Classes Gramaticais na Língua Portuguesa
Classes Gramaticais na Língua Portuguesa
Concurseiro Mossoroense – Língua Portuguesa – Prof. Frederico – Turma: Saúde On-line –2024
1.2 – Apresentação:
Segundo um estudo morfológico da língua portuguesa, as palavras podem ser analisadas e catalogadas em
dez classes gramaticais distintas, sendo elas: substantivo, artigo, adjetivo, pronome, numeral, verbo,
advérbio, preposição, conjunção e interjeição.
Substantivos: nomeiam seres, lugares, qualidades, sentimentos e noções. Podem ser flexionados em gênero
(masculino e feminino), número (singular e plural) e grau (diminutivo, normal, aumentativo). Exercem sempre a
função de núcleo das funções sintáticas em que estão inseridos (sujeito, objeto direto, objeto
indireto e agente da passiva).
Substantivos comuns;
Substantivos coletivos;
Substantivos concretos;
Substantivos abstratos;
Substantivos comuns de dois gêneros;
Substantivos sobrecomuns;
Substantivos epicenos;
Adjetivos: caracterizam um substantivo, conferindo-lhe uma qualidade, característica, aspecto ou estado. Podem
ser flexionados em gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e grau (normal, comparativo,
superlativo).
Adjetivos simples;
Adjetivos compostos;
Adjetivo primitivo;
Adjetivo derivado;
Adjetivos biformes;
Adjetivos uniformes
Pronomes: substituem o substantivo numa frase (pronomes substantivos) ou que acompanham, determinam e
modificam os substantivos, atribuindo particularidades e características (pronomes adjetivos). Podem ser
flexionados em gênero (masculino e feminino), número (singular e plural) e pessoa (1.ª, 2.ª ou 3.ª pessoa do
discurso).
Numerais: indicam quantidades de pessoas ou coisas, bem como a ordenação de elementos numa série. Alguns
numerais podem ser flexionados em gênero (masculino e feminino) e número (singular e plural), outros são
invariáveis.
Numerais cardinais: um, sete, vinte e oito, cento e noventa, mil;
Numerais ordinais: primeiro, vigésimo segundo, nonagésimo, milésimo;
Numerais coletivos: dúzia, cento, dezena, quinzena;
Verbos: indicam, principalmente, uma ação. Podem indicar também uma ocorrência, um estado ou um fenômeno.
Podem ser flexionados em número (singular e plural), pessoa (1.ª, 2.ª ou 3.ª pessoa do discurso), modo
(indicativo, subjuntivo e imperativo), tempo (passado, presente e futuro), aspecto (incoativo, cursivo e conclusivo)
e voz (ativa, passiva e reflexiva).
Verbos regulares;
Verbos irregulares;
Verbos de ligação;
Verbos abundantes;
Verbos pronominais essenciais;
Verbos pronominais acidentais;
Verbos vicários.
Advérbios: modificam um verbo, um adjetivo ou um advérbio, indicando uma circunstância (tempo, lugar, modo
e intensidade). São invariáveis, não sendo flexionadas em gênero e número.
Advérbio de lugar: aqui, ali, atrás, longe, perto, embaixo;
Advérbio de tempo: hoje, amanhã, nunca, cedo, tarde, antes;
Advérbio de modo: bem, mal, rapidamente, devagar, calmamente, pior;
Advérbio de afirmação: sim, certamente, certo, decididamente;
Advérbio de negação: não, nunca, jamais, nem, tampouco;
Advérbio de dúvida: talvez, quiçá, possivelmente, provavelmente, porventura;
Advérbio de intensidade: muito, pouco, tão, bastante, menos, quanto;
Advérbio de exclusão: salvo, senão, somente, só, unicamente, apenas;
Advérbio de inclusão: inclusivamente, também, mesmo, ainda;
Advérbio de ordem: primeiramente, ultimamente, depois.
Preposições: estabelecem conexões com vários sentidos entre dois termos da oração. Através de preposições, o
segundo termo (termo consequente) explica o sentido do primeiro termo (termo antecedente). São invariáveis,
não sendo flexionadas em gênero e número.
Preposições simples essenciais: a, após, até, com, de, em, entre, para, sobre;
Preposições simples acidentais: como, conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, salvo,
segundo, senão;
Preposições compostas ou locuções prepositivas: acima de, a fim de, apesar de, através de, de acordo
com, depois de, em vez de, graças a, perto de, por causa de.
Conjunções: são utilizadas como elementos de ligação entre duas orações ou entre termos de uma mesma
oração, estabelecendo relações de coordenação ou de subordinação. São invariáveis, não sendo flexionadas em
gênero e número.
Conjunções coordenativas sindéticas;
Conjunções subordinativas explicativas;
Conjunções subordinativas substantivas;
Conjunções subordinativas adverbiais;
Interjeições: exprimem emoções, sensações, estados de espírito. São invariáveis e seu significado fica
dependente da forma como as mesmas são pronunciadas pelos interlocutores.
A BIBLIOTECA ROUBADA
VLADIMIR SAFATLE
"A Carta Roubada" é um dos contos mais célebres de Edgar Allan Poe. Nele, o escritor norte-americano
conta a história de um ministro que resolve chantagear a rainha roubando a carta que lhe fora endereçada por um
amante.
Desesperada, a rainha encarrega sua polícia secreta de encontrar a carta, que provavelmente deveria estar
na casa do ministro. Uma astuta análise, com os mais modernos métodos, é feita sem sucesso.
Reconhecendo sua incompetência, o chefe de polícia apela a Auguste Dupin, um detetive que tem a única
ideia sensata do conto: procurar a carta no lugar mais óbvio possível, a saber, em um porta-cartas em cima da
lareira. A leitura do conto de Edgar Allan Poe deveria ser obrigatória para os responsáveis pela educação pública.
