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Ética na Experimentação Animal Global

O documento discute a ética da experimentação animal ao longo da história e na situação atual. Ele descreve como os animais têm sido usados em pesquisas desde a antiguidade e resume as leis e diretrizes que regulamentam seu uso, incluindo a proposta dos "3 Rs" para humanizar experimentos. O texto também fornece exemplos de como alguns países da Europa e regiões vêm limitando ou abolindo completamente o uso de animais para fins educacionais e de pesquisa.

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Bruna da Silva
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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Ética na Experimentação Animal Global

O documento discute a ética da experimentação animal ao longo da história e na situação atual. Ele descreve como os animais têm sido usados em pesquisas desde a antiguidade e resume as leis e diretrizes que regulamentam seu uso, incluindo a proposta dos "3 Rs" para humanizar experimentos. O texto também fornece exemplos de como alguns países da Europa e regiões vêm limitando ou abolindo completamente o uso de animais para fins educacionais e de pesquisa.

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"Os animais devem ser tratados com gentileza,

por terem a mesma origem do homem"

Ética em experimentação Animal


Situação Mundial
Universidade do Sul de Santa Catarina
Profª : Andreia Cardoso

Acadêmicas:
Ana Julia Marques
Bruna da Silva Francisco
Carolaine do Nascimento
Geovana Scheidt
Kely Kahl Vieira
Larissa Pereira Amorim
Marina Farias Pires

Ética em experimentação Animal


Situação Mundial
C
INTRODUÇÃO

Percebe-se que atualmente há um questionamento no sentido de saber se a ética está realmente presente
nos experimentos que envolvem animais. Essa discussão ganha ainda mais força quando são divulgados casos
de maus tratos e de não observância de normas e preceitos éticos por parte de algumas empresas.

A bioética é um tema de relevância quando se pensa em ética e sua relação com a vida, não só humana, mas
também a vida animal.

No que concerne à experimentação animal, faz-se necessário compreender o conceito deste termo, como
também mostra-se importante buscar uma análise do histórico da utilização dos animais em experimentos.

A “experimentação animal” pode se referir ao estudo em animais para um maior conhecimento deles
próprios, e possíveis aplicações na própria saúde e bem-estar dos animais, tal como ocorre especialmente no
campo da medicina veterinária. No entanto, de forma mais frequente, os animais são usados como
“modelos”, a fim que se obtenha conhecimento e possíveis benefícios para a espécie humana.
B

Galeno, foi talvez o William Harvey


Neste período,
primeiro a realizar René Descartes acreditava que apresentou os
Hipócrates já
vivissecção com os processos de pensamento e resultados obtidos em
relacionava o
objetivos sensibilidade faziam parte da estudos experimentais
aspecto de órgãos
experimentais, ou alma. Na sua concepção os sobre a fisiologia da
humanos doentes
seja, de testar animais não tinham alma, não circulação realizados
com o de animais,
variáveis através de em mais de 80
com finalidade havia sequer a possibilidade
alterações provocadas diferentes espécies
claramente didática. de sentirem dor.
nos animais. animais.

582-500 450 aC 131-201 1596-1650 1638 1876


aC

A primeira lei a
Pitágoras pensava que a
amabilidade para com regulamentar o uso de
todas as criaturas não- Os anatomistas Alcmaeon (500 aC), Herophilus (330-250 aC) e Erasistratus (305- animais em pesquisa foi
humanas era um dever. O 240 aC) realizavam vivissecções animais com o objetivo de observar estruturas e proposta no Reino Unido.
uso de modelos animais formular hipóteses sobre o funcionamento associado às mesmas.
em pesquisas vem sendo
feito desde a antiguidade.
B

A primeira lei a regulamentar o uso de animais em pesquisa foi


proposta no Reino Unido, em 1876, através do British Cruelty
to Animal Act. Em 1822, já havia sido instituída a Lei Inglesa
Anticrueldade (British anticruelty act). Esta regra foi também
chamada de Martin Act, em memória de seu intransigente
defensor Richard Martin (1754-1834). Ela era aplicável apenas
para animais domésticos de grande porte. A primeira lei a
proteger estes animais, talvez, tenha sido uma que existiu na
Colônia de Massachussets Bay, em 1641. Esta lei propunha que:
ninguém pode exercer tirania ou crueldade para com qualquer
criatura animal que habitualmente é utilizada para auxiliar
nas tarefas do homem.
B

