0% acharam este documento útil (0 voto)
66 visualizações3 páginas

Regra de Vida dos Eremitas de Alberto

A Regra de Santo Alberto estabelece as diretrizes para os eremitas que vivem no Monte Carmelo, incluindo a eleição de um Prior, obediência a ele, jejum, oração, trabalho manual, silêncio e humildade.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
66 visualizações3 páginas

Regra de Vida dos Eremitas de Alberto

A Regra de Santo Alberto estabelece as diretrizes para os eremitas que vivem no Monte Carmelo, incluindo a eleição de um Prior, obediência a ele, jejum, oração, trabalho manual, silêncio e humildade.
Direitos autorais
© © All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

6

REGRA DE SANTO ALBERTO

1. Alberto, chamado a ser Patriarca da Igreja de Jerusalém por graça de Deus, aos amados filhos em
Cristo B(rocardo) e demais eremitas, que vivem sob a obediência junto à fonte de Elias, no Monte
Carmelo, saúde no Senhor e benção do Espírito Santo.

2. Em diferentes ocasiões e de muitas maneiras (Hebreus 1, 1) os Santos Padres deixaram estabelecido o


modo de cada um (qualquer que seja seu estado ou gênero de vida religiosa que abraçou) há de viver “em
obséquio de Jesus Cristo” (II Coríntios 10, 5), servindo-o lealmente com coração puro e reta consciência
(I Timóteo 1, 5).

3. Mas, como pedis que vos désseis uma fórmula de vida adequada a vosso projeto comum, para guarda-
la obrigatoriamente no sucessivo:

4. Determinamos, em primeiro lugar, que tenhais um de vós por Prior; o qual seja eleito para esse ofício
por unânime consentimento de todos, ou da maior e mais qualificada parte, ao qual cada um de vós
prometa obediência; e depois de tê-la prometido procure verdadeiramente guardá-la com as obras (I João
3, 18), com castidade e pobreza.

5. Podereis habitar nos ermos ou lugares que vos forem dados, dispostos e acomodados para a
observância de vossa Religião, segundo parecer mais conveniente ao Prior e aos Religiosos.

6. Além disso, em vista da situação do lugar escolhido para residência, tenha cada um de vós cela
individual e separada, conforme designação do Prior, com o consentimento dos demais irmãos ou da
parte mais sensata.

7. Todavia tomareis, num refeitório comum, os alimentos que vos forem dados, ouvindo todos juntos
uma lição da Sagrada Escritura, onde isso comodamente possa ser observado.

8. A nenhum irmão seja lícito, sem a licença do Prior atual, mudar ou trocar com outro o lugar que lhe
foi designado. A cela do Prior estará à entrada do lugar da residência, para que seja ele quem corra a
receber os visitantes e de seu arbítrio e disposição dependa tudo o que se houver de fazer.
7

9. Permaneça cada um em sua cela ou próximo a ela, meditando dia e noite a Lei do Senhor (cf. I Pedro
4, 7), a não ser que se ache legitimamente ocupado em outros afazeres.

10. Os que souberem recitar as horas canônicas com os clérigos as recitarão conforme as disposições dos
Santos Padres e o costume legítimo da Igreja. Os que porventura não souberem, recitarão vinte e cinco
vezes o Pai Nosso por Matinas, exceto aos Domingos e Solenidades, em cujo ofício de vigília mandamos
duplicar esse número, de tal forma que se repita a oração dominical cinquenta vezes. Para a oração de
Laudes Matutinas, assim como as restantes, menos vésperas, quando devem rezar quinze.

11. Nenhum irmão diga que tem alguma coisa própria, mas tudo entre vós seja em comum (cf. Atos 4,
32; 2, 44). O prior, por meio do irmão por ele escolhido para esse ofício, distribuirá a cada um conforme
sua necessidade (cf. Atos 4, 35), atendendo à idade e à necessidade pessoais.

12. Ser-vos-á lícito, porém ter jumentos ou mulos, segundo o pedir a vossa necessidade, como também
alguns animais para a nutrição.

13. Edifique-se uma capela no centro, onde mais comodamente for possível, na qual deveis reunir-vos
cada manhã para ouvir missa, onde isso se puder fazer.

14. Aos domingos ou outros dias, sendo necessário, tratareis da conservação da ordem e da saúde das
almas, quando, também, mediante a caridade, sejam corrigidos os excessos e culpas em que os irmãos
tiverem incorrido.

15. Jejuai todos os dias, menos aos domingos, desde a festa da Exaltação da Santa Cruz até o dia da
Ressurreição do Senhor, a não ser que enfermidade ou debilidade física ou outra causa razoável
aconselhe sua dispensa, pois a necessidade não está sujeita à Lei.

16. Observai a abstinência de carne, a menos que a tomeis como remédio em caso de enfermidade ou
debilidade. E já que pelas viagens, tereis que mendigar, à amiúde, para vosso sustento, fora de casa
podeis comer legumes preparados com carne, a fim privar de moléstias a quem vos hospedar. Porém, fica
autorizada a comida de carne em viagens marítimas.