Muitas vezes, eles parecem se deleitar em procurar as mais finas explicações, contratar os mais astutos
consultores internacionais com seus métodos pretensamente inovadores, sendo que os problemas a combater são
primários e óbvios para qualquer um que queira, de fato, enxergá-los.
Por exemplo, há semanas descobrimos, graças ao Censo Escolar de 2011, que 72,5% das escolas públicas
brasileiras simplesmente não têm bibliotecas. Isto equivale a 113.269 escolas. Um descaso que não mudou com o
tempo, já que, das 7.284 escolas construídas a partir de 2008, apenas 19,4% têm algo parecido com uma
biblioteca. Mesmo São Paulo, o Estado mais rico da Federação, conseguiu ter 85% de suas escolas públicas nessa
situação. Ou seja, um número pior do que a média nacional.
Diante de resultados dessa magnitude, não é difícil entender a matriz dos graves problemas educacionais
que atravessamos. Difícil é entender por que demoramos tanto para ter uma imagem dessa realidade.
Ninguém precisa de mais um discurso óbvio sobre a importância da leitura e do contato efetivo
com livros para a boa formação educacional. Ou melhor, ninguém a não ser os administradores da educação
pública, em todas as suas esferas. Pois não faz sentido algum discutir o fracasso educacional brasileiro se questões
elementares são negligenciadas a tal ponto.
Em política educacional, talvez vamos acabar por descobrir que "menos é mais". Quanto menos
"revoluções na educação" e quanto mais capacidade de realmente priorizar a resolução de problemas elementares
(bibliotecas, valorização da carreira dos professores etc.), melhor para todos.
A não ser para os consultores contratados a peso de ouro para vender o mais novo método 33educacional,
portador de grandes promessas.
Disponível em: <[Link] Acesso em: 07 maio 2013. [Adaptado]
2 – Regência Verbal!
Atente-se ao anúncio:
Acontece que quem confia, "confia em”. Logo, o correto seria dizer:
As pessoas falam “A rua que eu moro”, “Os países que eu fui”, “A comida que eu mais gosto”. O correto seria dizer
“A rua em que moro” (quem mora, mora em...), “Os países a que fui” (quem vai, vai a...), “A comida de que mais
gosto” (quem gosta, gosta de...).
O problema também está presente em uma letra da dupla Roberto e Erasmo Carlos, “Emoções”:
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“… são tantas já vividas são momentos que eu não me esqueci…”
Se eu me esqueci, eu "me esqueci de". Quem esquece, "esquece algo". Quem se esquece, "esquece-se de
algo". Logo, o correto seria “são momentos de que não me esqueci.” Pode-se, também, eliminar a preposição de
e o pronome me. Ficaria “são momentos que eu não esqueci”.
São os verbos que não necessitam ser completados. Sozinhos, indicam a ação ou o fato.
Estes verbos aparentam ter complemento, por exemplo, “Quem vai, vai a algum lugar”. Porém A INDICAÇÃO DE
LUGAR É CIRCUNSTÂNCIA, NÃO COMPLEMENTAÇÃO.
Classificamos este complemento como Adjunto Adverbial de Lugar. É importante observar que a regência destes
verbos exige a preposição A na indicação de destino e de na indicação de procedência. Só se usa a preposição EM
na indicação de meio, instrumento.
Deitar-se e Levantar-se:
OBS: Estes verbos admitem os pronomes LHE, LHES como objeto indireto.
Quando se usa o verbo constar com o sentido de “estar escrito, registrado ou mencionado” ou “fazer parte, incluir-
se”, as preposições – DE e EM – são corretas:
Seu nome consta DA lista de aprovados.
Vou fazer constar o incidente EM meu relatório.
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Já quando constar tem o significado de “ser composto, constituído ou formado; consistir em algo” usa-se apenas a
preposição de:
REVIDAR (A):
RESPONDER (A):
SIMPATIZAR E ANTIPATIZAR (COM): Não são verbos pronominais, portanto não se deve dizer simpatizar-se,
nem antipatizar-se.
SOBRESSAIR (EM): Não é verbo pronominal, portanto não se deve usar sobressair-se.
Somente nesse caso, usa-se com a preposição PARA, que dará início à Oração Subordinada Adverbial de
Finalidade. Para ficar mais fácil, memorize assim:
Torcer POR + Substantivo ou Pronome - ESTAMOS TORCENDO POR VOCÊ.
Torcer PARA + Oração (com verbo) - ESTAMOS TORCENDO PARA VOCÊ CONSEGUIR SEU INTENTO.
Também chamados de transitivo diretos e indiretos. São os verbos que possuem os dois complementos - OBJETO
DIRETO E OBJETO INDIRETO.
São VTDI, com a preposição a. O objeto direto sempre será a coisa, e o objeto indireto, a pessoa.
PEDIR:
“Quem pede, pede algo a/para alguém” – Pedimos a todos que trouxessem os livros.
“Quem pede, pede que alguém faça algo” – Pedimos que todos trouxessem os livros.
PREFERIR:
É VTDI, com a preposição a. Não admite ênfase, como: mais, muito mais, mil vezes.
Prefiro estar só a ficar mal acompanhado.
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INFORMAR, AVISAR, ADVERTIR, CERTIFICAR, COMUNICAR, LEMBRAR, NOTICIAR, NOTIFICAR,
PREVENIR:
“Quem informa, informa algo a alguém” - Informamos aos usuários que não nos responsabilizamos por furtos ou
roubos.
“Quem informa, informa alguém de/sobre algo” - Informamos os usuários de que não nos responsabilizamos por
furtos ou roubos.
ASPIRAR:
AGRADAR:
ASSISTIR:
PODE SER VTD ou VTI com a preposição a quando significar ajudar, prestar assistência.