O zoologista William M.S. Russell e o


No Brasil, a lei 6.638,
A primeira microbiologista Rex L. Burch
estabeleceu as normas para a
publicação norte- publicaram um livro , onde
prática didático-científica da
americana sobre estabeleceram os três R’s da pesquisa em
vivissecção de animais. Esta
aspectos éticos da animais: Replace, Reduce e Refine. Esta
lei estabelece que as pesquisas
utilização de animais proposta não impede a utilização de
em experimentação devem ser realizadas sempre
modelos animais em experimentação,
foi proposta pela dentro do critério de não
mas faz uma adequação no sentido de
Associação Médica causar sofrimento nos animais
humanizá-la.
Americana. envolvidos.

1909 1959 1996


Séc 19 1979

Foram apresentados no Brasil


A primeira foi criada na Inglaterra, em 1824. Em 1840 esta Sociedade foi vários projetos de lei
Surgiram as primeiras
assumida pela Rainha Vitória, recebendo a denominação de Real Sociedade. Em estabelecendo novas normas
sociedades protetoras de
animais. 1845 foi criada na França a Sociedade para a Proteção dos Animais. Em anos para as pesquisas com
posteriores foram fundadas sociedades na Alemanha, Bélgica, Áustria, Holanda e animais, sem que qualquer um
Estados Unidos. deles tenha sido aprovado, até
o presente momento.
C
SITUAÇÃO MUNDIAL
• Na Europa, por exemplo, muitas faculdades de medicina não utilizam mais animais nem mesmo nas aulas de técnica
cirúrgica e cirurgia, designando substitutivos em todos os setores.
• Na Inglaterra e Alemanha, a utilização de animais na educação médica foi abolida. Sendo que na Grã-Bretanha
(Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda) é contra a lei estudantes de medicina praticarem cirurgia em animais.
Lembrando que os métodos britânicos são comprovadamente tão competentes quanto quaisquer outros.
• A produção de anticorpos monoclonais por meio de animais foi banida na Suíça, Holanda, Alemanha, Inglaterra e
Suécia.
• Na Itália, entre 2000 e 2001 mais de um terço das universidades abandonaram a utilização de animais para fins
didáticos.
• A Província do Tirol, Itália, proibiu a experimentação em animais em todo seu território.
• Nos Estados Unidos, mais de 100 faculdades de medicina (70%) não utilizam animais vivos nas aulas práticas. As
principais instituições de ensino da medicina, como a Harvard, Stanford e Yale julgam os laboratórios com animais
vivos desnecessários para o treinamento médico.
• Na Alemanha, Canadá e Austrália este percentual é de praticamente 100%.
• Escolas médicas britânicas Cambridge e Oxford, realizam treinamento com cadáveres e,em animais vivos,
castrações.
C
LEGISLAÇÃO E PESQUISA

A primeira tentativa de doutrinar a pesquisa animal, principalmente nos vertebrados, foi proposta pela "Cruelty
to Animals Act" em Londres, numa época que coincidiu com a descoberta e prática da anestesia geral por Morton
(1846) nos procedimentos cirúrgicos.
Os animais passaram a merecer todos os benefícios conquistados e aplicados ao homem, principalmente quando
uma agressão cirúrgica é realizada sem dor. Alguns tópicos normativos, até hoje, gozam do direito de imutáveis:
• Drogas anestésicas de primeira linha serão administradas para aliviar a dor;
• Experimentos animais devem ser realizados por pesquisador credenciado; e
• Os experimentos, motivados pela evolução da ciência, visam ao bem dos seres vivos.
Somente em 1876, na Inglaterra, foram elaborados os princípios de ética aplicados em benefício da
experimentação animal, que vigoram até os dias atuais.
A
LEGISLAÇÃO E PESQUISA

Na declaração de Helsinki I, adotada na 18ª Assembléia Médica Mundial, realizada em Helsinki (Finlândia), no
ano de 1964, foi enunciado no item 1 dos Princípios Básicos: “A pesquisa clínica deve adaptar-se aos princípios
morais e científicos que justificam a pesquisa clínica e deve ser baseada em experiências de laboratório e com
animais”.

