Anais do 60º Congresso de Educação Médica
Anais do 60º Congresso de Educação Médica
53692/Anais2022COBEM
ANAIS DO
CONGRESSO
BRASILEIRO DE
EDUCAÇÃO MÉDICA
60º COBEM
Ciência, cuidado
e resiliência na
educação médica
ISSN 2675-5378
1
COMISSÃO ORGANIZADORA
Presidente Docente
Luis Fernando Boff Zarpelon
Presidente Discente
Gabriel Nagaoka
Comissão Cultural
Fabiana Aidar Fermino
Luciana Brandão Carreira
Nathalia Milanez Suzigan
Mara Estefani Ferrer
Luiza Menegazzo
Jessica Albino
Apoio
Rozane Landskron
Svendla Chaves
Luis Cartezani
Produção
Acontece Eventos
Produção editorial
Isadora Abreu
Instituição
Associação Brasileira de Educação Médica
E-mail: [email protected]
Os resumos são publicados exatamente como submetidos pelos autores, aos quais coube a conferência do conteúdo e da adequação linguística.
1. Educação. 2. Educação Médica. 3. Ensino na Saúde. 4. Congresso. 5. COBEM. 6. ABEM. I. 60º COBEM.
II. Ciência, cuidado e resiliência na Educação Médica. III. ABEM – Associação Brasileira de Educação
Médica.
CDD 610.7
APRESENTAÇÃO
O 60º Cobem – Ciência, cuidado e resiliência na Educação Médica reveste-se de um simbolismo que o torna
um congresso particularmente especial.
Primeiro porque nesta edição celebramos os 60 anos da Abem, uma entidade que marca indelevelmente a
história de educação médica brasileira. Resgatar o valor dessa entidade, nascida do genuíno desejo de construir uma
formação médica capaz de responder aos anseios de uma sociedade e que evidenciou gerações de educadores
comprometidos com esta missão, é algo que torna único este congresso.
Também o fato de representarmos a 60ª edição de um evento que vem atravessando décadas, passando por
diferentes momentos da nossa história política e por inúmeros desafios no campo da educação médica nos impinge o
desafio e a responsabilidade de um congresso à altura desta história.
Por fim, celebraremos o reencontro de um distanciamento de dois anos imposto pela pandemia da Covid-19,
cuja passagem serviu para mostrar o valor da ciência, do SUS, da solidariedade e da empatia. Essa celebração se dará
em Foz do Iguaçu, cidade que retrata a comunhão de povos que chamam por integração em meio à exuberância de
uma natureza extraordinária.
Por todas essas razões não poderíamos deixar de ousar, de transformar o 60º Cobem em uma experiência
inesquecível para você.
Diferente dos anos anteriores, as atividades do evento não serão organizadas em eixos temáticos e sim em três
grandes eixos estratégicos: VIVÊNCIAS; EXPERIÊNCIAS; e EVIDÊNCIAS.
Os temas que tratam da responsabilidade social das escolas médicas, da emergência das humanidades e
diversidades em nosso meio, dos desafios da interiorização e da internacionalização do ensino médico, dos processos
avaliativos e da inovação permanecem presentes na programação.
Do latim viventia, que significa viver, nas atividades do eixo VIVÊNCIAS queremos que você possa experimentar
estas temáticas por meio de momentos que caracterizem verdadeiras experiências de vida; compartilhadas com
colegas que, como você, militam na educação médica.
As atividades que proporcionarão aos congressistas a possibilidade de discutir e compartilhar o conhecimento
ou aprendizado obtido através da prática, da experiência de vida, ou do trabalho sistemático, aprimorado com o passar
do tempo, estarão no eixo EXPERIÊNCIAS.
E o compartilhamento e debate das informações provindas da produção científica sobre educação médica
comporá as atividades do eixo EVIDÊNCIAS.
Deste modo, pretendemos que o 60º Cobem atenda às diferentes expectativas da nossa igualmente diversa
comunidade.
Venha viver, conhecer e partilhar toda a riqueza da educação médica brasileira no 60º Cobem.
relevante, de alta qualidade, equitativo e de baixo custo são necessários. Algumas áreas que expressam consensos
para ação na perspectiva da responsabilidade social incluem a antecipação das necessidades sociais em saúde e o
estabelecimento de parcerias entre os atores do processo, uma formação alinhada às necessidades das comunidades
nas quais atuam, uma governança responsiva e responsável na escola médica, a melhoria contínua da qualidade do
ensino, pesquisa e prestação de serviços e a definição de mecanismos de acreditação, entre outros.
Debater os desafios da construção de escolas socialmente responsáveis, analisar as diretrizes curriculares sob
esta perspectiva, apreender e debater o tema a partir das singularidades das nossas escolas e pensar nos temas
clássicos – currículo, avaliação, gestão e pesquisa em termos de responsabilidade social são as linhas gerais sob as
quais este eixo se desenvolverá.
A programação deste eixo pretende debater e analisar, à luz das evidências, as políticas atuais de interiorização,
os fatores que facilitam e dificultam esse processo, que desafios impõem os modelos curriculares, a infraestrutura das
escolas e dos serviços de saúde e as perspectivas da formação docente e da pesquisa no interior, além de evidenciar
no meio médico educacional brasileiro as políticas de idiomas das nossas escolas, os desafios relacionados à gestão
para internacionalização, sobretudo nas escolas públicas, e as possibilidades para internacionalização a partir dos
marcos regulatórios atuais.
SUMÁRIO
EIXO IV: Diagnóstico, prevenção e enfrentamento do sofrimento na educação médica .............. 431
EIXO I:
Responsabilidade social da
escola médica
Bruna Duarte Moscarelli1, Vania Dias Cruz1, Luane do Prado Porta 1, Lucieli Dutra Jaques1, Alita Rodrigues Borges1
1 UNIPAMPA
Introdução
O grupo de pesquisa em gestão na saúde coletiva de uma universidade do sul do Brasil foi criado em 2020 e iniciou suas atividades de forma remota devido à vigência da pandemia de
COVID-19. Sua proposta é fortalecer a integração entre Ensino, Pesquisa e Extensão inerentes à formação acadêmica e estimular a autonomia dos discentes na construção de conhecimentos
sobre Saúde Coletiva, Gestão em Saúde e Sistema Único de Saúde (SUS). O desenvolvimento das atividades é balizada pela pedagogia problematizadora de Paulo Freire, que estimula a
participação ativa dos acadêmicos, incentiva o diálogo e favorece o autorreconhecimento dos sujeitos como portadores de diferentes saberes que se complementam. Assim, criam-se espaços
de discussão, reflexão e estruturação de aprendizados essenciais para uma formação médica ampliada, crítica, ética, humanista e capaz de atuar em diferentes cenários de saúde.
Objetivos
Relatar a experiência de discentes do curso de Medicina sobre a participação em um grupo de pesquisa em gestão na saúde coletiva.
Relato de experiência
O presente grupo é composto por 14 discentes e 5 pesquisadores que se reúnem mensalmente por meio de uma plataforma online, para compartilhar conhecimento, trocar experiências e
elaborar pesquisas no campo da gestão em Saúde Coletiva. Inicialmente, os discentes foram subdivididos em pequenos grupos, cada um responsável por apresentar um tema relativo aos
aspectos da Gestão em Saúde e da Saúde Coletiva. Abordaram-se os tipos de gestão, os sistemas de informação em saúde e o planejamento em saúde. Após, discutiu-se sobre os tipos de
pesquisa com ênfase na revisão integrativa, a fim de capacitar os discentes de diferentes semestres para produção científica. Atualmente, tem-se trabalhado na construção de uma pesquisa
a respeito das evidências científicas nacionais e internacionais acerca das estratégias de gestão em saúde coletiva em regiões de fronteira, para melhor compreender o cenário de saúde em
que os acadêmicos estão inseridos.
Conclusões ou recomendações
A criação de um grupo de pesquisa, a contribuição para o seu desenvolvimento e a participação ativa nesse corroboram a importância de ferramentas complementares de ensino para uma
formação médicaintegrada visando uma reflexão do contexto de saúde em que se insere. Dessa forma, o grupo de pesquisa, como um espaço de discussão de saberes e de experiências,
permite ao discente a execução de estudos científicos a partir do exercício de um pensamento crítico.
COMPARATIVO ENTRE A VIVÊNCIA NA APLICAÇÃO DE PROJETO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA EM MEIO VIRTUAL E PRESENCIAL
Olívia David Pacheco de Faria Rodrigues1, Paulo Emilio Botura Ferreira2, Caroline Altenburg Rozza2, Rafael Marques da Silveira 2
1 UFU
2 UNIPAMPA
Introdução
O projeto de extensão “Integrando Corpo Humano, Saúde e Escola” é desenvolvido em uma cidade no interior do Rio Grande do Sul que possui vulnerabilidades sociais. Seu objetivo é
integrar a escola médica e a educação básica com a finalidade de promover saúde e alfabetização científica em ações de intervenção que considerem as necessidades das escolas da rede
pública, servindo de forma suplementar a essas demandas. Com o advento da pandemia de COVID-19, ciência e tecnologia se tornaram cada vez mais presentes no cotidiano requerendo
uma maior aproximação com a cultura científica, em contraposição, a suspensão das aulas escolares contribuiu para o distanciamento do saber científico causando consequências no ensino
básico que podem perdurar anos. Nesse sentido, esse trabalho relata a experiência dos discentes participantes no projeto, comparando as intervenções realizadas em duas modalidades
diferentes, remota e presencial, considerando as dificuldades e individualidades das suas escolas participantes.
Objetivos
Relatar a experiência de discentes na participação de um projeto de extensão que integra a escola médica e a educação básica comparando as modalidades de ensino remoto e presencial,
em cenário pandêmico.
Relato de experiência
O projeto de extensão foi aplicado em duas modalidades diferentes, sendo elas, remota e presencial. A seleção das escolas de educação básica participantes foi feita baseada na pontuação
obtida em Ciências da Natureza no ENEM 2019, referidas na divulgação de seus microdados. A aplicação do projeto que ocorreu de forma remota contou com a participação de 151 alunos
e foi dividido em 3 partes, sendo elas: a resolução de um formulário online abordando o conteúdo que será abordado na videoaula, seguido pela videoaula com o conteúdo educativo e
posteriormente a resolução do mesmo formulário que fora aplicado, também de maneira online. Já a aplicação do projeto que ocorreu de forma presencial contou com a participação de
113 alunos e foi dividido em 3 partes, sendo elas: aplicação de um questionário relativo ao conteúdo que seria ministrado na segunda parte, de forma presencial; uma aula presencial com
apresentação de slides e vídeo referente ao conteúdo ministrado; nova aplicação do questionário aplicado na primeira etapa.
Conclusões ou recomendações
Foi possível, através da aplicação do projeto de extensão em duas modalidades, perceber que o desenvolvimento de projetos no formato presencial permanece soberano, em relação ao
formato virtual, nodesenvolvimento de habilidades extracurriculares, de troca de experiência e no aprendizado. Além disso, compreende-se que há muito desconhecimento acerca da saúde
pública na sociedade brasileira epropagar conhecimento sobre essa temática na comunidade escolar, seja de forma virtual ou presencial, é o passo inicial para promover uma transformação
da população a longo prazo.
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Lujácia Felipes Fiorentin1, Cristina Arsego Levi1, Bárbara Berticelli1, Paula Juliane Zanin 1, Nicole Osternach1, Vilson Geraldo de Campos1
1 UNIDEP/AFYA
Introdução
O pré-natal é uma das ações que compõem a atenção à saúde integral da mulher e que ainda não alcançou uma boa cobertura nos serviços de saúde. As mulheres não estão suficientemente
informadas sobre aimportância da consulta pré-natal, assim como, em nível nacional, a consulta pré-natal é de baixa frequência nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), associando-se, ainda, a
ausência de estratégia para a sua implementação. Assim, tendo em vista o grande número de pré-natais de alto risco, ressalta-se a necessidade de atuação de equipes multiprofissionais, isso
porque cada profissional exerce seu papel fundamental nas com ações de conduta, para de fato atender às demandas das gestantes e contemplar os princípios do Sistema Único de Saúde
(SUS), em especial, o da integralidade do atendimento. Por isso, aequipe multidisciplinar deve estar ciente que sua participação, no coletivo, ao atendimento à gestante, é de suma importância.
Objetivos
Relatar a experiência de estudantes de medicina em um projeto de extensão com foco no atendimento interdisciplinar das gestantes. Conhecer sobre as possibilidades de prevenção e
promoção de saúde pela interdisciplinaridade no acompanhamento pré-natal.
Relato de experiência
O seguinte relato de experiência traz a atividade de promoção e prevenção de saúde, desenvolvida por meio de um projeto de extensão com o intuito de interdisciplinarizar o atendimento
às gestantes acompanhadas no pré-natal. Conhecendo o histórico de doenças, condições sociais e vulnerabilidades, foi possível estabelecer metas individualizadas para cada paciente, bem
como distribuir os objetivos da conduta entre a equipe responsável pelo atendimento. Além das visitas domiciliares às gestantes, no desenvolvimento do projeto, foram envolvidas outras
áreas da saúde, além da medicina. Entre elas pode-se destacar a Assistência Social, o Conselho Tutelar, a enfermagem, as agentes comunitárias de saúde (ACS) e as próprias Estratégias e
Saúde da Família (ESF) por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e da prefeitura. No final de cada período de atendimento, visita e discussão dos casos com a equipe, com os dados
coletados no dia em mãos, eram realizados projetos terapêuticos singulares (PTS) individualizados para cada paciente. Após essa etapa, de acordo com o estabelecimento das metas, era
possível contatar com os outros profissionais que iam ser inclusos no atendimento daquela gestante em questão, bem como a notificação de casos necessários para órgãos específicos, como
em casos de violência e negligência, por exemplo.
Conclusões ou recomendações
Após a participação neste projeto de extensão, foi possível perceber que, a equipe multiprofissional, com abordagem interdisciplinar, buscou proporcionar às gestantes uma ampliação dos
cuidados com a saúde, especialmente no que se refere ao período pré-natal. Essa complementação de conhecimentos e de profissionais partiu do pressuposto que uma situação ou condição,
só é compreendida de fato quando analisada de diferentes maneiras e por áreas distintas, por isso o atendimento interdisciplinar é essencial desde o início da vida, ainda no pré-natal.
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A PRODUÇÃO DE CONHECIMENTO E SUA ARTICULAÇÃO COM OS CENÁRIOS DE PRÁTICA E A EDUCAÇÃO PERMANENTE EM FAVOR DA QUALIFICAÇÃO DO
DISCENTE EM SUA TRAJETÓRIA
Rogério Nunes Barreto1, Carolina Miranda Mourão Bastos 1, Paula Regina Teixeira Amiti 1, Andréa de Paiva Dóczy1
1 UNIFESO
Introdução
A iniciação científica é uma estratégia que oportuniza a instrumentalização de discentes para trajetórias acadêmicas potencialmente mais promissoras no campo da produção de conhecimento
científico, trazendoa possibilidade de engajar o discente na pesquisa, encorajando-o neste sentido. Em atendimento às Diretrizes Curriculares Nacionais homologadas na forma de Resolução
em 2014, a produção de conhecimentodeve estar presente na matriz curricular. Em atendimento a esta demanda, uma atividade curricular denominada Instrutoria Produção do Conhecimento,
acoplada ao eixo de Práticas Profissionais com carga horária compartilhada com atividade de Educação Permanente, é ofertada como estratégia que otimiza esta definição, integrada a
materializando a integração ensino-serviço a partir da reflexão sobre cenários de pra´tica e propostas de intervenção ou desenvolvimento de aprofundamento de estudos tendo em vista a
produção de trabalhos científicos.
Objetivos
Apresentar vivência da prática em cenário de ensino na forma de instrutoria e sua contribuição para o fortalecimento da capacidade de produção de conhecimento e refexão crítica sobre a
realidade do mundo dotrabalho.
Relato de experiência
Ao longo do sexto período do curso, cujo recorte curricular era centrado na Saúde da Criança e do Adolescente, a partir da instrutoria Produção do Conhecimento foram ofertadas ferramentas
e arcabouço teóricopara o cumprimento das etapas metodológicas envolvidas no desenvolvimento trabalho científico. A organização e cumprimento das etapas se deu de forma progressiva,
na forma de exercícios complementares que, ao final do período compreendiam todas as seções de um projeto de pesquisa, incluído desde a definição de um tema, sua relevância e
justificativa; e objetivos para o estudo, até a revisão da literatura – ancorada à oferta de instrumental para realização de busca referenciada – estrutura do espaço de discussão e conclusão,
normativas de citação e formatação de referências bibliográficas. Esta atividade teve como objeto ou produto final um trabalho científico na forma de artigo, projeto de pesquisa ou projeto
de extensão vinculado ao eixo práticas profissionais ou Integração Ensino Trabalho Cidadania. As atividades foram ofertadas em grupos de até 25 estudantes, quinzenalmente, com carga
horária aproximada de 90 minutos para cada encontro.
Conclusões ou recomendações
A oferta dessa atividade aos acadêmicos do sexto período do curso de medicina, promove uma melhora na capacidade de produção textual e incentiva a produção científica desde o início da
carreira médica.
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Ana Flávia Oliveira de Souza1, Ana Josefina Gonçalves Salomão1, Claudia Marques Santa Rosa Malcher1, Danton dos Santos Amanajas1, Samya Cristina de Souza Calixto1, Brenda Diniz Rodrigues1
1 CESUPA
Introdução
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é um problema de saúde pública devido as dificuldades no seu controle, sua alta prevalência mundial e por ser um importante fator de risco para a
ocorrência de acidente vascular cerebral e infarto do miocárdio. Alguns fatores de risco como o tabagismo, o etilismo, o estresse, o elevado consumo de sal, a dislipidemias, a diabetes
mellitus, o sedentarismo e a idade são importantes na causa dessa doença. Como se pode perceber, a maioria desses fatores estão relacionados com maus hábitos de vida, sendo a mudança
desses uma importante forma de prevenção. Uma das dificuldades encontradas no atendimento dos pacientes hipertensos é a não adesão ao tratamento, que seria a utilização dos
medicamentos corretamente e a modificação de hábitos de vida, como menor ou nenhuma utilização de sal na alimentação e prática de atividade física. A falta de adesão ao tratamento está
relacionada com o fato da doença ser, geralmente, assintomática e quando apresenta sintomas ser confundida com outras doenças, além da falta de conhecimento sobre a doença em si. As
dificuldades financeiras, o esquema terapêutico, os efeitos adversos dos medicamentos, a dificuldade de acesso ao sistema de saúde e a inadequada relação médico-paciente, também são
fatores que dificultam a adesão pelo paciente ao tratamento.
Objetivos
Objetivou-se fornecer informações sobre a HAS para a população presente no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Guanabara, esclarecendo conceitos, atualizações de
tratamento e desmistificando conhecimentos populares sobre o tema. Além disso, buscou-se orientar em relação aos hábitos de vida que auxiliam na terapêutica da doença.
Métodos
Atividade constituída para definir um problema identificado junto a equipe de saúde, que objetiva conscientizar a população idosa sob vários aspectos da Hipertensão Arterial Sistêmica
(HAS), com a exposição de informações sobre o referido assunto e complementação com o tratamento terapêutico tradicional e alternativo, seguido de fatos sobre os hábitos de vida. Foi
realizada uma apresentação oral no CRAS Guanabara. Na dinâmica envolvida visou testar os conhecimentos prévios dos idosos e os conhecimentos absorvidos na exposição oral, com alguns
questionamentos que visavam a resposta coletiva dos mesmos e retificar algumas informações expostas pelos mesmos, vindas de conhecimentos populares.
Resultados
Discussão O grupo do MISC Guanabara durante seus atendimentos no decorrer do segundo semestre de 2019 identificou que existe uma considerável quantidade de indivíduos hipertensos
no bairro, com isto, percebeu-se a necessidade de educar e de informar os idosos no CRAS Guanabara sobre a Hipertensão Arterial Sistêmica. No decorrer da apresentação oral foram
apresentados os tratamentos medicamentosos e não farmacológicos tradicionais mais utilizados para o público.
Conclusões
Ao final da exposição oral, foram feitos questionamentos sobre os assuntos explicados e a maioria dos indivíduos respondeu de forma correta, estando bem informados e esclarecidos sobre
os principais tópicos acerca da HAS, em algumas perguntas houve dúvidas que foram sanadas pelos professores e pelos alunos que realizaram a apresentação. Portanto, este trabalho se
mostrou de fundamental importância para apopulação hipertensa ou não pois várias dúvidas foram esclarecidas e muitas informações novas acrescentadas ao repertório dos moradores sobre
esta doença tão comum.
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PRÁTICAS ACADÊMICAS NOS AMBULATÓRIOS DE ORTOPEDIA E O ATENDIMENTO SECUNDÁRIO DE DEMANDAS QUE DEVERIAM SER SUPRIDAS PELA ATENÇÃO
PRIMÁRIA
Ana Beatriz de Alexandria Leal Vasconcelos1, Alexandre Saboia Augusto Borges Filho1, Matheus Maia Gonçalves Bringel Correia1, Mariana da Silva Magalhães1, Ivan Lin Yang1, André Bastos Leite1
1 UNIFOR
Palavras-chave: Ortopedia; Assistência Ambulatorial; Assistência Integral à Saúde; Atenção Primária à Saúde; Educação Médica
Introdução
O Sistema Único de Saúde conta com um sistema de referência e contrarreferência que organiza o atendimento ao paciente de acordo com o grau de complexidade, em que, conforme o
julgamento do profissional de saúde, o paciente pode ser encaminhado ou não a um serviço de maior ou menor especificidade. Entretanto, a falha de comunicação entre os níveis de Atenção
à Saúde e, por vezes, o despreparo dos profissionais culminam em um atendimento descontinuado do paciente e em encaminhamentos desnecessários, sobrecarregando o sistema e
comprometendo a educação dos acadêmicos que, durante sua formação, acompanham cada serviço.
Objetivos
Refletir sobre a exposição de alunos da graduação em Medicina à práticas ambulatoriais em ortopedia realizadas no contexto de atendimento geral à população pela Atenção Primária à Saúde.
Relato de experiência
Os atendimentos nos ambulatórios de ortopedia foram realizados por acadêmicos do sétimo semestre do curso de Medicina de uma universidade privada em Fortaleza, Ceará, em conjunto
com professores especialistas, em 2022 no decorrer de nove semanas, no Núcleo de Atenção Médica Integrada. Eram atendidas demandas advindas sobretudo da Atenção Primária, que
abrangiam, dentre outras afecções, lombalgias, tendinites, osteoartrites e bursites, e a grande maioria delas constituía enfermidades que cabiam ser resolvidas no serviço de menor
complexidade, consistindo em queixas ortopédicas relativamente simples que sequer receberam tratamento inicial no primeiro serviço. Desse modo, os pacientes tinham suas questões
ouvidas e eram devidamente tratados na Atenção Secundária e contrarreferenciados, a fim dedarem continuidade ao acompanhamento no nível adequado para tal.
Conclusões ou recomendações
O Sistema Único de Saúde foi planejado com a finalidade de promover atendimento em saúde integral à população e o sistema de referência e contrarreferência, como constituinte do
primeiro, tem como objetivo facilitar o alcance dessa integralidade. Entretanto, para que isso ocorra, nota-se uma necessidade de aprimorar a comunicação entre os profissionais de cada nível
de Atenção à Saúde, bem como de se esclarecer aos acadêmicos, como futuros profissionais, quais tipos de demandas devem ser mantidas na Atenção Primária e quais devem ser
referenciadas.
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Lucas Dias Vasconcelos 1, Cristiene Neta de Sá Araújo1, Even Kaline Varella Jardim1, Shara Hozana Silva2, Victor Hugo Barbosa Batista1, Sara Fiterman Lima1
1 UFMA
2 ITPAC
Introdução
No Brasil, a utilização de um Sistema de Seleção Unificada (SISU), com a nota no Exame Nacional de Ensino Médio (ENEM), permite que estudantes de diferentes localidades possam concorrer
a vagas em escolas médicas distantes de sua origem. Após ingressarem, muitos retornam aos seus locais de residência, desafiando a fixação de profissionais nos territórios de sua formação.
Visando mudar essa conjuntura, Instituições de Ensino Superior (IES) passaram a adotar bonificação na nota ou reserva de vagas nas formas de ingresso para estudantes provenientes da área
servida por sua escola.
Objetivos
Analisar como os argumentos de inclusão regional são utilizados pelas IES públicas do nordeste, sobretudo nos cursos de expansão.
Métodos
Trata-se de uma revisão narrativa. As variáveis foram levantadas nos sites do Ministério da Educação e das IES acerca das cotas regionais.
Resultados
Discussão A região nordeste dispõe de 42 escolas médicas de financiamento público, destas, 13 foram instituídas no contexto do Programa Mais Médicos. Neste universo, apenas 15 cursos
adotam o argumento de inclusão regional, seja pela reserva de vagas ou por bônus (5 a 10%) na nota de estudantes oriundos da região onde o distrito docente está inserido. Até o momento,
apenas 6 cursos de expansão adotam tais ações de ingresso, todas no interior: UFRN Caicó (RN), UPE Serra Talhada (PE), UFPE Caruaru (PE), UFAL Arapiraca (AL), UFOB Barreiras (BA) e
UNIVASF Paulo Afonso (BA). As justificativas são incremento da proporção da população local na IES, diminuir evasão dos estudantes e favorecer a fixação de médicos em regiões de maior
demanda. Tais políticas, no entanto, são alvo de judicialização, sob alegação de que afrontam os princípios constitucionais da igualdade, proporcionalidade e da livre concorrência para
acesso aos cursos como foi o caso da UFMA, onde o ingresso em todo campi incentivado por bonificação de20% na nota do ENEM tornou-se nula por ação civil pública ajuizada pelo Ministério
Público Federal. Outro caso particular é o da UFRN que adota ação afirmativa para estudantes de 7 microrregiões do Rio Grande do Norte e outras 7 da Paraíba. Atualmente Maranhão, Piauí
e Sergipe são os únicos estados do nordeste que não possuem argumentos regionais para escolas médicas públicas.
Conclusões
As desigualdades na distribuição geográfica de médicos no Brasil desafiam as políticas de saúde, e a busca pela graduação incentiva o fluxos migratório de estudantes sem garantir a fixação
de médicos nos locais de formação. O argumento de inclusão regional, proposto como estratégia de enfrentamento desse problema e expressão da responsabilidade social de uma escola
médica, mostra-se frágil uma vez que vem sendo questionado em vias judiciais. Percebe-se a necessidade de reflexões quanto a políticas multissetoriais para resolução adequada da
distribuição equânime de vagas na graduação e profissionais médicos em todo território nacional.
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Milena Colonhese Camargo1, Fernando Antonio Mourão Valejo1, Nilva Galli1, Ilza Martha Souza1, Ricardo Beneti1, Gerson Alves Pereira Junior2
1 UNOESTE
2 USP
Introdução
O programa de monitoria além de ser uma determinação normativa aos cursos de graduação representa uma importante iniciativa para a melhoria na qualidade do ensino, assim como da
relação aluno-professor. O estudante, quando monitor, coloca-se numa posição de observação e ação pedagógica, tendo oportunidade de refletir sobre o ensino e a educação, pela
convivência com o professor e com outros alunos. Ele éum elemento valioso, para que, autenticamente juntos, professor, alunos e monitor, construam um curso que resulte no desenvolvimento
pessoal de todos. Os ambientes simulados são espaços protegidos que simulam cenários da prática de cuidados à saúde, onde os discentes realizam procedimentos em manequins e são
acompanhados por um professor-facilitador que avalia o desempenho das capacidades voltadas ao perfil do profissional a ser formado. É essencial oferecer aos acadêmicos dos cursos da
saúde oportunidade de treinarem em ambiente simulado, para o desenvolvimento de competências e segurança, reduzindo os riscos à integridade física do paciente quando atendido pelo
aluno em situação real. O Laboratório de Habilidades e Simulação oferece aos estudantes do curso de medicina, o programa de prática monitorada, atividade vinculada à Pró-reitora de
Pesquisa e Extensão da Universidade. Para se candidatar ao programa de monitoria, os estudantes acessam área específica do sistema online e realiza sua inscrição especificamente na
atividade em que tenha interesse. São oferecidos temas como: ausculta cardiopulmonar, curativo, intubação orotraqueal, cateterismo vesical, suporte básico de vida, punção venosa, entre
outras.
Objetivos
Conhecer a opinião dos discentes sobre a atividade de prática monitorada oferecida no laboratório de Habilidades e Simulação da Universidade do Oeste Paulista.
Relato de experiência
Foi enviado um questionário eletrônico, através do sistema "Google forms", para todos os estudantes que já participaram de alguma atividade de prática monitorada.
Conclusões ou recomendações
A monitoria é uma ferramenta essencial para o aprendizado do aluno e do monitor, nela é possível observar falhas e melhorar o desempenho do estudante, sendo necessário sempre
desenvolver técnicas e estratégias que mantenham vivos o interesse e a vontade dos alunos de aprender e do monitor de ensinar. As respostas dos participantes apontam que a monitoria é
uma estratégia educativa interessante àformação e também um espaço que os estudantes protagonizem a construção de seu conhecimento e compartilhem esses saberes entre si, o que
pode favorecer futura autonomia profissional.
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A IMPORTÂNCIA DA AÇÃO SOCIAL PARA O ACADÊMICO DE MEDICINA: DOAÇÃO DE ALIMENTOS NA SEMANA DE JOGOS ACADÊMICOS
Anna Clara Corrêa de Miranda1, João Pedro Delgado Furtado1, Luísa Aparecida Ribas Piaza Souza1, Kevillyn Winslet de Oliveira Leite1, Ivy de Campos1
1 UNIREDENTOR
Palavras-chave: Ação Comunitária; Estudantes de Medicina; Liderança; Insegurança Alimentar; Determinantes Sociais da Saúde
Introdução
O atual contexto pós-pandemia da covid-19, é marcado por diversas mudanças no cenário social e econômico brasileiro. Os impactos econômicos afetaram a estabilidade financeira de
milhares de famílias e comprometeram a segurança alimentar da população mais carente. Nesse sentido, sabe-se que a má nutrição é uma problemática que afeta diretamente o processo
de saúde-doença, sendo fundamental combatê-la. O presente trabalho é um relato de experiência sobre um projeto de arrecadação de alimentos realizado pela Atlética de Medicina em
conjunto com o Diretório Acadêmico e o Comitê local da IFMSA Brazil durante a semana de jogos acadêmicos da Instituição de Ensino Superior (IES) que ocorreu no primeiro semestre de
2022.
Objetivos
Reconhecer a importância da ação social para a formação de profissionais conscientes e dispostos a mudar a realidade social dando continuidade no envolvimento em ações sociais após a
sua formaçãoacadêmica, além de incentivar a competitividade entre os estudantes para a realização de uma atividade que contribua positivamente para a comunidade em que eles estão
inseridos.
Relato de experiência
Na semana de jogos acadêmicos as turmas competem entre si por meio de esportes. Aproveitando esse momento de competição, as entidades de representatividade estudantil inseriram
um projeto de doação de alimentos já existente dentro da IES, no Comitê Local da IFMSA Brazil intitulado “Prato Cheio de Amor”, dentro da semana de jogos acadêmicos. Assim, a turma que
mais conseguisse doar alimentos e produtos de higiene pessoal obteria pontos extras na classificação que determinaria os ganhadores da semana de jogos. Ao final das atividades foram
arrecadados cerca de 1000 kg de alimentos, destinados a 130 famílias carentes cadastradas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da comunidade local.
Conclusões ou recomendações
Tendo em vista toda a repercussão do projeto que foi inserido da semana de jogos considera-se continuidade dessa união que garante fortalecimento das relações sociais e oportunidade
de contribuir para as dificuldades que a população local enfrenta, como também, influencia positivamente no envolvimento e reflexão do futuro profissional de medicina mediante as
vulnerabilidades sociais da população em que ele se encontra inserido.
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PREVALÊNCIA E ENFRENTAMENTO DA OBESIDADE INFANTIL: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UM PROJETO MULTICÊNTRICO NAS REGIÕES NORTE E NORDESTE DO
BRASIL
Janaina Lucio Dantas 1, Regina Keiko Sato Mizuno Filha2, Iasmim Luísa Batista Gonçalves2, Lucas da Cruz Farias 3, Miriam de Andrade Brandão 4, Audrey Vinnícios Antunes Tavares 2
1 UFCG
2 UNINASSAU - VILHENA
3 UNIC - CUIABÁ
4 EMCM/UFRN E UNIFIP
Introdução
A obesidade apresenta-se como um problema prioritário para a saúde global, pois projeções apontam que 17, 5% da população mundial em 2030 será obesa. No Brasil, estima-se que 29,
7% da população adulta e 22, 75% da população infantil entre 5-9 anos serão obesos no mesmo período. Quando instalada em crianças e adolescentes, ocasiona consequências mais graves
com impactos que se estendem às fases de crescimento e desenvolvimento a curto, médio e longo prazo. Posto isto, associa-se à maiores chances de perpetuação da obesidade e incapacidade
na idade adulta, além de disfunções multissistêmicas, principalmente neuroendócrinas, osteoarticulares, musculoesqueléticas, cardiopulmonares e psiquiátricas. Portanto, a avaliação dos
fatores envolvidos no ganho de peso e obesidade torna-se fundamental para as previsões do impacto à saúde das gerações futuras e oferece uma oportunidade única para uma ação preventiva
efetiva.
Objetivos
Relatar a construção de um projeto de pesquisa multicêntrico que vem sendo executado entre duas universidades brasileiras localizadas nas regiões norte e nordeste do Brasil sobre a
prevalência e oenfrentamento da obesidade infantil.
Relato de experiência
O projeto de pesquisa foi elaborado entre uma Universidade Paulista e uma Universidade Federal da Região Nordeste, posteriormente foi expandido a uma Faculdade em Rondônia. O grupo
de pesquisa reúne-sesemanalmente de forma virtual, desde janeiro de 2022, para debater sobre a saúde da criança, sindemia global, segurança alimentar e nutricional e coleta de dados
antropométricos. O estudo proposto tem como benefício a orientação de familiares sobre educação nutricional, pois as primeiras experiências alimentares interferem na programação
metabólica e determinam maior ou menor propensão para o desenvolvimento de diversas patologias. Neste sentido, realizou-se um estudo comparativo entre as cidades de Caicó (Paraíba)
e Vilhena (Rondônia) a fim de descrever os riscos de sobrepeso e obesidade em crianças menores de 5 anos. Segundo o Sistema Informatizado de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN),
em 2021, os índices de risco de sobrepeso e obesidade em Vilhena mantiveram-se inferiores aos de Caicó e no ano anterior ambas apresentaram baixa cobertura.
Conclusões ou recomendações
Parcerias interinstitucionais são importantes para a integração das vivências dos estudantes da saúde que devem conhecer a realidade do país, ajudando a estruturar os protocolos de
assistência em saúde na atenção primária em saúde. A obesidade infantil é um problema global e tem suas causas nas condições como as pessoas vivem e se alimentam, tendo a assistência
médica importante papel no entendimento das suas causas e elaboração de condutas e protocolos para seu enfrentamento.
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A IMPORTÂNCIA DA PRÁTICA ACADÊMICA NA COMUNIDADE DESDE OS PRIMEIROS PERÍODOS DO CURSO MÉDICO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Lanuza Borges Oliveira1, Kaio Henrique Marques Batista1, Ketlyn Cecilia Marques Pereira 1, Nara Ramos Dourado 1, Vanessa Castro Fonseca Coelho1
1 UNIFIPMOC
Introdução
A inserção dos acadêmicos de Medicina na prática da promoção e proteção da saúde das crianças e adolescentes nas equipes de saúde da família, desde os primeiros períodos do curso,
fomenta e reafirma a necessidade de ações interdisciplinares em saúde, de acordo com as Diretrizes Curriculares. A prática acadêmica propicia ao aluno adquirir a experiência profissional,
contato direto com paciente e comunidade oque é relativamente importante para a sua inserção no mercado de trabalho.
Objetivos
Relatar a experiência dos acadêmicos de Medicina do segundo período ao primeiro contato direto com pacientes, em atendimentos de Puericultura, na disciplina de Integração Ensino-
Serviço-Comunidade II, visando integrar o aprendizado teórico com o prático.
Relato de experiência
As experiências aconteceram nas Unidades de Saúde da Família em um município do Norte de Minas Gerais, por meio dos atendimentos supervisionados de puericultura, nos quais eram
analisados o desenvolvimento e as particularidades de cada criança de acordo com o que é preconizado pelo Ministério da Saúde. Observou-se que as demandas das crianças eram distintas
de acordo com a área deabrangência, levando em consideração os condicionantes e determinantes de saúde da população adscrita. Além disso, foi perceptível a influência negativa e positiva
do conhecimento sociocultural dos responsáveis pelas crianças na aceitação e evolução dos tratamentos e condutas propostas.
Conclusões ou recomendações
É imprescindível que o acadêmico tenha contato com a comunidade desde o início da sua formação, pois a relação médico-paciente constitui um fator essencial para o cuidado em saúde, já
que possibilita umamelhor compreensão e dedicação ao paciente. Além disso, proporciona a intersetorialidade, que é uma das características fundamentais da atuação na Atenção Primária
à Saúde.
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CONSTRUINDO UM PROJETO DE EXTENSÃO DISCENTE: RELATO DE EXPERIÊNCIA INOVADORA NA PERSPECTIVA DE ALUNOS EM UMA ESCOLA MÉDICA PRIVADA
DE MINAS GERAIS
Luciana Reis da Silveira 1, Gustavo Henrique Gonçalves Pereira1, Izabela Tornelli 1, Larissa Maria Ferrarez Faria 1, Luana Rodrigues Garcia1, Victoria Cardoso Alves1
1 FCMMG
Palavras-chave: Aprendizagem; Atenção à Saúde; Pessoas em Situação de Rua; Estudos Populacionais em Saúde Pública; Participação da Comunidade
Introdução
O Programa Polos de Cidadania realizou uma pesquisa demonstrando o aumento da população em situação de rua em Belo Horizonte em 2021. Esse grupo apresenta especificidades e
situações de vulnerabilidade que precisam ser identificadas e abordadas oportunamente, viabilizando ações que visem a qualidade de vida desses indivíduos. Para isso, é importante que os
atores responsáveis pela promoção de saúde conheçam a população alvo das intervenções para que o atendimento seja adequado. Embora exista a Política Nacional para a População em
Situação de Rua, a vivência sobre sua aplicação ainda é deficitária na graduação. Dessa forma, a proposta do projeto extensionista discente intitulado “Um olhar sobre a população com
trajetória de vida na rua e em situação de rua” traz informações e vivências para alunos da área da saúde com intuito de aprimorar e individualizar o cuidado para essas pessoas.
Objetivos
Relatar a experiência da construção do projeto discente e multidisciplinar que objetiva realizar o diagnóstico estratégico situacional da população em situação de rua no entorno da instituição
de ensino e conhecer as Redes de Atenção à Saúde e de Atenção Psicossocial.
Relato de experiência
O projeto foi idealizado por membros do diretório acadêmico do curso médico da instituição de ensino, posteriormente incluiu pelo menos 1 aluno representante dos outros cursos:
Psicologia, Enfermagem e Fisioterapia. Foi redigido para ser realizado em três fases, totalizando 6 meses de duração. Na primeira fase, haverá pesquisas e investigações bibliográficas com o
intuito de conhecer o recorte populacional e oterritório delimitados para a atividade de extensão. Na segunda fase haverá o reconhecimento e o diagnóstico da região determinada, com a
abordagem em campo das pessoas com trajetória de vida nas ruas e em situação de rua, refletindo sobre seu conhecimento, acesso aos centros de referência e os equipamentos de saúde
disponíveis. Por fim, a terceira fase será marcada pela organização do material a partir da coleta de dados obtidos nos trabalhos de campo. Cada um dos acadêmicos deverá elaborar um
diário de campo, contendo suas experiências, observações e aprendizados para compartilhamento e reflexão do grupo.
Conclusões ou recomendações
A proposta do projeto de extensão discente pelo diretório acadêmico incentiva o olhar crítico do cenário atual, postura inovadora e criativa ao impulsionar a constante atualização dos
profissionais da saúde em formação. Reconhecer os desafios enfrentados por esse público, fomentar a reflexão e o debate acadêmico devem ser contribuições das instituições de ensino, na
tentativa de reduzir o contexto de negligência e de desigualdade no acesso à saúde que essa população está sujeita.
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Anna Caroline Wayand Martins1, Amanda Vieira Dos Santos 1, Julia Barban Morelli Rosas1, Maria Gabriela Terra 1, Rafael Aragão Ribeiro1
1 FMP/UNIFASE
Palavras-chave: Residência Médica; Preceptoria; Internato em Medicina; Atenção Primária à Saúde; Medicina de Família e Comunidade
Introdução
Na rede de Atenção Primária à Saúde em um município do interior do Rio de Janeiro existem 47 equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF). Parte dessas equipes é cenário para o
programa de residênciaem Medicina de Família e Comunidade (MFC) e internato em Saúde da família. A residência médica é estabelecida como padrão-ouro na formação de especialistas
na área. Durante o internato em Medicina o graduando entra em contato com este cenário, podendo ter o residente como um dos seus preceptores, cuja finalidade é aprimorar a qualidade
da formação médica de ambos.
Objetivos
Compartilhar as experiências de preceptoria no programa de residência médica. Apontar as múltiplas adversidades existentes e possíveis formas de enfrentamento para atingir o nível de
excelência nodesenvolvimento das competências de preceptoria necessárias para a formação do especialista em MFC.
Relato de experiência
Apresentamos este relato de nossa experiência atuando na preceptoria do internato em Saúde da Família, no qual os internos do 6º ano permanecem na Estratégia de Saúde da Família por
03 meses, com carga horária de 40 horas semanais, junto com os residentes da unidade, sob supervisão do preceptor da Residência Médica. O interno participa ativamente da dinâmica na
ESF. Realiza consultas médicas e multiprofissionais, participa das reuniões de equipe, realiza pequenos procedimentos, visitas domiciliares, atividades no território e vigilância em saúde. Tem
a possibilidade de ver na prática a importância de cada profissional da equipe, convivendo também com internos de outros cursos, em um ambiente multidisciplinar.
Conclusões ou recomendações
Ter alunos no cenário fortalece o aprendizado, promovendo uma troca com o residente e a equipe, enriquecendo as consultas e fortalecendo o vínculo com os pacientes. Por outro lado, o
residente pode mostrar aresolutividade de uma equipe bem estruturada, e seu impacto nos cuidados à saúde da população adscrita. Todo esse processo é enriquecedor para a formação do
residente, incentivando-o a seguir como preceptor após o término de sua formação, que é uma das áreas de atuação do Médico de Família.
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AVALIAÇÃO LONGITUDINAL DAS HABILIDADES COGNITIVAS DE ESTUDANTES DE MEDICINA COM ÊNFASE NA QUALIDADE DOS EXAMES E NO PROGRESSO DA
APRENDIZAGEM
1 CCD/SES-SP
2 FMRP/USP
Palavras-chave: Avaliação cognitiva; Educação Médica; Teste de Progresso; Prova de Residência Médica; Confiabilidade
Introdução
No campo da Educação Médica tem-se priorizado modelos de avaliação do estudante que sejam indutoras da aprendizagem e da formação do aluno, com enfoque na educação baseada
em competências: habilidades cognitivas, psicomotoras e afetivas. A avaliação das habilidades cognitivas é a mais conhecida e ocupa lugar de destaque pois é uma das formas preferenciais
de avalição de alto nível (high-stakes) para seleção ou certificação de estudantes/residentes ou profissionais.
Objetivos
Avaliar a evolução da aprendizagem de uma coorte de estudantes de medicina que participaram do Teste de Progresso (TP) durante a graduação e da prova da Residência Médica (RM),
avaliandosimultaneamente a adequação e qualidade das provas realizadas pelos estudantes.
Métodos
Estudo exploratório que envolveu uma abordagem quantitativa através de um estudo descritivo retrospectivo com uma coorte de alunos de uma faculdade pública de medicina ao longo de
seis anos. Foi feito um estudo documental das provas realizadas pelos estudantes buscando avaliar a qualidade dos itens que compuseram os exames tendo como parâmetros os seguintes
indicadores: Cada questão deve abordar um conceito importante, avaliar a aplicação do conhecimento, a questão do teste deve ser objetiva, simples e clara, ao ler a vinheta e a questão-
problema, o examinando deve ser capaz de responder à questão sem ver as opções, opções de resposta devem ser homogêneas e plausíveis, identificar e remover falhas técnicas que somam
dificuldade irrelevante ou beneficiam candidatos experientes. Além disso foi feita uma análise conjunta dos resultados de cada aluno buscando avaliar se existe alguma relação entre os
resultados no TP e na prova de RM.
Resultados
Discussão A análise das provas permitiu identificar a evolução na qualidade técnica dos itens ao longo dos anos na prova de residência médica e no TP, além de identificar algumas das
principais dificuldades encontradas no processo. Pode-se observar uma melhoria na qualidade de questões da residência médica no ano de 2018, o que mostra a evolução da elaboração de
questões após o início das oficinas de desenvolvimento docente promovidas pelo Centro de Desenvolvimento Docente da instituição. Com relação às questões do teste de progresso, no
período de 2013 a 2018, observou-se que 97, 5% das questões foram categorizadas como aplicação do conhecimento, ou seja, conseguiram garantir que o conhecimento adquirido durante
a graduação fosse aplicado no momento de realização das questões. Ao analisar o desempenho da coorte de alunos, foi possível comparar os resultados durante e após a conclusão da
graduação, o que poderia ser utilizado pelos estudantes, para encontrar pontos a serem melhorados durante a graduação, casos estes resultados fossem disponibilizados a cada ano da
graduação sempre tendo como referencial os resultados da coorte a que pertence cada estudante.
Conclusões
A garantia de qualidade é fundamental em exames de alto risco e é uma oportunidade para desenvolver habilidades entre os docentes envolvidos neste tipo de atividade. A qualidade das
provas de residência melhorou com o tempo e os resultados obtidos pelos estudantes no teste de progresso parece ter valor preditor para o desempenho dos estudantes no processo seletivo
para residência médica, e trabalhar estaquestão poderia diminuir o distanciamento entre a média global da graduação e a nota obtida no exame da Residência Médica.
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Emídio José de Souza1, Lisandra Samara Verdegér Faustino1, Flávia Thalia Guedes Farias1, Milena Nunes Alves de Sousa1, Umberto Marinho de Lima Júnior1, Ailton do Nascimento Targino 1
1 UNIFIP
Introdução
O atendimento inicial ao indivíduo acometido por acidente ou quadros agudos consiste nos primeiros socorros, que tem como fundamento a preservação da vida e a prevenção de possíveis
sequelas ou óbito, atéque o serviço de emergência mais especializado possa chegar. Esse atendimento inicial pode ser realizado por qualquer cidadão que esteja em posse de noções básicas
de emergência, uma habilidade muito importante para a preservação da vida em situações que necessitem de atendimento imediato. Tal abordagem pode ser aplicada tanto para o público
pediátrico, quanto para o adulto, mediante técnicas como a manobra do desengasgo, manobra de Heimlich e Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP), medidas que podem contribuir com a
sobrevida e evitar ao máximo sequelas.
Objetivos
Relatar a experiência dos acadêmicos de Medicina em atividades de um projeto de extensão, através da promoção do curso básico de emergência para os estudantes dos cursos técnico e
tecnólogo em Segurança no Trabalho de outra instituição de ensino.
Relato de experiência
A atividade foi realizada utilizando-se recursos preconizados pela American Heart Association em seus cursos de capacitação médica de Suporte Básico de Vida (BLS). Inicialmente, realizou-
se um pré-teste para os 20 participantes selecionados no curso, o qual abordava sobre noções básicas de emergência com o intuito de avaliar o conhecimento prévio dos participantes. Em
seguida, foram ministradas noções teóricas e práticas sobre Suporte Básico de Vida (SBV) em adultos e crianças, manobras de desengasgo e de Heimlich. Posteriormente, efetuou-se a prática
das técnicas com os 20 estudantes participantes, os quais foram divididos em 5 grupos de 4, no intuito de tornar a prática mais proveitosa para que todos pudessem treinar as manobras
várias vezes nos torsos. Sequencialmente, aplicou-se o pós-teste, com o intuito de comparar o ganho em conhecimento dos candidatos em relação aos seus conhecimentos iniciais. Portanto,
tornou-se viável compreender a evolução teórico-prático dos participantes ao longo do dia de capacitação.
Conclusões ou recomendações
Através do curso básico de emergência foi possível efetivar a missão do projeto de extensão, o qual visa a promoção de saúde, utilizando-se como artifício a educação em saúde da população
por meio deconhecimentos teórico-práticos e o desenvolvimento de novas habilidades.
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1 UFRN
Introdução
O principal fundamento da medicina é a relação médico e paciente, algo substancialmente simples, porém ainda menosprezado durante a grade curricular do curso de medicina, a qual
possui uma grande base de carga horária teórica e escassez de práticas hospitalares. Nesse sentido, é imprescindível discutir sobre como esse cenário colabora com a formação de médicos
altamente instruídos teoricamente, não obstante sem experiências sobre a realidade do ofício e com dificuldades para humanizar o seu atendimento e se conectar ao seu paciente. Sob esse
viés, é fundamental a análise de três pontos principais: o âmbito acadêmico e sua responsabilidade na formação de médicos preparados intelectualmente e emocionalmente para ofertarem
com maestria seu serviço à comunidade; a carência de práticas hospitalares, principalmente durante os períodos iniciais do curso, como um agente estimulador da rigidez nas consultas dos
médicos recém-formados; a necessidade de mudar esse cenário, a fim de melhorar a educação dos profissionais de saúde nesse país. Logo, a estimulação do contato hospitalar prévio aos
discentes desde os primeiros períodos do curso é mister não apenas pelo estímulo à humanização no atendimento médico, mas também pelo dantesco aprendizado absorvido nessas práticas
que fundamentam o conhecimento visto em sala de aula.
Objetivos
Relatar a experiência vivenciada em ambulatórios como acompanhante do médico e fundamentar essa vivência à base teórica administrada em sala, para assim demonstrar como a eficácia
do ensino é muito superior quando há um estímulo prático da realidade hospitalar aliado aos conhecimentos absorvidos durante o ciclo básico da universidade. Paralelamente a isso, ainda
pode-se citar como propósito desse relato, explicar como por meio dessa experiência, o estudante é preparado indiretamente para atender o paciente de forma humanizada e satisfatória.
Relato de experiência
Ao realizar o acompanhamento com o médico de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) foram realizadas atividades como acompanhamento dos pacientes nas consultas e anamnese realizada,
observação doprotocolo de registro da consulta, com o registro do tratamento e exames solicitados, descoberta das doenças mais comuns para o período do ano e para a região, além de
observação dos principais sintomas observados nos pacientes para patologias específicas, como dengue ou escabiose. Ademais, foram observados pontos importantes a serem analisados
na anamnese, como as perguntas realizadas em cada consulta e a forma de estabelecer comunicação com o paciente, com paciência e olhar analítico sobre cada informação.
Conclusões ou recomendações
Portanto, é irrefutável a importância da iniciação clínica precoce no curso de medicina, pois esse paradigma possui uma alta capacidade de elevar a educação médica, que ainda possui um
traço extremamentetécnico e pouco humanizado, a um patamar mais elevado.
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Ivana Loraine Lindemann1, Amauri Braga Simonetti 1, Lissandra Glusczak1, Gustavo Olszanski Acrani1, Daniela Teixeira Borges 1, Marindia Biffi1
1 UFFS
Introdução
Na educação superior, um dos compromissos das instituições, além do ensino, da pesquisa e da extensão, é a responsabilidade social, considerando o perfil e o significado de sua atuação
na comunidade. Nomesmo sentido, as escolas médicas têm responsabilidade social, podendo esta traduzir-se na oferta de uma formação baseada na integração ensino-serviço-comunidade,
através de atividades de assistência, pesquisa e extensão. Na construção do saber, a pesquisa é inserida na formação com a finalidade de aprimorar conhecimentos em ciência, transformando
técnicas e teorias em saberes críticos. Assim, as parcerias com gestores e demais atores dos sistemas de saúde são importantes, produzindo-se, através da pesquisa, o conhecimento necessário
para o avanço da ciência e qualificação da assistência à população.
Objetivos
Descrever uma experiência de realização de pesquisas médicas tendo como base a integração ensino-serviço.
Relato de experiência
Os projetos de pesquisa desenvolvidos junto ao Curso de Medicina, buscam alinhar-se à realidade loco-regional, englobando desde levantamentos sobre os perfis das populações e dos
pacientes atendidos nos serviços de saúde, à descrição dos tratamentos empregados, dos desfechos observados, até o preenchimento dos prontuários. As pesquisas correspondem a projetos
individuais, de autoria dos próprios acadêmicos, planejados e executados sob orientação docente no Trabalho de Curso (TC) – similar ao tradicional Trabalho de Conclusão de Curso (TCC),
não obrigatório na Medicina, mas exigido no Curso em tela, além de projetos mais robustos envolvendo equipes de docentes, das áreas básicas e específicas da formação médica. Tendo
em vista que no eixo formativo da Saúde Coletiva proposto no Projeto Pedagógico do Curso, além das aulas teóricas ocorrem atividades práticas, chamadas de Imersões na rede de Atenção
Primária em Saúde do município sede da escola e de outros da região e, ainda, parte do Internato Médico em tais cenários, a escola estabeleceu uma série de convênios com as prefeituras
e secretarias de saúde para viabilizar a proposta. Uma das médicas que atua em um dos municípios é docente do curso e participa das atividades de pesquisa, por meio da orientação de TC
e no desenvolvimento de outras pesquisas mais abrangentes. Nesse contexto, considerando que no município em que atua, a cobertura da Estratégia de Saúde da Família é de 100% da
população e que os prontuários médicos são eletrônicos e disponíveis on-line, está sendo desenvolvido, a partir de uma construção coletiva, um grandeprojeto de pesquisa que visa descrever
aspectos relacionados à ocorrência de agravos e de morbidade, bem como à assistência da população.
Conclusões ou recomendações
É imprescindível que na construção de parcerias entre escolas e instituições de saúde se abram, cada vez mais, espaços para inserção da pesquisa, cujos resultados, devolvidos aos
participantes e aos gestores, poderão ser subsídios a mudanças que impactem positiva e verdadeiramente no perfil epidemiológico e na qualidade dos serviços, além de serem fundamentais
à formação de médicos de excelência.
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Catherine Coimbra Barata1, Maria Thais de Andrade Calasans1, Sara dos Santos Rocha1
1 EBMSP
Palavras-chave: Violência Contra a Mulher; Violência Sexual; Pesquisa sobre Serviços de Saúde
Introdução
A violência contra a mulher consiste em qualquer ato violento que tenha como base o gênero e seja capaz de gerar dano físico, sexual ou psicológico às mulheres, incluindo ameaça desses
atos, a coerção ouprivação da liberdade, seja na vida pública ou na privada. É uma prática indiscriminada, que ocorre, sobretudo, no âmbito familiar, sendo a sua invisibilidade sustentada pela
ocorrência no espaço privado. Entretanto, a mulher chega ao serviço de saúde em busca de atendimento e o médico não consegue identificar a violência. Um estudo brasileiro evidenciou
que, de 92 ginecologistas, 85% já prestaram cuidados a uma mulher vítima de violência. Contudo, 60% dos participantes afirmaram que menos de 20% das pacientes receberam cuidados
adequados e 61% relataram o seu despreparo para condução adequada desses casos. Dessa forma, é necessário compreender a dimensão da violência na busca de ampliar a visibilidade do
problema de saúde. Nesse sentido, considerando a problemática uma questão de saúde pública, a análise epidemiológica do tema vinculada diretamente à formação médica apresenta-se
fundamental na busca pelo aperfeiçoamento do cuidado.
Objetivos
Caracterizar o perfil epidemiológico da violência sofrida por mulheres em Salvador, Bahia, no período de 2015 a 2019.
Métodos
Trata-se de um estudo descritivo realizado com a população do sexo feminino residente na capital do estado da Bahia assistida e notificada nas unidades de saúde. Os dados foram coletados
no sistema de notificação de saúde TABNET. As análises foram realizadas no pacote estatístico Statistical Package for Social Science (SPSS), versão 21.0 para Windows e apresentados sob a
forma de Tabelas e Gráficos.
Resultados
Em Salvador, entre 2015 e 2019, foram notificados 9.391 casos de violência contra a mulher, com maior frequência em 2019, com 2.750 (29, 28%) registros. A faixa etária dos 19-39 anos
representou a maior frequência, com 6.946 (73, 96%) casos. O ensino médio foi o nível de escolaridade mais frequente, com 1.328 (49, 98%) registros. A principal ocupação notificada foi
‘’serviços gerais’’, 437 (31, 12%), seguida por dona de casa 275 (19, 58%) e estudante 245 (17, 45%). A categoria pretas e pardas representou a mais frequente, com 3.508 (89, 03%) notificações.
A situação conjugal predominante foi solteira, 2.088(55, 69%). A principal motivação da violência foi atribuída à categoria ‘’outros’’ 1.095 (30, 77%), seguida por sexismo 983 (27, 62%). A
natureza da violência predominante foi a física 8.124 (86, 50%), sendo o principal meio utilizado na violência o espancamento, com 5.945 (73, 17%) casos. Em relação ao autor do sexo, o
masculino foi o mais frequente, com 3.569 (83, 09%) registros.
Conclusões
A violência contra a mulher em Salvador é uma questão social e de saúde pública que atinge principalmente mulheres jovens, negras, de baixa escolaridade e que ocupam cargos pouco
remunerados, dados semelhantes a outros estudos no país. Os altos índices de violência denotam a relevância da inserção dessa temática com transversalidade nos currículos médicos
brasileiros, levando ao médico a compreensão do seu papel na gestão do cuidado da mulher que sofre violência em qualquer espaço da rede de atenção, desenvolvendo seu trabalho de
forma interprofissional e garantindo a integralidade do cuidado.
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A IMPORTÂNCIA DA CONVIVÊNCIA DO ESTUDANTE DE MEDICINA COM ÁREAS INTERIORANAS DE BAIXO ACESSO À SAÚDE: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Luis Otávio Sampaio Façanha1, Alexandre Saboia Augusto Borges Filho1, Ivan Lin Yang1, Mariana da Silva Magalhães1, Ana Beatriz de Alexandria Leal Vasconcelos1, Antonio David Muniz de
Sousa1
1 UNIFOR
Palavras-chave: Acesso a Medicamentos Essenciais e Tecnologias em Saúde; Atenção à Saúde; Educação Médica
Introdução
A vivência de múltiplas realidades é de grande importância para uma profissão que visa o cuidado com a população, como é a medicina. De fato, cidades pequenas do interior, que,
geralmente, são marcadas pelobaixo acesso à saúde, possuem requerimentos diferentes dos existentes nas metrópoles, as quais também devem ser abarcadas. Pode-se citar, entre essas
demandas, a falta de disponibilidade de equipamentos, de recursos para tratamentos e de médicos capacitados. Um importante meio pelo qual o estudante de medicina pode entrar em
contato com o cenário de saúde pública desses locais são as ações comunitárias. Um projeto social realizado por veranistas no município de Guaramiranga-CE evidenciou o quão enriquecedora
essa ação pode ser para esses graduandos, além de beneficiar a população local.
Objetivos
Demonstrar a relevância do contato com regiões mais remotas, com menos acesso à saúde, para os estudantes de medicina e incentivar as escolas médicas a realizarem programas de
interiorização que permitam essa vivência para os seus graduandos.
Relato de experiência
A ação social foi realizada por médicos e estudantes de medicina veranistas do município em um posto de saúde de Guaramiranga-CE, no dia 19 de março de 2022. Foram feitos atendimentos
àqueles que estavam na lista de referência para uma consulta com um ortopedista. No total, cerca de 70 pacientes foram atendidos. Aqueles com demandas que foram resolvidas no
atendimento foram retirados da lista de espera, provocando certo alívio nesta. Foram recomendadas condutas a cada paciente, como o acompanhamento com o fisioterapeuta, solicitação
de imagens radiológicas, encaminhamento para outro especialista e a realização de exercícios diários. Os graduandos, integrantes de universidades públicas e particulares de Fortaleza-CE,
acompanharam os atendimentos médicos, aprendendo as técnicas usadas pelos especialistas, as condutas adequadas para clínica e sobre a realização de diagnósticos de problemas
ortopédicos, além de terem vivenciado um cenário de maior difícil acesso à saúde.
Conclusões ou recomendações
Problemas ortopédicos são comuns, contudo muitas pessoas não têm acesso ao atendimento e tratamento adequados, principalmente no sistema público de saúde de cidades pequenas
interioranas. Por isso, ébenéfico que atitudes como esse projeto social ocorram mais frequentemente, podendo ser realizadas por instituições de ensino de medicina ou por grupos de
médicos e alunos voluntários, pois proporcionam ensinamentos clínicos aos alunos e, à população local, o cuidado necessário.
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Marina Puerari Pieta 1, Paula Bayer Ruggiro 1, Paulo Cezar Muxfeldt Ferreira 2, Gabrielly Pereira Argimon3, Scarlet Laís Orihuela4, Vinícius de Souza4
1 PUCRS
2 FEEVALE
3 UNISINOS
4 SIMERS
Introdução
Constitucionalmente, é dever do Estado garantir o bem-estar e a saúde a todos; contudo, essa não é a realidade no contexto de muitas mulheres. Uma parte dessa população é vulnerável e
não tem ao seu alcance itens de higiene básicos. É inevitável que a precarização ao acesso a esses produtos essenciais, como absorventes, sabonetes, shampoo, entre outros materiais, possa
afetar o estado de saúde diário dessas mulheres. Assim, preocupados e determinados em auxiliar no combate da pobreza menstrual, um núcleo acadêmico formado por acadêmicos de
medicina, organizou a ação “Mês da mulher: fazendo a diferença na vida de mulheres gaúchas”, com o objetivo de arrecadar esses donativos.
Objetivos
Relatar a experiência de uma ação voltada a auxiliar no combate à pobreza menstrual de mulheres em vulnerabilidade social em uma grande cidade do Sul do Brasil.
Relato de experiência
A campanha foi lançada no dia 8 de março de 2022, seguiu durante todo o mês e foi executada por estudantes de medicina, diretores acadêmicos de um Núcleo de uma Entidade Médica,
em parceria com o braço de responsabilidade social desta instituição. A ação contou com a arrecadação de itens de higiene básica como absorventes, shampoos, condicionadores, pasta de
dentes, escovas, fio dental e roupas íntimas. Caixas, com o banner da ação, foram alocadas nas 6 universidades e demais farmácias participantes em locais estratégicos para chamar a atenção
da população. Além deste período de divulgação e arrecadação, uma ação presencial em um parque público foi realizada para aumentar ainda mais o número de donativos. Ao final da
edição, foram arrecadados 356 pacotes de absorventes, 71 pastas de dente, 205 sabonetes, 65 shampoos e condicionadores, 50 calcinhas e outros 92 itens de higiene básica, sendo possível
a confecção de 176 kits para distribuição em duas instituições locais. Todas as doações foram entregues pelos realizadores da ação nos dias subsequentes.
Conclusões ou recomendações
O sucesso da ação comprovou a necessidade de campanhas sobre saúde da mulher e conscientização da população sobre a pobreza menstrual. Sendo avassaladora nas classes mais baixas
classe média, a precariedade menstrual é uma realidade cruel no Brasil. O intuito da ação voltada aos cuidados com a saúde da mulher, no auxílio do combate à pobreza menstrual e à
conscientização da comunidade, foi atingidoe espera-se repetir essa experiência marcante devido a sua relevância.
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Danilo Borges Paulino1, Maria Luiza Afonso Borges 1, Larissa Freitas Campos1, Lucas Alves Fiuza1, Brenda Louise Rodrigues Sousa1, Karina Raphaela Pereira de Lima1
1 UFU
Introdução
A partir da importância da atuação do estudante de medicina como agente ativo na Educação em saúde, conforme previsto pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) do Curso de
Graduação em Medicina, considerando, principalmente, sua responsabilidade social, alunos de uma Universidade Federal planejaram e executaram ação em escola municipal, utilizando de
conceitos desenvolvidos ao longo de sua formação acadêmica, como a Promoção da Saúde, Prevenção de agravos e Salutogênese.
Objetivos
Apresentar o projeto de planejamento de ação realizada em escola municipal, expondo as dificuldades enfrentadas, bem como as soluções desenvolvidas nesse processo.
Relato de experiência
A partir das demandas de formação em educação em saúde previstas pelas DCN, estudantes de medicina de uma universidade federal compareceram a uma escola municipal para o
planejamento das ações. Desse modo, os universitários teriam três encontros na escola, sendo um para o planejamento e dois para a execução das ações. Diante das demandas da escola, os
discentes depararam-se com dois desafios principais: a direção escolar relatava a necessidade da execução da ação em 13 salas, de primeiros a quintos anos; havia uma diversidade de
demandas por parte da direção como ansiedade, uso de drogas, bullying e sexualidade. Diante disso, os discentes perceberam que haveria uma dificuldade em abordar, de forma adequada
e integral, a gama de temas solicitados e em todas as turmas considerando o tempo reduzido da ação. Temendo não concluírem com êxito a promoção da saúde em todas as salas, propuseram
à direção uma abordagem distinta: trabalhariam um tema único e de prevalência geral e a execução da ação apenas nas turmas dos quartos e quintos anos. Com isso, foi definido, trabalhar
o tema ansiedade nas turmas escolhidas. Com essa definição, o grupo percebeu a necessidade de abordar o assunto de forma co-participativa e dinâmica nas salas e ensinar às crianças
formas de lidar com a ansiedade a curto e a longo prazo. Para isso, formulou-se uma dinâmica que envolvia ensinar, de maneira lúdica, a importância de se procurar uma rede de apoio caso
estejam lidando com ansiedade e também exercícios de respiração para manejo imediato de crises de ansiedade.
Conclusões ou recomendações
A experiência demonstra como a saúde pública no Brasil requer do médico conhecimentos além daqueles apregoados pela medicina tradicional, sendo necessário que esse profissional
possua uma formação integrativa, abrangendo também temas da saúde coletiva e da salutogênese para saber lidar com demandas sociais em um cenário com poucos recursos. Deve-se,
portanto, promover ações semelhantes sempreque possível nos cursos de medicina para uma melhor formação dos seus discentes.
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João Lucas Gigante Gonçalves 1, Alice Lima Borges1, Lucas Beleza Bezerra Soares1, Wadson Oliveira Costa 1, Beatriz Lima Soares 1, Sueli de Souza Costa1
1 UFMA
Introdução
A bioética tem o compromisso de ponderar sobre o desenvolvimento científico e os limites da intervenção da medicina na vida do homem. O Código de Ética Médica (CEM), em vigor no
Brasil, desde 2019, representa esse compromisso moral dos profissionais médicos quanto ao comportamento e responsabilidades da profissão perante a sociedade. Nesse sentido, diante de
notícias recorrentes de médicos e acadêmicos de medicina violando a ética médica, como no caso da estudante que ironizou a morte de uma paciente no Estado do Alagoas, conforme
noticiado pelo Portal G1 em 2022, torna-se necessário avaliar como a bioética e o CEM estão presentes na estrutura curricular dos cursos de medicina atualmente.
Objetivos
Realizar análise do ensino da disciplina de bioética e do Código de Ética Médica nas escolas médicas do Nordeste.
Métodos
Trata-se de um estudo descritivo, observacional, transversal e quantitativo. Foi realizada busca, em junho de 2022, do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) dos 82 cursos de medicina da Região
Nordeste do Brasil, no site das respectivas Instituições de Ensino Superior (IES), segundo a lista obtida no banco de dados do portal Escolas Médicas do Brasil. Avaliou-se dentro de cada PPC
disponível a presença de disciplina com o título de bioética ou ética médica, a carga horária, o período do curso em que aparece e a inclusão do CEM na ementa da disciplina. Os dados
foram tabulados em planilha do Microsoft Excel eanalisados manualmente, quanto à estatística descritiva, pelos pesquisadores.
Resultados
Das 82 IES estudadas, sendo 50% instituições públicas, o PPC estava disponível em 75, 6% (n=62). Constatou-se a presença da disciplina bioética/ética médica em 51, 61% (n=32) dos PPCs.
A carga horária foi encontrada em 62, 5% (n=20) dos PPCs e teve média de 35, 3 horas. A ocorrência da disciplina encontra-se bem distribuída ao longo dos períodos do curso que precedem
o internato (1º ao 8º), sendo observada prevalência no ciclo básico. Dentre as ementas, 25% (n=8) contemplaram o ensino do CEM. Com base nos dados encontrados, percebeu-se uma baixa
frequência do ensino da bioética nas escolas médicas do Nordeste, o que demonstra uma deficiência na formação do profissional médico, que necessita de conhecimento e habilidades
oferecidas pela disciplina. Observa-se, também, que o ensino da bioéticaé predominante nos semestres iniciais da graduação com pelo menos 30 horas de carga horária, o que está distante
de ser o ideal, considerando a importância desses fundamentos para orientar a conduta do profissional de saúde. Por fim, vale destacar a baixa proporção que representa o ensino do CEM
dentro das ementas. A partir disso, constata-se uma clara deficiência do conhecimento médico e acadêmico acerca dos artigos que esse Código prevê, tendo as consequências manifestas
em notícias como a citada anteriormente.
Conclusões
Dessa forma, concluiu-se que o ensino da bioética nas escolas médicas do Nordeste ainda é incipiente, tendo em vista a baixa representatividade da disciplina no PPC dos cursos. Logo, é
necessário que o CEM seja contemplado na ementa do componente curricular de maneira mais eficiente, objetivando a formação de profissionais mais éticos e humanizados.
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ATUAÇÃO DA RESIDÊNCIA MÉDICA EM MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE EM TEMPOS DE PANDEMIA NO SERTÃO PARAIBANO
Eliane Raimunda da Nobriga 1, Charlene de Oliveira Pereira 1, Isadélia Constancio de Oliveira1, Luana Idalino da Silva1, Miguel Aguila Toledo1, Thuany Rodrigues Dias1
1 UNIFIP
Introdução
A pandemia do COVID-19 que assolou o mundo, é um desafio para a saúde pública mundial. No Brasil, além de lidar com a altas taxas de incidência e de letalidade, o Sistema Único de
Saúde, teve que lidar com o afastamento de inúmeros profissionais de saúde, por pertencerem ao grupo risco da doença, por adoecimento e por morte. O município de Patos, considerado
o quarto município mais populoso do estado da Paraíba, com 108.766 habitantes, com cobertura de Atenção Básica (AB) formada por 42 equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF),
lidou, a partir da declaração de estado de emergência no Brasil, com o afastamento de 52% dos profissionais médicos efetivos da ESF. Durante este período as equipes da ESF ligadas ao
Programa de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade (PRMFC) foram responsáveis por prestar assistência médica na atenção primária à saúde (APS) a 76% do território do
município.
Objetivos
Relatar a experiência da atuação do PRMFC na AB de um município do sertão paraibano no período da pandemia de COVID-19.
Relato de experiência
No ano de 2020, 21 das ESF do município de Patos estavam aderidas ao PRMFC. Estas equipes e mais 10 sob gestão do município, foram as únicas unidades a ofertar atendimento médico a
população, já que 52% dos profissionais médicos efetivos da AB solicitaram afastamento por tempo indeterminado. Seguindo a orientação da Comissão Nacional de Residências Médicas
que respaldou o PRMFC a permanecer com as suas atividades práticas e as atividades teóricas de forma remota, foram realizadas reuniões entre a gestão do município e a coordenação do
PRMFC para definir as estratégias para atuação dos residentes. Desta forma, foi decidido que: o PRMFC forneceria os EPIS ao município até este se abastecer, referenciar o atendimento em
COVID-19 para 4 ESF da residência, suspender as atividades em grupo, implementaros protocolos de uso de EPIs por toda equipe, ambientar as ESF para recebimento de Sintomáticos
Respiratórios (SR), instituir fluxos de atendimento dos SR e atendimento remoto (telemedicina) nas ESF que os residentes tivessem doenças crônicas. Os usuários foram referenciados as
unidades com médicos e a carga horária dos residentes permaneceu sem alterações. Mas, a preceptoria passou a ser realizada com visitas in loco uma vez ao mês, encontros por
videoconferência semanais e acompanhamento via telefone e WhatsApp diariamente. No 2º semestre, 1 residente se desligou do programa, 1 trancou para tratamento de saúde e 1 foi
transferido, permanecendo 18 residentes atuando nas unidades.
Conclusões ou recomendações
O PRMFC cumpriu o papel de formação, mas sobretudo de assistência à saúde a população de Patos-PB, subsidiando o provimento de profissionais e garantindo resolutividade nas ações de
AB que fizeram a diferença para uma população de mais de 100 mil habitantes durante o ano mais críticos da pandemia pelo COVID-19.
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Guilherme Liao1, João Marcos Gomes Chagas1, Ruan de Sousa Santana Santos1, Estevão Cruz Dos Anjos1, Enzo Irribarem Homsi1, Lidiane Dal Bosco1
1 UNIPAMPA
Introdução
Com o aumento das escolas médicas no Brasil, a discussão sobre a responsabilidade social da comunidade acadêmica junto a população tem se tornado cada vez mais necessária. Formar
profissionais da saúde que compreendam seu papel na sociedade é um desafio que deve ser assumido pelas escolas médicas desde os primeiros anos da graduação. Nesse sentido, surgem
componentes curriculares (CC) que fomentam a participação ativa dos acadêmicos em projetos sociais.
Objetivos
O presente trabalho tem por objetivo relatar a experiência de estudantes de medicina em CC’s que prevêem a realização de ações extensionistas para educação e promoção da saúde. Estas,
voltadasespecialmente para população em situação de vulnerabilidade social.
Relato de experiência
No que se refere ao CC do segundo semestre do curso de medicina de uma universidade pública no Sul do Brasil, Seminários Integrativos, a turma foi dividida em pequenos grupos que
tinham por objetivo realizaruma ação na comunidade. Em função das restrições impostas pela pandemia de COVID-19, a ação promovida pelo presente grupo utilizou das redes sociais,
através da criação de um perfil no Instagram, para informar, conscientizar e incentivar a doação de órgãos no Brasil. As publicações foram baseadas em integrar os aspectos biopsicossociais
implicados na temática. Elas seguiam uma frequência de 3 vezes por semana, em que uma delas sempre era uma imagem de impacto ou uma arte para instigar os seguidores a uma reflexão
acerca do assunto. A conta possui, atualmente, 153 seguidores na plataforma e contou com diversas interações com a comunidade, assim como publicações no feed, nos stories e também
incluiu uma entrevista com uma paciente que aguardava na lista de espera para receber transplante de órgãos, que foi postada na forma de reels. Além disso, o grupo se dispôs a sanar as
dúvidas que seguidores da página enviavam nos comentários e no chat.