CHAMAR:
PODE SER VTD ou VTI com a preposição a quando significar dar qualidade. A qualidade pode vir precedida da
preposição de ou não.
Chamei Pedro de bobo. (Chamei-o de bobo)
Chamei a Pedro de bobo. (Chamei-lhe de bobo)
Chamei Pedro bobo. (Chamei-o bobo)
Chamei a Pedro bobo. (Chamei-lhe bobo)
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SERÁ VTD, quando significar convocar.
ATENDER:
ESQUECER e LEMBRAR:
SERÃO VTD quando não forem pronominais, ou seja, quando não forem acompanhados de pronome oblíquo
átono (esquecer-se, lembrar-se):
Esqueci que havíamos combinado sair.
Ela não lembrou o meu nome.
ESQUECER-SE e LEMBRAR-SE:
IMPLICAR:
SERÁ VTD quando significar fazer supor, dar a entender, produzir como consequência, acarretar.
Os precedentes daquele juiz implicam grande honestidade.
Suas palavras implicam denúncia contra o deputado.
Será VTDI, com a preposição em, quando significar envolver alguém em algo.
NAMORAR:
Apesar de ser muito usado com a preposição com, que só deveria ser usada para iniciar adjunto adverbial de
companhia, será VTD quando possuir os significados de inspirar amor a, galantear, cortejar, apaixonar, seduzir,
atrair, olhar com insistência, cobiçar.
Joana namorava o filho do delegado.
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O mendigo namorava a torta que estava sobre a mesa.
Eu estava namorando este cargo há anos.
ABDICAR:
VISAR:
3 – Crase!
1. Já visitei + a região = Já visitei a região. O verbo visitei é transitivo direto, não pede preposição, não
ocorre crase.
2. Quando iremos a + aquela praia? O verbo iremos é acompanhado da preposição a + vogal inicial da palavra
aquela - Quando iremos àquela praia?
3. Voltaremos a + a vila. O verbo voltaremos é acompanhado pela preposição a. A palavra seguinte é
determinada pelo artigo a - Voltaremos à vila.
Acentue o “a” quando, substituindo o substantivo feminino por um masculino, o “a” se tornar “ao” – REGRA DA
EQUIVALÊNCIA MASCULINA.
Exemplos:
Fui à cidade. (Fui AO sítio)
Não me refiro à secretária. (Não me refiro AO secretário)
Entreguei o livro à professora. (Entreguei o livro ao professor)
Esta Avenida é paralela à rodovia. (Esta avenida é paralela ao campus)
Temos amor à arte. (Temos amor ao estudo)
Respondi às perguntas. (Respondi aos questionários)
Troque "a" por “para a”. Se “para a” for adequado, combinar com a frase, ocorre a crase.
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Exemplos:
Todos iriam à reunião - Todos iriam para a reunião.
Fez um pedido à mãe - Fez um pedido para a mãe.
Entregou o trabalho à professora - Entregou o trabalho para a professora.
Enviou uma reclamação à companhia - Enviou uma reclamação para a companhia.
• Nas locuções adverbiais femininas - às vezes, às sextas-feiras, à tarde, à noite, às pressas, às escondidas;
Nas locuções prepositivas femininas - à esquerda de, à direita de, à frente de, à moda de, à espera de, à
procura de, à mercê de, à custa de, à semelhança de;
Nas locuções conjuntivas - existem apenas duas locuções desse tipo: à medida que, à proporção que.
Outros exemplos:
O livro é um pouco desordenado e às vezes repetitivo.
Na hora da tempestade, a cidade ficou às escuras.
Os políticos estão rindo à toa.
Os negócios devem ser feito às claras.
O espetáculo começa às oito horas da noite.
Há muitos empresários à beira da falência.
Exemplos: Gosto de passear a cavalo. / Este motor é movido a óleo. / Nós vamos assistir a um filme de época.
2. ANTES DE VERBO:
Exemplos: Quem está disposto a voltar? / Todos começaram a correr. / Ele passou a exercer um novo cargo
público.
Exemplos: Ela se dirigiu a pessoas estranhas. / Nunca vai sozinha a festas. / Não chegue a conclusões
precipitadas.
Exemplos:
Percorreu o país de PONTA a PONTA.
Ficou FRENTE a FRENTE com o rival.
Despejou o líquido GOTA a GOTA.
Tivemos de ficar CARA a CARA durante cinquenta minutos.
Exemplos: Os náufragos chegaram a terra. / Depois de viagem cansativa, os marinheiros chegaram a terra.
Observação sobre a palavra “terra” – se estiver no sentido de origem (pátria, região) ou de planeta, admite
artigo, por isso ocorrerá crase.
Exemplos: Havia acabado de chegar à terra do caju. / Os imigrantes planejavam voltar à terra em que nasceram.
4 – Os fatores de textualidade!
COESÃO:
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Ao recorrer à linguagem figurada, determina-se que a coesão é uma linha imaginária - composta de
termos e expressões - que une os diversos elementos do texto e busca estabelecer relações de sentido entre eles.
Dessa forma, com o emprego de diferentes procedimentos, sejam lexicais (repetição, substituição,
associação), sejam gramaticais (emprego de pronomes, conjunções, numerais, elipses), constroem-se frases,
orações, períodos, que irão apresentar o contexto.
Na organização de períodos e de parágrafos, um erro no emprego dos mecanismos gramaticais e lexicais
prejudica o entendimento do texto. Construído com os elementos corretos, confere-se a ele uma unidade formal.
Nas palavras do mestre Evanildo Bechara: “o enunciado não se constrói com um amontoado de
palavras e orações. Elas se organizam segundo princípios gerais de dependência e independência sintática e
semântica, recobertos por unidades melódicas e rítmicas que sedimentam estes princípios”.