Para que sejam respeitadas as leis e princípios, foram criadas as Comissões de Ética para Pesquisa em Animais. O
primeiro país a criar estas comissões foi a Suécia em 1979. Os Estados Unidos da América adotaram esta prática
em 1984, enquanto no Brasil os comitês foram constituídos na década de 90.

É importante que os membros dessas comissões sejam capazes de avaliar a natureza e as consequências que
determinado experimento pode trazer. Os membros dos Comitês de Ética em Experimentação Animal, assim
como os legisladores, têm a difícil tarefa de conciliar os aspectos éticos com os interesses científicos, legais,
econômicos e comerciais
O exercício da pesquisa deve ser conduzido somente por pessoas cientificamente qualificadas e sob constante
supervisão de seu orientador. Na revista Acta Cirúrgica Brasileira, 95% dos artigos enviados à sua Comissão
Científica são de pesquisa em animais de laboratório, muitas vezes não obedecendo aos princípios éticos da
experimentação animal.
A
INDUSTRIA COSMÉTICA

Inúmeros são os testes realizados nesta área, dentre eles o teste de sensibilidade ocular (o Draize Eye Test, que
consiste numa experiência de irritação ocular com a finalidade de testar xampus entre outros diversos
cosméticos nos olhos de coelhos presos a aparelhos de contenção), que pode ser facilmente substituído, tendo
em vista que existem mais de 60 métodos alternativos ao teste Draize, entre eles, o Eytex e o Matrex, bem
como córneas (animais e humanas) de indivíduos mortos e células corneais mantidas in vitro.

Outro teste muito comum nesta área é o teste de sensibilidade cutânea (o Draize Skin Test é realizado primeiro
depilando-se uma área do corpo do animal, raspando-se a pele, muitas vezes provocando até o sangramento, e
aplica-se a substância a ser estudada, observam-se os sinais de enrijecimento cutâneo, úlceras, edema, etc.),
porém, sabendo as diferentes constituições epidérmicas da pele humana e dos animais faz com que este teste
seja extremamente questionado. Substituições oferecidas: métodos in vitro que empregam culturas de células
da pele, tais como Corrositex, Skintex, Epiderm e Episkin.
A Parlamento Europeu pede fim de testes de cosméticos em animais no mundo
Publicado em: 03/05/2018

"A experimentação em animais não se justifica mais para os cosméticos", afirmam os eurodeputados
em uma resolução aprovada em sessão plenária em Bruxelas por uma esmagadora maioria (620
votos a favor, 14 contra). O texto pede aos Estados-membros que apoiem a oposição dos cidadãos a
essa prática, assim como o desenvolvimento de métodos de experimentação alternativos.

A União Europeia já proíbe todos os testes na indústria cosmética


com animais desde 2013, além da venda de produtos testados
nesses tipos de cobaias. Porém, cerca de 80% dos países do
mundo continuam autorizando essa prática, relata o Parlamento.
A restrição no bloco europeu não teve um impacto negativo no
desenvolvimento do setor dos cosméticos no bloco, garante o
Parlamento, numa tentativa de convencer os industriais. O setor
gera dois milhões de empregos na UE e é "o maior mercado de
produtos cosméticos no mundo".
A Euro câmara também denuncia o fato de que alguns
cosméticos são experimentados em animais fora da UE, antes de
serem testados dentro do bloco com métodos alternativos. Essa
estratégia permite a esses produtos serem comercializados na
UE, contornando a legislação.
G
Num ano, União Europeia usou mais de nove milhões de animais em laboratório
— foram 41 mil em Portugal
Os laboratórios portugueses usaram 40 998 animais, maioritariamente ratinhos, ratos
e peixes, para investigação científica em 2017. União Europeia revela as estatísticas
da experimentação animal no “relatório mais transparente” de sempre.
Renata Monteiro
7 de Fevereiro de 2020, 16:26

Em 2017, 9 388 162 animais foram usados “em investigações científicas, médicas e
veterinárias” na União Europeia (UE). Na sua maioria, ratinhos (92%), peixes, ratos e
pássaros, mas também, embora numa percentagem quase irrisória (0,25%), cães,
gatos e macacos, descreve o “mais transparente” relatório sobre experimentação
animal na UE, divulgado a 5 de Fevereiro, pela Comissão Europeia.
EUA querem acabar com testes em mamíferos até 2035
G O orçamento para estudos que envolvam a experimentação com
animais do tipo cairá em 30% até 2025, segundo a Agência de
Proteção Ambiental do país - 13 SET 2019

A Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) anunciou que


vai reduzir o investimento em experimentos que envolvam testes em animais
mamíferos. A queda dos recursos destinados à prática será de 30% até 2025,
com o objetivo que os experimentos sejam totalmente eliminados até 2035.
Por enquanto, só haverá a realização do que a entidade chamou de testes
“excepcionais”.

