se
que os corticoides são capazes de suprimir a imunidade e reduzir a
resposta inflamatória, principalmente pela diminuição e inibição de
linfócitos e macrófagos periféricos.

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FIGURA 7: Intradermoterapia no tratamento de alopecia.

A procaína e a lidocaína podem ser utilizadas em todos os tratamentos


anteriormente descritos. A lidocaína não apresenta efeito
vasodilatador, e, na intradermoterapia, deve ser utilizada com
anestesia local e pH de 7,0, sendo 4x mais potente do que a procaína. É
contraindicada em pacientes com antecedentes epiléticos e com
hipersensibilidade ao produto. A procaína, por sua vez, apresenta
excelente efeito vasodilatador, sendo um ótimo veículo de transporte e
difusão de fármacos no tecido. Pode levar a processos alérgicos; por
isso, indica-se um teste cutâneo. Como contraindicações, cita-se
convulsões, bradicardia, arritmias prolongadas e hipotensão grave em
pessoas com problemas cardíacos e idosos.

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Referências

Tassinary, João. Raciocínio Clínico Aplicado à Harmonização: Facial e


Corporal / João Tassinary, Carolina Mattei de Reis. Lajeado, RS : Editora
Estética Experts, 2022.

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