COERÊNCIA:
Quando falamos em coerência textual, falamos acerca da significação do texto, e NÃO MAIS DOS
ELEMENTOS ESTRUTURAIS QUE O COMPÕEM. Um texto pode estar perfeitamente coeso,
porém incoerente. É o caso do exemplo abaixo:
Há elementos coesivos no texto acima, como a conjunção, a sequência lógica dos verbos, enfim, do ponto
de vista da COESÃO, o texto não tem nenhum problema. Contudo, ao ler o que diz o texto, percebemos facilmente
que há uma incoerência, pois se as ruas estão molhadas, é porque alguém molhou, ou a chuva, ou algum outro
evento. Não ter chovido não é o motivo de as ruas estarem molhadas.
Podemos entender melhor a coerência compreendendo os seus três princípios básicos:
1. PRINCÍPIO DA NÃO CONTRADIÇÃO: em um texto não se pode ter situações ou ideias que se contradizem
entre si, ou seja, que quebram a lógica.
3. PRINCÍPIO DA RELEVÂNCIA: Fragmentos de textos que falam de assuntos diferentes, e que não se
relacionam entre si, acabam tornando o texto incoerente, mesmo que suas partes contenham certa coerência
individual. Sendo assim, a representação de ideias ou fatos não relacionados entre si, fere o princípio da
relevância, e trazem incoerência ao texto.
Outros dois conceitos importantes para a construção da coerência textual são a CONTINUIDADE
TEMÁTICA e a PROGRESSÃO SEMÂNTICA.
Há quebra de continuidade temática quando não se faz a correlação entre uma e outras partes do texto
(quebrando também a coesão). A sensação é que se mudou o assunto (tema) sem avisar ao leitor.
Já a quebra da progressão semântica acontece quando não há a introdução de novas informações para dar
sequência a um todo significativo (que é o texto). A sensação do leitor é que o texto é demasiadamente prolixo, e
que não chega ao ponto que interessa, ao objetivo final da mensagem.
INTERTEXTUALIDADE:
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Pode ser compreendida como a produção de um discurso com base em outro texto previamente
estruturado. Em cada caso este conceito assumirá papeis distintos, em decorrência dos enunciados e das
circunstâncias nos quais ele será embutido.
Paródia: quando o autor se apodera de um discurso e, ao invés de avalizar o exemplar resgatado, opõe-se a ele
de forma discreta ou explicitamente. Várias vezes ele desvirtua o discurso prévio, seja por desejar criticá-lo ou por
querer tecer uma ironia.
Hibridismo textual/Coexistência de gêneros: dois ou mais gêneros textuais que participam da mesma
situação comunicativa.
5.2 – Análise metódica dos 7 passos que garantem um ótimo resultado durante a leitura de um texto!
1º PASSO: Delimitar a unidade de leitura (seleção) - O primeiro passo a ser tomado pelo leitor é o
estabelecimento da unidade de leitura, que é o setor do texto que forma uma totalidade de sentido. Podemos
considerar um capítulo, uma seção ou qualquer outra subdivisão. Ou seja, o autor se atém apenas a parte do
conteúdo que lhe interessa.
2º PASSO: Identificar o tema do texto - Esse passo nos indica que precisamos fazer as seguintes perguntas
ao texto: do que trata o texto? qual seria o seu foco principal (assunto em torno do qual as informações se
organizam)? qual o grau de conhecimento que tenho sobre esse tema: alto (que me permita avaliar o que dito no
texto a ser lido), médio (posso obter informações ainda ignoradas) ou baixo (em que é difícil julgar a qualidade das
informações oferecidas pelo texto?)
3º PASSO: Localizar o texto no tempo e no espaço - Nesse passo, devemos perguntar ao texto: quem é o
seu autor? quando o escreveu? quais as condições da época em que produziu sua obra? quais as principais
características de seu pensamento? quais as influências que recebeu e também exerceu?
4º PASSO: Elaborar uma síntese do texto - Nesse passo, será exigido que o leitor faça uma seleção e uma
organização dos elementos mais importantes do texto, estabelecendo um critério de relevância (o que é mais
importante? o que é menos importante?)
5º PASSO: Organizar as próprias ideias com relação aos elementos relevantes - Nesse ponto, é preciso
um posicionamento do leitor que decorrerá da avaliação do que foi dito com base nos critérios que se resolveu
adotar para a elaboração da síntese. É importante verificar os conhecimentos prévios que se já possui sobre o
tema. Com base nesses conhecimentos, adota-se uma posição em relação às novas informações: concorda com
elas? discorda delas? por quê?
6º PASSO: Demonstrar capacidade para interpretar dados e fatos apresentados - Agora, a partir das
relações estabelecidas, o leitor deverá construir uma resposta para a seguinte pergunta: que sentido faz o que eu
acabei de ler?
7º PASSO: Elaborar hipóteses explicativas para fundamentar sua análise das questões tematizadas
no texto - O leitor deve procurar uma explicação para a razão de elas serem o que são. A elaboração das
hipóteses explicativas para o conjunto de informações obtidas pela leitura do texto vai além do que foi dito pelo
autor e permite que se construa um novo conhecimento acerca da questão tematizada. Estamos, pois, diante da
conclusão do processo de leitura e construção de sentido do texto, isto é, a apropriação do texto lido pelo leitor.
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O uso adequado dos RECURSOS LINGUÍSTICOS é essencial para que a estruturação do texto alcance
os objetivos da atividade comunicativa. Desta feita, abordaremos, a seguir, dois conceitos pontuais para a
construção e a compreensão de um texto: TIPOLOGIAS E GÊNEROS TEXTUAIS. Afinal, quais as diferenças e
funcionalidades dos dois paradigmas?
Antes de iniciarmos a discussão sobre a questão supracitada, vamos às concepções sobre os dois
postulados.