A EPA disse que vai investir US$ 4,25 milhões (R$ 17,25 milhões, na atual
cotação) para que universidades dos EUA façam pesquisas que visem criar
métodos alternativos de análises científicas sem o uso de animais. Um
exemplo são modelos computadorizados e matemáticos para evitar danos à
saúde e ao meio ambiente.

https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Meio-Ambiente/noticia/2019/09/eua-
quer-acabar-com-testes-em-mamiferos-ate-2035.html
B

Para testes em cosméticos, onde o uso opcional é um


diferencial em relação aos fármacos, a crítica aos testes em
animais foi vanguardista. No ano 1980, a Revlon foi
denunciada e destinatária de uma grande campanha
pública para abolir o teste Draize de Irritação Ocular em
Coelhos. A campanha tinha como lema “Quantos coelhos a
Revlon deve cegar em nome da beleza?”, pressionando a
empresa a investir em métodos alternativos.
B TESTES COM FINALIDADES COSMÉTICAS

Hoje os testes em animais para cosméticos é um assunto bastante discutido, incluindo proibição em diversos
países.
Já em 1998, o Reino Unido proibiu os testes em animais para ingredientes e produtos finais cosméticos. A
União Europeia concluiu a proibição total dos testes em animais para ingredientes e produtos finais, incluindo
a proibição de comercialização, em 2013, com o artigo 18° do Regulamento (CE) N. 1.223/2009 do
Parlamento Europeu e do Conselho de 30 de Novembro de 2009. Essa proibição foi criticada, devido à falta de
métodos alternativos validados para a toxicidade de dose repetida, toxicidade reprodutiva e toxicocinética.
Mas esse também foi um motivo para essa ação. A proibição visa o incentivo às empresas para o
desenvolvimento de novos métodos. Assim esses métodos podem ser aplicados também a outros produtos.
Essa pressão legal sobre a comercialização dos cosméticos fez om que a União Europeia investisse 238
milhões de euros em métodos alternativos, de 2007 a 2011. Israel e a Nova Zelândia também seguiram essa
estratégia, com a proibição total em 2013 e 2015, respectivamente. Ainda a China tem um efeito importante na
comunidade internacional que trabalha na substituição da experimentação animal, devido os testes em animais
serem obrigados pela agência regulatória quando há potencial farmacológico, como xampu anticaspa ou
cremes antirrugas.
G Espécies Utilizadas

Os laboratórios se utilizam de diversos animais para diversas funções:


• Ratos (utilizados, na maioria das vezes, para investigação do sistema imunológico)
• Coelhos (submetidos a testes cutâneos e oculares, entre outros procedimentos)
• Gatos (usados principalmente para a realização de experiências cerebrais)
• Cães (geralmente destinados ao treinamento de cirurgias)
• Rãs (que são designadas para teste de reação muscular e, principalmente, na observação didática)
• Macacos (usados para análises comportamentais, entre outras funções)
• Porcos (cuja pele rotineiramente serve de modelo para o estudo da cicatrização)
• Cavalos (bastante utilizados no campo da sorologia)
• Pombos e peixes (destinados, principalmente, aos estudos toxicológicos), e muitas outras espécies que
também servem como cobaia para as experimentações realizadas pelo homem
G UTILIZAÇÃO ANIMAL

Se a premissa da utilização animal está baseada em sua incapacidade de consciência ou sentimento, uma
postura moral não deixa margem para a continuidade de tais práticas laboratoriais, porquanto há muito já se
concluiu afirmativamente acerca das aludidas capacidades nos animais. Contudo, há que se respeitar não
somente o sofrimento, mas também a vida dos animais não-humanos.

São colacionados a seguir os posicionamentos de três autores, que são referências na temática. Peter Singer,
Tom Regan e Gary L. Francione.

