É a micose subcutânea que surge quando o fungo Sporotrix shenck entra no organismo, por meio
de uma ferida na pele.
TRANSMISSÃO
A infecção ocorre pelo contato do fungo na pele ou mucosa por meio de trauma decorrente de
espinhos, lascas de madeira, solo, contato com material orgânico em decomposição ou por
transmissão zoonótica, por arranhadura e/ou mordedura de animais doentes, sendo os gatos e
cães mais comuns.
CARACTERISTICAS DO FUNGO
Os fungos do gênero são dimórficos, ou seja, apresentam duas formas, no seu ciclo de vida:
A forma de micélio: composta por filamentos não infectante; presente na natureza sem causar
doença.
A forma de levedura: forma parasitária, infecta o homem e os animais.
A transmissão durante muito tempo foi relacionada exclusivamente a traumas na pele, no entanto
foi observada a transmissão por via inalatória, decorrente de tosse e/ou espirro do animal infectado.
O período de incubação é variável de uma semana a um mês podendo chegar a seis meses após
a inoculação do fungo.
AGENTE ETIOLÓGICO
Os fungos do complexo S. schenckii são espécies eucarióticas, pertencentes ao Reino Fungi, que
apresentam parede celular composta por quitina e sem mobilidade própria.
Sporothrix é um fungo termodimórfico que possui a capacidade de alternar sua morfologia entre
fungo filamentoso e levedura em resposta a estímulos térmicos e outras condições ambientais. Na
fase saprófita (micelial a 25°C) apresenta na microscopia hifas delgadas, hialinas, septadas e
ramificadas contendo conidióforos finos, cujo ápice forma uma vesícula pequena com conídios
dispostos de forma simpodial (OLIVEIRA et al., 2011). Esses conídios formam aglomerados
semelhantes a margaridas e podem ser ovoides ou alongados, hialinos, unicelulares com paredes
lisas, e em alguns casos, podem apresentar pigmentação (MARIMON et al., 2007). As colônias a
25°C são de crescimento lento, úmidas e glabras, com uma superfície enrugada e dobrada, com
pigmentação que pode variar de branco a creme e preto (BONIFAZ E TIRADO-SANCHEZ, 2017).
A fase parasitária (leveduriforme a 37°C) apresenta células em forma de fuso e/ou ovais, sendo
semelhante a um "charuto”, cujas colônias podem variar de coloração podendo ser brancas até
amarelo acinzentadas (Figura 2) (LOPES-BEZERRA et al., 2006). O termo dimorfismo é um dos
principais fatores virulência do gênero Sporothrix
DIAGNÓSTICO- MICRO E MACROSCÓPICO
O diagnostico se dá por meio de exame microscópico direto e a cultura do material coletado por
meio de fragmentos de pele ou líquido exsudatos das lesões.
O exame microscópico direto torna possível observar o fungo na sua forma leveduriforme
semelhante a um “charuto”, porém tem baixa especificidade, porque existem outros fungos
morfologicamente semelhantes.
A cultura é mais sensível e específica. É realizada em ágar Sabouraud ou Mycosel a 25°C com
tempo de crescimento variável entre 3 dias e 5 semanas.
As colônias iniciais são lisas e úmidas, com cor creme e centro mais escuro. Com o passar do
tempo, vão escurecendo tornando-se marrons ou negras em razão da produção de melanina.
No estudo microscópico é possível observar micélios de hifas finas, hialina, septadas e ramificadas,
reproduzindo-se por meio de conídios unicelulares ovais ou piriformes, semelhantes a margaridas.
Cultivos a 35-37°C precisam de meio enriquecido com ágar sangue ou chocolate para que as
colônias cresçam em até 1 semana, com aspecto cremoso de cor amarela ou marrom.
Tubos de cultura em ágar Sabouraud. Forma filamentosa (25°C) com colônias membranáceas de cor
cinza a negro. Forma leveduriforme (37°C) com colônias cremosas de cor bege e sulcadas a partir do
centro.
A amostra pode ser semeada em ágar Sabouraud dextrose se a lesão estiver fechada, contendo
cloranfenicol ou ciclo-heximida em lesões abertas, a 28°C e incubando por 4 a 6 dias.
(A) Aspecto macroscópico do fungo Sporothrix sp. isolado em meios ágar Sabouraud Dextrose, (B) em
ágar YPD de felinos domésticos, e (C) seu respectivo aspecto microscópico, evidenciando as
morfofisiologias de micélio. Método de Gram, obj.40x. (D) Levedura. Método de Gram, obj.100x.
Amostras coletadas de felinos domésticos, Campos dos Goytacazes/RJ.
Almeida, Adriana & Reis, Nathália & Lourenço, Camila & Costa, Nina & Bernardino, Maria & Vieira-da-Motta,
Olney. (2018). Esporotricose em felinos domésticos (Felis catus domesticus) em Campos dos Goytacazes, RJ.