GÊNEROS TEXTUAIS!
Provavelmente, você já está bem familiarizado com esse conceito, afinal, toda produção textual o exige
para a determinação de sua estrutura. O gênero textual é avaliado com o objetivo de indicar a forma que o escritor
seguirá. É evidente que o produtor do texto irá refletir e planejar sua produção, considerando as características
estruturais do gênero proposto.
Mas será que ele também considerará o conceito de gênero? Ou ele(a) sabe, apenas, quais são
os gêneros textuais?
TIPOS TEXTUAIS!
Após a discussão sobre o conceito de gênero textual, esperamos que o raciocínio: GÊNERO TEXTUAL
= TIPO DE TEXTO, tenha sido superado. Aliás, essa confusão gera dificuldades para compreender o que são os
tipos textuais. Enquanto os gêneros podem ser considerados como parte da forma do texto, os tipos textuais
abarcam estruturações internas a ele.
Os tipos textuais compreendem as sequências de enunciados no interior do gênero. Tais sequências
constituem-se, linguisticamente, por aspectos diversos (lexicais, sintáticos, semânticos), possibilitando a
caracterização de seis tipos textuais:
Cada gênero textual será composto, predominantemente, por um TIPO TEXTUAL de acordo com a
função sociocomunicativa que o gênero segue. Todavia, isso não implica na não ocorrência de vários tipos textuais
em um único gênero, destaca-se, apenas, a maior ocorrência de um tipo textual no determinado texto.
Passaremos às considerações sobre as seis categorias de tipos textuais, para tanto, observe o exemplo de
MARCUSCHI.
A) Sequência DESCRITIVA:
B) Sequência INJUNTIVA:
C) Sequência EXPOSITIVA:
D) Sequência NARRATIVA:
E) Sequência ARGUMENTATIVA:
Os TIPOS TEXTUAIS são sequências linguísticas internas ao gênero textual. A predominância de algumas
sequências no texto pode caracterizar o seu GÊNERO TEXTUAL. Como, por exemplo, a predominância da
categoria argumentativa em gêneros dissertativo-argumentativos, das categorias expositiva e narrativa no gênero
carta e da categoria injuntiva em manuais de instrução.
6 – Significação de palavras!
A) Sinônimos!
São palavras que possuem significados iguais ou semelhantes.
Exemplo:
O faturista RETIFICOU o erro da nota fiscal.
O faturista CORRIGIU o erro da nota fiscal.
B) Antônimos!
Exemplo:
Precisamos colocar ordem nessa baderna, pois já está virando anarquia.
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C) Homônimos!
São palavras que apresentam a mesma pronúncia ou grafia, mas significados diferentes.
Exemplo:
Eles foram CAÇAR, mas ainda não retornaram. (Caçar – prender, matar)
Exemplos:
Almoço (ô) – substantivo
Almoço (ó) – verbo
Jogo (ô) – substantivo
Jogo (ó) – verbo
Exemplos:
Cela – quarto de prisão
Sela – arreio
Coser – costurar
Cozer – cozinhar
Concerto – espetáculo musical
Conserto – ato ou efeito de consertar
Exemplos:
Cedo – verbo
Cedo – advérbio de tempo
Sela – verbo selar
Sela – arreio
D) Parônimos!
São palavras que possuem significados diferentes e apresentam pronúncia e escrita parecidas.
Exemplos:
EMERGIR – vir à tona
IMERGIR – afundar
INFRINGIR – desobedecer
INFLIGIR – aplicar
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APROFUNDAMENTO TEÓRICO!
PARÔNIMOS COMPLEMENTARES:
7 – Figuras de Linguagem!
• Metáfora: É o emprego de uma palavra com o significado de outra em vista de uma relação de semelhanças
entre ambas. É uma comparação subentendida.
• Antonomásia: Quando designamos uma pessoa pelos seus atributos ou por referências a circunstâncias em que
se envolveu
• Antítese: aproximação de ideias, palavras ou expressões de sentidos opostos.
• Paradoxo: aproximação de palavras ou ideias de sentido oposto em apenas uma figura.
• Eufemismo: atenuação de algum fato ou expressão com objetivo de amenizar alguma verdade triste, chocante
ou desagradável.
• Elipse: omissão de palavras ou orações que ficam subentendidas.
• Pleonasmo: repetição da mesma ideia com objetivo de realce. A redundância pode ser positiva ou negativa.
Quando é proposital, usada como recurso expressivo, enriquecerá o texto:
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8 – Sintaxe tradicional!
A Sintaxe é a parte da língua que estuda as relações dos componentes que integram uma oração e, também, as
combinações que as orações constituem entre si na formação dos períodos. Logo, a maneira pela qual se dá os
ajustes das informações em orações ou períodos é a pretensão de estudo da sintaxe.
Outros estudos da sintaxe dizem respeito à análise dos períodos simples e compostos, concordâncias nominal e
verbal, regências nominal e verbal, além do fenômeno da crase. Esses últimos podem ser inseridos como objetos
de discussão da sintaxe porque ao serem utilizados exigem conhecimento das estruturas sintáticas, das
combinações dos elementos na frase.
Frase: é a forma de expressar qualquer ideia por meio das palavras. Em uma frase, não necessariamente,
encontramos verbos.
Oração: é a forma de organizar as palavras, expressando as ideias. O verbo é necessário na oração; pode estar
elíptico, ou seja, não constar na oração.
Exemplos:
Período: é uma oração constituída de um ou mais verbos. Podemos classificar em período simples ou período
composto.
O período simples é formado por apenas uma oração, pois possui um único verbo.
Exemplos:
O período composto é formado por mais de uma oração, pois possui geralmente mais de um verbo.
Exemplos:
A) SUJEITO!