Peter Singer defende a igual consideração de interesses entre animais humanos e não-humanos. A
inteligência não pode ser o parâmetro, mas sim o sofrimento, esta é a linha demarcatória para que exista a
consideração moral, de outra forma, não haveria motivos para considerar o ser humano com reduzida
capacidade mental, até porque, muitos animais não-humanos são mais desenvolvidos que muitos humanos,
como por exemplo; um chimpanzé e uma pessoa com grave deficiência mental.

Seu livro Libertação Animal, fundamental para causa animal, relata de forma detalhada diversos
experimentos, sejam para armamentos, cosméticos, remédios, no campo da psicologia, demonstrando o
acentuado grau de desnecessidade e coisificação da vida animal.
M UTILIZAÇÃO ANIMAL
Conforme Tom Regan, os animais, seres vivos que são, devem ter sua dignidade respeitada, ou seja, vida, liberdade,
integridade.
Portanto, o erro das pesquisas com animais e a necessidade de se investir em métodos alternativos. Em seu livro
Jaulas Vazias relata, assim como Singer, diversos casos dramáticos. Em uma experiência com cães para pesquisa de
sarna, filmada pela Ong. Peta, animais infectados pela sarna eram observados sem que recebessem tratamento
veterinário, pois poderia influenciar no resultado do experimento.

Note-se o caso da cadela Genesee, que de tão infectada girava constantemente em círculos, incapaz de descansar;
quando tocada gania, não comia e não tomava água, uivava vorazmente de dor, até que morreu sem receber
qualquer tratamento. Esta experiência cruel foi realizada na Universidade Wright nos Estados Unidos.

De acordo com o abolicionista Gary Lawrence Francione, na obra Animals, Property and Law, não se deve utilizar, sob
nenhuma maneira, animais em pesquisa independente de parâmetros consignados pelo homem, porquanto os
animais não são serventia para a humanidade, não são coisas, não são propriedades. Aponta quatro razões
principais para que não sejam utilizados em experiências científicas, bem como para o crescimento do número de
defensores dos animais.
M UTILIZAÇÃO ANIMAL
A primeira delas é o crescente ceticismo em relação ao reducionismo cartesiano. Na perspectiva de Descartes,
uma perspectiva mecanicista filha do século XVII , afirma-se que é possível conhecer a natureza estudando-a em
pedaços e recompondo-a, ao final, em um todo sistemático. Desde então a aceitação generalizada da vivissecção
deveu-se a essa tese, reducionista adotada pelos cientistas da área da vida. A ciência é refém do modelo
mecanicista cartesiano, mesmo passados quase quatrocentos anos.

A segunda razão para mudança de perspectiva na concepção dos próprios cientistas é a de que a ciência já não é
mais tida como a descobridora de “verdades”, ou uma espécie superior de conhecimento ao qual tudo o mais
deva ser submetido.

A terceira é a questão de que o bem-estar animal e os direitos animais tem sido profunda, ampla e criticamente
estudada por filósofos nos últimos vinte anos, o que fez muitos cientistas despertarem para a investigação da
natureza animal e contribuiu para descobertas que corroboram as teses zooéticas e põem em cheque a filosofia
moral tradicional, o reducionismo cartesiano e toda a ciência animal especista até então desenvolvida de modo
incipiente.

Finalmente, a quarta questão é a das revelações feitas pelos abolicionistas tornando públicos os experimentos
cruéis com animais.
M UTILIZAÇÃO ANIMAL

As primeiras leis em defesa dos animais não possuíam enfoque na proteção ou regulamentação do uso de
animais em experiências. Na verdade, eram mais aplicáveis à proteção dos animais domesticados, daqueles
empregados para transporte, dos tidos como bens de valor financeiro, em escala produtiva, industrial, para
alimentação, vestuários, etc.
Experiências são realizadas para demonstrar algo que já se conhece, compromissadas eminentemente com
fins comerciais. Para testar toxidade, por exemplo, na Inglaterra, 40 macacos foram envenenados com
herbicida letal para quat: todos ficaram doentes, vomitaram, não conseguiram respirar e morreram por
hipotermia. Morreram lentamente e provaram algo que já se sabia, ou seja, o envenenamento com este
herbicida causa morte lenta e dolorida.
Outra questão fundamental se coloca: diversos produtos testados em animais geram resultados negativos no
homem. O que se explica pelo fato de que, apesar das semelhanças de tecidos e órgãos, existem diferenças
significativas. Os resultados gerados a partir das experiências com animais não-humanos guardam a
potencialidade de não serem confirmados quando dos seres humanos. Inúmeros casos demonstram que a
passagem para a espécie humana não é retilínea ou automática e, em muitos casos, houve prejuízo, graves,
para o homem.
L
MÉTODOS ALTERNATIVOS
Como já tantas vezes ressaltado, a ética clama pela aplicação e desenvolvimento dos métodos alternativos, já
existentes, diga-se, em grande número e utilizados por diversos cientistas.