Conclusões ou recomendações
Finalmente, através desses CC’s, é possível concluir que as escolas médicas podem exercer um papel importante junto à população atendendo-a em todas as suas necessidades. No que
tange a doação de órgãos, os resultados podem ser extremamente benéficos para a população, esses podem ser maximizados através de outras formas de comunicação como emissoras de
rádio e tv locais.
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Gabriel Krieser Biolowons 1, Paulo Josué da Silva Jaques 1, Lincoln Sona1, Matheus Czeckoscki dos Santos1, Gabriela Barcelos Leiria1, Luciana de Souza Nunes1
1 UNIPAMPA
Palavras-chave: Educação médica; Atenção à saúde; Habilidades sociais; Sistema Único de Saúde; Saúde da Comunidade
Introdução
As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para o curso de medicina, elaboradas em 2014, propõem uma formação médica que preza pela inserção dos acadêmicos no Sistema Único de
Saúde (SUS) e porfortalecer a integração ensino-serviço-comunidade. Diante disso, em 2022, nosso curso de medicina desenvolveu um novo Projeto Pedagógico do Curso (PPC), no intuito
de garantir uma formação médica humanizada, crítica, reflexiva e atuante. Nesse PPC, está presente o componente curricular Vivências no SUS, vigente por 3 semestres consecutivos, que visa
aprimorar os conhecimentos e promover o desenvolvimento de competências e habilidades inerentes à atuaç ào do mèdico, além de integrar o ensino, a pesquisa, a extensào e a assistência
à comunidade.
Objetivos
Objetiva-se relatar as experiências de discentes vivenciadas no componente curricular Vivências no SUS e discutir sua relevância para a formação médica.
Relato de experiência
No sexto semestre do curso de medicina, a turma foi dividida em quatro grupos, cada grupo sob orientação de um docente, os quais foram alocados em Estratégias de Saúde da Família
(ESF). Semanalmente, o grupo dirige-se à ESF e desenvolve atividades no ambiente do SUS, inserindo-se em diversos setores, como sala de triagem, vacinação, consultório médico e de
enfermagem e ambulatório de curativos. Ainda, osdiscentes desenvolvem projetos voltados à comunidade, criando metas a curto, médio e longo prazo. A abordagem escolhida pelos
acadêmicos foi o Projeto Saúde nas Escolas (PSE), com a temática de vacinação. Ademais, este componente prevê o acompanhamento de famílias por meio de visitas domiciliares, objetivando
conhecer a dinâmica familiar e fornecer suporte às demandas levantadas por esses usuários.
Conclusões ou recomendações
Portanto, são notórios os ganhos na formação médica com a realização de atividades como as propostas por este componente, envolvendo o aluno no contexto real de funcionamento das
ESF. Uma educação médica moderna e de qualidade precisa fomentar ações extensionistas como essa, para desenvolver no aluno competências e habilidades essenciais à profissão, como
empatia, autonomia, comunicação, trabalhoem equipe e inserção na comunidade, proporcionando ganhos aos futuros profissionais e à população, que contará com profissionais mais atentos
e empáticos à sua realidade e necessidade.
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ESTÁGIO NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA: IMPACTOS SOBRE OS PRIMEIROS PASSOS NA CONSTRUÇÃO DO PROFISSIONAL MÉDICO
Izac Andersein de Souza Silva1, Camila Moura de Brito1, Edivania Maria de Lima Torres 1, Jéssyca Barbosa Ribeiro1, Samia Dayana Lemos de Lacerda1, Rita de Cássia Hoffmann Leão 1
1 FITS
Palavras-chave: Educação de graduação médica; Aprendizagem baseada na experiência; Estágio em Saúde; Saúde da Família
Introdução
O estágio acadêmico consiste em uma estratégia de aprendizado por meio da aplicação prática dos conhecimentos teóricos adquiridos em sala de aula. Com efeito, esse processo de vivência
prático-pedagógica permite que o acadêmico tenha contato com as necessidades demandadas por sua futura profissão. No âmbito da medicina, o desenvolvimento das competências
necessárias para o estudante imprescinde do contato com a demanda social de saúde, porquanto é essa aproximação que permite a identificação de questões em suas diferentes origens, a
partir de um olhar integral do paciente. Destarte, diante da relevânciade um aprendizado sobre uma medicina que vai além da relação médico-doença, evidencia-se a necessidade de se
consolidar desde o primeiro período da graduação a base prática sobre a qual será trilhado constantemente o caminho profissional.
Objetivos
Relatar a experiência de alunos do primeiro período de uma faculdade de medicina em Pernambuco durante o estágio na Estratégia de Saúde da Família (ESF) e os consequentes impactos
resultantes desta vivência precoce na formação e amadurecimento daqueles.
Relato de experiência
A atividade de estágio na ESF é exercida ao cumprimento da carga horária de 80 horas, estabelecida pela Instituição de ensino, vinculada ao programa de estágio, através da disciplina PIESF
(Programa de Integração da Estratégia Saúde da Família). Alinhando os conhecimentos adquiridos em sala de aula, os alunos, puderam contribuir com pequenas práticas clínicas, bem como
aprender, sob orientação de um médico preceptor, a dar os primeiros passos para um atendimento médico completo, que inclui a relação médico-paciente, a partir do desenvolvimento de
um olhar humanizado. Tal vivência ocorre desde o primeiro período. A possibilidade de contar com experiências práticas de forma precoce proporciona ao discente um amadurecimento
prévio que não teria se estivesse submetido à grade curricular tradicional da graduação médica. Durante o estágio, há contato com todos os profissionais que compõem o corpo funcional da
ESF, o que garante ao estudante uma noção global do funcionamento da Unidade. Além disso, a interação com pacientes reais e queixas concretas instrui desde cedo o calouro. Por outro
lado, os relatos da comunidade que recepciona os discentes têm sido positivos, demonstrando benefícios para todas as partes envolvidas.
Conclusões ou recomendações
O contato com uma realidade por vezes alheia à vida do estudante é crucial para se entender o papel social da medicina. Nesse sentido, a estratégia de ensino pautada no estágio na Estratégia
de Saúde da Família desde o primeiro período do curso de medicina traz ao acadêmico a possibilidade de trilhar um caminho profissional com uma visão integrativa e humanizada de seus
pacientes. O diálogo entre a teoria ea prática desde o início insurge-se, portanto, como uma ferramenta crucial na formação do futuro profissional médico.
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O CONTATO DOS ESTUDANTES DE MEDICINA COM O SUJEITO SURDO COMO ESTRATÉGIA DE APRENDIZAGEM DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS
1 UNIDEP
Palavras-chave: Surdez; Grupos Minoritários; Acesso aos Serviços de Saúde; Línguas de Sinais; Relações Médico-Paciente
Introdução
A comunicação efetiva nos atendimentos médicos é condição necessária para a realização adequada da anamnese e das orientações ao paciente, bem como para a construção de uma
relação de confiança entre profissional e enfermo. Contudo, na área da saúde ainda existe a barreira linguística no atendimento a pessoas surdas, pois a maioria dos profissionais não consegue
se comunicar utilizando a Língua Brasileira de Sinais (Libras), língua da comunidade surda brasileira reconhecida pela Lei Federal nº 10.436/2002. Tal cenário prejudica a oferta de atendimento
integral e humanizado, o que, somado ao preconceito advindo do desconhecimento das especificidades dessa população, piora a relação médico-paciente. Dessa forma, o aprendizado
dessa língua e o contato com pessoas surdas é essencial para o acadêmico de medicina a fim de que, no futuro, ele esteja apto a assistir adequadamente pacientes nessa condição.
Objetivos
Relatar a experiência de aprendizagem de estudantes de medicina em uma oficina de Libras, que propôs o desenvolvimento de competências para o uso dessa língua em atendimentos
clínicos a partir do contatocom uma voluntária surda.
Relato de experiência
Em março de 2022 a liga acadêmica de Libras do curso de medicina organizou uma oficina intitulada “Anamnese e sinais básicos para o atendimento do paciente surdo”, a qual foi ministrada
por uma voluntária surda para alunos de medicina, com duração de uma hora e quarenta minutos. Durante o evento, a convidada ensinou os sinais usados nos contextos de apresentação
pessoal e saudação, bem como nos seguintes tópicos da anamnese médica: identificação, queixa principal, história da doença atual, antecedentes pessoais e hábitos de vida. Enquanto a
ministrante mostrava os sinais da Libras, os alunos os reproduziam e pediam para repetir caso houvesse alguma dúvida. Ao final da atividade foram feitas simulações de atendimentos em
Libras a partir de casos clínicos, em que os acadêmicos atuaram como pacientes surdos e médicos. Toda a oficina foi feita com o auxílio da tradução de uma intérprete que é orientadora da
liga. Contudo, muitos momentos ocorreram sem a sua tradução instantânea com o intuito de estimular os acadêmicos a utilizarem o que foi aprendido.
Conclusões ou recomendações
A oficina de Libras favoreceu aos acadêmicos a aquisição de habilidades para o atendimento ao paciente surdo, sendo que o contato com a voluntária surda foi parte essencial desse processo,
pois não só impulsionou a aprendizagem da língua, como também promoveu o conhecimento da identidade surda e das necessidades dessas pessoas. Por meio de ações como essa, que
visam a ampliação do conhecimentoe preparo sobre as minorias sociais do país, é possível formar médicos mais comprometidos com a universalidade e equidade na saúde, garantindo
qualidade nos atendimentos para todos.
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AÇÃO ESTRATÉGICA "O BRASIL CONTA COMIGO", PARA O ENFRENTAMENTO AO CORONAVÍRUS E ANTECIPAÇÃO DA COLAÇÃO DE GRAU: REFLEXÕES SOBRE A
FORMAÇÃO MÉDICA
Isadélia Constancio de Oliveira1, Rafaela de Albuquerque Paulino1, José Bégue Moreira de Carvalho 1
1 UNIFIP
Introdução
Em março de 2020, considerando a declaração de emergência em Saúde Pública de Importância Internacional, pela Organização Mundial da Saúde devido a pandemia do coronavírus
(COVID-19), o Ministério daSaúde do Brasil, por intermédio da Secretaria de Gestão e Trabalho e da Educação na Saúde, convocou alunos de graduação em Medicina, Enfermagem, Farmácia
e Fisioterapia a participarem da ação estratégica "O Brasil Conta Comigo", em caráter excepcional e temporário. Para os estudantes da graduação em Medicina, o critério para cadastro foi
estar regularmente matriculado no curso do 1º ao 6º ano.
Estes estudantes foram acompanhados por supervisores ao longo do período em que participaram da ação. Sendo avaliados quanto assiduidade e auxiliando na rotina dos serviços, na
mesma medida em que se envolviam com a dinâmica das equipes. Ainda através da Portaria Nº 383, de 9 de abril de 2020, o Ministério da Educação dispôs sobre a antecipação da colação
de grau desses mesmos cursos tendo em vista o caráter pandêmico e urgente para preenchimento de vagas de trabalho na saúde. O critério principal a ser levado em consideração foi de ter
75% da carga horária prevista para o período de internato médico ou estágio supervisionado completa.
Objetivos
Relatar a experiência de supervisão, na Atenção Primária, de estudantes de medicina, no 5º e 6º anos de formação, durante a ação estratégica “o Brasil conta comigo”, refletindo sobre as
repercussões da antecipação de colação de grau desses.
Relato de experiência
A adesão maciça à ação exigiu vários supervisores para a satisfatória execução da mesma. Cada profissional acolheu entre 2 e 4 internos de medicina, inserindo-os na rotina do serviço de
saúde. Para os preceptores do internato, a dinâmica não foi modificada, tendo em vista que as Unidade de Saúde já têm os médicos em formação no seu cotidiano. Entretanto, os demais
profissionais, que não exercem a preceptoria, denotaram dificuldades na adaptação da comunidade e da própria equipe. A presença dos estudantes na Unidade Básica de Saúde, realizando
consultas, visitas domiciliares e atividades de promoção à saúde sob supervisão foi exitosa tendo em vista a necessidade de um maior volume de profissionais devido às condições sanitárias
momentâneas.
Conclusões ou recomendações
Faz-se necessário um acompanhamento longitudinal destes, agora médicos, que anteciparam a colação de grau, a fim de avaliar suas ações e prática clínica. Observando, desta forma, o
resultado da diminuiçãono tempo de formação destes.
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PROMOÇÃO E EDUCAÇÃO EM SAÚDE SOBRE FIBROMIALGIA E SINTOMAS SOMÁTICOS: IMPORTÂNCIA DA INTEGRALIDADE MENTE-CORPO NO CUIDADO MÉDICO
Lourrany Borges Costa1, Beatriz Costa Bastos1, Marina Oliveira Severiano 1, Marina Lobo Ramos 1, Arina Peixoto Nobre1, Luísa Bedê Bruno1
1 UNIFOR
Palavras-chave: Sintomas inexplicáveis; Promoção da saúde; Educação médica; Salas de espera; Serviços de Integração Docente-Assistencial
Introdução
Os Transtornos de Sintomas Somáticos (TSS) causam sintomas somáticos associados a sofrimento, com pensamentos, sentimentos e comportamentos anormais em resposta a esses sintomas,
por sua ausência de uma explicação médica. Tais transtornos, por vezes estigmatizados, são desafiadores para os profissionais da saúde. No campo da educação médica, são condições que
exigem o ensino da visão integral do ser humano e de um forte vínculo médico-paciente. A Fibromialgia (FM), mesmo não sendo oficialmente um TSS, é uma síndrome reumatológica crônica
que causa dores musculares com forte influência de aspectos mentais, e que, apesar da alta prevalência, possui baixa visibilidade na sociedade.
Objetivos
Descrever a experiência de ação de conscientização sobre FM, realizada por uma liga acadêmica de Atenção Primária em Saúde, formada por estudantes de Medicina de uma universidade
do Nordeste brasileiro, em uma unidade básica de saúde (UBS), e seus possíveis desdobramentos na formação médica.
Relato de experiência
Em fevereiro de 2022, mês da conscientização sobre Lúpus, Fibromialgia e Alzheimer, "fevereiro roxo", foi realizada uma atividade interativa, do tipo sala de espera, com os pacientes em uma
UBS, em Fortaleza- CE. Foram realizadas 8 perguntas aos participantes: “A dor na FM vem 'da cabeça'?"; “A FM não tem cura?”; “A FM pode levar à morte?”; “Não existem tratamentos para
FM?”; “O tratamento envolve auxílio de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e psicólogos?”; “Não existem exames que confirmem o diagnóstico da FM?”; “Quem tem FM não pode praticar
exercícios físicos?”; “A FM afeta mais as mulheres que os homens?”; “A FM é uma doença rara?”; e “Os sintomas vão muito além das dores?”. Tais perguntas foram elaboradas com base nos
mitos e verdades sobre FM, como forma de educação popular em saúde, a fim estimular a participação dos pacientes, ouvir seus conhecimentos prévios e criar novos saberes coletivamente.
Conclusões ou recomendações
Com base no relato, pode-se perceber a importância de realizar ações de educação popular em saúde sobre condições estigmatizadas e de grande importância para a população, como a
FM, que acomete diversos indivíduos. Evidencia-se, assim, a necessidade de ampliar ações de promoção de saúde, como as do presente relato, a fim de que mais pessoas sejam informadas
sobre essa condição e que possam buscar tratamento e melhora da qualidade de vida. Para os estudantes, além do sentimento de compromisso social, a ação permitiu solidificar ainda mais
o conceito de saúde como bem-estar biopsicossocial e aimportância profissional de uma formação humanística, que valoriza o cuidado centrado na pessoa.
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Maria Júlia Martins Padovani1, Giovani Mendola Perobelli 1, Luis Gustavo Freitas Castro1, Debora Cruvinel Ferreira 1, Isabela Corrêa Samper1, Danilo Borges Paulino1
1 UFU
Introdução
Segundo a Carta de Ottawa, escrita na Conferência Internacional sobre Promoção de Saúde, em 1986, a promoção de saúde consiste em proporcionar aos indivíduos meios necessários para
melhorar a sua saúde e exercer um maior controle sobre esse processo. Como parte das competências abordadas nas Diretrizes Curriculares do curso de graduação em Medicina, as vivências
em escolas de ensino infantil têm como objetivo a educação em saúde, haja vista que essa responsabilidade não se encerra no ato técnico, mas na resolução ampla do processo saúde-
adoecimento-cuidado, tanto a nível coletivo, como a nível individual.
Objetivos
Incentivar a adoção de hábitos alimentares equilibrados aos estudantes, promover a saúde infantil a partir da alimentação saudável e orientar sobre a importância dos alimentos no processo
saúde-adoecimento- cuidado.
Relato de experiência
Como facilitadores de discussões relacionadas ao processo de educação alimentar, estudantes de medicina de universidade federal mineira entenderam a necessidade de abordar a
importância de equilíbrio dos alimentos para um estilo de vida mais saudável. Isso ocorreu mediante a apresentação de vários símbolos alimentares, como frutas, doces e verduras, que
desencadearam a discussão acerca dos hábitos alimentares dos alunos. Desse modo, a discussão foi conduzida para a percepção de equilíbrio e de variedade alimentar.
Conclusões ou recomendações
O contexto do ambiente ensino-aprendizagem mostra-se muito mais amplo do que o imaginado, fato que demanda habilidades e competências necessárias para além da formação médica,
mas para a formaçãohumana dos alunos de medicina. Nessa perspectiva, a empatia, a paciência e as estratégias didáticas foram qualidades afloradas para que houvesse a atuação efetiva
como facilitadores da promoção de saúde. Logo, observa-se a necessidade de perpetuar a atuação dos estudantes nas vivências das escolas infantis por inúmeros fatores, como acentuar
práticas humanizadas nos futuros profissionais de saúde e estimular hábitos saudáveis na comunidade.
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Marcelo Bruno Generoso 1, Cláudia Regina Graziano de Moraes e Abreu1, Clarice Pimentel Paulon1, Paulo Marcelo Naoum Mazaferro 1
1 SMS-SP
Introdução
Dentre as mudanças impostas pela pandemia de COVID-19 destacou-se o distanciamento social imposto a familiares e amigos em velórios e enterros com regras rígidas de limite de tempo,
número reduzido de pessoas, uso obrigatório de equipamentos de proteção individual e caixões lacrados. Esse cenário provavelmente terá um impacto profundo no processo de luto dos
envolvidos. Nesse contexto, um grupo de pessoas muitas vezes despercebidas são os trabalhadores de cemitérios. Existem poucos estudos dedicados ao assunto, mas os dados indicam que
eles estão em maior risco de desenvolver síndrome de esgotamento, depressão e transtornos de ansiedade do que a população geral. (1) Pensando nos trabalhadores do Serviço Funerário
de São Paulo, desenvolvemos uma proposta de cuidado e atenção direcionada baseada em grupos de apoio de apoio e escuta semanais conduzidos por médicos residentes de psiquiatria.
(2)
Objetivos
Objetivamos promover o cuidado e atenção à saúde mental dos trabalhadores buscando estratégias de resolução de conflitos e questionamentos bem como estimular a autonomia dos
participantes e o apoiomútuo.
Relato de experiência
Nossa proposta teve início em maio de 2020 e continua ativa atualmente. O formato consiste em grupos semanais de acesso aberto conduzidos por médicos residentes de psiquiatria, com
duração de 2 horas e contando com 10 participantes em necessidade de cuidado ou sofrimento psíquico. Os grupos são supervisionados por psicóloga com experiência em psicoterapia de
grupo. Durante as sessões, os participantes são convidados a compartilhar as suas rotinas diárias, exteriorizar sentimentos e o que mais estiver lhes incomodando. Além disso, os participantes
são incentivados a compartilhar mecanismos de enfrentamento e apoiar uns aos outros quando possível. Quando necessário, o tratamento ambulatorial psiquiátrico é oferecido. A inserção
dos médicos residentes foi possível ao incluirmos essa atividade na grade horária da residência médica no estágio de psicoterapia do segundo ano do curso durante três meses.
Conclusões ou recomendações
Em nossa opinião, é imperativo o desenvolvimento de estratégias de apoio à saúde mental focadas nessa população e incentivamos outras cidades a tomarem ações semelhantes. Referências
1. Colombo L, Emanuel F, Zito M. Secondary Traumatic Stress: Relationship With Symptoms, Exhaustion, and Emotions Among Cemetery Workers. Frontiers in psychology. 2019;10. 2.
Generoso MB, Mazaferro PN. Integrated Residency in Psychiatry: an Innovative Model of Medical Training in Brazil. Academic psychiatry : the journal of the American Association of Directors
of Psychiatric Residency Training and the Association for Academic Psychiatry. 2019;43(5):551-2.
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“NÃO PENSEI QUE APRENDERIA TANTO COM EDUCAÇÃO EM SAÚDE EM ESCOLAS”: INTEGRAÇÃO ENTRE MEDICINA, PROMOÇÃO DA SAÚDE E SAÚDE ESCOLAR
NA FORMAÇÃO MÉDICA
Isabela Corrêa Samper1, Giovani Mendola Perobelli1, Debora Cruvinel Ferreira 1, Luis Gustavo Freitas Castro1, Maria Júlia Martins Padovani1, Danilo Borges Paulino1
1 UFU
Introdução
O Programa Saúde na Escola (PSE) é desenvolvido entre o Ministério da Educação e o da Saúde e sua finalidade é promover a saúde com ações de educação em saúde no âmbito escolar.
Em parceria com oPSE, o componente curricular Saúde Coletiva III do curso de Medicina de uma universidade federal elaborou uma atividade com estudantes do terceiro período, os quais
foram distribuídos em grupos e, posteriormente, designados para atuarem em diferentes escolas da rede municipal da cidade a fim de trabalhar temáticas diversificadas relacionadas com o
cuidar e com a promoção de saúde.
Objetivos
O seguinte trabalho possui como objetivo relatar as vivências de um dos grupos em questão e de como tal atividade foi transformadora e fulcral para a significação de sua atuação como
médicos.
Relato de experiência
Com o objetivo de promover o cuidado de acordo com as demandas da escola em questão, os estudantes se encontraram com as agentes de saúde escolar e diretora e, em diálogo com
elas e com o professor dadisciplina, selecionaram o tema alimentação saudável para ser abordado em ações de educação em saúde nessa escola. A fim de abarcar adequadamente todas as
turmas do primeiro ao sétimo ano do ensino fundamental, três atividades foram propostas considerando a idade das crianças e o que poderia ser feito para promover com mais efetividade
seu entendimento e adesão ao que estava sendo tratado, e postas em prática ao longo de dois dias de atuação. Tais atividades foram: desenhar as três comidas favoritas - para as mais novas
-, fazer uma roda de conversa acerca do tema - com as mais velhas - e fazer um teatro interativo para as crianças de idade intermediária.
Conclusões ou recomendações
Dessa forma, a experiência nas escolas foi transformadora para os estudantes do curso de medicina, que ainda estão aprendendo as melhores maneiras de proceder com sua atuação e
processo de cuidado. A fala frequente de que não esperavam aprender tanto com Educação em Saúde nas Escolas ressalta os desafios de aprender para além dos aspectos biomédicos,
integrando os determinantes sociais e o cuidado integral em saúde à educação médica.
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Emídio José de Souza1, Kelson Breno Lima Brasileiro1, Cinthia Almeida Costa Leite1, Luana Idalino da Silva1, Miguel Aguila Toledo1, Charlene de Oliveira Pereira 1
1 UNIFIP
Introdução
As Diretrizes Curriculares Nacionais que normatizam as ações dos cursos de medicina estabelecem como perfil de formação o médico generalista, humanista, crítico e reflexivo, capaz de
atuar na rede de atenção, com senso de responsabilidade social e compromisso com a cidadania da população por ele responsável. Para tanto, a escola médica deve ordenar o ensino, a
pesquisa e as atividades práticas para atender as necessidades em saúde da comunidade, levando em consideração o contexto e perfil social da região onde está inserido.
Objetivos
Relatar a experiência de graduandos do 2° ano do curso de Medicina em um espaço de diálogo com líderes comunitários, tais como agentes comunitários de saúde e conselheiros municipais
de saúde.
Relato de experiência
No período de fevereiro e março do ano de 2020 foram realizadas aulas práticas do eixo Atenção Primária à Saúde nas áreas de abrangência de três Unidades Básicas de Saúde de um
município no interior da Paraíba, sendo feito a territorialização e o cadastro individual de usuários. Conhecendo os territórios e o perfil populacional que lá residia, formou-se um espaço para
debate sobre as comunidades e suas necessidades de saúde, no centro universitário, envolvendo estudantes, docentes, líderes comunitários e os membros do Conselho Municipal de Saúde
(CMS). O debate foi iniciado com a apresentação dos serviços e ações que o centro universitário oferta à comunidade, que vão desde atendimento médico, odontológico, nutrição, fisioterapia,
até laboratorial. Em seguida, discutiu-se sobre a história dos líderes e do CMS, suas percepções sobre as potencialidades, os problemas de saúde e atuação das equipes e como o
comportamento das equipes impacta em sua relação com a população. Por fim, elaborou-se propostas para o enfrentamento dos problemas.
Conclusões ou recomendações
O vínculo do estudante de medicina com a comunidade a qual participa da prestação de assistência, com os profissionais de saúde e as instâncias de gestão do Sistema Único de Saúde
permite aprofundar o conhecimento sobre o controle e participação popular, estabelecer a capacidade reflexiva e, sobretudo, viabilizar que os estudantes desenvolvam comprometimento
político e social.
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MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE: RELATO DE EXPERIÊNCIA DA CONSTRUÇÃO COLETIVA DE UM PROGRAMA DE RESIDÊNCIA EM TERRITÓRIO INDÍGENA
Eulampio Dantas Segundo1, Audrey Vinnícios Antunes Tavares 2, Miriam de Andrade Brandão 1, Janaina Lucio Dantas 3, Wellington Pedro de Sousa 4, Maysa Barbosa Rodrigues Toscano5
1 EMCM/UFRN, UNIFIP
2 UNINASSAU - VILHENA
3 UFCP
4 SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE MAMANGUAPE - PB
5 SECRETÁRIA MUNICIPAL DE SAÚDE DE MAMANGUAPE - PB / FIOCRUZ
Introdução
A residência médica (RM) é o principal meio de formação a nível de pós-graduação, considerada “padrão ouro” para formação de especialistas. É etapa obrigatória na carreira médica em
muitos países, entretantono Brasil ainda não é uma realidade. Há consenso quanto ao objetivo da residencia: no sentido de preparar o profissional de forma adequada para lidar com as
necessidades da sociedade.
Objetivos
Relatar o processo de implantação do Programa de Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade (PRM-MFC) no Vale do Mamanguape – Paraíba.
Relato de experiência
Trata-se de um relato de experiência do PRM-MFC do Vale do Mamanguape, que é um território indígena formado por nove municípios. As discussões sobre a possibilidade de construção
de um programa surgiram no início de 2019 a partir de diálogos trazidos por representantes indígenas potiguaras e tabajaras ao Núcleo de Direitos Humanos a uma Universidade pública na
Paraíba sobre a necessidade de profissionais médicos capacitados para o cuidado em saúde com vistas nas competências culturais. Posterior a isso, foram realizadas discussões com a
Comissão Intergestores Regional do Vale do Mamanguape e diálogos com a Associação Paraibana de Medicina de Família e Comunidade sobre a construção coletiva de um possível programa
de residência segundo recomendações da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade. Realizou-se reuniões com a reitoria de uma Universidade na Paraíba e representantes
PRM-MFC para pactuações e apoio institucional das atividades do programa de residência. O programa de residência foi aprovado em 2019 e teve a sua primeira turma iniciada em março
de 2020. A gestão do PRM-MFC no município funciona em conjunto com a participação da Coordenação da Atenção Primária à Saúde (APS) de Mamanguape, onde é o local da sede do
Programa de Residência.
Conclusões ou recomendações
Deve-se ressaltar as dificuldades enfrentadas pela primeira turma, formada no início da Pandemia do COVID-19. Assim, os participantes tiveram papel fundamental na consolidação do Sistema
Único de Saúde (SUS), fortalecendo o direito à saúde, além da construção de protocolos clínicos para o enfrentamento da pandemia. A formação de especialistas em Medicina de Família e
Comunidade (MFC) é estratégia imprescindível para a qualificação da Atenção Primária à Saúde do ponto de vista quantitativo e qualitativo da força de trabalho, seja em uma esfera universal,
local, pública ou privada.
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CONCEPÇÕES DE PROFESSORES DE UM CURSO DE MEDICINA SOBRE ENSINO DE TOMADA DE DECISÃO COMPARTILHADA NO INTERNATO DE CLÍNICA MÉDICA
1 UFT
2 UNIFESP
3 UNICAMP
Introdução
Tomada de decisão compartilhada (TDC) é uma abordagem em que médicos e pacientes compartilham as melhores evidências disponíveis quando confrontados com a tarefa de tomar
decisões, nas quais ospacientes são apoiados a considerar opções, a fim de obter preferências informadas. Os princípios da TDC não são rotineiramente ensinados nos currículos das
faculdades de medicina, bem como, não se observa uma completa adoção dos professores no ensino desta competência.
Objetivos
Caracterizar as concepções e práticas dos professores sobre ensino e aprendizado de TDC em um internato de Clínica Médica, de um curso de Medicina em uma universidade no norte do
Brasil.
Métodos
Entrevistas de aprofundamento com foco no ensino de TDC realizada com 7 professores do curso, que participam tanto como professores das disciplinas clínicas tanto como preceptores
do internato de Clínica Médica. O material das entrevistas foi explorado através de unidades de contexto (UCs) e unidades de registro (URs), com identificação de categorias e
subcategorias.
Resultados
Discussão O roteiro final das entrevistas contou com 7 perguntas principais resultando em mais de 120 respostas em sua totalidade, com identificação de 52 UCs e 109 URs das quais
emergiram 9 categorias e 11 subcategorias. A análise das categorias e subcategorias revelou, segundo os professores, prejuízo no ensino de TDC antes e durante o internato de Clínica
Médica, principalmente nas aulas teóricas e com abordagem subliminares nas práticas, além de deficiência no processo avaliativo. Os professores apontaram prejuízo de ensino das
habilidades de comunicação e das considerações dos aspectos emocionais e as preferências dos pacientes; reconheceram que os cenários de ensino estão centralizados em ambiente
hospitalar, e que dispõem de pouco tempo para conversar o paciente pela alta demanda de atendimentos; reconheceram que tanto o estudante da fase pré-internato, quanto os estudantes
do internato de Clínica Médica são prejudicados quanto à concessão de autonomia ao abordar o paciente para TDC; e, também observaram que o aluno apresenta atitude passiva durante
os atendimentos.
Conclusões
As entrevistas mostraram que pela abordagem realizada juntos aos professores há reconhecimento de prejuízo no ensino de TDC, pouca abordagem sobre os aspectos emocionais e
preferências do paciente perante os alunos. Os dados mostram que o ensino de TDC deve ser considerado na formação do médico em sua graduação.
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Lujácia Felipes Fiorentin1, Nicole Osternach1, Paula Juliane Zanin 1, Cristina Arsego Levis1, Bárbara Berticelli1, Vilson Geraldo de Campos1
1 UNIDEP/AFYA
Introdução
O pré-natal é uma série de consultas realizadas durante os nove meses de gestação, com o objetivo de assegurar o ideal crescimento do bebê e manter à saúde da mãe. Esse atendimento é
preconizado e realizado integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo ideal o acompanhamento multiprofissional da gestante durante os nove meses. A negligência na realização
adequada do pré-natal pode trazer prejuízos tanto para o bebê quanto para mãe. Nesse contexto, demostra-se a importância da visita domiciliar, buscando oferecer todo o apoio necessário
dentro de cada situação e tentando manter o vínculo com o paciente.
Objetivos
Relatar a experiência de estudantes de medicina em um projeto de extensão com foco no atendimento de gestantes; Descrever a relevância da visita domiciliar para gestantes em situações de
vulnerabilidade.
Relato de experiência
O presente relato de experiência expressa a atividade de educação em saúde desenvolvido por um projeto de extensão com o intuito de prestar auxílio às gestantes expostas a situações de
vulnerabilidade, como:drogas, baixas condições sociais, violência e abuso físico, verbal e corporal, além de doenças psicológicas e gestantes adolescentes. No decorrer no projeto foram
feitas visitas para as gestantes, e, o estado físico e psicossocial eram determinantes para que as visitas domiciliares ocorressem. As visitas antes de serem feitas eram previamente acordadas
com as pacientes, contudo, algumas vezes não fomos recebidos. No momento da visita, quando recebidos, havia uma conversa breve sobre o estado geral e bem-estar da gestante, exame
clínico e orientações Visitas puerperais também foram realizadas. O projeto ocorreu no período de 06/04/2022 até́ 31/05/2022, semanalmente nas terças-feiras e quartas-feiras, totalizando 16
encontros no período da tarde. No final de cada visita, com os dados e a história coletada era realizado um projeto terapêutico singular (PTS) de acordo com a particularidade de cada paciente.
O projeto foi realizado pela professora orientadora e oito acadêmicos de medicina.
Conclusões ou recomendações
A atividade possibilitou uma experiência única da prática médica associada à Saúde Pública, tendo em vista a familiarização com as pacientes, reconhecimento do seu modo de vida e a
realidade de cada uma, o que expôs a relevância dos fatores de vulnerabilidade de cada gestante e a importância de se trabalhar cada um deles de forma individualizada e humanizada de
acordo com cada paciente. Diante do relato apresentado fica clara a importância da visita domiciliar na saúde pública e na assistência à gestação de vulnerabilidade, a oferta de apoio e o
assentimento de segurança que existe para cada mulher em gestaçãoe suas fragilidades.
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Ludmila Mourão Xavier Gomes1, Anália Rosário Lopes1, Thiago Luis de Andrade Barbosa1
1 UNILA
Introdução
Curricularizar a extensão universitária implica aproximar a universidade dos grandes desafios da sociedade. Aplicá-la implica em repensar as concepções e práticas da formação médica
considerando uma formação mais dialógica e transformadora com a comunidade. Esse é o grande desafio das escolas médicas na atualidade.
Objetivos
Apresentar uma proposta de curricularização da extensão em um curso de Medicina a partir do Programa de Integração Ensino-Serviço-Comunidade utilizando o Método do Arco de Charles
Maguerez.
Relato de experiência
O curso de graduação em medicina em questão possui seis módulos de Programa de Integração Ensino-Serviço-Comunidade, nos quais os discentes desenvolvem atividades do primeiro ao
terceiro ano nas unidades básicas de saúde, seu território e comunidade adscrita. Esses módulos são de natureza extensionista, ocorrem na interação dialógica com compartilhamento de
saberes entre comunidade e universidadee incentiva o protagonismo do estudante. A estratégia da curricularização da extensão foi pensada a partir das etapas do Método do Arco de Charles
Maguerez, para aproximar os discentes com o Sistema Único de Saúde e a comunidade.
Conclusões ou recomendações
A curricularização da extensão baseada nas etapas do Arco de Maguerez propicia com que os estudantes se tornem ativos em seu processo de aprendizagem ao estarem diante da realidade
de forma direta, compreendendo os seus problemas, fazendo reflexões, buscando na teoria as informações necessárias para explicarem os problemas, fazendo proposições para a solução e
atuando na realidade com a devolutiva de uma intervenção em saúde junto à comunidade. Dessa forma, a extensão acadêmica se torna viável sendo uma proposta que integra universidade
e sociedade, formando profissionais com competências para os problemas de saúde atuais e ao mesmo tempo promovendo a transformação social.
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Emídio José de Souza1, Maria Jamilly Batista Santos1, Marcos Antonio Xavier de Lima Júnior 1, Luana Idalino da Silva1, Miguel Aguila Toledo1, Charlene de Oliveira Pereira 1
1 UNIFIP
Introdução
As doenças crônicas não transmissíveis são importantes fatores de morbimortalidade e desafio para o médico quanto ao manejo e adesão adequada por parte do paciente, devido a fatores
associados, tais como limitações cognitivas e funcionais, idade avançada, baixa escolaridade e suporte social inadequado que dificultam o autocuidado. Uma ferramenta utilizada na
perspectiva de aprimorar esse processo de entendimento e adesão terapêutica é o letramento em saúde da população acometida por tais doenças, sendo a atenção primária à saúde mais
adequada para tal promoção.
Objetivos
Avaliar o impacto do letramento em saúde da população acometida por doenças crônicas no âmbito da atenção primária e os benefícios dessa abordagem.
Métodos
Realizou-se uma pesquisa no banco de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), com as palavras-chave e operador booleano: "Atenção Primária À Saúde" AND "Doenças Crônicas" AND
"Letramento em Saúde", obtendo um quantitativo de 31 trabalhos. A partir disso, utilizou-se os filtros para publicações dos últimos 5 anos e que apresentassem o texto completo, inglês (18)
e Português (2), fornecendo 20 trabalhos, dos quais 10 foram utilizados, pela coerência com o tema proposto.
Resultados
Evidências científicas apontam para uma relação entre baixo letramento em saúde e baixa adesão terapêutica. Isso se justifica, pois o conhecimento do paciente sobre sua doença crônica é
fator primordial para que ele possa colaborar juntamente com a equipe médica. Também evidenciou-se que o baixo letramento na doença crônica vivenciada acarreta maior morbimortalidade
dos indivíduos. Além disso, notou-se que indivíduos com maior renda e nível de escolaridade, apresentavam maiores índices de saúde, corroborando para a necessidade da educação em
saúde para as populações mais vulneráveis e usuárias dos sistemas de atenção básica em saúde. Dessa forma, os profissionais de saúde responsáveis por esses pacientes, tais como os
médicos de família e comunidade, devem fornecer educação em saúde que capacite os pacientes sobre o autocuidado.
Conclusões
O adequado letramento em saúde da população como abordagem da Atenção Primária é capaz de garantir melhor qualidade de vida e tratamento adequado das doenças crônicas não
transmissíveis, por meio doincentivo ao abandono de hábitos alimentares incorretos para a doença crônica vigente, incentivo à tomada de decisão quanto à terapêutica medicamentosa que
promova maiores benefícios ao paciente em detrimento dos riscos, estímulo quanto a prática de atividades físicas, levando em consideração as limitações de cada um e o autoconhecimento
do paciente quanto a sua doença crônica, riscos e características próprias.
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A CITOLOGIA ONCÓTICA NO CONTEXTO DA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE POR MEIO DO ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO DE UMA LIGA ACADÊMICA DE SAÚDE
DA FAMÍLIA
João Vitor Veloso Simão1, Kauane Regina Jaques1, Sarah Karoline de Oliveira Matos1, Heloisa Moreira de Arruda1, Ana Letícia de Souza Jorge1, Fernanda Casals do Nascimento1
Introdução
Com a implantação do Sistema Único de Saúde, foi possível propiciar o rastreamento para a prevenção do Câncer de Colo de Útero (CCU) como um componente dos planos de saúde
governamentais, tornando- se parte do dia a dia das unidades básicas de saúde (UBS), estratégias de saúde da família (ESF) e da vida da população feminina brasileira. A Coleta de Citologia
Oncótica (CCO) deve ser realizada nas UBS e ESF somente por profissional de saúde capacitado. Desse modo, visando a realização de um mutirão de CCO e posterior análise do seu impacto
na prevenção do CCU e detecção precoce de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) - visto que a medicina de família e comunidade (MFC) tem um enfoque integral sobre a saúde da
população, inclusive com a técnica de CCO - tem sido desenvolvido um projeto de capacitação em CCO para alunos de uma liga acadêmica de medicina de família e comunidade. Os
acadêmicos, em sua maioria do ciclo básico, aprendem com a sua preceptora o procedimento já com óptica focada em técnicas humanizadas e empoderadoras à mulher, antes mesmo que
tenham tido contato com as matérias clínicas de ginecologia e obstetrícia.
Objetivos
Demonstrar como o primeiro contato do acadêmico de medicina com a CCO no contexto da MFC viabiliza um olhar humanizado da saúde da mulher, que a torna protagonista do processo
de promoção à saúde.
Relato de experiência
Durante o primeiro semestre do ano letivo de 2022 uma liga acadêmica de saúde da família voltou-se para o ensino de habilidades em promoção de saúde para grupos vulneráveis, dentre
eles a população feminina, visando impactar uma comunidade ao ofertar um serviço gratuito de CCO sob supervisão de sua preceptora e, posteriormente, avaliar o efeito da ação por meio
da pesquisa de indicadores de saúde da localidade, atingindo assim os eixos de ensino, pesquisa e extensão. Assim sendo, após uma aula sobre a contextualização da CCO foi realizada a
capacitação dos discentes em simuladores de alta fidelidade. Ressalta-se que a maioria dos ligantes pertenciam ao primeiro ano da graduação em medicina, fato que incentivou e interessou
os mesmos no tocante à técnica, quando já conhecida e estudada sua importância e desfecho.
Conclusões ou recomendações
A introdução do aluno de medicina, por meio das ligas acadêmicas, em atividades teórico-práticas relacionadas à Atenção Primária à Saúde favorece o protagonismo do paciente e o
entusiasmo acadêmico pormeio do ambiente gerado pelos eixos de ensino, pesquisa e extensão das ligas, assim favorecendo espirais de conhecimento com os futuros conteúdos clínicos.
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(DES)INSTITUCIONALIZAÇÃO DA DEFICIÊNCIA: LAÇOS QUE SE ENTRELAÇAM NO CUIDADO DE PESSOAS COM NECESSIDADES ESPECIAIS
Giovani Mendola Perobelli1, Luis Gustavo Freitas Castro1, Danilo Borges Paulino1, Maria Júlia Martins Padovani1, Debora Cruvinel Ferreira 1, Isabela Corrêa Samper1
1 UFU
Palavras-chave: Cuidados de Assistência à Saúde; Pessoas com Necessidades Especiais; Inclusão Escolar
Introdução
A inserção de pessoas que convivem com necessidades especiais enquanto um tema sensível a produção do cuidado desperta uma chave para que o conceito de Determinação Social do
Processo Saúde- Cuidado-Adoecimento possa ser ampliado a partir de vivências nas escolas de ensino brasileiras. Apesar dos avanços nas Políticas Públicas que tangem à inclusão, a discussão
permanece marcada por interdições e silenciamentos, resultado de múltiplas leituras reproduzidas. (Des)institucionalizar a violência simbólica é, antes, promover o debate e fomentar
respostas atuais para desafios negligenciados, tornando a Universidade um espaço de mudanças sociopolítico-culturais.
Objetivos
Tem-se como objetivo demonstrar que temas aparentemente simples, como a facilitação do saber nos territórios, servem de ponto inicial para questionar iniquidades em Saúde Pública,
aparentemente inclusiva.
Relato de experiência
A convite do componente Saúde Coletiva III de uma Universidade Pública em consonância com as DCNs, discentes do curso de Medicina realizaram atividades de Promoção da Saúde em
escolas da rede municipal. A experiência dedicava-se a capacitar, tanto no âmbito coletivo, quanto nas mudanças individuais, a alimentação balanceada. Entretanto, houve uma relação
distópica entre as necessidades das escolas e as vivências dos facilitadores, culminando na percepção de um território acolhedor àqueles que vivem com necessidades especiais. A rede de
cuidado ofertada pela entidade compreendia AEE, instrutor de LIBRAS e de Braille, além de cuidadores de apoio. Experenciar o fértil terreno do Ensino-Cuidado sob esse prisma possibilitou
a descoberta da instituição como referência nacional no amparo aos mais de 60 alunos especiais matriculados, necessitando de se fazer-compreender as práticas de ensino para além do que
se afirmam as leis, mas se concretizam enquanto prática regular.
Conclusões ou recomendações
Essa experiência permitiu reafirmar a responsabilidade social das escolas médicas enquanto um ato coletivo de transformação. O impacto desse tabu no escopo social engloba a limitação
do acesso à educação e à saúde enquanto direito, marginalizando aqueles que possuem necessidades especiais. O presente estudo ressignificou as práticas clínicas e de ensino, eternizando
o enfrentamento às adversidades nos territórios e deslocando o ato de cuidar de sua função habitual. Assim, reconhece-se que a desinstitucionalização da deficiência não é negligenciada
em essência, mas silenciada no processo de formação educacional.
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Lanuza Borges Oliveira 1, Giovanna Jansen Cordeiro1, Brenda Nicole Pereira Vieira1, Isabela Pereira Medeiros1, Gustavo de Souza Barreto1, Josiane Rocha1
1 UNIFIPMOC
Palavras-chave: Extensão comunitária; Educação de Graduação em Medicin; Relações Comunidade-Instituição; Humanização da Assistência
Introdução
No contexto da promoção da educação em saúde, o relacionamento entre sociedade e Universidades mostra-se como um efetivo transformador da realidade e condições sociais por meio
dos projetos de extensão acadêmica. Estes têm em seus propósitos criar uma relação entre a prática acadêmica fornecida pelas instituições de ensino superior, por intermédio do ensino e
pesquisa, adequando-os às necessidades da população local, o que contribui para a troca de saberes entre estudantes e sociedade, de modo que se aumenta a disseminação da promoção
e prevenção da saúde, bem como o aprimoramento do conhecimento acadêmico visando assim a formação e qualificação de profissionais que conhecem a realidade e as necessidades da
sociedade.
Objetivos
Relatar a experiência vivenciada por acadêmicos de medicina na execução de Projetos de Extensão à luz da promoção da educação em saúde.
Relato de experiência
Tendo em vista a relevância da integração sociedade–universidade para o desenvolvimento social e para a formação profissional, desde o 1° período do curso de medicina, os acadêmicos
têm desenvolvido semestralmente práticas de extensão objetivando a conciliação do conhecimento adquirido durante as aulas com a realização de ações benéficas para a saúde pública em
conjunto com as Estratégias de Saúde da Família do município. Os acadêmicos realizaram, com seus respectivos grupos, um projeto de extensão por semestre, nos quais foram abordadas
questões como a hipertensão arterial (em razão dos crescentes índices de doenças crônicas), a prática da atividade física e seus impactos na saúde (compreendendo o aumento do
sedentarismo no período de pandemia) e a vacinação infantil.
Conclusões ou recomendações
Em suma, é possível notar a necessidade de ter a experiência de contato entre acadêmicos e sociedade desde os primeiros períodos da graduação para o desenvolvimento de habilidades
nos estudantes, comopor exemplo, a empatia pelas necessidades da população, o trabalho em equipe, a relação médico-paciente e a humanização do futuro profissional. Além disso, tais
ações foram de grande impacto para a comunidade, contribuindo para a promoção e prevenção da saúde, auxiliando várias famílias e facilitando o acesso ao serviço de saúde, por meio do
acolhimento. Portanto, tal experiência mostrou que, ainda enquanto acadêmicos, já é possível mudar uma realidade social.
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Patricia Monteiro Ribeiro1, Patricia Chipoletti Esteves 1, Aline Carbonera Luvizon1, Wellington dos Santos Vicente1, Adriana ávila de Almeida1, Rinaldo Henrique Aguilar da Silva1
1 HUMANITAS
Introdução
Nossa escola foi fundada em 2017 e o estudante é avaliado em seu aprendizado teórico-cognitivo; habilidades e atitudes. Durante o curso são utilizadas provas teóricas discursivas critério-
referenciadas, provas práticas, Aprendizagem Baseada em Problema (ABP), portfólio, Avaliação de Habilidades Clínicas Estruturada (OSCE), avaliação de competência profissional (mini-CEX),
entre outras. Além disso, os estudantes participam de uma prova contendo dez itens objetivos de cada uma das disciplinas cursadas no semestre anterior ao da realização da prova. Essa
prova não impacta na promoção ou retenção do estudante, mas serve como um indicador do desenvolvimento acadêmico. Os estudantes começam a participar dessa avaliação a partir do
2º período do curso, sendo que a primeira edição dessa prova aconteceu no 1º semestre de 2018, mas somente na edição de 2019-1 os resultados começaram a ser analisados pelo software
Remark Office OMR®.
Objetivos
Analisar o desempenho da 2ª turma do curso nas avaliações objetivas semestrais em oito edições da prova, a partir da edição de 2018-2.
Métodos
Este trabalho é um Estudo de Caso: foi realizado um estudo observacional, do tipo longitudinal. Foram realizadas análises estatísticas, utilizando-se o software Remark Office OMR®.
Resultados
Discussão A média de acertos variou de 56, 32% a 66, 62%. A média de acertos na edição de 2018-2 foi de 65, 5%, sendo que 16 alunos apresentaram acertos acima de 75% e quatro alunos,
acertos abaixo de 40%. Em 2019-1, a média de acertos foi de 60, 54%: sete alunos tiveram acertos acima de 75% e três, acertos abaixo de 40%. Em 2019-2, a média foi de 61, 19%, sendo que
cinco alunos apresentaram acertos acima de 75% e um deles, abaixo de 40%. A edição de 2020-1 foi a 2ª com a menor média de acertos, ou seja, 57, 96% e a que apresentou o menor números
de alunos – somente dois – com acertos acima de 75%, enquanto um dos alunos apresentou acertos abaixo de 40%. Por outro lado, em 2020-2 houve melhora de desempenho, com a maior
média de acertos registrada, ou seja, 66, 62%, sendo que: 12 alunos apresentaram acertos acima de 75%; a pontuação máxima de acertos atingida por um dos alunos foi de 90%; dois alunos
apresentaram desempenho abaixo de 40%. Em 2021-1, a média de acertos foi de 61, 96%: três alunos apresentaram acertos acima de 75% e dois, abaixo de 40%. Em 2021-2, a média de
acertos foi de 63, 74%. Aumentaram para cinco os alunos com médias acima de 75% e um deles apresentou acertos abaixo de 40%. Em 2022-1, a média de acertos foi a menor registrada,
56, 32%, sendo que três alunos tiveram pontuação acima de 75% e dois, abaixo de 40%. Sobre o desempenho individual, analisamos as cinco maiores e menores classificações e constatamos
que ao longo das oito edições de provas, nove alunos estiveram uma única vez nas cinco maiores classificações; nove por duas vezes; cinco por três vezes; três por quatro vezes; um por cinco
vezes; dois por seis vezes e uma estudante esteve entre as cinco melhores classificações em sete das oito edições. Em quatro edições, a pontuação mais alta foi obtida pelos mesmos dois
alunos. Com relação as cinco pontuações mais baixas, constatamos que 23 alunos obtiveram as pontuações mais baixas apenas uma única vez.
Conclusões
O desempenho da turma nunca ficou abaixo de 56, 32%, o que pode ser considerado um ótimo resultado, considerando que a prova contempla conteúdo semestral. Sobre o desempenho
individual, a maioria dosalunos figurou mais de uma vez entre as cinco melhores classificações.
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Marcela Pereira Oliveira 1, Antônio Paulo André de Castro 1, Ingrid Piassá Malheiros1, Rafael Moura de Almeida1, Carla Fernandes Motta 1, Leandro Raider dos Santos1
1 UNIFAA
Introdução
Pensar e transformar os currículos dos cursos da saúde se tornou frequente nas universidades. Em um mundo onde as transformações acontecem a cada dia de forma célere, é preciso estar
preparado para formar profissionais de saúde qualificados para atender às demandas da população, capazes de colaborar com a equipe, aceitar as mudanças, a volatilidade e a complexidade
da humanidade. Perante o exposto, os currículos engessados dão lugar a currículos criativos, inovadores e "vivos". Nesse sentido, as escolas de saúde devem estar comprometidas com o
meio social, centralizando em todo o processo de formação o paciente e a comunidade. O UNIFAA, tem como um dos seus pilares de formação a integração ensino-serviço-comunidade a
partir da educação interprofissional e do desenvolvimento de competências colaborativas. A partir do diálogo com a secretária municipal de saúde de Valença, foi implementado o projeto
de cuidado integral e interprofissional em saúde (PROCUIDAR), para atender à pessoa com doenças crônicas não transmissíveis (DCNTs).
Objetivos
Descrever a experiência do PROCUIDAR no atendimento interprofissional do paciente e no desenvolvimento de competências colaborativas nos alunos e profissionais de saúde.
Relato de experiência
O PROCUIDAR, firma-se em discussões sobre as práticas colaborativas em saúde e as tornam mais intensas nos órgãos responsáveis pela educação e saúde. A educação interprofissional
pode ser definida a partir da interrelação colaborativa entre duas ou mais profissões de saúde para o cuidado compartilhado e seguro da população. Com a necessidade de aprimorar a linha
de cuidado de DCNTs na cidade, o projeto engloba dois eixos de atuação: ambulatório interprofissional e programa de atividade física supervisionada. No ambulatório interprofissional, em
consultas compartilhadas, os pacientes são atendidos conforme demanda pelos seguintes profissionais: enfermeiro, médico, nutricionista, educador físico e psicólogo, junto a alunos do
internato de medicina e enfermagem. O ambulatório visa o cuidado compartilhado entre as profissões e o paciente, oportunizando um cuidado seguro e efetivo. Além disso, objetiva
desenvolver, nos alunos, as seguintes competências: clareza de papéis, ética, liderança colaborativa, trabalho em equipe, atenção centrada na pessoa e na comunidade. No programa de
atividade supervisionada tem participação do educador físico e acadêmicos de educação física e de enfermagem. Atualmente, cerca de 200pacientes estão cadastrados no ambulatório e no
programa de atividade física 60 pacientes estão em reabilitação.
Conclusões ou recomendações
O desafio de incorporar práticas interprofissionais nas escolas de saúde serão sempre presentes. É preciso apoio de instâncias governamentais, institucionais e qualificação docente para que
o aprendizado ocorra e as competências colaborativas sejam desenvolvidas.
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ACOLHIMENTO, HUMANIZAÇÃO E ESCUTA QUALIFICADA: A IMPORTÂNCIA DA VISITA DOMICILIAR PARA A FORMAÇÃO MÉDICA E PROMOÇÃO DA SAÚDE
Carina Sans Moraes Caetano1, Edenilson Miranda dos Santos Junior1, Júlia de Mello Rocha Vital 1, Laura de Castro Zantut1, Maria Alice Pinto Nunes1, Wilma Cristina Oliveira1
1 UNIFESO
Palavras-chave: Visita domiciliar; Atenção primária; Saúde da família; Formação médica; Relato de experiência
Introdução
A visita domiciliar, além de ser uma importante ferramenta de cuidado, pode ser utilizada como estratégia de ensino na área da saúde. Assim, os cursos de graduação em medicina têm-se
buscado a inserção efetiva dos alunos nas redes de serviços de saúde, tendo como precedente o conceito ampliado de saúde e considerando que todos os cenários que a produzem são
relevantes para a aprendizagem. Neste sentido, na unidade básica, onde os acadêmicos estiveram presentes, notou-se a ausência de médico - fator que dificultou o acesso ao serviço de
saúde, gerando a necessidade da realização e intensificação de visitas domiciliares.
Objetivos
Discutir a realização de visitas domiciliares pelos acadêmicos, visando à promoção da saúde comunitária e compreender os impactos dessa ferramenta para a formação médica.
Relato de experiência
A unidade apresentava déficits estruturais e de recursos, contava com 6 agentes comunitários - favorecendo o vínculo entre os profissionais e os pacientes -, porém a falta de médico somado
aos déficit citados diminuíram a oferta e a procura de consultas. Este prejuízo habitacional foi agravado pelo desastre ambiental ocorrido em 2011 que destruiu a estrutura física da unidade
e, desde então, esta passou por lugares temporários até, atualmente, estar localizada em um novo bairro, num prédio pequeno e sem o planejamento adequado para a sua atuação. Logo,
em meio a este cenário caótico, a visita domiciliar surge como válvula de escape para a promoção da saúde da população local. Os estudantes estiveram presentes nesta realidade durante 5
semanas, onde foi possível conhecer a história do local, a realidade da comunidade ao redor e analisar a dinâmica de atendimentos. Dessa forma, foi possível constatar que a alternativa de
prática mais efetiva seria a visita domiciliar, a partir da qual os estudantes puderam auxiliar os agentes comunitários realizando anamnese, procedimentos de aferição de pressão e glicemia e
vacinação Quanto ao perfil populacional, foram observados pessoas de baixa renda, com alta vulnerabilidade social, marcada pelo baixo nível de escolaridade e por condições estruturais
precárias. Desse modo, a população recebe assistência principalmente pelo serviço público, tal condição reforça o papel da atenção primária como principal porta de entrada ao sistema de
saúde. Neste território, os atendimentos realizados pelos acadêmicos foram prestados em maior parte ao gênero feminino, com idade entre 40 a 68 anos englobando também crianças,
adolescentes, gestantes e idosos.
Conclusões ou recomendações
As visitas realizadas foram fundamentais não só para a promoção de saúde, como também para a formação do profissional, visto que é um instrumento importante para aprimorar as
habilidades de comunicação e de acolhimento das famílias, exigindo do acadêmico a criação de estratégias para identificação de problemas e criação de meios para promover a prevenção
e propagação da saúde.
52
IMPLANTAÇÃO DE UM AMBULATÓRIO TRANS NA LÓGICA DA INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO SOCIALMENTE RESPONSÁVEL EM UMA FACULDADE MAIS MÉDICOS
NO SERTÃO DA BAHIA
Alvaro José Correia Pacheco1, Bruna Angela Antonelli1, Joara Mara Moraes Lins Alves1, Stella Almeida e Sousa1, Maria Heloisa Pereira Siqueira1
1 IDOMED
Introdução
A formação de recursos humanos em saúde deve responder e estar alinhada com as necessidades e as demandas sociais locais. Desta forma, a construção um curso no qual os alunos
percebam todas as diversidades de gênero e que também promova a assistência para grupos minoritários e/ou de maior vulnerabilidade nos levou à implantação do primeiro ambulatório
para a população TRANS em um município do sertão baiano, estado com o 3º maior número de assassinatos de mulheres transexuais e travestis no ano de 2020.
Objetivos
Relatar a experiência da implantação do primeiro ambulatório TRANS em um município do sertão da Bahia promovido por uma faculdade Mais Médicos, no sentido da integração ensino-
serviço comresponsabilidade social.
Relato de experiência
A partir do seu primeiro ano de implantação e como parte do seu planejamento pedagógico a faculdade passou a realizar adaptações semestrais dos planos de ensino das disciplinas
adequando-os aos indicadores de saúde do município e dialogando com os gestores locais e regionais para compreender o perfil necessário dos recursos humanos em formação. Percebendo
a lacuna de cuidado para a população TRANS e a necessidade de incorporação da temática para os alunos do 3º ano do curso nas disciplinas Saúde da Mulher e Saúde da Família foi
organizada uma reunião com a Secretaria de Desenvolvimento Social, Mulher e Diversidade (SEDES) e com a Secretaria de Saúde (SESAU) do município para o dimensionamento do público-
alvo. Foram cadastradas 60 pessoas pela SEDES residentes no município ou em municípios vizinhos dentro do perfil para o serviço proposto. A faculdade disponibilizou um professor para
atuar como assistente e uma sala em um hospital conveniado para o atendimento exclusivo ao serviço. Antes do início das atividades a equipe do hospital recebeu capacitação para o
acolhimento à população TRANS. A partir de junho de 2021 os atendimentos foram iniciados em um turno semanal. A medicação para hormonização dos pacientes que fazem transição de
sexo passou a ser disponibilizada na farmácia do hospital para administração no próprio serviço. Como o ambulatório virou referência para a formação de multiplicadores do cuidado, os
alunos da disciplina de Saúde da Mulher, os internos de Ginecologia e Obstetrícia, os residentes de Ginecologia e Obstetrícia e de Medicina de Família e Comunidade acompanham os
atendimentos.
Conclusões ou recomendações
A implantação do ambulatório para a população TRANS em município do sertão da Bahia orientada por uma faculdade Mais Médicos demonstrou ser possível através de um processo de
diálogo intersetorial que atendeu às necessidades locais do setor saúde - com repercussão sobre a formação de recursos humanos -ampliando as linhas de cuidado para grupos que
habitualmente não eram contemplados ou que não sesentiam incluídos no sistema local de saúde. Além disso, o impacto gerado pela iniciativa pode transpor os limites no município no qual
a faculdade está inserida, ampliando regionalmente os espaços para cuidados para o público-alvo.
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PREVENÇÃO DE DROGAS NA ADOLESCÊNCIA: A IMPORTÂNCIA DAS DINÂMICAS DE GRUPO DESENVOLVIDAS POR UMA LIGA DE PEDIATRIA
Marcos Antonio da Silva Cristovam1, Rebeca Eloise de Oliveira1, Taynara Cristine da Paixão2, João Otávio Lopes Assis 2, Júlia Bortolozzo Cazari 1
1 UNIOESTE-CASCAVEL-PR
2 UNIOESTE-CASCAVEL
Introdução
A adolescência representa um período de incertezas, inseguranças e novas experiências e, muitas vezes, os indivíduos passam a ter o seu primeiro contato com álcool e outras substâncias.
Ademais, a busca da sociedade pelo consumo e prazer imediato contribui para o aumento do consumo de drogas entre os jovens. A expansão do número de usuários de drogas lícitas e
ilícitas é preocupante, principalmente quando há migração para o uso de substâncias tóxicas na adolescência em doses elevadas.
Objetivos
O objetivo primordial do trabalho foi descrever os resultados de uma dinâmica de grupo que analisou o nível de conscientização dos adolescentes acerca do assunto e visou a prevenção do
uso de drogas em alunos de um colégio de ensino fundamental.
Relato de experiência
Acadêmicos de medicina aplicaram uma dinâmica de grupo em 30 alunos de uma escola pública de ensino fundamental, com idade entre 11 e 15 anos, onde esses foram divididos em seis
grupos de cinco pessoas e cada grupo respondeu a uma pergunta. As perguntas consistiam em: “Qual a visão que vocês têm das drogas?”, “O que vocês sabem sobre drogas?”, “O que
vocês podem fazer para prevenir o uso de drogas?”. Após responderem as perguntas, cada grupo apresentou a sua resposta e procederam discutindo o tema todos juntos. Entre as respostas,
obteve-se frases como “a droga é uma coisa muito ruim, ela não ajuda em nada”, “drogas causam vício”, “drogas como o cigarro podem causar problemas respiratórios”, “drogas causam
alucinações”, “remédios também são drogas”, “droga é tudo aquilo que mexe com o organismo”, “devemos dizer não para as drogas”, “devemos escutar a orientação da família”, “não aceitar
coisas de estranhos”, “drogas não são boas para a saúde”, “drogas podem causar doenças, tragédias e morte”, “devemos ajudar as pessoas que usam drogas, levando-as para igreja, escola
ou centros de reabilitação”, “drogam podem causar conflitos na família e com amigos”, “não podemos deixar que amigos influenciem”, entre outras.
Conclusões ou recomendações
Com os resultados obtidos, observou-se que, entre os adolescentes participantes, o uso de drogas foi visto como algo causador de consequências negativas e que há a necessidade de evitar
o consumo dessassubstâncias. Apesar de ser uma amostra pequena, a pesquisa aponta a imprescindibilidade do debate sobre o consumo de drogas em ambiente escolar, buscando criar
uma consciência coletiva sobre todos os malefícios provocados por essas substâncias na vida do usuário.
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A IMPORTÂNCIA DA INSERÇÃO DA SAÚDE PLANETÁRIA NA GRADUAÇÃO MÉDICA PARA MITIGAÇÃO DOS EFEITOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS NA SAÚDE
MENTAL
Isabela Maria Arantes1, Allini Bizerra Amaral 2, Gabriela Santos Domiciano2, Nathan Marcondes Freitas Leite 2, Kezia Vaz dos Santos Candido2, Neudson Johnson Martinho 2
1 UNIC
2 UFMT
Palavras-chave: Saúde Planetária; Educação Médica; Mudanças Climáticas; Saúde Mental; Currículo Médico
Introdução
O mundo vem sofrendo com os efeitos das mudanças climáticas, causadas por eventos agudos, como inundações e incêndios florestais, e pelos de longo prazo, como a seca e o estresse por
calor extremo. Comotambém, pela ameaça existencial de variações duradouras, incluindo temperaturas elevadas, aumento do nível do mar e um ambiente permanentemente alterado e
potencialmente inabitável. Todos esses eventos estão afetando os sistemas humanos, seja o econômico, político, como a própria saúde humana. Quanto à saúde mental, há um expressivo
aumento de experiências relacionadas ao trauma e aos fenômenos dessas mudanças, incluindo migrações populacionais e a pobreza. Além disso, há relações entre o calor e crises agudas
de saúde mental, suicídio e conflitos interpessoais. Diante da atual situação, foi criado o campo de estudo “Saúde Planetária” (SP) que busca estudar a interação entre o ambiente e a saúde
humana. Diante do exposto, torna-se evidente a necessidade de os futuros médicos desenvolverem habilidades e competências para reduzir os impactos das mudanças climáticas no bem-
estar psíquico da sociedade.
Objetivos
Levantar evidências da importância do ensino sobre saúde planetária no currículo médico como estratégia para mitigar os efeitos das mudanças climáticas na saúde mental.
Métodos
Trata-se de uma revisão narrativa realizada nas bases de dados PubMed e BVS utilizando os descritores MeSH: “Planetary Health”, “Mental Health”, “Climate Change” e “Medical Education”,
conjugados atravésdo operador “AND”. Quanto aos critérios de inclusão, foram incluídos artigos publicados nos últimos 5 anos, em inglês ou português e que abordavam a importância e
repercussão da adoção do ensino sobre SP na grade curricular do curso de medicina. Após leitura dos resumos e seleção segundo os critérios de elegibilidade, foram selecionados 5 artigos
que atendiam ao objetivo da pesquisa.
Resultados
Discussão Os estudos apresentaram uma divisão da temática, entre exemplos de alterações ambientais que podem ter repercussões no bem-estar mental, além da associação entre mudanças
climáticas e alguns distúrbios mentais e as possíveis abordagens para a inclusão da SP no ensino médico. Em relação ao primeiro ponto, foi observado a classificação dos eventos em ações
diretas, tal como o estresse térmico e em indiretas, por exemplo em situações de perdas econômicas, deslocamentos e conflitos civis. Observou-se que muitos impactos são decorrentes do
próprio estilo de vida da humanidade. Em relação aos distúrbios, foi encontrada a associação com alguns diagnósticos clínicos de estresse pós-traumático, depressão, ansiedade e transtornos
adaptativos. Quanto às estratégias na educação médica para essa inclusão, verificou-se ações que busquem ilustrar os efeitos da migração populacional, insegurança alimentar e trauma na
saúde mental. Assim como, outras com o objetivo de identificar os benefícios para o bem- estar das soluções climáticas, como o deslocamento de bicicleta e a pé, expansão de espaços
verdes e a redução da poluição do ar por energia limpa. Como também, a realização de atividades para discutir comoalguns medicamentos influenciam na termo regulação.
Conclusões
Reconhecer a relevância da incorporação da SP na grade curricular médica é essencial para identificar os impactos das mudanças climáticas na saúde mental, bem como para desenvolver
estratégias visandodiminuir esses efeitos, afinal as alterações no ambiente serão cada vez mais um determinante da saúde.
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REVELAÇÃO DE MÁS NOTÍCIAS: ESTUDO QUALITATIVO SOBRE A PERCEPÇÃO MÉDICA VERSUS PACIENTE E FAMILIARES
Luana Regina Canei 1, Daniela Alessandra Dellai2, Amanda Morandini2, Elcio Luiz Bonamigo2
1 UNILA; UNOESC
2 UNOESC
Introdução
O equilíbrio na transmissão de más notícias é essencial para a compreensão e atitude do paciente, com a finalidade de evitar traumas, falsas expectativas e frustrações. Esse tipo de
comunicação requer habilidades, compaixão e empatia dos profissionais e é uma responsabilidade da escola médica repassar os instrumentos necessários para que o profissional esteja apto
para realizar essa comunicação.
Objetivos
Comparar a percepção do profissional médico com a percepção do paciente e dos familiares frente à revelação de más notícias.
Métodos
Pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa por meio de consulta nas plataformas online SciELO e Google Acadêmico. Utilizaram-se os descritores “comunicação”, “más notícias”,
“percepção pacientes” e“percepção médicos”. Foram encontrados 22 artigos, desses foram selecionados 07 artigos com data de publicação entre 2011 e 2019 em português e inglês.
Resultados
Discussão quanto aos resultados, em relação ao profissional, um dos estudos aborda que muitas dificuldades de comunicação podem ser atribuídas ao processo de formação acadêmica,
que não forneceu as competências necessárias para a habilidade do diálogo com o paciente (CARDOSO et al, 2018). Em outra pesquisa, salienta-se a frustração médica pela impossibilidade
de salvar a vida de todos os pacientes, o desafio de encarar a morte e o medo quanto à incerteza da reação dos pacientes e dos familiares ao comunicado (DINIZ et al, 2019). A maior
dificuldade durante o exercício da profissão médica é aliar as habilidades técnicas aos aspectos emocionais e comportamentais, com o objetivo de proporcionar conforto aos pacientes e
familiares, indo além de apenas informar (DIAS, 2015). Para tanto, a utilização de um protocolo serve de guia na transmissão de más notícias, sendo o Protocolo Spikes um dos métodos mais
didáticos e utilizados na maioria das especialidades médicas (LECH et al, 2013). Quanto à percepção do paciente e familiares, a utilização de termos técnicos e a explicação impessoal exigem
do ouvinte habilidades e conhecimentos que por vezes estão ausentes, o que torna a compreensão difícil e prorroga o sofrimento (CARDOSO et al, 2018). Outra pesquisa aborda a autonomia
do paciente e seu poder de escolha quanto aos procedimentos e tratamentos, sendo que muitos pacientes não tiveram suas opiniões validadas pelo profissional (DINIZ et al, 2019). A postura
do médico é importante para quem é assistido, sobretudo a empatia e a polidez que foram qualidades consideradas necessárias aos médicos pela maioria dos pacientes entrevistados
(FREIBERGER et al, 2018). O reconhecimento e respeito são partes integrantes da comunicação, que deve ser clara, verdadeira e dispensada ao indivíduo com exclusividade, generosidade e
solidariedade, confirmando que foi feito de tudo para salvar sua vida (CALSAVARA et al, 2019).
Conclusões
A revelação de más notícias abrange expectativas do profissional, do paciente e dos familiares, acarretando grandes responsabilidades e impacto em todas as vidas. Devido a essa
complexidade, a habilidade deve ser ensinada e difundida durante a carreira acadêmica e na educação permanente, sendo considerada uma responsabilidade social da escola médica, com
ênfase no conhecimento e uso dos protocolos – como o SPIKES – a fim de formar profissionais mais bem preparados e reduzir possíveis efeitos adversos na transmissão de más notícias.
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INDÚSTRIA CULTURAL E INDÚSTRIA FARMACÊUTICA: UMA ANÁLISE POR ACADÊMICOS DE MEDICINA ACERCA DA MEDICALIZAÇÃO NA LÓGICA DO CONSUMO
Angela Aline de Souza1, Thaisa Macedo Lenz 1, Flavio Abrhão Delgado Farhat1
1 UNILA
Introdução
A percepção biomédica da medicina, em que o indivíduo é visto de forma mecanizada, concentra-se apenas nos aspectos biológicos do processo de saúde e doença. Tal perspectiva
influenciou o processo de medicalização observado nos dias atuais, beneficiando, assim, a indústria farmacêutica. Nesse sentido, discute-se como o modelo biomédico influenciou na
institucionalização do fenômeno da medicalização atual.
Objetivos
Analisar as correlações entre a indústria cultural e a medicalização, buscando estabelecer as raízes desta relação.
Métodos
Objetivando coletar dados acerca das relações estabelecidas entre a Indústria Cultural e Indústria da Saúde sobre a Medicina da medicalização, diante a lógica do consumo, o presente
trabalho propôs-se à delimitação de tais definições e suas aplicabilidades na prática médico-social através de revisão bibliográfica de cunho qualitativo, pautada na correlação entre Indústria
da Saúde, Indústria Cultural, Medicina, Medicalização e Consumo.
Resultados
A medicalização é validada por meio do modelo biomédico que se tornou um mecanismo que atende ao sistema capitalista de produção e consumo desenfreado responsável pela
classificação social eindividual em: doentes, pacientes e por fim, consumidores. O conceito de Indústria Cultural descrito por Adorno Horkheimer nesse processo, promove esta indústria do
consumo, que faz uso do marketing para manipular os indivíduos de acordo com os interesses do capital, portanto incita uma sociedade consumista, manipula percepção de saúde e vende,
por meio do marketing ilusão de felicidade e bem estar através do processo de medicar. Dessa forma, tanto a Indústria cultural quanto o modelo biomédico contribuem para esse fenômeno
problemático de transformar problemas não médicos em problemas médicos.
Conclusões
Notou-se que o contexto do modelo de saúde biomédico, perpetuado há muitos anos, no qual o indivíduo é mecanizado e a medicina é vista apenas como uma ferramenta para curar a
doença, valida uma culturade medicalização da sociedade, a qual passa a ser um produto resultante da distorção do conceito de saúde, uma vez que este deixa de ser um direito e passa a
ser um bem de consumo influenciado pelo marketing e manipulação da indústria cultural.
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PESQUISA ONLINE DE SAÚDE MENTAL DE ESTUDANTES DE MEDICINA EM CARAJÁS - PARTE DA REGIÃO AMAZÔNIA - DURANTE A QUARENTENA POR COVID-19
Andreia Cardoso da Silva1, Ariel Tavares Santiago1, Davi da Silva Martins1, Marcelo Vaughan Lima de Oliveira1, Cesar Augusto Medeiros Paiva Rodrigues1, Priscila Xavier de Araujo1
1 UEPA
Palavras-chave: Saúde Mental; Estudantes de Medicina; Infecções por Coronavirus; Covid-19; Educação médica
Introdução
Com a pandemia do coronavírus, as medidas de biossegurança e o distanciamento social se tornaram realidade na vida de todos os brasileiros, causando uma ruptura nas antigas formas de
relações sociais e gerando um período de intenso estresse e incertezas, podendo fazer surgir transtornos mentais ou acarretar o agravamento de afecções psiquiátricas preexistentes. Nesse
sentido, faz-se necessário avaliar a integridade psicológica em uma população estatisticamente mais propensa a desenvolver sofrimento psicológico: o estudante de medicina.
Objetivos
Avaliar a saúde mental e a prevalência de traços ansiosos e/ou depressivos entre os estudantes de medicina do município de Marabá, Pará, cidade de referência da região de Carajás.
Métodos
Trata-se de um estudo transversal realizado com os discentes dos cursos de medicina deste município. A coleta fora realizada no formato online pela plataforma Google Forms, por meio de
um questionário sociodemográfico e um questionário de exposição à COVID-19, sendo as desordens mentais avaliadas por meio da Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HADS).
Realizou-se análises estatísticas descritivas de frequência e as variáveis foram relacionadas com a incidência de transtornos psiquiátricos por meio do Teste G, com intervalo de confiança de
95%, p < 0, 05 significativo. O estudo fora aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa CAAE: 36539120.9.0000.5174.