Constata-se que a terminação do verbo acordar (ACORD – EI) se refere à primeira pessoa do singular (no caso,
“eu”) do PRETÉRITO PERFEITO DO MODO INDICATIVO.
Sujeito indeterminado: sujeito que também não aparece de forma clara e se relaciona a,
PREDOMINANTEMENTE, dois casos específicos.
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Caso 1: quando o verbo está na terceira pessoa do plural e não se refere a nenhuma palavra já mencionada na
oração.
Caso 2: quando o verbo se encontra na terceira pessoa do singular, acompanhado do pronome “SE”.
Oração sem sujeito ou sujeito inexistente: está relacionado a alguns casos específicos, aos quais devemos
ficar atentos. Perceba quais são eles:
Caso 1: quando o verbo da oração indicar fenômeno da natureza, como por exemplo: chover, trovejar e
relampejar.
Caso 2: quando o verbo “haver” indicar ideia de existir ou quando indicar a noção de um tempo que já se passou.
Caso 3: no caso dos verbos “fazer” e “estar” quando indicarem tempo ou clima.
Faz alguns anos que me mudei daquela cidade. (Passaram-se alguns anos que não moro mais lá)
Está frio hoje. (Clima)
B) PREDICADO!
Predicado é aquilo que se declara a respeito do sujeito. Nele é obrigatória a presença de um verbo ou locução
verbal. Quando se identifica o sujeito de uma oração, identifica-se também o predicado. Em termos, tudo o que
difere do sujeito (e do vocativo, quando ocorrer) numa oração é o seu predicado.
TIPOS DE PREDICADO!
PREDICADO VERBAL: constitui-se de um verbo ou locução verbal que expressa a ideia de ação. Este verbo pode
ser transitivo ou intransitivo. O núcleo do predicado verbal é o verbo (que é chamado de significativo), pois traz
em si a ideia de ação.
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SUJEITO - a prova
NÚCLEO DO SUJEITO - prova
PREDICADO - era difícil
TIPO DE PREDICADO - nominal (VERBO DE LIGAÇÃO + PREDICATIVO DO SUJEITO)
VERBO DE LIGAÇÃO - era
PREDICATIVO DO SUJEITO - difícil
NÚCLEO DO PREDICADO NOMINAL - difícil.
O predicado é verbo-nominal porque seus núcleos são um VERBO (saíram - verbo intransitivo), que indica
uma ação praticada pelo sujeito, e um PREDICATIVO DO SUJEITO (alegres), que indica o estado do sujeito no
momento em que se desenvolve o processo verbal.
C) PREDICATIVO!
É o termo que confere ao sujeito ou ao objeto uma qualidade, uma característica. Existem dois tipos de
predicativo: o PREDICATIVO DO SUJEITO e o PREDICATIVO DO OBJETO.
OBS: Os verbos de ligação SER, ESTAR, PARECER, PERMANECER, FICAR, CONTINUAR e ANDAR.*
8.3 – Termos integrantes da oração!
A) COMPLEMENTO NOMINAL:
É o termo que completa o sentido de uma palavra que não seja verbo. Assim, pode referir-se a substantivos,
adjetivos ou advérbios, sempre por meio de preposição.
Exemplos:
B) AGENTE DA PASSIVA:
É o termo da frase que pratica a ação expressa pelo verbo quando este se apresenta na voz passiva. Vem
regido comumente da preposição "POR" e eventualmente da preposição "DE".
Exemplo:
A vencedora foi escolhida PELOS JURADOS.
AO PASSAR A FRASE DA VOZ PASSIVA PARA A VOZ ATIVA, O AGENTE DA PASSIVA RECEBE O NOME
DE SUJEITO.
A) ADJUNTO ADNOMINAL!
É o termo que determina, especifica ou explica um substantivo. O adjunto adnominal possui função
adjetiva na oração, a qual pode ser desempenhada por adjetivos, locuções adjetivas, artigos, pronomes adjetivos
e numerais adjetivos.
Ex: O poeta inovador enviou dois longos trabalhos ao seu amigo de infância.
Na oração acima, os substantivos poeta, trabalhos e amigo são núcleos, respectivamente, do sujeito
determinado simples, do objeto direto e do objeto indireto. Ao redor de cada um desses substantivos agrupam-se
os adjuntos adnominais:
B) APOSTO!
De acordo com a relação que estabelece com o termo a que se refere, o aposto pode ser classificado em:
EXPLICATIVO:
A Ecologia, ciência que investiga as relações dos seres vivos entre si e com o meio em que vivem,
adquiriu grande destaque no mundo atual.
ENUMERATIVO:
RESUMIDOR OU RECAPITULATIVO:
Vida digna, cidadania plena, igualdade de oportunidades, tudo isso está na base de um país melhor.
COMPARATIVO:
Seus olhos, indagadores holofotes, fixaram-se por muito tempo na baía anoitecida.
DISTRIBUTIVO:
Drummond e Guimarães Rosa são dois grandes escritores, aquele na poesia e este na prosa.
C) VOCATIVO!
É um termo que não possui relação sintática com outro termo da oração. Não pertence, portanto, nem ao sujeito
nem ao predicado. É o termo que serve para chamar, invocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético.
9 – Pontuação!
A língua é uma grande ferramenta para a materialização de ideias, pensamentos, reflexões e posturas. Por
outro lado, esse procedimento requer algumas articulações linguísticas, dentre as quais estão os sinais de
pontuação, que findam por mediar o que é dito e apresentado nas várias concepções de texto verbal.
Os sinais de pontuação são símbolos gráficos, empregados na organização e formação do texto, que geram um
significado lógico, além de uma PROGRESSÃO HIERÁRQUICA entre os termos, enunciados e parágrafos.
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A) Vírgula!
Apesar do que comumente é proferido sobre a vírgula, ela nem sempre representa uma pausa. Sua inserção
é dada por uma necessidade sintática e não de pronúncia. O emprego da vírgula é aceito entre os termos de uma
oração e entre orações.