Pesquisa Veterinária Brasileira. 38. 1438-1443. 10.1590/1678-5150-pvb-5559.
Sementeira por inundação de amostra descongelada.
6º dia de incubação em gelose Sabouraud. À esquerda a 25 graus, à direita a 30 graus Celsius.
TOMÉ, R. ATLAS MICOLOGIA: SPOROTHRIX SCHENCKII. Disponível em:
<https://atlasmicologia.blogspot.com/2012/07/sporothrix-schenckii.html>.
Exame histopatológico de paciente com forma disseminada. Células leveduriformes em forma de “charuto” (PAS,
400×) SCHECHTMAN, R. C. et al. Esporotricose: hiperendêmica por transmissão zoonótica, com apresentações
atípicas, reações de hipersensibilidade e maior gravidade. Anais Brasileiros de Dermatologia, v. 97, n. 1, p. 1–13, 1
jan. 2022.
Manifestações Clínicas
•Esporotricose cutânea: Cutânea localizada, Cutaneo linfática
•Esporotricose invasiva: Cutânea disseminada, Osteoarticular, Pulmonar, Meníngea
• Esporotricose sistêmica – fungemia
A forma clínica mais frequente é a cutaneolinfática, que, juntamente com a forma cutanea localizada, constitui
mais de 90% dos casos. A esporotricose invasiva é menos frequente e ocorre em indivíduos com algum grau
de imunossupressão. Câncer, uso crônico de corticosteroides, diabetes, desnutrição e alcoolismo são as
condições mais comumente associadas à infecção invasiva. A forma pulmonar pode ser secundária à inalação
do micro-organismo. A disseminação hematogênica ocorre principalmente em indivíduos
imunocomprometidos, é responsável pelas formas sistêmica da doença.
CUTÂNEO LINFÁTICA: mostra lesão inicial no local de traumatismo prévio, que pode não ser notada
pelo paciente, constituindo o cancro de inoculação. A lesão pode mostrar aspectos variados, de acordo com o
tempo de evolução. Na maioria das vezes, pode ser uma lesão ulcerada de base infiltrada e eritematosa, mas
poderá́ ser pápula, nódulo, placa vegetante e mesmo uma lesão ulcero gomosa. A partir dessa lesão inicial,
seguindo trajeto ascendente nos membros, forma-se cadeia de nódulos indolores, ao longo dos vasos linfáticos,
que podem amolecer e ulcerar ou não.
ZAITZ, Clarisse. Compêndio de Micologia Médica, 2ª edição.
CUTÂNEA LOCALIZADA: encontramos lesão única, situada no local de inoculação do fungo, não
acompanhada de nódulos no trajeto linfática; só́ raramente observa-se adenopatia regional. Assim, não
existindo o aspecto esporotricose, não há sugestão imediata da etiologia.
Nessa forma que a esporotricose passa a fazer parte da síndrome verrucosa, que apresenta aspectos clínicos
comuns e clinicamente indistinguíveis de três doenças: leishmaniose, cromo micose e tuberculose verrucosa.
Esse aspecto lembra muito as infecções bacterianas tipo abscesso ou ectima. Em toda lesão com essas
características clínica que não responde à antibioticoterapia convencional, deve-se suspeitar de esporotricose.
ZAITZ, Clarisse. Compêndio de Micologia Médica, 2ª edição.
ZAITZ, Clarisse. Compêndio de Micologia Médica, 2ª edição.
ESPOROTRICOSE INVASIVA: pode envolver qualquer tecido ou órgão. As lesões são resultantes da
disseminação hematogênica, e em número significativo de casos não se encontra a lesão primária, acreditando-
se que a infecção tenha sido resultado de inoculação, inalação ou ingestão do fungo.
Observada principalmente em indivíduos imunocomprometidos, especialmente HIVpositivos,
Dentre as formas invasivas extra cutâneas, o envolvimento osteoarticular e o pulmonar são os mais comuns.
ESPOROTRICOSE SISTÊMICA: existem vários relatos de acometimento generalizado, sempre associados
a imunodepressão, mesmo antes do surgimento da AIDS. É comum o acometimento ocular e nasal.
ZAITZ, Clarisse. Compêndio de Micologia Médica, 2ª edição.
TRATAMENTO
- itraconazol: fármaco de primeira linha em casos localizados ou cutânea disseminada.
- iodeto de potássio: não efetivo para formas extra cutâneas.
- anfotericina B: pacientes severamente comprometidos, disseminada.
- termoterapia: aplicação diária de calor local, compressas mornas ou dispositivos infravermelho,
para pequenas lesões locais. Pode‐se combinar a termoterapia com o tratamento farmacológico.
https://www.anaisdedermatologia.org.br/pt-esporotricose-hiperendemica-por-transmissao-
zoonotica-articulo-S2666275221002812
https://sappg.ufes.br/tese_drupal//tese_16636_DISSERTA%C7%C3O%20ISABELA.pdf