Resultados
Anteriormente à coleta, 21.4% dos alunos responderam ter algum transtorno psiquiátrico prévio. Já pela análise da HADS, 43.4% manifestaram certo grau de desordem psiquiátricas, sendo
a ansiedade o traço mais prevalente (23.1%), seguido de transtorno ansioso e depressivo concomitantes (11.5%) e depressão (8.8%). O aumento das manifestações de traços depressivos e
ansiosos é consequência expressiva da pandemia de COVID-19 sobre a população de estudo, associados a outros estressores como ingresso precoce na universidade, o início fase adulta e
acréscimo de cobranças e responsabilidades. Análise sociodemográfica revelou o sexo feminino com maior prevalência de transtornos mentais (p < 0.0184), devido à maior vulnerabilidade
ao estresse e ansiedade, oscilações hormonais ecarga de trabalho excessiva recaindo sobre o sexo feminino, em comparação com os homens. Outrossim, os meios de distração que os
discentes lançaram mão durante o isolamento social foram séries/filmes (91.2%), culinária/alimentação (62.1%) e lives/transmissões ao vivo (59.9%) com destaque para ingesta de bebida
alcóolica com 26.9%.
Conclusões
O significante número de alunos que relataram impactos na saúde mental, em meio a pandemia, demonstra a necessidade de as instituições de ensino superior atuarem a fim de prevenir,
identificar e lidar comdesordens psíquicas entre seus discentes.
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GESTÃO DE PRONTUÁRIOS EM UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DE UM MUNICÍPIO MINEIRO À LUZ DOS INDICADORES DO PROGRAMA PREVINE BRASIL
Maria Ivanilde de Andrade1, Luciana Latorre Galves Oliveira1, Gustavo Nunes Tasca Ferreira 1, Gabriela Araujo Costa1
1 FASEH-VESPASIANO
Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde; Programa Previne Brasil; Indicadores de Saúde; Educação em Saúde
Introdução
A nova Política de Financiamento de custeio da Atenção Primária, o Programa Previne Brasil, foi instituído pelo Ministério da Saúde (MS), através da Portaria nº 2.979, de 12 de novembro de
2019, com a proposta de vinculação do pagamento mediante produção, trazendo três pilares: captação ponderada, pagamento por desempenho e incentivo para ações estratégicas. Desde
então, as Equipes de Saúde da Família (ESF) vêm encontrando dificuldades no alcance das metas propostas pelo Programa, acarretando, muitas vezes, na perda de recursos financeiros para
os municípios. Com isso, as unidades de saúdetiveram que se reorganizar e programar ações que viessem atender ao objetivo do Previne Brasil em relação às metas instituídas pelo Programa.
Objetivos
Implementar um método de classificação e sinalização de prontuários dos usuários cujas condições fossem sensíveis aos Indicadores de Saúde para o alcance das metas do Previne Brasil;
Capacitar a ESF emrelação aos Indicadores estabelecidos pelo Programa, a fim de garantir o atendimento das demandas e os registros efetivos dos dados.
Relato de experiência
Trata-se de um relato de experiência decorrente de uma ação desenvolvida por acadêmicos da 1ª etapa do curso de Medicina em uma UBS localizada em Vespasiano-MG. Os acadêmicos
juntamente com o preceptor realizaram uma busca ativa nos prontuários a fim de selecionar àqueles cujos pacientes se enquadravam nas metas de alcance dos Indicadores do Previne Brasil.
Assim, foi elaborada uma legenda com cores, associando cada cor a uma condição preconizada como Indicador. Dessa forma, todos os prontuários que atendiam a esses critérios foram
sinalizados, de forma a facilitar a gestão dos pacientes. Posteriormente, toda a equipe foi capacitada com vistas à maior visibilidade dos prontuários e maior efetividade nos registros, após o
atendimento.
Conclusões ou recomendações
Com a colaboração dos acadêmicos de Medicina, foi possível reestruturar os fluxos de atendimento na unidade, com vistas ao alcance das Metas do Programa Previne Brasil. Para, além disso,
esta ação auxilioua equipe de saúde da unidade a se reorganizar e gerenciar melhor o seu processo de trabalho. Através da implementação de uma logística simples e que poderá ser
ampliada às demais equipes, ficou evidente oquão efetivo é a construção e integração do ensino-serviço-comunidade ao demonstrar os benefícios provocados em todos os envolvidos e em
todas as suas vertentes.
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Marcos Antonio da Silva Cristovam1, Aluisio Martins Junior1, André Curioletti Pereira1, Andressa Naomy Tamura1, Giuseppe Oliveira Zandoná1, Rafaela Schelbauer1
1 UNIOESTE-CASCAVEL-PR
Introdução
Durante o desenvolvimento da criança, é comum a disfunção relacionada ao aprendizado. Estima-se que cerca de 15 a 20% das crianças em idade escolar apresentam dificuldade no
aprendizado, o que pode culminar em baixo rendimento acadêmico. Nesse sentido, é dever do pediatra identificar essas disfunções e propor o manejo adequado juntamente com equipe
multidisciplinar. Diante disso, a Liga Médico- Acadêmica de Pediatria (LIPED), um projeto de ensino, pesquisa e extensão da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE-Cascavel),
coordenado por um pediatra-docente, implementou em 2012 o Ambulatório de Baixo Rendimento Acadêmico em um hospital de ensino. Nesse projeto, acadêmicos do curso de Medicina,
participantes da LIPED, atendem crianças de escolas municipais da região com queixas de dificuldade no rendimento e aprendizagem escolar. São realizados diagnósticos, prescrição de
condutas medicamentosas e/ou não medicamentosas, além de, caso necessário, encaminhamento a outros profissionais da saúde, proporcionando o atendimento à criança de maneira
integral.
Objetivos
Os atendimentos no ambulatório de baixo rendimento escolar visam proporcionar aos ligantes o desenvolvimento e aprimoramento de suas habilidades médicas a partir do atendimento de
crianças pela realizaçãoda anamnese, exame físico e diagnóstico, buscando-se capacitar o estudante para a atuação dentro da área pediátrica. Além disso, objetiva-se auxiliar os escolares
com déficit no aprendizado, proporcionando uma melhora no rendimento acadêmico do escolar avaliado.
Relato de experiência
No Ambulatório de Baixo Rendimento Escolar, os ligantes atendem - juntamente com psicólogos, fonoaudiólogos e psicopedagogos - crianças com baixo rendimento escolar, encaminhadas
por escolas públicas de Cascavel e região. O ambulatório visa detectar a causa do mau desempenho escolar das crianças e propor tratamento e seguimento da criança. O ambulatório permite
ao estudante de medicina aprimorar sua habilidade de investigação diagnóstica voltada ao desempenho escolar, entendendo todos os fatores que são necessários para que a criança
desenvolva um bom rendimento acadêmico. Além disso, o estudante participa de discussões multidisciplinares com profissionais de outras áreas da saúde e educação, aprimorando a
capacidade de trabalho em equipe e englobando conhecimentos das outras áreas, que normalmente não seria adquirido, na sua formação.
Conclusões ou recomendações
À luz do exposto, verifica-se o impacto positivo, tanto na formação médica quanto na comunidade, da atuação dos ligantes da LIPED no ambulatório de baixo rendimento escolar. Com a
inserção do estudante no cotidiano da clínica médica, proporciona-se o desenvolvimento de seu raciocínio diagnóstico. Dessa forma, o processo de formação médica dos ligantes é
aprimorado, além de ser preparado para diferentes contextos e situações. Além disso, é ofertado à comunidade um serviço diferenciado, permitindo um enfoque nas causas e na resolução
do problema do baixo rendimento escolar para crianças. Isto possibilita avanços educacionais e sociais significativos na região de Cascavel.
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Bruna Duarte Moscarelli1, Artur Barros Lima Caiçara1, Lara Gomes de Oliveira1, Liamara Denise Ubessi1, Pedro Lopes Gonçalves1, Sandra Beatris Diniz Ebling1
1 UNIPAMPA
Introdução
A inserção de estudantes nos campos de prática é um princípio defendido pelas instituições de ensino médicas. Trata-se de uma forma de articular o conhecimento teórico-prático com o
objetivo de proporcionar aformação profissionais de saúde dotados de senso crítico e capazes de atuarem de forma humanizada nos mais diversos contextos de saúde.
Objetivos
O presente estudo objetiva relatar a experiência de vivências em um componente curricular de Saúde Coletiva na formação médica, bem como promover a reflexão sobre o assunto.
Relato de experiência
Dessa forma, entre os meses de maio e julho de 2022, em município do interior do Rio Grande do Sul, cinco acadêmicos do quarto semestre puderam executar na prática o que foi discutido
previamente em sala de aula sobre promoção e educação em saúde nas relações individuais e coletivas, seja na forma de atividades práticas ou de extensão. As práticas ocorreram em uma
Estratégia de Saúde da Família (ESF), onde os discentes se inseriram nas atividades da ESF e, após reconhecimento e identificação das necessidades do território, auxiliaram em ações de
promoção e educação em saúde na aferição de pressão arterial, aplicação de imunizantes, realização de testes rápidos de infecções sexualmente transmissíveis (IST’s) e de Covid-19,
acolhimento, visitas domiciliares, acompanhamento de consultas e salas de espera. Refletindo a responsabilidade social que a escola médica possui para com a comunidade.
Conclusões ou recomendações
Conclui-se, portanto, que a integração de acadêmicos da saúde de forma antecipada pode contribuir para a promoção da saúde, aprimoramento do andamento da ESF, tornando mais eficaz
o atendimento ao usuário. Paralelamente, os discentes podem contribuir com a elaboração de ações que visam instruir a população no que diz respeito à sua própria saúde a fim de estimular
o autocuidado e evitar direta ou indiretamente o processo de adoecimento e, ainda, auxiliar no processo de recuperação dos usuários. Em soma, tais impactos tratam da responsabilidade
social da escola médica com a comunidade. As vivências práticas impuseram desafios aos discentes, mas, ao mesmo tempo, o desenvolvimento de habilidades e produção de cuidado e
conhecimento na atuação junto à comunidade e no trabalho em equipe, produzindo autonomia e responsabilidade compartilhada na humanização do cuidado em saúde.
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Fernanda de Siqueira Silveira1, Rafaela Sewaybricker Barradas1, Nildo Alves Batista2, Glenia Junqueira Machado Medeiros 1, Maria Vilela Pinto Nakasu3
1 FMIT
2 UNIFESP
3 HCI
Palavras-chave: Empatia; Relação Médico-Paciente; Ensino Médico; Estudantes de Medicina; Educação Médica
Introdução
A empatia, uma habilidade de comunicação que envolve compreender os sentimentos da outra pessoa, é de extrema importância na relação médico-paciente e tem assumido maior relevância
no contexto da educação médica. De acordo com estudos realizados a empatia é essencial desde a anamnese ao tratamento final e é capaz de interferir, inclusive, no prognóstico do paciente.
Objetivos
Analisar a evolução da empatia na relação médico-paciente entre estudantes no início e fim da graduação em uma escola particular de medicina do sul de Minas Gerais.
Métodos
Utilizou-se um método analítico-descritivo, exploratório, com abordagem quantitativa. Para isto, foi aplicada a Escala de Empatia de Jefferson (JSPE-S) aos alunos do 1º e 6º anos de uma
faculdade particular do sul de Minas Gerais. A JSPE-S, primeira escala de empatia destinada aos profissionais de saúde, é constituída por um formulário com 20 itens cada um, com respostas
no tipo Likert com 7 posições. Os 20 itens são divididos em fatores 1, 2 e 3, sendo eles tomada de perspectiva, compaixão e capacidade de se colocar no lugar do outro, respectivamente.
Após a coleta de dados e análise estatística, as médias dos fatores foram classificadas em zona de conforto (5 - 7), zona de alerta (3 - 4, 99) e zona de perigo (1 - 2, 99). A população de estudo
constou de 62 estudantes do primeiro ano e 42 estudantes do sexto ano.
Resultados
De acordo com os testes realizados, nos fatores 1 e 2 (tomada de perspectiva e compaixão), entre os estudantes do 1º ano e estudantes do 6º ano, as médias situam-se em zona de conforto
(6, 42 e 6, 28 no fator 1, 6, 61 e 6, 54 no fator 2), com um nível significativamente maior no 1º ano. Já o fator 3 (capacidade de se colocar no lugar do outro), tanto no 1º como no 6º ano, mostra-
se com médias em zona de alerta (4, 24 e 4, 02) apesar da diferença entre os anos não obter uma significância estatística. Observa-se, no fator 3 (capacidade de se colocar no lugar do outro),
que os alunos recém ingressos apresentam defasagem nesta habilidade, que se acentua ao longo dos anos de formação. A queda nos níveis de empatia também foi observada em outras
pesquisas envolvendo o mesmo tema, sendo o Japão um dos únicos países onde a evolução da empatia em estudantes de medicina é crescente.
Conclusões
A empatia no decorrer do curso médico parece não aumentar, mas tende a diminuir entre os estudantes. Entende-se que o fato de se avaliar grupos diferentes em momentos diferentes
constitui um limite desta investigação, uma vez que se analisou grupos diferentes e não se acompanhou um mesmo grupo. No entanto, aponta para uma situação a ser analisada e discutida
na graduação. Considerando-se a relevância da temática, seria interessante um estudo longitudinal dos estudantes com a aplicação da escala, a fim de se analisar esta evolução com maior
precisão.
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INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO ENTRE DISPOSITIVOS DE SAÚDE MENTAL E PROGRAMA DE RESIDÊNCIA EM MEDICINA DE FAMÍLIA E COMUNIDADE: RELATO DE
EXPERIÊNCIA
1 SMS-RJ
Introdução
O cuidado em Saúde Mental é uma das competências na formação em Medicina de Família e Comunidade (MFC), pois, estando na ponta do Sistema Único de Saúde (SUS), este especialista
deverá manejar diversos casos, que estão em aumento no período pós pandemia e de crise econômica que o país enfrenta. A formação em MFC depende de diversos fatores durante o
processo, dentre eles o conhecimento a respeito dos aparelhos do SUS disponíveis para o cuidado do paciente. Durante a Residência Médica, os futuros Médicos de Família e Comunidade,
como coordenadores do cuidado, devem aprender a compartilhar o cuidado do seu paciente com outros serviços de atenção a saúde apropriados quando necessário. Deste modo, quanto
mais inserido dentro do SUS, mais apto este especialista estará para cuidar de seus pacientes utilizando os dispositivos de saúde disponíveis. Além dos serviços de especialidades médicas
mais tradicionais, como cirurgia, obstetrícia e emergência, o especialista em MFC deverá ter conhecimento sobre os dispositivos de Saúde Mental, principalmente os Centros de Atenção
Psicossocial (CAPS), fruto do movimento de desinstitucionalização psiquiátrica.
Objetivos
Descrever a experiência do Residente em MFC na integração ensino-serviço entre um Programa de Residência Médica em MFC (PRMFC) e CAPS do Rio de Janeiro.
Relato de experiência
Estão previstas na grade do primeiro ano do PRMFC duas semanas de estágio curricular obrigatório, com carga horária de 50h semanais, em três serviços de CAPS, adulto, infantil e o voltado
a pacientes usuários de álcool e drogas ilícitas. O estágio retirou o Médico Residente (MR) de sua Clínica da Família de origem e o inseriu em outro cenário de prática, Durante este período,
o médico residente entrou em contato com a rotina do serviço, incluindo suas atividades de gestão, como reuniões de equipe, onde os casos do dia são debatidos, reuniões de módulo,
quando membros da gestão de saúde local se reúnem com membros da equipe do serviço. Este estágio contemplou também o contato direto com pacientes, observação de consultas e
realização delas sob supervisão, desenvolvimento de oficinas e atividades coletivas com pacientes e familiares. A exposição direta a emergências psiquiátricas e ao manejo de pacientes
difíceis, sejam por suas patologias ou por fatores socioeconômicos que comprometem o tratamentodestes, também fez parte da experiência durante o estágio.
Conclusões ou recomendações
A prática de estágios durante a Residência Médica permite que a construção do conhecimento seja mais completa, além de aulas expositivas sobre os serviços ou até visitas técnicas. A
imersão dentro de outro serviço permite que o MR compreenda a fundo o papel daquele determinado dispositivo de saúde e seus colaboradores dentro da rede, pois ele estará inserido na
equipe durante aquele período. Ações como estafortalecem o compromisso social da parceria entre a formação médica e o SUS, beneficiando principalmente, o usuário do SUS.
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ATIVIDADE LÚDICA INSPIRADA NO HOSPITAL DO URSINHO COMO ESTRATÉGIA EDUCACIONAL NA PROMOÇÃO DE PREVENÇÃO DE DOENÇAS PARA CRIANÇAS
1 UFFS
Introdução
Trata-se do relato de experiência de atividade lúdica com crianças inspirado num projeto que visava diminuir o medo das crianças do ambiente hospitalar, essa ação foi ressignificada para
que pudesse ser feitoum processo interativo acerca das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti. Essa interação teve como público alvo crianças das mais variadas idades, além
de ter uma importante maleabilidade, quando se trata das condições do ambiente onde se pretende desenvolvê-lo.
Objetivos
Com o objetivo de proporcionar conhecimentos sobre arboviroses de forma interativa e lúdica para o público infantil. Por meio desse, pudemos oferecer uma interação que tem grande
probabilidade de influenciar positivamente a construção de saberes tão importantes aos pequenos indivíduos.
Relato de experiência
As atividades foram realizadas na feira de exposição da cidade de Pontão – Rio Grande do Sul, com a iniciação no período da tarde no ambiente interno da biblioteca municipal da cidade e
no perímetro adjacente, assim, as ações foram executadas conjuntamente entre os estudantes de medicina de diferentes períodos acadêmicos e profissionais de saúde a partir do Projeto de
Extensão "Círculos de Cultura: Diálogos de Saúde nas Comunidades e Escolas" e o Arbocontrol. Desse modo, a dinâmica iniciou-se com a gestação e nascimento de um ursinho de pelúcia,
entregue à criança para cuidá-lo temporariamente por ele ter sido picado após o seu nascimento por mosquitos Aedes Aegypti de pelúcia. Além disso, foi perguntado para a criança se ela
sabia qual inseto transmite as arboviroses (Dengue, Zika, Chikungunya e Febre amarela), e suas características, com isso, foi explicado que é a fêmea do mosquito Aedes Aegypti que é a
responsável pela transmissão das doenças. Assim como, a criança era informada de que o ursinho agoraestava doente e precisava de cuidados médicos. Logo após esse momento, ela era
direcionada para a estação do médico ao lado, na qual, foram esclarecidos os sintomas das arboviroses como febre, manchas vermelhas na pele, dor de cabeça e entre outros. Assim, a
criança acompanhou o tratamento do bichinho e ajudou a aplicar o soro nele, a fim de que não evoluísse para um quadro de desidratação. Vale ressaltar, que a criança presenciou alguns
procedimentos médicos, como o uso da injeção, a fim de propiciar maior familiaridade com a situação. Após a melhora do ursinho, a criança era guiada para uma brincadeira de procura de
focos da dengue, com intuito de coletar todos os potenciais materiais criadouros do mosquito da dengue como garrafas pets, tampinhas e entre outros. Depois da dinâmica, ela era estimulada
a perpetuar essa prática em casa. Por fim, havia um agente comunitário de saúde fantasiado de mosquito da dengue que encenava a erradicação do mosquito, e a criança ganhava um balão
como prêmio de herói no combate às arboviroses.
Conclusões ou recomendações
Espera-se que essas atividades educativas e de promoção da saúde sejam produzidas em eventos e instituições públicas, com intuito de que haja o fortalecimento do Sistema Único de Saúde
por meio doesclarecimento de crianças de forma lúdica e didática sobre as formas de prevenção dessas doenças infecciosas.
64
Sofia Pacheco Estima Correia1, Bruna Severino Rambo1, Gustavo Hauenstein Rosa1, Marina Silveira Martins Kessler 1, Maria Eduarda Kaminski 1, Francisco Jorge Arsego de Oliveira 1
1 UFRGS
Palavras-chave: Assistência centrada no paciente; Atenção primária à saúde; Transferência de experiência; Educação Médica
Introdução
A Slow Medicine é um movimento surgido na Itália que busca resgatar a importância do tempo na prática médica, colocando o paciente em foco. Tal movimento se baseia em princípios com
uso racional dos recursos, individualização do cuidado, conceito positivo de saúde e foco na autonomia e autocuidado. Essa abordagem vem ganhando espaço no Brasil nos últimos anos,
especialmente como uma forma de se opor aos impactos negativos da pressa e da ansiedade na prática médica, tais como desumanização do cuidado e uso abusivo de recursos.
Objetivos
Relatar a experiência de criação e estruturação do primeiro ambulatório de Slow Medicine, atentando para sua importância para a formação médica e para seu impacto para a comunidade.
Relato de experiência
Estudantes de medicina vinculados à Liga de Slow Medicine, com a ajuda de um professor orientador, estruturaram o primeiro ambulatório de Slow Medicine. Tal atividade permite que
estudantes a partir do primeiro semestre realizem atendimentos em uma Unidade Básica de Saúde de Porto Alegre, priorizando a assistência centrada no paciente e os princípios da Slow
Medicine. Foi organizada uma escala entre os estudantes de modo que o ambulatório é realizado duas vezes por semana no terceiro turno. Os envolvidos são divididos em trios de acordo
com seu progresso no curso e atendem em média um paciente a cadatrês semanas, sempre discutindo os casos com um professor responsável.
Conclusões ou recomendações
A criação do Ambulatório de Slow Medicine foi extremamente positiva tanto para os acadêmicos envolvidos quanto para a comunidade atendida. A participação de estudantes na rotina do
Sistema Único de Saúde (SUS) proporciona a experiência da prática médica para os estudantes, estimulando a autonomia e a motivação destes, ao mesmo tempo em que permite a melhor
assistência aos pacientes, incluindo a ampliaçãodo horário de atendimento da atenção primária.
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PROJETO DE CURRICULARIZAÇÃO: RESSIGNIFICÇÃO DO MAPA INTELIGENTE COMO INSTRUMENTO DE TRABALHO DA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA
Ilza Martha Souza1, Ana Teresa Silva Maia de Araujo1, Maria Eduarda Vasconcelos 1, Denise Vasconcelos de Jesus Ferrari1, Daniela Tereza Ascencio Russi 1, Guilherme Henrique Dalaqua Grande1
1 UNOESTE
Introdução
O Projeto remete à Resolução nº 07/2018 ao incluir a Curricularização da Extensão na matriz curricular, que transita por três áreas da Política Nacional de Extensão: Educação, Saúde e Trabalho
e se entrecruza com a Política Nacional de Atenção Básica (2017), ao mirar na formação discente e de profissionais de saúde, que buscam em parceria, ressignificar o uso do mapa inteligente
como um recurso de “trabalho vivo”, para a Territorialização em Saúde da Estratégia de Saúde da Família (ESF) de dois municípios, que sediam práticas do Curso Médico de uma Universidade
do oeste paulista. A ação emanou da demanda dos trabalhadores, por mediações da academia, que retomassem o uso dos dados biogeográficos da ESF para diagnóstico e planejamento
de ações e da percepção do corpo universitário nas atividades do Programa de Aproximação Progressiva à Prática (PAPP), do pouco uso (e atualização) do mapa inteligente na rotina. Dando
corpo a inerência ensino-pesquisa-extensão, aplicou-se recursos de coleta de dados no público- alvo
Objetivos
Para locupletar o Projeto elaborou-se os seguintes objetivos: (1) identificar fragilidades e potencialidades do uso do mapa inteligente no processo de territorialização em saúde; (2) promover
ação de educação permanente para os Agentes Comunitários de Saúde (ACS), para a ressignificação do mapa inteligente no cotidiano das práticas de saúde e (3) concorrer para a evolução
do cuidado em saúde, pela aproximação da academia e ambientes práticos de aprendizagem.
Relato de experiência
O projeto, moldado na investigação-ação desenvolveu-se em duas etapas, com a linha investigativa advindo da aplicação prévia de um questionário objetivo, pelos docentes do PAPP, nos
discentes do 1º termo de medicina (1º semestre de 2022), da referida Universidade. Os estudantes testaram o mesmo instrumento nos ACS’s nas práticas. O intento era verificar o grau de
cognição/uso do mapa inteligente pelos discentes e ACS’s. Ao final, foi reaplicado o questionário, na seriação inicial, para mensurar a apropriação do tema pelo público-alvo, visando a
expressão de um “antes e depois”, após a efetivação das ações educativas (segunda etapa), pelas discussões coletivas sobre territorialização/mapa inteligente nas práticas do PAPP e na
semana integradora do Curso e posterior elaboração discente de oficinas à serem trabalhadas junto aos ACS’s, sob mediação docente. Os estudantes tabularam as respostas nas práticas em
laboratório de informática da Saúde Coletiva e os dados foram analisados e tratados estatisticamente pelos docentes do Projeto (PAPP e Saúde Coletiva).
Conclusões ou recomendações
As primeiras impressões sobre a experiência e a análise preliminar dos dados revelaram apropriação dos conteúdos pelos discentes e ACS’s e alcance dos objetivos propostos de revelar as
potencialidades do mapa inteligente como recurso de territorialização em saúde e de ressignificar o seu uso no cotidiano das práticas de saúde. Além disso, ensejou um momento de
aproximação entre educação, trabalho e saúde pautada nas prioridades de saúde visualizadas no mapa inteligente.
66
Andréa de Paiva Dóczy1, Giulia Dallia Figueira do Nascimento2, Isabelle Schitini Pereira2, Marina Moreira Freire 2
1 UNIFESO
2 UNIFESO
Introdução
Os socorros de urgência, tais como o Suporte Básico de Vida (SBV) e os primeiros socorros são medidas iniciais e imediatas aplicadas a uma vítima de qualquer acidente ou mal súbito fora
das unidades de saúde. Têm como principal objetivo aumentar as chances de vida do paciente e diminuir o risco de sequelas. Muitos são os acidentes que ocorrem com frequência em
espaços escolares, dentre os quais podemos dar destaque para quedas, convulsões, engasgamentos, queimaduras, avulsões dentárias, cortes, hemorragias, afogamentos, entorses, fraturas
e fraturas expostas, intoxicação e parada cardiorrespiratória (PCR). Acredita-se que a inserção dos acadêmicos de medicina em escolas, com o propósito de capacitar professores, funcionários
e estudantes em primeiros socorros e SBV seja de suma importância para a promoção da saúde da comunidade escolar. A Lei Lucas, 13722/18, instituiu capacitação em primeiros socorros
no suporte básico de vida em escolas públicas e privadas e espaços de recreação infantil. A capacitação permite, para além da prevenção e interceptação de alguns agravos fatais, a
disseminação de informação projeto de extensão em tela, alinhado com o Programa Saúde na Escola, que visa a integração e articulação permanente da educação e da saúde, proporcionando
melhoria da qualidade de vida da população brasileira.
Objetivos
O objetivo geral é capacitar de forma teórico-prática, professores, funcionários e estudantes de escolas públicas municipais em Suporte Básico de Vida e primeiros socorros, além de
conscientizar esse público- alvo quanto à importância destes conhecimentos e procedimentos. O objetivo específico é discutir a realização de atividades em ambientes escolares para a
capacitação de alunos, funcionários e professores do ensino médio para realização do suporte básico de vida e primeiros socorros por estudantes de medicina.
Relato de experiência
Foi realizada uma pesquisa nas bases de dados LILACS, MEDLINE e MEDIBEX para fundamentação teórica com base em dados epidemiológicos referentes a acidentes escolares e relatos de
experiências semelhantes bem-sucedidas, dando-se preferência a publicações feitas nos últimos 5 anos. A partir dos resultados o projeto de extensão foi concebido e obteve parecer
conclusivo favorável pelo Comitê de Éticaem Pesquisa na Plataforma Brasil., encontra-se em andamento. Etapas futuras envolvem intervenção de acadêmicos extensionistas junto a grupos
escolares do município, com anuência das Secretarias Municipais de Educação e de Saúde.
Conclusões ou recomendações
A capacitação para identificação e resolução de situações de parada cardiorrespiratória e primeiros socorros instruída de forma correta no ambiente escolar ou qualquer outro cenário
contribui para evitar óbitos e danos resultantes desses episódios os atores capacitados potencialmente desencadeadores de transformações na comunidade, difundindo e multiplicando o
conhecimento adquirido.
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DO TRANSPLANTE À UNIVERSIDADE DE MEDICINA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA EM PRIMEIRA PESSOA SOBRE SER TRANSPLANTADA NA EDUCAÇÃO MÉDICA
Debora Cruvinel Ferreira 1, Maria Júlia Martins Padovani1, Giovani Mendola Perobelli1, Isabela Corrêa Samper1, Luis Gustavo Freitas Castro1, Danilo Borges Paulino1
1 UFU
Introdução
Existem no Brasil mais de 50 mil pessoas à espera de um transplante de órgãos. Dentre elas eu fui uma das que conseguiu um novo rim. Com o transplante pude voltar a ter uma vida “normal”,
foi como renascer.Com isso, eu desejava que todos que estivessem na fila passassem por essa experiência, assim, escolhi a medicina para que pudesse trabalhar com essa temática e fazer a
diferença no processo do transplante.
Objetivos
Esse relato de experiência objetiva compartilhar as experiências e impressões de uma estudante transplantada na faculdade de medicina de uma instituição pública.
Relato de experiência
Logo quando nasci precisei ficar internada devido às más formações, por isso precisei fazer acompanhamento até os 5 anos. Aos 13, fui diagnosticada com insuficiência renal crônica, comecei
o tratamento de diálise peritoneal, que me privava de algumas atividades, até que aos 14 anos recebi um novo rim. Portanto, muitos profissionais passaram na minha vida, os que me marcaram
e fizeram com que eu escolhesse acarreira médica foram aqueles que apresentavam uma conduta baseada na Responsabilidade Relacional (RR) e no modelo biopsicossocial.
Conclusões ou recomendações
Portanto, acredito que os Recursos Gerais de Resistência da Teoria Salutogênica estiveram muito presentes para eu conseguir ressignificar minha experiência de doente crônica. A medicina
não é perfeita, já mefrustrou e irá me frustrar novamente. A vida de ter uma doença crônica mesmo após o transplante também não é tão fácil, existem lutas que eu preciso enfrentar todos os
dias para continuar. Contudo, lutar por uma educação médica que aborde a doação de órgãos e transplante e ser uma médica que entenda o processo de saúde-cuidado-adoecimento é o
meu sonho.
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JÚRI SIMULADO COMO METODOLOGIA DE ENSINO: FORMAÇÃO DE ACADÊMICOS DE MEDICINA COMPROMETIDOS COM O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE
Jackson Menezes de Araujo1, Vanderléia Laodete Pulga 1, Isadora Gonçalves Rocha1, Stefani Peruzzo Focchesatto1
1 UFFS
Palavras-chave: Sistema Único de Saúde; Educação médica; Saúde coletiva; Política de saúde
Introdução
Trata-se da experiência vivida por estudantes de graduação em medicina de uma universidade pública federal que participaram da avaliação de Saúde Coletiva I com a realização do Júri
Simulado. Essa ferramenta inovadora de ensino tem como função avaliar a apropriação pelos acadêmicos dos principais elementos sobre as Políticas Públicas, Saúde e o Sistema Único de
Saúde. Com isso, essa ação reflete o que a Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos da área da saúde espera, uma vez que ela traz como eixo central a formação médica preconizada
nos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS), permitindo a construção de acadêmicos humanizados, críticos e reflexivos, capazes de atuarem com qualidade, eficiência e
resolutividade, no SUS, considerando o processo da Reforma Sanitária Brasileira.
Objetivos
Formar acadêmicos de medicina comprometidos com o SUS, estimular o senso crítico, desenvolver capacidade argumentativa e de atuação em equipe, além de promover o respeito às
opiniões distintas. Com afinalidade de construir um perfil acadêmico e profissional com competências, habilidades e conteúdo.
Relato de experiência
O júri simulado foi realizado no auditório da universidade, com a divisão da turma em três grupos, sendo eles um de defensores, um de acusadores, um que iria tomar papel de júri julgador,
além de um representante tomando lugar do juiz. O primeiro deles argumentou em defesa da consolidação dos princípios, diretrizes e funcionamento do SUS como sistema público universal
de saúde, apresentando fontes e produzindo uma argumentação consistente acerca de seus possíveis avanços, importância/relevância e desafios no contexto nacional e internacional. Já, o
grupo de acusação produziu argumentações consistentes, já que trouxe a perspectiva mercantil da saúde, evidenciando os limites e problemas do sistema público de caráter universal no
contexto nacional e internacional. O terceiro, dos jurados, foi responsável por dar o veredicto final a favor de um dos grupos, a partir da observação da consistência na argumentação, da
coerência e da articulação das ideias dos componentes de cada grupo. Vale ressaltar, que esteve em análise, pelo júri, a capacidade de argumentação de cada grupo em defesa do seu tema
e não a opinião que cada membro já havia formado, a partir das discussões ocorridas nos encontros de Saúde Coletiva anteriores. Além disso, o juiz coordenou o Ato com a delimitação do
tempo para cada grupo defender suas ideias, concomitantemente à ponderação acerca dos argumentos colocados pelo grupo oponente. Ao final, o júri popular se reuniu para analisar os
apontamentos feitos e decretar o veredicto. Eles também apontaram os critérios que levaram ao veredicto favorável ao grupo defensor.
Conclusões ou recomendações
Assim, é de grande relevância a aplicação dessa ferramenta na formação acadêmica, pois há uma construção da percepção acerca da importância e da amplitude do sistema, mas, ao mesmo
tempo, oapontamento das suas fragilidades, buscando sempre aperfeiçoá-lo.
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Carolina Naville de Farias1, Stella Rodrigues Barros do Nascimento1, Nathan Marcondes Freitas Leite 1, Amanda Paganini Lourencini1, Brenda Costa Prado1, Neudson Johnson Martinho 1
1 UFMT
Introdução
O hipotireoidismo é uma doença prevalente na população mundial, afetando principalmente mulheres. Além das consequências metabólicas, a diminuição sérica dos hormônios tireoidianos
tem sido relacionada ao comprometimento da saúde mental. Estudos retratam o desenvolvimento de diversos transtornos mentais, incluindo mania, psicose e alterações do humor nestes
indivíduos, assim como uma maior gravidade dos sintomas de depressão e ansiedade quando comparados à população eutiroidiana. Ademais, uma vez que o hipotireoidismo se trata de
uma condição crônica com múltiplas afecções metabólicas, não é somente ofator biológico relativo à saúde mental que poderá levar a esses transtornos, mas também condições como o
ganho de peso, a convivência vitalícia com a condição e a necessidade de utilizar remédios de forma contínua. Estes acometimentos psicológicos demonstram a importância da educação
médica voltada à compreensão da necessidade da atenção à saúde mental de pacientes com baixa função tireoidiana.
Objetivos
Compreender os principais fatores relacionados à depressão e ansiedade nos indivíduos com hipotireoidismo e a necessidade desta temática na educação médica.
Métodos
Foi realizada uma busca nas bases de dados MEDLINE e SCIELO, considerando o recorte temporal de 10 anos e incluindo artigos nas línguas inglesa e portuguesa.
Resultados
Estudos demonstram a ação dos hormônios tireoidianos no Sistema Nervoso Central, principalmente na neurotransmissão noradrenérgica e serotonérgica. Os níveis séricos de serotonina se
relacionam diretamente com a quantidade de T3, justificando a baixa produção de serotonina em casos de hipotireoidismo. Além disso, a serotonina atua inibindo a secreção do hormônio
liberador de tireotropina, constituindo, assim, um mecanismo de feedback sobre o eixo hipotálamo-hipófise-tireoide. Considerando-se a saúde mental, é comprovado que a desregulação
serotoninérgica é um dos fatores atribuíveis à patogênese de diversos transtornos mentais, desde transtornos depressivos até transtornos de ansiedade. Dessa forma, o hipotireoidismo pode
estar atrelado ao surgimento de transtornos depressivos, e de maneira bidirecional, a depressão pode ocasionar distúrbios da tireóide. Ademais, o hipotireoidismo pode exacerbar a
depressão primária, portanto, nestes casos, mesmo sob o tratamento hormonal pode-se havera continuidade do baixo bem-estar mental. Além dos fatores biológicos, também é importante
considerar fatores sociais e individuais. O diagnóstico de hipotireoidismo pode causar dificuldades de adaptação a estanova realidade acerca de se ter uma condição crônica. Muitas vezes
há impasses na adesão aos medicamentos, na aceitação das limitações impostas pela doença e em mudar os hábitos de vida para melhor promoção da saúde. Como consequência disso,
pode-se haver comprometimentos na regulação emocional, levando a sentimentos negativos que corroboram para as psicopatologias.
Conclusões
Os pacientes com hipotireoidismo têm um risco aumentado de desenvolver transtornos mentais. Dessa forma, somente o tratamento hormonal não é suficiente para um bem-estar geral,
devendo haver tambémacompanhamentos multidisciplinares para as intervenções biopsicossociais necessárias a fim de contribuir para a promoção da saúde física e mental. Para esta atenção
holística é necessária a busca pela inserção do tema no decorrer da educação médica, uma vez que é de total responsabilidade social do profissional médico identificar os possíveis fatores
associados aos comprometimentos psicológicos.
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O QUE É PRECISO TER EM MENTE QUANDO SE FALA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL NAS ESCOLAS MÉDICAS
Thiago Belmino Almeida Bernardo Evangelista 1, Taís Bezerra Mota Rôla1, Carolina de Paiva Farias1, Ariany Cláudio Lima Mota1, José Maria Santiago da Silva Júnior1
1 UNICHRISTUS
Introdução
Desde 1950, são crescentes as discussões acerca de mudanças na Educação Médica, baseadas em modificar os princípios hospitalocêntricos e positivistas herdados de modelos de formação
popularizados a partir da metade do século XIX, defendendo que essa educação não pode se desvincular dos determinantes sociais em saúde e do sistema de saúde local. Nesse sentido,
surgiu o termo responsabilidade social, utilizado como tradução para o conceito social accountability, referente à responsabilidade institucional universitária de direcionar suas atividades às
demandas da comunidade atendida pelo sistema de saúde, partindo da percepção de que a busca por saúde também é a busca por justiça social, no trabalho coletivo com governos,
organizações e comunidade. Entretanto, apesar do crescente número de escolas médicas preocupadas em implementar a social accountability, muitas vezes, a mentalidade empregada nessa
atuação não corresponde às definições nas quais tal conceito se pauta. Assim, gera-se uma prática médica baseada em ideias que a torna superficial e incapaz de acessar as iniquidades em
saúde.
Objetivos
O objetivo dessa revisão de literatura é refletir sobre o conceito de social accountability, como ele vem sendo praticado e o que se precisa ter em mente para praticá-lo de forma coerente.
Métodos
Realizou-se uma revisão de literatura nas bases do Scientific Eletronic Library Online (SciELO) e do Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), utilizando-se os
Descritores em Ciênciasda Saúde (DeCS): Responsabilidade Social; Educação Médica; Escolas Médicas.
Resultados
Foram analisados seis artigos que indicaram as mudanças ocorridas na Educação Médica e a necessidade de se refletir sobre como o conceito de social accountability vem sendo colocado
em prática nas escolas médicas. O ensino médico vem se modificando, direcionando sua atenção aos determinantes sociais de saúde e às demandas das comunidades atendidas pelos
sistemas de saúde. Com isso, percebeu-se a necessidade de compreender e reparar as iniquidades sociais e em saúde, objetivo da prática de social accountability, que só é possível quando
se alcançam as raízes que as construíram, que são históricas e herdadas de relações de poder. Entretanto, é preciso atentar-se aos caminhos que escolas médicas e estudantes têm seguido
para colocar em prática tal conceito, sob risco da realização de um movimento que, mesmo com boas intenções, perpetua as iniquidades existentes pela ausência de reflexão e de ação sobre
o que as causou em primeiro lugar. Nesse sentido, uma mentalidade que corrobora com uma prática inerte de social accountability, em detrimento de uma proposta de mudança, é a de que
se trata de uma “ajuda” ou de um gesto altruísta, enquanto que, segundo a Constituição, a saúde é um direito de todos e dever do Estado, sendo necessário, além de levá-la às pessoas que
não têm acesso, compreender o porquê de este direito não estar sendo efetivado. Sem tais concepções, é improvável atingir plenamente o conceito de social accountab
Conclusões
A compreensão de social accountability permite uma prática coerente com seus objetivos, sendo um processo contínuo e multifacetado, pois envolve o entendimento de contextos sociais,
culturais e políticos e o questionamento das relações de poder e privilégio existentes nas comunidades, inclusive das pessoas que atuam nelas. Nesse sentido, em atividades com esses
objetivos, é importante que haja um espaço parapropor tais reflexões entre alunos, professores e comunidade.
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SAÚDE ÚNICA NAS ESCOLAS, UMA EXPERIÊNCIA DE EDUCAÇÃO E PROMOÇÃO DE SAÚDE NAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE PASSO FUNDO
Jackson Menezes de Araujo1, Francisca Mayara Soares Gama1, Karima Muhammad Yusuf 1, Maria Eduarda Caliari de Brum 1, Renata dos Santos Rabello1, Regina Inês Kunz 1
1 UFFS
Introdução
O projeto de extensão “Saúde única –Integração entre saúde humana, animal e ambiental no norte gaúcho”, iniciou-se no ano de 2021. Este trabalho , refere-se à experiência vivida por
acadêmicos de medicina de uma universidade pública federal em escolas públicas de ensino fundamental do município de Passo Fundo, no estado do Rio Grande do Sul. O projeto surge
de uma demanda espontânea da Secretaria Municipal de Educação, da cidade de Passo Fundo, para se trabalhar com crianças a temática da higiene e vacinação, visto que obtiveram um
baixo alcance ao que concerne a vacinação infantil no município.
Objetivos
A proposta desta atividade foi abordar de modo lúdico a temática das vacinas e a importância da lavagem adequada das mãos, corroborando a relevância das práticas de promoção da saúde
dentro do ambienteescolar e a integração entre a Universidade e a gestão municipal.
Relato de experiência
As atividades educativas foram realizadas pelos acadêmicos de medicina nas escolas públicas da cidade de Passo Fundo no Estado do Rio Grande do Sul no período de março a junho de
2022.Estas foram efetuadas , com turmas do 1º ao 5º ano do ensino fundamental e iniciadas com a apresentação da dupla acadêmica palestrante e em seguida foi projetado slides com o
tema “Cuidando da nossa saúde”. Desse modo, foi indagado para as crianças sobre o que são germes e anticorpos. Após as suas respostas espontâneas e acaloradas explicou-se que germes
são pequenos seres que podem causar várias doenças e que pode entrar no seu corpo sem que elas percebam, e deixar elas doentes, e que os anticorpos são super soldados que irão lutar
contra os germes para defendê-los de infecções, porém, o que são produzidos no seu corpo não são suficientes, logo, é necessário ação da vacina, uma vez que ela é importante para reforçar
com soldados o exército já existente, o que consequentemente permitirá uma super defesa contraos germes. Depois desse momento, foi contextualizado com a imagem de uma caderneta
de saúde da criança e explicado quais informações são contidas neste documento. Reforçou-se a importância do acompanhamento periódico da caderneta a fim de verificar se há alguma
vacina em atraso. Em seguida, foi questionado as crianças “Além da vacinação, qual outro meio para nos proteger contra os germes?”, assim, é dito que a maneira mais fácil de ficar livre deles
é higienizando as mãos por meio da lavagem. Por fim, para eles fixarem o que aprenderam disponibilizou-se um momento chamado de “hora dabrincadeira” com atividades de pintar ou de
caçar palavras, dependendo da faixa etária da turma.
Conclusões ou recomendações
Essa experiência é extremamente enriquecedora para a formação médica, uma vez que ao adentrar as salas de aula conhece-se a população infantil, as demandas trazidas por ela e as
dificuldades a serem superadas no dia a dia. Desse modo, é possível desenvolver já na formação acadêmica habilidades de comunicação, o pensamento crítico e em estratégias práticas para
resolução de problemas inseridos nas realidades vivenciadas.
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EDUCAÇÃO SEXUAL NA PROMOÇÃO DA SAÚDE DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES DE ESCOLAS PÚBLICAS NA ZONA RURAL
1 UFFS
Introdução
Trata-se da experiência vivida por estudantes de graduação em medicina de uma universidade pública federal em escolas públicas de educação do campo em área de Assentamentos rurais
num município donorte gaúcho. Foram realizadas atividades educativas e de promoção da saúde de crianças e adolescentes abordando o tema “Corpo, gênero, sexualidade e infecções
sexualmente transmissíveis (ISTs)” por demanda trazida pelos próprios alunos.
Objetivos
Esclarecer aos adolescentes e crianças sobre o entendimento do funcionamento do seu corpo, a importância do autocuidado, a sexualidade, a prevenção de gravidez precoce e de infecções
sexualmente transmissíveis (ISTs). Além disso, elucidar a importância sobre sexo consensual e refletir sobre os paradigmas em relação a sexualidade e gênero, a fim de construir uma
consciência da valorização de cadapessoa sem discriminação ou violência.
Relato de experiência
As atividades foram iniciadas com a introdução do tema de forma dialógica sobre as mudanças do corpo feminino com o surgimento de broto mamário, alargamento do quadril e menarca e
masculino com o engrossamento da voz, alargamento dos ombros e aumento dos testículos. Logo depois, foi feito o diálogo com as meninas sobre a primeira menstruação desmitificando
os tabus e reconhecendo como parte do processo de vida das mulheres e a importância de superar a vergonha. Além disso, foi expresso que as infecções sexualmente transmissíveis (ISTs)
são causadas, principalmente, por meio de contato sexual (oral, vaginal e anal) sem uso de camisinha masculina ou feminina. Também, tratou-se dos sintomas e tratamentos das infecções
sexualmente transmissíveis (ISTs) mais recorrentes como sífilis, herpes genitais, hepatite B e C, HIV/AIDS e entre outros. E, depois foi contextualizado com o assunto da necessidade da
higienização e cuidados com o órgão genital feminino (vagina), do órgão genital masculino (pênis). Nesse contexto, enfatizou-se a necessidade do uso de camisinha para prevenir-se de ISTs
e gravidez, assim usamos uma analogia da camisinha comparada ao capacete no trânsito, no qual, sem a proteção dele pode ocorrer acidentes como as infecções e gravidez indesejada, que
inclusive poderia ser prevenido com métodos contraceptivos. Por fim, foi abordado sobre gênero, sexo biológico versus identidade de gênero, sexualidade e orientação sexual e,
consequentemente, o respeito a diversidade de escolha sexual das pessoas.
Conclusões ou recomendações
Espera-se que essas e outras atividades educativas e de promoção da saúde, cuidado com o corpo, sexualidade e gênero seja fortalecida em escolas públicas, sobretudo às rurais.
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Mariana Lovaglio Rosa1, Marianna Huguenin Cervantes1, Beatriz Leal Barros Costa1, Lara da Silva Jacob Veiga1
1 UNIFESO
Introdução
As Universidades de Medicina devem formar médicos com características generalistas, humanistas, críticas e reflexivas, sendo capazes de atuar a partir de princípios éticos em processos de
saúde-doença nos diferentes níveis de atenção. Dessa forma, os acadêmicos cada vez mais, vêm buscando maneiras de complementar sua carga horária e enriquecer sua experiência por
meio de estágios extracurriculares. Os principais objetivos dessa busca é se aproximar do mundo real da profissão que escolheram, vincular os conhecimentos teóricos adquiridos nas aulas
da faculdade e a prática, além de desenvolver e aperfeiçoarhabilidades específicas da profissão e melhorar o currículo.
Objetivos
Relatar a experiência vivenciada pelos integrantes da liga de pediatria no estágio extracurricular feito no hospital universitário, evidenciando a importância dessa inserção no processo de
aprendizagem.
Relato de experiência
Os acadêmicos de Medicina de diferentes períodos, integrantes da liga de pediatria, foram divididos em 8 grupos com 3 estudantes e inseridos, sob supervisão da preceptoria médica, no
hospital universitário. Durante 4 domingos consecutivos, cada grupo permaneceu na atividade extracurricular por doze horas diurnas, podendo dirigir-se ao centro cirúrgico, sala de pré-
parto, alojamento conjunto e enfermaria. Os estudantes tiveram contato com situações que tangiam ao quesito afetivo e humanizado por parte das famílias, desde a espera do parto até o
nascimento. Além disso, os discentes foram contemplados com atividades práticas de exames de triagem neonatal, preparativos e assistência ao recém-nascido na sala de parto e as visitas
realizadas na enfermaria pediátrica. Ademais, foi possível vivenciar a rotina médica de um hospital com os serviços em pediatria podendo observar os cuidados e exercícios multiprofissionais.
Conclusões ou recomendações
O estágio extracurricular na enfermaria pediátrica durante a faculdade de Medicina contribui para que os acadêmicos aprofundem seus conhecimentos teóricos em pediatria e coloquem em
prática, aqueles já adquiridos. Ademais, a vivência prática evidencia para muitos acadêmicos a sua afinidade ou não pela profissão. Em suma, permite ao aluno desconstruir os obstáculos da
prática pediátrica e incentiva a participação na comunidade, vínculo este necessário na construção de um futuro profissional que estará em contato com a população, além de promover o
cuidado e a transmissão de conhecimento para esta.
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Eduardo Oliveira Paese1, Gabriela de Azevedo Bastian de Souza1, Rodrigo Chultz1, Laura Gomes Pereira1, Maria Eduarda Parisotto Wisintainer1, Ricardo Breigeiron1
1 PUCRS
Introdução
O ensino de primeiros socorros é transmitido em quantidade escassa à sociedade, especialmente àqueles mais vulneráveis a tais acontecimentos, como os idosos -, a qual torna-se carente
da capacidade desaber manejar situações que poderiam ser amparadas por tal conhecimento. Por conseguinte, tendo em vista a importância de prestar apoio à população idosa - esta que
aumenta progressivamente sua proporção demográfica -, é imprescindível que haja uma capacitação direcionada aos responsáveis por cuidar desse grupo em idade avançada.
Objetivos
Relatar a experiência de acadêmicos de medicina em uma atividade voluntária que proporcionou treinamento em primeiros socorros para cuidadores de idosos em formação.
Relato de experiência
Em meados de dezembro de 2021, um grupo de acadêmicos de medicina do Rio Grande do Sul se dispuseram, por meio da liga acadêmica de trauma, a ministrar um curso de primeiros
socorros a cuidadores de idosos em formação, abordando os principais eventos de emergência que indivíduos exercendo tal função costumam vivenciar, e demonstrando as condutas mais
adequadas para manejo dessas ocasiões.
Primeiramente, foram instruídas informações básicas sobre como deve ser realizada a preparação para o princípio do atendimento - como a checagem de segurança da cena, a necessidade
em manter a calma ea objetividade no momento de contatar o socorro. Em seguida, foram abordados quatro dos cenários mais importantes de serem solucionados: engasgo, convulsões,
queimaduras e parada cardiorrespiratória.
Essa porção teórica teve duração de três horas e ocorreu em formato de palestra interativa, na qual os alunos compartilharam relatos pessoais e sanaram suas dúvidas. ilustrada por uma
apresentação de slides (adicionando-se tempo para resolução de dúvidas, as quais eram sanadas à medida que surgiam). Finalmente, no segmento final da programação, foi disponibilizada,
aos participantes, a oportunidade de praticara reanimação cardiopulmonar. Os futuros cuidadores de idosos foram divididos em equipes de três integrantes, as quais deveriam demonstrar,
em um manequim de simulação realística , a maneira correta de abordar a cena, chamar o socorro e, então, apresentar a técnica correta de reanimação.
Conclusões ou recomendações
A atividade providenciada trouxe benefícios mútuos entre seus participantes, à medida que a busca pelo aprendizado estimula o aprofundamento no tema tanto por parte dos acadêmicos
responsáveis por transmiti-lo - tendo, por consequência, uma maior qualificação para lidar com esse tipo de atendimento futuramente, na condição de profissionais da saúde -, quanto por
parte dos cuidadores de idosos - os quaisvisam garantir mais segurança a um dos grupos populacionais que mais necessita de amparo, este que, na atualidade, muitas vezes é inexistente.
75
Beatriz Trajano Costa da Silva 1, Taynara de Oliveira Moreira 1, Victor Lucheta Palmeiro 1, Juliana Coutinho Paternostro 1, Lucas Eira Nakagawa de Carvalho 1, Claudia de Lima Ribeiro 1
1 UNIFESO
Introdução
O Programa Alegria fundado em 2000, com o referencial o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar, que defende a prática humanizada. que atuam de forma lúdica,
utilizando a arte do palhaço para promover saúde e atenção aos pacientes internados no Hospital de Ensino. Reconhecido como um dispositivo de cuidado, praticado pelos estudantes do
curso de medicina, que utilizam o brincar, amúsica, o palhaço construindo um trabalho sério comprovando a eficácia do sorrir na melhoria do estado clínico e emocional dos pacientes. Ao
longo dos anos realizou muitos atendimentos nas enfermarias do hospital e ações sociais em instituições, conquistando muita experiência, qualidades técnicas e compreensão de regras e
normas de biossegurança hospitalar, ética e humanização na relação.
Objetivos
Construir ações de produção de cuidado e de significação das tecnologias leves no cenário de assistência hospitalar
Relato de experiência
No primeiro semestre de 2022, foram inscritos 89 discentes de medicina, majoritariamente do 1º ano da graduação e foi promovido um Grupo de Extensão no curso de Medicina direcionada
à palhaçoterapia. É desenvolvido capacitação semestral, distribuídos em quatro encontros semanais com duração de duas horas. A capacitação aborda a construção do palhaço: maquiagem,
figurino, improviso, jogos, brincadeiras, teatro, trabalho em equipe, atitudes dentro das enfermarias, objetivos das visitas, biossegurança, sempre buscando o desenvolvimento artístico e
ético dos discentes. Posteriormente, os mesmos são inseridos no ambiente hospitalar para prática lúdica como palhaços doutores.
Conclusões ou recomendações
A palhaçoterapia constitui como um meio de auxiliar a formação de um médico mais humanista, visando o paciente no modelo biopsicossocial de universalidade e integralidade. Sendo
assim, esses princípios são fundamentais para uma boa vivência e comunicação em ambientes hospitalares, permitindo a criação de estratégias de amenizar adversidades encontradas no
cotidiano dos futuros médicos. Nesse sentido, o Programa Alegria é de suma importância para a integridade da formação médica dos discentes que participam, fortalecendo virtudes dos
estudantes de modo reflexivo e plural, a partir da comunicação, empatia, ética, solidariedade e sensibilidade com os pacientes.
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1 UNIFESO
Introdução
A discussão da ética médica ganhou maior importância após o final da Segunda Guerra Mundial, com o Código de Nuremberg. O termo bioética tornou-se conhecido após o início da década
de 1970, com obioquímico americano Van Rensselaer Potter tendo popularizado o termo. Desde então, cada vez mais tem-se discutido a introdução do estudo da bioética nas faculdades de
medicina.
Objetivos
Discutir a importância do ensino da bioética nas faculdades de medicina mediante reflexões embasadas.
Métodos
Trata-se de uma revisão de literatura feita com base em pesquisas nas bases de dados PubMed®, Scielo e Google Acadêmico, usando os descritores: bioética, faculdade, bioethics, medical,
school.
Resultados
A inclusão do ensino da bioética no currículo das faculdades de medicina é uma tendência global. Embora haja consenso de que os futuros médicos devem ser treinados em ética médica,
existemmuitas disparidades nos programas acadêmicos médicos no que diz respeito ao número de horas e às origens disciplinares dos professores. Como o tema deve ser ensinado, quem
deve ensiná-lo e o que exatamente os currículos devem incluir são questões relevantes para o debate. Há muita heterogeneidade entre o ensino de bioética nas escolas médicas. Muitas
faculdades concentram matérias de bioética apenas nos primeiros semestres do curso, período no qual os estudantes de medicina talvez não percebam a aplicabilidade prática da matéria.
Conclusões
A bioética deve ter relevância significativa nas escolas de medicina, pois os estudantes precisam desenvolver habilidades que posteriormente necessitarão para identificar, avaliar e abordar
questões éticas em suafutura prática clínica ou cirúrgica. O sucesso da implementação da educação bioética requer esforços em diferentes níveis. O corpo docente deve ser apoiado por
receber treinamento ético adequado. É preciso alocar tempo de ensino adequado para a bioética e integrar o ensino bioético às disciplinas estudadas nas faculdades de medicina.
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RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ESTUDANTES DE MEDICINA NA REALIZAÇÃO DE INTERVENÇÃO MULTIPROFISSIONAL EM UBS COM ENFOQUE EM ISTS
Sthefany Albuquerque Assunção Moreira 1, Vivian Suellen Freitas Lopes1, Cristina Rocha de Medeiros Miranda 1
1 UFRN
Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde; Educação Médica; Educação em Saúde; Necessidades e Demandas de Serviços de Saúde
Introdução
Os Boletins Epidemiológicos do Ministério da Saúde demonstraram que desde a pandemia de Covid-19 a quantidade de casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) tem diminuído
no Brasil, todavia esse dado está falseado por outro disponíveis no boletim: a ampla queda da taxa de detecção das ISTs. Diante dessa problemática, o Projeto de Extensão Discutindo HPV
organizou junto com uma Unidade Básica de Saúde uma intervenção multiprofissional reunindo estudantes do Curso de Medicina e Enfermagem, junto a enfermeiros, médicos, técnicos de
saúde bucal e agentes de saúde da Unidade Básica de Saúde (UBS) para aplicar testes rápidos de ISTs e promover educação em saúde para a comunidade assistida pela UBS.
Objetivos
Relatar a experiência dos acadêmicos de medicina envolvidos nessa ação, como também o impacto em sua formação e na comunidade.
Relato de experiência
A intervenção contou com 3 momentos divididos em estações por onde a parte da população presente percorria. A primeira estação foi uma conversa com membros do Projeto Discutindo
HPV sobre o Papiloma Vírus Humano, abordando a transmissão, prevenção e as consequências da infecção. Em sequência, havia pontos para testagem rápida de HIV, Sífilis e Hepatites,
organizada pelos acadêmicos da enfermagem e enfermeiros da UBS. Por fim, o Médico da UBS estava disponível para demais dúvidas ou demanda espontânea dos participantes, assim como
havia uma Enfermeira e uma Agente de Saúde Comunitária disponível para marcação de outros serviços na UBS. O evento foi encerrado com um lanche promovido pela UBS.
Conclusões ou recomendações
Portanto, de acordo com a experiência vivenciada, é notória a importância de ações como essa para ampliar as perspectivas dos estudantes em relação à realidade da prática médica. Ademais,
é impressionante como essa experiência auxilia na evolução dos alunos de medicina na comunicação e no contato com os pacientes, algo fundamental de ser estimulado para propiciar uma
inserção correta no mercado de trabalho e fundamentalizar uma educação mais humanizada no curso.
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A INICIAÇÃO CIENTÍFICA COMO ESPAÇO DE ENSINO E APRENDIZADO SOBRE O TRABALHO E SAÚDE DAS PROFISSIONAIS DO SEXO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Victoria Cardoso Alves1, Fernanda Campos1, Eduardo Rodrigues Ferreira Gomes de Camargos 1, Raíssa Stephanie Rodrigues da Silva1, Sumaya Giarola Cecilio1
1 FCMMG
Palavras-chave: Aprendizagem; Atenção à Saúde; Estudos Populacionais em Saúde Pública; Profissionais do Sexo; Participação da Comunidade
Introdução
Profissionais do sexo são definidas como um grupo de mulheres que oferecem serviços sexuais para alcançar a independência financeira. No Brasil, é uma profissão marginalizada que
representa uma populaçãoinserida em um contexto de vulnerabilidade social e de saúde que, frequentemente, pode resultar em dificuldades no acesso à saúde integral e em possíveis
Transtornos Mentais Comuns (TMC). Na formação médica, buscar compreender e avaliar as demandas dessas mulheres em relação ao acesso ao sistema de saúde e à saúde mental, é um
passo importante para a elaboração da consciência de alteridade, coletividade e justiça social dos acadêmicos. A Iniciação Científica (IC) apresenta-se como um espaço privilegiado e potente
para tais discussões no ensino médico.
Objetivos
Relatar a experiência vivenciada por acadêmicos de medicina durante o desenvolvimento de pesquisas de Iniciação Científica sobre o trabalho e a saúde de um grupo de profissionais do
sexo em Belo Horizonte, Minas Gerais.
Relato de experiência
Os projetos de IC foram idealizados por quatro alunos de um Curso de Medicina em Belo Horizonte (BH), sob orientação de uma docente, após a participação em uma aula aberta sobre a
temática “Saúde das trabalhadoras do sexo”. Ministrada por uma trabalhadora sexual, fundadora e coordenadora do Coletivo Clã das Lobas e, atualmente, conselheira Municipal pelos direitos
das mulheres, em BH, a aula instigou os acadêmicos a buscar pelo conhecimento científico e a contribuir na representatividade desse segmento populacional. A partir disso, foram elaborados
dois projetos de pesquisa, submetidos e aprovados pelo Edital do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica, cujas temáticas foram: “Transtornos Mentais Comuns em mulheres
profissionais do Sexo de Belo Horizonte, Minas Gerais” e “Barreiras para a Integralidade do Cuidado de profissionais do sexo de Belo Horizonte-MG”. Os projetos foram elaborados a partir
do diálogo constante com o cenário de investigação, os aspectos éticos e os achados da literatura. Uma vez aprovados pelo comitê de ética, os alunos se inseriram no campo de coleta de
dados e o experimentaram como um território capaz de aproximá-los à produção do conhecimento científico e, sobretudo, ao ato de questionar o modelo médico hegemônico que impera
sobre a produção da saúde das profissionais do sexo.
Conclusões ou recomendações
Conclui-se que a IC atuou como uma ferramenta potente para a formação do aluno sobre a saúde das profissionais do sexo, além de permitir o desenvolvimento de um olhar crítico e reflexivo
sobre as lacunas doconhecimento na área.
79
LONGITUDINALIDADE DO CUIDADO NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA: UM ESTUDO COMPARATIVO A PARTIR DE VIVÊNCIAS DE ESTUDANTES DE MEDICINA
Letícia Ronchi dos Santos1, Pietra Castro Saar1, Gustavo Alexandre Freire de Oliveira1, Giullya Porto Duarte Antunes 1, Leonardo Britto de Carvalho1, Annabelle de Fátima Modesto Vargas 1
1 UNIREDENTOR
Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde; Continuidade da Assistência ao Paciente; Estratégia Saúde da Família
Introdução
A longitudinalidade é uma diretriz da Atenção Básica à Saúde que pressupõe a continuidade do cuidado, a construção do vínculo e a responsabilidade entre profissionais e comunidade ao
longo do tempo. Muitos desafios estão relacionados ao seu processo de implementação, como a falta de recursos, a mudança constante dos membros das equipes de saúde e o
reconhecimento da importância do vínculo para a construção das relações de cuidado.
Objetivos
Analisar os desafios e avanços na construção da longitudinalidade do cuidado na Estratégia Saúde da Família (ESF).
Relato de experiência
No curso de medicina de uma Instituição de Ensino Superior (IES) do Estado do Rio de Janeiro, os estudantes são inseridos na ESF principalmente a partir do eixo Integração Ensino Serviço
e Comunidade (IESC). Na transição entre os dois primeiros períodos, os acadêmicos foram realocados para diferentes Unidades Básicas de Saúde (UBS), onde presenciaram distintas gestões
e, consequentemente, perceberamcomo o vínculo entre a equipe da ESF e a população assistida são diversos. Foram notadas incompatibilidades entre as unidades, como a impessoalidade
da equipe mínima com a população, a ausência de diálogos e interações sociais, a adesão e participação da comunidade nos serviços prestados pela UBS, por exemplo, nos exames, consultas
e eventos de saúde. Assim, foram reconhecidos fatores que podem estar relacionados com essas discrepâncias, como: o tipo de vínculo empregatício dos profissionais - profissionais
concursados ou com vínculos temporários precários; distribuição territorial dos usuários; número de pessoas cadastradas por equipe; o bom relacionamento entre os membros da equipe; a
falta de reconhecimento da importância do vínculo e, de forma generalizada, a ausência de recursos. Tudo isso impacta diretamente a longitudinalidade do cuidado, visto que a união entre
profissionais e comunidade é primordial para que o indivíduo sinta-se acolhido e seguro dos serviços prestados pela ESF e continuem inseridos nessa dinâmica.
Conclusões ou recomendações
Com base nas experiências dos estudantes nas UBS, foi desenvolvida uma maior criticidade sobre a importância do vínculo entre a equipe e os usuários na longitudinalidade do cuidado, na
promoção da saúde e prevenção de doenças.
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A IMPORTÂNCIA DA INTERCONEXÃO ENTRE A MEDICINA E ESPIRITUALIDADE DURANTE O ENSINO MÉDICO NA REGIÃO NORTE DO BRASIL
1 FASM
Palavras-chave: Assistência integral à saúde; Educação Médica; Competência Cultural; Região Norte
Introdução
Evidencia-se que os profissionais dos quais as práticas estão intimamente interligadas ao cuidado em saúde habilitem-se adequadamente, dispondo-se a acolher, respeitando as
manifestações e as carências dos pacientes, ao que remete ao binômio espiritualidade-religiosidade (E/R), assunto este que precisa ser abordado ainda durante o ensino médico.
Objetivos
Analisar a fundamentalidade do ensino da conexão entre Medicina e Espiritualidade ao decorrer da educação médica na Região Norte do Brasil.
Métodos
Realizou-se uma revisão bibliográfica nas bases de dados da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), PubMed e SciELO, nos quais foram considerados artigos publicados nos últimos 5 anos.
Utilizaram-se os termos“religiosity”, “spirituality” e “medical education”, e o descritor '’AND’’. Foram encontrados 16 artigos, e após exclusão dos estudos que perpassavam a temática proposta
e dos que apresentavam duplicata, selecionaram-se 10 trabalhos. Ademais, realizou-se uma pesquisa online na matriz curricular das Instituições de Ensino Superior (IES) da Região Norte, para
avaliar quais possuíam disciplinas de Medicina e Espiritualidade atualmente no Plano Pedagógico do Curso (PPC).
Resultados
Segundo os dados levantados a priori, evidenciou-se que inúmeros discentes sentem a necessidade da inclusão da disciplina de E/R, vinculada à saúde durante a graduação, processo esse
que impacta diretamente no amadurecimento pessoal e profissional. As intervenções com profissionais já capacitados, seguem ocasionado benéficos na qualidade de vida dos indivíduos,
que vão desde a redução dos sintomas de ansiedade e depressão em pacientes, além diminuição na intensidade no consumo de entorpecentes. Das 32 IES escolas médicas, encontrou-se 29
matrizes curriculares disponíveis e atualizadas no portal acadêmico e apenas 4 disponibilizam as disciplinas com foco em E/R no currículo acadêmico: Universidade do Estado do Amazonas
(UEA), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) e a Universidade Federal do Pará (UFPA). A UEA, a UFAM e a UFPA, são as únicas IES que
possuem ligas acadêmicas sobre o estudo em questão.
Conclusões
O ensino de E/R durante a graduação médica, segue mostrando-se fundamental para a formação ética, profissional, humanizada e assistencial. Para as escolas médicas que ainda não têm o
tema em seu currículo, recomenda-se a inclusão na matriz curricular, atividades complementares à formação, previstas nas Diretrizes Curriculares Nacionais do curso e ligas acadêmicas. É
essencial que os alunos possuam espaços para discutirem e estudarem temas para sair do modelo biomédico contemporâneo. Quando se fala em Região Norte, frisa-se a imprescindibilidade
do ensino com foco nos povos originários, principalmente porque a mesma detém 81, 5% das áreas indígenas protegidas por lei — o Amazonas (AM) possui a maior extensão dessas terras (35,
7%) —, respeitando especialmente as suas especificidades, a sua autonomia, abrangendo as suas percepções sobre o processo saúde-doença e seus saberes populares.
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PROJETO TERAPÊUTICO SINGULAR EM UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE NO CONTEXTO DA PANDEMIA: UMA EXPERIÊNCIA NO CURSO DE GRADUAÇÃO EM MEDICINA
Hiromi Macêdo Kitayama Fujishima1, Caroline Gomes Gonçalves1, Giselle Maria da Escóssia Costa Neitzke1, Waleria Pinper1, Renata Cavalcanti de Souza Medeiros1, Averlândio Wallysson Soares
da Costa1
1 UNP
Introdução
O Projeto Terapêutico Singular (PTS) é uma forma de organizar os processos de trabalho nos serviços de saúde objetivando o cuidado e acompanhamento integral de uma pessoa nas
dimensões corporal, psicossocial e instrumental.
Objetivos
Este trabalho tem como objetivo apresentar o relato de experiência da construção de um projeto terapêutico singular, desenvolvido em um cenário de pandemia global de Covid-19.
Relato de experiência
Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo, do tipo relato de experiência, constituído com base na vivência de estudantes de medicina durante a construção do PTS em Unidade Básica de
Saúde (UBS) de Parnamirim, no Rio Grande do Norte, durante o período pandêmico. A construção do PTS objetivou a prática de atividade de ensino, pesquisa e extensão na disciplina de
Atenção Integral à Saúde. O PTS foi desenvolvido na UBS Rosa dos Ventos de forma presencial, com a colaboração de 1 médica, 1 agente comunitária de saúde, 5 estudantes de medicina, 1
enfermeira, 1 técnica de enfermagem e 1 auxiliar de farmácia. A paciente do PTS tem vínculo estabelecido com a UBS e durante a sua anamnese, em aula prática, foi possível conhecer além
da queixa de saúde mental com uso recorrente de psicotrópicos, a intensasolidão e tristeza, agravada pela pandemia, o seu mapa multidimensional de vida e a vulnerabilidade social. Através
da entrevista estruturada com a paciente, da relação de confiança e com uma narrativa rica em detalhes, compreendeu-se como as diversas dimensões e eventos da vida da pessoa se
relacionam com seu sofrimento. Com os dados coletados, foi construído, em conjunto com a paciente, o genograma, o ecomapa, o apgar familiar e o PTS, planejado com metas, objetivos,
responsáveis e prazos, articulados com uma projeção num eixo temporal composto por 3 dimensões básicas – corporal, psicossocial e instrumental, pactuadas com a paciente. O plano de
ação foi proposto com etapas de curto, médio e longo prazo, definidas com equipe interdisciplinar e dispostas em momentos de reparação, potenciação e emancipação.
Conclusões ou recomendações
Além do enriquecimento na educação médica, por permitir uma maior aproximação com a realidade do paciente, o PTS fomenta uma maior integração por meio da gestão participativa entre
os diversos setores e a comunidade. É uma iniciativa de grande impacto benéfico na vida do paciente, na qual estimula o seu protagonismo, por meio da superação dos obstáculos da vida
cotidiana através das instituições sociais.
Através do acompanhamento longitudinal, visa obter um aumento do capital social, cultural e econômico do usuário.
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A INTEGRAÇÃO ENSINO-SERVIÇO-COMUNIDADE E SUAS REPERCUSSÕES PARA A COMUNIDADE, OS ACADÊMICOS E EQUIPE DE SAÚDE DA FAMÍLIA: RELATO DE
EXPERIÊNCIA.
Sarah Oliveira Nunes Monteiro 1, Marcelo Augusto Carvalho Curvelo1, Vilgner Dias Alves1, Pietro Belli Bigonha Dias 1, Diogo Machado Paes Neves1, Annabelle de Fátima Modesto Vargas 1
1 UNIREDENTOR
Palavras-chave: Saúde Pública; Educação em Saúde; Atenção Primária à Saúde; Estratégia à Saúde da Família; Colaboração Intersetorial
Introdução
A integração ensino-serviço-comunidade está prevista nas Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Medicina (DCN) como parte fundamental de uma formação médico-acadêmica
concatenada àsnecessidades sociais de saúde e ao Sistema Público. Tal integração tem repercussões recíprocas para usuários, acadêmicos e equipes de saúde.
Objetivos
Analisar de que maneira as ações realizadas pelos acadêmicos de medicina nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) repercutem em seu aprendizado, na atitude da equipe multidisciplinar e na
integração com a comunidade.
Relato de experiência
No eixo “Integração Ensino-Serviço-Comunidade”, desde o primeiro período, os estudantes de Medicina realizam visitas às UBS, com a presença de um tutor, responsável pelas atividades a
serem desenvolvidas. Inicialmente, os acadêmicos realizaram a territorialização e construção do "Mapa Falante”, apontando diferentes marcadores e Determinantes Sociais de Saúde (DSS)
característicos da área adscrita. Todo o processo foi acompanhado pelo Agente Comunitário de Saúde (ACS). Ademais, foram exercidas ações sociais e de educação, de modo a construir
estratégias para a promoção da saúde e prevenção de doenças. A primeira delas foi feita com a população idosa, na qual os estudantes apresentaram uma palestra abordando temas que
promovem a saúde do idoso, baseados nos dados epidemiológicos obtidos na UBS. Por conseguinte, foi realizada outra ação na escola localizada na microárea. Seu objetivo era voltado à
“Cultura da paz” e “Alimentação saudável”. Foram realizados testes antropométricos e de acuidade visual, seguindo todos os parâmetros e diretrizes do cronograma municipal de ações em
saúde.
Conclusões ou recomendações
A integração ensino-serviço-comunidade possibilita uma formação médica completa e com compromisso social. Também foi constatada a importância desse processo para a equipe
multidisciplinar, auxiliando na construção de indicadores e possibilitando a atualização de dados relevantes ao processo de trabalho. Observou-se maior integração da comunidade local com
a UBS e docentes, evidenciando que essas atividades são primordiais para o desenvolvimento de habilidades dos profissionais de saúde, sobretudo no que tange à Atenção Básica.
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A IMPORTÂNCIA DAS DINÂMICAS DE GRUPOS NA PREVENÇÃO DA GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA: EXPERIÊNCIA DE UMA LIGA DE PEDIATRIA
Marcos Antonio da Silva Cristovam 1, Isabella Maria de Almeida Goulart1, Ana Caroline Comin1, Andressa Luiza Cintra Barbosa1, Camila Fonseca Balcewicz1, Andressa Bordin Terribele1
1 UNIOESTE-CASCAVEL-PR
Introdução
A adolescência compreende a faixa etária entre 10 e 19 anos de idade, marcada por várias mudanças anatômicas, psicoemocionais e sociais. Nos últimos anos, houve aumento da incidência
da gravidez na adolescência, culminando em complicações durante a gestação e pós-parto, problemas psicológicos, falta de assistência ao recém-nascido, evasão escolar, além do reflexo
na evolução pessoal. A vida sexual dos jovens está iniciando mais cedo, porém, não há uma responsabilidade sobre realizar uma sexualidade segura, bem como ainda no Brasil ainda carece
de orientação sobre métodos contraceptivos, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e sexualidade.
Objetivos
Descrever os resultados obtidos a partir da aplicação de uma dinâmica de grupo que incitou a reflexão acerca do impacto da gravidez na adolescência em um grupo de alunos de uma escola
pública.