Vejamos:
Ex.: Gosto de escritores como Jorge Luís Borges, Gabriel Garcia Márquez, Mário Vargas Llosa, Pablo
Neruda…
Ex.: O secretário-geral da CNBB, dom Odilo Scherer, considerou moralmente inaceitável a greve de fome. (Veja)
Usa-se para:
Ex.: A delegação brasileira, que ficara esperando outro avião, chegou ao seu destino.
Ex.: Embora seja uma potência econômica, a China apresenta graves problemas sociais.
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1. AO SUJEITO E AO PREDICADO:
B) Ponto-e-vírgula!
Os parâmetros de uso para este sinal de pontuação variam de autor para autor. Entretanto, é possível estabelecer
algumas normas para sua utilização. No geral, usamos este sinal para:
Separar orações coordenadas quando pelo menos uma delas já tem vírgula no seu interior:
Ex: Corri do incêndio; entretanto, não consegui salvar os companheiros e avisar aos bombeiros.
I – entrada às 13h;
II – não permanência fora da sala;
III – proibição do celular no horário de aula.
C) Ponto de interrogação!
D) Ponto de exclamação!
2. Verbo no imperativo:
E) Aspas!
Ex.: “Independência ou morte”, gritou o Imperador, quando recebeu as notícias enviadas da corte.
Ex.: “Eu sou solteiro”, disse o jovem para a garota. “Eu não perguntei”, respondeu ela sem demora.
F) Travessão:
Para a sintaxe de período só interessa o período composto, aquele formado por duas ou mais orações. Para
a construção desse período composto, dois processos sintáticos são utilizados:
a) A COORDENAÇÃO: as orações mantêm uma independência sintática umas das outras, ou seja, uma oração
não exerce uma função sintática (sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal etc.) para outra.
b) A SUBORDINAÇÃO: as orações estão ligadas umas às outras – dependência – não só por um vínculo
semântico, mas principalmente por um vínculo sintático, isto é, uma oração vai exercer uma função sintática para
a outra. Por isso, uma oração, no período subordinado, só subsistirá se a outra também existir e vice-versa.
É possível também que um período seja formado tanto por orações coordenadas quanto por orações
subordinadas. Nesse caso, ele é denominado de período composto por coordenação e por subordinação, ou
período misto.
Exemplo:
Ele disse que amanhã irá ao show se não chover e se não houver aquele engarrafamento que tanto tem
infernizado a vida dos natalenses. (Período misto. Há cinco orações)
CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES!
Para a construção do período composto, as conjunções, os pronomes relativos, algumas preposições e alguns
advérbios possuem papel fundamental. Serão essas classes morfológicas que farão a ligação (funcionarão como
uma “ponte”) entre as orações.
Não procure decorar as conjunções, mas sim apreender-lhes o sentido e, acima de tudo, apreender a relação
que a conjunção promove.
Não se preocupe demasiadamente com a nomenclatura gramatical: oração subordinada substantiva tal ou
qual; oração subordinada adverbial “X”, reduzida de infinitivo. A maioria dos institutos organizadores de provas
para concursos públicos já não mais questiona essa classificação – querem saber, sim, a relação promovida pela
conjunção, pelo pronome relativo, pelos conectores em geral. Bom estudo!
Sindéticas - Quando se ligam às outras pelas conjunções coordenativas. Esse tipo de oração se subdivide em:
1 - Aditiva: ideia de adição, acréscimo. Principais conjunções usadas: e, nem, mas também, mas ainda,
senão também, bem como, como também, que (= e).
Ex.: O professor não somente elaborou exercícios como também uma extensa prova.
OBSERVAÇÃO!
2 - Adversativa: são aquelas que promovem oposição, contraste. A ideia contida na oração adversativa se
contrapõe à da oração assindética. Principais conjunções usadas: mas, todavia, contudo, entretanto, porém...
OBSERVAÇÕES:
A) A oração adversativa equivale à oração subordinada concessiva, uma vez que ambas promovem as relações de
oposição. Observe:
Ele não bebe, mas fuma muito. Embora fume muito, ele não bebe.
B) Algumas bancas elaboradoras de provas têm explorado as palavras “entretanto” e “no entanto” não como
conjunções adversativas, mas como advérbios de tempo, com o sentido de “entrementes, nesse ínterim, nesse
momento”. Observe:
Todos velavam o corpo na sala. Entretanto, João, o viúvo, conversava longamente no jardim com uma
comadre.
O jogador fora para o Japão a fim de disputar um campeonato. No entanto, nasceu sua filha, bela e de
olhos verdes.
3 - Alternativa: são aquelas que expressam uma alternância, uma disjunção. Principais conjunções usadas:
quer...quer, ora...ora, ou...ou, seja...seja.
Ex.: Quer ele falasse, quer ele ficasse calado, todos o recriminavam.
4 - Conclusiva: são aquelas que exprimem uma conclusão, uma dedução lógica da ideia contida na oração
precedente. Principais conjunções usadas: portanto, pois (posposto ao verbo), logo, por isso, então.
Ex.: O professor não elaborou a prova, logo não poderá aplicá-la na data planejada.
5 - Explicativa: são aquelas que justificam a informação precedente; fornecem portanto, uma explicação, um
motivo. Principais conjunções usadas: pois (anteposto ao verbo), porque, que, porquanto.
A oração principal está incompleta, falta objeto indireto para o verbo gostar, a oração subordinada desempenha a
função de objeto indireto da principal.
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As orações subordinadas substantivas exercem funções específicas do substantivo: sujeito, objeto, predicativo,
complemento nominal, agente da passiva...
