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Automedicação em Gestantes de Alto Risco

O documento discute a automedicação em gestantes de alto risco atendidas em uma clínica no Ceará, Brasil. Cerca de 33,75% das gestantes relataram usar medicamentos sem prescrição médica, principalmente para dor de cabeça, náuseas e vômitos. A maioria dos medicamentos eram comprimidos. É sugerida orientação farmacêutica para minimizar riscos à saúde materna e fetal.
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Automedicação em Gestantes de Alto Risco

O documento discute a automedicação em gestantes de alto risco atendidas em uma clínica no Ceará, Brasil. Cerca de 33,75% das gestantes relataram usar medicamentos sem prescrição médica, principalmente para dor de cabeça, náuseas e vômitos. A maioria dos medicamentos eram comprimidos. É sugerida orientação farmacêutica para minimizar riscos à saúde materna e fetal.
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DOI: [Link]

2018v20n1p50-54 Santos SLF, Pessoa CV, Arraes MLBM, Barros KBNT

Automedicação em Gestantes de Alto Risco: Foco em Atenção Farmacêutica

Self-medication in High Risk Pregnant: Focus on Pharmaceutical Care

Sandna Larissa Freitas dos Santosa*; Cinara Vidal Pessoab; Maria Luísa Bezerra de Macedo Arraesa;
Karla Bruna Nogueira Torres Barrosab

Universidade Federal do Ceará, Pós-Graduação Lato Sensu em Residência Multiprofissional em Saúde da Mulher e da Criança. CE, Brasil.
a

b
Centro Universitário Católica de Quixadá- Quixadá-CE.
*E-mail: [Link]@[Link].
Recebido em: 30/10/2017; Aceito em: 31/01/2018

Resumo
A gestação oferece barreiras éticas e técnicas à realização de ensaios clínicos, e para isso a farmacovigilância tem investigado e avaliado os
efeitos decorrentes do uso de medicamentos. O estudo teve como objetivo verificar o índice da automedicação em foco na Atenção Farmacêutica
a gestantes de alto risco atendidas na Policlínica Francisco Carlos Cavalcante Roque no município de Quixadá-CE. Tratou-se de um estudo
observacional, transversal, consistindo em uma abordagem predominantemente quantitativa. As gestantes eram, na maioria, casadas, com faixa
etária entre 29 a 39 anos, e as doenças predominantes foram Infecção (Urinária, vaginal e intestinal) e Hipertensão. Quanto a idade gestacional,
apresentaram uma faixa de 8 a 39 semanas com média de 24 semanas. O uso de cigarro foi afirmado por 6,25% das gestantes, porém nenhuma
relatou o uso de drogas. A utilização de medicamentos durante a gravidez pela prática da automedicação foi relatada por 33,75% gestantes, e
três delas afirmaram sentir-se mal ao tomarem os medicamentos: Dipirona, Ibuprofeno e Dimenidrinato. Do total de 33 medicamentos usados
pela automedicação 94% eram em forma de comprimidos, utilizados para queixas como cefaleia, êmese e náuseas, sendo que a indicação
por conta própria. Portanto, sugere-se orientação farmacêutica a gestantes de alto risco com o intuito de minimizar efeitos teratogênicos e
proporcionar melhoria em sua qualidade de vida.
Palavras-chave: Gravidez de Alto Risco. Automedicação. Uso de Medicamentos.