Relato de experiência
Foi aplicada a dinâmica de grupo “Gravidez é problema?”, em 21 alunos, entre 14 e 18 anos de idade, do ensino fundamental e médio de uma escola pública. Os alunos foram divididos em
cinco grupos e cada grupo recebeu uma frase indicando a situação a ser dramatizada. Os temas consistiam em: “uma adolescente grávida vai dar a notícia a seu namorado”; “um casal de
adolescentes em que a jovem está grávida equer ter o filho, mas o namorado quer que ela faça aborto”; “um casal de adolescentes no qual a jovem está grávida e pretende fazer o aborto,
mas o adolescente quer que ela tenha o filho”; “um casal de adolescentes conta aos pais sobre a gravidez da jovem” e “um casal de adolescentes conversando e orientando outro casal de
adolescentes que não perceberam ou refletiram os problemas de uma gravidez não planejada”. Dentre as reações, pode-se mencionar algumas a seguir: “ai que tudo amor! Eu sempre quis
ser pai, vou arrumar um emprego para cuidarmos do nosso anjinho”; “amor, eu sei que erramos, por isso devemos conversar com nossos pais para acharmos uma forma de cuidar do nosso
filho”; “você tá doida! Esse filho não é meu, eu não vou assumir filho de ninguém não, some da minha frente”; “aborta”, "não, porque aborto é crime e o casal devia entrar em acordo”. "Mas,
também, se ela entrou em acordo de não querer o filho, ele deveria respeitar a opinião dela, porque ela vai passar por um momento de parto e se ela acha o que é melhor pra ela ele deveria
aceitar e só apoiar”; “tentar conversar com os pais e descobrir qual a melhor opção"; "Se a menina não quiser fazer o aborto ela separa do rapaz"; "ela pede ajuda aos pais, se eles não
quiserem ela tenta criar sozinha”; “você deve tomar cuidado e procurar alguém para te orientar”; “tomar cuidado, há várias maneiras de se prevenir com anticoncepcionais”; “se você quiser
fazer sexo é só usar camisinha para se prevenir ok”.
Conclusões ou recomendações
De acordo com a dinâmica e a análise epidemiológica sobre a gravidez na adolescência, verificou-se uma carência de prevenção e promoção em saúde sexual dos adolescentes. Nesse
sentido, essa atividade, de baixo custo.
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Marcos Antonio da Silva Cristovam1, Mariana Vesco Diniz2, Paula Venturini Pivotto 2, João Victor Pereira de Sousa 2, Guilherme Fernandes Kula1, Sthefanny Josephine Klein Ottoni Guedes 1
1 UNIOESTE-CASCAVEL-PR
2 UNIOESTE-CASCAVEL
Introdução
Ligas acadêmicas são atividades extracurriculares que devem contribuir aos seus associados aprofundamento de conhecimento em áreas da medicina que na graduação são escassas. Este
trabalho avalia umaliga médico-acadêmica de pediatria vinculada a uma universidade pública e um hospital público do Oeste do Paraná. Atualmente, apresenta 23 ligantes ativos, do primeiro
ao quarto ano da graduação em medicina, e 1 docente médico coordenador.
Objetivos
A liga visa aprimorar a formação acadêmica, promovendo eventos aos discentes da área da saúde e à comunidade. Além disso, procura construir um processo sólido e permanente de ensino-
aprendizagem - sem fins lucrativos - por meio do tripé Ensino, Pesquisa e Extensão.
Relato de experiência
A liga avaliada é enriquecedora por vários fatores. Realizam-se reuniões mensais para discussão de casos clínicos em pediatria– oportunidade para que os discentes os relacionem com a
rotina do médico pediatra. Tais encontros são precedidos por um estudo individual, sob sugestão do coordenador da liga, estimulando o aprendizado ativo. Ademais, é possibilitada a
organização de eventos e a participação em congressos, inclusive, com a produção de trabalhos científicos, agregando experiência, habilidade e desenvoltura. Ainda, os ligantes acompanham
o atendimento no ambulatório de baixo rendimento acadêmico do hospital, fato que permite a observação do cotidiano e condutas aplicadas; apresenta os estudantes do ciclo básico ao
ambiente hospitalar, promovendo sua inserção e familiarização, além de propiciar um atendimento diferenciado à comunidade para crianças com baixo rendimento escolar. Por fim, viabiliza,
em concordância com as orientações do docente, a prática de técnicas de propedêutica apontadas nas disciplinas da grade curricular.
Conclusões ou recomendações
Logo, a inserção dos alunos na realidade prática da clínica médica, desde a base dos conhecimentos, através de discussões de casos clínicos e acompanhamento de prática ambulatorial
desenvolvida por profissionais da área, permite que os graduandos desenvolvam capacidades que vão além do campo da especialidade em questão. Conclui-se, dessa forma, que é a partir
de atividades extracurriculares, como asdesenvolvidas pela liga, que os alunos têm maior contato, desde os anos iniciais da graduação, com a realidade clínica, o que representa algo essencial
para sua formação.
85
APRENDIZADOS E ADVERSIDADES NA ORGANIZAÇÃO DE UMA CAMPANHA SOBRE O COMBATE AO TABAGISMO: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA PRÉ
CURRICULARIZAÇÃO DA EXTENSÃO
Andressa Ribeiro Lopes da Silva 1, Ana Clara de Fátima da Cunha Lemes 1, Milena Fabricio Rezende1, Ronan Marques Teixeira1, Igor Barreto Leite 1, Adriana Carvalho1
1 UFU
Introdução
Ultimamente, nas escolas médicas, há uma mobilização para a mudança do processo de aprendizado dos acadêmicos, colocando-os frente à organização de atividades e valorizando o eixo
da extensão na formação médica. Essa forma de ensino, por vezes, configura-se como uma experiência de superação de desafios como, por exemplo, coordenar um grupo, realizar
comunicação efetiva, buscar financiamentos para os trabalhos, encontrar locais propícios para edificar a ação, dentre outras exigências, as quais possibilitam ou inviabilizam concretizar essas
vivências.
Objetivos
Compartilhar desafios enfrentados na organização de uma campanha de extensão realizada por instituições estudantis sobre o combate ao tabagismo, ressaltando os pontos positivos e
desafiadores da ação para a formação profissional.
Relato de experiência
A ação extensionista foi realizada em um final de semana no quiosque de um parque público e de entrada franca. No sábado, a campanha transcorreu das 16h às 18h e, no domingo, das 08h
às 18h, respeitando- se a disponibilidade de reserva do quiosque e o horário de maior fluxo de indivíduos no local. O evento consistiu em dialogar com indivíduos que buscaram a equipe
sob livre demanda, preconizando os fumantes. Os estudantes da equipe organizadora elaboraram previamente um roteiro flexível para guiar a troca de experiências, além de um banner e
cerca de 500 folhetos informativos, custeados pelos próprios organizadores. Nos dias da ação, foram necessárias duas mesas e oito cadeiras para alocar os participantes que, dispostos à
mesa, tiveram suas pressões arteriais aferidas, expuseram suas dúvidas e compartilharam histórias acerca do tema. Ao final da abordagem, cada participante foi convidado a responder um
questionário estruturado para mensurar o impacto da campanha.
Conclusões ou recomendações
Portanto, é nítida a evolução pessoal no que tange à responsabilidade social dos desenvolvedores do evento, enfrentando desafios que envolvem gestão de pessoas, comunicação
interpessoal e corresponsabilidade entre discentes e docentes. Por fim, a experiência somou importante troca de valores entre estudantes e comunidade, adicionando vivências
enriquecedoras para a vida acadêmica e salutarpara a eficaz resolução de conflitos.
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A IMPORTÂNCIA DAS FERRAMENTAS DE ABORDAGEM NA ATENÇÃO DOMICILIAR: UM OLHAR DOS ACADÊMICOS DE MEDICINA
Lucas Campos Fanchiotti1, Paulo Victor Scherrer Machado 1, Vitória Viana Soares Barbosa Leal 1, Luana Elen Calau Alves Marinho1
1 UNIREDENTOR
Introdução
A integração dos discentes do curso de medicina ao território adscrito de uma Estratégia Saúde da Família (ESF), por meio das visitas domiciliares no eixo Integração-Ensino-Serviço-
Comunidade (IESC), éfundamental para a construção de um olhar crítico e realista sobre o processo saúde-doença no contexto biopsicossocial.
Objetivos
Relatar as experiências vivenciadas pelos acadêmicos de medicina e demonstrar a importância do papel das ferramentas de abordagem familiar.
Relato de experiência
Durante a formação acadêmica, os discentes do curso de medicina foram introduzidos ao contato com a comunidade por meio de metodologia ativa no módulo Integração-Ensino-Saúde-
Comunidade (IESC) e apartir das atividades práticas de visitas domiciliares aos pacientes necessitados de cuidado. Desse modo, no início do semestre foram apresentadas ferramentas de
abordagem familiar e implementadas as suas aplicações no desígnio do acompanhamento de uma família no território de uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde foram utilizados
instrumentos de abordagem familiar tais como genograma, ecomapa, escala de Coelho-Savassi e Plano Terapêutico Singular, para melhor compreensão do contexto e dinâmica
biopsicossocial da família. Sob esse âmbito, ao finalizar a confecção dos instrumentos de abordagem, através dos dados coletados e analisados pela equipe interdisciplinar da Atenção
Primária à Saúde e pelos discentes envolvidos, conseguiu-se uma melhor conduta na abordagem da família atendida como também uma melhor resolutividade na problemática.
Conclusões ou recomendações
Infere-se, portanto, que este tema viabilizou aos acadêmicos de medicina compreender a importância dessas ferramentas e sua aplicação, inerentes à Atenção Primária à Saúde. Além disso,
com essas ferramentas, foi possível incluir a família atendida de forma integral no serviço de saúde pública. Desse modo, as ferramentas de abordagem são imprescindíveis para coleta e
análise de informações da família por parte dos discentes e da equipe da Atenção Primária para otimizar o cuidado e resolutividade do serviço.
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Ana Carolina Gusman Lacerda 1, Geórgia Rosa Lobato 1, Ana Maria Pereira Brasilio 1, Mariana Lovaglio Rosa1, Maressa Duarte Lima Bomfim 1, Annita Fundão Carneiro dos Reis1
1 UNIFESO
Introdução
A saúde mental diz respeito ao bem estar físico, mental e social, no qual o indivíduo desenvolve habilidades pessoais, produtividade e torna-se capaz de lidar com os estresses diários e
contribuir com a comunidade que habita. Diversos fatores influenciam nessa condição de saúde ao longo de todas as etapas da vida, em especial na adolescência, fase na qual essa população
é atravessada por conflitos internos e externos, tais como sexualidade, relações interpessoais, questões físicas e mentais. No sentido de abordar tais temas, considerando a necessidade de
uma escuta sensível e acolhedora, a roda de conversa atua como uma ferramenta de diálogo que permite a expressão e a aprendizagem conjunta.
Objetivos
Elucidar a importância da roda de conversa como metodologia participativa na abordagem de temas de saúde mental entre adolescentes.
Relato de experiência
Ao longo do curso de graduação em Medicina e Psicologia, os discentes são incluídos em projetos de extensão interprofissionais, os quais possibilitam sua inserção em colégios da rede
pública e privada do município e a abordagem de temas relevantes e estabelecimento de propostas de intervenção. Em um desses encontros com alunos adolescentes de determinada
instituição escolar, os acadêmicos observaram uma demanda no que tange à saúde mental e necessidade da criação de um espaço de fala no qual os adolescentes pudessem se expressar.
Para tal, foi utilizada a ferramenta de roda de conversa. Inicialmente, as discentes realizaram uma fala sobre o conceito de saúde mental, que serviu de disparadora para um momento de
conversa entre os adolescentes. A roda de conversa proporcionou um espaço mais descontraído entre os alunos, que rapidamente se envolveram na proposta, trazendo suas falas e sensações.
Essas rodas foram compostas no sentido de promover mais autonomia ao coletivo de estudantes que participaram, num espaço de diálogo que permitiu a expressão e a aprendizagem em
conjunto, além da reflexão acerca do cotidiano, ou seja, de sua relação no mundo, na escola e na vida.
Conclusões ou recomendações
Nesse sentido, a roda de conversa mostrou ser um instrumento metodológico eficaz na detecção dessas questões para posterior intervenção. Além disso, proporcionou, para a equipe
discente, o desenvolvimentodas competências necessárias para a abordagem do tema como profissionais da saúde, assim como conferiu o substrato necessário para a expansão do projeto
para outras escolas, dado o sucesso desta intervenção.
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1 PREFEITURA GV
2 UFJF-GV
Introdução
Poucas pessoas realizam consulta médica pré-viagem, desencadeando riscos de adoecimento e de disseminação de doenças. Nesse contexto, a integração entre os cursos de medicina e
turismo pode funcionar como ferramenta de promoção e proteção da saúde.
Objetivos
Refletir acerca da vivência no minicurso “Doenças de impacto à saúde do viajante” ministrado por acadêmicos de medicina de uma universidade pública aos graduandos em turismo de outra
Instituição de EnsinoSuperior com a finalidade de capacitar futuros profissionais que vão lidar diretamente com viajantes.
Relato de experiência
O evento foi realizado a partir do convite feito pela coordenação do curso de turismo diante do cenário atual: a pandemia de Covid-19. Utilizou-se a apresentação em slides como recurso
educacional. Na atividade foram abordados aspectos clínicos, epidemiológicos e preventivos de doenças infectocontagiosas (difteria, tétano, sarampo, rubéola, febre amarela, febre tifoide,
poliomielite, febre maculosa, esquistossomose, histoplasmose e malária) e de ataques de animais peçonhentos. Também foram discutidas questões sobre a pandemia de Coronavírus e as
imunizações recomendadas em diversos destinos. O minicurso teve duração de quatro horas e contou com a presença de 40 alunos de turismo em nível de graduação e mestrado. Ao final,
aplicaram-se questionários para avaliar a relevância do trabalho e considerar sugestões dos participantes.
Conclusões ou recomendações
O curso gerou múltiplos benefícios à formação médica e capacitou turismólogos em potencial a fornecer orientações que podem contribuir para a garantia da saúde dos viajantes. Recomenda-
se a reprodução dessa experiência em outras localidades, a inserção da temática nas disciplinas da graduação, a divisão do assunto em módulos de maior tempo e a abordagem do assunto
por meio de métodos crítico-reflexivos.
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Yago Luis Gonçalves Pereira1, Lía Sousa Rocha1, Yan Victor Dos Santos Campos 1, Geraldo Ishak1, Mainã Cristina Santos dos Santos2, Lucas Matheus da Silva Castro2
1 UFPA
2 UEPA
Introdução
A interdisciplinaridade é considerada uma metodologia próxima do princípio da integralidade, denotando interação, reciprocidade, diálogo e consequentemente transformação, a fim de
propiciar a resolução de problemas de maneira articulada. No entanto, essa prática ainda é um desafio na formação médica, uma vez que nem sempre é aplicada, tendo como entraves a
individualização e a falta de comunicação entre os profissionais de diferentes categorias - fato evidente em ambientes com equipe multidisciplinar não coesa. Desse modo, ampliar a discussão
e ressaltar as potencialidades desta metodologia é um meio de atenuar os nós críticos e consolidar um currículo estruturado com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais.
Objetivos
Relatar a experiência de acadêmicos do quinto ano de medicina em um serviço de cirurgia geral a partir da perspectiva de aprendizagem com a equipe de enfermagem.
Relato de experiência
A clínica cirúrgica é um dos eixos que constitui o currículo do quinto ano de medicina em uma escola situada na capital paraense. Nesse módulo, os alunos atuam nos serviços ambulatorial,
de enfermaria e no centro cirúrgico em um hospital de referência em atenção terciária no Norte do Brasil. As atividades que competem aos discentes em atos operatórios consistem em
auxiliar, sob supervisão de preceptores, procedimentos de baixa a alta complexidade. Para inserção nesse setor, a equipe de enfermagem fez-se fundamental, participando do ensino de
práticas como: identificação e organização de instrumentais cirúrgicos; desinquinação e paramentação adequada; realização de suturas e introdução de dispositivos terapêuticos; e curativos
cirúrgicos. Associado a isso, esses profissionais também instruíram os discentes quanto a solicitação de insumos necessários às cirurgias e a elaboração de documentos essenciais para
realização dos procedimentos de maneira ética, segura e humanizada.
Conclusões ou recomendações
A aprendizagem no centro cirúrgico depende dos vários contextos apresentados aos discentes de medicina inseridos nessa prática. E, nessa variedade, encontra-se a interdisciplinaridade,
pela qual as relaçõescom diferentes profissionais de saúde são de grande importância. Além disso, vale ressaltar que a inserção dos discentes em cirurgias de pequeno e grande porte é de
extrema importância para o aprendizado tanto das técnicas cirúrgicas quanto das peculiaridades dos pacientes em todo peri-operatório.
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EVENTO TRANSDISCIPLINAR DE INFECTOLOGIA COMO PROMOTOR SIMULTÂNEO DE EDUCAÇÃO MÉDICA E DIRECIONAMENTO SOCIAL DE ÓRGÃOS PÚBLICOS:
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Victor Emanoel Santos Silva 1, Andreia Ferreira Nery1, Monica Baumgardt Bay1, Rafael Gevaerd Siqueira1, Raquel Ayres Cahú 1, Jorge Júnior Amorim de Freitas1
1 UFRN
Introdução
O controle de doenças endêmicas de uma região passa pela responsabilidade de diversos atores dentro de uma sociedade: médicos, sanitaristas, secretarias de saúde, laboratórios, atenção
básica e estudantesde medicina. Para que arboviroses, infecções fúngicas e pelo HIV sejam controladas, é necessário que haja diálogo e consciência social, individual e coletiva entre todos
esses atores, no sentido de que cada um exerça sua função para possibilitar o controle efetivo desses agravos.
Objetivos
Descrever a participação dos estudantes de medicina da Universidade nesse projeto educacional promovido por múltiplas mãos que lidam com as doenças infecto-contagiosas no Estado.
Relato de experiência
O projeto educacional foi um curso teórico com ênfase nas doenças infecto-contagiosas e negligenciadas de caráter endêmico na região. Elementos organizacionais e midiáticos ficaram sob
a responsabilidade de estudantes de uma liga acadêmica de medicina, que assumiu a recepção dos participantes do evento, artes promocionais, formulação de cronograma e o convite de
palestrantes. O evento foi dividido em 3 dias: o primeiro dia foi voltado para o cenário da micologia no estado; o segundo dia abordou discussões acerca das arboviroses; o terceiro dia
discutiu infecções crônicas e reemergentes. Todos dos dias foram compostos de palestras seguidas de mesas redondas e ciclos teoria-debate. Os momentos teóricos abordaram dois temas
distintos, ministrados por médicos, professores, membros da coordenadoria de vigilância epidemiológica, do centro de controle de zoonoses, secretaria de saúde pública, laboratório de
saúde pública, além da participação de Universidades. No primeiro dia, foram abordadas a epidemiologia, manifestações clínicas, diagnóstico e tratamento tanto de esporotricose como de
histoplasmose, além da apresentação de novas técnicas diagnósticas em doenças fúngicas. No segundo dia, as doenças abordadas foram dengue, zika e chikungunya, acompanhadas de
palestra sobre a história da Dengue no estado e uma mostra com exibição dos vetores em suas múltiplas fases de desenvolvimento. No último dia, o evento tratou da reemergência e das
manifestações clínicas do sarampo, além de análise clínico-epidemiológica da Hepatite C, do tratamento e da prevenção da infecção por HIV. Por fim, foi feita revisão deliteratura sobre a
infecção por monkeypox.
Conclusões ou recomendações
A experiência em questão demonstra a importância de promover o diálogo e a construção de pontes de conhecimento e de estratégias entre todos os atores responsáveis pela saúde pública.
Para além disso: ficou claro que a união entre os múltiplos atores consegue modificar cenários e elaborar soluções para problemas antigos.
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Vinicius Kaiser Queiroz1, Sara Peres de Aguiar2, Vanessa Oliveira Santos3, Christine Bouwman4, Diego de Carvalho Schenatto5, Natalia Carolina Franchini6
1 UFPEL
2 UNIFESP
3 FPS
4 FURB
5 SUPREMA
6 FPP
Introdução
No Brasil , mais de 3 mil crianças morrem vítimas de acidentes todo ano. Só em 2018, esse número chegou a 3.318. Desse total, mais de 50% das mortes corresponderam à faixa etária de 0
a 4 anos de idade. Ou seja, a cada 10 mortes de crianças de 0 a 14 anos, mais de 5 são de crianças de 0 a 4. Considerando que grande parte dos acidentes ocorridos na infância, tais como
intoxicações, atropelamentos ou acidentes detrânsito, sufocação, afogamentos, quedas, dentre outros, podem ser evitados ou ter os riscos inerentes a eles diminuídos; torna-se de extrema
importância a ação de educação e orientação dos pais por parte dos profissionais de saúde acerca das medidas que estes devem tomar para proteger seus filhos dos riscos associados aos
acidentes. Assim , devido à necessidade de intervenção e ampliação de ações educativas para prevenção de acidente foi criada a Campanha de Prevenção á acidentes infanto- juvenis.
Objetivos
Descrever o projeto de extensão, Campanha de Prevenção à acidentes infanto-juvenis, idealizado como uma estratégia para expandir o conhecimento nacionalmente acerca da prevenção
de acidentes, melhorando o cuidado e atenção à criança e ao adolescente.
Relato de experiência
A Campanha de Prevenção à acidentes infanto-juvenis, teve início em maio de 2021 e conta com a participação de 25 ligas acadêmicas de cirurgia pediátrica distribuídas por todo o país. O
público-alvo do projeto são os pais e responsáveis de crianças matriculadas em escolas brasileiras, sejam estas públicas ou particulares. Os estudantes participantes do projeto elaboraram
vídeos educativos, cada um com duração de 3min em média contendo informações importantes sobre a prevenção de acidentes na faixa etária pediátrica, os vídeos foram divididos em três
eixos, afogamento, acidentes de trânsito e sufocamento, cada grupo de estudantes escolhia formas de produzir que fossem mais didáticas, utilizando de animações, vídeos com objetos ou
encenações produzidos a partir do material literário e informativo desenvolvido por ONGs e referências nacionais na área. De modo a alcançar o público-alvo, os estudantes entraram em
contato com escolas fazendo parcerias para divulgar os materiais produzidos aos país e responsáveis. Essa divulgação é feita por e-mail e WhatsApp conforme a lista de transmissão
disponibilizada pela escola seja esta pública ou privada e localizada no estado no qual a liga acadêmica é institucionalizada.
Conclusões ou recomendações
A campanha levanta a bandeira da prevenção aliada a orientação e educação visando diminuir o número de acidentes com crianças. É de suma importância que esse conhecimento seja
difundido e tenha o maior alcance possível para mostrar que pequenos cuidados e ações no nosso dia a dia podem evitar acidentes, além de preservar a saúde da criança.
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REESTRUTURAÇÃO DO ESTÁGIO EM ATENÇÃO PRIMÁRIA E AVALIAÇÃO DO APRENDIZADO EM GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA: FORMAÇÃO MÉDICA E
COMPROMISSO COM A COMUNIDADE
1 UNICAMP
Palavras-chave: Pandemia por Covid-19; Educação Médica; Atenção Integral à Saúde da Mulher
Introdução
Medidas restritivas por conta da pandemia da COVID-19 restringiram as atividades práticas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), diminuindo a oferta de consultas à comunidade e
comprometendo o ensino dos estudantes. Diante disso, escolas médicas adotaram estratégias para minimizar o impacto na formação médica; é o caso da disciplina de Atenção Integral à
Saúde, que reestruturou o estágio do submódulo Centro de Saúde em 2022 para se adequar ao número restrito de alunos nas UBS disponíveis. Assim, justificou-se a análise dos resultados
provenientes da reestruturação, sobretudo em Ginecologia e Obstetrícia (GO), para avaliar as estratégias adotadas com potencial de ganho para o processo ensino-aprendizagem e
atendimento à população.
Objetivos
Avaliar os impactos da reestruturação do estágio na quantidade e qualidade de atendimentos de GO prestados à comunidade na UBS e a qualidade do ensino-aprendizagem dos alunos no
novo modelo de rodízio.
Métodos
O estudo se caracteriza como prospectivo e descritivo, de abordagem quantitativa e qualitativa dos dados da tabulação de atendimento da UBS, do Formulário Google das atividades nos
plantões e da autoavaliação na avaliação discente em 2022. No novo formato da disciplina, o ensino longitudinal em Clínica Médica, Pediatria e GO mudou para uma imersão semanal durante
11 semanas em uma única área; a carga horária na UBS foi reduzida, passando de 16 encontros de 4 horas para 11; o estágio de GO introduziu um novo campo de prática no Centro de
Atenção Integral à Saúde da Mulher para minimizar a redução das atividades na UBS. Neste estudo, foram incluídas duas turmas, correspondendo a grupos de 39 e 38 estudantes.
Resultados
Foram tabulados um total de 773 atendimentos, com uma média de 10 atendimentos por aluno e sem diferença significativa na média entre as turmas. Deste total, 257 atendimentos foram
de retorno, em média 3 por aluno. Os diagnósticos tabulados pelos estudantes coincidiram com as questões de saúde mais prevalentes em GO na atenção primária, como planejamento
familiar e anticoncepção, supervisão de gravidez e síndrome da menopausa e climatério, atendendo as necessidades da comunidade e a consolidação dos temas abordados pelos estudantes.
Além das práticas nas UBSs, os plantões noturnos permitiram que cada aluno realizasse em média 9 procedimentos, variando desde cardiotocografias até acompanhamento de partos por
cesárea. A avaliação discente demonstrou que mais de 50% dos respondentes conseguiram desenvolver as habilidades requeridas no estágio de GO de forma satisfatória, o que demonstrou
a efetividade da reestruturação da disciplina. Esses números mostram que não houve diferença significativa no número de atendimentos em cada turma em relação ao período em que
realizaram o estágio de GO, ao quadro epidemiológico da COVID-19 na cidade e ao grupo de alunos afastados, indicando que o modelo de ensino prático foi suficiente para atender o
desenvolvimento das habilidades práticas.
Conclusões
A reavaliação do ensino médico em busca da melhoria contínua, mesmo em contextos adversos, e a análise dos resultados, além de requerer profundas reflexões, demonstraram o
compromisso social da escola médica, não somente com a formação do futuro profissional, mas também com o impacto na saúde das pessoas, levando à compreensão da atenção primária
por meio dos tipos de diagnósticos em GO e ao aprimoramento da relação médico-paciente em diferentes campos de prática.
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Victória Tiemi Mori1, Matheus Henrique Corbalan Barbosa Del Cistia 1, Alan Henrique de Lazari 1, Taisa Rocha Navasconi Berbert 1, Lilian Brites Campos Shimada1, Marco Aurélio Marangoni1
1 CEI
Introdução
A comunicação é uma habilidade que facilita a construção da relação médico-paciente. Não é só importante para a coleta de dados para a anamnese ou transmitir informações, possui também
efeito terapêuticocapaz de apoiar e acalmar o paciente. Com isso, o desenvolvimento de habilidades socioafetivas na comunicação, como a empatia, é um elemento fundamental para o
médico em formação.
Objetivos
Compreender as dificuldades da escola médica em promover o desenvolvimento de habilidades socioafetivas.
Métodos
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura utilizando a base de dados PUBMED/Medline dos últimos 5 anos. Foram utilizados os descritores “empathy”, “socio-affective skills”, “medical
education” e “medicalstudents” em combinação com os operadores booleanos “AND” e “OR” entre si. Referências de artigos cruzados foram incorporadas na revisão.
Resultados
O desenvolvimento de habilidades socioafetivas como a solidariedade, respeito, cooperação e empatia são fundamentais para a boa prática médica, principalmente pelos sentimentos e a
impressão que o paciente construirá a partir do estilo comunicação do profissional. No entanto, estudos demonstram que essas habilidades tendem a diminuir entre os educandos em
medicina, principalmente quando ingressam na residência médica. Os fatores que acarretam essa diminuição ainda não são claros na literatura, acredita-se que práticas do currículo oculto
como o assédio e a humilhação tenham grande impacto. Não só, a sobrecarga, o pouco contato familiar e o choque de realidade que o curso proporciona podem ser fatores de igual
responsabilidade, principalmente pela idealização médica da mídia, que não compreende os sofrimentos causados pelas doenças e pela morte. Há ainda estudos que apontam que mulheres
mostraram mais qualidade ao desenvolver a comunicação verbal com o paciente, em comparação aos homens. Para a escola médica é um desafio perpassar por tais dificuldades. Estudos
indicam que práticas dentro das áreas de humanidades podem auxiliar no desenvolvimento das habilidades afetivas por meio de poemas, pinturas, trabalhos manuais com gesso e argila,
leituras individuais e coletivas sobre o sofrimento humano e o processo de luto. Não só, a simulação de atendimentos com feedback estruturado e debriefing auxiliam no processo de
compreensão das necessidades do outro e ao mesmo tempo, do desenvolvimento de empatia e expertise clínica. O reconhecimento da dificuldade que comunidade médica tem em
desenvolver habilidades empáticas, fez com que algumas escolas médicas reformulassem seu currículo a fim de sanar essa deficiência. Ainda, o ensino da empatia é uma questão ainda não
bem definida, pode envolver técnicas teóricas, práticas e observação da prática de médicos experientes. Estudos revelaram que aspectos práticos ensinados na faculdade sobre habilidades
interpessoais podem estimular essa habilidade no estudante. Antes do médico ser empático, ele deve ter vontade de ser um médico empático, em alguns casos há estudantes que hesitam
no desenvolvimento dessas práticas, mas a construção de uma boa relação médico-paciente aumentam as possibilidades do paciente seguir o tratamento e de resolução do caso clínico.
Conclusões
Diante da discussão, fica evidente a importância do desenvolvimento das habilidades socioafetivas. A empatia e a comunicação (verbal e não verbal), podem ser decisivas no desfecho clínico
do paciente. Por isso, é um desafio necessário que as escolas médicas estimulem essas habilidades em médicos aspirantes e residentes.
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PROJETO PODCAST DA SAÚDE SOBRE AMAMENTAÇÃO NA SALA DE ESPERA: CONTRIBUIÇÕES DOS ACADÊMICOS DE MEDICINA NO CENÁRIO DA ATENÇÃO
PRIMÁRIA
João Pedro de Oliveira Daflon1, Vitória Carolina de Oliveira1, Moreno Mathias Souza1, Ana Carolina Tamer Silvarinho 1, Daniel Martins Salonikio 1, Harumi Matsumoto1
1 UNIFESO
Palavras-chave: Promoção da Saúde, Atenção Primária à Saúde; Educação em Saúde; Salas de Espera; Aleitamento Materno
Introdução
As Diretrizes Curriculares Nacionais de 2014, para os cursos de graduação em Medicina, destacam o quanto é necessário que os estudantes estejam inseridos nos cenários de prática desde
o início de sua formação, desenvolvendo atividades relevantes e interagindo com usuários e profissionais de saúde. Nesse sentido, a partir de um diagnóstico situacional, os acadêmicos
desenvolveram uma atividade de educação em saúde, cujo público alvo eram gestantes, a fim de promover saúde, auxiliando no pleno desenvolvimento da gestação, do puerpério e do
lactente.
Objetivos
Apresentar a atividade de educação em saúde realizada na sala de espera por estudantes de medicina inseridos em uma Unidade Básica de Saúde da Família (UBSF).
Relato de experiência
Uma vez inseridos na UBSF, os estudantes foram apresentados à equipe de saúde, a qual explicou a realidade do local e as atividades a serem realizadas pelos acadêmicos. Logo, a fim de
promover o pleno desenvolvimento acadêmico e profissional dos estudantes, sob o fito de prepará-los para atuação em tais cenários, baseando-se na relação teórico-prática, esses realizaram
triagem. teste rápido sorológico para sífilis, HIV, hepatite B e hepatite C e Covid-19 nas gestantes, bem como acompanhamento do pré-natal. Neste contexto, foi verificado a importância de
orientar as grávidas sobre o aleitamento materno, seus benefícios, a pega correta e sanar possíveis dúvidas. Desta forma, os acadêmicos desenvolveram o projeto "Podcast da Saúde"
realizando orientações breves com linguagem acessível, apresentando a atividade "mitos e verdades sobre a amamentação", a partir de uma interação dinâmica com a paciente. Tal ação
consistia na discussão de temas pertinentes aos períodos de gestação, pós-parto e ao primeiro ano de vida da criança e foi realizada na sala de espera, transformando um tempo ocioso de
espera em um momento dinâmico e participativo, gerando um espaço estratégico para o desenvolvimento de dinâmicas de educação em saúde visando promover conhecimento e autonomia
para as gestantes.
Conclusões ou recomendações
Portanto, a inserção dos discentes nesses cenários foi capaz de impactar positivamente na qualidade de vida e na saúde daquele público, alvo das atividades de educação em saúde, mas
também ratificou aos estudantes o quanto a boa prática médica é baseada no rigor da ciência, nos conhecimentos de fisiologia, patologia, etc, mas também envolvem a empatia, o respeito
e a escuta ativa. Tais habilidades tornam-sefundamentais pois vão além dos conhecimentos teóricos permitindo o pleno desenvolvimento desse como profissional da saúde através do
exercício do cuidado.
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Ana Carolina Machado Nascimento1, Beatriz Maziero Alvim Cerqueira1, Maria Fernanda Noel Dias 1, Lara Lopes Ramos1, Camila dos Reis Neves1, Nathalia de Souza Abreu Freire1
1 FCMS/JF
Introdução
O Programa Integrador (PI) é um dos componentes centrais da estrutura curricular dos cursos de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Medicina e Odontologia de uma instituição de ensino
superior de Juiz de Fora, visando à indissociabilidade entre teoria e prática, à integração da Faculdade ao meio social local e regional, bem como à integração entre os diversos
acadêmicos/futuros profissionais. Constitui-se em umdos eixos básicos dos projetos pedagógicos dos cursos, articuladores do ensino, pesquisa e extensão. O PI ainda se insere no projeto
mais amplo de parceria entre a Faculdade e a Secretaria de Saúde da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora.
Objetivos
Apresentar a percepção dos discentes acerca do PI e sua importância na formação educacional médica, bem como os benefícios para com a comunidade e os estudantes
Relato de experiência
Através do PI é possível inserir-se em contextos reais de aprendizagem, por meio de ações em diferentes comunidades, integrando-se aos serviços de saúde no contexto do Sistema Único de
Saúde (SUS), além de desenvolver a capacidade de observar, intervir e registrar o meio sociocultural, as condições de vida, vínculo, acesso e autonomia das populações bem como o
desenvolvimento de um olhar relacional entre saúde e meio ambiente. Logo, os estudantes são capazes de identificar as características da população local, compreendendo que a sociedade
é formada por pessoas que pertencem a grupos étnicos-sociais distintos, bem como suas demandas, e a elas responder adequadamente. Assim, acompanhar e realizar ações relacionadas à
atenção primária à saúde (APS), por meio da atuação em equipes multiprofissionais, visando a promoção e prevenção de saúde é uma das partes mais importantes do PI.
Conclusões ou recomendações
O PI é um projeto essencial na formação acadêmica dos estudantes de Medicina, preparando-os para lidar com os pacientes de uma maneira integral, responsável e ética.
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1 UNILA
Introdução
A puericultura visa acompanhar sistematicamente a criança, avaliando seu crescimento e desenvolvimento, a fim de promover e manter a saúde, além de reduzir a incidência de doenças e
aumentar as chances de o infante atingir o pleno desenvolvimento. Dessa forma, consiste em uma importante ferramenta para garantia do bem-estar infantil. Nesse viés, a prática da extensão
universitária na puericultura possibilita que estudantes de Medicina possam ultrapassar a grade curricular e se inserir nas vivências práticas com a comunidade, garantindo a troca de
experiências e, assim, contribuindo com a assistência em saúde.
Objetivos
Relatar a experiência vivenciada durante as ações extensionistas realizadas por acadêmicos de Medicina de uma universidade pública.
Relato de experiência
As ações extensionistas foram realizadas em uma Unidade Básica de Saúde durante o período da tarde, tendo como público-alvo a comunidade local, especialmente pais, familiares ou
responsáveis por crianças. A partir das demandas visualizadas na Atenção Primária à Saúde (APS), foram evidenciadas dificuldades nos cuidados básicos com os recém-nascidos, dúvidas
acerca da amamentação e alimentação complementar e sobre manejo e prevenção de acidentes domésticos. Assim, os extensionistas se capacitaram junto à coordenadora do projeto por
meio de práticas em laboratório e prepararam intervenções específicas, com utilização de bonecos para demonstrações (manobra de Heimlich, por exemplo), materiais de higiene do recém-
nascido e coletes de mamas de tecido para ensino da técnica de aleitamento.
Ressalta-se que, no início da ação, os acadêmicos esclareceram que a extensão era voltada para a comunidade, de modo que os usuários se sentiam à vontade para participar ativamente e
contribuir com seuconhecimento prévio, possibilitando uma dupla troca de conhecimento. Ao final, a equipe convidou os participantes para praticarem as técnicas ensinadas, distribuiu
panfletos e discutiu sobre a contribuição do projeto, buscando feedbacks, sugestões e críticas.
Conclusões ou recomendações
Nota-se, portanto, que este projeto de extensão possibilitou a construção de conhecimento compartilhado seguro, técnico e científico com os usuários, visando a autonomia e o
empoderamento dos mesmos e, assim, garantindo uma melhora na qualidade de vida das crianças e de toda a família, além de estreitar os laços entre a universidade a comunidade local.
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A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA CRIANÇAS NO CONTEXTO DA PANDEMIA COVID-19: QUANDO A CASA É LUGAR DE PERIGO
1 UNESP
Introdução
A violência doméstica contra a criança é um grave problema de saúde pública, tendo em vista magnitude e perda de potenciais anos de vida. Durante a pandemia de COVID-19, estudiosos
da área alertaram para a vulnerabilidade que as crianças teriam que enfrentar, dada a maior permanência em casa juntamente com seus familiares, frequentemente apontados pela literatura
como os principais agressores. Sobretudo, por se tratar de um problema que muitas vezes chega disfarçado nos atendimentos médicos, é digno de nota a necessidade de se abordar cada
vez mais tal temática dentro da educação médica, uma vez que profissionais da saúde mais atentos são fundamentais na identificação e na deflagração do fim dessas violações.
Objetivos
Analisar casos de violência doméstica contra crianças noticiados pela imprensa, durante a pandemia da Covid-19.
Métodos
Trata-se de um estudo transversal com fontes de dados secundários, matérias jornalísticas veiculadas em “sites” de acesso público de jornais de grande abrangência nacional, no período de
20 de março de 2020a 31 de agosto de 2021, compreendendo período de um ano e cinco meses e onze dias de distanciamento social no Brasil. Para a coleta de dados das matérias
jornalísticas, foi utilizada a ferramenta digital “Google Notícias”, aplicando-se determinadas expressões de busca tais quais: pais matam filho 2020, pais matam filho 2021, criança morta pelos
pais 2020, criança morta pelos pais 2021, mãe mata filho 2020 e mãe mata filho 2021. Serão incluídas neste estudo, noticias nacionais, que estejam no período preconizado (março/2020 a
agosto/2021) e que abordem violência doméstica e assassinatos por pais/padrastos/madrastas contra crianças de 0 a 12 anos completos.
Resultados
O referido estudo encontra-se, neste momento, na fase de discussão dos resultados obtidos. Durante o período analisado, encontrou-se 134 casos noticiados pela imprensa digital, sendo
que destes, 53 tiveram participação da figura paterna, 51 da materna, 40 do padrasto e 10 da madrasta. Já no quesito distribuição geográfica, percebeu-se que a distribuição por regiões
brasileiras dos casos se deu com grande predomínio da região Sudeste, concentrando 62 dos ocorridos, ou seja, quase metade deles, seguida pelas regiões Centro-Oeste com 30, Nordeste
e Sul com 18 e Norte com apenas 6 noticiados. Outros aspectos importantes observados foram o predominante comportamento de crescimento em números, ao longo do período, desse
tipo de notícia e a maior quantidade de vítimas masculinas, 96 crianças, em comparação com as femininas, 52. Além disso, as faixas etárias se distribuíram da seguinte forma entre as vítimas:
de 0 a 3 anos com 48 crianças, de 7 a 9 com 42, de 4 a 6 com 35 e de 10 a 12 com 25. Por fim, a incidência dos tipos de agressões foram, em ordem decrescente, castigos físicos com 69
casos, assassinatos com 61, abuso sexual com 47, negligência com 27 e tentativa de assassinato com 2.
Conclusões
Entender esse cenário é de fundamental importância na educação médica, a medida que possibilita diagnósticos de violência infantil antes de situações mais trágicas como os assassinatos.
Desse modo, as dinâmicas relacionadas à violência infantil elucidadas por esse estudo conseguem construir o que seria uma noção basal a respeito do que ainda se enfrenta em termos desse
problema. Isso, por conseguinte, propicia um elemento constitutivo na formação do futuro médico, sendo, portanto, fator de responsabilidade não só educacional como também social das
escolas médicas.
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Karolliny Patricia Gomes1, Arthur Anjo Ferreira1, Vagner Vieira Rodrigues 1, Isabelle Schitini Pereira1, Lisandra Teles Rangel Pinto Guedes 1
1 UNIFESO
Introdução
A adolescência é um período de grandes mudanças biológicas e descobertas no âmbito sexual, psicológico e na compreensão de novos desafios. Os adolescentes estão iniciando a vida
sexual precocemente, antes mesmo de completarem 15 anos de idade e com pouca informação que possa instruí-los sobre sua sexualidade e as transformações que estão ocorrendo em seu
corpo, tornando-os suscetíveis a uma gravidez precoce e/ou adquirirem infecções sexualmente transmissíveis, como a sífilis, dentre outras.
Objetivos
Relatar a prática dos acadêmicos de medicina em relação à educação sexual junto a adolescentes em fase escolar.
Relato de experiência
Com a inserção dos estudantes do Curso de Medicina no cenário prático, surgiu uma demanda voltada aos altos índices de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e gravidez na
adolescência. Diante disso, foi decidido desenvolver um projeto voltado ao público adolescente, entre 13 e 15 anos de idade, a fim de apresentar o direito de uma vida sexual segura, através
de informações sobre a importância do uso de métodos contraceptivos, suas especificidades e prevenção de ISTs. Com auxílio da preceptora, os graduandos selecionaram uma escola para
possibilitar a realização da abordagem desse tema. Os acadêmicos de Medicina foram divididos em três grupos onde apresentaram a temática “gravidez na adolescência e as ISTS" para cada
sala. Iniciaram a abordagem dos assuntos com uma dinâmica feita utilizando placas de mito ou verdades sobre as perguntas e/ou frases propostas pelos acadêmicos do ensino superior
acerca do tema, no intuito de abordar a temática de forma lúdica. Os graduandos terminaram suas apresentações com uma caixa de dúvidas, onde os alunos tiveram a oportunidade de fazer
questionamentos de forma anônima a serem respondidas. Ademais, foram colocados nos murais da instituição de ensino cartazes com informações acerca do tema para ilustrar ainda mais o
assunto apresentado na palestra.
Conclusões ou recomendações
Tendo em vista o trabalho realizado com os alunos da escola municipal, foi evidente a carência de informações dos estudantes quanto a métodos contraceptivos e prevenção a ISTs. É notório
que a falta de informações prévias e a dificuldade de acesso as mesmas são os principais fatores desencadeadores dessa problemática, tendo em vista que a maioria dos jovens não recebem
a devida educação sexual nas escolas e no ambiente familiar. Ademais, sabe-se que além de uma gravidez precoce o número crescente de casos registrados de ISTs é alarmante, o que afeta
não só a saúde física do indivíduo, como também a mental. Com isso, o incentivo e auxílio de profissionais qualificados para apresentar e explicar a importância não só de métodos
contraceptivos, mas também da prevenção contra ISTs é de suma importância para adolescentes.
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Estevão Cruz dos Anjos1, Elitiele Ortiz dos Santos1, Eduardo Vieira da Rosa 1, Vinícius Menegassi Pestana1, Natan Roberto Oliveira Schmidt 1, João Marcos Gomes Chagas1
1 UNIPAMPA
Palavras-chave: Saúde Coletiva; Educação Médica; Estratégia Saúde da Família; Sistema Único de Saúde
Introdução
Com o advento do Sistema Único de Saúde (SUS), fez-se necessárias diversas adaptações na realidade do ensino médico brasileiro, como a inserção dos acadêmicos nas Estratégias Saúde
da Família (ESF), nos espaços da comunidade e no núcleo familiar a partir de uma abordagem biopsicossocial. A transição do modelo mecanicista para o modelo biopsicossocial trouxe
importantes melhorias para a formação acadêmica dos estudantes de medicina e consequentemente para a sociedade, aproximando os futuros profissionais da realidade de vida das pessoas
e das suas necessidades biopsicossociais.
Objetivos
Relatar a experiência de um grupo de estudantes de medicina em estágios práticos em uma ESF no estado do Rio Grande do Sul, sob a perspectiva da formação acadêmica.
Relato de experiência
A prática na ESF foi desenvolvida como parte do componente curricular de Saúde Coletiva II do segundo semestre do curso de medicina, no mês de maio de 2021. O grupo foi composto de
cinco acadêmicos supervisionados por uma facilitadora docente. As atividades envolveram a familiarização com o ambiente da ESF e do bairro na qual ela está inserida, visitas domiciliares
supervisionadas, acompanhamento do trabalho dos Agentes Comunitários de Saúde, além da participação na campanha de vacinação contra a COVID-19. Durante a prática, foi realizada a
avaliação de uma família com a construção de um Ecomapa e um Genograma (EG) a fim de conhecer a dinâmica familiar e elaborar estratégias de intervenção. Concomitante isso, foram
realizados momentos de revisão sobre os princípios e diretrizes SUS articulados a prática da ESF, bem como, um momento final de reflexão sobre a experiência, com a presença de todos os
profissionais de saúde da ESF.
Conclusões ou recomendações
A escola médica e sua inserção nos serviços e territórios, desempenha um importante papel na sociedade, seja pelo aperfeiçoamento das habilidades dos acadêmicos nos aspectos de uma
atenção integral, promoção da saúde, e trabalho interdisciplinar, como pelas contribuições junto às equipes compartilhando saberes e os desafios do trabalho. É possível observar que as
atividades práticas são orientadas para uma formação profissional que busca atender os princípios do SUS, e que possa colaborar com sociedade na garantia dos direitos e no acesso à saúde.
Nesse sentido, percebe-se a responsabilidade da escolamédica no contexto da formação acadêmica, no trabalho das equipes de saúde, e para a sociedade.
100
DOAÇÃO DE CORPOS PARA O ENSINO E A PESQUISA: A RESPONSABILIDADE DA EDUCAÇÃO MÉDICA NA CONSCIENTIZAÇÃO DA COMUNIDADE SOBRE ESSA
PRÁTICA
1 UNIPAMPA
Introdução
O ensino da anatomia humana, conteúdo essencial para a formação acadêmica na área da saúde, possui diversas ferramentas ao seu dispor, tais como peças sintéticas, modelos digitais ou
peças anatômicas cadavéricas. Dentre elas, o uso de peças humanas reais, além de ser mais fidedigno, também proporciona reflexões éticas ao estudante e cria uma relação de respeito e
cuidado entre o acadêmico e o corpo humano. No entanto, a temática envolvendo a doação de corpos ainda enfrenta diversos preconceitos e tabus - guiados por crenças pessoais e pela
desinformação -, e diversas Instituições de Ensino Superior sofrem com a escassez de cadáveres para fins de estudo e pesquisa, ficando limitadas aos recursos sintéticos e digitais. Diante
disso, tendo em vista o dever que a escola médica possui em praticar sua responsabilidade social, o projeto “Doação Voluntária de Corpos” de uma Universidade do Sul do país realizou
campanhas em feiras do município, a fim de promover informação sobre a doação de corpos, bem como conscientizar a comunidade sobre a importância desse gesto para a formação
acadêmica dos futuros profissionais da saúde.
Objetivos
Informar e conscientizar a comunidade a respeito da importância da doação de corpos para fins de ensino e pesquisa, através de campanhas e ações realizadas nas feiras municipais.
Relato de experiência
Foram realizadas ações mensais durante as feiras municipais, de dezembro de 2021 a junho de 2022. Foram produzidos banners e panfletos educativos voltados a dúvidas frequentes sobre
a doação de corpos, tais como: “O que é a doação de corpos?”; “Qual é a importância desse gesto?”; “Quem pode realizar a doação?”; “Qual é o passo-a-passo para a doação?”; “Quem terá
acesso ao corpo?”, entre outras. Durante as ações, os acadêmicos e docentes envolvidos com o projeto, além de explicarem e esclarecerem dúvidas daqueles que possuíam interesse no
tema, também buscavam uma abordagem ativa de indivíduos pela feira, de modo a expandir o público-alvo e disseminar informações sobre a doação de corpos, de forma clara e acessível,
para o maior número de pessoas.
Conclusões ou recomendações
Diante de quão essencial se faz a utilização de cadáveres para o estudo da anatomia e para a construção de profissionais mais humanizados e éticos, é de fundamental importância que ocorra
uma maior disseminação de informações à comunidade sobre a doação voluntária de corpos para o estudo e a pesquisa, através de campanhas que visam à conscientização da população
sobre a importância desse gesto para a formação médica.
101
Jacqueline Costa Teixeira Caramori 1, Sumaia Inaty Smaira 1, Eliana Goldfarb Cyrino2, Denise de Cássia Moreira Zornoff 3, Renata Maria Zanardo Romanholi4, Aristides Augusto Palhares Neto2
1 FMB -UNESP
2 FMB -UNESP
3 FMB-UNESP
4 FMB- UNESP
Introdução
Diante da obrigatoriedade de cumprir a Diretriz para Curricularização da Extensão na Educação Superior Brasileira o curso de medicina de universidade estadual promoveu uma alteração
curricular para incluir umsexto eixo formativo: "Extensão em Saúde", somando aos cinco já existentes nesse currículo: 1 - “Biológico”; 2 – “Integralidade do Cuidado”; 3 – “Habilidades Médicas”;
4 – “Método e Raciocínio Científico”; 5 – “Optativas”.
Objetivos
Apresentar como contemplou-se 932 horas de extensão no curriculo médico, sem aumentar a carga horaria total do curso.
Relato de experiência
Criação da Disciplina interdepartamental “Extensão Universitária na Saúde” promoverá a contextualização da Extensão, histórico, entendimento da extensão na formação universitária. A
disciplina será obrigatória, na 1ª série do curso, de responsabilidade interdepartamental e interdisciplinar. Reconhecimento das ações extensionistas já existentes no curriculo de 1ª a 3ª série,
identificação de unidades curriculares, que desde a sua origem trabalham com a concepção extensionista de integração social e comunitária, presentes nesse currículo no eixo da Integralidade
do Cuidado, contemplando o ensino direcionado às questões relevantes da sociedade, da troca entre o conhecimento acadêmico e do saber popular. No Internato, foram destacados estágios
de caráter extensionistas, onde atividades são realizadas em serviços que integram o SUS e tem clara interação com a população e suas vulnerabilidades, são aqueles que ocorrem na rede
de Atenção Primária à Saúde, com a formação em serviço com outros modelos de supervisão, permitindo desenvolver, além da assistência com cooperação interprofissional, a gestão,
prevenção e promoção da saúde de forma contínua. Houve inserção de ações extensionistas no Eixo do Método e Raciocínio Científico, projetos que os universitários irão as escolas municipais
para integração, promover oportunidade de divulgação, orientação e informação profissional para alunos do ensino médio. Nas optativas, se reunirá um conjunto de projetos e atividades
institucionais, com intenção de promover saúde e bem-estar, educação de qualidade, redução das desigualdades e dos impactos ambientais, favorecendo a integração da população à
Agenda 2030. Além disso, serão registradas como atividades complementares de extensão - ações episódicas, de caráter educativo, cultural, científico ou tecnológico - cursos, eventos,
prestação de serviços, produções e publicações, que vem sendo incorporadas gradualmente no decorrer da formação.
Conclusões ou recomendações
A partir do novo eixo serão moldados programas, nas ações da Interação Universidade Serviço Comunidade; e na visibilidade para Agenda 2030. Assim como haverá caracterização da
prestação de serviçosconstituída de assistência e do serviço técnico especializado sem romper com principios dialógicos com a sociedade e a interdisciplinaridade.
102
ACESSO E ACESSIBILIDADE NA ESTRATÉGIA DA SAÚDE DA FAMÍLIA: REPENSANDO O CUIDADO A PARTIR DO MAPEAMENTO DO TERRITÓRIO
Maria Alice de Carvalho Castilho Domingues1, Luís Felipe Bastos Caldararo 1, Gabriel Gaspar Vidal1, Julliana Rodrigues de Almeida 1, Luciana Pereira Moulin1
1 UNIREDENTOR
Palavras-chave: Territorialização da Atenção Primária; Acesso aos Serviços de Saúde; Estratégia de Saúde da Família
Introdução
Embora o direito à saúde seja instituído por meio da Constituição Federal de 1988, muitos desafios perpassam o processo de implementação dos princípios e diretrizes do Sistema Único de
Saúde (SUS). A garantia de acesso e acessibilidade à Estratégia Saúde da Família (ESF) é parte fundamental da construção dessa ideia, no entanto, dada a extensa composição do território
nacional e outras variáveis adianteabordadas, são observados limites à completa cobertura da Atenção Básica no Brasil.
Objetivos
Analisar as dimensões do acesso e acessibilidade na Estratégia Saúde da Família a partir do olhar construído no processo de territorialização.
Relato de experiência
Estudantes de Medicina do segundo período de uma Instituição de Ensino Superior do Estado do Rio de Janeiro (RJ), a partir de ações em saúde e territorialização de uma microárea,
identificaram problemáticas específicas relacionadas ao debate sobre acesso e acessibilidade no SUS. Sabendo-se que acesso é o recurso propriamente dito, e, acessibilidade, os meios pelos
quais se alcança tais recursos, é de conhecimento geral que o território e sua geografia afetam a dinâmica destes. Ou seja, para que a população consiga chegar ao lócus físico da Unidade
de Saúde - acessibilidade - ela enfrenta um conjunto de desafios de cunho estrutural, que são foco deste trabalho. Para além disso, temos a dimensão ampliada do acesso, no sentido de que,
ao chegar ao local, o atendimento - recurso propriamente dito - pode não ocorrer. Foi observado na microárea a presença demasiada de ruas desniveladas e íngremes, becos, terrenos
baldios, pontos de tráfico, além de lixo e alagamentos em períodos chuvosos. Sendo assim, o públicoque ali reside encontra diversas dificuldades para garantir seu direito à saúde, uma vez
que o contexto territorial impossibilita ou dificulta a relação entre a população adscrita e a Atenção Básica. Tal cenário também inviabiliza a chegada do ACS e equipe interdisciplinar à
comunidade. Além dessa discussão sobre a acessibilidade, é necessário pensar que, mesmo que os usuários cheguem às unidades de saúde, as práticas podem ser não resolutivas, o que
evidencia barreiras em relação ao acesso e sua ineficiência.
Conclusões ou recomendações
É evidente a relevância da territorialização para os estudantes de medicina, uma vez que é possível o contato com a realidade de grande parcela da população brasileira. Sendo assim, formam-
se médicos maiscientes das mazelas enfrentadas no país, o que modifica positivamente a relação médico-paciente e cria profissionais ativos diante das desigualdades sociais.
103
Victor Felipe de Oliveira 1, Rita de Cássia Fossati Silveira Evaldt 1, Jacson Michel Obinger dos Santos1, Sabrina Nesi1, Eduarda Christina Assis de Miranda1
1 UNIPAMPA
Palavras-chave: Promoção da Saúde; Educação Médica; Saúde da Mulher; Salas de Espera; Relações Comunidade-Instituição
Introdução
A universidade é um lugar onde a difusão e a propagação do conhecimento constituem seus principais fins, mais do que a descoberta científica em si. Diante disso, a extensão universitária
consiste em uma atividade que possibilita diálogos e reflexões sobre experiências vivenciadas, ocupando um papel fundamental na promoção de ações transformadoras que desenvolvam a
autonomia do indivíduo. Queixa comum entre as mulheres, o corrimento vaginal consiste na eliminação de líquido através da vagina, podendo ser fisiológico, decorrente de alterações
hormonais normais, ou patológico, resultante de um processo infeccioso ou inflamatório causado por fungos, bactérias ou protozoários. Devido ao desconhecimento sobre esse assunto, o
corrimento vaginal é uma queixa muito frequente em consultas médicas, sendo motivo de preocupação, já que as informações sobre esse tema são escassas para muitas mulheres. Dessa
forma, discentes de Medicina de uma Universidade Federal fronteiriça realizaram um projeto de extensão com o objetivo de difundir informações acerca de secreções vaginais.
Objetivos
Relatar uma ação de “Sala de Espera” em que discentes de Medicina de uma Universidade do Sul do país, compartilharam informações acerca da fisiologia normal e patológica dos corrimentos
vaginais com asusuárias da Unidade de Saúde da Mulher do município em que a Universidade atua.
Relato de experiência
Inicialmente, foram confeccionados materiais descritivos e ilustrativos sobre secreções vaginais fisiológicas e patológicas de três grupos distintos: mulheres em idade fértil, gestantes e
puérperas. Em seguida, foram realizadas duas atividades em dois dias distintos pela manhã na sala de espera da Saúde da Mulher no posto central da cidade. As mulheres que aguardavam
para realizar suas consultas e exames foram convidadas, pelos discentes, para conversar sobre o tema e todas aceitaram participar. Elas foram introduzidas na atividade sendo questionadas
sobre seu conhecimento prévio acerca da temática e a partir disso iniciou-se a conversa com a exposição por parte dos estudantes. Ao todo, participaram da atividade cerca de 30 mulheres,
dentre elas, 6 gestantes. Algumas estavam acompanhadas das filhas, as quais também se envolveram na discussão. Ao fim, elas receberam um cartão de visitas com um QR code, onde foi
hospedado todo material produzido, para que elas pudessem consultar posteriormente em caso de dúvidas e interesse em saber mais sobre o tema. Além disso, foi fixado um pôster na sala
de espera da Unidade de Saúde com o mesmo QR Code, o qual teve 27 acessos, no total.
Conclusões ou recomendações
Diante desse cenário, ações acerca da saúde da mulher se tornam imprescindíveis, a fim de propagar e reafirmar conceitos inerentes à fisiologia normal e patológica do sistema reprodutor
feminino, reduzindomitos e tabus acerca da sexualidade feminina, para que a população tenha ciência das formas mais adequadas de zelar pela própria saúde e bem-estar físico, psíquico e
emocional.
104
Ana Luisa Rigolin Ferreira Barbosa1, Thaíssa Diogo Gonçalves1, Larissa Nascimento de Farias 1, Gabriel Baptista Antonio1, Beatriz de Jesus Oliveira1, Carla Adriene da Silva Franchi1
1 FMB-UNESP
Palavras-chave: Ensino superior; Educação médica; Formação profissional; Desigualdades sociais; Relações comunidade-instituição
Introdução
O cenário de formação acadêmica no país é bastante elitizado, dado que a maioria dos ingressantes nas universidades públicas são de escolas privadas, que apresentam um crescimento na
qualidade de ensinoem detrimento do sucateamento da educação pública, principalmente do nível médio. Sob tal perspectiva, destaca-se o projeto de extensão universitária de um cursinho
pré-vestibular gratuito, de uma universidade pública do interior paulista, que objetiva fornecer à população menos favorecida da cidade e de seu entorno o acesso à uma educação de
qualidade com foco no preparo para os principais vestibulares do país.
Objetivos
Descrever e debater a experiência em extensão universitária de um cursinho pré-vestibular popular conduzido por discentes de uma escola médica pública do interior do estado de São Paulo.
Relato de experiência
Como atividade extensionista, o cursinho é coordenado pelos discentes da faculdade de medicina, tem mais de 20 anos de atuação, e hoje conta com uma equipe de 55 professores e 30
coordenadores, além de outros discentes que exercem atividades anexas à rotina de aulas. Fruto da união do Centro Acadêmico e da Pró-Reitoria de Extensão, no ano de 2022 foram
oferecidas 150 vagas, sendo 85% destinadas a alunos de escola pública; tal iniciativa tem como fundamento reverter essa tendência de exclusão e privilégios no que tange o ingresso nas
universidades públicas. Para oferecer um ensino amplo e de qualidade, ocursinho abrange desde os assuntos cobrados no vestibular, como também oferece auxílio psicológico e tutorias de
estudo, a fim de dar o suporte necessário, democratizando o acesso ao ensino superior. O impacto desse trabalho é visto pelos resultados alcançados em 2021, que mesmo com aulas
ministradas de forma remota, obteve 28 aprovações em variados cursos dos principais vestibulares.
Conclusões ou recomendações
A partir das discussões deste relato, observa-se que o cursinho pré-vestibular gratuito cria oportunidades reais de ingresso ao ensino superior para esses estudantes de escola pública, além
de executar a funçãode extensão universitária, ao permitir que os estudantes de medicina tenham um contato com contextos sociais diferentes dos seus de origem e uma formação social
mais ampla.
105
Veronica Almada Benítez1, Thiago Luis de Andrade Barbosa1, Monica Augusta Mombelli1, Ludmila Mourão Xavier Gomes1
1 UNILA
Introdução
As visitas domiciliares podem ser entendidas como um valioso recurso para a assistência à saúde, visto que, possibilitam o conhecimento sobre onde o usuário do serviço reside, como é sua
dinâmica familiar e social e, como estes fatores interferem no processo saúde-doença. Enquanto ferramenta de assistência exige dos profissionais de saúde habilidades e competências
imprescindíveis para mediar a comunicaçãohorizontal, a interação e o planejamento de ações de cuidado. Tem por objetivo educar, conscientizar, orientar e construir estratégias conjuntas
de cuidado em saúde. Caracterizam-se como uma tecnologia leve de cuidado, por possibilitarem um encontro entre pessoas e permitirem a criação de um espaço intersubjetivo. Estes
momentos são permeados por diálogos, observações, escuta qualificada, histórias, vínculo e acolhimento. Diante dos benefícios da visita domiciliar (VD) é premente refletir sobre o uso da
mesma enquanto estratégia de ensino-aprendizagem e aproximação social durante a formação médica.
Objetivos
Relatar a experiência da VD realizada por acadêmicos do curso de Medicina junto a profissionais que integram a equipe multiprofissional de um Centro de Nutrição Infantil na região oeste do
Paraná.
Relato de experiência
Os acadêmicos do curso de Medicina acompanharam o trabalho de três profissionais membros da equipe multiprofissional de um Centro de Nutrição Infantil as visitas domiciliares. Durante
as visitas os acadêmicos faziam o registro das informações em um formulário próprio de coleta de dados do paciente e familiares, bem como as orientações realizadas. No decorrer da
experiência, foi possível observar ocontexto socioeconômico e os desafios impostos aos familiares e a própria equipe. Também a articulação teórico-prática, a exemplo da educação popular
em saúde, seus princípios e o modelo dialógico de intervenção.
Conclusões ou recomendações
Por fim, a VD possibilita a inserção em diferentes cenários de ensino-aprendizagem oportunizou ao acadêmico o conhecimento e a vivência de situações variadas de vida, da organização da
prática e do trabalhoem equipe interprofissional. Destarte, potencializou a reflexão sobre a necessidade de reorientação do processo de trabalho em saúde visando o estabelecimento de
vínculo e compromisso dos profissionais na resolutividade dos problemas dos usuários de forma integral e humanizada. Esta temática deve ser fazer presente nos espaços de formação, para
que o discente tenha o conhecimento e a vivência sobre as estratégias de operacionalização da VD na prática da assistência domiciliar em saúde, de forma ampla, contextualizada e
problematizadora.
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DESAFIOS E ENFRENTAMENTOS NA BUSCA POR SENSIBILIZAR JOVENS E ADULTOS QUANTO À PREVENÇÃO DE DOENÇAS CRÔNICAS NÃO TRANSMISSÍVEIS
Gabriel Bilar Aguilar1, Ettore Rafael Mai Almeida 1, Rafaela Caroline de Souza1, Ricardo Silva Carvalho1, Carla Adriene da Silva Franchi1
1 FMB-UNESP
Palavras-chave: Educação Médica; Educação em Saúde; Prevenção de Doenças; Doenças não Transmissíveis; Integralidade em Saúde
Introdução
No contexto socioeconômico atual do Brasil, observa-se o aumento da inflação e a precarização das condições laborais, que expõem grande parte da população a jornadas de trabalho
extenuantes com remuneração insuficiente. Diante disso, muitas pessoas têm dificuldade para aderir às orientações médicas acerca das mudanças no estilo de vida necessárias para a
prevenção de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNTs), como a prática regular de exercícios físicos e a busca pela alimentação equilibrada. Assim, considerando o alto índice de
morbidade e mortalidade das DCNTs no país, foi criado um projeto de extensão, vinculado a uma universidade pública, que objetiva encontrar alternativas a esse cenário junto da população
pertencente ao ensino médio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Objetivos
Relatar a experiência de um projeto de extensão universitária que atua em escolas públicas da EJA do município com foco na prevenção de DCNTs.
Relato de experiência
O projeto conta com acadêmicos do 3º e 4º anos de Medicina que, sob orientação docente, elaboram materiais educativos sobre a prevenção de DCNTs e promovem rodas de conversa
com alunos da rede pública da EJA. Na elaboração dos materiais educativos, como, por exemplo, slides e folhetos explicativos sobre temas como Aterosclerose ou Diabetes Mellitus, é
priorizada a atenção à linguagem e a utilização de analogias que aproximem os conceitos científicos do cotidiano dos ouvintes. Esses materiais são levados para as conversas presenciais nas
escolas, onde os acadêmicos de Medicina adquirem experiência tanto em falar sobre a prevenção de DCNTs quanto em ouvir atentamente a devolutiva dos jovens e adultos através das
dúvidas e comentários. A partir dessa escuta, os discentes têm identificado e discutido os principais desafios pontuados pela população, a saber: falta de tempo para se exercitar e/ou cozinhar
refeições caseiras e mais saudáveis; dificuldades financeiras na aquisição de alimentos; e desinteresse ou cansaço que desestimulam a prática de exercícios físicos. Com a discussão desses
pontos, os acadêmicos têm pensado, pesquisado e devolvido para essas pessoas alternativas para facilitar a adesão às práticaspreventivas de DCNTs. Assim, passou a fazer parte também
das rodas de conversa a divulgação de grupos de atividade física realizados por unidades de saúde, a apresentação das hortas comunitárias que existem no município, o fornecimento de
folhetos com receitas saudáveis e de fácil preparo e o incentivo a consultas preventivas na atenção primária.
Conclusões ou recomendações
Tem-se como perspectiva na condução desse projeto a de que a educação em saúde auxilia a população a se apropriar do conhecimento sobre como funcionam as doenças e as formas
efetivas de concretizar aprevenção de seus fatores de risco, levando, portanto, ao maior engajamento no enfrentamento diário das condições sociais que afetam a saúde dos indivíduos.
107
Guilherme Paes Gonçalves Nogueira 1, Felipe Baptista Brunheroto1, Henrique Santos de Freitas Andre1, Felipe Lopes Porto Pereira1, Gabriel Soares e Silva1, Nathan Mendes Souza1
1 UFMG
Palavras-chave: Estudantes de medicina; Simulação Realística; Educação Médica; Exame Médico; Pandemia Covid-19
Introdução
O Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos (Revalida) é um exame que avalia a suficiência clínica de médicos diplomados por Instituições de Ensino Superior estrangeiras e
permite, legalmente, a revalidação dos diplomas e a atuação médica no Brasil. Para garantir uma seleção confiável e válida, o processo conta com duas etapas: a primeira avalia o conhecimento
médico com 100 questões objetivas; e a segunda avalia habilidades e atitudes com 10 estações de simulações clínicas nas 5 grandes áreas da medicina. Nessa segunda etapa, colaboradores
exercem diversas funções para garantir a isonomia da implementação do processo, sendo a função de Chefe de Estação um dos pilares centrais nessa execução.
Objetivos
Relatar as experiências da atuação de alunos do curso de Medicina como Chefes de Estação na aplicação da segunda etapa da edição 2022.1 do Revalida.
Relato de experiência
A função de chefe de estação foi desempenhada por enfermeiros, técnicos de enfermagem e estudantes de medicina e visa garantir a execução da simulação clínica, padronizada
nacionalmente pelo INEP e aplicada pelo CEBRASPE em 19 cidades brasileiras. Os chefes de estação receberam capacitações previamente ao dia da aplicação do exame sobre o exame,
simulação clínica, prevenção de contágio de COVID-19 e liderança de equipe e, nos dois dias da segunda fase, sobre o caso clínico sigiloso específico. Os chefes de estação, no momento
do exame, forneceram impressos aos médicos participantes, com resultados de exames físico, de imagens e laboratoriais, a partir da interação do participante com o paciente simulado. Os
chefes também higienizaram superfícies visando a biossegurança do exame. Os chefestambém integraram operadores de câmera e pacientes simulados visando precisão e velocidade entre
os giros dos médicos participantes pelas estações clínicas nos dias de aplicação do exame.
Conclusões ou recomendações
A atuação dos estudantes de medicina como Chefe de Estação no Revalida é importante para o bom funcionamento do exame. Tal atuação também é uma experiência positiva para a
formação acadêmico-profissional e do senso crítico dos estudantes, potencializando o raciocínio clínico e o senso de engajamento social perante as necessidades do país por mais médicos
capacitados.
108
CASOS CLÍNICOS COMPLEXOS COMO FERRAMENTA DE ENSINO DE VULNERABILIDADES SOCIAIS, REDE DE ATENÇÃO À SAÚDE E REDE DE ATENÇÃO
PSICOSSOCIAL
Lourrany Borges Costa1, Livia Rocha de Miranda Pinto1, Morgana Pordeus do Nascimento Forte1, Rafael Andrade Palhares1, Marina Lacombe Oliva da Fonseca1, Hermes Castro de Araujo Junior1
1 UNIFOR
Introdução
O ensino do tema responsabilidade social vem sendo introduzido na formação médica ao longo dos anos, tendo sofrido grande aceleração nesse processo após às mudanças curriculares
ocorridas na década de 2000. Tais mudanças trouxeram à tona a necessidade de formar profissionais médicos capazes de atuar no Sistema Único de Saúde (SUS) de forma eficaz. Dessa forma,
temas antes negligenciados na educação médica tornaram-se destaque, tais como a vulnerabilidade social e sua forte influência no estado de saúde dos usuários e a organização do SUS com
a formação da Rede de Atenção à Saúde (RAS) e da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Objetivos
O presente trabalho objetiva demonstrar a experiência exitosa de ensino do tema vulnerabilidade social e redes de assistência à saúde e psicossocial na formação médica baseado na
discussão de casos clínicos complexos e construção de itinerário terapêutico do usuário.
Relato de experiência
A atividade ocorreu durante o semestre letivo de 2022.1 de uma universidade particular durante um módulo teórico-prático do segundo período do curso, que tem como foco principal a
Saúde Coletiva e a Atenção Primária à Saúde (APS). A atividade integrava temáticas de Educação em Saúde, Prevenção e Promoção de Saúde, sendo intitulada “Vulnerabilidades”. Cada
subturma de 25 alunos, de um total de 100, foi subdividida em pequenos grupos para discussão de casos clínicos complexos, elaborados pelos docentes envolvendo o contexto de
atendimento na APS a e construção do itinerário terapêutico dos usuários envolvidos em cada caso clínico. Os casos eram relacionados a populações específicas, sabidamente expostas a
diversos tipos de vulnerabilidades, são elas: pessoas em situação de rua; do campo, águas e florestas; quilombolas; de assentamentos em agricultura familiar; dentre outras. Cada grupo
precisou então após leitura crítica dos casos clínicos, identificar, através de perguntas norteadoras, quais vulnerabilidades e problemas psicossociais presentes, bem como os equipamentos
de assistência à saúde e de apoio psicossocial que deveriam fazer parte do plano terapêutico do usuário em questão, construindo assim seu itinerário terapêutico. Posteriormente, esse
produto era apresentado para o restante da turma para socialização, compartilhamento de saberes e construção de pensamento crítico à cerca dos temas expostos.
Conclusões ou recomendações
É mister a inclusão cada vez mais massiva na educação médica de temas e abordagens metodológicas que possibilitem a formação de profissionais médicos que sejam capazes de atuar no
SUS e suas Redes deAtenção, e que sejam conscientes de suas responsabilidades sociais, bem como da universidade que os formou, no que tange às necessidades em saúde da comunidade
onde estão inseridos, em especial, das populações sabidamente portadoras de grande número de vulnerabilidades.
109
1 UNIFESO
Palavras-chave: Aprendizagem Ativa; Educação Médica; Responsabilidade Social; Sistema Único de Saúde
Introdução
Na perspectiva da efetivação do currículo integrado, curricularização da extensão e da aprendizagem a partir da ação, reflexão e ação construída na integração entre ensino e serviço,
buscamos qualificar a formação médica com estratégias em direção à integralidade do cuidado com inserção de estudantes na atenção primária à saúde e na comunidade desde o primeiro
período. O eixo de prática profissional – Integração Ensino Trabalho e Cidadania (IETC), do curso de graduação em Medicina faz parte da matriz curricular do primeiro ao quarto períodos.
Neste componente curricular utiliza-se metodologias ativas de ensino aprendizagem onde os problemas apresentados pelos estudantes emergem do campo de prática e, após a teorização
e criação de hipóteses em busca de possíveis soluções ou encaminhamentos, retorna- se ao campo de prática para realizar projetos de intervenção.
Objetivos
Apresentar a experiência dos dois primeiros anos da graduação médica a partir da inserção de estudantes nos serviços de saúde e na comunidade, oportunizando experiências de cuidado em
saúde.
Relato de experiência
O eixo de prática profissional do primeiro ao quarto período utiliza a problematização e a metodologia por projetos distribuídos entre o primeiro e o segundo ano do curso. No componente
prático, inicialmente o estudante conhece a rede de saúde local, segue para o território e realiza diagnóstico local com levantamento das condições de saúde da população. Os estudantes
no primeiro e no terceiro períodos constroem projetos de intervenção e os realizam no segundo e no quarto períodos. Para tanto, permanecem nos mesmos dispositivos de saúde e
comunidade por dois semestres, inicialmente primeiro e segundo e posteriormente terceiro e quarto período. Este componente curricular compreende 120 horas semestrais divididas entre
40 horas teóricas e 80 destinadas a prática. A carga horária prática é realizada na rede de saúde municipal incluindo a atenção psicossocial, creches, escolas, asilos, empresas e comunidade
com a mediação do professor. A carga horária teórica é realizada com mediação docente e visa estimular as discussões sobre os riscos á saúde da população e reflexão sobre o processo de
trabalho que se traduzirão nos projetos de intervenção. A atividade avaliativa da IETC se dá no processo de trabalho dos estudantes e preceptores do componente prático e culmina com a
realização da apresentação dos projetos de intervenção na jornada de produção acadêmica.