As orações subordinadas substantivas são geralmente introduzidas pelas conjunções integrantes se ou que e
possuem verbos conjugados. As orações subordinadas substantivas reduzidas não são introduzidas por conjunções
e possuem verbos na formas nominais (particípio, gerúndio ou infinitivo).
1 - objetivas diretas!
2 - objetivas indiretas!
3 – predicativas!
Exercem a função de predicativo do sujeito da oração principal.
Ex.: Meu consolo era que o trabalho estava no fim.
4 - substantivas subjetivas!
Exercem a função de sujeito da oração principal.
Ex.: É difícil que ele venha.
Quando a oração subordinada substantiva for subjetiva, a oração principal apresentará um dos seguintes casos:
verbo na 3ª PS, na voz ativa, sem menção a sujeito; voz passiva sintética (VTD/VTI + SE); voz passiva analítica.
5 – completivas nominais!
Exercem a função de complemento nominal da oração principal.
Ex.: Sua falha trágica é a dificuldade de ser maleável em relação à realidade.
6 – substantivas apositivas!
Exercem a função de aposto de algum nome da oração principal.
Ex: Há nas escolas uma norma: que os alunos são respeitados.
7 - agente da passiva!
Exercem a função de agente da passiva. Esse tipo de oração não é reconhecida pela NGB – Nomenclatura
Gramatical Brasileira.
Ex: Um dia todos nós seremos julgados por quem nos criou. (Oração agente da passiva)
Não é o fato de conter dois pontos ou qualquer outro sinal de pontuação que a oração será apositiva. É
imprescindível que, primeiro, antes da classificação, perceba-se se a oração efetivamente possui a função de
aposto. Observe:
NA PORTA DA SALA FOI ESCRITO: “O SENHOR É MEU PASTOR E NADA ME FALTARÁ.” ([Link])
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Podem ser:
1 – Restritivas!
Exercem a função de adjunto adnominal da oração principal, restringem o nome ao qual se referem, não são
separadas por vírgulas.
2 – Explicativas
Exercem a função de aposto da oração principal, explicam o nome ao qual se referem, são sempre separadas por
vírgulas.
Ex.: Os homens, que traem as mulheres, morrem cedo.
11 – Concordância!
A sintaxe de concordância leva as palavras dependentes a concordarem, nas suas flexões, com as palavras
de que dependem na frase.
Os adjetivos, pronomes, artigos e numerais concordam em gênero e número com os substantivos determinados
= CONCORDÂNCIA NOMINAL.
O verbo concorda em número e pessoa com o sujeito simples a que se refere = CONCORDÂNCIA VERBAL.
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CONCORDÂNCIA NOMINAL!
O adjetivo biforme, na função de adjunto adnominal, concorda com o substantivo em gênero e número =
AS ÁRVORES TRISTONHAS DEIXAVAM CAIR SUAS LÁGRIMAS SOLIDIFICADAS.
Escrito antes dos substantivos, o adjetivo concorda geralmente com o mais próximo = RECEBESTES
PÉSSIMA NOTA E CONCEITO. BEM TRATADOS POMARES E HORTAS.
Se dois ou mais adjetivos se referem ao mesmo substantivo determinado pelo artigo, qualquer uma das
construções abaixo será válida = CONHEÇO OS IDIOMAS CHINÊS E JAPONÊS OU CONHEÇO O IDIOMA
CHINÊS E O JAPONÊS.
O adjetivo predicativo concorda com o sujeito em gênero e número = A PRAIA ESTAVA DESERTA.
Se o sujeito for composto e for do mesmo gênero, o predicativo concordará no plural e no gênero dos
sujeitos = A PRAIA E A ILHA ESTAVAM DESERTAS.
Nas construções do tipo É BOM, É PRECISO, É NECESSÁRIO, É PROIBIDO, o adjetivo predicativo ficará no
masculino singular não havendo artigo antes do sujeito = Cerveja é bom no calor. É preciso paciência. É
necessário muita cautela. É proibido entrada a menores de …
NOTA = HAVENDO ARTIGO ANTES DO SUJEITO, A CONCORDÂNCIA SERÁ NORMAL.
O pronome variável concorda em gênero e número com o substantivo a que se refere = O VELHO
COMPROU AS TERRAS E DOOU-AS A UMA INSTITUIÇÃO DE CARIDADE.
CONCORDÂNCIA VERBAL!
SUJEITOS LIGADOS POR "OU" = o verbo concorda com o sujeito mais próximo se houver ideia de
RETIFICAÇÃO. Nesse caso, comumente os núcleos vêm isolados por uma vírgula e são de números diferentes:
Sujeitos resumidos por "TUDO", "NADA", "NINGUÉM" = o verbo concordará no singular quando, numa relação
de sujeitos, após o último vier escrita uma das formas pronominais acima citadas - Pobres, ricos, sábios,
ignorantes, NINGUÉM está satisfeito.
SUJEITO COLETIVO = o verbo concordará no singular com o sujeito coletivo escrito no singular também:
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SUJEITO REPRESENTADO POR NOME PRÓPRIO COM FORMA DE PLURAL = verbo no plural, se o
nome próprio admitir artigo no plural:
OS ESTADOS UNIDOS DEFENDEM OS DIREITOS HUMANOS.
CONCORDÂNCIA DO VERBO SER: apresentando uma sintaxe irregular de concordância, o verbo ser pode
deixar de concordar com o sujeito para concordar com o predicativo nos seguintes casos:
Sendo o sujeito um dos pronomes tudo, isto, isso, aquilo, e o predicativo uma palavra no plural:
Nota: sendo o sujeito um nome de pessoa ou um pronome pessoal, a concordância será normal.
Por exemplo: DEU QUATRO HORAS O RELÓGIO DA IGREJA. DERAM CINCO HORAS. SOARAM SEIS
HORAS NO RELÓGIO DA PRAÇA.
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