Terapia Analítica para Ansiedade Social
Terapia Analítica para Ansiedade Social
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esqlliva e o aumento de repertórios de interaçãcl social saudável serío necess/r- (Rcgra I ), elc cvocar Cl{B nas sessÕes (I{egra 2), reforçar os CltB2
[Link] rl scssrio
rios como objetivos do processo de psicoterapêutico._ rurturrrlntcrrtc (lLegra 3) e observerr os efeitos potencialmente reforçaclores de
Quando se fala em TAS, frequentemente, os terapeutas já associam a inter- scu coulp()rtirmento em relação aos CRB do cliente (Regra 4), além de fornecer
venção com treinamento de habilidades sociais - THS (e.g., Rocha et al., 20t2) . intcrpr:etações cle variáveis que afetam o comportamento do cliente (Regra 5)'
Tal intervenção se baseia no ensaio comportamental - ensinar comportamen- lissas regras poclem ser entendidas como sugestões de como o terapeuta pode
tos por meio de treinamentos - e em técnicas de relaxamento que têm como se comportar na sessão e não com sentido de rigidez. É como se Kohlenberg
e
objetivo a redução de tensão muscular e da ansiedade (Caballo, 2003). 'llsai falassen1: tente fazer assim, pode dar certo e não: faça desta formal
contudo, Magri e coelho (2019) realizaram um estudo com o objetivo de Ao descrever as cinco regras, também são apresentadas algumas palavras
comparar os efeitos das intervençÕes da psicoterapia analítica funcional (FAp) rlenominadas "termos mediadores": consciência, coragem e amor (Tsai et al''
e THS em classes de comportamentos relacionados ao TAS. para isso, foi utili- 201 1). Nesse contexto, entende-se por consciência: o terapeuta estar atento
aos
zado um delineamento AB1cB2 (linha de base múltipla entre comportamen- cRB que ocorrem na sessão para que se possa reagir de modo terapêutico
(di-
tos), sendo A - a fase de linha de base, Bl e 82 - as fases em uma crasse de retamãnte relacionado com as Regras 1 e 4). A consciência, na FAR só é possí-
comportamentos passaram por intervenções da FAp e outra que foi submetida vel quando o terapeuta está com uma conceitualizaçáo do caso bem definida.
à intervenção da THS, e c - a fase em que se alternaram as intervençoes entre O que geralmente o cliente descreve nas sessÕes são os comportamentos que
essas classes de comportamentos. os resultados da pesquisa apontaram para ocorrem fora da sessão (sendo O1 - exemplos de topograÍias de comportamen-
um aumento na frequência de ocorrência das classes de comportamento sob tos problemas que ocorrem fora da sessão e 02 - exemplos de topografias de
intervenção ao longo das sessões, com maiores frequências nas sessÕes de FAp .omportamentás relacionados à melhora que ocorrem fora da sessão). É tarefa
comparadas às sessões de THS. o participante relatou maior nível de ansieda- do terapeuta analisar as falas do cliente e identificar os CRB do caso em especí-
de nas sessÕes de THS comparado às sessões de FAp. contudo, em relação às fico para ficar atento à ocorrência de cRB e observar seus efeitos.
aplicaçÕes dos instrumentos [Inventário de Fobia social - spIN (connor et Considerando o caso de Fernando, de 47 anos, divorciado, vendedor, com
al., 2000) e o Inventário de Habilidades sociais - IHS (Del prette & Del prette, diagnóstico de ansiedacle social há 4 anos e que fazt'a uso de ansiolítico' Nas
2001)], não foi possível observar diferença entre as aplicações realizadas antes priÀeiras sessÕes, ele relatava que "apenas que sob o efeito do medicamento
da linha de base e ao final das intervenções. contudo, visando favorecer mais àru .r-u pessoa 'normal', mas que não queria continuar tomando o remédio
evidências das respectivas eficácias e prover à área a possibilidade de fornecer por muito tempol Fernando apresentava dificuldade de se relacionar com
tratamentos mais eficazes, os autores sugerem a realizaçáo de novos estudos, p"rrou, próximas (e.g., pai, ex-mulher com quem tem um filho de 14 anos)'
principalmente que avaliem a generalização. àificuldade em estabelecer relacionamentos amorosos e diÍiculdades no traba-
A FAP, desenvolvida por Kohlenberg e Tsai, pode ser descrita como uma tho (e.g., fazer cobranças dos clientes, apresentar os proclutos, persuadir para a
terapia comportamental que utiliza da relação terapeuta-cliente durante a ses- compia). Diante dos relatos de Fernando, foi identificado que as dificuldades
são de psicoterapia como oportunidade para reforçar naturalmente e reduzir a apresentadas como O1 tinham como função fuga/esquiva das situações de in-
frequência de comportamentos-problema (cRB1) e aumentar a frequência de teração social e situações de desempenho (principalmente no ambiente de tra-
comportamentos que sinalizam melhora (cRB2) durante as sessÕes de psico- balho). Logo, como cRBl, foram identificados comportalnentos como: falar
terapia (Kohlenberg & Tsai, l99t12006). excessivamente, não responder o que foi perguntado, verborreia'
Na FAB como o mecanismo de mudança clínica é o responder contingente A coragem, na FAP, está relacionada com o terapeuta Íicar vulnerável e as-
do terapeuta aos comportamentos clinicamente relevantes (cRB), o foco está sumir riscos e demonstrar seus próprios limites de intimidacle, irmpliando ser-rs
na relação terapêutica. o terapeuta está atento aos comportamentos do cliente limites e arriscando além cle sua zona de conforto para criilr ltttta rclação te-
que ocorrem dentro da sessão e que têm a mesma função dos comportamentos rapêutica evocativa (diretamente relacionado com a Regra 2). Sendo assitn, o
do cliente que ocorrem fora da sessão. terapeuta FAP precisa estar disposto a emitir comportamentos como: autenti-
A relação terapêutica e fundamentada com base em regras que norteiam o cidade, autorrevelação, perseverança, entre outros'
responder do terapeuta durante a sessão. Essas regras estão justapostas de forma Durante as sessÕes, Fernando falava excessivamente e não respondia às
didática da seguinte forma: o terapeuta ficar atento às ocorrências de cRB du- perguntas feitas pela terapeuta. Apesar de a terapeuta identificar tais compor-
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5rJ
tamental) o comportamento de expressar seus sentimentos para a mulher com 5. Kohlerrberg,R.].,&Itai,M. (2006),Psicoterapiaanalí[Link]çáoorganizadap<rrR.R.
em 1991)'
quem ele estaya saindo. Frequentemente, os clientes retornam na sessão se- Kerbauy. Santo André: ESETec. (Trabalho original publicaclo
[Link],M.R.,&Coelho,C.(20i9).Comparaçãodosefeitosdotreinamentodehabilitladessociais
guinte ao treino relatando que não se comportaram como treinado em sessào. terapia analítica funcional nas habilida<les sociais de um paciente
corn fobia social' RevlsÍa
e dl
No exemplo anterior, a descrição está na topografia do comportamento. Brasíleira de Terapia ComPortamental e Cognitiva' 21(l)' 24-42'