Conclusões ou recomendações
A formação médica que integra ensino, serviço e comunidade favorece o desenvolvimento das competências médicas descritas nas DCN e contribui efetivamente para a formação humanizada
e ampliação daresolutividade das questões de saúde da comunidade.
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CONSULTÓRIO NA RUA: POTENCIALIDADES E DESAFIOS PARA O SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS) E A EDUCAÇÃO MÉDICA
Silvana Maria Trevizane Dellarmelina Bessa1, Caroline Sousa da Silva2, Gabriel Henrique Nagaoka Muller2, Thiago Heringer Rangel 2, Patrícia Maria de Oliveira Machado3, Bruno Costa Sicuro de
Moraes2
1 UNINTER
2 UNILA
3 UFSC
Palavras-chave: Educação Médica; População em Situação de Rua; Consultórios na Rua; Sistema Único de Saúde
Introdução
As equipes de Consultório na Rua (CnaR) foram criadas para ampliar o acesso à saúde da população em situação de rua e foram implantadas de forma articulada às ações da Política Nacional
de Atenção Básica (PNAB). O CnaR tem como objetivo desenvolver ações integrais de saúde para atender às necessidades dessa população, evitando os atendimentos de urgência e
emergência, recorrentes entre as Pessoas em Situação de Rua (PSR), marginalizadas e estigmatizadas em qualquer serviço, incluindo o SUS. O atendimento médico direcionado às PSR, tornou-
se espaço de inúmeros desafios, em especial na formação de recursos humanos capacitados para a atuação nestas especificidades. Trata-se de um eixo fundamental de ações conjuntas entre
rede de serviços e universidades médicas, com o intuito de qualificar a assistência à saúde e a formação por meio da integração ensino-serviço.
Objetivos
Inserir o estudante de medicina no acompanhamento das ações das equipes do Consultório na Rua e identificar as potencialidades e desafios para o SUS e a Educação Médica.
Relato de experiência
Trata-se de um projeto de extensão universitária, integrado ao sistema municipal de saúde, onde foram desenvolvidas as metodologias de acompanhamento da equipe de um CnaR. Utilizou-
se a proposta do Arco de Marguerez, pautada pela metodologia problematizadora e Educação Popular em Saúde. Foram executadas as estratégias de AÇÃO-REFLEXÃO-AÇÃO, tendo no
processo de vivência e acompanhamento da equipe nos atendimentos a fonte precípua da necessidade de teorização (reflexão conjunta dos participantes, revisão de literatura e análise
documental) e retorno às vivências para pactuação da equipe. Todas as idas à campo foram registradas em Diário de Campo de forma a oportunizar a reflexão, as potencialidades e desafios
da estruturação dos serviços de saúde para a PSR, além dos aspectos relacionados à sua formação. Os estudantes se revezaram no acompanhamento da equipe, sendo supervisionados pelo
médico. Nos momentos de reflexão, destacou-se o papel da multidisciplinaridade nas consultas, uma vez que os desafios enfrentados não se limitavam ao tratamento médico oferecido, mas
também a questões sociais, psicológicas e econômicas mais complexas; a equipe do CnaR depende da interlocução com outros pontos da rede de saúde e da rede socioassistencial, o que
limita a capacidade de resolução dos problemas em saúde; a necessidade de formação continuada dos profissionais de saúde do CnaR e de outros serviços que ainda geram muitas barreiras
de acesso à esta população.
Conclusões ou recomendações
A compreensão das situações vivenciadas por inúmeras pessoas em situação de rua, sua relação com a assistência em saúde e a assistência social e o entendimento dos direitos humanos
negados a essa população incluem algumas das temáticas abordadas nos momentos de problematização. Reconheceu-se as potencialidades quanto à formação médica junto às populações
vulneráveis e inúmeros desafios na estruturação de um SUS realmente para todos.
111
Daniela Chiesa1, Henrique Luis do Carmo e Sá 1, Silvia de Melo Cunha2, Lorena Freitas de França Guimarães 1, Olivia Andrea Alencar Costa Bessa1
1 UNIFOR
2 ESPCE
Introdução
O Teste do Progresso é uma avaliação cognitiva, formativa, longitudinal, sem função classificatória. Também não deve ser usado em substituição às demais formas de avaliação, sendo assim
um processo complementar e pode ser considerado um preditor para a formação profissional.
Objetivos
Avaliar o desempenho de quatro turmas que realizaram a mesma prova de teste de progresso em Medicina, verificando o real ganho de conhecimento entre o primeiro e sexto ano.
Métodos
Estudo transversal, quantitativo, retrospectivo, a partir da análise de dados do teste de progresso interinstitucional de Medicina. A amostra foi o resultado dos testes aplicados a estudantes
que ingressaram no curso em 2013 (turmas A e B) e 2014 (turmas C e D) e que graduaram em 2018 e 2019. A prova de 2013 foi reaplicada em 2018 e a de 2014 foi reaplicada em 2019.
Foram excluídas das mesmas as questões que foram anuladas na prova original (menos de 5% do total da prova). A ordem das questões e das alternativas foram embaralhadas, para que os
gabaritos das provas repetidas fossem diferentes. Na análise dedados, utilizou-se estatística descritiva e comparação dos resultados através do teste T, sendo considerado estatisticamente
significativo o valor de p<0, 05, com intervalo de confiança de 95%. O estudo foi aprovado pelo CEP da instituição (CAAE: 55858521.1.0000.5052).
Resultados
Com o intuito de compreender melhor o real ganho de conhecimento do estudante, foi optado por reaplicar a mesma prova seis anos após a primeira aplicação. Desse modo, foram realizadas
análises da evolução de cada turma. As turmas selecionadas foram acompanhadas do S1 ao S12, totalizando 252 estudantes. Foram excluídos 4 estudantes que não realizaram os 2 testes.
Comparando os resultados dasturmas A (S2/S12) e B (S1/11), em 2013 (S2/S12) e 2018 (S1/11), observou-se respectivo aumento de 37, 6% e 32, 6% no rendimento. Quanto às turmas C e D,
comparando 2014 com 2019, houve progresso, respectivamente, de 33, 4% e 31, 55%. Todas as diferenças foram estatisticamente significativas em relação ao ganho do conhecimento (p<0,
001). Na análise das questões, não houve padrão que sugerisse memória justificando o ganho cognitivo. Aplicando a mesma prova, exclui-se viés de provas com grau de dificuldade diferente
influenciando no progresso do estudante. Numa análise qualitativa, os estudantes não perceberam que responderam às mesmas questões. Não há descrição na literatura de um valor
específico esperado em cada semestre, sendo prevista a evolução ascendente e gradual dos resultados de acordo com a evolução no curso. É necessário analisar se os resultados foram
influenciados por fatores externos (como a elaboração de questões mais fáceis ou mais difíceis) e aplicando a mesma prova, esse viés é eliminado. As turmas mantiveram padrão semelhante
de progressão dos resultados, expostas a mesma prova em períodos diferentes. Entretanto, não foi possível atribuir alguma associação de melhor desfecho após repetir a mesma prova, uma
vez que não dispomos de um grupo controle que não tenha realizado essa repetição, para comparar esse ganho de conhecimento.
Conclusões
Não foi possível atribuir associação de melhor resultado pela repetição da prova para turmas iniciais e avançadas. O Teste do Progresso mostrou-se um importante instrumento avaliativo para
acompanhar oganho de conhecimento dos alunos ao longo do curso.
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“ESCOLA MÉDICA POR UM DIA” – VIVÊNCIA E REFLEXOS PARA A ESCOLHA DA PROFISSÃO MÉDICA
Arthur Santos Lima1, Felipe Santos Marimpietri1, Rafael Carneiro de Lélis 1, Maria Suzana Vasconcelos de Araújo Silva1
1 EBMSP
Introdução
A escolha da medicina como profissão, por vezes, é rodeada por incertezas. Muitos jovens, devido as dúvidas e questionamentos inerentes da adolescência, mesmo que apresentem traços
de afeição pela práticamédica, não se sentem confiantes para essa escolha. Nessa perspectiva, a possibilidade de vivenciar experiências na faculdade almejada antes de ingressar no curso é
uma excelente possibilidade de reforçar a escolha pela profissão.
Objetivos
O presente relato objetiva descrever a dinâmica do projeto “Escola Médica por um dia” enfatizando a participação de um grupo de monitoria da instituição educacional.
Relato de experiência
O projeto realizado pela instituição de ensino superior é realizado no próprio campus e é voltado para alunos do ensino médio de colégios da cidade, tanto públicas como privadas. A
dinâmica acontece em três momentos no mesmo dia: 1) apresentação dos cursos de saúde ofertados pela instituição através de palestras com discentes e docentes da respectiva área; 2)
passeio vivencial pelo campus como um todo, apresentando a infraestrutura dos locais de prática para os alunos do ensino médio; 3) encontro no Laboratório Morfofuncional, que possibilita
vivenciar uma breve e simples aula prática de anatomia e histologiaatravés de peças sintéticas com conteúdo sobre os sistemas cardiorrespiratório, musculoesquelético, gastro-genitourinário
e neuroendócrino.
Conclusões ou recomendações
Dessa forma, é nítido a relevância do projeto “Escola Médica por um dia” como agente norteador dos jovens frente a iminente decisão de qual curso irão ingressar no ensino superior, bem
como uma noção do que o aguarda nos cursos de saúde, assim como sua importância para a formação biopsicossocial dos monitores discentes envolvidos no programa.
113
Lídia Maria dos Santos Silveira Patrocínio 1, Beatriz Herbst Sanday1, Maria Paula Pereira1, Fabyolla Costa de Matos Barbosa1, Rita de Cássia Fossati Silveira Evaldt 1
1 UNIPAMPA
Introdução
O projeto de extensão aplicado por uma Liga Acadêmica de Saúde Materno-Infantil da região sul do país, foi criado a partir da constatação de que as gestantes precisam de informações que
lhe garantam segurança e conforto durante todo o período gestacional e puerpério. Dessa forma, o grupo formado por ligantes, gestantes e puérperas visa antecipar necessidades
informacionais das demandas sociais em saúde da mulher e estimular uma maior adesão das gestantes ao pré-natal.
Objetivos
Empoderar e orientar as gestantes e puérperas quanto às principais temáticas da saúde materno-infantil relacionadas ao pré-natal, parto e puerpério por meio de discussões presenciais e
remotas apresentadaspor discentes da área de saúde. Além disso, deseja-se criar vínculo entre os ligantes e as gestantes para um ambiente de sociabilidade.
Relato de experiência
A divulgação dos encontros mensais foi realizada por redes sociais, Instagram e Facebook, e convite direto em atendimentos de consultas pré-natal nas Estratégias de Saúde da Família. Além
disso, criou-se um grupo no Whatsapp, com as gestantes interessadas, tanto para os informes dos encontros, quanto para esclarecer dúvidas ao longo da gestação. As atividades foram
organizadas alternadamente entre online e presencial. Quando realizadas online foram divididas em dois momentos. No primeiro, com duração média de 30 minutos, o grupo de ligantes
responsável pela temática apresentava as informações contidas em slides por meio de linguagem acessível, a fim de partir de um ponto comum na conversa. Já no segundo momento do
encontro remoto, o debate do tema era realizado em forma dialogada, com troca de experiências e levantamento de possíveis dúvidas preexistentes ou geradas a partir da exposição do
assunto abordado. Com relação às reuniões presenciais, a apresentação da temática é feita por um profissional convidado da área, sendo sua disposição em formato de roda de conversa,
para que haja uma troca horizontal de experiências. Os temas abordados esse ano são: Romantização da Gestação e Principais infecções deste período; Fortalecimento pélvico; Pega para
amamentação; Direitos legais das gestantes; Melhor forma de estimular o bebê; Nutrição do bebê: introdução alimentar; e Engasgo: primeirossocorros.
Conclusões ou recomendações
Logo, pode-se perceber o impacto proporcionado pela construção do empoderamento dessas gestantes quando retornam ao grupo de ligantes com a avaliação geral das ações. Não
obstante, a consolidação de uma formação acadêmica construída nas bases do modelo biopsicossocial podem ser aplicadas nessas interações com grupos de gestantes fora do espaço
limitado do atendimento clínico. Portanto, contribui-separa uma formação de olhar profissional em todas as dimensões da gestante, permitindo uma formação mais completa.
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O USO ABUSIVO DE CIGARROS ELETRÔNICOS ENTRE OS ESTUDANTES DE MEDICINA: UMA REVISÃO NARRATIVA
Letícia Filgueiras da Conceição1, Gabriel Lopes de Pinho1, Pedro Carreiro da Silva Braga1, Giulia Dallia Figueira do Nascimento 1, Laís Duran Luz1
1 UNIFESO
Introdução
Com base na falsa premissa de provocar menos danos à saúde, os cigarros eletrônicos, conhecidos como "vapes", se tornaram populares entre os jovens. Apesar do conhecimento sobre os
malefícios causadospor estes dispositivos, é cada vez mais comum o uso entre estudantes de medicina, que os utilizam, muitas vezes, como válvula de escape frente aos altos níveis de estresse
decorrentes da complexidade do curso e da carga horária abrasiva às quais são submetidos.
Objetivos
Compreender os motivos que levam ao uso abusivo de cigarros eletrônicos entre os estudantes de medicina, e descrever os efeitos nocivos do consumo ao organismo.
Métodos
Trata-se de uma revisão narrativa da literatura realizada por meio das bases de dados Biblioteca Virtual em Saúde, Google Acadêmico, PubMed, LILACS e Scielo, utilizando os descritores
“cigarro eletrônico” e“acadêmicos de medicina” e tendo sido determinado o período entre 2012 e 2022 de publicação.
Resultados
Foram encontrados 25.627 artigos acerca da temática “cigarros eletrônicos”, porém, apenas 6.315 se relacionavam diretamente com os acadêmicos de medicina. Ao todo, 27 foram
selecionados para leitura do resumo. Destes, X foram selecionados para leitura completa e usados de base para a construção desta revisão. Os cigarros eletrônicos foram introduzidos no
mercado como uma tentativa de cessar o tabagismo. No entanto, seu uso tornou-se introdutório para outros produtos derivados do tabaco, principalmente entre jovens adultos. Os riscos à
saúde física vão além do impacto neurológico da nicotina, gerando efeitos pulmonares, orais, gastrointestinais e neoplásicos decorrentes de algumas substâncias contidas no vapor desses
aparelhos. Pensando nos malefícios neurológicos decorrentes deste hábito, pode- se citar a ação da nicotina sobre as mitocôndrias das células-tronco neurais, que, em excesso, pode levar à
morte destas e, desse modo, impedir a produção de células especializadas (como neurônios e células da glia), gerando, a longo prazo, doenças neurodegenerativas e envelhecimento neural
precoce. Mesmo com o conhecimento adquirido ao longo dos anos de faculdade, é muito comum nos dias atuais que acadêmicos de medicina tenham experimentado ao menos uma vez
algum dispositivo eletrônico para fumar (DEF). O uso, que muitas vezes, se inicia de modo recreativo, acaba se tornando um hábito e/ou gatilhopara diversas situações.
Conclusões
Existem diversos efeitos adversos à saúde com o uso contínuo de DEF, perceptíveis tanto em curto quanto longo prazo, embora os efeitos a longo prazo ainda não sejam 100% observáveis,
por se tratar de um fenômeno recente. O uso de cigarros eletrônicos para a cessação do tabagismo é um paradigma para a ciência, pois dados avaliando sua eficácia ainda são escassos e o
seu papel não foi comprovado. Por outro lado, seu uso contínuo e prolongado pode acentuar a dependência à nicotina e expor o organismo a diversas substâncias potencialmente maléficas.
O uso em jovens adultos é exacerbado, em especial estudantes de medicina devido a altos níveis de estresse pela carga acadêmica complexa, utilizando, assim, os dispositivos em questão
como válvula de escape.
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1 UNESP
Introdução
Historicamente, o acesso às universidades no Brasil não é popular. E nesse sentido, a reflexão sobre os próprios acessantes da academia foi o estímulo para a criação dos cursinhos populares,
na tentativa de ampliar a entrada da população nas universidades. O Cursinho pré-Vestibular é um preparatório para os vestibulares, popular, gratuito e administrado por alunos de uma
faculdade pública no interior de São Paulo. Ademais, as aulas, a limpeza do espaço, a gestão de comunicação e a articulação com instituições parceiras, como a prefeitura, são todas
desenvolvidas pelos próprios alunos da faculdade que estão em proximidade com os alunos do cursinho os quais, em sua maioria, almejam estar matriculados nos mesmos cursos de seus
professores e coordenadores. Essa interação serve como incentivo e inspiração aos alunos do cursinho que, com a proximidade com os estudantes universitários, trocam experiências sobre
o vestibular, a vida universitária e se mantém inspirados a prosseguir no estudo para as provas, a despeitodas intercorrências como a jornada dupla e o ensino médio enfraquecido.
Objetivos
O Cursinho tem como objetivo promover acesso de jovens, principalmente os de baixa renda, às universidades públicas, com o fim de oferecer uma preparação de qualidade técnica e
emocional para as provas devestibulares. O projeto se baseia na democratização da educação de modo a socializar os saberes e viabilizar o acesso à uma preparação consistente para as
provas de vestibular. Assim, direcionando uma mudança no paradigma do acesso ao ensino superior.
Relato de experiência
Para que os objetivos do projeto sejam realmente alcançados, é necessária a percepção acerca das nuances que permeiam a realidade dos diversos alunos. Isto posto, a articulação com
profissionais da saúde mental, para ajudar demandas psicológicas dos estudantes, por exemplo, é imprescindível para que não haja o esvaziamento do propósito do projeto, e assim, os
jovens egressos de escolas públicas e de baixa renda consigam, de fato, não só acessar às aulas, como também se manterem presentes e ativos no processo, de modo a evitar a evasão. Dessa
forma, o Cursinho sustenta também parcerias como a existenteentre os Cursos pré-vestibulares privados, que fornecem materiais como apostilas, e conta com a mobilização de estudantes,
que doam livros literários, por exemplo, a fim de estimular o hábito de leitura dos alunos.
Conclusões ou recomendações
Tendo em vista as considerações anteriores, é evidente que um projeto de extensão desse modelo, firma um compromisso social da universidade com a comunidade, na tentativa de expandir
o seu acesso por meio de uma permuta de experiências e saberes, na qual ambas as partes lucram.
116
PROFISSIONALISMO E ATITUDES SOBRE SEGURANÇA DO PACIENTE: AVALIANDO O GRAU DO CONHECIMENTO DOS INGRESSANTES 2021 EM CURSO DE
MEDICINA PÚBLICO
Mariana Quadros Galvani1, Thaís Santana Gastardelo Bizotto 1, João Daniel de Souza Menezes 1, Emerson Roberto Dos Santos 1, Júlio César André 1, Vânia Maria Sabadoto Brienze1
1 FAMERP
Introdução
As definições de profissionalismo destacam a importância das competências científicas, processuais, interpessoais e éticas. Essas definições também destacam os deveres fiduciários do
profissional de saúde para com o paciente. Conceitos de qualidade e segurança no cuidado em saúde começam a serem reconhecidos como conceitos fundamentais que estão lentamente
se incorporando ao ensino dos acadêmicos, da mesma maneira que se supõe que as ciências básicas sejam um componente integral do currículo.
Objetivos
Levantar a cultura acerca das atitudes sobre Segurança do Paciente dos ingressantes no curso de Medicina de uma Faculdade Estadual do interior paulista, com o objetivo de permitir, à
posteriori, avaliar oimpacto do programa sobre a evolução desses conhecimentos.
Métodos
Estudo de natureza descritiva, não randomizado, não controlado, longitudinal e quantitativo, realizado entre os ingressantes do curso de Medicina em uma Faculdade Estadual do interior
paulista, no ano de 2021. O formulário online continha o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), o Questionário de Variáveis Sociodemográficas (QVSD) e o Questionário para
Atitudes de Segurança do Paciente – Versão 3 (APSQ3), que inclui 26 itens colocados dentro de 9 fatores chaves de segurança do paciente. A avaliação realizada com percentual de
positividade, obtido pela média de concordância das respostas onde altos escores indicam atitudes mais positivas em relação à segurança do paciente; e baixos escores, indicam atitudes
mais negativas em relação aos conceitos de segurança do paciente. Aprovação do CEP (n° 4.543.158, em 17/02/2021.
Resultados
Participaram integralmente da pesquisa 98 alunos, de perfil distribuído de forma similar entre os gêneros, com idade predominante inferior a 20 anos. Foram analisados o grau de
concordância dos participantes em 4 dimensões do instrumento. Em Inevitabilidade do erro, 94% das respostas eram favoráveis à concepção de que mesmo profissionais experientes cometem
erros, e 77% concordaram que o erro humano é inevitável. A dimensão Incompetência profissional como causa do erro resultou em baixos escores (35%), indicando que os participantes
discordam dessa afirmação. As questões que abordavam atemática da responsabilidade do relatório de erros tiveram 85% e 86% de positividade para “todos os erros em saúde devem ser
relatados” e para “o relato formal dos erros que ocorram é responsabilidade de todos”. Na dimensão que buscou analisar a importância de se abordar segurança do paciente no currículo
97% das respostas eram favoráveis à priorização dessa matéria no treinamento dos alunos, e 96% consideram que conhecer sobre segurança do paciente os tornam profissionais de saúde
mais qualificados.
Conclusões
Considerando se tratarem de ingressantes é importante ressaltar que a avaliação foi realizada considerando as crenças construídas pelos mesmos apenas com os conhecimentos aferidos na
realidade de mundo, durante sua vivência que precede a aprovação no vestibular. A análise revelou a percepção de que erros humanos são inevitáveis e que até mesmo profissionais da
saúde qualificados estão sujeitos a cometerem erros. Os participantes concordam que todos os erros em saúde devem ser relatados e que o relato formal dos erros é responsabilidade de
todos. Defende-se a incorporação da segurança do paciente nos currículos como parte de desenvolvimento da identidade profissional, importante para uma formação sólida dos profissionais,
principalmente no que diz respeito à redução de erros.
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AS PERCEPÇÕES DE ALUNAS DO INTERNATO SOBRE O ESTÁGIO EM ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE COM PRECEPTORIA DE MÉDICAS DE FAMÍLIA E COMUNIDADE
Andressa de Oliveira Gallo1, Daiane Maria Cordeiro1, Leonardo Lira Ribeiro dos Santos1, Livia Bianco 1, Nathalia de Souza Siqueira1, Larissa Cristovão Longo1
1 USCS
Palavras-chave: Medicina da Família e Comunidade; Atenção Primária à Saúde; Educação Médica; Tutoria
Introdução
Em uma universidade municipal na região do grande ABC, o curso na área de Medicina foi iniciado em 2016, dois anos após a implementação das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs),
pelo Ministério da Educação (MEC), que objetivou a reestruturação dos currículos da graduação de medicina para uma formação médica mais humana, generalista e, principalmente, com
capacidade crítica, pautada no tripé: educação em saúde, atenção à saúde e gestão em saúde. No programa curricular, os alunos iniciam o estágio em Atenção Primária à Saúde no primeiro
ano, participando de atividades semanais na Unidade Básica de Saúde (UBS) até o quarto ano da graduação. No internato, referentes aos quinto e sexto anos, o período se prolonga
respectivamente para 5 e 11 semanas de vivência na rotina da UBS, com intuito deinserir os alunos no seguimento longitudinal de sujeitos e famílias, por meio de consultas individuais,
discussão em reuniões de equipe e visitas domiciliares, além de adquirir competências e conhecimento da comunidade. Tais atividades são supervisionadas por preceptores vinculados à
equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF).
Objetivos
Elucidar as contribuições de Médicos de Família e Comunidade (MFC) para a formação médica de estudantes de quinto e sexto anos, compreendendo as potencialidades da vivência desses
profissionais em assistência e ensino, baseando-se no relato de experiência de alunas do sexto ano que já foram preceptoradas por médicos generalistas em outros estágios em APS.
Relato de experiência
Nos estágios em que a preceptoria foi realizada por médicos especialistas em MFC foi notada grande diferença na condução dos atendimentos administrados aos usuários. Segundo as
discentes, foi possível evidenciar na prática a teoria abordada até o quarto ano, fato que nos estágios anteriores não ocorria. A surpresa ocorreu, dado o enfoque na longitudinalidade e na
integralidade do indivíduo. Foram enfatizados os pilares da atenção básica, baseados na prevenção e promoção de saúde, o cuidado centrado na pessoa e o vínculo com a comunidade e
família.
Conclusões ou recomendações
Conclui-se que o estágio com preceptores especialistas na área de MFC contribui de forma mais relevante e efetiva para a formação de jovens médicos. Ao presenciar as ferramentas da MFC
aplicadas na prática, a visão do sujeito como um ser integral e integrante de uma comunidade pôde ser aprimorada e o cuidado centrado na doença pôde ter contraponto com o método
centrado na pessoa. Adicionalmente, é possível evidenciar os primeiros impactos da DCN de 2014, visto que os primeiros egressos estão se tornando preceptores a partir de 2022.
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TUMOR CEREBRAL, DOR E DESAMPARO EMOCIONAL AOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE E FAMILIARES: UM RELATO SOBRE A CONSTRUÇÃO DE PROJETO ACERCA
DO GLIOBLASTOMA
Jeiel Rocha Oliveira da Silva 1, Neudson Johnson Martinho 1, Amanda Paganini Lourencini1, Allini Bizerra Amaral 1, Ivoney da Silva Borges 1, Thayssa Soares de Souza1
1 UFMT
Introdução
Considerado um dos tumores cerebrais (TC) mais agressivos, o Glioblastoma (GB) acomete cerca de 3, 16 a cada 100 mil brasileiros. Apesar dos avanços tecnológicos e a melhoria diagnóstica,
o tratamento do GB segue como método paliativo. Assim, observa-se a importância de abordar sobre o tema, tendo em vista que é perceptível nas instituições de saúde uma fragilidade no
que tange ao apoio biopsicossocial dos agentes envolvidos no contexto do GB. Somado a isso, nota-se que o modelo hospitalocêntrico tem prevalecido nas instituições de saúde e o
tratamento muitas vezes restringe-se à doença e às terapias cirúrgico-farmacológicas, levando em consideração apenas os aspectos biológicos do GB. Portanto, frente à complexidade do
problema, há a necessidade de intervenção de uma equipe interprofissional para proporcionar um acesso integral ao processo de saúde dos pacientes, dos familiares e dos cuidadores
envolvidos no contexto do GB.
Objetivos
Apresentar um relato de experiência sobre o desenvolvimento de um projeto direcionado ao apoio biopsicossocial de profissionais de saúde e familiares no contexto do GB.
Relato de experiência
Frente ao quadro observado no cotidiano das instituições de saúde e das famílias com portadores de GB, houve a necessidade em desenvolver este projeto visando, por meio de ações
educativas em saúde subsidiadas na teoria da psicoeducação, amenizar o sofrimento dos agentes envolvidos no contexto dessa doença. O desenvolvimento e validação do referido projeto
se deu de forma coletiva entre membros de um grupo de pesquisa, dentre os quais alguns mostraram interesse pelo tema e escolheram participar voluntariamente. O foco principal da
discussão é centrado na amenização do sofrimento psíquico das famílias de portadores de GB por meio de ações psicoeducativas e às reflexões quanto à importância da interprofissionalidade
e humanização na situação do GB. Uma perspectiva importante que deve ser considerada perante a responsabilidade social da educação médica é a gravidade do GB, que cursa com uma
piora acentuada da qualidade de vida das pessoas acometidas e impacta na vida de seus familiares e cuidadores, uma vez que esses pacientes se tornam dependentes dos cuidados dos seus
entes. Assim, a família adoece junto com o familiar, desenvolvendo um enorme sofrimento psicológico frente à angústia do mesmo e a possibilidade de perdê-lo. Esse sofrimento aumenta
gradativamente quando este não tem um apoio biopsicossocial e emocional frente às etapas do tratamento e estágios de progressão do GB.
Conclusões ou recomendações
Se faz necessária uma abordagem inclusiva e interprofissional no tratamento e seguimento de pacientes, familiares e cuidadores no contexto do GB, ao passo que compreender a evolução
do GB e as alteraçõesbiopsicossociais que este causa, pode melhorar a sobrevida ou a qualidade de vida dos seus portadores e familiares. Desse modo, o desenvolvimento de projetos dessa
natureza pode contribuir para construção de novos conhecimentos científicos imbricados na humanização do cuidado e responsabilidade social com o paciente, família e comunidade.
119
DO DESCONFORTO AO ENTUSIASMO: CRIAÇÃO DE LIGA ACADÊMICA EM CUIDADOS PALIATIVOS QUE INCLUI O CUIDADO COM A MORTE COMO MOTE DO
CUIDADO COM A VIDA
João Guilherme Ávila de Lima1, André Carlos Nogueira Bezerra1, Camila Gasparini Maciel Diogenes de Abreu1, Sthefany Albuquerque Assuncao Moreira1, Eliane Nadine Tavares de Carvalho1,
Andreia Ferreira Nery1
1 UFRN
Introdução
Ao avaliar as Diretrizes Curriculares Nacionais do curso de Medicina, verifica-se extrema carência na abordagem de temas como lidar com a terminalidade humana e o ensino dos Cuidados
Paliativos (CP) na prática médica. Nesse sentido, estudantes de Medicina, motivados pela insatisfação e o desconforto com essa realidade, pelo interesse em aprender e vivenciar experiências
em CP, aliados à urgente necessidade de utilizar tais conhecimentos para proporcionar cuidado integral e digno a pacientes com doenças que ameaçam a continuidade da vida, reuniram-se
para fundar uma Liga Acadêmica em CP no curso de Medicina de uma Universidade.
Objetivos
Relatar como a insatisfação pessoal e coletiva com a insuficiência do ensino e abordagem na dos CP e da terminalidade humana na prática médica derivou entusiasmo para buscar e construir
conhecimentoaprofundado (em educação, pesquisa e extensão) acerca de como melhor cuidar de um processo natural da vida, como a morte, através da criação de uma Liga Acadêmica.
Relato de experiência
A partir do contato com pacientes com doenças ameaçadoras à vida que estavam, ou não, recebendo CP e, frente à necessidade de melhorar sua qualidade de vida, estudantes de medicina
de uma Universidadeviram, no desconforto com a negligência aos CP, uma oportunidade de criar uma Liga Acadêmica sobre o tema. A Liga foi fundada em 2021, com o intuito de ampliar a
discussão sobre os CP no meio acadêmico, e também de defender as necessidades da concomitância entre o tratamento da doença e o cuidado à pessoa e da permanência dos CP desde o
momento do adoecimento até a terminalidade. Para isso, estudantes de diferentes estágios do curso realizaram uma busca ativa de médicos e professores com esse interesse comum, a fim
de proporcionar cenários de discussão teórica, prática e treinamento de habilidades no pensar e fazer paliativo, aliando, portanto, os eixos da educação, pesquisa e extensão. Como resultado
desses esforços, a liga conta com profissionais de saúde das áreas da oncologia, geriatria, infectologia e bioética, além dos campos de prática, e promove reuniões científicas mensais, bem
como estímulo à pesquisa científica sobre o tema.
Conclusões ou recomendações
Sabe-se que a Medicina é uma ciência extremamente complexa, diversa e extensa, impondo às Universidades o grande desafio de resumi-la em apenas 6 anos de graduação. Logo, é natural
concluir que as lacunas farão parte da formação desses estudantes. Por isso mesmo, é preciso exaltar o papel ativo do discente na solidificação e ampliação do seu próprio conhecimento.
Desta feita, recomenda-se que essesidentifiquem as carências de suas estruturas curriculares e mobilizem-se, dentro de suas possibilidades, para minimizá-las, a exemplo do que foi realizado
pelos alunos fundadores da Liga Acadêmica em CP. Esim: urge a reinclusão dos estudos sobre os cuidados com a morte em todos os cursos da área de saúde, para melhor cuidar da vida e
para desnaturalizar o sofrimento humano.
120
DIA MUNDIAL DA SAÚDE – AÇÃO DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE A SAÚDE EM UM SHOPPING CENTER: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Maria Rafaela Alves Nascimento1, Yure Batista de Sousa1, Maria Eduarda Borges Rodrigues 1, Igor Monteiro Lima Martins 1, Antônio Prates Caldeira1, Lanuza Borges Oliveira 1
1 UNIFIPMOC
Introdução
O Dia Mundial da Saúde foi criado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1948, mas a data é comemorada oficialmente em 7 de abril desde 1950. A iniciativa surgiu da necessidade
de conscientizar aspessoas sobre a importância em manter o bom estado de saúde - sendo que a definição de saúde se da como “um estado de completo bem-estar físico, mental e social e
não apenas a ausência de doenças ou enfermidades” -, além de alertar sobre os principais problemas que podem atingir a população mundial. Porém, a alteração no formato da pirâmide
etária brasileira, apresentando uma população com idosa com expectativa de vida cada vez maior, fez com que o Brasil passasse, em menos de 40 anos, de um perfil de morbimortalidade de
doenças infectocontagiosas para o perfil epidemiológico com enfermidades crônicas. Entre as doenças crônicas, a hipertensão arterial e o Diabetes mellitus são as mais frequentes, cujo
tratamento e controle exigem mudanças comportamentais em relação à ingestão de medicamentos, dieta e o estilo de vida. Aliado a isso, a importância da realização de projetos de extensão
durante a graduação em medicina faz com que os acadêmicos tenham a responsabilidade de desenvolver projetos de educação em saúde com a população.
Objetivos
Relatar a experiência de acadêmicos de medicina na execução de um projeto de extensão com o intuito de conscientizar a população de Montes Claros em Minas Gerais sobre os fatores de
risco para odesenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, bem como estimular medidas de prevenção e promoção de saúde por meio de uma ação de educação.
Relato de experiência
Trata-se de um relato de experiência à partir da vivência dos ligantes da Liga Acadêmica de Cardiologia em parceria com a Liga Acadêmica de Nefrologia e Urologia. A ação ocorreu em um
shopping center na cidade de Montes Claros em Minas Gerais, no dia 9 de abril de 2022. Anteriormente no dia 4 de abril de 2022 realizou-se uma capacitação com os responsáveis pela ação,
abordando os temas, “Prevenção de doenças crônicas não transmissíveis” e “Abordagem e manejo de pessoas em ações de educação em saúde”. No dia da ação, as atividades ofertadas, se
basearam na conscientização sobre Hipertensão Arterial Sistêmica e Diabetes Mellitus, através de entrega de panfletos, orientações, com a utilização de peças anatômicas, aferição de pressão
arterial e glicemia capilar, cálculo de Índice de Massa Corporal, além da oferta de salada de frutas e água.
Conclusões ou recomendações
A ação atingiu as metas estabelecidas com êxito, uma vez que, houve boa adesão por parte da população e os feedbacks foram positivos, além dos acadêmicos vivenciarem de forma prática
conteúdos, teóricosabordados na instituição de ensino. Nesse sentido, é necessário atuar de modo mais próximo à população, a fim de conscientizar sobre a importância do cuidado com a
saúde.
121
FELIZIDADE: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UM PROJETO DE EXTENSÃO COM FOCO NA SAÚDE DA PESSOA IDOSA POR MEIO DA RÁDIO LOCAL
Victor Felipe de Oliveira 1, Raíza Mengue Freitas1, Heitor Marge de Aquino Guedes 1, Débora Nunes Mario 1, Elitiele Ortiz dos Santos1, Eduardo Rodrigues Gonçalve 1
1 UNIPAMPA
Palavras-chave: Envelhecimento Saudável; Relações Comunidade-Instituição; Saúde do Idoso; Promoção da Saúde; Educação Médica
Introdução
Ao longo do século XX e XXI, o Brasil e o mundo foram marcados por mudanças significativas no perfil de morbimortalidade da população, acarretando alterações da composição demográfica
dos países. O envelhecer engloba inúmeras dimensões - biológica, social, econômica, funcional - de forma que todas são alteradas nesse processo e têm consequências, não só na qualidade
de vida do idoso, mas também no modo como a saúde deve ser oferecida à população idosa, bem como nos investimentos em saúde. Diante disso, fez-se relevante a criação do projeto
“FelizIdade”, um quadro de entrevista dentro de um programa de notícias de uma rádio local, em que os acadêmicos de medicina de uma Liga Acadêmica de Geriatria e Gerontologia, de
uma Universidade do Sul do país, compartilharam informações em saúde com a comunidade, estreitando a distância entre a Universidade e a população, sobretudo a idosa. O projeto buscou
colocar em prática, a responsabilidade social que a escola médica tem com a comunidade, através do compartilhamento de informações direcionadas ao público idoso e a seus familiares e
cuidadores, com a finalidade de promover o envelhecimento saudável e melhorar a qualidade de vida dos idosos da região, na qual a Rádio tem alcance.
Objetivos
Relatar encontros radiofônicos, em que discentes de uma Universidade do Sul do país foram entrevistados por um radialista de uma Rádio local, sobre temáticas relacionadas à saúde da pessoa
idosa.
Relato de experiência
O projeto “FelizIdade” teve início no mês de setembro de 2021 e término no final de novembro do mesmo ano, em que os programas eram realizados semanalmente. Ao todo foram treze
ações, com abordagem de temas mais específicos como “Saúde da mulher idosa” e “Saúde do homem idoso”, e de temas mais amplos, como “Quedas na terceira idade” e “Independência
e Autonomia na terceira idade”. A grande variedade de temas interdisciplinares foi, justamente, para atrair a atenção de diferentes ouvintes e fazer com que a audiência, naquele momento,
fosse positiva. O ponto fundamental das ações foi a forma como as informações foram explanadas, por meio de diálogos informais entre uma dupla de ligantes e o radialista, com espaço
para a comunidade participar, enviando dúvidas e comentários, via Whatsapp da rádio. Demodo geral, essa organização contribuiu para que os encontros ocorressem de forma fluida e para
que o conhecimento fosse levado ao público de maneira descontraída e leve, porém, orientados pela literatura médico-científica.
Conclusões ou recomendações
Diante desse cenário, ações acerca da saúde dos idosos fazem-se imprescindíveis, a fim de promover saúde, propagar e reafirmar conceitos positivos quanto ao envelhecimento, para que a
população tenha ciência de que é possível envelhecer de forma ativa e saudável.
122
RELATO DE EXPERIÊNCIA PELA PERSPECTIVA DISCENTE DO USO DE UM JÚRI-SIMULADO PARA APRENDIZADO EM ÉTICA MÉDICA
1 UFPR
Introdução
A futura atuação profissional dos médicos depende não só de um aprendizado da técnica em Saúde, mas também de uma formação humana e crítica na graduação. O campo da Ética em
Saúde, principalmente oda Ética Médica, é comumente relegado pelos estudantes a algo que o senso comum é capaz de nos garantir. Contudo, casos de desrespeito aos pacientes e abuso
de normas institucionais nos mostram que é uma área que deve ser bem trabalhada na graduação, estimulando o debate sobre atuação médica, enquanto as diretrizes em Ética Médica são
introduzidas: o Código de Ética Médica e o Código de Ética do Estudante de Medicina. O aprendizado sobre o funcionamento dos Conselhos de Medicina, tanto o Conselho Regional de
Medicina (CRM) quanto o Conselho Federal de Medicina (CFM) também se mostra relevante, uma vez que as diretrizes de regulamentação da profissão são fiscalizadas e pautadas po
Objetivos
Relatar um método de ensino prático e participativo em Ética Médica: um júri-simulado do CRM, com participação estudantil nos assentos de denunciante e denunciado, bem como no papel
de Conselheiros.Durante todo o processo, os estudantes tiveram espaço para perguntas e revisão do processo.
Relato de experiência
Durante o semestre onde se ministra as disciplinas de Bioética e Ética Médica, houve duas simulações de Júri em que a instauração da sindicância prosseguiu a um processo ético-profissional
(PEP) e seu consequente julgamento. Uma das simulações se tratava de um médico que, ao receitar um remédio, prescreveu-o em gramas, não em miligramas. Já a outra, trouxe um médico
que forneceu um atestado médicosem ter consultado o paciente. O próprio formato de Júri já permite a participação estudantil, uma vez que o denunciante e o denunciado eram estudantes
voluntários, que ficaram a par do caso a ser julgado anteriormente à sessão, para poder desempenhar suas funções. Nos outros postos, estavam professores, médicos e advogados do CRM,
que permitiram a condução do julgamento tal como um real. O diferencial desses julgamentos é que, no decorrer do processo, em cada etapa e decisão, se permite aos alunos expor suas
opiniões e dúvidas, com estímulo de debate discente, para então explanar as regras daquele processo institucional. Desse modo, tornou-se uma atividade dinâmica, de metodologia ativa,
com o apoio de docentes com acúmulo na área.
Conclusões ou recomendações
Considera-se o uso do Júri-Simulado como uma importante ferramenta metodológica para o aprendizado em Ética Médica, sendo que sua experiência pode ser potencializada ao
disponibilizar o caso a ser julgado antes para todos os alunos, para chegarem ao debate melhor preparados. Ademais, há o fato de ser um ambiente seguro para entender como ocorrem
PEPs, democratizando o conhecimento sobre as dinâmicas dos Conselhos e situações da prática médica.
123
Laura Kokeny de Oliveira 1, Igor Mendes D’Agrella 1, Santhiago Calvelo Graça1, Paulo Henrique D'ângelo Seixas 1, Maria José Carvalho Sant Anna 1, Ana Paula Tiemi Taniguti 1
1 FCMSCSP
Palavras-chave: Estudantes de Medicina; Educação Médica; Avaliação Educacional; Avaliação Curricular das Faculdades de Medicina
Introdução
Embora haja consenso quanto à necessidade de reformular certos aspectos da formação médica para aproximá-la da realidade social e do Sistema Único de Saúde - como recomendado
pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) para o curso de Medicina - sabe-se que somente a mudança curricular é insuficiente. É de responsabilidade das escolas médicas ampliar a
aquisição de tecnologias leves, a visão de integralidade e humanização do cuidado e envolver os alunos no processo ensino-aprendizado. Pelas DCNs de 2014, é papel do estudante se co-
responsabilizar pela sua formação e envolver-se com os processos de autoavaliação institucional. Uma das formas de incrementar o diálogo entre a comunidade acadêmica é o feedback, que
ocorre por meio de questionários aplicados ao final da disciplina. Entretanto, poucos instrumentos validados são descritos na literatura. Assim, foi proposta uma reforma de dois instrumentos
de avaliação por discentes para componentes curriculares do curso de Medicina, considerando-seas especificidades entre o ensino do primeiro ao quarto ano e do internato.
Objetivos
Descrever o processo de aprimoramento dos instrumentos de avaliação por discentes para as disciplinas do curso de graduação em Medicina.
Relato de experiência
A partir da identificação de inadequação dos instrumentos de avaliação dos componentes curriculares utilizados, e da baixa adesão dos estudantes em respondê-los, o Núcleo Docente
Estruturante (NDE), em agosto de 2021, instituiu uma Comissão para a sua reformulação, constituída por representantes discentes e docentes. Foram desenvolvidas duas fichas de avaliação
de disciplinas por discentes. Dentre os pontos incorporados estão: a utilização da escala Likert e a inclusão de itens imprescindíveis para avaliar o alinhamento dos instrumentos às
necessidades sociais atuais - como o respeito aos princípios éticos e direitos humanos no decorrer da disciplina e à garantia de normas de segurança e da autonomia da pessoa em cuidados
de saúde. Também foram adicionadas questões referentes à proporcionalidade dos métodos avaliativos e à auto-avaliação focada na metacognição e na saúde mental dos estudantes.
Espaços para comentários livres foram reservados para incentivar os estudantes a valorizarem as boas práticas educacionais. A versão final dos instrumentos de avaliação discente de disciplinas
foi encaminhada às Comissões de Classe e ao NDE, sendo aprovadas pelo Conselho Interdepartamental (CID). As propostas dos instrumentos de avaliação discente de disciplinas serão
submetidas à validação de conteúdo a fim de serem utilizadas regularmente no curso.
Conclusões ou recomendações
A reforma dos instrumentos de avaliação por discentes dos componentes curriculares auxiliará a melhorar as práticas educacionais adotadas. Além disso, a ferramenta apoia o ensino centrado
no aluno eformação de profissionais críticos, éticos e com responsabilidade social, segundo as DCNs.
124
Annita Fundão Carneiro dos Reis1, Ana Carolina Gusman Lacerda 1, Mariana Lovaglio Rosa1, Maressa Duarte Lima Bomfim 1, Laura Corrêa de Magalhães Landi 1, Geórgia Rosa Lobato1
1 UNIFESO
Introdução
A adolescência é a fase do desenvolvimento humano compreendida entre os 10 e os 19 anos de idade, caracterizada pela transição entre a infância e a fase adulta, sendo marcada pela
vivência de transformações e descobertas. Nesta fase, os indivíduos estão mais suscetíveis a sofrer alterações em relação à saúde mental, devido a fatores individuais, familiares e socioculturais.
O conceito de saúde mental trata de um estado de bem-estar no qual um indivíduo realiza suas próprias habilidades, pode lidar com as tensões normais da vida, trabalhar produtivamente e
fazer contribuições à comunidade. Assim, o cuidado com a saúde mental na adolescência torna-se essencial. Durante sua formação, os acadêmicos dos cursos de Medicina e Psicologia são
capacitados para realização de acolhimento ao sujeito em sofrimento psíquico. O projeto de extensão “Adolescer” surge a fim de abordar aspectos relacionados à saúde mental dos
adolescentes no ambiente escolar, considerando o cuidado ampliado em saúde, de formainterprofissional e intersetorial.
Objetivos
Proporcionar aos discentes dos cursos de medicina e psicologia campo teórico-prático para a aquisição de competências acerca da saúde mental na adolescência.
Relato de experiência
O projeto de extensão “Adolescer” teve início no ano de 2020 e foi desenvolvido por discentes e docentes dos cursos de graduação em Medicina e Psicologia, visando escutar e orientar
coordenadores, professores e estudantes adolescentes de escolas públicas e privadas em relação às transformações da adolescência, seu impacto na saúde mental e construção de
ferramentas no enfrentamento do sofrimentopsíquico. O projeto se deu em três etapas. A primeira foi o levantamento bibliográfico sobre o tema, seguido pela realização de grupos focais
com equipe psicopedagógica e professores, nos quais foram identificadas as questões de saúde mental existentes na escola, rodas de conversa com dinâmicas de grupo facilitando a
expressão de pensamentos e emoções com os adolescentes e a partir dos dados colhidos, construiu-se estratégias de intervenção e materiais informativos direcionados ao público atendido.
Conclusões ou recomendações
O projeto de extensão “Adolescer” proporcionou a construção de novos conhecimentos, habilidades e atitudes sobre saúde mental e adolescência e contribuiu com o exercício teórico-
prático entre diferentesprofissões da área da saúde com vista a qualificar a atenção à saúde da comunidade.
125
A IMPORTÂNCIA DO PROJETO DE EXTENSÃO COMO ESTRATÉGIA DE PROMOÇÃO DE SAÚDE À COMUNIDADE: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Ana Luiza Costa Magalhães1, Ana Cecília Alvarenga Queiroz 1, Júlia Ribeiro Lopes de Almeida 1, Maria Clara Mendes 1, Nicole Aska Silveira Yamada1, Lanuza Borges Oliveira 1
1 FIPMOC
Introdução
Os projetos de extensão realizados por acadêmicos de Medicina permitem maior integração entre teoria e prática, a exemplo das ações de promoção de saúde na comunidade. Essas são
ações relevantes que geram conhecimento acerca de determinadas temáticas diretamente relacionadas com o dia a dia da população, proporcionando ainda diversas experiências aos
acadêmicos, visto que são inseridos em diferentes contextos da sociedade. Contribuindo, dessa maneira, para o processo de formação humana e social, além de fortalecer o relacionamento
entre acadêmicos e sociedade.
Objetivos
Relatar a experiência de acadêmicos de Medicina em projetos de extensão, vistos como mecanismos capazes de fomentar a participação ativa dos acadêmicos na comunidade e a promoção
de saúde à população.
Relato de experiência
Segundo Leavell e Clark, na obra “Medicina Preventiva”, o médico deve agir antes do estabelecimento da doença, tornando-se um educador sanitário. Sob esse viés, o projeto de extensão
realizado pelo primeiroperíodo de Medicina integrou a comunidade de um município do norte de Minas Gerais em ações contra o mosquito Aedes aegypti, vetor da dengue. Com esse
propósito, estabeleceram-se grupos de 12 estudantes, priorizando diferentes aspectos sociais para intervenção, com o mesmo objetivo: a prevenção. A exemplo, algumas ações inseriram
crianças de escolas infantis no contexto de combate à dengue, através de gincanas e teatros, permitindo sensibilização e consequente promoção de saúde. Ademais, a extensão integrou
outras áreas da saúde, conforme o modelo da história natural das doenças. Por fim, as ações propostas pelos grupos dialogam o ensino com a formação de cidadãos, desde a infância até o
período senil, conscientes com as questões sociais e sanitárias.
Conclusões ou recomendações
Por meio deste trabalho, concluiu-se a importância da extensão na formação acadêmica visando destacar seu papel educacional e social que busca estimular a promoção da saúde à
comunidade. Além disso, aexperiência adquirida nas ações de extensão universitária contribuiu para a comunidade e para a construção da ética médica, bem como à resolubilidade e
equidade, princípios importantes do SUS. Posto isso, esses projetos permitiram a troca de saberes entre os acadêmicos e a sociedade, promovendo saúde e benefícios mútuos aos envolvidos.
126
AÇÃO EM SALA DE ESPERA PROMOVIDA POR LIGAS ACADÊMICAS SOBRE O TABAGISMO: RELATO DE EXPERIÊNCIA
Nicole Sales Ferro da Silva1, Mariana da Silva Magalhães1, Pâmella Christine de Souza Munhoz1, Leticia Maria Mendonca Arrais1, Israel Lopes de Medeiros1, Alexandre Saboia Augusto Borges
Filho1
1 UNIFOR
Introdução
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o percentual total de fumantes com 18 anos ou mais no Brasil em 2021 foi de 11, 8% entre homens e 6, 7% entre mulheres, contabilizando
mais de 26 milhões de pessoas que mantêm o hábito no país. Considerando o contexto nacional do uso do tabaco, apesar dos esforços das políticas públicas para minimizar o uso nas últimas
décadas, é necessário realizar atividades direcionadas para esse público com o objetivo de informar a população de risco e gerar promoção de saúde.
Objetivos
Relatar a experiência da realização de uma ação em uma sala de espera contra o tabagismo por membros de uma liga acadêmica cearense em prol da disseminação social de informações
acerca dos malefíciosdo uso do tabaco, reiterando a responsabilidade social dos acadêmicos de medicina.
Relato de experiência
Em 2022, a Liga Acadêmica de Cirurgia Torácica promoveu uma ação em uma sala de espera do ambulatório de pneumologia de um núcleo de saúde integrado a uma universidade, com
apoio de um painel informativo e de alunos capacitados, para promover saúde por meio do compartilhamento de conhecimento acerca dos efeitos do tabaco. Por meio da iniciativa, além da
discussão sobre os malefícios do tabaco para fumantes ativos e passivos, foram feitas observações sobre a composição dos cigarros e sobre os benefícios de cessar o hábito. Os ligantes
receberam um retorno positivo por parte dos ouvintes, além de disponibilizarem um momento para sanar dúvidas.
Conclusões ou recomendações
Diante disso, é possível identificar que a promoção de saúde obtida com a sala de espera é bastante eficaz no que se refere informar e simplificar o aprendizado acerca dos malefícios do uso
do tabaco. Futuramente, os alunos da Liga Acadêmica de Cirurgia Torácica planejam ampliar esse projeto na forma de aulas abertas ao público, ministradas pelos alunos e supervisionadas
pelo orientador da liga, além daprodução de panfletos, que serão entregues em postos de saúde, com o fito de explicar o assunto em pauta de forma acessível para a população.
127
O USO DA FERRAMENTA PODCAST PARA DIVULGAÇÃO DE ASPECTOS HISTÓRICOS E CIENTÍFICOS DE PESQUISAS DESENVOLVIDAS NO CAMPO DA FISIOLOGIA
PARA A COMUNIDADE
Estevão Cruz Dos Anjos1, Lidiane Dal Bosco1, Eduardo Vieira da Rosa 1, Felipe Haniel Fernandes Derré Torres 1, Camila Reis Minussi1, Ketlyn Rosa Langendorf1
1 UNIPAMPA
Introdução
A extensão universitária é um dos pilares essenciais das universidades brasileiras, pois é o meio pelo qual o elo com a comunidade é estreitado. Dentre as atividades extensionistas, destaca-
se a divulgação deinformações confiáveis e a democratização do conhecimento, que pode ser promovida por meio de ferramentas digitais como o podcast.
Objetivos
O presente trabalho visa relatar a experiência vivenciada por participantes de um projeto extensionista que tem como objetivo divulgar os aspectos históricos e científicos das pesquisas
desenvolvidas no campoda Fisiologia através de um podcast.
Relato de experiência
O projeto teve início em setembro de 2020 e o tema da primeira temporada foi “Mulheres Laureadas com o Prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina”, já na segunda temporada o tema abordado
foi “Prêmios Nobel da América Latina”. Em todos os episódios foram abordadas as descobertas científicas dos laureados e um breve resumo da sua biografia. Os episódios foram ancorados
nas plataformas de streaming Anchor, Google Podcasts e Spotify e sua divulgação foi realizada pelas plataformas Instagram, Podcasts e Whatsapp. No total, foram produzidos e
disponibilizados oito episódios mediante realização de dois encontros, via Google Meet: um antes da gravação do episódio e outro para feedback e eventuais alterações. Os resultados
encontrados durante as pesquisas bibliográficas sobre o tema - todas realizadas em base de dados confiáveis - foram organizados em um texto com forma de diálogo, visando a utilização de
uma linguagem mais acessível ao público leigo.
Conclusões ou recomendações
As ações de extensão promovidas pelas escolas médicas contribuem para que as universidades assumam sua responsabilidade social. A divulgação dos conhecimentos científicos em
linguagem acessível visa estabelecer um elo de confiança com a população. Ademais, permite que a comunidade reconheça a importância das descobertas científicas para o bem-estar e
saúde humana, além de despertar a curiosidade econtribuir para a valorização da ciência.
128
IMPACTOS DA PANDEMIA NO PROCESSO DE “ENSINAGEM” E NA ESTRUTURA CURRICULAR DE ENFERMAGEM E MEDICINA EM UNIVERSIDADE PÚBLICA DO
INTERIOR PAULISTA
1 FMB-UNESP
Introdução
O impacto do SARS-COV-2 tem modificado todas as formas de os sujeitos se relacionarem com o mundo, inclusive na Universidade, espaço em que se dá a construção e difusão de novos
conhecimentos. É preciso estar atento aos processos de ensino-aprendizagem e à estrutura curricular dos cursos de enfermagem e medicina, visto que a pandemia evidenciou e intensificou
perdas, retrocessos e possibilidades no que diz respeito à formação desses profissionais.
Objetivos
Incentivar o contato com teorias do campo crítico da educação; Compreender interface da pandemia com os processos de ensino-aprendizagem e estrutura curricular; Proporcionar troca de
experiências sobre avivência na pandemia em nossa instituição; Propor alternativas coletivas adaptadas ao nosso cenário de atuação; Possibilitar maior engajamento social e consciência crítica
de nossa comunidade acadêmica.
Relato de experiência
O trabalho foi fruto de mobilização sob liderança estudantil, buscando construir espaços dialógicos com construções coletivas na Universidade. Foram realizadas 5 rodas de conversa em
formato virtual, com participação, em média, de 15 estudantes por encontro. 1 - abordagem ampla de conceitos educacionais; 2 – aprofundamento em correntes pedagógicas críticas não
reprodutivistas, como Pedagogia Libertária e Pedagogia Historico-Crítica, entendimento conjunto acerca do Ensino Remoto Emergencial e dos Critérios Mínimos estabelecidos para
continuidade das atividades. 3- debate sobre metodologias de ensino- aprendizagem e de avaliação e sobre os caminhos adotados por nosso Instituto. 4 – participação de projetos de Extensão
Universitária com debate sobre Educação Popular em Saúde. 5 - debate sobre “Saúde mental em tempos de produtividade adoecedora” e os desafios para a democratização de espaços
como os órgãos colegiados.
Conclusões ou recomendações
Como aponta Paulo Freire, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”; É preciso que a Instituição incentive e valorize
o processo de formação de professores, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais e os Projetos Políticos Pedagógicos de curso; Nota-se que a Atenção Primária em Saúde tem sido
o principal cenário de prática negligenciado pela Universidade, o que está relacionado com a predominância do complexo médico-hospitalar; Importante enfatizar a participação estudantil
nos órgãos colegiados como um direito histórico, conquistado sob muita luta e mobilização.
129
Ana Carolina Machado Nascimento1, Raimundo Nonato Bechara1, Renato Cabral Pentagna1, Pedro Henrique Nunes Barra 1, Nathalia Noyma Sampaio Magalhães 1
1 FCMS/JF
Introdução
A fim de reafirmar as estratégias deliberadas pela Carta de Ottawa de 1986, que instituem a essencialidade de políticas públicas, reorientação dos serviços de saúde, ambiente saudável,
reforço da ação comunitária e criação de habilidades pessoais, e tentar alcançar o conceito pleno de saúde, que não somente restringe-se a ausência de enfermidades, uma instituição de
ensino superior de Juiz de Fora realiza mensalmente Projetos de Ação Social (PAS). Por meio dos PAS, docentes e discentes são estimulados a contribuírem para a melhoria de vida da
comunidade local, através da participação efetiva em projetos voltados para o desenvolvimento pleno da saúde, à assistência e promoção social, com interação entre acadêmicos e sociedade,
ação ética e melhoria da condição de vida da população mais carente, potencializando a cidadania e consciência social dos indivíduos
Objetivos
Apresentar a percepção dos discentes acerca do PAS e sua importância na formação educacional médica e humana, ampliando a visão e o entendimento sobre os mecanismos de prevenção
e promoção à saúde.
Relato de experiência
O PAS é realizado em espaços públicos, com a supervisão de docentes, de maneira multidisciplinar, envolvendo estudantes de Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Odontologia e Medicina.
Enfatiza-se a importância da interdisciplinaridade na Atenção Primária à Saúde, algo extremamente valioso para as relações interpessoais presentes no cotidiano dos profissionais das
Unidades Básicas de Saúde, sendo explorado desde o início da faculdade pelos acadêmicos. Consiste na prestação de atendimentos como aferição de pressão arterial, dosagem de glicemia
capilar, avaliação de índice de massa corporal e orientações sobre mudanças do estilo de vida e cuidados gerais com a saúde. As ações sociais se estendem às escolas, com orientações
acerca da proteção de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), gravidez precoce e planejamento familiar. Durante o período da pandemia do Coronavírus, foi estimulada a participação
dos acadêmicos nos mutirões de vacinação, contribuindo para a ampliação da cobertura vacinal e proteção da população de Juiz de Fora.
Conclusões ou recomendações
O PAS é essencial na formação acadêmica dos estudantes de Medicina, preparando-os para lidar com os pacientes de uma maneira responsável e ética, com o entendimento de que a
prevenção e a promoção àsaúde são superiores à medicina curativa, evitando a sobrecarga do sistema público de saúde.
130
Célia Martins Campanaro1, Emily Lanjoni Ferreira1, Paula Carolina Baptista Tabuada1, Cássia Cristiane de Faria Zucchetti1, Renata Tosoni Rodrigues Ferreira 1
1 FMJ
Introdução
O curso de medicina continua sendo um dos mais procurados, mesmo com o aumento do número de vagas e de escolas médicas observados nos últimos anos. A escolha do curso ainda na
adolescência, recebeinfluência de vários fatores, assim como as expectativas individuais em relação aos novos aprendizados e atividades, numa nova fase de vida.
Objetivos
Identificar o perfil dos ingressantes de um curso de medicina, no período de 8 anos, entre 2015 a 2022.
Métodos
Estudo descritivo, retrospectivo, com informações obtidas em questionários estruturados, sem identificação, respondidos voluntariamente durante o 1º semestre de aulas entre 2015 a 2022.
Todos os alunos foram convidados a participar e enviar as respostas à Coordenação de Curso e Assessoria pedagógica. Entre 2015 a 2019, os questionários foram entregues impressos e a
partir de 2020, foram respondidos pelo Google forms, de forma anônima. Por ser utilizado questionário retrospectivo, sem identificação pessoal, não houve necessidade de avaliação do CEP.
As informações obtidas foram discutidas e acompanhadas pelo núcleo gestor da IES.
Resultados
Foram avaliados 634 questionários, onde se observou: predomínio do sexo feminino em todo o período; faixa etária entre 17 a 25 anos, sem variações significativas; mediana de número de
vestibulares prestados foi acima de 4 entre 2015 a 2019 e acima de 5 a partir de 2020 a 2022. O principal motivo que levou à escolha do curso, foi “gostar da profissão”, seguida por mercado
de trabalho e vivências de atos médicos. Foi avaliada a atuação profissional dos pais em áreas da saúde entre o período de 2017 a 2022: a mediana de estudantes com pais que não atuam
na área da saúde foi de 63, 5%. Foiobservado que entre 2015 a 2018, em média 84, 5% dos alunos esperavam vivenciar na instituição metodologias ativas, com aprendizagem centrada no
aluno, passando por um período de transição nos anos de 2020 e 2021, quando a média reduziu para 66, 5% e, em 2022, quando 52% preferem metodologia tradicional.
Conclusões
Não houve variações significativas quanto à idade e sexo, número de vestibulares prestados anteriormente e motivo da escolha da profissão; encontrou-se predomínio de familiares não
atuantes em áreas desaúde e nos últimos 3 anos, observou-se mudança da expectativa de aprendizagem, com tendência à preferência de métodos tradicionais pelos estudantes.
131
Maria Eduarda Borges Rodrigues1, Helga de Almeida Mota1, João Gabriel Sicupira Rodrigues 1, Vitor Targino Amaral Soares1, Josiane Rocha1, Lanuza Borges Oliveira 1
1 UNIFIPMOC
Introdução
As atividades de extensão universitária têm sua importância respaldada pela sua interdisciplinaridade educacional e cultural, tendo como propósito promover uma interação articulada e
transformadora entre as instituições de ensino superior e os diversos setores da sociedade. Além disso, age como instrumento estratégico de integração e aproximação entre a universidade
e a sociedade, a fim de contribuir com soluções para os problemas sociais existentes. Nesse contexto, a comunicação entre teoria e prática ocorre por meio das intervenções desde o início
da vivência acadêmica.
Objetivos
Relatar a experiência de acadêmicos do curso de medicina por meio da realização de projetos de extensão.
Relato de experiência
Durante o primeiro semestre de 2022, de acordo com a nova matriz curricular, os acadêmicos do primeiro período do curso de medicina elaboraram um projeto de extensão, que
considerando a realidade e maiornecessidade de saúde do município no momento, teve como tema central a Dengue. Dessa maneira, foram formados 10 grupos com 12 acadêmicos cada,
com a finalidade de desenvolver atividades de intervenção nas áreas de abrangência das Unidades de Saúde da Família, a qual foram alocados. Os acadêmicos puderam adotar uma postura
proativa, intensificando a cooperação, integração e a responsabilidade com a didática adotada. Cada grupo atuou em um local da comunidade, sendo eles escolas, praças, parques e avenidas,
com o intuito de promover a temática central através de ações educativas de saúde e, portanto, tendo em vista diferentes abordagens e públicos, respeitando a especificidade de cada área
de abrangência.
Conclusões ou recomendações
Através da vivência do projeto de extensão foi possível construir um conhecimento mais integrado e humanizado. Além disso, possibilitou compreender a importância da assistência universal
e integrada a saúde. Foram momentos de aprendizado e reflexão, e, sobretudo, de formação de acadêmicos mais conscientes das suas responsabilidades sociais enquanto futuros médicos.
Destarte, recomenda-se a inserção de projetos de extensão em toda a formação acadêmica, para que se fortaleça o elo entre os acadêmicos e a comunidade.
132
Maria Eduarda Borges Rodrigues 1, Viviane Maia Santos 1, Maria Suzana Marques1, Lanuza Borges Oliveira 1, Kênia Souto Moreira1, Igor Monteiro Lima Martins 1
1 UNIFIPMOC
Introdução
O diagnóstico comunitário é uma ferramenta importante para o trabalho na Atenção Primária em Saúde (APS), pois permite o conhecimento do cenário de atuação do profissional em uma
abordagem comunitária, bem como, a influência dos elementos territoriais no processo saúde-doença. Durante a formação médica, a APS constitui um relevante cenário de prática, uma vez
que, permite a contextualização da teoria com situações reais, à medida que aproxima os acadêmicos das necessidades de saúde das pessoas dentro de um contexto familiar e social.
Objetivos
Relatar a experiência de estudantes de medicina a respeito de suas vivências no diagnóstico comunitário.
Relato de experiência
A experiência ocorreu em uma Unidade de Saúde da Família (USF), localizada na área central de uma cidade norte mineira e envolveu acadêmicos do 1° período do curso de medicina durante
as atividades da disciplina Interação Ensino-Serviço Comunidade (IESC) no primeiro semestre de 2022. Foram trabalhados nos primeiros encontros com o preceptor de campo conceitos
fundamentais relacionados ao Sistema Único de Saúde (SUS), determinantes e condicionantes de saúde e demais conceitos relacionados ao processo de saúde e doença. O diagnóstico
comunitário, que foi objeto de prática ocorreu através de visita na área de abrangência da USF e conversas com lideranças e profissionais de saúde, que atendem na área de abrangência,
sendo possível reconhecer os determinantes de saúde (alimentação, moradia, saneamento básico, meio ambiente, trabalho, renda, educação, transporte, lazer e acesso aos bens e serviços
essenciais à saúde).
Conclusões ou recomendações
A disciplina IESC, mediante a supervisão de um preceptor, reforça a importância do desenvolvimento de um trabalho coletivo, envolvendo a comunidade e os profissionais que compõem as
equipes da USF, podendo refletir sobre as atividades ali desenvolvidas e os problemas sociais encontrados. Ao contribuir para a construção de competências e habilidades, a experiência na
APS foi vista pelos estudantes como essencial para um novo olhar do papel do médico, que deve ter uma relação mais horizontal com sua comunidade.
133
ENCONTROS HÍBRIDOS COMO O NOVO NORMAL E SEU IMPACTO NA GESTÃO DE LIGAS ACADÊMICAS PÓS COVID-19
Alexandre Saboia Augusto Borges Filho1, Matheus Maia Gonçalves Bringel Correia1, Igor Castelo Branco Fontenele Costa1, Luis Otávio Sampaio Façanha1, Mariana da Silva Magalhães1, Ana
Beatriz de Alexandria Leal Vasconcelos1
1 UNIFOR
Introdução
O período pandêmico causado pelo vírus SARS-COV-2 causou uma interrupção nos encontros acadêmicos. As ligas acadêmicas, que antes encontravam-se exclusivamente de forma
presencial, precisaram se adaptar com reuniões no formato online. Em uma instituição de ensino superior do Nordeste, as ligas ficaram quase 2 anos com encontros virtuais. As ligas
acadêmicas, como são focadas em um tema específico, são um dos principais métodos de incentivo ao desenvolvimento científico na graduação da escola médica, por juntar professores e
alunos em reuniões programadas.
Objetivos
Relatar a experiência de um gestor de liga de ortopedia de uma instituição de ensino superior no nordeste em relação à dinâmica estudantil durante a pandemia do COVID-19.
Relato de experiência
Durante o período de encontros virtuais, em uma instituição de ensino superior do Nordeste, as ligas acadêmicas de Medicina tiveram de 2 a 4 processos seletivos de maneira virtual. Com
isso, boa parte dos integrantes dos grupos de organização estudantil não tiveram oportunidades de encontro presencial, somente virtual. O gestor da liga, que ocupa o cargo de presidência,
tem como papel fundamental incentivar acomunicação entre diferentes setores da liga e gerenciar as atividades propostas. Durante a pandemia e o período de isolamento social, esse papel
se transformou e em poucos momentos de integração virtual eem grupos de mensageiros de comunicação instantânea, tornando, para os integrantes da liga, uma comunicação em parte
impessoal e distante. Em uma liga acadêmica de ortopedia, durante a pandemia, o desenvolvimento científico teve redução de mais de 90%, contando o número de artigos enviados,
comparando com o período pré-pandêmico.
Conclusões ou recomendações
Deve ser da responsabilidade dos presidentes das ligas acadêmicas, como também, das instituições de ensino superior que ofertam o curso de medicina para criar planos de contingência
para incentivar encontros de grupos de organização estudantil, como ligas acadêmicas, para uma futura necessidade de virtualização dos encontros e cessão da presencialidade. Metas
mínimas de produção científica e deeventos a serem organizados trariam um incentivo maior para a organização e realização de tais ações.
134
O IMPACTO DA PEDIATRIA ITINERANTE NA AÇÃO EM SAÚDE PROPORCIONADA A CRIANÇAS DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE
Francisco Américo Micussi1, Emanuelly Cavalcante Belarmino 1, Stella Cristiny Silveira de Araújo 1, Kamila Marques da Costa 1, Luadja Kelly de Almeida Oliveira 1
1 UNP
Introdução
É notório o acesso limitado ao serviço de saúde em diversas realidades do Brasil. Embora o Ministério da Saúde inove ao incluir programas de reforço à assistência do usuário, como o Cuida
Mais Brasil e outras facilidades de acesso, presentifica-se a carência de parte da população aos atendimentos em saúde. Nesse contexto, insere-se o projeto Pediatria Itinerante, voluntariado
formado por profissionais e estudantes da área da saúde de todas as séries, responsável por alcançar, dentre essa população desassistida, o público infantil localizado nos interiores do estado
do Rio Grande do Norte em todos os níveis de prevenção: promoção à saúde, diagnóstico, tratamento, prevenção de complicações e redução de agravos.
Objetivos
Assistir crianças que necessitam de atenção multiprofissional por meio do modelo biopsicossocial em saúde.
Relato de experiência
O Rio Grande do Norte é uma unidade federativa extensa em área geográfica, dividida em 167 municípios que conta com 8 regionais de saúde. Apesar disso, ainda há áreas desfavorecidas
de acesso à saúde, um dos fatores impulsores para a criação do Projeto em 2018, o qual, apesar da temporária suspensão no período da pandemia provocada pela COVID-19, beneficiou 24
municípios, totalizando cerca de 3.700 crianças assistidas. A seleção dos municípios baseia-se em critérios como a carência da especialidade de pediatria no município e da pactuação de um
acordo bipartite com a cidade que fornece o transporte e aalimentação para os trabalhadores da saúde no dia da ação. Os atendimentos iniciam pela equipe de enfermagem, com a triagem
e ocorre a consulta com atuação conjunta dos médicos e estudantes de medicina, que atendem supervisionados pelos profissionais. Posteriormente, caso necessário, é realizado o
encaminhamento para as outras especialidades como cardiologia, neurologia, odontologia pediátrica, por meio do qual os pacientes são atendidos no referido evento. Ao final das consultas,
os pacientes são direcionados à farmácia própria da Pediatria Itinerante, onde atua a equipe farmacêutica na dispensação de medicamentos e reorientação sobre as medicações prescritas ao
final dos atendimentos. Outro importante feito da ação é a atualização vacinal das crianças atendidas nas dependências do evento.
Conclusões ou recomendações
Trata-se de um projeto voluntário multiprofissional de grande impacto social, o qual beneficia não somente a criança atendida em sua integralidade, mas também a todos os que contribuem
direta ou indiretamente na organização do evento. A iniciativa mantém ativa a conciliação teórico/prática depreendida no âmbito universitário, reafirmando a responsabilidade social que os
futuros profissionais assumirão no exercício de sua profissão. Além do mais, ameniza as carências de acesso à pediatria das cidades favorecidas pelo projeto e ressalta a necessidade do
acompanhamento com o especialista pediátrico para todo o público infantil.
135
PENSAR O CURRÍCULO E ENTRELAÇAR PROFISSÕES: O PAPEL DO DESENVOLVIMENTO DOCENTE FRENTE À RESPONSABILIDADE SOCIAL DA UNIVERSIDADE
Larissa de Freitas Bonomo1, Lélia Cápua Nunes1, Angélica Cotta Lobo Leite Carneiro1, Ludimila Forechi1, Mabel Miluska Suca Salas 1, Meirele Rodrigues Gonçalves 1
1 UFJF-GV
Introdução
O ensino constitui uma prática social inserida em um contexto territorial. Neste sentido, a Universidade assume o princípio da responsabilidade social, devendo tê-lo como orientador da
construção curricular. Odesenvolvimento docente pode contribuir para o planejamento e implantação de currículos que incorporem as necessidades da sociedade.
Objetivos
Narrar a experiência de uma ação de desenvolvimento docente integrando coordenadores de curso e membros dos Núcleos Docentes Estruturantes (NDE) de dez cursos de uma Universidade
pública, com cernena construção curricular.
Relato de experiência
Foi realizada uma oficina de desenvolvimento docente com 4 horas de duração. Professores das áreas da saúde e sociais aplicadas participaram da discussão sobre construção curricular e
refletiram sobre o papel da comunidade acadêmica e do entorno nesta construção. A oficina trabalhou estratégias educacionais e os seis passos de construção curricular: estabelecimento
de necessidades, identificação de competências, descrição dos objetivos de aprendizagem, definição das oportunidades de aprendizagem, determinação dos métodos de avaliação e
definição do sistema de avaliação. A metodologia utilizada foi a integração entre uma exposição participativa e atividades ativas centradas no levantamento de conhecimentos prévios sobre
currículo, no estabelecimento de propostas para transformar o currículo de acordo com as estratégias educacionais apreendidas e, por fim, na construção coletiva, em grupos de cinco
docentes de diferentes cursos, de um currículo para uma disciplina.
Conclusões ou recomendações
A integração entre os docentes permitiu iniciar a conformação de uma rede colaborativa e estabelecer necessidades curriculares contemplando a complexidade social, caminhando para a
integralidade da internalização da responsabilidade social da Universidade. Recomenda-se a continuidade das ações, de forma a consolidar os resultados da oficina e desenvolver
competências relacionadas ao ensino entre os docentes.
136
Juliana Gonçalves1, Letícia Maria de Oliveira Siqueira 1, Vitoria Emily Amorim Lima1, Pedro Henrique Ferreira Nascimento1, Andrea Rosane Sousa Silva1, Luan Gabriel Cerqueira de Lima 1
1 FITS PE
Introdução
O coronavírus advém dos retrovírus que após um surto em 2019 na China, tornou-se o causador da doença COVID-19, a qual pela sua alta transmissibilidade foi declarada situação de
pandemia pela a OMS em 2020. Por se tratar de um novo vírus, a adesão à vacinação foi muito difícil devido às falsas informações disseminadas, além do pouco período de tempo que os
laboratórios tiveram para produzir as vacinas específicas para o controle do vírus Sars Cov 2, visto que o mundo vivia uma pandemia e precisava da vacina urgentemente no intuito de controlar
o surto da doença.