Abstract
Pregnancy offers ethical and technical barriers to conducting clinical trials, and for this reason the pharmacovigilance has investigated and
evaluated the effects arising from the use of medicines. The study had as objective to verify the self-medication rate in focus on pharmaceutical
attention to high-risk pregnant women attended at Policlínica c Francisco Carlos Cavalcante Roque in the municipality of Quixadá-EC. This
was an observational, cross-sectional study, consisting of a predominantly quantitative approach. The pregnant women were, in the majority,
married, aged between 29 to 39 years, and the predominant diseases were infection (vaginal, urinary and intestinal) and hypertension.
Regarding the gestational age, they presented a range from 8 to 39 weeks, with an average of 24 weeks. The use of cigarettes was affirmed
by 6.25% of pregnant women, but none reported the use of drugs. The use of medications during pregnancy through the self-medication
practice was reported by 33.75% of pregnant women, and three of them said the felt bad when taking the medicines: Dipyrone, Ibuprofen and
Dimenhydrinate. Of the total of 33 medications used by self-medication, 94% were in the form of pills, used for complaints such as headache,
vomiting and nausea, being the indication for their own account. Therefore, pharmaceutical orientation is suggested for high-risk pregnant
women with the aim of minimizing teratogenic effects and provide improvement in their quality of life.
Keywords: Pregnancy, High-Risk. Self Medication Drug Utilization.

1 Introdução a elaboração de estratégias para reduzir a incidência de


malformações congênitas, possivelmente, causadas por
O uso de medicamentos na gestação representa, ainda
hoje, um desafio para a medicina, visto que grande parte dos medicamentos2,3.
fármacos atravessa a barreira placentária e, a maioria, não foi Pelos riscos potenciais ao feto em desenvolvimento, uma
testada clinicamente em gestantes, podendo vir a ocasionar vez que a maioria dos fármacos administrados tem a capacidade
diversos problemas congênitos ao feto. Ao mesmo tempo, de atravessar a placenta e expor o feto em desenvolvimento
a automedicação, o fenômeno da medicalização e a falta de a seus efeitos farmacológicos e/ou teratogênicos, o uso
informação sobre os riscos do mau uso de medicamentos são dessas substâncias na gestação merece essa especial atenção,
problemas adicionais1. devendo ser, por princípio, evitada. Os efeitos sobre o feto
A gestação oferece, no entanto, barreiras éticas e dependem do fármaco ou substância, da paciente, da época de
técnicas à realização de ensaios clínicos, neste sentido, a exposição durante a gestação, da frequência e da dose total,
farmacovigilância tem investigado e avaliado os efeitos redundando potencialmente em aspectos teratogênicos ou
decorrentes do uso agudo e crônico de medicamentos. Isto com consequências farmacológicas e toxicológicas diversas4,5.
tem permitido, não somente a determinação do impacto dos O forte crescimento da indústria farmacêutica fez com que
defeitos congênitos na população mundial, mas também os medicamentos ocupassem um lugar de destaque para a cura