1. Sistemas biológicos in vitro (cultura de células, tecidos e orgãos passíveis de utilização em genética,
micribiologia, bioquímica, imunologia, farmacologia, radiação, fisiologia, toxicologia, produção de vacinas,
pesquisa sobre o vírus do câncer);
2. Cromatografia e espectometria de massa (técnica que permite a identificação de compostos químicos e sua
possível atuação no organismo, de modo não-invasivo);
3. Farmacologia e mecânica quânticas (avaliam o metabolismo das drogas no corpo);
4. Estudos epidemiológicos (permitem desenvolver a medicina preventiva com base em dados comparativos
e na própria observação do processo de doenças);
5. Estudos clínicos (análise estatística da incidência de moléstias em populações diversas);
6. Necropsias e biópsias (métodos que permitem mostrar a ação das doenças no organismo humano);
7. Simulações computadorizadas (sistemas virtuais que podem ser usados no ensino das ciências biomédicas,
substituindo o animal);
8. Modelos matemáticos (traduzem analiticamente os processos que ocorrem nos organismos vivos);
L
MÉTODOS ALTERNATIVOS

9. Culturas de bactérias e protozoários (alternativas para testes cancerígenos e preparo de antibióticos);


10. Uso da placenta e do cordão umbilical (para treinamento de técnica cirúrgica e testes toxicológicos);
11. Membrana corialantóide (teste CAME, que se utiliza de membrana dos ovos de galinha para avaliar a
toxidade de determinada substância);
12. Pesquisas genéticas (estudos com DNA humano), etc.

“Culturas de tecidos, provenientes de biópsias, cordões umbilicais ou placentas descartadas, dispensam o uso
de animais. Vacinas também podem ser fabricadas a partir da cultura de células do próprio homem, sem a
necessidade das técnicas invasivas experimentais em cavalos, envolvendo a sorologia... processos de análise
genômica e sistemas biológicos in vitro, que, se realizados com ética, tornam absolutamente desnecessárias
antigas metodologias relacionadas à vivissecção (...)”.

Percebe-se pelo exposto que diversas são as possibilidades em que não há a necessidade de utilização dos
animais nos experimentos. Vale ressaltar que em muitos casos aproveita-se o próprio material humano para a
realização da experimentação, o que pode levar a melhores resultados
L
BENEFÍCIOS DOS MÉTODOS ALTERNATIVOS

As vantagens de se utilizar métodos alternativos são muitas, entre elas podes e destacar:

• A economia de tempo, visto que a experimentação animal utiliza-se de muito tempo para a preparação;
• A obtenção de um melhor aprendizado, pelo fato de que com vídeos interativos, por exemplo, se pode voltar
atrás em algum passo ou estágio do experimento;
• Não exige um estudo apenas em laboratório, permitindo que este seja realizado até mesmo em casa;
• Gera também uma economia de valores, ao contrário do que muita gente pensa, estas alternativas são
financeiramente viáveis, pois os gastos com o uso de animais são muitos (cuidados, alimentação, instalações,
etc.) e ainda necessitam de um pessoal especializado, como veterinários, tendo em vista ainda que estas
alternativas são muito mais duráveis;
• A utilização de alternativas respeita os princípios éticos, morais ou religiosos de estudantes que se opõem ao
uso de animais para estas finalidades;
• A possibilidade, estas alternativas são possíveis, muitas universidades de muitos países têm abolido o uso de
animais nos currículos de diversos cursos e viabilizado alternativas para os estudantes.
K
BENEFÍCIOS DOS MÉTODOS ALTERNATIVOS

Para demonstrar a desnecessidade do uso de animais no ensino foram realizadas entrevistas com médicos de
diversos países sobre a utilização de animais no ensino.