17. Já que a vida do homem neste mundo é tempo de prova (cf. Jó 7, 1), e que se propõe a viver como
bom cristão sofre perseguição (cf. II Timóteo 3, 12), e vosso inimigo, o diabo, como leão rugindo, ronda
buscando a quem devorar (I Pedro 5, 8), procurai com toda solicitude, revestir-vos das armas de Deus
para poder resistir às insídias do diabo (cf. Efésios 6, 11).

18. Cingi vossos corpos com o cinto da castidade (cf. Efésios 6, 14) e fortalecei vosso peito com piedosas
considerações, pois está escrito “o pensamento santo te guardará” (Provérbios – na versão dos LXX). Por
couraça, vesti-vos da justiça (cf. Efésios 6, 14), a fim de amar ao Senhor, vosso Deus, com todo o
coração, com toda a alma, com todas as forças (Deuteronômio 6, 5) e ao próximo como a vós mesmos.

19. Em todas as ocasiões haveis de armar-vos com o escudo da fé, que vos permitirá apagar as flechas
incendiadas do mal (cf. Efésios 6, 16); pois sem fé é impossível agradar a Deus (cf. Hebreus 11, 6).
Ponde sobre vossas cabeças o capacete da salvação (Efésios 6, 17), confiando no único Salvador, que
8

liberta seu povo dos pecados (cf. Mateus 1, 21). Que a espada do Espírito, que é a palavra de Deus (cf.
Efésios 6, 17), habite sempre em vosso coração (cf. Romanos 10, 8) e em vossos lábios (cf. Colossenses
3, 16) e tudo quanto fizerdes, fazei-o pela Palavra do Senhor. (cf. Colossenses 3, 17; I Coríntios 10, 31).
20. Deveis também empregar-vos em algum trabalho, para que o demônio vos ache sempre ocupados e
não tome ocasião de vossa ociosidade para entrar em vossas almas. Para isso tendes a instrução e o
exemplo do apóstolo São Paulo, por cuja boca falava Jesus Cristo (cf. II Coríntios 13, 3), o qual Deus
constituiu pregador e doutor das gentes em fé e verdade (cf. I Timóteo 2, 7) , e seguindo os seus passos
não podereis errar. “Em trabalho e fadiga, diz ele, estivemos entre vós, trabalhando de dia e de noite para
não sermos algum peso ou incômodo. Não porque não o pudéssemos fazer, mas para vos dar o exemplo
do que deveis imitar. Isto mesmo vos intimávamos quando, estando convosco, vos dizíamos que quem
não quer trabalhar não coma. E porque temos ouvido entre vós que alguns andam ociosos, sem trabalhar
coisa alguma, a esses admoestamos e rogamos em Nosso Senhor Jesus Cristo que, trabalhando em
silêncio, comam o seu pão (cf. II Tessalonicenses 3, 7-12)”. “Este caminho é bom e santo, caminhai por
ele”! (cf. Isaías 30, 21).

21. Recomenda o Apóstolo o silêncio, quando nele mesmo manda trabalhar (cf. II Tessalonicenses 3, 12).
E assim como testifica o profeta que “o culto da justiça é o silêncio” (cf. Isaías 32, 17). E em outro lugar
“no silêncio e na esperança estará vossa força” (Isaías 30, 15). Portanto, ordenamos que guardeis silêncio
desde o fim de completas até depois de prima do dia seguinte. Fora desse tempo, embora a prática do
silêncio não seja estrita, evitai cuidadosamente o
excesso no falar, como ensina a Escritura e o confirma a experiência: “no muito falar não faltará o
pecado” (Provérbios 10, 199). E: “Quem é inconsiderado em suas palavras experimentará danos”
(Provérbios 13, 2). E, também “Quem fala muito é odioso” (Eclesiástico 20, 8). O Senhor, à sua vez
adverte no Evangelho: “De toda palavra ociosa que falarem os homens darão parte no dia do Juízo”
(Mateus 12, 6). Faça, pois, cada um de vós uma balança para suas palavras, e freios retos para a sua boca,
a fim de não pecar e cair com a língua de sorte que seja incurável e mortal a sua queda (cf. Eclesiástico
28, 29-30); guarde com o profeta os seus caminhos para que não peque com a sua língua (cf. Salmo 38,
2), e procure com diligência e cautela guardar o silêncio, no qual está todo o culto da justiça (cf. Isaías
32, 17).

22. Tu, porém, Irmão B(rocardo), e qualquer outro que depois de ti for eleito Prior, tem sempre na
lembrança e põe por obra o que o Senhor diz no Evangelho: “Todo aquele que quiser ser o maior entre
vós será vosso ministro, e o que entre vós quiser ser o primeiro será vosso servo” (Mateus 20, 26-27; cf.
Marcos 10, 43-44).

23. Por vossa parte, os demais irmãos, tratai com deferência e humildade a vosso Prior, fixando mais na
pessoa de Cristo que na sua, que vos pôs a ele como superior, e que afirma a respeito dos pastores da
Igreja “Quem a vós escuta a mim escuta, quem vos rechaça, a mim rechaça” (Lucas 10, 16). Fazei-o
assim, para que não condenem a juízo por menosprezo da autoridade, antes, os recompensem com a vida
eterna, em consideração da vossa obediência.

Você também pode gostar