J Health Sci 2018;20(1):50-4 50


Automedicação em Gestantes de Alto Risco: Foco em Atenção Farmacêutica

das doenças e alívio de sintomas. Contudo, o uso sem limites de distribuição das entrevistadas. Foi adotado, como nível de
de medicamentos acarreta consequências negativas para a mãe significância, valores de p inferiores a 0,05. As análises foram
e para o feto, aumento de efeitos colaterais e reações adversas, feitas com o auxílio do programa GraphPad Prima 5.0.
que muitas vezes são gravíssimas1. Foram respeitados os requisitos quanto à confidencialidade
Nesse contexto, o estudo teve como objetivo averiguar e sigilo das informações, de acordo com as determinações feitas
a utilização de medicamentos pela automedicação em pela Resolução 466/128 e as usuárias não foram submetidas a
gestantes atendidas em um serviço de referência ao pré-natal qualquer tipo de experimentação. O estudo foi aprovado no
de alto risco no interior do Estado do Ceará, verificando as Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário Católica
doenças de alto risco, identificando os medicamentos e suas de Quixadá, de acordo com o protocolo nº. 1.506.719.
respectivas classes farmacológicas mais usadas, além de
3 Resultados e Discussão
classificar conforme Food and Drug Administration - FDA em
categorias de risco para o uso de medicamentos na gravidez, As características socioeconômicas das pacientes
visando à minimização dos efeitos adversos desnecessários, estão descritas no Quadro 1. Quanto à idade gestacional,
tanto maternos como fetais e, assim, agregando a importância apresentaram uma faixa de 8 a 39 semanas com média de 24
da Atenção Farmacêutica. semanas. Das 80 gestantes entrevistadas, o uso de cigarro foi
afirmado por 5 (6,25%) gestantes e nenhuma relatou o uso de
2 Material e Métodos drogas.
O estudo foi do tipo observacional, transversal, consistindo Quadro 1 - Características socioeconômicas das gestantes
em uma abordagem predominantemente quantitativa. Foi atendidas na Policlínica Francisco Carlos Cavalcante Roque,
desenvolvido na Policlínica Francisco Carlos Cavalcante Quixadá- Ceará, Nordeste, Brasil
Roque, Quixadá- CE com a população composta por 95 Características socioeconômicas
gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no Idade Frequência %
período de março a maio de 2016. Foram inclusas gestantes 18 a 28 17 21,25%
29 a 39 48 60%
que estavam à espera da consulta de pré-natal, no momento
40 a 45 15 18,75%
da pesquisa, com idade superior a 18 anos, estando aptas e
Estado civil
conscientes para argumentar as informações contidas no Solteira 5 6,25%
questionário, em conformidade com a participação na pesquisa Casada 54 67,5%
e as prescrições geradas a partir das consultas. União Formal 21 26,25%
Foram entrevistadas 80 gestantes de alto risco por Escolaridade
autorização do representante legal da instituição de saúde, Não alfabetizada 3 3,75%
devido a exclusão de 10 que estavam entre as menores de 1º grau completo 19 23,75%
idade e 5 que recusaram a participação. Foi realizada uma 2º grau completo 45 56,25%
Superior completo 13 16,25%
entrevista, utilizando como instrumento um questionário por
Renda Familiar
meio do qual foi traçado o perfil socioeconômico e colhidas
1 salário 24 30%
informações em relação à doença, automedicação, motivos 2 salários 28 35%
do uso dos medicamentos e possíveis ocorrências de reações 3 salários 6 7,5%
adversas. 4 salários 1 1,25%
Assim, após estruturação dos dados, as informações Não sabe informar 21 26,25%
pertinentes foram analisadas estatisticamente e a segunda Situação Habitacional
etapa foi constituída pela elaboração e disponibilização do Alugada 24 30%
material educativo sobre o uso racional de medicamentos Própria 56 70%
Fonte: Dados da pesquisa.
durante a gestação de alto risco. Os dados foram inseridos no
banco de dados do software Microsoft Excel, para viabilizar o De acordo com o Quadro 1 acima, pode-se observar que
processamento e análise das respostas obtidas. A abordagem prevalece a quantidade de mulheres casadas (67,5%), com
quantitativa foi avaliada pelo método de SPSS e a qualitativa 2º grau de ensino completo (56,25%), com renda de até
pelo método de Bardin6,7. de 2 salários (35%) e que habitam em casa própria (70%).
Os resultados foram descritos, de forma quantitativa, Assemelhando aos dados da pesquisa de Beserra et al.9
como frequência absoluta e percentual dos entrevistados em que entrevistaram 145 gestantes com faixa etária variando
relação as suas variáveis sociodemográficas, econômicas, de 13 a 42 anos, a faixa etária predominante se concentrou
e de forma absoluta e percentual, em relação às variáveis entre 28 e 32 anos, com 54 (37,24%) mulheres. Quanto à
farmacoterapêuticas. Nestes casos, o teste Exato de Fisher e escolaridade, 53 (36,55%) gestantes apresentaram o Ensino
o teste do Qui-quadrado foram utilizados para avaliar se estas Médio completo. A avaliação da distribuição da renda mensal
variáveis influenciaram, significativamente, na prevalência mostrou que 64 (44,14%) recebiam até um salário mínimo,

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Santos SLF, Pessoa CV, Arraes MLBM, Barros KBNT