Médicos como: Corina Gericke, Veterinária da Alemanha, que, quando questionada se seria possível ser um
bom cirurgião sem ter aprendido com animais, salientou
“Você não pode ser um bom cirurgião quando aprende com animais. É óbvio que os estudantes devem
estar em contato com tecido vivo, mas deve ser um tecido vivo de uma operação em um paciente.
Quando um estudante observa e ajuda um cirurgião experiente, ele está em contato com tecido vivo,
com hemorragias, etc. Não existe NENHUMA universidade de medicina na Alemanha onde os
estudantes tenham que participar de experimentos com animais para aprender cirurgia. Como
alternativas, pode-se praticar em cadáveres.”

Stefano Cagno, médico cirurgião da Itália, disse que


“O uso de animais na pesquisa médica e científica não traz nenhum benefício ao progresso científico.
Os animais possuem uma anatomia diferente da do homem e uma consistência/estrutura dos tecidos
também diferente. Existem indústrias que produzem membros artificiais feitos de material com a
mesma consistência dos tecidos humanos.”
K
BENEFÍCIOS DOS MÉTODOS ALTERNATIVOS

Jerry W. Vlasak, médico cirurgião dos Estados Unidos, em sua entrevista relatou que “Nenhum cirurgião nos
EUA aprende cirurgia praticando em animais. Apenas uma universidade daqui requer animais de
laboratório, e todas oferecem alternativas para a dissecção animal. Animais são muito diferentes em
tantos aspectos que a prática provinda deste tipo de experimento não é confiável quando praticamos a
medicina humana. Mais importante: como podemos esperar que jovens cirurgiões desenvolvam
sensibilidade, quando eles são ensinados a matar animais saudáveis?”

David Collins, cirurgião pediátrico do Canadá, salientou que “O uso de animais não é necessário. Como
alternativa pode-se utilizar modelos plásticos que estão disponíveis para o aprendizado de algumas
técnicas, e mesmo pessoas”.

Estas entrevistas foram cedidas a Thales Tréz, no período entre agosto e dezembro de 1999. A partir destas
entrevistas, pode-se observar a desnecessidade da utilização de animais como recurso didático, visto que a
continuação de seu uso é um ato repugnante exercido por motivos financeiros, já que a criação de cobaias
gera lucro.
K
CONCLUSÃO

Os docentes, pós-graduandos, residentes e graduandos de uma Faculdade de Medicina, envolvidos em


pesquisas realizadas em animais, devem conhecer cinco princípios éticos que visam proteger os animais
selecionados para uma pesquisa científica.
• A experiência desenvolvida no biotério, por mais cuidadosa, constitui um ato cruel para as espécies
animais;
• Por mais que se queira negar, o homem é um explorador do próprio homem e muito mais dos animais
dentro e fora de uma pesquisa benéfica ou inútil;
• Os defensores dos animais, pertencentes ou não a alguma sociedade constituída, tomam atitudes
extremistas, não aceitando com facilidade uma conciliação mesmo que moderada;
• Toda sociedade científica, antes dos benefícios conquistados e divulgados, provoca algum sofrimento e até
mesmo a morte dos animais;
• Ao dispor-se a realizar uma experimentação animal, que ela seja ética, agindo com consciência, critério e
limitação racional.
K

Testam em Animais

Não testam em Animais


REFERÊNCIAS

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-
70942003000200014

http://www.publicadireito.com.br/conpedi/anais/36/12_1350.pdf

https://www.rfi.fr/br/europa/20180503-parlamento-europeu-pede-fim-de-
testes-de-cosmeticos-em-animais-0

http://site.fdv.br/wp-content/uploads/2017/03/Parte-1-14-A-bioe%CC%81tica-e-
a-experimentac%CC%A7a%CC%83o-animal-Sabrina-Eancio-e-Cristina-
Pazo%CC%81.pdf

https://www.pucrs.br/direito/wp-
content/uploads/sites/11/2018/09/maya_rech.pdf

https://www.ufrgs.br/bioetica/animhist.htm

https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
86502001000400012#:~:text=Uma%20experimenta%C3%A7%C3%A3o%20anima
l%2C%20%C3%A9tica%20e,animais%20merecem%20carinho%20e%20respeito.
"A compaixão para com os animais é das mais nobres
virtudes da natureza humana." Charles Darwin

Situação Mundial

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