Objetivos
Relatar a experiência de discentes de um curso médico na atuação frente à imunização do covid-19, no segundo momento de aumento do número de casos da Covid-19, pela ação voluntária
como vacinadoresem drives da Secretaria Municipal de Saúde de Jaboatão dos Guararapes.
Relato de experiência
No início das campanhas de vacinação, a dificuldade do município Jaboatão dos Guararapes em atingir a cobertura vacinal era uma problemática presente, no qual estratégias eram
necessárias para conseguir talfeito o quanto antes. Assim, convidada, a escola médica iniciou uma capacitação de vacinação para os alunos interessados, que logo ingressaram nos pontos
de vacinação, acompanhados de enfermeiros e de servidores públicos responsáveis por toda estratégia. Vale ressaltar que os alunos ficavam responsáveis, sob supervisão, pela triagem do
usuário e aplicação da vacina, açõe suficientes para estreitar a relação médico-paciente e o diálogo pela rápida anamnese feita à população antes de receber a dose de imunização. A
oportunidade de acolher e atender o paciente foi relatada pelo grupo como uma “experiência única” por fazer parte da saúde, de maneira ativa, em um momento tão importante para o
mundo todo.
Conclusões ou recomendações
É importante ressaltar que experiências nessa dimensão são bastante enriquecedoras, tanto na formação pessoal como profissional dos participantes, visto que há o desenvolvimento de
trabalho em equipe associando ao conhecimento científico adquirido com a prática. Assim sendo, diante da importância de tal vivência, viu-se a necessidade de garantir um aperfeiçoamento
deste método para futuras campanhas devacinação a fim de minimizar os problemas, pois o mesmo demonstrou ser amplo e vantajoso durante a pandemia.
137
Rosa Vianna Dias da Silva Brim 1, Dilton Rodrigues Mendonca 1, Carolina Villa Nova Aguiar1, Ieda Maria Barbosa Aleluia1, Mary Gomes Silva1, Marta Silva Menezes1
1 EBMSP
Introdução
A escolha criteriosa em saúde é um movimento global que foi iniciado nos Estados Unidos da América, em 2012, por ação da American Board of Internal Medicine Foundation (ABIM
Foundation), que visa evitarexames, tratamentos e procedimentos médicos desnecessários. Cabe aos médicos participação importante na estruturação e implementação desde processo,
desde a sua graduação. Portanto, é necessário estudar o perfil custo-consciente dos professores-médicos, reconhecendo o papel dos mesmos como formadores de opinião
Objetivos
Comparar as percepções de estudantes do internato médico sobre as condutas custo-conscientes de médicos formadores de opinião (professores e preceptores) antes e depois da
implantação da campanhaChoosing Wisely (CW) e Avaliar diferença de atitude custo consciente, de docentes e preceptores do internato, entre estágios de especialidade após aplicação da
campanha CW
Métodos
Estudo retrospectivo de corte transversal, analítico, com desenho misto, qualitativo e quantitativo, sendo aplicado questionário validado para percepção de condutas custo-conscientes e de
desperdício dosprofessores/ preceptores, por parte dos alunos, antes (Grupo Comparação) e após (Grupo Intervenção) uma campanha de conscientização
Resultados
Houve predomínio do gênero feminino (¨68%), com a média de idade 24, 3 anos (DP 2, 5). A percepção de condutas custo-conscientes de seus professores, o escore médio dos estudantes
do Grupo Intervenção foi significativamente superior ao escore médio do Grupo Comparação (p<0.001). Os maiores tamanhos de efeito foram identificados nos itens: ”Discutir custos de
cuidados em saúde com estudantes ou outros membros da equipe de saúde ao se tomar as decisões no cuidado com o paciente” (Cohen’s d = 1.46) e ”Buscar dados de custo-efetividade
para compor as suas condutas clínicas” (Cohen’s d = 1.18). A única exceção foi no item ”Elogiar um estudante ou residente por solicitar/sugerir uma investigação diagnóstica mais custo-
efetiva”, que não apresentou diferença entre os grupos (p=0.215). Em relação à percepção de condutas de desperdício de seus professores, o escore médio dos estudantes do Grupo
Intervenção foi significativamente inferior ao escore médio do Grupo Comparação (p<0.001), com tamanho de efeito classificado como alto (Cohen’s d = 0.86). O rodízio melhor avaliado foi
o da Pediatria, com nota média de 8, 85, enquanto o de pior avaliação foi o da Emergência, com uma nota média de 5, 66. Os demais rodízios tiveram avaliação variando de 7, 19 a 7, 89.
Conclusões
Estudantes do internato médico sensibilizados pela campanha CW (Grupo Intervenção) perceberam mais condutas custo-conscientes e menos condutas de desperdício em seus
professores/preceptores do que os estudantes não sensibilizados pela campanha (Grupo Comparação). Os resultados sugerem que houve modificações nas condutas custo-consciente de
médicos formadores de opinião (professores e preceptores), após a da implantação da campanha CW na EBMSP. Foram identificadas fragilidades em relação a implementação das medidas
propostas pela campanha no rodízio de Emergência.
138
RELATO DE EXPERIÊNCIA DO PROJETO DE EXTENSÃO “DÚVIDAS SOBRE DOENÇAS GENÉTICAS? PERGUNTE QUE EU RESPONDO”
Freddy Romanno Aires Nader1, Catherine Alejandra Molina Somoza1, Lediana Pereira Cardoso 1, Chayenne Gomes Bueno Arantes1, Jéssica Albino1, Maria Claudia Gross 1
1 UNILA
Introdução
O acesso à informação sobre saúde, por meio das redes sociais, vem ganhando cada vez mais relevância social para a educação continuada. Ao tratar de genética, a disponibilização de
conteúdo torna-se um meio de entrar em contato com um conteúdo específico de forma mais engajadora e acessível. Nesse sentido, foi criado o projeto “Dúvidas sobre doenças genéticas?
Pergunte que eu respondo” em 2017 como uma extensão universitária que continua em vigência.
Objetivos
O projeto tem por objetivo fornecer à comunidade geral, incluindo a comunidade médica e acadêmicos de medicina, informações científicas sobre genética médica, com qualidade e de
forma acessível, utilizandopara isso diferentes redes sociais.
Relato de experiência
Com a participação de acadêmicos e docentes da medicina, de outros cursos da área da saúde e das ciências biológicas; o projeto disponibiliza publicações periódicas em quatro redes
sociais baseadas em publicações científicas relevantes. No Instagram, Facebook e Spotify é utilizada linguagem mais compreensível para a comunidade, enquanto no Blog são apresentadas
as informações de maneira mais técnica e completa. O Spotify foi incorporado no último ano, em que foi criado um podcast que se apresenta como a modalidade de divulgação mais inovadora
do projeto até então – e fornece episódios curtos sobre genética médica, ética e divulgação científica. Nas demais redes, são realizadas publicações sobre doenças e transtornos genéticos;
temas educacionais para o embasamento teórico-prático; exposição e reflexão sobre estudos recentes; bem como assuntos que são debatidos na atualidade pela comunidade. Ademais, além
do objetivo de divulgar ciência, essas publicações também tinham o intuito de fazer com que as redes sociais também sejam espaços de informações de confiança, visto a quantidade de
tempo despendido nelas. Além das publicações, também é disponibilizado nas redes um espaço para que possam ser enviadas dúvidas por mensagem na página. Estas são divulgadas em
um grupo de WhatsApp para a discussão entre os membros do projeto, no intuito da formulação da resposta.
Conclusões ou recomendações
Dessa maneira, infere-se que o projeto contempla a ação de extensão com foco em educação popular – o que se concretiza com a popularização de informações científicas sobre genética
médica. Nesse contexto, os estudantes envolvidos na efetivação do projeto beneficiam-se com o ganho de conhecimento sobre genética e em linguagem popular, enquanto se cultivam em
profissionais mais capacitados para perceber as necessidades da população.
139
“DIA DA GRADUAÇÃO”: MOMENTO DE REFLEXÃO SOCIAL E CURRICULAR NUMA FACULDADE PÚBLICA DE MEDICINA APÓS PANDEMIA DE COVID-19
Cristiano Martins Beserra1, Anna Laura de Paula Caixeta Coelho1, Julio Kenji Ouchi1, Rígor Neubern1, Carlos Antonio Caramori1
1 FMB UNESP
Introdução
Após dois anos de dificuldades da pandemia de COVID-19, as faculdades de medicina retornaram para atividades acadêmicas presenciais e reaproximaram os agentes que compõem o
espaço de ensino: funcionários, docentes e discentes. Como uma proposta que parte da necessidade de conhecimento, compartilhamento, convivência, retomada e engajamento para a
formação médica alinhada neste novo mundo, realizou-se o evento “Dia da Graduação”.
Objetivos
Liderado pelo NDE (Núcleo Docente Estruturante) criou-se um evento de reflexão sobre a graduação de Medicina. Por meio de mesas redondas, a partir de palestras de convidados externos,
representantesdocentes e discentes debateram a formação médica num futuro pós pandêmico.
Relato de experiência
Na palestra “Conhecimento e Pesquisa para o benefício da sociedade”, baseado no relato de enfrentamento da COVID-19 houve a demonstração do papel da ciência, conhecimento e
aplicação de recursos na sociedade. Diferente do que ocorre nas disciplinas da graduação, foi relevada a importância de fortalecer a aproximação da pesquisa, desenvolvida através da
Iniciação Científica, com os problemas sociais, as doenças negligenciadas, e aperfeiçoamento da comunicação com base em evidência para a sociedade. Em “Somos trabalhadores do SUS
(Sistema Único de Saúde)", houveram várias reflexões sobre o papel dos estudantes de medicina e como formar um profissional que atenda esta demanda social. O maior contato com a
atenção primária após reestruturação do currículo, o aumento de alunos oriundos da política de cotas e a ocorrência da COVID-19 fez com que a escola médica revisitasse a importância
social e estratégica do SUS. O trabalho do médico na Indústria Farmacêutica e a lógica das estruturas produtivas de medicamentos e dispositivos, foram um dos assuntos abordados na
palestra “Da atividade liberal ao setor privado”. Além disso, discutiu-se a relação entre o significado do serviço médico de qualidade, o atual regime de ensino das especializações médicas e
a precificação de mercado existente na saúde. Olhar para o futuro além dos limites das clínicas e hospitais, e aprimorar o serviço de saúde com as novas tecnologias foram inflexões
fundamentais discutidas na palestra “Prática médica num mundo complexo”. A personalização do cuidado, a ampliação das possibilidades de atuação além da assistência (pesquisa científica,
gestão de pessoas, processos de tomadas de decisão, análise de bases de dados, consultorias) demonstram um futuro ainda a ser muito explorado.
Conclusões ou recomendações
Percebeu-se a necessidade de haver um currículo que mostre mais possibilidades de formação do médico, com disciplinas e estágios abordando diversos cenários. A formação
multidimensional ajustada a um mundo plural, repleto de dificuldades e diversidades deve ser contemplada. A carga horária optativa seria um dos meios para a consolidação desta proposta.
O desenvolvimento científico deve pautar a demanda social, local, regional e nacional e guiar os impactos aplicáveis na prática médica.
140
Lívia Saraiva Carriconde1, Vinicius Kaiser Queiroz1, Giselle dos Santos Radtke de Oliveira1
1 UFPEL
Introdução
Atualmente, a prática do jornal como ferramenta didática, encontra - se em projetos autônomos de escolas e universidades, em programas das esferas públicas federais, estaduais e municipais
e em iniciativas privadas. Não obstante a sua produção no Brasil é ineloquente frente à iniciativa de demais países no mundo. No entanto, pensar no jornal como ferramenta de ensino-
aprendizagem de uma faculdade é contribuir para o conhecimento e a democratização do ambiente acadêmico, uma vez que, contribuir para o processo educacional voltado às ideias e
valorização do homem em seu espaço social, possibilita ao sujeito a liberdade, assim construindo e transformando ele próprio a realidade vivida. Nesse contexto, um grupo de acadêmicos
da faculdade de medicina de uma universidade federal do Rio Grande do Sul foi responsável pela criação do Jornal Acadêmico intitulado “Sinapse” em 2011, o qual mantém-se ativo até os
dias de hoje.
Objetivos
Relatar e refletir sobre a experiência de construir e participar de um jornal acadêmico como ferramenta de ensino e aprendizagem durante a graduação médica.
Relato de experiência
O Jornal Acadêmico Sinapse é um periódico criado em 2011 por um grupo de estudantes do curso de medicina o qual se propôs, desde a sua fundação, a levar conteúdo de qualidade à
comunidade acadêmica de modo a fomentar a discussão, reflexão e conhecimento sobre temas que abordam a área médica, mas que não se limitam a ela. Nesse ínterim, no ano de 2020, o
jornal passou a contar com a participação dos demais cursos da área da saúde, com o objetivo de estimular a diversidade das informações veiculadas, bem como de ampliar o seu alcance
entre os potenciais leitores do periódico. Além disso, a partir deste mesmo ano, com as limitações e restrições impostas pela pandemia de Covid-19, o jornal passou a ser veiculado também
em meio digital, sendo divulgado em suas redes sociais e no site oficial da universidade, amplificando seu potencial de alcance. Hoje em dia, o jornal conta com edições semestrais e com
colunas diversificadas sobre promoção em saúde, dicas culturais, entrevistas com profissionais, alunos e ex- alunos, história da medicina, residências médicas, saúde mental, reflexões, crônicas,
quiz e palavras cruzadas. A atual equipe redatora do jornal é composta por 15 acadêmicos sendo 6 destes, membros da diretoria e responsáveis pela sua edição, contando que um dos
membros realiza a diagramação, sendo, portanto, uma ferramenta construída e viabilizada integralmente pela iniciativa de estudantes.
Conclusões ou recomendações
Sendo assim, iniciativas como essa devem ser estimuladas no ambiente da graduação para que os acadêmicos tenham a oportunidade de participar e contribuir em um projeto que atua
como ferramenta de ensino e aprendizagem, promovendo a construção do saber, a reflexão, o questionamento e a formação crítica frente à vida que o cerca.
141
Amanda Gabriela Oliveira Aquino1, Ana Claudia Aquino Lopes Rabelo1, Camilla Patrícia Resende Oliveira1, Deborah Mendes Fonseca1, Thais Ataide Lopes1, Aline Lara Cavalcante Oliva1
1 FIPMOC
Introdução
A vacinação infantil é um dos marcadores de saúde que visa à proteção e à prevenção de doenças imunopreveníveis e de surtos epidêmicos. A vacina sensibiliza o sistema imunológico do
organismo ao criar defesas que diminuem o tempo de resposta dos anticorpos especiais. Esse mecanismo minimiza a disseminação, o agravo de doenças infectocontagiosas e a mortalidade
infantil. A partir disso, entende-se que a importância das intervenções que têm como objetivo melhorar a cobertura vacinal infantil oferecendo, aos pais e a outros membros da comunidade,
informações sobre vacinas; educação em saúde na Atenção Primária, associada ao uso de cartilhas e a integração da vacinação com outros setores da comunidade.
Objetivos
Relatar a experiência de acadêmicos de Medicina do 2º período na execução de uma ação voltada para a regularização das vacinas dos infantes com intuito de prevenir e erradicar doenças.
Relato de experiência
A ação intitulada “De Mãos Dadas Com A Vacinação Infantil” ocorreu em abril de 2022 conjunta à abertura da campanha nacional de imunização contra influenza e sarampo, Dia D de
vacinação. A fim de promover a educação em saúde e aumentar a adesão do público à ação, traçamos previamente o perfil da população adscrita e, percebido a resistência à formas
tradicionais de ensino tais como palestras e rodas de conversa, confeccionamos revistas de colorir contendo informações sobre a temática. A ação foi planejada e executada em forma de
circuito, sendo o mesmo iniciado com o acolhimeto a população; seguido pela verificação do cartão de vacina; sala de imunização e por fim acesso ao espaço recreativo com brinquedos,
com distribuição de certificados de coragem, com a entrega de revistas de colorir e com distribuição de guloseimas.
Conclusões ou recomendações
A ação proposta atingiu seus objetivos de forma eficiente e satisfatória, ao aumentar a cobertura vacinal resultado este comprovado pelos dados coletados no dia da ação que envolveram
512 pessoas imunizadas e demonstraram a importância dessas intervenções na comunidade, pois estimulam o envolvimento população, melhoram a adesão às campanhas e, assim,
contribuem para a evolução positiva dos indicadores de saúde. Convém salientar a necessidade da continuidade dessas ações, com o intuito de conscientizar pais e responsáveis, e ampliar
a cobertura vacinal durante as campanhas promovidas pelo Ministério da Saúde.
142
A IMPORTÂNCIA DO COMPONENTE CURRICULAR VIVÊNCIAS NO SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE DURANTE A FORMAÇÃO MÉDICA
André de Alvinco Ferreira Pinto 1, Vania Dias Cruz1, Ana Laura Nascimento Borges1, Ayumi Aoyagui Ide1, Guilherme Wilson Vieira Rodrigues1, Rodrigo Andrade Batista1
1 UNIPAMPA
Introdução
O componente curricular vivências no Sistema Único de Saúde (SUS) tem como objetivo realizar atividades de extensão que possibilitem uma maior interação entre o ensino, os serviços de
saúde e a comunidade no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS). Vivenciar a realidade do SUS, a partir de estágios na APS, possibilita que o aluno desenvolva habilidades e competências
que ultrapassam a racionalidade da assistência curativa, estimulando a realização de ações de promoção da saúde, prevenção de riscos, tratamento e reabilitação, a partir das práticas de
saúde nos serviços, territórios e comunidade bem como, pelaarticulação de diferentes profissionais que atuam de forma multiprofissional no atendimento do indivíduo e família.
Objetivos
Relatar como o componente curricular vivências no SUS contribui na formação do médico pela experiência multiprofissional.
Relato de experiência
Um grupo de cinco estudantes do 6º semestre do curso de medicina de uma universidade federal do sul do Rio Grande do Sul acompanhou, durante 11 turnos, a rotina dos profissionais de
uma Estratégia Saúde da Família (ESF) onde puderam desenvolver diferentes atividades de forma multiprofissional. Uma dessas atividades foi a participação no Programa Saúde na Escola
(PSE), que teve a finalidade de esclarecer mitos e verdades sobre o Covid-19 e trocar conhecimentos práticos-científicos sobre saúde auditiva, saúde ocular e dengue, por meio, da distribuição
de folhetos e de rodas de conversa com alunos e professores de escolas da área adscrita à ESF. Ainda sobre a troca de experiência e saberes com outros profissionais, foi possível que os
estudantes acompanhassem e aprendessem a administrar vacinas, realizar eletrocardiogramas e auxiliar no acolhimento de livre demanda, o que permitiu discussões de casos clínicos e o
desenvolvimento de planos terapêuticos com as enfermeiras, técnicas de enfermagem e residentesem saúde coletiva que também atuam na ESF. Além disso, a realização de visitas domiciliares
promoveu maior aproximação com os agentes comunitários de saúde. Ainda foi possível acompanhar os atendimentos com os médicos e estudantes do último ano de medicina e realizar
atividades de educação permanente com todos profissionais da ESF.
Conclusões ou recomendações
Conclui-se que as práticas da disciplina vivências no SUS são de grande importância na formação multiprofissional do médico uma vez que o mesmo é capaz de conhecer, entender e vivenciar
as diferentes realidades atribuídas a cada profissional da ESF. Além disso, toda a articulação proposta pela disciplina, proporciona diversos tipos de aprendizados contribuindo para uma
formação médica ética, humanista, acolhedora, crítica e reflexiva.
143
Andre de Alvinco Ferreira Pinto 1, Vania Dias Cruz1, Ana Laura Nascimento Borges 1, Ayumi Aoyagui Ide1, Guilherme Wilson Vieira Rodrigues 1, Rodrigo Andrade Batista 1
1 UNIPAMPA
Palavras-chave: Educação em saúde; Atenção Primária à Saúde; Necessidades e Demandas de Serviços de Saúde; Educação Médica
Introdução
A pandemia de COVID-19 ocasionou e ainda tem causado grandes impactos nos atendimentos de saúde, a exemplo do não funcionamento de grupos de educação em saúde na Atenção
Primária à Saúde (APS), como no caso do Grupo de Prevenção e Controle de Hipertensão Arterial (HA) e Diabetes Mellitus (DM), Grupo HIPERDIA.
Objetivos
Relatar a experiência de discentes sobre o impacto da pandemia do COVID-19 no cuidado dos pacientes com HA e DM na Estratégia da Saúde da Família (ESF).
Relato de experiência
Um grupo de cinco estudantes do 6º semestre do curso de medicina acompanhou, durante 11 turnos, a rotina dos profissionais de uma Estratégia Saúde da Família (ESF), no período pós
pandemia, tendo a oportunidade de identificar e refletir como a pandemia do COVID-19 impactou a atenção básica. Durante as atividades práticas, nos chamou a atenção a quantidade de
usuários HA e DM que estavam descompensados clinicamente. Em discussão com a equipe de saúde diversas limitações foram associadas a este período excepcional e que podem ter
contribuído para essa situação, como a falta de exames derotina, o encerramento da busca ativa pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e a desativação de projetos voltados para essas
doenças, como o HIPERDIA. Outro fator que pode estar associado é a rotatividade dos ACS. Muitos deles deixaram suas funções durante a pandemia, sendo substituídos por outros
profissionais que ainda não tinham a experiência e conhecimento dos anteriores. Ademais, além da existência de uma prática de renovação sistemática de receitas médicas, em razão da
pandemia foi sancionada uma lei que ampliava o prazo de validade das receitas de medicamentos de uso contínuo, e assim foi observado que muitos usuários da unidade seguem fazendo
uso de um mesmo esquema para HA ou DM há anos, sem acompanhamento médico de seu quadro para que seja verificado se o tratamento está sendo realmente efetivo.
Conclusões ou recomendações
Nesse contexto, surge a oportunidade dos discentes contribuírem para a realização de projetos que auxiliem na reorganização do cuidado de hipertensão e diabetes na atenção básica. Seria
importante capacitar, através de palestras e rodas de conversas, os ACS e enfermeiros para que possam oferecer um atendimento mais completo aos portadores de DCNT, de forma a
reconhecer e orientar casos de HAS e DM descompensados. Para tal finalidade se faz necessário a reativação das atividades grupais, como o hiperdia, que visa o melhor acompanhamento e
registro desses usuários pela estratégia.
144
ANÁLISE DO DESEMPENHO ACADÊMICO DE ESTUDANTES QUE INGRESSARAM NUM CURSO DE MEDICINA UTILIZANDO AS NOTAS DO ENEM
Aline Carbonera Luvizon1, Patricia Chipoletti Esteves 1, Patricia Monteiro Ribeiro1, José Elias Matieli1, Rinaldo Henrique Aguilar da Silva1, Adriana Ávila de Almeida1
1 HUMANITAS
Introdução
Durante o período de distanciamento social imposto pela pandemia causada pelo SARS-CoV-2, as atividades acadêmicas presenciais foram suspensas e as instituições de ensino lançaram
mão de diversas ferramentas digitais, associadas à internet, para que o ensino não sofresse descontinuidade. Os processos seletivos para ingresso no Ensino Superior também foram afetados
e muitas escolas optaram por outrasformas de seleção. Em alguns casos, os tradicionais exames vestibulares foram substituídos pelas notas obtidas no Exame Nacional do Ensino Médio
(ENEM). No caso de nossa instituição, o vestibular para ingresso no 2º semestre de 2020 foi substituído pelas notas do ENEM e, diante dessa mudança, houve preocupação em relação ao
desempenho acadêmico desses ingressantes. É preciso informar, ainda, que a instituição realiza, semestralmente, uma avaliação contendo 10 itens objetivos de cada uma das disciplinas
estudadas no semestre anterior. Entre outras, o resultado dessa prova é utilizado para a concessão da Bolsas de Mérito Acadêmico e, além disso, ajuda a mensurar o desempenho teórico-
cognitivo dos estudantes.
Objetivos
Analisar o desempenho teórico-cognitivo da turma que ingressou no 2º semestre de 2020, utilizando as notas do ENEM.
Métodos
Este trabalho é descritivo, do tipo Estudo de Caso. Foram analisados os resultados da avaliação objetiva semestral, obtidos pela turma que ingressou na instituição no 2º semestre de 2020. A
prova analisada foi realizada por essa turma, pela primeira vez, no 1º semestre de 2021 e seus resultados foram comparados com os resultados de provas semelhantes, realizadas por outras
turmas, no 1º e 2º semestres de 2019 e 2020; 2º semestre de 2021 e 1º semestre de 2022. Os resultados dessas oito edições de avaliações objetivas semestrais foram analisados, inicialmente,
pelo software Remark Office OMR® e, na sequência foramrealizadas, manualmente, análises estatísticas.
Resultados
No geral, a média de acerto da turma foi de 50%, não diferindo substancialmente das outras edições de provas, cuja média geral foi de 53%. Em relação à média das disciplinas,
individualmente, aturma analisada apresentou desempenho inferior em Bioquímica, Embriologia Geral, Histologia Geral e Iniciação Científica. Entretanto, foi observado desempenho médio
superior nas disciplinas de Anatomia, Introdução à Farmacologia e Introdução a Biofísica e Fisiologia.
Conclusões
A incerteza gerada em relação ao desempenho acadêmico dos estudantes que ingressaram utilizando as notas do ENEM foi desfeita pelos resultados satisfatórios obtidos por eles na avaliação
objetiva semestral, quando comparados com sete outras turmas. Além disso, resultados não mostrados neste estudo e que compararam os resultados acadêmicos de avaliações cognitivas –
dissertativas e práticas – mostraram que não houve diferenças significativas entre o desempenho da turma que ingressou utilizando as notas do ENEM e as sete outras turmas que ingressaram
através de exames vestibulares.
145
A CRIAÇÃO DE FOLDERS INFORMATIVOS POR ACADÊMICOS DE MEDICINA PARA AUXILIAR AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE NA ELABORAÇÃO DE
GENOGRAMA E ECOMAPA
Gabriele Lima de Lucena1, Caio Vinicius Soares da Silva1, Grace Ellen Pereira Costa1, Aldine Cecília Lima Coelho1
1 UFPA
Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde; Estratégias de Saúde; Educação Médica; Ciência, Tecnologia e Sociedade; Agentes Comunitários de Saúde
Introdução
O ecomapa e o genograma são instrumentos utilizados como ferramentas pelos profissionais de saúde para entender a dinâmica do indivíduo com a família e com a comunidade em que ele
está inserido. O genograma analisa a composição familiar e seu relacionamento básico entre integrantes até a terceira geração, as patologias existentes e as causas das mortes. Já o ecomapa
tem como objetivo expor como oindivíduo assistido se relaciona com coletividade que o cerca como igreja, clubes, vizinhos, escola, amigos e a equipe da Unidade Básica de Saúde (UBS).
Esses dois materiais são bastante utilizados pelas equipes de Estratégia Saúde da Família (ESF) das UBS, com o objetivo de entender o contexto psicossocial do paciente no que tange a
família e a comunidade, a fim de melhorar o processo saúde doença do assistido.
Objetivos
Discorrer sobre a utilização de tecnologias com a criação de folders informativos sobre a construção de genograma e ecomapa para Agentes Comunitários de Saúde (ACS) por acadêmicos
de medicina na regiãoda transamazônica.
Relato de experiência
Durante o segundo semestre no eixo Prática de Integração Ensino, Serviço e Comunidade (PIESC), foi designado que os estudantes realizassem a construção de um genograma e ecomapa
de um morador da área de abrangência da UBS em que realizava suas práticas e que fosse apresentado para a equipe da ESF, em especial as ACS’s, com o objetivo de mostrar os benefícios
dessas ferramentas de trabalho e como elas poderiam auxiliar em entender a dinâmica do paciente com sua família, doença e comunidade, além de contribuir como produto avaliativo para
o eixo. Logo, foi realizada visita domiciliar acompanhada da ACS e da professora responsável pelo subgrupo para a coleta dos dados de um paciente escolhido de forma aleatória pelos
acadêmicos. Após a construção dos instrumentos tivemos a ideia de criar um folder para os profissionais da UBS com informações essenciais sobre como produzir essas ferramentas através
da elaboração de um QR code onde a equipe poderia fazer a leitura pela câmera do celular que direcionaria para sites públicos como “Álbum de Família” que possibilitam a montagem do
genograma a partir do preenchimento dos dados de cada membro familiar. Vale destacar que no folder também constam as informações de programas como PowerPoint para criação do
ecomapa. A apresentação do material construído e a entrega do folder foi realizada no final do semestre para as ACS’s e para a docente do eixo PIESC.
Conclusões ou recomendações
Tanto acadêmicos como profissionais relataram a relevância da iniciativa, correlacionar o uso de tecnologias para construção de ferramentas que podem auxiliar no cuidado ao paciente só
traz benefícios a todosos envolvidos, enfatizamos assim a importância de entender a dinâmica do adoecido para contribuir com seu processo de cura e/ou melhora na qualidade de vida.
146
Jacqueline Costa Teixeira Caramori 1, Nathália Stéfani Webel Ramos 2, Jenniffer Vitória Martins2, Larissa Nascimento de Farias 2, Maria Cristina Pereira Lima 2, Cátia Regina Branco da Fonseca 1
1 FMB -UNESP
2 FMB UNESP
Introdução
Considerando o processo de curricularização da extensão universitária nos cursos de graduação, que exige a ampliação das atividades em parceria entre cursos e/ou com outras Instituições
de Ensino Superior, com estimulo a mobilidade interinstitucional de estudantes e docentes; a nossa universidade propôs a criação de Redes Temáticas de Extensão contribuindo para articular
docentes e discentes com outros setores da sociedade; no enfrentamento de problemas sociais relevantes, fomentando a proposição e ampliação da extensão universitária.
Objetivos
Apresentar a Rede Temática “Sustentabilidade Solidária: do Ensino Superior para Sociedade”, proposta realizada pelo curso de Medicina, como uma iniciativa de ação extensionista para
debater e propor soluções para problemas sociais.
Relato de experiência
A Rede Temática “Sustentabilidade Solidária: do Ensino Superior para Sociedade”, conjunto de ações idealizadas pelo curso de Medicina, com a participação de outros cursos, afins de
contemplar a articulação deprojetos acadêmicos sociais com práticas educativas para melhoria das condições de vida; atividades de educação inclusiva, apoio e preparação para inserção no
mercado de trabalho; implantação dos preceitos de Saúde Única para traduzir a união indissociável entre a saúde humana, animal e ambiental para populações vulneráveis. A rede inseriu
alunos de graduação, pós-graduação, educadores e servidores em atividades extensionistas em um assentamento urbano de uma cidade do interior de São Paulo, a comunidade Mahatma
Ghandi, 30 famílias em situação de risco, e insegurança alimentar. O modelo está sendo praticado nas premissas do programa institucional de Integração Social e Comunitária atuando de
forma conjunta com parceiros da sociedade - Levantamento das principais doenças de humanos e animais; mapeamento nutricional; visando geração de renda organização de horta
comunitária; oficinas de bambu e de outros materiais renováveis; estamparia em tecidos; eventos culturais; arrecadação (livros, materiais de higiene, alimentos); capacitação para voluntários
e tutoria na comunidade.
Conclusões ou recomendações
O processo consiste em relacionar ações aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, para desenvolver oportunidades ou serviços que beneficiam a qualidade de vida de grupos
economicamente vulneráveis, considerando a Redução das Desigualdades, Erradicação da Pobreza, Fome zero e Agricultura Sustentável, Educação de Qualidade e Saúde de Qualidade e
Bem-estar, dentre outros. O equilíbrio e a capacidade de sobrevivência são pré-requisitos fundamentais para que a rede possa atuar e atingir seus objetivos. A contrapartida para o ensino
superior além de todo aprendizado, será formar profissionais com maior entendimento sobre o processo de colaboração, organização, comprometimento, acrescido de respeito e compaixão.
147
AVALIAÇÃO QUANTITATIVA PRÉ E PÓS CURSO DE PRIMEIROS SOCORROS REALIZADO POR GRADUANDOS DE MEDICINA
Guilherme Cuoghi Bellato 1, Stela Maria Tavolieri de Oliveira 1, Beatriz Santana de Siqueira Silva 1, Thaís Tiemi Yauti1, Caroline Capobianco Garofalo1
1 FMJ
Introdução
Graduandos de Medicina em uma Instituição de Ensino Superior (IES) de São Paulo realizaram uma pesquisa quantitativa sobre o conhecimento da população sobre como agir em situações
de emergências que podem ocorrer no cotidiano. Diversos braços do estudo foram realizados com público distinto: funcionários de uma IES que possui o curso de Medicina; funcionários de
um parque público voltado às crianças; diretoras de escolas públicas de ensino básico, acadêmicos de medicina em sua primeira semana de graduação. A avaliação foi realizada antes e após
o curso ofertado. Os graduandos de medicina foram responsáveis pela elaboração do curso de Primeiros Socorros, supervisionados por docentes, que abordava questões como: parada
cardiorrespiratória, engasgos, crises convulsivas e queimaduras no adulto e na criança.
Objetivos
Relatar e quantificar o conhecimento prévio e o adquirido da população em seus diversos braços do estudo sobre questões básicas em atendimento básico de emergências fora do cenário
hospitalar.
Métodos
Realizou-se pesquisa quantitativa utilizando a plataforma google forms antes e após o curso. Os participantes não eram identificados em nenhum momento, bem como não eram alertados
de que haveria uma nova avaliação após a realização do curso. Durante o tempo de explanação não eram enfatizadas as respostas das questões contidas no formulário. Em cada formulário
foram realizadas 8 perguntas no formatoteste, havendo apenas uma alternativa correta por questão. Estratificou-se o público por sexo, idade e grau de escolaridade.
Resultados
Observou-se que a prevalência geral de participantes foi de mulheres (78%), com ensino superior completo (62%) e idade média de 42 anos. Em cada braço do estudo obteve-se estratificações
distintas. Observou-se que em todos os braços, após o curso houve uma maior pontuação no formulário, ocorrendo um aumento relativo em média de 56%. No grupo de graduandos na
primeira semana de aulana Universidade (58 participantes), verificou 71, 4% de acerto pré curso e 84, 75% pós curso, ocorrendo aumento relativo de 19.3%. No grupo de funcionários de um
parque voltado à criança (36 participantes) verificou-se 51% de acerto pré curso e 84, 5% pós curso, ocorrendo aumento relativo de 65, 6%. No grupo de Diretores de Escolas públicas de
ensino básico (158 participantes), verificou-se 52, 4% de acerto pré curso e 80% pós curso, ocorrendo aumento relativo de 52, 6%. No grupo de funcionários da Instituição de Ensino Superior
(16 participantes) verificou-se 51% de acerto pré curso e 97% de acerto pós curso, ocorrendo aumento relativo de 90,1%.
Conclusões
Esse trabalho evidencia que a escola médica possui responsabilidade social ao permitir que o conhecimento seja transmitido à população geral. Por meio deste projeto, verificou-se que com
o conhecimento prévioocorreu pouco mais de 50% de acerto das questões que englobam situações corriqueiras de emergências. Todavia, após o curso, ou seja, após a universidade atuando
como difusora de conhecimento e capacitação pública, ocorreu aumento relativo de 56% nos acertos. Isso evidencia que os integrantes da Escola Médica, mesmo que ainda graduandos,
podem atuar de maneira a interferir em determinantes de saúde e, principalmente, na divulgação de informação acadêmica correta e de forma simples e prática. Assim, a atuação dos
graduandos pode, em última análise, auxiliar a sociedade a saber atuar nas situações de emergência abordadas.
148
A ATUAÇÃO DA COMISSÃO NACIONAL DE RESIDÊNCIA MÉDICA - CNRM E A IMPUGNAÇÃO JUDICIAL DE SUAS DECISÕES: UM ESTUDO À LUZ DAS REPERCUSSÕES
DA SUA ATUAÇÃO
Pedro Henrique Arazine Godoy de Carvalho Costandrade1, Wagner Vilas Boas de Souza1, Sergio Henrique da Silva Santos1, Maria Cristina Manno1, Roselle Bugarin Steenhouwer1, Dayse Stefane
Mesquita de Oliveira1
1 MEC
Palavras-chave: Residência Médica; Sistemas Nacionais de Saúde; Decisões Judiciais; Planejamento Governamental; Análise de Consequências
Introdução
A Comissão Nacional de Residência Médica - CNRM é responsável, no Brasil, pela regulação, supervisão e avaliação dos Programas de Residência Médica e, no exercício dessa competência,
profere decisõesque são questionadas judicialmente. Entender essa judicialização pode colaborar com a qualificação e melhoria da atuação da CNRM.
Objetivos
Compreender a litigiosidade em relação às decisões da CNRM e os resultados dessas decisões de forma a melhor compreender e qualificar o processo decisório.
Métodos
Pesquisas realizadas nos sistemas dos Tribunais Regionais Federais das 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e 5ª Regiões por processos propostos contra decisões da CNRM e no Sistema Eletrônico de Informações
do Governo Federal - SEI. Foram consideradas as demandas propostas entre 01/01/2016 e 23/06/2021. Com o resultado da pesquisa, foram coletadas informações referentes aos polos Ativo
e Passivo, ao tema central, àexistência de tutela de urgência e à decisão judicial proferida, à existência de sentença e à ocorrência de Trânsito em Julgado.
Resultados
Foram localizados 86 processos nas bases dos Tribunais, dos quais 24 também foram localizados no âmbito do SEI. Apenas 27, 91% das demandas judiciais que indicam o Presidente da CNRM
no polo passivo estão no âmbito do SEI. Após a primeira triagem, foram catalogados 141 processos judiciais a partir do SEI para serem verificados. Após a avaliação desses processos, apenas
105 foram efetivamente utilizados para a presente pesquisa. O corpus das análises foi de 165 processos judiciais, com algumas exclusões devidamente justificadas no decorrer da pesquisa.
A primeira observação relevanteé a de que 48, 5% das decisões proferidas em sede de tutela provisória são desfavoráveis ao posicionamento defendido pela CNRM, com o indeferimento
do pedido em apenas 27, 3% dos casos. Esse fato pode demonstrar uma falha na fundamentação dos atos praticados pela CNRM, o que acaba por ensejar, nos órgãos judiciais, um senso de
urgência na correção desses atos e, ainda, na plausibilidade do direito arguido pelos demandantes. Outro aspecto é que 33, 6% dos processos efetivamente julgados terminaram sem decisão
final de mérito, dos quais 18 deles foram por desistência, 10 por perda superveniente de objeto e 14 por outros motivos. Os casos de perda de objeto, em geral, ocorrem quando a própria
autoridade administrativa reconhece a procedência do pedido. Muitos processos ainda estavam pendentes de julgamento de mérito, no entanto, há uma significativa prevalência, dentre os
decididos, de julgamentos procedentes em contraposição aos de improcedência, o que pode, novamente, demonstrar falhas nos procedimentos adotados pela Comissão. Algumas temáticas
foram recorrentes nos processos pesquisados, tais como: i) Matrícula em Programa de Residência; ii) Pontuação extra PROVAB; iii) Transferência de Programa; iv) Programa de Pré-requisito
em Área Cirúrgica Básica; e, v) Emissão de Certificado de Conclusão de Residência Médica. Foram observados outros 28 temas em menor ocorrência.
Conclusões
A partir da pesquisa, foi possível observar uma significativa judicialização das decisões emanadas da CNRM, com predomínio de processos judiciais sobre determinados temas e uma
prevalência de decisões judiciais contrárias à decisão da CNRM, o que sugere a necessidade de adequação da fundamentação aos atos da CNRM. Esses resultados demonstram uma
necessidade de qualificar a atuação da CNRM, inclusive, porque nem todos aqueles que se sentem prejudicados pelas decisões proferidas buscam efetivamente o Judiciário.
149
1 UNIDEP; USP
2 USP
Introdução
Sendo a equidade um dos princípios doutrinários do Sistema Único de Saúde (SUS), é necessário o reconhecimento das necessidades de saúde de populações vulneráveis ou que possuam
necessidades específicas. Para garantir que questões sociais façam parte da formação do médico, as Diretrizes Nacionais Curriculares de Medicina (DCN) publicadas em 2014 incorporam
esse reconhecimento ao propor organização dos cursos de medicina para que atendam às necessidades de grupos específicos, através do reconhecimento da responsabilidade social do
médico.
Objetivos
Como os Determinantes Sociais em Saúde (DSS) e a saúde das populações vulneráveis são abordados nos documentos orientadores dos cursos de graduação em medicina?
Métodos
Pesquisa qualitativa, de levantamento documental e análise de conteúdo. Analisamos a DCN de 2014 para a verificação de como os DSS e as populações vulneráveis devem ser trabalhados
nos cursos de medicina.
Resultados
As DCN não identificam populações de forma específica nem as DSS, apenas trazem orientações gerais que devem ser levadas em conta norteada pelos princípios do SUS, política de
humanização da saúde, reconhecimento clínico-epidemiológico, riscos e vulnerabilidades entre outros. Essa perspectiva deve ser transversal ao longo da formação dos alunos por considerar
a relevância social da universidade. Não há uma especificação sobre como deve ser a condução e ensino sobre os DSS ou populações específicas, entretanto, pela transversalidade, existe a
necessidade de que estes temas estejam não apenas nos módulos de Saúde Coletiva. Há uma série de etapas até que o aluno participe de uma aula que aborde estes assuntos: das DCNs
para os planos pedagógicos, ementas e aulas. Portanto, haverá uma grande variedade de conduções, pois as instituições tem autonomia para decidir como serão feitas as abordagens destes
conteúdos. Essa autonomia é imprescindível para a contextualização, sobretudo por considerar que há diferentes realidades em relação às necessidades, acesso e atendimento em saúde ao
longo do país. Considerando a saúde como um campo de disputas na representação dos saberes sobre os corpos, considera-se necessário problematizar a amplitude de interpretações que
as DCNs podem trazer justamente por falta de especificidade. Essa falta pode ser útil quando deixa aberto para que se possa incluir novasdemandas que surgem, entretanto, pode ocasionar
uma seleção e exclusão de grupos que já são socialmente excluídos. A brevidade nas orientações pode restringir o que há de social nos assuntos, pois ao serem transcritas para uma ementa,
há o risco de redução dos temas sociais a uma questão puramente epidemiológica, estigmatizadora ou não serem abordados: por exemplo, usar a população em situação de rua como
exemplo de ensino da tuberculose ou dependência química, ou utilizar aulas sobre ISTs usando exemplos da população LGBTI+.
Conclusões
A falta de orientações claras sobre a inclusão de povos vulneráveis pode acarretar numa grande diferença na forma como será feita a abordagem dos temas. É imprescindível a inclusão
desses assuntos para não utilizar essas populações simplesmente para ensinar um conteúdo biológico, sem abordar as questões sociais envolvidas. As populações vulneráveis socialmente
não podem ser usadas para uma abordagem tecnicista, mas justamente o contrário: contextualizar questões socioculturais para que a técnica faça sentido na intervenção na realidade.
150
Caio Vinicius Soares da Silva1, Gabriele Lima de Lucena1, Antonio Vivaldo Pantoja 1, Rafaela Silva Damasceno1, Pedro Henrique Gomes Vieira 1
1 UFPA
Introdução
A Diabetes Melito (DM) é um quadro de hiperglicemia persistente e a falta de controle desta situação clínica origina condições crónicas como o Pé Diabético. O Pé Diabético são infecções,
ulcerações e destruição tecidual profunda que podem ser acompanhados de neuropatias e doenças vasculares nos membros inferiores. Acrescenta-se, que essa condição patológica é
sensível as condições socioeconômica dos pacientes sendo esta motivo de agravo das lesões e consequentes amputações. A presença do Pé Diabético sentencia o indivíduo a perda da
qualidade de vida de tal forma que é necessário promover a educação sobre o autocuidados dos pés para os pacientes com DM e proporcionar ações singulares que melhore a qualidade de
vida de pessoas com o Pé Diabético.
Objetivos
Compreender como o ensino da Medicina Centrada no Paciente (MCP) permite uma atenção holística ao indivíduo com lesão diabética nos pés, pelos acadêmicos de medicina da região da
Transamazônica.
Relato de experiência
O atendimento ao paciente diabético, constituía-se pelo seleção de indivíduos com ulcerações nos pés que nunca haviam passado por processos de amputação. Cada acadêmico de medicina
se responsabilizava por um desses pacientes e semanalmente realizava a limpeza, o desbridamento do tecido necrótico, a estimulação da camada epitelial de granulação com DESANI
ozonizado, o curativo e a educação em saúde. Esses pacientes atendidos eram oriundos de alguns municípios da região da Transamazônica, das quais possuíam características em comum:
baixa escolaridade, instabilidade econômica, dieta desregulada, fumantes, etilistas e possuidores de pouco saneamento básico. A partir disso, o tratamento destinado inicialmente apenas a
condição do membro inferior lesado se estendia em uma ampla educação em saúde na tentativa de mudar a percepção do indivíduo com DM sobre como os maus hábitos de vida
influenciavam na demora da cicatrização da lesão. Outrossim, buscou-se alternativas do paciente aliar as suas condições de vida a um bom prognóstico da doença crônica.
Conclusões ou recomendações
Assim, a vivência com os pacientes com DM apresentando a condição de Pé diabético suscitou em nós acadêmicos de medicina da região da Transamazônica a inevitabilidade de tratar o
paciente como um ser necessitado de um plano terapêutico singular que interfira de forma positiva na resolução da patologia e dos fatores promotores da piora clínica. Dessa forma, essa
vivencia concede que os profissionais médicos formados na região de estudo, consigam aliar os métodos centrados no paciente à prática cotidiana de tratamento a pessoas com condições
patológicas crônicas.
151
RASTREAMENTO DO NOVO CORONAVÍRUS EM ESTUDANTES - COMPROMISSO SUSTENTADO DE UMA ESCOLA MÉDICA DO INTERIOR PAULISTA
Júlio César Cipriano Basílio 1, Fabiana Barcelos Furtado1, Cristiano Martins Beserra1, Luca Jinkings Monteiro da Silva 1, Jacqueline Costa Teixeira Caramori 1, Rejane Grotto1
1 UNESP
Introdução
Para retomada das atividades presenciais em escolas de medicina do país durante a pandemia da COVID-19 (Coronavirus Disease 2019) diferentes estratégias foram adotadas. Além das
medidas protetivas, o rastreamento do SARS-CoV-2 (Severe Acute Respiratory Syndrome Coronavirus 2) em assintomáticos na saliva utilizando a coleta em pools se mostrou inovadora e
segura para balizar a tomada de decisões no que se refere ao controle às atividades presenciais de uma escola médica. Desta forma, o rastreamento em pool de saliva do SARS-CoV-2
conseguiu minimizar os riscos de transmissão do vírus entre discentes, docentes e outros servidores, desde agosto de 2020 quando houve gradativo retorno para atividades presenciais.
Objetivos
Registrar o padrão de rastreamento do SARS-CoV-2 durante toda pandemia da COVID 19; avaliar comportamento da variante Ômicron na comunidade acadêmica durante seis meses e
possíveis relações entre os sujeitos avaliados, e a se os picos de casos positivos neste grupo foram correspondentes aos de casos positivos que ocorreram na população da cidade em que a
instituição está sediada.
Métodos
Foi feito um levantamento de amostras provenientes da rotina diagnóstica da pesquisa de SARS-CoV-2 com teste molecular Real Time quantitative Polymerase Chain Reaction (RT-qPCR), de
um hospital dereferência, associado à mesma instituição a que os alunos estão vinculados, no período de 1 de janeiro a 8 de julho de 2022. Os dados foram submetidos a análise estatística.
Resultados
A instituição adotou como medida de segurança o rastreamento de assintomáticos, a partir de agosto de 2020, com intervalos variáveis dependendo do ano do curso e a frequência de
atividades presenciais, sendo que internos realizavam testes com menor intervalo, chegando a realizá-los semanalmente. O rastreamento da variante Ômicron foi obtido de 400 pools de
saliva realizados nesse período, 107 foram detectados e 293 não detectados, refletindo um monitoramento de 4815 indivíduos. Não foi observada diferença entre os gêneros (p=0, 761).
Durante o período da avaliação discentes do primeiro (1, 94%) docurso mostraram menores taxas de rastreamento detectados, seguidos pelos terceiro ano (3, 35%); segundo (6, 70%), quarto
(4, 67%) e quinto (5, 16%) anos estes, não mostraram diferença estatística no índice de detecção do vírus quando comparados entre si, no entanto mostraram taxas de detecção superior aos
demais grupos avaliados. O perfil de casos detectados entre estudantes foi coincidente com o da população no período das 27 semanas avaliadas. A menor taxa de detecção de SARS-CoV-
2 no primeiro ano do curso pode se relacionar a menor exposição deste grupo uma vez que ainda não frequentam o ambiente hospitalar e, muitas de suas atividades ainda se mantinham
remotas sobretudo nos picos da pandemia. As maiores taxas de detecção do vírus coincidem com o momento de flexibilização das medidas protetivas, como o uso de máscaras. Os resultados
de picos de detecção do SARS-CoV-2 coincidem com o da população sugerindo que mesmo observando-se grupos mais restritos, o perfil de transmissibilidade se mantém semelhante.
Conclusões
Os dados mostram a importância do controle epidemiológico de uma comunidade acadêmica na tentativa de fornecer subsídios para a gestão na tomada de decisões estratégicas para
manejo da COVID-19. A técnica tem sido aplicada de forma periódica, e revelou seu potencial para agilizar o retorno seguro às atividades presenciais. O reconhecimento como inovação social
deixou a técnica à disposição da sociedade.
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PROTAGONISMO ESTUDANTIL NO CENÁRIO DAS DOENÇAS RARAS: ORGANIZAÇÃO DE UM CONGRESSO BRASILEIRO ONLINE PARA ACADÊMICOS E SOCIEDADE
GERAL
Roberto Nogueira Santana 1, Melissa Suhett Franco1, Leticia Silva dos Santos1, Camila Marcon Santos1, Nathany Martello Eich1, Sandra Obikawa Kyosen1
1 UNINOVE
Palavras-chave: Doenças raras; Erros inatos do Metabolismo; Educação Médica; Genética Médica
Introdução
Doença rara (DR) é aquela doença que tem uma prevalência de até 65 pessoas a cada 100 mil indivíduos, estima-se que existam entre 6 a 8 mil diferentes DR e no Brasil a estimativa é de que
haja 7, 3 a 12, 4 milhões de pessoas com alguma DR. Esses pacientes enfrentam uma verdadeira odisséia até o diagnóstico, consultam médicos de diferentes especialidades e chegam a
demorar 28 anos entre o aparecimento dos primeiros sintomas e o diagnóstico definitivo. Um dos fatores mais frequentemente citados para essa demora é a falta de conhecimento entre os
médicos sobre as DR, uma vez que esse grupo de doenças não costuma ser abordado durante a graduação.
Objetivos
Relatar a experiência da realização de um congresso organizado por acadêmicos após serem apresentados às dificuldades da jornada do paciente com DR durante uma aula do ciclo básico,
para a divulgação dotema entre acadêmicos dos cursos da saúde, aberto à sociedade civil com participação de pesquisadores da área, mas também de pacientes e participantes de associações
de apoio a pacientes com DR.
Relato de experiência
Durante uma aula de bioquímica para os alunos do segundo semestre da graduação do curso de medicina, foi apresentado um TED Talk de uma mãe de um paciente com uma DR, que foi
diagnosticado quando ele já apresentava sequelas neurológicas irreversíveis. Foi feita uma discussão em sala sobre a falta de conhecimento sobre as DR entre as diversas especialidades
médicas, e comentado sobre o pouco enfoque dado a esse grupo de doenças durante a graduação. Motivados por mudar esse cenário, um grupo de acadêmicos decidiu fazer um congresso
para divulgar as DR entre acadêmicos da área da saúde e sociedadegeral. Para a divulgação do evento foi criada uma conta no Instagram com postagens semanais sobre algumas DR e
depoimentos de pessoas portadoras de DR. O evento foi realizado entre 03 e 08/07/2021 no formato totalmente online, teve um total de 5.670 inscritos e foi transmitido ao vivo por uma
plataforma de "streaming", a StreamYard, via Youtube com uma média de 4, 6 mil visualizações em cada um dos dias do congresso. A palestra de abertura do evento foi realizada pela mãe
do paciente com doença rara que tinha gravado o vídeo que foi passado na aula de bioquímica.
Conclusões ou recomendações
Esta vivência mostrou que os graduandos podem e devem ser os protagonistas do seu aprendizado, e que quando motivados, acham sentido nas atividades, engajam-se em projetos e
contribuem para asociedade.
153
QUANDO PROFISSIONAIS DE SAÚDE VIOLENTAM AS PESSOAS SOB SEUS CUIDADOS: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA NA ATENÇÃO
PRIMÁRIA À SAÚDE
Nathan Mendes Souza1, Denise Cristiane Costa2, Michele Gomes Ank 2, Livia Amurim de Souza2
1 UFMG
2 PMMB
Introdução
Pesquisas demonstram um aumento da incidência de casos de violência contra meninas e mulheres perpetradas por profissionais de saúde dentro dos serviços de saúde dos três níveis de
atenção. Nas unidadesde saúde de São Paulo, por exemplo, ocorre um caso de estupro a cada 13 dias. Paralelamente, a mídia tem destacado os casos mais grotescos nacionalmente. As
Sociedades Brasileiras de Medicina de Família e Comunidade e a de Anestesiologia emitiram notas nacionais de repúdio e de chamada para capacitação de alunos de graduação, de
residências médicas e de profissionais em processos de educação continuada e permanente pelo Sistema Único de Saúde.
Objetivos
Relatar a experiência de uma websupervisão longitudinal do Programa Mais Médicos para o Brasil sobre ética na saúde: quando profissionais de saúde violentam as pessoas sob seus cuidados.
Relato de experiência
O Programa Mais Médicos para o Brasil oferta, por meio de Instituições de Ensino Superior, educação permanente e continuada para médicos (as) supervisionados(as), preferencialmente,
em alinhamento diretocom a coordenação da Atenção Primária à Saúde municipal e com a gerência das Unidades Básicas de Saúde (UBS). Em 18/07/2022 ocorreu um encontro com 10
supervisionados e um supervisor para discutir sobre o tema da violência contra as meninas e mulheres perpetrada por profissionais de saúde. Textos jornalísticos e resultados de pesquisas
publicadas foram previamente enviados por email para estudos.
Durante o encontro houve participação ativa de todos os 11 participantes, seja por comentários sobre os materiais de estudos, por meio da aplicação dos conhecimentos à realidade do
território de saúde ou porcompartilhamento de sentimentos de frustação, raiva, medo e de indignação perante tais atos de violências Discutiu-se sobre experiências exitosas de formação
contra a violência contra a mulher, de fluxos e protocolos de cuidados às vítimas e aos agressores existentes no município e na região de saúde.
Conclusões ou recomendações
Programas nacionais tem papel fundamental para processos de educação permanente e continuada dos médicos e das equipes de saúde da família, especialmente em temas desafiadores
e urgente como o da violência contra as meninas e as mulheres. A partir dessa websupervisão previu-se multiplicação da discussão com os demais membros da equipe de saúde da família e
outras ações de prevenção de violências sexuais.
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ASSISTÊNCIA À PESSOAS COM DIABETES MELLITUS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: RELATO DE PRÁTICA DE APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA E INTEGRAÇÃO
ENSINO- SERVIÇO
Lourrany Borges Costa1, Lara Thais Pinheiro Medeiros1, Vítor Nascimento Malheiro1, Ingrid Fernandes Vasconcelos1, Iana Vitoria Araujo Marques1, Clarice Almeida Alencar1
1 UNIFOR
Palavras-chave: Diabetes Mellitus; Educação médica; Promoção da saúde; Capacitação em Serviço; Serviços de Integração Docente-Assistencial
Introdução
Diabetes Mellitus (DM) representa um grupo de desordens caracterizadas pelo aumento sérico de glicose. Destarte, a carga de complicações associadas à DM, bem como sua alta prevalência
mundial, a fazem importante problema de saúde pública. É fundamental que futuros profissionais médicos, recém-graduados, que irão em grande parte atuar na atenção primária à saúde
(APS), dominem o cuidado de condições crônicas, incluindo DM, com corretas elaboração e implementação de planos terapêuticos. Ressalta-se a importância da adequada prescrição de
insulinoterapia, um dos principais tratamentos da DM, assim comoefetiva educação em saúde sobre seu uso para pacientes, cuidadores e familiares, além do desenvolvimento do autocuidado,
para o sucesso do plano terapêutico.
Objetivos
Relatar a experiência de aprendizado sobre DM em cenários de ensino prático em APS por alunos do 6° período do curso de Medicina de uma universidade do Nordeste Brasileiro.
Relato de experiência
O módulo “Ações Integradas em Saúde VI“, do 6o período, é responsável pelo desenvolvimento de competências referentes à atenção às doenças crônicas não transmissíveis na APS,
abordando, entre outros temas, DM. No período letivo de 2022.1, em formato de aula invertida, os alunos recebiam material de estudo prévio em ambiente virtual de aprendizagem, em
seguida resolviam quizzes formativos, e posteriormente participavam de aulas expositivas dialogadas com os professores. Então, os alunos aplicavam o conhecimento em aulas práticas,
realizando consultas supervisionadas a pacientes diabéticos em unidades básicas de saúde. As consultas eram realizadas em grupos de 2 a 4 alunos, com um professor médico de Família e
Comunidade. Cada grupo era responsável por montar um plano terapêutico completo para um paciente, em colaboração com a Equipe de Saúde da Família. Ao fim do período, os casos
eram debatidos em seminários. Além da assistência, os alunos também realizaram ações de promoção de saúde, de acordo com o contexto local de cada unidade de saúde.
Conclusões ou recomendações
O relato é exemplo do valor da integração entre o conhecimento teórico e a prática clínica para a aprendizagem. Além disso, corrobora a importância de se promover o desenvolvimento de
competências do futuro médico para atuar na APS, no contexto individual e coletivo, oferecendo cuidado integral. A prestação de serviço realizada pelas práticas de ensino, envolvendo
assistência, procedimentos e educação em saúde, são exemplos claros do impacto da extensão universitária no sistema de saúde local. Instituições e docentes devem estar atentos à
potencialidade que suas práticas de ensino podem ter para a melhoria da saúde da população onde estão inseridos.
155
TROTE SOLIDÁRIO: HÁ MAIS DE UMA DÉCADA TRANSFORMANDO A CULTURA VIOLENTA DOS RITOS DE RECEPÇÃO AOS CALOUROS DA MEDICINA EM
SOLIDARIEDADE
Marina Puerari Pieta 1, Gustavo Wild Pizutti2, Julia Bertoni Adames 2, Letycia Cabral Ribeiro3, Natállia Boff de Oliveira4, Vinícius de Souza5
1 PUCRS
2 UFCSPA
3 UNISINOS
4 ULBRA
5 SIMERS
Introdução
A recepção aos calouros do curso de medicina pelos seus veteranos, o famoso “trote sujo” acabou se transformando em diversos casos em violência e, por vezes, custando a saúde física e
mental dos novos estudantes. Com o objetivo de ressignificar essa prática e, simultaneamente, promover ações de cunho social e humanístico em prol da sociedade, um Núcleo Acadêmico,
braço de uma Instituição Médica do Rio Grande do Sul (RS), criou em 2008 o Trote Solidário.
Objetivos
Relatar a experiência do Trote Solidário pelos diretores acadêmicos - organizadores do evento - e a evolução dos resultados com o passar das edições.
Relato de experiência
O Trote Solidário está atualmente em sua 21° edição e acontece semestralmente nas 20 universidades que oferecem o curso de medicina no RS. Atualmente, a ação conta com arrecadação
de donativos não perecíveis, de tampinhas plásticas e de livros pré-vestibular, além de doação de sangue. Os alimentos arrecadados são destinados a instituições sociais e a famílias carentes.
Já as tampinhas plásticas são entregues a institutos voltados ao auxílio de crianças com câncer, que as transformam em verba e investimento interno. Os livros didáticos são distribuídos em
cursos preparatórios para vestibular que são comunitários. As bolsas de sangue são destinadas aos pacientes que necessitam de transfusão, conforme gestão própria de cada hemocentro e
necessidade hospitalar. A organização do projeto é realizada pordiretores de um núcleo acadêmico e a ação conta com a participação voluntária de estudantes de medicina de todo o Estado.
Além de promover a integração entre os acadêmicos nas atividades, há o benefício em ajudar milhares de indivíduos em situação de vulnerabilidade. Desde a sua primeira edição, o evento
já arrecadou mais de 300 toneladas de alimentos, 6 mil bolsas de sangue, 7 mil livros didáticos e mais de1600 kg de tampinhas com a participação de mais de 11 mil alunos, beneficiando
mais de 650 mil pessoas.
Conclusões ou recomendações
O Trote Solidário vem transformando a forma de recepção dos novos ingressos nas universidades, substituindo a violência por solidariedade. Com todas as doações angariadas para as
instituições sociais e pessoas em situação de vulnerabilidade, a ação possibilita, para muitos acadêmicos, o primeiro contato com a comunidade que futuramente irão atender ao longo dos
anos, marcando o início da construção das suas relações tanto com a sociedade quanto com os colegas acadêmicos e com a universidade. A constante disseminação dessa cultura é
evidentemente necessária, por meio de estratégias que possibilitem quea cada semestre mais pessoas sejam alcançadas, não somente pelas doações, mas também pelo espírito humanitário.
156
VISÃO DO USUÁRIO ACERCA DA PERSPECTIVA BIOPSICOSSOCIAL DE SUJEITO E DE SAÚDE E A INFLUÊNCIA NA FORMAÇÃO MÉDICA
1 UFRJ
Introdução
O Modelo Biomédico, discutido desde meados do século XIX e que se perpetua no ensino e prática médica até os dias atuais, estabelece, entre outros conceitos, o cuidado em saúde tendo
o profissional e a doença como foco, abstraindo o usuário deste processo. Atualmente, algumas escolas de medicina, distribuídas por todo país, refletem sobre o equívoco na apresentação
exclusiva deste modelo como proposta de formação, desconsiderando as questões psicossociais em cada paciente. Dessa forma, é notória a necessidade de construção de matrizes
curriculares, visando formar profissionais capazes de abordar uma perspectiva biopsicossocial de sujeito e de saúde, como institui a produção da obra “Histórias não registradas em prontuários:
sob o olhar dos usuários”.
Objetivos
Relatar a experiência desenvolvida com discentes de medicina, realizada a partir da discussão Relação Médico-Paciente-Usuário, que levou a construção de um livro chamado “Histórias não
registradas emprontuários: sob o olhar dos usuários”, visando uma formação médica integral.
Relato de experiência
Essa experiência foi desenvolvida com discentes de um curso de Medicina do interior do estado do Rio de Janeiro, tendo como base uma Metodologia Ativa de Ensino-Aprendizagem (MAEA),
a partir da perspectiva biopsicossocial de sujeito e de saúde, para discutir o tema da Relação Médico-Paciente-Usuário. Através dessa MAEA, foi proposto pelo(a)s professores da disciplina
Propedêutica Médica a realizaçãode narrativas por estudantes do quarto período do referido curso, utilizando relatos de experiências reais em atendimentos médicos. Esse(a)s estudantes
construíram a ideia de médico(a)s que gostariam de ser, especialmente, refletindo sobre os modelos que eles não gostariam de adotar. A partir da construção desses trabalhos foi originada
uma coletânea organizada no livro “Histórias não registradas em prontuários: Sob o olhar dos usuários”.
Conclusões ou recomendações
Conclui-se que é necessário a ampliação da discussão da relação médico-paciente-usuário dentro da formação médica, na tentativa de atenuar a quantidade de relatos negativos em
atendimentos médicos, além de violências e assédios, formando médicos e médicas capazes de ter uma abordagem integral para com seus pacientes/usuários em uma perspectiva
biopsicossocial.
157
A INSERÇÃO DE ESTUDANTES DE MEDICINA EM CONTEXTOS REAIS DE APRENDIZAGEM: VIVENDO O SUS POR MEIO DAS METODOLOGIAS ATIVAS
Maria Luiza Rodrigues Defante 1, Larissa Ribeiro Nonato1, Alice Cavallini Nascimento Bourguignon 1, Matheus Pontes Hubner1, Elaine Souza dos Santos1, Douglas Alves Ferreira1
1 UNIREDENTOR
Palavras-chave: Educação Médica; Aprendizagem Baseada em Problemas; Serviços de Saúde; Atenção Primária à Saúde
Introdução
As metodologias ativas de ensino-aprendizagem buscam construir o protagonismo do estudante ao longo de todo o seu percurso formativo, possibilitando o desenvolvimento de senso
crítico e um olhar reflexivo sobre a realidade. Assim, o Sistema Único de Saúde (SUS) torna-se um locus privilegiado para práticas ativas, inserindo os estudantes a contextos reais de
aprendizagem. Temos, desse modo, um olhar social do processo saúde-doença.
Objetivos
Analisar o uso de metodologias ativas como estratégia de ensino-aprendizagem no Sistema Único de Saúde.
Relato de experiência
Em um Centro Universitário no Estado do Rio de Janeiro, os estudantes do curso de Medicina são inseridos na Atenção Básica à Saúde (ABS) desde o primeiro período no eixo Integração
Ensino-Serviço- Comunidade (IESC). A dinâmica consiste em encontros semanais de grupos de estudantes em uma Estratégia de Saúde da Família (ESF), de modo que ocorra o envolvimento
com todo processo de trabalho da unidade e com as dimensões técnicas, estruturais, operacionais e de gestão. Foram realizadas atividades de reconhecimento do território, confecção de
“mapas falantes”, ações de educação em saúde e identificação dos Determinantes Sociais. Nesse contexto, o conhecimento é construído a partir da territorialização e de visitas aos
componentes da Rede de Atenção à Saúde (RAS), havendo a escrita de relatórios semanais das atividades desenvolvidas. Além disso, deve-se ressaltar a abrangência da atuação dos
estudantes, uma vez que todo o território é terra fértil para o desenvolvimento de atividades de educação em saúde, extrapolando o locus físico da unidade básica e expandindo as ações
para dispositivos intersetoriais como escolas e outros componentes da Rede. Esses encontros na ESF precedem a ocorrência de palestra — momentos de explanação teórica do conteúdo a
ser desenvolvido.
Conclusões ou recomendações
Observou-se que a inserção dos estudantes de medicina a contextos reais de aprendizagem desde o primeiro período possibilita maior envolvimento e desenvolvimento de habilidades no
que tange ao cuidadohumano. Um desempenho profissional pautado na empatia, humanização e corresponsabilização está intimamente ligado a essas vivências iniciais.
158
DESAFIOS E PERSPECTIVAS DO CONHECIMENTO CIENTÍFICO: O BRAIN BEE COMO ESTÍMULO DA NEUROCIÊNCIA NA ESCOLA
Sayonara Nogueira de Souza1, Maria Luiza Rodrigues Defante 1, Renata Clementino Gontijo1, Diogo de Souza Vargas1, Sergio Gomes da Silva 2
1 UNIREDENTOR
2 FAMINAS
Introdução
A neurociência atua nos princípios estruturais, fisiológicos e patológicos do sistema nervoso, proporcionando a compreensão dos fenômenos da natureza humana. Percebido como complexo
e de difícil abordagem, torna-se imperativo utilizar de soluções inovadoras que motivem a exploração deste campo. O Brain Bee, idealizador da Olimpíada Brasileira de Neurociências (OBN),
tem como iniciativa despertar ointeresse dos estudantes do ensino médio para o conhecimento científico, sendo organizado na etapa local, para a seleção dos campeões regionais; e na
etapa nacional, que define quem disputará a etapa internacional. A realização da etapa local exigiu a criação de um comitê formado por docentes e discentes de Medicina, ratificando a
responsabilidade social da instituição de ensino em atuar como divulgadora, incentivadora e promotora de conhecimento.
Objetivos
Apresentar o relato de experiência envolvido na criação do Comitê Local e na capacitação dos alunos para a participação da Olimpíada Brasileira de Neurociências de 2022.
Relato de experiência
O comitê é formado por docentes da área de Neuroanatomia, Neurologia e Psiquiatria, pela coordenação do curso de Medicina e por graduandos com afinidade na área. A equipe foi
subdividida em 03 setores, formados segundo a expertise de cada envolvido: 1) mídia, responsável pela movimentação dos veículos de comunicação; 2) administrativo, destinado a apresentar
o programa às escolas e aos alunos do ensino médio da rede pública e privada municipal; e 3) operacional, realizador das atividades educativas que conduziram a preparação e a seleção dos
alunos para a etapa nacional. Os alunos que se interessavam em participar da OBN foram adicionados em um grupo de WhatsApp, a fim de receber lembretes das datas dos encontros, além
da utilização desta tecnologia na adição de conteúdos em neurociências. O curso de capacitação contou com 03 encontros presenciais, tendo uma visita ao Laboratório de Neuroanatomia,
e com uma palestra na modalidade on-line, sendo abordados os aspectos gerais do sistema nervoso, as principais doenças neurológicas, e a importância neurobiológica do sono na qualidade
de vida.
Conclusões ou recomendações
O avanço do conhecimento a partir da perspectiva transdisciplinar engloba reflexões sobre possibilidades e desafios do diálogo neurociência-educação. Assim, a neurociência tem um papel
importante em diversasáreas, e, por isso, seu estudo deve ser fomentado em jovens, já que o indivíduo que compreende a ciência pode ser capaz de transformar conhecimento científico em
recursos de uso cotidiano. Este é o objetivo do Brain Bee, esta é a missão da universidade.
159
SÉRIE HISTÓRICA DAS ESCOLAS MÉDICAS PÚBLICAS E PRIVADAS NO BRASIL NO PERÍODO DE 1808 A 2021
Cristiene Neta de Sá Araújo1, João Lucas Gigante Gonçalves 1, João Pedro Nunes de Souza 2, Vitória Regina Vidal Sabá e Silva1, Lucas Dias Vasconcelos 1, Sara Fiterman Lima1
1 UFMA
2 FMABC
Introdução
O ensino médico teve seu início formal no Brasil em 1808, quando foram criadas as primeiras escolas, entretanto, ao longo dos anos seguintes, registrou-se um crescimento desorganizado
no número de cursos, associado a problemas quantitativos (distribuição e fixação de médicos) e qualitativos (qualidade da formação médica), levando a expansão da formação médica a ocupar
pauta na agenda da política do país.
Objetivos
Identificar a distribuição e expansão dos cursos de medicina no Brasil em uma série histórica de 1808 a 2021.
Métodos
Trata-se de um estudo descritivo quantitativo para demonstrar a expansão do ensino médico no Brasil. Os dados foram coletados em junho de 2022 a partir dos portais E-mec e Escolas
Médicas do Brasil, paracolher o maior número de informações sobre a criação, número de vagas, e tipo de administração.
Resultados
O Brasil registra 354 cursos de medicina, sendo que 5 destes encerraram suas atividades. Atualmente são 349 cursos em atividade, dos quais 43 estão em processo de reconhecimento, sendo
210 cursos privados (60%) e 139 públicos (40%). Quanto à distribuição, temos 34 cursos na região centro-oeste (10%), 31 na região norte (9%), 60 na região sul (17%), 79 no nordeste (22%) e
145 (42%) na sudeste. Dos cursos em atividade, 251 (71, 91%) estão localizados no interior dos estados, apenas 97 dos cursos encontram-se nas capitais. O crescimento de escolas médicas
no interior foi mais acentuado nos últimos 20anos. Entre o período de 2003 a 2010 foram abertas 21 escolas médicas, já no intervalo de 2011 a 2018, esse número foi de 92, o que corresponde
a um aumento de 338%. A oferta total anual é de 35.642 vagas.
Conclusões
As faculdades de medicina vêm se expandindo ao longo dos anos desde o início da sua implantação no país. O novo perfil das escolas médicas de caráter predominantemente privado e
localizado, sobretudo, nascidades do interior reforça o ideal mercantilista das escolas médicas que tornou-se um negócio bastante rentável aos grandes empresários, sendo um grande
negócio principalmente em locais onde a concentração e concorrência é menor ou inexistente como nas cidades do interior. Entretanto, a criação desenfreada e desorganizada das escolas
médicas coloca em risco a qualidade dos profissionais com faculdades sem infraestrutura e sem qualificação para formar profissionais médicos.
160
MONITORIA DE HABILIDADES MÉDICAS: CONSOLIDAÇÃO E PERPETUAÇÃO DO ENSINO-APRENDIZAGEM A PARTIR DA PRÁTICA DA MEDICINA CENTRADA NO
PACIENTE
Caio Vinicius Soares da Silva1, Gabriele Lima de Lucena1, Bruna Grazielle Carvalho Jacomel1, Rodrigo Januário Jacomel1, Sintia Fagundes Leite1, Bruno Ricardo Leite Barboza1
1 UFPA
Palavras-chave: Habilidades Médicas; Monitoria; Medicina Centrada no Paciente; Responsabilidade; Escola Médica
Introdução
A Medicina Centrada no Paciente (MCP), configura-se como o método de ensino e execução ancorados nas expectativas e individualidades do paciente. Isso garante que o profissional
médico tenha autonomia em adequar a semiologia médica, teorizada, as peculiaridades de cada consulta. Assim, o acadêmico de medicina ao adentrar na escola médica em regime ativo de
aprendizagem tem inúmeras expectativas de ter o contato com o paciente e executar aquilo que subtraiu das literaturas médicas. A partir desse cenário, a monitoria de habilidades médicas
tem o objetivo de moldar esse desejo e proporcionar que o acadêmicotenha êxito em executar a prática médica de forma transversal com o paciente, sem que o atendimento médico se
torne um questionário rígido e não adaptável. A experiência acadêmica do monitor auxilia o aluno a administrar as barreiras psicológicas, assimilativas e comunicativas dentro da relação
médico-paciente.
Objetivos
Compreender através da experiência relatada a contribuição da monitoria de habilidades médicas para a consolidação das perspectivas da MCP.
Relato de experiência
A faculdade de medicina da região do Xingu proporciona aos seus alunos do segundo período em diante a possibilidade de se integrar ao corpo docente na função de monitor. Dessa
maneira, o monitor tem a responsabilidade de ajudar o docente responsável pelo eixo de ensino, na medida de facilitar, avaliar e orientar a aprendizagem prática dos discentes. O eixo de
habilidades médicas I é marcado pela preconização dos componentes principais da relação médico-paciente de acordo com a MCP sendo eles: Anamnese, Biossegurança, Antropometria e
Ectoscopia, das quais exigem uma maior acurácia do aluno em saber executar cada componentes deste, de acordo com o paciente (real ou fictício) apresentado durante as atividades prática.