70 (48,28%) entre 1 e 2 salários mínimos. Os autores ainda adequados e cuja estrutura organizacional, representada pelo
relataram que baixa escolaridade entre gestantes repercute na SUS, não alcançou patamar suficientemente eficiente, pode-se
qualidade e na realização da assistência pré-natal, divergindo esperar que as pessoas das classes que dependem desse sistema
dos dados encontrados no presente estudo. estariam mais sujeitas a se automedicar. Comparativamente,
Pode-se observar que há maior prevalência de gestantes em um estudo realizado no Estado do Paraná foi encontrado
entre a faixa etária de 29 a 39 anos, visto que o Ministério da um valor baixo (8,2%), levando em consideração as 245
Saúde evidencia que a idade inferior a 15 anos ou acima de 35 gestantes entrevistadas10. No estudo de Nunes et al.11 foi visto
anos é um dos fatores geradores de risco na gestação5. que o dimenidrinato e Ibuprofeno foram causadores de efeitos
Melo et al.10 apresentaram estudo com 205 gestantes com eméticos nas gestantes avaliadas.
média de idade de 23,7 anos, 80 (40%) estavam na faixa etária Rocha et al.12 apresentaram que o consumo de pelo menos
entre 20 e 25 anos, 70-34,1% possuíam o Ensino Fundamental um medicamento na gestação teve uma prevalência de 96,6%
Incompleto e 95 (46,4%) eram casadas. Quando comparado o e uma média de 2,8 medicamentos por gestante, em um total
grau de instrução e uso de medicamento durante a gestação de 336 gestantes. A automedicação foi referida por 37 (11,3%)
não houve diferença estatisticamente significativa. gestantes, evidenciando um dado superior ao encontrado no
O terceiro trimestre de gravidez foi o período mais presente estudo, o qual foi de 27 (33,7%).
relatado pelas gestantes, equivalente a da 27º a 40º semana Dar importância aos tratamentos maternos com AINEs
(43%). Dados semelhantes aos encontrados no estudo de (14,1%), que têm sido associados, com frequência, à
Melo et al.10, o qual as mulheres que estavam no terceiro vasoconstrição do ducto arterioso fetal, hipertensão arterial
trimestre foram as que mais relataram ter utilizado ou estar pulmonar e inibição da agregação plaquetária. Estudos sobre
usando algum medicamento, e os mais consumidos foram o os efeitos dos anti-inflamatórios demonstram alta incidência
sulfato ferroso (92– 45,0%) e o paracetamol (89 – 43,4%). de síndrome de hipertensão pulmonar persistente no recém-
Rocha et al.12 mostraram que o tabagismo esteve presente nascido e de anormalidades na hemostasia13.
em 11,3% das gestações, sendo 75,7% até o final da gestação, A maioria dos AINEs é classificada como (C), mas não
em um total de 336 gestantes. Ainda que a ingestão de bebidas devem ser utilizados no terceiro trimestre por causarem
alcoólicas durante a gravidez tenha sido afirmada por 16% constrição do ducto arterioso fetal, que pode acarretar em
das mulheres, com 59,6% delas permanecendo no consumo hipertensão arterial pulmonar. Com menor frequência, perdas
até o final do terceiro trimestre. No mesmo estudo, não foi fetais, baixo peso ao nascer e alterações glomerulares e de
possível uma associação com significado estatístico entre o coagulação foram relatadas. Mesmo assim, alguns pacientes
consumo de álcool e fumo durante a gestação e a presença de necessitam de tratamento com anti-inflamatório, casos em que
malformações fetais. se dá preferência a prednisona em baixas doses. Indometacina
A utilização de medicamentos durante a gravidez pela é amplamente utilizada na prevenção do parto prematuro,
prática da automedicação foi relatada por 27 (33,75%) mas tem sido relacionada a casos de enterocolite. O uso de
gestantes, e 3 (11,1%) delas afirmaram se sentir mal ibuprofeno foi relacionado a casos de defeitos glomerulares
ao tomarem os medicamentos: Dipirona, Ibuprofeno e acarretando insuficiência renal13. Na contextualização do
Dimenidrinato. O gráfico da Figura 1 apresenta os dados dos risco x benefício dessa utilização, se pode ver então que,
medicamentos citados pelas gestantes com um total de 33 apesar desses efeitos, diante da patologia da mãe a prescrição
medicamentos usados pela automedicação, sendo 31 (94%) é evidenciada.
em forma de comprimidos, apresentando como queixas de Na literatura foi encontrado que o paracetamol é o
uso, como: cefaleia, êmese e náuseas e a indicação foi relatada analgésico de primeira escolha na gravidez e que a dipirona
por 2 (6%) gestantes pela mãe e as demais por conta própria. possui restrições específicas, portanto sua utilização deveria
De acordo com a classificação terapêutica dos medicamentos ser evitada durante a gestação13.
estão AINES (85%), Antieméticos (15%). Foi visto que o terceiro trimestre de gravidez foi o período
mais relatado pelas gestantes, sendo esse equivalente a 27º
Figura 1 - Medicamentos citados pelas gestantes atendidas na a 40º semana (43%). A classificação em categorias de risco
Policlínica Francisco Carlos Cavalcante Roque, Quixadá- Ceará,
para o uso de medicamentos na gravidez de acordo com a
Nordeste, Brasil- 2016
45 FDA é definida de acordo com o risco de um medicamento
40
35
30
causar defeitos congênitos e outros efeitos na gestação, dos
medicamentos usados foi encontrado: 0 na Categoria A – é
25
20
15
10
5 bastante remota a possibilidade de dano fetal; 2 (40%) na
0
Paracetamol Ibuprofeno
Fonte: Dados da pesquisa.
Dipirona Dimenidrinato Bromoprida
Categoria B - prescrição com cautela; 2 (40%) em Categoria C
– prescrição com risco; 1 (10%) em Categoria D – prescrição
Acredita-se que o número encontrado nesta pesquisa a com Alto Risco e 0 em Categoria X – prescrição com Perigo
respeito da automedicação (33,75%) seja elevado, visto que (contraindicada).
a saúde pública não tem recebido recursos orçamentários A fonte de orientação sobre o uso de medicamentos foi