Contudo a ansiedade e a pouca comunicação impossibilitam que o aluno consiga incorporar aos princípios da MCP e tornar a ação médica resolutiva não apenas para a patologia, todavia,
através de um bom atendimento que influencia na longitudinalidade da relação médico-paciente e por consequência evita a iatrogênica (prática médica distanciada do paciente e da sua
realidade). Por isso, o monitor buscar associar metodologias ativas como: “Flash Card”, “Gameficação”, “Kahoot” e “WordCafé” para construir meios que derrubem a barreira entre a prática
na escola médica e a medicina centrada no paciente. Essas metodologias associam a tecnologia ao cotidiano do laboratório de habilidades médicas, das quais facilitam a memorização e a
interação.
Conclusões ou recomendações
Portanto, o aprendizado prático baseado na MCP é subsídio para a formação de profissionais médicos de excelência que se distanciam da iatrogênica. Destaca-se, que o constante exercício
desse método atravésda monitoria implica na consolidação de práticas responsáveis e eficientes dos futuros médicos para com os pacientes e assegura o conhecimento teórico a ser adaptado.
161
Marianne Rose Mignac de Barros Monteiro Melo 1, Rita de Cássia Hoffmann Leão1, Ana Claudia de Melo Malta1, Cecilia Sofhia Alexandre Soares de Lima1, Higor Emmanuel Silva de Jesus1, Luciano
de Albuquerque Mello1
1 FITS
Introdução
O curso de Medicina requer dedicação integral e a alta demanda pode gerar no estudante sintomas relacionados ao estresse. Dessa forma, alternativas de lazer tornam-se necessárias.
Atualmente, as redes sociais, os serviços de streaming e os jogos online são exemplos de atividades de fácil acesso para esse fim. Contudo, o tempo destinado a essas ferramentas pode
prejudicar o desempenho acadêmico, ao passoque muitas vezes “roubam” o tempo dos estudantes, que já é escasso. Diante disso, percebe-se a necessidade de discutir como os instrumentos
de lazer tecnológico podem se tornar vilões.
Objetivos
Refletir sobre como a tecnologia pode dissipar o tempo de estudo e interferir na formação acadêmica de Medicina. Citar os principais elementos relacionados ao entretenimento informatizado
que consomem otempo de um estudante na atualidade.
Relato de experiência
A densidade de conteúdos e a carga horária do curso de Medicina demanda a administração do tempo pelo acadêmico. Não é incomum os estudantes desenvolverem sintomas relacionados
ao esgotamento físico, emocional e necessitarem de estratégias de escape para aliviar a pressão que o próprio comprometimento impõe. Hodiernamente, o acesso às diversas ferramentas
têm inúmeros benefícios, como fácil acesso à informação, possibilidade de comunicação instantânea e entretenimento. Ocorre que, o uso inadequado pode se tornar prejudicial e consumir
tempo necessário a outras atividades. Dentre os meios que mais sequestram o tempo, estão as redes sociais, as plataformas de streaming e os jogos eletrônicos. Grande parte desse problema
ocorre devido a divisão de funções atribuídas aos aparelhos eletrônicos, pois pelo smartphone ou computador o aluno consegue estudar e se distrair com muita facilidade. De acordo com o
estudo “O uso de internet e redes sociais e a relação com indícios de ansiedade e depressão em estudantes de medicina” (2017), existem muitos fatores deletérios relacionados à falta de
habilidade de manejar o tempo e à dependência pela internet, como prejuízos à nutrição, ao sono e à atividade física, acarretando redução no desempenho acadêmico e nas relações pessoais.
Diante disso, o resultado são alunos frustrados, deprimidos, ansiosos e/ou solitários, buscando meios não saudáveis para dar conta do tempo perdido, como uso de substâncias estimuladoras,
o que só agrava o quadro.
Conclusões ou recomendações
A tecnologia, os meios de comunicação e as redes sociais fazem parte da vida cotidiana na atualidade e devem ter seu uso controlado. A compulsividade pode levar a efeitos negativos na
produtividade, acarretando prejuízos à vida acadêmica e à saúde mental do estudante, especialmente em um curso como o de medicina que demanda muita dedicação. É necessária uma
avaliação permanente por parte dainstituição de ensino, uma vigilância criteriosa entre os colegas e uma conscientização para a auto reflexão caso surjam sinais de baixo rendimento e
sintomas de transtornos de humor.
162
ESTUDO DA ATUAÇÃO DELIBERATIVA, CONSULTIVA E LEGISLATIVA DA COMISSÃO NACIONAL DE RESIDÊNCIA MÉDICA – CNRM NO ANO DE 2021
Pedro Henrique Arazine Godoy de Carvalho Costandrade1, Wagner Vilas Boas de Souza1, Sergio Henrique da Silva Santos1, Maria Cristina Manno1, Roselle Bugarin Steenhouwer1, Dayse Stefane
Mesquita de Oliveira1
1 MEC
Palavras-chave: Residência Médica; Sistemas Nacionais de Saúde; Planejamento Governamental; Análise de Consequências
Introdução
A Comissão Nacional de Residência Médica – CNRM possui quatro principais competências, todas previstas no Decreto 7.562/2011, quais sejam: i) credenciamento e recredenciamento de
Instituições para a oferta de Programas de Residência Médica; ii) autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de Programas de Residência Médica; iii) estabelecimento de
condições de funcionamento de Instituições e Programas de Residência Médica; e, iv) promoção da participação social. Entender como a CNRM desempenha essas atribuições é fundamental
para compreender a Residência Médica.
Objetivos
Analisar a atuação deliberativa, consultiva e legislativa da CNRM no ano de 2021 para compreender as diretrizes de sua atuação.
Métodos
Análise das atas e processos decididos pela CNRM no decorrer das Sessões Plenárias Ordinárias e Extraordinárias ocorridas entre abril de 2021 e outubro do mesmo ano, com a coleta de
dados referentes aosatos autorizativos emitidos e processos analisados no período.
Resultados
No período objeto da análise, foram 330 atos autorizativos expedidos pela CNRM, dos quais 21, 5% eram de credenciamento provisório e 71, 5% de credenciamento e de recredenciamento
de Programas de Residência Médica, enquanto os demais trataram sobre aumento de vagas e aditamento de atos autorizativos. No mesmo período, foram objeto de avaliação pela CNRM
224 processos, dos quais as denúncias representam 37, 5%, seguidos por Transferência de Residentes, 21, 4%, de Inserção de Residentes no SICNRM, 18, 75%. Também foram objeto de
análise pela CNRM 50 matrizes de competência. Uma quantidade significativa da atuação da CNRM está centrada do credenciamento provisório, credenciamento e recredenciamento, o que
demonstra a relevância destas atividades, notadamente em abertura de novas vagas e monitoramento da qualidade de programas de Residência Médica ativos. Note-se que foram 330 atos
autorizativos expedidos no período, em contraposição à análise de 224 processos com temas diversos. Nesse mesmo sentido, no âmbito dos processos analisados no período, houve uma
prevalência de processos relacionados a denúncias, que representam uma atuação reativa da CNRM. Não foram observados no período procedimentos que evidenciem uma atuação
preventiva da CNRM na avaliação e monitoramento de Programas de Residência, a exemplo das avaliações periódicas que são realizadas nas escolas médicas de nível superior. A realização
de funções essencialmente administrativas pela Comissão, como é o caso das temáticas relacionadas à transferência de residentes e à inserção de residentes no SISCNRM, poderiam ser
realizadas de ofício pelo próprio Ministério da Educação, deixando assim que os Conselheiros da Comissão Nacional dediquem seu tempo ao processo de formulação e acompanhamento
das Políticas Públicas que envolvem a Residência Médica no Brasil, o que ensejaria a regulamentação e o mapeamento dos processos administrativos que podem ser conduzidos pelo Ministério
da Educação.
Conclusões
A partir das análises realizadas foi possível compreender a atuação da Comissão Nacional de Residência Médica no exercício de suas competências regulação, supervisão e avaliação de
Instituições e Programas de Residência. A quantidade de procedimentos submetidos à avaliação do Plenário da CNRM demonstra o tamanho da tarefa que é a Residência Médica no Brasil.
Existem, ainda, caminhos a serem traçados para o aprimoramento dos procedimentos adotados pela Comissão, bem como para a melhoria e qualificação dos serviços e dos Programas de
Residência Médica.
163
A IMPORTÂNCIA DA DIVULGAÇÃO CIENTÍFICA DURANTE A GRADUAÇÃO EM MEDICINA PARA O ESTUDANTE E PARA A SOCIEDADE ATRAVÉS DAS REDES SOCIAIS
José Raphael Pinto Gonçalves1, Alejandra de la Caridad Hernández Herbello1, Camila Begui do Nascimento Peteck1, Gustavo da Cunha Rodrigues1, João Carlos Guimarães de Andrade Gomes1
1 UNILA
Introdução
O projeto para um curso de graduação em medicina busca, além da formação de futuros profissionais, responder a uma demanda emergente regional e nacional. Nesse norte, são pontos
importantes que alicerçam as escolas médicas: a relevância e a necessidade social do curso para a população local. Paralelamente, as redes sociais surgem como uma importante ferramenta
democrática de acesso a conteúdos , expressando-se como uma forte base de consulta de grande parte da população para se informar.
Objetivos
Nesse prisma, esse relato tem por objetivo compreender e expor as experiências vivenciadas durante a prática de desenvolvimento de um programa de divulgação científica nas redes sociais
e a importância dainstituição de ensino superior como agente informativo para a sociedade.
Relato de experiência
O presente trabalho relata, por uma abordagem qualitativa, a prática de 5 estudantes durante a elaboração e execução de um perfil público no Instagram de divulgação de metodologia
científica sobre Suporte Básico de Vida Pediátrico, orientado para profissionais da educação infantil de forma aplicável ao contexto de educação infantil e pré-escolar, realizada durante uma
disciplina no curso de medicina de uma Instituição de Ensino Superior. Para, dessa forma, o usuário compreender e aplicar o método científico no seu cotidiano, como: conhecer os diferentes
bancos de dados;Identificar qualidades e limitações de um trabalho científico;saber realizar buscas nos principais bancos de dados.As publicações foram elaboradas buscando uma forma de
comunicação acessível e objetiva, buscando introduzir os termos do modelo acadêmico-científico na linguagem das redes sociais.A divulgação da pagina foi feita por meio das redes sociais
privadas dos autores dos projeto.Foram utilizados a própria memória do período avaliado e comentários digitais individuais, realizados por usuários da rede social que acompanham a página,
nas publicações para analisar a percepção e avaliação dos conteúdos compartilhados.
Conclusões ou recomendações
Assim, a divulgação científica articula-se não apenas como uma atividade complementar e facultativa da educação superior, mas também como uma ferramenta de apoio a comunidade local
que a universidade está inserida.
164
Alexandre Saboia Augusto Borges Filho1, Tayenne Nelly de Lucena Viana1, Lia Camurça Costa1, Leticia Pinheiro Pontes 1, Lourrany Borges Costa1, Luciana Azor Dib 1
1 UNIFOR
Palavras-chave: Educação Médica; Integração Comunitária; Extensão Comunitária; Aleitamento materno; Nutrição da criança
Introdução
Currículos integrados e baseados em competências e no sistema de saúde, com inserção precoce de estudantes em práticas de forma longitudinal, com orientação familiar e comunitária, são
uma realidade emergente. Estas práticas são importantes para guiar a formação generalista, humanista, crìtica, reflexiva e ètica, de acordo com as Diretrizes Curriculares Nacionais, além de
proporcionar cenários para a curricularização da extensão universitária com a integração ensino-serviço-comunidade.
Objetivos
Relatar a experiência de um projeto de intervenção, realizado por alunos em um módulo prático do 3º período do curso de Medicina de uma universidade do Nordeste brasileiro, com foco
na promoção de saúde sobre a importância do aleitamento materno e alimentação infantil para crianças até 2 anos de idade.
Relato de experiência
O módulo em destaque apresenta a saúde da mulher, gestante, criança e adolescente como foco. Os 100 alunos, divididos em 12 pequenos grupos de 8, realizaram práticas de 4h semanais,
sob supervisão docente em unidades básicas de saúde (UBS), com foco na assistência de pré-natal, puericultura e saúde da mulher. Em outro turno de 4h semanais, refletiam sobre suas
vivências, avaliavam também as necessidades locais por dados epidemiológicos, e planejavam projetos de intervenção para serem aplicados em cada UBS. No período letivo de 2022.1, um
dos grupos, em uma UBS, atendeu 73 pacientes. Durante as consultas, foi percebido a desinformação das usuárias sobre aleitamento materno e alimentação infantil. Realizou-se um projeto
com base em roda de conversas com gestantes, puérperas e cuidadores de crianças de até 2 anos de idade como método de educação popular em saúde e troca de saberes. Foram utilizados
cartazes, fotos e um modelo de amamentação. Aplicou-se um questionário de 10questões em escala de Likert antes e após a intervenção como forma de avaliação de impacto. 13 usuárias
da UBS participaram da intervenção, além de 2 agentes comunitários de saúde. Os participantes obtiveram uma melhora coletiva na resposta de 8 das 10 perguntas apresentadas, em relação
ao resultado esperado, além de terem demonstrado satisfação com a ação.
Conclusões ou recomendações
O relato é um exemplo de como práticas no contexto da atenção básica à saúde são importantes cenários de ensino para o desenvolvimento de competências profissionais ligadas à atenção,
educação e gestão em saúde. Espera-se assim, formar futuros médicos capazes de atuar nos diferentes níveis de atenção, de forma individual e coletiva. As atividades de extensão superam
a formação dicotomizada teoria-prática e promovem, pela produção a aplicação do conhecimento, ações transformadoras. Considerando-se as intervenções realizadas pelos vários grupos
de alunos em diferentes unidades de saúde, salienta-se o potenteimpacto da extensão universitária no sistema de saúde local.
165
INSERÇÃO DE ACADÊMICOS DE MEDICINA NA FORMULAÇÃO DE DIAGNÓSTICO SITUACIONAL EM UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DE FOZ DO IGUAÇU-PR:
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Jacson Andrei Peruzzo 1, Gabryelle Freire Silva 1, Maria Eduarda Viana Barracki 1, Anália Rosário Lopes1
1 UNILA
Palavras-chave: Atenção Primária à Saúde; Planejamento Estratégico; Saúde Pública; Territorialização da Atenção Primária
Introdução
O presente estudo trata de um relato de experiência acadêmica voltada para construção de um diagnóstico situacional de uma Unidade Básica de Saúde, como proposta de atividade em um
dos componentes curriculares. O diagnóstico situacional é uma ferramenta que auxilia a conhecer as necessidades sociais. A organização inadequada dos diversos serviços que envolvem
uma Unidade Básica de Saúde contribuipara um ambiente desfavorável tanto para os usuários quanto para os profissionais, contribuindo assim para um maior comprometimento da qualidade
do serviço ofertado. É necessário conhecer a realidade do trabalho e a comunidade à qual o trabalho é destinado, a fim de poder implementar estratégias e programas capazes de corrigir
as lacunas existentes e contribuir para melhoria das condições de trabalho e de atendimento.
Objetivos
Apresentar a experiência de acadêmicos de medicina no desenvolvimento de diagnóstico situacional de uma unidade básica de saúde.
Relato de experiência
Inúmeros desafios foram encontrados durante o processo diagnóstico, a começar pela ausência de acessibilidade e adequação estrutural para PCD’s dificultando a mobilidade e o acesso de
um dos alunos, tanto nas proximidades, quanto na própria UBS; além disso, a defasagem de dados atualizados nas plataformas e sistemas de informações oficiais de saúde (e-SUS e CNES)
impossibilitou uma análise de dados e o planejamento de ações estratégicas voltadas para as especificidades dessa área e população usuária. Devido ao cenário pandêmico, aliado à falta de
agentes comunitários de saúde para a realização do mapeamento e acompanhamento das famílias inseridas no território, o mapeamento territorial e ambiental foi desenvolvido utilizando as
plataformas digitais Google Maps e Moovit. O território foi mapeado rua por rua, nas trinta e uma microáreas pertencentes às seis áreas da unidade. Os perfis demográfico, socioeconômico
e epidemiológico foram desenvolvidos com base nos relatórios de cadastro do e-SUS, disponibilizados pela gerência da unidade. Destaca-se também, a realização de práticas de campo para
a obtenção de dados referentes à instituição, população e ao território. A partir dessas práticas e dos relatórios fornecidos, foi desenvolvido o diagnóstico situacional que foi apresentado e
entregue aos profissionais da unidade, contendo o mapa inteligente, gráficos e tabelas sobre os perfis encontrados e registros fotográficos do território como ferramentas facilitadoras do
trabalho das equipes de saúde, bem como, árvore de problemas e planos estratégicos para serem implementados na UBS.
Conclusões ou recomendações
A aprendizagem de ferramentas que norteiam o processo de trabalho das equipes de saúde da família tem um caráter efetivo e inovador na formação profissional. Cabe, assim, aos cursos
de medicina um maiornúmero de atividades práticas que estimulem a integração ensino-comunidade na Atenção Primária à Saúde.
166
Amanda Maia Pereira1, Ana Cecilia Vieira Lima1, Elisa Macedo de Campos 1, Isadora Dourado Martins1, Luiza Lopes Cagliari1, Rafaela Melo Sisconetto1
1 UNIUBE
Palavras-chave: Humanização da Assistência; Arte; Agir Comunicativo; Formação da Consciência Social; Escolas Médicas
Introdução
O presente trabalho relata a experiência vivida por meio de uma dinâmica realizada dentro de um projeto de extensão composto por acadêmicos de cursos da saúde que tem como propósito
sensibilizar o olhar do aluno em direção à humanização. Nesse sentido, foi proposta uma atividade em que os membros teriam que registrar por meio de fotografias, momentos relacionados
com suas novas rotinas frente à pandemia e compartilhar com o grupo as reflexões que aquela foto despertava.
Objetivos
O objetivo do presente relato é refletir sobre o incentivo a atividades que proporcionem reflexões acerca de problemáticas sociais cotidianas a partir de um olhar humanizado, além de
destacar o aluno de Medicina como agente dinâmico na construção de seu próprio conhecimento e torná-lo apto para atender às necessidades sociais da comunidade.
Relato de experiência
Nessa atividade, dentre trinta e seis fotos apresentadas, uma fotografia em especial chamou atenção de todos: a imagem mostrava uma sacada de apartamento e detrás das grades as demais
casas e a rua. A aluna que capturou a foto compartilhou que, inicialmente, gostaria de registrar a segurança que sua casa lhe oferecia, além da possibilidade de contato seguro com o ambiente
externo representado pela sacada de seu apartamento. Contudo, após um olhar atento, foi possível observar ao fundo a silhueta de uma mulher procurando algo no lixo. O “zoom” permitiu
a visualização daquela que fisicamente estava tão próxima, porém tão longe ao mesmo tempo: a representação do aconchego de seu lar também escancarou a insegurança vivida por outros
nas ruas com fome, frio e medo. Observou-se ainda que, por muitas vezes, a comodidade de estar bem dentro de sua própria realidade pode não só dificultar a compreensão das necessidades
do próximo, como também influenciar na sua prática médica.
Conclusões ou recomendações
Conclui-se que a atividade desenvolvida foi efetiva em despertar no aluno sentimentos relacionados à humanização e cidadania, que se revelam importantes para a formação integral na área
da saúde. A troca de experiências proporcionada pela discussão enfatiza a relevância da construção da consciência social nas escolas médicas através de temas contemporâneos que podem
ser trazidos por meio do uso da arte, como a fotografia, bem como reforça a importância do desenvolvimento de profissionais proativos e capazes de fornecer a assistência médica necessária
de forma holística.
167
Eloisa Helena de Lima 1, Gustavo Meirelles Ribeiro1, Ruth Martins da Costa Perdigão 1, Glaucio Antônio Santos1, Fábio Felipe da Silva1, Maria Eduarda de Castro Canesso Moreira1
1 UFOP
Introdução
O projeto de extensão Programa de Rádio Viva Mais desenvolve ações em parceria com uma Rádio Educativa (RE) desde 2017 com a proposta de compartilhar, por meio da radiodifusão e
das mídias sociais, informações à população para promoção de saúde e prevenção de doenças, reduzindo a incidência e prevalência de agravos transmissíveis e não transmissíveis. O projeto
utiliza plataformas digitais - Instagram eSpotify- e a RE, adaptando o material produzido à linguagem radiofônica para melhor alcance da população. Os temas a serem abordados são definidos
anualmente de acordo com as demandas da comunidade acadêmica e da população ouvinte. Dentre as ações desenvolvidas ao longo do ano de 2021 está a produção de 10 programas de
rádio, em formato podcast, abordando as temáticas do SUS e o seu funcionamento, a promoção da saúde da população LGBTQIA+ e das juventudes – ações de promoção da saúde mental
e educação em saúde visando a redução da vulnerabilidade individual, social e programática deste público. O projeto objetiva aproximar a universidade da comunidade local, implementando
e disseminando ações em saúde em consonância com a responsabilidade social da escola médica.
Objetivos
Promover educação em saúde, por meio de uma RE universitária, das mídias sociais e de plataformas de streaming; Estabelecer canal de comunicação com as populações: jovem e LGBTQIA+,
esclarecendodúvidas e incorporando conhecimentos, reduzindo vulnerabilidades.
Relato de experiência
Foram realizadas reuniões quinzenais, onde cada tema foi aprofundado e seus conteúdos debatidos. Após a elaboração dos roteiros e gravação de entrevistas, os programas eram revisados.
Todos os roteiros se basearam em vasta revisão de literatura, em pesquisas factuais e em relatos dos especialistas convidados. Foram entrevistados diversos especialistas para tratar dos temas
selecionados: o SUS no dia a dia; Vigilância em Saúde e Vigilância Sanitária; Transplantes; Violências enfrentadas pelas populações LGBTQIA+; Vivências da população LGBTQIA+ na Terceira
Idade; Juventudes, vulnerabilidades, projetos de vida e saúde mental. O trabalho teve caráter multisciplinar, envolvendo profissionais das ciências sociais, humanas e da saúde, nessa última,
nas diversas especialidades médicas. Com base nas pesquisas e observações realizadas pelo colaborador da RE e pela coordenadora do projeto, os discentes desenvolveram as primeiras
esquetes dos programas, que eram, então, enviados aos demais participantes, para que sofressem as devidas adequações e, se necessário, modificações, para que, posteriormente, pudessem
ser gravados, editados e, assim, veiculados pela Rádio, plataformas de streaming e mídias sociais.
Conclusões ou recomendações
A parceria entre a nossa instituição e a RE é uma excelente ferramenta para capacitação individual e coletiva dos nossos estudantes e ouvintes, uma vez que compartilha ao público subsídios
para melhorar sua saúde e tornar-se protagonista de seu cuidado. Buscamos trazer informações fidedignas e baseadas em evidências científicas ao alcance da população, a fim de incentivar o
consumo de informações reais.
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Mariana Moreira Almeida1, Cátia Regina Branco da Fonseca 1, Letícia dos Reis Santos1
1 UNESP
Introdução
O Médicos da Alegria (MDA) é um projeto de extensão universitária inspirado no Doutores da Alegria, e se apresenta como uma ferramenta social na promoção à saúde humanizada ao
promover a terapia através da arte com o propósito de reduzir os níveis de estresse e ansiedade das crianças e adolescentes internados. A internação hospitalar - uma vez que restringe o
contato social dos pacientes com seus amigos, parentes e professores - pode gerar estresse nos infantes além de expô-los a um ambiente onde a doença e a dor do enfrentamento a mesma
se fazem constantes. Esses efeitos psicológicos podem repercutir no emocional e no cognitivo das crianças, tornando-as apáticas e, ocasionalmente, reacias ao tratamento. O MDA se utiliza
de formas lúdicas para tornar esse ambiente de hospitalização mais ameno e alegre, a fim de distrair o paciente de seus medos e angústias e facilitar o trabalho das equipes de saúde na
realização do tratamento desses internos. Além disso, o projeto possibilita que alunos de anos iniciais da formação consigam, desde já, trabalhar a relação com os pacientes, considerando
suas nuances de permissividade, confiança e receptividade, dessa forma, habilidades de comunicação verbal e não verbal são desenvolvidas. Outro benefício do projeto é a integração entre
áreas diversas de atuação profissional, já que os alunos extensionistas são compostos por cursos diferentes e não só limitados à medicina, contandotambém com enfermagem, física médica,
entre outros.
Objetivos
Tem-se por objetivo primário relatar projeto que promove o brincar como ferramenta que contribui com a integralidade da atenção no processo saúde-doença e na adesão ao tratamento.
Como objetivo específico, pretende-se refletir sobre momentos vividos entre estudantes e pacientes, colaborando no enfrentamento da internação e nas habilidades emocionais de crianças.
Relato de experiência
Previamente ao início das visitas, o projeto conta com um curso de formação com a presença de psicólogos e alunos relatando suas experiências e observações a respeito de suas interações
com as crianças. Esse curso nos proporcionou uma preparação emocional para lidar com as crianças em estado de sofrimento físico e psíquico, desencadeados por doenças. Já, logo antes
da entrada nas enfermarias, nos reunimos em uma salinha onde foi feita a caracterização com jalecos coloridos, tiaras, chapéus e enfeites; mimetizando a figura de um médico em forma de
palhaço. A abordagem de cada paciente foi feita em duplas e de forma distinta, pois os pacientes adolescentes tendiam a ser menos receptivos e comunicativos que as crianças para
determinadas brincadeiras, assim, tivemos que nos moldar aos internos.
Conclusões ou recomendações
Tendo em vista as considerações anteriores, infere-se que, o MDA, ao proporcionar o contato e o diálogo dos alunos com os pacientes e seus cuidadores - e entre os próprios alunos - é
precursor na formação de uma medicina humanizada, desenvolvendo habilidades emocionais, de comunicação e de trabalho em equipe.
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APRENDIZAGEM COM O CURRÍCULO BASEADO NA INTEGRAÇÃO ENTRE A ESCOLA MÉDICA E A UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA
1 UNILA
Introdução
Um dos componentes curriculares da escola médica, o “Programa de Integração Ensino, Serviço e Comunidade” (PIESC), traz a perspectiva de articular seus elementos para promover uma
formação apoiada na realidade e com enfoque biopsicossocial, tendo a responsabilidade social um elemento essencial que aproxima os estudantes ao território, comunidade e profissionais
da saúde. Tendo como cenário a Atenção Primária à Saúde (APS) e as equipes de estratégia de Saúde da Família (eSF), esta integração pode permitir o conhecimento mais profundo da
realidade e problemas sociais.
Objetivos
Relatar a experiência acerca do processo de aprendizagem ocorrido com as atividades práticas e observações realizadas na Unidade de Saúde da Família (USF), refletindo a empregabilidade
e utilização dosatributos essenciais da APS a das suas ferramentas do processo de trabalho.
Relato de experiência
Durante o primeiro ano do curso de medicina no módulo de PIESC II da escola médica, teve-se a oportunidade de articular os conhecimentos teóricos a respeito dos atributos essenciais da
APS e o processo de trabalho das eSF com a prática. Foram realizadas visitas domiciliares na comunidade acompanhadas de agentes comunitários de saúde (ACS), entrevistas com os usuários
do serviço, participação em atividades programáticas com a equipe em uma perspectiva interprofissional, observação ao fluxo de demanda espontânea e programada, discussão dos
processos de acolhimento como tecnologia relacional e discussões sobre a educação popular em saúde.
Conclusões ou recomendações
A integração entre escola médica e unidade de saúde propiciou a compreensão de pressupostos teóricos do currículo, os atributos essenciais da APS e o processo de trabalho das eSF. No
contexto de formação profissional, esta integração colabora para construção de uma visão biopsicossocial dos sujeitos e reafirma o papeis socias ao desenvolver a ciência da necessidade de
intervir e colaborar com o desenvolvimento do contexto de saúde da comunidade na qual está inserido e dos serviços que possibilitam esse aprendizado. Além disso, a intercalação de aulas
teóricas com a vivência de visitas domiciliares e observação da práxis dos profissionais da saúde USF permitiu a problematização da realidade. Também estimulou a participação dos alunos
na construção do seu conhecimento, de forma a basear-se nos respaldos teóricos e, ao mesmo tempo, vincular isto ao desenvolvimento de habilidades e competências uma formação
comprometida com as demandas e necessidades reais da comunidade.
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1 UNIFESO
Introdução
O ambiente obesogênico é caracterizado como aquele em que as condições ambientais são capazes de levar o indivíduo ao sobrepeso e, posteriormente, à obesidade e outras comorbidades
– como, por exemplo, doenças crônicas – cada vez mais frequentemente correlacionadas a indivíduos mais jovens; incorrendo em prejuízo para sua qualidade de vida e ainda sobrecarregando
e onerando a rede de serviços de saúde. Além disso, os prejuízos se estendem às dimensões psico-sociais que, por sua vez, atuam como fatores agravantes e perpetuantes da condição. Em
caráter de extensão foi submetido projeto para abordar o tema, buscando identificar aspectos relevantes para retroalimentação de iniciativas de Educação em Saúde, atendendo ao Programa
Saúde na Escola.
Objetivos
O projeto de extensão em tela tem por objetivo identificar, a partir de um questionário eletrônico, aspectos epidemiológicos e comportamentais associados ao desenvolvimento da obesidade
pediátrica, buscando correlações entre o cotidiano das crianças e o processo obesogênico.
Relato de experiência
O projeto foi submetido e aprovado com Parecer Conclusivo favorável pelo Comitê de Ética em Pesquisa e encontra-se em desenvolvimento. As estratégias metodológicas adotadas têm
anuência das SecretariasMunicipais de Saúde e de Educação. Trata-se de estudo quantitativo, transversal, retrospectivo, em cuja primeira etapa do percurso metodológico se encontra a
construção de um arcabouço teórico, a partir de revisão bibliográfica sobre o tema, com foco sobre os objetivos do estudo, com base em literatura científica indexada em portais de bases de
dados, de publicações dos últimos cinco anos
Conclusões ou recomendações
Intervenções desta natureza acopladas a iniciativas acadêmicas lançam esperança sobre a potencialidade de ações interdisciplinares, em contribuição aos princípios da integralidade na
atenção e ofertando reforços positivos ao quadrilátero da formação, que envolve ensino, gestão, atenção e controle social. Para além disso, atendem ao princípio da Educação Permanente
em Saúde e ao Programa Saúde na Escola, novamente fortalecendo a integração ensino-serviço-sociedade em ações intersetoriais integradas.
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O INCREMENTO DE HABILIDADES DE COMUNICAÇÃO DO SEXTO-ANISTA DE MEDICINA COM UM PROJETO DE EXTENSÃO A POPULAÇÕES RIBEIRINHAS NO RIO
TAPAJÓS
Beatriz Nobre Monteiro Paiatto1, Alice Botelho de Mesquita 1, Michele Lacerda Pereira Ferrer 1, Maria José Carvalho Sant Anna 1, Rosane Lowenthal1, Giselle Burlamaqui Klautau1
1 FCMSCSP
Introdução
A extensão universitária possibilita um espaço para novas experiências que buscam a humanização do atendimento apoiado na ação comunicativa entre o profissional da saúde e a
comunidade. Há o desenvolvimento de habilidades de comunicação, como escuta ativa e o processo de decisão compartilhada com o paciente, habilidades centrais na prática do cuidado
integral ao indivíduo. A atividadeextensionista vê os indivíduos no mundo, no tempo, mergulhados na realidade, transforma as estruturas em que se encontra e os profissionais envolvidos.
Objetivos
Identificar as mudanças nas habilidades de comunicação clínica entre alunos do último ano do curso de Medicina, após a participação em uma atividade de extensão universitária a populações
ribeirinhas.
Métodos
Pesquisa quasi experimental, com dados coletados durante o Projeto de Extensão “Expedição Abaré” que ocorreu de 9 a 28 de agosto de 2021, com atendimento de 75 comunidades
ribeirinhas do Rio Tapajós nos municípios de Santarém, Belterra e Aveiro - Pará. O questionário de avaliação de habilidades de comunicação Calgary-Cambridge foi aplicado por 2 preceptores
médicos, no início e final da expedição. A distribuição dos alunos por preceptor foi aleatória, assim como a consulta médica a ser avaliada. A análise estatística foi realizada por meio de teste
de McNemar, teste t não paramétrico de Wilcoxon e magnitude do efeito por D de Cohen.
Resultados
Participaram da Expedição Abaré 10 alunos do sexto ano de medicina, com média de idade 25, 1 (DP ±0, 87) anos. Observou-se, ao final da expedição, melhora das habilidades
comunicacionais de identificação da lista de problemas, maior facilidade ao mover-se de perguntas abertas para as fechadas e incitar verbalmente e não verbalmente a pessoa a responder.
Observou-se também maior facilidade dointerno ao responder às "deixas" verbais e não-verbais dos pacientes, estruturar a consulta segundo uma sequência lógica, não fazer juízos de valor,
empatizar com a pessoa e mostrar confiança.
Conclusões
A participação do sexto-anista de medicina em um projeto de extensão com populações ribeirinhas, por meio da “Expedição Abaré”, demonstrou um incremento nas habilidades de
comunicação clínica, especialmente, na construção da relação com o paciente, estruturação da consulta e na exploração de problemas. Com isso, explicita-se a importância das atividades
extensionistas de interiorização na formaçãode médicos almejando atingir as diferentes necessidades de saúde das populações.
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A EDUCAÇÃO INTERPROFISSIONAL COMO FERRAMENTA PARA A MUDANÇA NA FORMAÇÃO EM SAÚDE: UMA PERSPECTIVA DISCENTE
Larissa de Freitas Bonomo1, Maria Clara Carneiro Leite 1, Carolyne Reduzina Queirós1, Karina Vitória do Nascimento1, Lélia Cápua Nunes1, Mabel Miluska Suca Salas 1
1 UFJF-GV
Palavras-chave: Educação Interprofissional; Atenção Primária à Saúde; Capacitação de Recursos Humanos em Saúde; Educação Permanente
Introdução
A Educação Interprofissional é um paradigma educacional contemporâneo em que duas ou mais profissões aprendem entre, com, de e sobre cada uma delas permitindo a colaboração
efetiva em prol da integralidade das ações. A interprofissionalidade em saúde se vincula à noção de trabalho em equipe, à reflexão sobre os papéis profissionais, à resolução de problemas
e conflitos nos processos decisórios a partir da construção conjunta de conhecimentos, do diálogo e com respeito às especificidades dos saberes e práticas de cada profissional.
Objetivos
Relatar uma experiência de Educação Interprofissional em Saúde vinculada a um projeto de extensão de uma Instituição de Ensino Superior e os impactos dessa estratégia educacional na
formação profissional sob a perspectiva discente.
Relato de experiência
O presente relato é produto de atividades realizadas no ano de 2021 e 2022, pelo projeto de extensão “Qualificação das preceptorias da Atenção Básica sob a perspectiva da Educação e
Trabalho Interprofissional e Práticas Colaborativas em Saúde”, formado por um grupo de discentes do curso de Medicina e Nutrição e professoras do departamento de Farmácia e
Odontologia. Foram planejadas três oficinas com o objetivo de qualificar os preceptores no contexto da Educação e do Trabalho Interprofissional em Saúde para o desenvolvimento e aplicação
de competências colaborativas, utilizando metodologias ativas com o foco na problematização da realidade vivenciada pelos profissionais no âmbito de cada profissão e do território de
abrangência. Estes profissionais constituíram-se de fisioterapeutas, psicólogos, farmacêuticos, profissionais de educação física, nutricionistas, assistentes sociais e enfermeiros das equipes
Estratégia Saúde da Família e do Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica do município.
Conclusões ou recomendações
A experiência vivenciada contribuiu para a formação dos discentes, valorizando a troca de experiências, a construção entre os diferentes saberes no contexto do cotidiano da saúde no
Sistema Único de Saúde, e a necessidade da participação de todos os atores envolvidos no processo saúde-doença, tornando-os mais preparados e sensibilizados para o trabalho
interprofissional, com foco nas necessidades de saúde da população. A formação de profissionais nessa perspectiva é prerrogativa da responsabilidade social das universidades públicas, e
portanto, traz à tona a reflexão sobre como incorporar a educação interprofissional nos currículos.
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A ESCOLA PÚBLICA COMO CENÁRIO DE EXTENSÃO PROMOVENDO MUDANÇAS NA SOCIEDADE E NO ESTUDANTE DE MEDICINA
Eliane Cristina Casimiro Alves Dias1, Ricardo Guerra Peixe1, Clarissa de Oliveira Soares Peixoto 1, Odila Maria F. de Carvalho Mansur 1, Thais Louvain de Souza1
1 FMC
Introdução
Frente ao retorno das aulas práticas presenciais de forma como era previamente pré-pandemia, urge a necessidade de as escolas médicas renovarem ações para que os seus egressos sejam
condizentes com oproposto pelas DCNs: atento as necessidades de saúde da população. Nesse sentido, as atividades de extensão contribuem para a diversificação e quantificação de cenários
de práticas.
Objetivos
Sensibilizar acadêmicos de medicina às necessidades da sociedade, seu papel como cidadão e desenvolvimento de conhecimento, habilidades e atitudes a partir da curricularização da
extensão levando a saúde em escolas periféricas.
Relato de experiência
Com o fechamento dos ambulatórios de pediatria por 18 meses durante a pandemia da covid-19, ocorreu o retorno de diversas patologias, antes escassas, às enfermarias pediátricas. A nossa
instituição, sensibilizada com essa situação epidemiológica e com a baixa cobertura vacinal, realizou um acordo com a prefeitura da cidade que possui mais de 66 mil crianças matriculadas
em sua rede municipal de crecheaté o ensino médio. A primeira escola escolhida situa-se em uma região periférica, com alto índice de violência, sem acesso à UBS e PSF. Semanalmente, a
partir do início do período letivo de 2022, acadêmicosdo 7º e 8º períodos atuam nesse cenário com o objetivo primário de realizar o exame físico para rastreamento das principais doenças
nutricionais e oftalmológicas da infância e o status vacinal nas faixas etárias pré-escolar e escolares. Porém, ao longo das investigações foram encontradas patologias preveníveis mas não
diagnosticadas e consequentemente não tratadas como anemia, obesidade, hipertensão, parasitoses, atrasos nos marcos de desenvolvimento, carie dentária, atrasos na caderneta de
vacinação, ambliopia, ametropia, astigmatismo, miopia, hipermetropia, estrabismo e alergia ocular.
Conclusões ou recomendações
A curricularização da extensão deve moldar ações transformadoras da saúde de acordo com as distintas necessidades das comunidades. Para os estudantes, a noção da realidade a partir do
contato com a comunidade leva além do desenvolvimento acadêmico, a autorreflexão quanto a sua responsabilidade social acarretando o desenvolvimento de atitudes como agentes
transformadores da sociedade e consequentemente entusiasmando-os com o curso médico.
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Vitoria Agliardi Resmini1, Ana Julia Bulgarelli 1, João Pedro Michelato Passareli 1, Matheus Henrique Corbalan Barbosa Del Cistia 1, Alan Henrique de Lazari 1
1 CEI
Introdução
Com o avanço das escolas de medicina, as transformações voltadas para a formação do médico capaz de atuar de diferentes modos é factível. Logo, é fundamental o desenvolvimento de
habilidades teórico- cognitivas que possibilitem o pensamento crítico-científico capaz de analisar situações com diversas perspectivas para compreender o paciente como um todo e os
diferentes riscos/benefícios na adoção de condutas terapêuticas. O objetivo dessa competência é possibilitar ao médico ferramentas de escolha na tomada de decisões pautadas nos
princípios da Medicina Baseada em Evidências (MBE) ou da PráticaBaseada em Evidências (PBE).
Objetivos
O objetivo deste resumo é compreender a necessidade do desenvolvimento de competências crítico-científicas na formação e prática profissional da medicina.
Métodos
Para a realização deste estudo, foi utilizado como método a revisão narrativa de literaturas publicadas na Biblioteca Virtual de Saúde, na SCIELO e no Google Acadêmico. Foram procurados
os descritores em saúde “Evidence-Based Medicine”, “Evidence-Based Practice” e “Medical Education” em combinação com o operador booleano “AND” e “OR” entre si. Para inclusão, os
artigos selecionados foram lidos, criticados e discutidos pelos autores, de forma a optar por aqueles publicados nos últimos 5 anos (>2018) que atendessem ao objetivo proposto. Para
exclusão, foi atribuído que não seriam incluídos artigos publicados antesde 2018 e que não respondiam ao objetivo de pesquisa, bem como estudos de literatura cinzenta e/ou preprint.
Referências de artigos cruzados foram selecionados para integrar a revisão.
Resultados
Os profissionais de saúde tomam decisões embasadas em suas experiências e formação. Devido a isso, o pensamento crítico-científico é fundamental para fazer a melhor escolha para cada
caso. Com a pandemia, a importância da formação científica dos médicos se tornou mais evidente, visto que grande parte dos profissionais não souberam ler, interpretar e criticar estudos
científicos de péssima qualidade metodológica. A PBE é uma abordagem mais ampla da MBE que associa a expertise clínica (capacidade de identificar riscos, ganhos de intervenção e o
diagnóstico pela experiência profissional) à melhor evidência científica e a maior qualidade do cuidado, da atenção e tratamento ao paciente. Segundo o Instituto Americano de Medicina, a
capacidade de empregar a PBE nos atendimentos é uma das cinco competências que o profissional deve apresentar e, ainda assim, nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) do curso de
Medicina, nada se versa sobre. A PBE é imprescindível para formação e atuação dos médicos, visto que torna os acadêmicos e profissionais protagonistas na busca pela aquisição de
conhecimentos, além de torná-los conscientes da necessidade de conhecer as individualidades e preferências dos pacientes, bem como valorizar, para a tomada de decisões, experiências
clínicas da atuação em serviços de saúde.
Conclusões
Dentro dos ambientes de discussão da Educação Médica é notório o reconhecimento de que a implementação da MBE e da PBE é indispensável nos currículos. Na prática, com a priorização
de outras competências e a desatualização das DCNs, isso acaba não sendo posto em prática. A PBE é um exercício que precisa ser realizado em todas as esferas, seja por acadêmicos,
médicos residentes, generalistas, especialistas ou gestores para que atinja o grau de maturidade necessária para sua consolidação nos sistemas de saúde e ensino.
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ANÁLISE DOCUMENTAL SOBRE ENSINO DE TOMADA DE DECISÃO COMPATILHADA EM UM CURSO DE MEDICINA NO NORTE DO BRASIL
1 UFT
2 UNIFESP
3 UNICAMP
Palavras-chave: Tomada de Decisão Compartilhada; Assistência Centrada no Paciente; Educação de Graduação em Medicina
Introdução
Atenção Centrada no Paciente (ACP) e Tomada de decisão compartilhada (TDC) têm sido objeto de estudo em vários currículos de faculdades de Medicina, e, apesar de cada vez mais
incorporadas no ensino de escolas de saúde, não são encontradas muitas evidências de quais estratégias são mais eficazes para instruir estudantes de Medicina sobre estas competências.
Objetivos
Identificar e analisar como a ACP e a TDC têm sido contempladas no projeto pedagógico do curso e nas atas do colegiado de um curso de Medicina no norte do Brasil.
Métodos
Análise documental do Projeto Pedagógico do Curso e de 118 atas de reunião de colegiado de um curso de Medicina no norte do Brasil, para investigar propostas e formação referentes ao
desenvolvimento de competências relacionadas a ACP e TDC.
Resultados
A análise documental do projeto pedagógico do curso de Medicina e de 2 das atas de reunião de colegiado mostraram que a formação com base na ACP ainda se mostra incipiente,
principalmente selevarmos em conta o ensino de TDC. Contudo, foram encontrados indicativos indiretos de preparo para a perspectiva do cuidado baseado na integralidade do sujeito.
Conclusões
Observamos que mesmo com o surgimento de matrizes curriculares teoricamente voltadas para ACP e TDC, a sua implantação e o seu desenvolvimento nas escolas médicas têm sido um
grande desafio para asinstituições de ensino.
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Jocelene Batista Pereira1, Luciana Maria de Andrade Ribeiro1, Sérgio Makabe1, Diogo Antônio Morato Mastrorocco Filho 1
1 USCS
Introdução
Em virtude das dificuldades dos alunos e das equipes locais da atenção primária em saúde acharem formas de integração para potencializar o aprendizado, surge a ideia de construção de
projetos aplicativos definidos pelos alunos, docentes e equipe da UBS, como forma de orientar o crescimento de todos neste processo de ensino-aprendizagem, já no primeiro semestre e
devolvendo à unidade de saúde potenciais benefícios, entendendo a responsabilidade social deste processo.
Objetivos
Proporcionar aprendizagem no primeiro semestre do curso, através do estágio em atenção primária, recuperando princípios de responsabilidade social.
Relato de experiência
Buscamos intensificar as relações entre alunos, equipes de saúde, usuários e docentes, trabalhando com problemas do cotidiano, inclusive sociais, para os quais já tenham algum
conhecimento e que possam provocar reflexão e busca de novos conhecimentos para resolução dos problemas. A leitura da realidade ocorreu nas oficinas de territorialização e tinham como
base o Arco de Charles Maguerez. Formamos grupos de seis alunos, que ficarão juntos durante todo o ano, sendo o primeiro semestre de planejamento e construção do projeto e o segundo
de aplicação e avaliação. A seleção do problema a ser priorizado levou em conta governabilidade, viabilidade e necessidade. São dez grupos e os temas escolhidos possuem relação com as
atividades que estão desenvolvendo agora: sinalização da UBS; endomarketing; adesão aos programas de Diabetes e Hipertensão arterial; biossegurança; absenteísmo dos usuários;
orientação nutricional aos pacientes do Hiperdia; uso consciente da USF; visita domiciliar sem papel; análise das informações em saúde e acesso a informações em saúde. Ao final do ano os
projetos serão apresentados em Congresso Acadêmico específico onde serão avaliados por banca com docentes e trabalhadores das UBS. Pretende-se, também, incentivar a produção
científica e as publicações em periódicos de Saúde Coletiva, além de construir uma relação para o internato, que ocorrerá nas mesmas unidades. O resultado é uma valorização do estágio
por parte de alunos, equipe e usuários, demonstrado por relatos e depoimentos.
Conclusões ou recomendações
O estágio em atenção primária, neste momento do curso, conseguiu dar uma resposta às inseguranças dos alunos e preceptores, encontrando no projeto aplicativo um elo de ligação entre
estes atores implicados, onde necessidade, desejo de ajudar e aprendizagem convergem para a construção de um processo de ensino aprendizagem significativo para todos. É preciso
estruturar e monitorar o processo ao longo dos anos, verificando se este início e a continuidade proporcionarão efetividade ao processo de aprendizagem e melhorias no serviço.
177
Introdução
O médico é o profissional responsável pelo atestado de óbito. No entanto, os currículos dos cursos de formação estão carentes de disciplinas que abordem a morte e o processo de morrer,
mesmo com o avanço das recentes Diretrizes Curriculares Nacionais. Os acadêmicos de medicina atribuem grande valor às situações de lidar com a morte e julgam não suficientes os
conhecimentos adquiridos.
Objetivos
Analisar o número de escolas médicas que abordam o tema morte e morrer nas disciplinas; e identificar os temas envolvidos quanto a morte e o morrer nas disciplinas.
Métodos
Trata-se de uma pesquisa bibliográfica, a partir de um levantamento documental dos currículos disponíveis online nos sites das instituições de ensino superior públicas e privadas que tem o
curso de medicina noEstado do Paraná. Foi utilizada a abordagem qualitativa na consulta aos currículos a fim de investigar a presença do tema “morte e o processo de morrer” e outros temas
relativos à temática no Projeto Político Pedagógico, e quando este indisponível, nas ementas das disciplinas da matriz curricular.
Resultados
Atualmente, o Estado do Paraná tem 21 instituições de ensino superior em medicina. Destas, 62% (12) são privadas, 38% (9) são públicas, sendo seis Estaduais e três Federais e uma oferta de
1994 vagas anuais de ingresso no primeiro ano de ensino. Apenas duas Universidades, uma pública e uma privada oferecem uma disciplina que engloba o tema de estudo com a designação
de Cuidados Paliativos. Do total, 38% (8) instituições apresentam o tema “morte e o processo de morrer” nos conteúdos das disciplinas, dentre os citados foram: cuidados paliativos, morte
encefálica, doação de órgãos, terminalidade, aborto, eutanásia, suicídio assistido, tanatologia, morte humanizada, a morte e as crenças, conceitos de morte, suicídio entre estudantes e
médicos, luto e aceitação da morte, morte fetal, morte celular, risco de morte em paciente pediátrico, coma e morte encefálica, cesárea pós-morten, cronologia da morte, tipos de mortes,
legislação sobre a morte e atestado de óbito, e a pergunta se a morte e o morrer e seu papel na formação médica é uma necessária negação?
Conclusões
Há falta de estratégia de ensino sobre o morrer e a morte envolvendo habilidades comunicacionais de más notícias, processo do luto, experiências clínicas simuladas, e inclusão de disciplinas
que possibilitem o acolhimento das emoções dos alunos de medicina, ou seja, embasadas na sensibilidade humana e na bioética, contribuindo para o bem-estar do acadêmico, profissional
médico, sistema de saúde e sociedade. O aprendizado sobre o morrer e a morte pode permitir ao médico uma maior intervenção frente a essas situações. Observa-se a necessidade de
inclusão do tema morte e morrer em todos os currículos de graduaçãoem medicina.
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Marcus Vinícius Miranda de Oliveira 1, Lucas Rafael de Freitas Lima1, Carolina Leão Menezes Andrade1, Luis Artur Brito Rodrigues 1, Gabriel Oliveira Bezerra1, Priscila Xavier de Araujo1
1 UEPA
Introdução
Pesquisas recentes afirmam que a alimentação precisa se adaptar aos aspectos sociais e biológicos dos indivíduos, e no caso dos discentes de medicina essas adaptações podem estar
relacionadas a abruptasmudanças no estilo de vida, em vista das cobranças de uma graduação em tempo integral e a demanda maior de estudo domiciliar para acompanhar a metodologia
ativa. Essa condição facilita o cansaço e incentiva uma alimentação sem planejamento, marcada por refeições em horários irregulares e pelo consumo de alimentos preparadas mais
rapidamente e com alto teor de gorduras e açúcares, como os fast foods.
Objetivos
Avaliar a influência da sobrecarga de estudos no comportamento alimentar dos acadêmicos de medicina.
Métodos
Trata-se de um estudo descritivo com análise quantitativa de dados obtidos a partir do questionário elaborado pelo Ministério da Saúde “Como está sua alimentação? ”. Após aprovação do
Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) (CAAE: 50462821.9.0000.8607), o teste, constituído por 9 questões, foi encaminhado aos alunos. Este fornece uma pontuação que permite mensurar a
qualidade do comportamento alimentar dos participantes. Foram inclusos estudantes de medicina do campus, de ambos os sexos, maiores de 18 anos e que de forma voluntaria concordaram
em participar do estudo.
Resultados
Os resultados obtidos nos permitiram agrupar os alunos participantes em 3 grandes grupos, tendo o grupo 1 formado por 64 alunos (58, 18%), o grupo 2 por 42 alunos (38, 18%) e o grupo
3 por 4 alunos(3, 63%). O grupo 1 agrupa alunos que possuem hábitos alimentares saudáveis insatisfatórios, o grupo 2 é formado pelos alunos com comportamento alimentar razoável e o
grupo 3 reuniu os alunos com hábitos saudáveis.
Conclusões
A análise desses dados evidencia que a alimentação dos estudantes universitários possui padrões maléficos que se repetem em diversas pesquisas. No caso dos estudantes de medicina
avaliados, essa baixa qualidade alimentar foi constatada pelo questionário do presente estudo. Além disso, os dados mostram que a maioria dos estudantes, participantes da pesquisa,
possuem um comportamento alimentar classificado como inadequado segundos os parâmetros do Ministério da Saúde. Logo, é essencial que haja uma intervenção através de rodas de
conversa entre os discentes e palestras educativas no voltadas para a saúde alimentar.
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IDENTIDADES: RELATO DE EXPERIÊNCIA SOBRE CONVERSAS COM IDOSOS POR MEIO DE PODCAST
Carlos Vinícius Souza Bernardo1, Victor Felipe de Oliveira 1, Franck José Poravoski Tolfo 1, Lorena Maidana Brum Fagundes1, Sabrina Nesi1, Elitiele Ortiz dos Santos1
1 UNIPAMPA
Palavras-chave: Envelhecimento saudável; Relações comunidade-instituição; Saúde do idoso; Mídia Audiovisual; Educação médica
Introdução
Apesar do aumento do número de idosos no país, estes ainda enfrentam forte estigmatização social, em que a velhice é associada ao declínio e à incapacidade, o que resulta na desvalorização
dessa população, privando-a de espaços para se expressar e expor suas opiniões. Nesse sentido, o projeto “IdentIDADES: experiência de vida após os 60 anos em Podcast”, criado pela Liga
Acadêmica de Geriatria e Gerontologia de uma Universidade do Sul do país, almejou promover um espaço para que os idosos compartilhem suas experiências, sentimentos e percepções em
relação a essa fase da vida.
Objetivos
Relatar a experiência dos encontros em formato de podcasts, em que discentes entrevistaram pessoas idosas, explorando suas experiências, vivências e individualidades, a fim de compartilhar
informações sobre a realidade de vida dos idosos e contribuir para redução do estigma e preconceito.
Relato de experiência
O projeto consistiu na realização de entrevistas mensais, conduzidas por 2 discentes, gravadas e hospedadas nas redes sociais da liga, com idosos convidados. As entrevistas foram realizadas
via “Google Meet”ou presencialmente, em local definido com o entrevistado. Até então, ocorreram quatro entrevistas de janeiro a maio de 2022, em que se visou abordar diversas temáticas
envolvendo a experiência da vida idosa, como lembranças do passado e impactos do envelhecimento para a vida do entrevistado. A idade dos entrevistados variou de 62 a 88, abarcando
não apenas pessoas de uma única geração. Objetivou-se oferecer um espaço aberto de fala ao idoso, possibilitando o compartilhamento de suas experiências de vida através de
questionamentos direcionados pelos entrevistadores.
Conclusões ou recomendações
O imaginário social depreciativo em relação ao envelhecimento exige a tomada de atitudes para a dissolução desse tipo de pensamento e uma maior integração do idoso à sociedade. Assim,
faz-se necessário que acadêmicos de medicina, ao mesmo tempo em que desenvolvem habilidades essenciais para a educação médica e suprem a falta de contato com o público idoso no
currículo acadêmico, colaborem para que os idosos possam compartilhar suas próprias visões sobre o envelhecer, de maneira mais realista e menos estereotipada, priorizando a busca por
um envelhecimento ativo dessa população.
180
Lívia Saraiva Carriconde1, Rayane Goncalves de Oliveira1, Vinicius Kaiser Queiroz1, João Pedro Andrade Mantovani e Silva1, Dulcinea Blum Menezes 1
1 UFPEL
Introdução
O podcast é um arquivo de áudio disponibilizado em serviços de streaming que pode ser utilizado para transmissão de diversos tipos de temas. Durante a pandemia, com a paralisação das
atividades educacionais presenciais, a criação de conteúdos de maneira assíncrona mostrou-se útil para a continuidade de projetos acadêmicos. A produção desse tipo de material digital
possibilitou a expansão do alcance de assuntos importantes tanto para profissionais e estudantes da área da saúde quanto para a população geral. Além disso, a ferramenta podcast tem como
vantagem a possibilidade de ser produzida pelos próprios acadêmicos sem a necessidade de uma experiência e conhecimento tecnológico especializado, o que pode auxiliar nas ações
extensionistas. Assim, a Liga Acadêmica de Infectologia de uma universidade pública federal criou o podcast “Se Liga na Saúde” no intuito de promover assuntos relacionados à infectologia
e saúde pública de modo inclusivo, tendo como público alvo comunidades não acadêmicas.
Objetivos
Descrever e relatar a experiência de acadêmicos da área da saúde no processo de construção de um podcast com caráter informativo e educacional direcionado para a promoção da saúde
popular.
Relato de experiência
O podcast “Se Liga na Saúde” foi idealizado e construído pelos ligantes da Liga Acadêmica de Infectologia entre o período de Outubro de 2020 a Dezembro de 2021. Inicialmente, foram
desenvolvidos episódios de curta duração, entre 3 e 6 minutos, de caráter informativo sobre a transmissão, diagnóstico, tratamento e prevenção de doenças infectocontagiosas as quais
estiveram subnotificadas e com baixa cobertura informacional diante do cenário monopolizado pela Pandemia de COVID-19 nos anos de 2020 e 2021. O roteiro, bem como a gravação e a
edição dos episódios foram elaborados pelos acadêmicos participantes. Além disso, os episódios foram hospedados em redes de streaming nas plataformas Anchor e Spotify, como também
veiculados em uma emissora de rádio FM do município de Arroio Grande, interior do Rio Grande do Sul, com o apoio da prefeitura. A Rádio engloba toda região da Zona Sul do Estado,
alcançando um público, urbano e rural, de aproximadamente 60.000 pessoas. Dessa forma, ao utilizar um veículo de comunicação tradicional, como uma emissora de rádio, foi possível
expandir a fronteira da comunicação e do acesso à informação educacional em saúde, de maneira inclusiva, tanto para aqueles que possuem acesso e familiaridade à internet e às mídias
digitais quanto aos que não possuem.
Conclusões ou recomendações
Pondera-se que práticas como essa, por meio do uso de veículos de comunicação tradicionais e das novas tecnologias, devem ser estimuladas no ambiente acadêmico e de graduação
médica a fim de propiciar egarantir que a vivência de uma ação social seja estimulada aos acadêmicos ao longo da sua graduação.
181
Eduarda Batista Logrado1, Gabriela de Souza Lima 1, Ellen ágatta Marinho Silva 1, Isaac Antonio Duarte da Silva 1, Priscila Xavier de Araujo1
1 UEPA
Introdução
O estresse surge como uma resposta multifatorial às demandas internas e externas do organismo contra ameaças. Entretanto, quando essa resposta adaptativa ao estresse se torna duradoura,
têm-se início a umprocesso patológico. O estresse é um estado que se desenvolve em quatro fases: alerta, resistência, quase exaustão e exaustão. Os agentes estressores são fatores capazes
de gerar a resposta adaptativa conhecida como estresse. Estes agentes podem ser reconhecidos e identificados em diversos ambientes, sobremaneira na formação médica. O equilíbrio
emocional dos acadêmicos é afetado negativamente, gerando um nível de estresse e ansiedade elevados, no qual a depressão e o transtorno de ansiedade generalizado despontam como
as mais comuns. Além disto, o colapso na saúde decorrente da pandemia do novo coronavírus mudou drasticamente o seguimento da vida acadêmica.
Objetivos
Identificar a prevalência de estresse entre os acadêmicos de medicina e averiguar se há relação entre os sintomas de estresse e variáveis sociodemográficas.
Métodos
Estudo de metodologia transversal, descritiva e com análise quantitativa, com amostra de 109 acadêmicos de medicina. Além de questões sociodemográficas e adequação dos sintomas de
estresse em relação à pandemia, utilizou-se como instrumento o Inventário de Sintomas de Estresse para Adultos de Lipp (ISSL). É composto por três quadros correspondendo as fases do
estresse. A partir do aceite pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CAAE 30406220.3.0000.8607), iniciou-se a pesquisa. Os dados foram analisados por meio da estatística descritiva e estimada
a razão de chances (odds ratio), com intervalos de confiança (IC)95%.
Resultados
Ao analisar as respostas do ISSL, identificou-se que 42, 20% não estavam no estado de estresse, enquanto 57, 80% se classificam no estado de estresse, x²=2, 65 e p=0.1254*. Esse achado é
consonante com os resultados obtidos em São Paulo, onde observou-se um elevado percentual de estresse nos acadêmicos do curso de medicina (78, 98%). Segundo a divisão quadrifásica,
percebeu-se que entre os estudantes que estavam no estado de estresse, a fase mais prevalente foi de resistência com percentual de 65, 08%, x²=56, 17 e p < 0.0001*. O predomínio dessa
fase denota que uma parte importante dos estudantes apresentam estresse de elevada duração e intensidade. Por meio do teste de Odds Ratio identificou-se quais variáveis tinham mais
chances de desenvolvimento desse evento como ser do sexo feminino, que é concordante com outros trabalhos. Os discentes que possuíam ter pensamentos sobre desistir do curso
apresentaram maior chance de desenvolver estresse e aqueles com dúvidas e insatisfeitos com o curso estavam mais propensos a distúrbios psicológicos e ao estresse quando comparados
aos que que não tinham tais dúvidas. Identificou-se que estudantes que tiveram diagnóstico de transtorno psiquiátrico após o ingresso no curso possuíam cinco vezes mais chance de
apresentarem estresse. Por fim, verificou-se ainda que a prática de exercício físico demonstrou ser um fator protetivo para a ocorrência do estresse.
Conclusões
Ao expor os principais fatores de risco ao estresse no curso médico, torna-se palpável enfrentá-los, por meio de intervenções psicológicas e psiquiátricas para o desenvolvimento de ações
auto protetivas. Essasmedidas de proteção instituídas nas escolas médicas favorecem a formação de profissionais médicos altruístas, saudáveis e capazes de lidar com a dor do próximo.
182
PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO: COMO A REFLEXÃO SOBRE A PRÁTICA E O ESTÍMULO A PRODUÇÃO CIENTÍFICA PODEM IMPACTAR NO ENFRENTAMENTO DA
HESITAÇÃO VACINAL?
Gabriely Teixeira da Silva de Moraes 1, Yuri de Moura Brandão1, Thais de Lima D`andrea 1, Andréa de Paiva Dóczy1
1 UNIFESO
Introdução
A instrutoria Produção do Conhecimento (PC) vincula-se ao eixo curricular de Práticas Profissionais e tem por finalidade estimular a reflexão e a produção científica sobre a vivência em cenários
de prática em correlação com conhecimentos apreendidos nos eixos teóricos. Ao longo do primeiro semestre de 2021 – período crítico do estado de pandemia pelo COVID-19 –acadêmicos
do 6º período do curso de Medicina optaram por correlacionar a notável queda de cobertura vacinal em seu município e a crise sanitária instalada. Contudo, resultados encontrados
extrapolaram a obrigação acadêmica.
Objetivos
Discutir a relevância da Produção de Conhecimento no currículo médico e sua potencialidade no enfrentamento da hesitação vacinal de pacientes pediátricos a nível municipal.
Relato de experiência
Em cumprimento à atividade curricular realizou-se estudo transversal no qual verificou-se que a queda na cobertura vacinal antecedia a pandemia. Contudo, identificou-se uma diminuição
vertiginosa nas taxas de cobertura vacinal no ano de 2020, a exemplo a da primeira dose do imunizante contra a poliomielite, que passou de 96, 09% em 2019 para 67% em 2020, indicando
que a medidas de controle e restrição de circulação impostas pelo estado pandêmico poderiam ter atuado como fatores agravantes para o quadro. Apreensivos com o cenário de
vulnerabilidade e com a intensão de ampliar as discussões sobre o tema, os acadêmicos decidiram desdobrar o trabalho de conclusão de período – objeto de avaliação para a instrutoria de
PC, na forma de artigo científico para a apresentação em congresso científico no semestre letivo subsequente. Esta iniciativa que resultou em uma Menção Honrosa à participação do grupo.
Em 2022-1 os discentes deram continuidade à iniciativa, convertendo a produção em Projeto de Extensão que os coloca em contato direto com a comunidade a partir da Educação em Saúde
junto a escolares, pais e responsáveis. O projeto foi submetido às Secretarias Municipais de Educação e de Saúde do município e obteve anuência, e foi aprovado, sem bolsa, no Edital para
seleção de projetos de extensão junto à instituição de ensino de origem dos acadêmicos; com Parecer Conclusivo favorável emitido pelo Comitê de Éticaem Pesquisa.
Conclusões ou recomendações
A reflexão sobre a prática e incentivo ao pensamento científico vivenciados a partir da instrutoria PC, são pontos de partida para que acadêmicos de medicina atuem como agentes de
transformação social, seja pela elaboração de artigos científicos, seja pela proposição de projetos de extensão que extrapolem o currículo regular e os coloquem em contato com a
comunidade acadêmico-científica e o poder público em proldos usuários.
183
O BRINCAR E A EDUCAÇÃO EM SAÚDE: A INTRODUÇÃO DO LÚDICO NA PROMOÇÃO DE UMA ALIMENTAÇÃO INFANTIL SAUDÁVEL
João Pedro de Oliveira Daflon1, Ricardo Grecovs de Paula filho1, Bruna Borges Fagundes1, Giovanna Almeida Rodrigues1, Larissa Lara 1, Harumi Matsumoto1
1 UNIFESO
Palavras-chave: Cuidado Infantil, Educação em Saúde; Educação Médica; Promoção da Saúde em Meio Escolar; Nutrição da Criança
Introdução
A educação em saúde é uma das principais ferramentas utilizadas para viabilizar a promoção da saúde. Nesse sentido, acadêmicos de medicina, uma vez inseridos nos cenários de prática
desenvolveram uma ação educativa em saúde para alunos de uma creche. Tal atividade exigiu bastante sensibilidade, criatividade e capacidade de comunicação, se preocupando não apenas
com a simples transmissão deinformações, mas sim na conscientização e mudança dos hábitos de higiene e de alimentação dos infantes.
Objetivos
Apresentar a importância da alimentação saudável como estratégia de educação em saúde para crianças no cenário da creche.
Relato de experiência
A partir de atividades extensionistas, os estudantes realizaram uma visita a uma creche visando a detecção de problemas e a formulação de mecanismos de intervenção, a partir da observação
do meio. Constataram que as crianças da instituição apresentavam uma alimentação inadequada, afinal suas principais refeições eram aquelas que ali realizavam, enquanto em casa comiam
alimentos não nutritivos em demasia e de modo irregular . A partir dessa realidade, os discentes elaboraram atividades, com o intuito de conscientizá-las e despertar o desejo de criar e manter
novos hábitos alimentares. A escolha do tema foi feita com o objetivo de elucidar para os alunos da creche os tipos de alimentos de uma dieta saudável. Os estudantes foram fantasiados para
atrair a atenção das crianças com idades entre 3 e 4 anos. A atividade foi composta por imagens de comidas diversas e de duas cartolinas, uma verde e uma vermelha, nas quais deveriam ser
colados os alimentos saudáveis e aqueles alimentos que deviam ser evitados, respectivamente. Primeiramente, elas tiveram dificuldade na atividade e não sabiam o que era saudável,
associavam comidas mais gostosas, como doces, à cartolina verde, já as frutas e verduras, associavam a cartolina vermelha, pois relataram ser alimentos que não os agradavam. Desse modo,
os estudantes usaram uma linguagem adequada para explicar àquele público os benefícios de uma dieta balanceada. No final, os estudantes também utilizaram da musicalização para falarem
sobre a importância da higiene bucal. Diante disso, as professoras relataram que, pela falta de material, os alunos não escovam os dentes após as refeições e alguns apresentavam os dentes
cariados.
Conclusões ou recomendações
A educação em saúde deve ser enfatizada por meio de ações direcionadas às especificidades locais, sendo assim, efetiva na promoção da saúde. Desse modo, as atividades desenvolvidas
tiveram como abordagem o estímulo à alimentação saudável, sendo essencial que o bom hábito alimentar seja estabelecido desde a infância, pois promove uma melhor qualidade de vida.
Além disso, a ação trouxe benefícios para os discentes, desenvolvendo nestes, através de tais experiências, competências inerentes à boa prática médica.
184
VIVENDO A EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA: DIAGNÓSTICO SITUACIONAL PARTICIPATIVO NA PANDEMIA COMO FERRAMENTA PARA A IDENTIFICAÇÃO DE
POPULAÇÕES VULNERÁVEIS
Natália B. G. Macedo 1, Eliana Goldfarb Cyrino1, Pedro Coltro Estella 1, Vinicius Winther dos Santos Silva1, Lucas Tadeu Carvalho Silva 1, Rafael Felipe Pires Mangolin 1
1 UNESP
Palavras-chave: Diagnóstico situacional; Participação popular; Planejamento; Atenção Primária à Saúde; Extensão universitária
Introdução
De acordo com o artigo 207 da Constituição Federal de 1988, as universidades brasileiras devem obedecer ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Portanto,
cabe-lhes desenvolver projetos de extensão, mediante atividades que promovam o saber científico em benefício da população. Após o início da pandemia SARS-CoV-2, com diversas
mudanças nos processos de trabalho na Atenção Primária (AP), constatou-se como prioridade a realização de um diagnóstico situacional participativo (DSP) para enfrentar os problemas
prementes. Assim, uma escola médica pública do interior paulista tem participado de um projeto de extensão (PE), em uma unidade de saúde (US), desde 2020 até o presente momento.
Objetivos
O objetivo deste PE é realizar um DSP, reconhecendo demandas de saúde da comunidade adscrita, sob impacto da pandemia SARS-CoV-2, e propor intervenções significativas. O grupo
populacional identificadocomo prioritário foram os idosos, por vulnerabilidade social na pandemia, rígido distanciamento social e alta proporção demográfica no território estudado. O
projeto foi aprovado no comitê de ética em pesquisa da universidade. O método utilizado é a Estimativa Rápida Participativa (ERP). Entrevistam-se informantes-chave (sujeitos relevantes que
informam sobre a comunidade), profissionais de saúde e idosos usuários do serviço. Após as entrevistas, feitas suas transcrições, procede-se a sua análise, seleção de problemas prioritários,
delineamento de estratégias de enfrentamento e, por fim, apresentação dos resultados à comunidade e à equipe local.
Relato de experiência
Nosso grupo é composto por estudantes de medicina, orientados por uma professora. Realizamos estudo teórico (através de pesquisa e leitura do tema de DSP), planejamos nosso trabalho,
elaboramos roteirosde entrevistas e selecionamos pessoas. Conduzimos e analisamos entrevistas, produzimos relatórios e relatos. Uma das conclusões até o momento foi a necessidade de
proporcionar espaços de convívio entre idosos no território.
Conclusões ou recomendações
Este projeto qualifica a AP e contribui para a formação de futuros médicos. Quando universidades participam de um PE, atuam com responsabilidade social beneficiando a população ao
dialogarem com ela e ao formarem profissionais comprometidos com a realidade. Recomendamos valorizar na formação médica o aprendizado teórico-prático sobre PS e DSP, para maior
envolvimento dos profissionais com equipes de AP nas respostas às necessidades de saúde da população. Destacamos o presente movimento de curricularização da extensão universitária,
trazendo proposta de aprendizagem a partir de processo participativona AP.
185
AÇÃO DE EXTENSÃO JUNTO AOS ATINGIDOS PELAS ENCHENTES DO RIO TOCANTINS EM MARABÁ-PA – RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA LIGA ACADÊMICA
Lorrane Caroline Mesquita Nogueira 1, Gabriela Caetano Rosa de Sousa1, Sofia de Andrade Pereira 1, Luma Lopes de Sá1, Mara Sílvia Rezende de Freitas 1, Luciana Pereira Colares Leitão1
1 FACIMPA
Introdução
A cidade de Marabá é contornada por robustos rios, que são fonte de renda para famílias e para o município. O crescimento do município no decorrer dos anos culminou com a permanência
e chegada de moradores para as áreas mais baixas da cidade. No início de 2022, uma enchente “histórica” com aumento de mais de 10 metros do nível do rio Tocantins, levou mais de 3 mil
famílias a deixarem temporariamente suas residências.
Objetivos
Diante deste cenário, a Liga Acadêmica do Crescimento e Desenvolvimento Infantil da Amazônia, vinculada a uma faculdade de medicina da cidade, construiu uma ação de extensão buscando
amparar, atender, eproporcionar um momento de cuidado e atenção à algumas famílias que estavam desabrigadas durante as incertezas propiciadas pelo “avanço das águas do Tocantins”.
Relato de experiência
Com o apoio de órgãos municipais a ação pôde ser realizada no ginásio de uma escola municipal. No total, 70 pessoas, entre adultos e crianças, receberam atendimento médico e kit de
higiene pessoal. A escolha das atividades foi baseada nos princípios da aprendizagem a partir da problematização, visando que os acadêmicos pudessem conhecer na prática as principais
dificuldades do município e conseguissem realizar atendimento médico de acordo com as necessidades locais. Compreender a relação do indivíduo com sua moradia, a rotina de vários anos
submetidos a eventos de enchentes, levaram os acadêmicos a entender de maneira ativa a relação da comunidade com o ambiente em que convive. A comunidade foi beneficiada pelo
atendimento médico a crianças e adultos não restritos a uma avaliação única, mas com possibilidade de acompanhamento posterior a depender da situação. O envolvimento dos discentes
com a comunidade foi percebido desde o auxílio ao atendimento médico, a triagem (aferição de pressão, temperatura, peso e altura) e outras atividades que foram transmitidas através de
recursos lúdicos para facilitar a apreensão, como: aprender a lavagem correta das mãos, e escovação dos dentes, entender sobre a importância da vacinação e como prevenir a criação de
mosquitos transmissor de dengue e outras patologias.
Conclusões ou recomendações
A educação associada a saúde é vista como uma forma indispensável no processo de cuidado com o corpo social, através da mudança e transformação dos hábitos. Mediante isso, foi possível
orientar, atender e acolher as famílias que sofreram com a perda temporária de suas residências, com enfoque nas crianças que estão em fase de crescimento e desenvolvimento. O
aprendizado, o respeito e o entendimento sobre arelação de cada família com seu local de morada puderam ser percebidos em cada palavra de agradecimento e em cada conversa durante
a ação realizada.
186
VIVÊNCIAS NA VACINAÇÃO DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA CONTRA A COVID-19: DE DENTRO DA UNIVERSIDADE PARA O VOLUNTARIADO NAS RUAS
Paulo Vitor Leite Mattos Costa1, Sabinaluz Natal Malheiros da Silva1, Kamylla Batista Brito1, Vitor Nina de Lima1, Silvia Helena Arias Bahia 1
1 UFPA
Palavras-chave: Pessoas em Situação de Rua; Territorialização da Atenção Primária; Vacinação; Vacinas contra Covid-19
Introdução
Estimativas de 2019 da Fundação Papa João XXIII, órgão gestor da Política de Assistência Social de Belém, apontam haver cerca de mil pessoas em situação de rua na capital do Pará. No
cenário pandêmico, acentuou-se a vulnerabilidade social da População em Situação de Rua (PSR) e os determinantes sociais da saúde dificultaram o planejamento de estratégias de controle
da disseminação do SARS-CoV-2, uma vez que isolamento em domicílio, higienização das mãos e uso de máscaras não são recursos de fácil acesso por essa população. Sem esforços do
governo e das organizações de saúde, a morbimortalidade da PSR no município poderia ter sido significativa. Nesse sentido, a implementação da campanha de vacinação da PSR contra a
COVID-19, com ação multiprofissional e parceria de diversos atores, entre prefeitura euniversidade, foi um momento singular de promoção da saúde.
Objetivos
Relatar a experiência discente de trabalho voluntário durante a campanha de vacinação da PSR contra a COVID-19 por meio de projeto de extensão de uma universidade pública da região
Norte do Brasil.
Relato de experiência
Nos dias 03 e 04 de julho de 2021, em Belém, iniciou-se a campanha de vacinação da PSR contra a COVID-19. A rede elaborada consistiu em três pontos fixos de vacinação situados nos
Centros de Referência Especializada para População em Situação de Rua (Centro POP) Belém e Icoaraci e no Mercado de Carne do Complexo do Ver-o-Peso e em dois pontos móveis por
vans da estratégia Consultório na Rua (CnaR). Entre os recursos humanos, a equipe multiprofissional do CnaR e acadêmicos de Medicina do projeto de extensão “Externato”, voltado à Atenção
Integral à Saúde da PSR e Refugiados, atuaram na campanha. Em mais de doze horas de ação, os discentes percorreram vários territórios do município e colaboraram na busca ativa, no
acolhimento, no registro e na vacinação de 535 pessoas em situação de ruaindependentemente do local e da condição climática, em abrigos, praças públicas, calçadas ou estações de ônibus,
enfrentando manhã e tarde ensolarados e noite chuvosa.
Conclusões ou recomendações
Vivências práticas com a PSR favorecem a compreensão de diversos determinantes que fogem da limitação de aulas teóricas e cartilhas sobre a temática. Atrelar a extensão universitária a
ações do CnaR é uma ótima oportunidade de colaborar com a formação de profissionais mais empáticos, críticos, reflexivos e com potencial para a gestão em saúde. Logo, o elo firmado na
campanha de vacinação da PSR contra a COVID-19 em Belém contribuiu com a construção da responsabilidade social necessária em uma educação médica mais inclusiva, ética e humanizada.
187
Beatriz Ramalho de Moraes1, Geórgia Rosa Lobato 1, Ludmila Medeiros Silva1, Larissa Braga Almeida1, Gabriela Ferreira Larghi 1
1 UNIFESO
Introdução
Os acadêmicos de medicina experienciaram visitas domiciliares e foram inseridos em um condomínio voltado para vítimas de uma catástrofe natural, localizado na região serrana do estado
do Rio de Janeiro. O território da unidade é composto por sete blocos e, aproximadamente, dez unidades prediais, atendendo em torno de oito mil famílias. Nessa perspectiva, a visita
domiciliar feita pelos acadêmicos de medicina dosegundo período, junto a preceptora, representa um mecanismo de extrema importância no que diz respeito ao vínculo com os integrantes
da família que são acolhidos e acompanhados, além de visar um atendimento de equidade em relação à assistência em saúde. Em virtude disso, esta ação permite que os estudantes percebam
aspectos intrínsecos que contribuem para o adoecimento familiar como um todo.
Objetivos
Refletir sobre a importância da visita domiciliar como aspecto primordial no processo saúde-doença e na estruturação de um vínculo familiar sólido.
Relato de experiência
A unidade de saúde solicitou que os alunos acompanhassem um jovem de vinte e sete anos, portador de paralisia cerebral, com queixa principal de dor na região lombar. Quando houve a
visita domiciliar, rumoresde violência física por parte da mãe existiam no condomínio, que foram incorporados ao olhar crítico da anamnese durante as visitas. Na primeira visita, foi observado
que ele passava o dia inteiro, todos os dias, deitado em uma estrutura de poliéster de piscina forrada com cobertores, pois não possuía cadeira de rodas ou cama. Na mesma residência
morava sua mãe, duas irmãs e suas duas sobrinhas. Sua prima, também portadora de paralisia cerebral, passava a maior parte dos dias em sua casa. Após algumas visitas, foi observado o
quão frágil aquele ambiente estava, com medos e angústias. As conquistas foram fruto de dedicação e planejamento individualizado para aquela família. Foi conseguido uma cadeira de rodas
especial para ele, fraldas, cestas básicas e entrevistas de emprego para as suas duas irmãs.
Conclusões ou recomendações
Em suma, pode-se perceber que a estrutura do ambiente em que o paciente está inserido afeta a integridade familiar, alterando a qualidade de vida e seu desenvolvimento psicossocial,
sendo necessário um olharalém do indivíduo, como suas relações e rotina. Pequenas intervenções viabilizam várias possibilidades para toda uma família. Dessa forma, as visitas domiciliares
possibilitam, embora parcialmente, analisar o contexto em que o indivíduo se encontra, sendo de grande importância para o diagnóstico.
188
Lívia Saraiva Carriconde1, Giovanna Righete Albuquerque Lima 1, Giovanna Silva Rodrigues de Oliveira1, Gustavo Fornachari1
1 UFPEL
Introdução
Durante a pandemia de Covid-19, com a paralisação das atividades presenciais, a criação de conteúdos de maneira assíncrona foi útil para aprimoramento de conhecimentos deficitários da
área médica, sendo um deles, a forma de se lidar com a morte. A partir de artigos, livros e opiniões de estudantes, observou-se uma demanda por uma discussão ampla e multidisciplinar
sobre o tema, com finalidade de ensinar o estudante e o recém-formado a manejar as situações de fim de vida de pacientes, seus sentimentos em relação a esse acontecimento e possíveis
contratransferências na relação médico-paciente. A partir destecontexto, desenvolveu-se um curso com atuação ativa sobre a educação e formação médica de seus participantes, ao abordar
os temas que orbitam o assunto morte, desde seus aspectos biológicos até seus aspectos culturais, sociais e filosóficos. Dentre os aspectos objetivos, buscou-se ensinar conceitos, técnicas e
protocolos para preparar tecnicamente o aluno, já quanto aos aspectos subjetivos, abordaram-se temas a fim de sensibilizar o participante, de acordo com os diversos contextos psicossociais
com os quais a morte está associada.
Objetivos
Descrever e relatar a experiência de idealizar e construir um curso ao longo da graduação médica que aborda a morte.
Relato de experiência
“Dying, a Human Thing” é um projeto consolidado em diversas universidades, e desta vez, foi realizado por acadêmicos do curso de medicina de uma universidade gaúcha. O curso ocorreu
entre julho e agosto de 2021, com duração de 5 semanas e teve como objetivo melhorar, por meio de palestras, o conhecimento técnico e a compreensão dos participantes sobre o processo
da morte e do morrer, bem como fomentar a reflexão acerca do papel dos profissionais de saúde neste contexto. As aulas foram estruturadas com o objetivo de consolidar um debate
humanístico e técnico ao longo do curso. Os assuntos apresentados durante as aulas foram: Tanatologia na Formação do Médica; Comunicação de más notícias; Morte encefálica; Ciência e
Espiritualidade; Luto; Suicídio; Cuidados Paliativos e Bioética da Morte. Após a análise do questionário aplicado ao final do curso, foi possível perceber que mais de 50% dos participantes
sentiam-se parcialmente ou completamente preparados para lidar com as questões abordadas durante o curso.
Além disso, parcela significativa deste percentual, ao início do curso, percebia-se como despreparado ou sem conhecimento suficiente para abordar os tópicos acerca de quadros irreversíveis
e morte, ratificando a deficiência no ensino desses temas.
Conclusões ou recomendações
Pondera-se que cursos como este devem ser estimulados no ambiente acadêmico a fim de propiciar e garantir que temas que se mostram insuficientes ao longo da graduação médica tenham
maior visibilidade e, assim, um maior domínio pelos futuros profissionais da saúde.
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Clarisse Milena de Holanda Bezerra Medeiros1, Thaís Dias da Silva1, Gabriel Marques Braga1, Lorena Melina Rosendo Vieira1, Sthefany Albuquerque Assunção Moreira 1, Cristina Rocha de Medeiros
Miranda 1
1 UFRN
Introdução
Desde 1960, com os trabalhos de Cicely Saunders, e provavelmente muito antes disso, percebeu-se que o Cuidado em Saúde que se restringe à busca médica pela cura de doenças
ameaçadoras da vida, por vezes, configura um tipo de assistência exígua e maléfica ao doente. Nesse panorama, a prática dos Cuidados Paliativos (CP) emerge do entendimento da
complexidade inerente ao sofrimento humano e da necessidade de mitigá-lo por meio da abordagem integral e multiprofissional, cujo principal objetivo é a melhoria e manutenção da
qualidade de vida do paciente e sua família, com base na autonomia da pessoa humana e na prevenção e alívio de sintomas físicos, psicológicos, sociais e espirituais. Diante da ínfima
abordagem curricular acerca dessa temática, a criação da Liga Acadêmica de Cuidados Paliativos (LACP) em uma Universidade Federal demonstra, além da imperiosa necessidade de
sistematizar o ensino de CP no âmbito acadêmico, o empenho de um grupo de graduandos em promover, de forma pioneira, espaçospara construção e troca de conhecimento, inclusive em
cenários práticos.
Objetivos
Reforçar a importância dos Cuidados Paliativos na formação médica e discorrer sobre o processo de fundação da LACP.
Relato de experiência
Em outubro de 2021, uma aluna do segundo período buscou discentes e docentes interessados em compor a LACP. Mediante reuniões online, foram definidos os 8 diretores da LACP e a
professora orientadora, que é infectologista. Os demais professores colaboradores são: uma oncologista; uma oncologista pediátrica; uma geriatra e paliativista; e um professor formado em
direito e farmácia, que ministra uma disciplina de Tanatologia e Bioética na Universidade. Além disso, os fundadores da liga definiram que as reuniões científicas não seriam temáticas, mas
sim discussões de casos de pacientes dos próprios professores, com o intento de fomentar debates acerca dos CP e de aproximar os estudantes do cuidado centrado na pessoa, não em
doenças. No que concerne aos cenários práticos, a LACP buscou espaços em que os graduandos pudessem inicialmente vivenciar experiências com pacientes e observar as condutas da
equipe multidisciplinar, tendo em vista que os componentes da liga não têm, ainda, uma formação adequada em CP que os permita estagiar nos serviços de saúde.
Conclusões ou recomendações
Diante da importância dos CP para proporcionar o aprimoramento na qualidade de vida do paciente, de seus familiares e de seus cuidadores, o debate dessa temática torna-se, no contexto
atual, essencial para aformação médica. Isso posto, faz-se imprescindível a incorporação das diretrizes dos CP no ambiente acadêmico, para que tais preceitos sejam incorporados pelos
estudantes no decorrer da jornada universitária.Assim, o cuidado paliativo poderá, no futuro, ser amplamente praticado nos mais diversos campos de cuidado da vida humana.
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CUIDANDO DE QUEM CUIDA: INTERVENÇÕES E PSIQUIATRIA OCUPACIONAL - UM RELATO DE EXPERIÊNCIA EM GRUPO TERAPÊUTICO
Beatriz Joia Tabai1, Amanda Soares Gama1, Marcos Junior Oliveira de Souza1, Lúcia Pedroso Lucas1, Camila de Lima1
1 UFVJM
Introdução
Saúde mental, conceitualmente, tem um significado maior do que a simples “ausência de transtornos mentais”, englobando a qualidade de vida emocional ou cognitiva das pessoas. Assim,
a saúde mental é muitoafetada por condições e experiências do cotidiano, o que envolve o ambiente de trabalho. Aplicando essa lógica para os hospitais, que possuem como rotina jornadas
desgastantes, baixa remuneração, falta de materiais para a assistência, desrespeito aos horários alimentares e circadianos, necessidade de lidar com pessoas em fragilidade, entre outros
fatores que impactam negativamente a saúde mental dos trabalhadores desses lugares, observa-se a necessidade de ações em direção a esta população a fim de colaborar para sua saúde
mental.
Objetivos
Nesse ínterim, o projeto de extensão “Cuidando de quem Cuida - Intervenções em Psiquiatria Ocupacional”, uma parceria da Universidade com um hospital local, tem como propósito
promover educação em saúde mental e qualidade de vida para os trabalhadores do hospital parceiro, com foco em diálogo e reflexão das condições laborais.
Relato de experiência
O projeto atua realizando grupos terapêuticos no auditório do hospital parceiro, abordando temas da saúde mental escolhidos pelo público com linguagem acessível e metodologias
dinâmicas. Em cada encontro uma psicopatologia é abordada e um informativo sobre o mesmo tema é veiculado pelas vias digitais do hospital. Em maio de 2022, o grupo terapêutico
realizado abordou o tema Transtorno de Estresse Pós- Traumático (TEPT), contando com um público de 13 pessoas. A metodologia utilizada foi a de perguntas e respostas, em que dois
membros da equipe do projeto faziam perguntas e estimulavam os trabalhadores do hospital a responderem de acordo com sua vivência, em seguida comentavam as respostas e mostravam
as informações corretas de acordo com a literatura científica.
Conclusões ou recomendações
Com isso, o projeto demonstrou ser efetivo no impacto da vida dos trabalhadores do hospital parceiro, o que contribui na melhora de sua qualidade de vida.
191
PROJETO DE INTERVENÇÃO: UMA DAS FERRAMENTAS DO INTERNATO DE SAÚDE COLETIVA UTILIZADA COMO INDUTORA DE RESPONSABILIDADE SOCIAL DA
ESCOLA MÉDICA
Roberto Shigueyasu Yamada1, Franciele Ani Caovilla Follador1, Lirane Elize Defante Ferreto 1, Gisele Arruda1, Raquel Tieko Tanaka Yamada1
1 UNIOESTE-FB
Palavras-chave: Responsabilidade Social; Avaliação de Programas e Projetos de Saúde; Internato Médico; Saúde Coletiva
Introdução
A responsabilidade social no exercício profissional faz parte do perfil do egresso da instituição, que promove a formação desses valores pessoais, em consonância com as Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Medicina de 2014. Nesse sentido, a consolidação da competência atitudinal da cidadania foi incentivada no último ano do internato médico,
por meio de projetos de intervenção em unidades básicas de saúde no município onde os internos se encontravam inseridos. Considerou-se relevante a análise do grau de satisfação dos
internos na utilização desta metodologia dentro da disciplina de Saúde Coletiva.
Objetivos
A necessidade de ampliação do senso de responsabilidade social como uma estratégia indutora para capacitação desta competência médica; E a análise do grau de satisfação dos internos
com a utilização desta atividade.
Relato de experiência
Como o projeto político do curso que preconiza a necessidade de formação de profissionais críticos e reflexivos, capazes de transformar a realidade social e profissional, este projeto de
intervenção deveria ser construído em uma ação conjunta, partilhada com todos os profissionais e a comunidade adscrita desta unidade; não restrita a uma ação programada da matriz
curricular da disciplina de Saúde Coletiva. Portanto, optou-se pela metodologia da problematização do Arco de Maguerez. Sendo que, a escolha de um determinado projeto de intervenção
na referida unidade básica de saúde deveria contemplar as dimensões de risco, vulnerabilidade, incidência e prevalência das condições de saúde desta população, bem como considerar
todas as fases de um planejamento estratégico destas ações-chaves. Foram realizados 25 projetos de intervenção no ano letivo de 2020, em 13 unidades básicas de saúdes e suas populações
adscritas. Esses projetos alcançaram as mais diferentes necessidades de saúde dos grupos de pessoas, das condições de vida e de saúde destas comunidades. A satisfação da realização dos
projetos foi mensurada por uma autoavaliação inicial e outra no final do projeto, quando da conclusão da atividade. Utilizou-se um instrumento de avaliação com escala qualitativa, em ordem
numérica de 0 (zero) a 10 (dez). Participaram desta pesquisa 36 internos, 25 do sexo feminino e 11 do sexo masculino. A média “inicial” foi de 6, 89 ea média “final” de 8, 72. O escore mínimo
antes do projeto foi de 03 e o máximo de 10 e, ao final, o mínimo foi de 05 e o máximo de 10. Os valores das médias iniciais e finais, quando comparadas foram estatisticamente significativas
(p<0, 001).
Conclusões ou recomendações
Após verificar o número de indivíduos beneficiados nesta atividade, bem como a sustentabilidade destes projetos; contribuindo com o senso de responsabilidade social aliado à constatação
da satisfação na construção coletiva e colaborativa dos internos envolvidos. Recomendamos a manutenção da construção de projetos de intervenção como importante ferramenta na
construção da cidadania.
192
CONSTRUÇÃO DE CARTILHA SOBRE IMPORTÂNCIA DA VACINAÇÃO COMO FERRAMENTA DE CONSCIENTIZAÇÃO DOS FUNCIONÁRIOS E PACIENTES DE UMA
UNIDADE DE SAÚDE DE BELÉM
Ana Flávia Oliveira de Souza1, Ana Josefina Gonçalves Salomão1, Claudia Marques Santa Rosa Malcher 1, Danton dos Santos Amanajas1, Samya Cristina de Souza Calixto 1, Brenda Diniz Rodrigues1
1 CESUPA
Introdução
As vacinas são substâncias biológicas que quando introduzidas no corpo humano ativam o sistema imunológico, criando imunidade contra o microrganismo alvo da vacina. Principalmente
durante a pandemia peloCOVID-19, a taxa de vacinação diminuiu por fatores de isolamento social e novas correntes de movimentos anti-vacinas.
Objetivos
O objetivo do presente artigo foi construir uma cartilha sobre a importância das vacinas para prevenção de doenças.
Métodos
Por meio de matérias educacionais médicos e matérias do Ministério da Saúde e Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), foram construídos resumos sobre a importância da vacinação
e posteriormentesedimentados por discussões em grupos e finalizados com a editoração de uma cartilha contendo as informações. O material foi enviado para diversas unidades de saúde a
fim de serem estratégias de conscientização.
Resultados
O manual foi construído em capítulos como a definição de vacinas, importância social, benefícios, comparação entre mitos e verdades científicas além de efeitos colaterais mais comuns,
sendo uma estratégia importante para a sedimentação de conhecimentos em educação em saúde de unidades básicas.
Conclusões
Dessa forma, a construção da cartilha obteve resultados positivos para os discentes que a construíram, pois sedimentaram o conhecimento além de produzirem um material para a atenção
básica em saúde.
193
Samarah Pinheiro da Silva Costa1, Ayanne Castro de Miranda1, Adrielly Carvalho Lopes Pires1, Jayne Antoniele Miranda Lopes1, Francisco Cezar Aquino de Moraes1, Emanuella Rosyane Duarte
Cerqueira1
1 UFPA
Palavras-chave: Estudantes de Medicina; Saúde dos Estudantes; Estresse Psicológico; Qualidade de Vida
Introdução
O estresse é causado por estímulos que perturbam emocionalmente o indivíduo, podendo o conduzir a um nível de tensão danoso ao seu bem estar físico e psicológico, sendo um fator
contribuinte para desenvolvimento de distúrbios psicológicos, doenças psicossomáticas e outras possíveis afecções. Assim, o estresse e características psicoemocionais moldadas a partir da
longa carga horária do curso de medicina e de seus fatores, como alta exigência de bom rendimento e tempo demandado em estudos, podem ser elementos relevantes para essa condição.
Objetivos
Analisar os dados coletados a partir da aplicação do Questionário de Escala de Estresse Percebido (PSS), e mensurar os efeitos do estresse em estudantes de Medicina em uma Universidade
do Norte do Brasil.
Métodos
Trata-se de um estudo observacional transversal descritivo, aprovado pelo comitê de ética da instituição, com parecer nº 49074621.7.0000.0018. Foi utilizado o Questionário de Escala de
Estresse Percebido (PSS), o qual consiste em 10 questões de múltipla escolha com pontuações variáveis de acordo com a alternativa marcada, com valor final máximo de 40. A somatória final
é utilizada como medida de estresse percebido. O questionário foi aplicado a 45 alunos voluntários do curso de Medicina, 15 homens e 30 mulheres, sendo estes orientados a responderem
às perguntas com base nos 30 dias anteriores à coleta.
Resultados
O PSS permite analisar o impacto objetivo e subjetivo do estresse, com base no quão imprevisíveis e sobrecarregadas os entrevistados consideram suas vidas. Das 45 respostas, 13, 3% dos
alunos obtiveram somatória resultante igual a 24, e a média dos resultados obtidos foi de 23, 2. Além disso, um quantitativo expressivo de 80% dos alunos tiveram a somatória maior ou igual
a 20, sendo que destes, 69, 44% eram do sexo feminino. Foi observado que 40% dos alunos relataram aborrecimento devido a acontecimentos inesperados, ou que frequentemente estiveram
bravos por conta de ocorridos fora de seu controle. Além disso, 40% afirmaram que ocasionalmente foram capazes de controlar irritações na sua vida. 33, 3% dos discentes responderam que
ocasionalmente sentiram incapacidade em controlar coisas importantes na sua vida e 53, 3% alegaram que estiveram nervosos ou estressados com muita frequência, e ainda, a mesma
porcentagem de acadêmicos afirmou que somente às vezes estiveram confiantes em sua capacidade de lidar com seus problemas pessoais. Ademais, mais de 45% dos alunos informaram
que eventualmente sentiram que os acontecimentos sucederam de forma esperada, percentual semelhante para os que relataram frequência não conseguirem lidar todas as coisas que tinha
por fazer. Por fim, 37, 8% dos discentes alegaram que ocasionalmente sentiram que todos os aspectos de sua vida estavam sob controle, e a mesma porcentagem estimou que os problemas
se acumularam de modo a inferir que não conseguiriam resolvê-los.
Conclusões
Os estudantes demonstraram importante nível de estresse percebido, com as amostras iguais ou acima de 20 pontos sendo majoritariamente do sexo feminino. Sabe-se que o curso de
medicina é um fator estressante em comum para os entrevistados, impactando a qualidade de vida e, por vezes, levando ao adoecimento, mas além dele faz-se necessário o estudo de outros
indicadores sociais e econômicos paraenriquecer o estudo.
194
SENSIBILIZAÇÃO DE ACS E ACE: UMA ESTRATÉGIA PARA CONTRIBUIÇÃO EM INDICADOR DO PREVINE BRASIL
1 FCMMG
Palavras-chave: Agentes Comunitários de Saúde; Agente de Combate às Endemia; Educação em Saúde; Promoção da Saúde; Saúde da Mulher
Introdução
De acordo com a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB), o Programa de Saúde da Família (PSF) busca “ampliar a resolutividade e impacto na situação de saúde das pessoas e
coletividades, além de propiciar uma importante relação custo-efetividade”. Nesse contexto, os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) têm papel fundamental na promoção de saúde por
meio da educação em saúde e das ações de prevenção, utilizando-se do forte vínculo com a comunidade para sensibilização e conscientização dos usuários. De forma semelhante, os Agentes
de Combate às Endemias (ACE) têm contato direto com a população e visitam com frequência as residências das comunidades orientando a população sobre doenças zoonóticas e higiene
ambiental. Entretanto, no sistema público de saúde brasileiro, esses dois grupos de profissionais encontram desafios para atuarem em suas funções de forma integrada com os outros
profissionais. Desse modo, ante a gravidade desse problema no País, surgiu o interesse de produzir um relato de experiência sobre uma ação extensionista de intervenção com ACE e ACS
em um centro de saúde em Belo Horizonte, como ferramenta de melhoria das ações voltadas à saúde da mulher.
Objetivos
Relatar a experiência de uma ação intervencionista com ACS e ACE em um centro de saúde em Belo Horizonte.
Relato de experiência
As atividades foram desenvolvidas em um centro de saúde de Belo Horizonte, durante uma disciplina extensionista de Práticas de Saúde Coletiva I no primeiro semestre de 2022 do curso de
Medicina. Constatou-se que a unidade de saúde em questão se encontrava com baixos índices de realização do exame de Papanicolaou, 2%, com uma meta de 33% no Previne Brasil. Em
diálogo com as mulheres da comunidade, evidenciou-se a necessidade de, junto a equipe de saúde da unidade, traçar estratégias para melhoria dos indicadores a médio e longo prazo.
Foram realizados dois encontros, um com as ACSs e outro com os ACEs. Nesses dois momentos, buscou-se sensibilizar os profissionais quanto sua importância no processo de promoção de
saúde, já que estes se sentiam desvalorizados na unidade. Os profissionais relataram as dificuldade de mobilizar as mulheres para realizar o exame preventivo, de lidar com as dúvidas da
população sobre os procedimentos e patologias e a logística de agendamento de exames na unidade, composta por quatro equipes, em que em cada uma o agendamento é feito de uma
forma diferente e o contexto da pandemia de COVID-19 prejudicou-as de diferentes formas. Durante os dois encontros, a assistente social da equipe registrou as demandas dos ACE e ACS
e possíveis estratégias para melhoria dos indicadores do exame ginecológico. Os profissionais aprovaram a intervenção realizada e acreditam que o projeto de extensão teve grande impacto
na unidade de saúde.
Conclusões ou recomendações
As ações desenvolvidas promoveram uma conexão entre academia e comunidade, oportunizando a troca entre ambos e o enriquecimento do processo ensino-aprendizagem com
contribuição na promoção da saúde e firmando a função social da academia de contribuição à sociedade.
195
DESAFIOS DA INTEGRALIDADE DO CUIDADO NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA: EXPERIÊNCIA DOS ACADÊMICOS DE MEDICINA
Julia Pereira Toledo 1, Luiz dos Santos Freitas Mattos Júnior1, Cauã Belonia Terra1, Kelen Salaroli Viana 1, Matheus Pinheiro Schimidt1, Daniel Tavares do Espírito Santo1
1 UNIREDENTOR
Introdução
A integralidade é um princípio do Sistema Único de Saúde e das Redes de Atenção a ser operacionalizado na Atenção Básica. A literatura demonstra desafios em seu processo de
implementação como a baixaresolutividade das ações ofertadas na Estratégia Saúde da Família e o não empoderamento da comunidade em relação aos seus direitos.
Objetivos
Compreender os desafios da integralidade do cuidado na Estratégia de Saúde da Família (ESF), enfatizando a participação da equipe multidisciplinar no planejamento, implementação e
execução de ações quelevem à sua concretização.
Relato de experiência
No curso de medicina de uma Instituição de Ensino Superior(IES) do Estado do Rio de Janeiro, o eixo Integração Ensino-Serviço-Comunidade (IESC), busca inserir o acadêmico na Atenção
Básica à Saúde (ABS) desde o primeiro período do curso de medicina. Os alunos são subdivididos em pequenos grupos e direcionados para acompanhar o processo de trabalho de diferentes
Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Realizando uma atividade de territorialização e de educação em saúde na unidade, os estudantes perceberam que o acesso à área é dificultado pela topografia local e, também, por sua
estrutura física precária, mesmo que recente. Há infiltrações e goteiras na maioria dos cômodos, bem como a presença de uma alta vegetação dentro do próprio terreno, evidenciando cenário
propício para a proliferação de doenças.
Durante as visitas, os estudantes observaram que não há um fluxo de atendimento multiprofissional na unidade, o que leva a busca por atendimento nos serviços de nível secundário, como
a Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Importante salientar que a participação pouco ativa dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) na territorialização das microáreas, impede que a
população seja devidamente inserida na Atenção Básica. Além disso, os estudantes perceberam que não há uma rotina frequente de atendimentos de médicos e enfermeiros, além de os
consultórios, sala de procedimentos e curativos não estarem em condições ideais para o seu funcionamento. Há uma falta de integração entre comunidade e a Unidade que se deve ao não
empoderamento da população sob seus direitos, visto que são escassas as atividades de educação em saúde.
Conclusões ou recomendações
A fragilidade da integração entre a UBS e a comunidade, impede que a ESF atue como um mediador da resolutividade das questões de saúde. A deficiência na comunicação entre a população
e a equipemultiprofissional prejudicam a efetividade dos serviços de prevenção, promoção e proteção à saúde na Atenção Básica.
196
PRIMEIROS SOCORROS PARA A COMUNIDADE: UM ATO DE RETORNO À SOCIEDADE COM UM DESFECHO INESPERADO
Giovana Berger de Oliveira1, Luísa Mostardeiro Tabajara Franche1, Julia Prauchner de Castilhos 1, Otavio Angelo Fachini Delazeri 1, Maria Carolina Raymundi Moreira1, Ricardo Breigeiron1
1 PUCRS
Introdução
Situações de emergência ocorrem comumente em ambientes extra-hospitalares e, portanto, é fundamental que a população tenha conhecimento básico em salvamentos. Contudo,
capacitações em primeiros socorros frequentemente demandam investimento financeiro e são pouco acessíveis àqueles com menor poder aquisitivo. Atividades de voluntariado podem
viabilizar esse aprendizado à comunidade, desde que promovidas por indivíduos treinados e experientes.
Objetivos
Relatar a experiência de acadêmicos de medicina que realizaram uma capacitação em Suporte Básico de Vida com o propósito de tornar esse treinamento mais acessível à comunidade por
meio de açõesvoluntárias.
Relato de experiência
Em uma Liga Acadêmica de Trauma, estudantes de medicina tradicionalmente realizam atividades de voluntariado voltadas para a comunidade, ministrando cursos de primeiros socorros à
população leiga. Desde o início das ações voluntárias, o conhecimento dos ligantes era adquirido por meio de pesquisas, livros e ensinamentos de ex-ligantes. No início de 2022, no entanto,
os estudantes optaram por realizar uma capacitação prévia em Suporte Básico de Vida (SBV) em um centro de treinamento e simulações com o objetivo de aprofundar e solidificar seu
conhecimento para transmiti-lo à comunidade com mais propriedade e qualidade. O curso de SBV tem duração de oito horas e intercala atividades teóricas e práticas em manequins de
simulação realística. Os assuntos abordados são: ressuscitação cardiopulmonar (RCP), uso correto do desfibrilador externo automático e manejo do engasgo. Ao final do curso, ocorre uma
avaliação por meio de provas teórica e prática. Desde a capacitação, foram realizadas mais de 10 ações em escolas públicas e centros culturais, envolvendo mais de 25 ligantes de diferentes
níveis do curso.
Conclusões ou recomendações
Capacitar acadêmicos de medicina em SBV permite que atividades de voluntariado em primeiros socorros sejam executadas com mais qualidade e profissionalismo. Além disso, ter
conhecimento pleno noassunto permite que os estudantes se sintam mais confiantes durante as ações, o que contribui para sua formação acadêmica.
197
Ana Gabriela da Silva 1, Gustavo Fernandes Pereira Camilo1, Gabriel David Camargo1, Laura Couto de Oliveira Azevedo 1, Igor Barreto Leite 1, Adriana Carvalho1
1 UFU
Palavras-chave: Abandono do Uso de Tabaco; Extensão comunitária; Qualidade de vida; Educação em Saúde
Introdução
O tabagismo é um problema de saúde pública considerado uma doença neurocomportamental causada pela dependência da nicotina. O nível da dependência de nicotina está relacionado
com a fissura, um forteimpulso para usar a substância, e com a tolerância, necessidade crescente da substância para atingir o efeito desejado. Ademais, existem diversos fatores, em especial
comportamentais e psicológicos, que induzem ao ato de fumar e que dificultam sua interrupção. Dentre eles, estão os quadros de ansiedade, depressão, problemas psiquiátricos, baixa
autoestima, automatismos, gatilhos e costumes, assim como fatores psicossociais, culturais e genéticos.
Objetivos
Relatar a experiência vivenciada por meio de uma ação extensionista denominada “Ação Fumo Zero” que envolveu a temática do tabagismo e que teve como finalidade socializar as
informações científicas sobre os perigos do tabaco à saúde.
Relato de experiência
Propondo abordar a temática do Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de Maio, realizou-se uma intervenção no parque mais movimentado de Uberlândia/MG durante o final de semana,
nos dias 28 e 29 do mesmo mês. Para isso, foi montada uma estrutura para acolhimento daqueles que passavam pelo parque e a disponibilização de folhetos informativos sobre prevenção
e cessação do tabagismo. Assim, estudantes de medicina de diversos períodos conversaram e alertaram a população sobre o que é o tabagismo, seus malefícios, o efeito da dependência e
as diversas formas que ele tem entrado na sociedade, seja por meio de propagandas, novos dispositivos eletrônicos ou atrativos. Além disso, foi abordado como procurar ajuda para parar
de fumar, sendo indicado técnicas para evitar gatilhos, automatismos e fissuras da abstinência, e a recomendação da política de tratamento do tabagismo, gratuita em algumas UAIs da cidade,
e de grupos antitabagistas que trabalham com o público fumante.
Conclusões ou recomendações
Por fim, a ação foi um exemplo positivo de Educação em Saúde, ampliando o conhecimento da comunidade abordada e dos próprios estudantes, que se debruçaram sobre a temática e
conheceram algunscontextos, experiências e valores de participantes. Com isso, eles não só se tornaram mais confiantes para abordar e orientar os usuários de nicotina e/ou seus familiares,
mas também adquiriram um conhecimento que será importante no restante de suas trajetórias acadêmicas e profissionais.
198
PROJETO DE INTERVENÇÃO QUANTO AO REGISTRO MÉDICO NO PERÍODO DE PRÉ-NATAL EM UMA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DE CONTAGEM,
MINAS GERAIS
Marina Silva Cunha 1, Daniel Demétrio Magalhães1, Sofia Lacerda de Sousa Vilaça1, Letícia Cristina de Oliveira Faleiros 1
1 PUC-MG
Palavras-chave: Registro Médico do Paciente; Prontuário Eletrônico; Unidade Básica de Saúde; Assistência Pré-Natal
Introdução
A necessidade da existência de um documento no qual as informações referentes ao histórico de saúde de um paciente fossem registradas e armazenadas não é recente. A palavra prontuário
tem sua origem do latim promptuarium e significa “lugar onde são guardadas coisas de que se pode precisar a qualquer momento” ou “manual de informações úteis” ou ainda “ficha que
contém os dados pertinentes de uma pessoa”. O prontuário é um documento de extrema relevância no atendimento à saúde do paciente, que dispõe da informação fundamental e
imprescindível para assegurar a continuidade do tratamento prestado a ele.
Entretanto, o Prontuário Médico Tradicional (PMT), não é mais a ferramenta mais eficiente para o registro do paciente. Os prontuários de papel, que são a maioria, nas UBS de municípios ao
redor da capital é ummétodo que possui inúmeras limitações, propicia o erro, e perda de informações. Na unidade básica de saúde em que foi realizada a intervenção, os prontuários eram
constantemente extraviados, difíceis de localizar no armazenamento criado por eles, atualizado por médicos e enfermeiros diferentes e por ser feito em formato de texto corrido, as informações
ficavam camufladas e de difícil leitura.
Objetivos
O prontuário eletrônico é a forma mais eficaz no armazenamento seguro e organizado das informações médicas, mas as dificuldades financeiras e de gestão, impossibilitam a execução do
mesmo. Portanto comoalternativa viável surgiu a iniciativa de tornar essa realidade precária a mais otimizada possível.
Relato de experiência
A intervenção foi feita por alunos de primeiro período como parte de disciplina de saúde da gestante na APS. Criamos uma folha de rosto padrão para ser anexada aos prontuários de
gestantes. A folha tem seu design baseado na caderneta da gestante, e na ficha ambulatorial de pré-natal do SUS. As equipes do posto participaram ativamente da construção melhorada
para se encaixar no cotidiano das consultas de pré- natal. Contendo, em frente e verso, todas as informações necessárias para seguir as consultas do período de pré-natal. Com lacunas para
resultados de exames, evolução de manobras de Leopold, sinais vitais, fetal e materno, além de toda a anamnese completa com informações do histórico familiar, história da moléstia atual e
pregressa, GPA, suplementação e vacinas, incluindo a vacina da Covid-19.
Conclusões ou recomendações
Apesar do prontuário de papel ainda ser uma realidade em muitas unidades de saúde, é possível intervir para melhorar seu registro e sua forma de organização. A adoção da folha de rosto
demonstrou que pequenas intervenções podem melhorar certos aspectos do atendimento e do registro. Ainda assim, a luta por prontuários eletrônicos deve ser intensificada, por sua maior
praticidade e segurança, que se reflete em melhor cuidado do paciente.
199
Eda Silva Cesar 1, André Paiva Garcia Beck1, Patricia Monteiro Ribeiro1, Rinaldo Henrique Aguilar da Silva1
1 FCMSJC
Introdução
Na educação médica, muito se fala sobre a história familiar dos pacientes e sobre os determinantes sociais de saúde, buscando-se entender como esses fatores influenciam na patogênese
das doenças. No entanto, a temática do paciente adotado é esquecida quando se trata de ensinar sobre anamnese e comunicação em saúde. É de suma importância perceber que situações
de constrangimento durante consultas médicas ao se abordar a história familiar do paciente podem ser evitadas pela simples inserção da questão da adoção ou institucionalização, antes das
questões referentes à hereditariedade nas anamneses. A cada ano, mais de 250 mil crianças são adotadas em todo mundo. A história da institucionalização no Brasil passou por diversas
etapas e processos, iniciando-se com o abandono de crianças nas Santas Casas de Misericórdia, passando pelo sistema Fundações Nacional e Estadual do Bem-Estar do Menor durante a
ditadura, e atualmente regulada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que assegura direitos a todos menores de idade, período demarcado pelo acolhimento em abrigos e que
quando ocorre por longos períodos, prejudica o desenvolvimento das crianças, que não atingem suas potencialidades sociais, biológicas e intelectuais. É necessário que as instituições
médicas de ensino, médicos e profissionais de saúde tenham conhecimento do que todo este processo pode causar aos indivíduos em questão. Na educação médica, é de grande importância
a conscientização das instituições de ensino e dos graduandos sobre a necessária abordagem do tema, devido ao desconforto que possa vir a ser sentido por pacientes adotados, além de
ser assunto ainda pouco debatido por aqueles que não têm envolvimento particular.
Objetivos
Evidenciar a não abordagem do quesito adoção/institucionalização na anamnese durante o ensino médico.
Relato de experiência
Graduandos do 5º ano do curso de medicina de uma faculdade do interior do estado de São Paulo se depararam com pouquíssimas abordagens sobre o tema adoção/institucionalização
durante o ensino das disciplinas do curso e esta falha se repete em muitos cursos de medicina. O tema foi abordado devido ao relato de dois alunos sobre sua história de vida pessoal. Esses
elencaram o tema para a realização de trabalhos científicos e realizaram a pesquisa com aplicação de questionário para pais e pessoas adotadas. Durante sua aplicação, foi verificada grande
emotividade ao referirem experiências negativas e delicadas no cenário médico-hospitalar por perguntas insensíveis feitas durante a consulta.
Conclusões ou recomendações
A adoção e a institucionalização são pouco discutidas na sociedade e durante o curso de medicina, sendo essencial a criação de um debate sobre o tema nas instituições médicas e sua
abordagem no ensino da propedêutica e da comunicação em saúde, promovendo desenvolvimento de mecanismos pelos graduandos de medicina para o tratamento desses pacientes e
familiares.
200
ENSINO DA SAÚDE PLANETÁRIA NA EDUCAÇÃO MÉDICA: UMA REVISÃO SOBRE AS ESTRATÉGIAS PARA A SUA INSERÇÃO
Isabela Maria Arantes1, Allini Bizerra Amaral 2, Amanda Paganini Lourencini2, Kezia Vaz dos Santos Candido2, Nathan Marcondes Freitas Leite 2, Neudson Johnson Martinho 2
1 UNIC
2 UFMT
Introdução
Saúde Planetária (SP) é a interação existente entre a saúde humana e o ambiente, com impactos mútuos. No século 21, com a sucessiva degradação ambiental, são observados efeitos graves
nessa relação, com destaque para o aumento da insegurança alimentar, desastres ambientais e doenças relacionadas ao clima. A fim de compreender melhor a realidade da população e
buscar soluções a nível de saúde pública, é necessário que a SP esteja inserida no currículo médico. Essa inclusão auxilia na formação de novos pesquisadores que possam compreender
melhor as relações entre saúde e o ambiente. Além disso, a atuação médica não se restringe somente ao manejo da doença, mas abrange também a manutenção e prevenção em saúde, o
que, no atual contexto, obrigatoriamente envolve a gestão de desastres naturais, a identificação de doenças relacionadas ao clima e a educação ambiental, a fim de garantir uma melhor
qualidade de vida para a população atual como também para as futuras gerações. Contudo, apenas 15% das escolas médicas no mundo atualmente apresentam atividades relacionadas à
SP. Desse modo, é necessário adotar abordagens para inclusão do tema no currículo.
Objetivos
Demonstrar as estratégias existentes para incorporação do ensino sobre Saúde Planetária no currículo médico.
Métodos
Trata-se de uma revisão integrativa, através da questão norteadora: “Quais são as estratégias adotadas nas escolas médicas para inserção da SP no currículo?”. A busca dos estudos ocorreu
nas bases de dados PubMed e BVS através dos descritores MeSH: “Planetary Health” e “Medical Education”, em inglês para maximizar os resultados. Para verificar a relação entre esses estudos,
foi utilizado o operador booleano AND. Foram incluídos artigos publicados nos últimos 5 anos, que demonstram exemplos de abordagens para essa inserção e sem restrição de idioma.
Foram excluídos estudos realizados em outros cursos e em pós-graduações. Ao final, foram selecionados 9 artigos para a escrita da revisão.
Resultados
As estratégias adotadas nas escolas médicas foram baseadas em 3 vertentes: ações referentes ao currículo, desenvolvimento de atividades relacionadas aos educadores e a faculdade em si.
A respeito da inclusão curricular, foi evidenciado o desenvolvimento de práticas que incentivassem os acadêmicos a incorporarem o histórico socioambiental do paciente no raciocínio clínico.
Como também, observou-se a inserção de conteúdos associados às mudanças climáticas, poluição, doenças, escassez de recursos e suas relações com o bem-estar da sociedade. Foi
ressaltado a importância do corpo docente em desenvolver técnicas para integrar a saúde sustentável em sua prática educacional. Para isso, foram oferecidos treinamentos de educação
médica continuada. Bem como, houve incentivos ao envolvimento dos alunos nas discussões sobre os modelos de aprendizagem sob supervisão dos docentes, desse modo eles poderiam
co-criar a nova habilidade necessária. No que concerne às instituições, verificou-se parcerias entre a universidade com o hospital-escola para explorar a prática sustentável e o estímulo à
criação de oportunidades de estágio e pesquisa sobre SP.
Conclusões
É perceptível a necessidade de inserção da SP no currículo médico a fim de acompanhar as mudanças no cenário mundial da saúde. Revelou-se a importância de adotar diferentes estratégias
para que a próximageração de médicos desenvolvessem habilidades e competências suficientes para ajudar a mitigar a crise climática e suas implicações sem precedentes para a saúde
humana.
201
ENSINO MÉDICO BRASILEIRO: AVALIAÇÃO DA PERCEPÇÃO SOBRE A MANUTENÇÃO DE INIQUIDADES NO ATENDIMENTO EM SAÚDE
1 UNISA
Introdução
O direito à saúde é assegurado pelo 196º artigo da Constituição Federal de 1988, porém, desigualdades sistêmicas marcam a realidade de muitos brasileiros que possuem o acesso à saúde
integral veladamente negado. Nesse cenário, o ensino ofertado pelas escolas médicas, ao valorizar apenas aspectos físicos da doença, padronizar o doente e ignorar a necessidade de
compreender referências sócio-econômicas e culturais trazidas pelo paciente, nega a pluralidade de vulnerabilidades presentes na população, diminui a busca por atendimento, atrasa
diagnósticos e tratamentos, prejudica adesão ao tratamento, aumenta a taxa de mortalidade por causas evitáveis e contribui para a manutenção de iniquidades. Sendo assim, é evidente que
os futuros profissionais de saúde devem compreender que grupos vulneráveis necessitam que a conduta na relação e na comunicação médico-paciente seja adequada para evitar um
atendimento médico de má qualidade e se distanciem do sistema de saúde.
Objetivos
Avaliar a percepção de estudantes de cursos da saúde sobre adequação da comunicação médico-paciente em populações de cenários específicos.
Métodos
Trata-se de uma pesquisa exploratória, descritiva, transversal realizada por questionário eletrônico, via Google Forms, para diversos acadêmicos e profissionais da saúde de diferentes
Instituições de Ensino Superior (IES) do país. A população do estudo compôs-se pelos participantes que concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e responderam
questões sobre as impressões e conhecimentos a respeito da percepção da oferta do tema no ensino, de capacidades de atendimento e de comunicação adequados com pacientes
pertencentes a grupos sociais vulneráveis, como LGBT, pessoas que vivem com HIV/Aids e populações negra e idosa.
Resultados
Foram obtidas 199 respostas sendo 81, 4% provenientes de estudantes de medicina e as demais de estudantes de fisioterapia, enfermagem, biomedicina, nutrição e psicologia. Quando
questionados sobre a necessidade de adequação da forma de comunicação no atendimento médico de populações de cenários específicos 83, 9% consideram uma habilidade
completamente necessária ao profissional de saúde. Apesar disso, 64, 1% não acreditam que no decorrer da graduação e até mesmo na residência, os médicos e demais profissionais da
saúde sejam preparados para atender populações específicas e isso se reflete no fato de que quando quando questionados ao conhecimento e segurança para realização de atendimento
adequado aos pacientes de populações específicas 43, 9% os considera como bons, 38, 4% comoregulares e 5, 6% como ruins. De acordo com os resultados deste estudo, é possível observar
que, conforme percepção de mais de 95% dos participantes, a comunicação é essencial para o atendimento médico, contudo 60% dos participantes consideram que as escolas médicas
pouco preparam o futuro profissional de saúde para as complexidades de demandas em saúde presentes na sociedade.
Conclusões
Apesar dos dados otimistas em relação à importância que o futuro profissional de saúde confere para a comunicação adequada com o paciente, apenas 35, 7% dos futuros profissionais de
saúde acreditam que são preparados ao longo da graduação para prestar tal atendimento a indivíduos historicamente vulneráveis e sujeitos a variados determinantes em saúde e ainda que
4 em cada 10 estudantes possuem conhecimento mediano ou ruim para realizar um atendimento de importância ímpar ao futuro em saúde do paciente.
202
Maressa Duarte Lima Bomfim 1, Bernardo Vieira Nogueira 1, Mariana Lovaglio Rosa1, Ana Carolina Gusman Lacerda 1, Annita Fundão Carneiro dos Reis1, Geórgia Rosa Lobato1
1 UNIFESO
Palavras-chave: Estratégia Saúde da Família; Educação Médica; Responsabilidade Social; Sistema Único de Saúde
Introdução
As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para a educação médica propõem uma formação humanista, crítica, reflexiva e ética, com capacidade para atuar nos diferentes níveis de atenção
à saúde, com açõesde promoção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde, nos âmbitos individual e coletivo, com responsabilidade social. Na perspectiva da aprendizagem a partir
da ação, reflexão e ação construída na integração entre ensino e serviço, buscamos qualificar a formação médica a partir da inserção nos dispositivos de saúde do SUS. Neste contexto, a
inserção de estudantes de Medicina na Estratégia Saúde da Família (ESF) constitui-se em um cenário rico para o desenvolvimento de diferentes competências médicas por ser porta de entrada
para a rede de atenção à saúde e permitir a integralidade do cuidado e humanização do processo saúde e doença dos indivíduos, famílias e comunidade.
Objetivos
Apresentar a experiência de estudantes do internato médico inseridos na ESF, salientando a importância da mesma na formação das competências médicas e responsabilidade social a partir
da articulação ensinoe serviço.
Relato de experiência
Os estudantes de Medicina são inseridos desde o primeiro período na Atenção Primária à Saúde, principalmente na ESF. No internato, os cenários de Medicina de Família e Comunidade
compõem cerca de 18% da grade estudantil divididas em 15 semanas, contemplando carga horária semanal de 32 horas. As Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF) constituem-se em
serviços de “porta aberta”, atendendo aos pacientes que possuem condições clínicas ambulatoriais ou de seguimento clínico, como acompanhamento do tratamento de Hipertensão e
Diabetes. Como forma de otimizar a organização e atendimento da unidade os dias da semana eram divididos entre as populações alvo, possibilitando que os estudantes entrassem em
contato com diferentes grupos: crianças, adultos, idosos, gestantes, puérperas e pacientes com doenças crônicas não transmissíveis. Além das consultas e visitas domiciliares, eram
organizados grupos para rodas de conversa com o intuito de apoiar e auxiliar os pacientes em processo de cessação de tabagismo, alcoolismo e outras drogas. Também foi possível realizar
pequenos procedimentos como remoção de pontos, retirada de rolha de cerume e aplicação de vacinas na unidade de saúde e em campanhasmunicipais de imunização.
Conclusões ou recomendações
A inserção dos estudantes de medicina junto a ESF é fundamental para o desenvolvimento das competências médicas descritas nas DCN e contribui efetivamente para a formação humanizada,
critica e eficaz.Possibilita compreender as necessidades do paciente e buscar resoluções que sejam factíveis.
203
Bárbara Mussel Santos 1, Roberto Eduardo Gomes Casella Aversa1, Carolina Vitoria Castro1, Luiz renato vizeu imbroisi1
1 FMP
Introdução
Nos últimos anos, observou-se uma intensificação nos desastres naturais, causando danos pessoais, materiais e impacto emocional na população. Nos dias 15 de fevereiro e 20 de março de
2022 fortes temporais atingiram a cidade de Petrópolis, sendo a maior tragédia registrada na história local. Frente à isso, diversos locais de apoio foram criados, inclusive a escola médica em
estudo, e contaram com o apoio de muitos estudantes de medicina que se voluntariaram em diversas atividades, como assistência em pontos de apoio, doações, mutirão de saúde e mutirão
de limpeza.
Objetivos
Analisar o voluntariado quanto ao impacto da tragédia de Petrópolis, que ocorreu devido às chuvas dos dias 15 de fevereiro e 20 de março de 2022, nos estudantes de medicina de uma
escola médica, comparando os ciclos básico, clínico e internato.
Métodos
Estudo transversal, analítico e observacional, no qual foi aplicado questionário, sem possibilidade de identificação pessoal, aos alunos do 1º ao 6° ano de uma escola médica de Petrópolis
através da plataforma online Google Forms. Este foi composto por perguntas qualitativas e quantitativas, abertas e fechadas. Todos os 131 participantes responderam a todas as perguntas,
o que garante ao trabalho grau de confiança de 90% com uma margem de erro menor que 5%.
Resultados
Dos 131 alunos, 24, 5% são do ciclo básico, 36, 6% do clínico e 38, 9% do internato. Dos estudantes, 62, 5% do ciclo básico, 79, 1% do clínico e 84, 3% do internato participaram de alguma
atividade voluntária na tragédia, sendo assistência direta em pontos de apoio e doações as atividades mais realizadas. A escola médica, igrejas e abrigos foram os locais que obtiveram maior
apoio pelos alunos. 3, 1% dosalunos do ciclo básico, 2, 0% do clínico e 15, 7% do internato participaram das ações por 1 dia; 3, 1% do básico, 10, 4% do clínico e 11, 8% do internato
participaram por 2 dias; 34, 4% do básico, 45, 8% do clínico e 27, 5% do internato por 3 ou mais dias. O restante do percentual é composto por alunos que fizeram apenas doações ou que
não contribuíram. A maior motivação dos estudantes de todos os períodos foi fazer o bem, ajudando ao próximo. 50% dos alunos do ciclo básico, 67, 7% do clínico e 56, 9% do internato
acreditam que as atividades voluntárias contribuíram para a formação médica, sendo empatia e crescimento pessoal as habilidades mais desenvolvidas. Dos estudantes, 68, 7% do ciclo
básico, 66, 7% do clínico e 92, 2% do internato se sentiram afetados pela tragédia, sendo impacto emocional o mais citado, seguido por perdas materiais e pessoais. 25, 0% do ciclo básico,
39, 6% do clínico e 41, 2% do internato necessitaram de alguma rede de apoio, sendo família e amigos os mais abordados.
Conclusões
O desastre provocado pelas chuvas em Petrópolis teve grande adesão dos alunos de medicina nas atividades voluntárias de ajuda comunitária, cuja maior motivação foi fazer o bem. Houve
grande impacto na vida dos acadêmicos, principalmente do internato, que não apenas afetou o lado emocional, fazendo com que estes necessitassem de uma rede de apoio, como também
propiciou o desenvolvimento subjetivo como pessoa, aprimorando as relações interpessoais. Observa-se uma proporcionalidade em relação aos períodos analisados quanto ao tempo
dedicado, às atividades desenvolvidas e aos locais de maior suporte. Conclui-se, portanto, que esses fatos promoveram não apenas o crescimento pessoal, como também contribuíram para
uma formação acadêmica mais ampla através de atividade extracurricular com desenvolvimento da empatia e humanização.
204
AVALIAÇÃO DO SUS, NO PERÍODO ANTERIOR E DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19, NA PERCEPÇÃO DOS USUÁRIOS DE UMA UNIDADE BÁSICA DO INTERIOR
PAULISTA
Maria Lucia Machado Salomão1, Victória Gabrielle Correia da Silva Santos 1, Gláucia Maruyama Ferreira1, Luis Othavio da Rocha Pavaneli1, Marcos Zaqueu Brandão 1, Mayana Ely Peron 1
1 FAMERP
Introdução
É de fundamental importância a Atenção Primária em Saúde como porta de entrada e coordenadora do cuidado dos usuários em todo o Sistema Único de Saúde (SUS). A avaliação do SUS
por quem o usufrui, frente ao atendimento prestado, é indispensável para repensar as práticas profissionais e a organização dos serviços, visando o seu aperfeiçoamento. A pandemia da
COVID-19 trouxe desafios imensuráveis, taiscomo inúmeros sofrimentos, inseguranças e medos, bem como necessidades de reorganização do sistema de saúde para atendimento de todos
usuários.
Objetivos
O propósito da pesquisa é comparar a percepção dos usuários do SUS sobre o funcionamento de uma UBS no município de São José do Rio Preto, no período pré e peripandêmico da
COVID-19, destacando-se acessibilidade, vínculo e acolhimento.
Métodos
Trata-se de um estudo descritivo prospectivo transversal aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa. O instrumento de coleta constituiu-se de um questionário eletrônico (Formulário Google)
desenvolvido pelospróprios autores. Participaram do estudo os usuários da UBS em questão entre novembro de 2021 e fevereiro de 2022, após assinatura do Termo de Consentimento Livre
e Esclarecido. Após a coleta, os dados foram analisados mediante o uso dos programas SPSS (IBM, versão 23, 2014) e PRISMA (versão 6.10, 2015).
Resultados
O questionário foi respondido por 497 usuários. Segundo os critérios de inclusão e exclusão, a amostra final contou com 283 respostas, sendo a maioria do sexo feminino (73, 1%) e faixa
etária entre 50 e 59 anos (25, 8%). Quanto à acessibilidade, 34, 98% frequentaram a UBS uma vez por mês durante o período da pandemia; 84, 45% consideraram o horário de funcionamento
acessível; 90, 1% afirmaram que adistância da moradia à UBS era satisfatória; 90, 11% afirmaram ter facilidade de entrar em contato com UBS, e 61, 84% negaram o desenvolvimento de
recursos tecnológicos para manter o acesso ao serviço à distância. Em relação ao vínculo e acolhimento, 61, 57% indicaram o tempo de espera para ser atendido como insatisfatório no
período anterior à pandemia e 60, 11%, durante a pandemia; 48, 4% relataram tranquilidade como sentimento prevalente enquanto estiveram na UBS; 79, 82% indicaram agendamento de
consultas por aplicativo de mensagens e telefone como ferramentas de melhora do sentimento em relação à UBS; 74, 6% responderam que os funcionários da UBS tinham interesse em
resolver os problemas relatados no período anterior à pandemia, e 81, 6%, na pandemia; 92, 2% conseguiram compreender as orientações dos profissionais no período anterior à pandemia,
e 94%, durante a pandemia; 66, 6% foram orientados pelos funcionários da UBS sobre o COVID-19; 85, 2% confiavam no SUS e na UBS no período anterior à pandemia, e 83%, na pandemia;
91, 9% acreditaram que o bom relacionamento entre médico e paciente é fundamental para a adesão e o sucesso do tratamento, e 77, 4% atribuíram nota 4 ou 5 à UBS no período anterior à
pandemia, e 84, 8% na pandemia.
Conclusões
Tais resultados indicam uma boa percepção dos usuários em relação à UBS em ambos os períodos analisados. Ademais, destaca-se a importância do papel dos profissionais da Atenção
Primária na orientação eacolhimento. Apesar da necessidade de aperfeiçoamento na comunicação com o usuário, nota-se melhora significativa na qualidade dos serviços prestados pela UBS.
205
PROJETO DE EXTENSÃO FASES DA VIDA: UM PANORAMA DO CONHECIMENTO DOS ACADÊMICOS DE MEDICINA DA REGIÃO XINGU SOBRE AS FASES DA VIDA
HUMANA
Caio Vinicius Soares da Silva1, Gabriele Lima de Lucena1, Fernanda Nogueira Valentin 1, Kennedy da Silva Bezerra1, Bruno Ricardo Leite Barboza1
1 UFPA
Introdução
A percepção das transformações anatômicas, fisiológicas e psíquicas dos seres humanos são vitais na prática médica de tal forma que garantem a assistência holística sobre o paciente. Tal
ação centrada no paciente requer um tratamento individualizado e resolutivo para a queixa apresentada, que nem sempre corresponde ao mnemônico da tradicional semiologia médica.
Assim, conhecer as características das 7 fases da vida e os momentos que a influenciam proporcionam que o estudante de medicina consiga basear sua ação profissional conforme a aptidão
física e mental dos pacientes. Por isso, é importante que na escola médica seja realizados projetos complementares ao currículo acadêmico que proporcione ações de conhecimento das fases
da vida e suas inerências na prática médica.
Objetivos
Relatar o conhecimento geral sobre as fases da vida dos acadêmicos de medicina da região do Xingu, participantes do projeto de extensão “Conhecimentos Gerais das fases da vida” vinculado
a faculdade demedicina de Altamira.
Relato de experiência
Foi executado a primeira etapa do projeto de extensão “Conhecimentos Gerais das Fases da Vida” de forma síncrona pela plataforma Meet. Para elucidar o conceito de fases da vida, utilizou-
se de obras cinematográficas para cada período de vida. O projeto foi elaborado a partir de uma revisão de literatura descritiva e exploratória realizada de novembro de 2021 a janeiro de
2022. Utilizou para fundamentação teóricas as bases de dados LILACS e a biblioteca SciELO, com as palavras chaves: “Fases da Vida” e “Velhice” e “Desenvolvimento humano”. Os critérios
de inclusão: artigos disponíveis na íntegra no formato digital nos idiomas português, inglês e espanhol, publicados no recorte temporal de 2001 a 2022. Os critérios de exclusão: revisões,
boletins e artigos que não abordassem a temática de estudo. Foram encontrados 230 resultados, sendo 11 selecionados para compor o escopo do estudo. Por fim, é elaborado para cada
encontro um questionário para quantificar o grau de conhecimento dos participantes sobre a determinada fase da vida que é proposta para debate.
Conclusões ou recomendações
A extensão executada tem como fim consolidar o debate sobre a influência das características individuais de cada fase da vida na terminação de um salutar processo saúde-doença. De tal
forma, que durante a estadia na escola médica os acadêmicos possam conciliar os preceitos da semiologia médica com as especificidades de cada indivíduo pertencente a uma fase da vida.
Essa necessidade, torna-se mais evidente em cursos de medicina em metodologia ativa de ensino, cujo há o contato do acadêmico desde do início da faculdade com os pacientes.
206
A IMPORTÂNCIA DO ATENDIMENTO MULTIDISCIPLINAR NA FORMAÇÃO DO ACADÊMICO DE MEDICINA FRENTE AO AMBULATÓRIO GINECOLÓGICO E O MANEJO
DO PACIENTE COM SOP
Thaiane Cristina Martinelli1, Camilla Corradini de Abreu Cunha 1, Eduardo Rebello Pimentel 1, Luiz Lukas Faria Diniz1, Alice Frujuelli de Melo 1, Renata Figueiredo Frujuelli de Melo 1
1 UNIFESO
Palavras-chave: Síndrome do Ovário Policístico; Amenorreia; Hiperandrogenismo; Atendimento multidisciplinar; Formação médica
Introdução
A participação de estudantes de medicina em cenários de prática reais agrega experiência ao currículo acadêmico e conhecimento à prática médica, além de trazer autonomia para o
atendimento ao paciente. Estar presente em ambientes hospitalares e outros âmbitos fomenta a formação multidisciplinar, estimula o discente a buscar autonomia no atendimento
ambulatorial e acresce na relação médico-paciente. Noambulatório de ginecologia a Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é uma patologia onde o estudante possui maior independência
para orientação visto que seu principal tratamento é não farmacológico com ênfase na mudança de estilo de vida.
Objetivos
Apresentar a influência do conhecimento acadêmico no tratamento não farmacológico multidisciplinar da SOP, na tomada de decisão terapêutica para o seu cotidiano ambulatorial e os
impactos na qualidade devida do paciente.
Relato de experiência
É evidenciada a importância da autonomia do acadêmico na condução da anamnese e orientações da paciente a nível ambulatorial após o conhecimento teórico das patologias mais
frequentes. O tratamento de SOP, entretanto, chamou atenção dos discentes pela característica de obter melhor resultado com a adesão do tratamento não farmacológico. Constatou-se que
com a promoção e prevenção da saúde cardiovascular, com enfoque em algumas medidas como prática de exercício físico regular, modificação da dieta e perda de peso, auxiliado pela
interrupção de práticas como o tabagismo, consumo de álcool e controle de estresse trouxeram melhora significativa nas pacientes que optaram pelo plano de tratamento não farmacológico
para a SOP. A melhora da alimentação em mulheres com SOP busca a regularização endócrina e metabólica, visto que esse grupo possui maior suscetibilidade para cursar com quadro de
resistência insulínica, aumento de marcadores de estresse oxidativo, marcadores inflamatórios e dislipidemia.A perda ponderal maior que 5% evidenciou maior regularidade menstrual com
restauração da capacidade reprodutiva, redução dos níveis de testosterona livre e consequentemente do hirsutismo. É de suma importância que tal redução de peso seja advinda da
reeducação de hábitos alimentares a partir de dieta com composição nutricional completa e balanceada.
Conclusões ou recomendações
É de suma importância que o acadêmico de medicina saiba que o tratamento tradicional medicamentoso com hormônios possui muitos efeitos colaterais como o potencial aumento de risco
cardiovascular e metabólico, sendo necessário pôr em prática as técnicas modernas com enfoque nos anseios do paciente como ser biopsicossocial que necessita de orientações amplas,
individualizadas e acessíveis de acordo com a sua situação.
207
Beatriz Herbst Sanday1, Fábio Tavares da Silva 1, Carlos Vinícius Souza Bernardo1, Warley Fonseca de Souza 1, Rita de Cássia Fossati Silveira Evaldt 1
1 UNIPAMPA
Introdução
O desenvolvimento de habilidades e competências acadêmicas no processo de interação com a comunidade promove geração de conhecimento relacionados ao processo de formação
biopsicossocial. As ações de extensão favorecem essa associação do conteúdo aprendido em sala de aula ao expô-lo à comunidade que assume posição ativa na participação do debate e na
construção do conhecimento coletivo. Dessa forma, essas atividades aproximam a universidade da comunidade, fomentando o diálogo entre os saberes, contribuindo para o fortalecimento
da cidadania, da autonomia, da valorização e da transformação social.
Objetivos
Elaborar ação de extensão no componente curricular de prática do quinto semestre da Saúde da Mulher.
Relato de experiência
A experiência consistiu na abordagem, por duas duplas de discentes, das pacientes que aguardavam na sala de espera de um serviço público de saúde no sul do Brasil. Cada dupla agiu em
momentos distintos de 2022 conversando sobre temas relevantes da saúde feminina. Em abril, a primeira realizou ações em três semanas consecutivas discutindo diabetes gestacional com
48 pacientes. Entregaram a elas um folderilustrativo, ao mesmo tempo que explicavam os principais aspectos relacionados ao assunto, como conceito, sintomas e fatores de risco. Para avaliar
a ação, os ouvintes responderam um questionário, pelo qual se identificou que 27, 1% das mulheres eram gestantes, 20, 8% das pacientes não conheciam o tema e 79, 2% já conheciam e
pontuaram que aprenderam informações novas. Já a segunda dupla realizou as ações em duas semanas consecutivas de junho com a temática modificações gravídicas e queixas mais comuns
na gestação, no mesmo formato de intervenção do primeiro grupo. Foram abordadas 31 pacientes, sendoque 45, 2% eram gestantes, 16, 1% não conheciam a temática e 83, 9%, que já
conheciam o tema, informaram aprender novas informações.
Conclusões ou recomendações
Compreender a formulação dessas indagações pelas pacientes adequando a exposição a cada repetição, permite entender as maiores aflições relacionadas ao assunto. Portanto, a
transferência de conteúdos médicos para uma forma acessível ao público-alvo é um dos objetivos fundamentais do extensionismo que na tríade ensino-pesquisa-extensão deve ser mais
fortalecida e difundida. As alterações fisiológicas esperadas da gravidez e o diabetes gestacional são temas recorrentes na saúde da mulher, sendo o papel da ação esclarecer essas temáticas
exercendo a responsabilidade social de disseminar informação verídica enquanto escola médica.
208
PROJETO DE EXTENSÃO “ALÉM DO QUE OS OLHOS PODEM VER” ESCOLA MÉDICA NA BUSCA DA COMUNICAÇÃO SOCIAL: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA
Arieli Carini Michels1, Jean Gilberto Caetano 1, Tatiane Muniz Barbosa1, Paola de Lima 1, Laura Moretti Heidtmann 1
1 UNIDAVI
Introdução
A universidade, como instituição provedora de conhecimento e de bem-estar, é também um instrumento de educação no contexto de saúde. Através das atividades de extensão viabiliza-se
a responsabilidade social da escola médica e desperta no estudante a consciência e o compromisso diante da comunidade.
Objetivos
Relatar a experiência do desenvolvimento do Projeto de Extensão “Além do que os olhos podem ver”, do curso de medicina de uma instituição de ensino superior de Santa Catarina.
Relato de experiência
O projeto idealiza, por meio da arte, a sensibilização da comunidade sobre o câncer de mama. Ao considerar que as imagens do diagnóstico histopatológico apresentam as células
cancerígenas que, coradas por hematoxilina-eosina (roxo-rosa), poderiam remeter às artes abstratas e ser alusivo ao movimento conhecido mundialmente como “Outubro Rosa". A divulgação
destas imagens pôde chamar a atenção da população para o tema, já que pela arte é possível comunicar, despertar sentimentos e eliminar barreiras. Contou-se com 21 estudantes das ligas
acadêmicas de ciências morfofuncionais e de ginecologia e obstetrícia, três professoras e um publicitário. Duas imagens histopatológicas de câncer de mama foram captadas e trabalhadas
graficamente para simularem uma obra de arte. Paralelamente, os estudantes dividiram-se em pequenos grupos, para produzirem um material informativo, com adequação da linguagem,
pautado em dados científicos, sobre os seguintes aspectos: desenvolvimento do câncer de mama, epidemiologia, exames preventivos, autocuidado, diagnóstico e tratamento. Os grupos e
professoras reuniram-se, discutiram e readequaram, quando necessário, a informação a ser divulgada. Após, cinco estudantes e uma professora gravaram um vídeo produzido pelo
departamento de eventos, comunicação e marketing institucional. Para acesso ao vídeo pela população, foi gerado um “Qr Code” e a inserção da mensagem: o que você vê pode ser bem
mais do que você imagina, anexado às imagens. Foram impressas, então, em folhas A3 coloridas, várias cópias das obras. As impressões foram fixadas em diferentes locais da universidade e
das unidades básicas de saúde. Além disso, foram expostos banners na galeria e no shopping da cidade, no Centro de Atendimento à Mulher e na Rede Feminina de Combate ao Câncer.
Por fim, ainda foram expostos três outdoors na cidade. Atualmente o vídeo conta com 395 visualizações. Ao final da campanha, foi realizada uma palestra no modelo híbrido com o médico
mastologista da cidade.
Conclusões ou recomendações
A experiência foi considerada exitosa, visto que os estudantes trabalharam colaborativamente na organização e execução das atividades, os vídeos apresentaram alto número de visualizações
e, também, repercutiu positivamente, sendo a equipe chamada para promover um momento formativo em uma empresa privada local.
209
DIÁLOGO SEM IDADE: AÇÃO EXTENSIONISTA VOLTADA À COMUNIDADE IDOSA LOCAL SOBRE ENVELHECIMENTO ATIVO
Raíza Mengue Freitas1, Victor Felipe de Oliveira 1, Heitor Marge de Aquino Guedes 1, Débora Nunes Mario 1, Elitiele Ortiz dos Santos1, Eduardo Rodrigues Gonçalves1
1 UNIPAMPA
Palavras-chave: Educação Médica; Relações Comunidade-Instituição; Saúde do Idoso; Envelhecimento Saudável; Promoção da Saúde
Introdução
Ao longo do último século, houve uma notória mudança no perfil populacional brasileiro, com um crescente aumento da expectativa de vida e um consequente envelhecimento da população.
Paralelo a isso, o desconhecimento sobre a possibilidade de envelhecer de forma saudável e ativa tem forte impacto na qualidade de vida dos idosos, constituindo-se um desafio atual.
Considerando esse cenário, a Liga Acadêmicade Geriatria e Gerontologia de uma Universidade do Sul do país, compreende a responsabilidade social do acadêmico de Medicina em contribuir
para modificar a visão antiquada e negativista sobre o processo do envelhecimento e as relações de profissionais da saúde com a terceira idade. Para isso, desenvolveu-se o projeto de
extensão “Diálogo com saúde, sem idade”.
Objetivos
Relatar a experiência de criação de um espaço de troca de conhecimento sobre envelhecimento ativo e saudável com um grupo de idosos vinculados a uma instituição local. Possibilitando,
assim, a criação devínculo e uma melhor compreensão das suas demandas e peculiaridades, a fim de adequar ajustar a educação médica à realidade.
Relato de experiência
A experiência consistiu-se na realização de encontros mensais de membros de uma Liga de Geriatria e Gerontologia com um grupo local, o qual conta com, aproximadamente, 30 idosos. Até
então, ocorreram quatro ações, de março a junho de 2022, em que se visou abordar diferentes temáticas envolvendo a saúde da pessoa idosa; desde temas mais corriqueiros, como “Diabetes
Mellitus (DM) e Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) na terceira idade”, até outros considerados tabus ou pouco discutidos, como “Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) em idosos” e
“Polifarmácia”. Objetivou-se realizar as ações de forma clara, objetiva e dinâmica, em que, em um primeiro momento, fez-se uma breve exposição dialogada sobre a temática, envolvendo os
participantes com questionamentos. Após, os encontros envolveram atividades dinâmicas e lúdicas, relacionadas à temática trabalhada, como: alongamentos no encontro sobre “Dores na
terceira e quarta idades”; “Jogo da roleta: mitos e verdades sobre ISTs”, a fim de mensurar o conhecimento dos participantes sobre o assunto; jogo do “Eu nunca”, com o propósito de verificar
os hábitos benéficos ou danosos à saúde na ação sobre “HAS e DM na terceira idade” e confecção de caixa organizadora de remédios na ação sobre “Polifarmácia”.
Conclusões ou recomendações
O atual contexto etário brasileiro exige mudanças na forma de como a saúde é oferecida para a emergente parcela populacional, os idosos. Assim, é fundamental que, antes mesmo da
formação médica serfinalizada, acadêmicos de Medicina estabeleçam um diálogo direto com essa população, de forma a valorizar as narrativas e experiências dos idosos e promover uma
educação médica com ênfase no envelhecimento ativo.
210
Maria Valéria Pavan1, Juliana Fermozelli1, Ana Lucia Cabulon1, Marcela Pellegrini Peçanha1, Suzana Guimarães Moraes1, Godofredo Campos Borges1
1 PUC-SP
Introdução
A educação superior brasileira passa atualmente por uma reformulação em suas ações e organizações curriculares, para possibilitar ao estudante o desenvolvimento de competências que o
torne um profissional agente de transformação social. Atendendo a essa necessidade, a Resolução CES/CNE/MEC n° 7/2018, o Plano Nacional de Educação para o decênio 2014-2024, Lei n°
13.005/2014 (Art. 4º Anexo – meta 12.7) define, entre suas estratégias, a integralização de, no mínimo, 10% do total de créditos curriculares exigidos nos cursos de graduação, por meio de
programas e projetos de extensão.
Objetivos
Apresentar a proposta de reforma curricular de um curso de medicina para a inserção das atividades extensionistas na matriz curricular ao longo dos seis anos do curso.
Relato de experiência
O curso de medicina já se organiza em eixos temáticos, com módulos horizontais e verticais (incluindo mentoria) nos três primeiros anos e em estágios obrigatórios e eletivos no internato. Os
estudantes são inseridos em atividades práticas desde o primeiro ano do curso. A Problematização é uma das estratégias pedagógicas para as atividades realizadas juntos às equipes de
saúde da rede municipal de atenção primária, principalmente em Estratégias de Saúde da Família. A reforma curricular em andamento propõe as atividades extensionistas como uma das
estratégias pedagógicas do curso e correspondem à 12, 8% da matriz horária curricular. Serão prioritárias para o desenvolvimento das atividades de extensão as temáticas transversais
“educação ambiental, educação em direitos humanos, ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena e saúde mental do estudante de medicina” integradas à atenção, gestão e educação
em saúde. Os eixos extensionistas norteadores serão “atenção à saúde como cenário de extensão”, “educação em saúde integrada à educação básica” e a “educação em saúde para as
populações de maior vulnerabilidade” e os projetos de extensão baseados em evidências científicas e respeitando os rigores da ética. A Atenção Primária à Saúde, cenário de aprendizagem
em todos os anos do curso, mas com maior inserção do 1º ao 4º ano, será preferencial para o desenvolvimento das atividades de extensão, assim como os demais setores integrados à saúde
que compartilham responsabilidades pelo bem-estar do indivíduo e da comunidade. A avaliação dos resultados sustenta-se na articulação entre a graduação e a pesquisa, em projetos que
podem ser construídos de forma colaborativa entre os estudantes e professores de graduação e pós-graduação.
Conclusões ou recomendações
A inserção obrigatória de extensão na matriz curricular e horária contribuirá para que, além do desenvolvimento das ações, os estudantes desenvolvam as competências para a avaliação do
impacto de suasações, no plano individual e coletivo.
211
DOAÇÃO DE ÓRGÃOS E DE TECIDOS: UM TRABALHO PARA CONSCIENTIZAÇÃO DA POPULAÇÃO DA UNIDADE BÁSICA DE SAÚDE GUANABARA
Ana Flávia Oliveira de Souza1, Brenda Diniz Rodrigues1, Ana Josefina Gonçalves Salomão1, Danton dos Santos Amanajas1, Samya Cristina de Souza Calixto1, Claudia Marques Santa Rosa Malcher1
1 CESUPA
Introdução
O transplante consiste na retirada de um órgão ou tecido não funcionante de uma pessoa doente e sua substituição por outro normal de um doador vivo ou morto. Apesar de aparentar
simplicidade, demanda de uma infraestrutura e uma equipe multiprofissional bem capacitada para executá-lo com o mínimo de intercorrências. Quando o transplante é realizado de forma
correta, aumentam as chances de sobrevivência e a qualidade de vida do paciente receptor. Mas nem todos os pacientes que necessitam de um transplante conseguem o órgão ou tecido
necessário, devido a quantidade de doação de