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Automedicação em Gestantes de Alto Risco: Foco em Atenção Farmacêutica

explícito pelo profissional médico por 39 (48,75%) gestantes, (1,25%) afirmou buscar a internet. As doenças de altos riscos
28 (35%) pelo Farmacêutico, 12 (15%) enfermeiro, e uma das gestantes estão descritas no gráfico da Figura 2.

Figura 2 - Doenças de alto risco das gestantes atendidas na Policlínica Francisco Carlos Cavalcante Roque, Quixadá- Ceará,
Nordeste, Brasil- 2016.
30

25

20

15

10

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Fonte: Dados da pesquisa.

É possível verificar que 39% apresentaram como doenças não deve ser administrada na gravidez e lactação. Em quarto
de alto risco a Infecção, sendo essas distribuídas em Urinária, lugar, aparece o boldo, que pode acarretar redução do peso
Vaginal e Intestinal, e ainda que 25% por Hipertensão fetal e apresenta ação abortiva, contraindicado no primeiro
Gestacional. Carvalho e Araújo14 apresentam um estudo trimestre de gestação15.
com 612 puérperas no pós-parto imediato, e que de acordo Dados semelhantes foram encontrados, em um estudo
com o prontuário médico, 368 (60,2%) das entrevistadas desenvolvido no âmbito da Estratégia Saúde da Família (ESF)
apresentaram algum tipo de morbidade na gravidez por de Cuité-PB, no período de abril a outubro de 2010, com 64
ocasião do internamento, sendo as mais frequentes: a doença gestantes atendidas sendo obtido que 16 (25%) fizeram uso
hipertensiva específica da gravidez 135 (36,7%) e a pré- de algum tipo de planta medicinal. Todas as nove plantas
eclâmpsia 107 (29,1%). medicinais citadas pelas gestantes foram consideradas
De acordo com o Ministério da Saúde, as complicações contraindicadas, sendo o boldo (62,5%), erva-cidreira
hipertensivas na gravidez são a maior causa de morbidade e (18,75%) e canela (12,5%) as mais utilizadas na forma de
mortalidade materna e fetal, e ocorrem em cerca de 10% de chás. Constipação, dor, febre e ansiedade foram algumas das
todas as gestações5. motivações para o uso destas plantas [Link]
A utilização de plantas medicinais foi afirmada por 56 et al.9 entrevistaram145 gestantes que se apresentavam para
(70%) das gestantes, dentre elas, 14 (25%) “erva-cidreira” consulta pré-natal no serviço de Obstetrícia da Policlínica Dr.
(Lippia alba), 10 (17,5%) “erva-doce” (Pimpinella anisum), Luiz Santos Filho e em dez Unidades Básicas de Saúde do
9 (16%) “capim-santo” (Cymbopogon citratus), 8 (14,5%) município de Gurupi-TO. As classes de medicamentos mais
boldo” (Peumus boldus) seguidos por 8 (14,5%) “camomila” usados foram: antianêmicos, analgésicos, antiespasmódicos
(Matricaria recutita/Chamomilla recutita), e 7 (12%) e antibióticos. Entre as gestantes, 50 (34,5%) relataram a
“hortelã-da-folha-miúda (Mentha spp.) utilização de plantas medicinais, sendo a erva-cidreira a mais
De acordo com a revisão de literatura realizada, a planta citada 41 (28%), seguida da camomila 29 (20%), capim-santo
mais utilizada pelas gestantes é justamente a camomila, que 21 (14%), erva-doce 3 (6%) na forma de fitoterápico. Dos
segundo as referências bibliográficas, tem uso contraindicado medicamentos isentos de prescrição médica se destacaram o
durante a lactação e gestação, por possuir ação abortiva e ser paracetamol (Tylenol) e a dipirona (Novalgina). 105 (72,41%)
um relaxante uterino. Em segundo lugar, aparece a hortelã, que gestantes disseram não concordar com a automedicação,
também apresenta efeito abortivo e, em seguida, a melissa que enquanto 40 (27,59%) gestantes concordaram com a prática.

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Santos SLF, Pessoa CV, Arraes MLBM, Barros KBNT

As mulheres entrevistadas foram também questionadas gravidez na cidade de Natal, Rio Grande do Norte, Brasil.
em relação à educação em saúde. Um número expressivo de Rev Bras Ginecol Obstetr 2008;30(1):12-8. doi:
80% das gestantes afirmou ter recebido orientações durante 4. [Link]
o pré-natal somente pelos profissionais enfermeiros, e ainda 5. Santos DTA, Campos CSM, Duarte ML. Perfil das patologias
que nenhuma recebesse algum material informativo sobre o prevalentes na gestação de alto risco em uma maternidade
uso racional de medicamentos para gestantes de alto risco. escola de Maceió, Alagoas, Brasil. Rev Bras Med Fam
Comunidade 2014;9(30):13-22.
Cabe ressaltar que esta pesquisa foi realizada através da
coleta de informações envolvendo a lembrança das mulheres, 6. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde.
Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Gestação
o que pode levar a subjetividade dos dados, pois a recordação
de alto risco: manual técnico. Brasília: MS; 2010.
de fatos passados, de certa forma, pode não corresponder
7. Brites R. Manual de técnicas e métodos quantitativos. Lisboa:
totalmente com a realidade.
Instituto Nacional de Administração; 2007.
A prática de educação em saúde centrada no profissional
8. Mozzato AR, Grzybovski D. Análise de conteúdo como
enfermeiro evidencia como o mais próximo dessa população
técnica de análise de dados qualitativos no campo da
nos serviços de saúde. Ver-se que a fonte de orientação sobre administração: potencial e desafios. RAC 2011; 15(4):731-
o uso de medicamentos pelo profissional médico ocorre pela 47.
comunicação no momento da consulta, ao Farmacêutico na 9. Brasil. Conselho Nacional de Saúde, Resolução nº466 de 12
dispensação dos medicamentos na farmácia, ao enfermeiro de dezembro de 2012. Brasília: Conselho Nacional de Saúde;
pela disponibilidade nas unidades básicas de saúde e a internet 2012.
como facilidade em obter as informações sobre as substâncias, 10. Beserra FP, Paiva SG, Sousa SF, Lopes SPS, Azevedo DA,
mesmo sem a real credibilidade. Borges JCM. Perfil de utilização de medicamentos em
gestantes assistidas em serviço público de saúde de Gurupi,
4 Conclusão Tocantins. Rev Cereus 2014; 6(1):71-91.
11. Melo SCS, Pelloso SM, Carvalho MDB, Oliveira NLB. Uso
A automedicação foi reportada pelas entrevistadas de forma de medicamentos por gestantes usuárias do Sistema Único de
elevada, sendo mais presente a classe dos anti-inflamatórios Saúde. Acta Paul Enferm 2009; 22(1):66-70.
não esteroidais, o que gera preocupação para a saúde materna e
12. Nunes AM, Bayer VML, Felisbino FE, Castro AA, Gazola
fetal. O álcool e fumo foram pouco reportados pelas gestantes AC, Martins LP. A utilização de medicamentos por gestantes
durante todo o período gestacional e, ainda, a utilização de internadas em um Hospital da região sul catarinense:
plantas medicinais requer atenção e orientação de seu uso caracterização e avaliação dos riscos envolvidos. Rev Ciênc
Cidadania 2015;1(1):57-68.
adequado. Diante dos resultados encontrados neste estudo,
pode-se concluir que a medicalização na gravidez é uma 13. Rocha RS, Bezerra SC, Lima JWO, Costa FS. Consumo de
medicamentos, álcool e fumo na gestação e avaliação dos
realidade, já que há um elevado consumo de medicamentos riscos teratogênicos. Rev Gaúcha Enferm 2013;34(2):37-45.
durante a gestação sem conhecimento dos riscos teratogênicos
14. Fonseca CS, Viloria MIV, Repetti L. Alterações fetais
implicados. induzidas pelo uso de anti-inflamatórios durante a gestação.
Nesse contexto, o conhecimento por parte dos profissionais Ciênc Rural 2002;32(4):529-34.
dos medicamentos mais utilizados na gestação, bem como seu 15. Menezes MSS, Medeiros MM, Barbosa PBB, Ferreira AAA,
potencial teratogênico e características populacionais mais Medeiros CAC. X. Uso de medicamentos por gestantes
expostas contribuem para o direcionamento de planejamento e atendidas no Hospital da Polícia Militar: Mossoró/RN. Rev
intervenções educativas dirigidas a gestantes, proporcionando Bras Farm 2014; 95(1):512-29.
maior segurança quanto ao uso racional de medicamentos 16. Carvalho VCP, Araújo TVB. Adequação da assistência pré-
durante a gestação. natal em gestantes atendidas em dois hospitais de referência
para gravidez de alto risco do Sistema Único de Saúde, na
Referências cidade de Recife, Estado de Pernambuco. Rev Bras Saúde
Matern Infant 2007;7(3):309-17.
1. Araujo DD, Leal MM, Santos EJV, Leal LB. Consumption of 17. Melo A, Anhesi N, Da Rosa L, Pereira A. Uso de plantas
medicines in high-risk pregnancy: evaluation of determinants medicinais na gestação. RETEC 2017. [acesso em 17 mar
related to the use of prescription drugs and self-medication.
2017]. Disponível em [Link]
Braz J Pharm 2013;49(3):491-9.
php/retec/article/view/234/152
2. Rodrigues AVP, Terrengui LCS. Uso de medicamentos
18. Pontes SM, Souza AP, Barreto BF, Oliveira HSB, Oliveira
durante a gravidez. Rev Enferm UNISA 2006;7(1): 9-14.
LBP, Saraiva AM, et al. Utilização de plantas medicinais
3. Guerra GCB, Silva AQB, França B, Assunção PMC, Cabral potencialmente nocivas durante a gestação na cidade de
RX, Ferreira AAA. Utilização de medicamentos durante a Cuité-PB. Com Ciênc Saúde 2012; 23(4):305-11.

J Health Sci 2018;20(1):50-4 54

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